18 de jun de 2018

Barroso chegou tarde. Só tem vaga de “sub do Moro” ou de ministro do Bolsonaro


Luís Roberto Barroso é um destes personagens que, de tão lamentável, não se sabe se é apenas um tolo vaidoso ou um ambicioso à procura de ser visto como  o “bastião da moralidade” por interesses inconfessáveis.

Hoje, no Rio, disse que os seis ministros que votaram pelo fim das ilegalíssimas conduções coercitivas, que fazem com que qualquer pessoa possa ser tirada de casa pela polícia  e levada como prisioneira a depor, sem mesmo ser intimada antes, foram ”uma manifestação simbólica daqueles que são contra o aprofundamento das investigações” sobre corrupção.

Felizmente, no Supremo, o ambiente é de “vossa excelência” para cá e para lá, porque na vila do subúrbio onde fui criado é caso de tomar satisfações. Sim, porque Barroso está acusando Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio e Gilmar Mendes de cúmplices do acobertamento de roubos ao dinheiro público.

Este cidadão, consegue descer mais baixo que Gilmar Mendes no convívio com seus pares e, certamente, é um dos responsáveis por aquela Corte, em lugar de julgar com madura serenidade os processos, tenha se tornado um “Fla-Flu” onde o placar é inevitavelmente 6 a 5, apenas mudando o lado para o qual Rosa Weber se inclina.

Barroso, de certa forma, chega a quase sugerir que, não podendo conduzir de surpresa qualquer pessoa a um interrogatório, os juízes passem mesmo logo a prender sem motivo. Ou melhor, como forma de burlar a decisão judicial tomada pelo STF:

— Do ponto de vista da efetividade processual, não acho que seja uma diferença muito grande. Pelo contrário, pode até produzir um efeito inverso ao pretendido, porque a condução coercitiva é uma alternativa menos gravosa do que a prisão temporária. De modo que você proibir a condução coercitiva, você dá um incentivo à adoção de uma medida mais drástica. 

Com este grau de grosseria e ofensa, Barroso  parece querer se habilitar a ser Ministro de Jair Bolsonaro, porque não é possível achar que, dentro do Supremo, este tipo de agressão vá ficar sem um interpelação duríssima de quem está sendo chamado de protetor de corruptos.

Barroso, porém, não merece uma solução à moda suburbana.  Nem mesmo o lugar de pretendente a  Sérgio Moro vai ocupar. Chegou tarde, Doutor.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ex-secretário de Cultura participa de ataque de machismo e misoginia na Rússia; vídeo causa revolta

Vídeos com atos covardes contra russas provoca revolta nas redes sociais

Foto: Reprodução



Os vídeos nos quais torcedores brasileiros assediam russas provocam revolta desde que viralizaram nas redes sociais neste final de semana. Um dos homens que insistiam para as mulheres repetirem frases impublicáveis de teor sexual foi identificado. O agressor é o advogado Diego Valença Jatobá, ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Ipojuca, no litoral de Pernambuco. Ele é visto em pelo menos dois dos vídeos que circulam na web sempre aos risos ao praticar os ataques, sem as vítimas terem a noção do que diziam em português.

Nas redes sociais, o sentimento de revolta tomou conta de quem assistiu as gravações. “É isso que esses filhinhos mimados pelo papai e que nunca ouviram um não em casa vão fazer no exterior, fazer o Brasil se sentir envergonhado”, escreveu uma jovem. “Nada de novo, apenas a classe média alta brasileira mostrando mais e mais o seu fascismo”, escreveu um rapaz.

Não é a primeira vez que uma imagem de Diego provoca polêmica nas redes sociais. Ele publicou no Facebook uma foto onde ostentava um maço de notas de 100 dólares. Com a repercussão negativa, ele alegou que o dinheiro não era dele e que tudo não passava de uma brincadeira com amigos em uma casa de câmbio.


Político tirou foto ostentando maço de cem dólares.
Foto: Reprodução / Facebook

Fotos com Bruno Gafliasso e Grazi Massafera

Influente no ramo hoteleiro, Diego Jatobá aparece em confraternização com empresários do setor turístico. No município de Ipojuca está localizada a praia de Porto de Galinhas, uma das mais visitadas do Nordeste. Em um evento na reião, ele tem o noivado “abençoado” pelo ator Bruno Gagliasso, sob os olhos atentos da também atriz Grazi Massafera.

O ator Bruno Gagliasso em foto com o ex-secretário de Cultura autor de ato misógino na Rússia.
Foto: Reprodução/Facebook

O advogado Diego Jatobá publicou no Instagram foto na torcida de Portugal. 
Depois do escândalo viralizar na web, ele tornou o perfil bloqueado.

No Fórum



PM-SC abrirá processo contra policial visto em vídeo machista na Rússia

A Polícia Militar de Santa Catarina identificou um de seus policiais em vídeo que causou indignação durante a Copa na Rússia. Segundo a corporação, o tenente Eduardo Nunes, que serve em Lages (SC) e está de férias, é um dos homens que aparecem ao lado de uma mulher estrangeira, compelindo-a a falar as palavras “boceta rosa”.

A PM disse que não concorda com a atitude "incompatível com a profissão e o decoro de classe". A corporação informou que abrirá um processo administrativo disciplinar sobre o militar. Em março, no dia internacional da mulher, Eduardo Nunes trabalhou em um protesto de mulheres feministas contra casos de assédio na Universidade Estadual de Santa Catarina, em Lages. Na ocasião, o tenente foi entrevistado pela NSC TV, afiliada da Globo na região, e disse a PM havia intensificado sua presença na área após as denúncias de assédio.

Reprodução

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Direito 4.0 produz delações ilícitas e conduções inconstitucionais

Como a lei é a arma de combate à corrupção, violá-la é uma forma de corromper o combate à corrupção.”
(Janio de Freitas, Folha de S.Paulo, 17/6/2018)
O cenário do Direito brasileiro é o da Batalha de Pirro: em 280 a.C., o Rei Pirro, depois de vencer uma batalha, disse, respondendo a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória: "Mais uma vitória como essa e estarei arruinado completamente". E disse isso apontando para o que restou de suas tropas.

Metaforicamente, é o que se pode dizer do Brasil, depois do impeachment feito à fórceps (é eufemismo), intervenção militar fracassada no Rio, prejuízo de operações como a carne fraca, greve dos caminhoneiros, que foi um desastre para a economia (Petrobras quase quebrou o que restou das tropas pirróticas), ponderação usada pelo Judiciário como katchanga real, população carcerária aumentando dia a dia sem que isso resolva coisa nenhuma (e isso que o sistema carcerário foi “declarado” inconstitucional por ECI), decisões judiciais tomadas pela vontade pessoal do juiz, gente defendendo esterilização de pobres, juiz Moro sendo Moro, Dallagnoll prometendo um vídeo semanal nas eleições, TRF-4 “decidindo” que o MPF não necessita ser isento, governo batendo cabeça no STF sobre MP do próprio governo, discussão sobre auxílio-moradia que vira conciliação (o Brasil é o rei da conciliação), com o autor se passando para o lado dos conciliandos e assim por diante (acrescentaria o elenco de ilicitudes delineadas por Janio de Freitas na Folha deste domingo (17/6): TRF-4 aceitou arbitrariedades de Moro, CNJ concedeu imunidade às violações de praticadas por Moro, o STJ e o STF substituíram a lei pelo agrado à opinião pública e o dever pela sujeição, além do direito paralelo criado por Moro e Dallagnol, tudo absorvido pelo TRF-4 — a lista é bem mais longa, é claro).

Impressiona que alguns ministros que votaram pela inconstitucionalidade das conduções pedissem desculpas por votar assim, deixando claro que com isso não estavam coadunando com a impunidade. Ou seja: cumprir a CF passou a exigir desculpas. Chegamos ao ponto em que cumprir a legalidade passou a ser um ato revolucionário, subversivo. Conceder HC — o remédio heroico — passou a ser motivo de vaia.

Enfim, o que descrevi acima é só uma nesga do cenário tipo Pirro, produto desse “novo” olhar sobre o Direito, no qual a moral e a política valem mais do que o Direito, que tem sido vencido diariamente. E quem vence? Pois é. Mais vitórias desse tipo e afundaremos mais ainda. Pirro vence. E ao vencer, perde. Por isso o lamento do Rei Pirro.

Ou não foi pirrôtica a vitória dos juízes, MP e tribunais que apostaram nas conduções coercitivas contra a lei e a CF? Milhares de pessoas — Brasil afora — foram conduzidas e condenadas. Quem ressarce o prejuízo? São lícitos os depoimentos prestados sob vara? Incrível. O STF teve que dizer — e o fez por 6x5 — que onde estava escrito x deve ser lido x. Alvíssaras. Como sou um ortodoxo da interpretação constitucional, permito-me dizer: na democracia, é sonho de qualquer cidadão que “x” seja “x” (a menos que x seja inconstitucional e coisas do gênero). Depois de uma luta epistemo-fraticida, o STF por pouco não diz que uma garantia vinda da ditadura Vargas não tem guarida na Constituição de hoje. Por pouco, muito pouco, pouco mesmo, como dizia o narrador de futebol.

De todo modo, juntando os casos e os cacos, dos dois lados a vitória foi de Pirro: os que acharam que ganhariam e prenderam tanta gente — sim, porque conduzir à força é prender — e, agora, os que ganharam e não podem recuperar o prejuízo. Ou seja, os presos conduzidos à força ganharam, mas, infelizmente, não levaram. Porque já tinham sido conduzidos. O estrago já estava feito. Mais uma vitória como essa e... Bem, você sabe.

Nesse cenário de Pirro, parece que já não há novidade em afirmar que o modelo de delação premiada idealizada na "lava jato" faz água de há muito. Aos poucos, as absolvições começam a acontecer. Por uma razão simples: depoimento de delator, desacompanhado de prova concreta, nada vale. Por exemplo, o doleiro Alberto Youssef, hour concours no ramo delacional, em uma de suas delações — falo do caso da senadora Gleisi e do ex-ministro Paulo Bernardo (e poderia falar de tantos já julgados pelo STF em que ficou claro o limite do que diz um delator) — chega a dar quatro, sim, incríveis quatro versões sobre o que delatou. Isso também aparece — e por coincidência é o mesmo delator — em um caso envolvendo um senador. Afinal, o que é um fato? O que é um fenômeno? É possível relatar o mesmo fato de vários modos diferentes? Um delator pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa? Ou o delator tem a prerrogativa da pós-verdade só produz narrativas?

Sempre fico com uma pulga atrás da orelha quando um delator diz: entreguei R$ 40 milhões (é um exemplo) para fulano. Eu penso: mas ninguém lhe pergunta como ele fez isso? Mandou um motoboy? Mandou para um banco? Mandou para o exterior? E se entregou em cash, como ele arrumou esse ervanário, se qualquer retirada de banco acima de R$ 10 mil exige burocracia? Enfim, criou-se um mundo de ficções.

Tenho insistido na tese (ver aqui) de que devemos exigir evidências científicas das decisões dos tribunais. E, por óbvio, também devemos exigir evidências empíricas dos delatores. Não basta dizer. Tem de demonstrar. E não basta apresentar uma agenda com siglas. Chega a ser patético que uma delação tenha como prova apenas siglas e sinais em uma agenda. Brincando, pode-se dizer que LSD pode ser droga como também Luciano Soares Dutra. Ou Logo Serei Delatado. Parece coisa do Google: você coloca “cataratas do Iguaçu” e aparece “opero cataratas em clínica em Foz do Iguaçu”. Já se viu em várias delações que esses códigos não fecham. Por vezes, até fecham. Mas um relógio parado também acerta as horas duas vezes por dia. Processo penal não pode ser ficção. Necessita provar. Robustamente.

Quero dizer que o modelo-de-Direito-4.0-tipo-anglo-saxão que é vendido aos brasileiros é furado. Necessita de recall. Urgente. E dou apenas uma razão: se, por exemplo, o modelo de provas ou o modelo de custódia de provas vigente nos EUA fosse aplicado rigidamente no Brasil, metade da população carcerária seria liberada imediatamente[1]. E sabem por quê? Porque nos EUA não existe inversão do ônus da prova, há rigidez com relação à inadmissão de provas ilícitas, e delação premiada não serve por si só como prova. Claro, por aqui também a delação não pode valer. Está na lei, só que não. Bom, mas o que é isto — a lei? Mas quem gosta de Direito 4.0 diz que, se não for assim, não dá para condenar. Ah, bom. Então o que vale no processo penal é condenar?

Dois eminentes professores já escreveram que temos direitos demais (falo dos ilustres professores Jose Eduardo Faria e Joaquim Falcão). E eu respondi, ao dois: “Digamos isso aos 750 mil presos, dos quais mais de 200 mil são presos provisórios”. De todo modo, vamos testar o modelo verdadeiro e não o contrabandeado para o Brasil. Podem acreditar. Os presos e demais condenados ficarão muito felizes.

Tudo para dizer que parece que o “mundo delacional 4.0 turbinado”, se não se reciclar urgentemente, vai soçobrar. Já há suspeitas de chantagens até mesmo de advogados que estariam usando delações para pressionar e achacar “futuros” réus em troca de “mesadas” (ou taxa de proteção).

Para mim, presente qualquer tipo de suspeita em delatores, o que disseram fica subsumido na tese dos frutos da árvore envenenada. Isso sem falar de delatores usufruindo de benefícios sem processo. E da exclusão de advogados que não agrada(ra)m ao órgão negociador. Não tenho dúvida de que haverá o momento de um ajuste processual. O rio da história não pode ser exprimido por margens que põem a culpa na água corrente.

O óbvio deve ser dito. Só que o óbvio está no anonimato. Ele se esconde. É ladino. Do jeito que a coisa vai, esse “novo” modelo de processo penal 4.0 (baseado em delações e convicções), com ar condicionado, direção hidráulica e bancos de couro, poderá parar por falta de combustível. Ou será barrado por uma blitz constitucional. Depende dos guardas do STF. O modelo 4.0 já foi multado pela blitz no caso das conduções coercitivas.

O modelo baseado em delações e convicções pessoais, em que a prova é crença (há um livro defendendo isso e também consta em peças processuais), é autofágico. A menos que acreditemos na lenda do Barão de Münschausen, que, atolado e afundando no pântano com seu cavalo, puxou-se a si mesmo pelos cabelos. Mutatis mutandis, é a delação premiada sem indicativos materiais. Ela é ficcional como a lenda do Barão. Inadmissível uma prova que exsurge de si mesma. Não há prova autopoiética. Quer dizer, uma delação não se salva sustentando-se a si mesma pelos próprios depoimentos.

A ver (sem h) no futuro, quando a onda punitivista passar. O discurso do futuro presidente do STF ministro Dias Toffoli dá-nos, todavia, esperanças, quando diz, em um parágrafo autoexplicável:

"Se o Judiciário quiser ser protagonista, numa missão iluminista de entender que está mudando a história do país, está enganando a sociedade. Não está construindo nada, está vendendo ilusões".

Esse é o cenário. Ganhar deixando tantos soldados para trás — lembrando a vitória de Pirro — valerá a pena? A ver (de novo sem h), se o devido processo legal sobreviver...!

E se soubermos ler bem a morte dos coelhos. Explico: na primeira guerra mundial, não havia modo de controlar o oxigênio dos submarinos. Usava-se coelhos. Quando o primeiro coelho morria, haveria mais seis horas de oxigênio. Nesse tempo, o submarino tinha que vir à tona. Minha pergunta é: quantas horas faltam?

Pirro está ganhando... Mas Pirro está perdendo.

[1] Tomando em conta principalmente uma amostragem de ações penais de tráfico, furtos e roubos, onde há inversão do ônus da prova em todos os tribunais estaduais do país. Uma rápida pesquisa também em relação à tese da nulidade “relativa” na prova ilícita aponta para um percentual acima de 30% de possibilidade de anulação da(s) prova(s) que foram aceitas como válidas.

Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
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Papa: as ditaduras começam com a Globo — assista

Primeiro dão o aparato de comunicação a uma empresa; depois, entram os juízes...

Papa: as ditaduras começam com a comunicação caluniosa

Papa Francisco - Santa Marta
Na missa na Casa Santa Marta, o Papa recorda a sedução do escândalo e o poder destrutivo da comunicação caluniosa. Basta pensar na perseguição dos judeus no século passado. Um horror que acontece também hoje.

Para destruir instituições ou pessoas, se começa a falar mal. A esta “comunicação caluniosa”, o Papa Francisco dedicou a homilia na missa na Casa Santa Marta.

A sua reflexão parte da história de Nabot narrada na Primeira Leitura, no Livro dos Reis. O rei Acab deseja a vinha de Nabot e lhe oferece dinheiro. Aquele terreno, porém, faz parte da herança dos seus pais e, portanto, rejeita a proposta. Então Acab fica aborrecido “como fazem as crianças quando não obtêm o que querem: chora.

A sua esposa cruel, Jezabel, aconselha o rei a acusar Nabot de falsidade, a matá-lo e assim tomar posse de sua vinha. Nabot – notou o Papa – é portanto um “mártir da fidelidade à herança” que tinha recebido de seus pais: uma herança que ia além da vinha, “uma herança do coração”.

Os mártires condenados com as calúnias

Para Francisco, a história de Nabot é paradigmática da história de Jesus, de Santo Estevão e de todos os mártires que foram condenados usando um cenário de calúnias. Mas é também paradigmática do modo de proceder de tantas pessoas de “tantos chefes de Estado ou de governo”. Começa com uma mentira e, “depois de destruir seja uma pessoa, seja uma situação com aquela calúnia”, se julga e se condena.

Como as ditaduras adulteram a comunicação

“Também hoje, em muitos países, se usa este método: destruir a livre comunicação”.

Por exemplo, pensemos: há uma lei da mídia, da comunicação, se cancela aquela lei; se concede todo o aparato da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que faz calúnia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática. Depois vêm os juízes a julgar essas instituições enfraquecidas, essas pessoas destruídas, condenam e assim vai avante uma ditadura. As ditaduras, todas, começaram assim, adulterando a comunicação, para colocar a comunicação nas mãos de uma pessoa sem escrúpulo, de um governo sem escrúpulo.

A sedução dos escândalos

“Também na vida cotidiana é assim”, destacou o Papa: se quero destruir uma pessoa, “começo com a comunicação: falar mal, caluniar, dizer escândalos”:

E comunicar escândalos é um fato que tem uma enorme sedução, uma grande sedução. Seduz-se com os escândalos. As boas notícias não são sedutoras: “Sim, mas que belo o que fez!” E passa… Mas um escândalo: “Mas você viu! Viu isso! Você viu o que aquele lá fez? Esta situação… Mas não pode, não se pode ir avante assim!” E assim a comunicação cresce, e aquela pessoa, aquela instituição, aquele país acaba na ruína. No final, não se julgam as pessoas. Julgam-se as ruínas das pessoas ou das instituições, porque não se podem defender.

A perseguição dos judeus

“A sedução do escândalo na comunicação leva justamente ao ângulo, isto é “destrói” assim como aconteceu a Nabot, que queria somente “ser fiel à herança dos seus antepassados” e não vendê-la. Neste sentido, também é exemplar a história de Santo Estevão, que faz um longo discurso para se defender, mas aqueles que o acusavam preferem lapidá-lo ao invés de ouvir a verdade. “Este é o drama da avidez humana”, afirma o Papa. Tantas pessoas são, de fato, destruídas por uma comunicação malvada:

Muitas pessoas, muitos países destruídos por ditaduras malvadas e caluniosas. Pensemos por exemplo nas ditaduras do século passado. Pensemos na perseguição aos judeus, por exemplo. Uma comunicação caluniosa, contra os judeus; e acabavam em Auschwitz porque não mereciam viver. Oh… é um horror, mas um horror que acontece hoje: nas pequenas sociedades, nas pessoas e em muitos países. O primeiro passo é se apropriar da comunicação, e depois da destruição, o juízo e a morte.

Reler a história de Nabot

O Apóstolo Tiago fala precisamente da "capacidade destrutiva da comunicação malvada". Em conclusão, o Papa exorta a reler a história de Nabot no capítulo 21 do Primeiro Livro dos Reis e a pensar em "tantas pessoas destruídas, em tantos países destruídos, em tantas ditaduras com 'luvas brancas'" que destruíram países.

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Pochmann: Sem as reservas de dólares que Lula construiu, Brasil já seria hoje outra Argentina


Um dos autores do programa econômico da campanha do ex-presidente Lula, o economista Márcio Pochmann denunciou no twitter que o governo Temer está torrando as reservas brasileiras para segurar a cotação do dólar.

“Não fosse a herança benigna dos governos do PT, o Brasil estaria como a Argentina”, escreveu.

“Até agora a equipe econômica do sonho do mercado financeiro já usou 7% das reservas externas”, acrescentou.

Ainda assim “somente na semana passada, o dólar valorizou-se em 5%, apesar do BC ter gasto R$75 bilhões”, informou Pochmann.

Na manhã de segunda-feira, o dólar abriu em alta.

“O dólar iniciou hoje (18) a semana com alta de 0,65% – cotado para venda em R$ 3,7543 às 10h17. A moeda norte-americana oscila desde a semana passada, com a ação do Banco Central de anunciar mais US$ 10 bilhões em swaps cambiais (venda futura do dólar) para esta semana, após ter ofertado US$ 24,5 bilhões para conter a alta da moeda”, informou a Agência Brasil.

A bolsa acompanha o mau humor com a economia brasileira: “O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) abriu a manhã de hoje (18) em queda de 1,65%, com 69.591 pontos às 10h17. O Ibovespa fechou a semana passada também em queda, registrando índices abaixo dos 70 mil pontos, fato não verificado desde agosto de 2017. Os investidores mostram incertezas no cenário externo, como a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China e a influência do calendário eleitoral de outubro para as oscilações na Bovespa”.

Os operadores do mercado culpam pela instabilidade a possível candidatura do ex-presidente Lula e a falta de um candidato neoliberal que empolgue.

O fato é que as reformas de Michel Temer, que tanto agradaram aos consultores do Jornal Nacional, enfraqueceram o mercado interno brasileiro, ao tirar dinheiro dos mais pobres.

O cenário internacional de fato não é promissor para paises periféricos, com a alta dos juros nos Estados Unidos atraindo o capital vagabundo e paises como o Brasil inertes diante de medidas protecionistas alheias.

O que a mídia do mercado não quer que se saiba é que o governo Temer fez escolhas muito claras, com o apoio dela, como resumiu o próprio Pochmann em outro tweet:

“Sistema bancário aplica a essência neoliberal: enquanto o PIB do Brasil variou 1% em 2017, o lucro dos 5 maiores bancos subiu 33,5% com o fechamento de 1,3 mil agências e a demissão de 14,1 mil empregados bancários”.

Cada bancário desempregado é uma família a menos consumindo no Brasil.

Ironicamente, quanto mais se aprofunda a crise, mais os eleitores se lembram dos tempos de bonança em que Lula ocupava o Planalto, com sua política de conciliação de classes.

No Viomundo
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Fernando Henrique Cardoso tem razão: Lula e o PT são fatores de estabilidade no Brasil

Ele
Na entrevista que deu à IstoÉ, Fernando Henrique Cardoso disse duas verdades: ele admitiu que pede dinheiro para grandes empresas e falou que, entre os cenários eleitorais, a vitória do PT garante a estabilidade.

“O risco vem do pólo à direita. As declarações do candidato Jair Bolsonaro nos assustam. Ele é autoritário. Tem feito declarações autoritárias. É preciso que o Brasil não tenha também um governo imprevisível e arbitrário. No caso do Ciro Gomes, eu não posso dizer que ele seja de direita ou de esquerda. Ele não é uma coisa, nem outra. Ele é mais errático, portanto, é imprevisível”, afirmou.

Disse ainda, sobre a proposta de buscar um consenso que exclua os extremistas:

“Temos que evitar uma volta ao passado. Eu não me refiro tanto ao lulopetismo, do risco do PT voltar a governar, porque a gente já tem experiência do que é o PT no poder. Não acredito que eles quebrem as regras e rumem para o viés autoritário. O risco vem do pólo à direita.”

Fernando Henrique completa hoje 87 anos e mantém a lucidez, com a característica pessoal que não veio com a idade: sua fala não guarda nenhuma coerência ideológica. Já teve um verniz de centro-esquerda, mas sua prática política sempre atendeu a interesses do grande capital. O que ninguém lhe nega é a capacidade de análise conjuntural — até pela experiência que teve, como professor e político — e aí se chega ao ponto em que ele verbaliza o entendimento de que o PT é hoje um fator de estabilidade.

Esse não é um entendimento próprio de FHC, mas das forças empresariais que pensam no Brasil além do curto prazo. Desde que começou a campanha de guerra para tirar Dilma do poder e depois prender Lula, essas mesmas forças buscaram um nome que pudesse garantir estabilidade e ignoraram que a estabilidade existia com Lula e Dilma. O que produziram? Nada, nenhum nome viável, embora tenham tentado muitos.

E, depois de toda tempestade, quem ficou de pé? Lula, com uma densidade política indestrutível. E por que indestrutível? Porque tem base social e porque é o resultado de uma obra concreta — um governo que incluiu os pobres no orçamento da União e e se voltou para políticas de redução da desigualdade social. Teve defeitos, claro, mas no essencial melhorou o Brasil.

A crise política que o país enfrenta não será superada se Lula for excluído, à força, do processo político. Não digo nem ser candidato — o que é desejo dos eleitores —, mas primeiramente ser libertado de um cárcere percebido como injusto — e de fato injusto. Depois, de maneira plena, participando do processo eleitoral. Lula, como líder do maior partido brasileiro, tem a oferecer que é mais importante para a economia e a vida em sociedade: previsibilidade.

Lula é, portanto, solução neste momento de crise, não um problema. Sem ele, o Brasil ficará à mercê de aventureiros e de aventuras.

Sobre a confissão de FHC de que pedia dinheiro a empresários para candidatos do seu partido, é preciso reconhecer que ele o fazia dentro das regras — combatidas pelo PT, pelo menos em público — de financiamento empresarial para as eleições.

Lula nunca pediu dinheiro a empresários, mas sabia que seu partido passava o chapéu, como todos os outros. Nunca pediu dinheiro a empresários certamente porque tem consciência de que isso tornaria menor a sua liderança. A vocação de Lula é política e, portanto, pela disputa de poder, não é negociar recursos.

Tanto ele quanto FHC sabem que nenhum empresário faz doação eleitoral pela cor dos olhos de quem pede. É um jogo de interesses. FHC diz que pediu dinheiro quando estava fora do poder e, portanto, não houve toma lá, dá cá. É preciso registrar que ele pediu para candidatos amigos e também para si próprio, na forma de doação para a fundação que leva seu nome. Mas não deve ter havido toma lá, dá cá mesmo. Não é assim que as coisas funcionam na política.

Toma lá, dá cá é para os políticos de várzea.

Na esfera mais elevada da política, a doação empresarial é o exercício da arte de permanecer próximo de quem influencia.

É a mesma coisa das empresas que tentaram vender um triplex a Lula ou reformaram o sítio do amigo que o ex-presidente frequentava. Lula também estava fora do poder — e, portanto, não podia haver toma lá, dá cá.

Mas quem ajudou a ambos queria que soubessem de sua proximidade com o ex-presidentes.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Lava Jato não morreu, mas já está a caminho da UTI

Eles - equipe da Lava Jato
Como se costuma dizer: “perguntar não ofende”. Por isso, buscando ser acessível ao grande público, me utilizo desta forma mais didática para que mesmo pessoas leigas melhor compreendam algumas das questões técnicas que foram desconsideradas pelo nosso sistema de justiça criminal, no afã de condenar o ex-presidente Lula, em um inusitado Lawfare em nosso país.

Apesar de alguns aspectos positivos da Lava Jato, a verdade é que ela deixará sequelas indeléveis em nossa sociedade e também em nosso sistema penal e processual penal. Danos que perdurarão por gerações.

1 – MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.

Que providências foram tomadas pelos Procuradores da República de Curitiba, diante da humilhação a que foi submetido, publicamente, o preso Sérgio Cabral?

Como sabem, em desrespeito à lei n.4898/65 e à Súmula vinculante n.11 do S.T.F., ele foi algemado e acorrentado pelos pés, como se fosse um escravo no século XIX, além de outras práticas coercitivas abusivas.

Agora a lei não é mais para todos? Existem funcionários públicos acima das leis e da Constituição Federal, que proíbe tratamento degradante ou cruel a qualquer pessoa presa?

2 – O ATUAL PODER JUDICIÁRIO “TEM LADO”?

Será que a Ministra Carmen Lúcia ainda não percebeu que, em toda a sociedade capitalista, como a nossa, há uma divisão de classes sociais com interesses distintos?

Se percebeu, por que ela, enquanto Presidenta do S.T.F., foi jantar com grandes empresários e jornalistas ligados à mídia empresarial, passando informações sobre o futuro funcionamento daquele tribunal?

Por que ela nunca jantou com líderes sindicais, líderes populares e jornalistas ligados às mídias alternativas ???

Como cidadãos, não temos o direito de pensar que grande parte do nosso Poder Judiciário “tem lado”?

3 – O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE DEIXAR DE APLICAR UMA REGRA JURÍDICA POSITIVADA E CONSAGRADORA DE UM PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL?

PRISÃO COMO EFEITO DE ACÓRDÃOS RECORRÍVEIS (que dispensa a demonstração de sua necessidade).

De duas, uma: ou o S.T.F. declara inconstitucional o artigo 283 do Cod.Proc.Penal, que consagra o princípio da presunção de inocência, ou ele tem de aplicar a regra jurídica, que é clara e objetiva.

Fora daí é cinismo e puro ativismo judicial, violador do Estado de Direito.

Vejam a regra que o S.T.F. se nega a aplicar:

ARTIGO 283: Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO, ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

4 – SERÁ QUE NÃO HÁ LIMITES PARA TANTOS DISPARATES?

O Ministério Público Federal, em alegações finais, pugnou pela condenação do réu Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil, a uma pena de 30 (trinta) anos de reclusão !!!

Será que não têm mais noção do senso do ridículo a que estão expondo o Ministério Público???

Em que livros estudaram estes desorientados punitivistas ???

Em 16 anos, no Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, participando de julgamentos de homicídios bárbaros e cruéis, jamais presenciei um juiz-presidente fixar uma pena tão alta e desproporcional. Aliás, em 31 anos do Ministério Público, jamais tomei ciência de uma sentença com pena de prisão tão elevada !!!

Mais do que perplexo, estou preocupado com o que está ocorrendo com o Ministério Público Federal !!!

5 – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.

Caso Lula. Alguém sabe explicar por que o juiz Sérgio Moro se negou a ouvir o testemunho do sr. Vaccari, referido pelo corréu Léo Pinheiro como participante direto das supostas tratativas para alienação do triplex pela OAS, fato este contundentemente valorado na insólita condenação do ex-presidente Lula???

Que juízo de conveniência teria predominado na decisão do juiz Sérgio Moro???

“Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes.

§ 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem.”

6 – Alguém sabe explicar se os Procuradores da República, para atuarem nos processos penais, são previamente lotados em órgãos de atuação ou execução, cuja atribuição esteja prevista em algum ato normativo, segundo critérios objetivos e impessoais???

Em outras palavras: como obedecer à regra expressa na Constituição Federal da INAMOVIBILIDADE dos membros do Ministério Público se eles não são lotados em órgãos dos quais não possam ser removidos??? Cargo público e órgão de atuação não são coisas distintas?

Ainda em outras palavras: alguém sabe explicar se o Ministério Público respeita o chamado “princípio do Promotor Natural”, que visa assegurar a independência funcional de seus membros, independência esta expressamente prevista na Constituição Federal???

7 – Caso Lula. COMPETÊNCIA DO JUIZ SÉRGIO MORO.

Alguém sabe explicar que tipo de conexão deslocou a competência da justiça estadual de São Paulo (Comarca de Guarujá) para o juízo da 13.Vara Federal de Curitiba ??? (caso do Triplex da OAS, que dizem que é do ex-presidente Lula).

Ainda: se houvesse alguma espécie legal de conexão, ela seria com qual outro crime da competência do juiz Sérgio Moro?

Ainda: se houve a conexão, por que modificar uma competência se não haverá unidade de processo e julgamento?

8 – ALGUÉM SABE EXPLICAR COMO PODEMOS TER EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA DE PRISÃO DIANTE DO QUE ESTÁ ESCRITO NO ARTIGO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TRANSCRITO ABAIXO ?

“Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória TRANSITADA EM JULGADO ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011)”.

9 – ALGUÉM SABE EXPLICAR SE HÁ ABUSO DE ACUSAÇÃO?

De que forma um ocupado Governador de Estado, como o do Rio de Janeiro, pode também ser, simultaneamente, chefe de mais de 12 organizações criminosas diferentes??? Caso Sérgio Cabral.

10 – CONDENAÇÃO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O CRIME QUE O RÉU TERIA COMETIDO???

Alguém sabe explicar por que a 8ª. Turma do Tribunal Federal da 4ª. Região não disse quando, onde, como e nem de que forma o ex-presidente Lula RECEBEU o apto. Triplex de Guarujá, como pagamento de indevida vantagem, não sendo ele funcionário público e sendo este fato desvinculado de sua atividade como Presidente da República? Não é esta a conduta imputada ao ex-presidente?

Será que, na realidade, o ex-presidente foi condenado por condutas penalmente atípicas, tais como: gostar de um imóvel; visitar um imóvel; ter sido o tríplex lhe destinado; ter sido o tríplex lhe reservado; estar interessado na aquisição de um tríplex; ter sido um imóvel lhe atribuído; ter sugerido a realização de obras em um imóvel que poderia adquirir no futuro???

Tais condutas, apesar de não serem delituosas, foram referidas no acórdão para legitimar uma condenação absurda.

11 – Os acordos de cooperação premiada (delação premiada) podem conter cláusulas que contrariem expressamente o que está disposto no Cod.Proc.Penal, na Lei de Execução Penal e no próprio Cod.Penal ???

12 – O Conselho Nacional do Ministério Público pode legislar sobre o Direito Processual Penal?

As suas Resoluções 181/17 e 183/18 podem derrogar o sistema que está consagrado no atual Código de Processo Penal?

13 – Juiz pode dar publicidade a gravações resultantes de interceptações telefônicas ilegais?

14 – Juiz pode determinar interceptações telefônicas no escritório dos advogados de réus?

15 – Juiz pode dar publicidade a gravações telefônicas de conversas particulares entre pessoas que sequer são indiciadas no inquérito policial, violando o direito à intimidade das pessoas?

16 – Enfim, diante disto tudo pergunto: como afirmar que estamos em um verdadeiro Estado de Direito???

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Uerj
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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No pré-sal, PDT vai contra discurso de Ciro Gomes e alinha votos com MDB e PSBD

Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos. 
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Em votação na noite da última quarta-feira o PDT, partido do presidenciável Ciro Gomes, manteve uma postura contrária ao do seu candidato ao Planalto. Os deputados do partido foram amplamente favoráveis ao pedido de urgência para o PL 8939/17, que visa permitir à Petrobras vender até 70% das áreas da cessão onerosa no pré-sal. Ciro já afirmou na pré-campanha que pretende retomar todos os contratos do pré-sal assinados com companhias privadas caso seja eleito.

A postura do PDT foi dissonante de todos os outros partidos de esquerda. No começo da votação a liderança do partido orientou o voto a favor da proposta. O PDT deu 11 dos seus 15 votos pela aprovação do regime de urgência. No PT todos os 52 deputados foram contra, mesma posição seguida pela bancada do PSol, com todos os cinco deputados contra.

Mesmo o PSB, partido cortejado por Ciro para a formação de uma aliança na corrida eleitoral, manteve-se na oposição ao projeto. O partido que já foi da base do governo e chegou a indicar o primeiro ministro de Minas e Energia da gestão Temer, Fernando Bezerra Coelho Filho, marcou 19 de seus 20 votos contra a urgência do PL.

O placar do PDT aproxima os parlamentares do partido das bancadas de legendas de centro-direita que permanecem próximas ao governo. MDB, PSDB e DEM votaram maciçamente a favor da tramitação em urgência. A votação que terminou com 281 votos a favor, contra 109 votos contrários e apenas uma abstenção do único deputado do Rede, João Derly.


DEMo de Maia domina a pauta de projetos do setor de energia na Câmara

O PL em debate altera a lei 12.276/2010 que confere exclusividade à Petrobras o exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás nas áreas da cessão onerosa. Autor do projeto, o deputado José Carlos Aleluia (DEMo/BA) atacou a legislação que impunha a Petrobras 100% dos projetos e a impossibilita de fazer farm-outs parciais para se capitalizar. 

“A situação econômica da Petrobras deteriorou-se terrivelmente desde a aprovação desta lei. Ao final daquele ano (2010), a petroleira apresentava dívida líquida em valor corrente de US$ 36,7 bilhões”, afirmou Aleluia. Para ele, é urgente derrubar essa legislação pois “a manutenção das estratégias empresariais que provocaram a explosão da dívida levaria inexoravelmente à insolvência da Petrobras”.

A votação da noite da quarta-feira foi uma vitória parcial para o governo que pretendia votar também o regime de urgência do PL 10332/18, que autorizar a venda de 6 distribuidoras da Eletrobras no norte e nordeste. Uma expectativa considera otimista por analistas.

Agora o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ) pretende votar o PL da cessão onerosa na próxima terça. O texto será relatado pelo seu correligionário, Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM/PE), ex-ministro de Minas e Energia. O projeto conta com apoio do governo e também da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

“Esperamos que Fernando distribua seu relatório até sexta-feira entre os líderes para que a gente possa votar a cessão onerosa na próxima semana”, afirmou Maia pouco antes do fim da sessão daquela quarta.

Maia tentará aprovar na próxima quarta (20) a tramitação em urgência do PL das distribuidoras da Eletrobras. E voltará a tentar aprovar a urgência do PL 10.316/18 de seu colega de partido, Mendonça Filho (DEM/PE), que permitiria venda de etanol direto das usinas aos postos. Em votação nessa quarta, o PL recebeu 236 votos a favor da tramitação em urgência, aquém dos 257 necessários.

Guilherme Serodio
No E&P Brasil
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O Vaticano vai ao bordel?


Este mundo não é para amadores, dirá todo diplomata de carreira. Se não o era quando os colonizadores eram Estados Nacionais, imagine neste século XXI no qual o grande colonizador é um sistema: o sistema financeiro internacional, que abrevio denominando "banca".

A banca são a meia centena de famílias que dominam os fluxos financeiros mundiais; algo entre um terço e a metade do que circula, diariamente, entre bancos, financeiras, cambistas, brokers e similares. É um poder imenso. A transferência de um país para outro de valores controlados pela banca causará dano violento não apenas nas finanças, mas na economia, na política, derrubando governos e empobrecendo populações.

Para o bom desempenho de seu poder, a banca criou o mito da globalização e  o mito da libertação em questões transversais, ou seja, que são motivo de disputas políticas e culturais em todos os países, como as questões ecológicas, de gênero e igualdade racial.

Assim, ela se insere e domina partidos e movimentos tão díspares como os socialistas – franceses, espanhóis, gregos – e os conservadores – ingleses, estadunidenses, alemães.

O formato atual da banca é do século XX, após a derrocada do colonialismo inglês. Constituiu diversas instituições, algumas de conhecimento público outras  ocultas dos olhos de quase todos. Também dominou a comunicação de massa, como se constata pelo controle das agências de notícia e de inúmeros jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

Se o caro leitor dedica boa parcela de seu tempo diante da telinha plim-plim, certamente terá a visão distorcida pelos "analistas", "especialistas", âncoras e quem mais surja para lhe doutrinar. Assim achará que a Venezuela, a Rússia, o Irã são países do "mal" e os condenará, sem saber que o fazendo estará prestando um serviço à banca, pois a destruição dos Estados Nacionais é um de seus objetivos.

Vamos refletir sobre caso concreto, que nem é para amadores nem para os desinformados globais: a presença de um representante do Vaticano na reunião anual do Grupo Bilderberg. Soaria desconcertante, de certo modo o é, mas coloca mais uma vez a dialética marxista como capaz de uma resposta.

O Grupo Bilderberg, um braço conhecido da banca, foi criado, de acordo com o escritor e jornalista Thierry Meyssan, em 1954, pela CIA e pelo MI6. O pesquisador argentino Walter Graziano (Hitler ganó la guerra, 2004) adiciona que surgiu do estadunidense Council of Foreign Relations (CFR).

Em 2018, a reunião anual do Bilderbeg (BG) ocorreu, entre 7 e 10 de junho, em Turin (Itália). Além dos convidados habituais – CIA, MI6, OTAN – dois chamaram a atenção: a primeira ministra da Sérvia (Ana Brnabic) e o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.

Sob a presidência de Henri de Castries, do Instituto Montaigne – um "think tank" francês que assumiu o poder com a eleição de Emmanuel Macron – compareceram cerca de 130 pessoas, dentre as quais a dona do Banco Santander (Ana Botín), os presidentes da Royal Dutch Shell, da Norsk Hydro, da Fiat Chrysler, o Governador do Banco da Inglaterra, a diretora geral da Unesco e figuras conhecidas como Henry Kissinger.

A banca tem estruturas para pensar, como a Rand Corporation, o Center for Strategic & International Studies (CSIS), da Georgetown University, e o Royal Institute of International Affairs (RIIA), outras para agir, como o Fórum Econômico Mundial, cujo atual presidente, Borge Brennan, esteve na reunião em Turin.

Às reuniões do Bilderberg costumam comparecer pessoas destas estruturas (pensar e agir) como demonstra a composição de convidados, que inclui também muitos homens de imprensa (editores e proprietários).

Quem desejar se aprofundar nos organismos da banca, há o notável trabalho de 1996, de Adrián Salbuchi: "El cerebro del mundo. La cara oculta de la globalización", Ediciones del Copista, Argentina, sendo a mais recente atualização do Editorial Solar, Colômbia, em 2004. Também o site Réseau Voltaire, de Thierry Meyssan, editado em alguns idiomas, trás informações sobre organizações da banca, como o Instituto Montaigne e o Grupo Bilderberg.

Analisemos, inicialmente, a presença de Ana Brnabic.

As "Primaveras Árabes", o desmonte da Ucrânia, entre outras façanhas da banca, foram, antes de ocorrerem, temas do Bilderberg. Estaria a Sérvia neste caminho?

Andrey Afanasyev, do Katehon, informa no site Dinâmica Global que Brnabic é "funcionária de inúmeras ONGs americanas, apoiadora da legalização dos chamados "casamentos entre pessoas do mesmo sexo" e uma lésbica aberta". É um caso da transversalidade onde a banca vem assumindo o controle para alterar legislações, substituir governantes e assumir o poder em Estados Nacionais.

Também foi-me surpreendente o número de convidados turcos, cinco (superior aos alemães, holandeses, franceses e idêntico aos donos da casa, italianos), entre eles o vice premier Mehmet Simsek, dois empresários, um acadêmico e um jornalista.

A área do Oriente Médio, Ásia Menor, tem sido inquietante para os Europeus, principalmente pela questão dos refugiados. E a banca teme o estilhaçar da União Europeia.

Temos então temas que fogem às tradicionais investidas econômicas e políticas da banca. Lembrar que na 65ª reunião, ano passado, a presença notável foi a China. Uma questão nitidamente econômico-financeira.

A transversalidade pode ser observada sob a ótica estritamente humanista, onde inseriremos adiante o representante do Vaticano, e sob a questão de emergências políticas.

Vamos exemplificar. O Papa Francisco deve ver, nas levas de africanos, árabes, palestinos, asiáticos que chegam a todo instante à Europa, a busca pela vida mais segura, mais decente. Daí seu apoio e suas palavras de recriminação às selvagerias do capital e das guerras, que são, na verdade, uma só.

Logo o Vaticano, pelo seu Sumo Pontífice, defende os direitos de ir e vir dos emigrantes.

Mas a banca os avalia de modo diferente. Eles irão quebrar uma homogeneização nacional: francesa, alemã, austríaca, qual seja, e enfraquecer o sentido patriótico, nacionalista. Abre-se, então, a oportunidade de eliminar as barreiras nacionais e facilitar o trânsito dos capitais; sem carimbos, sem restrições tributárias.

A brilhante escritora e perspicaz jornalista de Porto Alegre, Tania Faillace, vem escrevendo que a questão do gênero tem sido um instrumento da banca em dois sentidos: no de agitação política e no da redução populacional; outro vital projeto da banca, pois seus dois mais importantes inimigos são o crescimento demográfico e o nacionalismo.

Para entender bem o significado do crescimento demográfico, é só lembrar a concentração de renda, princípio básico da competitividade rentista, financeira.

Temos então a contradição que aponto no título; pode o Papa que tem se notabilizado pela preocupação humana, com os pobres, os oprimidos, aceitar o convívio com o mais cruel, bélico e exterminador capitalismo financeiro?

Agora, o televiciado global terá uma síntese dialética a resolver.

Não cabe o simplismo da corrupção. Isto só serve para os políticos, não é mesmo? Também não se aplicam as agressões bolsonarianas ao Papa, que seria um arco íris disfarçado de banqueiro.

Posso acreditar que, movido pela convicção evangélica, saiu o Cardeal Parolin a semear entre os monopolistas exterminadores a palavra de Deus. Semen est verbum Dei.

Falta, evidentemente, a consciência cidadã. A capacidade de resolver as contradições da existência humana, digna, no regime capitalista, o único que sobreviveu neste século XXI. E não é tarefa para um artigo nem para avô, aposentado.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado
No GGN
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“Putin devolveu a confiança e a dignidade ao povo”, diz especialista em Rússia

Putin
Lenina Pomeranz, filha ele poloneses, formada em economia pela USP, uma das maiores especialistas em Rússia do Brasil, deu entrevista à revista do Valor, Eu & Fim de Semana, falando de Putin:

A senhora fala que há uma demonização da figura do presidente Vladimir Putin no Ocidente. Por que essa avaliação?

Lenina: Pela responsabilidade que se atribui a ele no Ocidente por incidentes criados artificialmente e não comprovados. Veja-se os casos mais recentes: acusações de interferência nas eleições para a Presidência americana, no sentido de favorecer a eleição de Donald Trump; acusações de envenenamento de um ex-duplo espião russo e sua filha na Inglaterra, os quais, curiosamente apareceram vivos há pouco tempo, mas em refúgio secreto das autoridades de inteligência britânica, sem qualquer contato com o mundo exterior; acusações de determinação do assassinato de inimigos políticos; acusações de tentativa de assassinato do jornalista ucraniano Arkady Babchenko, numa farsa que tinha por base ser ele reconhecidamente inimigo de Putin [revelou-se posteriormente a farsa, montada com apoio da inteligência ucraniana, levando Babchenko a exigir atualmente R$ 50 mil por entrevista]. Nenhuma das acusações foi baseada em provas. Elas só serviram para criar a figura demoníaca de Putin. (…)

Sua visão sobre o presidente Putin é bastante positiva, o que não é muito comum no Ocidente. O que a faz vê-lo dessa forma?

São várias razões. A primeira delas é que, defendendo os interesses nacionais da Rússia, ele restabeleceu a dignidade do povo russo, que sentia tê-la perdido com o fim da União Soviética e a forma com que se desfez o chamado campo socialista. A Rússia voltou a ser uma nação. As outras referem-se ao seu protagonismo no cenário internacional, seja defendendo os interesses nacionais russos, seja intermediando conflitos em diversas regiões, apoiando-se basicamente nos princípios que definiu para a sua política externa. (…)

Que vitórias diplomáticas são as mais importantes?

Nesse campo podem ser citadas as duras críticas à política de avanço da Otan às proximidades das fronteiras russas, assim como a defesa da multipolarização do cenário internacional, por um lado. E, por outro, as conversações para a eliminação das armas químicas na Síria, durante o governo Obama, sua atuação para a realização do pacto nuclear com o Irã – quando se comprometeu a receber na Rússia o urânio já utilizado na utilização da energia nuclear para fins pacíficos naquele país – e a participação na comissão que busca soluções para o conflito entre Israel e os palestinos. Putin recolocou a Rússia no cenário internacional como nação soberana e independente e, em relação à sua segurança, a população confia nele, particularmente os mais jovens. (…)

Putin está há quase 20 anos no poder. E, com a eleição para um mandato de seis anos, ele vai completar mais de duas décadas à frente dos destinos do país. Essa centralização de poder não é maléfica para o país e para a democracia?

Não deixaria ele ser, se a democracia de que se está falando é a ocidental. A Rússia, sob Putin, é comandada de forma autoritária, não obstante estejam funcionando os poderes Legislativo e Judiciário, ao lado do Executivo. Embora a mídia no âmbito nacional seja dominada pelo governo, também há jornais de circulação nacional e TV de oposição ao governo. E as manifestações de rua, como em toda parte, aliás, têm que ser autorizadas e nos locais determinados pelas autoridades. Trata-se da chamada “democracia administrada”. A questão que se põe é se o cerco internacional a que está sujeita a Rússia não impõe restrições à democracia no plano interno. (…)

No DCM
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A América Latina e seu Labirinto


Nas eleições colombianas deste domingo, o candidato da direita Iván Duque foi eleito presidente com cerca de 53% dos votos derrotando, no segundo turno, o ex-prefeito de Bogotá e candidato da esquerda, Gustavo Petro, que fez cerca de 41% dos votos - o melhor desempenho das esquerdas na Colômbia. Com o programa "Colombia Humana hacia una Era de Paz", Petro apresentou uma das mais audaciosas, corajosas e modernas plataformas  políticas já surgidas na região. Além de programas sociais, a plataforma propôs mudar o modelo econômico da Colômbia, sobretaxar as grandes propriedades de terra improdutivas, mudar o padrão energético baseado no petróleo e carvão para fontes de energia limpa e um duro combate à corrupção, além de continuar com o processo de paz do atual presidente.

Uma observação mais atenta acerca do padrão político da América Latina indica que ela oscila entre a centro-direita e a centro-esquerda e que a maior ou menor permanência de um desses agrupamentos nos governos depende, fundamentalmente, do crescimento econômico atrelado ao desempenho das commodities. Durante esses períodos de crescimento, a exemplo do que ocorreu entre 2002 e 2012, praticamente todos os países conseguiram reduzir a pobreza, independentemente da coloração ideológica dos governos. Em favor dos governos de esquerda, o que se observou foi uma maior intensidade de programas sociais focalizados no combate à pobreza e às vulnerabilidades sociais.

Mas nem a centro-direita e nem a centro-esquerda conseguiram remover as condições e as instituições históricas das desigualdades e, em vários casos, a redução da pobreza não representou a redução das desigualdades. A troca de comando da centro-esquerda pela centro-direita pode produzir, também, uma rápida remoção dos programas sociais, pois, de modo geral, são programas de governo e não políticas consolidadas e estruturadas de Estado. Muitas vezes, a fúria discursiva anti-Estado da centro-direita é apenas um disfarce esconder o uso do poder público como instância de altos negócios via privatizações e de drenagem de recursos orçamentários para o grande capital via múltiplos mecanismos.

Com poucas exceções como o Uruguai, a Costa Rica e, talvez, o Chile, os países da América Latina vivem padrões de trágica normalidade assemelhados entre si, segundo vários estudos e pesquisas. Por exemplo, os sistema legal, envolvendo as polícias e o Judiciário, é autoritário e tendencioso, contra os pobres, contra os negros, contra os indígenas, contra as mulheres e contra outros grupos carentes de direitos civis.

As liberdades e garantias fundamentais individuais, reconhecidas pelos textos constitucionais, são negadas na prática. No âmbito desse fundamento da democracia, pode-se dizer que a democracia é efetiva para apenas 35% dos latino-americanos. Quanto à democracia política, radicada na universalidade do voto e nas eleições, só recentemente ela foi consolidada e ainda com vários problemas a depender do país. Se as cartas de direitos e garantias individuais não são efetivas, isto significa que temos um Estado de Exceção desde sempre para a maioria das populações desses países, o que nunca foi objeto de atenção especial por parte das próprias esquerdas. Somente quando o Estado de Exceção atinge as lideranças políticas há um alarde maior.

Na verdade, as esquerdas se debruçaram mais sobre os direitos políticos, tendo em vista as instaurações recorrentes de regimes autoritários.  Desta forma, ao contrário da Europa, da Austrália e da Nova Zelândia e com exceção do Uruguai, da Costa Rica e do Chile, os direitos civis foram relegados a um segundo plano nas estratégias das esquerdas latino-americanas. Com isso, instituiu-se um padrão estatal e social de humilhação e violência contra os pobres e demais grupos vulneráveis da região. Só recentemente vários movimentos de luta por direitos civis têm emergido no seio das próprias sociedades e eles se instituem numa gama variada de novos movimentos sociais - muitas vezes com dificuldades para transitarem rumo a um programa transformador mais universalizante.

Junto com a falta de direitos civis, a pobreza e a desigualdade se somam como os maiores problemas da região, que é a mais desigual do mundo, além de ser a mais violenta. Em que pesem as discrepâncias entre os vários organismos que medem a pobreza, o fato é que depois dela cair na primeira década deste século, agora voltou a subir desde 2014. Naquele ano estava em torno de 28,5% e em 2016 subiu para 30,7%. No mesmo período a extrema pobreza passou de 8,2% para 10%. A distribuição desse percentual varia de país para país. Ambas, no Brasil, estão acima dessa média. Somente cerca de 32% da população da região é considerada de classe média.

A tese de que a educação é o caminho para sair da pobreza e da desigualdade, por si só, não é verdadeira. A educação só será eficaz se for acompanhada de políticas fortes de combate à pobreza e à desigualdade, pois a pobreza carrega condições desiguais de aprendizagem entre as crianças e jovens ricos e bem alimentadas e com boas escolas e as crianças e jovens pobres e mal alimentados que estudam em escolas precárias. Junto com as mudanças na educação é crucial remover as instituições iníquas da desigualdade, a exemplo dos sistemas tributários regressivos, que drenam recursos dos pobres para os ricos, e a exemplo dos altos salários e privilégios inescrupulosos dos políticos, do judiciário e das castas superiores do funcionalismo público.

Um terceiro grande conjunto de  problemas se relaciona à corrupção e a ineficiência governamental e estatal. Grosso modo, existe um padrão de corrupção generalizada na região, com exceções, claro, que na maior parte das vezes se associa à incompetência dos governos e à ineficiência estatal. Os governos, independentemente de partidos, não são capazes de entregar resultados satisfatórios e de realizar reformas profundas e transformações inovadoras. Nem sempre o problema é falta de dinheiro: os custos com educação na América Latina giram em torno de 3,7% do PIB em média, contra 3,4% dos países asiáticos. Os resultados, porém, são desequilibradamente favoráveis aos asiáticos.

A América Latina tem graves problemas de infraestrutura, saneamento e meio ambiente, saúde, comunicações, baixo investimento público e privado etc.. Mas, junto com os problemas indicados acima e outros não citados, há o problema da prisão ao modelo de desenvolvimento atrelado às commodities. O Brasil, por exemplo, vem sofrendo cerca de 40 anos de desindustrialização. Este modelo é a causa do baixo crescimento, da baixa inserção global da região, do seu pouco peso no comércio global e, consequentemente, do seu baixo protagonismo político internacional. Na era da revolução robótica, a América Latina perdeu a corrida tecnológica e vai se tornando cada vez mais dependente de conhecimento e tecnologia.

As formas como os partidos, candidatos e políticos tratam os problemas dos modelos econômicos, contudo, podem ser enganosas. Não são os modelos econômicos em si que transformarão a América Latina, assim como não serão os modelos educacionais em si. Eles podem contribuir. Mas se não for transformada a natureza pobre e desigual das sociedades latino-americanas, as demais iniciativas parciais serão frustradas. Somente sociedades iguais, justas e democráticas poderão alcançar altos padrões de desenvolvimento e de conhecimento. Nenhuma estratégia econômica dissociada de uma grande reforma social terá êxito.

Por isso, o candidatos progressistas deveriam colocar no centro de seus programas as propostas de remoção dos mecanismos da iniquidade que mantêm as sociedades prisioneiras da pobreza, da desigualdade e da falta de direitos e a afirmação de políticas publicas orientadas para uma sociedade de direitos e de garantias universalizantes. Nenhuma força política conseguirá estabilizar-se como hegemônica se não efetivar reformas com esta orientação. O perfil populista e carismático das lideranças progressistas dificulta a formação racional dessa força e desse programa e reforça a tendência dispersiva das esquerdas que tendem a se aglutinar em torno de indivíduos que, se vitoriosos, constituem Arcas de Noé para governar. A Frente Ampla do Uruguai e o modelo da "Concertación" do Chile parecem exceções à regra.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
No GGN
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Datena no DEMo: candidatura ou negociata?

De dois em dois anos, a cada eleição, o apresentador José Luiz Datena ameaça ser candidato a algum posto. Em 2016, já era dada como certa sua candidatura a prefeito da capital paulista. Na reta final, ele sumiu do noticiário e ninguém falou mais no assunto. Ficou aquela sensação de que alguma coisa sinistra rolou nos bastidores da política. Agora, ele garante que disputará uma vaga ao Senado por São Paulo. De diferente, o fato de que finalmente ele tirou a máscara das suas posições direitistas e filiou-se ao DEMo. O novo demo tem forte exposição na mídia, com longas horas de retórica inflamada na Band, sempre se travestindo de paladino da ética. Será que agora a candidatura é para valer ou é mais uma negociata de bastidores?

Segundo a mídia, a direita nativa já está assanhada com a possível postulação. “Tucanos trabalham para convencer o apresentador José Luiz Datena (DEMo-SP) a anunciar a candidatura ao Senado na chapa de João Doria (PSDB) já na semana que vem. A vaga de vice-governador também está reservada para o Democratas. O PSDB quer lançar Datena o quanto antes para minimizar as chances de reviravolta. O apresentador já acenou à política em outras ocasiões e, depois, mudou de ideia”, revela a coluna Painel da Folha nesta quinta-feira (14). Já os demos desejam atrasar a decisão para valorizar mais o passe, obtendo maiores vantagens eleitorais. O fanfarrão da televisão, por sua vez, faz o que melhor sabe fazer: dramatiza a decisão, criando suspense e reforçando as apostas.

Na reta final da filiação partidária para os que pretendem disputar o pleito de outubro, Datena surpreendeu o mundo político ao anunciar seu ingresso no DEMo. O processo foi feito na surdina. De cara, ele jurou que seria candidato, mas logo desistiu. Nesse processo sinuoso, o apresentador ganhou mais algumas horas de exposição da Band – um negócio bem lucrativo. Nesta semana, a Folha informou que Datena “voltou a pensar seriamente na ideia de disputar o Senado... O DEMo e dirigentes de outras siglas veem no apresentador figura capaz de atrair votos para toda a coligação do tucano João Doria ao governo paulista. O desenho inicial da chapa tucana previa que o candidato a uma das duas vagas da disputa pelo Senado seria destinada ao PSD, de Gilberto Kassab, que avisou que, se for para ter o apresentador como candidato da coligação, abre mão de indicar um nome ao Senado”.

O apresentador bravateiro, que se projetou na televisão em programas policialescos – “Cidade Alerta”, “Brasil Urgente” e hoje no “Agora é Com Datena” –, tem até 6 de julho para decidir se vai deixar a Band para disputar as eleições. Até lá, muito negociata vai rolar no mundo da política e da mídia. Ele também deve pesar sobre os riscos desta decisão. Em recente entrevista, quando havia sinalizado com nova desistência, ele explicou suas razões: “Muitas pessoas questionam por que os outsiders estão deixando a política. O cara tá com medo de disputar porque a vida dele vai ser esmiuçada, virada de ponta-cabeça, vão na barriga da mãe do cara pra procurar delito”. José Luiz Datena que fique esperto. Há muito para se esmiuçar na sua celebridade.

Altamiro Borges
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PF Macabéa 2 (ou A juristocracia num contexto de traição à Pátria)


Chamar a Polícia Federal de Macabéa nesse GGN causou frisson entre delegados da PF. Traindo um pacto de ninguém comentar “as bostas que esse cara escreve para não encher a bola dele, que quer aparecer”, dois ou três resolveram criticar. Ficou claro que não sabiam quem é Macabéa, a personagem da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. A primeira citação à autora foi neste GGN, quando do assassinato da vereadora Marielle Franco - ativista dos direitos humanos. Foram tantos tiros, que lembrei de uma fala de Clarice Lispector, no conto “Mineirinho”: - um tiro só bastava. “O resto era vontade de matar”.  Depois, quando um delegado tresloucado destruiu aparelhos de som do acampamento Marisa Letícia, próximo da sede da PF (Curitiba), lembrei novamente da escritora.

Ao tentar analisar a atitude do delegado trapalhão, me dei conta ser alguém incompleto, precário, mente limitada. Então, ainda com Clarice Lispector na lembrança, ao vasculhar o armário embutido de minhas inquietações, lembrei da personagem Macabéa. Ao comparar aquele delegado com a tal Macabéa, me dei conta de que não só um barnabé, mas a instituição quase na totalidade se enquadraria naquela condição. Vide texto da semana passada: “A PF Macabéa não aprendeu nada”.

Macabéa era muito precária. Conforme a obra, todas as madrugadas, ela ligava o rádio emprestado por uma colega, para ouvir baixinho, invariavelmente, a Rádio Relógio (Rio de Janeiro). A tal rádio, para quem não lembra, dava a hora, minutos e segundos a cada minuto, sempre intercalados por breves notas jornalísticas e curiosidades com o bordão "Você Sabia?". Ou seja, toda informação jornalística e cultural de Macabéa vinha em pílulas “informativas” noturnas, tendo ao fundo um neurotizante tic-tac de um relógio.

Ao comparar a PF genericamente à Macabéa, foi uma associação aos servidores dela que têm como fonte única de informação tudo o quanto é produzido pelas oito famílias que controlam os meios de comunicação no Brasil. Nesse sentido, servidores pensam o que pensam seus editores, suas visões de vida são mantras produzidos por Ali Kammel, por exemplo, para serem lidos por Willian Bonner no Jornal Antinacional. Creio estar claro porque a PF (e não só ela) é Macabéa.

Entretanto, ao fazer a tal comparação, cometi um crime irremediável contra a personagem criada por Clarice Lispector. Sim, a Macabéa da ficção, segundo a autora, “não sabia que era Macabéa, assim como um cachorro não sabe que é um cachorro”. De tão pura, se dava por feliz ao aprender que o Imperador Carlos Magno era na chamado de Carolus na terra dele. Aprendeu que “quem espera sempre alcança”, que o único animal que não cruza com filho é o cavalo. Ela não entendeu bem e nunca conseguiu por em prática tais informações. Ela ouviu também “Arrepende-te em Cristo e Ele te dará felicidade”. Então ela se arrependera. Como não sabia bem de quê, passou a arrepender-se de tudo. Era tanta pureza e inocência em Macabéa, que sua alienação jamais poderia ser comparada com a alienação de parte da família Federal et caterva.

O mais grave nessa síndrome de Macabéa na PF, é que quando alguém tenta alertar que eles precisam ir além da Globo/Veja/Folha/Estadão, etc, dizem que deseja impor a “visão” Brasil 247, Brasil-Cafezinho-GGN. Esqueceram ou não sabem do “Duplo Expresso”, “The Intercept”, “Opera Mundi”...

Em troca, eu poderia pedir que fugissem da Rádio Jovem Pan. Sexta-feira passada, por exemplo, ouvi tal Marco Antonio Villa dizer que “Lula não sabe fazer um “O” com um copo”. Foi tão grosseiro, que um locutor se queixou do exagero. Como ser tão grotesca com um pretenso analfabeto que recebeu incontáveis títulos de doutor, deu centenas de palestras mundo afora e não encontra debatedor a altura para discutir com ele a realidade brasileira no contexto mundial?

A Polícia Federal, sobretudo delegados, precisa ir além da Macabéa e parar de ouvir a Rádio Relógio. E, já que rejeitam tudo que parece com Brasil 247 e GGN, poderiam examinar coisas menos “esquerdista”, como The Guardian, The New York Times, The Washington Post, El Pais  e ou, na ausência de tudo isso, ler relatórios da OCDE, Organização Internacional do Comércio e sua similar do Trabalho. Deveriam se inteirar melhor, via alguma fonte mais isenta, sobre petróleo, geopolítica internacional, corporocracia, guerra híbrida, guerra econômica EUA X China... Como dito no artigo anterior, a PF não aprendeu nada, e sequer se deu conta de que, nos dias atuais, do lado deles, quem anda falando coisa com coisa são os nada petistas jornalista Reynaldo Azevedo e o ministro Gilmar Mendes.

Ontem, contextualizando tudo isso, conversei com um colega sobre o primeiro planejamento operacional quinquenal da Polícia Federal, no qual fui ativo como poucos. O tal planejamento foi criado para aplicar verba disponibilizada à PF pela França, que só poderia ser usada com um planejamento. Como o governo FHC pagava juros desse dinheiro e nada planejava, um grupo de servidores tomou a iniciativa de produzir um documento republicano, apartidário, para ser entregue a Serra ou Lula (quem ganhasse a eleição). Lula recebeu o tal projeto e disse: “esse é o meu projeto”. Sua equipe fez ajustes e entregou à direção-geral da PF, mais tarde ampliado - em tópicos e duração.

1)     Por que do tal planejamento? Por que até chegar a sua fase final, foram criados (projetados) cenários dos mais adversos. Por mais estúpidos que fossem tais cenários (direita, esquerda, separatista, terrorista...), deveriam ser considerados. Se não se pudesse evitar a ocorrência, ao menos minimizar consequências. O tal planejamento era um conjunto de cenários prospectivos, ou “wikipediamente” falando, análises de fenômenos técnicos, tecnológicos, científicos, políticos, econômicos, sociais etc., para prever a evolução futura das sociedades...

2)     Por que do tal planejamento? Por que antes, durante e depois do golpe de 2016, se descobriu que muitas informações foram ignoradas, seja pelas Forças Armadas, seja pela Abin, seja pela Polícia Federal.

Presos à “Rádio Relógio” e à síndrome da Macabéa, as espionagens contra Dilma Rousseff, as denúncias da Rússia quanto a um possível golpe no Brasil, a ameaça à soberania e ao patrimônio nacional foram ignorados. Vá lá que não gostassem de Dilma/Lula/PT. Mas, os analistas brasileiros se portaram como ignorantes patos paneleiros da Fiesp ou simples traidores. Lula era o fetiche. Preso, bastaria impor a sabujice juristocrata...

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo
No GGN
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Núcleo duro do voto lulista e bolsonarista bagunça pré-campanha

À esquerda e à direita, lançamento de candidatos e negociação de alianças estão condicionados por apostas e incertezas

Um candidato preso e outro de um partido nanico resumem a polarização - e a indefinição - da pré-campanha 2018
Lula está preso e sua candidatura parece miragem, mas o PT aposta tudo na capacidade dele de transferir votos para algum presidenciável petista, caso fique fora da eleição. Jair Bolsonaro é de um partido nanico e com direito a poucos segundos de propaganda na TV na campanha, o PSL, mas tem eleitores fiéis e dispostos a trabalhar duro por ele na internet.

Nos dois casos, a mesma dúvida. Em um País de posições políticas cada vez mais radicalizadas desde o impeachment de Dima Rousseff, qual o tamanho do eleitorado que não se importa de votar em um candidato prisioneiro ou apoiado por este? E qual o tamanho do eleitorado que irá de Bolsonaro de qualquer jeito, mesmo que o reacionário deputado sofra uma saraivada de ataques?

Essa incerteza tem bagunçado e condicionado toda a negociação dos partidos na montagem de chapas e palanques com vistas a uma eleição que já está logo ali. Um quadro bem diferente da última campanha, quando a essa altura do ano as peças que estariam em cena tanto no campo progressista quando no conservador já estavam praticamente definidas.

Graças à crença de que Lula consegue transferir votos, o PT tem conseguido manter a indefinição dentro do PSB e do PCdoB. Se houvesse certeza de que os cálculos petistas estão corretos, as duas siglas já teriam decidido apoiar PT. Se a convicção fosse oposta, teriam entrado na canoa de Ciro Gomes, do PDT, que não faz mistério: quer PSB e PCdoB como aliados preferenciais, para que sua chapa tenha “hegemonia moral e intelectual” progressista.

Na última pesquisa conhecida, um Datafolha divulgado em 10 de junho, Lula tinha 30%, mas qualquer plano B petista se saía de maneira pífia, 1% para Fernando Haddad e para Jaques Wagner. Em seus cálculos, o PT acredita que Lula será capaz de garantir algo como 14% a 18% dos votos a quem quer que apoie.

Para se reforçar como sigla competitiva, o PT conta ainda com o fato de ser o campeão de simpatia popular, 19% de preferência, segundo pesquisa Ibope de março. Bem à frente do segundo colocado, o MDB, que tem 7%.

Com a eleição por enquanto cheia de pré-candidatos, muita gente na política e no mercado de pesquisas dá como certo que vão chegar ao segundo turno candidatos com baixa votação, inferior a 20%. É o caso de Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva.

O deputado André Figueiredo, líder do PDT de Ciro, também pensa assim. “Nos nossos cálculos, quem tiver de 17% a 20% vai para o segundo turno”, diz. Para ele, porém, Lula será capaz de transferir menos do que os petistas acham, algo entre 12% e 15%.

Promessa de uma disputa acirrada na seara progressista, com o PT tentando empurrar Ciro para a direita, impedindo que ele feche aliança com PSB e PCdoB, e com o pedetista a dizer por estes dias: “Eu não rivalizo com Bolsonaro, rivalizo com Lula, e Lula, no meu cálculo doído que seja, não será candidato”.

Com algo entre 15% e 20% nas pesquisas, Bolsonaro é até aqui um pepino no lado direito do jogo. Pior para Geraldo Alckmin, do PSDB. No fim de 2017 e no início deste ano, o tucano ensaiava uma candidatura com acenos para o eleitorado mais à esquerda. Agora troca farpas com Bolsonaro, pois em primeiro lugar precisa dos votos conservadores, sem os quais dificilmente chega ao turno final.

Não se sabe até qual patamar uma ofensiva tucana baixaria a intenção de voto em Bolsonaro.  Mesmo que falte a ele estrutura partidária e na propaganda na TV para encarar a briga, o deputado joga desde já todas as fichas na web. É o pré-candidato com a maior tropa de seguidores nas redes sociais. Um batalhão pronto a taxar de mentira tudo o que a mídia e os rivais disserem dele. Qual o tamanho exato desse exército, ou seja, do voto bolsonarista duro: 5%, 10%, 15%?

O próprio presidenciável deu a pista de como será essa luta bolsonarista ao ir aos Estados Unidos em outubro. Na chegada a Miami, gravou um vídeo de 48 minutos, disponível no YouTube, em que elogia Donald Trump e comenta que sabe o que é ser alvo de “fake news”, como ele acha que aconteceu com presidente norte-americano na eleição de 2016 no Tio Sam.

Apesar de Alckmin trocar sopapos com Bolsonaro do lado direito, o PSDB lançou há alguns dias um manifesto em que prega a união das forças governistas em torno de uma candidatura única. Um apelo que tem poucas chances de dar certo exatamente pela presença de Bolsonaro em cena, a desorganizar o governismo direitista.

Foi mais ou menos isso o que quis dizer dois dias depois o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM, um dos presidenciáveis do governismo. “Se houvesse uma candidatura hoje que estivesse organizando esse campo, não haveria problema de compreender que existe um nome capaz [de unir], mas esse nome não apareceu.”

Daí que o DEM, aliado do PSDB em todas as eleições presidenciais desde 1994, agora admite até conversar com Ciro Gomes, uma situação que colabora para a tentativa do PT de empurrar o pedetista para uma condição em que ele ficaria exposto ao rótulo de competidor meio direitista.

Uma bagunça total.

André Barrocal
No CartaCapital
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