26 de mai de 2018

3 erros nas "análises de esquerda" sobre a greve/locaute


Sobre a greve/locaute e a reação de alguns setores da esquerda, minha modesta opinião, sistematizada a partir de várias conversas:

Apesar de circularem por aí imagens de faixas nos protestos pedindo "intervenção militar já!", eu sinceramente acho que a narrativa dos milhares de caminhoneiros que estão fazendo greve/locaute, dos motoristas de vãs escolares, táxi e uber que estão aderindo ao protesto, bem como da população comum que apoia o movimento é muito mais complexa e ambígua do que isso e certamente está em disputa.

O problema é que muitas das análises "de esquerda" sobre esse movimento de greve/locaute cometem, a meu ver, três erros básicos.

O primeiro deles é que elas padecem da boa e velha "ilusão escolástica", ou seja, supõem que as pessoas que estão se mobilizando pensam o processo político com as mesmas categorias que nós, "analistas", que estudamos por anos as instituições e temos supostamente muita clareza de tudo que está em jogo nesses processos. Não sei porque é tão difícil entender que, para muita gente, "intervenção militar" é só uma palavra de ordem abstrata, de mudança genérica e perfeitamente compatível com outras como "Lula livre" e "Fora Temer." Não projetar sobre os sujeitos "analisados" as categorias do "analista" é um princípio básico que muita gente esquece.

Desse primeiro erro deriva um segundo, que é não perceber que, com essa projeção escolástica, contribuem para uma "profecia que se auto-realiza". Ou seja, como não entendem que a adesão dessas pessoas às palavras de ordem que condenam é fluída e fraca, os "analistas de esquerda" abandonam qualquer possibilidade de disputa política desses movimentos porque, afinal, eles são de “direta mesmo”. Com isso, acabam por jogar esses movimentos, efetiva e definitivamente, no colo da direita, contribuindo para performatividade do próprio discurso.

Por fim, de novo, projetam sobre as pessoas as próprias sensações, que derivam da nossa posição social específica. Como temos muito a perder com movimentos como esse, afinal, muitos de nós temos carro, consumimos cotidianamente muitos bens e serviços, fortemente prejudicados por um locaute desse tipo, acabamos imaginando que toda a população brasileira vai apoiar qualquer ato para restabelecer o antigo estado de coisas e, com isso, não percebem que ao contrário, a maioria da população brasileira está apoiando e vibrando com o caos e rejeita, portanto, a ação dos militares de restabelecimento da ordem. E fazem isso não só porque não tem tanto assim a perder, mas, talvez, pela genuína sensação (que deveria ser evidente para toda a esquerda) de que a vida na normalidade de antes estava, ela sim, insuportável.

E para fortalecer meu argumento, meu amigo Miguel Said Vieira, que não tem Facebook, me mandou um relato do twitter que confirma em parte o que estou dizendo e vai além, mostrando que a pauta "intervenção militar já" é bem menos orgânica do que parece. (N.E.:ver foto acima)

Maria Caramez Carlotto é socióloga e professora da UFABC
No GGN
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Uma greve política com fundamento econômico


A greve dos caminhoneiros é uma greve política de fundo essencialmente econômico. Seu objetivo imediato é derrubar um esquema estúpido de fixação de preços de derivados de petróleo nas refinarias, o que, com base em declaração do próprio presidente da Petrobrás, Pedro Parente, só acontecerá com a derrubada dele do cargo. Portanto, não há hipótese de superação dessa greve a não ser pelo cumprimento da recomendação do presidente do Senado, Eunício Oliveira, de demissão do presidente da Petrobrás. Claro, com a substituição dele por quem não seja um neoliberal da mesma laia.

O passo seguinte – o estabelecimento de critérios razoáveis para a fixação de preços dos derivados de petróleo – pode ser definido por uma comissão dos principais interessados sugerida em ação popular proposta pelo senador Roberto Requião, e da qual se espera nesta segunda-feira uma liminar. Participariam da comissão representantes da Petrobrás, da Agência Nacional do Petróleo, dos caminhoneiros e da Aepet, a Associação de Engenheiros da Petrobrás - que vem prestando relevantes serviços ao Brasil na área da política do petróleo, tendo denunciado precocemente, inclusive, a absurda política de preços hoje questionada.

Alguns setores afeitos às teorias conspiratórias tentam levantar suspeitas quanto às verdadeiras motivações da greve. Supostamente haveria forças interessadas na derrubada imediata de Temer para favorecer a inviabilização das próximas eleições, facilitando a imposição de uma ditadura. Isso não passa de um delírio esquerdista. É um insulto às motivações reais dos caminhoneiros esmagados por uma política de preços dos derivados arbitrária e que está destruindo suas condições de sobrevivência e de vida. É claro que as empresas são também atingidas. Mas o calo aperta é mais embaixo.

Todos os que acompanham a evolução da situação brasileira em termos reais, e não apenas em termos ideológicos, sabem que com sua rápida deterioração depois de três anos de contração do PIB e de alta sem precedentes do desemprego e do subemprego a sociedade acabaria explodindo por algum elo fraco. Isso não aconteceria necessariamente através de movimentos conduzidos por instituições sindicais formais, muito burocratizadas e ideologizadas. Aconteceria, sim, a partir de setores fora do mercado formal de emprego, como autônomos e empregados de baixa remuneração.

Em face do alto desemprego, a força política dos sindicatos se reduz consideravelmente. O patrão passa a comandar todo o processo social. Como se viu na aprovação pelo Congresso da infame reforma trabalhista, os sindicatos não conseguiram empreender um movimento de resistência eficaz. Agora, como estamos vendo com os caminhoneiros, são os autônomos que estão na fronteira da luta, arrastando as empresas, do lado de cima, e os empregados, do lado de baixo. Não há conspiração nisso. Há necessidade econômica. O resto é ideologia pueril.

A distância entre o movimento atual e aquele de 2013 – este, sim, cercado de suspeita por todos os lados – é a distância entre 20 centavos de real e a renda global que um caminhoneiro tem para sustentar a si e a família. É a distância entre o ideológico e o real. O primeiro pode ser manipulado contra o Governo pelos meios de comunicação, como foi em 2013. O segundo não. Gente faminta, desempregada, ou quase nessa condição não vai para a rua para protestar contra um Governo apenas por ideologia. Vai, sim, para exigir meios reais de sobrevivência para defender a si e a sua família.

Justamente por isso não há saída para essa greve a não ser pela desmontagem, num ponto essencial da cadeia de organização do Estado, de uma estrutura que afeta não apenas os caminhoneiros, mas toda a população. A greve cria um desconforto geral que atinge quase todo o mundo, exceto os setores essenciais. Mas é inequívoco o apoio de grande parte da população ao movimento, inclusive levando alimentos, água e café para os grevistas nos pontos de bloqueio. Greve desse tipo só acaba com a vitória. E a vitória aqui é a deposição de Pedro Parente e de seu esquema, sua substituição por um executivo competente com sensibilidade pública,  e com o começo do fim do neoliberalismo que  justifica a política atual.

J. Carlos de Assis
No GGN
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A Petrobras, a greve dos caminhoneiros e o caso Pedro Parente


A crise do combustível é a comprovação prática dos males do pensamento monotemático na economia, temperado com uma dose excessiva (por isso suspeita) de ideologismo, do qual o presidente da Petrobras Pedro Parente tornou-se o caso mais simbólico.

A visão desse pessoal é que, se cada ponto se concentrar na sua própria busca de eficiência, o resultado final será uma economia mais eficiente. A de Parente é mais tosca. Ele lembra CEOs dos anos 90, capazes de comprometer o futuro da empresa apenas para salvar os resultados trimestrais.

Especialistas em petróleo sabem que a lógica econômica de uma petroleira reside na interação das diversas atividades que compõem a cadeia produtiva: prospecção, refino, distribuição e transporte.

Com uma commodity exposta à volatilidade das cotações, a problemas políticos internacionais e aos problemas internos - administrando um preço-chave da economia – a lógica econômica é reduzir a vulnerabilidade através da integração dos diversos setores.

Nem esse princípio foi seguido por Parente, que passou a desmontar a empresa, vendendo-a em pedaços.

Pior.

Com o petróleo em alta, teoricamente aumentam seus lucros, pelos ganhos com a produção interna e pelo refino. E vice-versa. A queda dos preços do petróleo reduz o valor dos seus ativos. Tanto assim que o grande prejuízo da Petrobras, em 2015, foi decorrente da reavaliação do balanço, em função da redução dos preços dos derivados – que obrigou a reduzir contabilmente o valor dos ativos da empresa – e não da corrupção, conforme foi ventilado na época.

Surpreendentemente, Parente definiu a seguinte estratégia, conforme revelado por estudos da Associação dos Engenheiros da Petrobras:
  1. A partir de outubro de 2016, passou a praticar preços mais altos para os combustíveis, viabilizando a importação de derivado.
  2. Com essa política, a Petrobras perdeu mercado e a capacidade ociosa das refinarias saltou para 25%.
  3. Com menos refino, explodiram as exportações de óleo cru e as importações de derivados.
  4. O maior beneficiado foram os Estados Unidos: enquanto as importações de diesel se multiplicaram por 1,8 desde 2015, a importação de diesel dos EUA aumentou 3,6 vezes. Passou de 41% em 2015 para 80% do total de importados pelo Brasil, ao mesmo tempo em que a Petrobras abria mão da refinaria de Pasadena.
Os grandes ganhadores foram os “traders” internacionais, dentre as quais o maior é a Trafigura, a gigante que montou o maior esquema de corrupção da história de Angola, estava envolvido até o pescoço com os escândalos da Petrobras e foi surpreendentemente liberada pelos procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro.

A política de preços de Parente acabou provocando uma crise política de proporções, com o blackout dos caminhoneiros. A saída encontrada pelo governo Temer foi garantir o lucro dos investidores com recursos orçamentários.

Primeiro, pensou-se em eliminar os tributos sobre a gasolina; depois, a de ressarcir a Petrobras pela redução de ganhos que viesse a ter com a diminuição dos preços dos combustíveis. Ou seja, o país imerso em uma crise fiscal gigantesca, criando uma enorme conta fiscal para impedir a redução dos dividendos dos acionistas da Petrobras.

Não há outra explicação, que não a suspeita de corrupção da grossa.

Luís Nassif
No GGN
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Governadores encaram Temer e dizem não a Parente


CARTA ABERTA DOS GOVERNADORES DOS ESTADOS INTEGRANTES DA SUDENE

Os Governadores dos Estados do Nordeste e Minas Gerais, que se encontram sob a jurisdição da SUDENE, abaixo assinados, em face da grave crise de desabastecimento de combustíveis que tanto vem afligindo os cidadãos brasileiros, dirigem-se, agora, à população de seus Estados e de todo o Brasil para firmar o seu posicionamento sobre esse grave tema:

1. Em um momento de tão grandes dificuldades, como o que vem sendo vivido por todo o povo brasileiro - constantemente sacrificado pelos efeitos adversos de crise econômica e política sem precedentes - é absolutamente incompreensível que o Governo Federal autorize a Petrobras a adotar uma política de preços direcionada, unicamente, à obtenção de lucro e ao acúmulo de receitas;

2. A política da Petrobras toma por base a premissa de que a empresa deve precificar seus produtos sempre em patamares superiores aos do mercado internacional, acompanhando as suas oscilações apenas quando há elevação de preços, sem jamais repassar aos consumidores brasileiros as suas eventuais reduções;

3. Essa política de preços foi elevando, de forma assustadora, os preços de insumos básicos para a população, como o gás de cozinha, a gasolina e o óleo diesel, cujo custo repercute, diretamente, sobre todos os preços da economia, a começar por itens de consumo básico, como os alimentos, que exercem forte impacto sobre o orçamento das famílias mais pobres;

4. Os preços do gás de cozinha e da gasolina têm registrado aumentos de tal magnitude e com tamanha frequência que, algumas vezes, têm sido anunciados reajustes a cada 24 horas, numa política que tem levado produtos de primeira necessidade a ficarem completamente fora do poder de compra dos brasileiros, chegando-se a ter 11 reajustes em apenas 17 dias;

5. Em decorrência dessa perversa política de preços, é cada vez mais comum que famílias – mesmo aquelas que vivem nos grandes centros urbanos – passem a recorrer a fogões de lenha para cozinhar, aumentando, de forma assustadora, o número de acidentes com queimaduras e, muitas vezes até, com perdas humanas e materiais;

6. Neste grave momento, quando irrompe um movimento radical que - justificado pela desenfreada escalada de reajustes - bloqueia os canais de distribuição de combustíveis e coloca em risco a mobilidade, a saúde, a segurança e a integridade física de milhões de brasileiros, o Governo Federal tenta fugir às suas responsabilidades convocando os governos estaduais – já tão sacrificados pela injusta concentração de recursos na União – a renunciar às suas receitas do ICMS, supostamente para atender demandas dos representantes dos transportadores participantes da paralisação;

7. Diante disso, nós - Governadores dos Estados integrantes da SUDENE – consideramos absolutamente inaceitável a tentativa do Governo Federal de transferir para os Estados a responsabilidade pela solução de uma crise que foi provocada pela União, através de uma política de preços de combustíveis absurda, perversa e irresponsável. Colocar sobre os Estados Federados o ônus de qualquer redução da alíquota sobre os combustíveis - além de ser desrespeitoso - é atitude inconsequente e, por isso mesmo, inaceitável.

8. Para agravar ainda mais o contorno da proposta do Governo Federal, ventila-se a incoerente retirada da CIDE da parcela de recursos destinada à manutenção das rodovias, que é - por Garantia Constitucional - executada por Estados e Municípios da Federação.

9. Nós - Governadores dos Estados integrantes da SUDENE - reafirmamos nossa viva disposição de colaborar com o Governo Federal na concepção de propostas que permitam a aceleração da nossa da economia e a retomada do crescimento do Brasil, mediante a geração de emprego e renda e da inclusão de todos os brasileiros no processo de desenvolvimento da Nação.

10. Ressaltamos, no entanto, que o Governo Federal precisa rever – com urgência – a política comercial da Petrobras, reposicionando-a com responsabilidade e espírito público, trabalhando pelo saneamento das finanças da empresa, mas mantendo – acima de tudo - a consciência de que é completamente inaceitável aumentar, ainda mais, o enorme contingente de famílias brasileiras entregues ao desemprego e mergulhadas na miséria e na desesperança.

11. Por fim, destacamos nosso inarredável compromisso com os valores democráticos, ao tempo em que manifestamos nossa disposição de enfrentar - energicamente - qualquer tentativa de relativização ou destruição das conquistas democráticas do povo brasileiro nas ultimas décadas, na certeza de que a única via para superar os desequilíbrios e conflitos é a consolidação da democracia, com estrito respeito de suas práticas, princípios e processos.

26 de Maio de 2018

Rui Costa - Governador do Estado da Bahia


Camilo Santana - Governador do Estado do Ceará,


Ricardo Coutinho - Governador do Estado da Paraíba


Paulo Câmara - Governador do Estado de Pernambuco


Wellington Dias - Governador do Estado do Piauí


Belivaldo Chagas - Governador do Estado de Sergipe


Fernando Damata Pimentel - Governador do Estado de Minas Gerais
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Dono de sites criticados por 'fake news' recebe dinheiro de deputado Francischini

Delegado Francischini destinou R$ 24 mil de sua cota parlamentar para uma empresa ligada à casal que administra uma rede de sites apontados como veículos que propagam "fake news"
Delegado Francischini destinou R$ 24 mil de sua cota parlamentar para uma empresa ligada à casal que administra uma rede de sites apontados como veículos que propagam "fake news"

Seis notas fiscais pagas pelo gabinete do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR), o Delegado Francischini, apontam que o parlamentar destinou R$ 24 mil de sua cota parlamentar, no período entre dezembro do ano passado e abril deste ano, para uma empresa em nome de um casal que administra uma rede de sites apontados como veículos que propagam "fake news".

As notas aparecem no Portal de Transparência da Câmara dos Deputados e foram emitidas pela empresa Novo Brasil Empreendimentos Digitais para "divulgação da atividade parlamentar". Foram pagos R$ 4.000 mensais entre dezembro e março, e outros dois pagamentos no mesmo valor foram realizados em abril.

A Novo Brasil Empreendimentos Digitais tem como sócios registrados junto à Receita Federal a advogada Thais Raposo Chaves e seu marido, Ernani Fernandes. Ernani também aparece como responsável pelo domínio do site de conteúdo político engajado Folha Política (que não tem nenhuma relação com o Grupo Folha).

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), pré-candidato à Presidência, chega ao Paraná para lançamento da pré-candidatura do deputado federal Fernando Francischini, a quem está abraçado, ao Senado

Desde dezembro, a Folha Política publicou em suas páginas diversos textos em que cita o deputado Francischini. Eles têm títulos como "Delegado Francischini fala 'na lata' o que pensa de Lula" ou "Delegado e Bolsonaro apresentam projeto de lei para acabar com privilégios para ex-presidentes".

Em janeiro, o site também publicou um vídeo com o título "URGENTE: Em transmissão ao vivo, Bolsonaro anuncia candidatura pelo PSL". Além de companheiro de partido, Francischini é um dos principais aliados políticos do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Questionada sobre as notas fiscais, a assessoria de Francischini disse que Ernani Fernandes "presta consultoria em redes sociais e edita alguns vídeos para publicação" nos perfis do deputado e que os pagamentos não têm nenhuma relação com os sites da rede administrada pelo casal.

Nota fiscal de abril recebida pela empresa de Ernani do deputado Francischini



Segundo a assessoria do deputado, Ernani foi indicado para prestar serviços ao parlamentar por "uma questão de afinidade de conteúdo" em temas como combate à corrupção, oposição ao PT e apoio à Operação Lava Jato.

Foto do perfil no Facebook datada de 2011 de Ernani Fernandes e sua mulher, a advogada Thais Raposo Chaves

Elo com Frota e Kataguiri

A Folha Política, assim como diversos outros sites semelhantes como Política na Rede, Correio do Poder, Crítica Política, Folha do Povo e Gazeta Social, se apresenta como um veículo administrado pela Rede RFA (Raposo Fernandes Associados) - uma combinação dos sobrenomes de Ernani e Thais.

O grupo também administra as páginas no Facebook dos sites citados acima e outras como MCC - Movimento contra Corrupção (a maior delas, com mais de 3,5 milhões de seguidores), Juventude contra Corrupção, Juiz Sergio Moro - O Brasil Está com Você, Apoio ao Moro e Movimento Democracia Participativa, além do perfil oficial do ator Alexandre Frota na rede social e do canal Ficha Social, no YouTube, entre outros.

Em 2014, alguns vídeos do Ficha Social tiveram como apresentador o atual coordenador nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri. Na época, o grupo que tornou Kataguiri famoso nacionalmente ainda não havia sido formalmente criado.

Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre

A reportagem do UOL tentou contato com Kim Kataguiri para pedir esclarecimentos sobre uma possível relação com Ernani Fernandes, mas o líder do MBL não respondeu às mensagens.

Questionado sobre sua relação com Ernani Fernandes e suas empresas, o ator Alexandre Frota, filiado ao PSL, disse não ter nenhuma relação com a Folha Política. "A minha página é Alexandre Frota, e ele [Ernani] é um dos administradores, trabalha administrando a página."
O ator acrescentou que não tem ciência de nenhum inquérito ou processo que Ernani ou suas empresas estejam respondendo ou pelo qual tenham sido condenados.

Narrativa antipetista

Para o pesquisador Pablo Ortellado, coordenador do projeto Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), a rede de sites associada a Ernani Fernandes constitui "um ecossistema próprio" no universo de conteúdo político engajado na internet.

Ele tem um portfólio tanto de sites como de páginas no Facebook", aponta Ortellado. "Se a gente somar tudo, vamos ver que o alcance dele é de milhões de pessoas. Ele é um dos atores isolados mais influentes na rede que jogam com essa relação entre sites de notícias e páginas engajadas."

A Folha Política é um dos principais sites citados em artigos, pesquisas e listas que abordam o fenômeno das "fake news" - notícias falsas publicadas na internet ou baseadas em informações distorcidas e tiradas de seu contexto original.

Ortellado afirma que os sites geralmente associados ao termo "fake news" apenas ocasionalmente produzem mentiras travestidas de notícias.

"A maior parte do que é produzido por esses sites são matérias recheadas de pequenas distorções: exageros, manchetes apelativas, sensacionalistas ou em desacordo com o texto, especulações apresentadas como fatos, falsas atribuições e outros procedimentos de fraude e logro", diz o pesquisador da USP.

No caso do conteúdo publicado pelas páginas da Rede RFA, Ortellado avalia que a característica mais comum é filtrar os fatos do dia e adaptá-los para que eles se enquadrem "em uma narrativa antipetista" e ajudem a compor "um determinado discurso, uma visão de mundo".

Perfil discreto e empresa em apartamento vazio

Além da Novo Brasil Empreendimentos Digitais, Thais e Ernani também são sócios em outra empresa registrada junto à Receita Federal: a Raposo Fernandes Marketing Digital.

Fachada da casa onde está registrada 
a empresa Raposo Fernandes Marketing Digital

A reportagem do UOL foi até os endereços associados aos registros das duas empresas, ambos em Interlagos, na zona sul de São Paulo. Em um deles, um condomínio residencial, o porteiro informou que a unidade pertencente a Ernani e Thais estava vazia e que o casal aparece no local apenas para buscar correspondências.

O outro é um sobrado geminado, com o letreiro rasgado de uma clínica desativada, e que tinha como única entrada aparente duas portas de garagem metálicas, repletas de pichações ilegíveis.

No local, a reportagem encontrou Thais e tentou conversar com ela, mas a advogada se recusou a falar e disse que estava de saída para um compromisso.

A reportagem também tentou contato com Thais e Ernani por telefone, email e mensagens nas redes sociais durante pelo menos quatro semanas, mas não obteve resposta.

A maioria das informações sobre os dois em seus perfis pessoais nas redes sociais é restrita a amigos, mas ambos citam ter concluído estudos na Faculdade de Direito da USP.

Ernani é filho do coronel da reserva Ermindo Neto, que foi assessor especial do comandante do Exército entre novembro de 2013 e dezembro de 2015. Em pouco mais de 20 textos publicados pela Folha Política entre 2013 e 2014, era possível encontrar mensagens publicadas pelo perfil do coronel em redes sociais na caixa destinada a comentários dos leitores.

No Uol
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Quadrilha se militariza para ficar no poder

Locaute uma ova!


O Conversa Afiada reproduz sereno (sempre) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

Michel Temer e seus asseclas tentam vender à opinião pública que a greve dos caminhoneiros não passa de uma manobra patronal. O presidente golpista pôs até a Polícia Federal em ação para identificar “empresários revoltosos”. No desenho exibido ao público, a gang de Temer quer posar como defensora dos interesses da população contra capitalistas infames.

Desgraçadamente, muita gente séria engrossa essa lorota. Para dar um verniz “de esquerda” ao embuste, sacam da biblioteca o argumento da greve de caminhoneiros que ajudou a derrubar o governo socialista de Salvador Allende no Chile em 1973. Como se todo movimento no setor inevitavelmente fosse sempre uma coisa da direita. Equivale a dizer que qualquer greve de motoristas de ônibus está a serviço dos donos de empresas para forçar aumento de tarifas. Ora, cada caso é um caso.

Todo o argumento que privilegia o discurso do locaute desaba diante de um fato: desde que assaltou o poder, a camarilha do Jaburu promoveu reajustes de preços exorbitantes nos combustíveis. Procura-se um cidadão honesto neste país favorável a esta prática deliberadamente criminosa que só tem feito favorecer acionistas minoritários da Petrobras –vale dizer, os abutres que outro dia arrancaram bilhões da estatal nos Estados Unidos sem nem precisar acionar a Justiça. Ainda mais entre aqueles para quem o diesel é insumo essencial no trabalho cotidiano.

Já foi demonstrado à exaustão por especialistas insuspeitos, pela associação dos engenheiros da Petrobras e estudiosos como o professor Gilberto Bercovici que a política de “alinhamento diário” do valor dos combustíveis praticada por Temer, Parente & cia nada tem a ver com supostos prejuízos da Petrobras. Os balanços estão aí para demonstrar. A Petrobras permanece entre as empresas mais rentáveis da área em escala internacional.

O tal realismo tarifário, na verdade, só tem feito beneficiar as multinacionais que revendem para nós o que nós mesmo produzimos. Como se sabe, a gasolina e o diesel que move automóveis e caminhões são subprodutos do petróleo cru, no qual o Brasil é pra lá de autossuficiente. Mas a matéria bruta precisa ser refinada, como se sabe.

Aqui está o pulo do gato. Este setor vem sendo sucateado pelos golpistas, aprofundando a política do grande capital responsável pela essência da lógica econômica predominante: fazer o Brasil retornar à condição de colônia, que exporta algodão, mas tem que comprar camisas na China; que exporta ferro, mas importa chapas de aço; que vende matéria-prima, mas compra lá fora os manufaturados. É exatamente a mesma lógica por trás da destruição sistemática da indústria brasileira.

“Economistas” e colunistas alugados pelo grande capital chegam à desfaçatez de dizer que a “lógica de mercado” deve ser aplicada igualmente no caso dos combustíveis. Se o preço de determinado produto sobe, procura-se um substitutivo mais barato. Se a manteiga fica mais cara, compra-se margarina. Subiu o preço da carne? Coma-se frango. E assim por diante. Ora, e o que fazer no caso da gasolina e do diesel? Alguém pensa em colocar guaraná, água sanitária ou óleo de cozinha no tanque do carro ou do caminhão?

Justamente por se tratar de um insumo ESTRATÉGICO, assim como a energia elétrica que os golpistas também sonham em entregar ao capital estrangeiro, o petróleo está sob monopólio estatal. Por isso a política de preços em setores como estes, ensina qualquer nação desenvolvida, precisa ser guiada pelos interesses do país, e não pela “lógica do mercado”. O objetivo de uma empresa como a Petrobras não pode ser o lucro dos rentistas, mas atender aos interesses do país inclusive nos momentos em que circunstâncias internacionais afetam a ganância do grande capital.

Ninguém ignora que a categoria dos caminhoneiros é fragmentada, pulverizada e carente de lideranças hegemônicas. Tampouco é novidade que o setor mistura gigantes de frete, trabalhadores autônomos e pequenos empresários. Ou que uma baixa nos preços diminui os custos para companhias que atuam no setor. Mas os defensores da perfídia do locaute podem explicar por que depois do acordo assinado pelos grandes proprietários com os capatazes do governo a greve tenha se ampliado em vez de refluir?

O que está no cerne da mobilização que parou o país é o descontentamento generalizado com uma administração ilegítima que está levando o Brasil ao desastre. Não se viu nenhuma manifestação popular de condenação ao movimento. Ele está sendo contido pela militarização cada vez mais ostensiva de uma quadrilha que busca nas armas o apoio que lhe falta nas urnas e no povo. Esse é o ponto.
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Golpistas aproveitam greve para pedir intervenção 'constitucional"



Sempre no cio, como lembrava Brecht, as cadelas do fascismo - e do golpismo - querem aproveitar a greve dos caminhoneiros para colocar faixas nas rodovias pedindo a eterna intervenção militar.

Quem sabe com saudade dos locautes golpistas chilenos, embora não dê para saber se o vídeo é de agora, já tem também pelo menos um sujeito vestido de sargento do exército pedindo que quem quiser ajudar os caminhoneiros coloque faixas nesse sentido nos pontos de concentração dos grevistas e sugerindo que o apelo seja espalhado pelo whatsapp.

Duas coisas a lembrar:

1 - O governo vai usar justamente o exército para forçar a passagem de caminhões de combustível pelas estradas para assegurar atividade essenciais.

2 - A intervenção “militar” no Rio de Janeiro, mostrou que as forças armadas, mesmo quando apenas cumprindo ordens, são tão sujeitas a problemas e limitações quanto qualquer outra instituição nacional.

Se essa força não consegue segurar a onda em favelas no Rio de Janeiro, cidade em que a violência aumentou no lugar de diminuir depois da chegada das tropas federais, vai conseguir fazer isso na quinta maior extensão territorial do mundo, pegando o verdadeiro rabo de foguete em que o golpe contra Dilma transformou o Brasil depois de 2016?

Só malucos vestidos de camisetas com fotos de torturadores, em festa de apoio à pré-candidatura de certo aspirante à presidência, colocariam suas fichas numa roubada dessa, principalmente porque o Brasil - ao contrário do que ocorria em 1964 - tem centenas de quilômetros de fronteira seca com países onde é mole comprar rifles e submetralhadoras, como o Paraguai e a Venezuela, onde está sendo instalada a segunda maior fábrica de rifles Kalashnikov do mundo, depois da própria Rússia, por exemplo.

Pior que um golpe - que como mostra o de 2016, todo mundo vê como começa, mas ninguém sabe como vai acabar - só um segundo golpe dentro dele.

Já pensou no "pega pra capar"?

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Apagão Temer


O embate de Michel Temer com os caminhoneiros reflete o agravamento diário da crise generalizada no Brasil. É hora de agir construindo saídas políticas urgentes para impedir que o caos do desabastecimento, da paralisia de serviços públicos e da atividade econômica tome conta do país.

O governo federal não tem autoridade moral e política nem capacidade para liderar o país no processo de superação da crise dos combustíveis. O presidente ilegítimo já não tem base parlamentar organizada no Congresso Nacional para construir soluções coletivas.

Nesta semana, a Câmara dos Deputados criou uma alternativa de corte de tributos para viabilizar a redução de 14% no valor do diesel, o que atende aos anseios dos caminhoneiros. Graças à aprovação do nosso relatório sobre o Projeto de Lei (PL) 8456/17, que trata da reoneração da folha de setores econômicos, zeramos o PIS-Cofins para o óleo diesel. Apresentamos, portanto, uma medida prática para o país sair deste impasse. Agora, cabe ao Senado Federal ratificar a proposta e Temer sancioná-la rapidamente para as paralisações serem encerradas.

A população brasileira é a principal atingida pela falta de diálogo da gestão Temer. Faltam alimentos em supermercados e combustível em postos de gasolina. O transporte coletivo em inúmeras cidades foi afetado, indústrias pararam atividades e voos passaram a ser cancelados por falta de combustível nos aeroportos.

Em vez de aceitar a saída apresentada pelo Parlamento, o Executivo questionou de onde viriam recursos para permitir a diminuição do custo dos combustíveis. É fato que há aumento do preço do petróleo, gerando incremento de receita governamental em razão dos royalties. Este é o espaço fiscal que pode sustentar a alíquota zero do PIS-Cofins. Outra fonte são os valores oriundos da volta da oneração para diversos segmentos da economia.

Em outra frente, é fundamental rediscutir a nova política de preços da Petrobras, que é desastrosa, insustentável e gera custos elevadíssimos não só do diesel, mas da gasolina, do etanol e do gás de cozinha, causando enorme prejuízo na vida do povo brasileiro.

Nos governos Lula e Dilma, o preço da gasolina era estável e equilibrado. Conforme a Associação de Engenheiros da Petrobras, não chegava a R$ 3 e, mesmo assim, a empresa tinha lucro. Naquele período, as refinarias funcionavam a 93%, hoje elas estão na casa dos 60%. A lógica do atual presidente, Pedro Parente, ministro do apagão elétrico de Fernando Henrique, é favorecer os investidores internacionais, que lucram com a situação.

O país e suas políticas soberanas estão sendo desmontadas velozmente. Temos de reforçar nossa luta para impedir que o patrimônio e a renda dos cidadãos sejam dilapidados, e as nossas riquezas entregues ao capital estrangeiro e aos grandes rentistas. Usar tropas federais para tirar das estradas caminhões e prender seus motoristas não resolve a crise. Definitivamente, o melhor para o Brasil e os brasileiros é Fora Temer.

Orlando Silva, Líder do PCdoB na Câmara, deputado federal por São Paulo e relator do PL 8456/17, que trata da reoneração da folha de pagamento de setores da economia.
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O paredismo rodoviário: a política brasileira mais perdida que peru em véspera de Natal

A greve ou o locaute dos caminhoneiros Brasil afora – chamem o movimento do jeito que quiserem – se impôs às forças políticas como dramático mistério. Feito a esfinge, dita-lhes: “Decifrem-me ou os devoro”

Uma das grandes omissões dos governos civis que sucederam a ditadura militar foi a estruturação de um serviço de inteligência que merecesse esse nome. Não vale apontar para a tal Abin, que doravante chamaremos de “Abig” – agência brasileira de ignorância.

Afinal, só no Brasil para se ter um serviço secreto cujos agentes são recrutados por concurso público e têm seus nomes arrolados no Diário Oficial da União! E depois ficamos a caçoar dos dotes intelectuais de nossos irmãos portugueses…

A “Abig” não é um serviço secreto – é um serviço ostensivo. Não se destina à coleta conspirativa de dados essenciais à tomada de decisões estratégicas, mas a facilitar o serviço de conspiradores contra os interesses estratégicos da sociedade brasileira. Afinal, não se presta nem para recortar jornais de três semanas atrás! Quem tem “Abig” não precisa de CIA para ser engabelado.

Esqueçam, pois. Os governos civis nunca estiveram preparados para os grandes desafios a sua autoridade, ao estado democrático de direito e à constituição da República.

Ficaram a navegar à deriva num mar de riscos, brincando de roleta… brasileira! Até que demorou para serem engolidos pela crise mais aguda de nossa história política.

Não pode haver surpresas e nem indignação: os eleitos namoraram com o inimigo por anos a fio sem uso de anticoncepcionais e desdenhando até dos preservativos: diziam não gostar de chupar bombom com papel.

Agora, não vale atribuírem a culpa à fertilidade do companheiro ou da companheira. Quem faz amor com o capeta não tem direito de se queixar se passa carregar no bucho o Anticristo do Armagedom. Quem pariu a catástrofe que a embale!

Seria simples assim se não estivesse em jogo nosso destino como Nação altiva e respeitada e como sociedade livre e próspera. Decifrar o mais recente risco à governança é um passo necessário para encontrarmos uma saída do imbroglio que o golpe parlamentar de 2016 criou.

Como não temos serviço de inteligência, talvez devamos nos orientar tateando no escuro para evitarmos esbarrar uns nos outros. Quem não tem cão, caça com gato. Analisemos os dados mais óbvios.

O movimento de caminhoneiros existe porque existe uma demanda, justa ou não. Ela é clara e, de seu atendimento, depende a subsistência do serviço que esses atores prestam à economia industrial e de consumo.

Vejamos. Há dois tipos de transportes rodoviários de carga no Brasil.

Um é oferecido por grandes empresários, sejam eles de oferta terceirizada do serviço ou concomitantemente produtores dos bens transportados. Esses têm gordura para negociar as condições fiscais de seu empreendimento. Faturam e pagam suas obrigações com prazos mais largos, têm capital de giro e geralmente diversificam seus investimentos.

Eles são capitalistas, amigos dos golpistas e não têm problema em conchavar com estes. Querem desobstruir as rodovias porque o show deles tem que continuar. Contentam-se com o gracejo da redução do óleo Diesel em dez por cento, por trinta dias, porque aumenta sua margem de lucro. Business as usual.

Há outro tipo de transporte, porém, que é individual, levado a efeito por pequenos fretistas, por donos de cavalos mecânicos que se oferecem às indústrias, ao comércio para trasladar, a reboque fechado, cargas de um canto a outro do país. Recebem por viagem, assumindo os custos de sua atividade e os riscos inerentes à precariedade de nossa infraestrutura logística.

Têm que cobrir o preço do combustível, do pedagio e do próprio catering ao longo do caminho. Fazem-no com parte da féria ganha. Cumprem itinerários e prazos rígidos que lhes são impostos por contratantes e não dispõem de flexibilidade financeira.

O dinheiro que recebem é no mais das vezes de preço fixo e gasto em boa parte no período de descanso obrigatório e inevitável entre um frete e outro, ou no retorno sem carga.

Devem horrores às financeiras e vivem na estreita greta de sua (in)viabilidade econômica. Longe de suas famílias, passam dias e noites dirigindo seus caminhões, mantendo-se acordados com uso de rebites e altas doses de cafeína, seja na forma de chimarrão ou de cafezinho requentado em garrafa térmica.

São explorados pelos contratantes sem dó nem piedade, pois nenhuma legislação trabalhista os protege. Depois os consumidores urbanos cheirosos ainda os chamam de bugres grosseiros e os xingam nas estradas por atrapalharem a pressa de seus confortáveis SUVs.

Caminhoneiros individuais são uma grande massa de empreendedores proletarizados numa economia de consumo de escala que busca crescente eficiência através da negação dos direitos dos mais vulneráveis da cadeia produtiva. Muitos foram expulsos do mercado de trabalho e acreditaram que sobreviveriam num nicho de razoável, ainda que modesto custo-benefício.

Enganaram-se redondamente. Com o decréscimo da atividade econômica a partir de 2014, muitos ficaram ao relento, sem frete. Não tinham margem para assumir a desaceleração da demanda.

Com a redução do frete e a disponibilidade enorme de caminhões ociosos, empresários contratantes resolveram repassar suas perdas para o setor de cargas individuais, mais vulnerável, e reduziram o valor da féria. Era aceitar ou largar. Viagens antes pagas por 8 mil reais, passaram a oferecer apenas 5 ou 6 mil, na cartelização usual da demanda de transporte rodoviário.

Só que os custos da atividade transportadora não diminuíram. Pelo contrário. O governo, insensível para com as necessidades do setor, liberou o preço do combustível na refinaria e na bomba, bem como autorizou aumentos é mais aumentos do pedágio rodoviário.

A maioria dos fretistas individuais simplesmente se inviabilizou economicamente, mas não tem como sair do negócio pois deve prestações de seus caminhões de segunda mão financiados e, quase todos, devem também o parcelamento de custos de manutenção, como pneus, reparos e revisões. Estão na lona e não têm saída. É desespero mesmo.

Nenhum combatente vai à guerra levar bala por esporte. Nenhum cidadão sobe barricadas a desafiar o monopólio de violência do estado classista por diletantismo ideológico.

O que faz revoluções é a constatação por revoltados de que nada têm a perder. Atravessa-se o Rubicão quando voltar significa enfrentar hordas de bárbaros sanguinolentos.

“Flucht nach vorne” – a fuga para frente é a única saída para quem está encalacrado numa situação “lose-lose” – de perder ou perder.

A esquerda política brasileira, em boa parte, padece dos vícios de um revolucionarismo romântico, esquerdismo como doença infantil do comunismo. Perde-se em conceitos, preconceitos e rótulos. Como pequeno-burgueses que são seus atores, preferem tachar os caminhoneiros paredistas de bolsonaristas. Fim de papo.

Acham bom vê-los enrolados em suas contradições: pedem intervenção militar e estão prestes a levar porrada dos milicos que tanto adulam! Nossos progressistas riem de barriga cheia. Não disfarçam sua “Schadenfreude” – o contentamento pela desgraça alheia. Olham a casca e não veem a substância.

Sim, caminhoneiros estão há tempos atordoados e não conseguem se fazer ouvir. Não são grandes teóricos políticos e não têm tempo para ler Lênin, Trotski ou Gramsci. Os fascistas adoram gente atordoada. É sua especialidade manipular fobias para seu projeto de poder totalitário. O fascismo, nunca é demais repetir, não constitui ideologia, mas apenas uma perversa e boçal prática política de mobilização do ódio coletivo para submeter massas à expropriação de seus direitos e de sua emancipação.

Caminhoneiros individuais são presas fáceis para projetos fascistas e, por isso, festejam os que em breve os reprimirão. Nada temos a comemorar, como esquerda consciente, na repressão de proletários ceenepejotizados! Caminhoneiros são não capitalistas.

São expulsados do mercado de trabalho, enganados pela mais-valia que frauda seu esforço de sobrevivência. É preciso superar rancores do golpe que apoiaram e trazê-los para o lado da luta por uma sociedade mais justa que os abrace, que dê suporte à sua causa.

Talvez compreendendo um pouco da dialética do processo histórico, os que querem libertar nosso país das garras de sua elite entreguista, míope e escravocrata se aproximem do movimento, sempre lembrando que boa parte das agruras dos paredistas está no veloz processo de deterioração da garantia de direitos e de desnacionalização de setores estratégicos de nossa economia, como o de produção de combustíveis minerais, entregues a grupos estrangeiros a preço de banana por um governo lacaio e corrupto.

É a rejeição desse quadro que nos une aos caminhoneiros e nos torna mais próximos a eles do que os fascistas o pretendem ser.

O mistério da esfinge assim se desvenda, de forma relativamente simples, sem ajuda de “Abigs”. Mas, para não sermos surpreendidos, quem sabe pensemos em organizar nossa inteligência, apesar de toda conspiração contra os interesses do Brasil! Tratemos de tirar as consequências dessa constatação e quiçá aproximemos a política dos paredistas…

Eugênio Aragão
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Caminhoneiros ignoram ultimato do presidente ladrão

Grevistas parados deixam estradas livres

Na rodovia Régis Bittencourt, em Embu das Artes-SP: pista livre e caminhoneiros no acostamento às 9h da manhã de sábado, 26/V
Reprodução: GloboNews
Na noite de sexta-feira (25/V), o governo do presidente ladrão autorizou, via decreto, o uso das Forças Armadas em todo o território nacional para acabar com a greve dos caminhoneiros - que chegou, neste sábado, ao sexto dia. A medida permite o uso do Exército e da Força Nacional de Segurança para desobstruir estradas federais e remover caminhões que participem dos bloqueios.

Após o anúncio, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann comemorou: segundo ele, 419 pontos de bloqueios haviam sido liberados em todo o país!

O ultimato dos canalhas e canalhas, entretanto, não teve sucesso.

Mesmo com a ameaça, os caminhoneiros permanecem em greve. Na maior parte das estradas do país, os manifestantes desmontaram as barreiras e moveram os veículos para o acostamento. Veículos de passeio seguem o trajeto sem impedimento.

Caminhoneiros ocupam o canteiro central e acostamento da Régis Bittencourt, em Embu das Artes, Grande São Paulo, às 9:23 da manhã 
Reprodução: Globonews

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas manteve o decreto de Estado de Emergência - o que permite à prefeitura confiscar estoques de combustíveis, realizar compras sem licitação e proclamar feriados municipais para diminuir o consumo de gasolina e diesel.

Garagem de ônibus lotada na Grande São Paulo. Apenas 40% da frota opera na manhã de sábado 
Reprodução: Globonews

Em Brasília, comboios de caminhões - sob escolta da Polícia Militar - começam a deixar as distribuidoras de combustíveis para abastecer postos em toda a cidade. Há relatos de confrontos da tropa de choque com grevistas. Quarenta voos foram cancelados na manhã de sábado, segundo balanço divulgado às 9h.

Às 8:56 da manhã: faltam água e gás de cozinha em Recife 
Reprodução: Globonews

Em todo o Brasil, ao menos dezoito aeroportos operam com restrições por falta de abastecimento de querosene.

Posto de combustíveis na zona norte do Rio, na manhã de sábado 
Reprodução: Globonews

O Rio de Janeiro entrou em estado de atenção. Os ônibus operam com redução da frota e o serviço das barcas para Niterói foi suspenso até domingo. O serviço nos corredores BRT está interrompido por tempo indeterminado. A CEDAE, empresa de abastecimento e saneamento, pede à população que economiza água.


Caminhoneiros ocupam o acostamento da rodovia Régis Bittencourt, em Embu das Artes-SP, na manhã deste sábado 
Créditos: Walter Porto/Folhapress

No CAf
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6º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais - ao vivo

 Transmissão encerrada 


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A intervenção que até agora ninguém viu


Entramos na manhã de sábado e não é possível saber o quanto a “Operação de Grantia da Lei e da Ordem” decretada pelo Governo Federal desbloqueou as bases de distribuição de combustível, embora esteja nítido que o movimento  não liberou  as rodovias.

Há notícias esporádicas de caminhões tanques, escoltados, levando combustíveis para… não se sabe onde.

Caminhoneiros dizendo que ia “correr sangue” e notas do Ministério dizendo que a ação dos militares seria enérgica.

Horas depois, não há noticias de nenhuma ação incisiva nem de qualquer conflito com os manifestantes.

Ou nada está acontecendo ou está acontecendo um inesperado consentimento entre manifestantes e os que estariam indo reprimi-los.

Algo muito estranho, ou nem tanto, já que há inúmeras faixas pedindo justamente “intervenção militar”.

É possível que, nesta questão, os militares queiram muito pouco intervir, pelo grau de antipatia que isso pode lhes trazer.

Até agora, só se anunciou apoio às polícias estaduais.

Aconteça o que acontecer, parece descartado que a situação possa estar normalizada na segunda-feira.

Haverá pressão por ações espetaculares e, ao que parece, ressistência a elas entre os militares.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A paralisação do Brasil e a desastrosa gestão tucana da Petrobras



Nada de novo na forma como o Brasil atual está tratando e vendo a greve convocada pelos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos e absurdos aumentos dos combustíveis, que passam de 50% em alguns meses.   

O senso comum imposto ininterruptamente a marretadas por uma mídia irresponsável e ideologicamente comprometida e o discurso oficial, mentiroso, hipócrita e mendaz, continuam se apoiando na tese, ou melhor, no conto do vigário, de que a Petrobras teria quebrado em algum momento de sua história devido à política de preços adotada nos governos Lula e Dilma.

Quando, na verdade, o vaivém dos preços era, pelo contrário, usado inteligentemente para impedir os aumentos, com a empresa guardando dinheiro quando a cotação do dólar e dos combustíveis lhe eram favoráveis, para subsidiar a compra de diesel e gasolina quando os preços estavam mais altos lá fora, evitando sacudir o mercado e o bolso dos consumidores com o desce e sobe (mais sobe do que desce) idiota e terrorista dos dias de hoje, em que um sujeito não pode sequer programar uma viagem de dois dias sem saber quanto vai gastar. 

Uma doutrina baseada no "laissez faire" do mercado que só facilita a vida dos especuladores e dos donos de postos de gasolina, que também deveriam ter sido chamados à mesa de negociação.

Caminhoneiros e cidadãos comuns estão fartos de saber que, depois que sobem, em uma espécie de lei de contra–gravidade, que é extremamente grave e prejudicial para o país, os combustíveis, principalmente o diesel e a gasolina – que não dão safras sazonais como o álcool – jamais voltam a cair de preço na ponta dos revólveres das bombas dos postos, a não ser na ordem ridícula dos centavos, em uma espécie de gozação cruel com a cara do consumidor brasileiro.

Em janeiro de 2016, o jornal ligado a uma importante rede de televisão brasileira publicou uma matéria tentando explicar, geopoliticamente, a razão para a queda de 60% da cotação do petróleo em menos de dois anos.

O texto citava, entre outras motivações,  o aumento da produção de óleo de xisto nos Estados Unidos para 9 milhões de barris por dia, e a decisão da Arábia Saudita de tentar atrapalhar a indústria de exploração desse recurso nos EUA, aumentando a oferta e vendendo o petróleo da OPEP a 25 dólares o barril, além da volta de outros fornecedores de petróleo ao mercado, como o Irã, após o fim de sanções impostas àquele país pela ONU.

Essas notícias não foram publicadas há 14 anos. Elas saíram, inacreditavelmente, e com grande destaque, há menos de 15 meses.

E é fantástico que, na cobertura da greve dos caminhoneiros, com a grave crise internacional dos preços do petróleo, que ainda continua, elas tenham sido escandalosamente apagadas, como os desafetos de Stalin, da história "oficial".

Como se nunca tivessem ocorrido, omitidas pelo Ministério da Verdade – o Miniver do livro 1984, de George Orwell – em que se transformou a grande mídia neoliberal.

Com dezenas de  "analistas" sendo chamados a toda hora, alguns deles figuras carimbadas do desgoverno do senhor Fernando Henrique Cardoso, para repisar a mentira deslavada de que a suposta crise que "obriga" a  Petrobras a aumentar o preço dos combustíveis a todo momento é culpa da política de estabilização de preços internos criteriosamente adotada durante anos pelos governos anteriores. 

Como se o preço internacional do petróleo bruto não tivesse caído de 115 dólares em agosto de 2013, para 111 dólares em junho de 2014, 50 dólares em março de 2015,  e 30 dólares em janeiro de 2016.

Como se isso não tivesse afetado em nada as contas da empresa, que produz quase três milhões de barris de petróleo por dia.

E como se obviamente a política de preços adotada pelos governos de Lula e Dilma no mercado interno não tivesse nada a ver com o que estava acontecendo com o mercado internacional.

Mesmo assim, como mostram exaustivamente dados divulgados pela AEPET, a Associação dos Engenheiros da Petrobras, a empresa nunca esteve quebrada.

Ela teve, apesar da política de estabilização dos preços internos de combustíveis e gás de cozinha adotada pelos governos Lula e Dilma, uma geração operacional de caixa de 33 bilhões de dólares em 2011, de 27 bilhões de dólares em 2012, de 26 bilhões de dólares em 2013, de 26 bilhões de dólares em 2014, de 25 bilhões de dólares em 2015, e de 26 bilhões de dólares em 2016, ano do golpe midiático–parlamentar que derrubou Dilma Roussef e desestabilizou o país levando–o à catastrófica situação jurídica, econômica e política em que se encontra agora.

Situação, aliás, em que prefere–se insistir em apresentar à opinião pública a tese calhorda, apoiada pela mesma velha plêiade de "analistas" e "especialistas" de um lado só, de que a culpa do que está acontecendo com a desastrosa política de preços imposta pela atual diretoria da Petrobras é do  PT.

Que, tendo economizado 380 bilhões de dólares apenas em reservas internacionais e deixado mais 800 bilhões (260 bilhões de reais em dinheiro) em ativos no BNDES, fora  o pagamento da dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI, teria sido responsável por jogar a empresa no buraco e por "quebrar" o Brasil, deixando–o na condição que ainda ocupa de quarto maior credor individual externo dos EUA. 

Sem aumentar a dívida pública, que em 2002 ainda era maior do que é agora. 

A importância atribuída pelo terrorismo midiático à queda no valor das acões da Petrobras também é ridícula. 

As ações de qualquer empresa do mundo flutuam e as da Petrobras se mantêm estáveis no médio prazo. 

Elas estavam em 20 reais em maio de 2013, caíram para 5 reais no início de 2016 – quando foram usadas pelos especuladores para fazer rios de dinheiro e ajudar a derrubar Dilma – e estão em 25 reais agora.

Tenho orgulho de ser um modestíssimo acionista da Petrobras. 

Os idiotas que, para baixar ainda mais a cotação, venderam a cinco reais, às vésperas do impeachment, influenciados pelo ódio contra o governo e o desprezo pela maior empresa brasileira se deixaram influenciar por uma mídia distorcida e pelo preconceito ideológico. 

Com isso, quem ganhou gigantescas fortunas foram os gringos, que apostaram dezenas de bilhões de dólares na empresa, como fez George Soros na época do impeachment,  porque sabiam e continuam sabendo que a Petrobras vai continuar sendo um dos maiores negócios do mundo, e se não a destruírem totalmente, uma das mais avançadas organizações na geração de tecnologia para o setor petrolífero,  como  mostra o fato de ser a mais premiada companhia na OTC, a Offshore Tecnology Conference,  o "oscar" global da exploração de petróleo em águas profundas.  

O resto é especulação de curto prazo, em que "notícias" e boatos ajudam a fazer fortunas, literalmente da noite para o dia, como mostra a variação de mais de 10% nas ações da Petrobras nas últimas 48 horas. 

O que não pode variar, como as ações, ao sabor do preconceito e da ideologia viralatista, pseudo–privatista e entreguista, é a indiscutível importância estratégica da maior empresa brasileira (condição que não se mede pelo seu valor em bolsa). 

O que a greve dos caminhoneiros, com suas filas de caminhões nas estradas e ameaça de suspensão de viagens aéreas e de desabastecimento de gêneros essenciais, principalmente alimentícios, mostra, clara e didaticamente, é que uma Petrobras mal administrada, como está ocorrendo agora, pode fazer muito mais mal ao país do que ao bolso de seus acionistas.  

Ela pode paralisar o Brasil, e, por isso, tem que ser vista – ao contrário do que afirmou o Sr.  Pedro Parente ontem – não como uma empresa privada com objetivo de gerar mais lucro para seus acionistas,  mas como uma decisiva conquista – desde a campanha "O Petróleo É Nosso". da qual temos orgulho de ter participado – de todos os brasileiros. 

Como um fator de fundamental importância, como mostra a existência de empresas semelhantes, da Arábia Saudita à Noruega, em todo o mundo, do ponto de vista estratégico, para o funcionamento da nação e o desenvolvimento econômico e  social do país.

Da Petrobras o povo brasileiro espera poucas coisas. 

Que não se entreguem as riquezas que ela descobriu sozinha, no fundo do mar, com tecnologia própria, a preço de banana, aos gringos, é uma delas. 

Principalmente quando se considera que o rasteiro discurso privatista vigente está apenas despindo o Estado brasileiro para beneficiar governos estrangeiros, abrindo o pré–sal para estatais norueguesas e chinesas, ou grupos em que o governo é o principal acionista, como a francesa Total. 

A outra é que o preço dos combustíveis não mude, principalmente para cima, a cada vez que o Sr. Pedro Parente troca de camisa. 

Também seria razoável que não se mentisse sobre a situação real da empresa, agora e no passado, e se provasse a afirmação de que a Petrobras sofreu – sem que sequer um membro de comissão de licitação fosse investigado – um assalto de 6 bilhões de reais, nunca inequivocamente comprovado. Esse mito foi estabelecido com a cumplicidade de uma empresa norte–americana, cuja história está eivada de escândalos e de "barrigadas", lamentavelmente chamada a fazer uma "auditoria" na empresa, por um governo teoricamente nacionalista.

Mas isso já seria demais quando vivemos em um país em que reina a jurisprudência da delação e do punitivismo mais reles e implacável. Em que se extraem as narrativas mais estapafúrdias de empresários constantemente ameaçados de prisão e de definitivo fechamento de suas empresas , se não se submeterem a "delatar" o que querem que delatem 

Em que a condução irresponsável de uma guerra jurídica baseada na denúncia e na descarada criminalização da atividade política, da democracia e do presidencialismo de coalizão, levou ao sucateamento de centenas de bilhões de reais em obras e projetos judicialmente interrompidos, a centenas de milhares de demissões e à quebra de um igual número de acionistas, investidores e fornecedores. 

Quanto à "negociação" do governo com os caminhoneiros – muitos dos quais devem estar arrependidos de ter bloqueado estradas contra Dilma – a suspensão da cobrança de pedágio a veículos que estejam circulando vazios, com o terceiro  eixo levantado, é muito mais  efetiva do que a pretendida queda ou suspensão de impostos dos combustíveis oferecida pelo governo aos transportadores e motoristas autônomos, dinheiro que vai acabar, com quase absoluta certeza, no bolso dos donos dos postos de gasolina, que, se não houver controle de preços, dificilmente repassarão essa queda para os consumidores.

Finalmente, a reoneração da folha de pagamento de mais de 20 setores da economia atinge o país em uma região do fígado que é a mais sensível para os mais pobres, depois do deletério efeito sobre o emprego do punitivismo anti–empresarial da Operação Lava–Jato e a irresponsável e inócua – em termos fiscais –  esterilização, pelo governo, com sua devolução antecipada e desnecessária ao tesouro nacional, de 260 bilhões de reais que se encontravam nos cofres do BNDES quando Temer assumiu. Esses recursos poderiam ter sido investidos em novos projetos e na retomada de obras de infraestrutura com a geração de milhares de postos de trabalho.

O Sr. Pedro Parente foi claro ontem na televisão. O compromisso do atual governo, com relação à Petrobras, é – o que não está conseguindo fazer a contento – agregar valor para os seus acionistas. 

O compromisso dos governos anteriores era controlar a inflação e permitir o abastecimento de combustíveis e a livre circulação de mercadorias, para cumprir o seu papel de garantir condições razoáveis de vida para a população e o funcionamento normal da nação. 

Era também o de assegurar, a preços razoáveis, gás de cozinha para milhões de brasileiros – segundo o IBGE já seriam 1,2 milhão de famílias – que, hoje, em mais uma "conquista neoliberal inesquecível",  reviram caçambas em todo o país catando lenha para preparar a sua refeição de cada dia. 
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