20 de jul. de 2018

Juntos, Ciro e Lula ganham no primeiro turno


Está na cara que a campanha presidencial, que ainda nem pegou no breu (começa com o horário eleitoral na TV) será uma luta de foice no escuro.

Petistas quebram a cabeça para tirar Lula da cadeia e garantir seu nome na urna eletrônica.

Pedetistas procuram alianças à esquerda e à direita, como baratas tontas.

O PSB corre, não se sabe para onde, dividido em quatro alas e várias ideologias, para todos os gostos, com tempero pernambucano ou paulista.

Meirelles acha que vai ser candidato. Renan repudia.

Comandante do Exército sabatina presidenciáveis.

Marina não acha nada.

Uma confusão dos diabos.

A direita parece ter se acertado formando esse Blocão em torno de Alckmin, a última esperança de que ele decole, reconhecendo que o maior partido, o PSDB é que deve ser a âncora do grupo que já foi Temer, mas agora foge dele como o diabo da cruz.

É bom frisar que a possível ascensão de Alckmin vai tirar votos de Bolsonaro e não de Lula no primeiro turno. Não por acaso, a campanha do ex-governador manda bala no candidato da ditadura militar, não no ex-presidente.

É bom que Alckmin suba, para tirar Bolsonaro do segundo turno. Se uma das vagas é da direita, como sempre foi desde 1989, melhor que fique com ele.

Agora só falta o MDB dizer o que vai fazer. O melhor, para Temer, seria aliar-se a Alckmin, mas Alckmin e as estátuas de Brasília sabem que seria o beijo da morte. Ir de Meirelles é um suicídio político. Senadores e governadores vão forçar a barra para aprovar a neutralidade, cada um faz a aliança que lhe aprouver em seu estado e salve-se quem puder.

A esquerda parece estar sem rumo em meio a essa barafunda.

Qualquer marciano que desembarcasse na Terra ficaria perplexo com tamanha balbúrdia, já que a esquerda tem o candidato que lidera todas as pesquisas de primeiro e segundo turno. O mais natural seria todos unirem-se em torno de Lula.

Mas qual. Partidos que sempre se aliaram ao PT e foram por ele alçados ao poder central, como PDT e PCdoB resolveram lançar candidatos próprios. O PSOL, costela do PT, também foi por aí. E adotaram o mantra de sempre: a gente se une no segundo turno.

A esquerda ainda não se deu conta de que não precisa esperar o segundo turno. Pode liquidar a fatura no primeiro. Bastaria Lula e Ciro se unirem. Uma chapa Lula-Ciro, não importa se Lula preso ou solto, criaria um fato novo que mudaria o rumo da campanha. Não importa quem seria o cabeça de chapa, importa que o golpe seria derrotado a 7 de outubro – que é o que toda a esquerda, ao menos, quer, não é mesmo?

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
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Temer “pressionou” com cargos o “Centrão” a aderir a Alckmin


Na contramão da decisão fechada pelo Centrão de fechar apoio a Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), queriam chancelar um acordo em torno do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Eles alegavam que o tucano não decolaria nas pesquisas de intenção de voto e que nem mesmo chegaria ao segundo turno das eleições. A reportagem apurou, porém, que o Palácio do Planalto fez forte pressão para que o bloco não se unisse a Ciro. O pedetista chamou o presidente Michel Temer de “quadrilheiro” e “ladrão” e disse que ele seria preso.

O governo ameaçou tirar cargos de quem se unisse a Ciro, principalmente do PP, que comanda os Ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa.

Com 1% das intenções de voto, Henrique Meirelles (MDB) também conversou nos últimos dias com integrantes do Centrão, mas não obteve sucesso em sua ofensiva. O ex-ministro chegou a se reunir ontem com Maia. Antes, ofereceu a vice em sua chapa a Flávio Rocha (PRB), que desistiu de se candidatar ao Planalto.

A decisão do Centrão foi comemorada entre os tucanos. A estratégia de Alckmin sempre passou por atrair o maior número de partidos para sua aliança e, assim, garantir tempo extra na propaganda eleitoral na TV e no rádio.

Na reunião desta quinta-feira, 19, com dirigentes do bloco, Alckmin – que preside o PSDB – se comprometeu a fazer consultas nos Estados para que o partido diminua o número de candidatos aos governos e apoie concorrentes do bloco. Hoje, a sigla tem entre 13 e 15 nomes próprios. No Rio, por exemplo, o PSDB deve agora fazer aliança com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM).

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Três monstrengos que vão tentar enganar você em outubro


Que o golpe é um fracasso aos olhos do povo brasileiro nem se discute.

Michel Temer é o presidente mais impopular do mundo e da história brasileira.

Os líderes do golpe, Aécio Neves, Eduardo Cunha ou o próprio Temer, vivem seu ocaso político e até pessoal.

Mas as eleições estão aí e eles, claro, não vão largar o osso.

Se disfarçarão de monstrengos para tentar enganar a população. São vários deles.

Destacamos três:

1) TEMALCKMIN: Simbiose entre Michel Temer e Geraldo Alckmin.

Representam as mesmas propostas. Os mesmos interesses. Alckmin não dirá, mas seria o Governo Temer 2. Temalckmin é o monstrengo que surge dessa fusão do caos.

2) TRUMPONARO: Donald Trump e Jair Bolsonaro representam o mesmo ódio às mulheres, a mesma homofobia e a mesma insensibilidade social.

A diferença é que um é apenas uma imitação bem barata e muito mal feita do outro. Trumponaro é o monstrengo que surge dessa mistura pandemônica.

3) ANASTAÉCIO: Aécio Neves é aquele que quase chegou à presidência, perdeu, apelou e viu o mundo desabar sobre si.

É talvez o corrupto mais comprovadamente corrupto do mundo atualmente, flagrado em gravações em áudio e vídeo.

Como não consegue mais nada, criou um monstrengo para si: o Anastaécio é seu amálgama com Antonio Anastasia, dois amigos que atuam como unha e carne.

Rogério Correia é deputado do PT/MG
No Viomundo
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Acordo com Alckmin pode dar ao ‘centrão’ poderes inéditos


Conforme informa o Painel, da Folha, o acordo do “centrão”, fechado entre DEM e PP, com Geraldo Alckmin (PSDB) abre brecha para o grupo exercer poder de tutela inédito na história recente sobre um mandatário do país. Além da presidência da Câmara, que já está acertada desde o início das negociações, o consórcio indicaria também o vice do tucano e teria número suficiente para eleger o novo presidente do Senado. Aposta-se que caberá ao PP apontar o nome.

O acordo entre Alckmin e o “centrão” foi forjada em cima da tese da repartição do poder. Somados, eles praticamente garantem a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e, a números de hoje, chegam a 32 senadores. “Ninguém terá isso”, reconheceu um tucano.

A história recente da Câmara é de alternância de poder entre PT e MDB no comando das duas casas Legislativas, de 2003 a 2016. Na Câmara, só houve duas exceções: Aldo Rebelo, à época no PC do B, chefiou a Casa de 2005 a 2007. Foi sucedido por Severino Cavalcanti (PE) que, no PP, segurou-se pouquíssimo tempo no cargo.

O MDB controla o Senado desde 2001. Só houve um intervalo, em 2007, quando Tião Viana (PT-AC) assumiu a Casa após renúncia de Renan Calheiros (MDB-AL), e agora corre o risco de ficar de fora.

No Fórum
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Pesquisa XP/Ipespe: Lula tem 29% contra 20% de Bolsonaro


Segundo a pesquisa semanal do XP Investimento/Ipespe, divulgada no Infomoney, Lula segue líder isolado na pesquisa de intenção de voto, com 29%.  Bolsonaro tem 20%, Marina 8% e Ciro 7% (gráfico acima).

Num cenário sem Lula, mas com Haddad, Bolsonaro lidera com 23%. Marina cai 2 pontos em relação à semana anterior e fica com 12%. Ciro oscila 1 ponto para cima na semana, e chega em 10%.


Quando Haddad é apresentado explicitamente como “candidato apoiado por Lula”, ele sobe de 2% para 13% e fica em segundo lugar.



Para ter acesso à íntegra do relatório, clique aqui.

Analisando os dados estratificados, observa-se que Lula consegue distribuir os votos de maneira razoavelmente equilibrada, obtendo bons índices em todas as faixas de renda e em todas as regiões do país, mas com uma força muito grande no nordeste e entre os mais pobres.

Entre a classe E, que ganha menos de um salário, Lula tem 45% dos votos, contra 10% de Bolsonaro.

Na classe A, Lula tem 19%, o mesmo índice de Bolsonaro.

No Nordeste, Lula tem 48% dos votos, contra 10% de Bolsonaro. O ponto fraco de Lula é o Sul, onde ele tem 15%, contra 23% de Bolsonaro. No Sudeste, Lula tem 23%, contra os mesmos 23% de Bolsonaro.


Ciro tem uma base eleitoral de 7% a 10%, que parece ser independente da presença ou não do ex-presidente ou de algum de seus substitutos.

No cenário sem Lula, o pedetista lidera no Nordeste, com 19%, contra 14% de Bolsonaro e Marina.

Bolsonaro mostra disparidade bastante alta no quesito gênero, com 29% entre homens e 18% entre mulheres. Ele tem uma força concentrada também entre eleitores evangélicos, entre os quais ele tem 32%, contra 19% entre católicos.


Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Bancário visitou o triplex atribuído a Lula e tirou fotos que comprovam a farsa

Manuel Meneses
O bancário aposentado Manuel Meneses, de Salvador, Bahia, fez o que a velha imprensa deveria ter feito: visitou o triplex que Sergio Moro atribui a Lula antes que ele fosse vendido e fez registros em fotos e vídeos. A conclusão dele e de qualquer pessoa honesta que veja as fotos é: o triplex não teve nenhuma reforma digna desse nome.

Manuel Meneses não é filiado a partido político, mas sempre aparece em causas de interesse público na sua região. Também é um homem antenado com as questões de seu tempo. Acaba de voltar de uma viagem à África, onde conheceu pessoas e monumentos que ajudam a contar a história de Nélson Mandela.

Manuel não é rico, se aposentou como funcionário da Caixa, é formado em Direito e Psicologia e aplica seu dinheiro com expedições de interesse histórico. Foi o que viu no caso do triplex e apresentou-se ao leiloeiro como um interessado na compra do imóvel. Fez o depósito de R$ 1.000,00 (reembolsado) e marcou uma visita, às vésperas do encerramento do pregão ordenado pelo juiz Sergio Moro.

Pegou um avião em sua cidade, desceu no aeroporto de Guarulhos. Foi de ônibus até o Guarujá e, na rodoviária, pegou um táxi até o triplex. Para não ter despesa com hotel, marcou a passagem de volta para o mesmo dia. Ao chegar ao triplex, teve que esperar algumas horas porque, apesar do agendamento, não havia ninguém para recebê-lo e abrir a porta do apartamento.

“Eu soube que ninguém tinha visitado o triplex, não havia nenhum interessado. O funcionário do leiloeiro abriu a porta e me deixou sozinho no apartamento. Eu tive tempo para olhar à vontade e vi que não era nada daquilo que a imprensa escrevia, sem mostrar, apenas dizia o que os procuradores falavam. Uma farsa”, afirma.

Para começar, o elevador. “Quando se falava em elevador privativo, imaginava que fosse algo que levasse da garagem ao apartamento, mas não. É um elevador que leva de um piso a outro no tal triplex, como esses elevadores para cadeirante. Uma coisa mixuruca, que não custa muito”, disse.

“Vi ainda que o piso que teria sido trocado não é porcelanato de primeira linha, é um piso de segunda linha. Não é o pior, mas também não é o de primeira linha. Fiquei pensando: um ex-presidente pode morar num lugar mais bem arrumado”, destacou. Se a reforma era propina, pensou Manuel, Lula teria que ser o corrupto mais sem-vergonha do planeta.

”Deixaria roubar a Petrobras em troca de algo assim? Não faz sentido”, disse.

Viu ainda no apartamento um fogão velho, uma geladeira, um escritório improvisado, beliches, uma piscina com tamanho de uma banheira — “duas braçadas e você chega de uma ponta a outra”.

Também ficou escandalizado com os armários embutidos. “Tudo madeira compensada, MDF, algo assim, uma porcaria, um “Minha Casa, Minha Vida”, com todo respeito por quem mora no “Minha Casa, Minha Vida”, mas Lula, por ser um líder mundial, poderia ter algo melhor, ainda mais em se tratando, como diz o juiz Moro, propina em troca de contratos milionários da Petrobras. Não faz sentido”, disse ele, com ênfase na expressão “Não faz sentido”.

Para não ter dúvida de que seus olhos não o estavam enganando, soube que havia outro apartamento à venda no condomínio e pediu para ver. Não é um triplex, mas permite concluir, quando comparados, que recebeu reforma. A cozinha tem pastilhas em vermelho e preto, os quartos, com camas, foram decorados. A varanda tem vidros blindex — no triplex da OAS, que Moro atribuiu a Lula, os vidros da varanda são comuns, assim como as estruturas de alumínio.

“Aquilo sim era reforma. O apartamento estava um brinco, muito superior ao que o juiz Moro atribuiu ao ex-presidente da república”, comentou.

Manuel também constatou que o prédio construído pela OAS é simples, com uma academia de ginástica modesta e uma piscina coletiva pequena, que não oferece nenhuma privacidade. Com a popularidade que tem, Lula jamais poderia frequentar um lugar assim.

Manuel voltou para Salvador convicto da farsa e de que não haveria lance para o leilão. “Aquilo não vale 2,2 milhão de reais”, pensou.

Ficou surpreso quando uma pessoa o arrematou e achou estranho. Quando soube que o imóvel tinha sido comprado por um sócio do primo de Geraldo Alckmin, candidato a presidente pelo PSDB, viu a luz amarela acender.

O comprador, citado em escândalos de corrupção em Brasília e dono de uma offshore que aparece no caso de lavagem internacional de dinheiro Panamá Papers, é Fernando Costa Gontijo, proprietário do Jornal de Brasília.

“Quem comprou pode fazer uma reforma de verdade e fazer desaparecer os vestígios da farsa. Por que alguém compraria o imóvel por um valor superior ao que vale? Não faz sentido, a menos que haja outros interesses”, disse.

Pelo sim, pelo não, ficou ainda mas satisfeito por ter feito o registro fotográfico do triplex atribuído ao Lula.

“O mundo precisa saber que tudo o que foi noticiado pela imprensa é farsa, processo do triplex é farsa. Realizei o trabalho de jornalismo investigativo que o o grupo, que eu chamo GEIVEF – Globo, Época, IstoÉ, Veja, Estadão e Folha — não fez”.

Veja as fotos:


Agora veja três fotos de um apartamento reformado, no mesmo prédio, sem nenhuma relação com Lula. Não é nada luxuoso, mais muito mais apresentável, evidência de que houve de fato reforma:


As fotos de áreas comuns do condomínio: o elevador pequeno e simples, piscina devassável, vagas na garagem pequenas e apertadas e uma academia bem simples: Lula, por ter sido presidente da república, poderia ter algo melhor:


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bolsonaro ensina criança a imitar arma com as mãos

É esse aí que fascina os industriais...


Um vídeo do pré-candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, gravado em Goiânia nesta quinta-feira, mostra o aspirante ao Palácio do Planalto ensinando uma criança a fazer o gesto de uma arma com as mãos. O vídeo e as imagens geraram polêmica nas redes sociais. Em cima de um carro de som, enquanto discursava a simpatizantes, Bolsonaro segura no colo uma menina e a auxilia, com um largo sorriso no rosto, a usar os dedos polegar e indicador para simular que segurava uma arma em suas mãos. Em seguida, ele também faz o gesto.

(...)


(Reprodução)
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Entranhas da Lava Jato-PR: perseguições e manipulações


No bojo de um novo processo – o segundo pelo mesmo motivo – que o Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR) move contra o delegado federal Mario Renato Fanton, o ex-deputado André Vargas Ilário revelou parte dos métodos — nada republicanos — utilizados pela chamada “República de Curitiba”. Foram apenas alguns exemplos, mas juntando todos os fatos é o suficiente para pôr em xeque o respeito ao devido processo legal e à isonomia da Força Tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. Aos amigos e correligionários, o esquecimento. Aos “inimigos” nem sempre o respeito às leis.


Trata-se da Ação de Improbidade Administrativa – Nº 5013291-52.2018.4.04.7000 -, na 1ª Vara Federal Cível de Curitiba, contra Fanton. Ele, em junho de 2015, confirmou que o grampo encontrado na cela do doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, foi posto pela própria Força Tarefa e estava ativado..


Esse novo processo foi ajuizado pelo procurador da República Alexandre Melz Nardes em 2 de abril. Tem por base as mesmas acusações consideradas inverídicas pelo juiz Marcos Josegrei, da 14ª Vara Federal Criminal, no processo criminal nº 5022885-27.2017.4.04.7000. A denúncia criminal, também da lavra de Nardes, foi por suposto vazamento de informações sigilosas em torno da investigação que Fanton presidia e resultou na famigerada “Operação Carne Fraca”.


Não satisfeito com a absolvição, em fevereiro de 2015, sentenciada pelo juiz Josegrei – “por falta de prova da existência do fato” -, Nardes recorreu. Não esperou o julgamento pela primeira Turma Recursal e entrou com a Ação de Improbidade. Em consequência, o delegado que é perseguido pelos colegas, poderá responder na área cível mesmo absolvido em duas instâncias na criminal.


A rejeição ao recurso criminal ocorreu no último dia 4 de julho, três meses depois da apresentação da acusação de Improbidade. Esta, por sua vez, está na fase inicial e pode nem ter continuidade se a juíza Thais Sampaio da Silva Machado entender que a absolvição criminal inviabiliza a ação cível, como sustenta a defesa do delegado.


A insistência em tentar punir Fanton por um vazamento que Josegrei e a Turma Recursal concluíram não ter ocorrido, coloca o procurador Nardes no grupo que persegue Fanton. Grupo, que como descreve a defesa, é capitaneado pelo delegado Igor Romário de Paulo, coordenador da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR) da Superintendência Regional do Departamento de Policia Federal do Paraná (SR/DPF/PR) e, como tal, chefe da Força Tarefa da Lava Jato no Paraná.


Lotado em Bauru (SP), Fanton, em 2015, esteve por alguns meses em Curitiba. Tempo suficiente para provocar uma reviravolta na sua vida. Como mostra o quadro acima, desde que confirmou que o grampo na cela de Youssef foi colocado pela Equipe da Lava Jato e denunciou uma sindicância falsa que objetivou negar o funcionamento daquela escuta clandestina e ilegal, foi alvo em sete procedimentos diferentes. Para desgosto de seus “inimigos” tem se saído bem em todos eles, provando a lisura de seus gesto e atos.


A perseguição a Fanton, por si só, demonstra a ânsia de vingança que domina a “República de Curitiba” àqueles que não rezam pela mesma cartilha da Força Tarefa paranaense. Ocorreu também com o delegado Paulo Renato Herrera, classificado de “dissidente” pelos colegas. Se repete em ações movidas contra jornalistas, como as movidas contra esse Blog, ações contra Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, entre outros. Só que, no caso de Fanton, ela gera um resultado não imaginado pelos “perseguidores”.


Nestes procedimentos abertos contra o delegado de Bauru estão sendo reavivadas denúncias de ilegalidades da Força Tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. São casos que, por conveniência, complacência ou mesmo incompetência, deixaram de ser explorados pelas defesas das “vítimas” de tais métodos. Independentemente destas “vítimas” terem ou não culpa no cartório pelos crimes que foram denunciadas. Reavivar tais fatos, por óbvio, não agrada aos membros da Força Tarefa.

Advogados relembram os vazamentos e questionam: 
Como ficará a imagem e a honra deste cidadão?

Como aconteceu na Ação Criminal já julgada, ocorre nesta Ação de Improbidade. Na defesa prévia (veja íntegra abaixo) apresentada pelos advogados do delegado – Michel David Asckar, seu sogro, Elioena Asckar Fanton, sua esposa, e Eduardo David Asckar, seu cunhado -, de forma a contextualizar a perseguição ao delegado, são relembradas histórias como a do grampo ilegal na cela de Youssef; um segundo grampo ilegal no fumódromo da SR/DPF/PR; a sindicância falsa presidida pelo delegado Maurício Moscardi Grillo; e a denunciação caluniosa feita pelos delegados da Força Tarefa contra os chamados “dissidentes da Lava Jato”, resultando no Inquérito 737 que também foi arquivado pelo juiz Josegrei.


Os advogados também mostraram outra prática comum à Lava Jato: o vazamento de informações. Fanton foi vítima deles algumas vezes.


Um deles em agosto de 2015, quando o procurador da República, Daniel Holzmann Coimbra, também do MPF-PR, denunciou-o, juntamente com o Agente de Polícia Federal (APF) Dalmey Fernando Werlang, por injúria, calúnia e difamação, a pedido dos delegados da Lava Jato.


Foi mais uma retaliação direta contra os dois por conta da revelação da história do grampo que desmentiu a versão apresentada pela Superintendência de que ele estava desativado. O próprio APF Dalmey confessou a Fanton a instalação e o recolhimento dos áudios gravados, entregues ao delegado Marcio Anselmo Adriano e/ou delegada Erika Mialik Marena, ambos à frente da Força Tarefa. Posteriormente, a perícia do DPF conseguiu recuperar 260 horas de gravações do grampo que a SR/DPF/PR sustentava estar desativado. Áudios que jamais vieram a público.


A denúncia contra os dois consta da primeira reportagem que fizemos sobre a Operação, em agosto de 2015 – Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR .


Nela noticiamos: (a ação) “protocolada eletronicamente no feriado de 11 de agosto, já surgiu envolta em um mistério. Ela veio a público a partir de um vazamento – mais um – para o jornal O Estado de S. Paulo que no domingo (16/08) postou em seu site fotos do documento. Como o procurador saiu de férias sem autorizar a sua divulgação – nem a assessoria de imprensa da Procuradoria o localizou – não se consegue acesso ao inteiro teor do documento”.


O processo acabou rejeitado pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal para onde o caso foi distribuído. Aqui noticiamos em Calúnia na PF-PR: juiz rejeita denúncia e critica MPF*.

Acusação pelos delegados que Fanton denunciou

Um novo vazamento ocorreu em maio de 2017, na denúncia criminal do procurador Nardes, junto à 14ª Vara Federal. Logo após ser ajuizada, apesar de o inquérito correr em segredo de justiça – como frisaram os defensores do delegado – ela estava estampada nas páginas de jornais e sites. No caso, como os advogados também lembram, houve a absolvição, mas a pecha de vazador já tinha circulado, levando-os a questionarem:
“Agora vemos que o requerido foi absolvido em primeira e segunda instância criminal e perguntamos: Como ficará a imagem e a honra deste cidadão que foi acusado na imprensa de violador de sigilo para Deputado do PT preso na “lava jato” como se inimigo da operação fosse?

Como fica a imagem e a honra de um servidor público que despendeu sua vida e a vida de sua família em lotações nos quatro cantos do Brasil para perseguir seu sonho de firmar numa carreira pública respeitável?”
Não bastassem tais rememorações, a defesa de Fanton carreou aos autos o depoimento do ex-deputado André Luiz Vargas Ilíada, que testemunhou a seu favor na ação criminal.


A acusação era de que Fanton, ao efetivar a prisão preventiva de Vargas decretada pela Lava Jato, em 10 de abril de 2015, teria revelado ao preso informações de uma investigação. Teria ocorrido no carro, no trajeto entre Londrina (PR) e Curitiba.

Os delegados Igor (alto esq.) Moscardi (dir.) e Rosalvo (baixo esq.) são 
apontados como responsáveis pelo Inquérito aberto a partir de uma 
falsa denúncia.

Fanton, então, presidia o inquérito 136/2015, depois repassado para o delegado Maurício Moscardi Grillo. Era o IPL que gerou, sete meses depois, a criticada Operação Carne Fraca. A defesa do delegado de Bauru sustenta – no que foi confirmada pelo ex-deputado -, que ele apenas o sondou genericamente sobre pessoas de Londrina que estavam sendo averiguadas e eram conhecidas do político. Queria arrolá-lo como testemunha. Não revelou fato sigiloso. Tampouco obteve informações relevantes.


A retaliação fica evidente a começar pelas datas dos fatos. Na verdade, Fanton foi acusado de vazar informações em dois momentos diferentes. Primeiro, teria sido ao doleiro Adir Assad, ao prendê-lo, também pela Lava Jato, em 16 de março de 2015; depois, durante a prisão de Vargas, em 10 de abril. Seus acusadores, os agentes da Polícia Federal Wiligton Gabriel Pereira e Mario Nunes Guimarães Júnior, sequer apresentaram uma justificativa para que o delegado repassasse informações a um doleiro de São Paulo. Mas a história foi levada adiante.


O Inquérito Policial nº 1162/2015 para apurar esses supostos vazamentos foi aberto em 18 de maio de 2015 por iniciativa dos delegados Igor Romário, Maurício Grillo e Rosalvo Ferreira Franco, então superintendente da SR/DPF/PR, hoje aposentado.


O que chama a atenção é que os supostos vazamentos teriam ocorrido em 16 de março (na condução de Assad de São Paulo para Curitiba) e em 10 de abril, no caminho de Londrina para Curitiba. Ambas as viagens de carro. O IPL só foi ser aberto em 18 de maio (60 dias após o primeiro crime denunciado e mais de 30 depois do segundo).

Revelações em um carro onde não estavam

Entre os três fatos, porém, outro acontecimento se destacou. No domingo, 3 de maio, o APF Dalmey foi oficialmente inquirido por Fanton sobre o grampo ilegal, cuja instalação assumiu ter feito, no dia em que começou a Operação Lava Jato – 17 de março de 2014 – na cela a ser ocupada pelo doleiro Alberto Youssef.


A ordem partiu, segundo Dalmey revelou no depoimento, do delegado Igor de Paulo. Foi dada na presença dos delegados Rosalvo e Marcio Adriano Anselmo.


Um dia depois desta confissão, 4 de maio, com o depoimento debaixo do braço, Fanton foi para Brasília. Relatou à Corregedoria do DPF o que ouviu e registrou: a instalação do grampo e a falsa sindicância presidida pelo delegado Moscardi e encobertada pelos demais delegados da cúpula da SR/DPF/PR.


O IPL 1162/2015, sobre fatos ocorridos e relatados em março e abril, surgiu, portanto, duas semanas depois da viagem de Fanton. Àquela altura as revelações de Dalmey já eram conhecidas e caíram como uma bomba junto à cúpula da Força Tarefa da Lava Jato. Temia-se uma possível anulação de toda a Operação. Motivos não faltavam. Mas não aconteceu.


Outra questão sobressai provando a “armação”. Apesar de, teoricamente, ter sido informado nos dias das referidas prisões – 16 de março e 10 de abril – que o delegado Fanton teria vazado segredo da investigação que resultou na Operação Carne Fraca, o coordenador de Combate ao Crime Organizado em Curitiba, Igor de Paulo, nada fez. Deixou-o presidindo o inquérito até o início de maio, quando foi devolvido à Bauru por conta das irregularidades na Lava Jato que descobriu e relatou. Na defesa preliminar apresentada na Vara Cível seus advogados argumentam:
Não é lógico, razoável e legalmente permitido que os delegados que noticiaram o requerido o deixassem na presidência do inquérito da “Carne Fraca” por mais de dois meses depois de saber que o mesmo vinha violando seu sigilo para terceiros que encontrava pela frente“.
Se isso só não bastasse, como ficou provado no IPL 1162 e em juízo, nem Fanton, nem o Agente de Polícia Federal Gabriel Pereira – um dos dois acusadores do delegado – viajaram de São Paulo para Curitiba no mesmo carro que o doleiro Assad. Por óbvio, as revelações que Gabriel e o agente Mario Nunes alegam que o delegado fez no percurso de carro ao então preso, jamais poderiam ter ocorrido. Afinal, estavam em carros diferentes.


Tais fatos, por si só caracterizam, como denunciam os advogados de Fanton, uma denunciação caluniosa dos dois agentes e dos delegados que instalaram o IPL. A defesa do delgado, na peça apresentada na 1ª Vara Cível, registra:
Justamente os mesmos delegados acusados de mandar instalar uma interceptação ambiental na cela dos presos da “Lava Jato” e fraudar uma sindicância para encobrir o ilícito, deram causa a um inquérito policial contra o delegado que os denunciou (…) Tal fato, pelo visto, deveria ficar “escondido”, pois os crimes públicos são somente os dos políticos brasileiros. Crimes funcionais de quem apura a corrupção possuem sigilo absoluto e inimputabilidade
A má-fé dos dois policias denunciantes ficou evidente em outro ponto destacado pelo próprio juiz na absolvição ao delegado, referindo-se ao agente Gabriel: “Registre-se, exemplificativamente, ter aduzido que o réu teria mencionado ao preso a existência de interceptação telefônica. Contudo, esta medida foi autorizada no bojo da investigação da Operação Carne Fraca pela primeira vez em 21/01/2016 (evento 12 dos autos 5062179-57.2015.4.04.7000), ou seja, após a data dos fatos objeto desta denúncia (10/04/2015).” Na realidade, quase nove meses depois.


Mas o possível crime de “denunciação caluniosa” foi relegado pelo procurador da República, Nardes, mesmo após a acusação ter virado letra morta no processo criminal. Antes pelo contrário, ele decidiu instaurar a Ação de Improbidade Administrativa contra Fanton, já inocentado criminalmente. Sobre o comportamento do procurador os advogados registraram:
A questão é séria e preocupante porque ficou evidente que o Procurador da República ALEXANDRE MELZ NARDES fechou os olhos para detalhes criminosos importantíssimos referentes aos Delegados noticitantes e as testemunhas incriminadoras arroladas pelos mesmos. Sem sombra de dúvidas, seria o caso de condenação dos tais por denunciação caluniosa e falso testemunho”. (grifo do original)

André Vargas: “Me senti usado… não foi natural… foi algo fora da curva”

O depoimento de Vargas na ação criminal trouxe mais revelações da “forçada de barra” para incriminar Fanton. Ele foi a juízo em novembro de 2017. Estava, como disse, há 31 meses cumprindo prisão preventiva – “a mais longa da Lava Jato” (*). Contou ter sido levado para depor no caso do delegado que o prendeu inesperadamente. Saiu da cela sem saber o que queriam dele. Pensou que fossem colher informações ou sobre os seus casos ou mesmo sobre o caso dos fiscais do Ministério da Agricultura: ‘Aliás, quando me chamaram eu achei que era para tomar esse… exatamente verificar se tinha alguma informação”. Não foi o que aconteceu.


Sequer sua advogada foi comunicada. Ao final, se sentiu “usado” em “alguma desavença interna”. Preso há alguns dias, ficava 22 horas em uma cela, por isso confessou que estava “absolutamente fragilizado”, como registrado no vídeo abaixo:



O delegado que tomou seu depoimento foi Severino Moreira da Silva. Era da relação e confiança do então superintendente, Rosalvo Franco. Tanto que foi escolhido a dedo por ele quando a Superintendência foi instada, por Brasília, a instaurar, no final de 2015, um inquérito para apurar vazamentos de informações pela Lava Jato. Os mesmos vazamentos que recentemente os procuradores do MPF-PR, em nota, negaram existir.

A investigação destes vazamentos foi cobrada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal após tecerem fortes críticas à prática, inclusive o relator da Lava Jato à época, Teori Zavascki, falecido em janeiro de 2017. Era uma investigação que deveria ser coordenada pelo DPF em Brasília, mas o então diretor-geral da instituição, Leandro Daiello, delegou-a à superintendência onde o fato ocorreu, como o Blog noticiou em Lava Jato: DPF delega investigação do vazamento. Do resultado de tal investigação – como de resto, da maioria das denúncias feitas contra a Força Tarefa – jamais se ouviu falar.

No caso de Fanton, Moreira, conforme o relato de André Vargas, tentou induzir seu depoimento. Segundo Vargas disse ao juiz Josegrei, não viu “boa-fé” nas perguntas. Inclusive na tentativa de incluir o juiz Moro no caso, nome que jamais fora citado. Nem na conversa de 40 minutos entre preso e delegado, no percurso da sua casa, em Londrina, e a Superintendência, em Curitiba, tampouco nas delações feitas pelos agentes Gabriel e Mario Nunes. Do nada, o delegado Severino questionou sobre imaginária promessa de interceder por Vargas junto ao juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.



Como registraram os advogados na defesa prévia apresentada em juízo, Vargas relatou ao juiz Josegrei que se “sentiu coagido pelo Delegado do feito (SEVERINO MOREIRA) a incriminar o Delegado MÁRIO FANTON com afirmações preconcebidas para simplesmente dizer SIM ou NÃO. Ele notou que havia algo de errado e era no sentido de prejudicar o Delegado MÁRIO FANTON, pois sua advogada foi até impedida de assistir a audiência“. (grifo do original)


Entre o que o ex-deputado disse em juízo e o que consta do depoimento registrado pelo delegado Severino há nítida diferenças.

Transcrição (editada) de trechos do depoimento que 
André Vargas não assinou na Polícia Federal.

Pelo confronto do que disse como testemunha na ação criminal e o que foi tomado a termo pelo delegado, há trechos que não corresponderiam ao que descreveu. Tanto assim que não assinou o termo, como mostra a reprodução do documento ao lado.

Neste termo de declaração o envolvimento de Moro no caso foi colocado de forma negativa. O delegado Severino registrou que não houve promessa de pedir ao juiz da Lava Jato benefício para o ex-deputado.


O estranho é que jamais se falou do juiz. Quem levantou a questão, segundo Vargas, foi o próprio delegado. Foi um assunto não tratado na conversa no dia de sua prisão. Um tema não abordado. Até porque, na conversa no carro, Vargas sempre disse que não tinha o que informar a Fanton sobre o trabalho das fiscais do Ministério da Agricultura, área onde não exercia qualquer influência. Como explicou ao juiz, a Agricultura, no Paraná, era do domínio do senador Roberto Requião, do PMDB, com quem tinha sérias e públicas divergências.


Ainda assim, o delegado Severino registrou sobre o “tema não abordado”: “Sendo que o DPF Fanton não fez nenhuma proposta de conversar com o Juiz Sérgio Moro, visando informá-lo sobre uma eventual colaboração do declarante relativamente aos fatos citados”


Em juízo, Vargas, fugindo da tentação de fazer “juízo de lavores”, insistiu que se sentiu no meio de “alguma desavença interna”, como afirmou inicialmente. Em um segundo momento, não a repetiu, mas deixou a questão no ar. Ele diz ter notado que era algo contra o delegado Fanton. Não escondeu que o delegado Severino lhe fazia perguntas dirigidas, “no sentido de induzir para que eu afirmasse essa… essa… nessa linha”:


“Então eu senti, lógico, senão teriam avisado à minha advogada porque é a coisa mais natural… você vai ouvir alguém… ainda mais alguém preso, que já está respondendo, é…, mas tudo  bem eu não posso fazer julgamento de valor, mas realmente eu não tinha claro nem o objetivo e não estava acompanhado da minha advogada”.



Cobrado pela defesa do delegado sobre suas impressões no depoimento prestado ao delegado, resumiu: “no âmbito daquele depoimento, realmente foi algo fora da curva”.



Foi o próprio juiz Josegrei quem insistiu para que Vargas explicasse os motivos que o levaram a não assinar o depoimento dado ao delegado Severino. Ao responder, voltou a falar que se sentiu “usado”. Insistiu na questão da ausência da advogada e registrou que após ela chegar e protestar por não ter sido avisada – “teve uma discussão que não foi uma discussão tranquila, com o delegado” – Severino encerrou o depoimento: “Não tinha mais perguntas a fazer”. 


Nessa sua explicação, com a ajuda do juiz, recorreu ao filósofo espanhol Ortega y Gasset: “como disse um filósofo, “nós somos nós e as nossas circunstâncias”, e as minhas circunstâncias eram desfavoráveis, eram emocionalmente desequilibradas”. Ao final, reprisou a questão da inclusão do nome de Moro na história:


“Veja, eu acho que esse fato aí do Sérgio Moro e tal é absolutamente algo desconexo.”



(*) Embora tenha dito que estava em prisão preventiva há 31 meses, André Vargas, em novembro de 2017 já acumulava duas condenações, ambas sentenciadas pelo juiz Moro e uma delas confirmada em segunda instância. No processo 5023121-47.2015.4.04.7000/PR ele foi condenado, por corrupção e lavagem de dinheiro a 14 anos e 4 meses de prisão. Em maio de 2017 o TRF-4 confirmou a sentença, mas reduziu a pena para 13 anos, 10 meses e 24 dias de reclusão. No segundo processo 5029737-38.2015.4.04.7000/PR, Moro o condenou por lavagem de dinheiro a  4 anos e 6 meses de prisão. Na quarta-feira (18/07/18) o TRF-4, por dois votos a um (vencido o desembargador João Pedro Gebran Neto) o absolveu desta pena. Há ainda um terceiro processo – 5056996-71.2016.404.7000 – em que é acusado por lavagem de dinheiro que se encontra concluso com o juiz Moro para sentença.

Marcelo Auler
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Grande aliança golpista fecha com Alckmin para deixar tudo como está

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/07/20/grande-alianca-do-golpe-fecha-com-alckmin-para-deixar-tudo-como-esta/

Só o MDB, quem diria, ficou de fora - por enquanto, claro.

Todo o resto, tirante os partidos de esquerda, fechou com o tucano Geraldo Alckmin como candidato único do “centro”, o novo nome da direita brasileira.

Numa verdadeira “blitzkrieg” na quinta-feira, a grande aliança golpista do impeachment encontrou finalmente seu candidato, que vinha capengando nas pesquisas, e agora vai ter 40% de todo o tempo de TV na propaganda eleitoral.

O mercado comemora, a Bolsa deve subir e o dólar cair, após a guinada do poderoso “Centrão”, formado por Eduardo Cunha para derrubar Dilma Rousseff em 2016, e colocar Michel Temer em seu lugar, “com Supremo e tudo”.

A fina flor dos partidos fisiológicos de direita deu uma solene banana para Ciro Gomes, que os cortejava e, comandados por Valdemar Costa Neto, o Boy, dono do PR e condenado no mensalão, seus caciques foram todos unidos para o ninho tucano.

Valdemar foi o fiel da balança e indicou o vice de Alckmin, o empresário Josué Gomes, filho de José Alencar, vice de Lula nos dois mandatos do petista, e que também era cobiçado por Ciro.

De uma hora para outra, na semana em que começam as convenções partidárias para oficializar as candidaturas, o quadro clareou.

Se tudo der certo na estratégia do establishment, Alckmin será o ungido nas urnas para deixar tudo como está e depois ver como fica.

Para isso, o ex-governador paulista terá que entregar os dedos e os anéis ao “Centrão”, que comandará o Congresso, e manter as reformas da “Ponte para o Futuro” e todo o “legado” de Temer.

Diante da resiliência do explosivo Jair Bolsonaro, o candidato militar da extrema direita apoiado por parte da elite empresarial, Geraldo Alckmin se tornou o mal menor para a oligarquia, uma forma de manter o poder sem correr maiores riscos de mudanças bruscas.

Agora isolado e sem alianças, a Ciro Gomes, cuja candidatura foi oficialmente lançada na convenção do PDT nesta sexta-feira, só restará procurar abrigo na esquerda, onde tudo continua indefinido e congestionado à espera de uma decisão de Lula.

Sem o risco Bolsonaro, que também não fechou alianças e só tem 8 segundos na TV,  o mais provável neste momento é a ida de Alckmin para o segundo turno representando o “status quo”.

Ciro terá que disputar a outra vaga com o candidato indicado por Lula e não é improvável que se repita a disputa entre PSDB e PT, como tem acontecido nos últimos 25 anos.

Roda, roda, roda, e voltamos ao ponto de partida, sem grandes novidades no ano que seria o da grande renovação da política pós- Lava Jato.

Os candidatos inventados correram da raia e restaram os mesmos de sempre. De novo mesmo, só a patética figura de Henrique Meirelles, o candidato de Temer, que não passa de 1% nas pesquisas, mas insiste em conitnuar na disputa.

É bom não esquecer que tempo de TV ajuda, mas nem sempre decide: em 1989, quem tinha um latifúndio no programa eleitoral era Ulysses Guimarães, do velho PMDB, presidente da Constituinte e comandante das Diretas Já, que foi abandonado no meio do caminho e ficou com votação de nanico.

No fim, quem venceu foi Fernando Collor, o “caçador de marajás”, um “outsider” como é Jair Bolsonaro agora, mas acho que esse risco já não corremos mais.

A direita se uniu e a esquerda continua dividida. É o que temos para o momento.

Assim termina a semana, a menos de três meses das eleições.

E vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Símbolos

Deu confusão, nos Estados Unidos, a decisão de jogadores negros do “football” lá deles de não ficarem eretos – e muito menos com a mão sobre o coração – quando tocava o hino nacional antes dos jogos, na temporada passada. Os jogadores se ajoelhavam durante o hino, em sinal de protesto contra nada muito específico, além das agruras e injustiças, históricas e atuais, sofridas pela comunidade afro-americana. Anos atrás, numa Olimpíada, dois atletas negros americanos, na hora de receberem suas medalhas, ergueram os punhos desafiadoramente, numa saudação ao movimento “black power” que crescia nos Estados Unidos. Os dois foram criticados por ignorar a determinação de não misturar política com esporte e contrariar o “espírito olímpico”. Não apareceu muita gente disposta a defendê-los.

Entre o protesto naquela Olimpíada e os jogadores ajoelhados contra o hino muita coisa mudou, para melhor, nas relações raciais americanas, mas muita coisa continua igual. É contra essa persistência que cresce a revolta. Os donos de clubes não sabem como lidar com o problema. Não podem obrigar seus enormes e bem pagos atletas a respeitar os símbolos da pátria como crianças numa escola.

O presidente Trump, que mal disfarça seu racismo, já chamou os ajoelhadores de traidores. Nos jogos, a grande maioria do público vaia os rebeldes, antes de começar a torcer por eles no jogo.

Não passou despercebida a imagem de três ou quatro jogadores negros da França, depois do jogo final, correndo no campo com bandeiras francesas desfraldadas. Muitos jogadores da França são filhos de imigrantes, outros nasceram em ex-colônias francesas, com razões de sobra para ver na bandeira tricolor um símbolo do imperialismo e da discriminação que ainda sofrem num país com pecados racistas no seu passado. Mas a maioria viu na bandeira um símbolo de integração, e uma resposta a gente como Le Pen, que sempre disse que a seleção da França precisava de um branqueamento para dar certo.

E o Brasil? Nosso único problema com os símbolos da pátria é que nenhuma banda ainda se deu conta que o hino brasileiro tem duas partes.

Luís Fernando Veríssimo
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A TV pode salvar Alckmin?


A rigor, a pergunda do título passa a ser a grande esperança da direita brasileira.

Mas ela depende de outros fatores, além do latifúndio de tempo que o insosso candidato tucano vai dispor nos horários eleitorais.

O primeiro – e óbvio – é que os agentes judiciais do golpe consigam fórmulas e manobras políticas que mantenham Lula reduzido não apenas a não ser candidato mas a comunicar-se exclusivamente por bilhetes e cartas, ou “traduzido” por visitantes limitados.

Mas há outras variáveis importantes.

A mais decisiva é o quanto Henrique Meirelles o pode proteger de ser “o candidato do Temer”, ainda mais depois que o “centrão” recebeu do ocupante do Planalto o mais descarado empurrão na direção do tucano.

Está evidente que Meirelles é um “candidato decorativo”, o que não se sabe é o quanto o é por consentimento próprio.

Trata-se, também, de o quão bem sucedidos serão os esforços para “desinflar” Jair Bolsonaro. Mesmo sem TV – o seu tempo dá para fazer, quando muito, um “Meu nome é Jair” e algum gesto simbólico de sua cruzada armamentista. Não descreia que nessa tarefa as pesquisas não ajudem o plano.

Há, ainda, problemas regionais de complicada solução, porque o ônibus de candidatos ficará lotado e a turma do Centrão vai cobrar caro pelo presente televisivo a Alckmin.

E, afinal, a maior de todas as questões: o que pode escolher Geraldo Alckmin para ser o significado de sua candidatura.

O “preparado para O Brasil”, slogan com que “vende” sua candidatura é, já se viu, fraco demais. Experiência pode ser um atributo desejável, mas reforça apenas o “paulistismo” do candidato, chovendo no molhado.

Depois, em que suas propostas se diferenciam do que temos com Temer: corte de gastos, perda de direitos trabalhistas, privatização, venda das empresas brasileiras?

Alckmin é carente do que mais mobiliza o eleitor brasileiro hoje: que o país volte a viver um tempo de prosperidade e autoestima.

E ele desperta tanto apetite quanto um prato de chuchu.

Que não dá água na boca nem mostrado com as cores da TV, fumegante e decorado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Centrão não é centrão. É direitão!

Quem disse que tempo de tevê ganha eleição?


Diz a "Fel-lha! que "Centrão desiste de Ciro Gomes, apoia Alckmin e dá fôlego eleitoral a tucano".
"Cúpulas do DEM, PP (o partido mais corrupto do Brasil - PHA), PR (do Valdemar Costa Neto - precisa desenhar? - PHA) SD (do Pauzinho do Dantas - PHA) e PRB levarão acordo para diretórios estaduais antes do anúncio oficial"
Com isso, o tempo de tevê do santo do Alckmin passa de 1 minuto e 18 segundos para 4 minutos e meio, quase 40% de toda a fatia da disputa.

O PT tem 1 minuto e 31 segundos e Ciro, 28 segundos.

O Centrão foi para onde deveria estar: na Direita.

A rigor, sua trajetória o levará, com a cúpula da Confederação Nacional da Indústria - leia "Bolsonaro vai ganhar. Desunidos perderemos" -, cedo ou tarde, para o colo do Bolsonaro.

Alckmin pode ter 24 horas de tempo de tevê.

Que não se livrará da marca do PSDB: um partido historicamente corrupto, agora exposto pelas roubalheiras do Careca, o maior dos ladrões, do Mineirinho e desse cunhado que é uma fera.

E quem disse que o tempo de tevê vai decidir a eleição?

Foi-se a era da super-produção dos marqueteiros endinheirados.

A tevê aberta tem a credibilidade do Galvinho, que vendeu uma seleção que não existia.

A eleição será decidida também por novos mecanismos que ainda se conhecerão.

Um deles são os 127 milhões de usuários de Facebook.

E mais os do Instagram, YouTube, etc., etc., etc.

Essa eleição é sem precedentes em muitos aspectos - a começar pela prisão do Lula...

Um deles será a forma de propaganda eleitoral.

De difusão da campanha - dos homens, mulheres e das ideias.

A Lava Jato não apenas prendeu o Lula.

Ela fez com que o Sol girasse em torno da Terra.

E Moro pagará por essa heresia.

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