3 de ago. de 2018

Por que Gilmar Mendes e Barroso fazem mal ao Brasil?

Conrado Hübner, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso
“O temor reverencial à autoridade é o pior cacoete que o ensino jurídico e o ambiente forense podem transmitir”. Na frase acima, Conrado Hübner Mendes parece dar a senha da sua própria personalidade: temor reverencial é um sentimento que ele, definitivamente, não tem. A forma ácida e direta com que contesta o comportamento de ministros do Supremo Tribunal Federal é de uma irreverência ímpar. Eis o que diz, por exemplo, de Gilmar Mendes:Tem tentáculos espalhados no Congresso, em partidos e no Executivo. É um juiz que tem uma faculdade de Direito que se beneficia do fato de que seu dono é ministro do STF. Beneficia-se porque essa faculdade presta serviços caros para o Poder Público, para governos que a contratam. Obtém patrocínios de grandes corporações, e essas corporações obviamente têm interesses no Supremo”.

Professor-doutor do Departamento de Direito do Estado da Faculdade de Direito da USP, Conrado Hübner Mendes também detém os títulos de mestre e doutor em Ciência Política pela mesma universidade e de doutor em Direito pela Universidade de Edimburgo, Escócia. A contundência do que escreve pode ser conferida semanalmente na última página da revista “Época”, onde cravou o termo “populisprudência” para descrever condutas de juízes que visam a corroborar a opinião pública.

Numa das vezes em que publicou na “Folha de S. Paulo” (no intelectualizado caderno dominical “Ilustríssima”), apontou tantas incongruências no comportamento dos ministros do STF que provocou caudalosa resposta do ministro Luís Roberto Barroso, a qual, vale o registro, primou pela abundância de platitudes. O mesmo Barroso havia, antes, classificado o Supremo de “vanguarda iluminista” da sociedade brasileira. Assim o professor da USP avalia tamanha ousadia verbal: “Não há nada menos iluminista do que atribuir a um conjunto de juízes, provenientes de um grupo social muito particular e muito privilegiado, a vocação de vanguarda”.

Leia trechos da entrevista concedida por Conrado Hübner Mendes. 

Revista da CAASP – Você cunhou o termo “populisprudência”. Poderia explicá-lo?

Conrado Hübner Mendes – Em poucas palavras, “populisprudência” é o populismo disfarçado de jurisprudência. O populismo envolve uma série de técnicas retóricas para despertar a paixão, os afetos, a adesão incondicional dos súditos. Serve para buscar apoio de um certo grupo de pessoas que o populista chama de “povo”, excluindo todos que não estejam com ele como “anti-povo” ou “impuros”. O populismo não costuma ser, e não pode ser o papel do juiz. A “populisprudência” é faceta do comportamento individual de certos juízes, mas às vezes também do sistema de justiça em geral, tentando arregimentar apoio popular para uma dada causa, para uma dada decisão, para um dado interesse que o sistema de justiça abraçou para si mesmo.

Em nome da “luta contra a corrupção”, por exemplo, estamos barateando certos direitos. Quem critica passa a ser visto como parceiro da corrupção. Essas garantias não serviam, como se diz, para beneficiar uma “elite endinheirada”. Tal elite se beneficia de outras patologias do sistema de justiça, não do alegado “excesso de direitos”.

Essa busca de apoio popular por parte de juízes não vai contra princípios básicos do Direito?

Isso vai contra, sobretudo, à ideia de que democracia supõe proteção de direitos, e proteção de direitos, com alguma frequência, é uma causa impopular. O Direito é uma espécie de anteparo ao impulso das maiorias. Direitos fundamentais, às vezes, são obstáculos a interesses coletivos. Podem ser obstáculos, por exemplo, a uma política de segurança pública, a uma política criminal.

É uma aposta que fazemos em nome da proteção da liberdade e da autonomia, contra esses impulsos da maioria. Portanto, é muito arriscado que o Judiciário se renda a esse canto da sereia.

Imagino o Supremo Tribunal Federal como exemplo acabado disso. Mas a “populisprudência” também não é vista em outras instâncias?

Sem dúvida. Isso acontece da primeira à última instância. Isso acontece no TJ, que é uma instância tão relevante, no campo do acobertamento da violência policial, por exemplo. Acontece no sistema de justiça como um todo, e aí você pode incluir o Ministério Público. Isso é feito até de maneira pouco disfarçada.

A doutrina incorporada pela Força Tarefa da Lava Jato, para pegar o exemplo mais eloquente, é uma doutrina que preconiza a busca de apoio da opinião pública, numa parceria excêntrica com o próprio juiz Sérgio Moro, que já escreveu sobre como é importante, em ações contra a corrupção, você ter o apoio da opinião pública.

“Populisprudência” é isso: pegar emprestado o “manto imparcial” do direito e engajar-se disfarçadamente numa campanha, corrompendo a função judicial. É claro que você, como juiz, não deve desprezar a opinião pública, mas isso não deve ser fator relevante para o resultado da sua decisão. Você tem a responsabilidade, como juiz, de responder a certos sensos comuns da opinião pública – é assim que se constrói autoridade. Diferente é baixar a cabeça e atender a anseios da opinião pública. O juiz tem a responsabilidade de responder à opinião pública, de argumentar com a opinião pública e de resistir a ela quando for o caso.

(…)

O ministro Luis Roberto Barroso, quando votou o habeas corpus do ex-presidente Lula, ficou meia hora queixando-se dos vários recursos, como que responsabilizando a defesa por usá-los. Será que ele se lembra do tempo em que era advogado?

A defesa de advogados usa de todos os recursos possíveis, naturalmente.

O processo tenta se proteger da má fé advocatícia a partir de uma ideia de litigância de má fé. Trata-se de uma figura, um conceito, um instituto que não é simples de se aplicar, porque se o sistema processual permite brechas para maximizar recursos, o advogado vai usá-las. Temos uma tarefa que é, de um lado, aperfeiçoar o sistema processual brasileiro, e eu tenho dúvidas de que o CPC tenha dado conta do recado.

De outro lado, tem que haver um Judiciário que consiga aparar essas arestas, por meio de uma jurisprudência processual adequada, que não permita esse tipo de abuso e de chicana advocatícia. Precisa construir padrões decisórios e respeitá-los.

Os argumentos do Barroso no seu voto sobre execução de pena em segunda instância merecem ser levados a sério, mas muitos deles não se aplicam no âmbito de uma decisão judicial, e sim na discussão de uma emenda constitucional. O arrojo hermenêutico encontra limites no texto, e no caso da presunção de inocência, o texto não admite gradações. Acho ruim a concepção de trânsito em julgado adotada da Constituição, mas pior fica se o STF puder mudá-la por sua conta.

(…)

Sem pretender centrar-me no ministro Barroso, ele afirmou que o Supremo é nossa vanguarda iluminista. Concorda?

Acho essa uma expressão hiperbólica, que joga mais fumaça do que esclarece qual é o papel de um tribunal constitucional. Tentando ler com o máximo de cuidado e boa vontade a expressão “vanguarda iluminista”, o que ele quer dizer não é muito diferente do que outras teorias expansivas de tribunais constitucionais querem dizer, ou seja, que um tribunal às vezes pode enfrentar a os outros poderes ou a opinião pública de modo construtivo. Esse tribunal pode, por exemplo, à luz de um bom argumento constitucional, construir concepção inovadora sobre dado direito fundamental.

Quando o Barroso usa o ruidoso nome de “vanguarda iluminista”, ele está, primeiro, superestimando o tribunal ao chamá-lo de vanguarda; segundo, está subestimando a bagagem de atrocidades que o Iluminismo fez historicamente em nome de uma razão superior. E não há nada menos iluminista do que atribuir a um conjunto de juízes, provenientes de um grupo social muito particular e muito privilegiado, a vocação de vanguarda. Vanguardas históricas não se proclamam vanguardas, e surgem no seio da sociedade, não na corporação judicial. Elas vêm e vão. Não se cria vanguarda por design constitucional.

Não acho, portanto, que seja uma expressão que o ajude. Ele poderia dizer a mesma coisa, de modo mais convincente, sem recorrer a essa expressão megalômana. O Barroso exemplifica a vanguarda iluminista por meio de alguns casos históricos da Suprema Corte Americana, como Brown v. Board of Education,  que ajudou a abolir a segregação racial nas escolas. Mas a leitura de que a corte estaria, solitária e heroicamente, lutando contra ferozes adversários do progresso, é uma simplificação da história. Uma corte, quando muito, consegue catalisar e desobstaculizar mudanças. É melhor que seja assim, e não é pouco. Quando o ministro Barroso diz que a corte é que está empurrando, ele está distorcendo a história.

(…)

Advogar em certos tribunais tem exigido que se leve mais em conta o perfil de juízes do que o próprio Direito. Isso não é nocivo à justiça?

Isso é ruim e corrosivo, claro.

Como os juízes não são máquinas, um advogado competente precisa pensar em todos os recursos que pode ter para atingir o resultado que deseja. Conhecer a personalidade e a biografia daquele juiz é um dos recursos que o advogado tem para tentar vencer a sua causa. Agora, que um tribunal consiga ser tão manipulável a partir desse ângulo, é sintoma de uma patologia desse tribunal.

Um tribunal não pode ser vulnerável e refém das idiossincrasias de um juiz individual. Como mitigar esse risco? O melhor que o tribunal pode fazer é construir um colegiado genuíno, uma instância decisória supra-individual, que gere constrangimentos do juiz individualista e estratégico. Isso significa que biografia individual de um ministro é inútil? Claro que não, mas significa que esse ministro não pode fazer qualquer coisa.

Hoje, ter uma causa no STF que caia com ministro X ou Y é saber muita coisa de antemão. Em certos assuntos, é antecipar o resultado definitivo. Você sabe que certos ministros mais ousados com seu poder cautelar monocrático podem resolver teu caso numa decisão. Há um fator tempo sob o total controle do ministro individual. Ele pode dar uma decisão e satisfazer tudo que você quer como advogado, ou ele pode segurar uma decisão por anos e isso já ser suficiente para a tua causa. Sob pretexto de decisão liminar, ele gera efeitos definitivos num caso. A urgência daquela decisão torna a decisão monocrática definitiva.

Gilmar Mendes é o exemplo mais eloquente, mas está longe de ser o único. O fato de o pedido de anulação da nomeação do Lula como ministro ter caído com o Gilmar Mendes resolveu a questão. É óbvio que o caso jamais veio a ser julgado pelo plenário. O tribunal se resumiu a um ministro, e esse ato de um único ministro foi determinante para todos os desdobramentos políticos posteriores, a começar pelo impeachment. Concordemos ou não com o mérito daquela decisão, aceitar que um ministro possa fazer isso é assustador para a democracia.

A não-decisão muitas vezes também tem efeito de decisão definitiva, não?

Com a decisão monocrática ou com a decisão de não decidir, o tribunal passa a se resumir a um ministro. A justificativa para que um ministro tome decisões monocráticas é, muitas vezes, uma justifica falsa, segundo a qual o plenário não teria tempo para se reunir para lidar com tantos casos. O plenário tem discricionariedade para remanejar a sua pauta quando a urgência do caso pede. A justificativa de que decisões monocráticas são formas de viabilizar o expediente do STF não se sustenta.

Uma causa tão explosiva quanto a da nomeação do Lula como ministro, assim como a da nomeação do Moreira Franco (caso idêntico, porém com decisão oposta dada pelo mesmo ministro Gilmar Mendes), ter sido decidida por um ministro sozinho e o plenário nunca mais ter decidido sobre o tema – e os fatos estão consumados e irreversíveis – é sinal de um tribunal irresponsável institucionalmente.

(…)

Você escreveu que “o sucesso da defesa nas cortes superiores depende tanto das idiossincrasias dos ministros quanto de negociações palacianas e corporativas”. Você estava pensando no ministro Gilmar Mendes?

É um exemplo, mas é claro que não é só ele…

Talvez ele seja o menos discreto?

Eu acho que não apenas é o menos discreto. Ele viola a integridade do tribunal pela teia de relações que faz questão de construir e manter, por ser um canal de comunicação permanente e aberto aos políticos mais importantes da República. O senador Aécio Neves tem o celular dele, tem acesso direto a ele. Ele teve encontros de domingo com o presidente Temer ao mesmo tempo em que estava sobre sua mesa a ação de cassação da chama Dilma-Temer.

Não é só um problema de discrição. Gilmar Mendes já cruzou uma linha vermelha e faz pouco caso dessa linha vermelha. Eu não conheço outro ministro que chegue perto dele nessas práticas. Nem mesmo Luiz Fux, que impõe a própria filha para desembargadora do TJ-RJ, ou que manobra de todos os lados para sustentar o auxílio moradia (com decisão monocrática que levou anos para ser submetida a plenário, depois retira da pauta com a exótica justificativa de que a AGU criaria um procedimento conciliatório etc).

Por que nenhuma voz poderosa se levanta contra essas condutas?

Dá para especular muitas razões. Talvez por um “acordo de cavalheiros”, expressão utilizada para se referir às convenções costumeiras do tribunal. Acordo de cavalheiros significa uma espécie de tolerância mútua de cada um dos ministros do STF a práticas às vezes abusivas: abusiva em pedido de vista, abusiva por não devolver o processo em tempo razoável, prática abusiva do presidente em pautar o caso que quiser quando quiser (ou tirar da pauta). Como todos praticam, é importante que todos se tolerem. Todos serão presidente um dia. Damos ênfase ao Gilmar Mendes porque os ruídos e conflitos causados por ele são mais frequentes e sonoros. Mas se o problema do Supremo fosse apenas Gilmar Mendes, estaríamos melhor. O maior problema é que o STF permanece refém dessas práticas. O plenário foi sequestrado e adquiriu síndrome de Estocolmo.

Gilmar Mendes tem tentáculos espalhados no Congresso, em partidos e no Executivo. Ele não é apenas um juiz menos discreto que reproduz comportamentos comuns. É de outro tipo. Há uma diferença qualitativa, não só de grau. Ele é um juiz empresário, além de tudo. Ele é um juiz que tem uma empresa particular, uma faculdade de Direito. Essa faculdade se beneficia do fato de que seu dono é ministro do STF, e vice-versa. Ele se beneficia porque essa faculdade presta serviços caros para o Poder Público, para governos que a contratam. Ele obtém patrocínios de grandes corporações, e essas corporações obviamente têm interesses no Supremo – eu não estou dizendo que isso perverte as decisões dele, mas é óbvio que perverte a imagem de imparcialidade do tribunal. Ainda que eu presuma a honestidade de uma decisão dele, a decisão dele já está comprometida porque já vem com a mancha da parcialidade.

Gilmar Mendes já o processou?

Claro que não (risos). Outros já me perguntaram, mas nunca me pareceu plausível essa hipótese. Não sei que argumento legal ele poderia usar para me processar. Fiz a ele algumas críticas francas e embasadas, que repeti aqui. Foram críticas aos hábitos de uma pessoa pública nociva, que exerce abusivamente, a meu ver, um dos cargos mais importantes da república. Já critiquei vários outros ministros. Quando pertinente e oportuno, continuarei a fazer essas críticas. Essa é minha profissão como acadêmico, e valorizo a independência que a universidade pública me dá.

Nunca ofendi a honra de nenhum ministro, nem fiz críticas às pessoas privadas. São críticas institucionais ao comportamento de ministros. O temor reverencial à autoridade é o pior cacoete que o ensino jurídico e o ambiente forense podem transmitir. Tento lutar contra esse cacoete na minha profissão de professor de Direito. Agora, se Gilmar Mendes tiver alguma resposta a críticas que faço, seria ótimo lê-las ou ouvi-las. A esfera pública, e não a esfera judicial, é o espaço legítimo para essa discussão.

(…)

Paulo Henrique Arantes é editor da revista da CAASP. Para ler a entrevista completa, clique aqui.
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O fim melancólico da carreira política de Marta Suplicy

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/08/03/o-fim-melancolico-da-carreira-politica-de-marta-suplicy/

Marta achou que sozinha podia dar conta de tudo, que não precisava de ninguém. E agora fecha as portas do seu ciclo sozinha. Quase que abandonada.


Marta Suplicy acaba de informar ao seu partido, o MDB, que não aceita ser vice de Henrique Meirelles e nem será mais candidata ao Senado por São Paulo. Ao mesmo tempo disse que se desfiliará da sigla.

É uma decisão surpreendente, mas ao mesmo tempo que faz todo o sentido.

Marta acabou politicamente quando decidiu deixar o PT e se filiar ao então PMDB numa solenidade ladeada por Eduardo Cunha e Michel Temer, que já estavam capitaneando o golpe contra uma presidenta da qual ela foi ministra.

Marta foi eleita senadora pelo PT num imenso esforço do partido. Sua vitória sobre Netinho de Paula (PCdoB) foi muito difícil e só ocorreu porque na última hora ela teve bem mais recursos que o seu adversário. E também por uma campanha contra ele envolvendo uma agressão a sua ex-esposa.

Antes disso, Marta teve todas as oportunidades. Foi deputada federal, candidata a governadora, prefeita, candidata a prefeitura de novo, ministra. Ou seja, contou com o partido para muitos dos desafios que se colocou.

Quando decidiu sair da sigla que a abrigou, não teve a tranquilidade de buscar não fazer barulho. Ao contrário, carnavalizou a decisão. E foi para o ataque.

Depois disso, aos poucos deixou tudo aquilo que a fazia diferente na cena política. Se tornou alguém sem charme, marca, pegada. Uma daquelas tantas mulheres e homens comuns da elite paulistana.

Saiu candidata a prefeitura de São Paulo na última eleição e ficou em quarto lugar. Um desastre. Não se reelegeria ao Senado. E como vice de Meirelles, passaria muita vergonha.

Encerra sua carreira política de maneira triste, porque fez um excelente primeiro mandato de deputada e foi uma ótima prefeita de São Paulo. Seu governo foi dos melhores da história da cidade.

Mas na política a vida é dura. E Marta achou que sozinha podia dar conta de tudo, que não precisava de ninguém. E agora fecha as portas do seu ciclo sozinha. Quase que abandonada.
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20 pontos sobre o acordo PT-PSB: feitos e malfeitos


1. A divisão do campo progressista entre quatro candidaturas (Lula, Ciro, Manuela e Boulos) sempre foi o maior problema para garantir a presença competitiva da esquerda no segundo turno ou até mesmo a vitória na primeira volta.

2. A melhor solução, por óbvio, seria o agrupamento dessas quatro forças em uma única chapa. Mas esse cenário não foi possível.

3. Para começo de conversa, a política do PSOL não passa pela questão da unidade eleitoral, mas por conquistar seu próprio espaço. Jamais esteve nas contas de Boulos e seus apoiadores uma coalizão ampla das forças populares, a não ser no segundo turno.

4. A candidatura de Ciro Gomes (PDT) também parte do objetivo fundamental, anunciado pelo próprio candidato, de superar a “hegemonia petista”. O ex-governador jamais escondeu que seu plano não era uma aliança de esquerda, mas de centro-esquerda, para a qual desejava atrair o PSB e o PCdoB, buscando apoio também entre partidos de centro-direita.

5. A indicação do ex-presidente, disparadamente a mais potente, poderia estabelecer a unidade por força gravitacional, mas as ameaças sobre seu direito de concorrer tornam inseguro o cenário para eventuais aliados, que estão estressados pela tática petista de esticar a corda e manter a candidatura de Lula mesmo sob chuvas e trovoadas.

6. O PCdoB, por sua vez, ficou entra a cruz e a caldeirinha, espremido entre Lula e Ciro Gomes. Parcialmente seduzido por uma política que transferisse à centro-esquerda o comando do que denominam de “frente ampla”, esse partido lançou a candidatura de Manuela D’Ávila, se esforçando para construir uma ponte entre as duas táticas do campo progressista, fundamentalmente encarnadas por PT e o PDT.

7. O PSB, comprometido com o golpe contra a presidente Dilma Rousseff e os momentos iniciais do governo Temer, acabou por se transformar em um arquipélago de grupos regionais, depois da fracassada tentativa de transformar Joaquim Barbosa em opção centrista. Cabe-se registrar, a bem da verdade, que frações mais à esquerda dessa agremiação conseguiram tirá-la do governo golpista e fazê-la votar contra as reformas liberais.

8. Tantas pressões centrípetas, portanto, tornaram inviável a unidade desejada. Como o espaço político da esquerda se situa entre 45 e 55% dos votos, bastante natural que o PT de tudo fizesse para garantir a máxima concentração de votos e alianças para seu candidato. O mesmo tratou de fazer Ciro Gomes. A diferença é que, à direita e à esquerda, o pedetista fracassou na empreitada, ao contrário do PT.

9. Nas circunstâncias narradas, não resta dúvidas que o PT colheu importante vitória: a candidatura de Ciro Gomes está potencialmente desidratada, expressivas seções estaduais do PSB marcharão com o PT e o PCdoB deverá fechar rapidamente uma aliança formal. Essa é a complexa dialética da eleição em dois turnos: antes do embate final entre campos antagônicos, tende a ocorrer disputa acirrada para definir quem irá liderar cada campo na rodada decisiva. Isso poderia ser evitado por um pacto unitário prévio, dessa vez impraticável pelos motivos já expostos.

10. O resultado alcançado aparentemente dá mais desenvoltura e musculatura à candidatura Lula ou a qualquer outra do PT, na prática superando parcialmente a divisão do bloco de esquerda. Não por unidade consensual, como seria melhor, é verdade, mas pela preponderância e enraizamento do partido de Lula.

11. Essa solução, contudo, não está livre de graves tensões. Diversas pressões e hesitações provavelmente levaram o PT a pagar caro por algo que caminhava a ter gratuitamente: a neutralidade do PSB, com vários de seus departamentos estaduais apoiando Lula ou qualquer outro candidato petista.

12. Os comandantes da legenda socialista jogaram com inteligência, ameaçando fechar com Ciro Gomes se o PT não abrisse mão da candidatura em Pernambuco, território fundamental da agremiação. Também acenaram com a retirada da candidatura de Márcio Lacerda para governador em Minas Gerais, o que supostamente facilitaria a campanha pela reeleição do petista Fernando Pimentel. Para completar, o comando do PCdoB também exigiu apoio aos socialistas pernambucanos, com os quais possuem tradicional relacionamento, ao ponto da presidente da sigla, Luciana Santos, ser companheira de chapa do governador Paulo Câmara.

13. Se o PT permanecesse na sua resolução anterior, de reivindicar adesão formal do PSB à candidatura de Lula para qualquer pacto nos estados, o que poderia acontecer? Das duas concessões socialistas, uma se perderia: a candidatura de Márcio Lacerda continuaria a competir com Pimentel, abrindo espaço importante para Ciro Gomes no segundo colégio eleitoral do pais. A neutralidade dos socialistas, porém, estava pouco em questão, pois é profunda a divisão do PSB entre defensores de Lula, de Ciro e até de Alckmin.

14. Preocupada com a situação de Minas Gerais e o fator PCdoB, além de oscilante frente ao potencial blefe socialista, a direção petista cedeu na negociação. Trocou a retirada da candidatura de Marilia Arraes em PE pela neutralidade nacional do PSB, a desistência de Márcio Lacerda e, de quebra, o apoio socialista a Márcia Tiburi no Rio de Janeiro, além de outros estados nos quais coalizões já estavam construídas (Paraíba e Amapá, por exemplo).

15. A liderança petista, no entanto, talvez tenha olhado de forma desatenta para suas próprias fileiras. Já furiosa com a resolução do PT cearense, que indiretamente permitiu aliança com o senador golpista Eunício de Oliveira (MDB), grande parte da militância se revoltou contra o sacrifício de Marília, esperança pernambucana que caminhava para o favoritismo eleitoral e que entusiasma, por sua juventude e combatividade, toda a pátria da estrela vermelha. Por outro lado, produz tremendo e justificável mal-estar a sucessão de acordos, diretos ou indiretos, com personalidades envolvidas com o bloco golpista.

16. A situação é bastante preocupante: talvez unido como nunca em sua história, desde a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o PT está agora assolado por uma onda de rebelião e divisão que pode levar à paralisia partidária, a poucos dias do registro da candidatura Lula e da batalha mais decisiva que já enfrentou. Como era de se esperar, o Encontro Estadual do PT em Pernambuco manteve candidatura própria, por 230 votos a um, colocando o Diretório Nacional contra a parede, entre a intervenção que somente agravará a crise interna e a ruptura do acordo com o PSB.

17. Também entre os socialistas a encrenca é pesada, com Márcio Lacerda botando banca e anunciando resistência judicial, o que embute o risco de embaralhar o pacto com o PT. Mesmo que fracasse, deverá pular para o lado dos tucanos mineiros ou embarcar na campanha de Ciro.

18. Se essa confusão toda foi criada para ajudar Pimentel em Minas, ainda por cima o tiro pode sair pela culatra: muitos analistas avaliam que a retirada de Márcio Lacerda teria efeito inverso do desejado, pois interpretam que sua postulação funciona como anteparo entre o voto antipetista e a adesão ao tucano Anastasia. Sem Lacerda, o senador tucano poderia crescer e levar a eleição até mesmo no primeiro turno.

19. Mesmo tendo obtido avanço tático relevante, com o deslocamento do PSB e do PCdoB para sua órbita de alianças, o PT atravessa forte tempestade interna, que não era inevitável caso o olhar partidário ultrapassasse a planilha da matemática eleitoral. O tempo urge e esse clima precisa ser imediatamente superado.

20. O cardápio de alternativas, no entanto, é restrito. Acatar a decisão pernambucana e deixá-la ativa, ao menos até que se resolva o imbróglio socialista em Minas, serviria de paliativo. Revogar a resolução do PT cearense, reestabelecendo a candidatura ao Senado de José Pimentel, passaria sinal positivo. Imediatamente consolidar a aliança com o PCdoB, oferecendo a vice-presidência para Manuela D’Ávila, representaria fato animador. Trazer Marilia para a coordenação da campanha de Lula também poderia expressar gesto mais alvissareiro para a militância enfurecida. O que importa, para o bem da candidatura de Lula e o futuro do PT, é que sua direção se movimente com energia para resolver a confusão criada por decisões que contradizem a linha de combate que vem sendo liderada pela senadora Gleisi Hoffmann.

Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.
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Após "Roda Viva", Bolsonaro tem queda em todos os cenários e aumento de rejeição, diz pesquisa


Na semana em que foi sabatinado no programa Roda Viva, da TV Cultura, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) viu suas intenções de voto na pesquisa espontânea consolidarem uma tendência de alta iniciada em junho. Segundo levantamento XP/Ipespe, realizado entre 30 de julho e 1º de agosto, Bolsonaro agora tem 17% das intenções de voto quando não são apresentados nomes de candidatos aos eleitores. Por outro lado, o parlamentar oscilou negativamente, dentro da margem de erro, em todos os cenários estimulados de primeiro turno testados. Bolsonaro também viu sua rejeição chegar a 57%, o maior patamar já registrado. O estudo está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-06820/2018 e tem margem máxima de erro de 3,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Segundo o levantamento, Bolsonaro tem entre 19% e 22% das intenções de voto nos cenários estimulados de primeiro turno testados, com vantagem de até 11 pontos percentuais sobre adversários

Segundo o levantamento, Bolsonaro tem entre 19% e 22% das intenções de voto nos cenários estimulados de primeiro turno testados. Tal patamar confere ao deputado a liderança em todas as situações em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é apresentado como candidato. A vantagem do parlamentar em relação aos adversários chega a ser de 11 pontos percentuais nas simulações mais favoráveis à sua candidatura. A pesquisa também mostrou Lula com 31% no único cenário que considera sua candidatura. É o maior patamar já registrado pelo petista da série, iniciada em 15 de maio.

A pesquisa também mostrou que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) manteve seu maior patamar, de 10% em duas das quatro simulações de primeiro turno, alcançado uma semana atrás, quando os partidos do chamado "blocão" (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade) formalizaram aliança com a candidatura tucana. Excluindo a simulação que considera a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (tida como improvável), Alckmin ocupa a segunda posição no primeiro turno em todos os demais cenários, tecnicamente empatado com outros candidatos, mas numericamente atrás da ex-senadora Marina Silva (Rede). Assim como na última sondagem, não há mais cenário em que o tucano aparece numericamente atrás de Ciro Gomes (PDT).

O levantamento XP/Ipespe também mostra a manutenção de taxa elevada do grupo de brancos, nulos e indecisos. Na pesquisa espontânea, eles somam 62% dos eleitores. Nos cenários estimulados, esse percentual varia entre 18% (com Lula candidato) e 35% (sem candidato apresentado pelo PT). Tais dados reforçam o quadro de indefinição na corrida presidencial a pouco mais de dois meses do primeiro turno.

Com os resultados dos cenários estimulados, se a eleição fosse hoje, não seria possível cravar quem seria o adversário de Bolsonaro em eventual disputa de segundo turno (apesar do bom desempenho, o militar da reserva não é presença garantida na disputa final). No cenário mais indefinido e que possivelmente melhor projeta a largada da corrida presidencial, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados: Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, mediante apoio de Lula. O ex-prefeito de São Paulo salta do patamar de 2% das intenções de voto para 13% com a simples inclusão da informação de que seria o nome apoiado por Lula, em um exercício que testa o poder de transferência de votos do ex-presidente. Preso há quase quatro meses após condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente tem chances minoritárias de firmar candidatura, em função de obstáculos na Lei da Ficha Limpa.

Confira os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos

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Cenário 1: sem candidato do PT

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Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

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Cenário 3: com Lula candidato

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Cenário 4: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

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Segundo turno

Foram testadas sete situações de segundo turno. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 34% a 23%, com 43% de brancos, nulos e indecisos. A diferença chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do candidato do PSDB em três semanas.

Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece à frente, com 41% das intenções de voto contra 33% do parlamentar, acima do limite máximo de margem de erro de ambos, e com 26% de brancos, nulos e indecisos. Uma semana atrás, a vantagem era de 6 pontos, o que configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, também em situação de empate técnico, já que, pela margem de erro (3,2 p.p.), o petista poderia até superá-lo.

Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 34% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somam 33%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais na quarta semana de maio. Em nenhum momento até aqui o tucano liderou a disputa.

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a ex-senadora numericamente à frente por 37% a 32%. É a maior diferença já registrada a favor da ex-senadora. Brancos, nulos e indecisos somam 31%. O deputado esteve numericamente à frente nos dois primeiros levantamentos da série, realizados na terceira e quarta semanas de maio, quando a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais a seu favor, também dentro do limite da soma das margens de erro de ambos os candidatos.

Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 32% a 29%. Uma semana atrás o tucano contava com vantagem de 5 pontos percentuais, dentro do limite das margens de erro. Brancos, nulos e indecisos agora somam 39%. Na última semana de junho, os dois apareciam com 32% das intenções de voto cada. Já na primeira semana daquele mês, o pedetista esteve numericamente à frente por diferença de 3 pontos.

Se Bolsonaro e Ciro se enfrentassem em uma disputa de segundo turno, o cenário também seria de empate técnico, como nas últimas oito semanas, com o parlamentar numericamente à frente, com 33% das intenções de voto contra 32% do pedetista. Brancos, nulos e indecisos somam 35%. Nos dois primeiros levantamentos, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma das margens de erro dos candidatos.

A pesquisa também simulou disputa de segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste cenário, o parlamentar venceria por 37% a 28% das intenções de voto. O grupo dos "não voto" soma 35%.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. O líder em rejeição continua sendo Lula, com taxa de 61%, tecnicamente empatado com cinco outros possíveis candidatos: Jair Bolsonaro (57%) Ciro Gomes (61%), Geraldo Alckmin (60%), Marina Silva (59%) e Fernando Haddad (58%). No caso de Ciro e Bolsonaro, o patamar registrado nesta semana é o maior da série histórica de cada um. A trajetória dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

CANDIDATO DE 18 A 20/06 DE 25 A 27/06 DE 02 A 04/07 DE 09 A 11/07 DE 16 A 18/07 DE 23 A 25/07 DE 30/07 A 01/08
Lula 60% 61% 62% 61% 60% 60% 61%
Jair Bolsonaro 53% 52% 52% 54% 53% 55% 57%
Marina Silva 60% 57% 58% 58% 57% 59% 59%
Ciro Gomes 60% 59% 59% 60% 59% 58% 61%
Geraldo Alckmin 60% 59% 59% 59% 58% 58% 60%
Álvaro Dias 45% 48% 48% 47% 47% 48% 47%
Fernando Haddad 58% 58% 57% 57% 56% 59% 58%
Fonte: XP/Ipespe

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-06820/2018 e teve custo de R$ 30.000,00.
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A carta de Aécio e a resposta de Rogério Correia


Belo Horizonte, 02 de agosto de 2018

Caras amigas e caros amigos,

Nos últimos 30 anos, seja no Congresso Nacional ou à frente do governo do nosso Estado, dediquei minha vida a defender os interesses de Minas e dos mineiros.

Por isso, nos últimos meses, refleti muito sobre qual a melhor forma de contribuir para que Minas supere a dramática situação que enfrenta hoje e reencontre o caminho do desenvolvimento econômico e social vivenciado nos anos em que governamos o Estado.

Com o objetivo de ampliar o campo de apoio à candidatura que melhor atende ao projeto de reconstrução de Minas, a do senador Antonio Anastasia, informei a ele, hoje, minha decisão pessoal de não disputar, este ano, a eleição para o Senado, colocando meu nome como pré-candidato à Câmara dos Deputados, Casa que já presidi e onde, como líder partidário, à época do governo Fernando Henrique, ajudei a implementar algumas das principais reformas feitas no Brasil contemporâneo.

A gravidade da situação do nosso Estado exigirá uma bancada forte e unida na defesa dos interesses de Minas no Congresso e junto ao Governo Federal.

Estou certo de que poderei contribuir para isso. 

Não foi, como podem imaginar, uma decisão fácil.

Por um lado, porque todas as pesquisas realizadas até aqui apontam meu nome entre os mais bem avaliados na disputa para o Senado.

Por outro, porque estão vivas na minha memória as inúmeras manifestações de estímulo que tenho recebido de lideranças dos mais variados setores e de todas as regiões de Minas.

Mas tomo essa decisão com a responsabilidade daqueles que sempre colocaram os interesses de Minas acima de qualquer projeto pessoal. Os que me conhecem sabem que foi assim que sempre agi e assim continuarei agindo.

Meus amigos,

Todos conhecem os ataques violentos e covardes de que tenho sido alvo. Diariamente as falsas versões engolem os fatos. Mas apesar de todas as injustiças, estou seguro de que, ao final, a verdade prevalecerá e com ela restará provada a correção de todos os meus atos.

Até lá, estarei lutando para que a verdade prevaleça.

Farei isso, em respeito à minha trajetória política, à minha família e a todos que me levaram a conduzir o que muitos consideram o mais exitoso governo da nossa história recente.

E farei isso, especialmente, em respeito a todos aqueles que sempre me honraram com a sua confiança.

Continuarei minha caminhada com o mesmo entusiasmo e determinação, e movido pelo mesmo sentimento que, há tantos anos, me trouxe para a vida pública: o amor a Minas e aos mineiros.

Aécio Neves




Li com a atenção sua nota desta quinta 2 de agosto, na qual o senhor supostamente “abre” mão de uma candidatura quase que vitoriosa para o Senado, para disputar uma vaga na Câmara de Deputados. Data vênia, nada mais farisaico (no pleno sentido figurado da expressão).

Senador, se o senhor não é candidato à reeleição ao Senado, não é porque achou “melhor” concorrer a deputado federal, preocupado com a grave situação de Minas Gerais. É porque foi isso que lhe restou.

Para quem teve mais de 51 milhões de votos há menos de quatro anos, mais de 7,5 milhões de votos para senador em 2010 (ultrapassando seu candidato a governador à época – Anastasia –, que obteve 6,2 milhões de votos) e que, em 2006, obteve 7,4 milhões de votos (77% dos votos válidos para governador), sinceramente, sua notinha não explica nada.

Vamos ajudá-lo a esclarecer os reais motivos de sua “decida” para federal:

1) Sua dupla derrota em 2014, em Minas Gerais (sua e de seu candidato a governador da época) já era um sinal de esgotamento de um ciclo.

2) O flagrante de gravações suas com Joesley Batista e malas de dinheiro, com o primo, colocaram sua candidatura a senador num caixão.

3) O ódio destilado contra a democracia e contra o resultado das eleições de 2014 apareceu na sua inteireza, depois do escândalo com os donos do Friboi: era a expressão de alguém que não pensava no Brasil, em Minas e no povo. Somente em um projeto pessoal de poder e nas benesses que isso traria para si.

4) Finalmente, mas não menos importante: o senhor teria que lutar com uma mulher, uma guerreira, chamada Dilma Rousseff. Teria que se defrontar, diretamente, com o acerto de contas do golpe e com o “governo” ilegítimo que ajudou a construir, ceifando milhões de empregos, direitos sociais, trabalhistas e segurança com o futuro.

Sim, no Senado, além de maquinar o golpe de 2016, o senhor votou na contrarreforma trabalhista, que não só produziu desemprego, mas também precarizou o trabalho restante. Votou pela entrega do óleo do pré-sal, a preço de banana, para multinacionais do petróleo. Apoiou todas as demais medidas que afetaram negativamente nossa soberania e a vida do povo. Votou pelo corte de recursos para a saúde, para a educação e segurança.

E mais: seria digno assumir a outra verdade de sua decisão. O senhor busca um caminho mais fácil que lhe garanta alguma imunidade parlamentar. E outra: manter a devida distância da candidatura de Anastasia, cuja sina seria carregar a alça do caixão de uma periclitante candidatura ao senado.

Mas não pense que sua semiclandestinidade nas eleições, com a sua candidatura a deputado, está garantida. E que sua parceria com Anastasia vai ficar invisível. Não. O povo mineiro não é bobo.

Rogério Correia, deputado estadual PT-MG
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Capitão engana picolé de chuchu – e Globo embarca


Se você ficou acordado até mais tarde na noite desta quinta, 02, e madrugada de sexta, 03/08 – como eu, no caso por dever de ofício -, e viu a coletiva de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB e do reptiliano Centrão, na GloboNews, perdeu um “programão”. A noite desta quinta estava reservada para o capitão-deputado Jair Bolsonaro, em um sorteio feito e aceito pelo comitê de todos os candidatos com ampla antecedência.  Na véspera, haviam entrevistado Ciro Gomes. Antes, Marina Silva e Álvaro Dias.

Na abertura da entrevista com Ciro Gomes na Globonews, na véspera, em longo enunciado, a “mediadora” Miriam Leitão leu, pausadamente, um comunicado: o pré-candidato do PSDB à Presidência aceitara, a pedido de seu rival do PSL, trocar o dia de sua sabatina. “A campanha de Jair Bolsonaro nos informou que por um problema de agenda (!) não poderia vir amanhã (quinta), como previsto, mas que seria possível comparecer na sexta-feira, data em que estava prevista entrevista com o candidato Geraldo Alckmin. (…) A campanha de Alckmin, em benefício do debate, aceitou a troca de datas, depois de reagendar vários compromissos de campanha”, explicou Miriam. Era um golpe.

O “problema de agenda” de Bolsonaro era estar, no mesmo horário em que Alckmin falava ao vivo no programa Central das Eleições, da TV paga Globonews, numa transmissão live (ao vivo), por suas redes sociais – Facebook e YouTube, concedendo uma entrevista para uma claque bem treinada. Os blogueiros de direita Allan dos Santos, Bernardo Küster e Flávio Morgenstern, o economista de estimação Paulo Guedes, coordenador do programa de governo do candidato, e o próprio filho e deputado estadual Flávio Bolsonaro. Os eleitores enviaram perguntas ao vivo, devidamente editadas. A transmissão, na prática, concorreu com a participação de Geraldo Alckmin na Globo News. Chamado de “O Brasil entrevista Bolsonaro”, o programa bombou no Twitter com a tag #BolsonaroAoVivo, insuflado por uma campanha, que dizia: “Hoje Bolsonaro vai quebrar a Globo e a Internet vai cair”. As duas atrações começaram e terminaram quase simultaneamente. Jogo sujo, da pior qualidade.

Militantes de Bolsonaro, como a patética ex-funcionária de Veja, a hoje blogueira e socialite Joice Hasselmann, disseram que o capitão deu uma “banana” para a GloboNews, arrependido por sua péssima performance no Roda Viva. Na última terça, Bolsonaro reclamou da “insistência” dos jornalistas que o sabatinaram no programa da Cultura em questioná-lo sobre a ditadura militar, que defende. Não parece ser isso que está nos planos. A entrevista de Bolsonaro nesta sexta, 03, na Globonews, continua mantida. Fato é que a Globonews embarcou em um golpe e se mantiver a entrevista com o capitão espertalhão nesta sexta estará ampliando sua desmoralização.

Ricardo Miranda
No Os Divergentes
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Alckmin deu uma entrevista com gosto de chuchu à paulista na GloboNews

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/08/03/alckmin-deu-uma-entrevista-com-gosto-de-chuchu-a-paulista-na-globonews/

Foi uma entrevista chuchu, à medida para um candidato sem gosto feita por uma bancada que só explorou suas contradições udenistas. Ou se preferirem, moralistas.


Alckmin não empolga o Brasil nem com reza brava. Ele é a cara de São Paulo. Ou melhor, daquele suposto cidadão de bem de São Paulo. Que vai à igreja nos domingos, empurra o carrinho na feira para a esposa e ao mesmo tempo faz todo tipo de sacanagem nas reuniões da maçonaria.

Alckmin é um paulista perfeito. E por isso mesmo ele só falou de São Paulo na entrevista da GloboNews. Não usou a palavra Nordeste, por exemplo, nenhuma vez. Isso gera antipatia e não empatia com o resto do país.

Como também não falou de fome, doenças que estão voltando a matar crianças, tragédias ambientais, bolsa família, salário mínimo ou outras questões de interesse popular, porque na sua linguagem tucana o que importa é a “agenda da competitividade”, “confiança internacional”, “respeitabilidadeeee”.

É um discurso oco, sem eco. Algo que soa como música para o ouvido de uma classe média muito definida. Mas que não convence o Brasil real.

Alckmin até foi pressionado pela bancada de jornalistas e teve que responder sobre casos de corrupção, especialmente dos seus “novos aliados” da vida inteira do chamado centrão. Mas não teve que tratar das contradições de suas propostas.

Alckmin não teve que responder sobre a crise da greve dos caminhoneiros que foi gerada pela irresponsabilidade de Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras, que foi indicado pelo PSDB e cuja gestão à frente da estatal foi uma tragédia.

Também não teve que responder sobre qual era reforma da previdência e política de salário mínimo que defende.

Não teve que falar de programas sociais e nem de investimentos em educação. E quando falou, defendeu o fim da gratuidade da pós-graduação em universidades públicas.

Foi uma entrevista chuchu, à medida para um candidato sem gosto feita por uma bancada que só explorou suas contradições udenistas. Ou se preferirem, moralistas.

Alckmin deve ter empolgado seu eterno eleitorado paulista. Nada mais. Mas mesmo assim, não tirou do lugar aqueles que andam muito putos e por isso estão com Bolsonaro.

Alckmin continua do mesmo jeito e com o mesmo gosto. E os jornalistas da GloboNews também não mudaram. Preferiram passar o tempo falando de corrupção e impostos. Porque, como sabem os leitores deste blogue, isso é o que importa para o andar de cima, que é onde mora o discurso de Alckmin.
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Jungmann pede esclarecimento sobre inquérito contra professor da UFSC

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pediu esclarecimentos à Policia Federal acerca do inquérito aberto contra o professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Aureo Mafra de Moraes pelo suposto crime atentado contra a honra da delegada Erika Marena, responsável pela prisão que levou ao suicídio do ex-reitor da instituição Luiz Carlos Cancellier. Apesar do pedido de prisão, a Marena, que atuou na Lava Jato, não conseguiu até o momento nenhuma prova de que Cancellier tenha cometido irregularidades.

O inquérito contra Aureo foi aberto após ele conceder entrevista tendo ao fundo cartazes que criticavam a prisão do ex-reitor e a condução das investigações. Embora o professor não tenha citado a delegada durante a entrevista, a PF ainda assim abriu inquérito contra ele. A repercussão do caso gerou críticas até mesmo no Supremo Tribunal Federal (STF), quando a Polícia federal foi acusada de autoritarismo por querer sufocar posições contrárias à sua atuação.

Segundo a assessoria do Ministério da Segurança Pública, o caso já vinha sendo analisado, mas que  “diante da repercussão e das manifestações de autoridades e instituições”, o ministro resolveu pedir explicações à PF sobre a abertura do inquérito.
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Agosto

Com cabos de vassoura, paralelepípedos e barras de ferro, o grupo avançou pela rua e parou em frente a uma loja de carros importados. Entraram quebrando tudo: vitrines, para-choques, estofados.

Uma centena de metros antes, tinham atacado uma cervejaria estrangeira. A raiva explodira e deixava um rastro de destruição. Inconformados, incrédulos, desesperados percorriam a cidade. Uns berravam; outros choravam.

Era o que meu avô contava daquele agosto. Pelo rádio, a “Carta Testamento” trouxe a denúncia sobre o complô promovido por grupos internacionais e seus aliados internos. Expôs ataques à Petrobras, à Eletrobras e às leis trabalhistas.

Isso em 1954.

A morte de Getúlio Vargas adiou o golpe por dez anos, costumam apontar os historiadores. Pois cá estamos, em 2018, no meio de um golpe que ainda tenta derrotar a Petrobras, a Eletrobras, as leis trabalhistas. Além delas, outras conquistas de muitas décadas estão na mira: a Embraer, o SUS, o BNDES, os programas sociais, a educação universal.

Marielle e Anderson são assassinados. Violência e preconceito crescem. A mortalidade infantil aumenta. O desemprego, o desassossego e a desesperança campeiam. O retrocesso civilizatório é amplo, geral e irrestrito. Cotidianamente, a democracia e a soberania são enxovalhadas.

De costas para tudo isso, uma parte do empresariado não tem constrangimento em flertar e apoiar um candidato que defende o assassinato de pobres. Ignorando princípios básicos da civilização pós-iluminista, promovem encontros de olho apenas nos seus rendimentos de curto prazo.

Herdeiros de grandes nomes da burguesia se alinham a arrivistas para cortejar quem quer que diga defender os seus ganhos. A direita —que gosta de ser chamada de centro e que alimenta o fascismo— reza para que o tempo de TV seja a salvação da lavoura, da sua lavoura, claro.

Há uma complicação inexorável para a direita: o voto universal. Coisa que os alardeados mercados não cansam de dizer que causa “tumulto”, “incerteza”, “imprevisibilidade”. Para eles, seria melhor que não houvesse eleição.

Assim, seguiria, sem maiores percalços, o ataque aos fundos públicos, ao Estado. E a entrega de patrimônio construído por décadas. E o alinhamento subserviente ao Norte.

Ocorre que o líder nas pesquisas está preso. Um processo questionado por renomados juristas é instrumento para deixá-lo de fora da disputa —que poderia vencer até em primeiro turno.

A direita finge que Lula não existe, que é carta fora do baralho, que deve abandonar o jogo e indicar um substituto. Já quando ele foi preso, obituários encheram páginas e páginas, decretando o fim de um mito.

Mas, até agora, a maior parcela dos eleitores está com ele. Votar em um preso, nessa conjuntura, significa um protesto, uma revolta silenciosa, uma forma de derrubar, pela via eleitoral e legal, a malta que saqueia o país e seus cidadãos. Nada a ver com letargia. É uma ideia de futuro que move os eleitores.

O que ninguém sabe é o que vai acontecer se Lula não estiver na urna em 7 de outubro. Ou se os votos dados a ele forem cassados pela Justiça. As eleições serão consideradas legítimas? É certo que um dos objetivos da direita sempre foi afastar o povo da urna. A ideia do voto não obrigatório é uma face desse antigo projeto.

É possível que a exclusão de Lula da eleição coloque a própria democracia em risco ainda maior. Os golpistas, que jogam o país no precipício, têm poucas semanas para sacramentar sua estratégia. Já os defensores da democracia precisam se unificar em torno da sua: Lula livre! E candidato.

Eleonora de Lucena
No fAlha
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PSB, Lula e Ciro: o jogo avança e a mídia se desespera

https://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/analise-2/38490/

Colunistas ligados ao PSDB uivam de raiva: o lulismo está vivo! Abaixo, uma tentativa de entender o quadro eleitoral, depois que Lula/PT deram um xeque em Ciro.

Ricardo Stuckert
A velha mídia, aliada a Alckmin e ao PSDB, passou as últimas 24 horas tentando vender a ideia de que Lula e PT são malvados e terríveis, ao isolar politicamente Ciro Gomes na sucessão presidencial. O PT obteve uma aliança “de fato” com o PSB – que era cobiçado pelo PDT para uma aliança formal com Ciro. Sim, foi uma derrota imensa para o candidato pedetista. Mas alto lá!

No capa do site UOL, mantido pela multimilionária família Frias, os petistas são acusados por um colunista de “truculência”; outro comentarista pago pelos Frias diz que Lula “esquarteja” Ciro.

Hum, que eu saiba essa gente não tem qualquer afinidade com Ciro ou a centro-esquerda. O barato deles é banco e PSDB. Cumprem o papel de um flamenguista dando palpite nas contratações do Vasco. São parte da máquina de propaganda de Alckmin. De todo jeito, não percebem que, com ódio desmedido e exagerado, só reforçam o poder do líder que esperavam (a essa altura) ver destruído e deprimido numa cela de Curititba.

Se você é de esquerda – e tem simpatias por Ciro/PDT, Lula/PT, Manuela/PCdoB ou Boulos/PSOL – não precisa entrar nessa narrativa criada pela direita. Mesmo que considere um erro o movimento feito pelo PT, ou uma pena que Ciro não consiga se viabilizar. Vamos aos fatos.

1 – Ciro tentou construir sua candidatura na centro-esquerda, ocupando algum lugar entre PT e PSDB no espectro político. Acabou espremido dos dois lados. Alckmin tirou-lhe o Centrão. E agora o PT impede Ciro, sim, de contar com o PSB. Reparemos que ninguém acusou Rodrigo Maia (DEM) de truculento ou esquartejador, ao fingir que levaria o Centrão até Ciro, para depois depositar as legendas fisiológicas no colo dos tucanos. Maia foi apresentado como “habilidoso” e “pragmático”. Lula, não. É um maquiavélico malvado. Sei.

Acusar o PT por construir seu espaço (de forma até heróica, numa conjuntura absolutamente adversa) é tão desonesto quanto cobrar de Ciro uma fidelidade absoluta a Lula. Os dois, legitimamente, tentam erguer suas candidaturas. Nessa composição, Lula preso tem sido mais feliz do que Ciro solto. Mas os dois estão no mesmo campo. Os adversários tentam cavar entre eles uma vala de mágoas instransponível. Vejamos se o povo vai entrar nessa.

2 – O movimento de atrair o PSB facilita a vida de governadores “socialistas” no Nordeste, e une anda mais o lulismo naquela região, abrindo caminho para o candidato petista que vier a ocupar a vaga de Lula na urna, em outubro. É do Nordeste que virão os votos decisivos pra levar esse candidato ao segundo turno. De outro lado, o movimento cria também ruídos ruins com a militância petista, ao tirar de campo a candidatura ao governo de Pernambuco de Marília Arraes (construída de baixo pra cima, no PT local), e priorizar o acordo pelo alto com o PSB pernambucano. Isso é um fato, e a médio prazo enfraquece o PT. Mas o jogo é pesado, e maior.

3 – Parece-me que, nos próximos dias, Ciro dará o troco. Duvido que ele caminhe docilmente para uma aliança com o PT, aceitando a vaga de vice na chapa de centro-esquerda. Não é o perfil dele. E não haverá, portanto, outro movimento possível para o PDT que não seja um acerto com Marina Silva.

Ciro e Marina, juntos, podem criar um terceiro campo, efetivo, na campanha. Em 2014, isso já aconteceu com a chapa Eduardo/Marina. Resta saber se o discurso desenvolvimentista de Ciro poderá ser soldado às pretensões de uma Marina cada vez mais nas mãos dos banqueiros.

Em 2014, os 15% ou 20% de uma aliança desse naipe não seriam suficientes para levar a chapa ao segundo turno. Em 2018, com 15% Ciro/Marina poderiam causar estragos tanto ao lulismo como ao candidato puro sangue dos bancos – Geraldo Alckmin.

4 – Os analistas que comparavam essa eleição de 2018 com a de 1989 parecem ter quebrado a cara. Não teremos a pulverização absoluta daquela disputa. Na prática, teremos: Alckmin/Centrão (com bom tempo na TV, mas carregando o peso do governo Temer nas costas); PT/Lula (com menos tempo na TV, mas ainda a carregar a herança dos anos de bonança do lulismo); Bolsonaro (com quase nada na TV, mas com o discurso anti-sistema a tiracolo), Marina/Ciro (juntos, poderiam dessa vez construir uma terceira via, num país tão cansado de polarizações); e Alvaro Dias/Lava-Jato (o senador mostra uma resiliência surpreendente para captar votos, sobretudo no sul do país, com um discurso moralista).

5 – Não me alinho entre os que consideram Bolsonaro já derrotado. O fato de estar isolado, e com poucos segundos na TV, não significa fraqueza pra ele. Ao contrário, ajuda a compor o discurso de “contra tudo que está aí”. Bolsonaro, para se diferenciar de Alckmin, tenderá a aprofundar o discurso extremista. E esse discurso hoje pode ser suficiente para lhe dar entre 15% e 20% dos votos, levando o candidato fascista ao segundo turno. O pior que podemos fazer é tratar com desdém ou ironia essa candidatura. Ela está aí porque representa uma porção significativa de brasileiros. De outro lado, quanto mais forte e coeso for o eleitorado de Bolsonaro no primeiro turno, mais difícil será para ele sair do isolamento na segunda volta da eleição.

6 – Pela lógica e pelos números das pesquisas, parece claro que um candidato petista recolha pelo menos metade dos votos de Lula, no caso de este ser mesmo barrado pela Justiça do golpe; isso daria a este candidato cerca de 15% dos votos, de saída, permitindo a ida ao segundo turno. Parece-me que Jacques Wagner (e não Haddad) teria mais chance de ser o depositário desses votos, porque é no Nordeste que o lulismo tem sua maior fortaleza.

7 – Alckmin pode ter imensas dificuldades (apesar da força na TV), se Bolsonaro resistir na extrema-direita (minha aposta é de que resistirá), e se Álvaro Dias mantiver a candidatura lavajatista, impedindo o PSDB de avançar no eleitorado conservador do sul.

8 – Tudo indica que chegaremos a outubro com quatro candidaturas disputando duas vagas ao segundo turno, todas elas na casa de 10% a 20% dos votos: Bolsonaro, Lula/PT, Marina/Ciro e Alckmin. Os dois primeiros têm eleitorados mais consolidados. O tucano é o que terá mais dificuldades (pela herança temerista). E Ciro/Marina só terão chance se estiverem juntos.

9 – Álvaro Dias é uma incógnita, e o PSDB terá que decifrar essa esfinge, para não ser devorado de forma surpreendente. O PCdoB, pela lógica, pode compor a chapa com o PT. Mas não fará isso apenas na base da sedução e dos compromissos históricos. Manuela vice pode ser um caminho. Mas não descartemos a possibilidade de ela se manter na disputa até o fim, se a legenda detectar que o PT age com arrogância na negociação.

10 – No geral, teremos um país dividido como sempre. Nordeste e Norte mais fechados com o lulismo. Sul e São Paulo radicalmente contra a centro-esquerda. Rio e Minas decidirão a eleição, e dessa vez o lulismo está mais frágil nessas duas unidades da federação. Mesmo que perca nos dois estados, o PT precisa colher (entre cariocas e mineiros) ao menos metade dos votos para sua candidatura nacional, para ter chances eleitorais.

11 – Minha aposta hoje é de que Lula não será candidato, mas a direita pagará um preço altíssimo por desmoralizar o sistema eleitoral, impedindo o líder de estar na urna; se a direita vencer, o próximo governo será fraco e marcado pelo signo da ilegitimdade.

12 – Essa eleição é marcada pelo signo do “anti-sistema”. Nesse clima, ganham força Bolsonaro e aquele que representar o líder injustiçado pelo sistema (Lula).

13 – O quadro é extremamente volátil, mas se fosse apostar diria (na contramão do que afirmam os analistas da mídia velha) que a maior probabilidade é de um segundo turno com Bolsonaro e um candidato do PT. As colunas desesperadas de Merval, implorando que Lula reveja sua estratégia, mostram que a direita “liberal” sabe das dificuldades imensas que enfrentará. As colunas também desesperadas dos garotos dos Frias, que uivam de raiva diante da operação vitoriosa do PT junto ao PSB, indicam o mesmo. O lulismo está vivo. E forte. Mais forte, no entanto, é o caos e o desmonte da política.
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Alckmin disse que pretende acabar com a pós-graduação pública e gratuita - assista

Durante sua participação no programa “Central das Eleições”, da GloboNews, o tucano disse: “O primeiro caminho que vejo é cobrar a pós-graduação. Esse seria o primeiro passo”


O pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, durante sua participação no programa “Central das Eleições”, exibido nesta quinta-feira (2), à noite, pela GloboNews, afirmou que pretende acabar com a gratuidade no ensino superior público, iniciando este processo pela pós-graduação.

Em reposta a uma pergunta do jornalista Valdo Cruz, o tucano disse: “O primeiro caminho que vejo é cobrar a pós-graduação. Esse seria o primeiro passo”. Quando indagado, novamente, se iria cobrar mensalidade no ensino superior, Alckmin acrescentou: “Não está fechado que ensino superior seguirá sendo gratuito. Pode começar com pós-graduação paga”.

A afirmação do tucano veio no mesmo dia da notícia de que, em função da PEC dos Gastos, as bolsas de estudo especificamente para pós-graduação estão seriamente ameaçadas para 2019.

Assista ao vídeo:



No Fórum
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PT de Pernambuco confirma Marília candidata com 90% dos votos


A plenária do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco confirmou hoje a candidatura de Marília Arraes ao Palácio das Princesas.

A decisão foi tomada com 230 votos favoráveis, 20 contrários e uma abstenção.

Ontem, a Executiva Nacional do PT anunciou um acordo com o PSB pelo qual a candidatura de Marília seria retirada, em benefício do atual governador Paulo Câmara, que busca a reeleição.

Marília Arraes denunciou a decisão, alegando que o PSB não anunciou apoio ao PT, mas neutralidade em algumas disputas, além da retirada da candidatura de Márcio Lacerda, em Minas Gerais.

Lacerda já afirmou que pode judicializar a questão, para se manter candidato do PSB contra Fernando Pimentel, do PT, outro que tenta a reeleição.

No vídeo abaixo, veja os argumentos que Marília utilizou para se manter candidata, mesmo depois que a decisão da Executiva Nacional do partido foi publicada.



No Viomundo
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Será que existem psicopatas em nosso cenário político e judicial?

SOBRE A PERSONALIDADE DOS PSICOPATAS.
SERÁ QUE EXISTEM ALGUNS DELES EM NOSSO CENÁRIO POLITICO OU MESMO NO CENÁRIO JURÍDICO???

Não são considerados doentes e podem ter vários graus ou níveis. Sem darmos conta, muitas vezes nos relacionamos com psicopatas. São muitos e, por vezes, quase que inofensivos.

Esta mensagem tem por escopo não só alertar os nossos leitores sobre o perigoso convívio com estas pessoas, como também indagar se os sintomas mencionados abaixo podem levar a suspeitar de algumas pessoas que estão agora em evidência em nossa sociedade. Opinem!!!

Na grande imprensa, também vamos encontrar a subserviência aos patrões, despreparo e “venda de consciências”.

Robert Hare levou investigações criminais por mais de quatro décadas, dedicando a maior parte dos seus estudos para a psicopatia. Dentre outros sintomas, o pesquisador destaca os seguintes:

“Os psicopatas têm uma visão de si mesmos e das suas habilidades e valor muito inflado. Eles tendem a ser teimosos e arrogantes e acreditam que são superiores as outras pessoas.

Eles são muito confiantes, arrogantes, não se consideram nunca fracassados socialmente e não se preocupam com a sua situação atual.

O grau de mentira patológica pode variar de moderada a alta. De maneira moderada, estes indivíduos são simplesmente astuto, inventivos com o que eles dizem; em forma extrema, eles são enganosos, fraudes, obscuros, manipuladores e sem escrúpulos.

As mentiras e enganos são uma parte essencial dos psicopatas e as interações com os outros. Além de fingir conhecimentos em muitas áreas, eles fazem promessas que não cumprem e as afirmações que contradizem o seu comportamento. Eles têm uma grande facilidade para mentir e uma ausência de culpa sobre isso.

O uso do engano para manipular os outros é diferente do item anterior na lista porque atinge níveis excessivos de crueldade. Essas pessoas exploram as outras sem escrúpulos, com uma falta de preocupação e empatia pelos sentimentos e sofrimento das suas vítimas.

Pessoas com transtorno de personalidade psicopático não tem sentimentos ou preocupação com as perdas, dor ou sofrimento das suas vítimas. Eles tendem a ser descuidados, não mostram paixão, a ser frios e nada empáticos. Eles mostram um total desrespeito pelas suas vítimas, citando como “seria insensato não explorar as fraquezas dos outros.”

“Os psicopatas não parecem preocupados nem mostram interesse pelas consequências das suas ações ou pelos efeitos do seu comportamento sobre os outros. Às vezes, eles podem verbalizar sentimentos de culpa para tentar mostrar empatia, mas as suas ações não correspondem ao que eles dizem.

As pessoas com psicopatia sofrem uma pobreza de emoções e uma gama muito limitada de sentimentos. Eles podem mostrar a calidez, mas é apenas superficial; nas suas relações interpessoais eles são frios apesar de que apresentam sintomas abertos de sociabilidade. Mostram uma incapacidade de expressar emoções intensas e, quando expressam algum tipo de sentimento ou emoção, é dramaticamente e superficial.

Estes indivíduos parecem completamente incapazes de assumir o lugar dos outros e imaginar o sofrimento das suas manipulações e mentiras. Se alguma vez conseguem apreciar o que os outros sofrem por sua culpa nunca é uma apreciação emocional, mas puramente lógica, intelectual.

Estas pessoas tendem a ter sempre uma desculpa para explicar o seu comportamento. Eles negam as suas responsabilidades e atribuem coisas que acontecem a causas externas (“A sociedade, a família, o sistema legal…).”

Afrânio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj
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Ibope/CNI é o mesmo há quase 2 meses, mas Lula fica sem gráfico…


Já é estranho que, em com mês e meio de  intervalo, nenhum dos cinco principais candidatos tenha se movido sequer 1% para baixo ou para cima na pesquisa CNI-Ibope, que teve nova rodada divulgada hoje.

Lula segue com 33%, Bolsonaro marca os mesmos 15%, Marina iguais 7% e Ciro e Alckmin, idênticos 4%, sempre referidos à pesquisa de junho.

Incrível, fantástico, extraordinário. Admitindo que tudo esteja corretamente apurado e não tenha havido sequer uma “marolinha” que fosse nos índices dos candidatos, só há uma conclusão possível: a intenção de voto está cristalizada e, se a distribuição dos indecisos seguir, como é hábito, a proporção de cada candidato, não há o que mudar até 7 de outubro.

Aliás, qualquer agravamento da crise tende a beneficiar eleitoralmente o ex-presidente;

Diz o texto da apresentação:

Os brasileiros que escolheram Lula estão, de um modo geral, mais insatisfeitos com a vida (40%) que aqueles que optaram pelos demais candidatos (34%). Os eleitores de Lula também são os menos otimistas com as eleições (22% se dizem otimistas ou muito otimistas, contra 31% dos eleitores dos demais candidatos) e os menos interessados no pleito (36% têm muito interesse ou interesse médio, contra 51% entre os eleitores dos demais candidatos). Os entrevistados que escolheram o ex-presidente Lula só não estão mais pessimistas e menos interessados nas eleições do que aqueles que pretendem votar em branco ou nulo (10% estão otimistas ou muito otimistas e 15% estão interessados).

Embora os dados divulgados pela CNI não distribuam o percentual de cada candidato por região, registra que Lula tem 54% no Nordeste, como temos frisado hoje aqui. É praticamente o mesmo que registra Vox Populi (58%) e não explica a diferença com o número geral daquele levantamento, que registra 41% para o petista.

Claro que Ibope, CNI e a mídia apresenta a pesquisa com ênfase na liderança de Bolsonaro e em Marina Silva em segundo lugar, pois como bons “justiceiros” que são já tomam a exclusão de Lula como fato consumado.

Talvez por isso é que a grande diferença entre a pesquisa de junho e esta seja a ausência do gráfico que permite visualizar os percentuais de cada um, quando se apresenta o nome de Lula.

Porque ele tem não só o dobro de Bolsonaro, mas mais do que a soma de seus quatro principais concorrentes.

Mas isso, claro, não vem ao caso…

Fernando Brito
No Tijolaço
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