13 de jun. de 2018

Maggi põe Moreira, Quadrilha, Kassab e Aloysio na cadeia​

STF decidiu que ministro ladrão não tem foro privilegiado


A 1ª Turma do STF decidiu restringir o foro privilegiado dos ministros de Estado.

(Breve, o mesmo pretório excelso restringirá o foro de ministros do STF. Quá, quá, quá!)

A primeira vítima dessa decisão foi o Blairo Maggi, ministro da Agricultura, o maior produtor de soja do mundo e, mesmo assim, corrupto contumaz.

Com a decisão dos ministros Luiz Moradia Fux, Luis Roberto Barroso (será ele operário-padrão da Globo?), Rosa Weber e Marco Aurélio (o ministro Alexandre Moraes, nomeado pelo presidente ladrão, tentou pôr panos quentes) entram na reta outros quadrilheiros do Jaburu (não é isso, Bessinha?):

- gatinho angorá, que não pode ficar perto de um cofrinho, segundo o FHC, que tomou dinheiro da Odebrecht para dar ao Antero;

- Eliseu Quadrilha (segundo o ACM);

- o Kibe da lista de alcunhas da Odebrecht, também chamado de Kassab, que vai vender o satélite das Forças Armadas ao Pentágono;

- e o Aloysio 500 mil (promovido pela Odebrecht) e que recebe de presente de empreiteiro vinhos da Toscana.

Maggi ainda tem dois inquéritos no Supremo.

Os outros acima citados só não tem mais inquéritos que o Aécinho, o mais chato, e o Careca, o maior dos ladrões.

Mas, esses dois, como são tucanos gordos, não vem ao caso.

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O combate às Fake News e a criminalização da mídia alternativa


É clara a crise que a imprensa de massa, a mídia tradicional oligopolista está passando. Crise essa de credibilidade e financeira. Em 2018, o termo fake news passou a ser a nova moda do momento e por conta do ano de eleições e todo o clima que sempre é criado nessa época favoreceu e fermentou o termo.

Desde as eleições dos EUA em 2015, os grandes jornais captaram o fenômeno das fake news, que ocorre especialmente nas redes sociais. Como esses eventos têm recebido atenção especial, obviamente que não demoraria muito para esses veículos encabeçarem e a "oficializarem" o combate às notícias falsas, monopolizando o filtro para detecção das notícias falsas, de acordo única e exclusivamente a sua ótica e a sua definição.

Dessa forma, qualquer que fosse a notícia, apenas jornais como Estadão, Folha e Globo, por exemplo, poderiam dar o veredito sobre a veracidade ou a falsidade das informações divulgadas. Ainda que esses mesmos jornais sejam notórios pela sua tergiversação e manipulação das notícias. É ainda irônico saber que, bem recentemente, o MBL acusou o Facebook de usar profissionais da imprensa "esquerdista", leia-se a Folha (!), para auxiliar na detecção e anulação das fake news.

A consequência direta dessa exclusividade da mídia de massa, é que todos os veículos que eventualmente estivessem fora de sua linha ideológica, ainda que prezassem pelo fact checking e tivessem profissionais sérios em seu comando, seriam tachados de propagadores de fake news.

E isso ficou muito claro com todo esse imbróglio acerca do terço enviado a Lula por um emissário do Vaticano. A agência de checagem de Lupa, criada em 2016, no auge do burburinho das eleições norte-americanas, não se retratou acerca do evento ocorrido envolvendo Lula e preferiu o silêncio a se desculpar pela falha.

Esse fato demonstra que não foi feito o mínimo para averiguar se a notícia era mesmo falsa ou não. O fact checking feito pela Lupa foi meramente basear a sua resposta em uma nota de um site do Vaticano. Parece que nem um telefonema ou uma mensagem de whatsapp para uma fonte segura por parte da agência foi feita. E, no afã de condenar a imprensa de esquerda, acusaram o Brasil 247 e a Revista Fórum de propagarem notícias falsas sem de fato o fazerem, e quando na verdade o próprio site UOL, veículo detentor da agência, foi o primeiro a divulgar sobre a entrega do terço ao ex-presidente Lula.

O cuidado agora deve ser redobrado: com o poder de "oficialização" da imprensa de massa, os veículos da imprensa alternativa passarão a ser alvo de denúncias inverídicas sobre propagação de notícias falsas, pelo simples fato de não atenderem aos seus preceitos ideológicos.

Cintra Beutler
No GGN
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A incógnita Bolsonaro

Em que o ditador italiano se pareceria com o capitão?
Um excelente ator cômico italiano, precursor de Totò e Alberto Sordi, um Chico Anysio peninsular que escrevia seus próprios textos, Ettore Petrolini fez no teatro e no cinema uma paródia de Benito Mussolini no começo da década dos anos 30 do século passado, em plena ditadura fascista.

O Duce e seus denodados asseclas de camisa preta não perceberam que Nero, o imperador romano incendiário, protagonista do sketch, era ele mesmo, o ditador, ridicularizado impavidamente.

Mussolini não era, porém, um estúpido, e talvez até gostasse de Petrolini. Ele tinha boa cultura, esquerdista na juventude, jornalista competente, na escrita e na fala. Quando a península saiu da Primeira Guerra Mundial, na qual Mussolini combatera e 600 mil italianos haviam morrido, virou a casaca ao compreender que o país estava longe da modernidade, como resultado de guerras de independência destinadas, no século XIX, a entregar o poder à burguesia.

Soube como motivar os pequenos-burgueses sequiosos por ascensão social e franjas populares complexadas, e inventou o fascismo. A Marcha sobre Roma levou-o ao poder em 1922 e, com o golpe de 1924, depois do assassinato do líder socialista Matteotti, instalou a ditadura.

Há quem suponha que o capitão Jair Bolsonaro tem vocação mussoliniana. A comparação entre as duas personagens parece-me impossível, embora ambos mirem nas aspirações de porções da população. A Itália de cem anos atrás não tem parentesco com o Brasil de hoje.

Meu pai, antifascista, sustentava que Mussolini alimentava o maior desprezo por seus compatriotas ao seduzi-los com fardas circenses para vestir adultos e crianças ou com a conquista da Etiópia em busca de um império colonial, ou a construção de gigantescos navios de passageiros e a acirrada competição pelas pistas europeias entre Alfa Romeo e Mercedes.

Aderiu em câmera lenta à sanha racista de Hitler e, na esteira, tardiamente declarou guerra à França e à Grã-Bretanha sem armamento adequado na terra e no ar. Achava que a vitória alemã estava na esquina.

Bolsonaro não é Mussolini, embora haja quem o enxergue como nacionalista, igual ao ditador, o qual também soube conciliar com a burguesia, conforme ensaia hoje o capitão com a desassombrada colaboração de Paulo Guedes.

As diferenças, contudo, são por demais explícitas, na personalidade e nas circunstâncias. Bolsonaro não aposta nos recalques de larga parte insatisfeita da nação, e sim no primitivismo e na parvoíce crônica que se manifesta no Brasil de ricos a pobres. Não caberá espanto se muitos moradores da casa-grande se inclinarem a votar no capitão.

No reacionarismo extremado que o colocou na ribalta, ele foi claramente de brutal sinceridade. Pode-se dizer o mesmo em relação ao seu americanismo, revelado inclusive por sua visita aos EUA no ano passado, e às atuais piscadas neoliberais na direção do mercado?

Esperteza eleitoreira ou abrupta e duradoura mudança de rota? Que houve com o tosco candidato talhado, sobretudo, a organizador de linchamentos? Transparente outra aposta: no fracasso do PSDB, devorado por sua ambição de ser o mais lídimo representante do establishment. Será que Bolsonaro quer o lugar deixado vago pelos tucanos?

Não, o capitão não é Mussolini e o Brasil não é a Itália dos anos 1920. Fica inarredável a pergunta: quem é de fato Bolsonaro? Dizem os meus intrigados botões: a sinceridade de antanho retraiu-se diante da perspectiva das urnas próximas e do bom desempenho nas pesquisas. Convém agora o pragmatismo recomendado pela arte do possível. Sim, digo eu, mas qual haverá de ser a duração da guinada? Aí, retrucam os botões, são outros quinhentos.

A dúvida diz respeito à reação dos donos do poder, à falta de um candidato da casa. A lacuna terá consequências em um panorama de infinita incerteza, a justificar outra dúvida, já levantada inúmeras vezes nesta página: haverá eleições? Certo é que Mussolini não faria uma declaração de vassalagem a uma potência estrangeira.

Mino Carta
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Trump mostrou que Stalin estava certo


Em agosto de 1945, os EUA foram o primeiro e único país do mundo a usar força nuclear contra outro país. Hiroshima e Nagasaki mudaram todas as teorias de política internacional para todo sempre.

A URSS não possuía armas nucleares até então, mas seu serviço secreto (KGB) estava muito à frente de qualquer outro no mundo e providenciou para Stalin informações mais precisas sobre o Projeto Manhattan do que tinha a sua disposição Harry Truman, alçado à condição de presidente dos EUA após a morte de Roosevelt.

Truman avisou Stalin da utilização de "uma nova e devastadora arma" contra o Japão, aconselhado por seus diplomatas próximos a manter a URSS na condição de aliado e assim evitar uma corrida armamentista.

Stalin já sabia dos resultados dos experimentos nucleares em Los Álamos, e sabia também que os EUA não tinham dispositivos nucleares suficientes para vencer uma guerra contra a União Soviética. Nos cálculos de Stalin, cinco ou seis grandes cidades soviéticas seriam devastadas, mas, a partir daí, a vantagem estratégica estaria à disposição dos russos, em função de sua proximidade com a Europa e vantagem numérica.

De qualquer forma, Stalin acreditava que era necessário, o quanto antes, que o mundo comunista desenvolvesse armamento nuclear. A necessidade não se travestia de força para ataque ou conquista, mas pura dissuasão. Mais tarde, Mao Zedong chamaria o poderio nuclear americano de "tigre de papel", lembrando que as armas nucleares não se prestavam a qualquer forma de conquista, e se unia a Stalin na racional e estratégica desconsideração das armas nucleares para os cálculos políticos. 

Enquanto o objetivo não fosse ataque aberto de uma nação sobre a outra, as armas nucleares pouco contribuiriam para os cálculos de disputa política.

A busca por Stalin do desenvolvimento nuclear chegaria ao fim em 1949 e, mesmo assim, a URSS não teve qualquer força dissuasória até 1953, quando desenvolve meios de retaliar o território americano. Em verdade, o escudo nuclear, o poder da MAD (mutually assured destruction) só chega à URSS após a morte de Stalin. Indiferente a este fato, a propaganda americana na guerra fria escreveu que foi Stalin que, ao perseguir o controle dos armamentos nucleares, teria iniciado uma política agressiva e expansionista.

Um argumento falho que embalou gerações. Uma propaganda política travestida de "ciência" que contribuiu para a Guerra Fria. Sessenta e cinco anos depois da morte de Stalin, Trump e Kim Jong-Un mostram que ele estava certo. As armas nucleares da Coréia do Norte, sem nunca terem sido usadas ou mencionadas como forma de ataque, dobram a maior potência militar e econômica do planeta.

O aperto de mão de Trump e Un dá inconteste razão ao antigo líder soviético: qualquer coexistência com o capitalismo tem que se dar primeiramente baseado na força e não nas promessas de respeito, soberania ou liberdade que a falsa ética capitalista repete incessantemente em forma de propaganda.

Fernando Horta
No Esquerda Caviar
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Vai começar a Copa e no Brasil em Transe segue a dúvida cruel... Cadê o amarelo?


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Agência Lupa aguarda fumaça sair da chaminé da Capela Sistina: se for branca, Papa mandou rosário a Lula, mas se for preta, é fake news


A Agência Lupa emitiu nota na tarde desta quarta (13) prestando "esclarecimento" sobre a checagem do terço de Lula. A "primeira agência de fact-checking do Brasil" parece estar decidida a esperar uma fumaça sair da chaminé da Capela Sistina: se for branca, o Papa Francisco enviou mesmo um rosário a Lula. Se for preta, é fake news e não se fala mais nisso.

A Lupa não admite a explicação prestada pelo argentino Juan Grabois, que teve de expôr o conteúdo de conversa privada que teve com o Papa Francisco, em maio passado, por causa da repercussão que teve a história do terço nas redes sociais. Lupa só quer confirmação diretamente do Vaticano. Se puder ter fumaça e um "habemus fake news", melhor ainda.

Ironias à parte, no informe divulgado às 17h26, Lupa transcreveu que Grabois, "consultor do Pontífice", explicou em carta pública que pediu pessoalmente ao líder máximo da Igreja Católica para abençoar um terço que já tinha destino certo: Lula. Grabois disse ainda que no encontro com o Papa, além de pedir a benção ao terço de Lula, falou da situação política do Brasil.

Junto com o rosário abençoado pelo Papa, Grabois trouxe a Lula as "palavras do Papa". Mas Lupa e outras agências de fact-checking querem saber se o Papa abriu a boca para mandar um recado especialmente a Lula ou se as "palavras do Papa" querem dizer algo mais abstrato. Porque não basta Grabois ter estado com o Papa e conversado sobre enviar um terço abençoado a Lula. Extensão da grande mídia, a Lupa espera algo mais.

Grabois esteve na segunda (11) em Curitiba para tentar visitar o ex-presidente, mas foi impedido de entrar no local onde o petista está preso. Deixou o rosário e uma carta.

Horas depois, as páginas oficiais do PT e Lula manchetaram que o Papa enviou um rosário a Lula. Quem ousou reproduzir as notas, mesmo com as cabíveis ressalvas e contextualização, foi acusado de difundir fake news pela Lupa, que usou para isso uma nota (equivocada) do Vatican News que posteriormente foi deletada e substituída por uma nova, sem os erros de informação. 

Somente nesta quarta (13), depois de ter sido acionada pelos sites ofendidos pela tarja de "fake news", Lupa decidiu alterar a etiqueda de "falso" para "de olho". "(...) esta passa a ser a classificação da Lupa até que o Vaticano faça um esclarecimento oficial e definitivo sobre o desejo do Pontífice em dar um terço ao ex-presidente."

Mesmo tendo usado uma nota cheia de erros para atacar os concorrentes, a Agência Lupa, ligada à Piauí, não deu o braço a torcer. Longe de esboçar qualquer tentativa de se retratar por acusar terceiros de fake news quando também usou nota com informações erradas, Lupa segue apegada ao detalhe de que o Papa "apenas" abençoou o rosário de Lula, mas não sabe se ele "enviou" o objeto ao petista. 

O curioso é que, no mérito, Lupa usou a nota falsa do Vatican News da mesma maneira que sites independentes e outros portais (inclusive UOL e Folha) usaram as notas oficiais da equipe de Lula e do PT. Só um lado, contudo, foi acusado de disseminar fake news e denunciado ao Facebook, correndo o risco de ser suspenso da rede social.

Por enquanto, essas classificações negativas feitas junto ao Facebook foram suspendidas pela Lupa. Podem voltar à baila se a fumaça que sair da Capela Sistina vier a ser preta.

Enquanto o Vatican News não responde, fica registrado que, até aqui, a polêmica em torno do rosário de Lula serviu para mostrar que sobra risco de fact-checking ser usado para censura e falta auto-crítica por parte das agências - e não só Lupa, como se vê aqui - que também cometem erros na apuração, mas não reparam danos com a mesma facilidade.

No GGN



A carta de Juan Grabois, assessor do Papa, enviada a Lula (em português)

Querido Lula,

Ontem deixei o Brasil muito angustiado. Como você sabe, eles me impediram de visitá-lo de maneira injustificada, arbitrária e descortês. Em seguida, visitei meus irmãos e irmãs catadores, carroceiros, camponeses, favelados, professores, funcionários públicos, trabalhadores e membros de várias comunidades pastorais. Pude sentir a dor do teu povo, compartilhar sua impotência diante da injustiça, sua raiva pela perseguição de seu dirigente máximo. Também notei a enorme deterioração institucional, social e política sofrida pelo Brasil por causa da ambição de uns poucos que concentram o poder e impedem que as diferenças sejam resolvidas no marco da democracia.

O gole mais amargo, no entanto, estava me esperando no aeroporto de Curitiba. Lá soube que você foi atacado novamente pela mídia de massa e nas redes sociais. Eles alegaram que você mentiu sobre o Rosário enviado pelo Papa Francisco. Então você, preso e incomunicável, também mente! Com espanto, vi que seus inquisidores indicaram que a fonte de sua calúnia era o próprio Vaticano. Minha maior surpresa foi quando eu confirmei que em um site chamado Vatican News eles publicaram um texto agressivo em português, cheio de imprecisões e erros de redação.

A comunicação dessa página não pode ser considerada oficial, mas, de fato, é um site dependente da Secretaria de Comunicação do Vaticano. Durante a leitura, não pude deixar de ficar espantado. Obviamente, um redator desse site, sabe Deus com que intenção ou a pedido de quem, queria causar um rebuliço e conseguiu.

Quando eu pude reclamar com os superiores, a nota foi removida do site e substituída por uma adequada (https://www.vaticannews.va/…/precisacao-sobre-caso-grabois-…), mas o dano já estava feito. Infelizmente, a mídia que disseminou a suposta negação do Vaticano ao paroxismo não reproduziu a nova nota com a informação correta. Será que vivemos na era pós-verdade.

Nunca revelei o conteúdo de um encontro com o Papa Francisco porque sou leal, o respeito e admiro muito. Além disso, sei que o seu apoio aos movimentos sociais e aos pobres lhe traz mais de uma dor de cabeça. Como você sabe, ele também sofre o ataque sistemático dos fariseus e herodianos de nossos tempos. No entanto, tendo em conta as circunstâncias, sinto-me obrigado a dizer-lhe como foram as coisas.

Em meados de maio estive no Vaticano para visitar Francisco, que me honra com uma amizade que não mereço, ama a Grande Pátria e – como ele próprio indicou – está preocupado com a situação atual. Como você sabe, isto é muito claro e frontal, ele não precisa de porta-vozes e nunca pretendi ser um. Sofro muito quando a mídia me coloca nesse lugar. Eu apenas tento ajudar no diálogo com os movimentos sociais, algo que tenho feito desde que nos conhecemos em Buenos Aires, há mais de dez anos, lutando por uma sociedade sem escravos ou excluídos. Atualmente, colaboro com el Dicasterio para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, presidido pelo Cardeal Peter Turkson, com quem organizamos os três Encontros Mundiais de Movimentos Populares e outras atividades para promover o acesso à terra, ao teto e ao trabalho como direitos essenciais.

Naqueles dias de maio, meus amigos dos movimentos populares no Brasil me ofereceram a possibilidade de visitar-te. Fiquei muito feliz porque admiro o que você fez como presidente dos mais pobres e tenho certeza de que você é objeto de perseguição política, assim como Nelson Mandela e muitos outros líderes políticos da história recente.

Aproveitei, então, a visita ao Vaticano para conversar com o Papa sobre a situação e pedir-lhe um rosário abençoado para levá-lo. Assim foi. É incrível que um gesto tão simples de solidariedade e proximidade do Papa, um objeto que serve para orar, gere tantos problemas, mas não é a primeira vez e o Vatican News é responsável por ter permitido que uma nota inadequada e não profissional fosse publicada. Seu responsável me pediu perdão e eu o perdoo porque todos nós podemos cometer erros. Mas também sei que um dano sério foi cometido.
Também quero esclarecer que, quando me proibiram de vê-lo, pedi a teus colaboradores que lhe levem o Rosário, esclarecendo expressamente que vinha do Papa com sua bênção. Por esse motivo, o que eles afirmaram na sua conta do Facebook – injustamente denunciada por fakenews e ameaçado de censura – é exatamente o que eu disse a eles: a verdade.

Entrego esta carta aos teus colaboradores com a expressa autorização para publicá-la se ela servir para mitigar o dano causado, embora eu tema que aqueles que odeiam esse trabalhador que tirou 40 milhões de excluídos da fome e pôs de pé a América Latina diante dos poderes globais não vão dizer a verdade.

Te peço perdão pelo que aconteceu e te deixo um abraço fraterno, latino-americano e solidário;

Rezo pela tua liberdade, pelo teu povo e nossa Pátria Grande;

Juan Grabois

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Deutsche Welle: Galvão é o Brasil preso ao passado!

Sardenberg, Merval, Míriam Leitão, Boechat, Reinaldo Azevedo, Ricardo Noblat...

1895 - estava na cara que ia dar errado
Arquivo/Rede Globo
O Conversa Afiada reproduz da Deutsche Welle, da Alemanha, afiado artigo do correspondente Philipp Lichterbeck:

O eterno Galvão

Quando a Seleção entrar em campo para a sua primeira partida no Mundial da Rússia, neste domingo, um homem estará lá mais uma vez: Galvão Bueno. Como acontece em toda Copa do Mundo – há 35 anos!

Com timbre sonoro de voz, ele vai narrar a partida e gritar "Olha o gol” de vez em quando. Ele vai celebrar o seu queridinho, Neymar, o garoto-propaganda mais caro do Brasil. Mas Galvão não vai contribuir essencialmente para a compreensão do jogo.

Após o apito final, o jornalista de 67 anos ficará de pé na cabine de imprensa da TV Globo, acompanhado por dois comentaristas e um ex-jogador. Como sempre, será um evento tenso protagonizado por senhores idosos de terno, gravata e poses idênticas e cujas análises não vão muito além de "o jogo foi bom ou ruim". Dezenas de vezes, repete-se o que o público já viu. A falta de conteúdo é dissimulada com piadinhas e frases melodramáticas como "Tite nos resgatou o orgulho de ser brasileiro".

A estética da emissão lembra o fim dos anos 1980, início dos anos 1990. Como esse, de qualquer maneira, muitos programas da televisão brasileira parecem como se o mundo tivesse parado há 30 anos. O melhor exemplo ao lado de Galvão é o sexista Domingão do Faustão.

Por isso, entendo que muitos brasileiros estejam fartos desse tipo de cobertura. Querem um refresco. Um rosto novo, uma voz nova. Um (ou uma) repórter que saiba ler uma partida de futebol, que seja original e crítico/a.

Mas a esperança é inútil. Galvão Bueno é o resultado de uma concentração extrema de meios de comunicação, além de um Brasil refratário a tudo o que é novo e progressivo. É que Galvão ainda narra futebol por só uma única razão: ele não precisa temer a concorrência. Até perder um gol da Seleção não tem consequências para ele. Ele está lá porque sempre esteve.

Essa monopolização de discurso pode ser encontrada com frequência nos meios de comunicação brasileiros. São sempre as mesmas figuras conservadoras que querem explicar o mundo ao público, seja na televisão, no rádio ou nos jornais: Carlos Alberto Sardenberg, Merval Pereira, Miriam Leitão, Ricardo Boechat, Reinaldo Azevedo, Ricardo Noblat. Vozes jovens têm pouca chance. Se não houvesse a internet, deveria-se falar de uma oligarquia da informação.

A concentração de poder nas mãos de poucos também é característica da política brasileira, onde, há décadas, os mesmos senhores se refestelam nos mais diferentes postos. Alguns políticos aproveitam para abrigar a família inteira na profissão, clãs familiares e círculos de amigos dominam Estados inteiros. E, naturalmente, fazem de tudo para manter o poder. Por isso, é claro que novatos ficam desencorajados ou têm dificuldade extrema de conquistar espaço.

Quando uma figura independente consegue a proeza de conquistar uma posição de destaque na política, pode acabar como Marielle Franco, assassinada há exatos três meses e cuja morte ainda não foi esclarecida. O prognóstico não é exagerado. Dois exemplos: a jovem vereadora Talíria Petrone (Psol), de Niterói, já foi alvo de ameaças de morte: "Merece uma 9 mm na nuca."

E, na Rocinha, recentemente um policial de UPP falou em plena rua para uma amiga minha de 24 anos que luta pelos direitos de jovens negros na área: "Você é gostosa demais pra virar outra Marielle".

São exemplos extremos, mas ilustram como é impedido o progresso no Brasil. Enquanto outras sociedades promovem jovens talentos, os já privilegiados desse país se agarram a seus postos até caírem. Políticos e muitos jornalistas consagrados se acham insubstituíveis e atuam como se fossem semideuses. Por não terem concorrência, assentaram na mediocridade e ficam se repetindo dia após dia. Ideias novas e originais? Que nada.

Assim, os brasileiros terão que suportar o eterno Galvão Bueno durante mais essa Copa. É o preço que o país paga por sua meritocracia – que não estimula novos talentos nem contribui para a diversidade. Ao contrário, apenas protege um establishment que mantém o Brasil preso no seu próprio passado.

Em tempo: o Conversa Afiada suspeita que se trate do Galvinho.

Em tempo²: Armando Nogueira, fundador do jornalismo da Globo, em 1965, jamais permitiu que o narcisista Galvinho fizesse vídeo. Ele sabia que ia dar errado.

Em tempo³: a partir dos 5’ do primeiro tempo ele para de narrar o jogo para “analisá-lo “ - é a cascata do óbvio. Ele não consegue dar o nome de um único jogador do time adversário. PHA
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Cinco anos depois, anônimos de Junho de 2013 contam suas histórias

CartaCapital conversou com detidos nos protestos de 13 de junho para entender como aquele dia marcou suas vidas. O que mudou? Valeu a pena?

Manifestantes durante ato contra o aumento da tarifa em São Paulo
Junho de 2013 foi marcado por um forte sentimento de esperança no poder da mobilização do cidadão e na ideia de que a força motriz gerada nos atos conseguiria, não só revogar o aumento da tarifa de ônibus, mas alterar diversos pontos de insatisfação da população brasileira.

A partir daquele mês a Polícia Militar intensificou o uso da força contra os manifestantes e não-manifestantes. Pessoas que que apenas “trombaram” com a PM durante seus percursos cotidianos foram detidas. As bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia nos primeiros atos promovidos pelo Movimento Passe Livre (MPL) deram motivo para que aqueles que escolheram protestar - um direito previsto no artigo 6º da Constituição Federal - levassem vinagre e máscaras de proteção, instrumentos que passaram a ser ferramentas de defesa contra a ação policial.

A proteção, entretanto, foi usada como argumento policial para a detenção de ainda mais pessoas. Em São Paulo, enquanto os atos dos dias 6 e 11 de junho tiveram menos de 20 detidos, na manifestação de 13 de junho a Polícia Militar levou às delegacias mais de 230 pessoas. O vinagre e as máscaras usadas para proteção foram considerados objetos suspeitos e "motivo" para as detenções.

A repressão só fez aumentar o número de pessoas nos atos seguintes. Se antes, os protestos concentraram, no máximo, 5 mil participantes, segundo a PM, e 20 mil, segundo os organizadores; no dia 17 o número passou para 65 mil de acordo com o Datafolha

Para chegar aos detidos, a reportagem fez ao menos 150 chamadas a 88 detidos naquele 13 de junho em São Paulo dentro de uma base de dados com mais de 400 pessoas que foram levadas a delegacia por conta das manifestações daquele ano. Grande parte dos contatos, recolhido na época, estavam desatualizados, duas pessoas se recusaram o falar. A maioria que constavam na base de dados foi registrada para averiguação. 

Alguns dos entrevistados ouvidos pela CartaCapital carregavam vinagre, outros máscaras. Havia quem não levasse nada na bolsa e quem foi detido por uma bandeira em sua mochila ou latinha de tinta vazia.

Conheça algumas histórias.

Sabrina dos SantosSabrina dos Santos, do lar e autônoma

Na tarde de 13 de junho de 2013, a então funcionária pública Sabrina dos Santos caminhava no Vale do Anhangabaú em direção a um ponto de ônibus que a levaria para a Lapa, bairro onde trabalhava. Não era seu percurso normal. Só o fez naquele dia porque os trens da CPTM estavam em greve.

No caminho, a Polícia Militar a abordou junto com sua então companheira. Os policiais verificaram a bolsa de ambas e, em uma delas, achou uma latinha de spray vazia. Sua namorada fazia grafite.

A latinha bastou para as duas e um grupo de mais ou menos 20 pessoas que faziam malabares fossem detidas pela PM e levadas para a delegacia. Era por volta das 15h e ela só saiu da delegacia às 22h.

“Levaram a gente para um paredão e fizeram a gente ficar com a cara na parede, não podia falar, não podia respirar, não podia fazer nada. Revistaram a gente igual criminoso. Quando alguém falava alguma coisa questionando, eles vinham com cassetete”, lembra.

“Teve um momento que vieram me revistar e eu tirei tudo que tinha, tirei sapato, tirei alargador para mostrar que eu não tinha como atacá-los. E aí veio um policial que me empurrou na parede veio com cassetete nas minhas pernas. Depois outro policial me empurrou para o micro-ônibus e eu caí, machuquei o joelho. O ônibus estava muito cheio e eu comecei a passar mal e os policiais não deixaram ninguém me ajudar quando desmaiei. Então chegamos na delegacia e eles separaram uma turma e nos ficharam.”

A abordagem, conta ela, aconteceu bem antes do início dos atos do Movimento Passe Livre, marcados para o final da tarde daquele dia. Depois disso, ela não teve dúvidas e foi ao ato seguinte. “Fui na manifestação seguinte por revolta.”

Sabrina conta que não vota. “Não tenho partido e não vejo mudança na política. É só mentira como sempre foi e está cada dia pior. Então, enquanto não tiver um candidato que me convença para que eu vou votar?”, questiona.

O futuro, ela não o vê com otimismo. “Eu tenho medo do futuro do brasileiro. Não sei o que pode vir pela frente. Tenho medo de não ter trabalho, comida, casa, de não viver, de ser morto por causa de um bandido, de tudo!”

Fernando
Fernando, professor e eletricista 

Fernando foi militante do MPL entre 2005 e 2007, mas conta que acompanhou as manifestações de junho de 2013 porque, desde àquela época, era militante do PCB. Ele foi detido no dia 13 junto com estudantes e outros manifestante.

“Fui em quase todos os atos. A abordagem policial foi muito truculenta e desnecessária. Tinha ido para a manifestação, mas fui embora porque precisava ir para a faculdade. Quando eu estava indo para a sede do partido, próximo ao ato, eles [PMs] me abordaram. Sacaram arma, fizeram um monte de coisa. Eu estava com uma bandeira enrolada, vestia uma boina e acho que foi por isso que me pararam. Abriram a bandeira, que estava fechada, e viram a sigla do PCB. Revistaram minha bolsa e sentiram o cheiro de vinagre apesar de ela já estar seca”.

Foi então que vieram os questionamentos. “Me perguntaram: ‘onde que está o pó?’, respondi: ‘não uso droga’. Então eles perguntaram sobre o pó que misturava com vinagre para por fogo. Disse a eles que não tinha condição de por fogo em nada com vinagre.”

Estudante de engenharia à época, Fernando disse que ficou mais ou menos cinco horas detido. Para ele, as manifestações daquele mês valeram a pena em partes.

“Como movimento Passe Livre acredito que valeu porque resultou no passe livre para estudantes. A pauta que a gente lutava desde 2004 foi efetivada. Hoje, mesmo o prefeito tentando cortar o máximo possível, ainda há o passe para os estudantes pobres conseguirem estudar, ir ao cinema, fazer alguma coisa. Essa era nossa maior luta porque para quem é da periferia pagar a condução é terrível, ainda mais hoje, a 4 reais, pior ainda”.

Ele conta que saiu em 2007 do MPL porque o movimento começou a usar "táticas que não davam frutos". “Havia um grande crescimento de força e um esvaziamento total da pauta. Vi que aquilo não ia para frente na época e fui estudando e trabalhando. Depois decidir entrar para o partido.” Olhando para trás, Fernando crítica a esquerda por não ter conseguido conduzir o pós junho de 2013.

Eleitor declarado do Guilherme Boulos (PSOL), ele acredita que 2019 será difícil, mas também que haverá muita luta. “Como trabalhador, estamos tomando só porrada, todo dia. Mas está tendo muita luta também”. E reafirma: “Sei que eleitoralmente muito provavelmente será ruim, mas sei também que vai ter luta. Muito sindicato está indo para luta, muito sindicato pelego está começando a ir para as ruas novamente e a população está se mobilizando também. Claro que tem de tudo, tem gente que quer a ditadura militar, que é uma imbecilidade completa, mas tem a juventude ocupando escola, greve nas universidades. O movimento para a luta está renascendo”.

Murillo Reis, auxiliar administrativo

Murillo Reis era estudante de Direito em 2013 e foi à manifestação do dia 13 de junho porque “era uma forma de fazer algo mudar". Hoje, no entanto, diz que não valeu a pena, “foi tudo uma ilusão”.

“Na época achava que ia ter algum tipo de mudança. Mas olhando hoje, analisando toda a situação eu vejo que é muita sujeira. O Brasil é um país em que a sujeira está em todo o canto. Não tem um lado bom e o ruim, eles são todos farinha do mesmo saco e só buscam interesses pessoais”, afirma.

Depois daquele ano, não voltou às ruas. “O primeiro [ato que fui] foi pelo passe livre porque achava e ainda acho necessário. Mas pensava que os protestos ganhariam uma proporção maior, que as pessoas iam aderir. Mas a grande maioria da população não está nem aí”.

Para prefeito em 2014, conta que votou nulo e que desde 2013 parou de se envolver com temas políticos. Nas eleições atuais diz não ter um candidato definido. “Penso em voltar no Flavio Rocha PRB). Com o problema de desemprego, ele talvez seja uma pessoa... Na verdade, dos outros candidatos eu não vejo nenhum muito bom. Não tenho nenhum tipo de afinidade com Bolsonaro (PSC), Ciro Gomes (PDT)... Ele é o único que vi que ele não prega um discurso de ódio.”

Independente de quem seja o presidente, Murillo diz não acreditar em mudança. “Acho que vai continuar tudo igual. Não muda nada”, afirmou. “Eu, graças a Deus, um pouco antes de tudo ficar nessa situação, consegui um emprego, mas acredito que a situação piorou para as pessoas em geral.”

fabiano.jpegLuiz Fabiano Lalli, vendedor de alfajor
“Estava chegando na praça do Patriarca com dois amigos quando vimos uma aglomeração de policiais militares revistando quem eles achassem que era suspeito. A gente foi enquadrado. Eu lembro que na minha mochila tinha um baseado que eles não acharam. Dispensaram meus amigos e me detiveram. Perguntei por que eu tinha que ficar e eles disseram que eu tinha vinagre na mochila e isso era um comportamento suspeito. Lembro que o policial mandou uma dizendo que se eu misturasse o vinagre com bicarbonato eu poderia fazer uma bomba.”

Luiz Fabiano ficou três horas olhando para um porta de aço até que os policias o levassem junto com outros tantos ao distrito policial. Ali foram outras três horas até registrado o boletim de ocorrência

“A tarifa foi o motivador maior para ir às manifestações. Foi mostrado uma força da massa. Houve uma vitória naquela oportunidade: revogaram os 20 centavos. Isso nunca tinha acontecido antes, pelo o que eu saiba. Os atos mostraram que quando o povo sai para rua consegue pressionar o governo e o governo tem que fazer o que o povo está determinando”, disse.

Ele recorda ainda que depois daquele nenhum outro aumento da tarifa dos transporte público em São Paulo foi feito no meio do ano. A maioria ocorreu em janeiro. Por quê? “Quando o cara aumenta [a tarifa] 5 de janeiro, a galera não está em São Paulo. Em 2013 foi algo que ocorreu no meio do anos. Já  tinha passado tudo: férias, carnaval. Isso foi um fator que ajudou.”

Segundo o vendedor, a imprensa fez o desserviço na ocasião ao distorcer o movimento. “O que ficou daquela época, no imaginário das pessoas que não estão ligadas ao ativismo, não saem para a rua e assistem tudo pela televisão, é que o movimento é de baderneiros.”

Porém, também deixou uma boa herança: “de lá muita coisa surgiu. Por exemplo, fora o lance da revogação da tarifa, teve também a emergência dessas mídias digitais independentes. Foi a partir dali que eu comecei a entender que uma das coisas que a revolução digital mostra é que você não precisa mais ser passivo, assistindo as notícia. Você pode sair na rua e transmitir a sua própria notícia, mostrar a real da perspectiva de quem viveu a parada”.

Para ele não se pode ter perspectiva sobre 2019 antes de outubro deste ano. “Em 2014 eu votei nulo porque eu não sabia em quem votar e então fiquei aquele cara esquerda perdidão. Eu comecei a dar muita importância para o voto quando entendi que o voto é voto de confiança. Você tem que confiar no cara em quem você está votando. Quem vai ser o cara que vai confrontar essa ditadura-escravagista-banqueiro-mega-empresarial que exige que o pobre continue sendo pobre?”, se questiona, citando Eduardo Marinho.

Luiz Fabiano diz que pode repetir neste ano a decisão de 2016. Nas eleições para a Prefeitura de São Paulo votou em Haddad( PT) como um "voto de resistência" a João Dória (PSDB). Desta vez, o voto seria de resistência ao Bolsonaro, diz. “Penso como seria a minha vida como vendedor de alfajor e a possibilidade de ter um policial truculento a cada esquina, com todo mundo armado”.

Jonatas AlvesJonatas Alves, cozinheiro
“A partir da terceira manifestação decidi ir. Queria mostrar que a partir da mobilização dos cidadãos a gente demonstraria um poder que estava esquecido. Não era só pelos 20 centavos. A partir daquilo a gente conseguiria conquistas maiores. Esse era o sonho naquele momento.”

Jonatas conta que já havia ido ao ato anterior ao dia 13 de junho, mas foi nesse que ele e outros tantos foram detidos. Ele estava com um megafone nas mãos, ao lado da banda, quando foi agredido.

“Fomos sufocados nas manifestações seguintes. A violência policial fez com que todo mundo tivesse interesse em participar. A repressão foi o estopim.” No protesto seguinte, o número de manifestantes chegou a 65 mil.

“Fui detido e apanhei de cassetete na sola dos pés, usaram o bico do cassetete para acerta a minha costela. Isso é muito desmoralizante. Fui posto num camburão, tive que sentar em cima da mão. Tudo isso tem um efeito mental que faz você se perguntar: o que eu estou fazendo?”

E completa: “não estava fazendo nada, estava junto com a banda e no meio da dispersão fui pego. Comecei a apanhar de não saber da onde, só via o bico do cassetete”.

Depois da detenção, não deixou de ir para as ruas naquele mês. “Fui em todas as outras manifestações. Inclusive naquelas que já tinham alguns grupos mais alterados. Sou a favor do movimento black bloc, sou a favor de destruir símbolos do capitalismo, acredito que fazia parte dos ideais anarquistas. As reivindicações deles eram muito parecidas com as nossas: ir contra o sistema. Os anarquistas estavam lá porque eles tinham essas pautas muito antes dos 20 centavos. Não se pode ter o controle de toda manifestação”.

Jonatas voltou às ruas em 2016 contra o impeachment da presidente Dilma Roussef, um exceçã, diz ele. “Não tive coragem de participar de outros atos pós junho de 2013. Ao meu ver era um contrassenso ir a um protesto vestindo a camiseta do Brasil com o símbolo da CBF, que é uma instituição extremamente corrupta. Na época do impeachment, a gente fazia piquetes e movimentações contra o impeachment tentando explicar para as pessoas que aquilo era uma forma de tapar o sol com a peneiro, mas é muito difícil. A minha voz é muito baixa comparada com a mídia.”

Sem candidato à Presidência, ele fala que está em dúvida e aguardará as confirmações das candidaturas para analisar quem tem mais chances de ir para o segundo turno antes de escolher em quem votar. Não tem esperança que, em 2019, sua vida e a do País melhorem.

“Para os negócios está bem difícil. Sou cozinheiro e tenho uma empresa de eventos. A gente perdeu metade dos nossos clientes e estamos sentido na carne o efeito da crise econômica. 2019 vai ser um ano complicado. Até passar essa fase a gente terá que esperar uns dois anos para que o novo presidente consiga organizar as coisas. A minha vida profissional reflete o momento que o País está vivendo”.

Outro lado

Segundo a Corregedoria da PM, "possíveis irregularidades cometidas por policiais militares durante a Operação Passe Livre (13JUN13)" foram apuradas, instaurado Inquérito Policial Militar e enviado à Justiça Militar do Estado de São Paulo. "Há que se esclarecer que não se vislumbrou transgressão disciplinar a ser imputada a nenhum policial militar", conclui a nota da corregedoria.

Marina Gama Cubas
No CartaCapital
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Constituição desafia o golpe, que infecta o ambiente eleitoral com fascismo e fake news


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O rosario do Papa e a fake News da Agência Lupa



No fim da tarde de ontem a página do Facebook da Fórum foi notificada que estava sendo punida e poderia ser suspensa por ter espalhado maliciosamente fake news. A história tinha relação com um texto publicado a partir de uma nota do ex-presidente Lula onde informava-se que o advogado Juan Grabois, assessor do Papa, teria tentado visitá-lo em Curitiba sem sucesso. O assessor, porém, havia deixado um rosário enviado por Francisco e que teria sido entregue a Lula por seus advogados.

Fórum reproduziu a reportagem e se cometeu um equívoco foi o de não atribuir com mais clareza que a informação baseava-se em nota do Instituto Lula.

Quando soube da notificação, imediatamente entrei em contato com o redator que assinava a nota da Agência Lupa, Leandro Resende. Questionando-o, em primeiro lugar, por que se citava a Fórum como site que espalhou notícia maliciosa não havia nos procurado para ouvir nossa posição. Ele não respondeu de forma clara este ponto que me parece o mais grave de todos para um trabalho de uma agência que se propõe a checar fatos.

Mas como meu interesse pessoal era tentar construir um diálogo respeitoso, disse-lhe que por conta da polêmica que aquela história havia gerado no dia anterior eu, pessoalmente, havia saído a campo para apurar o que de fato tinha acontecido.

E que tinha feito uma outra reportagem na qual informava com detalhes que Juan Grabois era de fato muito próximo ao Papa. Que o sociólogo argentino Pablo Gentili, entre outras coisas, afirmara que Grabois tinha mais intimidade com o Papa do que qualquer cardeal brasileiro.

Passei o link dessa matéria que fiz ao redator e insisti com ele que a abordagem da Lupa, nos atribuindo produção de fake news era um claro exagero e um atentado à liberdade de imprensa.

E que ao recomendar ao Facebook que nos punisse eles estavam agindo como polícia da rede. Tudo isso de forma calma e tranquila. E solicitando que ele ponderasse minhas observações.

Depois da conversa enviei este email ao redator da Lupa:

Em relação à checagem de matéria publicada pela Fórum sobre o rosário que teria sido enviado a Lula pelo Papa Francisco, esclarecemos que:

1 – O texto deixa claro que se trata de uma informação da comunicação do PT, compartilhada nos canais do ex-presidente Lula. Inclusive no post em questão, está a postagem original do Facebook de Lula.
2 – A Revista Fórum considera que se cometeu um equívoco no caso foi o de não registrar a fonte no título, mas isso está longe de ser uma atitude maliciosa ou com clara intenção de espalhar Fake News.  

3 – Durante o dia de hoje, como editor, publiquei um texto com uma apuração mais rigorosa do assunto (segue o link: https://www.revistaforum.com.br/grabois-sabe-mais-do-que-o-papa-pensa-de-lula-do-que-qualquer-cardeal-brasileiro-afirma-sociologo-argentino/) e fiz um ao vivo que pode ser visto no próprio Facebook: https://www.facebook.com/forumrevista/videos/1989150917783730/

4 – No artigo acima esclareço que o Juan Grabois é um assessor informal do Papa Francisco e que foi assessor direto dele por um bom tempo. Mas que é uma pessoa que o Papa utiliza para se comunicar com movimentos sociais na América Latina. Mais do que isso, cito ainda outra pessoa, Eduardo Váldes, que tem papel semelhante.

5 – A fonte da reportagem, o importante sociólogo Pablo Gentili, afirma que no Brasil nenhum cardeal tem a mesma intimidade com o Papa que tem Grabois.

6 – A série Francisco, que pode ser assistida pelo Netflix, mostra que Bergoglio já se utilizava de pessoas de fora da igreja para realizar conversas que não tivessem relação direta com os assuntos da mesma.

7 – Sendo assim, considero um exagero tratar como Fake News uma questão que tem tantas sutilezas. O papa ter abençoado o rosário ou tê-lo enviado é uma sutileza. Mas o fato de Grabois ser conhecido como um porta voz oficial de Francisco não é algo que pode ser desprezado. Ele, no entender de Gentili, por exemplo, só veio ao Brasil a pedido de Francisco. Não tivesse essa missão, não teria vindo.

8 – Pergunto, sendo um assunto de tamanha importância, por que esta nota que é de ontem não está mais na home do Vaticano News?

9 – O Facebook nos notificou ameaçando de punição em função de uma matéria que merece debate e cheia de “senões” e que não pode ser considerada por qualquer olhar como um conteúdo intencionalmente malicioso. Como a Lupa encaminhará esse debate com o Facebook?

10 – Por fim, a matéria foi corrigida naquilo que apontei no item 2. 

Renato Rovai, editor da Fórum, jornalista e doutor em comunicação.

A Agência Lupa acrescentou de forma pública no seu texto apenas um dos pontos do meu email. O segundo, no qual digo da imprecisão de não ter citado o Instituto Lula como fonte. E jogou o resto num link que não se pode ler em celulares por não ser responsivo. Ou seja, uma clara tentativa de esconder meus argumentos.

Continuei apurando a história e cheguei a Juan Grabois, a quem reportei o que havia ocorrido com a Fórum e outros veículos por conta da reportagem do Vatican News. Já que toda a checagem da Lupa havia sido baseada apenas nesta matéria publicada pelo site do Vaticano.

Ele me disse que iria fazer com que o site corrigisse as informações que geraram a checagem mal feita da Lupa. E isso ocorreu. Informei por e-mail isso ao redator da Lupa. Aliás, fui informando-o de tudo o que ocorria e fazendo o trabalho que deveria ser deles de checagem.

Ao mesmo tempo, como a segunda nota do Vatican News, que admitia que Grabois era assessor do Papa, não era clara em relação a história do rosário, ponderei com com Grabois que aquela não era a versão que ele havia dado na sua entrevista e que de alguma forma mantinha-se a possibilidade de o assunto ser tratado como fake news.

Ao fim, o Vatican News corrigiu de novo sua nota e agora está mais do que claro que Grabois é consultor da Santa Sé e que veio ao Brasil para trazer não apenas um terço abençoado pelo Papa Francisco, como também palavras do pontífice endereçadas a Lula.

Ou seja, não havia mais o objeto de checagem da Lupa e mesmo assim a matéria que serviu de base para a punição contra a Fórum está lá no site da agência.

O que chama a atenção neste processo todo é que a partir de agora a Agência Lupa, que é ligada a um site concorrente, o da Revista Piauí, poderá, por ser parceira do Facebook, recomendar censura a outros sites jornalísticos como a Fórum. E que quando confrontada com outra versão da história, pode fazer de conta que está tudo bem.

A Fórum sofreu imensos danos à sua reputação porque todas pessoas que compartilharam aquele post foram notificadas pelo Facebook por terem espalhado fake news. E até o momento nem o Facebook e nem a Agência se pronunciaram de forma clara sobre o ocorrido.

Isso não pode ser tratado como algo normal ou do jogo. Há uma clara ultrapassagem do papel de uma empresa de checagem neste caso. A Agência Lupa não fez a lição de casa básica. Sequer ouviu a Fórum antes de dizer que espalhamos fake news e antes de recomendar que o Facebook nos punisse.

Evidente que vamos tomar todas as medidas possíveis para defender nossa história e reputação. Mas além disso, quero debater essa história em todos os cantos possíveis. Desafio o dono da Lupa, João Moreira Salles, a debates públicos em qualquer universidade do Brasil sobre o que eles estão fazendo. É a ele que devo perguntar a partir de agora o que devo ou não publicar na Fórum? E a ele quem devo perguntar como devo fazer uma reportagem?

O que aconteceu ontem é um escândalo e precisa ser debatido de forma ampla por todos que defendem a democracia e a liberdade de imprensa.
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A carta de Juan Grabois



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Dois senadores apresentam questões de ordem para impeachment de Gilmar


Dois senadores apresentaram nesta terça-feira, 12, questões de ordem para que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), analise um pedido de impeachment apresentado contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Lasier Martins (PSD-RS) cobraram do emedebista uma posição sobre o caso, já que o pedido de afastamento do magistrado foi impetrado em abril pelo jurista Modesto Carvalhosa. Na representação, o jurista lista nove atos em que Gilmar teria cometido crime de responsabilidade e, por isso, deveria perder o cargo.

“Todos esses episódios lamentáveis não cuidam de mera intriga. Foram testemunhados embaraçosamente por todos os brasileiros em cadeia nacional nos mais diversos meios de comunicação. O ministro citado, de antes defensor enfático da Lava-Jato nos governos petistas, passou a ser seu opositor ferrenho, quando viu as investigações se avizinharem do novo ocupante do Palácio do Planalto, do qual se tornou comensal e habitual frequentador em agendas noturnas”, afirmou Randolfe. 

Diante da cobrança dos parlamentares, Eunício apenas afirmou que adota o mesmo procedimento em todos os casos de pedido de impeachment de ministros do STF, que é encaminhar os casos ao corpo jurídico da Casa.  

O Senado é órgão responsável por analisar pedidos de afastamento contra integrantes do Supremo. Nos últimos anos, mais de duas dezenas de pedidos contra ministros do STF chegaram ao Senado, mas, até hoje, todos foram arquivados. Na semana passada, Lasier já havia feito apelos para que Eunício trouxesse o caso ao plenário. Procurado, Gilmar disse que não iria se manifestar sobre o assunto.

No Estadão
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A carta de Lula para prefeitos em congresso de Florianópolis


Secretário Nacional do Partido dos Trabalhadores, Emidio de Souza, lê neste momento a carta do ex-presidente Lula para o Congresso de Prefeitos de Santa Catarina em Florianópolis.

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A fragilidade do pensamento neoliberal brasileiro


Um dos grandes problemas do chamado pensamento neoliberal brasileiro é a absoluta incapacidade de elaborar um projeto de país. Desde os anos 80, essa linha de pensamento abandonou qualquer veleidade de pensar a economia real brasileira, com suas especificidades, características, buscando soluções objetivas para problemas reais ou desenhando um projeto mínimo de futuro.

O conflito economia real x financeira existe desde o Império. Mas, em outros tempos, havia os demiurgos, os pensadores liberais que juntavam conhecimento econômico, busca de soluções para os problemas institucionais, e vocação de homens públicos, como Octávio Gouvêa de Bulhões, Casemiro Ribeiro, Ernâne Galveas.

Hoje em dia, as bandeiras liberais foram apropriadas por uma mediocridade ampla, subordinada ao ideologismo mais superficial. Tudo isso com o apoio fundamental da cartelização da mídia e do jornalismo econômico, reduzindo a discussão econômica a um conjunto de bordões sem pé nem cabeça, mas influenciando fundamentalmente os poderes.

Repete-se agora o mesmo jogo.

Desde o final do governo Dilma, há uma queda generalizada da demanda. No governo Temer, a equipe econômica atropelou normas mínimas de bom senso, inviabilizando qualquer possibilidade de recuperação da demanda.

Em cima de uma economia exangue, o que (não) se fez?
  1. Gastos das famílias. Com o desemprego maciço e um endividamento gigantesco, não se adotou uma medida sequer visando desmanchar esses nódulos de endividamento, menos ainda para recuperar o emprego.
  2. Investimento privado. Criou-se o mantra de que bastaria previsibilidade fiscal para retomar o investimento privado, deixando de lado o óbvio ululante, de que investimento depende de demanda.
  3. Gastos público. Criou-se o Teto de Gastos, abandonando-se o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que blindava os investimentos públicos. Mataram a última possibilidade de recuperação.
  4. Crédito de longo prazo. Obrigou-se o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a devolver ao Tesouro R$ 100 bilhões em 2016, R$ 50 bilhões em 2017 e mais R$ 100 bilhões até o fim de 2018. No mesmo período as taxas futuras de juros de longo prazo aumentaram.
  5. Crédito privado. Os bancos avançaram como harpias em cima das famílias e das empresas endividadas, esfolando com taxas de até 15% ao mês os inadimplentes. Registraram lucros monumentais e não houve um movimento corretivo sequer da parte do Banco Central.
Com a inadimplência explodindo, o desemprego aumentando, o desalento avançando, a inacreditável Mirian Leitão diz que a economia está patinando porque o governo não economizou o quanto precisava. Aonde se pretende chegar com essas leviandades?

O que esses gênios da economia conseguiram, nem se diga para o país, mas para seu campo? Jogaram fora a enorme facilidade da recuperação cíclica da economia, depois de numa queda de 8% no PIB. Seria a consagração de sua escola e a viabilização política de seus candidatos.

Conseguiram confirmar a regra, da absoluta incapacidade de implementar uma alternativa de desenvolvimento, da mesma maneira que jogaram fora a oportunidade aberta pelo Real.

Luís Nassif
No GGN
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Moro usa lei dos EUA para blindar delatores

Maxaxuxetz?
O juiz Sergio Moro estabeleceu uma série de restrições por conta própria à atuação de órgãos de controle e do governo federal. Ele proibiu o uso de provas obtidas pela Operação Lava Jato contra delatores e empresas que reconheceram crimes e passaram a colaborar com os procuradores à frente das investigações. A decisão atinge a AGU (Advocacia-Geral da União), a CGU (Controladoria-Geral da União), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o Banco Central, a Receita Federal e o TCU (Tribunal de Contas da União).

Moro admite que não há jurisprudência sobre o tema no Brasil e recorre ao direito americano para embasar sua opinião, argumentando que nos Estados Unidos "é proibido o uso da prova colhida através da colaboração premiada contra o colaborador em processos civis e criminais." 

O despacho do juiz indica que ele foi além do que a legislação americana permite. Moro proibiu o uso não só de provas fornecidas por colaboradores, mas também de informações obtidas por outros meios, mas que poderiam implicar os delatores. 

Embora a decisão de Moro tenha sido assinada em abril, o Ministério Público Federal só informou os órgãos afetados pela medida em maio. Ainda não há uma avaliação segura sobre o impacto da ordem de Moro nas investigações em andamento nesses órgãos."

No Esquerda Caviar
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Oposição ao Papa tem rede de blogs, panfletagem e acusações de comunismo


O papa Francisco enfrenta fortíssima oposição dentro e fora do Vaticano. Ela já se manifestou através de cartazes nas ruas de Roma, de uma edição falsa do Observatório Romano [o jornal oficial do Vaticano] dirigida à cúpula da igreja e continua ativa através de uma rede de blogs que são ou se dizem católicos.

No Brasil, dois eventos recentes envolvendo o Papa ou representantes dele causaram controvérsia, pela forma como foram noticiados pelo Vaticano: o telefonema de Bergoglio à família da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro; e a tentativa de visita de um assessor e amigo próximo de Francisco, o advogado argentino Juan Grabois, ao ex-presidente Lula.

Nos dois casos, o noticiário oficial do Vaticano parece ter tentado despolitizar ou diminuir as ações de Francisco ou de seus representantes.

Abaixo, um resumo de quem faz parte da oposição ao papa argentino:

Papa Francisco e seus inimigos nos 5 anos de Pontificado: de prelados amantes do luxo a políticos corruptos


Nestes cinco primeiros anos de pontificado, o Papa Francisco certamente recebeu muitos amigos, mas sobretudo muitos e ávidos inimigos.

Para Jorge Mario Bergoglio, os adversários vieram rápido, apenas a fumaça branca desapareceu no céu, quando o agora ex-arcebispo de Buenos Aires, entrado no conclave com 76 anos de idade completos, ou seja, em idade de renúncia canônica, rejeitou os sinais da realeza papal: cruz de ouro, mozeta e sapatos vermelhos, sobrepeliz bordada de renda e o trono para receber o ato de obediência dos cardeais eleitores.

Vê-lo sair vestido de branco do chamado “Quarto das lágrimas”, para muitos dos cardeais que acabaram de votar, foi um verdadeiro choque.

Acima de tudo porque o pontificado de Bento XVI, apenas concluído duas semanas antes, tinha escovado do museu os paramentos de Pio IX e o trono de Pio XII.

O comentário é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 13-03-2018. A tradução é de Ramiro Mincato.

Bergoglio, que se tornou Francisco, não esquece, desde o primeiro momento, que sua eleição foi tornada possível pela renúncia de seu antecessor.

É exatamente do Papa emérito, cujos rumores de uma saúde debilitada se sucedem de semana em semana, que recebeu o presente mais belo e inesperado para o quinto aniversário de seu pontificado.

Uma carta na qual Bento XVI, por Bergoglio muitas vezes chamado do “sábio vovô de casa”, convida “a opor-se e reagir ao preconceito tolo de que o Papa Francisco seria apenas um homem prático, sem particular formação teológica ou filosófica, enquanto eu teria sido apenas um teórico da teologia, que pouco teria compreendido da vida concreta dos cristãos de hoje”.

A resposta mais eloquente aos inimigos de Francisco que lhe opõem Bento XVI.

Inimigos que nestes cinco anos definitivamente multiplicaram-se, especialmente dentro da Cúria Romana, onde cardeais não escondem que, se retornassem sob o teto abobadado da Capela Sistina não mais dariam seu voto a Bergoglio.

Dessacralizante, comunista, marxista, peronista, herege, cismático e populista: acusações não faltaram, e tornaram-se, de ano para ano, de reforma em reforma, pesadíssimas.

Alimentando o sonho sedevacantista de arquivar este pontificado e de poder retornar, o quanto antes, ao esplendor anacrônico do papado ressurgimental.

Inimigos Francisco os teve imediatamente no Colégio dos Cardeais: de Raymond Leo Burke [Prefeito Emérito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica], que repetidamente expressou seu desejo de “resistir às decisões papais”; a Carlo Caffarra [arcebispo emérito de Bolonha], Walter Brandmüller [Presidente emérito do Pontifício Comitê das Ciências Históricas] e Joachim Meisner [arcebispo emérito de Colônia], que, juntamente com Burke, opuseram-se às aberturas aos divorciados e recasados; a Gerhard Ludwig Müller [Prefeito emérito da Congregação para Doutrina da Fé], culpado por ter dificultado o trabalho de tolerância zero na luta contra a pedofilia do clero; até [o cardeal de Bolonha] Angelo Bagnasco encarnando uma CEI [Conferência Episcopal Italiana] que não soube absolutamente sintonizar-se à revolução solicitada por Francisco, de uma “Igreja em saída, acidentada, suja e ferida”.

Opositores declarados como o arcebispo cielino Luigi Negri [do Movimento Comunhão e Libertação] que nunca poupou violentos ataques contra Bergoglio e suas aberturas aos divorciados e recasados.

Mas, inimigos são também bispos e párocos que ignoram completamente as indicações pastorais de Francisco, especialmente quando tocam seus interesses.

E então, não poucas vezes, críticas, queixas e dor de estômago aumentam quando o Papa reitera fortemente que as “Missas são grátis”, e que não deve haver um tarifário para os sacramentos.

Assim também quando ele ataca o luxo de cardeais, bispos, sacerdotes e freiras que vivem como faraós, usam o último modelo de carro, adoram a vida de luxo e conforto.

Inimigos de Bergoglio são também políticos corruptos, aqueles que exploram pessoas com trabalho sem carteira assinada, que amam subornos e dinheiro sujo, frequentemente manchado de sangue.

Corrupção que, como Francisco recorda frequentemente, provocando fortes críticas curiais, também está presente no Vaticano.

É aqui que se joga a credibilidade de Bergoglio, amadíssimo mais fora do que dentro da estrita geografia católica.

Um Papa que não prega bem e raspa mal (non predica bene e razzola male), como ensina um famoso dito da sabedoria popular, mas que vive por primeiro o que pede às hierarquias de sua Igreja.

Rejeita o luxo, vivendo em um modesto apartamento de dois quartos, de apenas 70 metros quadrados, em um hotel simples como a Casa de Santa Marta, e prefere andar com um carro pequeno.

Nenhum dos chefes dos Dicastérios da Cúria Romana [departamentos equivalentes a ministérios de governo], nestes cinco anos de pontificado, deixou seu apartamento, em média de 400 metros quadrados, para seguir o exemplo de Francisco.

Isso já é indicativo de como esse estilo de vida decisivamente contracorrente seja mal digerido por cardeais e bispos empoleirados nos privilégios seculares da casta clerical.

E, no entanto, Bergoglio não tem medo de permanecer isolado, como todo o Papa está chamado a ser.

E também de ter quem rema contra as reformas, especialmente quando tenta recuperar o IOR [Instituto para as Obras da Religião, mais conhecido como Banco do Vaticano], lugar privilegiado de reciclagem do dinheiro sujo no Vaticano.

Ou de contrastar decisivamente a praga aberrante da pedofilia do clero.

Francisco certamente não tem medo da solidão, nem dos inimigos que, ano após ano, parecem aumentar e se tornar mais agressivos, escondidos atrás de notícias falsas, cartazes burlescos postados nas ruas de Roma ou do falso L’Osservatore Romano que ataca a alegada falta de misericórdia de Bergoglio com seus opositores.

Entre os ataques dos seus inimigos e da falsa admiração dos carreiristas, Francisco não tem dúvidas: “Sinto alergia aos aduladores. Vem-me naturalmente, não é virtude. Por que adular, é usar outra pessoa para um propósito, oculto ou não, visando obter algo para si mesmo. É indigno. Os detratores falam mal de mim, e eu mereço, porque sou um pecador. Isso não me incomoda”.

No Viomundo
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FHC disse a Moro não lembrar dos mimos que recebeu de empresários. Vamos refrescar sua memória

Ele
Moro resolveu acionar sua veia irônica durante a audiência desta segunda feira, 11, em que ouviu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como testemunha de defesa de Lula no processo que investiga o sítio de Atibaia . 

A certa altura do depoimento de FHC, que falava de sua atuação como palestrante depois de deixar a presidência, no início de 2003, o juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba fez uma interpelação delicada.

“Senhor ex-presidente, desculpe lhe indagar isso, o senhor recebeu de uma maneira assim um pagamento por fora, reforma, alguma coisa assim?”, indagou Moro, numa referência às benfeitorias supostamente patrocinadas por algumas empreiteiras no sítio de Atibaia, cuja propriedade é atribuída a Lula

De pronto, FHC negou ter se beneficiado desse tipo de mimo, o que foi aceito sem qualquer contestação por parte de Moro.

De parte de FHC, prestes a completar 87 anos no dia 18 deste mês,  que alegou não se lembrar de sequer ter feito palestras para empreiteiras, é até razoável o esquecimento, a essa altura da vida.

No entanto, esse lapso de memória não significa que o grão tucano não tenha sido agraciado com favores especiais de empresários, fato amplamente conhecido pelos brasileiros razoavelmente informados, Moro entre eles.

É o caso, entre outros, do aeroporto construído pela empreiteira Camargo Corrêa, na vizinhança da fazenda Córrego da Ponte, no município mineiro de Buritis, mantida em sociedade com o homem forte de seu governo, o falecido Sérgio Motta, ministro das Comunicações.

Para refrescar a memória, vale a pena reproduzir um trecho de uma reportagem de 1999,  assinada pelo jornalista Mino Pedrosa, da IstoÉ (a mesma que agraciou Moro com o título de Brasileiro do Ano de 2017).

O presidente Fernando Henrique Cardoso tem um vizinho no município mineiro de Buritis que todo fazendeiro gostaria de ter. Em vez de avançar a cerca sobre a propriedade alheia, como de hábito no meio rural, a construtora Camargo Corrêa mantém sempre aberta a porteira que separa sua fazenda da gleba presidencial. Quem também mora por ali está acostumado a ver um intenso movimento entre as duas propriedades: pessoas saindo da fazenda Córrego da Ponte, de FHC, entrando na Pontezinha, da Camargo Corrêa, e voltando à Córrego da Ponte. A atração na Pontezinha é uma ampla pista de pouso que costuma receber mais aviões tripulados pela corte do presidente do que jatinhos de uma das maiores empresas do País. “Nunca vi avião nenhum da Camargo Corrêa pousando ali. Mas da família de Fernando Henrique não para de descer gente”, conta o fazendeiro Celito Kock, vizinho de ambos e atento observador do trânsito aéreo na região.

Segundo a revista, a pista particular tem 1300 metros de comprimento e 20 de largura, asfaltados numa grande área descampada.

Um estacionamento com capacidade para 20 pequenas aeronaves completa o aeródromo. Avaliada à época em R$ 600 mil, começou a ser construída no dia 1º de julho de 1995 (seis meses após a posse de FHC, em seu primeiro mandato) e foi concluída em 30 de setembro daquele ano.

E mais:

Apesar de ter os equipamentos necessários para a obra, a Camargo Corrêa encomendou o serviço à Tercon – Terraplanagem e Construções, numa autêntica troca de gentilezas. Meses antes, a Tercon havia conseguido um bom negócio ao ser contratada pela Camargo Corrêa para fazer a ampliação do Aeroporto Internacional de Brasília – empreitada que só terminou anos depois.

Coincidência?

A proximidade umbilical e generosa  com a Camargo Corrêa foi reafirmada no fim do segundo mandato de Fernando Henrique, em dezembro de 2002.

Luiz Nascimento, um dos controladores da empreiteira fundada por seu sogro, Sebastião Camargo, foi um dos convivas de um suntuoso jantar oferecido em pleno Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente da República, a 12 dos maiores empresários brasileiros.

Além de Nascimento, também faziam parte desse seleto grupo  nomes como Emilio Odebrecht (Odebrecht), David Feffer, Lázaro Brandão (Bradesco), Benjamin Steinbruch (CSN) e Pedro Piva( Klabin), que puderam saborear o menu caprichado, assinado pela estrelada chef Roberta Sudbrack, que comandou por sete anos a cozinha do Alvorada-.

Na ocasião, em pleno mandato, FHC não titubeou em passar o chapéu em busca de R$ 7 milhões (cerca de R$ 17 milhões em dinheiro de hoje), cuja finalidade era bancar as atividades de seu instituto.

De acordo com a Época, “o dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton.”

Detalhe: antes do ágape, articulado pelo amigão de sempre de FHC, o empresário Jovelino Mineiro, esses mesmos empresários já haviam contribuído para a aquisição da sede do Instituto, que ocupa um andar de 1 600 metros quadrados, no edifício Esplanada, no centro da capital paulista.

Jovelino, como se sabe, costuma ser apresentado como o dono do apartamento da avenida Foch, um dos endereços mais caros de Paris, ocupado por Fernando Henrique em suas estadas na Cidade Luz.

Há controvérsias:  segundo revelou ao repórter Joaquim de Carvalho, do DCM, a jornalista Miriam Dutra, ex-amante de FHC, este é que seria o verdadeiro proprietário do imóvel.

A capacidade de cativar amigos empresários é um dos pontos fortes do ex-presidente, um ativo inestimável em sua vida privada.

Prova disso é a compra, por um preço de pai para filho, do apartamento em que FHC reside, na Rua Rio de Janeiro, no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

Com uma área de 450 metros quadrados, o apê foi vendido a FHC pelo banqueiro Edmundo Safdié, do extinto Banco Cidade, pela bagatela de R$ 1,1 milhão, preço considerado abaixo do valor de mercado pelos próprio moradores do prédio.”

“Mas também podia ser um agrado de Safdié, para se vangloriar de vender um imóvel para um ex-presidente”, escreveu o jornalista Luis Nassif.

O que é inegável é que Safdié, morto em 2016, era uma figura enrolada, operador de uma das lavanderias  mais ativas do setor financeiro.

Em 2006, tornou-se réu, acusado de lavagem de dinheiro do prefeito de São Paulo Celso Pitta. Seis anos depois, viu-se envolvido no propinoduto da Siemens, o trensalão, o cartel dos trens de São Paulo, superfaturados pelos governos tucanos.

Miguel Enriquez
No DCM
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