22 de jul. de 2018

PCdoB conclama unidade do campo progressista para vencer eleições

Foto: Clécio Almeida
Os membros do Comitê Central do PCdoB, reunidos neste fim de semana (dias 20 a 22), na sede nacional do partido na capital paulista, para a 3ª reunião da direção nacional, debateram e deliberaram posição sobre a situação política e o projeto eleitoral da sigla para 2018.


Em nota, aprovada neste domingo (22), o PCdoB, reafirma a necessidade de unidade do campo progressista para vencer as eleições de outubro e derrotar a agenda neoliberal representada pelas candidaturas da direita. Para isso, o Partido faz um chamamento ao PT, PDT, PSB, Psol e outras forças progressistas para a construção desta unidade.


A direção nacional comunista, reitera ainda que a pré-candidatura de Manuela d’Ávila seguirá intensificando o empenho para que seja viabilizada “a união do campo progressista, condição imperativa para que alcancemos a quinta vitória do povo”.


O objetivo desta vitória, segundo os comunistas, é “retirar o Brasil da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo de desenvolvimento soberano com geração de empregos, distribuição de renda e direitos”, aponta o documento.


Segue abaixo a integra da Nota:

PCdoB conclama PT, PDT, PSB e PSOL: Unidade desde já

Aberto o calendário das convenções partidárias, vem à tona uma nítida orquestração das forças conservadoras que entronizaram o desastroso governo Temer para tentar vencer as eleições presidenciais com uma candidatura do consórcio golpista.

Desenha-se uma coesão do campo político da direita e centro-direita em torno do candidato do PSDB Geraldo Alckmin.

Faz parte dessa orquestração tentar isolar o candidato do PDT Ciro Gomes e, também, concorrentes do tucano pertencentes ao seu espectro político e, ainda, manter a candidatura do MDB, Henrique Meirelles, com o intuito de descolar Alckmin de Temer.

Não se deve subestimar esse movimento de reforço a Alckmin e nem o candidato de matiz fascista Jair Bolsonaro, mas a disputa presidencial está longe de estar definida, seguirá acirrada e de resultado incerto, mesmo com o líder das pesquisas, o ex-presidente Lula, mantido arbitrariamente encarcerado.

O PCdoB prossegue a luta pela liberdade do ex-presidente e pelo seu legítimo direito de ser candidato. Alckmin carregará nos ombros, mesmo que se esquive, o governo que imputou grande sofrimento e tragédias ao nosso povo; e seu programa é antinacional, antipopular e autoritário.

Neste cenário, o PCdoB reafirma a convicção de que a estratégia política da esquerda e das demais forças democráticas, populares e patrióticas deve ter por centro a vitória eleitoral em outubro, o que exige marcharem unidas desde já.

Para isto, o PCdoB conclama o PT, PDT, PSB, PSOL e demais forças progressistas a construírem a unidade, já no primeiro turno, para vencer as eleições, derrotar a agenda neoliberal e neocolonial de Alckmin, Temer e Bolsonaro, retirar o Brasil da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo de desenvolvimento soberano com geração de empregos, distribuição de renda e direitos.

Da parte do PCdoB, reiteramos que Manuela d’Ávila, que segue com sua exitosa pré-campanha, renovará seu empenho para que se viabilize a união do campo progressista, condição imperativa para que alcancemos a quinta vitória do povo.

São Paulo, 22 de julho de 2018

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
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Até Janaína, “fraquejada” de Bolsonaro, ameaça dar-lhe um chute

Eles
Após desprezados os convites dirigidos a um farsante cristão e a um dito viril general de verde-oliva, o candidato Jair Bolsonaro ouviu poucas e boas da pomba gira Janaína Paschoal. Com todo o respeito, claro, às pombas giras, entidades de extrema representatividade da Umbanda e demais religiões de matrizes africanas.

Agora cotada a vice do ex-capitão, Jana falou em plena convenção do PSL que o convite ainda não está definitivamente aceito. Segundo ela, “pormenores” ainda precisam ser “aprofundados”.

Chego a me perguntar a que profundidade atinge personagens com tamanha superficialidade.

Com um discurso sem pé nem cabeça – como sempre, por sinal – a mulher eternamente preocupada com a “invasão militar venezuelana ao Brasil” disse que não foi à convenção para ser declarada vice. Veio para “somar”, afirmou.

Alguém precisa avisar a essa mulher que o resultado da soma de dois números negativos é algo ainda mais distante de zero.

Enfadados com a retórica da criatura, nem os bolsominions de plantão se viram encorajados a gritarem o seu “evoluidíssimo” mantra: “Bolsomito”.

A plateia que até então estava animada, viu a triste realidade da parceria se abater sobre eles.

Apesar de noção de ridículo ser artigo raro numa convenção política como essa, as paradas estratégicas da “professora” reprovada com louvar à uma vaga na USP sobressaíram à média local.

Constrangidíssima com o fato dos adoradores do Bolso não estarem estendendo bulhufas do que dizia, volta e meia se via obrigada a parar e questionar: “estão compreendendo? ”

Justiça seja feita aos minions. Quem em sã consciência compreenderia?

Seja como for, a saga do “machão” que, por falta de opção, se vê obrigado a aceitar como companheira de chapa o que ele mesmo definiria como uma “fraquejada”, é algo a entrar no dicionário universal das anedotas políticas.

Jair Bolsonaro, por ele mesmo, confirma ser uma completa aberração política, mas as suas companhias mostram que no fundo do poço há sempre um alçapão em que “Janaínas Paschoais” costumam se esconder.

Carlos Fernandes
No DCM
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Israel declarou-se estado de apartheid


O Knesset [parlamento israelense] aprovou nessa 5ª-feira uma lei muito controversa que define Israel oficialmente como pátria nacional do povo judeu e afirma que "a realização do direito de autodeterminação em Israel é exclusivo para o povo judeu", com 62 deputados votando a favor da nova lei, e 55 contra....
A lei do estado-nação também inclui cláusulas pelas quais uma "Jerusalém unida" é a capital de Israel; e o hebraico é idioma oficial do país. Outra cláusula diz que "o estado vê o desenvolvimento de assentamentos [são colônias (NTs)] como valor nacional e agirá para encorajar e promover o estabelecimento e a consolidação [de mais colônias]." 
"A lei, que tem status de lei básica (aproximadamente o mesmo de uma lei constitucional em países que têm Constituição escrita), foi aprovada na madrugada da 5ª-feira por 62 votos a favor e 55 contra, depois de horas de discussão e debates ferozes. Entrará em vigor logo que seja publicada no Diário Oficial do Knesset....
Numa cláusula que enfureceu os deputados árabes, a lei declara explicitamente que "o direito de exercer autodeterminação nacional no Estado de Israel é exclusivo do povo judeu." 
A lei determina a segregação: 
[parte da lei visa a promover o] "estabelecimento e a consolidação de assentamentos de judeus". 
Israel jamais definiu as próprias fronteiras. Apossou-se ilegalmente de toda a terra pública na Cisjordânia ocupada. Essa terra passa agora a ser garantida com exclusividade a colonos judeus: 
"Ao longo das cinco décadas de controle sobre a Cisjordânia, Israel demarcou como terra pública centenas de milhares de acres, e alocou quase metade disso para uso público. 
Mas apenas 400 desses acres – 0,24% do total da terra alocada até agora – foi destinada a ser usada por palestinos, segundo dados obtidos por um grupo que se opõe às colônias em terra palestina, e que recebeu informações solicitadas nos termos da lei da liberdade de informação. Cerca de 80% da população da Cisjordânia são palestinos.
O grupo Peace Now disse que os demais 99,76% da terra foi entregue para uso de colonos israelenses."

A população de árabes em Israel e territórios ocupados é igual [em números] à população de judeus israelenses. A alocação para "uso público" de terra roubada às populações nativas proprietárias legais, para uso exclusivo de imigrados judeus, já é uma de várias questões em que se confirma a discriminação por apartheid. Antes, o apartheid estava em contradição até com a lei de Israel. Agora, a criação de colônias exclusivas para judeus passa a ser exigência constitucional. A criação e a expansão acintosamente ilegais de colônias exclusivas para judeus em terra roubada dos palestinos passam a ser exigência da lei constitucional em Israel. Palestinos muçulmanos e cristãos passam agora a ter de pagar impostos para serem, eles mesmos, expropriados. 

Existe povo budista? Existe povo católico? Mereceriam ganhar nação e terra exclusivas só deles, por serem budistas ou católicos? Claro que não. Até a ideia é impensável. Judeus da Etiópia, da Índia, da Lituânia, do Irã e da Polônia têm ou aspiram a alguma mesma 'nacionalidade judaica'? Por que então constituiriam um 'povo judeu', nos termos do que estipula a nova lei?

É historicamente aberrante que um grupo de seres humanos que vivem em dúzias dos países da Europa Oriental passem repentinamente a se autodefinir como 'raça única', exclusivamente porque creem nos mesmos contos de fada religiosos. O conceito que agora é lei em Israel é o mesmo autodeclarado racismo que fermenta em governos nazistas e fascistas. A autodeclarada 'etnicidade' autodeclarou 'direitos' de posse sobre terras na Ásia Ocidental baseada em lendas sobre templos dos quais até hoje não se encontrou qualquer registro arqueológico.

Basicamente Grã-Bretanha, França e EUA são os estados que promoveram e continuam a apoiar, a favor de seus próprios interesses, esse sistema etnocrático, colonialista, imperialista e genocida.

É mais que hora de se pôr fim a essa aberração ilegal e imoral.

Moon of Alabama
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
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Daniela Mercury desabafa "Tá chato pra caralho este país"

Em meio ao show em Garanhuns, cantora baiana criticou Isaías Regis, prefeito da cidade pernambucana, que não cedeu o Centro Cultural para a realização do espetáculo teatral


Durante show realizado no Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, na madrugada deste domingo (22), a cantora e compositora baiana Daniela Mercury fez um desabafo a respeito da proibição, por parte da prefeitura, da apresentação do espetáculo teatral “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, protagonizado pela atriz transexual Renata Carvalho. O espetáculo já foi proibido em várias cidades do país. As informações são do site TV Replay.

Depois de pedir ao secretário de Cultura do Estado de Pernambuco para retirar o espetáculo da programação do FIG 2018, e ter a solicitação negada, o prefeito Isaías Regis se recusou a ceder o Centro Cultural de Garanhuns para a apresentação.

A peça traz Renata Carvalho interpretando Jesus, como se ele vivesse nos dias atuais como uma travesti. O objetivo é provocar reflexões a respeito de temas como gênero e inclusão.

Durante a transmissão Ao Vivo da TV Nova, pela Live do Facebook, Daniela Mercury demonstrou indignação com a proibição e fez um duro depoimento, recebendo muitos aplausos do público que estava na Praça Mestre Dominguinhos.



No Fórum
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Pós-verdade e Fake News são notícias falsas para colocar jornalistas hipsters "na linha"


Diretores, presidentes e executivos da grande imprensa e associações jornalísticas, historicamente sempre avessos às “teorizações” da área acadêmica, de repente passaram a participar ativamente de congressos e simpósios sobre jornalismo investigativo, ciberjornalismo e jornalismo online. Para repercutirem não só junto a pesquisadores, mas também clientes, profissionais e líderes de opinião a já extensa lista de livros e artigos sobre o fenômeno da “pós-verdade” e das “fake news”. Para provar como a supremacia da verdade deixou de existir no debate público atual. E os vilões: Internet, blogs, redes sociais. Por que esse repentino esforço profissional-acadêmico para dar um ar de novidade a um fenômeno tão velho quanto a própria história do Jornalismo? A necessidade em dar verniz científico para noções retóricas de “pós-verdade” e “fake news” através de um velho macete de engenharia de opinião pública: publicação de artigos científicos e livros. Conferir verossimilhança a uma agenda que traz lucros para a grande mídia: transformar jornalismo investigativo em “checagem”, colocar os jornalistas hipsters “na linha”, sentados, sem ir a campo. E com desdobramentos mercadológicos: monopólio e censura da concorrência no mercado de notícias.

O Jornalismo sempre teve relações pouco amistosas com o mundo acadêmico. Principalmente em relação ao campo do ensino e pesquisa na área da Comunicação. Do ponto de vista das redações, o mundo acadêmico sempre foi tido como “distante da prática”. Professores e pesquisadores eram acusados pelos jornalistas de não vivenciarem a prática profissional – “muita teoria para pouca prática”, era a opinião corrente entre profissionais.

Enquanto isso, nas salas de aula, alunos impacientemente aguardavam as disciplinas “práticas”, ao se defrontarem com matérias como Teoria da Comunicação, Literatura, Comunicação Comparada e assim por diante.

Mas repentinamente, empresas jornalísticas começaram a se aproximar da pesquisa acadêmica da área através de Congressos ou Simpósios em temas como Jornalismo Investigativo, Jornalismo Online, Ciberjornalismo etc. Sem falar na variedade de artigos resultantes desses eventos escritos, surpreendentemente, por jornalistas profissionais (diretores-executivos ou presidentes de Associações, Jornais ou grupos empresariais) que no passado eram avesso a qualquer tipo de produção textual para finalidades acadêmicas em revistas ou anais.

E com outra novidade: publicações científicas voltadas agora não exclusivamente para o leitor acadêmico, mas também para clientes, profissionais, jornalistas e líderes de opinião.

Nesses eventos e suas publicações decorrentes, dois temas monopolizam as discussões: “pós-verdade” e “fake news”.


A palavra do ano

Em 2016, a Universidade de Oxford elegeu “pós-verdade” como palavra do ano. Enquanto as fake news se popularizaram nas críticas à campanha de Donald Trump e ao poder viral e influência política da notícias falsas nas redes sociais. Desde então, o número de livros e artigos sobre os temas é crescente: a coletânea Ética e Pós-Verdade, o badalado livro de Mathew D’Ancona, Pós-Verdade: A nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News e a série de artigos da jornalista Megan Garber na revista norte-americana The Atlantic são alguns exemplos.

Dois conceitos complementares: de um lado a “pós-verdade”, relacionado com o problema da fonte da notícia querer modelar a opinião pública não com fatos, mas com apelo às emoções e crenças pessoais; e do outro as “fake news”, fenômeno relacionado com a mídia, supostamente iniciado com a Internet e mídias sociais no qual conteúdos intencionalmente enganosos são viralizados para se obter ganhos financeiros ou políticos.

Por que essa súbita “aliança” entre o mundo profissional do jornalismo e o campo acadêmico? Por que repentinamente o mercado das notícias passa a se interessar em discussões “teóricas” com produções textuais e participações em eventos acadêmicos?

A “novidade” da pós-verdade e fake news

O que chama a atenção nessa produção bibliográfica intensificada a partir de 2016 é o esforço em provar a especificidade ou novidade desses conceitos sobre fenômenos midiáticos já discutidos desde Daniel Boorstin (“pseudoeventos”) e Guy Debord (“sociedade do espetáculo”) nos anos 1960 e Jean Baudrillard (“simulacros e simulações) e Umberto Eco (“eventos-encenação”) dentro do debate pós-moderno nos anos 1980 – pós-verdade e fake news tratariam de um mesmo objeto, porém num cenário diferente e com novas nuances: as novas tecnologias online e a chamada Era Trump.

Boorstin, Debord e Baudrillard: pós-verdade e fake news são novidades ou apenas rótulos?

Esse esforço intelectual-acadêmico dos capitães dos mercados de notícias lembra bastante aquilo que Martin Howard descreveu em seu livro We Know What You Want: How They Change Your Mind. Depois de mais de 20 anos trabalhando em agências de publicidade e marketing, Howard passou a se interessar no impacto das novas formas emergentes de comunicação. Principalmente no campo da engenharia de opinião pública – conquista das mentes por meio de estratégias indiretas de comunicação.

Como, por exemplo, o esforço de marketing da indústria farmacêutica publicar artigos em prestigiosas revistas da área médica como verniz científico para o lançamento de novas drogas para supostas novas doenças – dessa maneira, tornando verossímil para a opinião pública e o mercado de notícias novas agendas de saúde: prevenção e combate a pandemias, epidemias ou doenças novas, emergentes ou reemergentes.

Um caso sintomático é o livro do jornalista Matthew D’Ancona “Pós-Verdade”, publicado no Brasil pela Faro Editorial. Um livro inteiro para discutir uma questão que se confunde com a própria história do Jornalismo: como a supremacia da verdade deixou de existir no debate público.

Martin Howard: think tank no jornalismo como engenharia de opinião pública

Mas o jornalista, presidente do think tank conservador liberal Bright Blue (definido pelo Daily Telegraph como “organização intelectual para modernizar o partido de centro-direita britânico Conservador) se esforça em atribuir uma novidade aos rótulos “pós-verdade” e “fake News”. E necessariamente D’Ancona tem que se confrontar com os filósofos pós-modernos. Por isso, passa a criticá-los, como os “responsáveis pelos antecedentes da pós-verdade”.

D’Ancona acusa pensadores como Baudrillard, Derrida e Lyotard de terem criado um “relativismo” no ambiente intelectual pós-guerra:
“Os filósofos pós-modernos preferiam entender a linguagem e a cultura como ‘constructos sociais’; ou seja, fenômenos políticos que refletiam a distribuição de poder através de classe, raça, gênero e sexualidade, em vez de ideais abstratos de filosofia clássica. E se tudo é um ‘constructo social’, então, quem vai dizer o que é falso? O que impedirá o fornecedor da ‘notícia falsa’ de afirmar ser um obstinado digital combatendo a ‘hegemonia’ perversa da grande mídia.” (D’ANCONA, M., p. 85)
E mais! Cria uma relação e causalidade dessa desconstrução pós-moderna da verdade com as declarações de Donald Trump: ao dizer que “não tem tempo para ler”, Trump seria “um beneficiário improvável de uma filosofia que ele, provavelmente, nunca ouviu falar... Sua ascensão ao cargo mais poderoso do mundo, desimpedida da preocupação com a verdade, acelerada pela força impressionante da mídia social, foi, ao seu modo, o momento pós-moderno supremo.” (p.88).

Os pós-modernos preparam a chegada de Trump e Bolsonaro?

Será que por décadas, desde Daniel Boorstin, os pós-modernos prepararam a chegada de Donald Trump ao poder e personagens como Bolsonaro no Brasil?

O fato é que toda essa massa bibliográfica surgida a partir de 2016 obrigatoriamente tem que dialogar com os chamados pós-modernos. Alguns autores citam Baudrillard e Deboard, mas sem definir, afinal, qual a novidade conceitual das fake news ou pós-verdades atuais.


Ao contrário, D’Ancona os confronta, acusando-os de serem os responsáveis intelectuais por todas as desgraças da atualidade: blogosfera e mídias sociais que pariram Trump e, para nós, Bolsonaro (o futuro Trump brasileiro?), e macularam o jornalismo profissional da grande mídia, supostamente responsável e idôneo que tenta salvaguardar o lastro da Verdade das mãos dos bárbaros pós-modernos.

A questão é que D’Ancona e todos os demais autores de todo esse verniz científico que tenta dar brilho novidadeiro ao neologismo “pós-verdade” e o termo inglês “fake news” (em inglês é mais prestigioso do que falar na velha “imprensa marrom”), passam convenientemente batidos para a principal discussão que o pós-modernismo propõe: como ao noticiar a realidade, a mídia transforma tudo que é noticiado em entretenimento ao transmitir não o real, mas os efeitos que a própria mídia cria ao descrever a realidade.

Boorstin chamava de “pseudoeventos” (eventos não mais espontâneos, mas direcionados à logística de transmissão midiática), Baudrillard de “não-acontecimentos” (a precessão da simulação antes do fato ser noticiado) e Umberto Eco de “evento-encenação” (eventos encenados para torna-los “noticiáveis”).

Mais recentemente, Neal Gabler  chamou de “Efeito Heisenberg”, numa referência ao princípio da incerteza da mecânica quântica: as mídias não relatam o que as pessoas fazem, mas o impacto que as coberturas midiáticas produzem na realidade – GABLER, Neal. A Vida, O Filme, Companhia das Letras, 1999 - sobre isso clique aqui.

Objetivos ocultos de engenharia de opinião pública

Desde 2016, páginas e mais páginas são escritas para fixar a ideia de que pós-verdade e notícias falsas só floresceram por causa da Internet ao abolir “o abismo entre centro e periferia, entre o oficial e o marginal”, ou seja, ao retirar da grande mídia a responsabilidade de proteger o “lastro da Verdade” da comunicação.


Convenientemente esquecem que a trajetória de obras como The Image – A Guide of Pseudoevents in America (Boorstin), Sociedade do Espetáculo (Deboard), Simulacros e Simulações (Baudrillard) e Viagens na Irrealidade Cotidiana (Eco) descrevem como essa “perda do lastro da Verdade” decorre da onipresença da grande mídia na realidade. A tal ponto em que a verdade foi substituída pelos “efeitos de realidade” (credibilidade, verossimilhança) desde os prosaicos  teleprompters dos estúdios de TV até a poderosa engenharia de opinião pública descrita por Martin Hower.

Ou como Baudrillard afirmava, como a realidade se transformou numa gigantesca extensão de um estúdio de TV – clique aqui.

Portanto, todo esse verniz científico (pra não dizer o “hip” produzido deliberadamente para promover o “jornalismo hipster”) dos supostos conceitos fake news e pós-verdade busca quatro objetivos de engenharia de opinião pública bem definidos:

(a) O verniz científico

Buscar uma fundamentação “ontológica” ou “hermenêutica” a noções de natureza propagandística como fake news e pós-verdade. Como fossem conceitos científicos cuja gênese estaria na conspiração dos filósofos pós-modernos contra a Verdade.

(b) Manter jornalistas “na linha”

Transformar o Jornalismo Investigativo em “checagem” (fact-checking). Fenômeno da época atual em que jornalistas se transformaram em profissionais que trabalham sentados e não mais repórteres como aqueles que saiam a campo com o faro da investigação. Agora devem operar ferramentas de checagem dos fatos vindas diretamente dos algoritmos do Google. O que conduz aos desdobramentos (c) e (d).

(c) Primeiro desdobramento: mercadológico

O crescimento da web, bogosfera e mídias sociais trouxe uma questão incômoda para a hegemonia da grande imprensa: será que qualquer um pode ser jornalista?  Os alarmes contra fake news e pós-verdade tentam salvaguardar o suposto valor de uso da informação (questionado por pensadores como Baudrillard). Fact-checking atribui um “selo de qualidade” aos produtos informativos da grande mídia. Além da grande mídia construir um bom álibi para fugir da própria paternidade das notícias falsas. Que se confundem com a própria história do Jornalismo.

(d) Segundo desdobramento: político - derrubar a ponte pela qual a grande mídia passou

Não é à toa que a partir de 2016 pós-verdade e fake news se tornaram o “hip” do jornalismo hipster.

Aquele ano foi marcado pelo final de uma intensa turnê mundial de “revoluções híbridas”: “primaveras”, “levantes, “jornadas” na Jordânia, Ucrânia, Egito, Síria, Tunísia, Líbia e finalmente Brasil. O ponto em comum de todas elas: intensa exploração de notícias falsas na mídias sociais explorando a desinformação e o ódio.

E a grande mídia repercutindo as fake news, como o fez o jornal Folha de São Paulo quando colocou em primeira página a falsa ficha criminal da então presidenta Dilma, tida como “terrorista” e “assassina”. E a justificativa da Folha em estilo pós-verdade: “é falsa... mas poderia ser verdadeira...”. E considerou a averiguação como “encerrada”.

Por isso, a grande mídia quer derrubar a ponte pela qual trilhou: e se a esquerda quiser lutar no mesmo campo simbólico no qual está em ação a Guerra Híbrida promovida pela grande mídia – sob o apoio logístico do Departamento de Estados dos EUA?

Nada melhor do que transformar esses slogans publicitários promovidos a pseudociência em álibi para censura do ativismo digital de esquerda.

O resultado final é interessante para a grande mídia: do lado organizacional, mantém os jornalistas “na linha”, hipsters comportados, cada qual nas suas estações de trabalho manipulando ferramentas de checagem. Isso evita de trabalharem em pé, saírem a campo e terem o inconveniente de descobrirem conexões “conspiratórias”.

E do lado mercadológico, o monopólio do mercado de notícias através de agências de checagens controladas pela própria grande mídia interessada em eliminar a concorrência comercial e ideológica.

Wilson Roberto Vieira Ferreira
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Querida, o MBL encolheu!


O MBL caminha para a poeira da história, sem direito a nota de rodapé, depois de fazer o serviço sujo. E, às vésperas das eleições de 2018, não tem perspectivas reais de aumentar a bancada multipartidária em que se dividem seus militantes. Batizado Movimento Brasil Livre, defensor do “liberalismo econômico e do republicanismo”, e que viveu seu apogeu entre o final de 2014 e 2016, servindo de massa de manobra para o PSDB e para a Fiesp, promovendo protestos a favor do impeachment de Dilma Rousseff- como o tosco Vem Pra Rua -, tem aparecido na mídia de forma patética. Nos últimos dias, levou uma lambada da ministra Rosa Weber, que comanda o TSE, e negou um pedido midiático do movimento para barrar a candidatura de Lula. Queriam que Lula, pulando todas as etapas legais, fosse declarado logo inelegível. A ministra, que é vice-presidente do TSE e presidirá a Corte durante as eleições, afirmou que o pedido, a rigor, era para a exclusão de um candidato, “fora do intervalo temporal especificamente designado pela lei para tanto”.

A outra tentativa desesperada do MBL de surfar na mídia veio na onda de mais um destempero verbal de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, que chamou o vereador Fernando Holiday (DEM-SP), o rosto mais conhecido do MBL, de “capitãozinho do mato”. Holiday, que é contra, por exemplo, a política de cotas nas universidades, encheu-se de brios e mostrou-se ofendido. Viu racismo na frase. Logo ele. Ciro não se deu por satisfeito. Em uma rádio, no dia 18, chamou a patota do MBL de “delinquentes juvenis”. O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito, que, evidentemente, não vai dar em nada. E o MBL segue tentando alguma mídia.

A origem do MBL é cada vez mais escancarada. Em entrevista à Época, em junho, o sociólogo espanhol Manuel Castells, 76 anos, um dos maiores estudiosos das transformações sociais causadas pela internet e pela vida na rede, chamou o MBL de “força não democrática”, financiada no Brasil pelos irmãos Koch (Charles e David Koch, bilionários americanos que financiam movimentos conservadores de direita). Isso já havia sido revelado pelo inglês The Guardian, que contou que alguns coordenadores do MBL receberam treinamento da Students for Liberty, uma rede que advoga o livre mercado e faz parte da Atlas Network, organização americana sem fins lucrativos que difunde esses ideais.

O encolhimento do MBL, que virou uma espécie de nave-mãe das “fake news” nas redes sociais, se deu mal também na escolha do queridinho par a Presidência. Seus próceres, por assim dizer, entre eles Kim Kataguiri, coordenador nacional, e Fernando Holiday, acertaram apoiar Flávio Rocha, o pobre homem rico da Riachuelo, e ficou pendurado na brocha quando o empresário anunciou que não será mais candidato. Até o funkeiro Latino já havia gravado o jingle da campanha. O MBL vai ter que buscar outra opção, embora muito pouca gente esteja buscando hoje associação ao grupelho de Holiday e Kataguiri – este último desmoralizado por Marcia Tiburi, que abandonou um programa de rádio para não perder tempo debatendo com um androide ideológico.

Em junho, o partido se meteu em outra lambança. Cauê Del Valle, coordenador nacional do MBL e supervisor técnico da Prefeitura Regional de Pinheiros, que ganhou “notoriedade” ao participar de ato para apagar uma pichação de manifestantes na casa do então prefeito João Doria (PSDB), foi demitido. Crise. Pressionado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) topou recontratar o rapaz de 24 anos. Holiday e Covas vinham se desentendendo nas redes sociais. O vereador chamou o prefeito de “covarde” após veto a seu projeto de lei que propõe a catalogação de imóveis da cidade. Além disso, o movimento fez pressão para ter mais influência na gestão municipal, isso para que se tenha uma ideia do que virou o Palácio do Anhangabaú.

No início do ano, Kim Kataguiri, baseado em nada, diz que o grupo pretendia emplacar uma bancada de até 15 deputados federais em 20 candidaturas lançadas por diferentes partidos. O próprio Kataguiri diz que vai se lançar a uma cadeira na Câmara, mas ainda não decidiu por qual partido concorrerá. Doce ilusão. Nas eleições municipais de 2016, quando o grupo de direta tinha forte mídia, o MBL elegeu oito dos 45 candidatos que lançou – um prefeito e sete vereadores. O MBL caminha a passos largos para virar não um capitãozinho do mato, mas o próprio mato.

Ricardo Miranda
No Os Divergentes
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Cem anos de Antonio Candido


Antonio Candido costumava ser chamado assim, segundo ele mesmo, por quem o conhecia pela sua vida acadêmica. Para os mais íntimos, entre os familiares e os amigos mais próximos, era simplesmente Candido. Foi assim que o conhecemos, desde pequenos, como sobrinhos de um dos seus amigos mais próximos, Azis Simão.

Não tínhamos ainda a dimensão da sua figura para a cultura brasileira, mas conhecíamos sua genialidade, nas suas grandes tiradas irônicas, revelando toda a inteligência que permearia toda a sua obra. Nascido no Rio de Janeiro, há exatamente cem anos, cresceu em Poços de Caldas, antes que sua família se mudasse para São Paulo. Ali, estudou na USP, onde começou o curso de Direito, que abandonou antes de concluir, para estudar Ciências Sociais na velha e histórica Faculdade de Filosofia da rua Maria Antonia, sob a influência de Fernando de Azevedo.

Mas logo se concentrou na teoria da literatura, de que ele se tornaria o maior expoente brasileiro e latino-americano, além de formador das melhores gerações de estudiosos do tema aqui no Brasil. Mesmo antes disso, ele foi autor de algumas das obras sociológicas mais importantes do pensamento social brasileiro, Os parceiros do Rio Bonito, livro admirável também pela sua beleza literária.

A formação da literatura brasileira deu início à construção da obra de teoria literária que mudaria o panorama intelectual do Brasil, tornando-se um clássico na mais clara acepção da palavra, adotado, estudado, objeto de teses e edições em vários outros países.

Mas não me deterei aqui na obra de Candido e sim na sua imagem de intelectual da esfera pública, de que ele foi a melhor expressão no Brasil. Essa figura vem daquela da intelligentsia, do intelectual vinculado aos grandes temas de interesse da sociedade, abordados em linguagem acessível e do ponto de vista dos interesses populares, contra as oligarquias no poder. Um intelectual de que Antonio Candido foi o melhor exemplo.

Ele pertence a um tempo em que o intelectual se vinculava indissoluvelmente à esfera pública, à educação pública, à construção democrática da sociedade e do Estado. Era socialista, porque esse era o projeto que se identificava com aqueles interesses.

Pertenceu a grupos socialistas antes de participar da fundação do Partido dos Trabalhadores, partido com o qual se identificou sempre, em particular com a liderança do Lula. Como ele disse, sua personalidade não tem os traços da militância política, mas seu interesse pela política foi dado sempre pelo interesse pelas ideias que as práticas políticas contém.

A crise dos intelectuais das esfera pública é resultado de vários fatores, entre eles a burocratização da vida acadêmica, em que se escreve mais para as agências de financiamento, prestando contas ou solicitando recursos, do que para o grande público, para a opinião pública, para a sociedade no seu conjunto. A própria linguagem se adapta a essas necessidades, tornando-se hermética, inacessível, indecifrável.

Por outro lado, a disseminação dos campus universitários contribuíram decisivamente para afastar as universidades da vida das cidades, além de distanciar as próprias faculdades entre si, distanciadas também geograficamente. Os professores e estudantes de Ciências Sociais e de História da USP, por exemplo, não tendem a se encontrar, seus prédios são distintos, seus cafés são distantes entre si.
Tempos muito diferentes daqueles que eu tive a sorte de viver, em que no mesmo prédio da rua Maria Antonia se podia assistir cursos de Antonio Candido, de Sergio Buarque de Holanda, de Florestan Fernandes, entre tantos outros à disposição dos alunos de todos os cursos.

Além disso, a tendência permanente à hiper especialização das disciplinas faz com que se perca a visão da totalidade da sociedade, produzindo saberes cada vez mais restritos e distanciados da totalidade da realidade.

A morte de Antonio Candido, o nosso Candido, representou um novo momento na desaparição desse tipo de intelectual, do intelectual da esfera pública, que ele soube encarnar como ninguém no Brasil, pela sua trajetória de vida, pela sua obra, pela sua personalidade generosa e pelo exemplo que nos deixou.

Emir Sader
No Blog do Miro
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Da invasão de Putin a fotos de OVNIs, 16 provas de que Janaína Paschoal é a vice dos sonhos para Bolsonaro



Ela
Janaína Paschoal deve ser sagrada vice de Jair Bolsonaro nos próximos dias.

A “musa do impeachment” tem mostrado sua preocupação com a nação em sua conta no Twitter, onde ela pontifica sobre tudo e todos — de alcoolismo a OVNIs.

Habitante de algum universo paralelo, com um certo charme olavista fin de siècle, Janaína é um case internacional de humor involuntário.

Comediantes batalham anos para juntar um repertório que consiga casar tão bem a idiotice grosseira de Moe, dos Três Patetas, com a faceirice de um Hitler pré-Parkinson.

Janaína é o que os americanos chamam de uma “natural”. Ela nasceu com isso dentro dela — e ninguém tira.

Alia a esse dom para fazer rir um messianismo moleque, um messianismo arte que talvez encontre rival apenas em Inri Christo.
Ok. Às vezes ela exagera na performance, como aquela pomba gira que encarnou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas isso acontece até com gênios da comédia física como Jim Carrey.

Abaixo, dezesseis grandes momentos da fabulosa JP:


















Kiko Nogueira
No DCM
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Os custos do benefício

http://m.jb.com.br/coisas-da-politica-2/noticias/2018/07/22/os-custos-do-beneficio/

O novo faltou ao encontro, na eleição em que se decretou a morte da velha política. Com o apoio dos partidos do Centrão e de outras siglas ligadas à corrupção e ao fisiologismo, o candidato tucano Geraldo Alckmin passa a ser seu mais genuíno representante. O MDB ficará de fora, mas o apoio dos partidos que decidiram o impeachment e sustentaram o governo vincularão o tucano a Temer, com sua impopularidade e seu governo desastroso. O segundo turno pode acabar sendo um formidável acerto de contas entre o PT que foi derrubado e a coligação que o derrubou. 

Até agora falamos muito do que Alckmin ganha, e pouco dos custos que ele pode ter com a grande aliança. Ganhará um tempo colossal de televisão, mas o maior tempo nem sempre garante a vitória. Lula não tinha o maior tempo em 2002, nem em 2006, quando se reelegeu. Mas FHC foi ajudado pelo maior tempo tucano em suas duas eleições (1994 e 1998). Em 1989, Ulysses Guimarães (PMDB), que fora o líder parlamentar da resistência, o Senhor Diretas e o Senhor Constituinte, tinha um tempo enorme, mas ficou em quinto lugar. E isso aconteceu porque, embora não tenha defendido o governo, Ulysses foi associado a Sarney, quase tão impopular quanto Temer hoje. Este é um risco para Alckmin. 

A grande coligação será apresentada como evidência de que o tucano é conciliador e desperta confiança. Talvez cole, mas os adversários vão explorar suas más companhias. Principalmente o PT, que sabe muito bem o que é governar com a canga dos fisiológicos no pescoço. Dos partidos do atual Centrão, só o DEM não integrou a base petista. O PT conhece todos eles e principalmente o grande costureiro do apoio a Alckmin, Valdemar Costa Neto, mandachuva do PR. O outro que muito ajudou foi Temer. Primeiro, ameaçando com a perda de cargos os partidos que apoiassem Ciro. Depois, articulando diretamente com Rodrigo Maia, com seu líder Aguinaldo Ribeiro, do PP, e seu ex-ministro Marcos Pereira, do PRB. Coitado do Henrique Meirelles.

A virada do Centrão começou no dia em que o senador Magno Malta, do PR, desistiu de ser vice de Bolsonaro. Ele se dizia honrado com o convite, mas de repente mudou de ideia, a mando de Valdemar, segundo fontes do partido, que vislumbrara um melhor negócio. Bolsonaro achava que, pela honra de integrar sua chapa, o PR tinha que ajudá-lo, inclusive com recursos. Com Ciro ou Alckmin, o PR e seus parceiros é que seriam recompensados pelo apoio. Quando a conversa com Bolsonaro azedou, Valdemar aderiu ao Centrão, descartou Ciro e arrastou os demais para o lado do tucano. 

Em 2002, Lula queria um empresário de vice. Descartados alguns nomes, José Dirceu sugeriu José Alencar, dono da Coteminas. Como nos casamentos arranjados, fez a ponte e marcou com Lula uma viagem a Minas para conhecer a noiva. A empatia foi imediata. Alencar estava no PMDB, que apoiaria Serra, teria de mudar de partido. Filiou-se ao PL, origem do atual PR. No fechamento da coligação, Valdemar exigiu R$ 10 milhões do PT, para financiar os candidatos do partido a deputado. Esse pagamento, realizado via valerioduto, ajudou a alimentar a narrativa de Roberto Jefferson, de que o PT pagava mesadas a deputados. A danação do PT foi a coalizão com os partidos fisiológicos, entrando no velho jogo, em nome da governabilidade. Serão eles agora diferentes na relação com Alckmin? 

No acerto com o tucano, entraram coisas não combinadas com o eleitor. O DEM ficará com a presidência da Câmara e o PP com a do Senado. Isso é de uma arrogância atroz. Para terem direito a estes cargos, DEM e PP terão que eleger a maior bancada nas respectivas casas. 

Não por acaso, o Centrão agora quer ser chamado de blocão. É para ver se o eleitor esquece seu passado, pontilhado por casos de corrupção ou pela prática do fisiologismo. Se Alckmin for eleito, o país terá optado por ter mais do mesmo, embora hoje esteja torcendo o nariz para partidos e candidatos.
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Velhaco Nardes do TCU subfatura fazenda

Na coluna do Lauro Jardim no Globo, a notícia de que o ministro do TCU Augusto Nardes tem agora mais uma razão para se preocupar.

Na operação de busca e apreensão em sua casa, ocorrida no início de junho, a PF encontrou um contrato privado de compra e venda de uma fazenda localizada nos arredores de Brasília.

Reza a papelada que Nardes comprou a propriedade por R$ 3,5 milhões. Só que o ministro declarou ao Leão magros R$ 400 mil.

Não é só. Na delação já homologada de Luiz Carlos Velloso, na qual Nardes protagoniza alguns trechos, o ex-subsecretário de Transportes do Rio de Janeiro relatou que fez depósitos num total de R$ 3,1 milhões na conta do vendedor da fazenda.

Nardes foi instrumental na derrubada de Dilma. Seu relatório sobre as “pedaladas fiscais” deu pretexto formal para o processo de impeachment. Brava contra a corrupção: “Temos que dar um basta a isso!”
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“Eu tenho uma tara pela Globo”: Bolsonaro deve sua candidatura à mídia que o pariu

Bolsonaro fez uma criança imitar uma arma com as mãos
“Eu tenho uma tara pela Rede Globo”, disse Bolsonaro em discurso em Registro, interior de SP, na semana passada.

“Eu gosto das novelas deles, que arrebentam com as famílias no Brasil. Eu gosto daquela que faz um programa de manhã: Fátima Bernardes. Também sou vidrado em BBB”, continuou.

“No meu governo não vai ter dinheiro para valorizar esse pessoal que faz esse tipo de programa. Pode continuar fazendo, não vai ter censura. Mas dinheiro público!??”

Bolso e a Globo são indissociáveis.

O golpe engendrado por Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e grande elenco, em conjunto com a mídia, pariu Jair Bolsonaro 2018.

A guinada direitista dos tucanos, o blábláblá neandertal contra o bolivarianismo, o lavajatismo, o financiamento de “movimentos de rua” e a obsessão monotemática pelo o PT resultaram na viabilização de uma alternativa fascista indigente.

JB é o antiLula prometido na Bíblia. É o chorume desse caldo.

Aécio, Alckmin e Serra derreteram. Geraldo procura a salvação do centrão.

Bolsonaro emula Trump, uma espécie de outsider, embora esteja dentro do sistema desde que um atentado terrorista frustrado deixou o capitão famoso: 27 anos na Câmara sem um mísero projeto.

Em abril de 2016, depois que homenageou o coronel Ustra na votação do impeachment, Miriam Leitão, que dorme e acorda pensando no “lulopetismo”, se indignou.

“A democracia brasileira precisa ser defendida pelos pares do deputado Jair Bolsonaro. O voto dele é apologia de dois crimes, fere duplamente a Constituição. Por que não sofre um processo de cassação pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados?”, escreveu em seu blog.

Se ela e a Globo tivessem dedicado a Jair um oitavo do tempo dado a, por exemplo, José Dirceu, talvez a situação fosse diversa.

A candidatura de Bolso, agora com Janaína Paschoal, a musa do impeachment, de vice, é uma prova do fracasso do velho jornalismo.

A tara de Jair por sua mãe, diria Freud, é natural.

Kiko Nogueira
No DCM
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Doria compra rua de prefeito do PSDB

E ergue um muro para pobre não passar

Foto de Marlene Bergamo na Folha mostra a viela da ação entre tucanos


Foto de Marlene Bergamo na Folha mostra o Muro Tucano que impede a passagem dos pobres em frente à casa

O Conversa Afiada reproduz trecho de reportagem de Wálter Nunes na "Fel-lha" deste domingo, 22/VII:

Após perder uma disputa judicial pela posse de uma viela localizada no entorno da sua casa em Campos do Jordão, o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) foi beneficiado por um programa da prefeitura local que colocou à venda áreas consideradas "sem interesse público" pelo município.

Entre os lotes negociados estava a travessa desejada pelo hoje pré-candidato tucano ao governo do estado, que arrematou o terreno.

O prefeito Frederico Guidoni, responsável pelo programa, é amigo de João Doria e tucano como ele.

O projeto de lei que criou o Programa de Desafetação – ou seja, privatização de terrenos públicos – foi protocolado pela prefeitura na Câmara Municipal de Campos do Jordão em 16 de novembro de 2016, pouco mais de dois meses após a Folha revelar que, durante anos, Doria vinha desrespeitando decisões judiciais para reintegrar ao município a área pública.

No final da década de 1990, Doria anexou a área da viela sanitária, de 365 metros quadrados, ao terreno de sua casa, que ocupa um quarteirão no bairro de Descansópolis, na cidade serrana.

Ele cercou com muros e portão de ferro a pequena rua, que era usada pelos moradores do local.

Vielas sanitárias, muito comuns na cidade, são espaços entre terrenos deixados para que nada seja construído sobre a tubulação de sistemas de água e saneamento.

Também facilitam o escoamento de água em locais com declive acentuado. É permitido o seu uso por pedestres.

A anexação da área pública por Doria foi considerada irregular pela Justiça paulista, que, em 2009, determinou a reintegração de posse para o município. O tucano ignorou a determinação durante sete anos.

Onze dias após a publicação da reportagem da Folha, a Justiça negou, em 22 de setembro de 2016, um pedido de audiência feito por Doria e reforçou a necessidade de devolução da área.

Só então o tucano desobstruiu a via pública. Faltava uma semana para a eleição para a Prefeitura de São Paulo, vencida por ele em primeiro turno.

O projeto que permitiu que o político tucano comprasse o terreno foi aprovado pelos vereadores de Campos do Jordão por unanimidade em duas sessões, em março de 2017. O programa de venda de terras públicas incluiu, além da área desejada por Dória, outros 50 terrenos.

Quando a concorrência foi aberta, a empresa CFJ Administração Ltda., responsável pela administração dos imóveis de Doria, foi a única interessada na área.

João Doria pagou R$ 173.300 pelo terreno, R$ 3.000 acima do preço mínimo. A conta foi dividida em três parcelas, já quitadas.

Na declaração de bens à Justiça Eleitoral na disputa pela prefeitura em 2016, João Doria informou que a casa vale R$ 2 milhões.

(...)

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ANS age como órgão de defesa das seguradoras de saúde

Os problemas com a assistência à saúde superam até a falta de segurança, entre as preocupações da população demonstradas em algumas das pesquisas recentes. A resposta dada a essa constatação pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) foi a estapafúrdia e suspeita imposição de maiores gastos aos pagadores de plano de saúde.

A resposta à resposta da agência será em dois tempos. A suspensão do pagamento de 40% nos atendimentos está feita pelo Supremo, por iniciativa da OAB. E virá, afinal, um projeto no Congresso para novo sistema de direção em todas as agências — uma necessidade já cansada de tanto descaso.

A ANS é o melhor exemplo do que se passa, com exceções apenas temporárias, nessas agências criadas para regular determinadas atividades e suas relações com o público. Encarregar o segurado de pagar 40% nos exames, e em outros procedimentos, e aumentar 10% em quase um quinto das mensalidades foram decisões tomadas por uma diretoria com dois lugares vagos, nos cinco exigidos.

E, como complemento, sem presidente há mais de um ano. Assim é, no entanto, a agência que comanda a desdita dos que pagam 50 milhões de contratos de seguro-saúde, por forçosa alternativa à desgraça da assistência pública.

Os percentuais da decisão da ANS referem-se aos ônus dos segurados. O ganho daí resultante para as seguradoras foi poupado de exposição ao povaréu. É, porém, um assunto cuja evidência compensa as carências numéricas: se as dificuldades do setor fossem reais, americanos e japoneses não fariam as compras, já realizadas e a realizar, de seguradoras brasileiras.

Os “insatisfeitos com o seguro” têm números assombrosos: apenas 4 em cada 100 escapam da insatisfação, ao que a Associação Paulista de Medicina apurou em pesquisa.

O comentário de um dos três diretores da ANS, Rodrigo Aguiar, permite entender a origem de tamanha queixa: “Não somos um órgão de defesa do consumidor”. Foi criticado, mas disse a verdade. A ANS age como um órgão de defesa, não do consumidor, mas das seguradoras de saúde.

Adivinha

Mulher de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz foi absolvida por Sergio Moro, faltando provas de conhecer a procedência ilegal do dinheiro para seus luxos no exterior.

Os já conhecidos desembargadores do TRF-4, a segunda instância que repassa os processos da Lava Jato, substituíram a absolvição por condenação a dois anos e meio de prisão (cabe pena alternativa). É possível que Cláudia Cruz soubesse da origem do dinheiro.

Como é possível que Eduardo Cunha não a informasse do recebido em negociata na Petrobras, citando negócios legítimos ou nem isso.

Não consta que as provas aparecessem entre a primeira e a segunda instâncias. Como os dois juízes condenadores provariam o conhecimento criminoso por Cláudia Cruz, é mais um questionamento a decisões na Lava Jato. Este com o aval, embora involuntário, do terceiro desembargador.

Apesar disso, fosse a pena superior a quatro anos, a prisão depois da segunda instância já seria possível.

Lava Jato? Só com o último dos julgamentos de cada processo. Como quer a Constituição, não o Supremo.

Janio de Freitas
No fAlha
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O novo quadro


O candidato tucano Geraldo Alckmin volta a ser peça do jogo com o apoio do Centrão. Ganha um tempo de TV colossal, capilaridade e máquina, mas vincula-se também ao que há de mais atrasado e melhor representa a “velha política”. A bola agora rola no campo da esquerda, em resposta à jogada do adversário da centro-direita. E a resposta, por ora, não foi a busca da unidade, como fez a direita, mas o acirramento da disputa entre PT e PDT pelo apoio do PSB e do PC do B. 

No dia em que o mercado e o empresariado só não soltaram fogos de artifício para festejar o feito do candidato preferido, com a Bolsa subindo e o Real se valorizando, o PDT sagrou Ciro candidato em situação de isolamento, sem vice e sem alianças. Em seu discurso, ele voltou a defender Lula, acenou aos possíveis aliados da esquerda e até ao empresariado produtivo. Dever de ofício: o capital agora voltou a apostar tudo no tucano, depois de ensaiar até a assimilação de Bolsonaro, na busca de candidato capaz de evitar a vitória da esquerda. Vale dizer, de Ciro ou do candidato de Lula.

Na disputa pelo apoio do PSB e do PC do B, ambos divididos entre apoiar Ciro ou o PT, Lula autorizou o ex-prefeito Fernando Haddad a divulgar ontem os cinco eixos básicos de seu programa de governo. Buscou assim o contraste com Ciro, que andou fazendo concessões programáticas ao Centrão, inutilmente. O flerte com o bloco só lhe trouxe desgaste em seu próprio campo, onde tenta agora se recuperar. 

No PSB a divisão interna é tão dramática que levou o governador de São Paulo, Marcio França (que antes defendia o apoio a Alckmin) a sugerir o lançamento da senadora Lídice da Mata (BA) como candidata própria do partido para evitar a difícil escolha. Lídice acaba de ter sua candidatura ao Senado sacrificada numa aliança com o PT da Bahia, que preferiu um aliado conservador do PSD. Ingratidão do PT. Ela aparou o golpe, em nome da aliança local e vai concorrer à Câmara. Lançar-se candidata a presidente só para dar conforto ao partido seria um segundo e maior sacrifício, que deixaria fora do Congresso um dos melhores quadros do PSB. Ela recusou o cálice. 

A profundidade da divisão sugere que não haverá decisão antes da convenção/congresso do dia 5 de agosto. O fracasso das negociações de Ciro com o Centrão pode ter favorecido o grupo pró-PT, mas pode ser também que o PSB opte pela solteirice. Cada estado ficaria livre para fazer seu jogo “e seríamos mais um partido sem projeto nacional”, lamenta o líder Júlio Delgado. O Comitê Central do PC está reunido desde ontem, debruçado sobre o mesmo dilema. O forte boato de que Lula teria convidado a candidata Manoela D’Ávila para ser sua vice não se confirmou. Antes disso, o PT vai insistir no apoio do PSB, ou mesmo em sua neutralidade, para que não apoie Ciro. O tempo é mais curto para o PC do B. Sua convenção será na quarta-feira. 

A esquerda subestima o novo quadro agora criado. A união conservadora com Alckmin não ficará só no apoio do Centrão. Irá muito além, formando uma coalizão poderosa, decidida a levar Bolsonaro e Alckmin ao segundo turno. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) arriscou propor a chapa Lula-Ciro mas o campo está minado.
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