13 de jul. de 2018

Neymar e as quedas do Brasil sob o olhar estrangeiro

As simulações do camisa 10 da seleção tornaram-se um fenômeno pop no mundo, mas não é apenas no futebol que o País é alvo de piadas

Em uma partida de veteranos em Wimbledon, o sueco Jonas Bjorkman rolou como Neymar
Nas redes sociais é comum ver brasileiros "defenderem" Neymar. "Só nós podemos falar mal dele", responderam muitos ao ator Matthew Lewis, da saga cinematográfica Harry Potter, que o chamou de "patético". Difícil é controlar o fenômeno pop mundial de piadas sobre as quedas em campo do camisa 10 da seleção. Seria capaz de ameaçar a indiscutível supremacia brasileira na produção humorística dos fatos cotidianos?

Jamais. As melhores piadas sobre o jogador ainda são nativas. Um alfabeto com diferentes quedas de Neymar, que revela poses constrangedoras do atleta de A a Z, foi organizado pelo designer gráfico Luciano Jacob, de Curitiba. Um viciante jogo brasileiro de celular e computador chamado "Neyboy" desafia-nos a manter o astro de pé, enquanto figuras como Messi e Cristiano Ronaldo tentam nos atrapalhar na difícil missão. 

Embora quem melhor fale mal de Neymar ainda sejam os brasileiros, os estrangeiros assimilaram a piada em suas rotinas. Durante um jogo de exibição de atletas veteranos em Wimbledon, palco do mais famoso Grand Slam de tênis, o sueco Jonas Bjorkman levou uma bolada do companheiro Todd Woodbridge.


Após alguns segundos, caiu no chão e rolou da mesma forma que o jogador brasileiro na partida contra a Sérvia. O adversário iraniano Mansour Bahrami foi "chamado às pressas", conferiu que a "vítima" estava sem pulso e passou a realizar uma respiração boca a boca em Bjorkman, para delírio do público inglês. 

Na Inglaterra, as simulações de Neymar ganharam enorme projeção e sofreram críticas de diversos ex-jogadores e celebridades. Mas o fenômeno se espalhou pelo mundo.

No intervalo de um jogo amistoso entre o time mexicano Tijuana e o Club Sport Herediano, da Costa Rica, torcedores foram convidados a participar do desafio "Neymar". O vencedor era o primeiro a atravessar rolando a linha do meio de campo. Espalharam-se vídeos de crianças em escolinhas de futebol praticando a tática "Neymar" de cair assim que o nome do jogador é mencionado. Um francês questionou um repórter do SporTV se ele era brasileiro, para então desmoronar frente à câmera. Uma gozação sem fronteiras. 

O olhar cômico estrangeiro sobre o camisa 10 da seleção revela algo de trágico, assim como eram as piadas de quatro anos atrás sobre a goleada de  7 x 1 da Alemanha. Nos últimos anos, não foi apenas no futebol que o Brasil transmitiu algo de ridículo para o resto do mundo. O presidente Michel Temer, por exemplo, foi protagonista de diversos episódios recentes. 

Seu discurso sobre o Dia das Mulheres em 2017 foi alvo do comediante britânico John Oliver. Na ocasião, Temer afirmou que ninguém é mais capaz "de indicar mudanças nos preços dos supermercados que as mulheres". Ao comparar o discurso do emedebista com o de Vladimir Putin, governante de um país com profunda cultura misógina, o humorista afirmou que o russo era "modelo de sensibilidade" se comparado ao brasileiro. 

Durante as Olimpíadas realizadas no Rio de Janeiro, o comediante tripudiou do poema "Vermelho", de autoria de Temer. Ele levou a plateia aos risos apenas por declamar os versos traduzidos para o inglês. 

 A possível "presença" de fantasmas no Palácio do Alvorada relatada por Temer à revista Veja foi alvo de matéria irônica da revista norte-americana Time. A cruzada do emedebista contra blogs e páginas de humor que utilizaram imagens oficiais do presidente para criar memes foi o gancho para uma matéria do New York Times intitulada "o governo deles está no caos, brasileiros temem que a piada recaia sobre eles". 

Em meio à revelação de conversas nada republicanas entre Temer e o empresário Joesley Batista, a reportagem afirmava que a crise incentiva a tradição brasileira de misturar "a sátira e resignação existencial". 

O brasileiro realmente tem talento para brincar com as desgraças, como bem analisa o jornalista Philipp Lichterbeck, da alemã Deustche Welle, parceira de CartaCapital. No artigo "O humor indestrutível dos brasileiros", ele compara os locais à cena do filme A vida de Brian, da trupe satírica Monty Python. Crucificado, o protatagonista canta: "Sempre enxergue o lado bom da vida."

Por outro lado, o brasileiro costuma reagir negativamente quando é alvo de piadas no exterior. Ao sermos ridicularizados, por Neymar ou por Temer, sofremos com o bullying e somos obrigados a refletir sobre nossa relevância ou não para o resto do mundo. É também muito comum ver manifestações agressivas contra essas críticas, do tipo "os gringos não sabem de nada".  

A cada piada com alguns de nossos símbolos, somos obrigados a testemunhar a imagem arranhada do País no exterior, que vai muito além de notas de agências de risco. Com um governo pouco respeitado e uma bagunça institucional surpreendente para outros países, certamente não são apenas as simulações de Neymar que levam à queda da nossa reputação.

Miguel Martins
No CartaCapital
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Em três atos a justiça prova que Lula é um preso político


A semana que iniciou com a escandalosa batalha política em torno do habeas corpus que daria a liberdade merecida ao ex-presidente Lula e colocaria a corrida presidencial em pé de igualdade para todos os candidatos, termina, ironia das ironias, com outro habeas corpus.

Dessa vez plenamente acatado e absolutamente inquestionado, o merecedor do salvo conduto foi ninguém menos do que o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

De carona em outro habeas corpus, este por sua vez concedido ao quadrilheiro Eduardo Cunha pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello, Henrique Alves, que já gozava do benefício da prisão domiciliar, conseguiu a liberdade plena em função da morosidade da justiça para casos que, digamos, não tenham tanto apelo político.

Preso no dia 6 junho de 2017 por envolvimento em desvios na construção do estádio Arena das Dunas em Natal, Alves é acusado de participar do esquema que superfaturou a obra em cerca de R$ 77 milhões.

Esse valor, diga-se de passagem, daria para comprar quase 40 “tríplex do Lula”. Mas prioridades são prioridades.

Seja como for, foi por “excesso de prazo” de sua prisão preventiva que o juiz federal da 14ª Vara, Francisco Eduardo Guimarães Farias, concedeu a liberdade ao apenado.

É no mínimo curioso o fato de que uma vez o réu não sendo Lula, a mesma justiça que é ineficiente na conclusão de seus processos, seja proeminente em acatar os recursos de defesa de grandes personagens políticos da esfera antidemocrática brasileira.

Aqui é preciso deixar claro que a lentidão da justiça para investigar, processar e condenar Henrique Eduardo Alves não é de agora.

Pertencente a uma tradicional família política do estado, só para ilustrar, basta dizer que o rapaz ocupou uma cadeira na Câmara Federal por inacreditáveis 44 anos.

Sendo quem é, dá para se imaginar o que fez nessas mais de quatro décadas de atividade parlamentar atrelado ao mais fisiológico partido político desse país.

Se a rapidez com que a justiça agiu para tirar Lula da corrida presidencial fosse aplicada a esse sujeito, o cidadão não teria chegado sequer ao segundo mandato.

De uma forma ou de outra, o fato é que entre o habeas corpus cassado do ex-presidente e o habeas corpus cumprido em favor de Henrique Alves, ainda houve tempo para que a justiça do DF inocentasse Lula da acusação estapafúrdia, a partir de uma delação mentirosa, de obstrução da justiça.

Por mais que o juiz da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, Ricardo Leite, quisesse condenar o principal fator político dessas eleições, a falta de provas era tão gritante que o magistrado não se sentiu à vontade para descer ao submundo jurídico em que atua o juiz Sérgio Moro.

Baseado em delações que beiram a ficção científica, absolutamente nada corroborava para qualquer participação de Lula nos crimes dos quais foi acusado.

Chorada as pitangas, não restou outra saída ao mesmo juiz que apreendeu o passaporte do ex-presidente e mandou fechar o Instituto Lula a não ser inocentá-lo.

Só não é uma justiça completa porque para que assim fosse, sequer a denúncia teria sido aceita. Mas é, inquestionavelmente, mais uma prova do disparate judicial que é praticado na colônia de Curitiba.

Foi exatamente por essa mesma fraude processual que são as delações sem qualquer lastro de provas materiais, que Lula foi condenado, aprisionado e destituído do pleno gozo de seus direitos civis.

Estivéssemos tratando de um sistema judiciário justo e imparcial, o resultado do processo de Brasília contribuiria sobremaneira para a anulação de todo o processo de Curitiba que condenou Lula.

Como, obviamente, não é o caso, a boa notícia é que pela sequência dos atos da própria justiça brasileira, vai se tornando cada vez mais cristalino o caráter unicamente político da prisão do ex-presidente.

No ritmo desmoralizante que vai, o único final digno dessa grande encenação da tragédia nacional, seria Lula, da sua cadeira presidencial no Palácio do Planalto, assistir a derrocada última daquele que se autoproclamou seu arqui-inimigo.

O povo, aquele do qual emana todo poder, aplaudiria de pé.

Carlos Fernandes
No DCM
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Mino Carta comenta capa sobre Fernando Henrique Cardoso (FHC)




Mino Carta e a revista Carta Capital dessa semana publicam devastadora reportagem de Alceu Luís Castilho, também editor de "De olho nos ruralistas", de título:

"O príncipe canavieiro e sua corte - como FHC e seus filhos tornaram-se prósperos investidores do agronegócio, amparados pelo pecuarista Jovelino Mineiro e outros hóspedes da Casa Grande"

Tópicos imperdíveis:

• como a prefeitura de Botucatu promoveu uma "desapropriação amigável" de terras de FHC;

• vizinho de um canavial de FHC - o "Waldorf Aitiara" - fica a empresa de genética bovina de Jovelino;

• Jovelino é sócio de Emílio Odebrecht;

(Emílio delatou que fez uma maracutaia com a Globo para ajudar o FHC e o Judge Murrow parece não ter percebido nada... Não vem ao caso!)

• foi Jovelino quem organizou o jantar no Palácio do Alvorada para tomar dinheiro dos que iam financiar o iFHC, assim que o amigo deixasse a Presidência. Emílio foi um dos "financiadores";

• delator da empreiteira Camargo contou que construiu um aeroporto em fazenda vizinha à de FHC em Minas e quem usava o aeroporto era principalmente a família de FHC;

• a jornalista da Globo Mirian Dutra disse que propriedades de Jovelino são, na verdade de FHC, e Jovelino funcionaria como laranja de FHC;

• bois de FHC participam de leilões milionários e são anunciados como "é o boi do presidente Fernaaando Henriiiqueee Cardosooooooooo!";

• José de Oliveira Costa é advogado de FHC e Jovelino e foi quem encomendou a Ives Gandra Martins, em 2005, o primeiro parecer sobre o impeachment da Dilma;

• como se sabe, Jovelino empresta a FHC um apê de 100 metros quadrados na chiquérrima Avenue Foch, em Paris, onde mora, segundo a mãe, Mirian, o filho que não é dele, Tomás, que se alterna entre ali e outro apartamento em Nova York;

• FHC mora no aristocrático bairro de Higienópolis, em São Paulo, num apartamento de 450 metros quadrados, com cinco vagas de garagem, comprado do banqueiro Safdié numa operação que o Ministério Público de São Paulo ainda não concluiu.
E quem está em cana é o Lula...

Entre os dois há outra diferença.

Um entra pela porta da frente da História.

Outro, pela casinha, nos fundos.

Que o Jovelino lhe cederá.

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Serrano: medidas de exceção do Judiciário substituem ditaduras militares

Medidas de exceção tomadas por juízes corroem
a democracia e substituem ditaduras de outrora
Diferentemente das ditaduras militares do passado, os mecanismos de repressão autoritária se sofisticaram, e hoje se dão no interior da própria democracia, através de medidas de exceção tomada pelo Judiciário. Um dos exemplos dessas medidas é a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do jurista e professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano, em debate realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) nesta quinta-feira (12).

"A prisão do ex-presidente Lula é parte da mesma estrutura que leva ao genocídio da juventude negra e pobre nas periferias das grandes cidades. Também tem  muita relação com o impeachment e com as perseguições a líderes de movimentos sociais e sindicatos, defensores de direitos humanos e também a outros líderes políticos de esquerda em toda a América Latina", afirmou Serrano à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal da TVT, durante o evento "A ordem é a desordem judicial".

Após os episódios do último domingo (8), envolvendo os desembargadores do TRF4, o juiz Sergio Moro e a Polícia Federal em torno de um habeas corpus ao ex-presidente Lula, Serrano disse que ficou claro que muitos juízes buscam na lei justificativas para amparar seus atos políticos. Ele disse ainda que o cenário para as eleições deste ano não é animador, e que o candidato que for eleito terá graves problemas de governabilidade. 

"A gente já sofreu uma ditadura, que foi a ditadura militar. Não podemos nos submeter agora a uma ditadura do Judiciário", diz o presidente do metalúrgicos do ABC, Wagner Santana. 

Assista à reportagem do Seu Jornal da TVT



No RBA
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Caindo a máscara

Com a estabilização dos votos em Jair Bolsonaro e a inanição de outros candidatos conservadores, o Brasil começa a ver a máscara cair. Aos poucos, setores do empresariado nacional, dos pequenos comerciantes, das classes tradicionalmente privilegiadas e das igrejas aparecem para expor sua adesão à brutalidade do protofascismo nacional.

De fato, esse fenômeno é recente. Quando empresários da CNI aplaudem alguém como Bolsonaro, eles estão a dizer que não estão mais dispostos a pacto social algum, que confiam agora que ganharão em um confronto aberto com seus empregados e com os grupos que procuram, ao menos, regular os excessos do processo produtivo.

Conflitos trabalhistas poderão ser resolvidos a bala, fazendeiros poderão passar por cima de licenças ambientais com trator, qualquer traço de solidariedade social poderá ser chamado impunemente de vitimismo.

Pouco importa qual é, de fato, o "programa econômico" do candidato ou suas promessas. Liberalismo e protecionismo poderão andar de mãos juntas, já que a questão realmente não passa por aí. Ela passa pelo desejo inconfesso de esconjurar toda e qualquer possibilidade de transformação da sociedade brasileira.

Da mesma forma que Bolsonaro parece ter fixação em banheiros masculinos e femininos, seu eleitorado se volta contra qualquer coisa que pareça colocar a sociedade brasileira fora do eixo de suas formas tradicionais de reprodução.

Nada disso seria compreensível sem lembrarmos dos desdobramentos de 2013. As manifestações de 2013 expuseram a possibilidade de abalar os alicerces do poder governamental brasileiro em profundidade.

Prédios públicos foram queimados, carros de imprensa foram virados, o país viu 2.030 greves em apenas um ano e manifestações todos os dias, ao menos até o mês de novembro.

No entanto toda verdadeira possibilidade de transformação traz no seu bojo sempre uma outra possibilidade, a saber, a emergência de um sujeito reativo. Esse sujeito reativo será composto por aqueles que, diante da decomposição virtual da adesão ao poder, aumentam ainda mais sua violência a fim de fazer a roda girar para trás.

Diante da possibilidade de uma mutação no conceito de "força" que dá forma à democracia —esta "força do povo"—, haverá aqueles que procurarão recolocar a força em seus fantasmas mais hierárquicos e soberanos.

Contra uma força que se metamorfosearia em dissolução do centro, em destituição do poder e na abertura a uma sociedade descontrolada, haverá sempre aqueles que procurarão a segurança paranoica de uma força que é adesão a um corpo social unitário, estático e violento.

Soma-se a isso o fato de essa regressão social poder agora ser vendida sob a forma de revolta anti-institucional, do poder que não respeita mais as negociações necessárias à "governabilidade" corrompida.

Não foram poucos aqueles que perceberam que, nos tempos presentes, a extrema direita consegue se colocar como o discurso da ruptura, enquanto os setores progressistas se apresentam como o discurso da preservação (de direitos, de pactos, de garantias).

Em uma sociedade que apresenta a consciência tácita de que suas instituições e sua "democracia" fracassaram, essa mistura de reação e ruptura é extremamente atraente para alguns.

Por isso, há de se admitir que o fenômeno Bolsonaro não desaparecerá do cenário político brasileiro, mesmo se seu representante-mor for trocado por uma figura mais palatável a certos setores da sociedade brasileira.

Esse desrecalque protofascista é um encontro do país com uma parte de si mesmo. Esse encontro ganha agora uma função maior para a definição do futuro. De nada adiantará tentar fazer um jogo miserável entre "radicalização" e "moderação", entre "discurso do ódio" e "discurso do vamos viver juntos".

Como dizia Jean Baudrillard (que tem ao menos o mérito de uma bela frase), "melhor morrer pelos extremos do que pelas extremidades".

Vladimir Safatle, Professor de filosofia da USP, autor de “O Circuito dos Afetos: Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo”.
No fAlha
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Jurista rebate Dodge: Quem prevaricou foi Moro, e não Favreto

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Superior Tribunal de Justiça abertura de inquérito contra o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sob o argumento de que o magistrado pode ter cometido ato indevido de ofício para satisfazer a interesse ou sentimento pessoal, ou prevaricação.

A tese de “prevaricação” foi lançada pela grande mídia como argumento para desqualificar a decisão de Favreto. Segundo a procuradora, o desembargador foi “movido por sentimentos pessoais” quando mandou soltar o ex-presidente Lula, no domingo (8). Ela diz que a atuação do desembargador consistiu num episódio atípico e inesperado que produziu efeitos nocivos sobre a credibilidade da justiça e sobre a higidez do princípio da impessoalidade, que a sustenta.

No entanto, na peça de 21 páginas produzida e apresentada por Dodge ela omite totalmente a atuação do juiz Sergio Moro, da 13º Vara Federal de Curitiba, que sem competência para agir, pois era o juiz de primeiro grau e de férias em Portugal, atuou para impedir a execução da decisão, afrontando a hierarquia do Supremo e fabricando o impasse.

Moro, que não tinha qualquer jurisdição no caso porque o processo já estava em segunda instância, decidiu que não devia ser cumprida a decisão do desembargador Favreto e mais: orientou a Polícia Federal a não cumprir.

Para o ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, José Norberto Campelo, admitir que um juiz de primeiro grau imponha sua vontade pessoal em detrimento de uma decisão judicial proferida por órgão superior “é algo muito grave que jamais poderá ser admitido”.

“Órgão inferior na estrutura do Judiciário não tem nenhum poder de revisão ou crítica das decisões proferidas por órgão superior, cabendo-lhe apenas o cumprimento, a não ser que haja absoluta impossibilidade material, o que deve ser informado ao prolator da decisão, motivadamente”, afirmou Norberto.

Ele aponta ainda que o impasse gerou “de modo esdrúxulo” duas decisões no mesmo habeas corpus, sendo uma por Favreto, desembargador plantonista e único competente para atuar durante o plantão, e outra pelo desembargador-relator Gebran Neto, neste caso a quem seria dirigido o pleito logo no primeiro dia útil após o plantão.

“Ocorre que a jurisdição pertencia ao plantonista até o término do seu plantão e, portanto, mesmo sendo o prevento para apreciar o pedido no expediente normal, decidindo o feito ainda durante o plantão, usurpou da competência do magistrado plantonista”, explica o advogado, apontando que para manter Lula preso, o desembargador atropelou o processo e a competência.

“Tenho para mim que sua decisão [do desembargador Gebran] é ato inexistente, porque proferido em momento em que não dispunha de competência para fazê-lo. Essa decisão se constitui em ilegalidade grave e patente e não poderia jamais ser praticada, mesmo que o objetivo fosse a ‘correção’ de um ‘erro’ cometido pelo desembargador plantonista”, frisou.

Segundo ele, a sequência de atropelos feitos para barrar a decisão do desembargador Favreto, inédita no Brasil, “criou sérias dificuldades para o tribunal, que não a queria cumprir”. Na decisão de Favreto, ele fundamenta que, no habeas corpus levado a ele, foi apresentado um fato novo: Lula havia se declarado oficialmente pré-candidato à Presidência da República. Como seus direitos políticos não estavam suspensos e a prisão o impedia de exercer sua pré-candidatura, Favreto mandou soltá-lo.

“Favreto não pode ter um pensamento jurídico diferente do juiz da Lava Jato?”, questionou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), em discurso na tribuna da Câmara nesta quarta-feira (11). “O juiz Favreto continuará tendo o nosso apoio porque ele não agiu politicamente, mas a partir de sua visão constitucional e jurídica e tem o direito de tê-la. Não há um pensamento único na justiça, mas o pensamento da lei e da Constituição”, argumentou.

Para Dodge, o desembargador não tinha competência para praticar os atos que desrespeitaram a ordem jurídica, pois “pautou-se em premissas notoriamente artificiais e inverídicas”.

Sem fundamento para acusar Favreto

Desde o domingo, diversos juristas, advogados e professores de Direito têm abordado o assunto e a grande maioria aponta que a decisão de Favreto é subjetiva, ou seja, depende da convicção de cada um e como o desembargador estava exercendo a sua competência como juiz da causa, o máximo que se pode apontar é um erro. Por outro lado, não há dúvida de que a conduta de Sergio Moro e do desembargador relator João Gebran Neto violou a competência do magistrado com interesse de manter Lula preso.

O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Afranio Silva Jardim, considerado no mundo acadêmico como um dos mais importantes processualistas penais brasileiros, disse em entrevista ao Portal Vermelho que a acusação de prevaricação não se sustenta.

“Isso dificilmente pode ser aplicado ao ato jurisdicional na medida em que a decisão do desembargador Favreto pode ser questionada como todas as decisões jurídicas. A decisão não é ilegal e ele tinha competência, não tenho dúvida. Quem não tinha competência para praticar nenhum ato processual era Sergio Moro e Gebran. Decidir se ele julgou certo ou errado é uma questão de mérito”, afirmou Afranio, destacando que o fato de um juiz errar no mérito não quer dizer que esteja prevaricando.

O jurista lembrou que a reforma de decisões é ato comum do sistema judiciário. “Inúmeras sentenças e decisões de juízes são reformadas pelos tribunais e nem por isso quer dizer que o juiz que teve a sua sentença reformada tenha prevaricado”, advertiu. “Agora, acho razoável dizer que Gebran e Sergio Moro prevaricaram porque foram formalmente ilegais, na medida em que os atos que praticaram estavam totalmente fora da sua competência porque um estava de férias e outro estava de folga em casa. Favreto tinha competência de mérito”, completou.

Sobre a acusação da mídia e encampada por Dodge de que os deputados Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP) e Wadih Damous (RJ), este último ex-presidente da OAB-RJ, autores do pedido de habeas corpus, orquestraram com Favreto a ação para libertar Lula, Afranio também considera que é um argumento sem fundamento.

Até um estagiário de direito sabe que é normal advogados esperarem o plantão de um determinado juiz que que lhe parece mais favorável para pedir as medidas de urgência ou cautelares. “É muito comum e uma estratégia da advocacia que não é ilegal nem antiética. Todo advogado faz. Estando o Moro de plantão, a direita iria postular e a esquerda não”, ironizou Afranio.

A tese da Rede Globo é apenas baseada na trajetória de vida do desembargador que ocupou cargos em gestões petistas na Prefeitura de Porto Alegre e nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. “É notório as estreitas ligações afetivas, profissionais e políticas do desembargador com o réu. Assim, ele determinou a soltura sem ter jurisdição no caso, apenas com a finalidade de satisfazer interesses pessoais”, concluiu Dodge.

Segundo Afranio, há diversos juízes, desembargadores e até ministros com relações estreitas com lideranças de partidos políticos e até mesmo com filiações antes de ocuparem o cargo. “O ministro Alexandre de Morais, até pouco tempo, era do PSDB, foi secretário de Segurança de São Paulo, ministro da Justiça no governo de Michel Temer. Está vinculado politicamente”, citou o professor para demonstrar que apesar dessa relação, o ministro com estreitas relações com o tucanato não tem suas decisões colocadas sob suspeita.

“O Paulo Brossard, que foi um bom ministro do Supremo, era um político filiado a partido. Assim como o ministro Nelson Jobim, que foi do MDB e ocupou a Presidência do Supremo. É normal pois, evidentemente, quem indica os ministros e desembargadores são pessoas da esfera política. Faz parte do jogo de poder e é da democracia. Donald Trump, por exemplo, escolheu um ministro conservador para a Suprema Corte norte-americana. Ele iria escolher alguém ligado aos democratas? Jamais”, argumentou o professor, que lembrou que o pai de Thompson Flores, atual presidente do TRF-4, foi ministro do Supremo e escolhido por suas opções políticas.

Quando pedimos para Afranio comparar as condutas de Moro e Favreto, o jurista aponta que são notórias as violações e abusos cometidos pelo juiz de primeiro grau de Curitiba. “Se há alguma aparente tipicidade nas hipóteses na atuação vamos encontrar em relação à atuação já notória do juiz Sergio Moro, dando publicidade a gravações que estavam sob sigilo, gravações privadas que não tinham interesse processual, gravações feitas depois do tempo permitido e em escritórios de advocacia”, lembrou.

Afranio demonstrou que não tem expectativa de que o atual sistema judiciário venha corrigir os que ele classifica como “notórios absurdos”. “Estamos numa linha de desespero, porque a própria comunidade acadêmica tem se posicionado, mas nada é eficaz. Com esse Judiciário e Ministério Público Federal que temos – que não ouvem e não querem ouvir – parece que as vias institucionais estão cada vez mais se fechando e isso é perigoso para a democracia”, avalia.

Dayane Santos
No Portal Vermelho
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Penas ao vento


Rubens Valente, na Folha, mostra que a Absolvição de Lula expõe investigação descuidada de Janot” no caso da delação premiada de Delcídio do Amaral. E não é a opinião do jornalista, mas a do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF, que, a partir daquele procedimento, autorizou atos de violência jurídica contra o ex-presidente, como o recolhimento de seu passaporte e o fechamento do Instituto Lula.

Em diversos trechos da decisão desta quinta-feira (12) que absolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da denúncia de obstrução à Justiça, o juiz federal do DF Ricardo Augusto Soares Leite ressaltou a ausência de provas, a fragilidade de argumentos do Ministério Público e as dúvidas que foram levantadas mas não comprovadas ao longo da apuração.

A contradição foi tamanha que o promotor Ivan Cláudio Marx, diante da inconsistências das delações, pediu a absolvição.

Isso tem sido apontado como sinal de uma suposta “imparcialidade” da ação judicial.

É exatamente o contrário.

O Estado brasileiro, que a PGR deveria representar, denunciou alguém sem o lastro de provas que deveria ter para isso. O juiz do processo, igualmente sem provas,  proíbiu um cidadão de deslocar-se livremente – provocando, inclusive, o cancelamento de sua presença num evento internacional previamente agendado – e mandou fechar uma instituição particular.

Sobretudo, um homem de vida pública, que depende como ninguém de sua imagem diante da população foi execrado pela imprensa, a partir disso, como alguém que estava comprando o silêncio de um bandido para se proteger.

É pior que na parábola do travesseiro de penas – a honra – espalhado ao vento do alto na colina, o que torna impossível recolhê-la: o dano foi feito, é irreversível e, neste caso, sequer um pedido de desculpas será feito.

Uma ação de reparação de danos morais? Esqueça. Este escriba aqui, há 27 anos, foi “indiciado” por estelionato em razão de um talão de cheques que jamais foi seu, roubado do carro forte do próprio banco. 22 anos depois da sentença definitiva  que mandou o banco reparar-lhe os danos que causou, continua esperando que a indenização lhe seja paga. Não fora a amizade de advogados que passaram mais de duas décadas ajudando-o, teria gasto o dobro ou o triplo daquilo que, um dia, receberá como indenização…

No caso de Lula, evidente, a gravidade do dano é imensuravelmente maior. O processo, o primeiro em que foi denunciado, serviu para levar lenha à fogueira dos que o queriam condenar em outros, firmando a convicção pública de que um réu, afinal denunciado em seis processos,  em algum deles terá culpa.

Se não foi você, foi seu pai; se não foi seu pai, foi seu avô…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Entenda porque Lula foi absolvido na Justiça


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Globo ameaça Toffoli, que assume presidência do STF em setembro

A mídia conservadora, em especial os veículos da família Marinho, está em campanha de ameaças explícitas contra o ministro Dias Toffoli, que assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro. O objetivo é impedir que o sucessor de Cármen Lúcia assuma a cadeira com independência. Tudo converge para a mesma alegação: Toffoli seria quase que um "infiltrado" do PT no STF. O tom foi dado pela colunista Miriam Leitão, em O Globo, na última terça (10): "Dias Toffoli é leal ao PT ou às leis?" - o artigo, em tom de editorial, é assinado por Leitão, mas ela divide com outro jornalista, Merval Pereira, a função de porta-voz informal da família Marinho. 

É um festival de pressão e ameaças, sem qualquer sutileza: "Toffoli vai assumir presidência do STF e pode soltar Lula em julho" (Correio Braziliense); "Ex-advogado do PT vai presidir o STF no auge do caso Lula" (Gazeta do Povo); "'Toffoli é o Favreto do Supremo'" (O Estado de S.Paulo); "O Brasil não vai aguentar Dias Toffoli na Presidência do STF" (Jovem Pan).

Os comentaristas da Globo News, da rádio CBN e outros veículos dos Marinho a todo momento cutucam Toffoli, apontando sua ligação passada com o PT como se fosse uma advertência. Mesmo o Valor Econômico, também da família Marinho, que se apresenta como uma voz "racional e equilibrada" do mercado, não escapa à tentativa de estigmatizar o ministro. Em reportagem publicada nesta sexta (13) que busca se diferenciar do espírito de campanha aberta dos demais veículos da casa, o texto, lá pelas tantas, carimba: "Toffoli trabalhou arduamente no Supremo para se livrar do selo petista carimbado em sua testa. Trata-se, porém, de um passado de intimidade com o partido. A lista é longa: foi colaborador do governo de Luíza Erundina na Prefeitura de São Paulo, quando ela era do PT, no início dos anos 90; consultor Jurídico do Departamento Nacional dos Trabalhadores Rurais da CUT Nacional de 1993 a 1994; assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 1995 (do deputado Arlindo Chinaglia, do PT); assessor jurídico da liderança do PT na Câmara de 1995 a 2000; advogado eleitoral das duas campanhas vitoriosas do ex-presidente Lula (em 2002 e em 2006); subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil na gestão de José Dirceu (de janeiro de 2003 a julho de 2005) e advogado-geral da União (de março de 2007 a outubro de 2009)" (a íntegra pode ser lida aqui).

Não há registro de reportagem similar para a longa trajetória de Alexrande de Moraes com o PSDB.
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Educador cita Paulo Freire e diz que atraso no ensino é projeto do golpe

Educadores e lideranças políticas se reuniram em São Paulo para discutir o atual panorama e o horizonte da educação brasileira. Em comum, apontam para a necessidade de desfazer todas as medidas tomadas pelo governo Temer

No Brasil pós-golpe, educação não cumpre função libertadora,
apenas forma operários
"Paulo Freire já dizia que a crise na educação brasileira não é crise, é um projeto. Após o governo Temer, isso ficou extremamente claro", disse o educador e cientista político Daniel Cara. Cara participou, na noite de ontem (12), de um debate sobre o desmonte na educação do Brasil após o impeachment da presidenta eleita em 2014, Dilma Rousseff (PT).

Ao lado dele, a professora e também pré-candidata ao Senado pelo mesmo partido Sílvia Ferraro, o vereador Toninho Vespoli (Psol) e o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). Daniel Cara se licenciou da coordenação da Campanha Nacional pelo Direito à Educação para por se pré-candidato do Psol ao Senado por São Paulo.

O debate ocorreu no restaurante palestino Al Janiah, no centro de São Paulo. E avaliou como desastrosas as medidas que avançam na educação nos últimos dois anos. "Após o golpe de 2016 estamos assistindo a um retrocesso generalizado que começa com a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95, que esmaga por 20 anos os investimentos públicos", disse Ivan Valente.

"A EC 95 é um dos pontos centrais em que qualquer tipo de proposta futura de governo precisa se comprometer a promover um plebiscito para revogar essa medida", completou.

Outro projeto que preocupa educadores, ainda não aprovado em nível nacional, é o chamado "Escola sem Partido" – classificado por especialistas do setor como "lei da mordaça", por impor a censura aos professores em sala de aula e impedir o debate de visões contraditórias dos fatos, dos fenômenos sociais e da história.

Em tramitação em alguns estados e municípios, e numa Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a matéria dispõe sobre limites que professores devem obedecer, deixando até mesmo temas proibidos de serem trabalhados em sala, tais como os relacionados à sexualidade. "Isso é algo escandaloso", definiu Valente.

"Autor e relator desse projeto em Brasília são da bancada fundamentalista.  O projeto é absolutamente inconstitucional. No artigo 206 da Constituição, está prevista a pluralidade de ideias e concepções pedagógicas. Está garantida a liberdade de ensinar, aprender. Agora eles querem rasgar a Constituição com esse projeto que quer transformar a escola em um ambiente hostil ao ensino, aonde pais e professores estarão em guerra. Me lembra muito a inquisição, quando não era permitido saber e conhecer", disse o deputado.

Na quarta-feira, o projeto estava programado para ser votado na comissão especial. A oposição conseguiu o adiamento. O objetivo é ampliar o debate e retirar a matéria de pauta. Para Valente, o projeto não deve ser aprovado na Casa. "É inconstitucional. Eles concentraram os evangélicos na comissão, mas esse projeto é o que há de mais atrasado, de mais retrógrado, de mais reacionário que já surgiu nesse período recente. É a censura, o policiamento da educação."

A reforma do ensino médio, também aprovada após o golpe, também foi debatida. "Deixam claro que o trabalhador brasileiro precisa apenas ser adestrado, não precisa de cultura, não precisa ter cidadania plena. Essa reforma, inclusive com propaganda governamental paga, é um escárnio, uma vergonha. Outra medida que precisa ser revista", afirma Valente.

Perpetuar desigualdades

O vereador Toninho Vespoli considera o projeto um dos mais nefastos do atual governo. "60% dos municípios do Brasil não têm uma escola de ensino médio. Mais que 50% das matrículas do ensino médio na rede estadual são para o período noturno. A maioria dos estudantes estão ou empregados ou procurando empregos", disse, para argumentar que a reforma intensifica as desigualdades e reduz as oportunidades de ascensão social dos mais pobres.

"Poucas pessoas vão passar pelo ensino médio. Na reforma, eles colocam que o ensino médio será de período integral. A princípio, parece legal o estudante ficar mais na escola. Mas se mais da metade dos nossos jovens estudam no noturno, e os alunos terão de cumprir sete ou oito horas na escola, se as escolas fecham as 23h, que horário a jornada vai começar? De tarde. Mas se o jovem está trabalhando, como ele vai estar as 16h na sala de aula? Então, a tendência é a extinção do período noturno", explicou.

Assim, para Vespoli, os mais afetados negativamente com esse aspecto da reforma serão "negros, negras e pobres que estão tentando melhorar suas vidas".

"Não dá para tolerar uma coisa dessas. Não é só fora Temer, temos que tirar todos esses golpistas. Qualquer político do campo da esquerda tem que atuar para revogar essas reformas, porque com elas nosso país não terá a mínima condição de dar dignidade ao povo", completou o vereador.

Daniel Cara reafirmou a premissa de que o atraso na educação brasileira é um projeto. "A crise na educação também é sobre projeto educacional. A reforma do ensino médio divide os cidadãos entre os que terão um ensino emancipador, que tenha conteúdo, e outra parte estará em uma condição péssima, formados para cumprir funções marginais no mercado de trabalho", disse.

Para o educador, a reforma na Educação anda de mãos dadas com a reforma trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores. "A reforma trabalhista e do ensino médio são, na verdade, a mesma reforma. Os resultados concretos das reformas são que a sociedade brasileira, ao invés de usar a educação como instrumento de combate às desigualdades, vai fazer com que a educação seja reprodutora das desigualdades sociais. Para as camadas menos favorecidas da população, vai sobrar apenas a educação profissional. Para os filhos da elite, a melhor educação possível. Precisamos revogar essa reforma do ensino médio", completou.

Projeto do golpe

Para Sílvia Ferraro, todos os retrocessos apontados no dia representam o projeto de país tocado pelo movimento golpista que assumiu o governo brasileiro em 2016. "Precisamos entender qual o projeto que o golpe quer implementar no nosso país. É um país submisso, subordinado, dependente, com menos produção de conhecimento, com nenhuma produção de tecnologia. Querem que o Brasil seja mais dependente, nos tornarmos meramente exportadores de produtos primários."

"Querem que o Brasil volte a ser uma colônia, é um projeto de recolonização. Então, qual a educação que é necessária para um país totalmente subserviente? Um país que não produz ciência e tecnologia? É uma educação subserviente, que está a serviço do mercado financeiro. A Saúde também está nisso, a Assistência Social. Por isso vemos também as privatizações na Educação e também a formação de grandes conglomerados como a Kroton, que está abocanhando boa parte do mercado de educação", finalizou.

Gabriel Valery
No RBA
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López Obrador fue investigado por Estados Unidos desde 2006, según WikiLeaks

Andrés Manuel López Obrador de gira por el National Press Club con sede en Washington, EE.UU. el 15 de marzo de 2017.
Una serie de cables diplomáticos clasificados, dados a conocer por WikiLeaks, revelaron que el hoy presidente electo de México, Andrés Manuel López Obrador, fue investigado por el Gobierno de Estados Unidos desde 2006.

Un asunto que se vuelve relevante a unas horas de que López Obrador reciba en sus oficinas a Mike Pompeo, secretario de Estado de EE.UU., lo cual marcará un giro en la fría relación que había tenido AMLO frente al Gobierno estadounidense.

La organización fundada por Julian Assange recordó este episodio en una serie de tuits publicados tras el triunfo de López Obrador en las elecciones presidenciales mexicanas, en los cuales, se detalla el tipo de información solicitada por el Gobierno norteamericano, incluyendo a la secretaria de Estado, Hillary Clinton.

La división de la izquierda

En el cable PRD/MEXICAN LEFT (C-AL9-02542), la administración del entonces presidente Barack Obama requirió en diciembre de 2009 información sobre qué tan profunda era la división de los partidos de izquierda de cara a las elecciones presidenciales de 2012.

Esto luego de que López Obrador rompiera con Jesús Ortega, líder de Los Chuchos, corriente al interior del PRD que provocó la salida de López Obrador del partido. El cable también pregunta por la relación de AMLO con el entonces jefe de Gobierno de la Ciudad de México, Marcelo Ebrard, y otros políticos como el hoy senador Alejandro Encinas y Juan Ramón de la Fuente, exrector de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

“¿Cuál es la relación entre los miembros del PRD, Andres Manuel López Obrador (AMLO), Marcelo Ebrard, Jesús Ortega, Alejandro Encinas y Juan Ramon De La Fuente?”, señala el documento.

“¿En qué medida están funcionando estos individuos juntos o entre otros? ¿Cuánto apoyo tienen ellos dentro del PRD y entre los pequeños partidos de izquierda (PT y Convergencia)? ¿Cuál es la percepción entre los miembros de ‘rank-and-file’ [ordena y archiva, término militar utilizado para clasificar información] de AMLO y Ebrard? ¿Qué otros grupos –sindicatos, movimientos sociales, etcétera– consideran entre sus partidarios?”, añade la solicitud de información realizada desde Washington.

Pero este es tan sólo un ejemplo del seguimiento que el Gobierno de EE.UU. dio a López Obrador con el paso de los años, ya que en las búsquedas de WikiLeaks, el nombre de presidente electo mexicano aparece en al menos 181 cables de la Inteligencia estadounidense y 4.658 correos internos de la agencia de Inteligencia Stratfor, desde 2006.

AMLO, el “presidente sombra”

En otro de ellos, titulado THE MAKING OF THE SHADOW PRESIDENT? (¿La fabricación de un presidente sombra?), la Inteligencia estadounidense analiza la personalidad de López Obrador y sus intenciones de declararse como “presidente legítimo” tras desconocer las elecciones presidenciales de 2006 y acusar un fraude electoral en la controvertida victoria de Felipe Calderón.

“Varios importantes observadores políticos mexicanos estuvieron de acuerdo en que la evolución del estancamiento político actual continuaría, en buena medida, en función de la personalidad de Andrés Manuel López Obrador (AMLO). Creían que su manera de pensar era tan rígida y autocomplaciente, que nunca sería capaz de admitir la derrota”, señala el documento.

“Al mismo tiempo, su poderoso carisma aseguraba que no le faltaría un núcleo de seguidores dispuestos a seguirlo ‘hasta las últimas consecuencias’. Sospechaban –y recientes informes de prensa corroboran cada vez más– que planeaba institucionalizar su movimiento de protesta luego de que el Tribunal Electoral validara a Felipe Calderón como presidente, tal vez estableciendo un ‘gobierno en la sombra’ que buscaría instigar a Calderón en todo momento. La importancia de este movimiento bien puede depender de cómo el PRD responda al desafío planteado por las tácticas de AMLO y si prevalecen los pragmáticos o los partidarios de AMLO”, añade el documento.

El viernes 13 de julio de 2018, López Obrador se reunirá por primera vez con altos funcionarios del Gobierno de EE.UU. tras haber obtenido un contundente triunfo en las elecciones presidenciales de México.

No CubaDebate
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Os escravos não faziam requerimentos para sua soltura, fugiam!

Ricardo Stuckert
A lógica de ação contra os poderes usurpados não é a mesma da ação contra poderes legalmente instituídos e que respeitam a legislação vigente, pois a lógica deverá ser da resistência efetiva contra os mesmos.

Fico maravilhado quando vejo uma série de deputados e senadores agindo como a normalidade democrática burguesa ainda existisse, fazem declarações solenes cobrando do judiciário e do executivo a manutenção dos princípios legais e constitucionais, ou seja, agem como se fossem escravos que depois de estarem abaixo do chicote enviariam cartas de protesto contra os senhores.

A lógica de ação num sistema que se mostra perfeitamente antidemocrático é a ação, ou seja, no lugar de ocuparem os assentos nas casas legislativas deveriam estar junto as bases existentes ou caso elas tiverem desmobilizadas, procurarem mobilizá-las.

Atualmente no Brasil há no mínimo 10% da população adulta, ou seja, no mínimo 15 milhões de pessoas que apoiam Lula e estão dispostos a trabalhar na direção da soltura de Lula. Supondo ainda que destes 10% somente 10% tenham tempo e disposição para a mobilização, seria algo em torno de 1,5 milhão de pessoas pró-liberdade do Lula, disposição e tempo para trabalhar nesta direção, mas precisam de coordenação, não de chefia.

Chega de discursos que são totalmente inúteis, a lógica parlamentar não tem mais nenhum efeito no momento, é hora de começar a se mobilizar.

Rogério Maestri
No GGN
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Memória Política: Briga entre Arnon de Melo (PDC - AL) e Péricles Silvestre (PST - AL)


Memória Política (04/12/1963) - Arnon de Melo (PDC - AL), pai do ex-presidente brasileiro Fernando Collor de Melo, ocupava a tribuna para rebater acusações que lhe foram desferidas por seu inimigo político, Silvestre Péricles de Góis Monteiro (PST - AL). Melo sacou uma arma e disparou contra o desafeto, que saiu ileso. Sentado à primeira fila, porém, José Kairala (PSD - AC) foi atingido e faleceu horas mais tarde. Presos em flagrante após o crime, os senadores alagoanos acabaram isentos de punição.

Veja a transcrição do discurso Diário do Congresso Nacional: http://goo.gl/adp0nX

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Dodge: rápida e implacável com Favreto, omissa com a República de Curitiba


Raquel Dodge já representou contra o desembargador que concedeu liberdade a Lula em duas frentes. Numa delas, no Conselho Nacional de Justiça, pede a pena máxima para Rogério Favreto: a aposentadoria compulsória. Enquanto isso, as denúncias sobre a polêmica indústria da delação premiada repousam na mesa da comandante do Ministério Público Federal. Dodge notabiliza o uso de dois pesos e duas medidas quando o assunto é Lula e os abusos da República de Curitiba.

Até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, já cobrou publicamente a procuradora-geral sobre uma investigação contra os procuradores de Curitiba, pela suspeita de que eles escolhem os advogados com quem fecham acordos de colaboração. 

Gilmar lembrou e citou nominalmente o caso do procurador Diogo Castor de Mattos, cujo irmão advogado, Rodrigo Castor de Mattos, atuou na defesa do marqueteiro João Santana. O que Dodge já fez a respeito? À época das declarações de Gilmar, a grande mídia divulgou que petistas estudariam representar contra a PGR por prevaricação - o mesmo crime que agora ela imputa a Favreto.

A indústria da delação premiada na Lava Jato já foi objeto de reportagens especiais no GGN em parceria com o Diário do Centro do Mundo, e vem há muitos meses ocupando espaço em vários jornais.

Recentemente revelou-se, por exemplo, que uma das maiores bancadas de advocacia do País supostamente teria vendido "proteção" a doleiros. Fica a dúvida: teve algum membro do Ministério Público ou do Judiciário participação em esquema do gênero? Essa delação será apurada ou não interessa a Dodge mexer nesse vespeiro?

Foi no Superior Tribunal de Justiça que Dodge pediu uma investigação criminal contra Favreto por prevaricação. A notícia sobre a representação saiu menos de uma semana após o plantonista travar (e perder) uma guerra jurídica em torno do habeas corpus de Lula.

Enquanto é rápida e implacável com Favreto, Dodge é lenta e omissa em relação à República de Curitiba. 

A reclamação pública de Gilmar, endereçada a Dodge, ocorreu em abril deste ano. No mesmo dia, o ministro também narrou a história de outro advogado que foi praticamente expulso da banca de Antonio Palocci por causa do suposto esquema em Curitiba. 

Gilmar também cobrou posição contra Marcelo Miller, ex-procurador da República, ex-braço direito de Rodrigo Janot, que somente agora foi denunciado à Justiça por causa de sua participação no acordo de colaboração de empresários da J&F.

Por que Dodge não foi ao Conselho Nacional de Justiça pedir uma investigação quando Sergio Moro saiu em defesa de Carlos Zucolotto, acusado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran de cobrar propina de 5 milhões de dólares para melhorar um acordo de delação que estava sendo negociado com os procuradores liderados por Deltan Dallagnol? 

Por que não pediu investigação ao Conselho Nacional do Ministério Público contra os procuradores que participaram das negociações fracassadas com Duran - que, aliás, já apresentou indícios de que o Ministério Público no Paraná, de fato, ofereceu um acordo no molde prometido por Zucolotto. 

Indícios só servem aos procuradores quando é Lula quem está no banco dos réus? Investigações só são solicitadas quando o magistrado foi favorável ao ex-presidente, à revelia ou mascarando os fundamentos de sua atuação?

Cíntia Alves
No GGN
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Míriam Leitão, eterna porta-voz de Fernando II


Fernando II perdeu a Coroa, mas Miriam Leitão continua sendo a porta-voz de tudo que o represente. O Vampiro Chifrudo, levado à Sapucaí pela Acadêmicos do Tuiuti no Carnaval de 2018, por exemplo. E principalmente de Pedro Parente, ex-continuador da obra de demolição da Petrobras, que Fernando II não pôde concluir em seu Reinado. Uma relação que começou lá atrás.

“Outro dia fui falar com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na saída perguntei, só pra conferir: 

— O senhor vai vender mesmo a Vale? 

— Vou - respondeu sem qualquer hesitação e aí ele perguntou: 

— Quanto vale a empresa? 8? 10? 

Eu respondi: 

— Vale mais, presidente. Bem mais.”

A Vale vale o que não está escrito.”

A jornalista Miriam Leitão encerrou assim longa reportagem sobre a Vale para a revista Interview em 1995, o mesmo ano em que iniciou sua trajetória na TV Globo — assinava coluna em O Globo desde 1991. O diálogo revela o grau de confiança entre o entrevistado e a entrevistadora — que se tornou levantadora de bola da política econômica de FHC em seus dois mandatos. 

Uma relação tão estreita que, no segundo mandato, mesmo contra todas as evidências, Miriam convenceu os patrões que FHC não ia desvalorizar o real, acabando com a paridade fictícia com o dólar. Eles quase vão à breca, empanturrados de verdinhas. Como se vê, era uma questão de fé. 

E Míriam continua lá, prevendo o futuro nos espaços mais variados: Bom Dia Brasil, Globo News, CBN. Mistério sempre há de pintar por aí.

Esmerou-se em levantadas de bola para os disparates que deu no “caldo de cultura” do golpe de 2016. Também traçou um futuro risonho e franco para o “time dos sonhos” de Temer, até que ele entrasse por certo tempo na alça de mira da Globo. Mas agora voltou à programação normal e o melhor do Carnaval.

A miriatização da economia é um fato consumado na emissora, onde FHC ainda é rei.

Palmério Dória
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Depois de três anos, Lava Jato denuncia executivo americano


Na 4ª feira à noite, dia 11, publiquei a história da empresa Vantage Drilling International, que corrompeu executivos da Petrobras para conseguir um contrato de US$ 1,8 bilhão de arrendamento de um navio-sonda. Em 2015, quando o caso foi revelado pelas delações de Jorge Zelada e Eduardo Musa, a Lava Jato agiu rapidamente contra os subornados, mas nada fez em relação aos subornadores. A Petrobras rompeu o contrato, alegando problemas operacionais, além da revelação da corrupção. A empresa entrou com uma ação em Tribunal de Arbitragem dos Estados Unidos e conseguiu uma indenização de US$ 662 milhões.

Anotava, no artigo, que a Lava Jato havia sentenciado os executivos brasileiros a mais de dez anos de prisão, e não havia tomado nenhuma medida penal contra os executivos da Advance.

Ontem, 5ª feira, três anos após a revelação do escândalo, foi feita a denúncia contra Paul Alfred Bragg, o principal executivo da Advance. A denúncia esmiúça a maneira como Zelada forçou a contratação da empresa pela Petrobras. Inclusive detalha a participação do controlador da empresa, o chinês Nobu Su.

Nenhuma medida foi tomada, no entanto, em relação à Trafigura, provavelmente a empresa com maior nível de corrupção na Petrobras.

Luís Nassif
No GGN
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O que quer Bolsonaro não é o “Velho Oeste”. É muito pior…


Ouço muita gente falar que Jair Bolsonaro quer a volta do “faroeste” como fórmula de “segurança pública”.

Lamento informar, mas não é. É algo muito pior.

Como, talvez, o ex-capitão, em seu ‘vasto’ conhecimento histórico, não saiba, transcrevo trechos de uma reportagem sobre como era o porte de armas nas cidades do chamado “Velho Oeste” que a minha geração conheceu nos filmes.

Em muitas cidades do velho oeste, o controle delas [das armas] era mais rigoroso do que é nos EUA de hoje. Tombstone, Deadwood e Dodge City eram as mais restritivas. Em 1870, quem chegava a Wichita, no Kansas, via placas com avisos do tipo “Deixe seu revólver na delegacia e faça um registro” ou “Você é bem-vindo, suas armas não”. Há imagens que mostram a entrada de Dodge City, em 1879,com um outdoor onde se lê: “O porte de armas de fogo é estritamente proibido”.(…)

Por isso, os homicídios eram raros. Em média, as cidades da fronteira registravam menos de dois por ano. Mesmo nas cidades grandes, a violência não era corriqueira. As cinco maiores cattle towns, vilas formadas em torno da criação de gado, contabilizaram apenas 45 homicídios entre 1870 e 1885. Em Abilene, uma das mais violentas, ninguém foi morto entre 1869 e 1870. Ellsworth e Dodge City foram as únicas a superar cinco homicídios por ano.

É melhor não usar argumentos diante das bárbaras declarações de Jair Bolsonaro ontem, no Pará, dizendo que criminosos ” não merecem lei, não; merecem é bala!”.

Como, ao contrário do que acontece até nos filmes de bangue-bangue, ele não quer oferecer nem mesmo “um julgamento justo” (em outros tempos isso seria quase um pleonasmo no Brasil, hoje é quase um paradoxo), pode-se dizer que, “macho” como é, o seu Jair vai sair por aí “mandando bala” em quem ele achar criminoso.

Como apologia do crime, exercício arbitrário das próprias razões, planejar explodir bombas em quartéis do Exército são atos criminosos, corre-se o risco de, eleito Bolsonaro e implantada a regra de meter bala em criminosos, corre-se o risco de termos o segundo caso de Presidente que se suicida.

Desta vez, por merecimento.

Fernando Brito
No Tijolaço
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