7 de jul. de 2018

Delator da JBS relata pressão de Yunes para ajudar Temer


Um delator da JBS disse à PF (Polícia Federal) que foi pressionado por José Yunes a fechar acordo judicial para ajudar financeiramente o presidente Michel Temer. Yunes foi assessor do governo e amigo pessoal do emedebista. A declaração foi dada pelo advogado Francisco de Assis e Silva.

No depoimento, Assis e Silva afirmou que José Yunes teria insistido para fechar o negócio. O coronel fez a intermediação com outro advogado, Paulo Henrique Lucon, que estava na causa em questão.

As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo neste sábado (7.jul.2018). Segundo o executivo da JBS, episódio teria acontecido em junho de 2015. O depoimento é de 23 de maio de 2018.

Lucon foi nomeado por Temer para integrar a Comissão de Ética Pública da Presidência em março de 2018. Já Yunes é citado na delação da Odebrecht como intermediário de pacote com R$ 1 milhão. O dinheiro iria para campanhas do PMDB.

Segundo a versão levada à PF, Temer receberia uma parte dos honorários da causa.

“Em junho de 2015, Paulo Lucon propôs ao depoente para que colassem termo final em relação aos honorários de uma ação privada envolvendo a empresa Bertin, adquirida pela JBS, e a empresa Basf, na qual Paulo Lucon possuía honorários que, segundo ele, totalizavam R$ 60 milhões, ocasião em que o depoente informou para Lucon que de forma alguma teria interesse em realizar tal acordo uma vez que entendia que a causa seria ganha pela JBS”, disse Assis e Silva à PF.

“Que, então, Yunes insistiu com o depoente para que repensasse sobre tal acordo com Lucon, uma vez que o então vice-presidente Michel Temer teria participação nos honorários que Lucon pleiteava na causa”, completou.

Outro lado

À Folha, Yunes disse que “exerce a advocacia de forma ética há mais de 50 anos e jamais utilizou influência política em seu trabalho”.

Em nota, o Planalto declarou que “o presidente não teve qualquer participação neste processo e desconhece essa ação”.

Paulo Lucon disse que “nunca houve qualquer tipo de pressão para ser feito acordo” e afirmou que a declaração do delator é “mentira”.
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A nova função da notícia na guerra por corações e mentes


Vocês já notaram como  a TV Globo  aumentou a  frequência na divulgação de mensagens não comerciais envolvendo temas como direitos da mulher, respeito às diversidade social, igualdade de sexos, importância do agronegócios?  A mesma estratégia está sendo utilizada por instituições governamentais como a justiça eleitoral, ministério público, sem falar na publicidade de empresas privadas.

Trata-se da nova modalidade de apropriação de ideias, valores e preocupações por empresas e instituições interessadas em influir na formação do chamado discurso público, uma expressão que define os posicionamentos predominantes dos indivíduos nas conversas sobre temas e preocupações coletivas.

A apropriação de ideias, valores e preocupações é concretizada na forma de códigos informativos, outra expressão nova e meio complicada para definir um conjunto reduzido de palavras que expressam ideias geralmente complexas. Quando a Globo cria uma serie de mensagens em vídeo baseadas na palavra respeito ela está cunhando um código informativo para representar a defesa do princípio da igualdade entre indivíduos de classes, etnias, religiões, culturas e gêneros diferentes.

Os códigos informativos são estratégicos no condicionamento do debate público sobre temas relevantes no dia a dia de um país ou de uma comunidade social.  Por isto quem tem capacidade de influir na apropriação de ideias, valores e preocupações visando a produção de códigos informativos assume um considerável poder politico junto à população. O uso dos códigos ganhou importância estratégia na era da avalancha informativa digital porque diminuiu o tempo disponível pelas pessoas para refletir sobre a s noticias.

O caso da mensagem “agro é tec, agro é pop, tá na Globo” é um caso especifico de promoção da ideia de que os brasileiros dependem do agronegócio , o que confere a este segmento empresarial  um enorme poder politico e serve para neutralizar propostas como a reforma agrária e a percepção de que os grandes proprietários de terras são predadores do meio ambiente e promotores da exploração dos trabalhadores rurais. As mensagens da  Globo são dirigidas ao público urbano e visa mudar a imagem do agronegócio, até agora visto como um segmente ultra conservador e preocupado apenas em obter vantagens do governo.

O uso de temas relacionados a comportamentos e valores vem crescendo exponencialmente nos meios audiovisuais depois que os estrategistas da comunicação verificaram os efeitos das mensagens que pretendem “vender” novas atitudes, princípios ou preocupações.

Empresas farmacêuticas, por exemplo, usam intensivamente a produção de códigos informativos para condicionar as atitudes de consumidores em questões controle da obesidade ou da natalidade. Na alimentação, já nos acostumamos às campanhas pela redução do consumo de açúcar e gorduras. Estes códigos criados a partir de informações publicadas na mídia orientam nossos hábitos de consumo.

O caso da corrupção e a estratégia  comunicacional dos investigadores da Lava Jato é exemplar dentro da nova tendência no marketing politico-ideológico.  A expressão Lava Jato foi transformada num código que transmite em duas palavras todo um conjunto de ideias, práticas e posicionamentos no debate sobre corrupção no Brasil.

As novas formas de exclusão informativa

A produção de códigos informativos é parte de um processo de uso maciço da informação como suporte para estratégias de controle do debate público.  O objetivo é tanto condicionar a forma como as pessoas organizam seu mapa mental como também uma forma de excluir determinados segmentos sociais do debate público.  Até agora esta exclusão era ostensiva e até violenta, mas agora a manipulação da informação permite o uso de estratégias mais sutis e que incluem até mesmo uma aparência de inclusão, como mostrou o falecido sociólogo italiano Alberto Menucci.

“A definição estrutural das diferenças já está incorporada ao sistema sem recorrer a fatores externos…Os códigos máster tendem a incluir os excluídos ou neutralizar possíveis focos de oposição…Se antes a exclusão era visível e forçada, hoje os códigos tendem a fixar pré-condições para participação no discurso público, onde até mesmo os excluídos acabam incorporados”.  (Alberto Menucci, Challenging the Codes, Cambridge University Press. 1996). Tudo isto é operado através da disseminação maciça de dados, fatos e eventos na forma de conteúdos jornalísticos e de publicidade comercial.

Isto confere à imprensa um papel político chave neste processo, o que intensifica a polêmica em torno da função do jornalismo no fluxo de informações em grupos sociais.  As empresas de comunicação estão descobrindo a alta rentabilidade politica e econômica do uso da estratégia de apropriação de códigos informativos e esta preocupação tende a contagiar todos os demais segmentos noticiosos.  Isto cria cada vez mais dificuldades para que as pessoas possam distinguir entre a informação de interesse público e a produzida para atender grupos de pressão privados.

Na conjuntura brasileira atual, o uso estratégico dos códigos informativos está sendo facilitado pela crise na esquerda cujas bandeiras, slogans e projetos estão sendo gradualmente apropriados por grupos que antes eram avessos ou não davam tanta importância aos temas que agora promovem. A discriminação racial e os direitos das minorias eram quase uma marca registrada dos movimentos de contestação da ordem vigente. Agora estão gradualmente se tornando num patrimônio informativo da TV Globo.

Carlos Castilho é jornalista, doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento e pesquisador associado do objETHOS
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Gilmar: Lava Jato mostrou corrupção e golpe perto do Ministério Público


O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes criticou a “canonização” das ações da Lava Jato, principalmente em relação às decisões tomadas pelo juiz Sergio Moro, e disse que a operação acabou expondo uma parte do Ministério Público Federal que também está "suscetível" à corrupção e que até esboçou uma tentativa de golpe sob a gestão de Rodrigo Janot.

Em entrevista ao Broadcast do Estadão, divulgada neste sábado (7), Gilmar disse que a "canonização" da Lava Jato fez com que "qualquer decisão contra a ação do Moro" fosse "considerada antirrepublicana, antipatriótica ou antiqualquercoisa, o que é uma bobagem."

Essa exaltação fez a Lava Jato "pensar que era uma entidade, quis legislar, mudar habeas corpus e outras coisas. Depois se viu que eles eram suscetíveis a problemas sérios e que a corrupção estava ali perto, como o caso (do ex-procurador Marcello) Miller”, afirmou Gilmar.

Em sessões do Supremo, Gilmar também já chegou a citar outro escândalo envolvendo a negociação de delações premiadas, mas pelos procuradores de Curitiba, que estariam escolhendo os escritórios de advocacia com os quais aceitam conversar. Nessa esteira, a banca do irmão do procurador Diogo Castor de Mattos acabou assumindo a defesa de João Santana e Mônica Moura, ex-marqueteiros do PT.

Gilmar ainda criticou o uso da prisão preventiva pela Lava Jato e defendeu um reforço na lei de abuso de autoridade. 

Ele disse ainda que as ações da Procuradoria Geral da República sob Rodrigo Janot pareciam ter sido encampadas para "derrubar o presidente" Michel Temer. "Então foi a primeira tentativa de golpe que se fez em 30 anos vinda não de militares."

“Nenhuma operação dessas pode ser feita em menos de seis meses. Eles comprimiram para menos de três meses, pois o timing tinha a ver com a interferência do presidente na sucessão. Se foi esse o móvel, podemos falar que houve uma tentativa de golpe, e gestada no Ministério Púbico. É algo pensável e precisa ser esclarecido. Passadas as eleições, o Congresso vai reagir a isso”, disse Gilmar.

No GGN
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Sobre a candidatura Ciro Gomes


Retorno a um tema polêmico para a esquerda, a candidatura Ciro Gomes. No momento de escrita dessa análise, 04 de julho de 2018, o cenário e tendências que se apresentam podem ser resumidas a:

1 - O PT não irá apoiar Ciro, nem em primeiro nem em segundo turno e será oposição a o seu governo caso este vença as eleições, por razões que explicarei adiante;

2 - Ciro é um candidato com possibilidades de vencer a eleição, mas a vitória depende de sua capacidade de articular uma base política ainda no jogo pré-eleitoral, base que é importante para os apoios regionais à sua candidatura e para fundar um pacto político de apoio para a operacionalizar o seu governo.

3 - O Lulismo permanece vivo e é o maior capital político comprovadamente consolidado e já está imune às campanhas midiáticas anti-lulistas;
4 - Alckmin, Boulos, Manoela, Marina figurarão como coadjuvantes;

5 - Bolsonaro está no segundo turno.

Sobre as razões do PT optar por ser força antagônica a Ciro, essas se devem à prática política já consolidada do partido em se impor como (e de fato ser) força política hegemônica dentro da esquerda. A decisão de não apoiar Ciro vem de encontro a reforçar e manter essa posição, o qual deve permanecer com o PT, mesmo após o intenso ataque jurídico-midiático.

Uma escolha em contrário, de apoiar Ciro, colocar ia o PT a reboque de outras forças políticas e esse estaria, na prática, cedendo essa posição política obtida historicamente. A escolha acarretaria numa possível fragmentação e enfraquecimento do partido, com a perda da hegemonia dentro das esquerdas e grande risco desse virar um PSOL. Ademais, a luta em torno da candidatura Lula e de sua liberdade virou uma bandeira unificadora das esquerdas (em torno do PT e seu candidato) e será mote de campanha das candidaturas estaduais, majoritárias e proporcionais.

Ou seja, não apoiar Ciro é uma questão de sobrevivência política e identitária do Partido dos Trabalhadores.

Sobre Ciro, as possibilidades reais de vitória aumentam a propensão desse em fechar os acordos pré-eleitorais para assegurar a vitória e viabilizar um futuro governo. São esses acordos pré-eleitorais entre as forças políticas e quem elas representam que determinam a identidade política do futuro governo e não o caráter, as ideias, o alinhamento ideológico do candidato. Uma candidatura a presidente é como aquele boneco "cabeça de batata", vai tomando forma à medida que as alianças políticas são feitas, ou seja, a "cabeça de batata", ou o candidato, é apenas a base sobre a qual se dará a construção de algo. Exemplo claro disso é o que foi a candidatura Lula de 2002!

Da conjunção desses fatores, nasce uma candidatura e um possível governo que só podem ser viáveis à direita. A atual decisão do PT indica, com clareza de céu de brigadeiro, que esse será oposição a um eventual governo Ciro e sem o PT, partido que ainda deverá ter a maior bancada de esquerda, não é possível um governo com o mínimo de pauta à esquerda, pela simples constatação de inexistência de forças políticas substanciais à esquerda na composição de um eventual governo Ciro.

Ou seja, os pactos políticos que se engendram para um governo Ciro Gomes só lhe permitem navegar pelas águas de centro-direita, não havendo possibilidade de águas seguras para se navegar minimamente à esquerda. A experiência política de Ciro e de sua assessoria já sabem disso claramente. Assim, ele começa a dar meia-volta no discurso, antes com elementos à esquerda e agora rumando à direita.

Isso significa que Ciro é um oportunista ou mau caráter? Não sei, e não sei quem saiba, mas a força motriz dele é a mesma de todos os políticos, que é ser eleito e viabilizar o seu governo, realizando os acordos necessários conforme a conjuntura. Como já disse, Ciro é um "Cabeça de Batata" que está sendo construído, o candidato em si é só um porta-voz ou relações públicas das forças e acordos políticos que o elegem. De certo é que o braço esquerdo dessa batata foi amputado.

Disso, resta à esquerda a esperança do Lulismo conseguir se potencializar em votos em um candidato do PT, do qual concluímos que somos todos reféns.

Daniel Melo
No GGN
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'Veja' usou e abusou das fake news, quebrou a Abril e pirou

A capa da revista Veja que chega às bancas é a demonstração de que, à beira de quebrar, a Editora Abril e sua principal revista estão perdendo a conexão com a realidade. A revista foi a principal agência da disseminação de fake news no país nos últimos 15 anos, numa campanha de ódio contra os governos do PT que arrastaram a revista e a Editora a uma decadência sem retorno. A revista lança uma capa com o título "As fake news que matam" - elas estão matando Veja e a Editora Abril. 

Veja, que já teve um milhão de assinantes perdeu metade deles ou até mais, segundo artigo de Miguel Enriquez. Há informações de que haverá 300 demissões nas já diminutas redações da editora, que mais revistas serão fechadas e que os prejuízos, que levaram a uma dívida de R$ 1,2 bilhão podem levar ao fim da empresa dos Civita.

Miguel Enriquez publicou artigo do Diário do Centro do Mundo expondo o prejuízo milionário amargado pela Editora Abril e indicando que se a empresa não der um jeito de recuperar o fôlego, pode acabar apelando para a recuperação judicial. Segundo o colunista, essa situação põe ainda mais pressão sobre Veja e tem sua parcela de culpa sobre o jornalismo recheado de fake news das últimas edições. A revista já chegou a responder por 2/3 do peso da Abril.

De acordo com o artigo, "pessoas que acompanham mais de perto a agonia da Abril" afirmam que o volume de assinaturas caiu pela metade nos últimos anos e estaria "entre 500 mil, na hipótese mais benigna, e 300 mil, na mais realista."

Os "balanços do grupo, auditados pela PricewaterhouseCoopers (PwC)", mostram que a editora teve "um prejuízo de R$ 331,6 milhões em 2017, continuou e ampliou a trajetória de perdas, que apenas nos últimos três anos totalizaram R$ 768,1 milhões."

O endividamento "também passou a ser preocupante: até 2024, o grupo terá de pagar aos credores de empréstimos e financiamentos R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 359 milhões até o fim de 2019."

"Essa situação", diz o relatório do final de abril passado, indica a "existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional."
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Greg News com Gregório Duvivier | Bolsonaro


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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella prometeu facilidades a pastores


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Presidente do Equador quer liquidar de vez com a Unasul

Ecuador quiere de vuelta el edificio de Unasur

Sede en Quito del bloque integracionista suramericano.
Foto: Unasur
El presidente de Ecuador, Lenín Moreno, anunció que el gobierno nacional solicitará a los países miembros de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) la devolución del edificio utilizado como sede de la instancia regional.
Según aclaró el mandatario en conversatorio con medios internacionales de prensa, la mitad de los países miembros del ente han abandonado la instalación, por lo cual considera necesario darle otro destino.

“Como es una institución que no está funcionando, es un absurdo que un edificio que cuesta decenas de millones de dólares esté sin utilidad y requerimos a Unasur la devolución del edificio para poder darle un mejor destino”, sentenció.

Moreno acotó que no se opone bajo ninguna circunstancia a la integración, pero en su criterio, en el caso de la instancia suramericana, en la práctica no ha funcionado.

“Creo verdaderamente, que debemos defender la integración y Unasur fue una buena idea, que lastimosamente, por fallas humanas, no se ha cristalizado”, añadió.

La instancia tiene su sede en Quito, en la Mitad del mundo y lleva el nombre de su primer secretario general, el fallecido expresidente de Argentina, Néstor Kirchner.

Desde el 31 de enero de 2017, cuando el exmandatario colombiano Ernesto Samper concluyó su mandato extendido, carece de secretario general y actualmente la presidencia pro témpore la ostenta Bolivia.

Cinco de sus miembros, Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Paraguay y Perú, anunciaron en abril último, su intención de desvincularse de la Unión.

No Cuba Debate
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Dois criminosos em Brasília

Rodrigues e Jacob
Como se eu já não tivesse fraldas suficientes pra trocar, decidi passar por cima da linguagem técnica e ler as defesas dos deputados federais Celso Jacob e João Rodrigues. Eles tentam segurar seus mandatos na Comissão de Ética na próxima semana. Condenados pela Justiça, os deputados foram presos, depois soltos, e atualmente podem exercer o mandato na Câmara, também por autorização Judicial.
 
Jacob (7 anos e 2 meses de prisão) e Rodrigues (5 anos e 3 meses de prisão) foram condenados por maracutaias em licitações. Ambos negam tudo, claro.


A defesa de Jacob admite que ele assinou a alteração de uma lei municipal em Três Rios (RJ), quando era prefeito. Alteração essa que beneficiou uma construtora. Construtora essa que não tinha condições técnicas de tocar uma obra em uma creche. Para terminar os trabalhos sem ter que fazer uma licitação, Jacob decretou “estado de emergência” na cidade e aprovou crédito extra.


Jacob não tem mais alternativas legais, já que sua condenação foi feita pelo STF, mas a defesa alega que ele deve permanecer exercendo seu cargo de deputado federal em Brasília porque ele não agiu por mal. Melhor ainda: Jacob assinou a alteração na lei “sem sequer conferir o seu conteúdo”. Entre idas e vindas juridiquentas da defesa de 359 páginas, o que os advogados de Jacob querem é que tenhamos um deputado que não lê o que assina, em Brasília, assinando coisas todos os dias.


João Rodrigues tem uma defesa mais técnica e argumenta que o crime pelo qual o deputado foi condenado aconteceu antes que ele se elegesse deputado. E cita que a mesma regra salvou da cassação, por exemplo, Raul Jungmann, com relatoria favorável do então aliado José Eduardo Cardozo, que depois seria advogado de Dilma Rousseff durante o impeachment.


A peça de defesa de Rodrigues mostra indignação, e se pergunta: “Futuramente, com quais casos o Conselho de Ética se preocupará? Todos aqueles descobertos pela imprensa ocorridos há 5 anos, 10 anos ou 20 anos?” Eles têm razão. Que mania essa de ficar chafurdando os erros passados dos parlamentares com tantos erros futuros pela frente.

Leandro Demori
No The Intercept
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Eliminação do Brasil tem ao menos uma vantagem: não ouvir o Tite por um bom tempo


Uma vantagem da eliminação do Brasil pela Bélgica na Copa é não ouvir mais o Tite por um bom tempo.

O bom técnico do Brasil é, basicamente, um guru de auto ajuda.

Lembra Sebastião Lazaroni, talvez o precursor desse gênero de treinador, que dirigiu a seleção de 1990.

Lazaroni cunhou expressões pretensiosas inesquecíveis, a principal delas “galgar parâmetros”.

“O aleatório foi cruel demais conosco”, disse Tite depois da derrota.

Ele gosta de repetir um mantra para seus comandados: “Mentalmente forte”.

O resultado é o oposto. 

“A gente tem de estar preparado para tudo, inclusive começar perdendo. A gente se desesperou um pouco e por isso saiu o segundo [gol belga]”, admitiu Renato Augusto.

O Brasil era a única equipe sem psicólogo.

Tite faz esse papel como “coach” — uma dessas picaretagens que não significam coisa alguma, tipo “sustentabilidade”.

Nas coletivas, brindava jornalistas dóceis com baboseiras non sense jamais questionadas.

“Eu usei erradamente o que falei para os atletas, de que a matilha precisa do lobo e o lobo precisa de matilha, mas o conjunto de lobos é alcateia”, falou.

“Entre ter um mau prestígio e mau consciência, prefiro ter mau prestígio. Temos jogo decisivo, esse jogo que decide. Nossa continuidade depende desse jogo”, mandou ver. Sabe Deus o que é mau prestígio.

Também passou a se referir a si mesmo na terceira pessoa, um clássico.

“Quero colocar para toda nação brasileira, estou num posto. No primeiro jogo contra o Equador, o Tite chorou quando acabou o jogo. Repito: Tite chorou”, falou.

“Há o momento, sim, do gelo, da calma, da lucidez, manter padrão. O que é manter padrão? 91 do segundo tempo, você fazer o gol do jeito que a equipe está acostumada a jogar. Isso é manter padrão”.

Tite precisa ouvir o conselho de Nelson Rodrigues aos diretores de teatro: “Seja burro pelo amor de Deus, seja burro”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Direita optou por radicalizar

Em menos de cinco meses, as expectativas econômicas sofreram uma séria reversão. Conforme noticiou a Folha na última quinta (5), “em março, a alta esperada para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2018 encostava em 3%, com alguns economistas prevendo algo acima disso”. Agora as projeções caíram para cerca de um terço daquele montante.

Em outras palavras, o Plano Meirelles deu errado e a ponte para o futuro nos levou ao passado de estagnação dos anos 1980 e 1990. Compreende-se, assim, que o ex-ministro da Fazenda amargue 1% das intenções de voto e Lula continue com mais de 30% nas pesquisas, apesar de preso.

Da metade da pirâmide para baixo, o eleitorado quer, sobretudo, voltar ao período em que havia emprego e renda.

O problema está em como reconstruir as condições para tal retomada. O processo do impeachment, iniciado em 2015 e concluído em 2016, abalou as bases do pacto que permitiu o “milagre” lulista de reduzir a pobreza sem confronto político. Na sequência, a conjuntura foi transformada por importantes mudanças locais e mundiais.

Na esteira do golpe parlamentar, e sem a legitimação de um pleito presidencial, houve bloqueio dos gastos públicos, retirada de direitos trabalhistas e abertura do pré-sal para empresas estrangeiras. No plano externo, a ascensão de Donald Trump significou o acirramento dos conflitos globais.

As vaias a Ciro Gomes (PDT) e os aplausos a Jair Bolsonaro (PSL) na CNI (Confederação Nacional da Indústria), quarta (4) passada, expressam bem o ambiente polarizado do qual não conseguimos escapar.

Os apupos vieram quando o candidato do PDT — longe de ser um radical, ainda que intempestivo — apenas afirmou que reabriria o debate sobre as mudanças na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O postulante do PSL, por sua vez, foi ovacionado quando disse que iria colocar “generais nos ministérios”.

Bolsonaro reiterou que não entende de economia, delegando ao economista ultraliberal Paulo Guedes a formulação dos planos para a área. Mas se propõe a garantir a ordem, por meio de presença militar, para que o capital possa reinar inconteste. “Os senhores são os nossos patrões”, declarou o deputado na CNI.

Como disse um amigo, a direita está venezuelizando o país. Joga fora a Constituição de 1988 que, bem ou mal, garantiu a fase mais completamente democrática que o Brasil teve. Se forem bem-sucedidos, a instabilidade prosseguirá. Diante de tal ofensiva, fica difícil conciliar.

André Singer, Professor de ciência política da USP, ex-secretário de Imprensa da Presidência (2003-2007). É autor de “O Lulismo em Crise”.
No fAlha
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Marin, o moralista sem moral




José Maria Marin (ARENA - SP) em apoio a Ditadura Militar

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Amigos do Michel


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Mais uma do canalha Bolsonaro - assista


“Suicídio acontece”, diz Bolsonaro sobre assassinato de Herzog na ditadura



Em entrevista ao programa de Mariana Godoy, Jair Bolsonaro teceu comentários acerca do assassinato de Vladimir Herzog nas instalações do DOI-CODI, em 1975, após ser seviciado.

Há dias, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por negligência na investigação.

“Alguns inocentes acabaram tendo um fim que não mereciam, no meu entender. O caso Vladimir Herzog, muitos falam que ele praticou o suicídio”, declarou.

“Lamento a morte dele, em que circunstância, se foi suicídio ou morreu torturado. Suicídio acontece, pessoal pratica suicídio”, afirmou.

Mariana ouve aquele longo solo, mentiroso do início ao fim, canalha, ignominioso, e lhe pergunta se não acha importante reconhecer o que aconteceu.

“Me define o que é ditadura? Nós tínhamos liberdade de ir e vir”, argumenta.

“Por exemplo: a TV Globo nasceu em 65. Qual órgão imprensa nasceu em qualquer ditadura do mundo?”

Herzog era “um colaborador”, segundo o candidato, e o pessoal se “vitimiza”. A Anistia já resolveu tudo: “Essa é uma história que passou”.

Bolsonaro ainda defendeu a tortura. É preciso “parar de dar tratamento humano para quem não é ser humano”, segundo ele.

Etc etc.

Jair tem um longo caminho enquanto tiver pela frente entrevistadores que o tratam como um tiozão esquisito, dando risadas a cada barbaridade que sai de sua boca, e não como uma ameaça à democracia.

Kiko Nogueira
No DCM

Assista o festival de besteiras:

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Liguem o pisca alerta. Segundo turno? Pode não dar tempo


Há cerca de 15 dias, FHC, o maestro do golpe, que sob a fachada de um impeachment (sem crime, e por isto golpe), tirou do poder Dilma Rousseff, a presidenta eleita, vem sinalizando que orquestra um desdobramento do seu feito, para 2019.

Com a desenvoltura de sempre, e o espaço generoso que a mídia lhe confere, ele se move de um lado a outro, tentando, mais uma vez, tirar do povo o gosto da escolha de um(a) novo(a) presidente.
De preferência, dando aos seus atos o aspecto de “legalidade”, pois não quer mergulhar na lama os punhos de renda de sua fatiota de “príncipe”.

No momento, o seu plano é convencer aos da direita, (aquele rapaz fora, porque é fascista, e não mais de direita), de abrirem mão de suas candidaturas, em torno de um nome mais forte do que o do picolé de chuchu, a fim de arrombar a festa das eleições de outubro já no primeiro turno. Como se costuma dizer, liquidar a fatura.

Sem capacidade de unificar o próprio partido, ou alavancar votos para o insosso candidato que não é da sua simpatia, e muito menos do eleitorado, FHC busca manobrar com os partidos de direita uma “unificação”.

Para quem duvida de seus atributos golpistas, o site 247 tratou de nos refrescar a memória,  trazendo de volta, nesta semana, um artigo da autoria do ex-presidente, publicado nos jornalões de fevereiro de 2015, onde ele conclamava ao golpe:

“Nada se consertará sem uma profunda revisão do sistema político e mais especificamente do sistema partidário e eleitoral. Com uma base fragmentada e alimentando os que o sustentam com partes do orçamento, o Governo atual não tem condições para liderar tal mudança. E ninguém em sã consciência acredita no sistema prevalecente. Daí minha insistência: ou há uma regeneração “por dentro”, Governo e partidos reagem e alteram o que se sabe que deve ser alterado nas leis eleitorais e partidárias, ou a mudança virá “de fora”. No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais.”

E não só conclamava, como distribuía as tarefas, escalando os segmentos que agiriam para que tudo saísse a seu gosto:

Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados. Que o STF não deslustre sua tradição recente. E, principalmente, que os políticos, dos governistas aos oposicionistas, não lavem as mãos. Não deixemos a Justiça só. Somos todos, responsáveis perante o Brasil, ainda que desigualmente. Que cada setor político cumpra sua parte e, em conjunto, mudemos as regras do jogo partidário eleitoral. Sob pena de sermos engolfados por uma crise, que se mostrará maior do que nós.

Os escalados em 2015, a saber: mídia, Justiça e Congresso cumpriram os seus papéis com muita dedicação. E tanta, que conseguiram, não só derrubar o governo, como garantir como  síndico por ele escalado, alguém com a índole “altruísta”, a ponto de, à base de uma boa porção de óleo de peroba, sem se importar com o alto índice de rejeição, arregaçar as mangas e, num ímpeto, entregar as encomendas dos “amiguinhos” de FHC.

Por “amiguinhos”, entendam: a elite empresarial – que sonhava com a reforma trabalhista; os americanos – de olhos compridos no pré-sal, na Embraer, no Aquífero Guarani, na base de Alcântara e outras delícias nacionais que eles queriam, porque queriam.

Como desdobramento, trataram de satisfazê-lo e colocar na cadeia o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, disparado nas pesquisas, tirando a legitimidade da eleição, que FHC quer continuar regendo. Sim, sem legitimidade, pois se 42%, (quase metade do eleitorado, portanto), diz que vai anular ou votar em branco, se recusando a participar de uma eleição sem o seu candidato preferido, a eleição será mera mise en scène.

Para agravar o quadro, a esquerda segue com vários candidatos, apostando em se unir apenas no segundo turno. Pode não dar tempo.

A julgar pela volúpia de FHC pelo poder, pelos compromissos assumidos com os seus “amiguinhos”, e pela “obediência” e deslumbre que consegue em torno de suas ideias, é tempo da esquerda ligar o pisca alerta e observar mais de perto a “inquietação”, deste senhor. Não se pode duvidar do seu poder de ação. Seja lá o que for que ele está apontando com a sua batuta, é para lá que devemos guiar os nossos olhares. Não duvidemos de sua capacidade de produzir golpes suaves: “No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável”, mas é certo que o seu arquivo de partituras pode nos levar a, de novo, dançar uma polca em outubro. Alertai-vos!

Denise Assis, Jornalista
No Cafezinho
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Brasil fora da Copa: a inacreditável hipocrisia de Galvão e Ronaldo ao falar de corrupção na CBF e no país

O trio calafrio
Findo o jogo em que o Brasil foi eliminado pela Bélgica, Galvão Bueno pôs-se a deblaterar sobre a corrupção na CBF.

Ladeado por Casagrande e Ronaldo, lembrou que um presidente (José Maria Marin) “foi afastado”.

“É um momento de parar pra pensar”, lamentou, rouco e abatido, ligeiramente inchado, num discurso meia sola interminável.

O Fenômeno fez um aparte.

Vivemos “um momento difícil da política no Brasil e pior ainda no futebol”, lembrou o sujeito que fez campanha para Aécio Neves em 2014.

Segundo Galvão, tem “muita coisa pra melhorar”.

“Uma vitória na Copa não melhora os problemas muito sérios do país”, acrescentou.

É inacreditável.

A Globo foi parceira de todos os bandidos da CBF, sem exceção, que cultivou e poupou até a situação deles ficar insustentável. Todos, de Havelange em diante.

Não pagou imposto pela aquisição dos direitos de transmissão do mundial de 2002.

Em 2011, a revista Piauí publicou uma longa e reveladora matéria sobre esse casamento.

Ricardo Teixeira e a repórter Daniela Pinheiro se encontraram em Zurique dez vezes. “Só jornalista fala mal de mim”, disse o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Não os da Globo.

Teixeira se orgulhava da emissora não repercutir denúncias contra ele. “Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional”, relatou.

Daniela contava de um empresário que lhe confidenciou o receio de ser entrevistado pela Globo sobre pacotes de viagem para a Copa de 2014 vendidos com “preços estratosféricos”.

“Não vai ter isso, não: está tudo sob controle”, disse o cartola.

Daniela menciona um Globo Repórter sobre a CPI da Nike em que se deixava claro que o estilo de vida do empresário era incompatível com sua suposta renda.

Teixeira deu o troco alterando o horário de uma partida entre Brasil e Argentina.

Foi a última ocasião em que saiu uma matéria séria sobre ele e sua organização.

“Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo”, afirmou.

“Em 2014 posso fazer a maldade que for. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada”.

A promiscuidade era absoluta.

De acordo com a reportagem, antes de pagar a conta no restaurante, Teixeira falou pelo telefone com Evandro Guimarães, lobista da Globo em Brasília. “Trocou ideias sobre inseminação de bovinos, uma de suas mais novas atividades”, relata Daniela Pinheiro.

A capacidade de tratar seu público como otário é o diferencial absoluto do grupo dos Marinhos. Galvão é só o papagaio da história.

Qualquer reforma verdadeira no futebol passaria por rever o conúbio entre Globo e CBF. O resto é silêncio.



Kiko Nogueira
No DCM
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