4 de ago de 2018

Quem é Ana Amélia, a vice escolhida por Alckmin para capinar votos na horta de Bolsonaro


A decisão da senadora gaúcha Ana Amélia Lemos, do Partido Progressista, de ser vice de Geraldo Alckmin é mais uma injeção de sangue novo em uma candidatura que, há pouco mais de um mês, soava quase como piada. E é o segundo movimento estratégico do tucano na luta para conter a sangria de votos da direita mais raivosa, que abandona as hostes tucanas em revoada rumo ao meme ambulante Jair Bolsonaro (PSL).

Depois de ganhar fôlego e tempo de rádio e TV ao fechar acordo com o centrão (que namorou com Bolsonaro, mas aceitou as alianças de Alckmin na hora do noivado), a cúpula tucana entendeu que precisava reduzir o apelo eleitoral do caricato adversário no sul do país, território mais reacionário do que nunca – já que o nordeste, amplamente favorável ao ex-presidente Lula, tende a ser um deserto de votos para o ex-governador de São Paulo.

Ana Amélia Lemos atende essa demanda à perfeição. Rainha da tradicional família gaúcha desde os tempos em que comentava política na afiliada local da Rede Globo, a RBS, a senadora tem se esforçado de uns tempos para cá para conquistar o coração do gaúcho que odeia a esquerda e acha Bolsonaro uma boa ideia – tudo isso sem jamais apoiar abertamente a aberração bolsonarista, bem pelo contrário. Também adota o discurso fácil de combate à corrupção, mesmo que tenha sido acusada de, nos anos 1980, ganhar uma boa grana com um cargo em comissão que jamais exerceu – e no gabinete do marido, o senador biônico Octávio Cardoso, já falecido.

Em sua atuação parlamentar, Ana Amélia votou a favor da PEC dos Gastos Públicos (que pode deixar o Brasil sem bolsas de pós-graduação a partir de agosto de 2019) e da reforma trabalhista. Se defender a ciência e os direitos da massa trabalhadora não são exatamente seus fortes, os ruralistas não têm do que reclamar. Os serviços prestados renderam a ela, em março, o prêmio Líder do Agronegócio Brasileiro 2018, concedido pela Farsul, entidade que reúne os principais líderes rurais do Rio Grande do Sul.

Ana Amélia apoiou recepção truculenta contra apoiadores do ex-presidente Lula no Rio Grande do Sul.
Ana Amélia apoiou recepção truculenta contra apoiadores do ex-presidente Lula no Rio Grande do Sul.
Foto: Guilherme Santos/Divulgação

A gaúcha também fica à vontade na hora de levantar bandeiras do lobby armamentista. Aliou-se recentemente ao Armas Pela Vida, movimento cujo nome dispensa explicações, e apoia abertamente a posse de armas de fogo no meio rural. Uma liberação que será recebida de braços abertos por coronéis e latifundiários, já que barateará o processo de extermínio de indígenas, fiscais do trabalho escravo e integrantes de movimentos sociais.
No festival de violência que envolveu a caravana promovida por Lula em cidades gaúchas, Ana Amélia aplaudiu os agressores sem meias palavras.
Não é pequeno o esforço de Ana Amélia em se tornar rainha também das multidões que odeiam o PT e a esquerda, mesmo sem que saibam muito bem por quê. Quando a petista Gleisi Hoffmann concedeu entrevista à rede de TV Al-Jazeera, falando sobre a prisão do ex-presidente Lula, a senadora do PP jogou pesado com o imaginário xenófobo: acusou a adversária de violar a Lei de Segurança Nacional ao falar com a emissora do Qatar e disse esperar que a fala não fosse “um pedido para o Exército Islâmico atuar no Brasil”.

No festival de violência que envolveu a caravana promovida por Lula em cidades gaúchas, Ana Amélia aplaudiu os agressores sem meias palavras. “Botaram para correr aquele povo que foi lá, levando um condenado se queixando da democracia. Atirar ovo, levantar o relho, levantar o rebenque é mostrar onde estão os gaúchos”, disse à época. A escalada de hostilidade encorajada por Ana Amélia resultou em tiros sendo disparados contra ônibus da caravana nas estradas do Paraná – um bangue-bangue que, vamos admitir, casa bem com suas propostas de cunho armamentista.
A senadora tira o PP gaúcho do colo de Bolsonaro e canaliza um caminhão de votos na direção de Alckmin.
Esses sinais todos, é claro, angariaram a simpatia de quem ouve o canto de sereia de Bolsonaro no Sul do Brasil. Mas quem acompanha os movimentos de Ana Amélia Lemos sabe que, mesmo ansiosa por esses votos, ela nunca teve interesse em subir no mesmo palanque do candidato. Contrária à aproximação com o PSL no Rio Grande do Sul, a senadora exigia ser a única candidata ao senado na sua coligação, e deve ter ficado furiosa quando Carmen Flores, do mesmo partido do presidenciável, decidiu que concorreria também, independente da opinião da quase-aliada.

Simpatizante do PSDB e apoiadora de Aécio Neves no pleito de 2014, a senadora assume riscos ao abrir mão de uma reeleição quase certa, mas tira o PP gaúcho do colo de Bolsonaro e canaliza um caminhão de votos na direção de Alckmin. Outro tucano que está vibrando é Eduardo Leite, cara jovem da sigla que concorre ao governo gaúcho: não apenas fica com um adversário a menos (já que o ruralista Luis Carlos Heinze, que afirmou que quilombolas, índios e homossexuais são “tudo o que não presta”, deixa de concorrer ao Piratini pelo PP para ocupar o lugar de Ana Amélia na corrida pelo senado), como ganha de presente mais tempo de TV que o atual governador José Ivo Sartori (PMDB), que tenta a reeleição.

Igor Natusch
No The Intercept
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Mídia incita a violência contra os excluídos


A questão democrática e a midiatização do processo judicial no Brasil foi o tema central do debate que lotou o salão do Hotel Continental, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira (2). O responsável pela lotação do espaço foi o jurista argentino, Eugenio Raúl Zaffaroni, principal conferencista da noite. Ministro da Suprema Corte Argentina de 2003 a 2014 e diretor do Departamento de Direito Penal e Criminologia na Universidade de Buenos Aires, Zaffaroni, desde 2015, é juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, além de ser vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal. E a situação do Direito Penal na América Latina foi um dos principais temas abordados no evento promovido pelo Instituto Novos Paradigmas (INP), que vem promovendo uma série de encontros no Brasil e no Exterior para debater a crise do estado democrático de direito.

No atual contexto de avanço do estado de exceção, “o senhor representa o Direito e a Razão”, disse Tarso Genro, presidente do conselho programático do INP, ao apresentar o conferencista da noite. Zaffaroni falou sobre este cenário, destacando o papel da mídia e do sistema penal como um todo na construção de uma cultura punitivista na sociedade que, para ele, representa uma séria ameaça à democracia e à segurança das pessoas. “Todos temos experiências de condenações midiáticas, casos onde a condenação vem antes do devido processo penal. No meu país, os juízes têm medo da mídia. Hoje, na Argentina, há juízes sendo perseguidos pelo conteúdo de suas sentenças. É a primeira vez que vejo isso acontecer desde que retornamos à democracia, em 1983”, relatou.

O estereótipo do criminoso

Para o magistrado argentino, há hoje, em praticamente toda a região da América Latina, um monopólio midiático responsável pela construção de uma visão única da realidade, o que é incompatível com a democracia e com uma sociedade plural. O que vivemos em nossa região, assinalou, são monopólios midiáticos com um discurso único que alimenta uma cultura punitivista que acaba contaminando toda a sociedade. “No México, a mídia faz um discurso racista dizendo que os mexicanos são historicamente violentos. Nos países do Cone Sul, a mídia dá grande ênfase ao noticiário policial. Essa mídia monopolista está permanentemente incitando a vingança e a violência contra uma classe, a dos excluídos. O estereótipo do criminoso entre nós é o adolescente de bairros precários”.

Essa cultura, disse ainda Zaffaroni, aumenta a seletividade do sistema penal como um todo. “Todo sistema penal é seletivo. A pena é um fato político, uma expressão de poder. O direito penal habilita o poder punitivo, mas também limita esse poder. Nós exercemos o controle jurídico do exercício desse poder e precisamos nos esforçar para diminuir esse nível de seletividade”. Falando da realidade argentina, o jurista apontou um fato novo que estaria agravando o nível e a natureza dessa seletividade. “O grande perigo deste momento, ao menos em meu país, além dessa seletividade estrutural do sistema penal, é o surgimento de uma seletividade persecutória, onde o inimigo passa a ser o opositor político, o que representa um sintoma totalitário. Na Argentina isso é muito claro. Fala-se de lawfare, mas talvez seja melhor falar de law far (longe do direito)”. “Está se perdendo todos os limites”, acrescentou. “Pela primeira vez, em 35 anos de democracia, voltamos ter presos políticos”.

“Poder financeiro quer ocupar lugar da política”

Para Zaffaroni, esse cenário está inserido no marco de um novo poder planetário engendrado pela globalização: o poder do capital financeiro que busca o máximo de rendimento no menor espaço de tempo e alimenta pulsões para tomar o lugar da política e dos políticos. “Esse poder financeiro é uma pulsão de totalitarismo que quer ocupar o lugar da política, enfraquecendo o Estado. O objetivo desse poder é criar uma sociedade com 30% de incorporados e 70% de excluídos. Entre o incluído e o excluído não existe mais nenhuma relação dialética como havia entre o explorador e o explorado. O excluído é absolutamente descartável”. Esse sistema, disse ainda Zaffaroni, precisa da mídia e do sistema penal para reforçar o aparato repressivo.

A pretensão desse poder financeiro global de enfraquecer o Estado e ocupar o lugar da política representa uma ameaça para toda a humanidade, advertiu o magistrado. “A humanidade só tenta impor limites quando sente medo. A Declaração dos Direitos do Homem surgiu porque o mundo ficou apavorado com a Segunda Guerra Mundial e o surgimento da bomba atômica. Estamos vivendo um momento regressivo, mas a criatividade política não surge nos períodos de bonança. Vivemos um período de resistência e é preciso lembrar que o Direito é luta. Ao longo da história, os direitos sempre foram arrancados na luta”, destacou Zaffaroni que vê a América Latina com capacidade de resistir à ofensiva desse poder financeiro global:

“A América Latina não vai ficar calada. Ela tem uma dinâmica própria. É um mosaico formado por todos os excluídos do mundo: povos originários, africanos, imigrantes da Europa subdesenvolvida. Estamos sincretizando culturas. Precisamos virar Hegel de cabeça para baixo. Todas as culturas descartadas por ele estão se sincretizando entre nós. Por isso, nada de depressão. É tempo de resistir”.

A conferência de Zaffaroni foi debatida por Maria Helena Weber, professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alexandre Wunderlich, Doutor em Direito pela PUCRS, e Domingos Savio Dresh da Silveira, Procurador Regional da República e professor da Faculdade de Direito da UFRGS.

Visibilidade, cegueira e o Direito Penal

Maria Helena Weber utilizou o par “visibilidade e cegueira” para falar do papel desempenhado pela mídia hoje. “A realidade vai sendo enquadrada por diferentes tipos de recorte que envolvem desde os critérios que definem as fontes consultadas até o apagamento de outros tipos de recorte”. Esse enquadramento, acrescentou, apresenta uma realidade dramatizada insidiosa que naturaliza o preconceito, a violência e a indignidade.

Alexandre Wunderlich destacou a premissa básica que embasou a fala de Zaffaroni: o Direito Penal tem a função de limitar o poder punitivo do Estado. “Nunca conseguimos aplicar essa premissa. Passamos a década de 90 promulgando novas leis penais e provocando um inchaço do Direito Penal, criminalizando todas as condutas que os meios de comunicação consolidaram no imaginário social como passíveis de pena. Estamos vivendo a perda da dignidade do Direito Penal. A magistratura tem que colocar o Direito Penal no seu lugar”.

Na mesma linha, Domingos Savio afirmou que estamos vivendo um estado de exceção com um subproduto inesperado: em função da necessidade de resistir a ele, está juntando as pessoas que estavam dispersas e esse auditório aqui hoje é uma prova disso. Lembrando uma reflexão de Pierre Bourdieu, ele comentou o papel desempenhado pela televisão hoje, observando que “é próprio do estado de exceção que as palavras percam seu sentido”. “A TV se tornou um perigo para a democracia. Ao invés de ser um instrumento de comunicação, ela se tornou árbitro da existência social, definindo aquilo que existe e o que não existe. E ninguém chama isso de censura”.

Marco Weissheimer
No Sul21
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A direita, o PT-PSB, os abusos da PF e a "ponte sem futuro"

(1) A indicação da senadora Ana Amélia como vice de Alckmin. Para quem não a conhece, ela é uma espécie de Bolsonaro dos pampas, pelo despreparo político, truculência e desprezo pelos direitos. Ao escolhê-la, o PSDB sacramenta sua opção pela extrema-direita. Alckmin entende que o espaço do centro permanecerá vazio, dá como favas contadas que Lula ou seu indicado estarão no segundo turno e tenta garantir sua própria vaga disputando o eleitorado de Bolsonaro.

(2) A declaração de Alckmin sobre cobrança de mensalidades nas universidade públicas. É no mínimo inusual que um candidato a presidente que se queira competitivo faça um movimento tão explícito na direção da privatização do ensino superior. Mostra que o PSDB escolheu com quem quer falar - e não é com o povo.

(3) Juntos, os dois movimentos revelam, mais uma vez, que a direita não pensa em pacificar o país a partir das eleições. Ao contrário, continua radicalizando suas posições, negando espaço para negociação e almejando o esmagamento completo do campo popular e democrático.

(4) O acordo PT-PSB. Genial do ponto de vista do jogo eleitoral, emparedando Ciro Gomes e consagrando o nome petista, qualquer que seja, como única opção competitiva à esquerda, o acordo é lastimável do ponto de vista da luta popular, agravando ressentimentos e esfumando uma vez mais a linha divisória entre apoiadores do golpe e defensores da democracia. A radicalidade demonstrada pela teimosia na candidatura de Lula, denúncia viva da ilegitimidade do poder no Brasil de hoje, não corresponde a nenhum passo na direção da superação do eleitoralismo mais estreito e a nenhuma tomada de posição coerente com as necessidades da resistência do golpe.

(5) A reação da base petista ao acordo com o PSB. Partindo sobretudo de Pernambuco, que resiste à retirada da candidatura favorita de Marília Arraes para facilitar a reeleição de um golpista profundamente impopular, Paulo Câmara, mas se espraiando por todo o Brasil, há uma forte rejeição ao acerto definido pela cúpula do PT. A direção petista está claramente aquém do momento histórico, mas muito da base mostra maior clareza sobre o que estamos enfrentando.

(6) Cabe perguntar como a liderança petista reagirá ao desconforto de sua base. O golpe e a perseguição ao ex-presidente Lula deram ao partido uma sobrevida de apoio popular e entusiasmo militante, em grande medida congelando o processo de crítica aos limites de suas políticas. Estará o PT disposto a queimar tão rapidamente este capital que ganhou?

(7) A nova perseguição a um professor da UFSC por criticar a ação arbitrária da Polícia Federal, que levou à morte do reitor Luiz Carlos Cancellier. Desta vez, foi o professor Mario de Souza Almeida, intimado a "prestar esclarecimentos" pelo discurso que fez numa formatura. Completamente desmoralizada como investigação, a operação na UFSC está desnudada como ação arbitrária e injustificável, que, caso vigorassem os direitos, deveria levar à severa punição dos responsáveis. No entanto, obedecendo à melhor cartilha dos Estados policiais, a PF criminaliza as denúncias de suas violências, tentando silenciar à força as vozes críticas. O fato de que a corporação permanece alimentando impunemente esta espiral de abusos mostra a que ponto chegamos.

(8) Por fim, a exposição - pela própria direção da CAPES - do estado terminal do financiamento à pesquisa no Brasil. A "Ponte para o futuro" de Temer era só mais uma expressão do cinismo dos arquitetos do golpe. Se depender deles, não há futuro possível para o Brasil.

Luis Felipe Miguel
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Funcionários da Globo tiram fotos com Bolsonaro quando ele chega no estúdio

Bolsonaro é acompanhado até o local da entrevista pelo diretor geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel


O candidato do PSL Jair Bolsonaro foi entrevistado na noite da última sexta-feira (3) na GloboNews. Vídeo mostra que funcionários da emissora param o militar para tirar fotos com ele. Bolsonaro é acompanhado até o local da entrevista pelo diretor geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, autor do livro Não somos racistas (editora Nova Fronteira).

Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos. Na pesquisa Vox Populi/CUT, ele aparece com 12%. Já de acordo com a Paraná Pesquisas, num cenário sem Lula na disputa, o militar venceria

A entrevista da GloboNews ganhou repercussão por conta de afirmação de Bolsonaro sobre o apoio de Roberto Marinho, dono do Grupo Globo de 1925 a 2003, à ditadura militar. Com a provocação, a emissora esticou o programa ao vivo e a jornalista Miriam Leitão leu uma nota ditada em seu ponto eletrônico.

Assista ao vídeo



No Fórum
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Atentado contra Nicolás Maduro em Caracas

O atentado aconteceu através de vários drones que explodiram perto do local onde falava o presidente da Venezuela, durante ato de comemoração de 81 anos da Guarda Nacional Bolivariana


Segundo o ministro da Comunicação, Jorge Rodriguez, o presidente Maduro está bem e neste momento se encontra reunido com o comando das forças armadas bolivarianas e com o conselho de ministro. Sete membros da Guarda bolivariana estão feridos. Ainda hoje o presidente da Venezuela irá fazer uma transmissão nacional de televisão para falar sobre o ocorrido.

A cerimônia acontecia na avenida Bolívar, em Caracas, e estava sendo transmitida ao vivo quando houve o ataque.

"Informo que foram capturados parte dos autores deste atentado. A investigaçnao esta avançada. Se trata de um atentado para me matar. Tudo aponta para a direita e a extrema direita. E tudo aponta para a extrema direita colombiana." @NicolasMaduro

Assista ao momento do ataque no vídeo abaixo



Bruno Falci e Maíra Santafé
No Jornalistas Livres
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O procurador Ailton Benedito é fake news. Versão: aborto


A acusação é chocante e revoltante. A Planned Parenthood — o maior provedor de saúde reprodutiva nos Estados Unidos e queridinho entre liberais do país — foi pego em flagrante lucrando em cima de abortos. Pior: estavam negociando a venda de pedaços de fetos abortados enquanto bebiam vinho num restaurante. É um crime. É um escândalo. É abominável.

E o procurador-chefe do Ministério Público Federal em Goiás, revoltado com essa revelação, tuitou uma matéria do Globo detalhando o caso. Foi retuitado pelo menos 876 vezes:


Postou na sua página de Facebook também:


O único porém é que o caso é absolutamente fictício, e mais de uma dúzia de investigações públicas — muitas delas lideradas por oponentes do grupo — confirmam isso.

Primeiramente, vamos deixar claro que o caso é de 2015, não de 2018.

O que é verdade: a Planned Parenthood providencia fetos para laboratórios médicos — mas calma que não é bem assim.

Vamos ao caso bombástico que tomou conta do noticiário dos EUA em julho de 2015. Um vídeo foi divulgado. Nele, estava a médica Deborah Nucatola, diretora sênior de serviços médicos da Planned Parenthood, discutindo a entrega de fetos e de “tecido fetal” com duas pessoas. Essas pessoas se identificavam como representantes de uma empresa de biomedicina e estavam interessadas em adquirir o tal tecido. Mas elas estavam mentindo: a empresa não existia e Deborah Nucatola caiu em uma armadilha.

O golpe foi construído ao longo de dois anos e meio, quando pessoas se encontraram repetidamente com Nucatola para ganhar sua confiança. Na verdade, as pessoas que se apresentavam como representantes da tal empresa eram dois ativistas antiaborto: David Daleiden, diretor do “Center for Medical Progress” (Centro de Progresso Médico), e sua funcionária, Sandra Merritt.

Eles usaram câmeras escondidas para gravar os encontros – em um deles, filmaram ela tomando vinho para criar uma imagem ainda mais ‘tou nem aí’ –, tentaram repetidamente provocar Nucatola para que ela dissesse coisas escandalosas ou ilegais, editaram as mais de 500 horas filmadas e transformaram tudo em um vídeo curto, descontextualizado, chocante e sem sentido para criar a pior impressão possível.

Funcionou. Lançaram cinco trechos de 10 minutos cada. Os vídeos caíram como uma bomba. Os republicanos – eternos inimigos do aborto legalizado que, ao longo dos anos, fizeram vários ataques criativos contra grupos como Planned Parenthood – ficaram simplesmente extasiados e surfaram na indignação popular. O então presidente da Câmara, John Boehner, declarou: “Quando uma organização monetiza um feto – e com a atitude arrogante retratada neste vídeo horrível – todos nós devemos agir”. E agiram, sim.

A máquina deles acelerou, todo mundo estava gritando e pedindo acusações criminais contra a Planned Parenthood, vários estados e até o Congresso Federal lançaram investigações contundentes contra a ONG, a mídia conservadora quase desmaiou de tanta raivalegria.

Depois que a imagem da Planned Parenthood e de Nucatola estavam no chão, a cilada foi desvendada. Em agosto, nada menos que 12 horas de gravações brutas foram publicadas. Elas mostram que a representante de Planned Parenthood explica várias vezes que o grupo não vende tecido fetal porque isso é ilegal. O que eles podem fazer legalmente, e fazem, é pedir que os pesquisadores que desejam ter acesso aos materiais – depois de autorização das pacientes – reembolsem os custos de envio e outros relacionados. Os pacientes não recebem nada. A Planned Parenthood não gera nenhum lucro, e o tecido é usado apenas para pesquisa científica.

“Há pacientes que chegam e dizem: ‘posso fazer algo para ajudar a ciência?'”, diz um representante de Planned Parenthood em uma das gravações clandestinas.

“Acho que muitos dos pacientes ficariam realmente satisfeitos com essa oportunidade”, diz outro.

“Este não é um novo fluxo de receita. Esta é uma maneira de oferecer ao paciente o que ele quer, do tipo ‘faça o bem para a comunidade médica’”, conta a Nucatola em outra gravação.

CHICAGO, IL - MAY 18:  A motorist passes a Planned Parenthood clinic on May 18, 2018 in Chicago, Illinois. The Trump administration is expected to announce a plan for massive funding cuts to Planned Parenthood and other taxpayer-backed abortion providers by reinstating a Reagan-era rule that prohibits federal funding from going to clinics that discuss abortion with women or that share space with abortion providers.  (Photo by Scott Olson/Getty Images)

Uma clínica de Planned Parenthood na cidade de Chicago, no estado de Illinois.
Foto: Scott Olson/Getty Images

Planned Parenthood: Alvo de ataques

Existe um argumento de boa fé sobre se o que a Planned Parenthood faz é ético. Mas as palavras “boa fé” não se aplicam em nada neste caso. O objetivo dos ativistas antiaborto era usar táticas sujas para derrubar uma organização que, para muitas mulheres, é o único lugar para acessar serviços médicos relacionados a saúde reprodutiva.

Devido a um lei federal feita pelos republicanos, o financiamento federal não pode pagar por abortos. Os milhões que a Planned Parenthood recebem são para os outros programas de saúde reprodutiva e feminina em suas 600 clínicas ao redor do país. E nem todas as clínicas oferecem serviços relacionados a aborto (na verdade, apenas 3% de seus serviços são voltados ao aborto). A maioria do atendimento é de natureza preventiva, o que inclui contracepção, exames e tratamentos de doenças sexualmente transmissíveis e exames de câncer do colo do útero, mamas e outros. O grupo faz programas educacionais para 1,5 milhões de adultos e adolescentes todo ano. De acordo com seu site, uma em cada cinco mulheres americanas já foram atendidas nas suas clínicas.

A Planned Parenthood sempre foi alvo de extremistas antiaborto. Pelo menos 11 pessoas foram assassinadas em ataques contra provedores de abortos desde 1993 nos EUA. Mas, depois dos vídeos de 2015, a violência atingiu outros níveis. Em novembro daquele ano, um atirador matou três pessoas e feriu outras nove. Pelo menos quatro clínicas foram incendiadas.

Vale a pena notar aqui também que a manchete da matéria d’O Globo compartilhada por Benedito – “ONG pró-aborto vende órgãos fetais nos EUA” – é um desastre. Era jornalisticamente e factualmente incorreta no momento em que foi publicada – mesmo sem todos os fatos que temos hoje – e segue viajando pelas redes de maneira ainda pior porque jamais foi corrigida ou atualizada. Anota aí que a fake news foi publicada num “jornal verdadeiro”. Oops. Mais uma, na verdade. Oops².

COLORADO SPRINGS, CO - DECEMBER 09: Robert Lewis Dear addresses Judge Gilbert Martinez during a court appearance December 09, 2015 in Colorado Springs, Colorado. El Paso County prosecutors filed formal charges against Lewis in the November 27 Planned Parenthood attack in which University of Colorado Colorado Springs police officer Garrett Swasey, Iraq war veteran Ke'Arre  Stewart and Jennifer Markovsky, mother of two were killed.  (Photo by Andy Cross-Pool/Getty Images)
Robert Lewis Dear atirou numa clínica de Colorado Springs, Colorado, em novembro de 2015. Matou três pessoas e feriu mais nove.
Foto: Andy Cross-Poll/Getty Images

Entenda os acontecimentos:

2015

  • Entre outubro de 2013 e julho de 2015 – 14 gravações clandestinas são produzidas por David Robert Daleiden e Sandra Merritt.
  • 14 de julho – The Center for Medical Progress divulga o primeiro vídeo, que provoca um escândalo imediato.
  • 15 de julho – Republicanos no Congresso lançam uma investigação devido aos vídeos. (Na época, o governo federal dava por volta de US$ 500 milhões por ano em financiamento para a ONG.)
  • Julho – Pelo menos 11 estados abrem investigações contra Planned Parenthood, com vários republicanos demandando o fim de financiamento para o grupo.
  • 7 de outubro – O congresso abre uma investigação especial sobre alegações de venda de “tecido fetal”.

2016

  • 25 de janeiro – Um tribunal em Harris County no estado de Texas vota para não indiciar Planned Parenthood e, sim, indicia Daleiden e Merritt por falsificar documentos governamentais e por ter utilizado identidades falsas em sua cilada numa clínica na cidade de Houston.
  • 27 de janeiro – O senado do estado de Ohio, dominado por republicanos, vota para tirar US$ 1,3mi de financiamento público para Planned Parenthood.
  • Entre o final de 2015 e início de 2016 – Pelo menos 13 estados terminam suas investigações – nenhum acaba com qualquer acusação contra a Planned Parenthood.

2017

  • 3 de janeiro – O Congresso federal, impulsionado pelos republicanos, termina sua investigação de 15 meses sobre Planned Parenthood sem nenhuma acusação ou prova de crime.
  • 29 de março – O procurador do estado de Califórnia acusa os dois autores dos vídeos de 15 crimes – 14 acusações de gravação ilegal sem permissão e uma de conspiração por invadir privacidade.
    • A organização que produziu os vídeos respondeu no dia: “As absurdas acusações dos parceiros políticos da Planned Parenthood são fake news.”
  • 21 de junho – Um juíz estadual indefere 14 das 15 acusações no estado de Califórnia.
  • 7 de julho – Califórnia faz mais acusações criminais contra Daleiden e Merritt.
  • 31 de agosto – Um juíz federal multa Daleiden e seus advogados US$ 200 mil por desobedecerem uma ordem que os proibia de divulgar os vídeos.

2018

  • 3 de abril – O Supremo Tribunal dos EUA rejeita um pedido de Daleiden e Merritt para reconsiderar uma ordem que impede que eles divulgem as gravações clandestinas.
  • 1º de agosto – Ailton Benedito, procurador da República do Brasil, compartilha uma matéria de julho de 2015 sobre o caso como se fosse novidade e verdade e é compartilhada centenas de vezes.
Esse caso tem tantos desdobramentos óbvios de uma notícia falsa que o procurador Benedito, que se apresenta tão interessado no assunto, deveria saber. Aparentemente não. Claro: ele nem percebeu que o link é de 2015. Ou talvez apenas não se importou.

O procurador Ailton Benedito

Pau pra toda obra da direita e expoente da onda conservadora no Ministério Público de Goiás, o procurador Ailton Benedito tem suas próprias verdades, as quais se encarrega de espalhar, como a pérola de que o nazismo é um regime socialista.


Mas a vergonha nacional mesmo foi quando ele pediu explicações ao Itamaraty sobre o envio de crianças e adolescentes do Brasil para treinamento armado na Venezuela. Muito esperto e patriota, ele precisava saber o porquê do envio de “adolescentes brasileiros à Venezuela, com o fim de transmitir conhecimentos relativos à ‘revolução bolivariana'”. Só que as crianças “brasileiras” eram na verdade de uma comunidade chamada Brasil, no estado de Sucre, na própria Venezuela, que estavam viajando dentro do próprio país para oficinas de jornalismo. Uma mera falha de interpretação de texto que poderia ter sido resolvida com uma googlada. Assim saberia que em Sucre existe uma comunidade chamado Brasil e é de lá que partiriam os estudantes. Oops³.

Em abril de 2016, após cair em outro boato de internet, Benedito recomendou que as polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar de Goiás impedissem a participação de estrangeiros em atos relacionados ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A recomendação foi expedida depois de surgirem na internet informações – não confirmadas pela PM de Goiás – de que bolivianos iriam a Brasília para protestar contra o impeachment.

É fantástica ainda a sua crença em propagandas subliminares. Com a justificativa de que campanha “Copa das Copas” atingia o “inconsciente coletivo, de forma subliminar”, ele pediu a suspensão das publicidades da Copa do Mundo em 2014. E não é só. Em seu blog, há um post incrível sobre “propaganda eleitoral subliminar“. O TRE que se cuide!

Benedito é como aquele seu tio reaça que solta absurdidades quase todos os dias no grupo de zap da família.



Mas a mais relevante das bandeiras que o Benedito levanta é a de defensor do MBL, depois que parte da rede de contas falsas do grupo que espalha propaganda enganosa foi derrubada pelo Facebook na semana passada. Ele demandou oficialmente que a empresa enviasse a lista de todas as páginas e perfis derrubados com explicações para cada uma das cerca de 300 contas afetadas. A justificativa pública do Facebook foi que as páginas e perfis “faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. #FakeNews

A ironia de um procurador usar o poder do seu cargo oficial para agir em favor dos fakenewsers do MBL e exatamente uma semana depois ser pego em flagrante divulgando sua própria fake news sobre abortos (que foi amplamente desmentida há anos) é notável. Demonstra que usa seu cargo para defender seus próprios interesses ideológicos (algo que ninguém pode duvidar depois de passar 10 minutos lendo suas redes sociais).

Também evidencia a gritante falta de discernimento e de capacidade investigativa do servidor público – dois poderes que devem ser extremamente importantes para a execução do seu trabalho como procurador-chefe em Goiás. Algo que deixa a gente pensando: como é possível que esse cara seja permitido a, abertamente e diariamente, divulgar esse tipo de barbaridades e idiotices ideológicas e ainda manter um cargo tão importante? Um cargo em que a aspiração de neutralidade – ou pelo menos a aparência disso – deve ser um pré-requisito.

Quando a cara da lei é Ailton Benedito, é fácil entender por que tanta gente entende que Lula seja um injustiçado desse mesmo sistema. Ele está longe de ser o único.

Andrew Fishman, Cecília Olliveira
No The Intercept
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PT lança Lula


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Sejamos portugueses

“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal...” Quando Chico Buarque escreveu isto, Portugal era o país mais atrasado da Europa, vivendo o rescaldo do salazarismo, com um fascismo tacanho ainda no poder, e a terra cujo ideal era imitar Portugal era o Brasil dos generais. Anos depois o mesmo Chico cantaria a vitória da Revolução dos Cravos (“Foi bonita a festa, pá...”) que restabeleceu a democracia no país.

Hoje Portugal é a inveja da Europa. Ainda tem uma dívida horrenda e o poder é compartilhado por uma coligação de esquerda e direita, com predomínio da esquerda, que justamente por depender de alianças díspares é precária. Mas ninguém está se queixando. Lisboa quase empata com Paris no número de turistas. A vida cultural fervilha. Os negócios vão bem, os empregos e a renda crescem (o “New York Times” há dias chamou o que acontece lá de “milagre português”) — enfim, só falta outra canção do Chico para celebrar o momento. E tudo isto é fruto de uma escolha.

Há anos assisti a uma peça em Nova York. Uma comédia sem importância da qual não me lembro nada, salvo uma frase. Alguém, brandindo um copo cheio de champanhe, diz:

— Sejamos todos espanhóis, a vida é muito curta para sermos gregos.

Substitua-se “espanhóis” por “portugueses” e temos a explicação do milagre. Portugal escolheu não ser a Grécia, sufocada pelas exigências de austeridade do FMI e da banca internacional sem nenhum proveito aparente. Escolheu não sacrificar seu povo por uma ortodoxia fiscal que não dá certo, não cortar programas sociais e repelir a austeridade.

A Grécia não teve escolha. Teve seu momento de rebeldia com a eleição de um governo de esquerda que negociaria a dívida com os credores com um mínimo de altivez, só para ouvir a madame que dirige o FMI compará-los a crianças birrentas. A escolha de Portugal talvez não dure, mas por um instante se teve um vislumbre de outro mundo possível. As crianças tinham razão.

Luís Fernando Veríssimo
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Lula contra a corrente

No dia 7 de abril deste ano, Luiz Inácio da Silva era preso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Começava ali uma guerra particular.

Lula, contra todos que o queriam fora do jogo, trataria de seguir na política, mesmo trancado numa sala da Polícia Federal em Curitiba. Passados quase quatro meses, ele marcou dois tentos na difícil partida que decidiu disputar (em vídeo gravado pouco antes de se entregar, ele lembrava que poderia, facilmente, ter saído do país).

O gol mais recente foi impedir que o PSB (Partido Socialista Brasileiro) fechasse uma aliança com o cearense Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência. O primeiro foi a manutenção, até aqui, de uma intenção de votos, medida pelas pesquisas, em torno de 30%.

Ao contrário da possível dispersão causada pelo aprisionamento, o seu capital de sufrágios continua quase intacto.

Utilizando a larga popularidade que detém em Pernambuco, Estado onde nasceu, Lula comandou com punho de ferro a desconstituição de uma aliança quase certa entre o partido criado por Miguel Arraes e o ex-governador do Ceará.

Ajudado pelo fantasma da candidatura de uma neta de Arraes, a qual provavelmente inviabilizaria a continuidade dos pessebistas à frente do governo pernambucano, Lula enfraqueceu a postulação do seu ex-ministro de Integração Nacional.

Note-se que Lula não tem nada contra Ciro. Trata-se “apenas” de impedir que, ao ganhar musculatura com a sustentação do PSB, o comboio cirista toldasse o lulismo.

A informação publicada pelo Painel de que o PT, ao mesmo tempo, ofereceu a Ciro a vaga de vice-presidente na chapa de Lula confirma que não há prevenção contra ele. Desde que o pedetista cedesse a precedência ao líder petista.

O oferecimento é menos disparatado do que parece, uma vez que, como se sabe, Lula no final não poderá concorrer por motivos judiciais. Chegado o momento de indicar o substituto, a escolha poderia recair sobre o seu vice, no caso da hipótese acima, Ciro. O preço a pagar seria, contudo, o reconhecimento de que é Lula quem dá as cartas e a submissão à incerteza que tal implica.

Em 1989, argumentava-se que não fazia sentido um dirigente metalúrgico aspirar à Presidência tendo como base apenas uma bem-sucedida eleição para deputado federal em 1986.

Em 2002, após três derrotas, dizia-se que Lula tinha teto (cerca de 30% dos sufrágios) e devia ceder a vez a alguém que pudesse superá-lo. Em 2018, o ex-retirante decidiu nadar de novo contra a corrente. Vamos ver quem é mais forte.

PS: a escolha de Ana Amélia (PP) como vice de Alckmin mostra que, no campo da direita, as melancias começam a se acomodar, conforme previ aqui em 23/6 (“Lógica Polar”).

André Singer
No fAlha
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TRE mantém no ar blog que revela omissão de R$ 4,7 milhões no patrimônio de Ana Amélia

Fazenda de 1,9 mil hectares ficou de fora da declaração da candidata gaúcha à justiça eleitoral

Ela
A Matéria é do insuspeito Globo, publicada em 22/09/2014, aliás antes de conhecermos o codinome “Véia” da “lista eleitoral” da Odebrecht. Mas a RBS, sucursal gaúcha da Globo sempre escondeu mais esta maracutaia da “Ana Relho”

A fazenda Saco do Bom Jesus, localizada no município de Formosa (GO), foi adquirida por Ana Amélia e pelo marido, senador Octávio Cardoso, em duas operações, em 1984 e 1986. Em janeiro deste ano, o patrimônio foi incorporado aos bens da atual senadora depois de concluído o inventário resultante da morte de Cardoso, ocorrida em 2011.

O espólio de Cardoso foi avaliado em R$ 9,47 milhões, dos quais R$ 4,74 milhões couberam a Ana Amélia, viúva do senador. Os dois se casaram em comunhão universal de bens em 1990, depois de viverem em união estável por mais de dez anos. O inventário foi registrado no 2º Tabelionato de Notas de Formosa no dia 27 de janeiro deste ano.

Na declaração de bens da candidata ao Tribunal Superior Eleitoral não consta o patrimônio resultante do inventário, que inclui 36% das terras em Goiás – cerca de 680 hectares – e metade das 600 cabeças de gado da fazenda. Também fizeram parte do espólio imóveis em Porto Alegre e em Lagoa Vermelha, terra natal da senadora, veículos e títulos de capitalização. Os outros bens foram divididos entre as três filhas do senador.

Ao TSE, entretanto, Ana Amélia declarou um patrimônio de R$ 2,55 milhões, constituído por imóveis, veículos e aplicações financeiras. O bem de maior valor da declaração é um apartamento em Brasília, avaliado em R$ 816 mil. O patrimônio omitido é praticamente o dobro do que foi declarado à justiça eleitoral.

A primeira matrícula dos imóveis, que se refere a uma área de 1.030 hectares, foi registrada no dia 6 de dezembro de 1984 no 1o Cartório de Notas de Formosa. Outra parte da fazenda, adquirida para fins de reserva florestal legal, foi adquirida no dia 3 de julho de 1986.

Documento reproduzido por blogueiro aponta propriedade de fazenda
em nome da senadora Ana Amélia (PP-RS)
Reprodução

Segundo o advogado Fabrício Maia, um dos administradores do blog Sociedade Política, a fazenda já fazia parte do patrimônio de Ana Amélia antes da morte do senador e, portanto, deveria ter sido declarada ao TSE tanto na eleição deste ano quanto no pleito de 2010, em que a atual candidata ao governo foi eleita senadora.

— Não estamos discutindo a situação fiscal da candidata, se ela deveria ter ou não declarado os bens no imposto de renda. Esse é outro tema. Em relação à lei eleitoral, não há desculpa: a fazenda deveria ter sido declarada — justifica o blogueiro.

A lei 9.540, de 1997, determina no artigo 11 que os candidatos devem apresentar no pedido de registro de candidatura uma declaração de bens, assinada pelo titular ao cargo em disputa. O artigo não especifica se os bens podem ou não estar partilhados entre cônjuges.

A assessoria jurídica da candidata queria tirar o site do ar alegando que as propriedades não precisariam ser declaradas à justiça eleitoral por constarem da declaração de renda do espólio de Cardoso. Além disso, alegava que a página divulga “afirmações ofensivas à honra” de Ana Amélia. A ação deu entrada nno TRE ainda no sábado.

A desembargadora Liselena Robles Ribeiro, entretanto, considerou improcedente o pedido e remeteu o caso à Procuradoria Regional Eleitoral.

O advogado de Ana Amélia, Gustavo Paim, disse que a candidata nunca escondeu a propriedade e acusou o blog Sociedade Política de ter sido criado apenas para fins eleitorais.

— Trata-se de uma acusação irresponsável feita por um blog criado há pouco mais de um mês apenas para plantar factoides. Vamos tomar as medidas cabíveis também na área criminal — disse Paim.

Segundo o advogado, a candidata não tinha obrigação de declarar a propriedade da fazenda porque fazia parte da declaração de renda do marido de Ana Amélia. Para Paim, o regime de comunhão universal de bens permite que as propriedades de um casal sejam declaradas ao fisco apenas por um deles na declaração anual de renda. A candidata preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

‘OMISSÃO FERE A LEI ELEITORAL’

O desembargador aposentado Antônio Augusto Mayer dos Santos, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB gaúcha, classificou a situação como “singular”.

— A lei eleitoral menciona uma declaração dos bens disponíveis pelos candidatos, que são de uso cotidiano, o que não parece ser o caso da fazenda em questão. Mas de fato o tema merece uma interpretação mais detalhada — afirmou.

A desembargadora Lúcia Koppitke, que foi juíza do TRE gaúcho, avaliou que a omissão os bens ferem a legislação eleitoral vigente:

— Pelo regime de união entre os dois, metade da propriedade já era da senadora mesmo antes da morte do marido. No meu entendimento, deveria constar da declaração de bens à justiça eleitoral — disse.

Luíz Müller
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Interpol tira Tacla Duran da lista de procurados internacionais devido ao comportamento parcial de Sergio Moro

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O falso purismo de Marina Silva

Entrevistada pela bancada tucana da GloboNews nesta terça-feira (31), a ex-verde Marina Silva, que só ressuscita em períodos de campanha eleitoral, voltou a posar de puritana. Atacou as alianças partidárias, fantasiou-se de ética, elogiou a midiática Lava-Jato e insistiu na tese de que ela representa o “novo” na política. O seu discurso, porém, parece convencer cada vez menos eleitores no país. Apesar de ainda contar com o recall das eleições presidenciais de 2014, quando substituiu o candidato Eduardo Campos, do PSB, morto em um trágico acidente aéreo, Marina Silva está empacada nas pesquisas. Sem tempo de televisão e sem coligações fortes, a pré-candidata da Rede Sustentabilidade caminha para uma terceira derrota nas urnas.

Como registrou matéria da Folha, assinada por Angela Boldrini, o “purismo” de Marina Silva está mais para jogada de marketing. “Acostumada a criticar adversários por alianças pragmáticas e o que chama de "velha política", a ex-senadora não tem encontrado eco em seu próprio partido... No Rio Grande do Sul, a Rede apoiará o candidato tucano ao governo do estado, Eduardo Leite - e chegou negociar apoio ao atual governador, José Ivo Sartori (MDB). No Amapá, o senador Randolfe Rodrigues dividirá palanque com o colega de Congresso Davi Alcolumbre, do DEM. MDB e DEM têm força na bancada ruralista, que patrocina projetos como a flexibilização do código florestal, ou o que facilita o registro de agrotóxicos. Esse último, condenado pela Rede, foi aprovado neste ano em comissão presidida por uma parlamentar do DEM, Tereza Cristina”.

A reportagem dá outras provas de que o discurso da “nova política” é pura balela. “A lista de alianças regionais conta ainda com o PSC do líder do governo Temer no Congresso, André Moura (SE), e o Patriota, que tentou abrigar a candidatura de Jair Bolsonaro. Marina também subirá no palanque do nanico PMN, que deve transitar livremente pelo espectro político: em Minas, deve apoiar o tucano Antonio Anastasia e, no PR, a candidata do PP, Cida Borghetti... Algumas alianças desagradaram à própria candidata, que afirmou que não fará eventos com o senador Romário (Podemos-RJ), que disputará o governo do Rio de Janeiro”. Mas para quem subiu no palanque do cambaleante Aécio Neves em 2014, tudo pode mudar. O “purismo” é só para enganar os tais “sonháticos”.

Em tempo: Além de “liberar” as alianças partidárias, Marina Silva também tem estreitado os laços com igrejas evangélicas. Como missionária da Assembleia de Deus, a ex-senadora costuma dizer que é contra “fazer do palanque um púlpito nem do púlpito um palanque", ela tem participado de vários cultos e conversado com lideranças religiosas. Recentemente, aproveitou uma passagem por São Paulo para visitar duas igrejas que não estavam na agenda oficial. “A presença da pré-candidata na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (zona oeste), onde deu testemunho no palco após um culto para mulheres, teve repercussão ruidosa. O templo passou a ser cobrado em redes sociais por dar espaço à ex-senadora”, registrou a Folha. “Três dias antes, Marina havia participado de culto dominical na Igreja Batista de Água Branca, na Barra Funda... A ex-senadora não foi ao microfone. Ela assistiu à celebração no auditório e, no fim, atendeu a alguns pedidos de fotos com outros fiéis”.

Altamiro Borges
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PT oficializa Lula como candidato à presidência - assista


Em convenção nacional, acontecendo em São Paulo, o ex-presidente Lula foi confirmado por aclamação com o voto simbólico dos 600 delegados da executiva do PT. Após a votação, a presidente nacional do partido, a senadora Gleisi Hoffmann discursou:

“Nós dizemos ao Brasil que Lula é o nosso candidato e vamos registrá-lo nos braços do povo no dia 15 de agosto em Brasília”, afirmou Gleisi, que disse que essa é a atitude “mais desafiadora” contra o sistema atual e contra a “mídia golpista”. “Essa é a ação mais confrontadora contra esse sistema podre por parte da Justiça que não faz outra coisa senão perseguir Lula”, disse a Gleisi.

Antes da votação, uma mensagem enviada pelo ex-presidente Lula foi lida:

“A juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar entrevistas ou gravar vídeos. Parece que não bastou me prender, quer me calar. Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O que está acontecendo com o povo? Não querem que eu discuta soluções para esse país? É para isso que vocês, poderosos sem votos e sem ideias, derrubaram uma presidente eleita e humilharam o pais internacionalmente e me condenaram sem provas? Tudo isso com medo de eu dar entrevistas?”, escreveu Lula.



No A Postagem
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Aborto: 65% dos católicos e 59% dos evangélicos são a favor da legalização, diz estudo


O grupo Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) é uma das entidades habilitadas a se manifestar no processo sobre a descriminalização do aborto que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) e apresentou à suprema corte, dentre diversos outros dados e argumentos pelo direito das mulheres ao aborto, uma pesquisa do instituto IBOPE realizada em 2017. A pesquisa demonstra que, ao contrário do que dizem alguns poucos fundamentalistas, a maioria das pessoas religiosas não é contra o aborto legal e seguro. 

Confira aqui a pesquisa na íntegra e, a seguir, suas principais conclusões conforme apresentadas ao STF pela CDD: 


O estudo investigou o grau de concordância dos entrevistados a respeito da prisão de uma mulher que precisou recorrer à interrupção da gestação.

Aqueles que discordam total ou parcialmente com a afirmação, ou seja, aqueles que acreditam que uma mulher que realiza o aborto não deve ser presa, representam 64% da amostra, um aumento de 5 pontos percentuais na comparação com outra pesquisa realizada em 2013.

Na análise por religião, o percentual dos entrevistados que discordam totalmente ou em parte da prisão de uma mulher que recorreu à interrupção da gestação é de 65% entre os católicos e de 59% entre os evangélicos (eram 60% entre os católicos e 56% entre os evangélicos em 2013).

A pesquisa ainda revelou que, para 64% dos entrevistados, compete somente à mulher decidir sobre a interrupção da gestação. Importante salientar que apenas 4% dos entrevistados entende caber à Igreja a decisão sobre a interrupção da gestão.


Embora o ponto da pesquisa que interessa diretamente ao processo do STF seja o relativo ao aborto, vale divulgar também as impressões dos entrevistados sobre educação sexual e igualdade de gênero, temas relacionados à questão da autonomia da mulher sobre o próprio corpo.

Para 42% dos entrevistados na pesquisa, os(as) alunos(as) de escolas públicas deveriam receber aulas de educação sexual a partir dos treze anos ou mais; 36% preferem a partir dos dez anos e outros 10% antes dos dez anos. Apenas 9% dos brasileiros disseram que os(as) alunos(as) de escolas públicas não deveriam receber aulas de educação sexual. Somam 3% os que não sabem ou se abstêm de responder.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 20 de fevereiro de 2017. Foram entrevistados 2002 brasileiros com 16 anos ou mais, em 143 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. O nível de confiança utilizado é de 95%.

Os resultados implicam numa conclusão de extrema relevância ao debate que ocorre no STF: não é verdade que a maioria da população, ainda que católica ou evangélica, concorda que a prática de um aborto seja crime. 
Portanto, as alegações exaltadas pelas entidades contrárias à presente ADPF de que o fato da maioria da população ser contra o aborto justificaria a manutenção dos artigos 124 e 126 do Código Penal, além de ignorar as mais basilares noções de democracia, como visto acima, simplesmente não condiz com a realidade. Mais uma falácia construída pelos fundamentalistas religiosos que foi desvendada, exposta e derrubada. Já era sem tempo.
Conclui a peça processual da CDD.

Audiências sobre o Aborto no STF

Teve início nesta sexta-feira (3) a primeira das audiências públicas sobre a descriminalização do aborto no Supremo Tribunal Federal. As audiências fazem parte de uma ação que corre no STF (ADPF 442) na qual se pede a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação.

A pesquisa do grupo Católicas pelo Direito de Decidir é especialmente pertinente neste momento em que os juízes e juízas da suprema corte se mostram abertas a ouvir a sociedade civil antes de decidir sobre a possibilidade de interrupção voluntária da gravidez para gestações até a 12ª semana. Mais de 40 representantes da sociedade, entre Igrejas, Universidades, organizações de direitos humanos, órgãos públicos e entidades da área de saúde foram habilitados à se manifestar sobre o tema, defendendo seus pontos de vista e argumentos, antes que a suprema corte decida a questão. Além dos argumentos apresentados por escrito, o grupo Católicas pelo Direito de Decidir terá 20 minutos para se manifestar na assembléia de segunda feira. 

Confira aqui a lista completa dos habilitados a se pronunciarem no processo e seus horários de fala.

Daniel Caseiro
No Justificando
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Até quando o PT pode indicar seu vice?

Lei fala em apresentação de candidatos em até 24 horas após o fim das convenções, mas registro pode ser feito até 15 de agosto

Lula quer aguardar o anúncio do vice até o fim do prazo para o registro. Crivella fez o mesmo
O PT realiza, neste sábado 4, sua convenção nacional para oficializar o nome de Lula como candidato  a presidente. Além de não contar com a presença de seu postulante, preso há quase quatro meses em Curitiba, o partido deve seguir a orientação de sua principal liderança de não indicar o vice na chapa e estender a escolha até 15 de agosto, prazo limite para o registro na Justiça Eleitoral.

Na sexta-feira 3, Fernando Haddad, coordenador do programa do PT, e a senadora Glesi Hoffmann, presidente do partido, foram ao encontro de Lula para debater a questão, diante da preocupação da defesa do petista quanto aos prazos para a apresentação de um vice. A dupla levou ao conhecimento de Lula a possibilidade de indicar Manuela D'Ávila, do PCdoB, para completar sua chapa. O ex-presidente prefere, porém, aguardar até o fim do prazo para os registros para anunciar um nome.

A defesa de Lula passou a ter receio das possíveis consequências de não apresentar um vice até 6 de agosto, mesmo que não seja uma indicação definitiva. A legislação prevê que, com o fim das convenções partidárias em 5 de agosto, deve-se publicar em 24 horas, em qualquer meio de comunicação, a escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre as coligações. Apesar dos temores, o PT promete insistir no prazo maior.

Ao sair da conversa com Lula, Gleisi afirmou que não houve "jurisprudência que mude a regra do TSE no prazo para apresentação da vice." Ela afirmou que o partido só apresentará um vice até 15 de agosto. Por enquanto, Manuela é tratada publicamente pela legenda apenas como uma possibilidade.

O PT pode ou não esperar o registro para apresentar um vice? A questão é complexa, mas há um caso relevante em 2014 que parece amparar a argumentação de Glesi.

Nas eleições de quatro anos atrás, Marcelo Crivella foi candidato ao governo do Rio de Janeiro. Oficializou sua candidatura ao cargo em 29 de junho, a um dia do fim do prazo das convenções naquele ano, que era determinado entre 12 e 30 de junho. Na ocasião, não definiu um vice para sua chapa. Aguardou, como quer Lula, até o último momento: em 5 de julho, prazo final para o registro, anunciou o general José Costa Abreu como colega de chapa.

Houve algo que mudou de 2014 para 2018? Sim. A legislação foi alterada após a aprovação do pacote de reforma eleitoral durante a presidência de Eduardo Cunha à frente da Câmara, em 2015. Como a campanha foi reduzida de 90 para 45 dias, vários artigos foram modificados na Lei 9.504/97. Entre eles, o que estabelece os prazos para a apresentação de candidatos escolhidos em convenção.

No que interessa ao PT, a lei eleitoral não sofreu mudança. Em 2014, o artigo da lei eleitoral que regulamentava essa questão estava baseado em uma lei aprovada em 2013. Era o seguinte:

"A escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no período de 12 a 30 de junho do ano em que se realizarem as eleições, lavrando-se a respectiva ata em livro aberto, rubricado pela Justiça Eleitoral, publicada em 24 (vinte e quatro) horas em qualquer meio de comunicação."

Com a reforma eleitoral de 2015, o artigo passou a ter a seguinte redação:

"A escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no período de 20 de julho a 5 de agosto do ano em que se realizarem as eleições, lavrando-se a respectiva ata em livro aberto, rubricado pela Justiça Eleitoral, publicada em vinte e quatro horas em qualquer meio de comunicação. "

Nota-se que não há mudança relevante, apenas em relação às datas. O TSE também previa a comunicação das escolhas 24 horas após o fim das convenções. Naquele ano, o prazo final para o registro das candidaturas no TSE era até mais apertado: se o fim das convenções era em 30 de junho, o limite para a entrega formal dos nomes à Corte eleitoral era 5 de julho.

Atual prefeito do Rio, Crivella não foi punido por não ter apresentado um vice logo após a convenção. Concorreu normalmente e chegou ao segundo turno da campanha, quando teve mais de 44% dos votos válidos. Perdeu para Luiz Fernando Pezão, do MDB.

Embora a estratégia do PT de não anunciar possa parecer arriscada, há pelo menos este exemplo para amparar o desejo do partido. Resta saber se o TSE adotará ou não um novo entendimento.

Miguel Martins
No CartaCapital
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Entrevista completa de Bolsonaro na Bobo News




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Bolsonaro usa Roberto Marinho para defender a ditadura na GloboNews, jornalistas se calam

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/08/04/bolsonaro-usa-roberto-marinho-para-defender-a-ditadura-na-globonews-jornalistas-se-calam/

"Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada"


Ao ser indagado sobre se houve ou não ditadura militar no Brasil no último bloco da entrevista da GloboNews, por Roberto D´Avila, Bolsonaro aproveitou para dançar funk com samba e passou a recitar de cor um editorial de O Globo assinado por Roberto Marinho, que segundo ele foi um grande democrata.

Neste editorial, Marinho defendia o legado da revolução que tirou o Brasil de uma ditadura comunista.

“Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada.

Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente.

Temos permanecidos fiéis aos seus objetivos, embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir o controle do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o Marechal Costa e Silva, “por exigência inelutável do povo brasileiro”.

Sem o povo não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento” ou “golpe” com o qual não estaríamos solidários….

A bancada de nove jornalistas presentes não sabia o que fazer, se calou. E Bolsonaro continuou dizendo que a Globo e a Veja foram criadas já na ditadura, como havia dito no Roda Viva.

E o silêncio continuou imperando.

Os ossos da ditadura enterrados na história da Globo sentiram a dor do silêncio.

Bolsonaro ganhou o último round. E saiu muito maior da GloboNews.

PS: Ao final do programa, quando este post já havia sido publicado, Miriam Leitão leu uma nota de O Globo, que lhe foi ditada pelo ponto eletrônico justificando o fato de Roberto Marinho ter defendido a ditadura num editorial de 1984. E citou um outro editorial de 2013, que termina assim:

“À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”

Confirme, foi um dos momentos mais constrangedores da história da televisão brasileira.


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Fã de Bolsonaro e do MBL: o perfil do professor acusado de jogar a mulher do 4º andar



O professor universitário de Biologia Luís Felipe Manvailer chocou o Brasil com as imagens do circuito interno do condomínio onde morava que o mostram agredindo a mulher, a advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, antes que ela aparecesse morta na calçada, depois de cair do apartamento no quarto andar.

São imagens fortes, que o mostram dando tapas e chutes nela e a arrastando pelos cabelos.

O crime aconteceu na madrugada de 22 de julho, em Guarapuava, no Paraná. A 340 quilômetros dali, perto da fronteira com o Paraguai, ele bateu o carro e foi preso. Interrogado, disse que bateu o carro porque a imagem da mulher caindo do apartamento não lhe saía da cabeça. Segundo Manvailer, ela se jogou.

Ao receber as imagens, a Polícia Civil reforçou a suspeita de que ele a jogou e o indiciou por feminicídio, o crime que prevê penas maiores para homens que matam a mulher em razão do gênero.

Um especialista em tecnologia da informação de São Paulo, que conhece muito de rede social, ao ver a violência com que agiu, começou a pesquisar o comportamento de Luís Felipe Manvailer na internet.

Como verificou em outros casos, como o do médico Denis Furtado, conhecido como Doutor Bumbum, apontado como responsável pela morte de uma paciente em que fez preenchimento nas nádegas, acreditava que Luís Felipe tivesse perfil conservador, fosse um ativista de direita na internet.

O especialista usou uma ferramenta que localiza as atividades públicas nas redes sociais. E não deu outra: Luís Felipe curtia postagens de Eduardo Bolsonaro, comentava em publicações de Kim Kataguiri e Mamãe Falei, e em páginas como Caneta Desesquerdizadora e em publicações que atacam os defensores dos direitos humanos. Vibrou muito quando Lula foi condenado.

É o perfil típico do “cidadão de bem”, que apoiou o impeachment de Dilma, bradou contra a corrupção e insultava as pessoas com pensamento progressista, diferente do dele. Veja algumas postagens e, mais abaixo, o vídeo em que ele aparece agredindo a mulher:


Curioso em que, ao mesmo tempo em que atacava o que lembrasse esquerda, postava mensagem de amor à esposa:


Veja o vídeo com as imagens da agressão:



Joaquim de Carvalho
No DCM
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