1 de ago. de 2018

O estranho jogo da Operação Margem Controlada com a sonegação


Deflagrada hoje, a Operação Margem Controlada, da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual do Paraná, não cheira bem.

A operação foi montada contra uma suposta organização criminosa que impedia os postos de combustível de praticarem preços livres.  A tal organização seria integrada por “executivos” das três maiores distribuidoras do país, BR Distribuidora, Ipiranga e Shell.

Na inacreditável entrevista concedida às TVs de Curitiba, o delegado descreveu o crime cometido. É de um nonsense sem tamanho:
  1. O delegado admitiu que os postos tinham contrato com as respectivas distribuidoras, pelos quais se comprometiam a adquirir combustível delas com exclusividade.
  2. Segundo o delegado, a tal quadrilha tinha proibido os postos de darem desconto, o que contrariaria a Constituição, “que prevê liberdade de mercado”. No  inquérito aberto, se diz que “de forma irregular, o preço de compra (custo) ao preço de venda que o revendedor deve cobrar do consumidor”.
  3. Como represália, as distribuidoras estariam cobrando dos postos mais do que os postos cobravam de seus fregueses na bomba.
A partir daí, a Policia Civil e o MPE solicitaram – e conseguiram do juiz – a prisão de 8 “executivos” das empresas. E espalharam “com exclusividade” os documentos para as TVs locais.

Vamos refazer a narrativa da maneira correta, sem inverter a lógica, como fez o delegado para justificar a operação:
  1. Por contrato, os postos só podem adquirir combustível das distribuidoras de sua bandeira.
  2. Em Curitiba, o próprio delegado admite que estavam vendendo na bomba por um preço abaixo do que pagavam pelo combustível. Ninguém, em sã consciência, vende seu produto principal por um preço menor do que o que pagou.
  3. É evidente os postos que estavam adquirindo de terceiros o combustível. E, para vender abaixo do preço da distribuidora, a única explicação é que estão adquirindo combustíveis sem nota fiscal.
Os “executivos” presos são meros três assessores comerciais da Petrobras, dois assessores da Shell e um gerente da Ipiranga, obviamente cumprindo determinações das empresas para a mais banal das fiscalizações: comparar o preço de venda na bomba com o preço de compra da distribuidora. Simples assim.

Porque a ênfase nos “executivos”? Porque se admitissem que se trata de uma política nacional por parte das três distribuidoras, o caso sairia do Paraná. Preferiram, então, jogar o peso da lei sobre subalternos, expondo seus nomes na TV local, e criminalizando uma ação das distribuidoras contra o crime organizado da venda de combustíveis sem nota.

A distribuição de combustíveis

O mercado de distribuição é concentrado. Apenas 4 distribuidoras controlam 77% do mercado. Enquanto na parte de baixo da pirâmide, 58 pequenas distribuidoras tem apenas 4% do mercado.

Além disso, há um mercado de comercialização do etanol. Na parte regulada, a venda do etanol se dá em leilões públicos.


À sombra desse oligopólio, existem distribuidoras menores, lutando com dificuldade, e quadrilhas organizadas.

Até algum tempo atrás, um dos golpes consistia em criar empresas fantasmas que conseguiam retirar combustível das refinarias sem pagamento antecipado de tributos, a chamada substituição tributária. Vendiam mais barato, acumulavam um passivo e, quando o Fisco ia cobrar, a empresa desaparecia na poeira.

Outra jogada consiste em comprar etanol diretamente das usinas, revendendo-a sem nota fiscal para os postos.

A maneira mais óbvia de combater a sonegação é conferir o preço final de venda. Se estiver abaixo do preço de compra, obviamente o posto está adquirindo produto sem nota fiscal.

Os “executivos” presos apenas cumpriam ordens óbvias de fiscalização. E foram expostos como criminosos, com procuradores e delegados anunciando, em coletiva, que estão sujeitos a penas de 2 a 12 anos de prisão.

É evidente que a operação visa desarmar um dos instrumentos de controle do mercado informal de combustíveis.

O ponto obscuro é saber o que a motivou, se apenas ignorância e exibicionismo, ou algo mais grave.

Luís Nassif
No GGN
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Senador golpista tem mandato cassado pelo TRE

Ele
O senador José Medeiros (Podemos-MT) teve o mandato cassado por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), na noite desta terça-feira (31), por fraude na ata da convenção que definiu a chapa dos candidatos ao Senado pela legenda em 2010. A corte determinou, ainda, que o suplente Paulo Fiúza assuma a vaga.

Medeiros, que era suplente de Pedro Taques, assumiu o mandato após este ser eleito governador em 2014. O juiz Ulisses Rabaneda, relator do processo, votou para que toda a chapa fosse cassada, incluindo a postulação de Pedro Taques. Os demais membros da corte, porém, derrubaram a posição por 5 votos a dois.

A decisão deverá ter efeito imediato, segundo o TRE, pelo risco de haver perda do objeto, uma vez que o mandato de José Medeiros será encerrado em janeiro de 2019. Ele corre o risco de não disputar a eleição deste ano em razão da Lei da Ficha Limpa.
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Sobre o PT cearense e o apoio a Eunício Oliveira

1) No último sábado, o PT do Ceará fez convenção e decidiu não indicar ninguém para concorrer ao Senado. Em suma, proibiu o senador José Rodrigues de tentar a reeleição. É uma decisão oficial da convenção, obtida por maioria significativa de votos.

(2) O grande beneficiário da decisão é o senador Eunício Oliveira (PMDB), prócer do golpe e integrante do círculo íntimo de Michel Temer, que tem sua própria reeleição facilitada. Em troca, Eunício apoia, também informalmente, a reeleição do governador Camilo Santana (PT).

(3) Trata-se claramente de uma situação em que o interesse eleitoral local e imediato leva à produção de alianças espúrias, algo que faz parte do comportamento do PT há muitos anos e que sempre foi justificativo em termos de certo pragmatismo político - mas que as circunstâncias do golpe mudam. Repito o que escrevi no começo do ano, no pequeno texto em que justifico o uso da categoria "golpe" para descrever o processo em curso no país (https://grupo-demode.tumblr.com/post/171564606847/golpe):

"Entender que foi um golpe, não a mera substituição de uma presidente, é fundamental para compreender a natureza, a profundidade e a abrangência das transformações em curso no país. Muitos que falam em golpe não entendem isso. Um dos fatores de confusão foi o comportamento de alguns setores derrotados com o golpe, inclusive dentro do próprio PT, que denunciavam o golpe e ao mesmo tempo agiam como se fosse possível reconstituir no curto prazo a ordem política fraturada ou mesmo como se o jogo pudesse continuar a ser jogado como antes – por exemplo, no episódio das negociações para a montagem das mesas da Câmara e do Senado. Mesmo agora a ficha não caiu completamente para todos, como mostram algumas das movimentações sobre alianças eleitorais."

(4) Diante da péssima repercussão junto à esquerda, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, veio a público fazer um desmentido. Ela desmentiu que o ex-presidente Lula tenha assinado uma carta em apoio a Eunício, tal como foi divulgado por um colunista da imprensa burguesa. Desmentiu que o PT cearense vá apoiar Eunício e, depois, disse que o diretório nacional vai discutir o assunto, afirmando que "temos uma posição contrária a ele [Eunício]".

(5) Parte da base petista tem se estribado nas declarações de Gleisi para afirmar que a notícia do apoio à reeleição do senador golpista é "fake news", isto é, mentira. Não é. A decisão da convenção cearense é inequívoca e, até o momento, continua em vigor.

(6) É claro que o PT cearense não "declarou apoio" a Eunício, mas o apoia na prática ao retirar a candidatura de José Pimentel. Até onde se pode ver pela imprensa, as declarações de Gleisi são ambíguas, pois ela fala que "não vamos apoiar Eunício", mas não toca na questão realmente importante, que é lançar Pimentel à reeleição.

(7) Caso a candidatura do senador petista realmente não ocorra, será preciso muito esforço de autoengano para não aceitar que o PT do Ceará está operando para favorecer a eleição de um dos parlamentares mais visceralmente ligados ao golpe e aos retrocessos em curso no Brasil.

(8) A decisão da convenção cearense e a reação insuficiente e ambígua da presidente nacional do PT formam uma demonstração cabal, mas certamente não a única, de como grande parte das direções petistas está disposta a sacrificar a luta contra o golpe por vantagens eleitorais imediatas.

(9) Independentemente da apreciação quanto às suas posições políticas, é inaceitável chamar a senadora Gleisi Hoffmann por apelidos machistas, como ocorreu num dos comentários à minha postagem anterior (e minha "amizade" com o responsável já foi devidamente desfeita).

Luis Felipe Miguel
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Bolsonaro: Humorismo... Uma ode à ignorância e ao fascismo


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Antigo dono do sítio que a Lava Jato atribui a Lula fala ao DCM: “não vendi para o Lula”

A entrada do sítio que pertence a Fernando Bittar
O antigo proprietário do sítio de Atibaia que a Lava Jato atribui a Lula contou ao DCM como vendeu a propriedade, em 2010, para Fernando Bittar e Jonas Suassuna.

“Eu fui almoçar no Clube da Montanha com o Vanderlei (Vanderlei Steves Mansanares, corretor de imóveis) e ele me disse que havia duas pessoas querendo ver o sítio. Eu disse que tudo bem, eles podiam visitar. Imaginava que quisessem ver o que havia lá, para fazer igual, em outra propriedade”, afirmou Adalton Emílio Santarelli.

Pelo que se recorda, era o segundo semestre de 2010 — ela não sabe precisar a data exata. “Eles foram ver a propriedade e, depois de alguns dias, fizeram uma proposta de compra. Eu achei que era um bom negócio, e vendi”, conta.

Simples assim.

O senhor vendeu para o Lula?

“Não, nunca me disseram que o Lula estava no negócio, nunca vi o Lula. Só vi isso (de que ele poderia ser o dono oculto), muitos anos depois na imprensa. Não sei se é verdade”, responde.

Lula como proprietário do sítio nasceu de um boato que circulou pela cidade depois que a ex-primeira-dama Marisa Letícia foi vista algumas vezes na padaria, com seguranças, para comprar pão, mortadela Ceratti e tomar café em copo descartável.

Ela não entrava na padaria, permanecia no carro, mas, quando o segurança voltava, Marisa descia para tomar café e fumar um cigarro. Foi vista, e assim começaram os comentários de que Lula tinha um sítio ali perto.

Mas, no mundo das coisas concretas, a realidade era muito diferente do enredo que foi parar nas páginas da imprensa.

O jornal O Estado de S. Paulo, para alimentar a versão de que Lula era o proprietário oculto, publicou reportagem em que afirmava que o sinal dado para a compra do sítio foi feito em dinheiro vivo.

“Não, de jeito nenhum”, conta Adalton Santarelli, dono de um comércio na rua Direita, fundado em 1979, a Santarelli, que tem um logotipo em que as letras L são destacadas em duas cores da bandeira da Itália, o verde e o vermelho.

Tradição e respeito. Este é o logo da empresa, que se apresenta como responsável pelo que “há de melhor e mais atual nos ramos de relojoaria e joalheria em todo o território nacional.”

A empresa de Adalton é representante exclusiva da Bergeon no Brasil e ainda representa as marcas Gut, Antílope e Vallorbe.

“Eu recebi em cheques administrativos, foi tudo cheque, e eu entreguei cópia do microfilme para a Polícia Federal, está tudo esclarecido”, destaca.

A reportagem do Estadão, de fevereiro de 2016 (um mês antes da condução coercitiva de Lula), cravou que o pagamento havia sido feito em espécie a partir da leitura equivocada de uma cláusula da escritura de compra e venda.

Nesse documento, Adalton declara que já tinha recebido como sinal 100 mil reais, em “boa e corrente moeda nacional”. A expressão é padrão em documentos desse tipo, para confirmar que o sinal já tinha sido quitado, através da compensação de cheque.

O Estadão também tratou como indício de crime o fato do contrato ter sido feito no escritório do advogado Roberto Teixeira.

Ele é apresentado como compadre de Lula, o que é verdade, mas o jornal deixou de informar que Roberto Teixeira, que já foi presidente da Subseção da OAB em São Bernardo do Campo, também é advogado, e advogado há bastante tempo. Sua especialidade é o direito imobiliário.

Fernando Bittar e Jonas Suassuna, os compradores do sítio, já eram clientes do escritório também havia bastante tempo.

Na verdade, além de clientes, eram amigos.

E é bastante comum que amigos também façam negócios, e recorram uns aos outros em caso de necessidade profissional.

Quem nunca fez isso? Que mal há? Onde está o crime?

Adalton conta que não queria vender o sítio quando foi procurado, embora já não frequentasse a propriedade tanto quanto antes, quando comprou a propriedade do senhor Gastão, em 2005.

Os filhos haviam crescido e já não passavam todos os fins de semana com ele. No sítio, era comum ir apenas com a mulher, Neusa.

Por frequentar o sítio menos do que gostaria, não resistiu à oferta, que ficou no preço de mercado: R$ 1,5 milhão. A perícia apontou uma diferença de R$ 75 mil entre o preço de compra e o preço avaliado por ela.

Essa diferença, de 5%, insignificante em negócio dessa monta, também foi tratada como suspeita.

“Por que R$ 75 mil levaram a PF a desconfiar da compra do sítio de Atibaia” foi o título da reportagem do UOL, em que os peritos afirmam que, por estar o mercado imobiliário num bom momento e pelo fato de que Adalton não tinha colocado o sítio à venda, o preço deveria ter sido maior.

“Vende pelo preço que valia”, explica Adalton.

O site de extrema-direita O Antagonista tratou como suspeita a compra que Adalton e a mulher fizeram de um apartamento no condomínio em que o doleiro Alberto Youssef mora, na Vila Nova Conceição.

Quando pergunto a ele sobre essa notícia, Adalton dá uma longa gargalhada.

“Só rindo mesmo. Eu tenho esse apartamento faz tempo, e só soube que esse Youssef tinha um apartamento lá depois que vieram me contar que tinha saído uma coisa dessas na internet. Eu ri muito”, declara.

Adalton prestou depoimento à Polícia Federal e nunca mais foi chamado. O que ele viveu não ajuda o Ministério Público Federal a alimentar o power point.

Foi negócio transparente, feito à luz do dia. Um coisa simples, fácil de contar, fácil de entender. Mas Deltan Dallagnol, coordenador da Lava jato, parece ter predileção por situações nebulosas, que ele poderia esclarecer, histórias contadas pela metade.

A confusão ajuda a alimentar o público com a farsa de que Lula e o PT conduziram o maior esquema de corrupção do sistema solar.

Se fosse assim, Lula seria um corrupto muito vagabundo: o chefe da organização criminosa que teve como quinhão do saque o direito de frequentar um sítio nos fins de semanas e feriados, em que a mulher podia aproveitar para ir à padaria e comprar pão com mortadela Ceratti, além de tomar café em copo descartável, na calçada.

Uma vida nababesca.

REPORTAGEM FINANCIADA POR CROWDFUNDING. OUTRAS VIRÃO. FIQUE LIGADO.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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União e emissoras de TV são condenadas por sorteios ilegais durante os anos 90


A 3ª turma do TRF da 3ª região condenou a União e diversas emissoras de TV ao pagamento de indenização morais – no valor de R$ 200 mil cada uma – e por danos materiais por causa da realização de sorteios ilegais durante a década de 1990.



As emissoras produziam concursos com sorteios de bens por meio de telefones do sistema 0900, disponibilizado em todo o território nacional. Os telespectadores deveriam responder perguntas feitas nas ligações e, uma vez sorteado, deveriam comprovar o registro da ligação e a quitação da conta telefônica.

Os sorteios eram realizados em parceria com entidades beneficentes, que intermediavam junto aos órgãos competentes todos os documentos e atos indispensáveis à execução dos concursos.

O MPF ajuizou ACP contra as emissoras e a União insurgindo-se contra as portarias 413/97 e 1.285/97 do Ministério da Justiça que autorizavam a realização dos sorteios por entidades filantrópicas. Para o parquet, os sorteios eram ilegais e causaram prejuízos aos consumidores. Com isso, o MPF requereu a suspensão das portarias e a condenação das rés ao pagamento de indenização por danos morais.

Ao analisar o caso, a relatora na 3ª turma do TRF da 3ª região, juíza Federal convocada Eliana Borges de Melo Marcelo, considerou que uma CPI da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Alesp concluiu que, na realização de sorteios feitos via portarias 413/97 e 1.258/97 do Ministério da Justiça, houve desvio de finalidade e violação à lei 5.768/71, "que veda claramente, que outras pessoas físicas ou jurídicas participem dos resultados dos sorteios realizados em nome de instituições assistenciais".

A magistrada afirmou que o Poder Público, ao autorizar os sorteios por meio das normas, se omitiu de agir em conformidade com a lei. A juíza também entendeu que o dano moral não se dá em favor das entidades assistenciais, mas sim, dos consumidores, ao ponderar que as entidades firmaram contratos com as emissoras, autorizando a prática a fim de obterem algum valor, qualquer que fosse.

"O Poder Público infringiu a lei, omitindo-se ao dar autorização para a realização de eventos, sem a prova da capacidade financeira, econômica e gerencial das entidades interessadas, além dos estudos de viabilidade econômica dos planos e das formas e condições de emprego das importâncias a receber."

Com isso, votou por condenar a União e as emissoras ao pagamento de indenização, individualmente, por danos morais, no valor de R$ 200 mil – valor a ser revertido ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

O voto foi seguido pelo colegiado, que ainda condenou as rés ao pagamento de indenização por danos materiais, cujo valor será apurado em liquidação de sentença. A turma ainda reconheceu a ilegalidade das portarias 413/97 e 1.285/97.
  • Processo: 0001049-61.1998.4.03.6100

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O Manifesto apresentado pelos grevistas de fome ao STF


O grupo de seis militantes sociais que se colocou em situação de greve de fome ontem, 31, protocolou e fez leitura pública de uma manifesto onde externiza suas motivações e apresenta uma pauta de reivindicações junto ao Supremo Tribunal Federal.

Após as primeiras 24 horas em jejum e mesmo já tendo sido vítimas de agressões por parte da polícia do judiciário e de guardas privados quando se colocaram nas proximidades da entrada do tribunal, seguem convictos de suas proposições e esperam ser recebidos pela presidenta do STF Cármen Lúcia.

Confira a íntegra do manifesto:



MANIFESTO DA GREVE DE FOME
BRASÍLIA – DF, 31 DE JULHO DE 2018

Nós, militantes dos movimentos populares do campo e da cidade, ingressamos conscientemente na “Greve de Fome por Justiça no STF”, iniciada no dia 31 de Julho de 2018 em Brasília, por tempo indeterminado. Nossa opção por esse gesto extremo de luta decorre da situação extrema na qual se encontra nossa Nação, com a fome e as epidemias retornando e o desemprego desgraçando a vida de nosso povo. O que motiva nossa decisão é a dor e o sofrimento dos brasileiros e brasileiras. Nossa determinação nasce também pelo fato de que o Poder Judiciário viola a Constituição e impede o povo de escolher pelo voto, soberanamente, o seu Presidente e o futuro do país.

Nosso gesto quer denunciar, defender e apelar.

1. Denunciamos a volta da fome, o sofrimento e o abandono dos mais pobres, sobretudo as pessoas em situação de rua, das periferias, os negros, indígenas, camponeses, sem terra, assentados, quilombolas e desempregados;

2. Denunciamos o aumento da violência que ataca, sobretudo, mulheres, jovens, negros e LGBTs;

3. Denunciamos a situação dos doentes, da saúde pública, das pessoas com deficiência, a volta das epidemias e da mortalidade de crianças;

4. Denunciamos os ataques à educação pública, que deixam a juventude sem perspectiva de vida;

5. Denunciamos a volta da carestia, o aumento do preço do gás, da comida e dos combustíveis;

6. Denunciamos as tentativas de aniquilamento da soberania nacional, através da entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro: Amazônia, terra, petróleo, energia, biodiversidade, água, minérios e empresas públicas essenciais à geração de emprego e ao bem estar do povo;

7. Nos indignamos e não aceitamos o sacrifício anunciado de duas gerações: as crianças e os jovens;
8. Defendemos o direito do povo escolher livremente, pelo voto, seu próprio destino, elegendo à Presidência o candidato de sua preferência;

9. Defendemos a volta da plenitude da democracia e a vigência integral dos direitos fundamentais presentes na Constituição Federal, hoje negada e pisoteada;

10. Apelamos ao Supremo Tribunal Federal pelo fim das condenações sem crime, das prisões ilegais sem amparo na Constituição e pela libertação imediata do Presidente Lula, para que possa ser votado pelo povo brasileiro.

A situação de desespero do povo tem muitas causas. Neste momento, entretanto, os agentes diretos pelo massacre, pela a injustiça e pela destruição da Constituição, têm nome e sobrenome: são donos da rede globo e estão nos tribunais em Curitiba e Porto Alegre. São responsáveis pelo que acontecer com qualquer dos Grevistas de Fome.

Apelamos aos Ministros do Supremo Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes para que respeitem a Constituição, garantam o retorno à normalidade democrática, anulem a condenação sem crime do presidente Lula, reponham o direito à presunção de inocência e o direito do povo de escolher seu presidente de forma livre e democrática. São eles também responsáveis caso algo grave aconteça aos que estão em greve de fome.

Afirmamos que nossa greve de fome é uma escolha livre e consciente para evitar que nosso povo volte a passar fome por imposição.

Tomamos a decisão de iniciar esta Greve de Fome e colocamos as decisões dos Ministros do Supremo Tribunal Federal como condicionantes para seu encerramento, atendendo aos clamores da maioria do povo brasileiro.

Acreditamos no povo brasileiro, nas possibilidades de nossa Nação e temos a firme esperança de que vamos superar este momento grave de nossa história para inaugurar uma nova fase de justiça e fraternidade na vida das brasileiras e dos brasileiros.

Jaime Amorim

Luiz Gonzaga da Silva

Rafaela Alves

Frei Sérgio Görgen

Vilmar Pacífico

Zonália Santos

No Rede Soberania
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Roda Viva expõe o perigo de um país de milhões de Bolsonaros

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/07/31/roda-viva-expoe-o-perigo-de-um-pais-de-milhoes-de-bolsonaros/

Foram tantas as boçalidades proferidas por este ex-militar bronco e inculto no programa Roda Viva de segunda-feira que fica até difícil escolher uma só para abrir esta matéria sobre a entrevista de Jair Bolsonaro, o candidato das trevas.

Minha filha Mariana, também jornalista, me mandou essa:

“Se você, por exemplo, aumentar o número de empregos no Brasil a tendência de alguém procurar um hospital diminui…”.

Como assim? Quem trabalha não fica doente, pergunta a Mariana, que conclui:

“Pior do que os absurdos dele é ter quem acredite e concorde”.

É verdade. O maior problema político do Brasil hoje não é ter um tipo como Bolsonaro favorito nas pesquisas presidenciais sem o nome de Lula.

O grande perigo de um brutal retrocesso está nos milhões de Bolsonaros que o apoiam e declaram voto nele porque pensam como ele, este projeto de nazista tupiniquim.

Por isso, o grande mérito dos jornalistas entrevistadores do último Roda Viva da série com os presidenciáveis foi expor a exótica figura durante uma hora e meia em rede nacional de televisão para que ninguém depois diga que foi enganado.

Além das barbaridades que falou sobre direitos humanos, as agressões contra pessoas da maior dignidade, como o ex-ministro da Justiça José Gregori, a ofensa à família de Vladimir Herzog ao colocar em dúvida seu assassinato no DOI-CODI, o que mais me chamou a atenção na entrevista foi a total incapacidade dele de juntar duas frases com sentido e não conseguir responder nem às perguntas mais simples, sem nenhum compromisso com a lógica ou com o país.

Debochado e leviano, Bolsonaro seria reprovado em qualquer exame psicotécnico de admissão num emprego.

Para ninguém pensar que estou exagerando (vale a pena ver a integra do programa no site da TV Cultura), vou reproduzir só um trecho do diálogo de surdos entre o candidato e a repórter Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor:

MCF: Qual a sua proposta para que a mortalidade infantil deixe de subir?

JB: Quando se fala em mortalidade infantil, isso tem a ver com os prematuros. É muito mais fácil um prematuro morrer do que um bebê que cumpriu uma gestação normalmente. Medidas preventivas de saúde…

MCF: Isso não tem muito mais a ver com saneamento básico?

JB: Tem um mar de problemas (…) Muita gestante não dá bola para a sua saúde bucal ou não faz os exames do seu sistema urinário com frequência.(…) Agora, eu vou dar a missão. Quem for para o ministério da Saúde, tem que realmente cuidar da saúde e não da doença, prioritariamente.

MCF: E como o senhor vai fazer isso reduzindo os gastos?

JB: O que acontece… Não só a Inglaterra… Você, você, você vai conjugar também com desburocratização, desregulamentação… Que é o inferno da vida de quem quer empreender no Brasil. Quem quer ser patrão no Brasil em sã consciência?

MCF: Eu tô falando de saúde, deputado.

JB Você falou de economia… Como vai reduzir impostos e vai entender economia (???) Se você, por exemplo, aumentar o número de empregos no Brasil, a tendência de alguém procurar hospital vai diminuir.

Dá para acreditar no que ele respondeu quando a pergunta foi sobre saúde pública?

Foi assim o programa inteiro: ele não entendia as perguntas e respondia qualquer coisa sem se importar com a veracidade dos fatos e números citados, chutando para todo lado.

Pode ser o tema que for, ele usa os mesmos jargões que repete nos discursos gritados em cima de carros de som nos aeroportos por onde passa.

O que mais me assusta é encontrar cada vez mais gente que fala e pensa como ele, numa mistura explosiva de desinformação e má fé, mesmo pessoas com curso superior e bom padrão de vida.

Nesta campanha eleitoral, pior do que tudo, estamos criando uma legião de Bolsonaros que vieram para ficar, cheios de certezas, verdadeiras hordas de seguidores fanáticos que se caracterizam pela violência e ignorância.

Foi a eles que o candidato se dirigiu no Roda Viva, sem dar a menor satisfação aos jornalistas e ao público em casa, o resto do eleitorado que não professa a sua fé num trabuco para resolver todos os problemas nacionais.

É impossível resumir num post todas as sandices, estultices, mentiras e canalhices que ele foi capaz de proferir, às vezes rindo dele mesmo, como se estivesse falando com um bando de retardados.

Bolsonaro tornou-se a melhor expressão do que sobrou da Operação Lava Jato deflagrada para acabar com o antigo “sistema político corrupto e viciado” para pregar a renovação nas eleições de 2018.

O personagem para encarnar o novo que encontraram é esse deputado profissional de sete mandatos, que se apresenta como o Trump nativo contra “tudo isso que está aí”.

Lançado por um partido nanico, sem alianças nem tempo de TV, sem qualquer programa de governo, candidato do “eu sozinho contra o mundo”, aquele que manda perguntar no Posto Ipiranga (seu assessor Paulo Guedes, um ultraliberal guru do ex-capitão nacionalista e estatista) quando não sabe as respostas.

Estamos bem de candidato favorito, o homem que tem entre 17 e 19% nas pesquisas de intenção de voto a 70 dias da eleição.

O que já está péssimo, sempre pode piorar. Preparem-se.

E vida que segue.

Ricardo Kotscho
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O Roda Viva que Bolsonaro sonhava


Coube não a um jornalista, mas a um representante do Instituto Ayrton Senna, fazer as perguntas mais embaraçosas ao presidenciável Jair Bolsonaro durante o Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura. Embaraçosas por obrigarem o candidato a entrar em uma seara que ele evita a todo custo: o debate de ideias e propostas.

Bolsonaro, o “mito”, não soube responder sobre seu programa para a educação, assim como escapou de falar sobre economia. Em um raro momento no qual foi convidado a expor sua visão a respeito da situação econômica do País, saiu-se com uma piada: “Paulo Guedes é meu posto Ipiranga”. Guedes, sócio de butiques financeiras no Rio de Janeiro, é apresentado como o ministro da Fazenda de um governo Bolsonaro. Sua principal proposta é uma privatização radical, da Petrobras ao Banco do Brasil.

Na maioria do tempo, a bancada tentou forçar o candidato a cair em contradição. Boa parte do programa foi dedicada a um debate sobre a ditadura, o discurso da violência e do “bandido bom, é bandido morto”, a interpretação do presidenciável a respeito da escravidão e outras polêmicas.

Bolsonaro agradece. Ao exibir mais uma vez um total descompromisso com a história e com os fatos, o deputado atribuiu a escravidão à ação de negros na África, negou a existência de um golpe militar em 1964 no Brasil e disse que 30% dos nascimentos de prematuro guarda relação com a falta de higiene bucal das mães.

Sobre a sugestão de “metralhar a Rocinha”, ideia efusivamente aplaudida durante um evento empresarial, insinuou que a declaração foi retirada do contexto e concluiu com uma frase de efeito, para delírio de seus fãs: “Se ele atirar, dê uma flor”.

Ansiosos por expor as “polêmicas” do presidenciável, a bancada do Roda Viva acabou por produzir o resultado inverso: reforçou a sensação de que Bolsonaro é “autêntico” e “fala o que pensa”. Permitiu ainda ao deputado apontar uma suposta perseguição da “mídia comunista” (segundo seus seguidores, 100% das empresas de comunicação do Brasil, Globo incluída, são de esquerda).

O Roda Viva da segunda-feira, 30, registrou a maior audiência do programa nos últimos tempos e liderou os trending topics do Twitter. Bolsonaro aproveitou a oportunidade para disparar frases a esmo. Confira algumas:

“O português nem pisava na África. Foram os próprios negros que entregavam os escravos.”

Assim Bolsonaro define o processo de escravidão, como obra dos próprios africanos. Entre os séculos XVI e XIX, quase 5 milhões de negros foram trazidos à força ao Brasil para serem escravos. Portugal manteve colônias na África entre 1415 e 1975.

“Que dívida? Eu nunca escravizei ninguém.”

A respeito do encargo histórico com os negros, decorrente da escravidão, e que os coloca no sopé da escala social.

“Não houve golpe militar em 1964. Golpe é quando mete o pé na porta e tira o cidadão de lá”
Sugerindo que João Goulart teria abandonado o governo, quando na verdade se encontrava no Rio Grande do Sul em busca de apoio. E estabelecendo um nova definição para as quarteladas.

“Esquece isso aí”

Sobre a tortura, assassinatos e desaparecimentos durante a ditadura.

“Mandela não é tudo isso que se pinta aí, não.”

A respeito do vencedor do Nobel da Paz de 1993, considerado a maior liderança negra da história do continente africano, presidente da África do Sul entre 1994 e 1999 e uma das maiores personalidades do século XX.

“A questão bucal é responsável por 30% dos prematuros.”

É o que garantiu o “especialista”, ao ligar problemas dentários ao nascimento de bebês antes do tempo. Nenhum estudo ou estatística na área de saúde avaliza essa afirmação

“Tenho 500 projetos apresentados.”

Confrontado por jornalistas da bancada com os dados reais (176 projetos, dois deles aprovado) deu por menos e não se retratou. Deixou por isso mesmo

“Paulo Guedes é o meu Posto Ipiranga.”

O que pensa o candidato sobre Economia (ou sobre qualquer outro tema da agenda nacional)? Pergunta no Posto Ipiranga.

“Gostaria de ter estado mais vezes ao lado de (Eduardo) Cunha.”

O candidato responde a processos por incitação ao estupro. Uma eventual condenação poderia aproximá-lo do ex-deputado, hoje na cadeia.

“Sou contra privilégios. Por exemplo, eu posso gastar por ano 400 mil como parlamentar e gastei só 200 mil. Economizei.”

Neste valor não se incluem os salários de quem só aprovou dois projetos ao longo dos vários mandatos parlamentares. A baixa produtividade faz dele um deputado caro.

Sérgio Lírio
No CartaCapital

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Oferta e procura

O tempo de tevê e uma suposta capilaridade regional a partir das alianças partidárias há muito tempo não decidem eleições

Como aconteceu em momento semelhante de eleições passadas, a mídia anda cheia de notícias a respeito de um assunto que pouco interessa aos cidadãos comuns.

Começaram as convenções partidárias e as cúpulas entraram em campo para finalizar as articulações para a eleição.

É um período que provoca efervescência nos profissionais do ramo e tédio no eleitorado, pois as espertezas, traições e tiradas de algibeira, típicas desta fase que termina em 5 de agosto, só atraem os políticos.

A semana foi pródiga em avaliações dos primeiros lances.

Na mídia, Geraldo Alckmin, a opção predileta de 9 em cada 10 conservadores “sérios”, foi apresentado como seu principal beneficiário.

Mas houve comentários do tipo “quem perdeu, quem ganhou”, tratando de todos os candidatos.

Em nosso sistema político, com regras esdrúxulas de organização partidária e acesso a recursos de campanha, é inevitável o vai e vem a que assistimos, especialmente no caso do Centrão, uma das evidências do monstrengo institucional criado no Brasil.

Fabricado a várias mãos por Executivo, Legislativo e Judiciário, seu apogeu atual decorre da barafunda instalada com a deposição de Dilma Rousseff.

A adesão do Centrão a Alckmin quer dizer alguma coisa? Ciro Gomes perdeu para o tucano?

Jair Bolsonaro, destino até há pouco imaginado desse apoio, foi derrotado? Marina Silva diminuiu? O PT está “isolado”?

A resposta mais provável a essas perguntas é igual: não.

Nem Alckmin lucrou nada de significativo, nem Ciro, Bolsonaro ou Marina ficaram menores, nem o PT está sozinho.

Segundo o raciocínio de vários políticos e muitos jornalistas, essas movimentações afetam o quadro eleitoral por alterar as condições de oferta das candidaturas.

Elas implicam maior ou menor acesso a tempo de propaganda eleitoral gratuita e a algo mal definido, mas em que muita gente parece acreditar, uma hipotética capilaridade, que asseguraria a presença física das campanhas perto dos eleitores, em especial nos “grotões” urbanos e rurais.

Alckmin, por esse raciocínio, teria agora mais tempo de televisão que os outros e se beneficiaria da influência de postulantes aos demais cargos filiados aos partidos que integram o Centrão, bem como de seus prefeitos e vereadores, que supostamente entrariam em campo para elegê-lo.

Vice-versa, Ciro, Bolsonaro e Marina estariam mais frágeis.

Ninguém conseguiu, no entanto, comprovar que essa capilaridade tenha alguma vez sido relevante para eleger presidentes no Brasil moderno, como talvez fosse na época dos velhos coronéis.

Nenhum dos candidatos vitoriosos em nossas eleições desde 1989 contou com ela ou precisou tê-la. Fernando Collor não dispunha de um exército de prefeitos e venceu uma eleição solteira.

Lula ganhou suas duas em coligações nas quais o PT era, a bem dizer, o único partido que contava.

Naquelas de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, a eleição se resolveu por fatores que nada tinham a ver com a disponibilidade de cabos eleitorais locais.

Sem o Plano Real ou o apoio de Lula, nenhum dos dois teria sido presidente.

Quanto ao caráter decisivo da televisão, talvez só restem dois grupos que insistem na tecla de que é nela que as eleições ainda são vencidas ou perdidas: os marqueteiros e os donos de emissoras, pela razão óbvia de que ganham com isso.

Tudo o que vimos nas últimas e estamos vendo nesta de 2018 sugere, ao contrário, que a influência da propaganda eleitoral propriamente dita (ou da manipulação de noticiário e programação para favorecer ou prejudicar candidatos) diminui a passos largos.

A mexida nas regras do jogo feita em 2017 só acelerou o processo.

Com o encurtamento da campanha e a diminuição do horário gratuito, brigar por alguns segundos é perder tempo no enfrentamento do verdadeiro desafio: criar novos modos de comunicação com os eleitores, a maioria com identidades políticas consolidadas e vacinada contra a “marquetagem”.

Subjacente a esses equívocos está a suposição de que o problema de Alckmin, a inanição de sua candidatura, é de oferta, algo que se resolveria à medida que se tornasse mais conhecido. Dá-se o caso que não é.

Nas pesquisas, o que se vê é que, entre quem diz conhecê-lo “bem” ou “mais ou menos”, o ex-governador paulista não chega a 10% das intenções de voto, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro, em lista sem Lula.

Com Lula, permanece no mesmo quinto lugar que ocupa no conjunto do eleitorado.

A questão é de procura: Alckmin está mal nas pesquisas porque os eleitores não estão motivados por sua candidatura.

Provavelmente, por razões conhecidas, entre elas a derrocada do PSDB iniciada no dia seguinte à eleição de 2014, confirmada por seu papel no golpe contra Dilma Rousseff e no apoio a Michel Temer e completada nos escândalos a envolver suas lideranças.

Se a vitória de Alckmin nas articulações recentes é duvidosa, também as derrotas de Ciro, Bolsonaro e Marina são questionáveis.

É possível que os três possam assim se posicionar de maneira mais clara nos nichos do eleitorado propensos a apoiá-los, sem a incômoda companhia da turma do Centrão.

Pelo modo como são percebidos pela população, essa perda talvez os fortaleça em nitidez e atratividade.

Cômicos, como sempre, foram os comentários acerca do “isolamento” do PT a esta altura das negociações interpartidárias.

É claro que é bom para ele e para qualquer partido estar aliado a outros com densidade eleitoral e respeitabilidade.

Mas, se há uma sigla que pode dispensar a convivência com ajuntamentos políticos como os que estão no mercado à cata de “arranjos”, é o PT.

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Vox Populi
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