11 de jun de 2018

Globo prepara fake news contra Lula aos moldes de 1989 no sequestro de Abilio Diniz


A Globo do Mato Grosso colocou camisetas Lula Livre bem novinhas, com aquelas marcas de camiseta recém saída do pacote, em 2 bandidos. Há ali um estranho passarinho amarelo na foto. Provavelmente montam outro circo igual ao do Sequestro foi milionário Abilio Diniz em 1989. 

Na matéria, O Globo publicou fotos dos sequestradores e do cativeiro com camisetas da Campanha de Lula a Presidência naquele ano, induzindo as pessoas a ligarem o sequestro ao PT
 A foto de 2018 em questão, vem da sucursal da Globo no Mato Grosso, num espécie de “se colar, colou” e para alimentar fake news nas redes sociais. A história se repete.

Este blog, alertado pelo Diógenes Allende Júnior, 

Globo bandida

publica aqui este alerta, para que quando aparecer a o fake, todos já tenham a verdade que a Globo esconde, como esconde o contínuo crescimento de Lula nas pesquisas.

Em 1989 não havia internet. Mas havia a Globo, que produzia fake news diárias contra Lula. Foi o “3×1”, aparelo de som da época, foi o sequestro de Abilio Diniz, a filha fora do casamento e por fim a manipulação do ultimo debate ao vivo entre Collor e Lula, onde a Globo conseguiu eleger seu candidato, Collor de Mello. Sim Collor era o candidato da Globo, oriundo de outra fake news da Globo, que o vendia como “caçador de marajás. Olha uma das fotos do que seria o cativeiro fotografado pela globo. Note as camisetas da campanha de Lula, obviamente plantadas ali.

Abilio Diniz Lula 1989

Luíz Müller
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Três trabalhadores morrem em explosão no frigorífico do deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR)

Tido como rei do baixo clero, membro da bancada ruralista é o parlamentar mais rico; apesar das dívidas com a União, ele foi artífice e líder da “bancada do Refis” no Congresso


Kaefer, o “rei do baixo clero”
Três trabalhadores morreram após uma explosão na última terça-feira (05/06) em uma das máquinas da Dip Frangos S.A., em Capanema (PR). A empresa pertence ao Grupo Diplomata, do deputado ruralista Alfredo Kaefer (PSL-PR), líder do baixo clero na Câmara e membro atuante da bancada ruralista.

Leoterio Jose Mieczikovski, de 46 anos, e Rogerio André Trampusch, de 35 anos, morreram logo após o acidente com um digestor. A terceira vítima, Roberto Henrique Correia, estava numa sala ao lado. Só que o impacto da explosão foi o suficiente para derrubar a parede e fazê-lo ficar preso sob um cilindro. Ele faleceu na sexta-feira, aos 28 anos.

O acidente ocorreu na área de subprodutos da avícola, provocando o desabamento do maquinário e de toda a estrutura do setor. Em seguida, um incêndio tomou conta da área. O deputado afirmou no dia seguinte, em entrevista à Catve, que a empresa iria “garantir toda a assistência possível para amenizar a dor das famílias”.

Em nota divulgada na quarta-feira a empresa informou que o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, formado por uma equipe multidisciplinar, passara a noite prestando apoio a familiares e colaboradores.

Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral da República (PGR) encaminhou ao Superior Tribunal Federal (STF) duas denúncias contra Kaefer. Segundo a procuradora-geral, Raquel Dodge, o parlamentar sonegou e omitiu informações durante o processo de recuperação judicial do frigorífico Diplomata: “Denunciado por fraude contra credores em frigorífico, deputado lidera lobby por perdão de dívidas“.

Com patrimônio divulgado de R$ 108 milhões, Kaefer é o deputado mais rico da Câmara. Um levantamento divulgado em junho de 2017 pela Repórter Brasil mostrou que ele era, na ocasião, o terceiro deputado federal com maior dívida com a Previdência, com R$ 24 milhões.

Em outubro, o De Olho nos Ruralistas mostrou que os deputados da “bancada do Refis” deviam R$ 135 milhões à União. E que seus líderes respondiam por crimes tributários no STF. Kaefer foi o personagem principal desse relato, ao lado do colega Newton Cardoso Jr (PMDB-MG): “Ruralistas da ‘bancada do Refis’ devem R$ 135 milhões à União; seus líderes respondem por crimes tributários no STF“.

A reportagem mostrou que Kaefer, autor da emenda do Refis, e Cardoso, relator da Comissão Mista, eram os que mais deviam à União, entre os parlamentares da Comissão Mista que analisou o Refis. A empresa Super Dip Distribuição e Varejo possuía uma dívida de R$ 21,7 milhões. A Diplomata Agro Avicola Ltda, de R$ 4,7 milhões.

O frigorífico Diplomata, que abriga a Dip Frangos, ficou falido por três anos, mas teve sua falência anulada no ano passado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Kaefer votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e pelo arquivamento das denúncias contra Michel Temer.

Igor Carvalho
No De Olhos nos Ruralistas
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Quem é Juan Grabois, consultor do papa Francisco cuja visita a Lula foi vetada

Francisco e Grabois
Nesta segunda, dia 11, Lula ganhou um rosário enviado pelo papa Francisco através do advogado argentino Juan Grabois. 

Grabois disse que sua visita à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, foi barrada por “razões políticas”. 

Em 2016, quando ele foi nomeado consultor do papa, o Vatican Insider fez um perfil dele.

Ele tem 33 anos e é discreto. O Papa o estima e estima seu trabalho com os excluídos. Foi o verdadeiro artífice dos dois encontros mundiais dos movimentos populares dos quais Francisco participou. E há poucos dias externou, na Argentina, o mal-estar do Pontífice com a imprevista doação do governo de Mauricio Macri à Fundação Scholas Occurrentes. Chama-se Juan Grabois e no último sábado foi nomeado por Bergoglio consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano.

A notícia foi dada pela Sala de Imprensa da Santa Sé com um breve comunicado no qual detalhou que, entre outras coisas, ele é “cofundador do Movimento dos Trabalhadores Excluídos e da Confederação da Economia Popular”. E precisou que “é professor de Teoria do Estado e de prática profissional, respectivamente, na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Católica Argentina”.

A nomeação não faz mais que certificar o apreço do líder católico pelo advogado, filho de um histórico dirigente peronista argentino Roberto “Pajarito” Grabois. Um jovem empreendedor, de trato direto e assíduo com o Papa em Roma. Seu objetivo? Organizar e estruturar os trabalhadores que se encontram à margem dos tradicionais sindicatos, alheios aos direitos trabalhistas básicos: empregados ambulantes, carrinheiros, trabalhadores por conta própria e camponeses.

Uma iniciativa que a imprensa chama de “CGT dos precários”, uma referência à Confederação Geral do Trabalho, a histórica sigla da representatividade sindical na Argentina, embora o próprio Grabois seja muito crítico ao gremialismo organizado que, na sua visão, deu as costas aos trabalhadores. Portanto, sua confederação já conta com mais de 80 mil filiados entre os quais se encontram vendedores, operários de fábricas recuperadas, motoqueiros, camponeses, entregadores de folhetos e beneficiários do Plano Argentina Trabalha.

Agora mora no sul da Argentina, em San Martín de los Andes, onde trabalha em uma escola de formação para militantes. Mas segundo ele mesmo contou em julho de 2014, sua relação com o Papa nasceu em 2005, durante uma missa presidida pelo então arcebispo de Buenos Aires na catedral em meio a um conflito envolvendo crianças que trabalham na coleta de lixo, os “papeleiros”, como são conhecidos no país sul-americano.

No governo da capital argentina destacam em Grabois sua capacidade de gestão e sua colaboração para evitar maior conflitividade com esse setor. Além disso, a imprensa atribui a ele a responsabilidade de ter conseguido que o Governo da cidade reconhecesse os carrinheiros durante a administração local do hoje presidente, Mauricio Macri.

No começo de 2007, o advogado ouviu várias homilias de Bergoglio sobre os pobres e os excluídos, e sentiu-se representado. Então decidiu convidá-lo para participar de um ato de 1º de maio. O arcebispo respondeu que não podia, mas o convidou para ir até seu escritório. Desse diálogo surgiu uma iniciativa concreta. Em 2008, o cardeal celebrou uma missa pública com carrinheiros e precários com o lema “Por uma pátria sem escravos nem excluídos”. A cerimônia repetiu-se ano após ano ininterruptamente até 2012.

O vínculo manteve-se entre Grabois e o novo Papa. Dessa maneira foi se gestando um encontro inédito, o primeiro Encontro Mundial de Movimentos Populares realizado em outubro de 2014 no Vaticano. Um evento que convocou representantes de dezenas de países e que terminou com um forte discurso do papa centrado em três palavras que já são um lema do pontificado: terra, teto e trabalho.

Um segundo encontro aconteceu em Santa Cruz de la Sierra em julho de 2015 durante a viagem apostólica de Francisco ao Equador, Bolívia e Paraguai. Em março passado, o advogado foi um dos oradores na assembleia plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina do Vaticano. Foi convidado por uma específica solicitude do Papa para um encontro que versou sobre o papel dos leigos na Igreja.

Dois dias atrás, Juan Grabois apareceu na imprensa argentina para comentar a surpresa do Papa diante da milionária doação feita pelo governo do presidente Macri à fundação pontifícia Scholas Occurrentes, uma rede de escolas para o encontro impulsionada pelo próprio líder católico.

“Quem pensa que por dar dinheiro, especialmente recursos públicos, a uma fundação, escola, ONG, cooperativa ou movimento popular pelo simples fato de estar direta ou indiretamente vinculado ao Papa está fazendo um ‘gesto a Francisco’ é realmente um imbecil, além de corrupto e prevaricador”, disse, seco, o advogado ao jornal Página/12.

E não teve dúvidas em apontar: “Se o Estado financia uma organização deve ser por sua capacidade de melhorar a realidade do povo da Nação. A Scholas faz uma tarefa enorme na Argentina e em todo o mundo e é por isso que merece o acompanhamento do Estado. Mas apresentá-la como um favor ao Papa é uma barbaridade e algo que de modo algum ele aceitaria nesses termos. Vê-se que não conhecem Francisco”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Apelidos na Lava Jato


O Correio Braziliense divulgou nesta segunda (11) que empresários presos na Lava Jato deixaram escapar uma lista de apelidos que eles atribuíram às estrelas da Lava Jato. Sergio Moro é Mazzaropi, os delegados Rosalvo Ferreira Franco, que chefiou o início da Lava-Jato no Paraná, e Márcio Adriano Anselmo, são Maguila e Freddy Mercury, respectivamente.

O ex-procurador-geral Rodrigo Janot é chamado de Cavalo Branco. O procurador de Curitiba Deltan Dallagnol é Bispo, e Marcelo Miller, envolvido na polêmica delação da JBS, é "Maçaranduba" - o "personagem do antigo programa humorístico Casseta & Planeta, que saía distribuindo sopapos para todos os lados."

No GGN
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Por que derrubaram a Dilma

Pedalada? Pasadena? É a política, estúpido!


DILMA FOI INOCENTADA:

Compra de Pasadena: inocentada pela investigação da TCU.

Obstrução da Lava Jato: inocentada pela investigação da PF.

Dinheiro no exterior: inocentada pela investigação da MPF.

Pedaladas: inocentada pela investigação da MPF.

Abuso de poder: inocentada pela investigação do TSE.

DE ONDE NASCEU O ÓDIO!!!

1) Dilma vetou reajuste de 40% no salário do poder judiciário (irritou os Membros da Justiça).

2) Dilma vetou a reforma trabalhista e a aprovação da lei da terceirização (irritou os Empresários e a Fiesp).

3) Dilma vetou o financiamento privado de campanha eleitoral (irritou os propineiros).

4) Dilma deu liberdade à Policia Federal e não interferiu nas investigações (irritou os corruptos deputados e Senadores).

5) Dilma recusou negociar com Cunha (irritou os 300 deputados que ele sustenta).

6) Dilma não aceitou entregar o petróleo brasileiro para os estrangeiros (irritou os EUA).

7) Dilma não aceitou privatizar o pouco que ainda resta do patrimônio público brasileiro (irritou os donos do poder econômico que têm apoio da direita neoliberal).

8 Dilma não aceitou perdoar a dívida de 2 bilhões dos planos de saúde com o governo (irritou os poderosos do setor de seguro de saúde privada).

9) Dilma não aceitou perdoar a dívida que os clubes de futebol têm com o governo (irritou a CBF).

10) Dilma não aceitou perdoar a dívida milionária que os canais de TV, em especial a Globo, têm com o governo (irritou os barões da mídia, em especial a família Marinho).

11) Dilma determinou que bancos públicos baixassem a Taxa de juros à baixo da Selic (Irritou o Capital Rentista e especulativo)

Entendeu onde nasceu e onde mora o ódio?..."

Walter Gadelha

No CAf
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Consultor do Vaticano é impedido de visitar Lula: “É um claro caso de perseguição política”. Vídeo

Juan Gabrois trouxe um rosário e uma mensagem do Papa Francisco ao ex-presidente, mas não pôde visitá-lo; argumento é que não se tratava de um encontro religioso


Juan Gabrois, consultor do Conselho de Justiça e Paz do Vaticano e coordenador do Encontro Mundial de Movimentos Sociais e Diálogo com o Papa Francisco, esteve na tarde desta segunda-feira (11), na sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, mas foi impedido de visitar Lula.



“Vim aqui com muita esperança, para trazer uma mensagem ao ex-presidente Lula e, lamentavelmente, de uma maneira inexplicável, fui informado por funcionários da superintendência da Polícia Federal que eu não poderia visitá-lo. Devo dizer que estou muito preocupado com essa situação, pois considero que estamos frente a um claro caso de perseguição política, onde há a deterioração da democracia nesse lindo país que é o Brasil”, declarou Gabrois.

Segundo o emissário do Vaticano, o que mais o surpreendeu foi o argumento usado para não permitir o encontro: “Falaram que não se tratava de um encontro religioso. Mas, de acordo com a doutrina católica, todos os batizados têm uma missão, o que invalida esse argumento. Trouxe um rosário enviado pelo Papa Francisco e sua palavra. Além disso, vim disposto a debater questões espirituais com o ex-presidente Lula. Esta inexplicável negativai é parte, também, de um processo de degradação institucional, que acontece não só no Brasil, mas em diversos países da América Latina”.

Gabrois disse que saía triste, “pois vim de muito longe para dialogar com uma pessoa querida por grande parte do povo latino-americano. Saio com esse sentimento de que algo mais está se passando, pois minha visita foi impedida por razões de natureza política. Já visitei presos em situações similares em vários países e nunca encontrei uma negativa dessa natureza. Saio triste, mas com esperança de que a justiça prevaleça”, completou.

Rosário envia pelo Papa Francisco a Lula

No Fórum
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“O de sempre”


Na última semana foram revelados e-mails entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Marcelo Odebrecht. Na correspondência, FHC era bem objetivo ao sintetizar o tema: “o de sempre”. O “de sempre” em questão era pedido de dinheiro. A revelação já saiu de pauta, não chegou a merecer análise por comentaristas em programas de TV e já morreu como nasceu: em arquivo morto nas prioridades das forças de investigação do país. E da imprensa.


Em abril de 2016, ainda não existia esta Agência Sportlight de Jornalismo Investigativa. Na ocasião, o autor desta reportagem abaixo apurou alguns negócios da família de FHC.


Revelou a inédita informação de que Paulo Henrique Cardoso tinha uma empresa offshore no Panamá, paraíso fiscal muito usado em operações de lavagem de dinheiro e ocultação de capital, entre outras coisas. Revelou ainda que a empresa tinha correspondente no Brasil, ambas ligadas ao ramo do petróleo, no qual nem se sabia que o filho do ex-presidente atuava. E que tal empresa tinha ligações com a Odebrecht também.


A reportagem revelou ainda que Paulo Henrique Cardoso era sócio em outros negócios de um argentino braço direito do presidente daquele país, Maurício Macri, e que este sócio havia se suicidado por escândalos de corrupção.


Publicada na Carta Capital de 5 de abril de 2016. O tema não foi tocado por nenhum outro órgão de imprensa.


Por trazer um monte de questões que seguem vivas e sem explicações, a Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo republica tal reportagem na íntegra, sem atualizações no texto e com os mesmos documentos e da mesma forma que foi publicada, exceção para a foto acima ser distinta da publicação original por questões de direito de imagem.

Reprodução da reportagem original de 5/4/2016:

FHC, seu filho e os negócios em família

Sócio de uma offshore no Panamá e ligado a suspeitos de corrupção, Paulo Henrique Cardoso prosperou à sombra do pai

Os negócios da família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vão muito além das contas no exterior do patriarca investigadas pela Polícia Federal. Incluem também transações do filho Paulo Henrique com a Odebrecht, as offshores no Panamá e no Reino Unido, além de uma sociedade com o ex-braço direito do presidente argentino Maurício Macri que se suicidou em meio a um escândalo de corrupção.

Paulo Henrique Cardoso manteve durante uma década negócios com a Braskem, uma sociedade entre a Odebrecht e a Petrobras, por meio da World Wide Partnership Importação e Exportação, empresa de comércio de produtos petroquímicos.

Embora PHC só conste como sócio da WWP a partir de 26 de outubro de 2004, dois anos depois do término do segundo mandato presidencial do pai, a WWP foi aberta em 31 de março de 1999, no auge do processo de abertura do setor no País que resultou na liderança da Odebrecht na indústria petroquímica.

A WWP assinou uma parceria com a Braskem para produzir resinas especiais de PVC no ano em que Paulo Henrique aparece oficialmente no quadro societário da companhia.

PHC tem também uma offshore no Panamá. Criada em 19 de novembro de 2011, a empresa tem os mesmos sócios e o mesmo nome da matriz paulista. Além disso, em sociedade com o pai abriu outra companhia, desta vez no Reino Unido, a Ibiuna LLP, datada de 30 de março de 2009. Ibiuna é uma referência à cidade no interior paulista onde fica a fazenda na qual o ex-presidente descansava durante o mandato.

FHC assinou em novembro de 1995 a emenda constitucional que acabou com o monopólio da Petrobras. No mesmo ano, a Odebrecht fundou a OPP Petroquímica. Em janeiro de 1998, FHC criou a Agência Nacional do Petróleo e entregou a presidência ao genro David Zylbersztajn. Um ano depois, nasce a WWP. No período, 27 empresas do ramo petroquímico foram privatizadas, com amplo financiamento do BNDES, o banco estatal de fomento.


Em 2002, a Odebrecht reuniu todas as empresas petroquímicas que havia adquirido sob o chapéu da Braskem. A Petrobras se tornaria sócia minoritária do empreendimento (a estatal anunciou a intenção de deixar o negócio neste ano). Em 2010, a Braskem deu início a um processo de internacionalização. No ano seguinte, a WWP abriu a offshore no Panamá.

Segundo documentos obtidos na Junta Comercial do Panamá, os sócios de PHC na offshore são Luiz Eduardo Ematne e Stephen Timothy Fitzpatrick. Ematne aparece como fundador da matriz brasileira em 31 de março de 1999. Em 24 de janeiro de 2001, o norte-americano Fitzpatrick ingressa na sociedade.

Ematne afirma não se lembrar de detalhes da WWP. Em uma conversa rápida por telefone, falou vagamente sobre a sociedade: “Não me lembro de quando ele (PHC) entra. Uns 8, 9, 10 anos. A empresa tem 12, 14 anos. Foi aberta há pouco tempo no Panamá, 2, 3 anos. É da área de tecnologia, distribuidora de resina. Existe empresa no Japão que comprou nossa tecnologia. Por isso abrimos empresa no Panamá. Constituída legalmente. Mas o Paulo já saiu na de lá também. O volume de vendas é nada”.

O empresário alegou estar em trânsito e sugeriu outra conversa mais tarde. Novamente procurado, mudou de ideia e foi taxativo: “Não vou mais falar. Não tenho obrigação de falar. Meu advogado me disse que não devo falar nada”.

O escritório panamenho Sucre, Arias e Reyes foi responsável pelo suporte na constituição da WWP no país. Na offshore, PHC aparece não só como sócio, mas tesoureiro. Consta seu endereço residencial em São Conrado, no Rio de Janeiro. O Sucre, Arias e Reyes é conhecido pela assistência na abertura de empresas de fachada para lavagem de dinheiro naquele paraíso fiscal.

Em 2005, em um dos mais rumorosos escândalos a envolver o Cartel de Cali, da Colômbia, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos apontou que as corporações usadas como lavanderia eram constituídas essencialmente por três bancas panamenhas, entre elas a Sucre, Arias e Reyes.

Em sua propaganda, o escritório ressalta a “agilidade para constituição das offshore que vão manejar contas bancárias, adquirir imóveis e proteger ativos”. Com os préstimos da Sucre, Arias e Reyes, a WWP teve seu registro assentado às 10h48 de 18 de novembro de 2011 e entrou no sistema de informática da repartição pública no dia seguinte.


No ano passado, a Polícia Federal identificou uma comunicação entre o Instituto FHC e a Braskem para acertar o pagamento de uma doação da petroquímica. De acordo com o e-mail que consta em laudo da PF, a secretária do Instituto FHC e um representante da Braskem combinaram a forma do desembolso. “Gostaria que você verificasse com a Braskem qual a melhor maneira para fazer a doação… Acho que a Braskem/Odebrecht já fez doações para a Fundação iFCH.”

A reportagem identificou a participação de PHC em nove empresas, três em sociedade com FHC. Uma delas é a offshore na Inglaterra, a Ibiuna LLP. No Brasil, pai e filho são sócios na Goytacazes Participações e na Córrego da Ponte, antiga parceria entre o ex-presidente e o ex-ministro Sérgio Motta.

Outras três são de “consultorias empresariais”: a Analiti(K), a Intrabase e a Corporate Idea, esta última criada juntamente com a irmã Luciana em 8 de agosto de 1997, quando o pai ainda estava no primeiro mandado.

Na Analiti(K), aberta em 23 de setembro de 2005, PHC teve como sócio um dos mais polêmicos personagens da recente história argentina, que cometeu suicídio em meio a uma série de denúncias de corrupção.

Apesar de estrangeiro, Gregorio Centurión tinha um CPF brasileiro. Amigo desde os bancos escolares de Mauricio Macri, comandou e foi o marqueteiro do atual presidente desde o mandato de deputado federal.

Centurión cuidou da comunicação de Macri na campanha à prefeitura de Buenos Aires e virou secretário de Comunicação Social da capital. Era o coração do chamado núcleo duro do “macrismo”. Antes disso, desempenhou funções vitais nas empresas da família.

No poder, Centurión dispensou as licitações para contratar empresas prestadoras de serviço entre os anos de 2009 e 2010. Ancorado na Lei nº 2.095 de Buenos Aires, contratava diretamente os fornecedores. Privilegiou grupos de comunicação ao pagar mais pelos anúncios para quem tinha dez vezes menos audiência.

Aplicou em ritmo frenético a estratégia de privilegiar empresas amigas enquanto a verba destinada à secretaria multiplicava-se a cada ano. O esquema funcionou até a deputada Rocio Sánchez Andía apresentar uma denúncia contra ele e outros dois secretários.

Em 25 de novembro de 2010, enquanto Macri estava em lua de mel por conta de um terceiro casamento, o juiz Gustavo Pierreti autorizou uma operação policial nas dependências da prefeitura. Os domínios de Centurión foram os principais alvos e dezenas de documentos acabaram apreendidos.

Delitos do sócio argentino de Paulo Henrique Cardoso: administração infiel em prejuízo da gestão pública, malversação de verbas, negociações incompatíveis e descumprimento dos deveres do funcionário público

Os delitos de administração infiel em prejuízo da gestão pública, malversação de verbas, negociações incompatíveis e descumprimento dos deveres do funcionário público ganharam musculatura com as apreensões e o sócio de PHC entrou em depressão. Antes disso, Centurión estivera envolvido em escândalo de escutas ilegais.

Na noite de 19 de dezembro, o principal auxiliar de Macri disparou um tiro de escopeta contra a própria cabeça. Em 9 de junho de 2011, segundo o Diário Oficial do Estado de São Paulode 26 do mesmo mês, os sócios da consultoria Analiti(K) se reuniram, em mesa presidida por PHC, para promover a “dissolução parcial da Sociedade e consequente redução do capital social, tendo em vista o falecimento do sócio Gregorio Centurión, ocorrido em 19 de dezembro de 2010”.

Em 2009, no auge dos negócios do parceiro Centurión com as rádios portenhas, PHC abriu a Rádio Holding Participações, uma “holding de instituições não financeiras”. Entre os sócios aparecem a americana ABC Ventura Corp, além de Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena, representante no quadro societário de diversas empresas no País.

Em geral, afirmam especialistas, representantes como Locateli e Lucena servem para resguardar a identidade de quem não deseja aparecer diretamente em uma sociedade, normalmente estrangeiros.

Entre as sociedades representadas por Locateli está a Sport World Group, sócia da Traffic Sports World, que tem entre seus sócios o empresário J. Hawilla, em prisão domiciliar nos Estados Unidos por participação no escândalo da Fifa.

A Rádio Holdings chegou a ser mencionada no Congresso Nacional em 2011, por controlar a Itapema, então retransmissora da Rádio Disney, acusada de ser a verdadeira proprietária do canal, algo vedado pela lei, que só permite a participação de estrangeiros no capital de meios de comunicação até o limite de 30%.

Em fevereiro de 2012, FHC criou a Goytacazes Participações, com finalidade de “outras sociedades de participações”, em parceria com a filha Luciana. PHC ingressou no quadro societário em janeiro do ano seguinte.

Outro lado:

A reportagem ouviu o Instituto FHC sobre as relações da WWP com a Braskem. “São empresas privadas legalmente constituídas e declaradas. Paulo Henrique não faz mais parte da WWP.” A reportagem informou para a assessoria do iFHC que, pelas bases de dados consultadas, tanto da Receita Federal quanto na Junta Comercial de São Paulo, a saída de PHC não constava até a presente data. O mesmo vale para o equivalente à Junta Comercial do Panamá.

Sobre a parceria com a empresa de Paulo Henrique Cardoso, a Braskem, por meio da assessoria de imprensa, enviou a seguinte nota para a consulta da reportagem: “A Braskem assinou acordo com a WWP em 2004, detentora exclusiva de tecnologia para a fabricação de resinas especiais de PVC. Por meio desse acordo, a Braskem produziu e distribuiu essas resinas voltadas para a aplicação de especialidades vinílicas até 2013, quando as relações comerciais foram encerradas. Como empresa privada, a Braskem seleciona suas tecnologias com foco em sua estratégia empresarial. Atualmente, a empresa possui pelo menos três dezenas de acordos assinados para uso de tecnologia de terceiros. O contrato assinado com a WWP representou menos de 0,01% do faturamento da companhia”.

Apenas para efeito de estimativa aproximada, tomando o ano de 2014, último a constar no site da Braskem com resultados financeiros ali publicados, a receita bruta no ano foi de 54,1 bilhões de reais e a receita líquida de 47,3 bilhões de reais.

Outras questões foram enviadas para PHC. Como a razão por só constar na WWP em 2004, após o governo do pai. E se confirmava a existência e participação da WWP no Panamá. Em caso de comprovação, a razão da empresa e se estava registrada na Receita Federal.

Através do iFHC, Paulo Henrique Cardoso limitou-se a dizer que “não faz parte mais da WWP e que a Ibiuna já foi encerrada. São negócios privados, todos devidamente declarados à Receita Federal”, ignorando o questionamento sobre a offshore do Panamá.

A reportagem perguntou também sobre Gregorio Centurión, se PHC conhecia as denúncias de corrupção do sócio. PHC ignorou as indagações sobre corrupção do ex-sócio. “Trata-se de empresa privada, com atuação regular e com todas as informações registradas na Junta Comercial de São Paulo.”


Indagado pela reportagem sobre a existência da Ibiuna, empresa no exterior em sociedade com o filho PHC, o ex-presidente FHC afirmou, através da assessoria de imprensa do Instituto FHC que “a empresa citada foi efetivamente aberta em Londres, para recebimento de proventos de palestras. Sempre foi devidamente declarada no Imposto de Renda. Foi encerrada em 2013. O saldo equivalente a 5,5 mil reais foi repatriado ao Brasil via Banco Central.”

Diante da resposta sobre o motivo da abertura da empresa, a reportagem pediu se era possível saber a data, contratantes e valores das palestras entre 2009 e 2013. A assessoria respondeu que “O iFHC é uma Fundação: está submetido à Curadoria de Fundações do Ministério Público de São Paulo, que audita as suas contas. A praxe sobre as palestras que o presidente faz, privadamente, é a de que quem as contrata divulga ou não os dados”.

A reportagem perguntou para PHC a razão para constar da sociedade com o pai na Ibiuna LLP, inscrita na Inglaterra, já que a empresa foi aberta para “recebimento de proventos de palestras” de FHC, sem resposta.

A Receita Federal não responde sobre casos específicos de registros de empresa. De acordo com a Receita Federal, “todas as pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inclusive as equiparadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, estão obrigadas a inscrever no CNPJ cada um de seus estabelecimentos localizados no Brasil ou no exterior, antes do início de suas atividades”.

Segundo o órgão, “em relação à Pessoa Jurídica que possui filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior, a informação sobre as participações e os resultados apurados por essas participações no exterior são informados à Receita Federal por meio da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A sanção pelo não cumprimento da obrigação relacionada à DIPJ é prevista legalmente”.

Arte originalmente publicada na revista Carta Capital em 5 de abril de 2016:


Lúcio de Castro
No SportLight
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Fundação FHC fica no mesmo prédio – e não por acaso – que a Sociedade Rural Brasileira


Não foi pela vista para o Anhangabaú, ao lado do Teatro Municipal, que Fernando Henrique Cardoso escolheu o lugar para a sede da fundação que leva seu nome. Essa função coube ao amigo pecuarista Jovelino Carvalho Mineiro Filho, que já foi sócio de seus filhos em fazenda, uma das figuras mais influentes na Sociedade Rural Brasileira. A organização, um dos templos do agronegócio no Brasil, fica no 19º andar do prédio na Rua Formosa, ao lado da Praça Ramos de Azevedo; a Fundação FHC, no 6º andar.

Foi lá no 19º andar que Fernando Henrique Cardoso lançou o Plano Real, em 1994. Mineiro já era seu amigo, desde os anos 70. “Foi ele que descobriu esse local aqui”, contou FHC em entrevista – oferecida no 6º andar – à Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2007. “Porque aqui em cima tem a Sociedade Rural Brasileira. Então, ele que descobriu esse local aqui. E é pessoa de confiança e que sabe… ajudou, no início, a levantar recursos”.

Filho de Jovelino, Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro é um dos diretores da Rural. Fundador da Rural Jovem, em 2009, e do movimento Endireita Brasil, em 2006, ele frequentava quando criança o Palácio da Alvorada. Em 1999, em reportagem sobre venda de touros por Fernando Henrique em Rancharia (SP), a revista Veja contou que a relação entre FHC e a família de Jovelino era tão próxima que nos aniversários do presidente era Bento Mineiro, na época com 11 anos, quem apagava as velinhas do bolo.

Hoje, treze andares acima de Fernando Henrique no edifício CBI-Esplanada, Bento Mineiro é um dos quatro diretores-secretários da Sociedade Rural, abaixo do presidente, Marcelo Weyland Barbosa Vieira, e dos três vice-presidentes. Entre os 28 conselheiros, sete têm mandatos até 2023. Um deles é Jovelino Mineiro, conhecido por FHC como Nê. Saiba mais sobre a importância do pecuarista na relação de FHC com a agropecuária neste texto da série: “FHC, o Fazendeiro – De Buritis (MG) a Botucatu (SP), saiba por que Jovelino Mineiro é o braço agrário da família Cardoso”.

PODER MIGRA DE PAIS PARA FILHOS

Os pais Jovelino Mineiro e Jonas Barcellos fazem parte do Conselhos Deliberativo; Pedro Augusto Novis, do Fiscal. Foi ele, delator da Lava-Jato, quem acusou o senador José Serra, do PSDB-SP, de ter recebido 
R$ 52,4 milhões entre 2002 e 2012. Jonas Barcellos, dono da Brasif, é outro personagem desta série: “FHC, o Fazendeiro – Jonas Barcellos, o pecuarista que Mirian Dutra diz ter pago sua mesada em Paris”. Não tão amigo de FHC como Jovelino, mas citado no caso do apartamento de Mirian Dutra em Paris: “FHC, o Fazendeiro – No famoso apartamento de Paris, o DNA da família Abreu Sodré”.Do outro lado do Viaduto do Chá, na Rua Riachuelo, fica no primeiro andar a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, a ACNB. Ela tem entre os 11 sócios Bento Mineiro e pelo menos outros dois filhos de grandes pecuaristas: Renato Diniz Barcellos Correa, filho de Jonas Barcellos Corrêa Filho, e Pedro Gustavo de Britto Novis, filho de Pedro Augusto Ribeiro Novis – ex-presidente da Odebrecht e um dos delatores premiados da Operação Lava-Jato.
A mesma Associação dos Criadores de Nelore do Brasil foi presidida, no biênio 2012-2014, por Pedro Gustavo Novis, o filho do delator. O primeiro vice-presidente era Maurício Bahia Odebrecht, irmão de Marcelo Odebrecht (hoje em prisão domiciliar), filho de Emílio Odebrecht.  É Maurício quem cuida das criações de gado da família.

PRESIDENTE DA RURAL TRABALHA PARA SOROS

O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira, trabalha para uma organização estadunidense, a Adecoagro. Ele representa, portanto, o império agropecuário do megainvestidor George Soros – que, por sua vez, já injetou dinheiro na Fundação FHC. Cafeicultor, Vieira dirige as atividades de açúcar e álcool da Adecoagro no Brasil, onde Soros tem pelo menos 200 mil hectares.

Marcelo Vieira tinha como principal ativo a Usina Monte Alegre, em Monte Belo (MG), hoje controlada pela empresa Adecoagro Vale do Ivinhema. O grupo do investidor húngaro-americano tem duas usinas no Mato Grosso do Sul e avança para o Matopiba, a fronteira do agronegócio nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O Instituto FHC (antecessor da Fundação FHC) já recebeu uma contribuição de R$ 350 mil da Open Society Foundation, de Soros. Em 2009, o instituto e a Open Society financiaram a publicação “Drugs and Democracy”. FHC é um dos líderes da Comissão Latino-americana Sobre Drogas e Democracia, apoiada pelo bilionário – 20º homem mais rico dos Estados Unidos.

Em 2015, Fernando Henrique foi a presença mais ilustre em um jantar para Soros na Avenida Vieira Souto, no Rio, onde o empresário falou sobre cultura da filantropia. Entre os presentes estavam o parceiro Celso Lafer e empresários como David Feffer, da Suzano, Olavo Monteiro de Carvalho (que também cria gado Nelore) e Guilherme Leal, da Natura. O evento foi organizado pela Open Society e pela Fundação FHC.O relatório de 2010 do iFHC mostra que a fundação de Soros foi uma das três financiadoras do projeto Plataforma Democrática, que lançou oito livros sobre Estado e democracia na América Latina. O investidor – que tem alternado compra e venda de ações da Petrobras – montou, com a Adecoagro, uma das maiores empresas agropecuárias da América Latina, com forte atuação na Argentina e no Paraguai.

ORGANIZAÇÃO FOI 1ª A DEFENDER IMPEACHMENT

O antecessor de Vieira na presidência da Sociedade Rural Brasileira era Gustavo Diniz Junqueira, sócio do Moinho Paulista, das farinhas Nita. Ele se gaba de ter sido a Rural a primeira organização a defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016. Dois anos antes, sua posse foi prestigiada pelo governador Geraldo Alckmin – agora candidato tucano à Presidência da República – e por Fernando Henrique Cardoso.

O compadre de FHC, Jovelino Mineiro, é um dos membros do Conselho Superior do Agronegócio, o Cosag, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao lado do presidente da Sociedade Rural, Marcelo Vieira, e de outros conselheiros da organização, como Cesário Ramalho da Silva e o vice-presidente Pedro de Camargo Neto.

A Fiesp foi uma das protagonistas do impeachment de Dilma Rousseff, consagrando a imagem do pato com olhos cegos. Em 2009, seu presidente Paulo Skaf – candidato ao governo paulista pelo MDB – foi um dos empresários presentes em jantar promovido por Fernando Henrique Cardoso. O objetivo, traçar os planos da Fundação FHC para 2010. Jovelino Mineiro também estava presente.

FUNDADOR DO ‘ENDIREITA’ É INVESTIGADO

O filho Bento Mineiro fazia parte da Rural Jovem quando esteve entre os fundadores do Movimento Endireita Brasil, em 2006. Outro integrante desse movimento – cujos membros fizeram treinamento no Leadership Institute, nos EUA – foi Ricardo Salles, um político do PP que comandou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente durante o governo Alckmin. Assim como Jovelino Mineiro, ele é membro do Conselho Superior do Agronegócio, da Fiesp.

Outro diretor da Sociedade Rural Brasileira (e fundador da Rural Jovem), João Francisco Adrien Fernandes, fazia parte do Endireita Brasil. Colega de Bento Mineiro na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), onde cursaram Ciências Sociais, ele também é simpatizante do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua, que participaram diretamente das mobilizações de rua contra o governo petista.Salles é um político que chama a Comissão da Verdade – que investigou os crimes da ditadura – de Comissão da Vingança. Ele foi secretário particular de Alckmin em 2013. Assumiu a pasta do Meio Ambiente em julho de 2016. Mas só durou um ano. Em agosto, ele pediu demissão. Motivo: tornou-se réu por improbidade administrativa, acusado de corrupção. O Ministério Público solicitou seu afastamento do cargo e uma indenização de R$ 50 milhões.

Bento Mineiro também é amigo de Frederico D’Ávila, um dos tesoureiros da Rural, possível candidato do PP ao Senado. D’Ávila foi consultor do governador – agora presidenciável – Geraldo Alckmin (PSDB) para o agronegócio, mas trocou de lado: virou um entusiasta da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a quem ele agora assessora no setor agropecuário. Ele é irmão do tucano Luiz Felipe D’Ávila, um dos 12 integrantes não-vitalícios da Fundação FHC.

RURAL FUNDOU A FRENTE PARLAMENTAR DA AGROPECUÁRIA

A Sociedade Rural Brasileira mobilizou-se durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1988, para defender a propriedade privada e a função econômica da terra. A Frente Ampla Ruralista foi o embrião da atual Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), naquela década que consagrou a expressão do termo “ruralista”, quando a principal expressão política do setor era o atual senador Ronaldo Caiado (PSD-TO), da União Democrática Ruralista (UDR).

O ex-presidente assina um texto desse livro em capítulo chamado “Colheita”, com depoimentos de personalidades sobre a instituição. O senador José Serra (PSDB-SP) também deu sua contribuição. O lançamento do Plano Real na sede da Rural ocorreu durante a presidência de Roberto Rodrigues – que viria a ser ministro da Agricultura durante o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.A informação sobre o papel da Sociedade Rural na formação da frente parlamentar consta de livro sobre os 90 anos da associação, publicado em 2010 pela Imprensa Oficial. O lançamento foi na Casa das Rosas, administrada por uma Organização Social (OS) dirigida por Clóvis Carvalho, mais um dos 12 membros não-vitalícios da Fundação FHC e ministro durante os governos Fernando Henrique Cardoso.

Alceu Luís Castilho
No DCM
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Fernando Morais, biógrafo de Lula, discute com Moro durante depoimento - assista




O escritor Fernando Morais e o juiz Sergio Moro, conforme informações da coluna Radar, da Veja, trocaram farpas na manhã desta segunda (11).

Morais, que escreve uma biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, depôs como testemunha do ex-presidente na ação penal que investiga o sítio de Atibaia.

Na ocasião, o escritor disse que o acompanha desde 2010. Afirmou ainda, de acordo com a coluna, que, nesses oito anos, Lula sempre esteve disponível a todos os seus questionamentos.

Quando Fernando Morais contou ter ouvido de Bono Vox, cantor do U2, que Lula é uma espécie de Nelson Mandela, pois tem o poder de unir todas as raças, Moro o repreendeu.

“Aqui não é lugar para propaganda”, disse o juiz, pedindo para que o diálogo não entrasse para os autos do processo.

A interrupção foi questionada pelo advogado de Lula, Cristiano Zanin:

“Mas é importante, porque faz parte da história do Lula”.

Indignado, Fernando Morais rebateu:

“Não faço propaganda, faço jornalismo dos meus biografados”.

A biografia

A biografia de Lula foi anunciada por Morais em 2011, logo após o fim do segundo mandato do político como presidente. A ideia inicial do escritor era contar a trajetória do petista até a chegada à presidência. Em 2015, no aniversário de 70 anos de Lula, o autor chegou a falar, em um vídeo em que parabenizava o amigo, que “o livro está prontinho, só falta escrever”.

Fernando Morais é amigo pessoal de Lula e é o autor de “A Ilha”, livro-reportagem sobre Cuba lançado em 1976, além das biografias “Olga”, de Olga Benário, “Chatô – O Rei do Brasil”, de Assis Chateaubriand, e “O Mago”, de Paulo Coelho.

No Fórum
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Depoimento de FHC como testemunha de Lula - assista




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O projeto político da 'Bancada da Bíblia'

A Bíblia narra Jesus Cristo como uma liderança que nasceu e viveu na periferia, pregou o amor incondicional e o perdão, denunciou a concentração de renda, valorizou os pobres, andou com os marginalizados, frequentou festas e desafiou poderes, inclusive dos falsos profetas. Por isso foi preso, torturado e assassinado pelo estado que deveria protegê-lo mas que preferiu lavar suas mãos. Se vivesse nos dias de hoje, Jesus Cristo muito provavelmente seria tachado de petralha, comunista e bolivariano. E se fosse um político, na certa não poderia contar com os votos dos deputados da chamada bancada evangélica do Congresso Nacional.

No Brasil pré-impeachment, eles consolidaram o avanço no legislativo depois de anos ganhando espaço na política em nome de Deus, da família e da moral. E sacramentaram o poder com a eleição do deputado federal evangélico Eduardo Cunha (MDB-RJ) para a presidência da Câmara.

A partir de então, esses políticos eleitos pelo voto de fieis, seguidores de doutrinas evangélicas, se aliaram à direita em defesa de projetos nada coerentes com o amor divino. Em nome de Deus, votaram pelo impeachment da presidenta eleita mesmo sem crime de responsabilidade e reforçaram apoio a propostas que vão do aumento da pena a mulheres que praticam aborto até a redução da maioridade penal, só para ficar nesses exemplos. Uma perseguição aos pobres, pretos e periféricos de comunidades esquecidas pelo poder público onde se multiplicam as igrejas evangélicas, especialmente as neo-pentecostais.

Descompasso

A reflexão sobre o descompasso entre os ensinamentos de Cristo e as pautas reacionárias defendidas pela bancada evangélica é uma entre tantas suscitadas pelo livro Em nome de Quem? (Grupo Editorial Record), de autoria da jornalista Andrea Dip.

"A direita se aproxima dos evangélicos enxergando seu potencial, já que a religião cresce de forma acelerada enquanto os evangélicos se aproximam da direita principalmente por conta das pautas morais", afirma Andrea, que entrevistou pastores, parlamentares, políticos e especialistas no assunto para uma grande reportagem – Os pastores do Congresso – publicada em 2015 pela Agência Pública. E que teve de atualizar dados e entrevistar muitos outros nomes para o livro que será lançado nesta segunda-feira (11), em São Paulo.

Antes da sessão de autógrafos haverá um bate-papo com psicanalista e militante do MST Marco Fernandes, autor de pesquisa sobre igrejas pentecostais e neo-pentecostais, e com o professor da USP Ricardo Mariano, que há anos estuda a temática.

Segundo a autora, o projeto de poder dos políticos evangélicos em um país laico pode parecer adormecido, assim como eles podem parecer aquietados, em um momento de crise política, econômica e social. No entanto, não quer dizer que tenham sido abandonados. "Muito provavelmente se aquietaram de maneira estratégica. Afinal, todos eles têm sua imagem marcada pelo apoio dado a Michel Temer, mais impopular dos presidentes, e estamos em ano eleitoral".

Cida de Oliveira
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E não amarelou

A apropriação política da camisa da seleção reflete os ânimos dos brasileiros às vésperas da copa na Rússia


Fanático por futebol, o cantor e compositor Lucas Santtana, de 47 anos, vai torcer pelo time do Brasil usando uma camiseta vermelha com a inscrição SBF, de Seleção Brasileira de Futebol, na parte da frente. Atrás, o número 16 e a inscrição “Foi golpe”. O número se refere a 2016, o ano do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O artista baiano providenciou um uniforme igual para seu filho Josué, de 15 anos. “Não uso uma camisa da CBF de maneira alguma. Pode-se torcer com uma camisa rosa ou qualquer outra. Não é a camisa que é a dona da paixão pelo futebol.” Torcedor do Bahia e do Flamengo, Santtana não descarta utilizar em alguns jogos um uniforme comemorativo do time baiano, em verde e amarelo, para apoiar a Seleção.

Assim como Santtana, muita gente descontente com o governo Michel Temer se recusa a vestir a camisa amarela associada aos que foram às ruas se manifestar contra a corrupção no governo petista e a favor da saída da então presidente da República. “Está chegando a Copa, e não vejo ninguém com a camisa do Brasil. Porque essa camisa virou sinônimo de filho da p..., de golpista”, protestou o músico João Gordo na Virada Cultural, evento realizado em São Paulo no mês passado.

Depois do impeachment, o escritor Marcelo Rubens Paiva jogou fora as duas camisas que tinha da Seleção, uma amarela e a outra azul. Ainda não decidiu, mas é provável que torça com a camisa do Corinthians. “Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas”, afirmou. O perfil dos atuais jogadores não contribui para que mude de posição. “São despolitizados. Não estão nem aí com a situação do país. Gostam de andar de helicóptero. Esta é a Seleção Ostentação.”

O uso do uniforme da Seleção pelos “coxinhas”, alcunha utilizada pela esquerda, não é o único motivo das resistências à camisa. As acusações de recebimento de propina contra Ricardo Teixeira, a prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin nos Estados Unidos e o banimento de Marco Polo Del Nero do futebol, ordenado pela Fifa, (e a sonegação da Rede Globo), reforçam o repúdio ao escudo da entidade máxima do futebol brasileiro.

“Vou assistir com um helicóptero de cocaína na camiseta para homenagear o diretor da CBF”, disse Gregório Duvivier ao ser indagado sobre qual traje usará na Copa. O ator e humorista se refere a Gustavo Perrella, nomeado em janeiro diretor de Desenvolvimento e Projetos da CBF. Ex-deputado federal e filho do senador Zeze Perrella (MDB-MG), ele ganhou as manchetes há cinco anos, quando a Polícia Federal apreendeu um helicóptero de sua empresa com quase meia tonelada de cocaína. O inquérito da PF afastou qualquer responsabilidade de Perrella no caso.

Nem todos na esquerda manifestam aversão à camisa da Seleção. Preso desde 7 de abril no prédio da Polícia Federal em Curitiba, Paraná, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva torcerá com a amarelinha, pelo menos segundo o deputado Wadih Damous (PT-RJ), que o visitou no último dia 30. “Acabo de visitar o presidente Lula. Já estava de camisa amarela para torcer pelo Brasil”, afirmou em seu Twitter.

No Época
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A burrice da esterilização é coisa de cérebro infértil de monstros


A Folha, cada vez mais apavorada com o monstro que ajudou a criar, recorda em matéria publicada hoje que “o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) apresentou projetos e defendeu em discursos nas últimas décadas a esterilização dos pobres como meio de combater a criminalidade e a miséria”.

Ele e toda a matilha que acha que os pobres é que são o problema do Brasil e que, como problema, devem ser eliminados, até a poder de monstruosidades como a da esterilização induzida (ou mesmo forçada, como fez um juiz de Mococa, interior de São Paulo).

Além de desumanos, imbecis.

Repetem asneiras como a de que o Bolsa Família “estaria estimulando as famílias carentes a terem mais filhos”.

Os números do IBGE mostram o contrário: não apenas a taxa de natalidade está caindo como, nos 8 anos do Bolsa Família do governo Lula caiu muito mais rapidamente que sem ele, no período FHC.

Baixou de 22,23 por mil para 20,33 entre 1994 e 2002 e, no governo Lula, de 2003 a 2010, baixou para 15,12.

Caiu e, nem por isso, a criminalidade diminuiu, como não diminui com as execuções em massa de jovens pobres, cada vez mais comum.

O que não impede que as páginas de noticiário policial estejam coalhadas de boçais dizendo que o crime é resultado de “filhos demais”.

O ódio, porém, é a negação da razão e a afirmação da maldade.

Para os pobres, naturalmente, porque o próprio Bolsonaro tem cinco filhos, uma “taxa de natalidade”quase o triplo da que têm, hoje, os brasileiros.

Herodes no filho dos outros é refresco.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro defendeu esterilização de população mais pobre para combate à miséria e violência

Bolsonaro fez um discurso contra os programas sociais como Bolsa Família, definido por ele como "nefasto"


Uma série de discursos do pré-candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ) evidenciam seu pensamento sobre a forma de combater a desigualdade social no pais. Segundo o parmentar flumoinense, a esterilização de pobres e miseráveis é um recurso necessário para o combate à violência, sua principal bandeira na vida pública.

Reportagem publicada pela Folha de São Paulo nesta segunda-feira reúne as relfexões de Bolsonaro sobre o tema nos últimos 25 anos. Os discursos repetem um padrão de pensamento, evidenciando que é uma opinião convicta do pré-candidato.

Em 2013, Bolsonaro fez um discurso contra os programas sociais como Bolsa Família, definido por ele como “nefasto”.

“Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”, declarou no plenário da Câmara.

Quase 21 anos antes, em 19992, o deputado já fazia referência ao uso do “rígido controle de natalidade” como forma de combater a miséria e a violência. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação.”

No ano seguinte, voltou ao assunto de uma maneira que explicitou ainda mais o seu pensamento sobre o caso com a frase “Quem não deve gter filhos, não deve tê-los”. Bolsonaro juntou no mesmo discurso sobre pobreza e miséria a defesa da pena de morte.

“Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro”.

Contrariando todos os estudos na área mundo afora, Bolsonaro disse que não seria a Educação o caminho para a redução da desigualdade no Brasil

“Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”, disparou Bolsonaro em julho de 2008“. “Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”, declarou em novembro de 2013.

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As eleições e a trágica normalidade


O Brasil é um país inabilitado à grandeza e os seus líderes, com raríssimas exceções, são inabilitados à conquista da glória - aquela condição de uma fervorosa admiração pelas gerações do presente e do futuro. Como regra geral, os nossos líderes querem apenas viver a fama nas benesses do presente, e não pensam em alcançar a glória imorredoura dos tempos vindouros. Em sendo assim, o Brasil vai se configurando cada vez mais como um país com uma história irrelevante para os destinos do mundo e da humanidade e sem um futuro promissor, por não ser capaz de se dar um destino brotado da ação interna e vulcânica de seu próprio povo.

O conceito de tragédia tem vários sentidos, mas os dois que se colocam em posições polares são aqueles definidos por Hegel - sentido positivo, superador - e aquele conferido por Shopenhauer - com sentido negativo, que aprisiona numa condição inescapável e terrível. A tragédia brasileira é do tipo shopenaureano: vivemos uma vida com aspectos terrificantes, o povo está mergulhado na aflição e na dor inominável, ao cabo de todos os processos termina triunfando sempre a perfídia, há um "escarnecedor domínio do acaso" e da Fortuna e a "fatal ruína dos justos e dos inocentes".

Faça-se o que se fizer no Brasil, conceda-se migalhas aqui, algumas políticas sociais ali, um avanço acolá, a história sempre retorna ao círculo completo e fechado, uma espécie de eterno retorno às condições da vida cruel do povo, sem direitos, sem saúde e com a vida embrutecida e sem esperanças. Afinal de contas, a nossa tragédia, não pode deixar de ter um quê hegeliano: o manto oficial e legal que recobre as agruras do povo traz as cores de uma comédia substancial. A alegria das nossas canções escondem uma melancólica infelicidade das nossas almas.

O Brasil da superfície, o Brasil oficial, o Brasil institucional é pura comédia e escárnio. Tem-se os três poderes arruinados, mas seus representantes se apresentam com a empáfia arrogante de cortes principescas falidas e de cortesãos degenerados. Tem-se um presidente que ninguém sustenta, mas que não cai e ninguém quer tirá-lo do poder, nem mesmo os opositores que ele vitimou com um golpe. Temer é um cadáver político, um cancro morto que continua a arruinar os vivos, o povo e o Brasil. Durante a greve dos caminhoneiros, que mergulhou o país no caos, com uma ou outra exceção, ninguém exigiu a renúncia de Temer e sua quadrilha. Boa parte da esquerda ficou oscilando entre o medo do golpe militar e o oportunismo eleitoral. Nos seus cálculos, não importaram nem o sofrimento do povo e nem o desmanche do Brasil. E como Temer não tem nenhuma honradez, não renunciou.

Enquanto o Brasil, o Brasil do povo pobre, se afunda na desesperança e no sofrimento, o Brasil oficial corre todo para as eleições. Eleições que não empolgam e nem empolgarão, seja porque o líder das pesquisas está encarcerado injustamente ou seja porque o povo se sente acorrentado na sua trágica fatalidade de uma vida que não muda e que não tem futuro. Com uma grande ausência, a do único líder autenticamente popular - Lula - e sem outros líderes que empolguem, as eleições vão se arrastando a para o seu fatídico dia, provocando em milhões de eleitores o fastio pela obrigação de votar.

E convenhamos, o PT, que é um partido amado por muitos, que é odiado por outros, que tem uma bela história, que fez muito no governo, dadas as circunstâncias históricas do país, mesmo que esse muito seja pouco para as vicissitudes seculares do povo, o PT, repita-se, tem uma direção estranha. Quer que Lula participe legalmente das eleições e é correto e legítimo que o queira. Mas a direção não convoca nenhuma mobilização nacional para tentar garantir legalmente a candidatura de Lula e para tirá-lo da cadeia. É como se acreditasse que as peregrinações lacrimosas ao Campo dos Santos de Curitiba e as proclamações grandiloquentes dos dirigentes fossem suficientes para garantir a candidatura de líder e para libertá-lo. Convenhamos, é uma tática muito estranha. Ou haverá algum mistério, insondável aos mortais, guardado nos bastidores do grande teatro dos senhores da história?

Já, as carpideiras do mercado, desmoralizadas em suas previsões, angustiadas com a queda na Bolsa, trêmulas com a alta do dólar, desalentadas com o murchamento do PIB, vivem dias de tormento pela estagnação de Alckmin e pela dispersão da centro-direita. Aparentemente, o seus desespero é prematuro, pois as eleições sequer estão postas no horizonte da maioria esmagadora dos brasileiros.

O candidato do mercado é Alckmin e não Dória, pois o mercado considera Dória um aventureiro. Mas, como o mercado vive da excitação egoísta do momento, oscila entre o desespero e uma opção por Bolsonaro. Não há que se ter dúvidas quanto a isto: entre Bolsonaro e um candidato de centro-esquerda ou de esquerda, qualquer que seja, o mercado, os juízes, os procuradores, os policiais federais e as cúpulas policiais de outras polícias preferem Bolsonaro. Bolsonaro é a margem direita do golpe e, caso se inviabilize alguém do centro do golpe, os votos se deslocarão para o seu extremo. O rancor que esses setores nutrem contra o povo e contra as esquerdas é imenso. Para os golpistas, para os paneleiros, para os verde-amarelos, seria a vergonha das vergonhas se um candidato de esquerda vencesse as eleições.

As eleições tendem a se deslocar passiva, morna e pacificamente para seu desfecho. Como no Brasil não há almas vulcânicas, não serão vistos rios de fogo e lava na campanha eleitoral. Não se viram esses rios nem durante o caos da greve dos caminhoneiros. A chance de vê-los durante um processo eleitoral que gera fastio é infinitamente menor. No Brasil se aceita tudo: golpes, violência, pobreza, desigualdade, desemprego, falta de direitos...

A trágica normalidade, a tragédia naturalizada, o aprisionamento do povo brasileiro no seu destino imutável, são os ingredientes que conduzirão as eleições ao seu leito ordinário. Aconteça o que acontecer, tudo será normal. Com um esparadrapo aqui, outro ali, o governo tentará reduzir a sangria da economia. Temer será mantido pela insustentável leveza da sua insignificância e pela inapetência virtuosa das oposições. O novo presidente assumirá normalmente e o Brasil continuará na sua dolorosa e medíocre caminhada, com crises intermitentes, com injustiça entranhada no seu modo de ser e com seu destino maléfico.

A pulverização de candidatos na centro-direita, no fundamental, continuará. O seu polo atrativo e centrípeto, o PSDB, perdeu força e brilho, revelou-se um moralista sem moral e seus ilustrados intelectuais perderam a empáfia ao falar em democracia e seus manifestos não atraem a atenção de ninguém. Mas, como na política brasileira os mortos ressuscitam, sempre é conveniente estar atentos, pois Alckmin não está morto e a fumaça do desespero vem mais dos desconsolados do mercado.

Na centro-esquerda, desde 1989, o polo aglutinador sempre foi Lula. Exilado nos calabouços de Curitiba, suscita dúvidas, apreensões e esperanças. A dispersão nasce dessas duvidas, que precisam ser respeitadas. É certo que o que dizem as pesquisas hoje não necessariamente o dirão amanhã. Eleições são movimento e essas eleições são marcadas pela estranheza: o povo quer mudança, mas identifica a mudança na restauração do passado do governo Lula. Duas coisas aqui: a força mítica e simbólica de Lula e o desastre do golpe que nasceu com semente da morte, pois não tem conteúdo moral e seu principal objetivo foi salvar políticos da forca e continuar assaltando o botim público.

Como todo mundo sabe, neste momento, prognósticos eleitorais são imprevisíveis até porque o quadro das candidaturas não está fechado. Para vencer eleições é preciso possuir uma astúcia afortunada. Se Lula puder concorrer, ela brilhará à luz do sol. Se não puder, o processo eleitoral terá que fazê-la desenvolver-se no campo da centro-esquerda. Caso contrário, o orvalho que molhará as flores no dia seguinte às eleições terá um gosto ácido e uma tonalidade cinza.

Aldo Fornazieri, Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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Questões sobre o fascismo brasileiro


O fascismo como forma de governo nasce nas primeiras décadas do século 20. E o seu contexto geográfico é a Europa. Os motivos para o seu nascimento, portanto, devem ser buscados nesse tempo/espaço. Num primeiro momento, o fascismo é fruto da crise das correlações de forças políticas entre as potências imperialistas. A tentativa tardia de países como a Alemanha e a Itália de invadir e dominar outras nações na África e na Ásia levou a um profundo conflito de interesses entre as nações imperialistas da Europa. A Primeira Guerra Mundial é o resultado mais dramático desse conflito. E o fascismo, o desdobramento político-social desse drama.

No caso italiano, considerado a formação clássica do fascismo, defendeu-se o nacionalismo e o retorno imaginário ao Império Romano; o combate às concepções que indicavam a existência da luta de classes; o enfrentamento aos diversos setores organizados, ligados ao movimento operário; a estandardização da sociedade e o culto à liderança autoritária.

Como movimento político-social, o fascismo, antes mesmo de assumir o poder do Estado, já difundia pela sociedade seus ideais. Antes de assumir o controle do aparelho estatal, conseguiu atrair para sua órbita multidões de descontentes. Assim, o partido fascista, em pouco tempo, tornou-se o mais forte da Itália.

Com a entrada e a derrota na Segunda Guerra Mundial, o fascismo italiano é desmontado, mas não totalmente eliminado como possibilidade histórica, sempre viva, de saída para as crises orgânicas do capitalismo.

Na sociedade brasileira contemporânea, há um entendimento, não consensual, mas bastante sólido de que em vários episódios sociais e políticos recentes é possível identificar claras manifestações fascistas.

As posições críticas, em geral, pecam ao desconsiderarem as suas particularidades assumidas quando sai da Itália. Acreditam que a única forma de identificar a existência de forças fascistas é a partir dos elementos característicos das primeiras décadas do século 20. Obviamente que, se os parâmetros forem somente estes, o fascismo dificilmente poderá ser encontrado na realidade contemporânea, principalmente em países como o Brasil. O que deve ser entendido, porém, é o fato de que o movimento e regime fascistas, assim como qualquer outra experiência político-social, ao se expandirem pelos diversos países, passam, necessariamente, por processos de adaptações históricas.

Assim se deu com as experiências socialistas, com o liberalismo e com as formas de democracia. Todas essas experiências que nascem em determinadas formações nacionais, ao se internacionalizarem passam por transformações importantes, de acordo com cada realidade particular.

Desse modo, quando se defende a existência de movimentos fascistas no Brasil, fundamentalmente nos últimos anos, não se está querendo encaixar a realidade italiana do início do século 20, na atual sociedade brasileira. Busca-se, ao contrário, identificar o seu caráter específico encontrado no contexto brasileiro.

Talvez, o grande elemento característico do fascismo no Brasil seja o fato de ele se assentar numa história de 300 anos de escravidão do povo negro, retirado à força da África, e das populações indígenas originárias.

No Brasil, a escravidão de grande parte da população gerou um solo nacional específico para as manifestações fascistas. E aqui é importante ressaltar que elas são formas específicas de autoritarismo e de ditadura, ou seja, não é sinônimo de qualquer governo, ou movimento, repressor. Afinal, nem todo regime fundado predominantemente na violência necessita do apoio da massa social para se consolidar. É perfeitamente possível construir um aparelho estatal baseado apenas na coerção, sem ter o consenso das amplas multidões.

A história brasileira do século 20 apresenta justamente esse aspecto, isto é, a forte presença de ditaduras no âmbito do Estado, mas sem um amplo movimento social de massas apoiando. O que ocorreu foi a dominação por meio do aparato repressivo, gerando o medo e o controle das poucas instituições ligadas a grupos e classes sociais potencialmente antagônicos.

Para haver fascismo é preciso existir uma sociedade civil fascista. Esse é um dado universal deste movimento. E, mais ainda, é preciso que a sociedade civil apresente um alcance nacional. Tais elementos somente aparecem no Brasil nas últimas décadas, quando se verificou o maior período de liberdades políticas, de organização social e de opinião.

É nesse período que a sociedade civil brasileira consegue se tornar complexa, com inúmeras formas de organização política, social e cultural, nos âmbitos institucionais ou não. E é também somente após a redemocratização dos anos 1980 que a sociedade civil se nacionaliza. É, por exemplo, somente neste período que surgem os primeiros partidos políticos de alcance nacional, não restritos às capitais da faixa litorânea.

Do mesmo modo, é nesse momento que surge uma opinião pública nacional, em grande medida, impulsionada pela expansão dos meios de comunicação – mesmo sendo controlados por pequeno número de famílias, representantes das classes dominantes.

Portanto, falar em fascismo no Brasil é se referir a um momento histórico muitíssimo recente e que não pode ser entendido fora da tradição de séculos de escravidão. O peso da escravidão e do autoritarismo estatal asseguram as condições favoráveis para a disseminação de movimentos fascistas no Brasil. Entretanto, ambos possuem as suas particularidades.

Aquilo que ocorreu na Itália, somente hoje surge como possibilidade real no Brasil. Somente após quase 100 anos da experiência italiana é que o Brasil criou as condições concretas para sua efetivação, por meio da constituição de laços políticos, culturais e econômicos, envolvendo praticamente todo o país. Por sua pobreza secular, aliada à sua gelatinosa sociedade civil e ao seu tamanho continental, existir uma concepção do mundo de dimensões nacionais não ocorre nem rápida, nem facilmente.

A Constituição de 1988, apesar de seus limites, deu a possibilidade de um rompimento fundamental não à sociedade burguesa, mas à nossa herança histórico-nacional escravista. Direitos fundamentais e universais, contemplando uma massa de indivíduos nunca antes inserida no principal documento organizador do Estado brasileiro, interrompeu, ainda que momentaneamente, a continuidade das forças políticas reacionárias escravistas.

Diferentemente das ditaduras já ocorridas no Brasil, fundadas predominantemente na ação das forças armadas, o fascismo é demasiado capilar. Assim, a sua organização social e política cria dificuldades maiores para os setores de oposição.

As consequências da luta político-social, no atual cenário histórico brasileiro, não estão definidas. A luta de classes hoje no país, politicamente traduzida entre uma frágil democracia contra um fascismo em formação, abre possibilidades e caminhos diversos para um futuro não muito distante.

Cláudio Reis, É professor de teoria política da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
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