4 de jun de 2018

Bolsonaro diz querer manter o Bolsa Família após chamá-lo, entre outras coisas, de “crime”. Que tiro foi esse?


Bolsonaro continua em sua louca cavalgada para convencer os incautos de que não é Bolsonaro.

De olho em eleitores de menor renda, ele prepara uma “carta de princípios” na qual se comprometerá a manter o Bolsa Família com “mais auditorias” — seja lá o que isso significa.

A estratégia é formalizar compromissos na área social e ver se morde votos de Marina Silva e Ciro Gomes, ambos bem avaliados entre mais pobres.

“Lula está fora de combate”, diz Bolsonaro. “Eu vou fazer a minha parte.”

A campanha está preocupada com os rumores de que o candidato pode acabar com o programa.

O grande responsável por esse temor é o próprio JB, que amealhou fãs cabeças ocas, fascistoides do “estado mínimo”, criticando pesadamente o Bolsa Família, um “investimento em acomodação”.

“No Nordeste, você não consegue encontrar uma pessoa pra trabalhar na tua casa”, falou.

Em agosto, na Festa do Peão Boiadeiro, em Barretos (SP), declarou que o programa só é necessário para uma minoria e que “não vai ser com caridade que o Brasil vai sair dessa situação crítica”.

“Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto.”

Abaixo, o que Bolsonaro realmente pensa do assunto:





Kiko Nogueira
No DCM
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A institucionalidade é uma prisão mental

A institucionalidade é uma prisão mental.

Ela produz "um" mundo e nos impele a tratá-lo como se fosse "o" mundo.

Daí tantos bacharéis em Direito que acham que, já que conhecem a lei, conhecem o mundo. E daí tanta gente boa que acha que a luta política é equivalente à luta por votos e por cargos.

Tenho repetido que não vamos conseguir reverter o golpe e avançar na construção de um país menos injusto e menos violento se não recuperarmos a capacidade de pressão do movimento popular. O que mais ouço, como resposta, é:

– Mas com esse Congresso não dá! O fundamental é eleger deputados mais progressistas!

Eleger um Congresso de esquerda é bacana (embora muito improvável). Mas a composição do parlamento não é o único dado, nem o mais importante. O fato é que o capital nunca deixa de fazer sua pressão extra-institucional sobre o poder político. Numa sociedade capitalista, esta pressão está na “natureza das coisas”, por assim dizer. E, quando necessário, as corporações não deixam de mobilizar expressamente seus recursos, em público ou nos bastidores.

Se nós, do lado de cá, julgarmos que tudo se limita a fazer campanha e a delegar a decisão a fulano ou beltrano, é claro que o jogo já está perdido desde o começo.

Aliás, a metáfora do jogo também contribui para isso. O foco na eleição permite que a gente veja a política como um campeonato. Em outubro saberemos quem leva o troféu. Aos perdedores resta repensar a tática e renovar o plantel, à espera do novo torneio. Mas a política não é isso (felizmente, eu diria).

O nosso fechamento mental nessa institucionalidade é um efeito ideológico proposital da domesticação do conflito pela competição eleitoral – que foi uma conquista histórica dos dominados, mas é também uma forma muitíssimo limitada de democracia, com fortes vieses que beneficiam a expressão dos interesses dos grupos mais poderosos e a reprodução das relações de dominação existentes. Precisamos lutar contra ele, para melhorar nossas condições de lutar pela transformação do mundo.

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Privacidade é direito dos brasileiros


A economia globalizada tem como necessidade básica o processamento de dados pessoais nas mais diversas cadeias produtivas. Quando não há legislação específica, essa realidade traz riscos à privacidade dos cidadãos, direito fundamental nas principais Constituições democráticas do mundo.

Os brasileiros estão cada vez mais expostos ao vazamento de informações, que pode comprometer a dignidade da pessoa humana. Faz-se necessário garantir o direito à privacidade das pessoas, a efetiva proteção sobre suas informações pessoais, ao lado da observância de parâmetros para uma segura e viável utilização econômica.

Regras claras e previsíveis sobre o uso econômico dos dados dos cidadãos são essenciais para equilibrar dois pressupostos constitucionais: o respeito à privacidade e à livre iniciativa. O Brasil precisa aprovar um marco legal soberano, mas harmônico com normas internacionais para dar segurança às pessoas e também estimular a atividade econômica por meio da atração de data centers e das gigantes ponto.com.

Essa legislação torna-se ainda mais urgente a partir de agora, depois do escândalo envolvendo a manipulação de dados de 87 milhões de usuários do Facebook, sendo 443 mil brasileiros. Além disso, no dia 25 de maio, entrou em vigência plena a normativa europeia (Regulamento Geral de Proteção de Dados – GDPR). O objetivo é dar resposta aos rápidos avanços tecnológicos e à globalização, que trouxeram níveis mais amplos de compartilhamento de informações no mundo.

Como o arcabouço jurídico europeu veda a transferência internacional de dados para países que não possuem legislação capaz de garantir a mesma proteção dada na Europa, o Brasil pode perder uma série de investimentos. Essa situação mostra o quanto os setores econômicos brasileiros baseados em tecnologia estão engessados. Se não fosse essa limitação, eles poderiam atrair grandes empresas tecnológicas de informação e comunicação europeias e ter até mesmo papel fundamental na retomada do crescimento do país.

Atualmente, pelo menos 125 países têm legislação de proteção de dados. Destes, 100 já criaram autoridades centrais para fiscalizar a aplicação das normas, seguindo orientação da resolução da Organização das Nações Unidas (ONU). Na América Latina, a Argentina já tem lei específica, desde 2000, sendo o primeiro país latino-americano a ganhar certificação da União Europeia como país adequado às exigências do bloco. Uruguai, Chile, Costa Rica, Peru, Colômbia e México são outros exemplos.

Como relator da Lei Geral dos Dados Pessoais, construí um texto após amplo debate durante dois anos com os mais diversos segmentos. Proponho uma lei principiológica, com diretrizes e princípios estáveis. Consolidamos conceitos de forma precisa, como o de dado pessoal, dado sensível, dado anônimo, legítimo interesse, consentimento, segurança da informação e responsabilidades para quem violar a privacidade. A lei proposta é flexível para que se adapte às inovações tecnológicas. Incorporamos o que há de mais avançado na legislação internacional.

Instituímos como direitos dos titulares dos dados o conhecimento sobre o compartilhamento com entidades públicas e privadas, informações claras sobre o consentimento ao uso e as consequências da negativa deste, além da possibilidade de revogação do consentimento. No caso de dados sensíveis, previmos o consentimento específico e para finalidades determinadas.

Consideramos ilegal a coleta de dados de crianças abaixo de 12 anos sem expressa autorização dos responsáveis legais. Para facilitar a pesquisa e novas descobertas na área de saúde pública, autorizamos que órgãos de pesquisas utilizem as informações com a finalidade específica de pesquisas.

A aprovação do texto por unanimidade na Câmara é um feito extraordinário. É fundamental garantir que passe também no Senado e vá à sanção presidencial neste momento em que o mundo atualiza suas normas. As regras existentes, como o Marco Civil da Internet, o Código de Defesa do Consumidor e a Lei de Acesso à Informação, são dispersas e insuficientes para regular questão tão complexa.

A lei geral proposta está ancorada nos princípios fundamentais de respeito e valorização dos direitos e da dignidade da pessoa humana, que devem sempre estar salvaguardados. Ao mesmo tempo, procuramos absorver preocupações de setores econômicos. O ambiente democrático e plural de debate que permeou os trabalhos da Comissão Especial produziu uma legislação versátil, moderna e capaz de adaptar o Brasil aos desafios da era digital.

Orlando Silva, Líder do PCdoB na Câmara, deputado federal por São Paulo e relator da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais no Brasil.
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Tir​em​ o cadáver do Jaburu

Celso Amorim: lembrem-se deste nome!


O Conversa Afiada reproduz artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo ​Joaquim Xavier:

Não é preciso ser pitonisa, nem posar de “especialista”, para prever que os próximos meses serão de convulsões sociais mais ou menos graves do que a greve dos caminhoneiros. Basta examinar a História.

A vitória retumbante do movimento nas estradas mostrou que o temer está na lona do ringue, sob contagem regressiva daqueles juízes que esperam chegar a 10 para decretar a derrota inapelável.

Já se observam saques e depredações pelo país. Professores de São Paulo se mantêm irredutíveis na defesa de uma convenção coletiva de trabalho que os patrões querem rasgar empoleirados na reforma patronal aprovada pelo congresso de bufões. Universidades estão em pé de guerra. Campanhas salariais importantes se aproximam. Mais: três meses após um assassinato covarde, o caso da vereadora Marielle e do motorista Anderson permanecem insolúveis, apesar de o Rio ser tingido de verde oliva por uma intervenção desesperada. Lula está encerrado numa masmorra solitária desde 7 de abril!

Mesmo o caso dos combustíveis, apesar do êxito inconteste, assemelha-se mais a uma trégua do que a um caso encerrado. Os preços não cederam ao ponto acordado. A gasolina sobe diariamente.

E o gás de cozinha, insumo básico das famílias mais sacrificadas, continua sendo vendido a preço de artigo de luxo. As fagulhas estão por todos os lados.

Certo, Parentemer caiu. Fugiu, para ser mais preciso. Em breve estará empregado de novo. Seu apego ao Brasil sempre se mediu pela gordura da sua conta bancária. É disso que ele continuará tratando, parasita contumaz que é e sempre foi dos interesses mais selvagens do pessoal do 1%.

Mas ele é apenas uma metástase. O tumor original, o foco da moléstia que devastou o pais em apenas dois anos, continua lá, instalado no Jaburu como “cadáver entronado” – a expressão é insuspeita por ter sido cunhada por um dos porta-vozes da elite golpista, a Folha de S. Paulo. De cadáveres pode se esperar tudo, menos que ressuscitem como o contrário do que sempre foram.

Muita gente pede paciência posto que faltam quatro meses para eleições, que nem sequer sabe-se se haverá. Na verdade, sete meses até a transferência de temer para o xadrez. Parece nada para os poucos que sobrevivem acima da linha d´água, mas para o povo que enfrenta o dia a dia na penúria, é demais.

A elite homicida sabe disso muito bem. O supreminho apodrecido está aí para provar. Lerdo como um cágado para votar a liberdade de Lula, rápido como um raio para manter um ladrão tucano como Paulo Preto fora da cadeia, marcou para daqui a duas semanas mais um golpe dentro do golpe.

Cármen Lúcia e seus ​(...)​ querem votar se este congresso de calhordas pode se autoconceder poderes para instituir o parlamentarismo. O ato dá a medida da natureza da crise: mesmo com Lula preso, e na hipótese de ser banido, dá-se como líquido e certo que nenhum candidato da direita pode vencer as eleições. Que então se entregue o executivo a um congresso que vai ser eleito com regras que favorecem abertamente os magnatas, o agronegócio, a bancada da bala, a banca financeira insaciável, os escravocratas.

Tudo é volátil no horizonte onde um cadáver entronado apodrece no Jaburu. Ninguém pode descartar que temer seja derrubado num arranjo parlamentar. Nesse caso, nada menos que eleições antecipadas, livres e democráticas, com Lula candidato, pode ser aceito pelo povo soberano.

A defesa de Lula candidato, vote-se ou não nele, concentra esta bandeira. Abrir mão dela neste momento é entregar os anéis para sinalizar que se está disposto a ceder os dedos. Mas só os incautos imaginam que o tal plano B não seja o tema que domina os bastidores – inclusive dentro do PT.

O ideal, do ponto de vista progressista, democrático, seria uma união entre Lula e Ciro Gomes. Mas por tudo o que se tem visto, ainda desta vez o horizonte mesquinho, de Ciro principalmente, impõe-se como obstáculo. Seus ataques, velados ou não, a Lula, revelam um personalismo intrigante que não combina com que afirma defender os interesses do Brasil. Nesta hipótese, as atenções se voltam para quem Lula escolherá para vice enquanto sua candidatura sobrevive à artilharia dos saqueadores do Brasil e aos ataques dos “muy amigos”. Pelas suas credenciais e serviços prestados ao Brasil, Celso Amorim é personagem cada vez mais forte nesta equação. Lembrem-se deste nome.
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Petrobras vende combustível mais caro que o valor internacional


O engenheiro e consultor técnico para assuntos de petróleo e gás da Câmara dos Deputados, Paulo José Ribeiro Lima, denuncia o lucro absurdo da Petrobras, que chegava a mais de 150%, antes da crise e a prática de preços muito acima do praticado no mercado internacional.

Segundo o engenheiro especializado no assunto, a Petrobras reduziu a produção do refino, importando derivados, devido a perda de parte do mercado, por uma direção desastrosa de Pedro Parente.

Assista ao vídeo abaixo.



No A Postagem
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O TCU e os “Prejuízos” do Brasil na Venezuela e em Cuba



A imprensa informa que o Tribunal de Contas da União estaria “investigando” as administrações petistas por supostos prejuízos dados ao BNDES, com o financiamento, em condições subsidiadas, de governos “vermelhos”, como os de Cuba e Venezuela, na construção de obras como o Porto de Mariel e o metrô de Caracas.

O financiamento da exportação de serviços e obras para o exterior vem do tempo dos governos militares, vide as obras da Mendes Jr. no Iraque, por exemplo.

Segundo publicado, os "subsídios" a Cuba teriam ocorrido no prazo concedido para pagamento, com 300 meses para pagar no lugar dos 120 usuais.

Tudo isso, na extraordinária quantia de 68 milhões de dólares, oito vezes menos do que o Brasil exporta por dia; 0,03% do 1 trilhão de reais que, segundo o impostômetro, foi arrecadado pelo governo neste ano, até ontem, 4 de junho; ou mais ou menos o que o governo federal transferiu do orçamento público para os bancos, em juros, a cada 5 horas, no ano passado, sem gerar um miserável emprego, com relação aos que foram criados para brasileiros, dentro e fora do país, pelo projeto do Porto de Mariel, na engenharia, na fabricação e transporte de veículos e equipamentos, etc, etc, etc.

A imprensa brasileira também "informa" que o porto cubano seria um fracasso devido ao esfriamento da aproximação dos EUA com Cuba com a vitória de Trump e o pequeno número de empresas instaladas na sua zona de desenvolvimento até agora.

Até fevereiro deste ano, já estavam funcionando na zona industrial do porto a sul-coreana Arco33, a Womy Equipment holandesa, a francesa Bouygues, a portuguesa Engimov Caribe, a espanhola Tecnologias Constructivas, a Bihn Global do Vietnã, e até mesmo grandes multinacionais ocidentais como a UNILEVER e a Caterpillar.

Por outro lado, pode ser um equívoco achar que o projeto do Porto de Mariel foi feito pensando apenas na proximidade com os EUA, embora esta possa ser importante para ele no futuro.

O que está por trás do seu projeto é, principalmente, a construção pela China do canal inter-oceânico da Nicarágua, que concorrerá com o canal do Panamá, e que está programado para receber mais de 5000 navios por ano.

É para esse canal que o porto cubano operará como entreposto de containers, com o transbordo de mercadorias fabricadas na China para navios menores, para distribuição dirigida para seus clientes finais nos quatro quadrantes do Atlântico.

Já no caso venezuelano, Caracas teria dado um “calote” de pouco mais de 300 milhões de dólares ao Fundo de Garantia à Exportação e ao Banco Credit Suisse.

Vinte vezes menos, portanto, que o lucro que o Brasil teve no comércio com a Venezuela, apenas em 2012, quando o superávit com aquele país foi de 6 bilhões de dólares - ou quase 20 bilhões de reais, com tudo o que isso representa em termos de empregos - líquidos - em nosso país para possibilitar a exportação de bens nesse valor.

Tudo isso alcançado graças, justamente, à política de aproximação com a Venezuela, obtida também, naturalmente, com o financiamento de projetos de engenharia naquele país pelo BNDES.

Como fazem, com seus bancos de fomento, em todo o planeta, as nações mais poderosas do mundo.

O EXIM, Export-Import Bank of the United States, o BNDES dos EUA - para quem defende que só se invista aqui dentro, um país com mais de 40 milhões de miseráveis segundo o USA Census Bureau e sequer um sistema de saúde pública que possa atender mal e porcamente, como muitos afirmam que acontece aqui, o cidadão comum norte-americano - investiu, apenas nos últimos 5 anos, 140 bilhões de dólares no financiamento em exportações e obras no exterior, gerando, aproximadamente, 785.000 empregos.

O mesmo fazem outros bancos públicos semelhantes, do Japão, Coréia do Sul, China - o maior do mundo - e Alemanha.

Que, naturalmente, como qualquer quaisquer outras instituições financeiras, têm prejuízos em algumas operações e ganhos em outras.

Cumprindo todos eles, no entanto, um papel fundamental na projeção geopolítica de seus respectivos países no exterior, como tem que fazer, bem ou mal, o Brasil, que não pode ficar fazendo conta de padaria, tratando-se, como se trata, da nona maior economia e do quinto maior território e população da planeta.

Desta nobre esfera azul, na qual, ao contrário do que insiste em dizer o discurso neoliberal hipócrita e mendaz vigente, o Estado está cada vez mais forte e presente, como mostram exemplos como a própria China e o "pacote" de investimentos de um trilhão de dólares em infraestrutura, projetado pelo governo Donald Trump para reaquecer a economia dos EUA.

Uma realidade que se faz questão de manter ignorada, quando não é ridicularizada e desprezada pela raça de vira-latas entreguistas e americanófilos apátridas em que estamos nos transformando.

Mesmo assim, se o negócio dos Ministros do TCU é medir um país como uma quitanda de esquina, pelas meras colunas de perdas e ganhos - como uma nação que não merece ter maiores preocupações estratégicas ou legítimos anseios geopolíticos - vamos aos números, da Brasil Ltda (ou S.A, como queiram) no tempo em que esteve sob a “antiga” direção, indicada pelo voto direto, entre os anos de 2003 e 2015, período no qual o PIB brasileiro em dólares chegou a se multiplicar por cinco, depois de recuar - segundo estatísticas do próprio Banco Mundial, junto com a renda per capita - nos malfadados oito anos do governo neoliberal de Fernando Henrique:

Lula e Dilma deram um prejuízo de menos de 400 milhões de dólares ao Brasil em empréstimos do BNDES a empresas brasileiras - para a criação de empregos com essas operações, para brasileiros, dentro e fora do Brasil, por meio da exportação desses serviços para Cuba e Venezuela?

Não, senhores conselheiros do Tribunal de Contas da União.

Na ponta do lápis, eles deram mais de 800 vezes esse valor, em dólares, de lucro ao país, com o pagamento da dívida com o FMI, de 40 bilhões de dólares em 2005, e o acúmulo de mais 380 bilhões de dólares em reservas internacionais - boa parte delas em comunistíssimas aplicações em títulos do governo norte-americano - que nos levaram à condição que ainda conservamos, a duras penas - de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, como os senhores podem conferir no site oficial do tesouro dos EUA, procurando por mayor treasuries holders no Google.

Sem aumentar - como se mente descaradamente por aí - a dívida pública, já que tanto a Bruta como a Líquida foram entregues por Dilma Roussef a Michel Temer em patamares inferiores aos que estavam, com relação ao PIB, às vésperas de Lula assumir o poder, em dezembro de 2002.

Os governos Lula e Dilma deram prejuízo ao BNDES?

Não que se saiba, por mais que se tente enganar e manipular a população brasileira.

Fora os mais de 1.2 trilhões de reais deixados em reservas internacionais, eles ainda legaram ao país, no caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mais 260 bilhões de reais em dinheiro, que foram usados criminosamente pelo governo Temer para pagar “adiantadamente” ao Tesouro uma dívida que poderia ser liquidada, como estava programado, em 30 anos.

Uma verdadeira montanha de recursos que poderia ter sido utilizada na retomada de obras interrompidas de forma suicida pela justiça nos últimos quatro anos.

Para tentar substituir ao menos alguns das centenas de milhares de empregos eliminados sem nenhuma necessidade - para investigar corruptos não é preciso nem se deve massacrar empresas e riqueza, trabalhadores, investidores, acionistas, fornecedores - pela autêntica bomba de nêutrons da Operação Lavajato.

Seria bom que certos órgãos - cuja assessoria tem plena ciência desses dados - e certa mídia deste país, parassem agir como se estivessem se esforçando para ludibriar o Brasil permanentemente, mostrando apenas um dos lados da moeda.

Por mais que se tente, com isso, imbecilizar a nação, a verdade é que nem todos, neste país, pertencem à espécie - que vem se multiplicando, nos últimos tempos, principalmente na internet, como vermes imersos em chorume - dos idiotas e energúmenos.
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Os paneleiros arrependidos

Surge nas cidades brasileiras uma nova categoria de engajados: os ex-paneleiros que lamentam ter colaborado para a ascensão de Michel Temer, à frente do governo mais impopular da história


Rodolfo Gonçalo lamenta ter se deixado “contaminar” pelo que falavam de Dilma dentro de seu táxi
Emily Almeida
Eles voltaram. No último domingo à noite, enquanto Michel Temer anunciava em rede nacional um conjunto de medidas para tentar encerrar o movimento dos caminhoneiros grevistas, o barulho das caçarolas tomou conta de diferentes cidades do Brasil. Frequentes nos meses que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff, os panelaços foram momentos ruidosos de união cívica entre cidadãos desejosos da deposição da presidente. Muita coisa mudou de lá para cá. O governo impopular da petista foi substituído por um governo ainda mais impopular, que atingiu os maiores índices de reprovação da história. Surgem agora, em meio aos problemas de abastecimento provocados pela paralisação dos caminhoneiros, os primeiros “paneleiros” arrependidos de terem protestado pela queda de Dilma e colaborado para a ascensão de Temer.

O servidor público Mário Rodrigues Magalhães, de 33 anos, mirava o nada durante o início da tarde da terça-feira 29 de maio. Sentado em um dos bancos do Largo da Carioca, entre a praça do metrô e o caminho que leva ao edifício do BNDES, no centro do Rio de Janeiro, vestia camisa social listrada, calça social e sapatos de couro, ambos pretos. Com os braços cruzados, ele se disse angustiado desde o fim da semana. “Esse clima de pânico geral, não tem como não se abalar.”

Para ele, mesmo considerando os constantes atrasos de salário nos últimos anos, o momento em que esteve mais preocupado foi na última semana, ao acompanhar as consequências da greve e o desabastecimento de itens básicos nos supermercados, hospitais e postos de gasolina. No domingo, ele e sua mulher, Mara, assistiam à televisão em sua casa no Méier, bairro da Zona Norte do Rio, quando ouviram o pronunciamento de Temer para os transportadores de cargas. Mara repetiu então um gesto que não fazia havia quase dois anos: foi à cozinha, pegou as panelas e repetiu o panelaço que já tinha feito na época em que Dilma Rousseff ocupava a Presidência da República.

“Minha mulher bateu panela contra a Dilma. Neste último (pronunciamento de Temer) também”, contou sorrindo. Ele afirmou que a vida não melhorou como esperava após a troca de governo. “Fui a favor do impeachment por causa da corrupção, das denúncias, dos escândalos, tudo isso aí mancha muito”, explicou. No entanto, revela que a família mudou de ideia e acredita que a mudança resultou em mais dificuldades.

“Talvez tivesse sido melhor ela (Dilma) ficar, não está acontecendo nada de diferente em relação a antes”, disse Magalhães, que declarou ter votado na petista. Para ele, os índices de economia que melhoraram nos últimos anos não passam de dados para propaganda. O que conta, em sua visão, são o aumento do desemprego, a alta nos preços de combustível e do custo de vida.

Maisa Pacheco diz que se sentiu “manipulada” nos protestos pelo impeachment (Foto: LEO MARTINS/AGÊNCIA O GLOBO)
Maisa Pacheco diz que se sentiu “manipulada” nos protestos pelo impeachment
Leo Martins

A apenas alguns metros de Magalhães, a funcionária de um escritório de contabilidade no centro do Rio, Denise Lopes, de 52 anos, amarga um arrependimento semelhante. Trajando uma blusa azul com detalhes verdes e pretos e uma calça jeans, ela retornava apressada para o escritório após o almoço quando encontrou a reportagem. Também expressava um sentimento de cansaço.

Lopes afirmou que só não chegou a fazer panelaço no domingo porque mora em um local isolado na Portuguesa, na Ilha do Governador. “Ninguém ia ouvir, minha casa é bem afastada. Não adiantaria”, explicou. Ela contou que foi favorável ao impeachment que derrubou Dilma Rousseff, mas também avalia que a troca não trouxe o resultado que esperava. “Fui a favor porque achava que deveria mudar pelo povo brasileiro, que falava não ao governo”, lembrou. Eleitora da petista, Lopes disse que não suportava mais as denúncias de corrupção que envolviam o PT e também achava Dilma omissa em relação à situação dos serviços públicos. “Ela estava fazendo um governo incompetente. Não estava preocupada com o povo brasileiro, assistia algumas partes do Brasil, mas não o povo inteiro.”

Dois anos depois, Lopes afirmou que lamenta a troca há algum tempo. Para ela, o estopim nem foi a greve do transporte, mas as denúncias envolvendo o presidente Michel Temer na delação da JBS e, especialmente, o projeto anunciado por ele para mudar as regras da aposentadoria na reforma da Previdência. “Quando comecei a ver o próprio Temer com as decisões dele em relação à (reforma da) Previdência, a gente viu que foi uma coisa manipulada”, explicou. “Antes tivéssemos esperado um pouco para termos o direito de votar em uma nova eleição.”

Quem também se sentiu influenciado e mudou de ideia foi o produtor de sistemas de informação Rodolfo Gonçalo, de 38 anos. Morador de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, afirmou que passou os últimos anos dividindo suas tarefas em um home office com bicos de taxista. E foi dirigindo que conversou com muitos passageiros e amigos sobre a situação do país. Nesse período, ele disse que ouviu “barbaridades” sobre Dilma e outros políticos. Passado o tempo, avalia que se “deixou contaminar”. Antes favorável ao impeachment, ele disse que não sabe mais se foi a melhor opção. “Houve mudanças? Sim. Melhorou? Ninguém sabe. É o que vejo”, afirmou. “Não sou a favor dela, mas dizer que ela arrebentou tudo?”

O servidor público Mário Magalhães acha que o impeachment trouxe mais dificuldades para sua vida (Foto: EMILY ALMEIDA/AGÊCIA O GLOBO)
O servidor público Mário Magalhães acha que o impeachment trouxe mais dificuldades para sua vida
Emily Almeida

Na capital paulista, mais arrependidos. Dona de um sex shop na Rua da Consolação, Maisa Pacheco, de 45 anos, assustou-se com o movimento em sua loja no último domingo. Devido à crise dos caminhoneiros, seu caixa fechou o dia com apenas R$ 16, para uma média de faturamento de R$ 2 mil. Assim, quando Temer surgiu na TV para o pronunciamento, foi para a Avenida Paulista bater panelas. De repente, se viu alvo de olhares curiosos de outras pessoas. “Fiquei sozinha batendo panela na Paulista. O pessoal ficou achando que eu era louca”, brincou. Ela só estava retomando o hábito que cultivou em um passado não muito distante, quando também pegou as caçarolas para apoiar o impeachment de Dilma — período no qual teve farta companhia.

Examinando a situação em retrospecto, ela acredita que os manifestantes foram manipulados. “Essa coisa já estava errada quando a gente foi para a rua pedir o impeachment”, disse. “Não pensamos que o vice era o Temer. Teve uma manipulação, mas não podemos reclamar. Esse pessoal que votou na Dilma também tinha de saber que era o Temer como vice. Teríamos de fazer uma mudança de processo político”, completou.

A greve dos caminhoneiros, motivo do último panelaço, bateu no Twitter as menções registradas em outros momentos históricos, entre eles o impeachment de Dilma Rousseff. Segundo um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV, o volume de menções relacionadas à greve dos caminhoneiros na rede social faz do evento o maior dos últimos anos no Brasil. Desde o domingo dia 20 até a terça-feira dia 29, o estudo identificou cerca de 8,5 milhões de menções. Além do impeachment, a greve ultrapassa a repercussão da prisão do ex-presidente Lula e da morte da vereadora Marielle Franco.

Segundo os pesquisadores, essas menções se distribuem na rede em meio às discussões que, em geral, apoiam as pautas defendidas pelos caminhoneiros, mas sem um consenso nas demais questões debatidas. Por isso, os pesquisadores veem semelhanças com as manifestações de junho de 2013. “Essa manifestação serviu como um catalisador de uma série de insatisfações que têm se acumulado no país. Um desemprego muito alto, a preocupação com inflação, a questão dos combustíveis aumentando direto em função do aumento do dólar. Em algum momento esses fatores iriam confluir como se fosse uma faísca e foi o que aconteceu. Nesse sentido, é muito parecido com o que aconteceu em 2013”, apontou o pesquisador Marco Aurelio Ruediger, líder da DAPP da FGV.

Interações da hashtag #foratemer durante a semana de 20 a 25 de maio (Foto: Época)

Juliana Dal Piva e Alessandro Giannini
No Época
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Empresário aperta as algemas no Temer

É mais fácil o cel Lima sarar que o Temer parar de roubar




Com CAf
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Para prender Lula, põe-se milhares na cadeia


Ninguém, é claro, pode achar que não se estava de olho na possibilidade de prender Lula, quando subitamente, o Supremo Tribunal Federal mudou seu entendimento para decidir que um acusado pode ser preso após decisão de 2ª instância, isto é, sem o trânsito em julgado do processo.

Regiane Soares, do Agora (jornal do grupo Folha) publica hoje um balanço da Defensoria Pública revelando que, em dois anos, quase 14 mil pessoas (13.887  mandados) foram presas ou estão para ser por conta desta decisão, apenas em São Paulo.

Numa projeção nacional, não será exagero estimar que possam chegar perto de 50 mil os aprisionamentos realizados pela “novidade” jurídica, porque o “poderá ser preso” da sentença do STF, na leitura de nossos tribunais, é o mesmo que “recolhe o sujeito”, independente do fato de oferecer perigo ou de poder obstruir o processo.

É, portanto, toscamente inverídica a afirmação da chamada de capa do jornal, dizendo que são “políticos” os que estão sendo presos.

Estamos falando em aprisionar gente que daria mais que a lotação de um estádio de futebol, dos grandes, e talvez tenhamos de usar mesmo estádios – à moda do que fazia Pinochet, no Chile, para prender tanta gente.

Num país em que temos 700 mil presos e um nível de criminalidade como jamais se viu, está mais que claro que isso não é combate à impunidade, mas barbárie.

E, neste caso, o direcionamento das decisões judiciais para um propósito político determinado, por mais que os fuinhas e de pavões – dispenso-me de identificar suas excelências – procurem vesti-los com razões morais , produzindo um encarceramento em massa de gente que, pela quantidade, é na grande maioria incapaz de sustentar sua defesa presos e sem recursos.

Como nossos magistrados se transformaram a delegados de política da roça, natural que o Direito esteja reduzido a um “teje preso“.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Veja é condenada por fake news de 2015


Em 12 de fevereiro de 2015, o Brasil vivenciou um show de horror protagonizado por médicos sem ética e um jornalismo que há tempos não sabe o que significa fazer jornalismo, rememore neste post: Faltou ética jornalística e sobram boatos sobre o nascimento da filha de Alexandre Padilha 

À época, o casal Alexandre Padilha e Thassia Alves vivia momentos de grande alegria, apesar da tensão devido ao nascimento prematuro de sua filha Melissa, que ficou na UTI do hospital e maternidade municipal  de Vila Nova Cachoeirinha durante 28 dias.

Três anos depois, o casal ganhou o processo contra a revista Veja, que condenou Felipe Moura Brasil e a revista por danos morais. Na última sexta-feira (01/06) o diário de Justiça publicou a decisão:

Fóruns Regionais e Distritais XI – Pinheiros Cível 2ª Vara Cível

Processo 1000017-93.2017.8.26.0011 – Procedimento Comum – Indenização por Dano Moral – Alexandre Rocha Santos Padilha e outros – ABRIL COMUNICAÇÕES S.A – – Felipe Moura Brasil – Ante ao exposto, JULGO PROCEDENTE a presente demanda, e julgo extinto o feito, com fulcro no art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil, para condenar os réus, solidariamente, ao pagamento de indenização por dano moral ao autor no valor de R$ 10.000,00, atualizado pela Tabela Prática para Cálculo de Atualização Monetária dos Débitos Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo desde a propositura da ação, com juros de mora de 1% ao mês desde a citação. Em face da sucumbência dos réus, condeno-os ao pagamento de custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios que fixo em 15% do valor da condenação. P.R.I. – ADV: ALEXANDRE FIDALGO (OAB 172650/SP), JOÃO VICENTE AUGUSTO NEVES (OAB 288586/SP)

Hoje pela manhã pedi a Thassia que rememorasse  aquele mês de fevereiro de 2015:

“Eu acho que nenhuma mulher quando dá a luz a uma criança está preparada para voltar para a casa sem o seu bebê nos braços. Eu ainda não tinha me recuperado do fato de ter de deixar meu bebê na UTI quando saiu a matéria da Veja. Fiquei um dia internada na UTI, mais dois internada fora da UTI e passei 28 dias indo diariamente ao hospital e essa matéria obviamente teve uma repercussão dentro e fora do hospital. Foi difícil lidar com a angústia de ver minha filha 28 dias na UTI e ter ainda de lidar com essa mentira propagada pelo colunista da Veja.

Depois dos 28 dias de internação de minha filha, fui me despedir dos profissionais do Vila Nova Cachoeirinha que estavam no dia a dia conosco, porque eu morava praticamente no hospital, só não dormia porque não podia. A matéria mentirosa teve grande impacto no hospital, algumas pessoas relataram-me que quando me conheceram ficaram apreensivas sobre quem eu era, como eu iria me comportar… Com o passar do tempo viram que eu era uma mãe como qualquer outra, com as mesmas inseguranças, receios, com o desejo de estar perto de minha filha. Perceberam que eu não era diferente. Mel era prematura não tinha força para sugar o leite, então eu tinha de ir no banco de leite tirar meu leite. Eu fazia o que todas as mães fazem: pegava fila no banco de leite, enfim tudo como pais e mães agem quando seus filhos estão filhos internados.”

Perguntei por que demoraram para processar a Veja e Thassia confessa que no momento em que a matéria saiu sua vontade era de entrar com um processo no dia seguinte, mas a saúde de sua filha prematura era a prioridade do casal. Depois, Padilha se tornou Secretário de Saúde do município de São Paulo na gestão Haddad e para o casal era importante que o processo contra Veja não suscitasse qualquer tipo de dúvidas, além do que ele efetivamente era: a busca pela verdade. Assim, só entraram na Justiça após o final da gestão petista na cidade. O processo correu sob sigilo por envolver uma criança.

Em seu depoimento hoje pela manhã, a mãe de Melissa relata os impactos que a matéria mentirosa da Veja tem até hoje:

“Ainda hoje, essa mentira vem à tona. Já aconteceu de estar conversando sobre parto com pessoas que tinha acabado de conhecer e elas citarem essa matéria da Veja. Não é brincadeira lidar com uma mentira que ganhou essa proporção, especialmente quando emocionalmente eu estava em situação de extrema vulnerabilidade.”

Ela argumenta ainda que os efeitos da mentira da Veja teve muita repercussão em sua vida privada, mas no caso de seu companheiro, Alexandre Padilha, o impacto atingiu sua trajetória como homem público:  “É importante reconhecer, há um dano que é imensurável em tempos em que a imagem dos políticos está tão deteriorada. Alexandre faz uma opção para sua vida pessoal que é coerente com aquilo que ele defende publicamente. Ele não faz nenhum uso dos privilégios. Isso tem um significado diverso daqueles que agem privadamente de modo contrário ao que pregam publicamente e a Veja acusou Alexandre disso: de não agir conforme o que ele defende publicamente. O que é uma mentira!”

Apesar da decisão favorável ao casal, a Justiça não obrigou a Veja a oferecer o mesmo espaço e a mesma divulgação para a resposta à matéria mentirosa que a revista circulou em fevereiro de 2015 e que continua em seu site. A Veja ainda pode recorrer da decisão. Pergunto a Thassia o que ela sentiu quando saiu a decisão judicial:

“A gente sabe que a mentira só pode ser combatida com a verdade. O que sinto hoje é um grande alívio, uma sensação de justiça, de que a verdade ganhou e isso é muito bacana de sentir, especialmente em tempos tão sombrios que estamos vivendo. Apesar disso a gente sabe que não tem reparação de danos. Não haverá reparação de danos suficientes que nos coloque em pé de igualdade em que estávamos antes da matéria mentirosa ser publicada.

Sabemos que não terá a mesma repercussão, infelizmente a verdade não vai chegar para todas as pessoas. Não haverá reparação de danos completa, o que pode haver é a sensação que a verdade ganhou para nós, isso é importante, mas do meu ponto de vista não tem reparação dos danos como os olhares que enfrentei no hospital depois que essa matéria foi publicada, não tem reparação de danos quando anos depois entro em contato com as pessoas que leram essa matéria na creche da minha filha, no meu local de trabalho, na rua, não tem reparação. Isso é uma coisa que tem de ser dita.


Eu acho que todo mundo tem de combater a mentira, a gente tem de estar sempre em busca da verdade. Não podemos desistir. Fui aconselhada a não entrar com o processo por conta do tamanho da Veja e tudo que ela representa, mas eu disse para todas as pessoas: tenho de fazer isso pela minha filha, tenho de contar essa história para ela um dia, do início ao fim, e eu vou fazer isso! Thassia se emociona e prossegue: Foi por nós, mas foi especialmente por ela, porque quando eu decidi que ia fazer o pré natal e fazer o meu parto no SUS foi uma decisão que pra mim era muito óbvia, porque eu não teria como fazer de outra forma, seria muito incoerente com o que defendemos se eu fosse para um hospital privado. Não só por causa da figura pública do Alexandre que é meu companheiro, mas seria incoerente com a minha própria história e da minha filha. Não poderia ser diferente.

Maria Frô
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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O Marisa Letícia resiste e persiste, e você pode ajudar


O Acampamento Marisa Letícia está em campanha de financiamento coletivo através do sítio Vakinha. A meta é arrecadar R$ 9.600 para concluir as obras de infraestrutura e segurança do local, e ajudar na manutenção, particularmente no pagamento do aluguel do terreno, em torno de R$ 3 mil mensais.

Segurança passou a ser prioridade no acampamento depois do atentado a tiros que sofreu, na madrugada de 28 de abril, e que segue impune.  O ataque deixou duas pessoas feridas e há farto material com imagens do autor dos disparos.

Diante disso, e da decisão de parte dos acampados em se transferir para o alojamento alugado pelo PT e CUT-PR nas imediações da Vigília Lula Livre, a coordenação do acampamento decidiu tomar providências para reforçar a segurança das cerca de 150 pessoas que permanecem no local.

A Polícia Militar retirou as viaturas que, bem ou mal, poderiam servir de intimidação aos ativistas do ódio. Mas as provocações e ameaças se mantêm.

Motoristas que passam na movimentada rodovia onde se localiza o terreno no qual está instalado o acampamento, buzinam, gritam impropérios e coisas do gênero. Euzinha testemunhei vários, durante a meia hora em que fiquei no acampamento.

Só que, agora, a área foi cercada com tapumes e sacos de areia empilhados. Formam uma barricada que protege os acampados de atos de barbárie de que já foram alvo. Grafiteiros estão sendo convocados para, no próximo domingo, 10 vestirem os tapumes com sua arte.

o barracão

Outra providência é melhorar a habitabilidade e o saneamento do local. Banheiros foram construídos, dotados de chuveiro quente e com piso cimentado; a Copel, empresa de energia de Curitiba, fez a ligação na sexta-feira.

Um barracão de madeira estava sendo coberto, quando estive lá, e também receberá piso de cimento grosso, onde as pessoas em trânsito possam colocar seus colchonetes.

Nesse trabalho, usam as habilidades de Ronaldo, outro mineiro, ex-morador de rua, que chegou ao acampamento para pedir ajuda e foi acolhido. Alegre e comunicativo, ele não se furta à causa que é a liberdade de Lula, como se pode constatar no vídeo abaixo.

Gabriel, filho de Edna Dantas – líder do acampamento-, que é pedreiro de ofício, gerencia o projeto e também põe mãos à obra.




O clima de Curitiba é bastante instável, e não é raro, sobretudo no outono-inverno, combinar frio com chuva e ventania. Mês passado, um temporal arrasou parte do acampamento, e este é outro motivo para PT e CUT migrarem a maior parte dos acampados para outro lugar, uma escola desativada, com acomodações mais dignas.

Quem ficou no Marisa Letícia, “está por sua conta e risco”, afirma o mineiro de Juiz de Fora, Túlio Siviero, que ora exerce o papel de coordenador-Geral do Marisa Letícia.

Por essas e outras, eles se autodefinem como “a resistência da resistência”.

A ajuda vem de militantes petistas locais, como Cláudia Mortari, que está sempre presente, inclusive na contribuição das despesas com a reforma.

É ela quem me apresenta alguns acampados com formação acadêmica, para provar que ali não é “abrigo de vagabundos e maconheiros”, como apontam detratores.

Túlio Siviero, com o casal de visitantes gaúchos

Enquanto  isso,Túlio ciceroneia outros visitantes, dentre eles um casal de gaúchos, com o filho adolescente, no caminho de volta para o Rio Grande do Sul. Quem vai à Vigília Lula Livre quer, necessariamente, conhecer o Marisa Letícia. Alguns vêm e vão. Outros ficam.

Um exemplo é paraibano Danilo Duarte de Sá, pós-graduado e doutorado em Ética e Filosofia Política e que hoje orienta o doutorado integrado da UFPB, UFRN e UFPE. Veio visitar e há 28 dias se incorpora ao acampamento.

Outro que também veio de visita e ficou é o professor de História paulistano, Jocimar Soares. Militante LGBT e do PT, é formado pela Mackenzie SP e pós-graduado em gestão política e com mestrado em História Política pela PUC SP.

Também o mineiro Kadosch Miranda, poeta e artesão, sentou praça. Expõe sua arte e oferece seus livros a quem queira comprar, ou quem deseje ler no local. Tornou-se responsável pela pequena biblioteca no centro da área de convivência do acampamento.

Não pude conhecê-lo, por que ele tinha “dado um pulinho” à terra natal, Ipatinga, para votar em nova eleição para o executivo, neste domingo, 3 de junho; o prefeito eleito teve o registro da candidatura indeferido.

Matheus, o cozinheiro, e sua cadela mascote

O cozinheiro-chefe do acampamento, Weyler Matheus Rodrigues Furtado, tem apenas 19 anos, e também é de Minas, de Ipatinga.

No entanto, não só de mineiros e curitibanos vive o Marisa Letícia. Além de Danilo, da Paraíba, lá está Wellington, do Recife, e outras dezenas de homens e mulheres dos sete cantos do país.

A questão é que, tirante Danilo Duarte, que é orientador de doutorado, e a própria Edna Dantas, que mantém uma espécie de brechó para roupas usadas, praticamente todos os acampados estão desempregados. Chamá-los de “vagabundos”, entretanto, num país onde a taxa de desemprego está acima dos 13% e em ascensão é mais do que cinismo e hipocrisia, é escárnio.

Curitibana, Edna Dantas fechou sua casa e se mudou de mala cuia com a filha e o filho para o local. Mortari me conta que foi ela quem conseguiu o terreno e negociou o preço do aluguel.

Edna Dantas, ao centro, militante histórica, 
lidera o Acampamento Marisa Letícia
Foto: Facebook pessoal

Militante do movimento social de luta pela moradia há 27 anos, formada em Gestão Pública, ela assessorou a senadora Gleisi Hofmann e foi candidata a vereadora pelo PT, nas últimas municipais.

Edna vale-se do bom trânsito que desfruta na comunidade para obter apoio e sustentação para o acampamento.

Tudo isso, fico sabendo da boca de Cláudia Mortari. Edna estava dormindo no momento da minha passagem por lá, e não pude falar diretamente com ela.

Cláudia Mortari na Vigília Lula Livre
Foto: Facebook pessoal

Cláudia é o exemplo de como nada é o que parece. Dona de casa, é casada com um major do Exército, maçon, com que tem dois filhos. Um é capitão do Exército, outro é advogado previdenciário, mas voltado para o Estado mínimo.

Filha de família tradicional de Londrina, norte do Paraná, reproduziu ao seu revés, uma típica família conservadora, de direita. Ela confessa que nunca foi muito ligada à política, mas votou em Lula em 2002 e, desde então, acompanha sua trajetória política.

Dá para imaginar a batalha diária que Cláudia trava para seguir o caminho que escolheu, e que, qualquer pessoa de bom senso sabe que é o lado certo da História. Entretanto, no seu âmbito familiar e de convivência, é taxada como louca por defender “um bandido chamado Lula”:

“Vi muita coisa mudar, para melhor, a partir de seus governos. E em 2013/2014 não aceitei o que estavam fazendo com Dilma Rousseff e resolvi abrir meu face para falar de política. Só arrumei confusão. Perdi amigos, parentes, mas descobri muitos loucos iguais a mim.

Acho que ir à Vigília e ao acampamento me aproxima muito do que sou e do que penso. Minha vida é uma luta diária pela esquerda e dentro de casa. Mas sinto uma frustração enorme de não ter conseguido trazer meus filhos e meu marido comigo. E eu só quero que reflitam, que deixem de ser manipulados.”

Os filhos de Cláudia Mortari são todos, com o perdão da palavra, Bolsonaro. 

Cada um e cada qual sabe onde lhe apertam os calos. Mas gente como essa paranaense não hesita em tirar os sapatos e seguir sua trilha, mesmo de pés descalços. O pessoal do Marisa Letícia tem sorte em tê-la como aliada.

Na sexta-feira, enquanto eu retornava a São Paulo, o Marisa Letícia recebia uma tribo indígena. Os Caingangues, do Rio Grande do Sul passaram o fim de semana alojados lá.

Todos os usuários fazem do acampamento a base para dormir, se higienizar e comer. Sustentação para se juntarem às atividades Vigília Lula Livre, garantem Siviero e Cláudia.

Praça Dilma
Praça Dilma Roussef

Não obstante, o detalhe mais comovente do lugar é o jardim, mantido com desvelo. a revelar carinho e cuidado. Recebeu o nome de Praça Dilma Rousseff, em homenagem à presidenta legítima, deposta num golpe parlamentar, jurídico e midiático que se aprofunda, dia a dia, e do qual a condenação e prisão de Lula é parte inerente e cruel.

Dilma estava sendo aguardada para batizar seu reduto na quinta-feira, mas a visita ao ex-presidente Lula demorou mais do que o previsto, e a “inauguração” foi adiada para sua próxima ida a Curitiba.


Na política como na vida, sempre há lugar para o imprevisto, o inusitado, o poético; sempre há lugar para a arte, para o divino e para o profano como lugar sagrado do prazer e da contraposição.

Lutar, resistir, mas sem perder a ternura, lembra-se?

Outra particularidade, impossível de relevar, é que à frente do terreno onde se instalou o Marisa Letícia, há uma ermida, com a imagem da padroeira do Brasil.

Depois do atentado e da cisão, a “capelinha” foi restaurada pelos acampados. Talvez, na esperança de que a Senhora Aparecida interceda junto ao Pai e ao Filho por eles e pelos deserdados desta Pindorama desvalida, onde o pior da nossa humanidade emerge sem pudor.

Valei-nos e livrai-nos de todo o mal, amém.

Sulamita Esteliam
No A Tal Mineira
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O “polo democrático e reformista” dos ilusionistas


Deverá ser lançado nesta segunda-feira (05/06), em Brasília, o manifesto "Por um Polo Democrático e Reformista" que tem como signatários Cristovam Buarque, Fernando Henrique Cardoso, Marcus Pestana e Aloysio Nunes Ferreira. Com boa vontade, é possível adjudicar dois aspectos positivos ao manifesto: procura colocar o debate num terreno programático e, faz uma compilação de teses genéricas, alinhadas em 17 pontos, que muitos partidos vêm defendendo. Muitas dessas teses não suscitam grandes divergências e fazem parte de um certo senso comum. Para além dessa boa vontade, o manifesto merece muitos reparos quanto às suas linhas e entrelinhas e quanto às suas intenções.

Comece-se pelo fim: os signatários se auto-anunciam portadores de um alto propósito, sugerindo que o objeto do manifesto são eles mesmos e o êxito futuro que eles podem alcançar, e não a construção de algo coletivo que haviam anunciado antrd. Eis o desfecho: "É com este espírito, com o coração carregado de patriotismo, a noção clara da urgência e o sentimento que o Brasil é muito maior que a presente crise, que os signatários deste manifesto têm a ousadia de propor a união política de todos os segmentos democráticos e reformistas. Se tivermos êxito estaremos dando uma inestimável contribuição para afastarmos do palco alternativas de poder que premiam um horizonte sombrio, e reafirmamos nosso compromisso com a liberdade, a justiça e um Brasil melhor".

Ao se proclamarem com o coração cheio de patriotismo, os signatários se apresentam como se isto fosse um signo que os distinguissem e não algo comum a muitos brasileiros e a outros políticos. Bolsonaro, Ciro Gomes, Alckmin, Boulos e brasileiros comuns podem anunciar a mesma coisa: têm os corações carregados de patriotismo. Como os signatários serão os sujeitos da missão que eles propõem, o manifesto resvala para o auto-elogio e, assim, a sua peroração é pouco convincente e pouco comovente, não suscitando aquele estado emocional capaz de galvanizar o engajamento do auditório ou da platéia.

Em algumas partes, o manifesto faz apelo à necessidade de "construção de um novo ambiente político que privilegie o diálogo, a serenidade, a experiência, a competência, o respeito à diversidade e o compromisso com o país". Mas o próprio manifesto mostra que esta intenção é falsa, quando proclama que pretende agregar as forças "democráticas e reformistas" para afastar um "horizonte nebuloso de confrontação entre populismos radicais, autoritários e anacrônicos". Quem representa os populismos radicais? Lula? Bolsonaro? Ciro Gomes? Boulos? Então, com estes, aparentemente, não haverá o proclamado diálogo. E quem são os competentes e experientes? O PSDB, o MDB, PPS, o centrão, paridos que instituíram um governo formado por uma quadrilha que mergulhou o país no caos, no desgoverno, no desemprego e no desabastecimento? Para que o manifesto fosse minimamente crível, seria necessário que ele expressasse uma humildade radical e uma autocrítica profunda.

Diz o manifesto: "Tudo o que o Brasil não precisa, para a construção de seu futuro, é de mais intolerância, radicalismo e instabilidade". Mas não foram os signatários e seus partidos que empunharam os estandartes da discórdia? Não foram eles que abrigaram o MBL, o Vem Pra Rua e a turma do Bolsonaro nas manifestações para derrubar a presidente Dilma, dando-lhes espaço e voz? É como se tivessem derramado o leite sobre um chão lamacento e, agora, quisessem recolhê-lo de volta às xícaras para dá-lo aos incautos para beber.

Recorrentemente, o manifesto conclama as "forças democráticas e reformistas" para se unirem em torno de um projeto nacional capaz de unir o país. Mas nunca nomeia essas forças e nem qualifica o que se entende por democracia e por reformismo. Não se pode entender por democracia isto que existe no Brasil. Não é democracia quando mais da metade da população não tem os direitos individuais e de liberdade garantidos; não é democracia quando a maioria esmagadora do povo não tem direitos sociais básicos garantidos; e não é democracia quando se tem uma desigualdade brutal, com mais de 100 milhões de pessoas vivendo com até um salário mínimo, com cerca de 50 milhões pobres e com cerca de 15 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. Pode existir uma democracia para a elite e para as classes médias altas, mas não para a maioria do povo.

Qual reformismo? O de Michel Temer e de seu governo, apoiado pelos signatários, que destruiu direitos, que mutilou os programas sociais, que agravou o desemprego, que precarizou o trabalho, que surrupiou verbas da saúde, da educação, da habitação e que degradou a sociedade? No ponto 6, por exemplo, ao se referir à reforma tributária o manifesto faz uma breve referência ao caráter regressivo do sistema, mas não diz que é preciso desonerar os pobres e onerar os ricos, pois o sistema tributário brasileiro é um dos maiores instrumentos de concentração de renda e de perpetuação das desigualdades. Sem propor a remoção e a mudança radical desse sistema iníquo ninguém pode se proclamar verdadeiramente reformista. O Brasil não será nem justo, nem livre, nem igualitário, nem desenvolvido e nem democrático enquanto esses mecanismos promotores da desigualdade persistirem.

O documento não faz nenhuma referência ao valor da igualdade ou a exigência da igualdade material dos cidadãos - valor maior da democracia, como todos os clássicos da Filosofia Política nos ensinaram. Fala apenas uma vez das desigualdades sociais. Este é o maior problema do Brasil e símbolo da falta de democracia. Desta forma, o uso da palavra democracia, no documento, soa como uma camuflagem para manter o atual estado de coisas sob um novo verniz, sob uma falsa ideia de unidade nacional, sob uma falsa vontade de tolerância.

Se este momento de crise tem um mérito, este mérito consiste em que as teses hipócritas acerca da democracia e a tolerância brasileiras desmoronaram. Os ricos e os seus representantes políticos nunca foram tolerantes e nunca dialogaram com o povo, pois um povo que vive nos graus de pobreza e desigualdade em que o povo brasileiro vive, um povo que não tem direitos, nunca foi alvo da consideração, da humanidade, da piedade e da tolerância das elites e de seus representantes políticos. Seria uma atitude de incautos ser tolerante com esses intolerantes, com rapaces, com ambiciosos, com cruéis e com espoliadores.

O manifesto soa falso porque a democracia que apresenta não é uma democracia efetiva; soa falso porque a sua proclamação pelo diálogo é falsa; soa falso porque a unidade nacional que apresenta escamoteia a brutal desunião de fato. O manifesto faz referência ao combate à corrupção sem fazer nenhuma autocrítica. Nisto ele é hipócrita, pois os signatários e seus partidos se mobilizaram em favor do golpe-impeachment em nome da moralidade para elevar ao governo a quadrilha corrupta, denunciada pelo Ministério Público, e um presidente denunciado como chefe de quadrilha. Assim, os signatários são moralistas sem moral, sendo que seus partidos e muitos dos seus companheiros estão afundados na vala da corrupção. Proclamam o republicanismo que não têm, pois apoiaram um golpe a violação da Constituição.

Sim, o Brasil e o povo brasileiro precisam se dar um futuro digno, igualitário, livre, humanístico, civilizado e desenvolvido. Mas esse futuro não virá desses setores que o manifesto pretende agrupar, pois são setores degradados pelos maus vícios políticos, sevados nos privilégios, degenerados pela crueldade contra o povo e condenados pelas suas mentiras e enganações. Se este futuro digno vier, ele virá pelas mãos e mentes dos setores que mais precisam de uma vida de dignidade, ele virá pelo ativismo das periferias, das mulheres, dos jovens, dos negros e afrodescendentes, dos sem teto e sem terra, dos indígenas, dos sem direitos e da imensa maioria do povo pobre. Os signatários do manifesto podem lançar quantas proclamações quiserem, mas serão ilusões mentirosas. Elas não pulsam os sentimentos, as razões, os sacrifícios, as dores, a vida, a morte e a alma do povo. São proclamações sem povo e não são para o povo. São proclamações para uma elite perversa que quer se perpetuar no poder.

Aldo Fornazieri, Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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Globo desmoraliza o Elio Gaspari ainda mais!

Governo dos EUA sabia que regime militar era corrupto!
"Os vinte anos no poder corromperam os militares, especialmente os oficiais mais graduados" (Reprodução: O Globo)
Entre as muitas mistificações que o Elio Gaspari tentou empurrar pela goela da História do Brasil constava a de que os generais era incorruptíveis!

Recusavam-se a escovar os dentes com pasta comprada com dinheiro do povo!

Uma das mistificações gasperianas - Geisel era um "Sacerdote"... - foi desmistificada pelo documento que Matias Spektor revelou: Geisel é quem mandava matar.

Agora, Leandro Loyola do "Globo Overseas", empresa que tem sede na Holanda, desmascara outra impostura do dos múltiplos chapéus: a corrupção rolava solta!

Telegrama secreto dos EUA relata corrupção na ditadura militar

Como era de sua rotina, no dia 1º de março de 1984, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil despachou para o Departamento de Estado, em Washington, o telegrama com carimbo “confidencial” número 1413z. Era um dos grandes. Impresso, preenche quatro páginas — três delas com o texto digitado em duas colunas com letras bem pequenas. O conteúdo era extenso porque o tema era vasto: a corrupção no país.

O assunto dominava o noticiário à época e, segundo os informantes americanos, não apenas enfraquecia o governo de João Figueiredo (1979-85), como indicava o apodrecimento e o fim próximo da ditadura militar, no poder desde 1964.

O telegrama, obtido pelo GLOBO, faz parte de um lote de 694 documentos enviados pelo governo do então presidente Barack Obama ao de Dilma Rousseff. Foram três remessas, entre 2014 e 2015, para a Comissão da Verdade, que examinou abusos de direitos humanos durante a ditadura. Devido ao prazo curto para o relatório final da Comissão, vários deles deixaram de ser analisados.

Numa introdução didática para burocratas de Washington, o telegrama explica o que é o “jeitinho”, um fenômeno social brasileiro, seu papel na prática cotidiana e como, devido a isso, a corrupção seria parte indissociável da política e da economia no país. A partir daí, o texto traça um quadro da decadência do governo Figueiredo, ao mencionar uma série de acusações de corrupção. “No nível nacional existem muitos escândalos que lançam nuvens sobre o governo Figueiredo”, diz o informe.

Certamente o homem mais poderoso na economia durante o regime militar, o então ministro do Planejamento, o economista Delfim Neto, é citado como um exemplo de alvo de acusações do alto escalão de Brasília. São dois os casos. Num deles, o das polonetas, havia suspeitas em torno de empréstimo de US$ 2 bilhões à Polônia a taxas de juros consideradas baixas. Em outro, um documento conhecido como “relatório Saraiva” — que nunca veio a público na íntegra — acusava Delfim de, quando embaixador em Paris, receber propina para intermediar negócios entre bancos estrangeiros e estatais brasileiras.

Reprodução: O Globo

Delfim nega qualquer relação ou irregularidade nos dois casos — como negou na ocasião:

— As polonetas o governo da Polônia pagou, em um momento de grande dificuldade para o Brasil, US$ 3 bilhões. O relatório Saraiva foi arquivado pelo SNI porque não havia nada de concreto — diz Delfim, que minimiza o papel dos informantes americanos. — Esses funcionários vinham para o Brasil e fingiam trabalhar enviando a Washington informações que já estavam em todos os jornais.

Como diz Delfim, o informe de 1984 não cita casos desconhecidos do público. Tampouco há informações secretas. Estão lá menções ao escândalo da mandioca (desvio de verbas para produtores) e as suspeitas contra os dois pré-candidatos do PDS — hoje PP, na ocasião o partido do governo — à Presidência, o ex-governador Paulo Maluf e o então ministro Mário Andreazza. O GLOBO não localizou a assessoria de Maluf.

O valor do documento está no fato de mostrar a avaliação que os americanos faziam do último ano do regime militar. O diagnóstico da embaixada é que a roubalheira corroía a legitimidade do governo.

O texto contraria certo revisionismo disperso por alguns grupos hoje, de que a corrupção não existia durante o regime militar. Ao contrário: era um problema tão grande e presente no Brasil governado pelos militares quanto é hoje.

Em 1984, o Brasil interessava aos americanos por seu papel na América Latina. O presidente Ronald Reagan já se encontrara duas vezes com Figueiredo — de quem ganhara um cavalo — e tinha nele seu maior aliado para a guerra fria na região. Washington se preocupava com o principal parceiro no momento em que a região afundava na crise econômica.

Não estava mais no radar o fantasma de dez anos antes, do combate à ameaça de esquerda, como no documento revelado há duas semanas pelo professor Matias Spektor — no qual a CIA relatava uma reunião do então presidente Ernesto Geisel e três generais para falar sobre a repressão da ditadura a grupos opositores de esquerda, inclusive com assassinatos.

“PODER CORROMPEU MILITARES”

O texto de 1984 se preocupava com outro aspecto. Afirma que a corrupção corroera tanto a imagem dos militares entre a população, que era um fator decisivo para sua saída do poder. “Entre muitos oficiais, dos mais baixos aos mais altos, há uma forte crença que os últimos 20 anos no poder corromperam os militares, especialmente o alto comando e que agora é hora de deixar a política e suas intempéries e voltar a ser soldado”, diz.

Contudo, o alerta dos informantes é que os militares iriam embora, mas os efeitos negativos da roubalheira ficariam e poderiam desestabilizar a política nos anos seguintes. “O que está claro é que a corrupção, real ou imaginária, está erodindo a confiança dos brasileiros em seu governo”, diz o texto.

Em 1984, portanto 30 anos antes do início da Operação Lava-Jato e todos seus efeitos, já havia a percepção de que crescia a falta de confiança dos brasileiros nos políticos devido a casos de corrupção e a falta de punição dos acusados.

O Ministério da Defesa informou que os telegramas são conhecidos pelo governo desde 2015 e que não há nenhum novo posicionamento a fazer. No mês passado, ao comentar os documentos da CIA, o ministro interino, general Joaquim Silva e Luna, disse que o assunto é de responsabilidade de historiadores e, “se houver demanda”, da Justiça.

No CAf
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