30 de mai de 2018

Temer não pode continuar. Renúncia Já!


Temer nunca teve qualificativos morais para ser presidente da República. Colocado no cargo por um Congresso golpista e corrupto e por um judiciário igualmente corrupto e golpista, levou o país ao caos e ao desgoverno e perdeu as condições políticas e administrativas para continuar no governo. Está produzindo a ruína da economia e da sociedade ao provocar a greve dos caminhoneiros. Os prejuízos econômicos e o sofrimento social são incalculáveis. As perdas são bilionárias.

1- Renúncia imediata de Temer. Ela deve ser exigida pelos partidos e pelas entidades da sociedade civil. O Brasil não tem mais governo e Temer não tem nenhuma autoridade. Manter Temer significa prolongar a crise e o sofrimento do povo;

2 - Com a renúncia de Temer deve ser seguido o que diz a Constituição: Rodrigo Maia assume e convoca a eleição de um presidente pelo Congresso. Deveria ser escolhido um presidente neutro para formar um governo técnico e neutro, com a missão de levar o País até o final do ano e garantir o calendário eleitoral. Poderia ser escolhido alguém como Ayres Brito ou outro que fosse uma pessoa honrada e respeitada;

3 - Os partidos deveriam garantir a governabilidade desse presidente e ele não adotaria nenhuma medida além das absolutamente necessárias para garantir uma governabilidade mínima;

4 - Seria antecipada a posse do presidente eleito e do novo Congresso para 15 de novembro;

5 - Seria feito um acordo com os caminhoneiros válido até o final do ano;

6 - Junto com Temer deveriam renunciar todos os ministros, Pedro Parente e todos os demais presidentes de estatais;


Aldo Fornazieri, Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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“Intervenção militar”, “Fora, Temer” e “Lula Livre”: na paralisação dos caminhoneiros, ninguém falou em Lava Jato

Moro, senhora Moro e Pedro Parente
A paralisação dos caminhoneiros foi um movimento político, motivado por razões econômicas, e marcado por três tipos de manifestação: “Intervenção militar”; “Fora, Temer”; e “Lula Livre”.

Há dois anos, quando também protestaram, os caminhoneiros exibiam faixas em apoio a Lava Jato.

Desta vez, não se viu nada que lembre a operação liderada por Sergio Moro.

É o reflexo de um movimento maior, a queda de popularidade da Lava Jato, constatada em todas as pesquisas de opinião.

E não é difícil entender por que.

A Lava Jato não tem feito bem ao Brasil, e a população, inclusive os caminhoneiros, começa a perceber.

Alardeia que, em quatro anos de operação, conseguiu recuperar R$ 1,5 bilhão de recursos que teriam sido desviados da Petrobras.

Perto do que a Petrobras perdeu com um acordo que fez com acionistas americanos — US$ 2,95 bilhões, quase R$ 11 bilhões — e com acordo para tentar colocar fim à paralisação dos caminhoneiros —R$ 13,4 bilhões —, é uma quantia irrisória.

Por trás do acordo nos Estados Unidos e da nova política de preços da empresa, estão os procuradores e juízes que, a pretexto de defender uma empresa que ostentava números vigorosos, provocaram um desastre.

Com a mudança de governo, que só foi possível pelo ambiente de caça às bruxas criado pela Lava Jato, saíram os gestores indicados por quem tinha a autoridade delegada pelo voto popular.

(E não eram Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, os ladrões mais notórios da Petrobras, pois estes já estavam fora da empresa havia muito tempo quando a Lava Jato começou).

Sob Lula e sob Dilma, a gestão da Petrobras era guiada por um princípio: empresa como alavanca do desenvolvimento e, por isso, a política de preços, investimentos e compras deviam atender ao interessa nacional — primeiro o Brasil.

Não era para dar prejuízo — e, na gestão do PT, nunca deu, pelo contrário, seu preço mais elevado ocorreu em 2008, quando o valor de mercado chegou a R$ 510 bilhões.

A Lava Jato gerou uma ruína econômica que foi além da empresa, ao mesmo tempo que se fortaleceu como agente político e de repressão do Estado.

Seu líder maior, Sérgio Moro, se sentiu à vontade na sexta-feira para dar palpite no movimento dos caminheiros.

“O prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades”, escreveu em um despacho.
“Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação e antes que ocorram episódios de violência”, acrescentou.

Ninguém lhe deu ouvidos.

Mas a Lava Jato, no que se pode considerar sua jurisdição específica, se fez ouvir.

Com a derrota na Justiça de Portugal, no processo de extradição do consultor Raul Schmidt, denunciado no Brasil por desvio por corrupção ativa, foi para cima da filha dele, no Rio de Janeiro.

Depois de uma busca e apreensão na residência dela, com policiais portando metralhadora diante do neto pequeno de Raul, foi intimada a depor em Brasília.

Em São Paulo, o revide contra Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, operador do PSDB, também foi pesado.

Ele foi solto por medida de Gilmar Mendes há duas semanas, disse que não tinha nada a delatar, e agora, além de ser preso novamente, viu sua filha também ser recolhida ao xadrez.

É um padrão que se cria: a Lava Jato amplia seu alvo, e seu rigor, quando vê decisões suas sendo contrariadas.

Quem não se lembra do que os policiais federais fizeram quando Sérgio Cabral foi transferido para Curitiba, depois de uma queda de braço entre o juiz de primeira instância Marcelo Bretas e Gilmar Mendes?

Acorrentaram o ex-governador pelos pés e pelas mãos e o expuseram à fotografia,  sem que ele representasse qualquer risco à transferência.

Num jogo de faz de conta, com a repercussão negativa da conduta dos policiais, Moro cobrou explicações.

A PF disse que acorrentou o ex-governador para protegê-lo, e ficou tudo por isso mesmo.

A Lava Jato deixa cada vez mais evidentes as características de polícia política, atacando primeiro o PT, mas também todos os outros, com algumas exceções.

É uma tragédia do ponto de vista institucional, que só se tornou possível pela aliança entre policiais, procuradores e juízes.

No início, todos pareciam unidos unidos contra o PT e suas lideranças, para derrubar Dilma e depois bani-los da vida pública.

Não conseguiram tudo o que aparentemente buscavam, mas mostraram muita força e, com esse poder , ampliaram o leque de atuação.

No Brasil, hoje, ninguém está livre da Lava Jato. Seja culpado ou inocente.

Policiais e procuradores sempre mantiveram conexão direta entre seus respectivos trabalhos, mas juízes deveriam se manter distantes, neutros.

E juízes, quando exageram, são controlados pelos tribunais superiores, pelas corregedorias e pelo Conselho Nacional de Justiça.

Mas não é isso o que tem ocorrido.

Por exemplo, até hoje, dois anos depois, o Conselho Nacional de Justiça não analisou ainda a reclamação contra Sergio Moro pela divulgação das escutas telefônicas da presidente Dilma Rousseff.

E é necessário, não só para reparar o abuso contra o PT. Mas para proteger a todos da arbitrariedade.

Não importa se o alvo da ação abusiva da Lava Jato seja alguém ligado ao PSDB, como Paulo Preto, ao PMDB, como Sergio Cabral, ou ao PT, como ocorreu em tantos casos.

A Lava Jato precisa ser contida para preservar o que resta de democracia no Brasil.

Por isso é que soa como palavras vazias o discurso que a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, fez nesta quarta-feira, na abertura da sessão, aparentemente em referência ao movimento dos caminhoneiros, especificamente àqueles que defendem a intervenção militar:

“Dificuldades se resolvem com a aliança dos cidadãos, e a racionalidade, objetividade e trabalho de todas as instituições, de todos os poderes. A democracia não está em questão […] Não há escolha de caminho. A democracia é o único caminho legítimo.”

Disse mais:

“O direito brasileiro oferece soluções para o quadro vivido pelo povo.”

Sim, oferece.

Mas, até aqui, a corte que deveria fazer prevalecer o direito tem se comportado como protetora dos interesses daqueles que contrariam a Constituição, principalmente em razão da presidência de Cármen Lúcia.

Por que ela não permite votar a constitucionalidade da lei que assegura ao cidadão o direito de recorrer até a última instância antes de ser preso?

Porque pode tirar Lula da cadeia, mas Cármen Lúcia não diz.

Quem atropela a democracia não tem autoridade moral para apontar o dedo para os caminhoneiros.

Pode ter autoridade perante a lei, mas não autoridade moral.

O problema está no Supremo, a balbúrdia nas estradas é só um reflexo.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Eu lembro. Não faz tanto tempo assim

Eu lembro. Não faz tanto tempo assim.

Quando Dilma foi afastada da presidência, foi uma festa. Finalmente, depois de tantos anos, tínhamos de novo um presidente à altura do cargo. Um homem cujo terno era elogiado por cientistas políticos. (É verdade, não estou inventando.) Que dignificava seu discurso com mesóclises. Foi uma caravana de jornalistas puxa-sacos entrevistá-lo no Palácio, uma entrevista inacreditável que permanecerá para sempre como um ponto culminante da carreira de Noblat, Cantanhede e outros. A Veja ressaltava a posição da nova primeira-dama, “bela, recatada e do lar”, expressão que, antes de virar piada, foi – eu lembro – o título, a sério, de uma reportagem laudatória.

Só precisava de umas décadas a menos e umas plásticas a mais para Michel Temer se transformar no nosso John Kennedy. Seus discursos eram recheados de banalidades, mas elas eram aplaudidas com frenesi. Via-se uma sabedoria profunda, de idiot savant, em frases como “Pare de pensar em crise, trabalhe”. Aliás, o fato de Temer só falar banalidades contava entre seus méritos. Era disso que o Brasil precisava. Um velho e bom governo convencional. Previsível. Confiável. Oligárquico. Um governo de homens brancos idosos.

Na economia, arrocho nos gastos sociais, redução de direitos, mais mercado e menos Estado. Na política, a construção de uma enorme base parlamentar que garantiria a “governabilidade”. Sem falar na moral e nos bons costumes. Família patriarcal e camisa verde-amarela. Em tudo, sempre, as fórmulas de sempre. O empresariado aplaudia, a mídia ululava, a classe média abanava o rabo. Como podia dar errado?

Os coleguinhas mais afoitos vestiam a autoridade de cientistas políticos para falar, nos jornais, em “governo de salvação nacional”. Eu lembro.

* * *

A situação em que nos encontramos hoje é a consequência direta e esperada daquele momento, dois anos atrás. O golpe de 2016 foi quando a classe dominante brasileira decidiu realizar seu programa máximo. Reduziu a quase zero o espaço para concessões aos dominados. Atropelou a Constituição, atropelou a democracia, destruiu o que se conseguira construir como espaço de convivência e disputa politica civilizada nas últimas décadas.

Era, de fato, um grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo, com todos os que importam. Afinal, nesse tipo de acordo nunca há espaço para a classe trabalhadora, para os aposentados, para as mulheres, para a população negra, para os povos indígenas.

Hoje, temos o país à beira do caos, um governo incapaz de governar e nenhuma saída na nossa frente. A greve dos caminhoneiros apenas desvelou a situação em que nos encontramos – e sua própria ambiguidade é um indício das incertezas profundas do momento.

Qualquer solução será, com certeza, uma meia sola. Em parte porque o próprio movimento não parece ter rumo certo e se mostra embevecido com sua própria força. Mas, sobretudo, porque não há, no governo que aí está, nem disposição nem autoridade para mais do que isso. Quem confiaria num acordo com o governo Temer?

E as eleições, que teriam o condão de relegitimar o centro do poder, ficam despidas desta capacidade na medida em que a expressão da vontade popular está tolhida por um ato de força. Com a decisão de impedir a candidatura de Lula – e em seguida aprisioná-lo –, as classes dominantes anunciaram que não desejam qualquer repactuação da ordem anterior. Jogaram o país numa crise política impossível e se recusam a discutir qualquer solução.

Luis Felipe Miguel
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Conselheiro da Petrobrás ligado à Shell renuncia no 1º dia da greve dos petroleiros

A dirigente Cibele Vieira em assembleia durante a greve dos petroleiros. 
Foto: Dino Santos/CUT
Um dos integrantes do grupo defensor da privatização da Petrobrás, José Alberto de Paula Torres Lima, renunciou nesta quarta (30) ao cargo no Conselho de Administração da empresa, quando foi iniciada a greve dos trabalhadores em defesa de uma nova política de preços e em defesa da estatal.

O conselheiro é ligado há mais de 27 anos à Shell, petrolífera internacional, e foi eleito, após indicação, no dia 26 de abril.

À imprensa comercial, José Alberto alegou questões pessoais para sua saída, entretanto, ela ocorre em meio a uma das maiores crises da Petrobrás, graças à política adotada pelo governo golpista de Michel Temer (MDB), que colocou na presidência da empresa o tucano Pedro Parente.

Desde 2016, a estatal brasileira tem sofrido desvalorização no mercado internacional, além de praticar uma política de preços que permite reajustes diários nos valores do diesel, da gasolina e do gás de cozinha, em paridade com ajustes internacionais. O aumento do diesel, inclusive, foi o que ocasionou a greve dos caminhoneiros.

Petroleira e dirigente da CUT-SP e da FUP (Federação Única dos Petroleiros), Cibele Vieira classifica a renúncia do conselheiro como vitória do movimento grevista iniciado à 0h desta quarta em todo o país.

“Uma das primeiras coisas que o Pedro Parente fez quando assumiu a Petrobrás, foi trazer Nelson Silva como parte da estratégia da empresa, que também é ligado à Shell. Então em abril, Nelson trouxe o José Alberto para o conselho de administração. É como se o McDonald’s colocasse alguém do Burger King no alto escalão da empresa. Com certeza, era uma pessoa que estava para defender apenas o interesse das petrolíferas estrangeiras e privadas dentro da Petrobrás”.

A paralisação da categoria tem como eixo principal de reivindicações a mudança da política de preços da Petrobrás.

A pauta inclui ainda a manutenção dos empregos, a retomada da produção interna de combustíveis, o fim do desmonte e da privatização do Sistema Petrobrás.

Rafael Silva e Vanessa Ramos, CUT São Paulo
No Viomundo
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Infiltrados é eufemismo. O nome desse bicho é Fascismo!

http://www.maurosantayana.com/2018/05/do-blog-com-equipe-leitura-dos.html


A leitura dos principais jornais e portais da internet brasileira, cuja cobertura privilegia aspectos como o abastecimento de alimentos e a retomada da venda de combustíveis pelos postos e distribuidoras, mostra como no Brasil a mídia continua fazendo o perigoso jogo da avestruz que, enfiando a cabeça no meio da areia, prefere tapar o sol com a peneira no lugar de discutir o que realmente está acontecendo com o país, tanto do ponto de vista jornalístico quanto do nosso destino político.

Mais que o desabastecimento provocado pelos bloqueios dos caminhoneiros, o que importa é a emersão impune e violenta, mais uma vez, da extrema-direita na vida brasileira, com a rápida mobilização de milhares de canalhas por meio do Whatsapp, para se assenhorearem de um movimento de protesto, como aprenderam a fazer desde que inauguraram com sucesso essa tática nas famigeradas jornadas de junho de 2013.

Fosse mais organizada, ao menos estrategicamente, a esquerda teria chegado primeiro aos bloqueios, obviamente sem camisetas e lenços vermelhos, não para defender um golpe de estado, mas uma bandeira muito mais cara aos grevistas legítimos, a volta da política de preços - equilibrada e consciente - da Petrobras dos tempos de Lula e Dilma.

Em 2013, as manifestações foram tratadas pelo governo e pela imprensa, como se fossem movidas pelo anseio de democracia, quando o que verdadeiramente escondiam - também com financiamento e infiltração externa - era o germe da fragmentação da República e da destruição do presidencialismo de coalizão que, com todos os seus defeitos, tinha nos trazido - apesar dos sinais mais que premonitórios do distorcido julgamento do “Mensalão” - até as vésperas da Copa do Mundo, com um mínimo de paz, de equilíbrio institucional e de governabilidade.

Dois aspectos marcaram esse processo:

O primeiro e mais evidente, o retorno da extrema direita ao universo político nacional, depois da aventura integralista dos anos 1930 e da derrota dos extremistas no contexto da própria ditadura militar, com o desfecho da crise provocada pelos assassinatos de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, que culminou com a destituição do General Ednardo D´Ávila Mello e do Comandante do Exército, o General Silvio Frota pelo Presidente Geisel.

Mesmo que os radicais nunca tenham sido, de fato, totalmente controlados, como mostraram os atentados terroristas contra a ABI e o que matou a secretária da OAB, Dona Lyda Monteiro da Silva e a tentativa - frustrada pelo destino - de explodir uma bomba dentro do Riocentro, no governo Figueiredo.

Pela simples e cristalina razão de que a serpente do autoritarismo de direita, agora descaradamente voltada para a defesa da tortura, do genocídio e do retorno de um governo militar ao poder, além do fechamento do Congresso e do fim das eleições no país, nunca foi enfrentada com firmeza e com coragem pela sociedade brasileira.

Os covardes, como mostra a História, quando não são combatidos desde o ninho, crescem, em perversidade e violência, até o massacre de velhos, mulheres e crianças, como ocorreu com o nazismo, que - não se iludam - subiu na base da mentira, da chantagem, da ameaça e fa brutalidade, exatamente como está ocorrendo no Brasil agora, sem nenhuma resistência digna de nota.

Por que isso ocorreu?

Porque, em primeiro lugar, vide O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS - a geração que lutou pela volta da democracia despreocupou-se totalmente da doutrinação democrática da população brasileira - em grande parte ignorante, manipulável, facilmente influenciável - no sentido não apenas do ensino da importância da liberdade como primeiro valor e principal conquista e riqueza de todo ser humano. mas também dos direitos e deveres do cidadão consubstanciados na Constituição de 1988.

É incrível que, mais de três décadas depois da reconquista do direito de voto para Presidente da República, tal conteúdo democrático, voltado para o ensino da cidadania e para explicar à sociedade - incluídos meninos e meninas que depois viriam a ser aprovados em concursos para a polícia, o Judiciário e o Ministério Público - como funciona o nosso sistema político, não tenha sido adotado, como aconteceu agora, com a elaboração e implementação da Base Nacional Comum Curricular do governo Temer - obrigatoriamente sequer nas escolas públicas, a ponto de, pelo contrário, ter se fortalecido, em nosso país, a estapafúrdia tese do Movimento Escola sem Partido.

Esse equívoco, essa omissão, essa burrice - imperdoáveis historicamente do ponto de vista político - associados ao fato dos quartéis nunca terem aberto mão de sua versão particular do golpe de 1964 - ensinando intramuros que a derrubada de Jango se deu para evitar um fantasioso golpe comunista no Brasil - levaram o país à situação em que se encontra agora.

Em que energúmenos armados de paus, pedras e armas e vestidos das cores nacionais mantêm sob a mira de revolveres, caminhoneiros em cárcere privado.

Altos oficiais das forças armadas - democratas e legalistas - se dizem preocupados com a influência de pseudo “manifestantes” sobre a tropa,

E torturadores e assassinos são festejados em eventos políticos, quando estão, há anos, em outros países, como a Argentina e o Uruguai, pagando por seus crimes na cadeia.

Boa parte da responsabilidade por esse estado de coisas é da mídia conservadora brasileira, que sempre apoiou decisiva e entusiasticamente o radicalismo de direita, quando ele atende a seus interesses, como ocorreu com o impeachment de Dilma, e que depois, quando eclode o ovo da serpente, como está ocorrendo agora, finge não ter nada com isso, e apela para subterfúgios e eufemismos que impedem que a nação combata e dê nome aos bois do apocalipse.

Além disso, à pusilanimidade também do governo - ilegítimo, confuso, hesitante - soma-se a inapetência, a anomia neurológica e a inação de uma esquerda que, chamada a defender o país e a democracia - da qual depende sua sobrevência até mesmo física, em um futuro próximo - continua fechada em seus guetos e reminiscências e divagações.

Deixando que os golpistas debatam e comentem livremente, como se apenas eles existissem, a situação do país no espaço de comentários de todos os jornais e portais da internet, sem o menor ataque, intervenção, contestação ou resistência.

Uma coisa é o sujeito alegar que não pode ir a uma manifestação, compreende-se.

Outra é se recusar a entrar no computador todos os dias, para acompanhar o que está ocorrendo e dar combate ao ódio, à canalhice e à mentira.

Hoje, no portal Terra, por exemplo - que sequer exige um cadastro para quem comenta - o Comandante do Comando Militar Conjunto das Forças Armadas, Almirante Ademir Sobrinho, está sendo violentamente desancado desde a manhã por pregar a obediência à Constituição, por hitlernautas - em meio a apelos para a distribuição de armas para matar “eleitores da esquerda” - sem que nenhum brasileiro decente apareça para defendê-lo ou apoiá-lo.

A uma proporção de quinze para um, por baixo, de comentários contra a democracia, as eleições, o Estado de Direito, não estranha que muitos, na opinião pública, e não poucos, nas forças armadas, especialmente entre oficiais e sub-oficiais em início de carreira, para não falar nos conscritos, acreditem que os golpistas são ampla maioria na soiciedade brasileira.

É preciso que quem crê na força da liberdade e da democracia tome - que me perdoem os leitores mas já estamos cansados de repetir esse alerta mais de mil vezes - vergonha na cara e parta imediatamente para o enfrentamento da mentira e da hipocrisia na internet, minuto a minuto, maciçamente, no tempo que nos resta até as eleições, e que se pare de apenas sonhar com Lula como uma Rapunzel presa na torre do castelo, que de lá sairá, miraculosamente, na undécima hora, para nos salvar dos monstros da Floresta.

O PT pode não precisar de um plano B, mas a nação precisa de um plano AB, e de uma aliança para travar o golpismo, urgentemente.

Ou será que em breve não restará outra alternativa que a de se importar armas do Paraguai e treinar em clubes de tiro e até mesmo no mato - como a direita já está fazendo há anos - com excursões desse tipo organizadas até mesmo por filhos de pré-candidatos à Presidência da República, e com a participação de “instrutores” norte-americanos, aqui e nos Estados Unidos, antes que muitos venham a ser caçados e massacrados como cordeiros daqui a um ou dois anos?

Não fiquem pensando que as centenas de sujeitos que defendem a tortura e o assassinato como arma política, todos os dias, na internet, sem por isso serem incomodados pelo MP ou pela Justiça, estão falando da boca para fora ou que hesitariam nem por um instante se pudessem cometer seus crimes.

A diferença entre o canalha covarde que preliba este tipo de infâmia atrás do anonimato de seu computador e aquele que irá desatar todo o seu ódio e perversidade quando tiver a primeira oportunidade, é apenas um porrete na mão e um outro ser humano - desde que esteja desarmado, inerme e indefeso - na sua frente.

A vanguarda das SA e das SS nazistas era composta de professores, advogados, farmacêuticos, comerciantes, agentes de segurança, que sem seus uniformes pardos e negros, posavam de "gente de bem", com um aspecto absolutamente normal de babacas inofensivos.

E não me venham dizer que estou defendendo ou pregando uma guerra civil.

Nesse aspecto e neste momento, estou sendo apenas mais um armamentista, dos muitos que proliferam por aí, e da linha norte-americana.

País que tem uma constituição que afirma que todo cidadão tem o direito de se armar para defender a liberdade e a democracia, principalmente contra a ameaça de formação de um governo tirânuico e ilegítimo.

Além de sua propriedade - como aqui defende a direita - todo brasileiro tem que gozar da prerrogativa de preservar os seus direitos e a sua vida, começando pelo de pensamento e opinião e o de ir e vir, como qualquer um pode perguntar aos caminhoneiros sequestrados nestes dias.

Que, se estivessem armados, poderiam ter tentado preservar a sua dignidade, dispersando em muito pontos de bloqueio a turba antidemocrática e ensandecida, que, irônica e hipocritamente, quase sempre aparece nessas ocasiões, pedindo intervenção militar, enrolada nas cores nacionais.

É um absurdo que a mídia continue a tratar genericamente como “infiltrados” - por quem, com que intenção, principalmente política? - uma malta de criminosos que agrediram caminhoneiros e destruíram os seus veículos e provocaram dezenas de bilhões de reais em prejuízo para empresários que, esperemos, aprendam com essa lição memorável, que vai lhes doer no bolso, com que tipo de capirotos enlouquecidos estão tratando, achando que é possível mantê-los sob controle, presos em uma garrafa, e onde estão amarrando a sua égua quando flertam, em concorridos regabofes, com a violência e o autoritarismo.

No mais, a população brasileira - quem está se arriscando a morrer porque não pode fazer hemodiálise, ou ficou com o filho doente e sem atendimento porque não havia funcionários nos postos de saúde - tem o direito de saber com quem está lidando.

Vamos lá, dona mídia.

Coragem para dizer a verdade.

Vamos dar nome aos bois.

Infiltrados é eufemismo.

O nome desse bicho é FASCISMO.
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“CPI do Parente” pode ser nova enxaqueca para Temer


A senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB do Amazonas, e Lídice da Mata, do PSB baiano, protocolaram um pedido de abertura de uma CPI sobre a política de preços da Petrobras, com a adesão de 27 outros senadores.

Já está sendo chamada de “CPI do Parente”, em referência ao tucano colocado por Temer para destruir a empresa.

Se o presidente do Senado, Eunício Oliveira, estiver, como sugere, incomodado com o desgaste que os senadores estão sofrendo para votarem, com o pé no pescoço, propostas apara empurrar para a frente o problema, pode ser uma tremenda enxaqueca para o que resta do Governo Temer.

Pedro Parente tem tudo para se tornar o candidato a boneco de Judas dos sábados de Aleluia.

Não haverá senador que não queira “tirar um sarro” de suas explicações sobre “alavancagem” e “desmobilização de ativos”, enquanto o país arde com a crise do diesel e a sua inevitável irmã, a da gasolina, que retomou hoje sua trajetória de alta com mais um aumento (0,78%), que deverá ser seguido de outros, uma vez que o petróleo, que tinha dado um “refresco” de alguns dias, voltou a subir nos mercados internacionais.

A quatro meses e pico das eleições, quem vai correr o risco de sugerir que os preços dos combustíveis sejam os estratosféricos que o “mercado” quer?

Do seu passado de ministro do Apagão do governo FHC aos botijões de gás caros e em falta, tudo será prazeirosamente arremessado na cabeça de Parente, devidamente retratado nos vídeos da TV Senado que circularão nas redes sociais.

Michel Temer, talvez, até fique contente, porque hoje teve de mandar desmentir uma menção que fez a revisar a política do “imexível” Parente, depois que a Globo, pela boca de Míriam Leitão, disse que o presidente não pode mandar na Petrobras.

Fernando Brito
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Subsídios para o Diesel Importado?


Recentemente, o conselho de administração da Petrobras, negligenciando os efeitos danosos da volatilidade no preço do petróleo para a atividade econômica, decidiu manter os preços dos combustíveis alinhados com os preços dos derivados no mercado internacional, independentemente dos custos de produção da companhia. Com essa política, a empresa passou a repassar os riscos econômicos da volatilidade dos preços para os consumidores com o objetivo de aumentar os dividendos de seus acionistas. A crise provocada pela reação dos caminhoneiros a essa política é fruto desse grave equívoco.

Para superar essa crise, é indispensável rever essa política. No entanto, o governo decidiu preservá-la, propondo um subsídio para o diesel com reajustes mensais no seu preço. O governo estima que essas medidas custarão R$ 13 bilhões aos cofres públicos até o final do ano, dos quais mais de R$ 3 bilhões serão gastos para subsidiar o diesel importado O ministro Guardia justificou essa medida econômica heterodoxa como necessária para preservar a competitividade do diesel importado.

O Brasil importou 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel no ano passado, porém exportou 328,2 milhões de barris de petróleo bruto. Na prática, esse petróleo foi refinado no exterior para atender o mercado doméstico, deixando nossas refinarias ociosas (31,9%) em março de 2018. Nesse processo, os brasileiros pagaram os custos da ociosidade das refinarias da Petrobras e aproximadamente US$ 730 milhões anuais pelo refino de seu óleo no exterior. Não é racional que o Brasil subsidie diesel importado para absorver a capacidade ociosa de concorrentes comerciais.

A Petrobras foi criada para garantir o suprimento doméstico de combustíveis com preços racionais. Não é razoável que o presidente da Petrobras declare que o petróleo produzido no Brasil é rentável a US$ 35 dólares/barril e proponha oferta-lo aos brasileiros a US$ 70/barril.

Professores do Instituto de Economia da UFRJ:

Adilson de Oliveira
Ary Barradas
Carlos Frederico Leão Rocha
David Kupfer
Denise Lobato Gentil
Eduardo Costa Pinto
Fernando Carlos
Isabela Nogueira
João Saboia
João Sicsu
José Eduardo Cassiolato
José Luís Fiori
Karla Inez Leitão Lundgren
Lena Lavinas
Lucia Kubrusly
Luiz Carlos Prado
Luiz Martins
Marcelo Gerson Pessoa de Matos
René Carvalho
Ronaldo Bicalho
Victor Prochnik
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Debate ao vivo sobre preços dos combustíveis

 Transmissão encerrada 


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O dedo do STF e do Judiciário no caos institucional causado pela greve dos caminhoneiros

Sem eles, nada disso seria possível
Carmen Lúcia não cumpriu sua missão constitucional, fosse ela qual fosse, nem tampouco trouxe a prometida “pacificação” das instituições, como admitiu candidamente.

Sem o protagonismo exacerbado do Judiciário, o show diário de ministros boquirrotos do STF, o vôo solo de Sergio Moro, o presente pandemônio que vivemos não seria possível.

A greve dos caminhoneiros tem o dedo do Supremo. No entanto, seus membros agem como se não tivessem nada com isso.

Luiz Fux participou, na manhã desta segunda-feira, dia 28/, de um evento sobre os 30 anos da Constituição no Rio de Janeiro.

Um dos patrocinadores era o jornal O Globo, como de hábito.

Segundo Fux, a paralisação “acendeu um sinal quanto à própria realização das eleições”.

Se um movimento semelhante ocorrer em outubro, a distribuição de urnas eletrônicas e a locomoção de pessoas até os locais de votação pode ser afetada, acredita.

Como “cidadão” — sempre a mesma lenga lenga, como se fosse possível dividir o sujeito entre duas entidades, bastando-lhe usar um chapéu diferente —, considera a greve “absolutamente irresponsável”.

A seletividade da Justiça, a demonização dos políticos por parte de Luís Roberto Barroso, o populismo mequetrefe — tudo isso ia dar no quê?

O desastre institucional passa pelo impedimento de Lula assumir a Casa Civil; a orquestração do impeachment de Dilma liderado por Eduardo Cunha; a não votação das ADCs sobre a prisão em segunda instância.

Em fevereiro, Cármen participou de um jantar com representantes de petroleiras estrangeiras. Reuniu-se com Temer em sua casa para tomar um chá.

Sob as barbas do Supremo, a Lava Jato contribuiu para o desmonte das empresas nacionais. Houve um esfacelamento das empreiteiras e de produtores agropecuários como o grupo J&F.

A sombra que cresce agora é a da queda de Michel Temer.

É um salto no escuro.

Para quem assumir? Rodrigo Maia? Cárminha? Quem acredita que teremos eleições diretas?

Quem acredita na Constituição?

O cenário menos pior é Temer ficar até o final do mandato para que não corramos o risco de não termos nem sequer eleições. 

Eis o papel da turma de Cármen: a destruição do Brasil. Perto deles, os caminhoneiros são ursos pandas.

Kiko Nogueira
No DCM
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Etchegoyen: Uma história de golpes e tortura




Seu avô, Tenente Alcides, esteve envolvido em levante tenentista, que tentou obstruir a posse do presidente eleito Washington Luís. Derrotado, pouco tempo depois, esteve envolvido na revolução de Getúlio Vargas e no Estado Novo mas, derrotado politicamente, se rebelou, principalmente por estar contrário ao caminho popular tomado por Getúlio. Por isso, foi preso pelo General Lott, por ter se envolvido na tentativa de golpe contra Getúlio e na tentativa de depor o presidente interino Carlos Luz.


Alcides Etchegoyen

Faleceu em 1956, deixando dois filhos no exército, Leo Guedes (Pai de Sérgio Etchegoyen) e Cyro. Leo se envolveu diretamente no golpe militar de 1964 e tornando Secretário de Segurança Pública no Rio Grande do Sul, em 1965. Dali, seguiu para assessor do presidente mais sanguinário da história do Brasil, General Emílio Garrastazu Médice. Tido como do núcleo duro do governo que se tornou ditador após o AI-5, o pais de Sérgio Echtegoyen esteve envolvido em diversos casos de tortura, violação de direitos humanos, desaparecimentos de ativistas políticos e outras atrocidades. Sua atuação levou o próprio Sérgio Etchegoyen a se manifestar politicamente diversas vezes, enquanto General, o que é proibido pela constituição. Definiu as Comissões da Verdade como patéticas e diversas vezes entrou em conflitos políticos, como o caso de uma CPI ligada ao atentado do Rio Centro, quando houve a convocação de Milton Cruz.


Leo Guedes Etchegoyen

A força política de Leo, pai de Sérgio, começa a diminuir quando a linha dura de Médice é substituída por uma linha adversa no exército, que levou Geisel ao poder. Porém, no anos 1979 é nomeado Chefe do Estado Maior e seu irmão, Cyro Etchegoyen, chega à chefia da segunda sessão do Estado Maior. Cyro e Leo foram responsáveis pela forte repressão às greves do ABC, que fez surgir a liderança do ex-presidente Lula.

Com os atentados de 11 de setembro de 2001, deu o seguinte conselho aos militares americanos: “Bastava oferecerem US$ 1 bilhão para o Mossad – o serviço secreto israelense – que eles iriam lá e resolveriam o problema”. Leo morreu em 2003.

Sua família tem longa relação com as alas mais radicais e violentas do sionismo israelense. O próprio Sérgio Etchegoyen teve vídeo circulando na Internet, em que faz a defesa de atrocidades em palestras com público restrito aos círculos judaico-sionistas no Brasil.

AS COMISSÕES DA VERDADE

De acordo com a Comissão da Verdade, em texto repercutido pela jornalista Tânia Monteiro no Estadão, em 2014, o general Leo Etchegoyen, enquanto chefe do Estado Maior e supervisor das atividades do DOI-CODI, em 28 de dezembro de 1979, elogiou os serviços prestados pelo tenente coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI CODI do II Exército, destacando “sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade, capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.

Dalmo Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército como chefe de equipes de interrogatório e desempenhou a função de subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.

Em 1979, ele assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo, período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de Souza.

Essa não foi a única menção a um familiar de Sergio Etchegoyen nos trabalhos da Comissão da Verdade.

Em depoimento concedido à Comissão Nacional da Verdade, o coronel Paulo Malhães apontou o coronel Cyro Guedes Ethegoyen, tio de Sergio, como a autoridade responsável pela chamada “Casa da Morte”, residência localizada em Petrópolis (RJ), que serviu de cárcere, centro de tortura e execução de presos políticos durante a ditadura militar.

De acordo ainda com matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, em seu depoimento, Malhães admitiu ter participado de diversas sessões de tortura e de ter ordenado e participado de várias ocultações de cadáveres que envolviam, entre outras práticas, a mutilação dos corpos, com a retirada das digitais, mediante o corte das mãos, e da arcada dentária. Questionado em seu depoimento sobre as torturas e as mutilações de cadáveres, ele defendeu a prática como “uma necessidade” e disse que os corpos eram mutilados “para não deixar rastros”.

“Quebrava os dentes. As mãos (cortava) daqui para cima”, afirmou, apontando as próprias falanges. Cerca de um mês depois de prestar depoimento à Comissão da Verdade, Malhães foi assassinado por asfixia em sua casa localizada na zona rural de Nova Iguaçu.

A nota divulgada por Sérgio Etchegoyen e familiares, em dezembro de 2014, qualifica o relatório da CNV como “patético esforço para reescrever a história” e afirma que “Leo Guedes Etchegoyen representa a segunda geração de uma família de generais que serve o Brasil, com retidão e patriotismo, há 96 anos”.

E acrescenta: “Seguiremos defendendo sua honrada memória e responsabilizando os levianos que a atacarem”.

Em 2014 o Coronel Paulo Malhães encontrado morto com marcas de asfixia em seu rosto e pescoço. Em depoimento prestado à polícia pela esposa do coronel, Cristina, ela,o marido e o caseiro do sítio (em que a família Malhães residia) foram rendidos por três homens encapuzados. Um deles teria rendido Cristina, outro, imobilizou o caseiro e o terceiro levou Malhães para um quarto. Um computador, uma impressora e três armas antigas da coleção do coronel foram roubadas.

General de quatro estrelas, Sergio Etchegoyen é gaúcho de Cruz Alta e ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1º de março de 1971. Foi chefe da Comissão do Exército Brasileiro em Washington (EUA), de 2001 a 2003, comandou, como general, a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, de 2005 e 2006, em Dourados (MS), a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, de 2007 a 2009, no Rio de Janeiro, e a 3ª Divisão de Exército – Divisão Encouraçada, de 2011 a 2012, em Santa Maria (RS), tendo sido considerado por alguns militares como um perfil “linha dura”.

Desde março de 2015 atua como chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, coordenando a atuação operacional e a política estratégica dos militares em todo o país, foi também assessor especial do ministro Nelson Jobim no Governo Lula e chefe do Estado Maior do Exército (EME) no Governo Dilma.

Aos 64 anos, foi o escolhido por Michel Temer para assumir como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também ficando subordinada à pasta, que havia sido extinta por Dilma Rousseff em 2015.

Em 2016, por determinação do então residente interino, Michel Temer, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) comandado pelo General, passou a monitorar os movimentos do Partido dos Trabalhadores (PT), comandado por Rui Falcão.

Apesar de ser considerado um dos principais conselheiros de Temer, Etchegoyen também é alvo de ataques de assessores presidenciais por supostamente interferir demais em decisões políticas, como na cogitada troca no comando da Polícia Federal.

Ainda em 2016 , a agenda de Sergio Etchegoyen entregou um encontro com Duyane Norman, “Chefe do Posto da CIA em Brasília”.

Em 2017, o governo Temer pediu que PF investigasse atos de vandalismo em uma manifestação ocorrida em Brasilia chamada #OcupaBrasilia.

Em pronunciamento ao lado do, então ministro da justiça Osmar Serraglio, Etchegoyen disse que os envolvidos nos atos de vandalismo são criminosos e devem ser tratados como tal. “Eu não os chamo de grupos radicais. Eu os chamo de vândalos, de criminosos. É um pouquinho diferente de grupos radicais. Os radicais são pessoas com quem se pode conversar. Neste caso, não são pessoas com quem se pode conversar. São posições criminosas”, disse o general.

De acordo com o que foi publicado pela Agência Brasil, ao ser questionado sobre o uso de bombas e armas letais contra manifestantes que não estavam praticando vandalismo e contra jornalistas, Etchegoyen respondeu: “meu amigo, eu acho que polícia jogar bomba em manifestantes em geral é uma visão um tanto quanto unilateral do problema e uma consequência que não faz parte da nossa discussão hoje”.

Foi também durante o periodo de Etchegoyen na GSI, de Raul Jungmann como ministro da defesa e de Eduardo Villas Boas como comandante geral do exercito que o Capitão do exercito Willian Pina Botelho sob o codinome “Baltazar Nunes” se tornou alvo de investigação do ministério público federal por espionagem em uma manifestação ocorrida em São Paulo.

Ah, e sobre o pronunciamento do General Mourão (o qual falamos no inicio deste texto) o General Etchegoyen apenas disse:

— Eu não vou explicar a frase do general Mourão, porque é um amigo muito grande que eu tenho. É um soldado que tem muito valor. Não sei em que circunstâncias ele deu a declaração. Não sei como era a pergunta. O ministro do Exército e o comandante do Exército conduziram a questão

Fábio St Rios
No A Postagem
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Um governo fora dos trilhos


A paralisação dos caminhoneiros chega hoje ao décimo dia. O movimento tem futuro incerto, mas já conseguiu o que parecia impossível: enfraqueceu ainda mais o governo de Michel Temer.

O Planalto ficou de joelhos. Entregou tudo o que os grevistas pediram e não conseguiu mandá-los de volta ao trabalho. O combustível começou a voltar aos postos, mas a situação ainda está muito longe da normalidade.

Ontem, quem circulou no Rio e em São Paulo voltou a se deparar com ruas vazias. Ainda faltam mercadorias nas bancas de feira e prateleiras de supermercado. Em ao menos três estados, os hospitais suspenderam parte das cirurgias.

A Polícia Rodoviária Federal fez um jogo de palavras para maquiar seu balanço das estradas. Deixou de falar em “bloqueios” e passou a contabilizar “pontos de concentração” de caminhoneiros. À noite, ainda eram 616 espalhados pelo país.

O governo mostra outros sinais de desorientação. Um dia depois de admitir o aumento de impostos, o ministro da Fazenda foi obrigado a recuar. Dobrou-se à pressão do presidente da Câmara, que o chamou de “irresponsável”.

A guinada de Rodrigo Maia é um símbolo do movimento em curso no Congresso. Aliados tentam se descolar do governo para evitar o próprio naufrágio nas eleições. Os mais fiéis se escondem dos microfones, enquanto o presidente apanha nas tribunas do Senado e da Câmara.

Só Temer defende Temer. Ontem ele mostrou que continua com a autoestima em dia. Em discurso para investidores estrangeiros, o presidente indicou não ter dimensão dos efeitos da crise sobre a economia. “Atingimos este que era o nosso objetivo número um: recolocar o Brasil nos trilhos”, afirmou.

O governo descarrilou, mas o presidente acredita que ainda tem força. “Quando alguns rejeitam o diálogo e tentam parar o Brasil, nós exercemos a autoridade para preservar a ordem”, disse.

A quatro meses das eleições, a oposição discute se ainda faz sentido pedir o afastamento do presidente. Um líder partidário resolveu contar os pedidos de impeachment na gaveta de Rodrigo Maia. No momento, são 27.

Bernardo Mello Franco
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O fakenews sobre a greve dos caminhoneiros


Há um motivo óbvio para a crise dos caminhoneiros: uma política de fixação quase diária dos preços de combustíveis, e de dolarização – expondo o consumidor brasileiro a qualquer movimento especulativo global.

Em um país racional, não haveria maiores discussões sobre o tema. Mas nesse país da Maracangalha, criou-se um impasse entre os chamados neoliberais (para diferenciá-los dos liberais racionais). A tal dolarização dos preços de combustíveis seguiu o receituário neoliberal de dolarizar a economia e impedir qualquer ação corretiva da parte do governo. Como admitir que o resultado foi desastroso?

Aí se convocam os templários, os guerreiros que saem de peito aberto, sem nenhum receio de expor sua reputação ao ridículo, para que levantem alguns slogans de contra-ataque.

O voluntário inicial foi Samuel Pessoa, em artigo para a Folha.

Segundo Pessoa, a culpa foi de Lula e Dilma por terem financiado muitos caminhões nos anos anteriores. Muito caminhão aumentou a competição impedindo os caminhoneiros de repassaram a alta dos preços para os fretes – uma verdadeira ode à cartelização.

Recorre, então, a uma manipulação estatística primária. Diz ele que, de 2009 até hoje a frota de caminhões aumentou 40%, enquanto no mesmo período a economia cresceu 11%. Nem lhe passou pela cabeça – porque poderia comprometer o proselitismo – que existe uma variável não anualizada chamada de renovação da frota, que não guarda nenhuma relação com o aumento da demanda.

Finalmente, informa que o aumento das tarifas de caminhão no centro-oeste decorreu do aumento da frota – o oposto do que dizia alguns parágrafos antes.

No seu programa matinal, o jornalista Alexandre Garcia repetiu o non-sense. No seu blog da UOL, o advogado Carlos Melo, outro templário, repetiu os mesmos argumentos de Pessoa. E toca o coro dos liberais condenar o excesso de competição.

“O BNDES dos governos do PT deu enorme incentivo à ampliação da frota, sem se importar com os riscos do excesso. O mercado foi inundado por um acréscimo de 83% no número de caminhões. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico secou e os fretes escassearam. O desastre foi inevitável”.

Inevitáveis são as tolices que são ditas, quando o analista se deixa emprenhar pelo ouvido.

O cenário real

Vamos aos fatos.

Em 12 de dezembro de 2013, em editorial, o Estadão – bíblia maior do liberalismo – dizia o seguinte:

“Dos caminhões que circulam pelas ruas e estradas do País, nada menos do que 212 mil têm mais de 30 anos de uso. E mais de 400 mil caminhões com capacidade para transportar de 8 a 29 toneladas têm, em média, idade superior a 20 anos. (...)  Tudo isso justifica a instituição de políticas públicas que estimulem a renovação da frota de caminhões, de modo a reduzir gradualmente sua idade média até níveis comparáveis com os de países mais desenvolvidos e aumentar a eficiência e a segurança do sistema de transporte rodoviário de carga. Uma sugestão nesse sentido, que resultou de uma inédita ação conjunta de dez entidades vinculadas à questão, foi apresentada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior há algumas semanas”.

Mais ainda.

No ano passado, a Power Systems Research, consultoria especializada no setor, providenciou uma pesquisa no Brasil, similar à que faz periodicamente nos Estados Unidos. A pesquisa foi junto a concessionárias e frotistas que têm, em conjunto, de 20 a 29 mil veículos.

Conclusões da pesquisa:
  • Dos entrevistados, 42% declararam que a ociosidade de seus caminhões é de até 5%.
  • Parcela de 21% respondeu que este índice gira entre 10% e 15%
  • Apenas 8% dos participantes registram mais de 20% de ociosidade em sua frota de veículos.
A constatação da pesquisa é que a intenção de compra estava em expansão, comparada com o ano anterior. Os motivos: renovar a frota, melhorar a eficiência operacional e atender ao aumento da demanda.

Luís Nassif
No Agência Xeque | GGN

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Manifestação | Anistia Internacional


Letra: Carlos Rennó
Música: Xuxa Levy, Russo Passapusso e Rincón Sapiência
Produção musical: por Xuxa Levy
Direção Clipe: João Wainer e Fabio Braga
Engenheiro de Gravação e Mixagem: Ricardo Camera
Materização - Mauricio Gargel
Intérpretes: Criolo, Pericles, Rael, Rico Dalasam, Paulo Miklos, As Bahias e a Cozinha Mineira, Luedji Luna, Rincon Sapiencia, Siba, Xenia França, Ellen Oleria, BNegao, Filipe Catto, Chico César, Paulinho Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luis, Marcelino Freire, Ana Canãs, Marcelo Jeneci, Márcia Castro, Russo Passapusso, Larissa Luz, Ludmilla e Chico Buarque, Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D'Alva, Siba Veloso e Marcelo Jeneci.

Banda:
Benjamin Taubikim - Piano
Roberto Barreto - Guitarra Baiana
Fernadinho beatbox
Siba Veloso - Rabeca
Marcelo Jeneci - Acordeom
Os Capoeira (Mestre Dalua, ContraMestre Leandrinho, Felipe Rosseno e Cauê Silva -
Percussão
Emerson Villani - Violões e Guitaras
Robinho Tavares - Baixo
Niack - DJ Samuel
Fraga - Bateria
Realização: Anistia Internacional
Coordenação de produção e comunicação: Verdura Produções
Assessoria de Imprensa: Patricia Dornelas
Produção Clipe: Querosene
Filmes Fotografia: Fábio Braga
Edição: Diego Arvate
Cor: Júlia Bisilliate
Pesquisa: Lorena de Almeida, Diego Arvate e João Wainer
Fotografia adicional: Bruno Miranda, Jeronimo Soffer, Uerlem Queiroz, João Wainer
Fotagrafia Stil: Roberto Setton, Inacio Aronovich, Luize Chien
Fotos divulgação: Duda Portela e Karla Alvaíde
Apoio: Estudio NACENA


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6º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais


Carta de São Paulo

“A crise é deles, a resistência é nossa”

O 6º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais e Coletivos de Mídia ocorre num momento gravíssimo, de crise e resistência.

A crise é responsabilidade dos setores que, de forma irresponsável, atentaram três vezes contra a democracia e os direitos sociais: primeiro, com o golpe que derrubou Dilma em 2016; depois, com as reformas ilegítimas e sem respaldo popular que promovem o maior ataque aos direitos trabalhistas desde a Revolução de 1930; e, por fim, com a prisão de Lula - líder de todas as pesquisas eleitorais e que ameaça (se eleito) revogar as medidas ilegais aprovadas pelos golpistas.

A crise é dos golpistas, a resistência é nossa!

Nós, blogueir@s, ativistas digitais e coletivos de mídia de 17 estados do Brasil, reunidos em São Paulo nos dias 25 e 26 de maio de 2018, nos declaramos em estado de resistência permanente até que Lula esteja solto, até que as reformas tenham sido revogadas, até que o golpe tenha sido derrotado, e até que o assassinato de Marielle Franco tenha sido esclarecido, até que sejam realizadas eleições diretas, democráticas, e livres!

Exigimos a demissão imediata de Pedro Parente da presidência da Petrobrás e o fim da política destrutiva de reajustes de preços; manifestamos nosso repúdio ao uso das Forças Armadas para desobstruir as estradas; e declaramos apoio aos movimentos que exigem a revisão da política antinacional adotada por Parente e o PSDB à frente da estatal. São esses movimentos que ajudam a colocar em xeque o projeto neoliberal do governo golpista, impedindo também que a paralisação dos transportes em todo o país sirva para fortalecer um discurso extremista - e inaceitável - de “intervenção militar”.

Declaramos, ainda, que o papel daqueles que atuam na resistência da contra-informação é cada vez mais decisivo, quando sabemos que a Globo e seus parceiros menores do oligopólio midiático integram o núcleo duro de um golpe que já deixou mais de 13 milhões de desempregados.

Sem Globo, não haveria pato amarelo nas ruas. Sem Globo, não haveria juiz que “faz a diferença” - usando sua toga para proteger tucanos e perseguir lideranças populares.

Mais que nunca, é preciso resistir à máquina midiática da mentira.

É preciso resistir também ao bloco PSDB/Bancos/Globo que - com a cobertura dos setores golpistas do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal - promove o desmonte das políticas sociais, a entrega criminosa do Pré-Sal, e quer transformar o Brasil numa colônia dos Estados Unidos.

O Brasil é hoje dominado por um governo de traidores. Na presidência, um homem que traiu a companheira de chapa e o povo brasileiro. No Itamaraty, um traidor da memória de Marighella - um ministro que reduz o Brasil à posição de capacho dos interesses de Trump. Na Justiça, magistrados que traem a lei e a Constituição.

Nós, blogueir@s, ativistas digitais e coletivos de mídia, seguiremos a resistir. E, por isso, declaramos que:

1 - Lula é um preso político e exigimos a revogação imediata de sua prisão; Lula foi preso após um processo injusto e sem provas, cujo único objetivo é impedir que ele seja de novo eleito pelo povo brasileiro; o golpe contra Dilma e a prisão de Lula são partes de um golpe que interditou a democracia no Brasil, com apoio claro da imensa maioria da mídia comercial e golpista;

2 - repudiamos o impeachment fraudulento da presidenta Dilma, sem confirmação de crime de responsabilidade, e exigimos a anulação deste ato bem como a recondução imediata da presidenta ao cargo usurpado; o direito ao voto é garantido pela Constituição, assim como o respeito ao resultado das urnas;

3 - manifestamos todo apoio aos sindicatos e aos movimentos sociais, diante dos ataques promovidos por meios de comunicação que não respeitam o pluralismo e promovem a criminalização de quem luta por direitos sociais;

4 - condenamos todo tipo de ameaça e violência contra comunicadores - sejam eles blogueiros, ativistas digitais ou jornalistas a serviço de empresas da mídia comercial e golpista;

5 - entendemos que um jornalista/comunicador obrigado a mentir, ou impedido de ouvir todas as versões de uma notícia, como tantas vezes acontece na mídia comercial e golpista, é também vítima de violência; a censura praticada por empresas de comunicação contra seus profissionais é hoje a maior ameaça à liberdade de expressão no Brasil;

6 - a Globo e seus parceiros menores do oligopólio midiático são os grandes promotores da mentira jornalística no Brasil; são eles - Globo, Folha e a quase falida editora Abril, entre outros - os maiores propagadores de “fake news”; essas empresas não têm moral para promover campanhas contra notícias falsas, menos ainda quando se aproxima um período eleitoral em que, historicamente, a mídia comercial age de forma partidarizada e mentirosa;

7 - alertamos para o risco de se aceitar “agências de checagem” das “fake news”, patrocinadas por grupos ligados às empresas comerciais de comunicação, o que põe em xeque o jornalismo independente que pode ter sua produção de conteúdo atacada pelas supostas agências;

8 - não aceitamos a entrega do Pré-Sal, riqueza que pertence ao povo brasileiro; exigimos a imediata revogação das regras que, aprovadas pelo governo ilegítimo de Temer, entregam o petróleo brasileiro às multinacionais que apoiaram o golpe;

9 - exigimos a imediata revogação da política de preços adotada pela Petrobras comandada por Parente/PSDB, que prefere favorecer os acionistas minoritários com aumentos baseados no mercado internacional do petróleo, sem levar em conta as necessidades do povo brasileiro; reafirmamos o caráter estatal da empresa - construída pelo esforço do povo brasileiro - e denunciamos a política criminosa de subutilização das refinarias brasileiras, abrindo nosso mercado para importação de derivados de petróleo, num claro favorecimento às multinacionais do setor; essa política é responsável pelos aumentos sucessivos do diesel e da gasolina e tem, por objetivo último, o sucateamento da Petrobras e a tentativa inaceitável de privatizar a empresa, velho projeto dos tucanos e liberais brasileiros;

10 - repudiamos a tentativa do governo Temer de privatizar o setor elétrico e de reduzir o papel dos bancos públicos na economia;

11 - exigimos que os assassinos de Marielle Franco sejam punidos; o assassinato dessa mulher negra e ativista LGBT, que completa quase dois meses sem solução, é a demonstração de que “intervenção militar” e polícia violenta não resolvem o problema da segurança pública no Brasil;

12 - manifestamos nosso compromisso de lutar contra o genocídio negro, que vitimiza principalmente os jovens das periferias de todo o Brasil; denunciamos as condições de vulnerabilidade em que se encontram comunicadores negros para denunciar essas violações de direito, em territórios onde o que se vive é puro Estado de exceção;

13 - reafirmamos que o golpe abriu caminho para um discurso fascista e de intolerância que seguiremos a combater nas redes e nas ruas, manifestando nossa solidariedade em especial aos negros, aos indígenas, às mulheres e ao povo LGBT - que estão entre as grandes vítimas da violência no Brasil; a situação é mais grave quando vemos que um pré-candidato presidencial defende abertamente a tortura e sente-se livre para incitar ataques a mulheres, gays e negros;

14 - lembramos que a mídia comercial e golpista, com programas de TV policialescos e cheios de incitação à violência, é corresponsável pelo clima de medo e insegurança nas grandes cidades brasileiras;

15 - alertamos para os perigos que a coleta - sem conhecimento e sem consentimento - dos dados pessoais e de todas as atividades digitais dos usuários da internet no Brasil representa para a privacidade, a liberdade de expressão e para a democracia; o uso indevido desses dados pode interferir nos rumos da política, alterar a cultura, modular comportamentos e hábitos de consumo; por isso, defendemos o Projeto de Lei de Proteção dos Dados Pessoais, em tramitação na Câmara dos Deputados [até o momento da redação desta Carta] sob o número 4060/2012;

16 - consideramos fundamental nossa aproximação dos movimentos que lutam pelo software livre, com objetivo de nos apropriarmos dos códigos e ferramentas da tecnologia da informação; levamos em conta que o código de computador tem papel decisivo no controle e disseminação da informação, no cruzamento de dados e, assim, quem controla o código pode controlar também a liberdade de expressão;

17 - declaramos nossa preocupação diante da crescente participação dos militares (sejam da ativa ou da reserva) em assuntos políticos; a corporação militar, que deveria se preocupar com a entrega da Amazônia e de nosso petróleo pelo governo golpista, volta a flertar com o autoritarismo;

18 - repudiamos os ataques covardes de Israel ao povo palestino, num massacre que conta com apoio dos EUA e de boa parte da mídia comercial e golpista brasileira;

19 - o governo golpista do Brasil não tem moral para repudiar ou criticar processos eleitorais em países vizinhos; instamos o corpo diplomático brasileiro a retomar a tradição de independência de nossa política externa, repudiando as tentativas de interferir no processo político de nações soberanas como é o caso da Venezuela; denunciamos o cinismo de boa parte da mídia comercial e golpista do Brasil que chama o presidente (re) eleito da Venezuela de “ditador”, ao mesmo tempo em que chama os generais-ditadores (e genocidas) Geisel e Figueiredo de “presidentes”;

20 - consideramos fundamental que os candidatos de forças progressistas - Lula/PT, Boulos/PSOL, Manuela/PCdoB e Ciro/PDT - manifestem seu apoio às pautas históricas defendidas por este movimento de blogueir@s e ativistas digitais, em especial a democratização dos meios de comunicação.

Hoje está muito claro que o Brasil não estaria sob ameaça se os governos Lula/Dilma tivessem enfrentado o poder da Globo e do oligopólio midiático.

Nós, blogueir@s, ativistas digitais e coletivos de mídia, seguiremos a lutar pelo restabelecimento da democracia, o que passa por garantir a realização de eleições livres e justas em 2018; bem como por evitar que o Judiciário e a PF sigam a ser usadas como instrumentos políticos.

A crise é deles, a resistência é nossa!

O Brasil resiste ao desmonte!

Fora Temer! Fora Globo!

Lula Livre!
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