29 de mai. de 2018

As três fortes do Forte de Copacabana

A tentativa autoritária de impedir a entrada de três mulheres, na confeitaria do Forte de Copacabana, por usarem camisetas pela libertação de Lula


Do portão de entrada do Forte de Copacabana é possível enxergar a homenagem aos 18 heróis do Forte, personagens do levante conhecido como a Revolta dos Dezoito do Forte ou Revolta do Forte Copacabana, que teve lugar na então capital do País em 5 de julho de 1922. Trata-se dos homens que resistiram até o fim na primeira ação articulada do Movimento Tenentista contra a Velha República: movimento que se opôs à oligarquia latifundiária da política do café com leite e lutou em defesa de um sistema político democrático para o Brasil, sem fraudes nas eleições… movimento formado por militares de baixa patente descontentes com a prisão de um ex-presidente da República (Marechal Hermes da Fonseca).

A ironia trágica dos dias de hoje fez do Forte de Copacabana palco de outro ato de resistência, dessa vez protagonizado por três mulheres, todas feministas, civis, procedentes da atual capital do País e integrantes de vários coletivos, entre eles a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, entidade fundada no Rio de Janeiro no dia 26 de maio de 2018.

Numa tentativa autoritária, representantes das Forças Armadas do Forte de Copacabana, ladeados por um civil não identificado, tentaram impedir a entrada dessas mulheres no espaço aberto à visitação pública, que abriga museu, confeitaria e lojas. Por que motivo? Simplesmente porque usávamos roupas vermelhas com mensagens de apoio à campanha de libertação do ex-presidente Lula, cidadão brasileiro inocente que está injustamente preso em razão de um processo kafkaniano.



Inconformadas com o arbítrio e também animadas por forte oposição à oligarquia rentista que tomou de assalto o país, exigimos respeito à Constituição, à liberdade e à Democracia, tão combalidas após o golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016, mas ainda vivas. Sem nos rendermos à arbitrariedade, exigimos ver a suposta norma legal impeditiva, rebatemos argumentos vazios de sentido, invocamos os direitos de ir e vir e de livre manifestação, constitucionalmente assegurados, e praticamos o subversivo ato de ignorar a ordem de entrada proibida. Não aceitamos abrir mão de nossos ideais nem de exercer os nossos direitos.

Não podemos nos entregar ao medo que nos quer impor o guarda da esquina ou o amigo dos grupos sociais. O momento requer luta diária, sem subterfúgios, porque as máscaras estão caindo e a solidariedade é urgente diante do massacre que vivemos. Reivindicar a todo instante que sejam assegurados nossos direitos e garantias é um trabalho pedagógico que devemos executar incansavelmente.

As feridas abertas na Democracia que ainda estava em construção neste país não nos permitem mais o luxo de deixar de lado nenhum arbítrio, por parecer “bobagem” ou “pequeno demais” diante do desgaste que gera. Hoje e sempre, qualquer abuso deve ser combatido, porque o silêncio e a falta de reação alimentam o ódio, a intolerância e a repressão, além de inflarem o projeto de vida dos que almejam a ampliação de seus privilégios, à custa do Estado.

Em resistência ao arbítrio, à ilegalidade e ao abuso de autoridade, dissemos não à proibição que nos quiseram impor. Em nome da justiça, amordaçada pela prática espúria de lawfare, reivindicamos a liberdade das lideranças populares injustamente condenadas e presas. Em nome da soberania popular, denunciamos a instrumentalização do Poder Judiciário no sentido de impedir o voto direto e calar o povo nas ruas e nas urnas, e também pleiteamos por eleições sem fraude. Em nome da cidadania, pedimos a solidariedade das mulheres e dos homens que sonham com um país onde caibam todos para lutar contra aqueles que retiram de nós, brasileiras e brasileiros, o direito de sermos uma nação soberana. E fazemos coro ao canto dos artistas, proclamando que não se exclua ninguém.

Em homenagem aos 18 do Forte de Copacabana, a maioria dos quais deram suas vidas pela Democracia, nós – as três operadoras do direito desobedientes diante da negativa ilegal de ingresso no Forte de Copacabana, conseguimos ao final, ao explicitar o arbítrio, entrar no Forte – reiteramos nossa confiança no poder de união da Democracia e reiteramos nossa luta em defesa da liberdade das cidadãs e dos cidadãos brasileiros injustamente presos. Continuaremos a defender a liberdade do líder político mais popular do Brasil: o homem que se tornou uma ideia!

#LulaLivre
#JamaisAprisionarãoNossosSonhos
#NãoNosCalarão
#MarielleVive

Cleide Lemos, Denise Alves e Giselle MathiasAs autoras são integrantes da Associação Brasileiras de Juristas pela Democracia (ABJD), da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP) e do movimento partidA.
No Jornalistas Livres
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Mídia se infiltra na "greve" dos caminhoneiros e ataca quem denuncia roubalheira na Petrobras


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Ciro é candidato a déspota esclarecido


Ouvi agora a entrevista do Ciro Gomes no Roda Viva. É o mesmo de sempre. Uma agenda de esquerda com uma retórica bem convincente, boas propostas, disposição para enfrentamentos estratégicos. Ainda bem que temos um candidato que irá certamente enriquecer o processo eleitoral. Ele e Boulos farão o debate de esquerda fluir para além do PT. Será bem mais equilibrada essa campanha.

A mesma de sempre é também sua necessidade em se separar do PT, de se afastar. Em toda crítica pontual o PT é citado, nos elogios a políticas públicas criadas pelo PT, o PT é sonegado. Faz parte do jogo. Além disso ele é extremamente leviano, principalmente com Dilma. Com Lula também, mas com ela em especial. Sempre quando ele a cita, mente (agora incluiu nessa linha leviana a questão Cid e Cunha). Obviamente ele sabe que isso agrada aos entrevistadores e ao Centro como um todo. Para essa militância que me acompanha, é algo quase inegociável.

Só que boa parte desses argumentos levianos, muitas vezes machistas, se confunde com sua própria arrogância. Ele sabe, ele fez, ele pensou, ele pesquisou, ele foi a Portugal três vezes estudar o que está no Google, ele isso, ele aquilo, ele faz e acontece. Tenho muito medo desse tipo de gente, que de tantas certezas afasta quem realmente é do ramo, as lideranças setoriais. E é essa arrogância, é essa leviandade que vai lhe criar problemas na campanha e em um possível governo. Repare que nesse ponto, ele é o anti-Lula.

Ciro é candidato a déspota esclarecido. Acredita, apesar da retórica em contrário, que vai governar com um congresso amigo, que vai lhe tratar como um estadista, uma imprensa subalterna, governadores alienados de suas responsabilidades, um mercado dócil. Seria tudo retórica natural de um candidato (lembram do 'falta de vontade política' de Lula?), se não houvesse antes dele a experiência petista, que ele parece ignorar ou, em muitos casos, fingir que foi aleatória. Quando os entrevistadores o provocam para falar do PT, se faz de inocente o "sabe tudo". Afinal, se ele discutir seriamente o legado dos governos do PT, corre o risco de sair do necessário simplismo eleitoral com que trata os temas.

"Eu não sou Dilma", ele adora dizer. "Ela é um produto de Lula, não é do ramo", ele tem prazer em declarar.

Ficamos aqui nas redes tratando da "natureza do PT" (por ele sempre citada) e da "natureza do Ciro" (por ele sempre suprimida). Não há muitas chances dessas "naturezas" se encontrarem de forma orgânica. Não há fisiologismo nessa relação. Reparem que ele chegou a descartar o PT num possível segundo turno.

O PT precisa de um candidato para defender seu legado, sua "natureza", porque apesar de ser um aliado no campo da esquerda, eu não duvido, Ciro não vai defender.

(Só pra lembrar, Dilma caiu porque não aceitou a chantagem do Cunha, do PMDB, e porque os últimos dois partidos de Ciro, PDT e PSB, votaram contra ela. Realmente, Ciro não é Dilma. Azar o dele.)

Alexandre Porto
No Esquerda Caviar
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STF e TSE tramam contra eleições


O Supremo Tribunal Federal (STF), corte máxima do país, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela condução dos processos eleitorais no Brasil, estão colocando em andamento duas operações contra a realização das eleições em 2018: a presidente do STF, Cármen Lúcia, trama a volta do parlamentarismo; nesta terça (29) à tarde o TSE vira de ponta cabeça toda a jurisprudência sobre candidaturas para tirar Lula da disputa eleitoral, numa decisão que pode alijar também Jair Bolsonaro do pleito. Enquanto isso, o presidente do TSE está colocando  em questão a própria realização das eleições em de outubro: “[a greve] acendeu um sinal quanto à própria realização das eleições”, afirmou Luiz Fux ontem. Para que se tenha uma ideia do estado de espírito nos tribunais superiores, Fux chegou a afirma que a greve dos caminhoneiros não deve ser resolvida nos tribunais e sim por um “ato de força”.

Até agora, qualquer pessoa poderia ser lançada candidata por um partido político e sua candidatura era analisada pelo tribunal caso houvesse pedidos de impugnação. Agora tudo pode mudar, para tirar Lula da disputa. Na semana passada, o ministro Napoleão Maia Filho, aliado de Temer, reviu um voto seu e decidiu admitir a discussão na corte sobre a possibilidade teórica de um réu condenado ser candidato a presidente da República. Anteriormente ele havia negado o debate afirmando que era evidente que uma consulta sobre o assunto, apresentada por um deputado do DEM, dizia respeito a Lula. Mas outros magistrados apelaram, e ele mudou o entendimento. O assunto entra na pauta na sessão de hoje à tarde e espera-se que o veto a Lula seja aprovado.

Com a decisão, os condenados em segunda instância não poderiam mais registrar suas candidaturas. A decisão pode também atingir Jair Bolsonaro, que é alvo de duas ações penas no STF. Se a manobra for bem sucedida ficarão fora do pleito os dois candidatos que têm, somados, a intenção de voto de mais da metade dos eleitores. Com isso, as elites desenham aos poucos, um tipo de "democracia" na qual só candidatos "tolerados" serão admitidos aos processos eleitorais. 

Enquanto isso, Cármen Lucia prepara-se para colocar em pauta no Supremo a discussão sobre a implantação do parlamentarismo por meio de uma emenda à Constituição. O desejo das elites brasileiras de liquidar com as eleições diretas para presidente e manter o controle do país com maiorias conservadoras no Parlamento é antiga. Foi o que aconteceu em 1961, quando as elites, para evitar a posse de João Goulart na Presidência, depois da renúncia de Jânio Quadros, tiraram da cartola o parlamentarismo para evitar um presidente progressista. O sistema durou 17 meses, sendo derrotado num plebiscito em 1963 e acabou sendo um ensaio para o golpe militar de 1964.
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O morto-vivo e o vivo muito vivo


O “comandante”  falou e vai levar os louros de ser quem, de fato, tem algum comando sobre a tropa dos caminhoneiros.

A entrevista de jair Bolsonaro à Folha, não por acaso, coincide com a desmobilização, progressiva, do movimento de bloqueio das estradas.

Não foi dada antes, quando poderia ser uma contribuição ao desarmamento de espírito, apenas quando já se esgarçava a disposição de muitos em continuarem nos acostamentos.

Não foi dada depois, como simples  comentário ou opinião.

Bolsonaro “ocupou território”  no vazio de autoridade de um politicamente falecido presidente de um moribundo governo.

De agora em diante, está exonerado da responsabilidade pelos transtornos à população.

A partir de amanhã, a “culpa” será toda dos petroleiros em greve, embora eles não tenham nada a ver com as filas, o alface que falta ou os preços que aumentam no mercado.

O governo? Ninguém liga mais.

Os partidos? Ah,  umas quadrilhas.

Nem mesmo os altos oficiais do Exército: ou aderem à retórica autoritária de seus radicais ou vêem um capitãozeco ir devorando sua autoridade.

O Judiciário e o Ministério Público, afinal, conseguiram transformar este país em terra de ninguém.

Sobre a qual marcha, impávido, o centurião, pronto a atravessar o Rubicão, o famoso rio romando ao qual se proibia qualquer general de atravessar acompanhado de suas tropas.

Fernando Brito
No GGN
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Parente ajudou a RBS a não pagar imposto?

Mas tucano no STF, o amigo navegante sabe: não vem ao caso...

Edison Pereira Rodrigues: relação com Parente seria apenas coincidência?
Créditos: Marcelo Camargo/Jornal Grande Bahia
Do Sul21:

Pedro Parente e a RBS: detalhes de uma história mal contada

Frei Sérgio Antônio Görgen

Pedro Parente, nomeado vendilhão (vendedor vende o que é seu, vendilhão vende o que é dos outros) da Petrobras pelo provisório Temer é conhecido como economista neoliberal e Ministro do Apagão do segundo governo FHC, com fama de competente e executivo preferido por grandes empresários e banqueiros.

Figura em sua biografia que sempre foi muito discreto e avesso exposição pública. Tudo de bom para ser fiel escudeiro do capital.

Mas seu currículo tem outros detalhes que agora são importantes serem resgatados nestes tempos em que detalhes e relações são decisivas para determinar os comportamentos reais dos agentes públicos.

A Biografia Política e Administrativa

– Secretário Executivo do Ministério da Fazenda: de 1994 a 1998 Parente foi o segundo nome do Ministério da Fazenda junto com Pedro Malan, responsáveis pela implementação da agenda neoliberal no Brasil, sob o primeiro governo FHC.

– Ministro Chefe da Casa Civil: de 1999 a 2002 assumiu o mais importante Ministério Político do segundo Governo FHC.

– Vice Presidente Executivo do Grupo RBS – de 2003 a 2009 Parente foi encarregado pelos grupos financeiros que salvaram a RBS da falência a vir a Porto Alegre assumir os negócios do Grupo e garantir o retorno do investimento. Ao fim de sua gestão, o Fundo Gávea, de Armínio Fraga, Presidente do Banco Central na era FHC comprou 25% das ações da RBS.

– Executivo da Bunge no Brasil: de 2010 a 2015 Parente atuou como executivo da Bunge no Brasil promovendo a reestruturação da Empresa Multinacional líder do agronegócio brasileiro.

– Presidente da Petrobras – em 2016, após a consumação do golpe, assume a presidência da Petrobras.

As Entrelinhas da História

No Ministério da Fazenda Pedro Parente conheceu Edison Pereira Rodrigues, especialista em Direito Tributário, servidor de carreira do Ministério. Sob a batuta de Parente, Edison galgou postos no Ministério chegando a ser nomeado Presidente do Conselho de Contribuintes em 1996 representando o Ministério.

Em 1999 com Parente já na Casa Civil, por onde passam todas as nomeações importantes do Governo, Edison Pereira Rodrigues é nomeado Presidente do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde são julgadas questões tributárias entre o governo e os contribuintes. Edison permaneceu Presidente do CARF até 2004.

Em 2005 Edison sai do serviço público e passa a atuar como advogado junto com sua filha Meigan Sack Rodrigues. Edison entra como sócio da empresa SGR de José Ricardo Silva. Em 2001 a RBS é autuada em uma fraude fiscal que se constituiu em uma dívida com o Governo Federal de mais de R$ 250 milhões.

Quando Parente assumiu a RBS este era um dos seus maiores problemas. Pagar esta dívida, quebraria a empresa. Impossível que Parente nunca tenha tratado deste tema na RBS.

Pois bem, aqui é que as histórias de Pedro Parente e Edison Pereira Rodrigues voltam a se cruzar. Em 2005 a SGR é contratada pela RBS para resolver este passivo fiscal. Quem assina o contrato pela SGR? Edison Pereira Rodrigues!

O velho conhecido do Ministério da Fazenda e nomeado pela Casa Civil à presidência do CARF aos tempos de Parente no Governo vinha a Porto Alegre prestar assessoria num assunto espinhoso e do qual Edison era um dos maiores especialistas.

Pode ser que: “Nada a Ver”. Mas também pode ser que desta vez a propaganda não seja enganosa. E então: “TUDO A VER”.

Finalmente, em 2011, RBS vence no CARF e se livra da dívida.

Em 2015 a Polícia Federal deflagra a Operação Zelotes e processa os envolvidos sob a acusação de que a operação foi fraudada e comprada num esquema de corrupção.

Envolvidos e descobertos: A SGR de José Ricardo Silva e os Advogados Edison Pereira Rodrigues e sua filha Meigan Sack Rodrigues.

O processo corre no Supremo Tribunal Federal a trote de tartaruga e em segredo de justiça. Edison Pereira Rodrigues está implicado. Parente, protegido. Tucano é intocável…

Em 2009 a Bunge perde uma importante demanda com o Fisco Nacional, conhecida neste mundo próprio, como a “Questão Bunge”. Em 2010 Pedro Parente é contratado pela Bunge.

Teria ele se tornado um especialista em solução de passivos fiscais?

Muita estranheza que geram muitas perguntas. O mínimo que a cidadania deve exigir de quem assume a presidência da mais importante empresa da Nação disposto a vende-la junto com uma das nossas principais riquezas naturais – a PETROBRAS E O PETRÓLEO – é explicações razoáveis sobre as entrelinhas desta história.

E um bom jornalismo investigativo para dirimir qualquer dúvida que possam porventura pairar nas entrelinhas destas relações que podem – ou não – ligar o vendilhão da Petrobras à Operação Zelotes.

Este texto não é obra de ficção. É um exercício de lógica baseado em fatos publicados na imprensa e no Diário Oficial da União.

No CAf
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Faustão, a greve e a “merda na cabeça”

Fausto Silva, o milionário apresentador da TV Globo, anda muito revoltado. Precisa tomar cuidado para não sofrer um infarto. Na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff, ele apoiou festivamente as “marchas contra a corrupção” organizadas por seitas fascistas e entidades patronais, como a ética Fiesp. Ele vibrou com os patinhos amarelos e as camisetas da CBF. Agora, porém, ele parece estar preocupado com o destino do covil golpista de Michel Temer. No último “Domingão do Faustão”, o serviçal da famiglia Marinho se mostrou irritado com a greve dos caminhoneiros, como registrou o jornalista Maurício Stycer em postagem no site UOL:

“Não é de hoje que Fausto Silva vem dedicando bastante espaço no seu ‘Domingão’ para fazer comentários sobre a situação política do país. Mas neste domingo (27) em particular, em meio à greve dos caminhoneiros, o apresentador estava especialmente furioso. Sua primeira frase foi: ‘Alô galera, no país do caos são 6 horas e 9 minutos, 45 segundos. O ‘Domingão’ invade a sua televisão’... Foi um ‘Domingão’ de tanta fúria que Faustão achou por bem esclarecer: ‘Eu não uso ponto eletrônico. Toda merda que eu falo é da minha cabeça. Não é de ninguém falando pra mim. Falo por mim’”.

Ainda de acordo com a matéria, o apresentador da TV Globo disparou o seu besteirol para todos os lados. “São justas as reivindicações dos caminhoneiros. Agora, tem que ver que a população é que fica no meio entre a incompetência e a lentidão do governo e a justiça da causa. Agora, o que não pode é descontar no povo. O povo já é maltratado, humilhado. Os dois lados têm que ter autocrítica. O governo, que poderia ter resolvido antes, desde o ano passado, e os caminhoneiros, do outro lado, que tenham agora bom senso. A população já entendeu que a causa é justa. Só dá uma dosada, que senão engrossa”.

Fausto Silva só poupou seus patrões. “A gente tem mania de meter o pau onde trabalha. Eu mesmo faço as críticas que tenho que fazer aqui. Agora, justiça seja feita: se tem uma empresa que dá condição pra você trabalhar é a tal da Rede Globo. Aqui você tem liberdade”. De fato, o apresentador tem muita “merda na cabeça”, mas que é recompensado por quase 5 milhões de reais de salário ao mês - parte dele bancado pelos anúncios publicitários oficiais da quadrilha de Michel Temer.

Altamiro Borges
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Absurdo no Forte de Copacabana


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Falha na inteligência: no auge da crise dos combustíveis que parou o país, general responsável pelo setor estava no Paraguai


No auge da crise dos combustíveis e do movimento que parou o Brasil sem ser detectado com antecedência pela área de inteligência do governo, o responsável pelo setor estava no Paraguai debatendo outros assuntos.

Ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o general Sérgio Etchegoyen é responsável também pela ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), que responde pelo SISBIN (Sistema Brasileiro de Informações). Há uma semana exatamente, dia 22, terça-feira, o general, homem de confiança do presidente Michel Temer, viajava para Assunção. Enquanto as estradas internas ferviam e o país dava sinais de paralisação, o cabeça da inteligência brasileira discutia a segurança das fronteiras. (na imagem abaixo o documento da FAB com o detalhamento da viagem)


Ás 20h da última terça, o general estava na embaixada do Brasil em Assunção reunido com os pares daquele país, Humberto Insfrán (vice-ministro do interior), Lorenzo Lescano Sanchez (chefe do Sistema Nacional de Inteligência-SINAI), além do embaixador brasileiro Carlos Alberto Simas Magalhães e a comitiva brasileira.

Às 9h da manhã seguinte, quarta-feira, 23, enquanto a temperatura subia no Brasil, o general reuniu-se ainda com Frederico Gonçáles Franco, vice-ministro de relações exteriores para a mesma pauta. E às 11h30 fez uma visita de cortesia ao presidente Mario Abdo Benitez na residência do mandatário paraguaio.

Para encerrar a programação na capital paraguaia, recebeu logo depois, no comando da comitiva brasileira, o senador Luis Castiglioni, futuro Chanceler do Paraguai e Juan Ernesto Villamayor. Às 15h25, embarcou de volta para Guarulhos, São Paulo, chegando às 18h25, com a temperatura interna subindo a cada minuto.


Na ida para o Paraguai, dia 22, antes de embarcar em São Paulo, a despeito dos aeroportos já sob ameaça de falta de combustível, tomou o avião da FAB em Brasília às 8h50, desembarcando em Congonhas (SP) às 10h10.

De acordo com a agenda oficial do comandante do GSI, proferiu palestra e almoçou no Instituto de Estudos de Desenvolvimento Econômico (IEDE), de São Paulo, antes do embarque às 16h35 para o Paraguai, onde desembarcaria às 17h30 para iniciar agenda acima descrita.

A Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo enviou duas questões para o GSI, através da assessoria de imprensa. Perguntou se as viagens em avião da FAB em plena crise de combustível não poderiam ter sido evitadas e se houve descaso. E, mais importante, quis saber se a viagem, em meio a tamanha crise, “não foi inoportuna no sentido em que o responsável pelo setor de inteligência do país estava entretido em outros temas, como mostra a agenda do general Sergio Etchegoyen, inclusive no exterior, enquanto os problemas se acumulavam aqui sem terem sido previstos pela inteligência”.

A assessoria do Ministro-chefe do GSI, general Sergio Etchegoyen, enviou a seguinte resposta:

“Em atenção aos questionamentos encaminhados, informamos que a agenda em São Paulo e em Assunção estava planejada e ocorreu em período anterior ao início do movimento dos caminhoneiros, não influenciando no desempenho das responsabilidades institucionais previstas no Decreto 9.031, de 12 de abril de 2017. Por oportuno, a utilização de aeronave da FAB obedeceu ao previsto na legislação vigente”.

Em réplica, a reportagem enviou a seguinte questão:

“Tanto pelo registro de voos da FAB quanto pela agenda oficial do Ministro-chefe desta pasta, General Sergio Etchegoyen , as viagens se deram nos dias 22 e 23, portanto, em plena vigência do movimento dos caminhoneiros. Gostaria de confirmar se esta GSI considera que viagens realizadas nos dias 22 e 23 foram “em período anterior ao início do movimento dos caminhoneiros”.

O GSI não voltou a responder.

Análise do repórter Rubens Valente, da Folha de São Paulo, publicada ontem, mostra que eram atribuições do setor comandado pelo general Sergio Etchegoyen o alerta sobre o movimento e os riscos reais, mas que, no entanto, os serviços essenciais foram afetados sem nenhum plano de emergência.

No auge da crise, o comandante do setor estava no Paraguai discutindo a segurança das fronteiras.

Lúcio de Castro
No SportLight
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Vox Populi: Lula imbatível e golpe arrasado


A pesquisa Vox Populi – a “voz do povo” – publicada hoje, 28/5, que aferiu a intenção de votos entre os dias 19 e 23 de maio, mostra o tamanho da encrenca vivida pelo establishment para assegurar a continuidade do golpe pela via institucional, ou seja, dentro do “funcionamento normal das instituições”, como eles costumam se referir, cinicamente, à ditadura Globo-Lava Jato instalada no país com o golpe de Estado de 2016.

A pesquisa confirma que a inviabilidade eleitoral do bloco golpista é incontornável. Esta realidade indica que a oligarquia dominante poderá optar por saídas autoritárias para garantir a continuidade da agenda golpista anti-popular e anti-nacional.

O cardápio para isso pode incluir a proscrição do PT, o cancelamento das eleições, a adoção do parlamentarismo ou outro invento ao estilo fascista.

O instituto Vox Populi mostra que, mesmo depois de 50 dias em prisão política numa cela solitária e mantido incomunicável, Lula é um candidato imbatível, que reina absoluto:
  1. Lula venceria a eleição logo no primeiro turno com 39% dos votos válidos contra 30% dos votos somados de todos os demais candidatos, aí incluídos inclusive os votos do campo nacionalista, democrático e popular – Ciro, Manuela e Boulos;
  2. segundo o Vox Populi, do total de 146.632.503 eleitores aptos a votar em 2018 [TSE], Lula seria o eleito com 57.186.676 votos – quantidade superior à população total de 234 países e territórios do planeta terra. Os demais candidatos, juntos, somariam 43.989.751 votos, conferindo uma folgada diferença de 13.196.925 votos a favor de Lula, cifra superior à população total de 186 países e territórios do planeta terra;
  3. a diferença do Lula para os candidatos que apoiaram o golpe de Estado de 2016 é oceânica: ele tem 39% contra 25% dos votos somados dos golpistas Bolsonaro, Marina, Alckmin, Álvaro Dias, Meirelles e Amoedo. Neste caso, Lula livraria 20.528.550 votos de diferença das candidaturas apoiadoras do golpe;
  4. num eventual segundo turno – hipótese que não aconteceria, porque Lula venceria a eleição no primeiro turno – o favoritismo do Lula ampliou significativamente em comparação aos levantamentos anteriores. A vantagem mínima do Lula varia de 31% contra Bolsonaro e Marina; até 36%, se o adversário fosse o cada vez mais derretido tucano Alckmin.
A pesquisa também dimensiona as imensas dificuldades do bloco golpista:
  1. Bolsonaro tem fôlego curto. O melhor desempenho dele é maior nas camadas minoritárias do eleitorado, sempre com índices inferiores a Lula: entre os jovens [15%], entre as pessoas com graduação universitária [17%] e entre as pessoas com renda superior a 5 salários mínimos [18%]; porém com desempenho ridículo entre os segmentos majoritários da população: adultos maduros [9%], pessoas com ensino fundamental [7%] e com renda até 2 salários mínimos [8%];
  2. a população é implacável com o PSDB – o partido que, sob a condução de Aécio, Aloysio, Serra e FHC, teve participação central na conspiração armada pelo Cunha, Temer, Padilha, Geddel e Jucá para derrubar Dilma. O melhor desempenho do Alckmin é na região sudeste, que abrange estados [SP e MG] governados pelos tucanos há décadas, e onde ele tem apenas 6% dos votos. Mesmo assim, ele fica em 4º lugar, atrás do Lula [32%], do Bolsonaro [11%] e da Marina [6%]. Além disso, é importante recordar que Alckmin deixou o governo de SP com desaprovação de 65%.
A pesquisa Vox Populi conduz à mesma conclusão de todas pesquisas precedentes sobre o cenário eleitoral de 2018 no Brasil:
  1. há clara rejeição popular a todas as candidaturas da direita – da liberal à fascista;
  2. uma eleição sem Lula legaria um governo ilegítimo, resultante de uma eleição fraudada;
  3. a farsa jurídica da Globo e da Lava Jato para implodir a candidatura do Lula não produz os efeitos planejados pelo establishment;
  4. a oligarquia golpista busca desesperadamente alternativas. Caso não consiga emplacar Dória em lugar de Alckmin; ou, caso não consiga trazer de volta Joaquim Barbosa para a contenda eleitoral, Álvaro Dias poderá ser o depositário da aposta do “deus-mercado”.
Diante desta realidade, os fascistas se preparam para impedir o registro da candidatura do Lula no TSE, num incrível precedente de julgamento de uma tese antes de um fato concreto, conforme anunciaram os juízes da corte eleitoral – cuja existência é absolutamente duvidosa.

A eleição de 2018 não está garantida. A manutenção da eleição de outubro está pendente, porque o golpe não tem chances de continuidade sob a democracia e sob as regras do Estado de Direito.

Jeferson Miola
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Ciro Gomes foi muito bem no Roda Viva, mas ele hoje é um candidato da Série B


A participação de Ciro Gomes no Roda Viva mostrou que ele sabe das coisas: conhece o Brasil e tem propostas bem definidas sobre o que fazer para tirar o país do buraco. Nas respostas políticas, algumas tiradas foram marcantes:
  • Temer é um escroque.
  • O PSDB fez acordo com o PCC em São Paulo, daí porque o número de homicídios caiu.
  • O PSDB manipula estatísticas da segurança pública— houve quedado homicídios, efetivamente, mas também há casos que são registrados como morte a esclarecer.
  • Quando era presidente, Dilma Rousseff errou ao apoiar Eduardo Cunha na disputa que este teve com seu irmão, Cid Gomes, que acabou se demitindo do Ministério da Educação. Resultado, apontado por Ciro: Eduardo Cunha está preso e Dilma foi cassada. Quem estava errado: Cid ou Eduardo Cunha?
  • No Câmara, se o deputado não tiver uma âncora muito forte no mundo das coisas reais, ele viverá num universo paralelo.
  • Para acabar com o político fisiológico, é só fechar a torneirinha da corrupção — esses políticos se elegem só para roubar.
A participação de Ciro no debate é como, no futebol, ver um time arrebentando, ganhando todas as partidas. Só que, a rigor, o campeonato que Ciro Gomes disputa hoje é a Série B.

Na série A, só tem Lula e, talvez, Jair Bolsonaro, os únicos que conseguem despertar paixões. Ciro é um excelente candidato, mas seu desempenho nas pesquisas é fraco.

A rigor, é fraco porque Ciro ainda não representa uma força política capaz de levá-lo ao segundo turno.

Ele é representante de si mesmo — tem a exibir seu respeitável currículo: deputado estadual, prefeito, governador, ministro.

Falta, entretanto, a conexão com movimentos sociais, os alicerces fincados no Brasil real, o Brasil em movimento.

No Roda Viva, por falha dos entrevistadores, o principal assunto ficou de fora: Lula.

Quando Bernardo Mello Franco, de O Globo, tentou levar o programa para essa pauta, a única que faz sentido diante da liderança acachapante de Lula, logo foi interrompido por outro jornalista, da Piauí, que levou o assunto para o hipotético (e hoje distante) governo Ciro.

É verdade que o formato do Roda Viva não ajuda.

Os assuntos não são aprofundados porque os entrevistadores competem na disputa de quem fará a pergunta mais inteligente — digo isso como quem já participou do programa algumas vezes.

Para o jornalismo, o mais importante não são as perguntas, mas as respostas. A importância da pergunta está na força que tem de gerar respostas esclarecedoras.

Nesse sentido, deve ser simples, direta.

É como a picareta que rasga a terra em busca do ouro. A picareta só existe como meio, não como fim. O que vale é o que está debaixo da terra ou por trás da pedra.

Bernardo perguntou a Ciro Gomes por que ele não foi ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na véspera ou no dia da prisão de Lula.

A ausência de Ciro Gomes talvez este tenha sido o seu maior erro na luta para chegar à presidência.

Mas, com a interrupção da resposta de Ciro, o público do Roda Viva ficou se saber por que ele deu as costas ao principal líder político do Brasil num momento crucial da biografia de ambos.

No cenário político brasileiro, será muito difícil que um candidato progressista ganhe a disputa sem o apoio entusiasmado de Lula e do PT.

E a ausência de Ciro no sindicato teria sido em razão da mágoa que parece existir pelo erro político de Dilma que, procurando agradar Eduardo Cunha, negou apoio a Cid Gomes, em 2015.

Como se recorda, Cid Gomes foi convocado para comparecer à Câmara depois de dizer que 300, 400 deputados, “achacam”. Na tribuna, foi pressionando a citar nomes e, se dirigindo a Cunha, então presidente da casa, afirmou:

“Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado. Eu prefiro ser acusado por ele [Eduardo Cunha] do que ser como ele, acusado de achaque”, afirmou Cid Gomes.

Depois da sabatina de Cid Gomes, Eduardo Cunha, triunfante, leu um comunicado: segundo ele, Aloizio Mercadante havia comunicado a demissão de Cid Gomes.

Era preciso aprofundar o tema no Roda Viva. Em vez disso, os entrevistadores levaram a pauta para questões econômicas — importantes, claro, mas menores no atual quadro político, já que não haverá governo de Ciro Gomes se esse episódio não escarafunchado e superado.

Gostem ou não os jornalistas ou os eleitores de oposição a Lula, o principal tema desta eleição será o ex-presidente.

Com ele candidato, o que é muito difícil, ou não.

Era preciso perguntar a Ciro o que ele acha da prisão, se Lula deveria ser colocado em liberdade.

Ciro é um candidato da série B, como praticamente todos os outros. Juntos, não alcançam o percentual de votos de Lula.

É preciso saber o que ele pensa a respeito daquele que o eleitor quer de volta à presidência.

Sem isso, nenhum candidato terá legitimidade para disputar os votos do campo progressista e, muito menos, governar.

PS: O Fortaleza é o líder na série B e, dirigido por Rogério Ceni, tem exibido um futebol muito eficiente.

Joaquim de Carvalho
No DCM




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Emílio Dalçóquio, ligado a Bolsonaro, e dono de 600 caminhões é um dos radicais do movimento dos caminhoneiros

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/05/28/emilio-dalcoquio-ligado-a-bolsonaro-e-dono-de-600-caminhoes-e-um-dos-radicais-do-movimento-dos-caminhoneiros/

Foto: Divulgação/facebook.com/emiliodalcoquioneto
Dalçóquio faz um discurso incendiário no sentido literal da palavra, autorizando a plateia a botar fogo nos caminhões da sua transportadora que estivessem circulando e furando a greve.

Hoje, líderes que negociaram a interrupção da greve dos caminhoneiros denunciaram que algumas lideranças estão fazendo uso político da mobilização dos caminhoneiros tanto para tentar ter vantagem eleitoral quanto para difundir ideias a favor da intervenção militar.

Os nomes desses personagens seriam entregues ao Cade e ao governo, segundo José Fonseca Lopes, da Associação Brasileira dos Caminhoneiros.

Um dos nomes que deveria estar entre eles é o de Emílio Dalçóquio que será apresentado neste texto ao leitor.

No dia 25 de maio, sábado, a Revista Piauí fez circular uma reportagem escrita pela jornalista Josette Goulart. Ela conseguiu acesso a alguns grupos de whatsapp de caminhoneiros e trouxe à tona bastidores da mobilização. Num dos trechos, a repórter escreve:

“Se por um lado não há sinal de movimentos sociais, por outro são fortes os indícios de apoio ao pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro e palavras de ordem de ‘Intervenção Já’. Citando a reivindicações econômicas da classe, Habacuque afirmou que a força do movimento está em ‘não ser político’. Ele mesmo, porém, já foi candidato a deputado federal em 2014, pelo PSL, o mesmo partido de Bolsonaro, e não esconde o apreço pelo pré-candidato. ‘Sabe que todo caminhoneiro vota no Bolsonaro, né?’, disse. ‘É porque o plano dele para nossa classe é claro. Ele vai nos valorizar e cuidar da segurança.’ E onde está esse plano? Segundo o líder do bloqueio em Barueri, o responsável por essa parte do programa de governo de Bolsonaro é o empresário Emílio Dalçóquio, dono de uma transportadora em Santa Catarina com frota de 600 caminhões, e que apoia publicamente o movimento e a candidatura do militar reformado. Procurado, o empresário não atendeu ao pedido de entrevistas até a publicação desta reportagem”.

A partir de agora você vai conhecer um pouco melhor quem é Emílio Dalçóquio, o responsável pelo programa de governo de Bolsonaro nesta área relativa ao transporte de carga e um dos líderes mais radicais do movimento. Preste bastante atenção nos vídeos abaixo porque eles são bastante elucidativos.

No vídeo a seguir, realizado na quarta-feira, Dalçóquio faz um discurso incendiário no sentido literal da palavra, autorizando a plateia a botar fogo nos caminhões da sua transportadora que estivessem circulando e furando a greve. Assista:



Depois, da repercussão e com as denúncias de que alguns líderes estariam acirrando os ânimos da mobilização, Emílio Dalçóquio fez uma gravação na tarde de hoje recuando e dizendo que está fora da empresa desde 2015. Assista:



Ele diz que está fora da empresa, mas não explica o motivo. No final de 2016 a Transportadora Dalçoquio entrou em recuperação judicial e formalizou uma proposta de pagamento de R$ 130 milhões em dívidas aos credores, com dois anos de carência. Entre as dívidas da Dalçoquio haviam várias de ordem trabalhista que foram parcelados em 12 vezes. Se quiser saber mais a respeito você pode ler esta matéria.

Por fim, se você quiser conhecer um pouco mais do que pensa Emílio Dalçóquio que se apresenta como um dos coordenadores do programa de governo de Bolsonaro e que está entre os que estão operando politicamente esta greve, assista a este último vídeo.

Nele, ele afirma que não teve ditadura no Brasil, xinga os professores universitário de “comunistas de merda” e elogia o general Augusto Pinochet, condenado por genocídio, tortura, fuzilamentos e desaparecimentos de 3197 pessoas.



PS: Um leitor da Fórum acaba de enviar mais um caso no qual a transportadora Dalçóquio é objeto de investigação, a relacionada à Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS) da Prefeitura de São Paulo. Vale a pena dar uma lida nesta reportagem de O Estado de S. Paulo. Mas a denúncia é que a empresa trocava a “sonegação” pelo pagamento de notas frias ao esquema do irmão do deputado estadual Rodrigo Garcia.
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Xadrez de como Pedro Parente prepara-se para o golpe do século


O presidente da Petrobras, Pedro Parente, virou o fio. E não propriamente pela política de preços com reajuste diário. Sua estratégia de esvaziamento da Petrobras se tornou muito óbvia, tornando-o vulnerável a qualquer investigação, assim que o país sair do torpor atual

A lógica:

Passo 1 – Petrobras é uma empresa sem problemas de crédito, cujas colocações de títulos no exigente mercado norte-americano tiveram uma demanda várias vezes superior. Mesmo assim, Parente optou por vender ativos para antecipar pagamento de dívidas, comprometendo a receita futura da empresa.

Passo 2 -  Praticou uma política de preços para derivados visando viabilizar a competição dos importados, gerando uma capacidade ociosa de 25% nas refinarias próprias. Ou seja, entregou mercado de graça (ou não) para a concorrência, ao mesmo tempo que está colocando refinarias à venda.

Passo 3 – Fechou um acordo bilionário, de US$ 3 bilhões, com acionistas norte-americanos, muito superior ao que o próprio mercado esperava.

Passo 4 -  agora, entra-se na fase final, que consiste em inviabilizar o mercado de títulos para a Petrobras e, com isso, forçar a venda das reservas do pré-sal.

Como fica nosso quebra-cabeças:

Peça 1 – a jogada da Eletrobras

Pedro Parente segue o mesmo modelo de atuação da 3G – de Jorge Paulo Lehmann – na Eletrobras. No artigo “A 3G e o negócio do século com a Eletrobras” detalhei essa estratégia.

Primeiro, fincou posição na empresa, tendo acesso ao conselho. Depois, divulgou estudos para justificar um valor contábil ridículo. Uma companhia com ativos avaliados em 400 a 600 bilhões de reais, com dividas de 39 bilhões e passivos ocultos de 64 bilhões, mas que podem ser liquidados por um terço disso, cujo controle poderia ser comprado por R$15 bilhões.

A 3G é um sócio minoritário da Eletrobrás. A empresa está sendo preparada para ser vendida aos chineses. No plano de privatização está embutido a descontratação da energia. Ou seja, a possibilidade de toda a energia produzida pela empresa ser jogada no mercado livre – com a previsível explosão das tarifas.

Sem investir um tostão, os grandes acionistas, como a 3G e o grupo Jabbur, ganharão literalmente bilhões de dólares com a mera valorização de sua participação.

Peça 2 – a jogada da Petrobras

Parente fez pior ainda. Sua estratégia é inviabilizar o mercado de crédito internacional para a Petrobras. E, com isso, tornar inevitável a venda de ativos e a posterior privatização da empresa por preço vil.

A SEC norte-americana exige, anualmente, o preenchimento do relatório 20-F, uma espécie de prestação de contas ao mercado, com perspectivas e riscos das empresas listadas em Bolsa.

Esses relatórios listam alguns fatores de risco. E, depois, tentam demonstrar como a estratégia adotada visará criar um ambiente positivo para a empresa. Todo relatório busca apresentar uma visão positiva da empresa e expectativas favoráveis à implementação da estratégia adotada.

Parente montou um relatório tão alarmista, que ficaram nítidas, como as impressões digitais no guardanapo de um sujeito que se lambuza de ketchup, suas intenções em relação à empresa.

A colocação desses papéis depende fundamentalmente da previsibilidade do investimento. O que Parente faz é apresentar uma série infindável de fatores imprevisíveis, visando fechar o mercado para a empresa.

1.Dramatiza problemas trabalhistas

Na página 16, o relatório diz que os planos da Petrobras incluem a venda de aproximadamente US$ 21 bilhões em ativos, para melhorar a liquidez. Essa venda obrigará a transferir os funcionários para outras áreas da empresa, “o que pode gerar custos adicionais, inquéritos judiciais relativos a ações trabalhistas, greves e pode prejudicar nossa reputação”.

2.Lança dúvidas sobre o Compliance

A Petrobras está pagando centenas de milhões de dólares a escritórios de advocacia norte-americanos, para montar seu programa de compliance.

Na página 18, mesmo após a Lava Jato, Parente diz que “para nós é difícil garantir que todos os nossos funcionários e contratados, aproximadamente 185.000, seguirão nossos princípios éticos”.  E aí, a dramatização inacreditável. “Qualquer um que não siga – de fato ou que aparentemente não siga – tais princípios ou que não cumpra as obrigações de governança ou regulatórias aplicáveis pode prejudicar nossa reputação, limitar nossa capacidade de obter financiamento ou afetar de maneira negativa os resultados de nossas operações e condição financeira”.

3.Coloca em dúvida seus próprios relatórios financeiros

Na página 19, o relatório lança dúvida sobre todos os relatórios financeiros dos últimos anos, inclusive o último, de 2017: “Qualquer falha em manter nosso controle interno sobre relatórios financeiros pode afetar negativamente nossa capacidade de reportar nossos resultados financeiros em períodos futuros com precisão e em tempo hábil”.

4.Lança incertezas sobre as ações do Departamento de Justiça

O relatório revela a informação reservada, de que a empresa já está sob a lupa do Departamento de Justiça norte-americano (DoJ), nos mesmos moldes da Embraer. Ou seja, todos as informações estratégicas da empresa ao alcance do DoJ.

Diz o relatório: “O DoJ [Departamento de Justiça dos EUA] está realizando uma investigação semelhante e, tanto a sindicância interna quanto as demais conduzidas pelo governo a respeito de tais questões, estão em curso. Apesar de nossa total cooperação com tais investigações, há o risco de que seu alcance seja expandido ou de que as autoridades decidam realizar uma denúncia formal na esfera civil ou criminal”.

E trata de jogar mais imprevisibilidade no caldeirão:

“Pode ser exigido de nós o pagamento de multas ou outras assistências financeiras, além do cumprimento de medidas liminares, determinações ligadas a condutas futuras ou, ainda, a imposição de outras multas, que podem surtir efeito material adverso. Também é possível que informações que prejudiciais à nossa imagem e aos interesses venham à tona durante as investigações de corrupção deflagradas pelas autoridades brasileiras”.

5.Lança incertezas sobre as multas pagas

Diz, à página 20:

“Se, no futuro, surgirem informações adicionais substanciais demonstrando que, em retrospectiva, nossos ativos pareçam ter sido consideravelmente subestimados ou superestimados em nossas demonstrações financeiras, é possível que sua reformulação seja exigida, o que pode ter um efeito material adverso nos resultados de nossas operações e condição financeira, além de afetar o valor de mercado de nossos valores mobiliários”.

6.Incertezas sobre as concessões públicas

“Caso alegações que envolvam um valor significativo e para os quais não tenhamos provisões sejam decididas em nosso desfavor, ou caso as perdas estimadas se revelem significativamente superiores às provisões disponíveis, o custo agregado de decisões desfavoráveis pode ter efeito adverso significativo sobre os resultados das nossas operações e condição financeira. Também podemos estar sujeitos a disputas judiciais e processos administrativos ligados a nossas concessões e demais autorizações governamentais, que podem resultar na revogação de tais concessões e autorizações governamentais. (…)”

7.Incertezas sobre os passivos fiscais

“No futuro, pode ser que tenhamos de lidar com situações semelhantes nas quais nossa interpretação das leis fiscais possa ser diferente da interpretação das autoridades fiscais ou, ainda, em que as autoridades fiscais contestem nossa interpretação e possamos ter de assumir provisões e custos não previstos”.

8.Incertezas sobre desinvestimento e o fluxo futuro

Explicita a estratégia óbvia de reduzir o fluxo de resultados com a venda de ativos:

“A impossibilidade de implantar com sucesso nosso programa de desinvestimento pode ter um impacto negativo em nossa empresa, nos resultados de nossas operações e condição financeira, inclusive nos deixar com liquidez limitada em curto e médio prazo. Além disso, a venda de ativos estratégicos sob nosso programa de desinvestimento resultará na diminuição de nossos fluxos de caixa advindos de operações, o que pode ter impacto negativo em nossa perspectiva de crescimento operacional de longo e médio prazo”.

9.Incertezas sobre as eleições

“As eleições no Brasil ocorrem a cada quatro anos, e as mudanças nos representantes eleitos podem levar a uma mudança dos membros de nosso conselho de administração nomeados pelo acionista controlador, o que pode impactar ainda mais a gestão de nossa estratégia e diretrizes de negócios.

Além disso, o governo federal brasileiro pode tentar alcançar alguns de seus objetivos macroeconômicos e sociais através de nós”.

10.Incertezas sobre corrupção política

“Nossa condição financeira e resultado das operações podem ser prejudicados pelos seguintes fatores e pela reação do governo federal brasileiro a tais fatores: (...) -alegações de corrupção contra partidos políticos, agentes eleitos ou outros agentes públicos, incluindo alegações feitas relativas à investigação da Lava Jato;

11.Incertezas sobre a economia

“Historicamente o cenário politico tem influenciado o desempenho da economia brasileira e crises políticas tem afetado a confiança de investidores e do público em geral, o que resultou num declínio econômico e aumentou a volatilidade dos títulos emitidos no exterior por empresas brasileiras. (...) qualquer desdobramento na investigação da Lava Jato (previsível e imprevisível) poderia prejudicar relevantemente a economia brasileira assim como nossos resultados operacionais e condição financeira”.

12.Incertezas sobre novas denúncias

Assim que assumiu a Petrobras, Parente contratou a Pinheiro Neto para um pente fino nos e-mails da empresa – remontando ao começo da década de 2.000. Já foram identificados e-mails de políticos com solicitações para a empresa. Agora, o escritório tenta estabelecer relações de causalidade entre os e-mails e obras. Tudo indica que haverá uma leva de novas denúncias, levantadas agora pela própria gestão Parente, visando tornar a Petrobras mais vulnerável ainda.

No relatório à SEC, há indícios:

“Atualmente, funcionários eleitos e outros funcionários públicos no Brasil estão sendo investigados por alegações de condutas antiéticas e ilegais identificadas durante a investigação Lava Jato realizada pela Procuradoria Federal do Brasil. O resultado potencial dessas investigações é desconhecido (...) Tais alegações podem levar a mais instabilidade, ou novas alegações contra funcionários do governo brasileiro e outros podem surgir no futuro, o que poderia ser relevantemente prejudicial para nós. Não podemos prever o resultado de tais alegações nem seu impacto na economia brasileira”.

Peça 3 – o desfecho do fechamento do mercado

Velho parceiro do PSDB na área de energia, no governo Fernando Henrique Cardoso,  o deputado baiano José Carlos Aleluia (DEM) apresentou projeto de lei autorizando a Petrobras a vender até 70% das áreas não concedidas da camada pré-sal.


“Entre os ativos passíveis de serem desinvestidos, os campos de petróleo são uma opção especialmente interessante, porque, além de angariarem recursos para abater a dívida, agregam parceiros para dividir os investimentos necessários para colocar esses campos em produção. No caso dos campos contratados no regime de cessão onerosa, a sua transferência viria para o bem da Petrobras e do Brasil, pois permitiria a antecipação da extração do petróleo que jaz enterrando nas profundezas do pré-sal”, justificou.

Peça 4 – o desafio das instituições

STF (Supremo Tribunal Federal), Procuradoria Geral da República (PGR), TCU (Tribunal de Contas da União), AGU (Advocacia Geral da União) foram personagens centrais do impeachment, em nome de uma suposta moralidade.

Agora, estão em andamento jogadas capazes de transformar a corrupção apurada pela Lava Jato em troco. Não se trata se contrapor estatismo e liberalismo. O que se tem são negociatas em andamento, com reflexos perpétuos sobre o país, na forma de aumento dos cistos de energia, vulnerabilidades na oferta de combustíveis.

Vai ser o grande teste para se saber se essas autoridades foram apenas conduzidas pelos ventos das manifestações populares, ou compactuam com esse jogo.

Luís Nassif
No GGN
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