28 de jul de 2018

Lula, os candidatos e o dito pelo não dito


As saias-justas vividas hoje nas convenções partidárias são uma avant-première do que veremos nas campanhas de rádio e televisão.

Roberto Jefferson diante de um constrangido Geraldo Alckmin, chamando-o de “Moisés”, “a luz do deserto”.

Aécio Neves brilhando pela ausência na convenção do PSDB mineiro.


Paulo Pato Skaf “esquecendo” de Michel Temer, no que foi imitado por um desajeitado Henrique Meirelles.

Não dá para levar a sério uma turma de “moralizadores” destas.

Não importa que tenham muito tempo de televisão e orçamento para um desfile de imagens deslumbrantes.

A realidade é forte demais para que possam esconder.

E para que possam se esconder.

Estamos vivendo um paradoxo de comunicação.

Uma gravação de um minuto de Lula é mais importante que uma hora de vídeos desta turma.

Por isso tanto empenho em evitar que ele possa falar.

Mas adianta?

Em tempos de realidade virtual, até computação gráfica do Lula falando vai aparecer.

O simbólico não é uma fake news.

Gente que não sabe lidar com o real, não sabe lidar com o simbólico, porque  este é uma emanação da realidade.

Como são as lendas , as fábulas, os mitos (não este porquera que assim se autodenomina).

Essa gente não entende o ícone da Escrava Anastácia, acorrentada a uma mordaça de ferro, dizendo uma “não-fala” que é muito mais importante do que todas as palavras que dela se disseram, a chamá-la de bruxa e prostituta.

Comunicação não é necessariamente falar, mas é sempre se fazer entender.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula em carta lida no Festival Lula Livre


No dia em que o Festival Lula Livre lotou a Lapa no Rio de Janeiro, o ex-presidente Lula fez questão de mandar uma carta agradecendo o apoio e a solidariedade para todos os artistas e público que estiveram presentes. E ressaltou a importância da arte em sua vida. “Vocês não sabem quantas vezes a música, os livros, a arte, tem me ajudado a atravessar essa provação”, diz a carta.

O festival foi organizado por uma comissão formada por artistas, ativistas da cultura e representantes das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo que reafirmam que a liberdade do ex-presidente é a bandeira que unifica diferentes parcelas da sociedade.

Com mais de 40 artistas participando, o Festival Lula Livre arrastou uma multidão para os Arcos da Lapa, e será encerrado com um show de Chico Buarque e Gilberto Gil.

Leia a íntegra da carta abaixo:

“Queridos artistas, estudantes, trabalhadores, meus queridos amigos reunidos nesse sábado,

Eu só posso agradecer a solidariedade de vocês.

Quantas vezes, quando a sociedade calou diante de barbaridades, foram os nossos músicos, escritores, cineastas, atores, dramaturgos, dançarinos, artistas plásticos, cantores e poetas que vieram lembrar que amanhã há de ser outro dia?

Que ousaram acreditar em esperanças equilibristas e em flores vencendo canhões.

Que se rebelaram contra o “Cale-se!” imposto pela censura, gritando que era proibido proibir.

Que disseram que o povo da favela só quer ser feliz e andar com tranquilidade e consciência.

Que denunciaram o sofrimento de quem sai do nordeste expulso não pela seca, mas pela miséria e ganância dos coronéis.

Ou que eram expulsos de sua casa e vê ela ser demolida para passar “o progresso” que não inclui o trabalhador, como cantou Adoniram.

Os que sempre estiveram onde o povo está, e que agora, nesta que é mais uma página infeliz da nossa história, se juntam novamente ao povo brasileiro para soltar a voz em nome da liberdade.

Onde querem silêncio, seguiremos cantando.

Vocês não sabem quantas vezes a música, os livros, a arte, tem me ajudado a atravessar essa provação, que não é maior que a de tantos pais e mães de família brasileiros que hoje não sabem como irão trazer comida para casa. É em nome deles que não podemos desanimar jamais.

Porque a gente ainda vai festejar, e muito. A alegria, a liberdade e a justiça de um povo que não tem medo e que não se entrega não.

Muito obrigado pelo carinho de vocês.

Aquele abraço!

Luiz Inácio Lula da Silva
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‘Bolsonaro APP’ promete combater fake news, mas espiona fotos, cartão de memória e localização


Com a promessa de servir de “guia para destruir fake news”, o Bolsonaro APP chegou à Google Play, a loja de aplicativo Android, há um mês. O aplicativo foi propagandeado por youtubers de direita e, divulgado intensamente pelo WhatsApp, teve uma rápida ascensão. Foram mais de 10 mil downloads, número que o fez ficar, em certo momento, entre os dez aplicativos mais baixados na categoria “jornais e revistas” no Android.

A estratégia do aplicativo para “destruir as fake news” é criar canais para divulgar as propostas de Bolsonaro. O visual é simplório e as funcionalidades, pouquíssimas: apenas conteúdo em texto e imagens, carregados de outros sites. Há várias resenhas positivas, mas também um grande número de reclamações por causa dos erros de português. Em resposta, os desenvolvedores avisavam que teriam atualizações constantes.

reprodução 
As funcionalidades simples, no entanto, contrastam com o grande número de permissões que o aplicativo exige do usuário para que seja instalado. Uma vez baixado, o app exige autorização para acessar fotos e arquivos, acessar e alterar o cartão de memória e ter acesso à localização precisa da pessoa, que é calculada combinando informações do GPS e do Wi-Fi. Seriam exigências justificáveis se o aplicativo fosse um editor de imagens ou um navegador tipo o Waze – mas suas funcionalidades nem chegam perto disso.

Tecnicamente, o Bolsonaro APP oferece apenas conteúdo com links para os outros sites, carregando as informações da internet. Além da autorização para o acesso à internet, nenhuma das permissões exigidas eram realmente necessárias para seu funcionamento.

“Se é para informar fake news não é necessário acessar localização”, diz Ana Carolina Da Hora, programadora e pesquisadora que desenvolve aplicativos para celular desde 2013. Só faria sentido se o app exibisse notícias de acordo com a cidade onde o usuário está – o que não é o caso.

Ela explica que, por padrão, os aplicativos não têm acesso à localização e que esses dados podem ter outras requisições por trás. “Pode ser um tanto perigoso ter a sua localização rastreada por um app duvidoso”, ela diz. O mesmo acontece com o acesso a fotos e informações do cartão de memória.

“O Bolsonaro app usa a retórica do combate às fake news para se estabelecer como uma plataforma de disseminação de notícias falsas e discurso do ódio”, diz Joana Varon, pesquisadora de privacidade e fundadora da Coding Rights, organização que atua na defesa de direitos na internet. “É uma espiral de desinformação que se retroalimenta.”

Alexandre Frota e Major Olímpio

O isolamento imposto por todos os partidos rendeu a Jair Bolsonaro exatos oito segundos na televisão durante a campanha. Para contornar o problema, o candidato aposta em métodos alternativos – redes sociais e o WhatsApp, principalmente, para divulgar suas ideias.

O Bolsonaro APP foi descoberto pelo Checazap, projeto de checagem de notícias que apura a veracidade de mensagens enviadas no WhatsApp. Depois de receberem um aviso sobre o aplicativo, os estudantes responsáveis pelas checagens foram atrás de explicações. “O app tem as funções limitadas ao texto – não é possível postar fotos ou vídeos. Não tem sentido. Quem controla o aplicativo pode roubar fotos, mensagens e qualquer coisa no sistema de arquivos do celular”, disse a eles a programadora Erin Pinheiro, do LabHacker. Segundo a apuração, a assessoria de Bolsonaro afirmou que não tem relação com o aplicativo.

Os vídeos de divulgação – todos extra-oficiais – afirmam que o app foi um “presente de fãs” ao candidato. No Google Play, os desenvolvedores do aplicativo se apresentam como Fábrica Mídia18. Ela tem uma atuação recente – cerca de um mês – e também é responsável por três outros aplicativos: o do Alexandre Frota, do Vlog do Lisboa e do Major Olímpio, todos expoentes da direita que apoia Bolsonaro. Major Olímpio é, também, candidato ao Senado e cabo eleitoral do PSL em São Paulo. Em comum, todos os apps têm funcionalidades simples e coletas de dados excessivas.

Não há site da empresa e nem registro de CNPJ. O domínio usado para divulgar o aplicativo usa uma proteção de privacidade, justamente para que quem o registrou não seja identificado.

Tão rápido quanto se popularizou, no entanto, o aplicativo saiu do ar. O Google Brasil diz que não comenta casos específicos, mas explica que remove aplicativos se houver uma infração nos termos de uso da empresa. A avaliação é feita por meio de denúncias. Segundo o Google, um aplicativo pode ser removido por falta de transparência e coleta excessiva de dados, por exemplo. Vale lembrar, no entanto, que para quem o baixou o Bolsonaro APP continua funcionando – e coletando informações. E os outros aplicativos dos mesmos desenvolvedores continuam disponíveis para download.

Tatiana Dias
No The Intercept
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Ministro faz “ouvidos moucos” para PF na UFSC

O ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, fez ouvidos moucos para as suspeitas e intimidações que a Polícia Federal de Santa Catarina promove junto aos professores e alunos da Universidade Federal daquele estado.

O ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva (segundo da direita para a esquerda)deu posse ao professor Balthazar (quarto da dir. para esq.) como reitor da UFSC
Na manhã de sexta-feira (27/07), Rossieli empossou o professor Ubaldo Cesar Balthazar como novo reitor da UFSC. Garantiu assim a continuidade da gestão do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que se suicidou após a humilhação de que foi vítima com a Operação Ouvidos Moucos, comandada pela delegada Erika Mialik Marena. Balthazar, desde então, ocupava interinamente o cargo.

O novo reitor recentemente foi intimado pela Superintendência da Polícia Federal de Santa Catarina para ser ouvido em inquérito. A investigação foi aberta a pedido da delegada Érika e tem como objetivo apurar possíveis crimes de calúnia e difamação nas manifestações de universitários por ocasião da morte do reitor. Como Balthazar, o professor Aureo Mafra de Moraes, chefe do gabinete da reitoria, também foi chamado a depor na PF, conforme noticiado na sexta-feira pela Folha de S. Paulo em PF intima professor da UFSC após evento com críticas à polícia. Tudo vem sendo visto como uma forte intimidação.

Aureo também esteve com o ministro na manhã desta sexta-feira (na foto, de blazer), junto com Jair Napoleão, pró-reitor de administração, Vladimir Fay, secretário de planejamento, Álvaro Lezana diretor-geral do gabinete do reitor e Gelson Albuquerque, assessor institucional da universidade (todos na foto, da esquerda para a direita). Ou seja, a cúpula da universidade foi recebida pelo ministro. Na ocasião, não se falou sobre a intimidação dos policiais federais. Foi como se o problema não existisse.

A imagem que desagradou Erika.
reprodução do vídeo da UFSC

Como mostrou o JornalGGN – A imagem que fez o professor da UFSC virar alvo da PF e da delegada que prendeu Cancellier -, o professor está sendo responsabilizado por algo que os alunos fizeram.

Ao que parece, a delegada e seus colegas pretendiam que a Universidade censurasse as manifestações estudantis.

Aureo não responde pelo que teria dito em sua fala, até por ela pouco ter sido reproduzida no vídeo. O que a Polícia Federal lhe cobra é a faixa exposta pelos alunos em manifestação contra a morte do reitor (ao lado). Nela estão as fotos da delegada e da juíza da 1ª Vara Criminal Federal de Florianópolis, Janaina Cassol Machado, que concedeu o mandado de prisão contra o ex-reitor Cancellier. Com as imagens, a frase: “Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor.”

No entendimento de alguns membros do Ministério Público Federal e promotores estaduais ouvidos pelo Blog, a ação da Polícia Federal pode ser vista como novo abuso de poder. Um deles resumiu: “com certeza o abuso se encontra na investigação em si. Investigar um protesto numa faculdade pública é um ato arbitrário, ilegal e abusivo”. Outra fonte admitiu que com um Habeas Corpus seria possível trancar esse inquérito. Caberia à própria UFSC tomar a iniciativa.

Esta não é a disposição da nova administração da universidade. Mesmo no caso de Cancellier, nada foi feito pela UFSC contra o ato de arbítrio. Em Brasília, o professor Áureo deixou claro que não pretende revidar às provocações ao adiantar ao Blog que não tomará qualquer atitude: “Estamos tranquilos. Prestamos todas as informações e vamos aguardar a conclusão do inquérito”, anunciou.

Em Florianópolis, o desembargador aposentado Lédio Rosa de Andrade, amigo pessoal de Cancellier – a quem trata como Cao – e hoje candidato ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores, também considera abuso o Inquérito da Polícia Federal:
A Polícia Federal fez todas as barbaridades que fez com o Cao e o resultado foi a promoção da delegada. Então, estão com carta branca para fazer o que quiser. Continuarão fazendo barbaridades enquanto não houver uma ação de quem precisa corrigir esses abusos, porque o abuso está solto e incontrolado“.
Essa ação cobrada por Lédio Rosa, como relata na manhã deste sábado (28/07) Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada, a partir de uma nota publicada na coluna de Mônica Bergamo, neste sábado - Gilmar diz que Jungmann tem que se pronunciar sobre atuação da PF em universidade – deveria partir do atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, como cobra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Consta da postagem da PHA:

O ministro Raul Jungmann [da Segurança Pública] tem que se pronunciar”, diz o ministro Gilmar Mendes, do STF. “Um bom legado dele será instalar o Estado de Direito na PF.”

Processo contra quem lhe desagrada

Por causa da matéria de Julia Duallibi, a delegada Erika processou o Estadão e perdeu.

Não se trata da primeira iniciativa da delegada Érika em punir quem fala de seus feitos. Ela processa este Blog e conseguiu até uma sentença que além de manter a censura a duas reportagens – contrariando o princípio defendido pelo Supremo Tribunal Federal de que não pode existir censura – obteve direito a uma indenização de R$ 10 mil.

Por entendermos indevida tal decisão, inclusive por contrariar todo o entendimento do próprio Supremo – STF cassa censura da DPF Érika ao Blog – depositaremos em juízo o valor, mas estamos recorrendo da sentença como noticiamos em Justiça do PR contraria STF e ainda manda indenizar delegada.

Não fomos os únicos processados pela delegada. Ela se insurgiu na Justiça do Paraná também contra o jornal Estado de S. Paulo que sempre elogiou a Lava Jato, passando a ser considerado como um porta-voz extraoficial da mesma. Mas a delegada não gostou quando, em novembro de 2014, a jornalista Julia Duallibi, que não fez parte da equipe encarregada da cobertura desta Operação, divulgou, com base em postagens feitas pelos delegados da Lava Jato no Facebook, a reportagem “Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam o PT na rede” (reproduzida ao lado).

Um ano depois, em dezembro de 2015, ajuizou ação de indenização por danos morais na 9ª Vara Cível do Tribunal de Curitiba – processo 0035585-70.2015.8.16.0001. Cobrava R$ 70 mil alegando que a reportagem tinha “cunho difamatório e injurioso contra a requerente; utilizou manifestações feitas pela requerente em perfil fechado em uma rede social; a requerente teve que responder uma sindicância em razão da matéria; a atitude da requerida ofendeu a honra, moral e credibilidade da requerente, sendo devida indenização”.

Em agosto de 2017, o juiz Fabiano Jabur Cecy considerou improcedente o pedido. Alegou não enxergar no caso qualquer deslize por parte da reportagem, deixando claro que ela se conduziu dentro do que rege o princípio da liberdade de imprensa:

Trechos da sentença do juiz Fabiano Jabur Cecy
Entendo até que o requerido se portou de forma correta, tendo se limitado a noticiar que as postagens realizadas pelos delegados atuantes na Operação Lava-Jato, sem que houvesse sequer emitido algum juízo de valor ou alguma crítica que colocassem em consideração a personalidade ou eventual conduta ilícita da requerente“.
Foi além, admitindo que mesmo que houvesse crítica, a jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal – tal como temos afirmado quando relatamos os casos em que o Blog vem sendo processado – garante “a necessidade de preservar-se a prática da liberdade de informação, resguardando-se, inclusive, o exercício do direito de crítica que dela emana, por tratar-se de prerrogativa essencial que se qualifica como um dos suportes axiológicos que conferem legitimação material à própria concepção do regime democrático“. Ele continuou:
Além disso, a crítica que os meios de comunicação social dirigem às pessoas públicas, caso análogo ao da requerente, por se tratar de delegada atuando em uma operação de grande relevância nacional, como é a Lava Jato, por mais dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordinariamente resultam dos direitos de personalidade
Ou seja, a delegada Érika e seus colegas da Polícia Federal, ao se mostrarem inconformados com críticas – sejam elas da imprensa, do público ou mesmo dos universitários -, não levam em conta o que o Supremo está cansado de mostrar em várias de suas decisões que a crítica é permitida, principalmente a Agentes Públicos. Cite-se, por exemplo, o que disse o ministro Celso de Melo, em despacho na Petição 3486:
Vê-se, pois, que a crítica jornalística, quando inspirada pelo interesse público, não importando a acrimônia e a contundência da opinião manifestada, ainda mais quando dirigida a figuras públicas, com alto grau de responsabilidade na condução dos negócios de Estado, não traduz nem se reduz, em sua expressão concreta, à dimensão de abuso da liberdade de imprensa, não se revelando suscetível, por isso mesmo, em situações de caráter ordinário, à possibilidade de sofrer qualquer repressão estatal ou de se expor a qualquer reação hostil do ordenamento positivo“.
Embora ele se referisse à crítica jornalística, sem dúvida que tal pensamento se estende à crítica da opinião pública, dos cidadãos que têm o direito de fiscalizar servidores que são sustentados pelos seus impostos. No caso, os universitários.

A delegada Érika, no seu direito, insistiu em punir o Estado de S. Paulo por conta da reportagem assinada por Julia Duallibi. Recorreu da sentença do juiz Fabiano Jabur Cecy. O caso foi julgado há dois dias, na quinta-feira, 26 de julho, pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná. O relator foi o desembargador Domingos Thadeu Ribeiro da Fonseca. Ele conheceu do recurso, mas não deu provimento ao mesmo. Ou seja, manteve a decisão do juiz da 9ª Vara Cível, que rejeitou a ação da delegada e ainda a mandou pagar as custas e o advogado da parte contrária.

O mistério desta ação, porém, é o motivo de o desembargador tratá-lo em grau de sigilo público. Com isso, não permite acesso à sua decisão, como mostra a reprodução abaixo da página do TJ-PR. Terá sido para poupar a delegada?


Marcelo Auler
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Lula está certo ao manter candidatura

Precedentes? “Cámpora no governo, Perón no poder”.


O Conversa Afiada reproduz artigo (sempre) sereno do "colUnista" exclusivo do Conversa Afiada, Joaquim Xavier:

O Brasil está a cerca de 70 dias de uma eleição presidencial. Quem já viveu o bastante provavelmente nunca viu um cenário como este: o presidente do povo, é o que dizem mesmo as pesquisas de todos os quadrantes, está numa solitária. Do lado de fora, personagens à esquerda e à direita se engalfinham para ver quem fica com os despojos de Lula.

A eleição de outubro (se houver) não é um problema nacional apenas. O Brasil é peça chave no contexto em que o imperialismo americano e seus satélites confrontam inimigos mundo afora disputando o butim baseado na exploração do mundo do trabalho. Fale-se o que quiser de Donald Trump – assunto é que não falta. Mas o fato é que ele está fazendo o serviço para o qual foi escalado. Garantir e ampliar, a ferro e fogo, a supremacia sobre recursos mundiais do qual depende a sobrevivência de um sistema movido pela especulação financeira.

A guerra comercial contra a China é a face mais visível do embate. Não que a China seja um exemplo de libertação dos povos. Mas pelas suas próprias contradições, o capitalismo em decomposição produz efeitos imprevisíveis. A China é a maior detentora de títulos financeiros americanos. Se decidir negociá-los de acordo com seus interesses, é o mercado de Trump e seus algozes que treme nas bases.

Existe uma disputa mundial a dirigir cada movimento no planeta. Pensar que o Brasil está fora disso, reduzir a eleição presidencial de outubro a um assunto doméstico não é apenas ingenuidade. É fazer o jogo do inimigo.

São mais do que expressivas as provas de que a Lava Jato foi tramada em Washington. Sérgio Moro, esta excrescência grotesca ungida a imperador do “direito” pela elite e mídia tupiniquins, nem se dá ao trabalho de esconder o vínculo. Sua agenda de turismo pelo exterior, assim como a de seus apaniguados, fala por si só.

A mídia local, então... Chegamos ao cúmulo de ver manchetes, como a do “Estadão de Washington”, localmente fantasiado de “ São Paulo”, afirmar que as eleições ameaçam a Lava Jato. Quem “elegeu” a Lava Jato? A Casa Grande e a Casa Branca podem responder.

E aí a lupa se fecha sobre o Brasil. Derrubar Dilma e tirar Lula do páreo sempre foram questões de honra dentro desta estratégia. Ela tem sido seguida à risca, e seus objetivos saltam aos olhos mesmo de um Stevie Wonder.

O Brasil vem sendo saqueado: Petrobras, pré-sal, Eletrobrás, hidrelétricas, Embraer, força de trabalho reduzida à semi-escravidão. Estamos prestes a retornar à condição de colônia de fato e de direito, engolindo humilhações como a imposta pelo vice-presidente-americano ao vice-brasileiro transformado em “presidente” a bordo de uma quartelada judiciária-política-midiática.

Então chegamos ao ponto: quem representa a resistência a tudo isto? Com todo o respeito a acadêmicos de escol, qualquer zelador, balconista, operário sabe muito bem: o ex-presidente Lula. Chega a ser impressionante que, após mais de cem dias preso, banido pela grande mídia senão quando se trata de notícias desfavoráveis, encerrado numa masmorra, é impressionante que Lula não só mantenha, como amplie, sua preferência em qualquer pesquisa eleitoral. Sua dianteira cresce até nos estratos tradicionalmente refratários ao seu nome, como mostrou a última pesquisa Vox Populi.

Ah, mas o número de indecisos ou sem preferência ainda é alto. 60%. Mas alguém esperava o contrário diante do fogo cerrado aberto pela mídia oligopolista, que hora após hora diz que Lula é proibido de ser candidato? Desculpem os apaixonados pela internet, mas a TV e o rádio no Brasil ainda são um poder longe de ignorar. E todos sabemos quem domina esses tentáculos.

Lula é o preferido não por que queira ser. É porque o povo quer que ele seja. Essa é a chave. Por isso soam como descabidas, mas sobretudo impatrióticas, atitudes de personagens respeitáveis como Ciro Gomes. Já falou de tudo. Até que é antagonista à Lula, ao pedir gorjetas a setores do baronato da mídia que "pensam como ele, Ciro Gomes"; correndo atrás do que há de mais podre na política nacional por segundos de TV ao suplicar apoio ao direitão e ser... rejeitado!

A estratégia de Lula de se manter candidato até as últimas consequências é coerente com sua história e com o fato principal: é um inocente lançado às grades por motivos políticos.

Que os carrascos arquem com o ônus de tentar impedir que o povo decida seu futuro de modo soberano e democrático.

E caso os golpistas consigam tramar mais um golpe dentro dos vários golpes vistos até aqui, é ele, Lula, quem decidirá a eleição (se houver).

Só néscios podem achar que o ex-presidente não tem alternativas na cabeça.

Precedentes é que não faltam: “Cámpora no governo, Perón no poder”.

Joaquim Xavier
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Como os reacionários conseguiram pautar as redes sociais com uma falsa polêmica na última semana


“A legalização da pedofilia no Brasil é uma questão de tempo. Isso vai acontecer fatalmente”, alertou Olavo de Carvalho, o guru intelectual do mais obscuro conservadorismo brasileiro em vídeo gravado em 2012. De tempos em tempos, os reacionários trazem o tema ao debate político, sempre dando um jeito de associá-lo aos gays e às esquerdas, fabricando a ideia de que estes seriam tolerantes com pedófilos.

A estratégia não é nova e foi importada da extrema-direita americana, que costuma recorrer à falácia e nas últimas eleições fabricou o pizzagate um boato impulsionado por apoiadores de Trump que acusava Hillary Clinton de liderar um grupo que realizava orgias sexuais com crianças no porão de uma pizzaria em Washington. No Brasil, um caso recente se tornou emblemático dessa estratégia: MBL, Alexandre Frota e companhia reacionária fizeram um enorme escândalo em torno do Queermuseu, uma exposição de arte acusada de promover, dentre outras coisas, a pedofilia. Na esteira do episódio, a turma aproveitou para acusar Caetano Veloso de pedófilo, por ter se casado com Paula Lavigne quando ela ainda não havia alcançado a idade adulta. Eles conseguiram fazer com que o assunto #CaetanoPedófilo ficasse um bom tempo entre os assuntos mais comentados no Twitter.

À medida que a eleição se aproxima, integrantes da família Bolsonaro e da sua rede de apoio parecem cada vez mais dedicados à fabricação dessas falsas polêmicas. Elas ajudam a acender o fervor maniqueísta do seu eleitorado e o mantém unido contra o inimigo comum.

Na semana passada, Jair Bolsonaro começou a falar sobre pedofilia, um tema incomum para um candidato à presidência da República, mas que mobiliza o eleitorado conservador. Sem nenhum motivo aparente, ele compartilhou uma reportagem de 2016 do jornal britânico Independent de forma absolutamente deturpada. As aspas do psicólogo foram divulgadas como se fosse uma posição editorial do jornal, o que contribui para a ideia de um grande complô da mídia esquerdista pervertida contra as famílias de bem.

No dia seguinte, mais um expoente reacionário se encarregou de manter o monstro da pedofilia pautando o debate público. O humorista e apresentador de TV Danilo Gentili compartilhou uma notícia falsa do Daily Caller, um conhecido site de fake news fundado por conservadores que se dedicam a atacar a esquerda e a apoiar Trump.

No mesmo dia mais tarde, o filhote mais assustado de Bolsonaro, o Carlos, divulgou a mesma notícia falsa de Gentili, associando os gays à pedofilia, mas usando outra fonte. Mesmo alertados, os dois não apagaram as notícias falsas.

Poucos dias depois, Carlos resolveu reacender a tocha do medo e ressuscitou uma reportagem da Globo News de 2017 sobre pedofilia.

Jogando com o imaginário reacionário que acredita piamente que a Rede Globo — e praticamente toda a grande imprensa — é um veículo de esquerda, Carlos Bolsonaro compartilhou o vídeo afirmando que a emissora estaria fazendo uma defesa da pedofilia. A reportagem registra apenas o óbvio: a pedofilia é uma doença. Não se trata de uma questão de opinião, mas de um fato atestado pela Organização Mundial da Saúde. Negar que seja uma doença é negar a ciência. É como negar o aquecimento global, que a terra é redonda ou que os agrotóxicos são nocivos à saúde humana  negações, aliás, recorrentes no mundo imaginário dessa direita lisérgica. Essa conclusão da ciência não invalida o fato de que a relação sexual praticado por adulto com crianças seja um crime, assim como adquirir e armazenar pornografia infantil. Quem quer que faça essa diferenciação entre crime e doença é automaticamente acusado de “relativizar a pedofilia” ou de “passar a mão na cabeça de pedófilo”. Há até quem invente que a “descriminalização da pedofilia” seria uma reivindicação da esquerda, como profetizou Olavo de Carvalho.

Apostando na ignorância que confunde o crime de abuso sexual de menores com a doença pedofilia, Bolsonaro e sua rede de reaças virtuais forjaram um não-debate.

A nadadora Joanna Maranhão foi uma das vítimas das mentiras espalhadas pela família Bolsonaro. É surreal imaginar que logo ela, uma estudiosa do assunto, tenha sido acusada de relativizar a violência sexual contra menores. Joanna foi abusada sexualmente pelo seu treinador quando tinha 9 anos e hoje comanda uma ONG que atende crianças vítimas de abuso sexual. Ao tentar esclarecer a diferenças entre crime e doença no Twitter, Joanna Maranhão teve suas ideias deturpadas por Carlos Bolsonaro, que, claro, capitalizou em cima do fato dela ser filiada a um partido de esquerda.

Foi o suficiente para transformar uma mulher que dedica sua vida ao combate do abuso sexual infantil em alguém que passa pano para abusadores. A turba reacionária imediatamente passou a atacá-la e ameaçá-la. Mas não são só os bolsonaros e os gentilis da vida que tentam jogam areia nos olhos da opinião pública para desvirtuar o debate. Há procuradores da República que utilizam as redes sociais para vender a ideia de que a esquerda é conivente com o abuso sexual de menores. Ficou famoso nas redes conservadoras um vídeo em que o procurador Guilherme Shelb afirma que o “Guia Escolar de 2011 da presidente Dilma contempla o princípio da pedofilia” e que a “pedofilia é um instrumento da revolução”. Em seu livro “Educação Sexual para Crianças e Adolescentes — limites e desafios”, o procurador explica:
“A pedofilia já é ensinada nas escolas brasileiras. O Ministério da Educação estabeleceu em seu ‘Guia Escolar’ para professores os seguintes ‘direitos sexuais’ da criança. (…) Todos estes ‘direitos’ integram a pauta de interesses do movimento pedófilo, pois em sua visão criminosa o prazer sexual é um direito da criança.”
Alguns dos direitos que escandalizam o procurador e que ele acredita integrarem os objetivos sórdidos do “movimento pedófilo” são o direito à privacidade sexual, à liberdade sexual e ao prazer sexual. Esses direitos fazem parte da educação sexual para crianças e adolescentes em diversos países do mundo, e têm a ver muito mais com a sexualidade do que com a prática do sexo em si. Na cabeça dele, educar sexualmente as crianças é pavimentar caminho para o abuso sexual de menores, quando na verdade é justamente o contrário. Especialistas apontam que a educação sexual é a principal ferramenta de enfrentamento da violência sexual contra menores. Crianças não educadas sexualmente têm dificuldade em diferenciar um toque de afeto de um toque erotizado, por exemplo, o que dificulta a prevenção e a denúncia em casos de abuso. O procurador Ailton Benedito, eleito por seus pares para ser chefe da Procuradoria da República em Goiás, é outro que há muito tempo vem usando as redes para lutar contra o monstro imaginário da pedofilia esquerdista.



 Com o bueiro destampado pela família Bolsonaro nessa semana, é claro que o nobre procurador não poderia deixar de se manifestar:

Foi assim que os conservadores brasileiros conseguiram pautar as redes sociais durante uma semana: apostando na ignorância da população sobre o tema, distorcendo falas, fabricando mentiras e destruindo reputações. Justamente na semana em que se fez um balanço de 5 meses da intervenção militar no Rio de Janeiro, instalada com o apoio de Jair Bolsonaro e da direita conservadora, o monstro da pedofilia foi usado para incendiar a tropa e desviar a atenção de todos. Em vez de estarmos discutindo os números da fracassada intervenção, que aumentou o número de tiroteios, balas perdidas, chacinas e tem baleado crianças e adolescentes, fomos toureados pela família Bolsonaro e seus joguetes eleitorais. Falta pouco tempo para a eleição, e a tendência é piorar. Fiquemos atentos.

João Filho
No The Intercept
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Lula: perseguido, preso, líder nas pesquisas, é o “culpado” de quê?


Ando lendo muita bobagem de gente que deveria, pela capacidade, trajetória e por tudo o que assistiu ao longo da história, parar para pensar melhor no que diz.

Com que então Lula “é o culpado” pela falta de unidade da esquerda e pela ameaça de termos dois candidatos de direita disputando o 2° turno, por estar insistindo em sua candidatura e, com isso, impedindo o PT de ser uma força de apoio a outro nome?

Antes, para não começarem com a história de “lulopetismos”, “mortadelas” ou que tais, bem ao nível dos fanáticos de direita ou dos bobalhões da mídia que repetem estes conceitos, um esclarecimento.

Não sou petista, nunca fui –  e estou longe de ser acrítico ao partido que nasceu preso a um purismo pequeno-burguês que levou tempo para ser amenizado. Além, claro, de um “politicamente correto” que acaba sendo apropriado pelos adversários do povo brasileiro.(Sobre isso, recomendo a leitura de “Por que agora a Globo apoia movimentos identitários? Brizola explica, de Wilson Vieira Ferreira).

Feito isso, aos fatos.

Toda a situação que vivemos, hoje, é clara e indiscutivelmente de um arreganho judicial golpista, do qual, é evidente, Lula não é o autor, mas a vítima.

Não fosse isso, há dúvida zero de que ele seria o grande, imenso, disparado favorito a vencer as eleições.

Não tem, portanto, “culpa” nos três componentes deste quadro: o golpe, a prisão e o favoritismo eleitoral que ostenta.

Um passo adiante, porém, culpa-se Lula por, ameaçado ou mesmo fadado à decretação de inelegibilidade pela Justiça, não se apresse a escolher um outro nome, de preferência de fora do PT, para ser o seu “herdeiro”.

Invoco, a propósito, uma frase de autora pouco lisonjeira: a D. Maria Maluf que, ao ver os filhos, herdeiros da Eucatex, digladiarem-se previamente por seu espõlio, declarou: “não se depena a galinha ainda viva”.

Lula está sendo julgado e, como diz a Constituição   – e  como esquecem o STF, o TRF-4 e quem mais quiser declará-lo culpado –  conta com a presunção de inocência até o trânsito em julgado de sua sentença.

Não pode, portanto, considerar-se condenar-se à morte política e, pior, ao sepultamento eleitoral prévio.

Talvez alguém se recorde dos versos do finado Belchior: “já tenho este peso /que me fere as costas /e não vou eu mesmo /atar minha mão…”

Ah, mas não é uma questão individual de Lula, mas um dever para com o povo brasileiro apontar alguém legalmente “candidatável”…

Pode ser, sim.

Mas isso é, perdoem-me, a interpretação mais pobre e atrasada do que Lula significa.

Lula não tem a força de eleger um indicado – o tal “poste”, como depreciativamente fala-se – por uma autoridade hierárquica ou patrimonial de “dono dos votos”.

Este poder vem do simbólico e, sendo assim, é necessariamente político, pessoal e só transferível por imperiosa necessidade, não por opção ou conveniência política.

A única vez que Lula abriu mão, sem ser obrigado, de uma candidatura presidencial foi em 2014 e o resultado desastroso foi o que vimos. Dilma ficou com o cargo, mas não ficou com a carga simbólica de Lula e, assim, não teve forças próprias para resistir ao golpe.

Não somos democracias fortes, amadurecidas política e partidariamente. Não podemos abrir mão da representação dos homens que encarnam desejos coletivos e aspirações nacionais. É inimaginável que os que carregam esta projeção do homem comum se esquivem alegando razões de foro íntimo ou, como estamos vendo com os “vai-não vai” que abundam nesta campanha com aqueles ridículos “mamãe me pediu para não ser candidato” ou o “minha mulher e meus filhos não querem”…

Ou será que Hugo Chávez, Rafael Correa, Cristina Kirchner e Evo Morales não têm desejos pessoais de fazer como Pepe Mujica e passarem a cultivar flores e curtir netos e bisnetos? Será que Vargas não tinha mais prazer em sua rede na varanda e em suas longas “charlas” na Fazenda do Itu, em São Borja?

Não é uma questão de conveniência pessoal e menos ainda de generosidade.

Não bastassem estas razões, é preciso ter a honestidade de olhar a realidade e perceber nela os traços do processo social. Quatro anos de massacre de mídia, quase três de judicial, duas sentenças absurdas e implacáveis e mais de 100 dias de cárcere fizeram o que a Lula em matéria eleitoral?

Longe de destruí-lo, a apenas 70 dias das eleições, fazem dele o nome que, estando na urna, não há quem duvide vá ser o vencedor.

É disso que Lula é “culpado”? É assim que “divide a esquerda”?

O pragmatismo é, sim, necessário à política e mais necessário ainda em períodos eleitorais.

Mas ele é muito menos, incomparavelmente menos que o sentimento popular, a representação dos anseios do povo, o exercício da memória do que ele viveu, experimentou e acreditou.

Do contrário, agiremos tal e qual os políticos “convencionais”, para os quais faz-se um arranjo na cúpula, costuram-se os acordos bem costuradinho e, pronto, temos um candidato vitorioso.

É o que o povo brasileiro o sente como sendo o resgate de suas esperanças, esperanças traídas, frustradas, pisoteadas e esmagadas.

A candidatura Lula não é um capricho pessoal do líder petista que, podem acreditar, se abdicasse dela estaria livre e solto se abdicasse dela, para curtir com filhos, netos e bisnetos seus últimos anos de vida ativa.

Já tentou ser um homem comum e o processo político-social não o deixou ser.

Ele não é um super-homem e, com certeza, nas noites frias e solitárias de Curitiba, ao ver tantas expressões de ódio e maldade voltadas contra ele por pessoas a quem jamais prejudicou, ele já pensou nisso.

Mas não fez e não fará, porque – e os tolos não acreditam nisso – já é mais uma ideia que um homem comum.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Gilmar manda Jungmann punir delegada Marena!

É a mesma arquiteta da condução coercitiva do ansioso blogueiro

Delegada quer cercear a liberdade de expressão numa universidade pública! Só na PF do zé e do Jungmann!
Saiu na "Fel-lha":

Gilmar diz que Jungmann tem que se pronunciar sobre atuação da PF em universidade

A investigação da Polícia Federal sobre um professor de jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) por supostas críticas a uma delegada que comandou operações da Lava Jato já gera reação no STF (Supremo Tribunal Federal) e em outros meios jurídicos.

ESPANTO

“O ministro Raul Jungmann [da Segurança Pública] tem que se pronunciar”, diz o ministro Gilmar Mendes, do STF. “Um bom legado dele será instalar o Estado de Direito na PF.”

ESPANTO 2

“Eles [PF] não têm nenhum cuidado com a honra alheia e são tão cuidadosos quando criticam os seus”, segue Gilmar. “É de assombrar”, disse outro magistrado.

PALAVRAS

A PF abriu a investigação contra Aureo Mafra Moraes, chefe de gabinete da reitoria, depois de tomar conhecimento de um vídeo com entrevistas dadas por ele num evento da universidade.

CARTAZES

O professor não faz referência à PF. Mas cartazes atrás dele criticavam a Operação Ouvidos Moucos e “agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e levaram ao suicídio do reitor” Luiz Cancellier. Preso no ano passado, ele acabou se matando.

CARTAZES 2

Moraes passou a ser investigado sob suspeita de atentado (Quá, quá, quá! - PHA) contra a honra da delegada Erika Mialik Marena, que ordenou a prisão de Cancellier.

ÍMPAR

A reportagem da Folha circulou também em grupos de advogados. “Não bastasse a truculência da operação que levou à prisão e, posteriormente, por conta dela, à morte do reitor, agora querem sufocar a liberdade de crítica numa demonstração ímpar de autoritarismo”, diz o criminalista Alberto Toron. (...)
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Bolsonaro odeia traficantes, mas...


Começa assim uma mensagem da embaixada do Brasil em Santiago do Chile, endereçada ao Itamaraty, sobre um telegrama que o deputado federal Jair Bolsonaro enviou àquela representação diplomática em dezembro de 2006:

“Recebi telegrama do Deputado Federal Jair Bolsonaro, pelo qual o parlamentar solicita seja transmitida mensagem de solidariedade ao ex-Capitão Augusto Pinochet Molina. Como se recorda, o Capitão Pinochet Molina foi afastado do Exército por haver feito pronunciamento no sepultamento de seu avô, General Augusto Pinochet, sem autorização e criticando os Poderes Executivo e Judiciário.”

Nela, o agora candidato pedia que a embaixada enviasse uma mensagem de solidariedade ao neto do falecido ditador chileno Augusto Pinochet. A representação pediu a Brasília como proceder. O texto integral da mensagem de Bolsonaro era esse:

“Excelentíssimo Senhor, Rogo transmitir ao Bravo Capitão Augusto Pinochet Molina minha solidariedade e admiração por sua dignidade ao não se curvar às mentiras da esquerda e honrar o nome do avô. O mundo sabe que o elevado índice de desenvolvimento humano ora desfrutado pelos irmãos chilenos em muito se deve às ações desenvolvidas no Governo do saudoso General Pinochet. Cordialmente, Jair Bolsonaro, Capitão da Reserva do Exército e Deputado Federal do Brasil.”

Sabemos que Bolsonaro nutre paixão por ditadores assassinos. O que não se sabia até agora era que ele – que gosta de apontar o bandido de estimação de seus oponentes – tem também o seu, segundo seus próprios critérios. Cinco meses antes do telegrama elogioso de Bolsonaro, o chefe da polícia secreta do regime chileno, um dos mais fiéis subordinados de Pinochet, revelou a investigadores que o ditador tinha ficado milionário traficando cocaína. A notícia correu o mundo, foi publicada em todos os grandes jornais, veiculada massivamente pela imprensa, brasileira inclusa.

Manuel Contreras deu detalhes. Afirmou que a cocaína era fabricada em um complexo químico do próprio Exército, deu o nome do refinador, acusou um filho de Pinochet, Marco Antonio, de fazer parte do esquema, e completou dizendo que a correria era feita por um empresário ligado a ele e também pelo sírio Monser Al Kassar – vinculado a atividades terroristas, segundo o policial.

Bolsonaro não viu problema na acusação.

A mensagem, no entanto, jamais chegou ao remetente por meios diplomáticos. O Itamaraty se negou a ser correio do capitão. E respondeu ao então embaixador do Brasil no Chile, Mario Vilalva:

“Vossa Excelência poderá informar ao Deputado Jair Bolsonaro que o Ministério não transmite mensagens pessoais, as quais deverão ser, caso deseje o parlamentar, encaminhadas diretamente aos destinatários.“

Telegrama bom é telegrama morto.

(Veja a mensagem inédita de Bolsonaro, e também a resposta do Itamaraty, obtidas via Lei de Acesso à Informação.)

Leandro Demori
Do The Intercept
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Saiba o que é DeepFake


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A semelhança assustadora entre o MBL e as milícias fascistas italianas e a reação tardia ao fascismo tupiniquim


Há alguns dias, contei a dois amigos romanos, dois jornalistas que vivem em Roma, onde morei por seis anos, que o movimento fascista  MBL havia tido mais de cem páginas ligadas a ele deletadas pelo Facebook.

A reação imediata dos dois foi exatamente a pergunta que  povoa minha mente há dias.

Ma perché solo adesso?  (Por que somente agora?)

O fato é que na Itália centenas de páginas neofascistas, irmãs siamesas do MBL tupiniquim estão sendo deletadas desde 2013, sem possibilidade de retorno, por alimentarem o ódio aos imigrantes, a misoginia mais primitiva, o machismo que mata, o falso moralismo e o ódio aos muçulmanos ou a qualquer grupo religioso que não o falso  cristianismo  dos neofascistas. 

Os jovens líderes desses grupos italianos, um dos quais entrevistei em Roma há alguns anos, quando esses movimentos começavam a surgir e eram  vistos como  excêntricos  ou bizarros na península, começaram a ganhar mais e mais adeptos nos últimos dez anos, na mesma medida em que partidos como a Lega Nord, a Liga Norte, na época liderada por Umberto Bossi, um dos mais agressivos, boçais  e xenófobos políticos italianos ( um homem que se inspirava nas milícias fascistas dos anos 30 e 40) começaram a ganhar força no parlamento italiano. 

A semelhança entre os líderes do MBL e as milícias italianas fascistas, que deram origem ao histórico Fascismo italiano, é assustadora.  

Assim que surgiram, as milícias fascistas da década de 30 foram chamadas de “fascio”, uma espécie de feixe com vários gravetos de madeira que, juntos, podem fazer uma fogueira, segundo uma das metáforas usadas na época.

O movimento dos “fascio” passou a ganhar força quando a Milizia Volontaria per La Sicurezza passou a agredir os jovens de esquerda, chamados por eles de 'comunistas' em passeatas perto do Coliseu e na região da Piazza Navona.

Os agressores eram chamados de Camicie Nere, Camisas Negras, porque que usavam camisas negras fechadas até o pescoço e agiam em nome do anticomunismo, do antipacifismo e do ”nacionalismo”.

Os Camisas Negras atacavam mulheres (como as mulheres atacadas em uma passeata no sul do Brasil recentemente), espancavam jornalistas e  intelectuais críticos ao fascismo, agrediam as ligas camponesas e  qualquer grupo que pensasse de forma diferente dos fascistas.

Poucas pessoas sabem que bem antes da II Guerra, os “fascios” foram responsáveis pelo assassinato de 600 italianos, enquanto a polícia italiana se omitia ou se recusava a fazer algo. Essas milícias, no início, usavam porretes e chicotes ao invés de armas, pois seu objetivo era humilhar seus inimigos e não matá-los.

As milícias atacavam em bandos os partiggiani, (hoje reverenciados como heróis na Itália), que muitos brasileiros desconhecem e  que lutavam contra Mussoilini e contra o fascistas, formando  a maior força de resistência interna durante toda a década de 40.  

As milícias atacavam caravanas a cavalo, exatamente  como grupos próximos ao MBL atacaram mulheres e homens que estavam participando de uma caravana política no sul do Brasil. 

Os Camicie Nere  tentavam impedir que os jovens de esquerda  e qualquer um que eles considerassem comunistas circulassem livremente pelo território italiano e lutassem pelos direitos civis.  

Assim como no MBL, havia entre seus membros uma massa heterogênea, desde odiadores contumazes e agressivos, passando por filhos de militares, até oportunistas em busca de dinheiro ou de uma forma mais fácil  de fazer uma carreira política. 

Os Camicie Nere odiavam os sindicatos de trabalhadores e protegiam os latifúndios italianos. Tinham uma clara adoração pelos nazistas alemães, que haviam escolhido as camisas pardas para as SA, com uma atuação muito similar aos Camicie Nere, e chegaram a inspirar vários grupos fascistas na Europa, sem grande sucesso, como o grupo fundado por Oswald Musley, na Inglaterra, a União Britânica de Fascistas, a Falange Espanhola, que recebeu o nome de Camisas Azuis, o Parti Franciste, na França e até mesmo os Integralistas  de Plínio Salgado no Brasil, que foram chamados de Camisas Verdes. 

Os milicianos fascistas italianos foram, como sabemos hoje, o grupo mais longevo e mais coeso porque  tiveram o apoio de policiais e de líderes políticos italianos. 

Os fascistas brasieliros, que vem agindo, sobretudo, em São Paulo e no sul  do Brasil contam com o amplo  apoio de policiais, ex policiais  e até  de uma senadora da República.

Vivendo em Roma, pude entrevistar pessoas que perderam seus pais durante o Fascismo e centenas de mulheres que lutam para que a história jamais se repita e o ódio não seja adubado.

Recentemente, um grupo de mulheres italianas conseguiu que o Facebook  fechasse mais uma página italiana, uma página chamada “Giovani fascisti italini” (Jovens Fascistas Italianos), que tinha como objetivo alimentar o ódio e como membros jovens de extrema direita e dois senadores que os apoiavam.

Há alguns dias, depois de milhares de fakenews, de anos alimentando um ódio galopante e assustador, depois de milhares de mentiras e agressões até mesmo a uma ativista como Marielle Franco, assassinada no Rio há quatro meses, o Facebook brasileiro deletou mais de cem páginas ligadas ao MBL . 

Com imensa tristeza, a pergunta que ainda me faço é: Ma perché solo adesso?

Lúcia Helena Issa, Jornalista, escritora e ativista pela paz. Foi colaboradora da Folha de S.Paulo em Roma. Autora do livro "Quando amanhece na Sicília". Pós- graduada em Linguagem, Simbologia e Semiótica pela Universidade de Roma e embaixadora da Paz por uma organização internacional. Atualmente, vive entre o Rio de Janeiro e o Oriente Médio.
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Como funciona o Facebook


Como funciona a rede social de uma pessoa normal (tipo Fernando Horta), e como funcionava a rede social coordenada pelo MBL? E porque o Facebook já devia há muito ter retirado os perfis.

Veja-se que o Facebook não eliminou as páginas do MBL e de seus membros. O que ele fez foi anular os programas controladores e desativar os peers.

Primeiro, como funciona a rede social de uma pessoa normal?

Fernando faz uma postagem que passa na checagem primeira do Facebook (não tem fotos de mamilos nem tufos de pelos em partes pubianas). O algoritmo do Facebook então, como não conhece o Fernando, apresenta esta postagem para 5% dos amigos de Fernando. Estes 5% lêem e, após decisão pessoal, resolvem compartilhar. Se 100% dos amigos compartilham, o Facebook se sente confortável para apresentar esta postagem para, digamos, 20% dos amigos do Fernando, numa segunda rodada. Veja, no livre campo das ideias, onde o exercício da liberdade individual é plena, 100% das pessoas julgaram o conteúdo verossímil, interessante a ponto de o impulsionar.

Se na segunda ronda, aquela apresentada a 20%, novamente 100% (ou algo próximo a isto) compartilhar, isto indica ao Facebook que o conteúdo é importante e interessante. Se não houver denúncias ou reclamações, o Facebook vai reverberando o conteúdo em ondas a partir deste algoritmo. Por isto pessoas copiam os conteúdos em seus próprios perfis (ainda que dando créditos) para que esta reverberação aconteça em seus perfis e elas não fiquem apenas como repetidoras.

Por que isto? Porque a partir do momento que o Facebook "aprende" que o Fernando produz bons conteúdos, as publicações dele, na primeira ronda, não ficam mais apenas a 5% e já passam a 20% direto. De uma maneira geral, com a opinião individual e o "livre mercado das ideias", fakenews, ofensas, ódio e conteúdos fracos ou chulos não seriam impulsionados. Exatamente porque cada perfil é não só impulsionador mas, acima de tudo, crítico. Depois de muito tempo produzindo conteúdo o Facebook reconhece o Fernando e lhe dá algumas pequenas regalias. Por exemplo, o Fernando vê muito pouco anúncio e ainda que uma postagem ou outra seja denunciada, o Facebook "aprendeu" que são haters e simplesmente ignora. O Fernando pode, inclusive postar foto de mamilo ou algo do gênero, sem ser imediatamente tolido ou colocado na "geladeira". É a força do exercício da liberdade crítica de forna coletiva que, teoricamente, garantiria a qualidade e veracidade do que é impulsionado.

O que fazia o MBL e outros portais e sites?

O MBL produz uma fakenews ou um meme de ódio ou coisas demenciais do gênero. Mas NÃO produz originalmente em sua página, e sim num perfil falso que tem, digamos, 200 amigos. Todos os amigos são também perfis falsos e quando o Facebook apresenta para 5% (como fez com o Fernando) um programa que controla as ondas e os perfis replica em 100% daqueles 5% primeiros, dando ao Facebook a falsa indicação de que o conteúdo é verossímil e interessante.

Imediatamente o Facebook apresenta aquela fakenews para 20% do perfil original (como fez com o Fernando) e aí, nesta segunda onda a página do MBL replica. Os perfis falso vão replicar e aumentar a "nota de avaliação" da postagem, ludibriando o algoritmo do Facebook e, ao mesmo tempo, ganhando legitimidade. Afinal, algumas pessoas não têm capacidade para julgar a veracidade ou pertinência de um conteúdo, mas vão replicar se este conteúdo tiver sido replicado por várias pessoas de seus contatos. Efeito manada. Controlando estas ondas, o MBL cria perfis de "apoio" à narrativa falsa. São perfis falsos, geográfica e decisoriamente diferentes (não viajam pelos mesmos círculos, não curtem as mesmas coisas e etc.), a diferença dos perfis associado ao fato de todos replicarem sobe a "nota" da postagem, e o Facebook passa a oferecer para quem não está no círculo de "amigos".

Aqui o Facebook começa a ganhar dinheiro. Ao vender conteúdo que passou pelos cortes das ondas iniciais, o Facebook mantém o usuário preso na tela do computador e vende este tempo para empresas que queiram fazer propaganda.

Ao mesmo tempo, tendo passado pelos crivos (teóricos) da crítica individual e coletiva, aquele conteúdo adquire valor e o Facebook oferece a mais pessoas. Estas pessoas podem escolher "seguir" o perfil inicial gerador do material ou algum perfil grande replicador. E a bola de neve começa. Supostos bons conteúdos vão sendo apresentados e replicados em cascata, geram "tempo de tela" para o Facebook que, por sua vez, apresenta a mais gente "fora da bolha" e na próxima rodada o conteúdo será apresentado a 20% dos contatos. Mas estes contatos já não são mais 100 ou 200 pessoas. São milhares.

Do ponto de vista comercial, não há diferença para o Facebook entre a realidade e as fakenews. Elas geram tempo de tela. Um longo texto de filosofia, uma música ou um vídeo de gatinho podem prender o sujeito por 3 minutos na tela e é isto que o Facebook quer.

Ocorre que a política aprendeu a usar este sistema. As fakenews alteram a realidade das pessoas e o Facebook já mediu isto várias vezes. Há dois anos, eles fizeram experimentos e bombardearam milhares de pessoas com material que lhes causava medo, repulsa, ódio e etc. E viram que estas pessoas entravam em depressão. Da mesma forma, bombardearam outros milhares (sem que eles soubessem ou consentissem!) com conteúdos que lhes eram alegres, provocavam felicidade ou boas memórias e perceberam que este grupo era levado a euforia.

De posse destes números e destes dados, o Facebook sabe o que você gosta e como gosta. Então, cobrando um preço, ele é capaz de dizer quantas pessoas gostam de gatinhos e estariam dispostas a gastar em lojas de gatinhos. E oferece isto às lojas de gatinhos que investem x em propaganda e recebem um retorno y mensurado e previsto pelo Facebook. E assim com pizza, carro, viagens e qualquer coisa.

Acontece que a política descobriu que se você fizer uma fakenews de alguém maltratando gatinhos e passar exatamente para as pessoas que amam gatinhos, o resultado é um ódio e uma repulsa absurdas. Da mesma forma, se você criar um conteúdo associando o candidato x a um valor z e passar para pessoas que curtam este valor, o resultado é um aumento da legitimidade daquela pessoa. Pouco importa a verdade, o Facebook entrega a você o que você quer, ou o que você odeia, se alguém pagar suficientemente ao Facebook para fazer isto.

É assim que ele ganha dinheiro.

E é assim que o MBL também ganha. Falsificando o conteúdo, gerando ódio ou idolatria. Por isto eles precisam de centenas de perfis com milhares de conexões que levaram anos para serem montadas. Por isto que eles querem a estrutura de volta e não estão se importando com as suas páginas (que não foram derrubadas, diga-se). Na Europa e nos EUA as fakenews influenciaram decisivamente os resultados eleitorais. E eles avisaram ao Facebook que não tolerariam mais isto. Aqui, o resultado foi a prisão de Lula e o surgimento de um herói de cuecas e fascista.

No final, percebe-se que o MBL em nada defende a liberdade e que Zuckerberg deu uma tremenda lição no STF: com fascista não se conversa. Se proíbe, prende e processa. O Facebook será melhor sem o MBL e, se o país cair no fascismo, a conta é das onze excelências divinas e intocáveis que, pelas próprias existências, retiram a possibilidade de sermos uma república democrática. Se elas não fizerem o seu trabalho, de nada servirão e poderiam ser extirpadas.

Fernando Horta
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O governo de Temer: os números da pesquisa CUT/Vox Populi

Para o leitor que quiser analisar, aqui estão todos os números da pesquisa sobre 'O governo de Temer' CUT/Vox Populi de julho de 2018


Esta pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral no dia 17/07/2018 e protocolada sob o número BR-02205/2018.

Data de campo: 18 a 20 de Julho de 2018

Método: Pesquisa quantitativa, com entrevistas pessoais e domiciliares

Público-alvo: População brasileira com 16 anos ou mais, residente em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos.

Amostra: Amostra nacional com 2.000 entrevistas, aplicadas em 121 municípios. Estratificação por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda. A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%





Problemas e prioridades


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O estado de exceção avança sobre as universidades


Desde o golpe, as universidades se tornaram um dos poucos espaços de pensamento crítico. Isso gerou uma ofensiva conjunta da CGU (Controladoria Geral da União), Polícia Federal e Ministério Público contra a autonomia universitária.

No início, tentativas de proibição de atos políticos internos. Depois, a identificação de pequenas irregularidades administrativas para justificar ações bombásticas de invasões de campus e prisão de dirigentes e professores, especialmente graves nos episódios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A burocracia pública, para repasses de verbas federais, convênios, obriga as universidades a pequenas gambiarras, remanejamento de sobras de um programa para outro, na prestação de contas. Há pouquíssimo espaço para corrupção.

No entanto, a ofensiva visou criminalizar essas pequenas irregularidades, para abrir espaço para a repressão política.

Alguns exemplos recentes do medo que passou a dominar as universidades.
  1. Um arqueólogo da USP recolheu diversos objetos não orgânicos da guerrilha do Araguaia para sua tese de doutorado. Montou um acervo de valor histórico. Agora, a USP está desesperada para se livrar do acervo. Tentou entregá-lo para a Secretaria de Direitos Humanos, que não tem estrutura para abrigá-lo. Ao mesmo tempo, participou de um evento com o Comando Militar da região de São Paulo, em função de uma bem-vinda parceria tecnológica com as Forças Armadas. Mas o evento deu a impressão de estar em busca de apoio militar para se defender da ditadura dos poderes civis.
  2. Na UFABC, a participação de docentes em um livro gerou um inquérito interno. Antes disso, tentou-se acuar a diretoria por ter providenciado um táxi para trazer do aeroporto familiares de um aluno gravemente ferido em manifestações contra o golpe.
  3. Depois da brutalidade da operação da PF de Minas sobre a UFMG, a universidade não mais teve interesse em abrigar o Memorial da Anistia, uma obra relevante para a memória nacional.
  4. A Unicamp recusou-se a batizar uma sala com nome que remetesse à repressão, por conta de um acordo firmado com o MPF. Seria a contrapartida ao descaso com que seu departamento de Medicina Legal, presidido pelo notório Badan Palhares, com as ossadas de Perus.

Luís Nassif
No GGN
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