1 de jun de 2018

Greg News com Gregório Duvivier | Greve dos caminhoneiros


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O dia em que o Jornal Nacional (não) noticiou o Brasil fora do mapa da fome


Vocês me desculpem, mas depois do mestrado peguei o hábito de transformar referencial teórico em nariz de cera. Então, cêis tudo me dá licença porque eu tenho que falar de Teun van Dijk. Esse holandês arretado é linguista e há décadas estuda o racismo nos jornais europeus. Boa parte da produção dele está disponível para download no site dele (ali no menu à direita).

Então, eu já recomendo que vocês baixem o texto “Ideology and discourse”, e vão direto ao capítulo 5. Esse capítulo traz uma verdadeira receita de bolo sobre como manipular um texto para levar informação distorcida ao seu leitor / espectador.

Tô abrindo esse terceiro parágrafo de nariz de cera pra falar que ele parte da premissa de divisão do mundo em “nós X eles”. A partir daí, ele faz uma tabelinha: enfatize coisas boas sobre nós / tire a ênfase de coisas boas sobre eles; tire a ênfase de coisas ruins nossas; enfatize as coisas ruins deles.

Só aí entram praticamente 80% das reportagens produzidas desde o início do século sobre o PT ou outros partidos / organizações de esquerda. Inclusive a nota locutor do JN de 16 de setembro de 2014 que vou lincar agora. (Pronto! Cabou o nariz de cera!)

A missão é: falar que o Brasil fora excluído do mapa da fome da ONU. O anúncio foi feito pela manhã. Como proceder? Quem estuda telejornalismo sabe que existem três formatos de notícia num telejornal: o VT, que consiste no anúncio da reportagem pelo âncora, daí entra o vídeo feito por um repórter, imagens exclusivas, entrevistas etc. É o formato mais completo e mais elaborado de um telejornal; a nota coberta, que é o texto lido pelo âncora enquanto no vídeo passam imagens da notícia. A reportagem é de terceiros, normalmente agências internacionais. E, finalmente, a nota locutor, que é usada em duas ocasiões: quando a notícia chegou de última hora e não tem imagem, ou quando a notícia é irrelevante.

Pois bem. O Jornal Nacional usou uma nota locutor para falar sobre o Brasil fora do mapa da fome. Eu vou lincar o site e vou pedir encarecidamente que você assista ao vídeo. “Ain, eu oteio a Globuan!” Tá, não tô pedindo pra você amar a Globo. Tô pedindo pra você assistir a 37 segundos de vídeo. Depois volta, sim? O link Táqui.

Voltou? Obrigada pelo esforço! Agora, novamente, vamos tomar um suquinho de maracujá pra acalmar esse coraçãozinho repleto de fel, e vem comigo que eu vou destrinchar esse texto de 530 caracteres e 97 palavras, lido em 37 segundos pelo William Bonner:

O Órgão das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura citou o Brasil

[temos um sujeito simples de 11 palavras. Parabéns aos envolvidos. Depois de Unidas, o espectador não ouviu um verbo e reduziu a atenção para a história. Seis palavras depois, o texto usa o verbo citar, acionado por um sujeitão de 11 palavras e o Brasil na função sintática de objeto direto e semântica de tema.

Compare com “O Brasil saiu do mapa da fome, segundo a ONU.” Em sete palavras, a frase disse a que veio. Jogou o que importa lá pro início – estamos falando do Brasil e do que aconteceu com o país – e a ONU ficou pro finalzinho da frase. Mas vamos voltar ao texto original do JN]

como um dos países

[olha que plural sa fa do! Foi um doS paísES, ou seja, teve mais país que conseguiu fazer isso!]

que conseguiram reduzir pela metade o número de pessoas que passam fome.

[pra quem é de humanas e faz miçangas, metade é um troço que era 100 e virou 50, ou, mais simples ainda, um troço que era 2 e virou 1. Mas o JN começa a cuspir números a esmo. Ponham reparo:]

Vinte anos atrás, 14,8% dos brasileiros viviam na miséria. Agora, esse índice é de menos de 2%, cerca de 3,4 milhões de pessoas.

[vinte com quatorze e oito menos dois por cento dá três vírgula quatro milhões e eu tô cantando Gonzagão: “Eu lhe dei vinte mil réis / Prá pagar três e trezentos / Você tem que me voltar / Dezesseis e setecentos!”.

Mas eu sou jornalista, chata, pentelha, mala, irritante e, se tem uma coisa que eu consegui aprender nas aulas de matemática e trago PARA A VIDA é regra de três. Bisservem:

Vinte anos antes dessa reportagem estávamos no ano de 1994. A pesquisa “Brasil 1994 população” no Google nos retorna o valor de 160.260.507 habitantes. Então a gente arredonda pra 160 milhões. 14,8% de 160 é igual a 23,6 milhões de pessoas. (160 está para 100 assim como x está para 14,8. Multiplicando cruzado, X = 14,8 * 160 / 100, ou 23,6 milhões, e eu juro que esse post é sobre língua portuguesa!). O agora, no caso do texto, é em 2014, ano em que a busca do Google “Brasil 2014 população” nos dá o valor de 202,7 milhões, que a gente arredonda pra 200 milhões porque a gente é de humanas e trabalha com vírgulas em orações, não em números.  Então, se 200 milhões equivale a 100%, 3,4 milhões equivale a 1,66% da população, ou seja, menos de 2% da população. Mas o JN informa que essa variação de famintos em 20 anos foi uma “redução de mais da metade”. E lá vamos nós pegar a calculadora de novo, e temos que 14,8 – 1,66 = 13,14. E essa variação a gente calcula que 14,8 está para 100 assim como 13,14 está para X. Multiplicando cruzado, temos um X que vale OITENTA E OITO VÍRGULA SETE POR CENTO, e que Nossa Senhora dos Cabeças de Planilha me abençoe e jogue um raio na minha cabeça se eu estiver errada! (spoiler: conferi essas contas com dois economistas, um contador e três jornalistas. Todos chegamos ao mesmo valor. Sete pessoas não podem ter errado as contas!)

Então, tudo bem que 88,7% é mais da metade, mas ele tá mais pra “quase cem por cento” do que pra “mais da metade”, né? E vamos voltar ao texto do JN, que ainda não acabou!]

Segundo a FAO, essa queda se deu por causa da eficiência dos programas de combate à fome. [E voilà! Em 97 palavras, temos S E T E elogiando o governo! Eficiência + dos + programas + de + combate + à + fome. Essa FAO aí entrou de gaiata na história, porque o texto não explica que FAO e “Órgão das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura” são a mesma pessoa! Teve redator do JN que deixou de ler aquele mandamento do telejornalismo da Globo que determina que um texto seja claro, bem explicado e fácil de ser ouvido. “Ah, mas o vídeo mostra os números aparecendo ao lado do Bonner!” É, mostram. E ajudam a visualizar a coisa? Não, né? Mas calma que a treta vandijkiana “desenfatize as coisas boas deles” vai virar inferência sugerida logo na frase abaixo:]

A FAO é dirigida por José Graziano, que implantou o programa Fome Zero durante o governo Lula. [“A FAO só falou isso do Brasil porque o diretor da FAO é petista!” Não, o JN não disse isso, mas a literatura me permite dizer isso. Inferência sugerida, Geis e Zwicky 1971, e Traugott e Dasher 2002, página 5. Links no meu último post. O texto não escreve literalmente a informação, mas sugere que o ouvinte / leitor chegue a essa conclusão. Ou você tem explicação melhor para ESTA informação ter sido acrescentada NESTE PONTO do texto? Ah, vamos voltar ao texto do JN, que o final é digno de Hardy Har Har:]

No mundo, uma em cada nove pessoas ainda está desnutrida. [O Brasil reduziu em “mais da metade” o número de famintos, mas oh dia, oh vida, oh azar, Lippy, uma em cada nove pessoas no mundo ainda está desnutrida! Isso é deprimente, e eu vou ficar com esse gostinho amargo de derrota após essa notícia!]

E foi assim que o mais relevante telejornal do país informou ao Brasil que o país havia saído do mapa da fome. Com um texto medíocre repleto de informações imprecisas e leves pitadas sugeridas de fraude internacional.

Ano que vem, o Jornal Nacional completa 50 anos. O Bonner vai fazer uma série especial sobre como o telejornal cobriu os fatos históricos do país. Quero só ver como eles vão explicar esse embuste. “Jornalismo com correção” que não consegue fazer uma regrinha de três decente!

Letícia Sallorenzo - a Madrasta do Texto Ruim
No GGN
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Enganar as pessoas e fazê-las de trouxas é parte essencial da política da direita

Por que a direita criou o mito da luta contra a corrupção?


A luta contra a corrupção já provou a que veio. Colocou Temer no governo aqui no Brasil, levou Berlusconi ao poder na Itália. Não é apenas uma luta quixotesca. É uma enganação, e produz o efeito contrário ao que se pretendia. É o mecanismo da infamocracia, colocando as figuras mais inacreditáveis no comando do Executivo. O resultado desastrado, no entanto, não é acidente. É o resultado esperado por quem criou a "luta contra a corrupção". Isso é uma coisa da direita, produz o resultado esperado pela direita, e não leva os trabalhadores a lugar nenhum.

Esclarecido isso, cabe levantar os motivos dessa ardilosa manobra da direita em todo o mundo. Por que a direita inventou a bandeira da corrupção para alcançar seus objetivos em países que têm eleição? Porque a direita não pode apresentar seu programa. A direita não pode entrar em uma discussão política. A direita não pode entrar em um debate aberto sobre os rumos do país. Se o fizesse, jamais venceria uma eleição novamente. A eleição é um obstáculo e o eleitor precisa ser enganado.

Vamos aos exemplos:

É muito melhor espernear contra a corrupção do que dizer: a gasolina tem que subir com o dólar e o petróleo no mercado internacional;

É muito melhor clamar contra os corruptos do que dizer: tem que cortar os gastos com Saúde e Educação por 20 anos;

É muito melhor dizer que o governo é ladrão do que afirmar: trabalhador não pode se aposentar, tem que morrer trabalhando, aposentadoria é coisa de vagabundo;

Muito mais fácil dizer que é contra a corrupção, o que é só uma frase, do que defender: não tem que ter direito trabalhista não, trabalhador é vagabundo e tem que viver sob o chicote.

E por aí vai, os exemplos são infinitos. Basicamente, consistem em todas as propostas ocultas da direita, que ela não pode apresentar ao público. Enganar as pessoas e fazê-las de trouxas é parte essencial da política da direita. A direita espera que você seja burro, e por enquanto está dando certo.

William Dunne
No Esquerda Caviar
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As conjunturas, suas possibilidades e seus limites


Não se tem registro na história do Brasil de momentos equiparáveis ao ambiente condensado de instabilidade econômica, política e social gerado pelo locaute dos empresários de transporte de cargas e pela greve dos caminhoneiros autônomos.

O movimento aumentou a imprevisibilidade da conjuntura, colocando em risco a sobrevivência da camarilha do Michel Temer. O caos aprofundou a instabilidade do governo ilegítimo e adicionou mais dificuldades econômicas à já destroçada e recessiva economia nacional – que passará a conviver, no próximo período, com a ameaça potencial de estagflação.

Apesar dessa conjuntura cada vez mais difícil para a manutenção do golpe e da ditadura jurídico-midiática, não se vislumbra, como cenário de curto prazo para o desfecho da crise, nenhuma perspectiva de recorte nacional, democrático e popular.

O caos generalizado não alterou a correlação de forças, do mesmo modo que não debilitou o poder de dominação do establishment para prosseguir a trajetória golpista, embora exponha contradições entre as distintas frações da classe dominante.

A elite continua com a iniciativa política e institucional e conta, ainda, com um arsenal de dispositivos para preservar seu projeto de dominação anti-democracia, anti-povo e anti-nação, mesmo que isso redunde no cancelamento da eleição, na adoção do parlamentarismo ou de outras medidas autoritárias.

A classe dominante mantém um poder monopólico abrumador – nas esferas econômica, financeira, judiciária, militar, policial, estatal, parlamentar, cultural e midiática – e consegue sobreviver até mesmo a um locaute originado nas suas próprias fileiras e com dimensões tão dramáticas, ameaçadoras e desestabilizadoras.

Não fosse a correlação de forças definida pelo golpe de 2016 e as insuficiências táticas e estratégicas da esquerda e do campo democrático-popular no atual período, o locaute empresarial poderia ter aberto uma oportunidade de ruptura para a superação do golpe.

A resultante desse processo caótico, ao contrário disso, foi o crescimento do reacionarismo que pede intervenção militar, e não da consciência social pelo fim do golpe e pela volta da democracia.

O reposicionamento da greve dos petroleiros reflete a leitura adequada do contexto de derrota da classe trabalhadora; contexto no qual o establishment dirige as instituições de Estado para criminalizar e asfixiar as organizações dos trabalhadores – como fez o TST, aplicando multas milionárias ao sindicato dos petroleiros.

A queda do Pedro Parente pode representar a interrupção momentânea da política criminosa de desmanche da Petrobrás e adicionar novos fatores de crise e instabilidade, mas não interdita a continuidade da agenda e da dominação golpista.

A garantia de eleição limpa e sem fraude em outubro, o que inclui o direito de Lula votar e ser votado, é o fator de maior centralidade no período para a esquerda, para os democratas e progressistas. E certamente é também para o establishment, que não hesitará em inviabilizá-la, se a eleição for empecilho para a continuidade do golpe.

Jeferson Miola
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Até na saída Pedro Parente beneficia especuladores


Em empresas de capital aberto, executivos responsáveis só comunicam fatos relevantes após o fechamento do pregão. É norma fiscalizada tanto pela Comissão de Valores Mobiliários como pela SEC, a CVM norte-americana.

Pedro Parente pediu demissão em pleno funcionamento do pregão, provocando um terremoto. Há ganhadores e perdedores. Qualquer investidor, de posse dessa informação, poderia ter vendido seus papéis antes do anúncio, para recomprá-los em plena catarse. Mais que isso, todos os investidores que apostaram na valorização do papel, em função da política suicida de aumento de dividendos, com venda de subsidiárias, tiveram tempo para pular fora.

Bastava esperar algumas horas para anunciar, com o mercado fechado, dando tempo no final de semana para que as coisas se acomodassem. Com seu gesto, Parente se expõe a investigações não apenas perante a CVM, como perante a SEC.

Espera-se que ambas não faltam com sua responsabilidade perante o mercado. Principalmente porque não lhe falta experiência de mercado, como executivo de S/As e como investidor.

Luís Nassif
No GGN
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Parente pede pra sair. Temer perto da cadeia

Em carta divulgada nesta sexta-feira (1), o exterminador Pedro Parente pediu demissão da presidência da Petrobras em caráter “irrevogável e irretratável”. Vaidoso e prepotente, ele afirma que “faço um julgamento sereno de meu desempenho, e me sinto autorizado a dizer que o que prometi foi entregue”. De fato, ele “entregou” a estatal aos interesses de rapina das multinacionais do petróleo, satisfez o “deus-mercado” com uma política criminosa de liberação dos preços dos combustíveis e foi responsável por um novo apagão no país. No triste reinado de FHC, o “gerente” tucano causou o colapso da energia. Agora, ele foi o maior culpado pelo caos nos transportes, que gerou desabastecimento no país e causou enormes prejuízos à combalida economia nacional.

O próprio exterminador, que ficou no cargo exatamente dois anos, confessa que a greve dos caminhoneiros foi o principal motivo do seu pedido de demissão. Na carta, ele reconhece que a paralisação trouxe “graves consequências para a vida do país” e crítica o debate “intenso e por vezes emocional” causado pelo episódio. Mesmo assim, ele defende sua ação desastrosa, argumentando que “os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços”. Como conclusão, ele observa que diante dos “questionamentos” sofridos – feitos, inclusive, por integrantes do covil golpista – não teria mais como ficar no posto. “Diante deste quadro fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente".

A queda de Pedro Parente, o capacho das multinacionais do petróleo e queridinho do “deus-mercado”, deve acelerar ainda mais o final melancólico de Michel Temer. A Bolsa de Valores de São Paulo, antro dos especuladores financeiros, já deu o sinal, com uma brutal retração das ações da Petrobras. O usurpador não serve para mais nada – só falta pregar os últimos pregos no seu caixão. Ele já não conta com a confiança da cloaca empresarial que financiou o golpe que alçou ao poder a sua quadrilha. A mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade oficial, agora também tende a descartá-lo de vez. Há boatos de que Michel Temer até pensou em renunciar na semana passada. Ele só desistiu porque sabe que poderá ser preso quando deixar o Palácio do Planalto. Além de destruir a economia e sabotar a democracia, o usurpador está metido em vários escândalos de corrupção.

Altamiro Borges
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Recurso de Azeredo sobe ao STF e reabre discussão sobre segunda instância


Negado pelo Superior Tribunal de Justiça, o pedido de habeas corpus do ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), condenado a 20 anos e dez meses de prisão no chamado mensalão tucano, deve ser apreciado pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a colunista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo, o caso poderá reabrir a discussão sobre prisão após condenação em segunda instância, entendimento que foi modificado em 2016 pela Corte e embasou a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa de Azeredo deverá repetir o argumento utilizado pelos advogados do ex-presidente Lula, de que a decisão do STF sobre a segunda instância não tornou obrigatória a prisão, que é defendido no STF pelos ministros Luis Roberto Barroso e Luiz Fux.

Lula teve seu habeas corpus negado pelo STF no dia 5 de abril por 6 votos a 5, com voto decisivo da presidente, ministra Carmen Lúcia, que foi acusada de manobrar a pauta de votações do Supremo para prejudicar Lula.
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Temer é incompetente e não existe governo, dizem especialistas

A avaliação é compartilhada por dois especialistas nas áreas de direito constitucional e economia do trabalho

População está muito descontente com as orientações políticas que estão sendo conduzidas no País
A greve de caminhoneiros que paralisou o Brasil expôs a falência do governo de Michel Temer e o descrédito da ampla maioria dos brasileiros nas instituições do país. Mas até as eleições de outubro, o Brasil terá de resistir à pressão de uma parcela minoritária da população que aproveita o contexto de tensão social, política e econômica para pedir uma indefensável intervenção militar. Essa avaliação é compartilhada por dois especialistas ouvidos pela RFI nas áreas de direito constitucional e economia do trabalho.

A greve dos caminhoneiros dá sinais de enfraquecimento no 10° dia, mas a paralisação dos petroleiros, a partir de hoje, pode dificultar um retorno à normalidade. "A incompetência do governo é total", diz Oscar Vilhena Vieira, professor de Direito Constitucional da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV-SP).

Ele considera que Temer foi "inapto" ao não antecipar que a alta nos preços dos combustíveis, gerada pela política da Petrobras de acompanhar a oscilação internacional do barril de petróleo, criaria confronto num setor estratégico para a economia que é o transporte rodoviário de cargas.

Sem entrar no mérito da decisão tomada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de julgar a greve dos petroleiros ilegal, Vilhena aponta uma tendência das cortes superiores de serem permeáveis a uma apreciação política em momentos de crise. "Certamente, o TST deve ter levado em consideração que a paralisação dos petroleiros, na sequência do movimento dos caminhoneiros, agravaria ainda mais a crise de abastecimento", afirma o jurista.

Já o economista José Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho e professor do Instituto de Economia da Unicamp, critica o posicionamento do TST. "Infelizmente, na minha avaliação, há dois pesos e duas medidas do Judiciário em relação às greves. No caso dos caminhoneiros, há uma certa leniência e a greve conseguiu acontecer, enquanto na greve dos petroleiros, que também tem razões salariais decorrentes da política de gestão da empresa, ela é proibida liminarmente. Vejo claramente um atentado ao direito de greve, uma inibição do direito para alguns setores, e outros não", argumenta o professor da Unicamp.

Segundo Krein, a paralisação dos caminhoneiros ganhou o apoio de 87% dos brasileiros – como revelou uma pesquisa do instituto Datafolha nesta quarta-feira – porque a a população está muito descontente com as orientações políticas que estão sendo conduzidas no País.

"Estão descontentes com todas as instituições, do poder Executivo ao Legislativo e Judiciário, que está extremamente desacreditado", constata o economista. Krein nota que o estímulo político à greve não passa pelos partidos tradicionais de direita e de esquerda por eles estarem mais comedidos em suas opiniões. "Os grupos que estimulam essa greve estão fora do jogo político tradicional, como o que defende a intervenção militar", explica.

Na opinião do especialista da Unicamp, a dimensão da greve dos caminhoneiros se explica pela "inexistência" de governo. "A palavra do presidente da República não vale nada na opinião da maioria dos manifestantes", observa Krein.

Um indício desse descrédito é o fato de Temer ter publicado no Diário Oficial as garantias de controle de preços do diesel por 60 dias, além da redução de R$ 0,46 por litro, e o acordo não ser considerado algo aceitável. Tanto a instituição da presidência da República quanto os meios de comunicação não contam com a confiança da população, constata. "Ninguém acredita mais em ninguém e isso terá consequências muito fortes para o futuro do País", adverte.

Esgarçamento do tecido social

"O Brasil passa por um enorme processo de estresse, com um esgarçamento do tecido social provocado principalmente a partir do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016", situa Vilhena. Mas os sintomas já estavam presentes dois anos antes da destituição da petista, com a guerra travada entre os três poderes da República.

"Vejo com perplexidade e angústia essa espiral de declínio que atingiu o Brasil a partir da eleição de 2014. Foi uma eleição muito polarizada, marcada pelo financiamento ilegal de todos os lados, tanto do PT, que ganhou, como do candidato que foi para o segundo turno [Aécio Neves, do PSDB]. A denúncia de Aécio sendo recebida pelo Supremo Tribunal Federal deixa isso claro atualmente. Tanto o PT quanto o PSDB, que foram as principais forças políticas brasileiras ao longo dos últimos 20 anos, jogaram o jogo de maneira fraudulenta. Foi o início de um processo que impacta até agora a integridade das instituições", avalia Vilhena.

Paralelamente, prossegue o jurista, a operação Lava Jato foi abatendo a legitimidade dos atores políticos, a tal ponto que a sociedade se desencantou da política e surgem, no cenário atual, pessoas pedindo a intervenção das Forças Armadas. "Existe uma ordem constitucional e essa aventura não está na agenda", alerta o constitucionalista.

O Brasil passa por uma tempestade institucional, descreve figurativamente o professor de direito da FGV-SP. "As instituições têm usado suas atribuições para contestar os atos das outras instituições. A relação dos poderes, que deveria ter uma certa harmonia, passou a ser profundamente conflitiva, e na base existem problemas sólidos, robustos, de conflito ideológico, uma polarização criada principalmente a partir do impeachment, em que um lado nega ao outro o direito de ter ideias distintas", destaca o jurista.

Guerra de trincheiras

O momento é crítico, preocupante. "As forças democráticas estão sendo incapazes de construir um diálogo positivo. Estamos precisando que as pessoas abandonem as trincheiras para dialogar e construir uma alternativa, o que não é fácil em ano eleitoral. Mas prefiro acreditar na capacidade de resiliência dos brasileiros e esse é o caminho que devemos seguir", diz o professor da FGV-SP.

Krein, da Unicamp, também só vê uma solução à crise atual: "A adoção de um processo eleitoral legítimo, em que a vontade da maioria da população seja expressada". Ele lamenta que o processo político também esteja desgastado. "O candidato favorito está preso, e os outros candidatos em situação de disputar o segundo turno não conseguem reunir sequer um terço do apoio da população", destaca.

Na opinião do economista, as eleições de outubro são a única forma de se tentar resolver esse impasse, havendo risco de se sair do processo sem uma questão fundamental resolvida.

"A greve dos caminhoneiros mostrou que o discurso liberal, de que o mercado seja o agente organizador da vida econômica do País, é um discurso que não tem o apoio da população. A política da Petrobras e outras políticas que o mercado defende como solução não têm o respaldo da sociedade", conclui Krein.

Adriana Moysés
por Radio France Internationale
No CartaCapital
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Conselho de inimigo jurado tem que ser encarado com desconfiança...

A manutenção da candidatura de Lula, contra tudo e contra todos, é o gesto de maior radicalidade do PT no enfrentamento ao golpe. O partido vacila muito, nas composições nos estados, fazendo alianças como se o golpe não tivesse ocorrido, numa lógica que subordina a luta política ampla aos interesses dos detentores de mandato. Manter Lula candidato, mesmo encarcerado em Curitiba, é a denúncia mais eloquente da ilegitimidade das eleições e de toda a ordem jurídico-político nascida do golpe.

Por isso, a manutenção da candidatura de Lula incomoda tanto. A mídia se esforça por apagar a existência dele e fingir que a eleição será "normal" mesmo sem o líder das pesquisas concorrendo, mas, com Lula reafirmando a cada vez que é candidato, fica difícil. Por isso, a insistência de que o PT precisa logo apresentar seu "plano B".

Às vezes, isso toma a forma de sugestões e advertências que se querem genuinamente preocupadas com o bem do petismo. Hoje, um daqueles colunistas da Folha escreve: "PT paga preço alto ao manter Lula como candidato fantasma". Sei não. Conselho de inimigo jurado tem que ser encarado com desconfiança...

Luis Felipe Miguel
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Caminhoneiro critica greve na Record e elogia no SBT — assista

Elói Urbano Fell deu entrevista para duas emissoras
Imagem: Reprodução / SBT
Uma situação um tanto peculiar foi presenciada por aqueles que acompanham a greve dos caminhoneiros que atualmente paralisa o Brasil. A Record e o SBT, em suas respectivas coberturas, entrevistaram o mesmo caminhoneiro. Até aí, nada de mais. O problema é que o trabalhador deu um depoimento diferente para cada emissora.

Primeiro, o homem apresentado como Elói Urbano Fell, que estava parado junto a outros caminhoneiros durante a paralisação na rodovia Régis Bitencourt, em São Paulo, concedeu uma entrevista emocionante ao programa “Balanço Geral SP”.

No depoimento ao canal de Edir Macedo, o cidadão queixou-se que os outros caminhoneiros não o deixavam passar com sua encomenda, o que o prejudicaria, já que ele trabalha de forma autônoma. Até choro teve.

Porém, mais tarde, o mesmo homem apareceu no SBT com um discurso contrário ao da primeira entrevista. Aqui ele se posicionou a favor das greves e ainda disparou: “Com o óleo diesel por R$2,20, a gente trabalha, caso contrário ninguém vai trabalhar, não.
Acompanhe:





Felipe Brandão
No RD1
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Quem são os "intervencionistas"?


O país tem o direito de saber quem são estes “intervencionistas” que, segundo o governo e líderes de caminhoneiros, estão usando de violência para impedir o fim da greve, pregando a derrubada de Temer e uma intervenção militar. Ontem eles mataram a pedrada um caminhoneiro em Vilhena (RO). Altas patentes da ativa, vale dizer, repudiaram as vivandeiras das rodovias. Se elas fossem inofensivas ou insignificantes, a presidente do STF, Cármen Lúcia, não teria feito solene defesa da democracia como “único caminho legítimo”.

Cansados do governo Temer e irritados com a política de combustíveis todos estão. Há esforços para ampliar os protestos, como o dos petroleiros com a greve contra a direção e a condução da Petrobras e os protestos de taxistas, motoqueiros e motoristas de transporte escolar mas sem apelar para o golpismo. Apesar de seu déficit de legitimidade, Temer terá que sair dentro da legalidade, entregando a faixa ao presidente eleito ou, o que é muito improvável, afastado por uma decisão legal, se vier uma terceira denúncia, por exemplo. Ou, hipótese ainda mais remota, pela renúncia. Até Jair Bolsonaro, inspirador destes grupos de direita saudosos da ditadura caiu fora: se os militares tiverem que voltar, que seja pelo voto.

É cansativo mas sempre pedagógico lembrar que este golpismo difuso que está aí é fruto do processo que levou Temer ao governo, um impeachment de discutível fundamentação jurídica, nutrido pela impopularidade que tragou o governo Dilma, quando a bonança do lulismo acabou, por força da combinação entre fatores econômicos externos e erros cometidos pelo governo dela. A elite política deu o exemplo, agora acham que é assim: governo ruim, vamos varrer de qualquer jeito.

Na terça-feira o governo informou ter comprovado a “infiltração” que passaria a combater. Ontem Jungmann anunciou a criação de um “disque denúncia” para receber informações sobre atos de violência nos pontos de protestos. O reabastecimento avançou mas a violência aumentou. Caminhoneiros teriam sido forçados ao cárcere privado. Haveria milícias armadas atuando em estados como Minas, Goiás e Paraná. Neste último, em Carambeí, um caminhoneiro atirou contra PMs, ferindo-os. Executivos do agronegócio, anteontem na Câmara, fizeram relatos de muita gravidade. Em Mato Grosso, cortaram trilhos da ferrovia com maçarico e queimaram cargas de ração.

Então, há mais que discurseira irresponsável nessa loucura. E já tendo o país sangrado tanto, já tendo o governo errado tanto, tem a obrigação de identificar e punir os que atentam contra as democracia. A Constituição considera crime inafiançável e imprescritível (artigo 5º., inciso XLII) “a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.

Razões pessoais 

O ex-chanceler Celso Amorim informou ontem, em carta ao presidente do PT-RJ, Washington Quá-Quá, que não será mesmo candidato a governador do Rio, conforme já dissera ao vice-presidente do PT, Alberto Cantalice. Alegou “razões estritamente pessoais” e à coluna assegurou que a decisão não se relaciona com a escolha do candidato a vice na chapa do ex-presidente Lula: “Em algum momento haverá a escolha de um vice mas ainda não houve decisão do partido sobre a hora e muito menos sobre nomes”.

Ele confirma que a filósofa Márcia Tiburi, que já era cotada como sua companheira de chapa, deve ser candidata ao governo e elogia a escolha na carta a Quá-Quá.

Relativamente à situação nacional, Amorim compartilha do sentimento geral de que será difícil a travessia até às eleições com o governo Temer: “Agora só nos restou mesmo uma pinguela, e pinguela podre, mas não há saída fora da democracia e das eleições. Torço para que o Brasil compreenda que só o ex-presidente Lula pode pacificar o país”.

Tereza Cruvinel
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Abin e PGR investigam infiltração militar em paralisação

Órgãos federais suspeitam que violência contra caminhoneiros e sabotagem a trem em Bauru têm relação com presença de militares no movimento

Ilustração Paula Cardoso
A Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, investiga a participação de integrantes das Forças Armadas e das Polícias Militares estaduais na greve dos caminhoneiros. O objetivo seria aproveitar o momento de extrema fragilidade política do governo Temer para provocar uma intervenção militar no país.

De acordo com três agentes da Abin ouvidos pela piauí sob a condição do anonimato, a possível presença de militares entre os grevistas começou a se desenhar nesta semana, quando cresceu a violência contra os caminhoneiros – um deles foi assassinado na quarta-feira, 30 de maio, em Rondônia –, e surgiram atos típicos de sabotagem, como a retirada de parafusos dos trilhos da linha férrea em Bauru, no interior paulista, que levou ao descarrilamento de um trem carregado com combustível, no dia anterior.

Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, manifestantes bloquearam a entrada do quartel do Exército no domingo, 27 de maio, pedindo intervenção militar no país. No Rio, segundo a Polícia Rodoviária Federal, há indícios de envolvimento de milicianos no movimento. A Abin também estranha a falta de pulso da polícia nos mais de 500 pontos de bloqueio de caminhões que se formaram no Brasil nos dias de greve. Os agentes comparam com a paralisação de 2015, que durou três dias. Na época, não houve desabastecimento de combustíveis, alimentos e remédios, como desta vez. “Havia uma ação mais enérgica da polícia. Por que não houve desta vez? É estranho”, questionou um dos agentes.

Na quarta-feira, 30, a Câmara Criminal da Procuradoria Geral da República instaurou procedimentos para investigar se empresários e sindicalistas violaram dois dispositivos previstos na Lei de Segurança Nacional: tentar mudar o regime político do país com emprego de violência e “incitar a subversão da ordem política e a animosidade entre as Forças Armadas”, crimes punidos com até dezenove anos de prisão.

A Câmara Criminal tem informações sobre a infiltração de militares na greve, mas, nesse caso, segundo a procuradora Luiza Frischeisen, coordenadora da Câmara Criminal, a investigação formal cabe ao Ministério Público Militar. “É algo muito grave que precisa ser apurado”, afirmou Frischeisen. Procurado pela piauí, o promotor Adriano Alves Marreiros, do MPM, não quis se manifestar.

As redes sociais e principalmente aplicativos como o WhatsApp têm sido bombardeados com fake news a favor de uma intervenção. Em um áudio, um homem se passa pelo general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, para pedir “a todos os brasileiros que saiam às ruas nesta quarta-feira [dia 30] pedindo a intervenção militar”. Assim, no dia seguinte, “nós iremos destituir o presidente, junto com o Congresso Nacional e o Judiciário. Devido à corrupção que se instaurou nesse país, faremos um governo interino”. A página (verdadeira) do general no Twitter passou a ser bombardeada de mensagens críticas a ele – muito chamam Villas Bôas de “covarde”. “Deixou o povo brasileiro na mão, quando a gente precisou de você.”

“São ações práticas concatenadas com forte propaganda veiculada em aplicativos criptografados. É tudo muito bem pensado, o que nos leva a acreditar que há militares diretamente envolvidos”, afirmou um dos integrantes da Abin. A agência mapeou o descontentamento generalizado da caserna com o governo Temer, sobretudo após a intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. Não são poucos os que consideram o general Sérgio Etchegoyen “traidor” por integrar a gestão Temer. Ele é ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, a quem a Abin é subordinada. “Há uma crise grave, muito maior do que a greve”, disse um dos agentes.

A própria Abin teve um comportamento heterodoxo na greve, ao deixar de avisar o governo sobre a movimentação dos grevistas nas semanas anteriores à paralisação. Nesta quarta-feira, na tentativa de debelar o movimento, o Palácio do Planalto divulgou um número de celular com WhatsApp, batizado de “SOS Caminhoneiro”, para que os motoristas de caminhão denunciem casos de coação que os impeçam de retomar o trabalho.

Allan de Abreu
No Piauí
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Os criadores de feras


Matéria da Folha mostra que, faz tempo, os blackblocs do fascismo ensaiam há tempos ações para provocar bloqueios no abastecimento de combustíveis e, com isso, criar um clima de desordem e comoção que ajude a tal “intervenção militar” com que tanto sonham.

Há três meses, “treinaram” fazer o bloqueio de bases de combustíveis da Petrobras, revela o jornal, com documentos  indesmentíveis.

Nada a estranhar, porque que o país vive sob a ação de grupos de extrema-direita só pode ser novidade para quem tiver chegado ontem ao Brasil e abrir o jornal de hoje.

O que é significativo nisso é que, ao menos até agora, estes grupos violentos vivem e proliferam diante da absoluta tolerância das instituições que deveriam confrontá-los, em nome da democracia: a imprensa, a polícia e o Judiciário.

Aliás, como já se disse aqui, estes funcionam mesmo como “chocadeiras” do ovo da serpente que eles próprios criaram, ao patrocinarem, há anos, o desmonte da regra fundamental do regime democrático: o respeito ao voto popular.

Ao transformarem o exercício da política numa atividade “bandida”, como reclamar que surjam, nas suas bordas, os “esquadrões da morte” do fascismo?

Não foram ele que criaram categorias morais como “lulopetismo bolivariano” ou os “nossa bandeira jamais será vermelha”, como se estas fossem causas dos governos Lula e Dilma, aliás ultraliberais no que tange ao exercício das liberdades públicas?

Não foi com Sérgio Moro, o “japonês da Federal” e os fundamentalistas da “Força Tarefa da Lava Jato” que aprendemos que se deveria exercer a ditadura da “cognição sumária” e das “convicções”?

Eles não nasceram sozinhos e não vivem sozinhos. E não sumirão num passe de mágica eleitoral.

A desgraça para nosso país é que estes grupos vieram para ficar e não vão desaparecer mesmo que meia-dúzia de lunáticos venha a responder por seus atos.

Só a restauração da política como elemento de convívio e solução dos conflitos sociais, algo que estamos a anos-luz de distância, o pode fazer, e lentamente.

E isso tem de começar por algo que parece hoje inatingível: devolver os mecanismos punitivos e policiais ao seu papel secundário na vida brasileira.

Em tempos de Inquisição, não se reclame da selvageria que se injeta na sociedade.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Novo premiê espanhol disse que Lula é “uma referência em política global”


O líder do Partido Socialista da Espanha, Pedro Sánchez, se tornou primeiro-ministro nesta sexta-feira depois de Mariano Rajoy, de centro-direita, ser destituído após a aprovação apertada de uma moção de censura deflagrada por um escândalo de corrupção.

Pedro Sánchez é presidente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Em 2015, ele esteve no Brasil e se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Sánchez disse que Lula era "uma referência em política global, da boa política". 

[Lula] foi um presidente que tirou o Brasil de uma situação de crise econômica e ofereceu oportunidade a gente que não teve oportunidade". E completou: "Apostou em construir uma classe média forte no Brasil por um progresso inclusivo e uma economia justa. É isso que também quero para a Espanha". 

Leia, abaixo, a notícia publicada no site do Instituto Lula:

As relações sociais e econômicas entre Brasil e Espanha foram temas de um encontro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário geral do Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe), Pedro Sánchez, na tarde desta sexta-feira (27), em São Paulo.

Eles falaram ainda sobre os desafios que a União Europeia enfrenta e a necessidade de compreensão das políticas de investimento público, que podem solucionar, por exemplo, o desemprego na Europa.

Sánchez lembrou que o Brasil é o segundo país com maior nível de investimento espanhol em todo o mundo. "Por isso é importante que a política espanhola esteja no Brasil." Motivo que também é responsável por atrair ao Brasil muitos jovens espanhóis em busca de oportunidades de emprego.

O secretário afirmou que Lula é "uma referência em política global, da boa política" e que a visita ao ex-presidente lhe deu a oportunidade de entender como ocorreu o processo de ascensão econômica e social brasileiro. "[Lula] foi um presidente que tirou o Brasil de uma situação de crise econômica e ofereceu oportunidade a gente que não teve oportunidade". E completou: "Apostou em construir uma classe média forte no Brasil por um progresso inclusivo e uma economia justa. É isso que também quero para a Espanha".

No Esquerda Caviar
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