8 de jun de 2018

Lula: Manifesto ao povo brasileiro

Lula é oficializado pré-candidato do PT à Presidência

Foto: Ricardo Stuckert



“Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública. 

Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.

De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo.

Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais.

Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando.

Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação. 

Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam. 

Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo. 

Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir com a consciência tranquila.

Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso me considero um preso político em meu país. 

Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade.

Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.

É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República.  

Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana.

Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente. 

Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo. 

Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016. 

Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita. Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco. 

Está chegando a hora da verdade.

Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar. 

Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossos adversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.

Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.  

A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.

Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social. 

Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais. 

Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção. 

Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.

Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios. 

Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica. 

Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África, e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos.

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato. 

Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura presidencial pelo Partido dos Trabalhadores.

Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores.

Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais. 

Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história.

Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo.

Para alcançar este objetivo, temos de unir as forças democráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.

Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo, posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro.

E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente

Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva
Curitiba, 8 de junho de 2018″
Leia Mais ►

Molotov e perseguição: o preço de questionar o agronegócio


Nadar contra o poder do agronegócio no Mato Grosso do Sul significa contrariar interesses poderosos. A Sputnik Brasil encontrou histórias de ameaças, perseguição e pressão política contra quem quebra o silêncio que envolve o latifúndio.

O escritor Brígido Ibanhes não tem o feitio de agradar a todos. Em uma terra de ouvidos moucos e olhar cabisbaixo, ele costuma usar sua pena para escrever sobre o latifúndio, o poder do agronegócio e a corrupção — atitude que já rendeu ameaças de morte e um atentado que lhe traz sequelas até hoje.

Com 71 anos, Ibanhes hoje mora em Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul, e começou a desagradar o status quo quando trabalhou como fiscal do Banco do Brasil, na década de 1980, em Sidrolândia. Ele era responsável pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que oferece indenizações para produtores que perdem a lavoura por problemas como pragas e problemas climáticos.

"A frente agrícola que vinha lá do Sul, vinha subindo, já tinha passado por aqui. As lavouras já estavam estruturadas. Você olhava os campos e se você visse uma árvore lá no horizonte era muita coisa. Já estava tudo limpo, a natureza praticamente já não existia", diz Brígido à Sputnik Brasil.



Ele afirma diz que notou um padrão em sua agência do BB, com um tratamento diferenciado entre pequenos e grandes agricultores. Quando um dos seus laudos desfavorecia um grande produtor, recebia da chefia um pedido de mudança no texto. Brígido diz que descobriu a prática de fraudes para receber dinheiro do banco estatal. A prática era chamada "plantar Proagro".

Ao denunciar os casos na Polícia Federal e na imprensa, recebeu uma tentativa de suborno, um convite para ser vereador e, por fim, uma ameaça de morte. Em 1992, foi demitido do Banco do Brasil, como represália por sua atuação, acusa.

Coquetel molotov

No mesmo final de semana que o PCC colocava São Paulo de joelhos, em 2006, Ibanhes publicou artigo na imprensa local contra um movimento de protesto dos ruralistas em Dourados. Sob o título de "O grande circo político dos agricultores", o escritor disse que os "grandes lovoureiros" não tinham "o mínimo respeito pelas coisas públicas e pelas pessoas" e desejavam para "os índios, os sem-terras, os miseráveis" a morte pela fome. "O que poderia ser um movimento sério, se transformou em arruaças de baderneiros com chapéu de couro", escreveu.

Poucas horas depois depois da publicação, um coquetel molotov atravessa a janela de sua sala. O pé do escritor entrou em chamas, assim como a mão de sua esposa.

"Eu vi um carro pequeno, preto. Encostou rapidamente ali, do lado da calçada de casa. Tinha outros carros, mas esse veio rápido e entrou ali. Eu até achei que era um amigo meu que tinha um carro daquele tipo. Em questão de 4, 5 segundos depois explodiu a bomba, um coquetel Molotov feito com garrafa de Coca-Cola, de vidro. Com combustível nafta, de avião, que é extremamente explosivo e isso foi muito rápido. Em questão de dois segundos estava tudo pegando fogo", diz à Sputnik Brasil.

O escritor acusa que após o atentado houve uma tentativa abafar o caso, apesar dele próprio apresentar nomes de suspeitos e testemunhas para a promotoria. "O inquérito não produziu absolutamente nada", conta. Ibanhes foi colocado no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e levou o caso para a Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Conselho Nacional do Ministério Público — mas até hoje ninguém foi acusado pelo crime.

CPI ruralista

Vinculado à Igreja Católica, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é uma organização nacional fundada em 1972 em defesa dos povos indígenas. A partir de diversos escritórios, o Cimi escreve relatórios anuais compilando as violências sofridas pelos povos originários.

A atuação do grupo, contudo, desagrada setores dos produtores rurais. O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Lúcio Damália, acusa o Cimi de atuar de forma sorrateira e diz que o grupo não é reconhecido sequer pela própria Igreja Católica.

O Conselho Indigenista Missionário foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso Sul, em 2016. No relatório final, o grupo foi acusado de "um agir contrário ao Estado de Direito, em âmbito nacional e internacional" e de atuar"deliberadamente contra o desenvolvimento do país".

A CPI foi presidida pela deputada Mara Caseiro e a relatoria foi de Paulo Côrrea (PR).

Para o coordenador regional do Cimi Flávio Vicente Machado, o Cimi desagrada por "expor as estratégias do agronegócio de maneira sistemática" e porque os ruralistas não aceitam o modo de vida dos índios. "Para eles só existem um modo de vida".

Durante as sessões da CPI, houve exposição das fotos dos filhos menores de idade dos membros do Cimi — que eram transmitidas pelo canal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, afirma Machado.

"Os interesses do agronegócio estão impregnados em toda a parte no Mato Grosso do Sul. O Governo do Estado é ruralista, boa parte dos deputados estaduais ruralistas e há juízes ruralistas. Então os três poderes estão aparelhados pelos interesses do agronegócio. E também a mídia local, boa parte dela é composta por fazendeiros e defensores dos interesses do agronegócio", diz o coordenador do Cimi. 

Thales Schmidt
No Sputnik
Leia Mais ►

Tiroteio Bolsonaro-Alckmin é presságio de ‘carnificina’ na eleição

Presidenciáveis brigam pelo eleitor direitista e a ‘cidadela’ tucana em São Paulo


Jair Bolsonaro, o presidenciável da extrema-direita, e Geraldo Alckmin, o conservador do PSDB, estão em guerra pelo voto direitista. O tiroteio entre eles e seus apoiadores prenuncia uma carnificina quando a campanha começar. Ou será que o tucano, alvo de descrédito e pressão dentro do próprio partido devido à posição nas pesquisas, não sobrevive até lá?

São muitos os temores no PSDB, articulador de um manifesto a pregar a união total dos partidos aliados do governo Michel Temer, o impopular. O documento achincalha os “radicalismos” do campo progressista e de Bolsonaro, mas o verdadeiro alvo é o deputado do PSL, taxado de “proto-fascista” durante o lançamento do manifesto, na terça-feira 5, em Brasília.

Um dia depois, Bolsonaro era chamado para um duelo com Alckmin, para discutir segurança pública, tema caro ao valentão ex-capitão do Exército. “E aí, será que ele vai aceitar ou vai correr?”, provocava o Twitter oficial do PSDB. O Twitter alckmista reforçou: “Não conheço as propostas do Bolsonaro para segurança pública, mas faço o convite. Vamos debater sobre segurança?”

A resposta veio no mesmo dia, no Twitter oficial do deputado do PSL. “Caro senhor divulgado como ‘santo’ na Lava-Jato que alega não conhecer nossas propostas, acesse http://www.bolsonaro.com.br  ou nosso canal no youtube para mais informações. Uma boa noite!”

“Santo” seria o apelido de Alckmin na lista de alcunhas da Odebrecht, empresa delatora de uma penca de políticos que teriam recebido dinheiro em troca de favores.

No dia em que o Ministério Público de São Paulo decidiu levar adiante a investigação de Alckmin, 15 de maio, o deputado Major Olimpio, chefe do PSL paulista, comemorou no plenário da Câmara. “Agora a jurupoca vai piar mesmo (...) O Brasil vai saber quem é o santo da Odebrecht, o santo Geraldo Alckmin, o santo do metrô, da CPTM, do Rodoanel, da merenda, o santo que destruiu SP.”

Não que Bolsonaro esteja lá muito confortável na seara criminal. Em 2017, foi condenado a pagar multa por insultar gays. Hoje, é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria e apologia ao estupro. Em abril, foi denunciado por racismo ao mesmo Supremo pela “xerife” Raque Dodge, tida entre alguns colegas da Procuradoria Geral da República (PGR) como “tucana”.

Os sopapos entre bolsonaristas e Alckmin chegam ao campo pessoal. Em entrevista em 23 de maio, o tucano disse que o rival era um “caranguejo”, votar nele seria andar para trás, e “o Brasil não vai regredir.” Um dia depois, em um evento em São Paulo, tascou que o deputado “não sabe ouvir, não sabe dialogar, muito menos governar”, “não sabe ouvir crítica, então desrespeita”.

Ao contra-atacar, Bolsonaro disse na Bahia que Alckmin “soltou pipa no ventilador e jogou bolinha de gude no carpete”, pois não sabe que “caranguejo não anda para trás, anda para a direita ou para a esquerda”. E voltou ao tema “santo”. “Os diálogos do seu Geraldo Alckmin é com o pessoal da Odebrecht.”

O economista apontado por Bolsonaro como seu “ministro da Fazenda”, o neoliberal Paulo Guedes,  também dá alfinetadas éticas no PSDB. Em uma entrevista em um auditório cheio de bolsonaristas, em 22 de maio, disse que o PSDB aprovou de “forma suspeita” a mudança na Constituição que permitiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “O tucano aprova a reeleição, ganha uma depois perde quatro seguidas. Destruiu seu próprio partido. Acabou, dissipou. Cadê o PSDB hoje? Está todo mundo escondido.”

E Guedes, é vidraça também? Ele é sócio de um banco de investimentos, o grupo Bozano, apontado como “grande” cliente da rede de doleiros desbaratada em maio. Um dos presos naquele momento era diretor do grupo, Oswaldo Prado Sanchez. Que acaba de conseguir um habeas corpus no STF, dado pelo juiz Gilmar Mendes, o libertador.

A guerra entre Alckmin e Bolsonaro neste momento mira o eleitorado paulista. Por iniciativa do PSDB, na quarta-feira 6 houve o lançamento no Congresso de um livro, “O voto do brasileiro”,  cujo autor aposta que a eleição presidencial será polarizada mais uma vez entre PSDB e PT.

Na obra, o cientista político Alberto Carlos Almeida reuniu dados sobre as últimas três eleições brasileiras e as de alguns outros países. Sua conclusão é que há um padrão de voto regional. No caso do Brasil, esse padrão, segundo ele, é determinado pela economia e funciona assim: o Nordeste é “cidadela” do PT e São Paulo, a do PSDB.

O cientista político admite, porém, que há algo “um pouco fora do scritp” em 2018. “Bolsonaro impede” que a “cidadela” tucana  abrace neste momento o candidato do PSDB.

Um dos principais aliados de Alckmin em Brasília, o deputado Silvio Torres, do PSDB paulista, acredita que a cidadela não faltará ao ex-governador. Ele diz que o eleitorado define o voto cada vez mais em cima da hora.

Em 2014, por exemplo, o presidenciável tucano, Aécio Neves, só passou Marina Silva nas pesquisas quando faltavam três dias para a eleição. No segundo turno contra Dilma Rousseff, do PT, Aécio teve a maior votação de um tucano em São Paulo na história, 65%.

Na eleição municipal de 2016, nenhuma pesquisa mostrava que a corrida pela prefeitura paulistana teria vitória do tucano João Doria Jr. já no primeiro turno, e o triunfo aconteceu sem segundo turno.
Um mar de dúvidas, em meio à guerra em terra entre Alckmin e Bolsonaro.

André Barrocal
No CartaCapital
Leia Mais ►

Organização interpela GM sobre comercial que critica ambientalistas e faz apologia ao agronegócio

Renato Barcelos, do Coletivo de Advogados Ambientalistas. 
Reprodução
A organização Amigos da Terra Brasil protocolou, quinta-feira (7), uma interpelação judicial motivada pelo comercial da Picape Chevrolet S10 2018 da General Motors do Brasil, e denunciou o mesmo ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). O comercial em questão faz apologia ao agronegócio, afirmando que esse setor continuará a fazer o que sempre fez, apesar das críticas que recebe.

Segundo os autores da interpelação, o comercial afirma a ideia de que as críticas dos ambientalistas ao agronegócio seriam indevidas e que, assim, não cumpririam um papel relevante ao país. Logo no início da propaganda aparece o protagonista lendo uma matéria em seu celular que diz “Agronegócio e desmatamento”, que simbolizaria as referidas críticas dirigidas a este setor empresarial.  A Amigos da Terra observa que diversos estudos comprovam malefícios que práticas do agronegócio, como o uso intensivo de agrotóxicos, causam à saúde das pessoas e ao meio ambiente.

Além disso, assinala ainda a interpelação, a propaganda não traz informações compatíveis com a realidade, confundindo agronegócio com agricultura familiar. É a agricultura familiar, diz a Amigos da Terra, que alimenta as famílias brasileiras, sendo responsável por 70% dos alimentos que chegam às mesas no país.

A Amigos da Terra está questionando a GM para saber se ela tem consciência das informações equivocadas que difunde e considera que o comercial em questão estaria violando o Código de Defesa do Consumidor, em inúmeros dispositivos, inclusive realizando propaganda abusiva por desrespeitar valores ambientais (artigo 37§2º, do CPC). (ver o comercial abaixo)



A ação é resultado de uma parceria da Amigos da Terra com um Coletivo de Advogados (as) Ambientalistas, formado no Rio Grande do Sul, com o objetivo de garantir uma atuação mais efetiva em defesa do meio ambiente junto ao judiciário brasileiro e ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Renato Barcelos, Pedro Bigolin Neto e Rodrigo de Medeiros, do Coletivo de Advogados, afirmam que “a suposição de ‘levantar cada vez mais cedo’ para ‘carregar o país nas costas’ opera como critério de legitimação de um discurso que desautoriza a defesa do meio ambiente como se esta fosse um obstáculo para a produção de alimentos e demais produtos oriundos do campo.”

Além disso, acrescenta, ao formatar um discurso em “nós x eles”, “agronegócio x ambientalistas”, a propaganda menospreza o importante trabalho de defensores e defensoras de direitos no campo, que são alvo de crescente violência, manifestada das mais diversas formas. De acordo com relatório publicado pela ONG Global Witness, o Brasil lidera o ranking de assassinatos de ativistas ambientais em 2017. Dentro deste contexto, portanto, o comercial abre a possibilidade para que perpetradores destas violências sintam-se apoiados.

Os autores da interpelação esperam que a GM “possa observar o equívoco, as ilegalidades e irregularidades que está cometendo para que retire o comercial do ar e possa reparar a imagem dos ambientalistas atingida”.

No Sul21
Leia Mais ►

PF caça golpista Nardes


O ministro do Tribunal de Constas da União (TCU) Augusto Nardes, responsável pela farsa das pedaladas fiscais, foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na semana passada, autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli.



Agentes apreenderam celulares, documentos e computador do ministro, que é citado em delações premiadas. Entre elas, a de Luiz Carlos Velloso, subsecretário de Transportes do Rio de Janeiro, homologada por Toffoli. Velloso diz que Nardes participou de triangulações envolvendo o empreiteiro Fernando Cavendish e empresas para favorecê-las no TCU. Outras envolvem o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, preso pela Lava Jato.

Nardes foi relator das chamadas pedaladas fiscais de Dilma Rousseff e rejeitou as contas do governo de 2014. O gesto acabou tirando do poder a presidente eleita legitimamente por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade e colocando no governo a atual quadrilha investigada por diversas acusações.

Em outubro de 2014, Dilma Rousseff, ao comentar uma capa criminosa da revista Veja usada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para tentar levar a eleição presidencial daquele ano na mão grande, fez uma profecia relacionada a todos os políticos que tinham planos para estancar a sangria.

"Quero que provem que eu compactuei com a corrupção e não esse tipo de situação em que se insinua e não tem prova. Nesse caso da Petrobras, ou qualquer outro, que tenha a ver com corrupção, eu vou investigar a fundo, doa a quem doer. Quero dizer que não vai ficar pedra sobre pedra", disse à época.

A profecia vem se realizando, não poupando até mesmo o ministro do TCU.
Leia Mais ►

Queimando dólares para apagar o fogo?


O Banco Central avisou ontem à noite e agiu hoje cedo, vendendo dólares em proporções cavalares – estima-se uma média superior a 3 bilhões por dia além do normalmente ofertado, ou um “extra” de  mais de R$ 10 bilhões de reais diários – e promete fazer o mesmo nos próximos dias.

Tudo para obter uma queda igualmente cavalar na cotação da moeda norte-americana.

Que me recorde, não houve intervenção tão pesada quanto esta no – pausa para gargalhar – “regime de câmbio livre”.

A questão é saber o quão duradouro é o poder de fogo do Banco Central para manter esta tendência ao longo de semanas – já nem se fala em meses – quando o cenário é de fortalecimento do dólar, atrelado a uma alta dos juros do Federal Reserve norte-americano, prometida muitas vezes e até agora apenas levemente realizada, com um pequeno aumento em março.

Estamos no meio do ano e se prevêem mais duas ou três elevações, ao menos.

A Argentina também contava em ter contido a disparada do câmbio, com uma elevação brutal dos juros e uma linha de crédito “stand by” de US$ 50 bilhões e, um dia depois do anúncio da ajuda do FMI, o dólar subiu violentamente, porque  o BC argentino interrompeu as generosas ofertas de moeda ao mercado, iniciadas  em 14 de maio e mantida todos os dias nos pregões de câmbio.

Quem lê o noticiário econômico vê que o mar não está para o peixe dos emergentes e, desta vez, não há um mercado interno a servir de dique mesmo a pequenos tsunamis.

Aqui, o “bazucaço” do BC revelou que o objetivo não é apenas fazer cessar a escalada altista do câmbio, mas rebaixa-la a um patamar talvez na faixa dos 3,60, o que tinha há um mês atrás.

So que, nestes 30 dias, derreteram-se várias esperanças do mercado, desde que a economia seguisse com sinais de leve alta quanto, sobretudo, que poderia sair ileso da aventura política em que lançou as eleições presidenciais deste ano.

Há boas razões para se supor que se possa estar queimando dólares para apagar a fogueira, o que só piora o incêndio.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Cerveró denunciou parceria da Petrobrás com Odebrecht, fechada durante o governo FHC, como “um dos maiores escândalos”


Em 2016, o ex-diretor internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, detalhou em delação premiada os esquemas que lhe valeram uma condenação por 12 anos e três meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que cumpre em prisão domiciliar.

Cerveró ocupou cargos na estatal de 2003 a 2014.

Em um de seus depoimentos, chamou a atenção o inconformismo de Cerveró com o fato de que o escândalo da Braskem — parceria da Odebrecht com a Petrobrás — não ter sido investigado.

Foi uma negociata “do governo anterior”, como diria o Jornal Nacional em relação aos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

FHC quebrou o monopólio da Petrobrás  em 1995. No mesmo ano, a Odebrecht fundou sua empresa no ramo petroquímico, a OPP Petroquímica.

A partir de então, várias empresas do ramo petroquímico foram privatizadas, com amplo financiamento do BNDES.

Em 31 de março de 1999 surgiu uma empresa de nome WPP, fundada no Brasil por Luiz Eduardo Ematne, informou a CartaCapital.

Em 24 de janeiro de 2001, Stephen Timothy Fitzpatrick ingressa como sócio.

Em 2002, a Odebrecht reúne todas as empresas do setor petroquímico que adquiriu na Braskem e a Petrobrás, antes monopolista do setor, se torna sócia minoritária.

Em 2004, foi a vez do filho de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, ingressar oficialmente na WPP.

No mesmo ano, a WPP fecha parceria com a Braskem para produzir resinas especiais de PVC.

Em 30 de março de 2009, Paulo Henrique cria uma sociedade com o pai, a Ibiuna LLP, com base no Reino Unido.

Nos dias 13 e 20 de setembro de 2010, Fernando Henrique Cardoso dispara dois e-mails para Marcelo Odebrecht, cobrando ajuda financeira para campanhas eleitorais do PSDB, sendo “o de sempre” o cabeçalho da segunda mensagem.

Os candidatos ao Senado Flexa Ribeiro e Antero Paes de Barros, pelos quais FHC intercedeu, não declararam doações da Odebrecht em suas prestações de contas de 2010, o que significa que o dinheiro foi dado para o caixa 2 — o que os candidatos negam.

Em 19 de novembro de 2011, Paulo Henrique, o filho de FHC, cria uma offshore no Panamá com os mesmos sócios da WPP brasileira.

A cronologia sugere que negócios vantajosos para a Odebrecht no governo FHC resultaram em negócios vantajosos para familiares de FHC com a Odebrecht/Braskem e talvez expliquem a tranquilidade com que FHC cobrava contribuições eleitorais de Marcelo Odebrecht, “o de sempre”.

A interrogação levantada por Nestor Cerveró persiste sem resposta.

O delator disse aos investigadores que a Odebrecht tinha grande influência na Petrobrás desde os tempos de Joel Rennó, que presidiu a empresa durante o governo FHC.

Porém, Rennó era defensor da Petrobrás estatal e perdeu poder com a criação da ANP, dirigida pelo genro de FHC, até deixar a Petrobrás em março de 1999.

Um detalhe: Rennó saiu da Petrobrás em 6 de março de 1999 e a WPP, ligada ao filho de FHC e que em 2004 se tornaria formalmente parceira da Braskem, foi criada em 31 de março…

No depoimento, Nestor Cerveró diz que “a Braskem é um dos maiores escândalos criados na época do governo Fernando Henrique, essas coisas, não foi o Lula que inventou, essas coisas não são investigadas, isso que eu fico impressionando, a Braskem é um escândalo, mas está lá, firme e forte, feita pela Odebrechet…”.

Ele é interrompido de forma brusca por quem toma o depoimento!

Depois de uma pausa, o homem não identificado diz: “Nestor, deixa eu falar uma coisa para você, essas questões da Braskem eu sei que tem inquérito, o tema específico aqui é a Ipiranga”.

Cerveró rebate: “Aquelas investigações…”, sugerindo que eram para inglês ver.

“Eu respondo por mim”, diz a autoridade. “Eu sei que você responde por você, eu também”, diz o delator.

Uma mulher presente afirma que “as investigações que estão aqui, correndo, elas andam”.

Nestor Cerveró insiste: “A Braskem até hoje não andou, pelo jeito”.

Não deixem de ver o momento constrangedor a partir dos 10 minutos do vídeo abaixo:



No Viomundo
Leia Mais ►

FHC usa agora a mesma desculpa de Aécio em 2016


Desde que foram revelados os e-mails de Fernando Henrique Cardoso pedindo doações de campanha para o PSDB a Marcelo Odebrecht, um deles intitulado “o de sempre”, a mídia vem se esforçando para fazer parecer que tudo aconteceu “por dentro”, legalmente.

É o que tem dito o próprio FHC.


É que, consultando as planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht, o diário conservador carioca constatou que um dos candidatos para os quais FHC pediu dinheiro, Antero Paes de Barros, realmente recebeu os recursos.

Uma semana depois do e-mail de FHC, a campanha de Antero embolsou R$ 100 mil. O dinheiro foi repassado por duas empresas laranjas do grupo Petrópolis, que a Odebrecht terceirizou para repassar dinheiro a políticos.

O senador Aécio Neves usou a mesma desculpa em 2016, quando foi feita a busca e apreensão na casa de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que comandava o chamado Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira.

Descobriu-se que Aécio tinha recebido R$ 1.696.000,00 da Leyroz de Caxias, uma das empresas de fachada da cervejaria.

Aécio, então, ainda era o impoluto campeão do impeachment na mídia.

Assim como FHC agora, ele argumentou que era tudo por dentro, de papel passado.

Do ponto-de-vista formal, Aécio tinha razão.

Mas ele recebeu uma fortuna de uma empresa desconhecida e achou que era normal? E o tesoureiro da campanha dele?

Aécio desconhecia os esquemas da Odebrecht? O que ofereceu em troca à empreiteira? Ou estava apenas cobrando a fatura de um favor já feito à empresa?

O fato é que existe muita hipocrisia. A Odebrecht contribuiu com centenas de políticos, de praticamente todos os partidos, por dentro e por fora.

Porém, tucanos como FHC pretendem — com a ajuda da mídia — manter a fachada de que com eles foi diferente.

Em 2016, depois de ler as planilhas apreendidas, o Viomundo já demonstrava que os tucanos estavam enterrados até o pescoço no esquema em que denunciavam o PT:

No conjunto de documentos apreendidos no apartamento do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, da empreiteira Odebrecht, três páginas chamam especialmente a atenção: é uma planilha impressa com o registro de doações de altos valores feitas por empresas de nomes e atividades modestas, a Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda. e a Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda.

Citado na contabilidade paralela da empreiteira, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, disse que as doações em nome dele e do PSDB foram legais e estão declaradas à Justiça Eleitoral. Fato.

Porém, uma consulta ao Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral mostra algo espantoso: juntas, a Praiamar, a Leyroz e sua sucessora, a Rof Comercial Impex Eireli, doaram mais de R$ 60 milhões a partidos e candidatos nas eleições de 2010, 2012 e 2014.

A pergunta é óbvia: as empresas serviram apenas de fachada para doações que, na verdade, partiram dos cofres da Odebrecht? Só a investigação da Polícia Federal poderá determinar.

[Nota do Viomundo: Ficou determinado que a Odebrecht usava as empresas fantasmas ligadas à Cervejaria Petrópolis para repassar dinheiro]

Curiosamente, a Praiamar e a sucessora da Leyroz dividem endereço na rua Silva Fernandes, 184, no Parque Duque, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Uma sede modestíssima para quem jogou tanto dinheiro na política.

O senador Aécio Neves, em uma postagem no Facebook, admitiu ter recebido R$ 1.696.000,00 da Leyroz em 2010, quando foi candidato ao Senado.

Naquele ano a empresa fez doações a outros candidatos tucanos: José Anibal, Arthur Virgílio, Jutahy Magalhães Junior, Antero Paes de Barros, Antonio Duarte Nogueira Jr. e Bruno Araújo. Tudo com recibo e declarado.

A Leyroz também colocou dinheiro nas campanhas de José Serra ao Planalto (R$ 1,2 milhão) e Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo (R$ 600 mil).

Uma pergunta que não cala: por que uma empresa de Duque de Caxias, no Rio, doaria a um candidato a governador de São Paulo e a um político que pretendia se eleger deputado federal por Pernambuco?

[Nota2 do Viomundo: Ou um candidato a senador de Mato Grosso?]

No total, em 2010, a empresa de Duque de Caxias deu mais de R$ 4,5 milhões ao PSDB, cerca de 25% de suas contribuições eleitorais daquele ano.

Já a Praiamar doou mais R$ 1.300.000, 00 às campanhas do PSDB em 2010.

Na lista do TSE, foram R$ 24 mil para o candidato ao Senado Aécio Neves, R$ 100 mil para o candidato ao governo paulista Geraldo Alckmin e R$ 300 mil para o postulante tucano ao Planalto, José Serra.

As doações eleitorais das empresas seguiram um patamar estranho.

A Leyroz doou mais de R$ 25 milhões em 2010, caiu para cerca de R$ 8 milhões em 2012 e desapareceu em 2014.

Já a Praiamar saltou de R$ 7 milhões em 2010 para cerca de R$ 21 milhões em 2012.

Nas eleições de 2014, a Leyroz foi substituída pela Rof Comercial Impex Eireli, com o mesmo CNPJ. Supostamente é uma empresa de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios.

Porém, o valor das doações das duas empresas caiu vertiginosamente naquele ano: juntas, a Praiamar e a Comercial Impex doaram “apenas” R$ 3,3 milhões a candidatos e partidos.

Registre-se que nas três eleições as empresas doaram democraticamente a candidatos e comitês de vários partidos.

No Viomundo
Leia Mais ►

FHC tomou grana até de cervejaria...

Mas, sabe como é, Moro, não vem ao caso... Odebrecht só para ferrar o Lula...



Após pedido de FH, empresas usadas pela Odebrecht fizeram doações a tucano



Duas empresas ligadas ao Grupo Petrópolis, usadas pela Odebrecht para pagamentos ilegais de caixa 2 a políticos e investigada pela Lava-Jato, fizeram, em 2010, doações ao candidato ao Senado tucano pelo Mato Grosso Antero Paes de Barros Neto. Esses recursos foram supostamente o resultado de um pedido do ex-presidente Fernando Henrique a Marcelo Odebrecht. As informações foram obtidas por meio de um cruzamento dos dados da planilha paralela da Odebrecht, apreendida na 23ª fase da Lava-Jato, e a prestação de contas do candidato tucano. A doação foi legal.

Nesta semana, e-mails encontrados pela Polícia Federal em um dos notebooks de Marcelo Odebrecht apontam uma troca de mensagens entre ele e FH. O tucano pede para que a Odebrecht contribua para a campanha de Paes de Barros.

Fernando Henrique disse ontem que os e-mails selecionados pela defesa do ex-presidente Lula revelam “apenas solicitações regulares de doação a candidatos, quando a legislação assim o permitia, inclusive com a indicação da conta oficial da campanha”. FH acrescentou: “Posso ter pedido, mas era legal. Não sei se deram e não foi a troco de decisões minhas, pois na época eu estava fora dos governos, da República e do estado”.

Segundo a delação premiada de ex-executivos da Odebrecht, a cervejaria era usada pela Odebrecht para “terceirizar” parte dos pagamentos para atender a políticos.

Na planilha da Odebrecht, a citação ao candidato ao Senado por Mato Grosso relata pagamento de R$ 100 mil em 29 de setembro de 2010 para a sua campanha — sete dias após e-mail de FH cobrando de Marcelo Odebrecht a doação para os candidatos Antero e também Flexa Ribeiro. (...)

No CAf
Leia Mais ►

O vexame do Fake News da grande mídia sobre “Petrobrás quebrada”

Hildegard Angel mostra que a origem disto vem de comentários de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg


Da coluna de Hildegard Angel no Jornal do Brasil

Ainda bem que agora temos o JB que possibilita o contraditório de todas as mentiras difundidas pelo Globo.

‘… EU, SE FOSSE a Miriam Leitão e o Carlos Alberto Sardenberg, depois do Seminário de ontem no Clube de Engenharia, só saía de gola levantada e óculos escuros, para não ser reconhecida na rua. De vergonha…

GENTE, QUE VEXAME! Com gráficos, balanços, dados, números, os engenheiros da Petrobrás provaram com transparência que o noticiário da “Petrobrás quebrada” não passa de Fake News, cuja origem, segundo eles, tem nomes e sobrenomes: Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg…

E ISSO passou a ocorrer desde a descoberta do Pré Sal. Em 2008, Sardenberg escreveu artigo em que disse que o Pré Sal só existia na cabeça do governo… EM 2009, a Leitão declarou: “Não, o Pré Sal existe, sim, só que a Petrobrás não tem capacidade de explorar, vai precisar de tecnologia estrangeira”…

SÓ QUE A Petrobras desenvolveu tecnologia pró- pria e começou a explorar o Pré Sal, ganhando prêmio…

AI, ELES DISSERAM: “ah, o custo é muito caro, não é compensador explorar o Pré Sal”…

ENTÃO, OS TÉCNICOS da Petrobrás continuaram a explorar e a ganhar prêmios. Aí, o custo começou a ficar mais barato…

NO INÍCIO DE 2016, Sardenberg afirmou que a Petrobras estava quebrada, que precisava fazer um acordo com o governo e buscar aporte financeiro no mercado. Muito ao contrário, foi a Petrobrás que fez um aporte de 20 bilhões para o BNDES poder fechar o caixa naquele ano de 2016…

VALE DIZER que, no mesmo 2016, a Petrobrás fechou o caixa dela com 22 bilhões…

O SARDENBERG nunca foi a público se retratar, ao contrário, continuou vindo a público insistir que a Petrobrás estava quebrada…

GENTE, EU VOU virar uma especialista em Petrobrás. Pelo menos vou entender mais do que a Leitão e o Sardenberg, o que não está me parecendo tão difícil…

NUNCA SE VIU uma empresa quebrada com geração operacional de caixa tão alta. De 2012 para a frente, um mínimo de 25 bilhões. É a maior empresa em geração de caixa…

A CORRUPÇÃO que disseram que quebrou a Petrobrás não afetou a sua geração de caixa. A geração de caixa de Chevron, Exon, Shell, tem uma variação muito grande com o preço do barril, despencam para a metade… EM 2016, a Petrobrás teve maior geração de caixa que todas do mundo…

SÓ A CHEVRON, quando o preço está lá em cima, chega perto da geração da Petrobrás, apesar de ela ter tido um subsídio e uma carga tributária muito maior que as americanas…

O PALESTRANTE Paulo César Lima chamou atenção para a Quarta Rodada de Licitações do Pré Sal e também a Quinta, que acontecerão na quinta-feira, caso não tenham sucesso em suspendê-la judicialmente…

SEGUNDO ELE será quando poderá ocorrer crime de Lesa Pátria, pois será licitado o Excedente em Óleo, que é o Óleo Lucro ou Profit Óleo, um capitalismo sem risco, o tesouro do Pré Sal…

É AQUELE que iria para a Educação e a Saúde e o Fundo Social dos brasileiros. Seriam pelo menos 40% dele com essa destinação. A verdade é que, na lei que foi criada não saiu Excedente em Óleo nenhum para isso…

OS ENGENHEIROS da Petrobrás alegam que jamais se poderia colocar tais tesouros do país nesta licitação, que é um jogo de azar…’

Hildegard Angel
Do JB
No Jornalistas Livres
Leia Mais ►

De herói a vilão, Gilmar entrega: Lula só sai da prisão se desistir da candidatura


Leia Mais ►

Saída de Temer abastece caos

O pacote de Michel Temer para debelar a crise dos combustíveis é ineficaz e gera mais insegurança no Brasil. Os decretos e as sete medidas provisórias apresentadas, que serão analisadas pelo Congresso Nacional neste mês, não enfrentam a causa central do problema: a atual política de preços da Petrobras.

É difícil garantir que as MPs serão aprovadas no Plenário, tendo em vista que interferem no pacto federativo e atingem fortemente setores da economia neste momento de crise sem precedentes no país. A revogação de estímulos à indústria química, por exemplo, gerará a perda de empregos num setor estratégico que emprega 2 milhões de trabalhadores, sendo 60 mil apenas no ABC Paulista e 14 mil no Polo Petroquímico de Cubatão.

Após mostrar incompetência diante da crise que gerou enormes prejuízos econômicos e sociais ao Brasil, o presidente ilegítimo novamente erra ao prever cortes em ministérios essenciais para compensar a redução do preço do diesel e efetivar o acordo com os caminhoneiros.

A MP 839/18 é uma sucessão de absurdos. A Bancada do PCdoB apresentou 21 emendas supressivas para tentar impedir mais esse desmonte. A proposta enxuga pelo menos R$ 2,3 bilhões nas áreas sociais, de segurança e infraestrutura. Desse montante, R$ 820 milhões foram retirados da Ciência e Tecnologia; R$ 179,6 milhões da Saúde; R$ 378 milhões dos Transportes e R$ 150 milhões dos recursos sob supervisão do Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior (FIES). Na Seguridade, haverá R$ 225 milhões a menos.

A solução de Temer foi a pior saída possível e vira combustível para a crise que pode retornar em escala mais ampla, mobilizando de forma generalizada a sociedade. A decisão de fazer subsídio à Petrobras e manter a política de preços da empresa é equivocada e acabará piorando a situação que já e grave.

Os brasileiros não ganham salário em dólar. O Brasil é um país produtor de petróleo, tendo capacidade de refino e produção de combustível que sequer está sendo utilizada plenamente. Aliás, deixamos de ser exportadores para importar esse insumo fundamental na economia. Não tem sentido dolarizar os preços, o que afeta duramente a vida dos cidadãos, porque nós produzimos boa parte da gasolina consumida.

A Petrobras não pode servir unicamente aos seus acionistas da Bolsa de Valores de Nova Iorque. A estatal tem de ser um instrumento de desenvolvimento nacional e atender aos interesses do país e do povo brasileiro. Há cinco ou 10 anos, as famílias conseguiam sustentar os preços da gasolina, do etanol, do gás de cozinha e do diesel. Não é razoável aumentar o custo de vida das pessoas em meio a esse desemprego crescente.

É fundamental, portanto, rever a política de preços da estatal petrolífera que tem como único objetivo gerar lucros exorbitantes para grandes investidores e rentistas, gerando perdas inestimáveis para a população brasileira. O PCdoB lutará para reverter essa situação. A formação do preço dos combustíveis deve levar em conta os fatores de produção no Brasil e não variações do câmbio, o acabou gerando esse caos nacional.

Orlando Silva, líder do PCdoB na Câmara e deputado federal por São Paulo.
Leia Mais ►

Em sessão do TSE, Abin defende monitoramento de usuários da internet

A proposta gerou constrangimento em sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)


A Agencia Brasileira de Inteligência defendeu o monitoramento de usuários sem a autorização de Justiça. A proposta provocou constrangimento em sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) onde foi apresentada nesta quinta-feira.

A Abin defende a medida como forma de combater as fake news, como são chamadas as notícias falsas que contaminam a rede.

A ideia foi apresentada em reunião do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do TSE. A proposta encontrou oposição entre representantes do Exército, Safernet, Polícia Federal o princípio constitucional da liberdade do indivíduo e das garantias à liberdade individual previsto no Marco Civil da Internet e no Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A Abin, por meio de nota, declarou que “qualquer tema, inclusive os ligados a questões eleitorais, subordina-se aos preceitos constitucionais, à Política Nacional de Inteligência (PNI) e à Estratégia Nacional de Inteligência (Enint)”.

O TSE informou que não se posiciona sobre temas estratégicos.

No Fórum
Leia Mais ►

Delator da Odebrecht admite que mentiu contra o PT

Vítima foi ministra Miriam Belchior



Delatei, mas...

Um dos dirigentes da Odebrecht (...), Alexandrino Alencar admitiu à Polícia Federal que delatou a ex-ministra Miriam Belchior mesmo sabendo que ela não tinha cometido crime. Ele explicou que incluiu no rol dos delatados o nome de todos os políticos do PT com os quais manteve agenda oficial, independentemente de haver irregularidades na relação. (...)

"O nome de Miriam Belchior surgiu em anexo introdutório que trata do relacionamento com agentes políticos e públicos do PT. Perguntado se (...) o colaborador tinha consciência de que não havia fato crime envolvendo tais reuniões, respondeu que sim (...)", diz um trecho do depoimento.

O anexo sobre Miriam Belchior acabou virando um inquérito, no qual o executivo foi ouvido (...) Como ele declarou que não houve crime nos contatos com a ex-ministra, a PF pediu o arquivamento do procedimento (...)

No CAf
Leia Mais ►

Origem do golpe, Pré-Sal é cada vez mais dos gringos


Multinacionais levaram 70% dos 12 bilhões de barris doados a R$ 0,26. Participação mínima garantiu à Petrobrás 30% das reservas leiloadas, o que só foi possível, em função da resistência da FUP contra o desmonte da Lei de Partilha

Mergulhado em escândalos de corrupção e sem apoio algum da população, o governo Temer entregou mais oito bilhões de barris de petróleo às multinacionais, ao concluir nesta quinta-feira (07) a 4ª Rodada de Licitações do Pré-Sal, onde cada barril saiu ao preço médio de R$ 0,26. Os três campos leiloados - Dois Irmãos (na Bacia de Campos), Três Marias e Uirapuru (na Bacia de Santos) - contêm reservas estimadas de 12,132 bilhões de barris de petróleo. A Petrobrás, mesmo pagando o maior valor em bônus do leilão (R$ 1 bilhão do total de R$ 3,150 bilhões arrecadados) e exercendo a preferência dos 30% de participação mínima nos consórcios, como prevê a lei, terá direito apenas a 3.999 bilhões de barris. Ou seja, 33% das reservas licitadas.

A petrolífera norueguesa Statoil foi a grande vencedora do leilão, ao abocanhar 2.783 bilhões de reservas de petróleo com participações estratégicas nos blocos de Uirapuru e Dois Irmãos. A norte-americana ExxonMobil, que estreou como operadora no Brasil em setembro passado e já havia sido beneficiada com blocos da franja do Pré-Sal nas 14ª e 13ª Rodadas, avançou consideravelmente sobre as reservas do país, ao garantir mais 2.184 bilhões de barris de petróleo com os 28% de participação no valiosíssimo campo de Uirapuru, que está estrategicamente localizado ao lado de Carcará. Na gestão Pedro Parente, a Petrobrás entregou à Statoil 66% da participação que tinha nesse mega campo da Bacia de Santos. Agora, a Statoil e a Exxon terão juntas 56% de Uirapuru, após pagarem em média R$ 0,30 por cada um dos 7,8 bilhões de barris de reserva do campo.

Sem a luta da FUP, nem 30% a Petrobrás teria

“É bom lembrar que os 30% de participação que a Petrobrás garantiu nos campos leiloados só foram possíveis em função da resistência da FUP em 2015 e em 2016, quando a Shell e outras multinacionais, através do projeto de Serra, conseguiram alterar a Lei da Partilha, e tiraram da nossa empresa a exclusividade na operação do Pré-Sal. A resistência da FUP e de seus sindicatos que garantiu à Petrobrás exercer pelo menos a preferência dos 30%, pois o projeto original era acabar também com a participação mínima da empresa”, recorda o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, se referindo ao PLS 131/2015 do senador José Serra (PSDB/SP), que foi aprovado no Congresso Nacional, em outubro de 2016, logo após o golpe do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Se não fosse a luta da FUP, nem esses 30% a Petrobrás teria”, ressalta Zanardi.

Em dois anos de golpe, cinco leilões de petróleo

Em dois anos do golpe, o governo Temer já realizou cinco leilões de petróleo, onde entregou às multinacionais áreas preciosas do Pré-Sal, enquanto o povo brasileiro é obrigado a pagar preços absurdos pela gasolina, diesel e gás de cozinha. Considerada a maior descoberta de petróleo da atualidade, o Pré-Sal com pouco mais de dez anos de exploração, já representa cerca de 55% de toda a produção brasileira. Somente um poço produz em média 50 mil barris por dia, o que representa 63% de toda a produção da Itália e 35% da Dinamarca. Muitos países sequer conseguem produzir a quantidade que um único poço do Pré-Sal produz.

“A entrega dessas reservas está condenando gerações futuras a não poder desfrutar da riqueza desse recurso natural que foi descoberto pela Petrobrás e está sendo apropriado pelas multinacionais”, afirma Simão Zanardi.  “Estamos vendendo petróleo para depois importar derivados, isso significa exterminar com a produção nacional. Voltamos ao colonialismo dos tempos de Fernando Henrique Cardoso”, alerta, ressaltando que a Petrobrás faz o jogo do mercado e dos golpistas ao exportar óleo bruto do Pré-Sal para que as empresas estrangeiras lucrem com a importação de produtos refinados.

“A atual gestão da Petrobras está vendendo ao mercado internacional um petróleo que vai fazer falta ao Brasil. Saiu Pedro Parente e entrou Ivan Monteiro, mas a política de privatização continua”, declara o coordenador da FUP, avisando que os petroleiros seguirão mobilizados na luta em defesa da soberania nacional e contra o desmonte da Petrobrás.

No FUP
Leia Mais ►

Por que generais, Moro, Globo et caterva negam o golpe no Brasil?


Não sei quantos áudios ouvi sobre a greve dos caminhoneiros, nem quantos pitacos recebi. Reservei-me ao silêncio por não entender o que estava acontecendo. Liguei o desconfiômetro ao ver de volta aqueles que ajudaram a derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Para mim era greve de patrões, mas depois parecia não ser bem isso. Era e é como se houvesse algo mais indefinido. No final, se é que findou, fechou como se fosse. No que parecia ser o fim, a classe média que não foi pra Disney, mas potencializou a crise artificial criada pela geopolítica internacional, que gritou “qualquer coisa menos Dilma”, precisou entrar na fila para comprar gasolina até três vezes mais cara do que pré-golpe.

Como entender aquela gente de volta, pedindo intervenção militar e só falando em diesel? Diante do caos criado, por instantes pensei que dali pudesse surgir um herói candidato a presidente da República... Não. O herói não vem de lá, continua liderando pesquisas presidenciais e está preso. A ordem constitucional foi rompida, os generais se acovardaram e Sejumoro entra em decadência moral – em que pese o silêncio da dita grande mídia. Apesar do golpe com o supremo e “tudo” – o tudo entre aspas é porque até hoje ninguém explicou quem mais está por trás desse “tudo”. As instituições nacionais se acovardaram frente à geopolítica internacional e sequer lampejos nacionalistas brotam.

Nesse contexto, fiquei sem entender bem essa história de “caminhoneiros” e o papel deles na cena macabra de um golpe inacabado. Eis que de repente me passou pela cabeça que aquela história de “O Brasil virar uma Venezuela”. Não, leitor, aquilo não era uma ameaça nem uma profecia. Era uma promessa vinda do lado contrário, como parte integrante da cronologia do golpe. É como se o Brasil precisasse viver um pouco de Venezuela, ter uma lição real, sentir na pele a grande ameaça que o PT representa. De repente, não mais que de repente, recebi uma insólita mensagem de um tucano:

“Você está jogando Venezuela Life em modo ‘demo’. Ative o modo ‘full’ apertando 13 de novo nas próximas eleições”.

Curiosamente, o remetente da mensagem foi o mesmo que no final de 2016 me disse com todas as letras: “Lula para nós não é problema. Lula a gente tira de cena na hora que a gente quiser. Lula é página virada, é carta fora do baralho. Nossa preocupação é o Bolsonaro e os evangélicos”. Ele parece saber das coisas, pois no fundo é um mutante: foi de esquerda na Faculdade de Direito, flertou com Leonel Brizola e hoje surfa/flerta/patina com o tucanato.

Se não consigo entender uma (não tão) simples greve, como entender o golpe, que a própria caterva se recusa a chamar de golpe? Mas, o golpe está aí e dinheiro do petróleo que iria para a saúde no governo Dilma (Fora Temer!) ganhou caminho inverso. Depois da “greve”, o dinheiro da saúde vai financiar o petróleo.

Não sei se o idiota que expôs a filha com a placa “Fora Dilma, quero viajar para a Disney de novo” conseguiu seu intento. Mas e daí? Nem o pai sabia o que estava fazendo e provavelmente não sabe por que dólar sobe e desce, o que é golpe de estado. É tão alienado quanto os delegados Macabéa da PF.

Caos criado, para generais, Moro e Globo nada disso não vem ao caso. O importante é que Dilma saiu e Lula está preso. Os generais batem continência para um governo ladrão, Moro pede para o governo ladrão apoiar o combate à corrupção e recebe medalhas da sonegadora Globo. Esta, por sua vez, capitaneia suas afiliadas e seguidoras - aqui incluso o séquito escatológico (coprológico mesmo!) -, faz de contas que nada tem a ver com isso, pois tudo é culpa da Dilma/Lula/PT.

Com esse pano de fundo, é linguagem corrente entre os patos amarelos que, com toda sua “educação”, dizem que o problema do Brasil é educação. Mas, quem educa o brasileiro? A escola cujo professor assiste a Globo e tenta ensinar o abc às crianças que assistem Globo? Será que educação é aprender a formar palavras, ouvir histórias mal contadas sobre reis e impérios? Será que educar é decorar afluentes das margens esquerda e direita do rio Amazonas?

Do alto ou do baixo de minhas precariedades, educação (sem preciosismos pedagógicos) é, ainda que singularmente, todo um processo de apreensão intelectual de toda uma conjuntura exterior, nela incluindo o imaginário. Desse modo, qual o papel dos meios de comunicação nisso tudo? O que fazer frente a isso, quando um ministro da dita Corte Suprema diz que precisa julgar segundo os anseios sociais? O que fazer quando os meios de comunicação de massa são nocivos e fabricam anseios de sua conveniência? O que fazer se os Sejumoros da vida alimentam os tais meios de comunicação e juízes julgam conforme anseio social que eles mesmos fabricam em conluio com a grande mídia? Rasgar a Constituição, proferir sentenças casuísticas, colher depoimentos sob tortura, fazer prisões ilegais e derrubar uma presidente sem crime nada disso vem ao caso...

Eis o caos criado para realinhar o Brasil à geopolítica internacional, sobretudo voltado para os interesses dos que controlam 99% da riqueza do mundo. Ainda que isso custe o abrir mão da soberania, dilapidar o patrimônio nacional, cuspir na bandeira que acoberta a infâmia e a covardia (Castro Alves).

Foi nesse contexto de anomalia social brasileira, que assisti trecho de um programa do canal de TV alemão ZDF. O episódio “Die Anstalt” (A Instituição) é uma sátira com fortes críticas ao neoliberalismo, seus efeitos nocivos para o mundo. Os atores ironizam o fato dos teóricos do neoliberalismo, patrocinadores da miséria no mundo, terem sido agraciados com Prêmio Nobel. O tal prêmio funcionou como selo de garantia para a miséria no mundo se alastrar. Perplexos com a cara de pau dos protagonistas que defendem a “privatização, redução de impostos e destruição do Estado de Bem-estar Social”, os interlocutores perguntam aos “donos do mundo”:

- Por que razão vocês revelam com tanta clareza (cara de pau) tais atrocidades?. - “Por que ninguém vai acreditar em vocês”, responde uma das personagens.

A pergunta, em tese, serve para generais, Moro, Globo et caterva. Por que vocês tentam negar o golpe? “Por que ninguém vai acreditar em vocês”.

Armando Rodrigues Coelho Neto - jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
No GGN
Leia Mais ►

Empresa de diretor da Fiesp é alvo de apreensão recorde de madeira ilegal


Ibama e PF confiscaram em SP 1,8 mil m³ da Indusparquet, que abasteceu também mansão de Bono Vox na França; um dos sócios da madeireira, José Antonio Baggio, é diretor da Fiesp

A maior apreensão de madeira da Amazônia feita em São Paulo pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no último dia 24 de maio, teve como alvo uma empresa que já exportou para o Vaticano. A Indusparquet, de Tietê (SP), forneceu também pisos para o Taj Mahal, na Índia, e para a residência do astro pop – e defensor das florestas – Bono Vox, o líder da banda U2.

O Ibama e a Polícia Federal recolheram 1,818 mil metros cúbicos de madeira serrada, estocada no depósito da Indusparquet, em Tietê, no interior paulista. Uma “apreensão recorde”, conforme a divulgação das instituições. Um dos sócios da empresa, José Antonio Baggio, é um dos 91 diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os principais sócios da Indusparquet são Baggio e seu primo Luiz Francisco Fávero Uliana. Baggio preside o Sindicato das Industrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas do Estado de São Paulo (Sindimad) e tem Uliani como suplente.

A casa de Bono Vox na Riviera.
Foto: Reprodução

Por meio da Masterpiso, empresa do Grupo Indusparquet, Uliana e Baggio fornecem seus pisos e revestimentos, todos em madeira, para mais de 40 países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Bélgica, Venezuela, Portugal e Vaticano.

Em reportagem – exaltadora – sobre a empresa, em 2016, a revista Casa Vogue contou que os pisos fornecidos pela madeireira ornamentaram a Casa de Santa Marta, no Vaticano. É lá onde se hospedam os cardeais durante os conclaves. E onde o papa Francisco escolheu morar.

Os tacos da Indusparquet também ornam o Theatro Municipal do Rio de Janeiro; o monumento Taj Mahal, na Índia, Patrimônio da Humanidade conforme a Unesco; uma das salas da premiação do Oscar, em Los Angeles; e uma das residências de Bono Vox, a mansão na península de Saint-Jean-Cap-Ferrat, na França – um tradicional destino de milionários na Riviera.

Bono Vox é um conhecido defensor da Amazônia.

OPERAÇÃO COMBATE FRAUDES EM DEPÓSITOS

De acordo com a Polícia Federal, 70 agentes e quatro engenheiros ambientais acompanharam a apreensão, que faz parte da Operação Pátio, que combate esquema de fraudes na homologação de depósitos de madeireiras. Isso significa que o material apreendido no local não foi devidamente declarado e, portanto, não há como comprovar sua origem.

A madeira apreendida em Tietê.
Foto: Ibama

A Operação Pátio cumpriu 13 mandados de prisão e nove para busca e apreensão. Além do município de Tietê, sede da Indusparquert, os agentes também atuaram em São Bernardo do Campo, Piracicaba e Osasco.

“Há indício da homologação de ‘pátios’ fictícios, utilizados somente para as atividades do grupo investigado”, explicou a PF em nota sobre a operação. “Até o momento, cerca de 8 mil m3 de créditos em madeira fictícios foram gerados pelo servidor. O volume corresponde a 325 caminhões carregados com madeira”. A instituição constatou “prejuízo ao erário público e ao meio ambiente.”

Ainda de acordo com a Polícia Federal, os envolvidos serão indiciados por associação criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e violação de sigilo de dados.

EMPRESA DIZ SEGUIR DIRETRIZES EUROPEIAS

Ao Estadão, a Indusparquet alegou que as autuações se devem a “irregularidades formais e burocráticas”, que atingiram um “percentual irrelevante do estoque da empresa”. A empresa argumenta que sua preocupação com o meio ambiente sempre esteve ligada à aquisição da matéria-prima de origem 100% legal, “proveniente de florestas com plano de manejo florestal”.


Segundo a madeireira, ela possui o selo CE – Certification Europeenne, “que comprova que seus produtos estão de acordo com as exigências e diretrizes da União Europeia”. Parte dos produtos, ainda, é certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), “que identifica produtos fabricados com madeiras provenientes de florestas exploradas”. E possui o Certificado Madeira Legal Cadmadeira, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Alceu Luís Castilho e Igor Carvalho
No De Olho nos Ruralistas



Comunicado da Indusparquet

No período de 24 a 30 de maio, a Indusparquet e outras madeireiras foram alvo da Operação Pátio, conduzida pelo Ibama, e que teve como objetivo combater eventuais fraudes no sistema de vendas de madeira proveniente da Amazônia.

Segundo o relatório de apuração do Ibama, a Indusparquet foi autuada por INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AMBIENTAIS o que significa diferenças burocráticas nos controles internos da empresa, como por exemplo, a transferência de produtos da fábrica para o depósito (filial).

Houve divergência na contagem física do estoque de madeira comparando-se à contagem realizada pelos fiscais do Ibama, ou seja, a conversão de produto intermediário e acabado para madeira bruta resultou em um crédito virtual acima do saldo do estoque físico.

Lamentavelmente, foram divulgadas na mídia e nas redes sociais informações distorcidas sobre o resultado da apuração no estoque da Indusparquet. Estamos trabalhando incansavelmente para identificar essas divergências burocráticas o mais rápido possível, e assim normalizar a emissão do Documento de Origem Florestal (DOF) e entrega dos pedidos, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Com mais de 48 anos de atuação no mercado de madeiras local e internacional, nossa empresa é líder na fabricação de pisos de madeira tropical no país, tendo como pilares a sustentabilidade, a qualidade de seus produtos e o respeito aos clientes, parceiros e colaboradores. Reforçamos nosso compromisso de trabalhar somente com madeiras provenientes de origem legal regularizada pelo Ibama.

Nos colocamos à disposição para mais informações, se necessário.

José Antonio Baggio     Luiz Francisco Uliana

Leia Mais ►

Revelação de ex-presidente da Fifa confirma envolvimento da Globo na corrupção do futebol mundial


No livro “Minha Verdade”, que acaba de lançar na Europa, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, informa que descobriu que dinheiro da Rede Globo foi desviado para a criação de uma “caixa-preta” no futebol.

Segundo resenha publicada por Jamil Chade, em O Estado de S. Paulo, Blatter revela que, num primeiro momento, imaginou que o esquema usado para pagamento de propina — “caisse noir” — envolvesse, da parte da Fifa, apenas Ricardo Teixeira e não João Havelante, sogro de Teixeira, o presidente mais longevo da entidade.

Mas Blatter conta que, depois, tomou conhecimento, através do processo conduzido no tribunal do cantão de Zug, Suíça, que o dinheiro desviado acabou em contas de Havelange também — US$  1 milhão (R$ 3,7 milhões em valores atuais). Ricardo Teixeira, segundo ele, ficou com US$ 12,4 (R$ 45,4 milhões).

Blatter não cita o nome da Globo nem faz referência a seu envolvimento direto no pagamento de propina. A ISL, empresária intermediária condenada na Suíça, é quem fazia os pagamentos. Segundo Chade, a referência à TV Globo é mantida sob sigilo no processo.

Na série de reportagens que publiquei no DCM, contei que o dinheiro que saiu da Globo, em 1998, para assinatura do contrato que garantiu para a Globo os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006 fez escala em uma série de paraísos fiscais, com ponto de partida no Uruguai até cair na conta da ISL, a intermediária da propina.

A Globo sonegou impostos no Brasil, ao simular a compra de uma empresa no exterior que detinha os direitos de transmissão, a Empire, com sede em Road Town, nas Ilhas Virgens Britânicas. Leia reportagem com o tributarista Jarbas Machione e o documentário do DCM sobre sonegação da Globo.

Quando estive em Road Town, nas Ilhas Virgens, descobri que era apenas uma empresa de papel, criada pelo próprio Grupo Globo, como admitiu a própria empresa, na fase final da investigação da Receita Federal no Brasil.

Nos documentos encontrados na ISL, a então vice-presidente Globo, Marluce Pinto, e o diretor Marcelo Campos Pinto, assinam o contrato juntamente com a Empire, no ato representada por um laranja.

Como a Empire se tornou, formalmente, detentora dos direitos de transmissão, a Globo usou benefícios fiscais, com base na lei que incentivava a expansão de empresas nacionais no Exterior, para adquirir os direitos de transmissão.

Deveria pagar pelo menos 15% de imposto de renda, alíquota devida na aquisição de qualquer bem no exterior, mas não pagou nada. Pelo contrário, contabilizou a compra da Empire, empresa dela própria, como despesa e, com isso, reduziu o imposto a pagar.

O auditor fiscal que conduziu o processo administrativo multou a Globo em mais de R$ 600 milhões (em dinheiro de 2006) e determinou a denúncia dos controladores da empresa, Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marino e José Roberto Marinho, ao Ministério Público Federal por crime contra a ordem tributária.

Na véspera da representação da Receita Federal ser encaminhada para o MPF, o processo desapareceu de uma delegacia do Fisco no Rio de Janeiro, subtraído por uma funcionária de baixo escalão, mais tarde exonerada do serviço público e hoje moradora um apartamento que vale 4 milhões de reais em Copacabana, em prédio vizinho àquele em que Roberto Marinho tinha um triplex, famoso pelas festas de Reveillon.

A ex-funcionária da Receita Federal chegou a ficar alguns meses presa, mas foi liberada por habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

O Ministério Público Federal, alguns anos depois, provocado por uma associação de jornalistas independentes, arquivou a denúncia contra a Globo, depois de uma investigação preliminar conduzida pela Polícia Federal.

O mecanismo narrado por Blatter para descrever a caixa preta gerada pelo dinheiro da Globo é semelhante ao narrado por um empresário de marketing esportivo da Argentina, em depoimento de colaboração com a justiça americana,  Alejandro Burzaco.

Segundo ele, a Globo pagou por direitos de transmissão da Copa América muito mais do que o valor de mercado, a empresas intermediárias, para gerar caixa 2 que resultavam no pagamento de propina.

Entre os que receberam propina, de acordo com a investigação, estão José Maria Marin, ex-presidente da CBF, preso nos Estados Unidos, e Marco Polo Del Neto, banido do futebol pela Fifa e hoje refugiado no Brasil, assim como Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, que também não sai do país para não correr o risco de ser preso.

A revelação de Blatter coloca a Globo mais uma vez na condição de empresa no polo ativo da corrupção do futebol internacional, agora às vésperas de mais uma Copa do Mundo.

A Globo, como registra a reportagem de Jamil Chade, nega que tenha agido com dolo nessa esquema de propina.

“O Grupo Globo sempre negociou direitos de transmissão de boa-fé. Nas suas relações comerciais, como em todas as suas atividades, nada é mais importante do que adotar práticas éticas e transparentes. O Grupo Globo não tem conhecimento desses fatos e reafirma que não tolera nem paga propina”, informou.

Para usar a linguagem futebolística, é como se a Globo dissesse que todos os corruptos marcam gol para o time dela, isto é, em seu benefício, mas ela não tem nada a ver com isso.

Soa tão verdadeiro quanto imaginar que, na próxima Copa, o Panamá, estreante no mundial, levantará o caneco.

Não dá, impossível de acontecer.

Mas só uma tragédia pessoal poderá impedir que a maioria da população tenha de conviver com Galvão Bueno, no monopólio de transmissão em TV aberta no Brasil, gritando, ufanisticamente, que a Seleção Brasileira é um orgulho nacional.

E até é, pelo talento de seus jogadores. Mas a Globo é uma vergonha.

* * *

Para ver todas as reportagens da série Caso de Sonegação da Globo, financiada pelos leitores através de crowdfunding, acesse o arquivo de especiais DCM.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►