1 de jul. de 2018

Vagabundo é juiz que tem auxílio-moradia com casa própria, diz Boulos

Em entrevista ao Metrópoles, o candidato pelo PSol à Presidência apresentou suas propostas e disse querer participação social


Em entrevista ao Metrópoles, nesta sexta-feira (29/6), Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência pelo PSol, afirmou que sua corrida ao Palácio do Planalto não é apenas figurativa. Segundo ele, o partido está em campanha para vencer de fato o pleito e poder, assim, mudar o Brasil.

“Nós temos que fazer a mudança junto com a sociedade. O Brasil é muito maior que a Praça dos Três Poderes. Nós vamos cortar os privilégios, cortar auxílio-moradia, salário acima do teto. Vagabundo pra mim é juiz que recebe auxílio-moradia tendo casa própria”, espinafrou.

Em outros momentos da entrevista, Boulos atacou o adversário Jair Bolsonaro (PSL) e, além de prometer acabar com diversos privilégios, entre eles os que beneficiam o judiciário brasileiro, disse que a sociedade terá voz ativa quando estiver à frente do governo federal.

Assista à entrevista completa:

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Dilma ensaia a volta

Depois de confirmar o impeachment, o Senado poupou Dilma Rousseff de perder os direitos políticos. "Não podemos ser maus, desumanos", defendeu Renan Calheiros. Parecia um mero consolo para aliviar as dores da queda. A imagem da petista estava tão desgastada que ninguém apostaria numa nova candidatura.

Menos de dois anos depois, Dilma decidiu enfrentar as urnas. Concorrerá ao Senado pelo PT de Minas Gerais. Ela se lançou na noite de quinta-feira, em Belo Horizonte. Há duas vagas em disputa, e pesquisas que circulam no Estado a apontam como favorita.

A candidatura da ex-presidente surgiu como um embaraço para seu próprio partido. Irritado, o MDB abandonou a base de Fernando Pimentel e abriu um processo de impeachment contra o petista. Agora o cálculo mudou, e a presença dela passou a ser vista como um reforço para o governador.

Além de enfrentar problemas com a Justiça, Pimentel pilota uma administração em colapso financeiro. O Estado voltou a atrasar o pagamento dos servidores. A folha de pagamentos virou uma bagunça. Um estudo do Tribunal de Contas identificou 96 mil funcionários sob suspeita de acúmulo ilegal de funções.

O descalabro encorajou o PSDB a relançar Antonio Anastasia, que deixou o governo em 2014 com a reputação de bom gestor.

A entrada de Dilma na chapa deve nacionalizar a eleição mineira. Isso tende a atrapalhar o tucano, que foi relator do impeachment no Senado e será cobrado pelo impulso decisivo a Michel Temer.

A impopularidade do presidente se tornou o maior ativo eleitoral da antecessora. De acordo com a nova pesquisa CNI-Ibope, 63% dos brasileiros consideram o governo Temer pior que o governo Dilma. Outros 26% não veem diferença, e apenas 9% dizem que o país melhorou.

A eleição mineira poderia ficar ainda mais interessante. Como o mandato de Aécio Neves está no fim, a corrida ao Senado ameaçava reeditar o duelo que dividiu o país em 2014. Apanhado pela Lava-Jato, o tucano achou melhor não disputar o tira-teima. Sua situação é tão melancólica que ele ainda calcula se teria votos para se eleger deputado.

Bernardo Mello Franco
No Globo
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Urbanista recusa entrevista à Globo: ‘não acredito que terão coragem de criticar especuladores’

Professora Ermínia Maricato divulgou conteúdo de e-mail: 'Divido com vocês porque não é sempre que a gente sapateia sobre a Globo. Em geral é o contrário. E todos os dias'

Ermínia Maricato: 'Não quero ser usada para criticar o PT.
Os problemas são bem mais profundos'
A arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), se recusou a dar entrevista para o programa Fantástico, da Rede Globo, e divulgou o conteúdo de e-mail à emissora no qual nega o pedido de entrevista. “...não acredito que vocês terão coragem de criticar os especuladores imobiliários, as prefeituras dominadas por interesses de proprietários de imóveis e incorporadores, o judiciário que desconhece a legislação urbanística e a função social da propriedade...”, afirma a arquiteta em sua justificativa. “Não quero ser usada para criticar o PT. Os problemas são bem mais profundos”, diz ainda.

Confira o conteúdo da carta:

Divido com vocês porque não é sempre que a gente sapateia sobre a Globo. Em geral é o contrário. E todos os dias.

Querido XXXX, se eu tivesse garantia de que vocês iriam divulgar exatamente o que eu disser teria o maior prazer em dar a entrevista, mas infelizmente não acredito que vocês terão coragem de criticar os especuladores imobiliários, as prefeituras dominadas por interesses de proprietários de imóveis e incorporadores, o judiciário que desconhece a legislação urbanística e a função social da propriedade...

Tenho certeza de que vocês vão divulgar: houve um investimento gigantesco, como nunca no país, com muitos subsídios para a população de baixa renda e no entanto o preço da moradia subiu (mais de 200% entre 2009 e 2015), o preço dos aluguéis subiu (hoje mais da metade do déficit é devido ao excesso de comprometimento da renda com aluguéis).

Devido à falta de regulação fundiária e imobiliária e graças ao processo especulativo as cidades explodiram tornando-se mais dispersas. Isso significa que elas estão mais caras e menos sustentáveis. Acontece que a regulação do uso e da ocupação do solo é municipal. É evidente que o governo federal errou ao apostar apenas no movimento de obras que seguraria o crescimento do PIB e do emprego após a crise de 2008 sem atentar para o que construir e principalmente ONDE CONSTRUIR, mas a especulação generalizada não foi responsabilidade apenas do Governo Federal. Em período de FLA X FLU não há espaço para reflexões complexas. E na Globo muito menos. É pena. Quem sofre somos todos nós e principalmente o povo e o meio ambiente. Não me queira mal. Mas não quero ser usada para criticar o PT. Os problemas são bem mais profundos. Abraço.

No RBA
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Lava Jato queria pegar Lula, mas encontrou Roberto D’Avila, astro da Globo

Ele
Foi no programa de Roberto D’Ávila, da Globonews, que Edson Fachin disse que estava sendo ameaçado. Não apresentou provas nem citou nomes. Apenas jogou a suspeita no ar, e insinuou que as ameaças estariam partindo de quem estaria insatisfeito com suas decisões na Lava Jato.

O que o público não sabe é que Fachin, naquela entrevista, estava diante de um nome alcançado pela operação conduzida pela Polícia Federal, operação que tem em Sergio Moro o líder de fato e em Fachin, seu convalidador.

D’Avilla foi dono da Intervídeo, a produtora que um delator da Lava Jato diz ter usado para dissimular o patrocínio do Grupo Schahin para o filme “Lula, o filho do Brasil”.

Temendo o indiciamento do apresentador da Globonews por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, seus advogados encaminharam ao delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, no dia 22 de junho, um ofício em que requerem (sic) a exclusão de D’Avilla do inquérito e, entre as razões expostas, dizem que, se indicado, o jornalista terá sua “morte civil” decretada. Lembram:

“O Sr. Roberto D’Avilla é jornalista de renome nacional e internacional, com mais de 42 (quarenta e dois) anos de carreira na área, gozando de enorme reconhecimento, constituindo-se em um dos decanos dos entrevistadores brasileiros e, atualmente, conduzindo e protagonizando um programa intitulado por seu nome no canal Globonews — tamanha é a sua credibilidade e respeitabilidade no meio”.

Os advogados dizem também que ele “não deve continuar a sofrer a sombra da persecução penal injusta”, pois “sua biografia, que se confunde com a própria imagem e a excelência de sua atuação profissional, depende diretamente de seu prestígio e confiabilidade.”

Por muito menos do que é atribuído a D’Avila, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o juiz Sergio Moro mandaram para a cadeia — ou conduziram coercitivamente — pessoas citadas na Lava Jato. Mas, no que diz respeito a D’Avila, os fatos foram mantidos em sigilo. Não houve vazamento.

D’Avila passou a ser, efetivamente, investigado quando Milton Schahin, um dos donos do Grupo Schahin, formalizou o termo de colaboração premiada com a força-tarefa coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Schahin disse que, em 2009, quando foi produzido o filme sobre a biografia de Lula, ele esteve num encontro a sós com Roberto D’Avila para definir como poderia colaborar com R$ 1 milhão de reais para a produção do filme, sem que seu nome aparecesse nos créditos da obra.

Depois disso, foi celebrado contrato entre a empresa de D’Avila e o grupo Schahin, para a produção de um vídeo institucional. O dinheiro foi repassado, a empresa de D’Avila enviou as faturas, com nota fiscal, só que o vídeo objeto do contrato nunca foi feito.

E nem era para ser feito, segundo Shahin. De acordo com ele, o envolvimento de D’Avila no caso se deu por iniciativa do ex-ministro Antônio Palocci, na época deputado federal.

No depoimento de colaboração, ele disse que foi procurado por Palocci e pressionado a colaborar com o filme. De acordo com o empresário, esta era uma das condições para renovar contrato de Schahin com a Petrobras.

Depois disso é que D’Avila teria entrado em contato e acertado como ele poderia colaborar com o filme sem que o nome aparecesse.

O apresentador da Globonews prestou depoimento à Polícia Federal e negou que tenha se encontrado a sós com Shahin, mas admitiu que o vídeo não foi feito, por desistência de Schahin. Mas o dinheiro repassado aos produtores do filme.

Nos argumentos apresentados para exclusão de D’Avila do inquérito, os advogados lembram que o contrato diz respeito a duas empresas privadas e, portanto, não poderia ser relacionado direta ou indiretamente a um caso de corrupção.

Se ele não prestou serviços pelos quais a empresa recebeu, isso diria respeito apenas às partes. Sobre a delação de Schahin, afirma que ela deveria ser desconsiderada, já que a delação sem provas não serve para fundamentar indiciamento ou acusação.

Por mais que os advogados critiquem, e é um direito deles, além de existirem razões para criticar o ambiente de caça às bruxas criado pela Lava Jato, não se discute a pertinência da investigação.

O ironia dessa história é que, como no caso do triplex do Guarujá, a Lava Jato queria encontrar algo que derrubasse Lula, mas acabaram encontrando documentos que comprometiam a filha de João Roberto Marinho, um dos donos do Grupo Globo, que mantém a Globonews.

Algumas unidades do condomínio tinham sido compradas por empresas de paraíso fiscal, abertas pelo escritório Mossack Fonseca, do Panamá Papers.

Os investigadores perseguiram a pista da Mossack, talvez imaginando que encontrariam Lula ou alguém da família, mas encontraram Paula Marinho, filha de João Roberto, inclusive manuscrito supostamente dela indicando como pagaria pela offshores que é formalmente proprietária de outro triplex, este ilegal, construído na área de proteção da natureza em Paraty.

A investigação foi abortada, os responsáveis pela Mossack no Brasil, soltos, mas Lula continuou na mira da Lava Jato até o desfecho do que poderia ser um roteiro de um filme sobre conspiração: a prisão do ex-presidente.

Desta vez, com o filme “Lula, o filho do Brasil”, a Polícia Federal mais uma vez buscou Lula e encontrou D’Avila, na ponta de uma trama que, segundo o delator Shahin, foi construída por Palocci.

Sobre o filme, não é verossímil imaginar que um presidente com mais de 80% de aprovação popular precisasse recorrer a expedientes escusos para viabilizar a produção.

Num jargão da comunicação, Lula é um excelente produto, sua imagem vende.

Schahin não querer aparecer nos créditos dos filmes é natural para um grupo que mantém relacionamento com governos de todos os partidos.

Se aparece prestigiando um presidente filiado ao PT, pode ter problemas com um governador do PSDB. Isso é do jogo.

O estranho nesta história é o papel da Intervídeo.

Se fosse uma produtora de alguém sem a fama e o prestígio de D’Avila, como justificar o pagamento de R$ 1 milhão (em valores da época) para a produção de um vídeo institucional?

O contrato parece ter sido de fachada, uma operação da mesma natureza dos patrocínios angariados pelo publicitário Marcos Valério em Minas Gerais, com o governo de Eduardo Azeredo, na origem de todos os mensalões.

A Polícia Federal ainda não decidiu se indicia ou não Roberto D’Avila, mas permanece com o inquérito guardado, longe de vazamentos.

Os lavajateiros têm um problema na mão: queriam pegar Lula, mas encontraram um astro da Globo.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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‘Estão privatizando a Petrobras e ninguém vê’

Para ex-diretor da estatal, a resposta aos erros de gestão tem sido uma má política de contador

'Nesse momento, é hora de aglutinar em torno de um programa capaz de nos afastar desses criminosos que estão no poder, desse governo putrefato'
Ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras no governo Lula, o engenheiro Ildo Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, não tem papas na língua. Em entrevista ao Jornal do Brasil, critica a venda de ativos da estatal com o objetivo de reduzir seu endividamento e acusa: “Estão privatizando a Petrobras e ninguém vê”. Sauer não poupa os erros da gestão Dilma, e diz ser embuste da mídia a versão de que a estatal não tem capacidade de investir por estar endividada. “Com garantia do petróleo, os chineses financiariam”. E condena “o putrefato governo Temer” pela abertura de 70% do óleo do pré-sal que a própria Petrobras descobriu”.

O que o Sr. pensa do plano de negócios da Petrobras que foca a venda de ativos?

Não está à altura do Brasil, nem da Petrobras. Há um enorme equívoco na forma como o atual governo e os gestores tratam a empresa, como se fosse um negócio convencional, subordinado às regras do sistema financeiro do eixo Nova Iorque-Londres. A Petrobras deveria estar fora disso. Muitos analistas celebraram as intervenções iniciadas pelo (Aldemir) Bendine no governo (Dilma) Rousseff e replicada com absoluta ortodoxia sob Temer. Essas pessoas entendem que o único papel da empresa é gerar dividendos e prestar contas sob ótica míope que só olha o curto prazo. É evidente que a Petrobras passou, especialmente de 2011 para cá, por processo de má gestão, de ausência de visão estratégica e de instrumentalizacão política. Houve os episódios criminosos que todos conhecemos, mas que também aconteciam antes. Mas a resposta dada agora em função da má gestão nos projetos de refinaria é absolutamente escandalosa. Em momento de crise, em vez de buscarem a solução no aprofundamento da estratégia de negócio chamaram o “contador”. Primeiro veio o Bendine, que ainda se revelou um corrupto. Com ele veio o Ivan Monteiro, que montou toda essa estratégia, foi mantido pelo Parente e hoje é o presidente. O Ivan Monteiro é o continuador dessa estratégia que pode ser o início do fim da Petrobras. As soluções que deram foram as piores possíveis: vender ativos como campos de petróleo, além de refinarias e gasodutos construídos a preços elevados em momento de baixa do petróleo e alta do aço. Vender gasodutos para a Brookfield e depois pagar valores de pedágio que, em dois ou três anos, se equiparam ao montante recebido, é absolutamente equivocado. Uma empresa que tem controle potencial da produção de 100 bilhões de barris, não deveria se submeter aos ditames da ortodoxia financeira. Deveria buscar parceiros como a China e a Índia para garantir créditos e aumentar a capacidade de produção. Não era o caso de amputar, mas sim de empreender.

É um processo de privatização velado?

Há uma privatização explícita da Petrobras e ninguém vê, porque é tudo mistificado. Se privatiza três mil quilômetros de gasodutos e as pessoas não sabem. Entregaram o campo de Carcará, por menos de US$ 2 o barril, quando a Petrobras pagou entre US$ 8/11 à União pelo óleo que ela mesmo descobriu. A população é contra a privatização, mas estão privatizando. Dizem que estão repassando ativos para tapar o buraco deixado pela má gestão anterior. Este é o discurso. mas é tudo mistificação. Também usam os escândalos para legitimar a ortodoxia financeira como a única capaz de salvar a empresa e destruir valor da população brasileira. É um modelo de negócio errado. No futuro, aparecerão as verdadeiras razões, hoje impublicáveis.

O Sr. tem opinião formada sobre o imbroglio da cessão onerosa?

Se tivessem me ouvido à época, não teria havido nem cessão onerosa e nem partilha. Por mim, quando estes campos foram descobertos, o governo teria contratado a Petrobras para produzir o petróleo a preços que compensassem todos os custos de produção e gerassem uma margem excelente de retorno para mantê-la como a empresa mais capacitada em termos tecnológicos do mundo. Mas, em uma operação para aumentar a participação acionária do governo, criaram a lei e cederam à Petrobras todo o volume do petróleo estimado por meio de um contrato que guardava gatilhos de correção dos valores para cima ou pra baixo, a depender do preço do petróleo no mercado internacional. Esse contrato foi assinado e a Petrobras, como empresa de capital aberto, tem de fazer valer o contrato. Se confirmada a correção, o contrato deve ser cumprido. No fim, é verdade, a União perde. Quem ganha são os 42% de acionistas privados, dos quais 30% estão em NY. Mas foi um problema criado lá atrás, na concepção do modelo.

Corre no Congresso Projeto de Lei que libera a venda de 70% da cessão onerosa ao setor privado sob o argumento de que a Petrobras não tem capacidade de investir sozinha. Concorda?

Este é o maior embuste já criado pela mídia. Em quase todo o pré-sal, o operador é a Petrobras, que tem a responsabilidade de dirigir a exploração (pesquisa), coordenar a contratação das plataformas e toda a operação. Cabe às outras petroleiras dos consórcios acompanhar e dizer sim. Qual é o papel delas? A Petrobras informa o cronograma e coordena os investimentos. Se alguém não cumprir, outro assume ou a cota é vendida. E de onde sai o dinheiro? O dinheiro não está no caixa dessas empresas. É no sistema financeiro onde buscam o dinheiro. Elas dão em garantia a existência do petróleo e pegam o dinheiro, ficando com parte da receita. Detendo o ativo maior, qualquer um faz. A Petrobras não teria de captar dinheiro no mercado. Tem muita gente pra fazê-lo. Nos anos 1990, o sistema financeiro não queria financiar a Petrobras. O Banco do Japão fez isso até 2002 em troca da preferência de compra do petróleo. Hoje, os chineses estão ávidos por isso. Dinheiro não falta. É complicado quando há alto grau de risco, mas ele é baixo porque estão assegurados o petróleo do pré-sal, a capacidade tecnológica e a demanda pela produção.

Quadro histórico do PT, o senhor é critico ferrenho da política energética da direita, mas também de Lula e Dilma. Já tem voto definido para outubro?

Não. Ia votar em mim mesmo, fui cotado para ser candidato do PPL, mas desisti para atuar como analista na academia, fazer proposições ao debate, que é o mais importante agora.

Há conversas com o ex-presidente Lula?

Não. Junto com o (Luís) Pinguelli Rosa, pensei o programa para área de energia do governo do PT, que depois foi jogado no lixo para fazerem essa lambança toda aí. Então não vejo o porquê de alguém que já teve a chance de construir uma vez precisar voltar. Se o Lula me procurar, eu falo com ele, mas não vou atrás. Acho que o mundo gira para frente. Falar isso me dói muito. Desde a adolescência, quando o PT foi criado, estive junto. Fui massacrado dentro do partido, expulso da Petrobras e fizeram o que fizeram depois que saí de lá. Tenho consciência dos graves erros que aconteceram, mas também acho que quanto mais a gente pisar nas feridas, pior é a saída para o futuro. Nesse momento, é hora de aglutinar em torno de um programa capaz de nos afastar desses criminosos que estão no poder, desse governo putrefato, rejeitado por mais de 90% da população.

Gabriel Vasconcelos
No JB
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Foi assim que Napoleão e Hitler perderam a guerra...

Espanha é a nova vítima de estratégia secularmente vencedora!


A Rússia derrotou a Espanha nos penalties!

Qual a surpresa?

O adversário se considera mais forte, imbatível e invade a área da Rússia.

A Rússia, sim, mais fraca, recua e dá espaço ao mais forte.

O mais forte entra.

Avança.

Imagina uma vitória rápida e consagradora.

Avança.

A Rússia cede espaço.

Deixa entrar.

Se for necessário, põe fogo em Moscou, para dar a impressão de que o país está irremediavelmente derrotado.

O adversário avança, avança. Cerca. Cerca.

E a Rússia se defende, como pode (com o tempo...).

E o adversário se cansa.

Cansa.

Cansa.

E a Rússia espera ele se destruir a si próprio.

Moribundo, o adversário vai para a batalha final.

Derrotado pela neve, a chuva ou o calor... não resiste.

A Rússia de pé.

Assim a Rússia derrotou Napoleão com Kutusov, Hitler com Zhukov e, agora, os furiosos espanhóis com o astuto Cherchesov.

Faltou o Iniesta ler "Guerra e Paz".

Em tempo: o Ataulpho Merval está na Rússia e seus derradeiros leitores correm um risco: ele dizer que o ditador Putin comprou o Aspas, o espanhol que bateu o último penalty.

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Deputado investigado por jogos de azar teria indicado nomes para Polícia Civil de SP

Em troca de apoio, governador de São Paulo, Márcio França, teria substituído comando de cinco departamentos, entre eles a Corregedoria, a partir de indicações que recebeu de Campos Machado

Governador Márcio França (à esquerda) com deputado Campos Machado
Após a nomeação do novo delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, o governador Márcio França (PSB) redefiniu a cúpula da corporação. Quatro delegacias, a Corregedoria e a Acadepol tiveram novos comandantes definidos e divulgados no Diário Oficial desta quarta-feira (27/6). Parte desses nomes teriam sido indicados pelo deputado estadual Campos Machado (PTB), investigado por participar de esquema com máquinas caça-níquel.

A Ponte apurou com integrantes da alta cúpula da corporação que ao menos cinco destes nomes teriam sido escolhidos por Machado e repassados a França. O atual governador assumiu o cargo no começo de abril, substituindo Geraldo Alckmin (PSDB), que se lançou na disputa presidencial. A fim de ser eleito para seguir no comando do estado, França tem buscado apoio de outros partidos, como o PTB.

As indicações seriam para os novos comandantes da Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), Demacro (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), Corregedoria e Acadepol (Academia da Polícia Civil Dr. Coriolano Nogueira Cobra).

Em fevereiro deste ano, o deputado foi citado e passou a ser investigado na “Operação Cabaré” do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que apura esquemas de jogos de azar com máquina caça-níquel. Segundo o órgão, PMs recebiam mesadas para permitir o funcionamento de cassinos clandestinos em bairros ricos da capital paulista.

A promotoria aponta que Campos Machado tem o nome citado por PMs em áudios gravados pela Corregedoria da corporação. Um dos donos de cassino teria afirmado que o parlamentar teria influência direta no Comando Geral da PM, cargo ocupado à época pelo coronel Nivaldo César Restivo – substituído no fim de abril pelo coronel Marcelo Vieira Salles, em outra decisão do governador Márcio França.

Inicialmente, as conversas do governador em busca de parceria política estavam avançadas com o PP do delegado Olim, que teria chegado a ser cogitado como vice na chapa de França. Porém, uma “traição” com o apoio do partido à candidatura de João Dória (PSDB), que também almeja comandar o estado de SP, fez com que França recuasse da indicação de Olim para que Júlio Guelbert ficasse no cargo de delegado-geral. No lugar, o governador nomeou Paulo Afonso Bicudo, conforme publicado nesta terça-feira (26/6). Ao mesmo tempo, teria passado a buscar outros apoios, entre eles o do PTB de Campos Machado, que é o presidente estadual e secretário nacional da legenda.

Em contato com a Ponte, a assessoria de imprensa do Campos Machado negou veementemente a possibilidade de o deputado estadual ter indicado nomes para a Polícia Civil de São Paulo, bem como desmente a possibilidade de acordo político com o governador Márcio França. Sobre a citação na Operação Cabaré, apontaram ser uma ligação “absolutamente infundada”, e, por isso, não “prosperou”. “É uma viagem”, definiu um dos assessores de imprensa de Campos por telefone.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa de França por telefone e contatou a assessoria do Governo de São Paulo por e-mail, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Confira o quadro de comandos na Polícia Civil de São Paulo:

Fonte: SSP-SP

Arthur Stabile e Carlos Castro
No Ponte
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Meirelles não passa por extremista porque não espuma como Bolsonaro

Henrique Meirelles, diz o jornal, gasta todo mês 250 mil reais do seu próprio dinheiro para tentar viabilizar sua candidatura presidencial. Está pronto a gastar mais. É uma ilustração cristalina de como, sem controle, os regimes de concorrência eleitoral tendem a se transformar em plutocracias.

Meirelles gasta com jatinho, jornalistas, marqueteiros e também uma fonoaudióloga para tentar melhorar sua dicção. Continua sendo um candidato ruim pra burro. Ele podia economizar seus milhões: com dez reais comprava um espelhinho, onde veria que esse negócio de disputar eleição presidencial não é pra ele. A "pré-campanha" de Meirelles é uma ilustração cristalina também do poder da auto-ilusão.

A mesma reportagem diz que o banqueiro encontra dificuldade para se colocar em "uma campanha presidencial nebulosa, esgarçada na radicalização entre direita e esquerda no país". É o discurso que está na mídia dia sim, dia também, ecoando (não por acaso) as iniciativas de FHC e seu séquito de "homens bons": a necessidade de encontrar um caminho no meio dos extremismos.

O "extremismo" é, de um lado, Bolsonaro. Do outro... Lula ou Ciro Gomes. Cito reportagem da Folha de sexta, sobre a aproximação de FHC com Marina: "O militar da reserva é um dos símbolos do radicalismo que a coalizão pretende atacar. Em outra ponta está o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os dois e o ex-presidente Lula são vistos no movimento como donos de posicionamentos extremistas".

Na narrativa que a imprensa pretende impor, qualquer discurso que entenda que o golpe foi um golpe é "extremista". No entanto, as propostas de governo, sejam de Lula, sejam de Ciro, não vão além de um capitalismo um pouco mais civilizado e de um pouco mais de soberania nacional. O fato de que isto conte como "extremismo", no Brasil de hoje, mostra como involuímos na discussão política.

Na verdade, se for para analisar o que cada candidato propõe, Meirelles é bem mais extremista do que qualquer nome da esquerda brasileira, incluído Boulos. Meirelles, diz a reportagem, pretende explorar na campanha seu estágio no governo Lula, em que era o guardião de que o pacto lulista não sairia dos estreitos limites em que fora firmado. Mas, como muitos outros, com o golpe ele abraçou um projeto isento de intuitos conciliatórios. É o projeto do fim da proteção trabalhista, do fim dos direitos previdenciários, do congelamento do investimento público, da entrega desenfreadas de nossas riquezas. Como negar que se trata de um projeto extremista?

Meirelles não passa por extremista porque não espuma como Bolsonaro. Mas ele (e também Alckmin, a despeito de sua empolgação de cataléptico) representa um dos programas pró-burgueses e pró-imperialismo mais radicais que se possa imaginar.

Luís Felipe Miguel
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Juíza do Paraná imita Trump e separa haitianos

O Juizado da Infância e da Juventude da comarca de Pinhais (PR), cidade da região metropolitana de Curitiba, retirou três menores haitianos, todos considerados refugiados e em situação regular no país desde 2015, do convívio com seus pais e determinou que os dois mais velhos – R. C., de 9 anos e W. M. C., de 10 anos – fossem encaminhados de volta ao país natal para viverem sob a guarda da mãe da atual madrasta. Este drama, que se iguala à política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  de separar crianças migrantes de seus pais, está na edição deste domingo (01/07) do Jornal do Brasil.

A viagem, agendada para 23 de junho, só não se concretizou por as crianças não terem tomado vacina contra a febre amarela, fundamental para que eles pudessem passar pelo Panamá onde o voo da Copa Air Line faz escala antes de chegar à capital haitiana. As duas crianças, bem como o irmão mais novo deles por parte de pai – D. W. C., de 6 anos – estão recolhidos desde meados de maio a um abrigo. Os menores estão impedidos de serem visitados pelo pai – o motorista de Uber, W. C. de 33 anos -, e sua atual esposa, a auxiliar de serviços gerais R. C. L., de 29 anos, mãe biológica de D. W, C. e, no registro brasileiro, também da menina  R. C., de 9 anos.

A retirada das crianças da casa onde residem em Pinhais foi feita pelos assistentes sociais do Conselho Tutelar municipal, em 17 de maio, quando os dois meninos foram encontrados sozinhos. O pai, segundo explica, tinha saído para comprar um botijão de gás, para  o que se viu obrigado a recorrer a um empréstimo de amigo por só contar na hora com R$ 20. Foi neste interregno de tempo que os membros do Conselho Tutelar estiveram na casa e sem ao menos esperar a volta do responsável, levaram as crianças. A menina foi recolhida na escola onde estava matriculada e encaminhada com os irmãos para um abrigo. Foi pelos vizinhos que W. C. soube da “visita” dos conselheiros às sua casa.

Ao longo destes 44 dias nenhum dos dois adultos pode ver as crianças. O Impedimento foi determinado pela juíza Márcia Regina Hernández de Lima, titular daquela Vara de Infância e Juventude, na Medida de Proteção Nº 00055553-78.2018.8.16.0033. Nesse procedimento, que corre em segredo de justiça, é que foi determinada a viagem dos filhos – que se classifica como uma verdadeira “deportação” – para o Haiti. Nele, pais e filhos foram representados por um defensor dativo.

No documento que W. C. guarda, o comprovante 
da compra das passagens aéreas.
Foto: Marcelo Auler

Pelo relato do casal ao Blog, a informação que assistentes sociais do Conselho Tutelar lhe passaram davam conta que ele só poderia avistar-se com os filhos no momento do embarque. O próprio motorista de Uber teve que providenciar as passagens, gastando com isso cerca de R$ 12 mil como prova o documento que guarda consigo.

Para acompanhar os filhos menores ao Haiti, o motorista de Uber deixaria sozinha sua atual esposa, que se encontra novamente grávida, com o filho de seis anos.

A viagem, porém, acabou impedida por ação  da ONG Casa Latino Americana – CASLA, que se dedica ao atendimento a migrantes e refugiados, mantendo estreitas ligações com a Associação de Haitianos do Paraná. Em nome da CASLA, os advogados Ivete Caribé da Rocha, Nádia Pacher Floriani e Henrique Delavi Daum passaram a atuar na defesa do casal. Foram eles que alertaram que sem a vacina os menores não desembarcariam no Panamá e que pelas normas da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são necessários 10 dias entre a vacinação e o embarque, tempo necessário para efeito da medicação.

Desde então tentam na Justiça reverter a situação, mas não conseguiram até o momento sequer uma autorização para que os adultos visitem seus filhos no abrigo onde eles estão instalados. Embora evitem comentar o processo em si por conta do segredo, explicaram inexistir nos autos qualquer comprovação dos supostos maus tratos alegados contra os menores que não receberam nenhum tratamento psicológico, nem sequer foram submetidos a exames médicos.

O casal encontra-se no Brasil desde 2013. Ganharam a condição de refugiados, vitimas do terremoto que ocorreu no Haiti em 2010. Nele, o atual motorista de Uber perdeu a primeira esposa T. C.. – mãe biológica dos dois filhos mais velhos – e seu primogênito, W. M. C. perdeu um dos braços. A menina ficou sem nenhum documento sendo registrada novamente ao desembarcar no Brasil – dois anos depois da chegada dos pais – como sendo filha da madrasta.

Em 2017, outra Medida de Proteção foi aberta contra o casal a partir também de denúncia de suposto desleixo dos pais, por as crianças terem sido encontradas sozinhas quando W. C. estava viajando a serviço e sua companheira, R. C. L. trabalhava na Verde Mar Alimentação. Por inexistir qualquer espécie de prova que comprovasse desleixo ou maus tratos, o próprio Ministério Público pediu o arquivamento do caso, no que foi acolhido pelo Juizado. Abaixo a reportagem publicada no Jornal do Brasil deste domingo.

Como nos EUA, juíza do PR separa família


A casa em que a família reside, humilde, porém em boas condições.
Foto Marcelo Auler

A prática de separar menores migrantes de seus pais, adotada nos Estados Unidos pelo presidente Donald Trump e condenada com veemência pelo Conselho Permanente das Organizações dos Estados Americanos (OEA) na sexta-feira (29/06), também está sendo implantada no Brasil. O caso brasileiro é ainda mais grave, pois, diferentemente dos “migrantes” nos EUA, aqui pai e filhos estão legalmente registrado como refugiados.

Em Pinhais (PR), cidade da região metropolitana de Curitiba, a juíza Márcia Regina Hernández de Lima, do Juizado da Infância e da Juventude quer enviar para o Haiti, no que acaba se caracterizando como verdadeiras “deportação”, os menores R. C., de 9 anos e W. M. C., de 10 anos, separando-os do pai, o motorista de Uber, W. C. de 33 anos, e da sua atual esposa, a auxiliar de serviços gerais R. C. L., de 29 anos.

O casal está no Brasil legalmente, desde 2013, como refugiados – portanto sob a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ACNUR. As crianças, bem como o filho menor deles, D. W. C., de 6 anos, chegaram em 2015 e também possuem o Registro Nacional de Estrangeiro. A “deportação” dos menores foi determinada nos autos da Medida de Proteção Nº 00055553-78.2018.8.16.0033 que tramita em segredo de justiça, motivo pelo qual deixamos de identificar os personagens nesta reportagem.

A decisão da juíza que já afastou as crianças da guarda do casal desde 17 de maio transferindo-os para um abrigo aonde os pais não podem avistá-los, teria sido motivada por denúncias de supostos maus tratos. Isto, porém, não foi confirmado por vizinhos do casal que assinaram declarações em defesa do casal. A família, pelo que o Jornal do Brasil pode constatar, reside em uma casa modesta, porém em condições dignas, naquela cidade paranaense.

Mesmo em situação legal no país, R. C. e W. M. C estiveram prestes a ser colocado em um voo com o destino do Haiti, contra a vontade das próprias crianças e do casal.  O que os impediu de serem “deportados” no ultimo dia 22 de junho foi a ausência da vacinação contra a febre amarela, necessária para a escala da viagem no Panamá.

A decisão da juíza torna-se ainda mais estranha na medida em que ela poupou da “deportação” o filho menor D. W. C. por ele residir com a mãe. Mas, oficialmente, a menina R. C. está registrada no Brasil também como filha da auxiliar de serviços gerais R. C. L.. Ainda assim, teve a viagem determinada pelo Juizado da Infância e da Juventude que quer entregar as duas crianças aos cuidados da avó paterna no Haiti.

Na realidade, os filhos mais velhos do hoje motorista de Uber são de um primeiro casamento com a haitiana T. C.. Ela faleceu no terremoto que atingiu aquele país em 2010. Na mesma ocasião, o menino W. M. C., então com apenas dois anos, perdeu um dos braços. Na catástrofe também desapareceram os documentos da filha desta primeira união do motorista. Por isso, quando R. C. chegou ao Brasil, então com seis anos, acabou registrada como filha da sua atual madrasta, mãe do filho caçula do atual motorista de Uber e atualmente novamente grávida.

A partir da decisão da juíza, o motorista foi induzido a levar os filhos mais velhos e se viu obrigado a comprar passagens aéreas para ele e os dois menores. Fez isso, no desespero, após ser informado por assistentes sociais do Conselho Tutelar de Pinhais de que só lhe seria permitido avistar as crianças no momento do embarque, no aeroporto Afonso Pena, na capital paranaense.

Os cerca R$ 12 mil gastos com as passagens, como mostra o comprovante que guarda consigo, foram conseguidos com parentes haitianos. Os bilhetes acabaram não sendo usados por conta da falta da vacina. Do que pagou à empresa panamenha Copa Air Line, ele só será restituído da metade do valor.

Quem conseguiu impedir a essa “deportação” das duas crianças foram os advogados da ONG Casa Latino Americana – CASLA, Ivete Caribé da Rocha, Nádia Pacher Floriani e Henrique Delavi Daum. A CASLA, que se dedica a prestar atendimento a migrantes e refugiados, foi acionada pela Associação dos Haitianos do Paraná. Por se tratar de processo em segredo de justiça, os advogados evitam cometa-lo, mas confirmam o caso tal como relatado ao Jornal do Brasil pelo pai dos menores.

Na quinta-feira (28/06) eles ajuizaram um Agravo de Instrumento com pedido de liminar junto ao tribunal de Justiça do Paraná. Com este recurso, distribuído à 11ª Câmara na qual foi sorteado como relator o juiz substituto Fernando Rodrigo Lima Dalledone, esperam impedir de uma vez por todas a “deportação” e conseguir a devolução das crianças à guarda do casal.

Tal medida evitará que o Brasil acabe adotando a política imposta a migrantes nos EUA por Trump, que têm gerado protestos mundiais e provocou a veemente condenação do Conselho Permanente das OEA.

Ao Jornal do Brasil o atual motorista de Uber mostrou sua Carteira de Trabalho na qual estão registrados os empregos que teve desde que chegou como refugiado, em novembro de 2013. O último emprego foi como auxiliar de montagem na Agência de Sistemas de Armazenagens, onde trabalhou entre novembro de 2015 e janeiro deste ano. Desempregado, com a ajuda da mãe haitiana que lhe mandou recursos, comprou o carro usado no sistema Uber. Sua esposa tem três registros de trabalho na carteira. Hoje está desempregada. Grávida, dificilmente conseguirá uma colocação.

Pelo relato do casal, o drama com os filhos começou em 2017 quando W. C. estava à serviço em São Paulo e sua atual companheira trabalhava. Denúncias jamais esclarecidas levaram assistentes sociais do Conselho Tutelar à casa deles encontrando as crianças sozinhas. Elas foram recolhidas e depois encaminhadas à residência de uma missionária da igreja que frequentava, até que o pai retornasse de viagem e reivindicasse novamente a guarda dos filhos.

Em 17 de maio passado, assistentes sociais estiveram na residência no momento em que o motorista tinha saído em busca de um botijão de gás. Acabaram levando os dois meninos. A menina foi recolhida na escola. O pai só ficou sabendo por conta do relato dos vizinhos, que abonam sua conduta. Desde então, o casal não teve mais contato com as crianças e desconhecem o abrigo ao qual estão recolhidas. Já constataram também que os dois filhos mais velhos não estão frequentando as aulas na escola em que estão matriculados.

Segundo relato do motorista, as denúncias de maus tratos aos menores surgiram, coincidentemente, após ele recusar doar um de seus filhos à missionária com quem as crianças ficaram quando ele viajava a serviço. A partir deste último recolhimento pelo Conselho Tutelar é que surgiu a proposta de remeterem as crianças de volta ao Haiti. Não há nos autos da Medida de Proteção, segundo explicaram os advogados, nenhum laudo psicológico ou mesmo médico confirmando maus tratos nos filhos do motorista que justificassem a perda do pátrio poder.

Marcelo Auler
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Parte da crise


O mandato da ministra Cármen Lúcia como presidente de STF, que termina em 15 de setembro, poderá ser lembrado como o tempo em que o tribunal se apequenou. 

Apequenar-se, disse ela em janeiro, seria rever a decisão que permite prisões após condenação em segunda instância, situação em que o ex-presidente Lula acabava de incorrer. 

Impedindo o plenário de apreciar a matéria, para não ser derrotada, ela deu forte impulso à guerra entre os ministros, às decisões conflitantes que afetam a segurança jurídica. Isso é que encolheu a corte. 

Longe de ajudar a mitigar a crise, o Supremo agora é parte dela.  

Na sexta-feira a ministra divulgou a pauta de julgamentos pelo resto de seu mandato, e as duas ADCs sobre o assunto, que o ministro Marco Aurélio liberou ainda em dezembro, ficaram de fora.  

Ele, que a acusou de manipular a pauta como nunca viu em 28 anos na casa, continuará esperando pela primavera, a posse de Toffoli em setembro. A ministra deu prioridade a temas laterais como a vaquejada, o sacrifício de animais por religiões de raiz africana e o direito dos pais de trocarem a escola pela educação dos filhos em casa.

Há pouco tempo, Cármen Lúcia lamentou não ter alcançado, em seu mandato, o objetivo da pacificação social. 

Este milagre, que ainda não encontrou seu santo, pertence à esfera da política, não à da Justiça, mas a ministra teria feito muito se tivesse pacificado o STF. 

Ali não deveriam ter entrado as asperezas da polarização política que vêm limando o convívio social no país. 

Mas elas chegaram lá também,  produzindo os formidáveis arranca-rabos entre Gilmar Mendes e Roberto Barroso, ou o jogo de puxar tapete entre Toffoli e Luiz Fachin. 

Na Segunda Turma, o relator da Lava Jato, que se transfigurou em punitivista, para espanto dos que o conheceram no passado, joga para o plenário toda matéria em que sabe que será derrotado. 

Assim tem feito com os recursos de Lula. Essa é sua estratégia política. 

Foi de estrategista que Marco Aurélio chamou Cármen, quando ela decidiu colocar em julgamento o pedido de habeas corpus preventivo de Lula antes das ADCs sobre prisões após condenação em segunda instância.  

Esta semana, após mais uma traquinagem de Fachin com um recurso de Lula, Toffoli, Gilmar e Lewandowski soltaram José Dirceu e outros implicados na Lava Jato. Para impedi-los, no caso de Dirceu, Fachin pediu vistas do processo. 

Toffoli deu-lhe um olé, propondo a concessão de um habeas corpus “de ofício” (por iniciativa própria), já que seriam grandes as chances de redução da pena no julgamento dos recursos. Fachin protestou, Toffoli disse que ele não estava entendendo sua argumentação. “Nós dois estamos compreendendo o que estamos falando”, rebateu o relator. 

E nós, outros, também entendemos o que disse Fachin com a frase: ali todos jogam e sabem qual é o jogo do outro.    

No jogo, agora, atropelam regras e procedimentos jurídicos para alcançar o objetivo estratégico, a solução desejada mesmo  quando ela não tem maioria. 

Deixaram de se preocupar com as aparências, de revestir a estratégia com tecnicalidades. 

Tudo muito parecido com as disputas regimentais no plenário da Câmara: nem sempre ganha quem tem mais voto mas quem maneja melhor o regimento e as jogadas que ele permite. 

Só que o Supremo não é casa de políticos, o Direito não pode ser contornado por questões de ordem. 

Na Câmara e no Senado, o presidente tem poder para pautar as matérias mas não o faz sem construir o consenso no colégio de líderes. No STF, Cármen Lúcia não abdicou de um milímetro deste poder. 

Gaba-se de não ceder a pressões mas seu centralismo ajudou muito na conflagração interna.

Mas é preciso dizer que tudo começou antes, quando o STF passou a endossar tudo o que a Lava Jato fazia, buscando uma sobra dos aplausos. 

Quando ela começou a mostrar seu focinho autoritário, violador da ordem jurídica, alguns refluíram para o antigo garantismo, e a guerra começou. Agora, saíram de férias, e a crise agradece.

Tereza Cruvinel
No JB
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Cármen e Fachin votam juntos em 87,5% dos casos

Levantamento mostra afinidade entre ministros em votações da Lava Jato; Toffoli, que assume STF em setembro, discorda mais do relator


O retorno da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, à Segunda Turma da Corte, a partir de setembro, deve aumentar as chances de o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, sair vitorioso naquele colegiado em questões consideradas cruciais para a operação.

Levantamento feito pelo Estado em julgamentos no plenário da Corte de processos da Lava Jato e seus desdobramentos ou com impacto direto nos rumos da operação aponta que Cármen e Fachin concordaram em 14 das 16 questões discutidas – ou 87,5% das vezes.

Atual integrante da Segunda Turma, o ministro Dias Toffoli, que vai assumir a presidência da Corte no lugar de Cármen, concordou em 7 das 16 questões com Fachin (43,7%). Entre elas, estão o desmembramento das investigações do “quadrilhão” do MDB da Câmara e a manutenção de Fachin na relatoria da delação do Grupo J&F. Os dois discordaram, no entanto, nos termos da restrição do foro para parlamentares e na concessão de habeas corpus de “ofício” ao ex-ministro Antonio Palocci (Toffoli foi a favor).

O mapeamento considerou os julgamentos mais relevantes no plenário desde que Fachin assumiu a relatoria da Lava Jato no STF, em fevereiro do ano passado, após a morte do ministro Teori Zavascki em acidente aéreo. Entre os casos, estão a análise dos habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso pela Operação Lava Jato, e de Palocci; a discussão sobre a constitucionalidade da condução coercitiva de investigados para interrogatórios (um dos pilares da Lava Jato); a manutenção de Fachin na relatoria da delação da J&F; e a decisão de reduzir o alcance do foro privilegiado para deputados e senadores.

Daqui a menos de três meses, Cármen Lúcia deixa a presidência do Tribunal e volta a integrar a Segunda Turma, que já impôs a Fachin pelo menos 17 reveses em 34 votações. Por regra, quem comanda o STF não integra nenhuma das Turmas.

Atualmente, a Segunda Turma é composta por Fachin e os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli – os últimos três têm se alinhado nas críticas aos métodos de investigação da Lava Jato, alegando muitas vezes haver falta de provas colhidas a partir de delações premiadas e votando, portanto, pela absolvição de réus e pela rejeição de denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em movimento contrário ao de Cármen Lúcia, Toffoli sairá da Turma para presidir a Corte nos próximos dois anos. Na Segunda Turma, o trio Gilmar-Toffoli-Lewandowski forma a corrente majoritária que já mandou soltar o ex-ministro José Dirceu, absolveu a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) do crime de caixa 2 e retirou do juiz federal Sérgio Moro trechos de delações premiadas que envolvem os ex-presidentes Lula e José Sarney (MDB).

A composição do colegiado já fez Fachin mudar a estratégia e optar por levar questões diretamente ao plenário, onde conseguiu reverter placares desfavoráveis na Segunda Turma. Na última semana, Fachin decidiu encaminhar para decisão dos 11 ministros da Corte mais um recurso da defesa de Lula, condenado e preso na Lava Jato, pedindo a liberdade do petista. O caso pode voltar ao plenário a partir de agosto, quando termina o recesso dos ministros.

Convergência. No plenário, Cármen ficou ao lado de Fachin ao votar contra a concessão de habeas corpus a Lula e Palocci; ao defender a legalidade da condução coercitiva de investigados para interrogatórios; e ao se posicionar para restringir o foro privilegiado para os crimes cometidos no exercício do mandato e em função do cargo, no caso de deputados federais e senadores. Toffoli discordou dos dois em todas essas questões.

Segundo o levantamento, Cármen divergiu de Fachin em dois julgamentos: ao abrir caminho para o Senado devolver o mandato de Aécio Neves (PSDB-MG) e ao defender a legitimidade de delegados de polícia fecharem acordos de colaboração premiada.

Nos outros casos considerados no levantamento, a ministra ficou ao lado do relator da Lava Jato, inclusive ao defender o encaminhamento a Moro das investigações por organização criminosa contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR). O plenário, no entanto, acabou decidindo – com o voto de Toffoli – encaminhar o caso para a Justiça Federal em Brasília.

Para ministros, advogados e auxiliares do STF ouvidos pela reportagem, a troca de Toffoli por Cármen vai reduzir o isolamento de Fachin e aumentará as chances de o relator da Lava Jato sair vitorioso nos julgamentos, o que na prática pode significar um endurecimento da Segunda Turma e uma maior possibilidade de condenação de políticos.

Preocupados com o retorno de Cármen Lúcia, advogados criminalistas têm feito uma romaria a gabinetes do Supremo para acelerar o julgamento de casos de seus clientes na Segunda Turma.

No Estadão
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Demissões, fechamento de revistas: a agonia da Abril continua


Victor e Giancarlo, no comando do naufrágio: a empresa vai mal, eles vão bem
A primeira semana de julho promete ser plena de más notícias para o grupo Abril, que edita Veja, a maior revista semanal do país. Às voltas com uma sucessão de prejuízos que totalizaram R$ 768,1 milhões nos últimos três anos (R$ 331,4 milhões, em 2017), com um endividamento de R$ 1,2 bilhão, queda de vendas e patrimônio negativo de R$ 715,9 milhões, a empresa mais uma vez terá de cortar na carne, em seu desesperado esforço para continuar em pé.

Por conta das recomendações de uma empresa de auditoria contratada pelos bancos credores, está previsto o anúncio de mais um enxugamento do quadro de pessoal, cujos números variam entre 300 e 1000 funcionários. Caso seja mantida a prática iniciada em 2017, suas indenizações deverão ser quitadas em 10 parcelas mensais.

A tesoura atingiria, inclusive, a até aqui praticamente intocável redação de Veja, carro chefe da editora, que vem perdendo circulação ano a ano – estima-se que os 1,2 milhão de exemplares vendidos semanalmente, no início da década, tenham desabado para algo ao redor de 500 mil, atualmente.

As demissões seriam decorrência de uma profunda redução do seu portfólio de revistas proposta pelos credores. Comenta-se internamente que, das publicações atuais, seriam poupadas apenas as revistas Veja, Exame e Cláudia. Os demais títulos, que deixariam de circular nas bancas, seriam sumariamente fechados ou mantidos apenas em suas versões digitais.

Esse novo surto de razia editorial, anunciado no jargão da casa como “revisão estratégica”, teve inicio no dia 8 de junho, com a decisão de interromper a publicação das revistas da Disney. Iniciada há 68 anos, a parceria com o grupo americano está na origem da Abril. Sua primeira publicação, ao ser fundada, em 1950, pelo empreendedor italiano Victor Civita, foi justamente a revista do Pato Donald.

Os cortes de atividades e de pessoal seriam estendidos a outras operações do grupo. Notadamente, à Dinap, sua distribuidora de revistas, que vem perdendo clientes de peso. No ano passado, por exemplo, seus serviços foram dispensados por um dos principais clientes, a Panini, editora de álbuns de figurinhas e revistas de história em quadrinhos, que resolveu montar um sistema próprio de distribuição.

A dimensão da crise que afeta a Abril, outrora denominada a maior editora da América Latina, pode ser medida, não apenas na redução paulatina do número de suas publicações, nos últimos anos, como fisicamente, pela mudança de endereço, completada neste mês de junho. Por duas décadas instalada no suntuoso edifício Birmann 21, de 24 andares, localizado na marginal do rio Pinheiros, em São Paulo, a Abril passou a ocupar dois prédios acanhados de quatro andares, no condomínio América Business Park, no Jardim Morumbi, na outra margem do Pinheiros.

O início dessa agonia coincide com a morte, em 2013, de Roberto Civita, herdeiro do fundador Victor Civita. Desde então, a Abril se transformou numa espécie de nau sem rumo, com mudanças constantes em seu comando. O último executivo não pertencente à família Civita a ocupar a presidência, o advogado Arnaldo Tibyriçá, permaneceu menos de quatro meses no cargo, demitindo-se em março deste ano. Seu antecessor, Walter Longo, teve seu contrato interrompido antes de completar dois anos.

No lugar de Tibiryça, assumiu Giancarlo Civita, o primogênito de Roberto e neto do fundador Victor, que também preside o Conselho de Administração da Abril. Cabe a Gianca, como é mais conhecido, tentar reverter o prognóstico sombrio lavrado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), que auditou o último balanço do grupo.

Ao avaliar os números negativos de 2017 e seu impacto sobre o futuro da Abril, a auditoria afirmou em seu relatório: “Essa situação, entre outras descritas na Nota 1.2, indicam a existência de incerteza relevante, que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional.”

Em meio ao desafio de recuperar a empresa, o atual presidente acaba de perder seu braço direito, o diretor de operações (COO), Fábio Gallo, que deixou o grupo no início da segunda quinzena de junho. Gallo, que começou a trabalhar na Abril em 2004 e ocupava a diretoria de operações desde 2016, também presidia a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner).

Segundo pessoas que acompanham a situação da Abril, Giancarlo e seus irmãos Victor Neto e Roberta, estariam considerando duas alternativas para o futuro do negócio. Uma delas é a venda, pura e simples do grupo. A outra seria recorrer à recuperação judicial, recurso que voltou a ganhar força neste ano no país, acionado por empresas em dificuldades, em razão do agravamento da situação econômica.

O certo é que, dificilmente, a empresa poderá se manter apenas à base de cortes de pessoal e de operações. Por mais duras que sejam as providências, elas deverão ser tomadas. Como afirmou, certa vez, o empresário José Mindlin, ao justificar a venda da Metal Leve, que fundara, mergulhada em dificuldades, no começo dos anos 1990: “como dizia Goethe, é preferível um fim com horror, do que um horror sem fim.”

No entanto, qualquer que seja o desfecho, vale a pena relembrar a recomendação do jornalista Paulo Nogueira, fundador do DCM, ao comentar a situação de empresários que, a exemplo de Mindlin, foram obrigados a desfazer-se de seus negócios ou vê-los encolher: não chore pela família Civita.

A despeito da preocupante situação da Abril, na pessoa física eles vão muito bem, obrigado. De acordo com a revista Forbes, em sua edição de setembro de 2016, os irmãos Giancarlo, Victor e Roberta, integravam, em 11º lugar, a seletíssima lista das 15 famílias mais ricas do Brasil, com uma fortuna avaliada em US$ 3,3 bilhões.

Miguel Enriquez
No DCM
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Os imparciais


O Grupo Globo publica hoje uma “emenda constitucional” determinada por João Roberto Marinho em seus “Princípios Editoriais”, para disciplinar o uso de redes sociais por seus jornalistas.

Diz lá, no meio de um longo blá-blá-blá que “em sua atuação nas redes sociais, o jornalista deve evitar tudo o que comprometa a percepção de que o Grupo Globo é isento. Por esse motivo, nas redes sociais, esses jornalistas devem se abster de expressar opiniões políticas, promover e apoiar partidos e candidaturas, defender ideologias e tomar partido em questões controversas e polêmicas que estão sendo cobertas jornalisticamente pelo Grupo Globo”.

Se isso fosse seguido nas páginas do jornal, nos textos de comentaristas e para as reportagens de televisão, era possível que os espaços e tempos dedicados à política ficassem em branco.

Desde quando o  Grupo Globo é isento? Nem ele e nem qualquer veículo de comunicação. E é natural que não sejam, desde que preservem o equilíbrio jornalístico e, sobretudo, sejam honesto com seus leitores e assumam suas preferências. É assim em todo o mundo e não poderia ser diferente.

O que é diferente, aqui, é que existe um monopólio de comunicação exercido pela Globo que, hipocritamente, quer ser percebido (e confessa) como isento, quando é – e foi, desde que vicejou na ditadura – a mais importante ferramenta do sistema de dominação da opinião pública.

É, e seu patrono, Roberto Marinho, era o condestável da República, papel que – com discrição pessoal, reconheça-se – foi herdado pelo filho João Roberto, que divide com os irmãos a presença na lista dos mais ricos do país.

Algo que ele imita até no vocativo de “caros companheiras e companheiros” com que publicamente trata seus empregados, como fazia o “companheiro Roberto Marinho”.

Nos últimos tempos, a Globo se tornou a grande patrocinadora da Lava Jato e de seus desígnios políticos. O prêmio máximo do “Faz Diferença” global entregue por João Roberto a Sérgio Moro, depois a Cármem Lúcia, por exemplo, jamais foi dado ao brasileiro que mais diferença fez no país nos 15 anos em que a premiação existe, não é. Deram-lhe um de segunda linha, é verdade, no início de 2004, quando a Globo estava pendurada em dívidas e a mão do Governo era indispensável para salvar o império.

É que para eles faz mais diferença colocar Lula na cadeia que tirar 40 milhões de brasileiros da miséria.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula e a prisão sem crime

Não sou pombo-correio para andar com tornozeleira. (Recado de Lula sobre a proposta de trocar a prisão, em Curitiba, pela prisão domiciliar, em São Bernardo)
Foto: Ricardo Stuckert
O tempo urge, mas ainda há sobra para libertar o ex-presidente Lula, figura fundamental no julgamento que o eleitor fará, em outubro, nas eleições presidenciais. Este é o julgamento mais importante do que qualquer outro. É a voz povo. Quem perder perdeu.

Execrado e odiado pelos golpistas, o petista é o único líder político do Oiapoque ao Chuí. Mas é também um cidadão brasileiro como todos os outros. É, entretanto, um preso sem crime.

Lula apaixonou-se pelo povo. O povo apaixonou-se por Lula. Talvez seja ele o único político em condições de pacificar o País. Embora um tanto atrasado, o Supremo Tribunal Federal, com a liberdade dada agora a José Dirceu, abriu um caminho destinado a acabar com o autoritarismo do juiz Sergio Moro, encoberto até agora, como se sabe, pela Operação Lava Jato. Tudo feito em conluio com procuradores e policiais federais.

É inesquecível a escrachada e covarde viagem da prisão coercitiva de Lula. O mundo gira. A proposta de libertar Dirceu partiu do ministro Dias Toffoli, que foi apoiado pelos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Edson Fachin foi contra.

Recentemente o ministro Marco Aurélio Mello declarou que a prisão do ex-presidente Lula viola a Constituição brasileira. “O processo, para mim, não tem capa, tem unicamente conteúdo”, afirmou o ministro. E explicou: a prisão viola o princípio da presunção de inocência tratado no artigo 5º da Constituição, que orienta o trânsito em julgado da sentença. “Eu não concebo (...) tendo em conta a minha formação jurídica (...) essa espécie de execução”, destacou.

A trajetória do advogado Edson Fachin é surpreendente diante da trajetória do ministro do STF. Foi indicado pela presidenta Dilma Roussef para substituir o ex-ministro Joaquim Barbosa. Sofreu resistência dos senadores conservadores pela simples razão de ter defendido a eleição da petista em 2014.

O PT, Lula e Dilma usaram o dedo errado para escolher os candidatos ao Supremo. Não para obedecer, e sim para impedir a prevalência conservadora no STF. Nosso Supremo é uma corte política. Os militares, com a deposição de Jango, perceberam e cortaram a cabeça de três dissidentes: Victor Nunes Leal, indicado por Juscelino Kubitschek, e Evandro Lins e Silva e Hermes Lima, indicados por João Goulart.

Resta aos petistas suportar por ora a voz manhosa e entediante de Edson Fachin.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Feira de riquezas

O governo sumiu. Foi sua melhor providência em dois anos de invasão da Presidência e adjacências. O Supremo Tribunal Federal ocupou o vazio: em uma semana, foi mais criticado do que em todo o seu tempo pregresso, cujo silêncio impositivo, por temor ou interesse, só foi perfurado já no século 21. Mas do Supremo saiu, apesar de logo atacada, uma decisão há muito necessária.

Desde o governo Fernando Henrique, não haveria melhor ocasião para exigir-se que privatizações sejam submetidas ao Congresso, como vem determinar medida do Supremo, pelo ministro Ricardo Lewandowski. A deficiência moral do Planalto de Temer não decorria só da presença, lá, do hoje encarcerado Geddel Vieira Lima. Logo, a pretendida venda da gigante Eletrobras ao gosto do governo seria, sem dúvida, a reprodução das vendas de gigantes como a Vale do Rio Doce e as telefônicas. Nas quais o próprio Fernando Henrique deixou gravados, tal como Temer com Joesley Batista, indícios óbvios das cartas marcadas nas transações.

Em entrevista recente à Folha, Armínio Fraga repetiu um pretenso argumento de uso comum nos neoliberais: "Governo não deve ter empresa". É verdade. Não deve e não tem. Nenhuma estatal é de governo. Todas são do chamado Patrimônio da União, os bens conjuntos do país. É descabido, quando não é criminoso, que um grupelho decida fazer negócio com bens da nação, por critérios de sua autoria, senão de compradores. Sem ao menos submetê-los ao Congresso para o exame das razões e condições, sua divulgação ao país e a autorização, ou não, dos ditos representantes da sociedade.

Não houve privatização que escapasse ao fracasso senão graças a brutais aumentos dos seus preços. Aqui mesmo foi publicada a constatação do ator Nelson Xavier, hoje morto, de que o quilo do aço de Volta Redonda era vendido, como fixou o então ministro Maílson da Nóbrega, pelo preço de um molho de cheiro-verde na feira. Feita a privatização, depressa o preço cresceu cinco vezes, e não parou aí. Com os telefones só foi diferente por ser pior.

Há cinco dias soubemos de mais vendas de fatias da Petrobras. Foram-se três distribuidoras, de combustíveis, óleos e gás; serviços de abastecimento em três aeroportos, quase 200 postos e outros negócios no Paraguai. Tudo por R$ 1,45 bi. Se muito barato, como parece, caro ou a preço razoável, não se sabe. Assim, sem que o país conheça as razões e os critérios, estão indo há mais de dois anos as sucessivas fatias, na simplória política de vendê-las para cobrir dívidas — o que qualquer camelô faria no lugar em que estavam o louvado Pedro Parente e seu conselho de administração.

Tanto faz se, como especulado, a medida de Lewandowski tem ou não a ver com a encaminhada venda de parte da Embraer, empresa privatizada a preço inferior ao que o país investiu para criá-la. Certo é que os motivos de compra atribuídos à Boeing soam infantis. Uma indústria do seu porte não precisaria da Embraer para produzir aviões de linhagens menores. A Boeing é empresa civil que usa farda e bate continência. É vista como ligada aos departamentos da Defesa e de Estado mais do que aos próprios acionistas.

A Embraer já foi impedida de vendas grandes em razão do poder de veto dos Estados Unidos, imposto para o uso de componentes americanos nos aviões. É um pequeno sinal dos problemas que a esperam e aos projetos que tem com a FAB, se efetivado o negócio com a Boeing. Mas o caso é diferente do que se passa entre as estatais e as privatizações. Aí, a precaução chamaria a polícia.

Janio de Freitas
No fAlha
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