28 de mai de 2018

Alexandre Garcia, o golpista atropelado


O jornalista Alexandre Garcia, que foi a cavalgadura-oficial do general João Batista Figueiredo – aquele que aprovou “execuções sumárias” de democratas durante a ditadura militar, segundo recente relatório da CIA –, tem uma doença incurável. Sua obsessão contra as forças de esquerda chega a ser patética. Nesta segunda-feira (28), no telejornal Bom Dia Brasil da Globo, ele culpou os presidentes Lula e Dilma pela greve dos caminhoneiros. Para ele, o apagão nos transportes só ocorreu porque os governos petistas deram incentivo à compra de caminhões. A idiotice foi tamanha que de imediato o "calunista" global ocupou o segundo lugar no ranking do Twitter, virando motivo de galhofa nacional.

“Depois de culpar Lula pela crise dos combustíveis porque ele ajudou os caminhoneiros a comprarem caminhões, o próximo passo de Alexandre Garcia será culpar Lula pela volta da fome, porque ele ajudou os pobres a comerem. Na cabeça desse velho reaça, pobre que ande de carroça e morra de fome”, ironizou um ativista. Outro disparou: “Alexandre Garcia junta-se a outros da mídia hegemônica para forçar a narrativa bizarra de que a culpa da greve dos caminhoneiros é... do Lula, porque ele teria aumentado a capacidade de compra de caminhões e aumentado a oferta de fretes. Na dúvida, culpe o Lula”. Outro fustigou: “Alexandre Garcia culpando Lula pela compra massiva de caminhões. É muita desonestidade”. Outros internautas seguiram a mesma toada.

Alexandre Garcia foi um dos expoentes globais da cavalgada golpista pela deposição de Dilma Rousseff, que resultou na chegada ao poder da quadrilha de Michel Temer. Adorador do “deus-mercado”, ele nunca criticou a política criminosa da liberação geral de preços dos combustíveis imposta por Pedro Parente, o agente das multinacionais do petróleo que hoje preside a Petrobras. Agora, com o caos nos transportes, ele parece que foi atropelado pelos caminhoneiros. Está meio zonzo, dopado. No desespero, ele crítica Lula e Dilma por terem incentivado a compra de caminhões.

Ele não é o único que deve estar atordoado. As antas que editam um blog dos abutres financeiros – como o “autoexilado” Diogo Mainardi – chegaram a lançar, em abril passado, a candidatura do exterminador da Petrobras. “Pedro Parente para presidente” foi a manchete do "Antagonista". A “calunista” Eliane Cantanhêde, da GloboNews, também afirmou recentemente que “Pedro Parente confirma que, além de grande técnico, tem visão política e é uma pessoa de muito bom senso”. Estes e outros “calunistas” globais foram atropelados pela greve dos caminhoneiros. Parecem vira-latas que caíram do caminhão de mudança!

Altamiro Borges
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Qualquer movimento que se dobre a um pedido sobre intervenção militar se desmoraliza


Essa greve representa um Brasil aos pedaços. A princípio muito parecida com a greve que antecedeu e apoiou o impeachment de Dilma Roussef, os caminhoneiros voltaram a bloquear às estradas para desafiar o presidente ilegítimo que ajudaram a colocar no poder. Misturados estão os empresários de transportadoras e movimentos de ultradireita, como ‘vai prá rua’ e ‘mbl’, que são cobrados por seus seguidores em suas redes sociais, por não apoiarem clara e prontamente a manifestação dos caminhoneiros.

Manifestações do candidatos à esquerda e a greve anunciada dos petroleiros parece dar a entender que a greve tem um objetivo mais amplo. Globo, folha, estado continuam seu trabalho de gastar muita saliva para dar a entender que o Brasil está sendo invadido por marcianos. E a grande maioria da população está interessadíssima apenas em quando a greve vai acabar e quando será possível voltar aos postos de gasolina sem fila. Afinal o feriado vem aí.

O roteiro é conhecido: uma mobilização politicamente ambígua que se coloca refém de agenciamentos de todo tipo, porque não se manifesta claramente a respeito de seus objetivos nacionais de médios e longo prazos.

Queriam parar o país? Porque? Para que? Para quem?

Um fenômeno de impacto nacional ocorre há sete dias, mas não há discurso coerente, nem pautas claras além da queda dos preços do diesel. Que o ilegítimo presidente já concedeu ontem.

Querem a queda de Temer? A privatização total da Petrobrás - e de tudo o que for possível -, como defende o MBL? A demissão de Pedro Parente? Privilégios fiscais para os proprietários das transportadoras? A intervenção militar?

Quais objetivos nacionais defende o movimento dos caminhoneiros?

Uma coisa é certa, quando movimentos se deixam capturar por grupelhos que defendem a intervenção militar eles abandonam suas pautas originais, mesmo as mais imediatas, e passam a envergonhar todo a história dos movimentos dos trabalhadores barbaramente atacados pelas forças que apoiaram o golpe militar de 1964, e todos os que lutaram e resistiram depois nas fábricas e nas escolas e nas ruas contra os sequestros, as perseguições as torturas e os assassinatos cometidos pelo regime militar contra trabalhadores em todo o país.

Se esse movimento, ou qualquer outro, não souber como rechaçar esses grupos atrasados e oportunistas, endereçando claramente seu movimento rumo à institucionalidade democrática, sua força será sua fraqueza e sua motivação será vista como um ataque frontal aos trabalhadores que supõem defender e à toda história de lutas, sacrifícios e vitórias que um dia conquistaram através da Consolidação das leis do trabalho, da Constituição de 1988 e dos direitos previdenciários às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Todos sob ataque e sem tréguas pelo atual governo.

Se as lideranças do movimento são populares e autônomas, elas devem se manifestar com maior clareza, porque muitos querem cooptar suas motivações e denegrir suas estratégias descontextualizando-a do movimento e da história das lutas dos trabalhadores brasileiros. Permitir isso é deixar um potente movimento como esse ao léu e à deriva. Não basta paralisar e cruzar os braços é preciso conferir um sentido à essa desobediência que contribua para o esclarecimento da sociedade em geral e dos trabalhadores de transporte em particular. É necessário confessar em alto e bom som quais são suas intenções políticas, esclarecendo a todos os que são afetados ao que o movimento se dirige e permitindo o apoio ou não dos que se reconhecem em suas causas.

De todo modo é sempre bom lembrar que num regime militar uma greve de caminhoneiros sequer seria pensável, porque seus supostos líderes já estariam presos, perseguidos, desempregados enquanto outros, provavelmente, estariam sendo torturados e mortos pelos militares que, em geral, não simpatizam muito com movimentos de oposição.

Paulo Endo
No GGN
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Fora ParenTemer!

Aderir à greve dos caminhoneiros! Parar tudo!


O Conversa Afiada reproduz sereno (sempre) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

O recuo generalizado dos usurpadores do Jaburu diante das reivindicações dos caminhoneiros foi mais uma caçamba de cal no golpe de 2016. Com a cara mais lambida do planeta, num dia Eliseu “Quadrilha” Padilha veio a público celebrar um arremedo como o acordo dos acordos. Mais: chamou uma das lideranças dos caminhoneiros de criminosa. “Conheço este sujeito deste 1999. É mau caráter”. Referia-se a José da Fonseca Lopes, da ABCAM, que se retirou das reuniões onde se tramava o fim do movimento sem atender as reivindicações do setor.

Pois bem: no domingo, o chefe de Padilha aderiu ao “criminoso” e aceitou ponto por ponto tudo o que Fonseca Lopes reivindicava. Tal qual nada tivesse acontecido. Nesse meio tempo, o bufão Marun, líder da tropa de choque de Eduardo Cunha, dava entrevistas sobre a autoridade e esperteza do governo. Para quem já posou de bailarino dentro do congresso, um ridículo a mais, outro a menos não faz diferença. Marun continuou tratando a greve como movimento de empresários inescrupulosos, distribuiu mandados de prisão, mas nunca explicou como os golpistas reabriram negociações com gente considerada delinquente. Questão de costume, certamente.

Risadas à parte, o fato é que a política imexível de ParenTemer sobre os combustíveis escoou para o ralo. Redução, mesmo ínfima, de preço do diesel, congelamento por 60 dias e mudanças apenas mensais nos valores é justamente o contrário do mantra de reajustes diários conforme variações internacionais. Se Parente tivesse um pingo de caráter, já estaria procurando abrigo em um dos conglomerados internacionais que de fato ele representa. Mas é mais fácil encontrar um posto com combustível na bomba do que qualquer vestígio de vergonha em Parente – para não dizer neste governo de bandidos como um todo.

Afora isso, ainda que o pacote de concessões de ParenTemer ilustre o desgoverno, ele continua longe de tocar nas feridas que vêm destruindo o setor: a subserviência aos abutres minoritários, a liquidação das refinarias da estatal e o alinhamento da política de combustíveis aos interesses estranhos à soberania nacional. Isso sem falar que a gasolina permanece nas alturas e nem se tocou no preço do gás de cozinha, que atinge sobretudo a camada mais pobre da população.

Do ponto de vista do país, do povo brasileiro, a saída é de clareza solar: pra começar, redução radical no preço de todos os combustíveis sem aumento de impostos que oneram o povo pobre, reestatização da Petrobras e recuperação dos investimentos em refino para não deixar o Brasil à mercê dos piratas multinacionais. Isso é possível com a quadrilha de golpistas no poder? A pergunta já embute a resposta.

Em vez de procurar os meios de viabilizar tal caminho, progressistas assustados recomendam calma para não favorecer uma “intervenção militar”. “Vamos esperar as eleições”. Mas que eleições haverá, se é que haverá? Um simulacro em que o principal líder popular e o preferido disparado em todas as pesquisas está encerrado numa solitária?

Ah, mas outubro está logo aí. Agora, vá dizer isto à população que vive um dia após o outro. "Segura a onda. Passe fome, use lenha, ande a pé, fique desempregado, tire o filho do colégio, suje o nome no Serasa, peça esmola e veja suas famílias no desespero até janeiro do ano que vem”. Isso é conversa de quem está preocupado com a sua própria biografia e com o “julgamento da história” – refúgios preferidos de quem abdica da luta pelos que estão vivos agora ou disputa linhas em páginas de teses a serem lidas pelos bisnetos que sobrarem.

O momento é complexo, todos sabemos. Mas a política concreta não se faz com recurso a almanaques. Aqueles que se dizem de esquerda e/ou juram respeito à democracia são chamados a encontrar soluções de acordo com o ritmo dos acontecimentos.

Não se entende, por exemplo, por que as centrais sindicais, os partidos progressistas e as lideranças populares não organizam movimentos de apoio à greve. Não incentivam paralisações em seus setores, sem suas bases, exigindo a saída de ParenTemer, a liberdade para Lula disputar a presidência e a antecipação de eleições. “Ah, mas até lá o Rodrigo Maia assume”, retrucarão os timoratos fantasiados de radicais. Que assuma, mas emparedado pelo compromisso de mudar de imediato a política homicida dos combustíveis e convocar o pleito o mais rápido possível.

Situações extraordinárias clamam por saídas extraordinárias. A depender do povo, sempre dentro da democracia. Haverá confronto? Provavelmente, mas a história nunca se moveu em gabinetes refrigerados ou salões acarpetados. Fingir que dá pra esperar um calendário que nem se sabe vai acontecer, isto sim, é jogar a favor da direita e dar tempo para uma quartelada de consequências muito bem conhecidas.
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Petroleiros se juntam a caminhoneiros, denunciam “política insana” de Pedro Parente, que recebe apoio do lobby de estrangeiros


Os petroleiros de duas refinarias anteciparam para esta segunda-feira a greve de 72 horas prevista para acontecer a partir de quarta-feira.

Eles estão mobilizados na Refinaria de Paulínia, a Replan, maior do Brasil, e na Recap, Refinaria de Capuava, responsável por cerca de 30% do abastecimento da Grande São Paulo.

Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, em Araucária, no Paraná, os petroleiros se juntaram aos caminhoneiros (ver imagens abaixo).

Os petroleiros denunciam a política de preços da Petrobras, que está internalizando as variações do dólar e do preço internacional do barril, apesar de o Brasil ser um grande produtor mundial de petróleo.

Enquanto isso, o lobby das petroleiras internacionais deu apoio a Pedro Parente, o presidente da Petrobras, de maneira indireta.

Em nota, o Instituto Brasileiro do Petróleo, que apesar do nome representa as multinacionais, atribuiu as altas do preço dos combustíveis aos impostos e defendeu “a prática de preços livres”, sem esclarecer de quem eles seriam “livres”:

Trabalhadores da Replan e da Recap paralisam as refinarias em protesto contra projeto de privatização


Desde as primeiras horas da madrugada desta segunda-feira, 28 de maio, diretores do Unificado estão nas portarias da Replan e da Recap para organizar a paralisação nas duas refinarias.

Na Replan, trabalhadores do turno e do HA participaram em massa da mobilização em solidariedade ao movimento dos caminhoneiros e contra a privatização da Petrobrás e a política de preços insana, praticada pela Petrobrás, e que aumentou abusivamente os valores da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Houve corte de rendição do turno da manhã e atraso na entrada do HA.

​Na Recap, a paralisação teve início às 6h da manhã, com o corte de rendição do turno.

​A adesão e o apoio à paralisação são expressivos nas duas refinarias.




Diante da atual crise que impacta severamente o país, o IBP manifesta seus esclarecimentos sobre alguns pontos relativos aos preços dos combustíveis e a situação atual de desabastecimento e suas consequências graves.

O IBP, como sempre, apoia a competição e o livre mercado. Desta forma, estamos de acordo com a pratica de preços livres de combustível.

Esta é uma forma transparente de estabelecer os preços no Brasil, e assim ocorre nos principais mercados globais.

Entendemos também que o preço final do combustível é composto por uma carga massiva de impostos e que o valor pago por cada um de nós se divide majoritariamente entre o refinador/importador e o Governo (Federal e estadual).

Desta maneira, a solução para a atual crise somente será encontrada através do envolvimento das esferas governamentais, dada a relevância da carga de impostos.

Cabe notar que uma solução que envolva eventual tabelamento de preço significa, na prática, um ônus para os contribuintes e como já experimentamos antes com consequências catastróficas a longo prazo.

Aprovamos o engajamento de todos estes atores e vemos positivamente os avanços conseguidos até agora.

Estamos monitorando e apoiando o desbloqueio de todas as vias emergenciais para manutenção dos serviços mínimos de apoio a população.

É preciso trabalhar arduamente e em conjunto para assegurar que o país volte rapidamente ao abastecimento dos setores críticos de nossas cidades garantindo energia, segurança, saúde e alimentação a todos.

No Viomundo
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28 de maio: Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher


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Bolsonaro é o grande beneficiário do caos

Caminhoneiro e seu candidato
O maior beneficiário do caos instalado pela greve dos caminhoneiros é Jair Bolsonaro.

Bolsonaro é o candidato da lei e da ordem, clássica plataforma fascista. O sujeito que vai acabar com a corrupção, abaixar os preços dos combustíveis e dar um jeito nessa bagunça que virou o Brasil.

Seu assessor, o advogado Gustavo Bebianno, esteve num bloqueio no Rio de Janeiro.

Do capô de um carro, saudou os homens. “Parabéns pela força do caminhão brasileiro”, falou.

“Não sou político, mas acompanho o maior político da atualidade: Jair Bolsonaro”.

A plateia urrou em êxtase.

Um carro da CUT foi expulso há dias e seus ocupantes escaparam de ser linchados por pouco.

Em meio à miríade de associações que encabeçam as paralisações, sobressai o apelo para a intervenção militar.

Não houve, até o momento, nenhum relato de confronto com as forças armadas. Qualquer meia dúzia de professores já teria sido devidamente massacrada.

No Twitter, Bolsonaro afirmou que um “futuro presidente honesto e patriota” deve revogar qualquer multa, prisão ou confisco determinados por Temer ou pelo ministro da Segurança Pública Raul Jungmann.

Depois, argumentou que “os responsáveis pela crise são ótimos para distribuir ministérios, estatais, diretorias de bancos… que geram ineficiência do Estado e corrupção”.

Isso “vem destruindo o Brasil”.

Ele vai colocar pelo menos cinco generais nos ministérios.

Nem uma palavra sobre Pedro Parente e a ineficiência da gestão da Petrobras. JB não quer desagradar o mercado agora.

Em 1964, os militares foram abraçados pela classe média como salvadores do Brasil. Sem eles, seríamos entregues à anarquia comunista e sindicalista.

A necessidade de lei e ordem serviu para os nazistas porem fim às liberdades civis em 1933. Milícias e capangas paramilitares foram formalmente integrados como “polícia auxiliar”.

Bolsonaro é o lixo que vai sobrar no final dessa mixórdia.

Kiko Nogueira
No DCM



Bolsonaro muda de ideia e, após criticar bloqueio de estradas, defende grevistas

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência, mudou de posicionamento e defendeu, no último domingo, os caminhoneiros que estão em greve há quase uma semana pedindo a redução do preço do diesel. Na última quinta-feira, o presidenciável havia afirmado que era contrário ao bloqueio de estradas, tática adotada pelo movimento grevista em todo o país.

Em mensagem publicada no Twitter, Bolsonaro questionou a aplicação de punições aos caminhoneiros. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) multou motoristas por pararem os caminhões no acostamento, e a Polícia Federal, segundo o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) pediu a prisão de empresários do setor de transportes que estariam estimulando a greve.

Qualquer multa, confisco ou prisão imposta aos caminhoneiros por (Michel) Temer/(Raul) Jungmann será revogada por um futuro presidente honesto/patriota — escreveu Bolsonaro no Twitter.

Na semana passada, nos primeiros dias de greve, a postura havia sido diferente. Ao ser perguntado sobre o que achava do movimento, Bolsonaro criticou as interrupções no tráfego nas estradas.

— Os caminhoneiros sofrem com preço alto dos combustíveis, roubo de cargas, a indústria das multas, as condições das estradas… Eu concordo com quem para o caminhão em casa. Agora, fechar rodovia é extrapolar. Com isso, não dá para negociar — disse o pré-candidato do PSL, que, na ocasião se absteve de opinar sobre qual solução daria para a crise envolvendo o alto preço dos combustíveis. — Quem tem de dar a solução é o governo, não sou eu.

No O Globo
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Juiz mantém programas de igrejas na grade das emissoras de TV

Juiz admitiu  'estranhamento' na venda de horários, mas entende não haver ilegalidade
O juiz Djalma Moreira, da 25ª Vara Federal de São Paulo, negou pedido do Ministério Público Federal para impedir que as emissoras de TV vendessem horário para igrejas, porque o serviço de transmissão aberta de sinais é uma concessão pública.

Portanto, nada muda, ainda que Moreira, em sua sentença, tenha admitido haver um “estranhamento” nessa comercialização de horário de TVs.

A sentença é de 11 de maio de 2018, com promulgação no dia 18 do mesmo mês.

O MP apresentou o pedido em 2014 principalmente por causa de canais como CNT e Rede 21 (Grupo Band), que alocam a maior parte de seu horário à Universal e a outras igrejas.

Pelo Código Brasileiro de Telecomunicações, a venda de horário de uma emissora não pode ultrapassar a 25% do total de sua programação.

O Ministério Público não teve o apoio do Ministério das Comunicações, que alegou desconhecer irregularidades na venda desses horários por não ter acesso aos contratos entre igrejas e emissoras.

A decisão da Justiça se encaixa em um contexto em que as igrejas evangélicas influenciam cada vez mais no poder político, enfraquecendo a laicidade do Estado brasileiro.

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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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CUT/Vox: Com 39% das intenções de voto, Lula vence no primeiro turno

O ex-presidente Lula tem mais votos do que a soma dos 13 adversários pesquisados pelo Instituto. Ainda se houvesse segundo turno, ele derrotaria qualquer outro candidato

https://www.cut.org.br/noticias/cut-vox-com-39-das-intencoes-de-voto-lula-vence-no-primeiro-turno-9eff

Mesmo preso há 52 dias e atacado ferozmente pela mídia golpista, o ex-presidente Lula mantém a vantagem sobre os demais candidatos a presidente da República e seria eleito no primeiro turno se as eleições fossem hoje. E se houvesse segundo turno, Lula também derrotaria qualquer adversário por ampla margem de votos.

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula alcançou 39% das intenções de voto contra 30% das soma dos adversários, mostra pesquisa CUT/Vox Populi, realizada entre os dias 19 a 23 de maio e divulgada nesta segunda-feira (28).

O diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, chama a atenção para o pífio desempenho dos candidatos ligados ao ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) que, juntos com o presidente, deram o golpe de estado e levaram o Brasil para o caos atual.

“Apesar do proselitismo de parte da imprensa brasileira, eles patinam em índices muito baixos. Entre eles, o que mais chama a atenção é o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que está aquém do que alcançaram outros candidatos tucanos no passado”.

“Parece que a opinião pública não perdoa o comportamento do partido de 2014 para cá”, diz Coimbra.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os brasileiros não esquecem que Lula aqueceu a economia, gerou mais de 20 milhões de empregos e distribuiu renda, apesar da crise de 2008 que derrubou bolsas em todo o mundo e levou a economia da Europa e dos Estados Unidos à bancarrota.

“O que temos agora são quase 14 milhões de desempregados, fora os subempregados, aumentos absurdos da gasolina, diesel e gás de cozinha e um governo acuado, desacreditado e sem capital político sequer para negociar o fim de uma mobilização de caminhoneiros”, pontua Vagner.

Na pesquisa estimulada, o segundo colocado, com praticamente um terço das intenções de voto de Lula, está o deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 12%; seguido de Marina Silva (Rede), com 6%; Ciro Gomes (PDT), com 4%; Geraldo Alckmin (PSDB), com 3% e Álvaro Dias (Podemos), com 2%.

Henrique Meirelles (MDB-GO), Manuela D’Ávila (PC do B) e João Amoedo (Novo-RJ) têm cada um 1% das intenções de votos. Já Flávio Rocha (PRB-RN), Guilherme Boulos (Psol-SP), João Vicente Goulart (PPL), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Paulo Rabelo de Castro (PSC) não pontuaram. O percentual dos que não vão votar em ninguém, brancos e nulos totalizou 21% e não sabem ou não responderam, 9%.

No Nordeste, Lula tem 56% das intenções de votos, contra 7% de Bolsonaro e Ciro, que empatam na Região; Marina tem 6% e Alckmin apenas 1%. Os demais não pontuaram. No Sul, 31% dos entrevistados votariam em Lula, 18% em Bolsonaro e 10% em Álvaro Dias; Marina e Ciro empatam, com 4% cada e Alckmin aumenta para 2%, empatando com João Amoedo. Meirelles, Manuela e outros têm 1%.

Pesquisa espontânea

No cenário espontâneo, Lula também está bem na frente dos demais candidatos. O ex-presidente tem 34% das intenções de votos, Bolsonaro surge em segundo lugar, com 10%; Ciro e Alckmin voltam a empatar, com 3% cada; Marina e Joaquim Barbosa, que desistiu da candidatura, surgem com 2% cada; e Álvaro Dias, com 1%. E 5% dos entrevistados disseram que vão votar em outros, 25% ninguém, brancos e nulos, e 16% não sabem ou não responderam.

Segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria todos os adversários com larga vantagem. Venceria Marina com 45% contra 14% da candidata da Rede; Já contra Alckmin e Bolsonaro, Lula alcançaria 47% dos votos contra 11% e 16%, respectivamente.

A pesquisa CUT/Vox Populi foi realizada com brasileiros de mais de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos.

Foram ouvidas 2.000, em entrevistas feitas em 121 municípios. Estratificação por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda.

A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

> Confira a íntegra da pesquisa
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Temer está morto. Mas pode ser sepultado?


Michel Temer, como governante, saiu da UTI para o necrotério.

Há porém, dois impasses para seu sepultamento.

Um, a resistência do cadáver, que sabe que irá para uma tumba prisional, e rapidamente.

Outro, a substituição necessária e imediata, para a qual a linha sucessória (presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, seguido pelo presidente do Senado Federal, Eunício de Oliveira, seguido pela presidenta do Supremo Tribunal Federal, Cármem Lúcia) não oferece solução atraente.

A extrema-direita está dividida: estimular um golpe militar – de difícil sustentação nos dias de hoje – ou apostar no cada dia menos impossível triunfo de Jair Bolsonaro, um energúmeno bem ao gosto de sua estupidez.

Todas as razões apontariam para a soluçao deste impasse pela via das eleições, postas apenas quatro meses e dias adiante, mas as razões da burrice não são lógicas e este país acostumou-se a desejar a demagogia aventureira.

E, quanto o país de debate com os transtornos que lhe são empurrados, o que há como reação?

Os exercícios patéticos de atirmética orçamentária do ministro da Fazenda, Eduardo La Guardia, nada mais.

De maneira que estamos sujeitos ao risco cada vez maior de uma ruptura autoritária e, olhando a história, percebe-se que o caos, na grande maioria das vezes, é de direita.

Embora digam que é destas coisas que ninguém vê, o enterro de um anão, na política, acontece, pode ser rápido e, no quadro que temos hoje, sem que não se verta uma lágrima.

E levar junto uma eleição que já anda mortalmente pálida.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Sem condições de governar, por que Temer não renuncia de uma vez?

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/05/28/sem-condicoes-de-governar-por-que-temer-nao-renuncia-de-uma-vez/

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada agora há pouco já mostra as primeiras consequências da paralisação dos caminhoneiros na economia do país desgovernado:
  • Na quarta semana de queda, a projeção do crescimento do PIB para este ano cai de 2,5% para 2,37%
  • Juros deverão subir para 8% no final do ano
  • Dólar sobe 10% em relação à semana anterior e deverá terminar o ano em R$3,80
  • Governo anuncia corte de mais R$ 3,8 bilhões no orçamento para cumprir acordo com caminhoneiros.
  • E a greve ainda não acabou.
* * *

Li e reli todo o noticiário desta segunda-feira nos jornais e nos portais e confesso que já nem sei mais o que escrever sobre o que está acontecendo no nosso país.

É nestas horas perdidas que sempre acaba aparecendo uma luz, nem que seja apenas uma simples frase.

Quem me mandou foi o leitor Heraldo Campos e está publicada na área de comentários:

“O que efetivamente conta não são as coisas que nos acontecem. Mas, sobretudo, a nossa reação frente a elas”.

Em poucas e sábias palavras, quem disse isso foi o meu velho e bom amigo Leonardo Boff, um teólogo da vida.

Liguei logo a lição do mestre à cena patética do presidente de joelhos na televisão, rendido aos caminhoneiros, altas horas da noite de domingo.

Por mais raiva que todos possam ter dele, por sua absoluta incapacidade de continuar governando o país, fiquei com pena deste senhor acuado, septuagenário como eu, completamente perdido, passando vergonha na frente de todos, e procurei me colocar no lugar dele.

O que pode levar alguém a chegar a este ponto de humilhação, sem ter mais condições de reagir, só para continuar no poder?

Ninguém mais presta atenção no que ele fala, não acredita no que diz, e isso não tem volta.

Michel Miguel Elias Temer Lulia tem 77 anos, mulher nova e bonita, filho pequeno, nunca passou de deputado inexpressivo, articulador de bastidores, eleito com votações mínimas, que por circunstâncias várias virou dono do MDB e por vias transversas se tornou improvável presidente.

Já está com a vida ganha. Não seria melhor para ele e para nós todos que fosse cuidar da família e deixasse o país em paz?

As reações dele frente ao movimento dos caminhoneiros, que há uma semana paralisa o país, foram as piores possíveis e deram provas sucessivas de que perdeu o controle do governo.

Na véspera, antes de jogar a toalha na televisão, tinha convocado as Forças Armadas para dar um jeito no caos instalado, e nem isso resolveu.

Os militares simplesmente se recusaram a partir para o confronto diante dos manifestantes desarmados.

Agora, nada mais lhe resta a fazer.

E ainda faltam sete longos meses para o final do seu mandato.

Se não tem como consertar o passado, ao menos poderia nos fazer a gentileza de desocupar a moita para deixar o país cuidar do seu futuro, antecipando as eleições gerais.

O que não dá é para continuarmos vivendo nesta instabilidade permanente sem poder planejar o amanhã, reféns nas nossas próprias casas, de olho na internet, à espera da próxima crise.

Não precisava terminar assim.

O pior é que não temos mais governo nem oposição, o Judiciário assumiu os poderes do Congresso, e não há nenhuma saída pacífica à vista no horizonte, na ausência de lideranças e interlocutores confiáveis em busca de uma solução.

A paralisação dos caminhões pode até acabar nas próximas horas, mas já está marcada outra, desta vez dos petroleiros, e depois o que virá?

Num cenário de perda de emprego e renda, os preços dos alimentos e outros produtos de primeira necessidade já dispararam, investimentos foram adiados ou cancelados, o clima de insegurança é crescente nos mercados e nas ruas.

Por que Michel Temer não renuncia de uma vez. O que falta ainda?

Só pode ser porque não há nada para colocar no lugar.

Vida que segue, do jeito que dá.

Ricardo Kotscho
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Demissão de Pedro Parente, que seria a solução para o caos, é um preço impagável para o governo entreguista


A greve liderada pelas empresas de transporte de cargas iniciada segunda-feira, 21/5, instalou o caos que toda sabotagem de empresários do setor de transportes pode produzir num país.

Sem transporte de bens, produtos, remédios, alimentos, combustíveis e mercadorias de um lugar a outro do país, a consequência é o desabastecimento generalizado.

Em outubro de 1972, os empresários de transportes do Chile, financiados e orientados pela CIA e pelo governo dos EUA, instalaram o caos econômico, político e social que ambientou o clima golpista que finalmente derrubou o governo popular de Salvador Allende em 11 de setembro de 1973.

De fevereiro a abril de 2015, deputados associados a Cunha, Padilha e Temer [Osmar Terra, Darcísio Perondi, Covatti, Alceu Moreira e outros] instrumentalizaram a paralisação do transporte de cargas para desestabilizar o ambiente político, gerar o caos econômico e turbinar a estratégia conspirativa arquitetada para derrubar a recém eleita Presidente Dilma.

O caos hoje é generalizado: desabastecimento de alimentos, de combustíveis, de insumos hospitalares e comprometimento da circulação de mercadorias e pessoas – por terra e por ar.

Algumas lideranças aproveitam o movimento para defender medidas ditatoriais e fascistas. O movimento atual, porém, não tem o objetivo de derrubar o governo moribundo do Temer, do qual é sócio, mas oferecer condições pra o endurecimento autoritário do regime de exceção, que inclui o cancelamento da eleição de outubro próximo para impedir o retorno do Lula à presidência do Brasil.

A produção econômica, a circulação de gêneros de consumo e de pessoas, a segurança pública, a geração energética, o atendimento hospitalar e outras necessidades essenciais da população estão seriamente comprometidas.

A causa deste caos, escondida pela Globo e pelo governo ilegítimo, é uma só: a política de preços de combustíveis implantada pela gestão criminosa do tucano Pedro Parente, o ex-chefe da Casa Civil de FHC, na PETROBRÁS.

A Associação dos Engenheiros da PETROBRÁS publicou esclarecimento para explicar como as políticas impostas por Pedro Parente fizeram explodir o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha no Brasil a partir do golpe de Estado de 2016.

Aplicando aumentos diários no preço dos combustíveis para saciar a rentabilidade dos acionistas norte-americanos da PETROBRÁS, em menos de 2 anos os preços dos derivados do petróleo foram majorados em mais de 60%, ante uma inflação acumulada de menos de 6%.

A mudança da política de preços da PETROBRÁS em relação ao período Lula é decorrência da entrega da companhia ao domínio das petroleiras estrangeiras, especialmente as norte-americanas, e do abandono da produção doméstica de combustíveis em troca da exportação de petróleo cru para importar produtos refinados nos EUA.

Durante os governos Lula e Dilma, os preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha eram regulados e calculados em moeda nacional [o real] para assegurar o interesse público, o controle da inflação, o equilíbrio econômico, o desenvolvimento nacional e a sustentabilidade da PETROBRÁS.

O governo golpista interrompeu esta lógica. Parente privatizou ativos da PETROBRÁS, sobretudo do pré-sal, em termos vis – vendeu ativos no pior momento, com o petróleo momentaneamente em baixa.

Ele reduziu a 25% o refino de petróleo nas usinas da companhia, transferiu a rentabilidade do refino às petroleiras norte-americanas e dolarizou os preços dos derivados de petróleo para garantir a remuneração e as exigências de lucros obscenos dos “sócios” estrangeiros da gangue golpista.

O preço para superar o caos é impagável para o governo entreguista de Michel Temer, porque este preço é a demissão de Pedro Parente e o retorno à política soberana e altiva de gestão da PETROBRÁS.

Por isso a crise vai continuar. A cleptocracia que tomou de assalto o Palácio do Planalto não tem outra opção que não seja sustentar a gestão criminosa do Pedro Parente.

Esta gestão compreende a privatização de ativos da companhia, a ociosidade da indústria de refino e a exportação de petróleo cru para importação de combustíveis derivados, que levam à dolarização dos preços dos combustíveis no mercado interno para viabilizar a transferência de lucros gigantescos aos novos acionistas [donos] estrangeiros da Petrobrás, que residem nos EUA e na Europa e cobram em dólares seus dividendos.

O governo até poderá ter algum êxito com a pressão, a ameaça e a negociação com os empresários do ramo dos transporte e com os transportadores autônomos, mas não conseguirá conter a ira do conjunto da sociedade em relação ao preço do gás de cozinha e da gasolina – que foram majorados a níveis estratosféricos para propiciar a transferência da renda nacional para a rapina externa.

A greve anunciada pelos petroleiros, neste sentido, adiciona novas dificuldades à tentativa da Globo e do governo ilegítimo, que tentam circunscrever o caos instalado no Brasil à “greve” dos caminhoneiros, quando na verdade a gênese do caos está na gestão criminosa da PETROBRÁS, que só será resolvida com a interrupção do golpe e com a restauração da democracia que será capaz de dar início à reconstrução social e econômica do país.

Jeferson Miola
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A deseducação política não faz com que trabalhadores deixem de ser trabalhadores


Sim, é chocante ver trabalhadores defendendo um golpe militar.

Mas a deseducação política não faz com que deixem de ser trabalhadores.

É necessário entender o que "intervenção militar" aciona no imaginário deles. É necessário entender qual o sentido que atribuem a este slogan. É necessário entender porque algumas categorias, sobretudo aquelas que cultivam um etos masculinista, são tão seduzidas por bravatas autoritárias. É necessário entender porque a insatisfação generalizada com o atual estado de coisas pode levar a uma opção pela direita.

Sobretudo, é necessário agir no sentido de mostrar, aos caminhoneiros e à sociedade, que o culpado pela crise não é "o Estado" com seus impostos, muito menos que a solução se alcança com menos democracia. Neste sentido, os petroleiros, uma vez mais, estão sendo imprescindíveis.

De resto, convém parar de evocar o golpe no Chile. Primeiro porque, como muitos estão lembrando, Temer não é Allende. Mas sobretudo porque militares não dão golpe por causa de greve de caminhoneiros. Uma greve no transporte de cargas pode ser deflagrada como parte de uma trama golpista envolvendo as forças armadas, o que é diferente. No caso brasileiro, ao menos por enquanto, falta demonstrar a existência desta trama com evidências que vão além da simples paranoia.

Luis Felipe Miguel
No Esquerda Caviar
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Caminhoneiros: o maior impacto na História do Brasil


"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não"(Gandhi)

Nenhum acontecimento da história do Brasil teve um impacto tão avassalador sobre o conjunto da sociedade e do Estado, em todas as suas dimensões, tal como este produzido pelo movimento paredista dos caminhoneiros. Nem a Independência, nem a proclamação da República, nem a Revolução de 1930, nem a Segunda Guerra, nem o golpe militar de 1964, nem o Plano Collor, nada produziu um efeito tão universal sobre todos os aspectos da vida nacional. Com exceção de poucos lugares remotos do país, todos os demais lugares setores foram afetados. Nem mesmo uma guerra teria um efeito tão avassalador. Foi como se o Brasil fosse atacado em todo o território nacional, em todas as suas cidades, em todos os ramos de atividade, em todas as linhas de  abastecimento. A singularidade que o movimento dos caminhoneiros produziu talvez não tenha similaridade em nenhum outro país.

O movimento dos caminhoneiros revelou o grau de abandono do povo brasileiro e desnudou a mediocridade da política nacional - da direita, do centro e da esquerda; do governo e da oposição. Pôs à luz do sol a falência das instituições do Estado, dos partidos e das lideranças políticas. Espatifou a autoridade do Executivo, do Legislativo e do Judiciário reduzindo-os à impotência. Emudeceu os falsos moedeiros do mercado e ensinou aos movimentos populares como se para o país. Comprovou os equívocos das nossas opções estratégicas de desenvolvimento. Ninguém tinha nada a fazer e ninguém tinha nada a dizer. O povo, mesmo sacrificado pelo desabastecimento, na sua sabedoria espontânea, fez o que era certo: apoiou o movimento porque suas demandas são justas e o que é justo precisa ser apoiado.

Temer, o chefe da quadrilha governamental, depois de ter mergulhado o país no caos e nos desgoverno, depois de ter humilhado o povo brasileiro, depois de ter destruído os parcos sentimentos de sociabilidade, depois de ter extinguido direitos e de ter conspirado contra os interesses nacionais, fez o  que de mais ridículo se pode fazer: fez um acordo com as entidades representativas das empresas de transporte para depois acusá-las de locaute. Trata-se da estupidez elevada à máxima potência.

O movimento dos caminhoneiros revelou também a desorientação das oposições, das esquerdas, a sua falta de compreensão da conjuntura, sua incapacidade de se conectar com os sentimentos do povo,  a escassez de líderes virtuosos e competentes e a falência das direções partidárias. No seu temor crônico, a primeira coisa que as esquerdas viram no movimento, particularmente setores petistas, foi uma conspiração para um golpe militar e para cancelar as eleições. Em consequência deste pavor, demoraram em dar apoio aos caminhoneiros e, quando o deram, foi com toda a cautela do mundo e de forma protocolar e formal, através de notas. Em tudo isto ocorreram exceções, claro, a exemplo de movimentos sociais e da Frente Povo sem Medo.

O presidente da CUT emitiu a seguinte recomendação: "O governo deve sentar à mesa e negociar com seriedade, respeitando todos os representantes dos movimentos". A nota da entidade recomendou também que o governo mude a política de preços dos combustíveis. Belos conselhos a um governo golpista, nessa plácida aceitação, como se fosse possível sair daí alguma seriedade. As oposições só tinham uma coisa digna a fazer: apoiar os caminhoneiros, exigir a renúncia de Temer e de Pedro Parente colocando-se em sintonia com o sentimento de indignação da sociedade e chamar manifestações em favor dessas consignas. A nota do PT também sequer pediu a renúncia de Temer e de Parente.

Era preciso entender que o movimento dos caminhoneiros suscitou uma enorme disputa política junto à opinião publica que voltou suas atenções de forma concentrada para os acontecimentos e desdobramentos da paralisação. O temor das esquerdas impediu que a disputa fosse feita de forma consequente e correta. Grosso modo, os caminhoneiros ficaram a mercê da direita.

Dividir para conquistar e unir para governar

Os grandes estrategistas da história, quando estavam em dificuldade ou dispunham de força insuficiente para combates decisivos, sempre agiram com a seguinte premissa da astúcia: dividir os inimigos e agregar o máximo de forças possível sob o seu comando. Os partidos de esquerda, alguns por pruridos infundados, outros por perda da noção da disputa política, preferem jogar as forças confusas ou intermediárias para o lado da direita. Grandes estrategistas como Felipe da Macedônia, Júlio César e Mao Tse Tung, entre outros, adotaram com eficiência esta estratégia. Quando, em 1937, os japoneses invadiram a China, Mao não vacilou em adotar a estratégia da frente única anti-imperialista. Foi com essa estratégia que reorganizou e fortaleceu o Exército Vermelho, tornando-o apto a triunfar.

Em A Arte da Guerra, Maquiavel faz uma síntese clara das estratégias vencedoras para conquistar o poder: dividir para conquistar. E em O Príncipe, mostrou qual a melhor estratégia no governo: unir o povo para governar. A rigor, o PT inverteu essas estratégias. No governo, adotou a estratégia da tirania: "divide et impera". E na oposição busca o isolamento, jogando forças disputáveis para o lado do inimigo.

Era preciso perceber que nem todos os caminhoneiros são pró-Bolsonaro e favoráveis à intervenção militar. Mais do que isso: ao apoiar a paralisação e exigir a renúncia de Temer era a forma mais consequente de disputar setores da sociedade, humilhados, indignados e revoltados. O PT não consegue entender que parte do eleitorado de Lula pode votar em Bolsonaro e parte também quer a intervenção militar como solução da crise. Os dirigentes do PT não conseguem compreender os sentimentos difusos e confusos da espontaneidade popular.

Aliás, os dois líderes que compreenderam bem os sentimentos populares, terminaram mal: Getúlio Vargas foi levado ao suicídio e Lula foi posto na prisão. Esta é a tragédia do povo brasileiro. Um povo abandonado por todos. As elites só agem para assaltar o povo e, os progressistas, com a ressalva das exceções, só pensam em eleições e nas benesses dos cargos. O povo é massa de manobra, número de votos. Na paralisação dos caminhoneiros, em face da ausência de líderes e de partidos que indicassem caminhos, cada indivíduo ficou por sua própria conta, mergulhado nos transtornos do desabastecimento e na sua indignação solitária.

A incapacidade das esquerdas de lidar com os sentimentos confusos da espontaneidade popular faz com que setores desse segmento, diante do desespero social, do desemprego, da falta de direitos, busquem saídas na extrema-direita. Este fenômeno, que vinha acontecendo nos Estados Unidos e na Europa, parece estar chegando na América Latina. Como as esquerdas não são capazes de estimular o calor da solidariedade combativa, a direita desencadeia a fúria da solidão ressentida.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
No GGN
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A rendição de Temer e a não-solução para a greve


O tic de fechar a boca, como quem está engolindo a saliva que escorre do beiço; as mãos magras, desossadas, melífluas, espelhos da alma; a dissimulação de disfarçar a leitura do teleprompter com observações vazias, e, principalmente, o tom impositivo, ridículo para cenas de rendição, como que estivesse batendo em retirada de costas, para não levar projéteis no traseiro. Todo esse conjunto ajuda a compor a mais execrável personalidade política da história da República.



Depois de ameaçar os caminhoneiros com processo e prisão, depois de anunciar o fim dos bloqueios várias vezes, o presidente Michel Temer encerra o dia pedindo peloamordeDeus para os caminhoneiros voltarem ao trabalho. E paga a conta com recursos fiscais, sangrando ainda mais um quadro fiscal desastroso. Aliás, em todos esses movimentos, não foi notada a presença do Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

A subordinação da política energética à lógica de mercado atropela o próprio documento legal que dispõe sobre o tema, a Lei 9478/97, como informa a economista Ceci Juruna. Aliás, a posição de parte majoritária da velha mídia, não aceitando qualquer decisão que possa impor algum custo aos acionistas da Petrobras, ainda que à custa do bolso do contribuinte e do consumidor, é significativa desses tempos de profunda ignorância jurídica, de desconhecimento sobre o chamado interesse nacional e de adesão cega ao mercadismo mais irresponsável.

É um tratamento escandaloso, a começar do mega-acordo da Petrobras, nas ações propostas por minoritários norte-americanos.

Diz a lei:

CAPÍTULO I

Dos Princípios e Objetivos da Política Energética Nacional

Art. 1º As políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de energia visarão aos seguintes objetivos: 

- preservar o interesse nacional;

II - promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos energéticos; 

III - proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos; (...)

Sendo privada ou pública, como empresa quase monopolista, a Petrobras tem responsabilidades impostas por qualquer princípio de direito econômico. Às vantagens do monopólio deve corresponder a responsabilidade pela política de preços. Em nenhuma sociedade minimamente civilizada, admite-se o poder absoluto de um monopólio em fixar preços. Ainda mais em um preço chave da economia, como o dos combustíveis.

O encontro de contas

Aliás, se houvesse governo, seria o momento de experimentar o encontro de contas, especialmente com estados e municípios. Há um enorme passivo acumulado pela Lei Kandir – que obriga a União a ressarcir os estados de isenções tributárias para produtos exportados. E, na outra ponta, dívidas consolidadas de 1995, que impõem custo alto aos estados devedores. Aliás, dívidas profundamente infladas pelas taxas de juros praticadas pelo Banco Central no período.

Muitos dos estados credores – na ponta da Lei Kandir – estão se inviabilizando na questão previdenciária ou na quitação das dívidas com a União. O encontro de contas ajudaria a normalizar o quadro fiscal, dando um fôlego aos estados e quitando passivos históricos da União.

Luís Nassif
No GGN
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Para refletir: não são "jênios" esses "antas"?



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