28 de jun. de 2018

The last days of Aldo Moro


Como a maioria dos brasileiros acompanhei a cobertura do sequestro e morte de Aldo Moro pela televisão sem entender muito bem o que estava ocorrendo na Itália. Ontem topei com o belo documentário sobre aquele episódio:

Nenhum paralelo pode ser traçado entre Aldo Moro e Lula. Mesmo assim, me parece evidente que alguns aspectos dos dois casos são semelhantes.

Aldo Moro conseguiu costurar um acordo entre a Democracia Cristã e o Partido Comunista Italiano para formar um governo de coalisão. Pouco depois foi sequestrado por um grupo de extrema esquerda e abandonado à própria sorte pelos companheiros de partido que não queriam governar junto com os comunistas. Lula foi sequestrado pelo sistema de justiça com base num processo penal fraudulento para não disputar a eleição presidencial de 2018. Os arquitetos do golpe de estado de estado de 2016 “com o STF com tudo” querem impedir o povo brasileiro de eleger um líder que tenha condições políticas e coragem revogar as medidas neoliberais adotadas pelo (des)governo Michel Temer.

As contradições políticas da época podem ter levado o governo italiano a permitir o sacrifício de Aldo Moro. Os interesses de médio e longo prazo da Itália foram considerados mais importantes que a preservação da vida de um estadista rejeitado por membros de seu próprio partido. Essa interpretação é dada por um dos entrevistados no final do documentário.

Os golpistas brasileiros estão tentando de todas as maneiras sacrificar Lula no altar do deus mercado. O problema é que a estratégia deles não funcionou. O ex-presidente petista não foi esquecido pela população: as intenções de voto em Lula cresceram após a prisão dele. Os políticos petistas e a militância do PT não traíram nem abandonaram seu principal líder.

Desafiando a dinâmica eleitoral que o golpe “com o STF com tudo” tentou impor ao país, o PT lançou Lula à presidência. Qualquer analista político de bom senso é obrigado a admitir que essa estratégia se mostrou acertada e promissora. Lula cresceu nas pesquisas e se transformou num símbolo mundial da luta política contra as limitações impostas à soberania nacional pelo povo do mercado. Isso claramente impediu o golpe de transformar a morte política Lula numa versão brasileira pós-moderna do sacrifício ritual de Aldo Moro.

O documentário é muito bom. Vários protagonistas da tragédia italiana (políticos de direita e de esquerda, membros das Brigadas Vermelhas e o agente norte-americano enviado para analisar o caso e sugerir alternativas de solução) foram entrevistados e finalmente puderam dizer ao documentarista o que não poderiam ter dito na época. The last days of Aldo Moro é um curto, mas extremamente rico. O documentário mostra que o universo político em ação durante o sequestro e morte do estadista italiano era muito diferente daquele que foi mostrado ao ‘respeitável público’ pelas empresas de comunicação.

Ao ver esse documentário e meditar sobre o que está ocorrendo em nosso país é impossível não suspeitar da versão que a mídia tenta construir para salvar o neoliberalismo do naufrágio no Brasil. Quais são os verdadeiros interesses que motivaram e motivam decisões judiciais absurdas e até criminosas para tirar Lula da disputa eleitoral enquanto o controle das riquezas do Brasil vai sendo tirado das mãos dos brasileiros? Essa meus caros é uma pergunta que ninguém ainda tentou responder de maneira direta e contundente através de um documentário.

Após assassinar Aldo Moro as Brigadas Vermelhas perderam legitimidade popular e foram rapidamente aniquiladas pelo sistema de justiça italiano. Presos e condenados, os brigadistas passaram uma boa temporada na prisão. O sistema de (in)justiça brasileiro conseguirá evitar uma dura reforma imposta de fora para dentro após ter tentado assassinar politicamente Lula? Essa é uma pergunta para ser respondida nas urnas. Todo poder ao povo brasileiro, abaixo os criminosos de toga.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN
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Jornalões formam frente única, organizada por grupo dos EUA, para combater fake news na

O "Comprova" é financiado com "ajuda" do Google e Facebook e é organizado pelo grupo estadunidense First Draft. Associado a veículos como Veja, o Comprova acha que terá mais legitimidade por causa da chamada "checagem cruzada"


O grupo estadunidense First Draft - que encampa um projeto "global" de fact-checking que, no Brasil, é "representado pela Agência Lupa" - decidiu reunir 24 grandes grupos de comunicação numa frente única contra a disseminação de boatos e mentiras durante a eleição de 2018.

Por trás do projeto estão Folha de S. Paulo, Estadão, Veja, UOL, SBT, Band, Exame, AFP, Canal Futura, Jornal do Commercio, Gazeta do Povo, Gazeta Online, Metro Brasil, Correio, Correio do Povo, GaúchaZH, Nexo Jornal, Nova Escola, NSC Comunicação, O Povo, Poder360 e a revista piauí (cujo endereço eletrônico abriga a Lupa; mas a Agência ressalta que não faz parte da frente). 

Reunidos e organizados pela Abraji (Associação Brasileiro de Jornalismo Investigativo, instituição composta principalmente por jornalistas da grande mídia), o projeto não contém nenhum representante da mídia independente. O site Poder 360, do jornalista Fernando Rodrigues (ex-presidente da Abraji), faz questão de destacar que a reunião foi feita entre os veículos que exercem o "jornalismo profissional" apenas.

O jornalista Luis Nassif, editor-chefe do GGN, encaminhou pedido para fazer parte do “Comprova”, mas teve a solicitação recusada. "Claro que mandei o pedido já imaginando que isso fosse acontecer. É um modelo alinhado aos sites dos grandes jornais. A institucionalização da informação”, definiu Nassif.

Batizado de Comprova, o projeto curiosamente não vai checar conteúdo propagado por candidatos e tampouco atacar fake news de baixa repercussão.

Segundo o Estadão, a iniciativa do First Draft é financiada com "ajuda" do Google e Facebook, que também oferecem treinamento e apoio técnico.

A ideia do Comprova é colocar jornalistas desses 24 veículos para detectar e verificar "rumores, conteúdo enganoso e táticas de manipulação nas redes sociais." A Abraji vai coordenar mas não gerenciar o conteúdo publicado.

O Comprova acha que terá mais legitimidade que as agências de checagem isoladas porque promete fazer uma "checagem cruzada", isto é, só vai publicar um desmentido quando ao menos 3 dos veículos associados "entrarem em acordo sobre a falsidade da informação em questão."

O First Draft é um "centro de estudos jornalísticos ligado ao Shorenstein Center da Universidade Harvard" e afirma já ter testado esse modelo de checagem durante as últimas eleições na França. A porta-voz da instituição estadunidense, no Brasil, é Claire Wardle.

A estratégia do Comprova é produzir material de fácil circulação - como imagens, vídeos, textos curtos - para disseminar e viralizar nas redes, numa tentativa de fazer contraponto às notícias falsas. A ser lançado no dia 8 de agosto, o projeto ainda não sinalizou, por meio dos veículos associados, o que entendem como fake news.

CORTINA DE FUMAÇA

O episódio do terço de Lula serviu de alerta sobre o uso das agências de checagem patrocinadas por grandes empresas para atacar a credibilidade de portais da mídia independente, onde estão situados atores como Brasil 247, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum, o GGN e outras iniciativas que colocam em xeque a narrativa da mídia comercial.

Quando a história de que o Papa Francisco teria enviado um terço abençoado a Lula veio à tona, Lupa usou uma nota errada do Vatican News para cravar que os blogues estavam difundindo fake news. A agência desvalorizou o fato de que os blogues - assim como UOL, Folha e outros grandes veículos - usaram notas oficiais do PT e da assessoria de Lula para produzir a matéria questionada. Sem entrar em contato com os portais independentes para conversar sobre a apuração, Agência Lupa definiu que o conteúdo era "falso" e recomendou punição (que culmina em censura) ao Facebook.

Quando o Vatican News se retratou, admitindo que o terço fora abençoado para Lula e entregue ao ex-presidente por meio de um assessor do Pontífice, Lupa mudou o status da checagem de "falso" para "de olho". Retirou a recomendação para descredenciar os portais no Facebook, mas não se retratou com nenhum portal atingido nem admitiu que, no mérito, cometeu o mesmo "erro" de apuração ao usar a nota errada do Vatican News.

Tampouco há notícia de que Lupa tenha pegado no pé de grandes veículos de comunicação que rerpecutiram a notícia usando a mesma fonte dos blogues.

O DEBATE NO TSE

No Tribunal Superior Eleitoral também há um debate sobre como combater fake news da eleição. O ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes, convidado para uma audiência neste mês, argumentou que, por vezes, a linha editorial de veículos de massa também servem à propagação de notícia falsas.

A título de exemplo: em 2014, a Veja divulgou uma capa afirmando que Dilma e Lula "sabiam de tudo" que ocorria na Petrobras. Mais recentemente, a Justiça mandou tirar do ar uma série de matérias que associavam Marina Silva à Lava Jato. Mas as postagens foram feitas tomando como base uma coluna de Lauro Jardim, em O Globo, que informava que Marina seria citada na delação da OAS por caixa 2.

As situações levantam a dúvida: eventuais erros de apuração ou reportagens que usam material institucional (seja denúncia do Ministério Público ou nota do PT e Lula) serão niveladas como boatos e mentiras?

No GGN
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Veículos lançam projeto para combater fake news; mídia independente é recusada

Jornalistas irão monitorar sites e redes sociais para encontrar “manipulações que possam influenciar a campanha eleitoral”, diz Folha de S. Paulo


Um grupo de 24 veículos de comunicação lançou um projeto de combate às chamadas fake news nas eleições de 2018. O “Comprova” será coordenado pelo programa “First Draft”, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No entanto, nenhum dos veículos da mídia independente está integrado ao plano para impedir a replicação das notícias falsas no Facebook e no Whatsapp.

A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (28). Segundo o jornal, “de forma colaborativa”, os jornalistas dos veículos irão monitorar sites e redes sociais para encontrar “manipulações que possam influenciar a campanha eleitoral”. O projeto é coordenado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).  Segundo a “Folha”, a rede social de Marc Zuckerberg  e o Google ajudam o financiamento do projeto.

Fazem parte do “Comprova” o Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, a AFP, O Povo, Poder 360, Rádio Band News FM, Rádio Bandeirantes, SBT, UOL, Veja, a Band, a Band News, o canal Futura, a Gazeta do Povo, a Gazeta Online, o Jornal do Commmercio, o Metro Brasil, Nexo jornal, Nova Escola, NSC Comunicação, entre outros.

Mídia independente fica de fora

O jornalista Luis Nassif, do GGN, encaminhou pedido para fazer parte do “Comprova”, mas teve a solicitação recusada pela rede formada, em maioria, por veículos da mídia comercial. “Claro que mandei o pedido já imaginando que isso fosse acontecer. É um modelo alinhado aos sites dos grandes jornais. A institucionalização da informação”, definiu Nassif.

Um dos veículos associados ao Comprova é a revista Piauí que também é responsável pela Agência Lupa. No dia 11 de junho, a agência de fact-checking fez uma notificação ao Facebook de que os veículos da mídia independente Revista Fórum, Brasil 247 e Diário do Centro do Mundo teriam publicado fake news. Usuários do Facebook receberam alertas dando conta de que a matéria sobre o terço abençoado pelo Papa Francisco e entregue a Lula pelo assessor do pontífice Juan Gabrois era falsa.

A Fórum e demais veículos receberam um aviso do Facebook que poderiam ter suas páginas removidas e o alcance reduzido se continuassem publicando notícias falsas. No entanto, a checagem da Lupa estava equivocada. O Vatican News, site no qual a agência se baseou, corrigiu a informação e Grabois escreveu uma carta reafirmando que o terço realmente havia sido enviado pelo papa.

No Fórum
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Em SC — Tribunal popular no caso Chiarello: O povo não acredita em suicídio


Em 28 de novembro de 2011 a morte do vereador (PT/SC) Marcelino Chiarello é divulgada. Lembro-me claramente de receber a notícia na sala de redação. Marcelino era professor e vereador em Chapecó/SC e foi encontrado morto em sua casa, no bairro Santo Antônio. A cena do crime levantou no decorrer desses anos várias reações da comunidade, movimentos populares e sociais, sindicatos, organizações e do partido onde Marcelino possuía atuação. Estes defendem que a morte por enforcamento foi simulada para que a verdade sobre as denúncias que Marcelino estava fazendo na região permanecesse apenas sobre o domínio dos envolvidos.

Pessoas de convívio do ex-vereador relataram inúmeras vezes que Marcelino inclusive estava prestes a renunciar do cargo na Câmara de Vereadores, após ter feito denúncias e descobrir esquemas de corrupção envolvendo lideranças de Chapecó e o governo do estado de Santa Catarina.

Marcelino foi um militante social cuja imagem vinha despertando a atenção da sociedade por estimular discussões em defesa dos direitos humanos, participou de greves, mobilizações e projetos sociais em favor dos Sem Terra, indígenas, mulheres e toda composição social que nesse sistema não é favorecida.

A imagem de Marcelino ficou notória especialmente nas administrações de políticos como João Rodrigues e José Cláudio Caramori. Ele sempre levantou questionamentos e sempre apresentou interrogações sobre o desenvolvimento dos trabalhos em seu local de atuação.

Um texto divulgado pela página no facebook: “Julgamento Popular do Caso Marcelino Chiarello”, informa que “após quatro laudos distintos (dois apontando suicídio; outros dois, homicídio), o caso foi arquivado pelo judiciário, a pedido do Ministério Público”.

Depois de tantas lutas da comunidade em busca da verdade sobre quem, ou quais forças teriam matado ou mandado “arquivar” o que sabia Chiarello, é que o julgamento popular sobre o caso acontecerá neste sábado, dia 30, em Chapecó, na comunidade São José Operário. Será uma atividade para ouvir as pessoas que conviveram com Marcelino, que sabiam de suas angústias, que acompanharam inclusive os últimos momentos em que o ex-vereador já não podia mais deixar “por debaixo dos panos” a verdade sobre o que estava acontecendo na cidade. Caravanas vindas de vários lugares do Brasil, representações de diversos segmentos e organizações vão acompanhar o “Tribunal Popular do Judiciário” na tentativa de reabrir essa história e colocar em evidência os culpados pelo assassinato de Marcelino Chiarello.


Cláudia Weinman, é jornalista, diretora regional da Cooperativa Comunicacional Sul no Extremo Oeste de Santa Catarina. Militante do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR).
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Manipulação no stf


Estou aqui há 28 anos e nunca vi manipulação da pauta como esta” – denunciou Marco Aurélio Mello, o segundo juiz mais antigo do stf.

O assombroso desta grave denúncia é que não atinge algum grêmio estudantil ou sindicato patronal ou laboral, mas nada menos que a suprema corte do Brasil.

A denúncia foi dirigida contra Carmem Lúcia, sua colega e presidente do stf que manipula a pauta da suprema corte para obstruir o julgamento da inconstitucionalidade que representa a prisão antes do trânsito em julgado de sentença condenatória [inciso LVII do Art. 5º da CF].

Em dezembro de 2017 Marco Aurélio havia liberado para julgamento 2 ações que questionam a matéria, e solicitou à Carmem Lúcia o agendamento para deliberação em plenário. Em abril deste ano, Marco Aurélio liberou outra ação de idêntico teor, e repetiu o pedido à Carmem Lúcia.

Nas 3 ocasiões, Carmem Lúcia rechaçou imperialmente os pleitos. Ela usou o poder do cargo de presidente do stf para preservar a exceção jurídica que levaria – como levou – à consumação da prisão política do ex-presidente Lula por ordens dos justiceiros da Lava Jato.

Carmem Lúcia agiu assim porque se a discussão fosse a Plenário naquelas ocasiões, ela seria derrotada, e isso cessaria o arbítrio contra Lula.

Edson Fachin, também integrante da tropa de choque do golpe no stf, é outro que se especializou na manipulação de ritos processuais e decisões.

Convertido, nos últimos tempos, ao direito penal do inimigo – por motivações desconhecidas, que no futuro haverão de ser reveladas – Fachin não hesita em manipular trâmites judiciais sempre que preciso para impedir o exercício do direito de defesa do Lula.

Na sessão de 26/6 da segunda turma do stf, Fachin fez uma manobra anti-regimental e inconstitucional para impedir a análise de recurso que levaria à libertação imediata do Lula.

Com a manipulação, Fachin levou o pedido da defesa do ex-presidente para o plenário, onde espera constituir maioria para manter o curso do golpe com Lula em prisão política.

Carmem Lúcia e Edson Fachin, pela relevância dos cargos que ocupam no stf – presidência e relatoria da Lava Jato, respectivamente – são 2 peças-chave da engrenagem do golpe e da ditadura jurídico-midiática.

Se fossem tempos de normalidade constitucional no Brasil, o stf estaria sob suspeição, alguns dos seus integrantes seriam investigados e os adeptos das práticas da manipulação judicial e da perseguição fascista seriam demitidos, sem direito à aposentadoria vitalícia.

No julgamento destes manipuladores de toga seria assegurado, entretanto, o amplo direito de defesa, para que fossem julgados dentro do devido processo legal, e, uma vez condenados por conspiração e atentado à democracia e ao Estado de Direito, somente seriam presos após o trânsito em julgado de sentença condenatória – direitos que subtraem a Lula.

Sem o patrocínio direto do stf – em alguns momentos por omissão; em outros, por inação – o golpe que começou com o impeachment fraudulento da Presidente Dilma não teria prosperado.

Neste momento, sem a ação direta e escancarada do stf – através de manipulações como as promovidas por Carmem Lúcia e Edson Fachin – o golpe se esgotaria.

Jeferson Miola
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Mensagem de José Dirceu


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Enquanto seu vice banca o bondoso com venezuelanos, Trump põe bebês no tribunal

Até o prefeito de Manaus, que é do PSDB, criticou a cara de pau de Pence em prestar solidariedade a imigrantes na casa dos outros

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em abrigo de Manaus
Enquanto o vice-presidente Mike Pence estava em Manaus nesta quarta-feira se fazendo de bondoso com imigrantes venezuelanos, a imprensa norte-americana divulgava que bebês de 3 anos de idade estão sendo colocados sozinhos diante do tribunal para serem deportadas. A informação foi dada por advogados do Texas, Califórnia e de Washington ao Texas Tribune.

“Nós estivemos representando uma criança de 3 anos de idade que foi separada dos pais. E a criança, no meio da audiência, começou a subir em cima da mesa. Isso realmente demonstrou o absurdo do que estamos fazendo a essas crianças”, disse ao jornal Lindsay Toczylowski, diretora executiva do Immigrant Defenders Law Center, em Los Angeles.

Estivemos representando uma criança de 3 anos
de idade que foi separada dos pais. 
E a criança, no meio da audiência, começou a 
subir em cima da mesa. 
Isso realmente demonstrou o absurdo do que 
estamos fazendo

Embora menores desacompanhados enfrentando deportação não seja uma nova prática na “terra da liberdade”, após Donald Trump chegar ao governo cada vez mais crianças pequenas, incluindo bebês, estão sendo afetadas. Toczylowski disse que normalmente os pais são julgados ao lado das crianças menores, mas agora, com a nova política de “tolerância zero” de Donald Trump, estão enfrentando os procedimentos de deportação sem a mãe ou o pai. “Os pais são os únicos que sabem por que eles deixaram seu país de origem, e a criança está em uma posição de desvantagem para se defender.”

Em Manaus, o vice de Trump, Mike Pence, abraçou e conversou com crianças venezuelanas em um abrigo, como se pequenos em condições similares não estivessem sendo mantidas em jaulas nos EUA sem que ele oferecesse a mesma solidariedade. A cara de pau do norte-americano foi tanta que indignou até o prefeito tucano de Manaus, Arthur Virgílio, que tuitou, em português e inglês, “volte para sua casa”.


No abrigo Santa Catarina, onde esteve o vice de Trump, estão acolhidos 79 imigrantes venezuelanos que chegaram ao Estado em maio deste ano pelo processo de interiorização do governo federal. A igreja mantém ainda outros quatro abrigos e atende quase 200 estrangeiros em todos os espaços.

Já a prefeitura de Manaus administra dois abrigos destinados exclusivamente aos indígenas venezuelanos warao, onde estão atualmente cerca de 200 deles. Uma das exigências para permanecer no local é não pedir esmolas, por isso, eles já quase não são vistos nas ruas da cidade com essa prática.
Pence falou da visita aos venezuelanos dizendo que eles fugiram de seu país não somente “por uma vida melhor”, mas “para salvar suas vidas”, como se não fosse esta a situação dos imigrantes que o governo dele está pondo em gaiolas
O porta-voz do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) no Brasil, Luiz Fernando Godinho, elogiou a atuação tanto da prefeitura de Manaus quanto do governo amazonense no acolhimento aos refugiados. “As duas autoridades de uma maneira muito pronta e muito coordenada responderam rapidamente às necessidades dos venezuelanos que chegaram aqui em Manaus. Tanto a prefeitura quanto o governo do estado adotaram medidas rápidas de resposta no sentido de garantir o abrigamento das pessoas e também alimentação e outros serviços essenciais”, disse.

No twitter, Pence falou da visita aos venezuelanos dizendo que eles fugiram de seu país não somente “por uma vida melhor”, mas “para salvar suas vidas”, como se não fosse esta a situação dos imigrantes que o governo dele está pondo em gaiolas.

A maior parte dos imigrantes enjaulados na fronteira norte-americana foge da violência e da miséria em países da América Central alinhados aos EUA e que sempre sofreram com sua interferência: El Salvador, Guatemala e Honduras. Segundo pesquisa do Pew Research Center, entre 2007 e 2015, enquanto as migrações do México e de outros países caíram, a dos centro-americanos aumentou.


No Socialista Morena
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Soberania e perplexidade


Em apenas um dia, enquanto os brasileiros comemoravam a vitória da seleção contra a Sérvia, três fatos trouxeram definitivamente o tema da soberania nacional para o centro da luta política.

O primeiro deles, a reação altiva do prefeito de Manaus, Amazonas, Arthur Virgílio, diante da visita do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, ao país e à sua cidade.

– Respeite a soberania do meu país e o brio do povo amazonense. Não aceito a intervenção militar, nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa. O ACNUR reconheceu o trabalho de acolhimento aos venezuelanos feito por Manaus. Não tente me ensinar a ser solidário. Os mexicanos podem falar sobre o tratamento que o seu país dá a eles”, declarou Arthur em sua postagem (no twitter).

O segundo fato foi a decisão liminar do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, proibindo privatizações sem aval do Congresso e licitação, medida antecedida de artigo publicado no mesmo dia, no jornal Folha de S. Paulo.

– Internacionalizar ou privatizar ativos estratégicos não se reduz apenas a uma mera opção governamental, de caráter contingente, ditada por escolhas circunstanciais de ordem pragmática. Constitui uma decisão que se projeta no tempo, configurando verdadeira política de Estado, a qual, por isso mesmo, deve ser precedida de muita reflexão e amplo debate, pois suas consequências têm o condão de afetar o bem-estar das gerações presentes e até a própria sobrevivência das vindouras.

O terceiro fato, a infeliz, proposital ou mesmo provocadora postagem do Comandante do Exército, general Villas Bôas, que insiste em “governar” as FFAA por twitter, exatamente no mesmo dia que o vice dos EUA vem afrontar nossa soberania.

– Há 50 anos, em um ato terrorista perpetrado contra o quartel-general do então II Exército em São Paulo, faleceu, com apenas 18 anos, o Soldado Mário Kozel Filho. Nossos heróis serão sempre lembrados. Kozel, o @exercitooficial lhe presta continência! #ObrigadoSoldado!

Tais fatos, descontando ter sido um dia de Copa, expõem a perplexidade das lideranças brasileiras diante do tema da soberania nacional.

É inegável a simbologia da visita do vice-presidente norte-americano ao Brasil, especialmente pela sua arrogante presença no coração da Amazônia brasileira. Grave também foi o Palácio do Planalto, na presença de Temer, servir de “base” para Pence mandar “recados” para a população da América Central. Não bastasse isso, ainda “enquadrou” os golpistas para as pretendidas manobras de ataque à Venezuela, que buscam armar – também – desde as fronteiras brasileiras.

A postura de Temer e do Itamaraty e do enviado do Império deixaram claro o papel de neo-colônia que está reservado ao Brasil. Um papel que, ao que parece, conta com o apoio do comando militar, refém de uma neutralidade inexistente e, portanto, antinacional. E, ainda, amparado sobre os escombros de instituições que, em alguns casos, como o STF, parecem tentar resistir ao suicídio institucional.

Diante disso, torna-se decisivo superar a dificuldade de boa parte da oposição, ainda refém de uma limitada visão republicana-eleitoral. O Brasil foi empurrado para o centro de disputas geopolíticas mundiais, resultante da falência dos EUA e do fim do mundo unipolar. É fundamental compreender este processo para identificar corretamente o inimigo, o campo de batalha e as armas a serem utilizadas.

Novamente, os fatos também trouxeram para o centro da cena política o presidente Lula, quem melhor falou e deve continuar falando pelo Brasil e pelos brasileiros – na voz de Chico Buarque.

– Este (o governo de Lula) é um governo que não fala fino com os Estados Unidos nem grosso com a Bolívia.

Portanto, Lula livre e yankes, voltem para suas casas.

Fernando Rosa
No Senhor X
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Drama

O drama dos refugiados no mundo todo chega a uma espécie de ápice de horror a cada imagem de uma criança morta. Pode-se fazer uma graduação do horror, dividi-lo em categorias, do lamentável ao lancinante, mas nada nos fere mais do que a foto do cadáver de um bebê que deu na praia como um dejeto humano, ou de uma criança ferida com o olhar esmaecido de quem não sabe o que lhe aconteceu, ou por quê. A questão do que fazer com refugiados que chegam à Europa aos borbotões — quando não morrem no caminho — é difícil, mas nenhuma política de imigração é aceitável se não começar com o martírio das crianças e com o controle da exploração do desespero. O transporte de refugiados que fogem de guerras ou da miséria tornou-se um negócio para donos de barcos que chegam superlotados a portos europeus sem garantia de que seus ocupantes não serão rechaçados, ou jogados na água se os portos não os aceitarem.

A decisão de separar os filhos de imigrantes ilegais dos seus pais presos na fronteira entre os Estados Unidos e o México também transformou a insensibilidade num negócio lucrativo, com empresas pleiteando contratos milionários para abrigar as crianças. O problema com a reunião das famílias depois que o Trump se deu conta da bobagem que tinha feito — incrivelmente, ninguém o avisou que a medida ia pegar mal — e voltou atrás, é como fazer agora para juntar mães e pais com seus filhos, alguns de colo. Muita gente tem comparado o que fizeram com as crianças nos Estados Unidos com táticas nazistas. Não precisavam ir tão longe. Em Guantánamo, em Cuba, a poucos quilômetros da Flórida, está em operação o único campo de concentração do Ocidente, com gente presa lá há anos pelos americanos sem julgamento ou ajuda legal.

O que fazer com a invasão cada vez maior de refugiados no mundo desenvolvido é um desafio sem respostas fáceis. No fundo o que está em jogo é o direito de cada indivíduo de tentar melhorar a sua biografia, e corrigir o azar de ter nascido no lugar errado, na época errada. Vai acabar vendendo bolsa falsificada num bulevar europeu ou colhendo frutas na Califórnia por pouco dinheiro até arranjar coisa melhor. Mas pelo menos as crianças terão sobrevivido.

Luís Fernando Veríssimo
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Quando a mídia impressa faz falta...

Falta de jornal velho afeta produção de abacaxis e trabalho de funerárias


O produtor e engenheiro agrônomo Ricardo Domingues, 62, de Santa Isabel do Ivaí (PR), sente falta dos jornais impressos locais. Não para ler as notícias do dia, hoje consumidas pela internet, mas para enrolar os abacaxis de sua propriedade.

Ele e outros 79 agricultores do município paranaense, integrantes da Aproanp (Associação dos Produtores de Abacaxi do Noroeste do Paraná), utilizam os diários antigos para proteger os frutos do sol. "Mas hoje está difícil de consegui-los por aqui", disse Domingues.

Os produtores costumavam comprar os impressos antigos nos principais jornais da região, como "Diário de Maringá", "Diário do Noroeste", "Ilustrado" e "Folha de Londrina". Com R$ 1,60, eles adquiriam um quilo de jornal, o suficiente para enrolar 210 abacaxis.

Jornais são disputados com funerárias

No entanto, como no restante do mundo, a tiragem dos periódicos impressos do noroeste do Paraná também caiu. O "Ilustrado", principal jornal de Umuarama (PR), em 2014 imprimia 14 mil jornais por dia - 36% a mais do que atualmente. Já a impressão do Diário de Maringá é de apenas 10 mil exemplares por dia, ante 18 mil em 2014.

"Quase não sobra impresso para vender", disse Sergio Carniel, responsável pelas compras e pelo almoxarifado.

Quando sobram, os papéis são disputados entre produtores e outras empresas, como pet shops, revendedores de ovos e até funerárias.

Uma delas é a funerária Prever, localizada em Loanda (PR), município vizinho a Santa Isabel do Ivaí. O gerente Fernando Alves Moreira relata que os jornais são utilizados para posicionar e nivelar o corpo dentro do caixão. Por mês, são cerca de cem quilos do papel.

"Mas, por causa dessa crise no jornalismo, também não estamos encontrando o jornal. A solução tem sido comprar pó de serra, que chega a sair por R$ 5 o quilo, 68% mais caro que o impresso", afirmou.

Produtores buscam jornais em São Paulo

A alternativa de Domingues e outros produtores foi buscar jornais na capital paulista. O problema é que o quilo do papel no estado vizinho, disse Domingues, custa R$ 2,20 (30% mais caro que o do Paraná) já com o frete.

"E isso a gente não consegue repassar para o consumidor final, pois quem manda no abacaxi é a oferta e a demanda", afirmou João Henrique Rodrigues, filho do engenheiro Ricardo e também produtor de abacaxis.

Ele relata que Santa Isabel do Ivaí tem 180 hectares plantados de abacaxi. Para cada hectare, são necessários 180 quilos de jornal. Isso significa que, para embrulhar todos os frutos da safra de 2017/2018 (estimada em 5.800 toneladas), ele, seu pai e os outros vão gastar R$ 71,2 mil.

Isso sem contar a mão de obra, que faria os gastos praticamente triplicarem.

Professor sugere alternativa, mas ela é bem mais cara

Para Denis Fernando Bife, professor de fruticultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o jornal é um item importante não somente na produção de abacaxis, mas de outras frutas, como a melancia e o melão.

Por causa da falta de impressos na região, disse ele, uma alternativa para os produtores seria a tela sombrite, normalmente utilizada na proteção de hortas.

"Sairia mais caro no primeiro ano, mas poderia ser reaproveitada pelo menos nos oito anos seguintes. Bastaria ter zelo na hora de retirá-la", afirmou.

Fizemos as contas. Para colocar sombrite em um hectare, os produtores precisariam gastar R$ 10 mil, sem contar a mão de obra. Como há 180 hectares em Santa Isabel do Ivaí, o custo seria de R$ 1,8 milhão. Por isso o jornal é a opção mais barata para os agricultores.


Lucas Gabriel Marins
No UOL
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Uruguai começa a vender erva mate com maconha


O Uruguai vai autorizar, a partir da próxima semana, venda de erva mate com Cannabis sativa, a maconha. O Ministério da Saúde liberou o produto para os distribuidores. As primeiras marcas a oferecer a nova variedade são Consentina e La Abuelita. Pablo Riveiro, representante de ambas, explicou que o produto não tem efeito psicoativo, pois não possui THC (tetra-hidrocarbinol), principal componente da planta da maconha, sendo responsável por seus efeitos alucinógenos.

Assim, as ervas “terão sua venda livre e poderão ser consumidas por qualquer pessoa”, disse Riveiro à agência DPA. “É uma erva não medicinal. Não é um medicamento e não é psicoativo”, acrescentou o empresário uruguaio, destacando que a mistura terá os benefícios do cannabidiol.

Como no Rio Grande do Sul, no Uruguai o mate é consumido a qualquer hora do dia e costuma ser vendido puro ou misturado com outras ervas, em alguns casos medicinais. A comercialização ocorrerá pouco mais de um ano após um produto similar ter sido retirado das lojas do Uruguai pelo Ministério de Saúde Pública, por não cumprir as normas.

O pacote de um quilo do mate com cannabis custará aproximadamente R$ 25,00 e será facilmente identificável pelos consumidores, pois sua embalagem terá uma folha de Maconha.

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Marco Aurélio tem razão ao criticar Cármen Lúcia

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Diz nunca ter visto maior manipulação da pauta

Os ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes deram declarações hoje para tentar colocar panos quentes nos embates na 2ª Turma do STF, num contraste com o clima de guerra nos bastidores do Supremo Tribunal Federal.

Mas Marco Aurélio Mello bateu duro na presidente da corte, Cármen Lúcia. Ele criticou “a manipulação da pauta” do tribunal falando mais uma vez da recusa da ministra em rediscutir a possibilidade de prisão após decisão condenatória de segunda instância, tema que é objeto de processos já liberados para julgamento por Marco Aurélio.

“A ministra Cármen Lúcia, que define a data para julgamento, está com a palavra. Sem dúvida alguma, tempos estranhos. Estou aqui há 28 anos e nunca vi manipulação da pauta como esta”, afirmou.

Ele tem razão. Cármen Lúcia ajudou os senadores Aécio Neves (PSDB) e Renan Calheiros (MDB) ao pautar determinados processos e prejudicou o ex-presidente Lula (PT) ao decidir julgar um habeas corpus antes das Ações Declaratórias de Constitucionalidade relatadas por Marco Aurélio Mello.

A dinâmica implementada por Cármen Lúcia na sua presidência acentuou o clima de guerra interna que já existia na gestão anterior, de Ricardo Lewandowski. Acontece que agora esse confronto é mais aberto, mais grave e provoca maior insegurança jurídica.

Numa ótima análise na “Folha de S. Paulo”, intitulada “O império da insensatez”, Rubens Glezer avalia que Cármen Lúcia fez gestão minúscula, transformando o STF em stf.

Sentiu o golpe

Ao dizer que deixa a ideologia fora do gabinete ao julgar, Fachin responde à crítica de que também prejudicou Lula ao jogar para o plenário análise que deveria ser feita pela 2ª Turma do STF.
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Morre o filósofo marxista Domenico Losurdo

Na manhã desta quinta-feira (28), o mundo perdeu um de seus grandes pensadores. O filósofo Domenico Losurdo morreu na Itália aos 77 anos. A família divulgou apenas que a morte foi em decorrência de “uma doença incurável recentemente descoberta”.


Losurdo foi um dos maiores pensadores dos estudos marxistas e da obra de Gramsci. Dedicou sua carreira acadêmica à produção política em defesa de um pensamento plural e libertador. Em seus últimos anos, lecionou na Universidade de Urbino, na Itália.

Sempre coerente, a filosofia política de Losurdo e sua contextualização cuidadosa do pensamento filosófico em seu tempo histórico foi impulsionada principalmente pela crítica radical ao liberalismo, ao capitalismo e ao colonialismo.

Um pensador de seu tempo, Losurdo dedicou-se também a investigar questões políticas contemporâneas, prova disso, é seu último livro que acabou de chegar no Brasil, “O Marxismo Ocidental”. Nesta obra, o filósofo contou a parábola do marxismo ocidental: seu nascimento, sua evolução e sua queda.

Trata-se de uma publicação polêmica e combativa, que pode ser considerada uma espécie de acerto de contas com o percurso do marxismo ocidental, repassando toda a sua trajetória até suas figuras atuais, como Slavoj Žižek, David Harvey, Alain Badiou, Giorgio Agamben e Antonio Negri, sem deixar de visitar pensadores já clássicos como Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, György Lukács, Herbert Marcuse, Louis Althusser, Ernst Bloch e Jean-Paul Sartre.

Intelectuais e pensadores de diversas partes do mundo estão publicando mensagens em homenagem ao filósofo que dedicou a vida ao pensamento marxista e à militância comunista.

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Defesa de Lula recorre contra decisão de Fachin


A defesa de Lula requereu à Segunda Turma do STF no final da noite desta quarta ontem (27), por meio de reclamação constitucional, que revise a decisão do ministro Edson Fachin que retirou da pauta a análise do pedido de liberdade do ex-presidente; a defesa de Lula contestou a inciativa de Fachin sob a ótica da garantia constitucional do juiz natural e também mediante a demonstração de que o ministro não demonstrou a presença de quaisquer das hipóteses que o Regimento Interno do STF autoriza o Relator a submeter o caso ao Plenário (art. 22) informa o advogado Cristiano Zanin.

A peça questiona o STF a razão pela qual somente os processos contra Lula com a perspectiva de resultado favorável no órgão competente - a 2a Turma- são submetidos ao Plenário. O pedido de liberdade de Lula estava pautado para ser julgado na 2a. Turma na última terça-feira (26.06) e não foi analisado em decorrência da decisão do ministro Fachin.

O pedido de liminar deverá ser analisado por um dos ministros da 2a. Turma do STF, conforme prevê a lei (CPC, art. 988, par. 1º)

Leia a íntegra da reclamação:

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Ibope dá a Lula liderança maior que o Datafolha


O último levantamento do Datafolha, há pouco mais de 15 dias, dava a Lula 30% das intenções de voto, contra 17% de Jair Bolsonaro. O do Ibope, divulgado hoje pela Confederação Nacional da Indústria, dá 33% ao ex-presidente, contra 15% de Bolsonaro.

Nada mudou, portanto, exceto que, pesquisa após pesquisa, o favoritismo de Lula segue inabalável e que a rejeição a seu nome é cada vez menor: do Datafolha (36%) para o Ibope (31%) ele é ultrapassado, nesta recusa de voto, por Jair Bolsonaro.

Os jornais, claro, preferem citar um “empate” entre Bolsonaro e Marina Silva, com 17 e 12%, respectivamente.

Como se vê, mesmo sem Lula ( sem que ele tenha apontado um candidato a seus eleitores) ambos, somados, não chegam à mesma intenção de voto do ex-presidente.

Você recorda, claro, que os analistas políticos diziam, quase todos, desde a prisão de Lula, há quase três meses, que o seu potencial eleitoral estava se desfazendo e que era urgentíssimo, sob pena de ficar esquecido, indicar um “herdeiro” eleitoral.

Pois é, sem comentários, não é?

Essa gente pensa que candidato é sabonete: na falta de um, pega-se outro na prateleira do supermercado.

PS: Geraldo Alckmin, de novo, mostra que está no final do período de validade e prontinho para virar “farinata” de João Dória.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ibope: Lula tem 33%, Bolsonaro 15%, Marina, 7%, Ciro, 4%, e Alckmin, 4%


Esta foi a primeira vez que o Ibope realizou uma pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais deste ano. O levantamento foi contratado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). A pesquisa feita entre os dias 21 e 24 de junho e entrevistou 2.000 pessoas em 128 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-02265/2018.

Veja os cenários da pesquisa estimulada (quando são apresentados os nomes dos candidatos):

Cenário com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 33%
Jair Bolsonaro (PSL): 15%
Marina Silva (Rede): 7%
Ciro Gomes (PDT): 4%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 2%
Manuela D'Ávila (PC do B): 1%
Fernando Collor de Mello (PTC): 1%
Flávio Rocha (PRB): 1%
Levy Fidelix (PRTB): 1%
João Goulart Filho (PPL): 1%
Outros com menos de 1%: 2%
Branco/nulo: 22%
Não sabe/não respondeu: 6%


Cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%
Fernando Collor de Mello (PTC): 2%
Fernando Haddad (PT): 2%
Flávio Rocha (PRB): 1%
Guilherme Boulos (PSOL): 1%
Henrique Meirelles (MDB): 1%
Levy Fidelix (PRTB): 1%
Manuela D' Ávila (PC do B): 1%
Rodrigo Maia (DEM): 1%
João Goulart Filho: 1%
Outro com menos de 1%: 1%
Branco/nulo: 33%
Não sabe/não respondeu: 8%


Intenção de voto espontânea (quando não é apresentada uma lista de candidatos):

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 21%
Jair Bolsonaro (PSL): 11%
Marina Silva (Rede): 2%
Ciro Gomes (PDT): 2%
Álvaro Dias (Podemos): 1%
Geraldo Alckmin (PSDB): 1%
João Amôedo (Novo): 1%
Outro com menos de 1%: 3%
Branco/nulo: 31%
Não sabe/não respondeu: 28%

O Ibope não pesquisou cenários para segundo turno. Isso porque essa é a primeira pesquisa Ibope/CNI de intenção de votos deste ano. Segundo o gerente-executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca, é preciso ter um histórico para poder traçar cenários de segundo turno a serem apresentados para os entrevistados.

Na próxima pesquisa do Ibope/CNI, prevista para setembro, deverão ser levantados os cenários de segundo turno.

Rejeição de voto para presidente da República:

Fernando Collor de Mello (PTC): 32%
Jair Bolsonaro (PSL): 32%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 31%
Geraldo Alckmin (PSDB): 22%
Ciro Gomes (PDT): 18%
Marina Silva (Rede): 18%
Rodrigo Maia (DEM): 13%
Fernando Haddad (PT): 12%
Henrique Meirelles (MDB): 11%
Levy Fidelix (PRTB): 10%
Aldo Rebelo (SD): 9%
Álvaro Dias (Podemos): 9%
Flávio Rocha (PRB): 9%
Guilherme Boulos (PSOL): 9%
João Gourlart Filho (PPL): 9%
Manuela D'Ávila (PCdoB): 9%
João Amôedo (Novo): 8%
Guilherme Afif: 8%
Paulo Rabello (PSC): 8%
Valéria Monteiro (PMN): 8%
Poderia votar em todos: 2%
Não sabe/não respondeu: 11%

Avaliação do governo Temer, segundo o Ibope

A pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (28) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente Michel Temer (MDB):

Ótimo/bom: 4%
Regular: 16%
Ruim/péssimo: 79%
Não sabe/não respondeu: 1%

Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada em abril, 72% consideravam o governo "ruim/péssimo"; 21%, "regular"; e 5% avaliavam como "bom/ótimo".


Maneira de governar

A pesquisa também avaliou a opinião dos entrevistados sobre a maneira de governar do presidente da República:

Aprovam: 7%
Desaprovam: 90%
Não souberam ou não responderam: 3%

No levantamento divulgado em abril, 9% aprovavam e 87% desaprovavam a maneira de governo de Temer.

Aprovação por áreas

Outro tópico da pesquisa foi a avaliação dos entrevistados sobre áreas de atuação do governo:

Segurança Pública

Aprovam: 14%
Desaprovam: 83%

Educação

Aprovam: 15%
Desaprovam: 83%

Saúde

Aprovam: 11%
Desaprovam: 88%

Taxa de juros

Aprovam: 8%
Desaprovam: 89%

Combate ao desemprego

Aprovam: 11%
Desaprovam: 87%

Notícias

Os entrevistados também foram questionados sobre as notícias lembradas envolvendo o governo Temer.

Em primeiro (12%) aparece a greve dos caminhoneiros, que aconteceu em maio e durou 11 dias. A greve afetou o escoamento da produção, além do abastecimento de itens como alimentos e combustível.

Percepção do noticiário sobre o governo:

Greve dos caminhoneiros em razão do aumento do combustível: 12%
Corrupção no governo (sem especificar): 11%
Aumento do preço dos combustíveis: 8%
Greves e paralisações pelo Brasil (sem especificar): 5%
Operação Lava Jato/Mensalão: 4%
Manifestações pelo Brasil (sem especificar): 2%
Reforma da casa da filha do presidente da República: 2%
Adiamento da Reforma da Previdência: 2%
Crise financeira nos estados: 1%
Desemprego (sem especificar): 1%
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Esperar e receber

Lá se vão os ministros do Supremo para as férias escolares. Deixam muitos deveres inacabados. Com isso, deixam também incertezas e inseguranças cujo efeito é submeter o país ao que no tribunal mesmo chamam de “instabilidade jurídica”.

O ministro Marco Aurélio Mello fez uso, a propósito, de um termo talvez nunca aplicado ao Supremo: “manipulação”. Assim se referiu à recusa da presidente Cármen Lúcia, que se concedeu exclusividade na definição da pauta de julgamentos, a agendar a apreciação de determinadas ações prontas para tal desde dezembro. O previsto é que a posição da ministra seria vencida.

As ações, no caso, questionam a compatibilidade, com a Constituição, da prisão de réus no primeiro nível de recursos contra a condenação — a segunda instância, dos desembargadores.

A Constituição, porém, determina que a prisão só se dê depois de esgotados, pela defesa, os recursos a todos os níveis. Há pelo menos dois componentes polêmicos na decisão por um voto pela prisão antecipada. Um, a sua compatibilidade, ou não, com a ordem constitucional. Outro, a competência para modificar princípio da Constituição, o que compete ao Congresso.

Com a “manipulação” da agenda, como Marco Aurélio “nunca viu em seus quase 30 anos de Supremo”, Cármen Lúcia deixa essa e outras complicações em suspenso. Presos ou soltos, não só da Lava Jato, são muitos milhares os pendentes da confirmação ou correção do desvio pelo Supremo.

Mas esse é um caso simbólico, não o único do estado tumultuoso que incentiva outros na pretendida casa das decisões convincentemente orientadoras.

O ministro Edson Fachin, por exemplo, deixou sinais de “manipulações” nos últimos dias. Depois que pediu o julgamento de uma ação no dia 26, terça passada, Fachin fez o repentino arquivamento dela. Era o pedido de libertação de um preso porque os falcões do Tribunal Federal da 4ª Região, a da Lava Jato, protelavam a apreciação de recursos do réu.

O que se passou foi a corrida da vice-presidente do TRF-4, Maria de Fátima Freitas (?!) Labarrère, para dar uma decisãozinha na ação retida, e menos de uma hora depois o arquivamento, no Supremo, estava feito por Fachin. Não são necessários mais sinais de armação.

Em outro caso, este na última terça (26), a Segunda Turma do Supremo examinou um recurso contra prisão do réu após segunda instância, ordenada pelo TRF-4. A ordem não apresentou a fundamentação exigida, nem teria fatos comprováveis para fazê-lo. Era evidente o reconhecimento de que o réu tinha o direito de responder em liberdade ao restante do processo.

Mas Fachin tentou impedir. Pediu vista para reter o que estava à sua vista e compreensão ali mesmo. Por sorte do réu, Dias Toffoli frustrou Fachin com um habeas corpus.

É claro que esses casos e seus ardis referem-se a Lula e Dirceu. As turmas do Rodoanel e do Metrô paulistas, entre vários aécios, nem chegam a tais níveis judiciais.

Mas está visto que certas contaminações fazem mesmo necessárias as férias de alguns ministros do Supremo, para refletir sobre o que devem ao país. Se algum o fará, é suposição que depende do otimismo dos que esperamos pouco e recebemos cada vez menos.

Janio de Freitas
No fAlha
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Damous: A troco de quê Fachin mudou da água para o vinho?


O deputado federal Wadih Damou (PT) classificou o comportamento do ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal, como "inacreditável", e afirmou, em entrevista a Luis Nassif, que "a pergunta que não quer calar é: por que [Fachin mudou da água para o vinho]? A que pressões foi submetido Fachin para se tornar uma figura tão patética, trêfega na condução da Lava Jato?"

Damous admitiu na entrevista - divulgada no canal do GGN no Youtube - que apoiou a indicação de Fachin ao Supremo durante o governo Dilma Rousseff. Ele afirmou que foi procurado pelo MST para ajudar na campanha do então advogado paranaense. "O MST apoiou o Fachin e tinha por que apoiar. Fachin era advogado do MST", destacou Damous, afirmando que se enganou com o "outro lado" do ministro: o que foi apoiado veladamente pela JBS.

"Ainda que ele tenha mudado da noite para o dia a sua visão de mundo, a forma como ele age é estarrecedor", disse Damous.

O deputado opinou que a defesa de Lula deveria considerar pedir a suspeição de Fachin, pois o ministro vem manobrando no Supremo para garantir a manutenção da prisão do ex-presidente no caso triplex.

"Ele não tem mais qualquer pudor em mostrar sua parcialidade", disse Damous. "Agora, a troco de quê ou de quem, é a pergunta. Esse comportamento dele é simplesmente inacreditável."

Assista à entrevista abaixo:

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