23 de mai. de 2018

Sombras sobre o Brasil

Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
Começa a faltar gasolina no aeroporto de Brasília.

Ceagesp desabastecida por causa da paralisação dos caminhões.

Motoqueiros, de forma caótica (em São Paulo são milhares), se rebelam.

Escolas particulares pararam hoje é podem ter greve a partir de segunda.

Portuários e petroleiros ameaçam parar.

Seria o quadro perfeito para a esquerda dar a contra ofensiva.

Se “nosso líder” não estivesse preso.

O caos e a falta de liderança, este é meu temor, jogam a favor de uma saída pela direita.

Reparem que Temer se esvazia: Maia enterrou a privatização da Eletrobras numa canetada.

Mercados estão voláteis. Desemprego volta a crescer…

Não há interlocução na política.

Sobra o que?

Tenho até medo de pensar.

O povo dos caminhoneiros me garante que não há conspiração da parte deles.

O problema é o bolso.

Mas podem acontecer duas coisas a partir do caos.

Militares aproveitam para impor algum tipo de estado de emergência; centro direita aproveita para suspender a eleição de 2018, aprovando a toque de caixa uma emenda que já está pronta no Congresso.

Pode ser o que resta ao lado de lá.

Será que dá tempo?

Suspender eleição incluiria sacar Temer e eleger um presidente-tampão. Seria Rodrigo Maia o fiador?

Tendo a achar que não dá tempo.

Por isso eles queriam tanto fazer essa operação no ano passado, mas Temer resistiu…

Agora, talvez tenham de fazer sob o fogo das ruas.

Será que estou muito conspiratório?

Rodrigo Vianna
No Viomundo
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Israel não quer apurar violência contra palestinos e ministro manda UE 'para o inferno'

Infeliz com os pedidos da União Europeia (UE) para investigar a suposta brutalidade da polícia israelense contra palestinos contrários ao derramamento de sangue na fronteira de Gaza, o ministro da Energia de Israel, Yuval Steinitz, disse que a UE poderia "ir para mil infernos".


Steinitz estava dando uma entrevista a uma emissora de rádio local quando falou sobre a UE.

"Deixem eles irem para mil infernos", conforme citado pelo jornal israelense Haaretz.

Sua resposta seguiu o apelo da UE por uma "investigação rápida" sobre a violenta repressão policial de Israel contra os manifestantes em Haifa na última sexta-feira. Eles criticavam o Estado de Israel pelo alto número de mortos na fronteira com Gaza.

Os protestos resultaram em ferimentos graves de Jafar Farah, diretor da ONG Mossawa, de Haifa, que defende os direitos dos árabes-israelenses.

O ministro israelense disse que queria enviar "para o inferno a União Europeia, que na verdade não representa as nações europeias". Ele criticou a UE como "uma organização que ninguém lidera e é menos amigável com Israel do que os próprios Estados europeus".

A posição de Steinitz foi apoiada pelo ministro da Segurança Pública Gilad Erdan que, em resposta à demanda da UE por uma investigação rápida, disse que "Israel, como a única democracia no Oriente Médio, não precisa de advertências moralistas de um corpo tendencioso e obsessivo como a UE".

Na mesma entrevista, o ministro da Energia de Israel também criticou a UE por cimentar sua relação com o Irã e manter o acordo nuclear com o Irã.

Farah, cujo joelho havia sido quebrado em uma noite de protesto de sexta-feira, foi levado sob custódia junto com outros 20 ativistas.

"Quando fui levado à delegacia com meu filho, encontrei-o no chão coberto de sangue. Quando perguntei ao policial: ‘Quem lhe deu o direito de tratar meu filho dessa maneira?’, Sua resposta foi quebrar meu joelho", disse Farah em entrevista à Rádio do Exército.

"Em um país democrático, a perna de um manifestante detido não será quebrada", criticou o filho de Farah, Basileia, à mesma rádio.

O Ministério da Justiça israelense havia negado qualquer irregularidade policial após as manifestações de sexta-feira em Haifa. Na segunda-feira, o Departamento de Investigação Policial do Ministério da Justiça abriu uma investigação sobre alegações de brutalidade policial. Cerca de 21 ativistas dos mais de 200 presentes foram presos durante a marcha da noite de sexta-feira.

Os confrontos entre Israel e a UE têm precedentes. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, denunciou o recente derramamento de sangue em Gaza, onde centenas de manifestantes palestinos foram mortos e feridos em uma carta enviada ao Conselho Europeu.

A decisão dos EUA de mudar sua embaixada em Israel para a cidade disputada de Jerusalém levantou muitas sobrancelhas na UE, que alerta contra ela bem antes da abertura. O bloco alegou que esse movimento poderia colocar em risco o processo de paz na região.

A UE também confirmou sua posição "clara e consolidada" sobre Israel-Palestina, pedindo uma solução de dois estados baseada nas fronteiras de 1967, insistindo que Jerusalém deve ser a "capital de ambos [Estados]".

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Mensagem convocando paralisação de veículos em todo o país viraliza nas redes

“Vamos mostrar para essa cambada de políticos que não seremos palhaços engolindo esses aumentos abusivos de combustíveis. Vamos nos juntar aos caminhoneiros e parar o país”, diz o texto


Uma mensagem distribuída, nesta quarta-feira (23), em vários grupos de whatsapp, viralizou nas redes sociais. O texto convoca a população a promover uma paralisação de veículos em todo o país, em protesto contra os seguidos aumentos de combustíveis do governo Temer, o que causou um movimento grevista dos caminhões, espalhado pelo Brasil. A Fórum está tentando descobrir quem está enviando a mensagem. Acompanhe a mensagem:
Manifestação com paralisação de veículos em todo país!!!

Dia 24/05, quinta-feira, às 15 horas, pare onde estiver e saia de dentro de seu veículo, vamos fazer como a Alemanha fez e faz. Vamos mostrar para essa cambada de políticos que não seremos palhaços engolindo esses aumentos abusivos de combustíveis. Vamos nos juntar aos caminhoneiros nessa causa, e parar o país antes que tenhamos que parar de vez!!!! Repassem a todos os seus amigos e em todos os grupos !!!
QUINTA 24/05 ás 15:00
Repassem urgente !!!

No Fórum
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Bolsonaro é vaiado em sabatina de prefeitos e mediador é obrigado a intervir — assista


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MPF quer aumentar para 300 mil reais multa a Bolsonaro por ofender quilombolas

Segundo o órgão, o valor da multa, que deve refletir a gravidade do fato e a capacidade econômica do réu, não foi proporcional

Moradores do Quilombo Ivaporunduva, no Vale do Ribeira.
Foto: Du Amorim/A2FOTOGRAFIA
O  Ministério Público Federal pediu ao Tribunal Federal da 2ª Região que aumente o valor da multa ao deputado federal e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL/RJ), por declarações ofensivas a comunidades quilombolas. Em outubro do ano passado, a 26ª Vara Federal condenou o parlamentar a pagar 50 mil reais pelas declarações.

O MPF pediu, no entanto, que o valor seja aumentado para 300 mil reais, seis vezes mais do que a multa inicial. De acordo com o órgão, o valor da multa estabelecido pela Justiça, que deve refletir a gravidade do fato e a capacidade econômica do réu, não foi proporcional à conduta do parlamentar.

Na ação, a Procuradoria da República diz que Bolsonaro fez declarações contundentes contra quilombolas durante uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em abril do ano passado. O deputado disse que o “afrodescendente mais leve” de uma comunidade quilombola paulista “pesava sete arrobas” e completou dizendo que os quilombolas não faziam nada e nem para “procriar servem mais”.
Em palestra no Clube Hebraica, o presidenciável disse que o “afrodescendente mais leve” de uma comunidade quilombola paulista “pesava sete arrobas” e que nem para “procriar servem mais”
Além disso, na denúncia, o MPF diz que Bolsonaro afirmou: “Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado.”

O MPF destacou que Bolsonaro não demonstrou arrependimento pelas declarações, apesar de sua grande repercussão. Além do aumento do valor da multa, o TRF julgará um recurso da defesa, que alega que Bolsonaro tem imunidade parlamentar, e um recurso da Fundação Cultural Palmares, que pede maior indenização e honorários para a advocacia pública.

A multa, conforme estabelecido pela Justiça, deve ser paga ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, que é gerido por um conselho federal para reparar danos coletivos em áreas como meio ambiente e patrimônio histórico.
O MPF destacou que Bolsonaro não demonstrou arrependimento pelas declarações, apesar de sua grande repercussão
Além do processo civil, as declarações de Bolsonaro no Clube Hebraica deram origem a uma ação penal proposta em abril passado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, em razão da prerrogativa de foro. O deputado foi denunciado por racismo e discriminação contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros.

A assessoria de imprensa do deputado, por enquanto, não se pronunciou sobre a ação do MPF.

Vitor Abdala
No Socialista Morena
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FHC, o Fazendeiro – De Buritis (MG) a Botucatu (SP), saiba por que Jovelino Mineiro é o braço agrário da família Cardoso

Fazendas dos Cardoso estão registradas no mesmo endereço contábil, em Osasco, das empresas do pecuarista; ele foi sócio de Fernando Henrique e família na fazenda em Minas


A série de livros “Diários da Presidência” mostra Fernando Henrique Cardoso recebendo inúmeras vezes o casal Jovelino Carvalho Mineiro Filho e Maria do Carmo de Abreu Sodré. Ele os chama simplesmente de Nê e Carmo. Jovelino é mais do que um amigo. Antigo sócio de FHC na fazenda em Buritis (MG), vendida em 2003, ele também teve um protagonismo na escolha das propriedades rurais em Botucatu (SP) – parte delas desapropriadas, em abril, pela prefeitura.

Diários de FHC mostram intimidade
 com o pecuarista.
(Foto: Reprodução)
A intimidade é grande. No dia 02 de julho de 1995. FHC foi para a fazenda em Minas e encontrou “o Nê, nada de extraordinário”. Sempre conforme a narrativa do ex-presidente (ele não escreveu os depoimentos, gravou), ele descreveu um domingo tranquilo no primeiro dia de dezembro de 1996, após Jovelino Mineiro e Maria do Carmo dormirem no Palácio da Alvorada. “Passamos a manhã nadando um pouco, tudo muito plácido. Almoçamos só nós, a Ruth, eu, a Carmo, e o Nê”.

Jovelino Mineiro participou de várias reuniões políticas com o presidente da República. No dia 16 de agosto de 1996, foi jantar com ele na casa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (à época no PFL). “Bons vinhos, bom peixe”, narra FHC em seu diário. José Sarney puxou FHC em um canto para falar de reeleição. Em 1996, ele e Fernando Henrique receberam Emílio Odebrecht no Palácio da Alvorada: “FHC, o Fazendeiro – Empresa de Emílio Odebrecht e Jovelino Mineiro, Recepta Biopharma tem BNDESpar e Finep como sócias”.

DE ADMINISTRADOR DA FAZENDA A SÓCIO

De quebra, o pecuarista administrava a fazenda de criação de gado em Buritis, a Córrego da Ponte, inicialmente uma sociedade entre Fernando Henrique e o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta. “Eu não tenho, na verdade, nenhuma ingerência na fazenda”, dizia FHC em agosto de 1996. “Aquilo, hoje, é praticamente conduzido pelo Sérgio e pelo Jovelino”.

Jovelino Mineiro se confirma como eminência agrária de Fernando Henrique ao se tornar sócio da Agropecuária Córrego da Ponte, em 1998, após a morte de Sérgio Motta. A parte de Fernando Henrique foi transferida para Beatriz e Luciana, que se tornou administradora. A fazenda em Minas preocupava o presidente por causa das manifestações de sem-terra. Saiba mais: “FHC, o Fazendeiro – Em Buritis (MG), Fernando Henrique criou gado e despejou MST com Exército”.

A relação próxima entre o empresário e a família FHC começou em Paris. Formado em sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Jovelino Mineiro cursava o mestrado na Sorbonne quando se tornou amigo de Paulo Henrique Cardoso. Depois foi a vez do pai. O ex-presidente falou vagamente sobre o assunto ao Valor: “Ele assistiu umas aulas minhas na década de 1970, creio”.

FORTE ATUAÇÃO POLÍTICA, EMBORA FHC NEGUE

Essa reportagem do Valor é o perfil mais completo já publicado sobre o empresário, formado também em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), filho e neto de fazendeiros. Nos anos 80 ele foi assessor do governador Franco Montoro, mas decidiu retornar ao campo, quando a mulher Maria do Carmo herdou as terras do pai, Roberto de Abreu Sodré, ex-governador biônico de São Paulo.

Jovelino já foi vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira.
(Reprodução/YouTube)

Nessa mesma entrevista ao Valor, Fernando Henrique Cardoso disse que Jovelino Mineiro “funciona basicamente como líder rural”. “Tem mais uma atuação empresarial”. FHC despista: com forte representação no setor, o pecuarista conseguiu levar a Fundação FHC para o mesmo prédio da Sociedade Rural Brasileira: “FHC, o Fazendeiro – Fundação FHC fica no mesmo prédio – e não por acaso – que a Sociedade Rural Brasileira”.

Em 2013, Jovelino começou a costurar a aproximação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) com lideranças do agronegócio. Ele recebeu o presidenciável e empresários em sua casa. Em 2015, era um dos participantes de cerimônia, em Nova York, para os eleitos como “Homens do Ano” da American Chamber of Commerce. Os homenageados eram Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso.

MESMO ENDEREÇO PARA JOVELINO E FAMÍLIA FHC

Em 2012, em São Paulo, mesmo ano em que articulava as doações de empresários para a Fundação FHC, Jovelino Mineiro deu uma força na criação da Goytacazes Participações. inicialmente uma sociedade entre Fernando Henrique Cardoso e os três filhos, para atividades agropecuárias em Botucatu. O sociólogo entrou com somente 10% das cotas, mas como sócio-administrador.

O endereço da Goytacazes na Rua Deputado Emílio Carlos (números 690 e 708), em Osasco, é o da Contadata Contabilidade Ltda. Ela tem como clientes – entre outras empresas, como a Garoto e a Eurofarma – a Fundação Henrique Cardoso e a Fazendas Sant’Anna, de Jovelino Mineiro. A Rede Brasil Atual falou sobre a Goytacazes em 2015: “FHC tem agropecuária dentro de Osasco, cidade com área rural zero”.

FHC já foi dono das terras em Botucatu.
(Imagem: Reprodução)
É nesse mesmo endereço em Osasco que Jovelino Mineiro declara as empresas C&J Serviços Empresariais e Participações Ltda (C de Carmo, J de Jovelino), sociedade entre ele e Maria do Carmo Abreu Sodré, a Bemin Participações e a Ouro Preto Participações, ambas sociedades entre o pecuarista e o filho Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro.

O principal dono da Contadata Contabilidade, Manoel Luiz Luciano Vieira, foi secretário-interino da Secretaria de Estado da Cultura, em São Paulo, e diretor-superintendente da Fundação Padre Anchieta, a mantenedora da TV Cultura. Jovelino Mineiro foi do Conselho Curador da fundação.

ONDE SE LÊ OSASCO, LEIA-SE BOTUCATU

A Ouro Preto Participações é, juridicamente, a sócia do empreiteiro Emílio Odebrecht na empresa Recepta Biopharma: “FHC, o Fazendeiro – Sócios em empresa, Emílio Odebrecht e Jovelino Mineiro já foram representados em assembleia pelo advogado de FHC”. A C&J tem uma filial em Pardinho (SP) – a Fazenda Bela Vista, na Rodovia Castelo Branco, onde Fernando Henrique Cardoso passou o réveillon de 2001: “FHC, o Fazendeiro – Vinte anos atrás, Fernando Henrique vendia touros em Rancharia (SP), na fazenda de Jovelino Mineiro”.

É o mesmo nome da empresa de genética bovina Central Bela Vista, vendida em 2011 ao grupo belga-holandês CRV, há um ano com nova sede na vizinha Botucatu. Também em 2011 foi fundada a filial da C&J em Pardinho, a Fazenda Bela Vista. A sede da Central Bela Vista faz divisa com as fazendas da família Cardoso em Botucatu, em nome da Goytacazes Participações.

Fernando Henrique Cardoso não é mais sócio da Goytacazes, que possui um capital social de R$ 5,7 milhões. De Olho nos Ruralistas revela, de forma inédita, quais são essas fazendas de Beatriz, Luciana e Paulo Henrique Cardoso, que moram em outros municípios, mas arrendam as terras em Botucatu: “FHC, o Fazendeiro – Fazenda da família de Fernando Henrique em Botucatu (SP) é um canavial sem casa e sem cercas”.


Alceu Luís Castilho
No De Olho nos Ruralistas
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Vereador Fernando Holiday é condenado por comunicação falsa de crime

Ele
O vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM) foi condenado pela Justiça de São Paulo e terá que pagar uma indenização de R$ 20 mil por danos morais. Holiday praticou o crime de falsa acusação: ele denunciou um militante de esquerda, acusando-o de ter cometido um crime de lesão corporal contra um de seus assessores parlamentares, o que se mostrou falso, segundo a justiça.

"A sentença, proferida pela juíza Cláudia Thome Toni, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, foi publicada na segunda-feira (21) e diz respeito a um caso ocorrido no dia 21 de agosto do ano passado na Câmara dos Vereadores. Na ocasião, Holiday acusou o assistente social Damiso Ajamu da Silva Faustino de ter cuspido e agredido um de seus assessores parlamentares com uma cabeçada, na entrada de seu gabinete.

À época, o vereador afirmou que o incidente teria ocorrido após audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos na Câmara.No mesmo dia, Fernando Holiday denunciou o suposto fato aos guardas municipais da casa legislativa, que conduziram Faustino até uma delegacia, onde o parlamentar e seu assistente lavraram boletim de ocorrência acusando o assistente social de lesão corporal, que desde o início negou as alegações."
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Bloomberg: embaixada americana treinou a Lava Jato

Departamento do Tesouro ajudou a "achar" a lavagem de dinheiro



(...) Judiciários mais eficazes também ajudaram a mudar o placar do jogo: no Brasil, a intocável equipe formada por policiais federais, promotores e pelo juiz Sérgio Moro de Curitiba derrubou dezenas de líderes políticos e, agora, levou à cadeia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Colômbia, o procurador-geral Nestor Humberto Martinez abriu processos contra mais de 1.600 pessoas acusadas de corrupção - cerca de 500 são políticos. Na Guatemala, a procuradora-geral Thelma Aldana, trabalhando junto a uma agência anti-corrupção da ONU, descobriu um esquema de propinas de dezenas de milhões de dólares, o que levou à prisão o presidente, vice-presidente e vários outros políticos. No Peru, quatro ex-presidentes já foram sentenciados, presos ou estão foragidos por conta de corrupção e ataques contra os direitos humanos.

E tudo isso deve-se à enorme pressão da população. Em um ano em que dois terços dos latino-americanos irão às urnas para escolher o novo presidente, a corrupção é um elemento que os eleitores irão levar em consideração.

O governo dos Estados Unidos teve parte nesse "despertar" inicial. A agência USAID trabalhou com os governos da região para reformar e transformar seus sistemas jurídicos. O Departamento do Tesouro dos EUA dedicou recursos para rastrear dinheiro de corrupção que era transferido para contas americanas ou que passava pelo sistema bancário do país. Promotores do Departamento de Justiça trabalharam junto aos seus pares latino-americanos, especialmente no caso Odebrecht, que resultou em mais de U$ 2,6 em multas e na prisão de dezenas de políticos e empresários. (...)
Essa edição da revista Bloomberg, de 12 de abril de 2018, publica o revelador artigo sobre o papel central do Governo americano na formação, treinamento e operação dos membros da Operação Lava Jato.

Sobre a ligação do Departamento de Justiça americano com o Ministério Público do Dr. Janot já se sabia.

O Ministério Público Federal do Dr. Janot prestou informações e serviços ao Governo americano, em viagem a Washington, em colaboração explícita, SEM autorização prévia e indispensável do Poder Executivo.

Pegava o avião, ia lá, cuspia os feijões - e o Estado brasileiro, que se lixasse...

A entrevista do Dr. Cristiano Zanin, advogado de Lula, à TV Afiada demonstrou que a CIA entregou ao Judge Murrow, em prazo record, o grampo ilegal do diálogo da Presidenta Dilma com o Presidente Lula (isso, no Estados Unidos, levaria Murrow à cadeira elétrica) à Globo Overseas, empresa com sede na Holanda.

O Conversa Afiada reproduziu a conversa de um ministro russo com um ministro brasileiro: a CIA estava infiltrada na Lava Jato, desde o Banestado, com o objetivo de boicotar a exploração do pré-sal pela Petrobras.

(O Conversa Afiada informou também que a Presidenta Dilma, ao ouvir o relato, ignorou-o.)

É o que demonstra a Bloomberg - o Departamento do Tesouro abria o caminho da "lavagem".

A USAID opera dentro da Embaixada americana em Brasilia - usaid.gov/brazil - e, sabidamente, opera de mãos dadas com a CIA, mundo afora.

Também se sabe que o Judge Murrow faz visitas periódicas aos Estados Unidos, com escalas em agências do Governo americano.

Finalmente, a revista Bloomberg pertence ao Michael Bloomberg, que foi coroado Rei americano, naquela festa cafona no Museu de História Natural, em Nova York, onde o Judge Murrow mereceu sorrisos - e quem sabe, mimos? - do notório Dr. Willians.

Precisa desenhar, amigo navegante?

Em recente entrevista, o grande chanceler Celso Amorim mencionou esse papel central dos Estados Unidos no Golpe que derrubou a Presidenta Dilma (e se concluiu com a prisão do Presidente Lula).

O Pedro Malan Parente, que vende o pré-sal a preço de Vale do Rio Doce, quer dizer, de banana, faz parte dessa atividade lesa-pátria.

Parente, como se sabe, não passava de um "economista" de quinto escalão do FMI, onde cuidava de países reconhecidos só nos novos mapas da África.

De lá, foi promovido a jênio tucano por seus patronos Pedro Malan, Careca, o maior dos ladrões e o Príncipe da Privataria, o maior de todos os traidores da pátria.

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Guilherme Boulos em entrevista a jornalistas imbecis de emissora de rádio fascista


A porcaria da Rádio Jovem Pan continua sua série de sabatinas com os presidenciáveis. Hoje foi a vez de Guilherme Boulos, pré-candidato à presidência pelo PSOL. Divagação preambular:

Eu, realmente, não consigo entender como não existe uma boicote geral ou quase geral de candidatos a essa emissora que é um poço sem fundo de profissionais desrespeitosos, hostis, levianos, violentos, propagadores de discursos de ódio e desavergonhadamente parciais no trato com certos candidatos e questões. Ofendem, interrompem e agridem a esmo. Um horror que, como disse, é bastante representativo da mentalidade e comportamento políticos paulistanos nos últimos anos.

Mas, vá lá. Está acontecendo, presidenciáveis estão marcando presença, milhares estão comentando no Twitter, então, à performance de Boulos.

Apesar da convocação a uma batalha campal de entrevistadores declaradamente inimigos do sujeito, Guilherme Boulos manteve a calma e, admiravelmente, conseguiu adotar um tom de serenidade na fala sem descuidar da contundência na manifestação de suas ideias e posições que são destrinchadas com uma boa, coerente e coordenada retórica de esquerda. Não adotou um comportamento bovino, como surpreendentemente adotou Jair Bolsonaro ontem, e sim adotou a estratégia de driblar as investidas que tentavam dragá-lo para um roda de linchamento de um contra uma multidão, conseguindo mostrar substância – ao contrário, obviamente, do presidenciável de ontem – no trato com temas relativos a habitação, reforma agrária, agricultura familiar, política de ajuste fiscal, desonerações para empresas, déficit público e política internacional.

Surpreendemente, até no que diz respeito às investidas dos entrevistadores em jogá-lo na vala comum do “todo malévolo PT”, ao tratarem de temas sensíveis e profundamente ideologizados, como Lula e casos de corrupção do Partido dos Trabalhadores, o pré-candidato se saiu bem. Em dado momento, em um dos tantos embates com a figura repugnante e leviana de Marco Antônio Villa, o historiador tentou, feito um garoto de 15 anos que fala de política no Twitter e acredita que éramos um regime boliavariano com sede no Foro de São Paulo antes de Temer, vincular levianamente Boulos ao PT perguntando: “O PT é corrupto?”.

Conseguiu bem responder, com fatos e menções a outros políticos e partidos - PSDB, por exemplo - afirmando sobre como as mesmas estruturas e agentes públicos e privados habitam e fazem girar a roda do sistema político da mesma forma, há muito, em diferentes governos. De FHC a Lula, com o exemplo extraído de declarações em delações premiadas de como os esquemas envolvendo a Petrobrás têm origem nos governos de Fernando Henrique O interessante, estrategicamente, é que Boulos parece demonstrar que sabe que sempre que esses entrevistadores tem de lidar com as contradições das dicotomias que criaram para isolar PT e criar o inimigo público a ser abatido, a cognição trava e ele pode explorar.

Mas o mais interessante, que ilustra bem um bom domínio retórico, calma e esclarecimento do pré-candidato, se deu quando essa atrocidade moral e intelectual, Marco Antonio Villa, tentou lhe atribuir, como sempre faz em seu programa, a pecha de terrorista por incentivar e coordenar mobilizações que bloqueiam ruas e provocam transtornos a outros. Habilidosamente, respondeu com pergunta, pois sabe que a postura religosa do pró-Deus-Mercado da Jovem Pan impede que seus jornalistas abominem caminhoneiros que protestam, obstruem, mas carregam insumos e produtos de ou para grandes produtores rurais: “Você é contra o bloqueio feito por caminhoneiros? É contra o protesto que motoboys fizeram na Avenida Paulista em razão da alta no preço dos combustíveis?”

Marco Antonio Villa, que achava que ia encurralar, mais uma vez, acabou encurralado. Titubeou sobre a pergunta, disse que achava o protesto legítimo, mas, timidamente, em baixíssimo decibéis, afirmou que discordava de sua forma. Abriu as portas para que Boulos dizesse que, tão legítimo como o protesto dos caminhoneiros, são os protesto por melhor moradia ou falta de terra – questão que teve que ser adimtida como legítima e necessária por toda a bancada de entrevistadores. Desse modo, Boulos arremata que são as causas que devem ser consideradas e a alteridade deve ser praticada, afinal, por trás desses protestos, há pessoas, há carências, há problemas e desafios que devem ser considerados e resolvidos por um presidente.

Bom, até com Lula a coisa funcionou de forma parecida. “Lula é corrupto?? Não foi condenado?”. Entrevistador responde: “Há um conjunto de documentos…”. Ele: “Documentos? Papéis?? Cadê as provas”. Entrevistador: “Mas…”. “Responde. A prova. Não papéis. A prova, onde está?”. Entrevistador, que por sinal é Marco Antônio Villa, de novo: “….”. E isso abriu o leque para que ele comparasse o caso de Lula com tanto outros com provas de somas no exterior, assessor carregando malas de dinheiro, etc.”

No que tange às investidas de vinculação do sujeito a regimes de esquerda latino-americanos profundamente marcados pelo jornalismo anti-esquerda e anti-petista, Boulos também se saiu bem. Fez considerações críticas à Venezuela e a Cuba aproximando seus problemas a problemas correlatos no Brasil que são ignorados pelos entrevistadores.

Enfim, na arena sórdida da atrocidade hidrófoba e enviesada da porcaria que é a Rádio Jovem Pan, Guilherme Boulos demonstrou ser um cara equilibrado, sereno e bem informado que tem chances de grandes de ganhar muitos dividendos eleitorais para investidas futuras se mantiver essa postura. Isso porque consegue não apenas se impor com certa elegância, sem usar a truculência ou intransigência, preservando seu tempo de fala, como consegue driblar tentativas de lhe vincularem a “estereótipos esquerdistas” com bons argumentos e estratégias retóricos que expõem contradições dessas investidas.

Consegue se defender bem das artimanhas antipetistas e posicionar sua candidatura individualmente sustentando bem uma agenda de esquerda. Sob o ponto de vista mediático, se conseguiu passar pela estupidez, hostilidade pueril e violência que transformou em pó Jair Bolsonaro ontem, tem condições de colecionar boas performances adiante.

Camilo De Oliveira Aggio
No Esquerda Caviar

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Como a mídia usou o fakenews para beneficiar a máfia do lixo

Fato 1 – o consórcio SOMA

SOMA (Soluções de Meio Ambiente) é um consórcio criado em 2011 para participar da licitação do lixo na cidade de São Paulo. Inicialmente, era integrado pelas empresas Delta Construções, Cavo Serviços e Saneamento e Corpus Saneamento e Obras. Em 2012 a Delta deixou o consórcio e a Cavo ampliou sua participação para 82%, deixando a Corpus com 18%.


Ao lado dos transportes urbanos, o lixo costuma ser a parte mais barra-pesada dos serviços públicos.

Em março deste ano, com a Operação Descarte a Polícia Federal desvendou um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro com envolvimento da SOMA. Agentes da Polícia Federal e da Receita fizeram busca e apreensão na sede da empresa e o material recolhido está sob análise. A operação foi deflagrada a partir da delação do doleiro Alberto Yousseff.

Segundo informou o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, desde que ganhou a licitação do lixo a SOMA já havia faturado R$ 1,1 bilhão do contrato com a prefeitura de São Paulo. Desse total, a Operação estimava que R$ 200 milhões foram lavados com o esquema. Foi considerada a maior operadora do sistema.

Fato 2 – as PPPs de Dória e Covas

No seu curto período à frente da prefeitura, João Dória Júnior tentou emplacar uma PPP (Parceria Público Privada) da iluminação e acabou se enrolando em suspeitas, ao vetar a empresa que ofereceu o menor preço.

Depois, se voltou para o lixo. O edital era claramente direcionado. Exigia experiência prévia de 36 meses. Essa exigência significaria que a empresa precisaria ter varrido 939,3 mil quilômetros de ruas para ser considerada apta a competir. Além disso, a licitação seria presencial, com a cidade dividida em apenas dois lotes.

A licitação foi barrada pelo Tribunal de Contas do Município, devido à baixa competitividade, a modelagem contratual e a insuficiente fiscalização da execução contratual pela administração, conforme afirmou o conselheiro João Antonio, em seu voto. O TCM propunha pregão eletrônico, com no mínimo cinco lotes a serem disputados. Afinal, são licitações de baixa complexidade, já que os insumos são apenas mão de obra e caminhões.

A Selur (Sindicato das Empresas de Limpeza) apelou e uma decisão liminar foi tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo suspendendo a licitação.

Na gestão Gilberto Kassab, dividiu-se a cidade em apenas dois lotes, para efeito de varrição. No governo Haddad, o Secretário de Obras Simão Pedro encomendou um estudo técnico para saber qual o modelo mais eficiente, dois lotes ou cinco lotes, como era antes. Constatou-se que, com dois lotes, os contratos ficaram 82% mais caros.

Em 2011, antes da licitação de Kassab, a varrição custou R$ 576 milhões.  Em 2012 saltou para R$ 730 milhões. Em 2017, custou R$ 1,1 bilhão ao município.

Os estudos do TCM constataram que “os valores pagos por kg de resíduo coletado dos contratos com dois lotes são notavelmente mais caros que os dos contratos com cinco lotes (decorrentes das licitações de 2005).

Doria saiu da prefeitura sem concretizar a licitação. Seu sucessor, Bruno Covas resolveu retomar. Antes disso, em setembro de 2017, como Secretário das Prefeituras Regionais, Covas assinou uma portaria relaxando a fiscalização dos serviços de varrição. Havia 71 agentes incumbidos de fiscalizar os serviços. Com a portaria, eles foram incumbidos de tratar outras centenas de infrações menores, como problemas de alvarás e desníveis de calçadas.

Fato 3 – o caso Chalita a tabelinha mídia-Ministério Público

Na estreia da Agência Xeque, mostramos como o Estadão e a Veja se valeram de fakenews para crucificar o ex-Secretário Gabriel Chalita. Um procurador do Ministério Público Estadual, Nadir de Campos Júnior, denunciou Chalita por supostamente ter recebido favores de fornecedores do estado. Veja usou até um photoshop para manipular foto de Chalita com o delator. O Estadão entrou atrás avalizando todas as denúncias. Ao todo, foram abertos 11 inquéritos contra Chalita e o então Procurador Geral da República Roberto Gurgel encaminhou a denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Passou em branco denúncia de um ex-diretor de Tecnologia da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) de que foi procurado por Walter Feldman, a mando de José Serra, oferecendo R$ 500 mil para que endossasse as acusações.

Todos os inquéritos foram arquivados. Tempos depois, o procurador foi denunciado criminalmente por falsificação de documento particular e uso de documento falso, visando fraudar as eleições para a Associação Paulista do Ministério Público.

Mas a carreira de Chalita já estava irremediavelmente comprometida.

Fato 4 – o fakenews do Estadão

Agora se repete o jogo.

O promotor Marcelo Milani abriu um inquérito para apurar acusação de que o presidente do TCM, João Antônio, principal opositor da licitação do lixo, teria pedido propina de R$ 30 milhões.

Segundo o Estadão,  “o inquérito tem como base um depoimento, dado por testemunha protegida. Seu termo de declarações afirma que representantes de empresas do setor “receberam funcionário do TCM cuja identidade desconhecem, pedindo para pagamento a quantia de R$ 30 milhões a ser em tese revertida em prol do relator João Antônio”, sem mais detalhes do pedido”.

Confiram:

Uma testemunha protegida (ou seja, anônima), diz que representantes de empresas do setor (não se sabe quem), receberam funcionário do TCM, “cuja identidade desconhecem”, pedindo a quantia para “em tese” ser revertida para João Antônio.

O promotor Marcelo Milano já havia sido denunciado pelo ex-prefeito Haddad por supostamente ter achacado, pedindo R$ 1 milhão para não entrar com ações judicial relacionado à Arena Corinthians.

Em junho do ano passado, Haddad informou à imprensa ter fornecido à Corregedoria do MPE elementos que permitiam apurar os fatos relacionados ao suposto achaque. Até hoje não se conhecem os resultados da investigação.

Fato 5 – os resultados do fakenews

O quebra-cabeças tem, portanto, os seguintes personagens:
  1. Uma empresa, a SOMA, envolvida em diversas denúncias de corrupção, enrolada com as delações da Lava Jato e com lavagem de dinheiro. Inclusive com varias dessas denúncias sendo publicadas no Estadão.
  2. Um ex-prefeito, João Dória Júnior, que impediu que a empresa que oferecesse o menor preço vencesse a licitação para iluminação pública.
  3. Seu sucessor, Bruno Covas, acusado de ter afrouxado a fiscalização sobre as empresas de lixo.
  4. Um procurador acusado de ter achacado uma empreiteira.
  5. Um político, João Antônio, presidente do TCM, egresso das comunidades eclesiais de base, que fez uma carreira política com diversos mandatos de vereador e deputado estadual, sem uma denúncia sequer.
Assim como no episódio Chalita, o Estadão acolheu a denúncia e publicou-a na primeira página. Com a denúncia plantada, a intenção dos autores é permitir uma nova prorrogação dos contratos de lixo. Em fins do ano passado foi feita a primeira prorrogação, por seis meses. Significou R$ 550 milhões para as duas empresas. Com mais 6 meses de prorrogação, elas conseguirão outro tanto.

Há um jabuti no alto da árvore majestosa do Estadão. Quem o colocou lá?

Luís Nassif
No GGN | agência Xeque
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A estratégia do PT

Manter a candidatura de Lula é o desejo do imenso contingente de eleitores simpatizantes ou militantes do partido

Seguindo a orientação do ex-presidente Lula, o PT adotou uma estratégia para a eleição presidencial que tudo indica ser correta.

As reações nervosas da direita e daqueles que ainda sonham se construir como candidatos sugerem que foi uma boa decisão.

Manter a candidatura de Lula é duplamente acertado. De um lado, significa apostar na legalidade e ver aonde isso nos leva. De outro, demonstra o respeito que Lula e o PT tem por seu ativo fundamental, a vasta parcela da população que representam.

O PT tem o direito de escolher Lula como candidato e solicitar o registro da candidatura. É igualmente seu direito aguardar o pronunciamento da Justiça Eleitoral, praticando os atos de campanha estabelecidos na legislação. E também seu direito receber da Justiça tratamento isonômico e sem jogadinhas de tapetão.

A caçada contra Lula e o PT, executada pelo Judiciário, o Ministério Público e a mídia conservadora, utiliza-se da legalidade formal como escudo e fonte de legitimidade. Busca revestir seus atos de força com um verniz de legalismo, para fins de propaganda externa e para fornecer argumentos àqueles que os apoiam na sociedade.

Não que essa aparência seja indispensável, como ficou evidente no episódio das escutas clandestinas de conversas telefônicas da presidenta da República.

Embora flagrantemente ilegais, foram divulgadas por Sérgio Moro em momento de efervescência política, mandando às favas qualquer simulacro de legalidade (diga-se de passagem, sem que nunca seus “superiores” lhe tenham cobrado tal comportamento). Mas tentar preservar a fachada sempre foi a regra.

Assim ocorreu na encenação do impeachment de Dilma Rousseff, na condenação de Lula por Moro, no patético espetáculo dos três juízes do Tribunal de Recursos e na prisão do ex-presidente. Tudo querendo provar que “A Lei é para todos”, enquanto as evidências em contrário pululam.

Manter a candidatura de Lula não é ter falsas expectativas a respeito do apego às leis dos donos do poder. Ninguém, dentro ou fora do PT, se ilude: farão qualquer coisa para evitar a vitória de Lula. Se tiverem de sujar as mãos, vão sujá-las.

Que pretextos inventarão para negar o registro da candidatura? Farão a mágica de recusar um requerimento antes que seja feito? Vão fabricar uma legislação específica para ele, negando-lhe direitos acessíveis a centenas de outros? Será Lula o primeiro candidato proibido de fazer campanha, depois de devidamente registrado e antes da decisão definitiva a respeito da postulação? E se acharem que não há alternativa, irão até o adiamento ou cancelamento da eleição?

Só há uma maneira de descobrir quão longe na ilegalidade nossas elites se dispõem a avançar: obrigando-as a ir lá.

Evitando que permaneçam em sua zona de conforto, brincando de boas meninas, respeitadoras das leis.

Forçando-as a revelar-se naquilo que são e expondo-as perante a sociedade e a comunidade internacional.

O mito da “justiça moral” na guerra contra Lula e o PT sustenta-se em terreno cada vez mais frágil.

Em outubro de 2017, 57% dos entrevistados em pesquisa CUT/Vox consideravam “justa” a condenação de Lula e 27% diziam que era “injusta”.

Em abril, a diferença entre os dois grupos havia desaparecido.

Em seis meses, a vantagem dos primeiros em relação aos segundos, que estava em 30 pontos percentuais tornara-se zero.

E nos próximos cinco, de agora até a eleição, a que tamanho chegará?

Que nível alcançará o apoio cadente ao lavajatismo, quando novas truculências jurídicas contra Lula e o PT forem perpetradas?

Lula e o PT estão certos na estratégia por uma segunda razão: manter a candidatura do ex-presidente é o desejo do imenso contingente de eleitores que militam, se identificam ou simpatizam com o partido. As estimativas variam, mas ninguém duvida que falamos de mais de 30 milhões de cidadãos, talvez mais de 40 milhões.

Elas querem votar em Lula, não concordam com as alegações que fazem contra ele, não consideram que haja prova das acusações, rejeitam a parcialidade da Justiça e avaliam que o processo, a condenação e a prisão foram políticas.

São pessoas que não entenderiam se seu partido optasse agora por substituí-lo como candidato ou fugisse da disputa eleitoral, indo esconder-se em uma candidatura a vice-presidente.

E porque significa o respeito a esses milhões de eleitores, um ativo único em nossa história, que a estratégia defendida por Lula e o PT mais se justifica.

Não deixa de ser engraçado: políticos que nunca venceram uma eleição nacional e a imprensa dos patrões dando-se a liberdade de criticar o caminho que Lula escolheu.

Devem achar que conhecem o povo melhor que ele.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Como a organização criminosa de Cabral reproduziu esquema do Rio em Minas amparada na lei criada por Aécio

Foto: Lula Marques
Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2003.

Em ritmo alucinante e com celeridade máxima, menos de um ano depois da posse como o 36º governador de Minas Gerais (1°/1/2003), Aécio Neves assina a lei que mais defendeu, símbolo maior de sua promessa de choque de gestão e modernidade. É a Lei Estadual nº 14.868, estabelecendo e normatizando as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

A pressa de Aécio Neves em abrir caminhos, normatizando e viabilizando uma participação do setor privado muito mais expressiva fez o ato ser absolutamente pioneiro no país: a Minas Gerais de Aécio foi assim o primeiro estado da federação a ter uma lei de PPPs. Antecipando-se inclusive à União, já que o Brasil só teria a sua regra de PPPs estabelecida um ano depois, com a Lei n° 11.079, em 30 de novembro de 2004.

O então governador sempre gostou de ostentar a paternidade do pioneirismo das PPPs. Em artigo na Folha de São Paulo de 27 de novembro de 2005, Aécio exibia a cria orgulhoso: “Aliás, a lei das PPPs de Minas, assinada em dezembro de 2003, foi o primeiro instrumento dessa natureza no país. Essa postura de vanguarda do Estado despertou o interesse do BID, que disponibilizou recursos a fundo perdido para a Unidade PPP de Minas desenvolver projetos-piloto, para criar mecanismos de garantias e difundir esse modelo de parcerias”.

Obras em profusão ganharam as Minas Gerais. Parcerias com empreiteras se multiplicavam no setor rodoviário, no saneamento básico, no sistema prisional, construção e gestão de campus da Universidade Estadual de Minas Gerais e um novo centro administrativo.

Mas não só. As PPPs eram o caminho para muito mais. A peça de propaganda do governo sobre as PPPs traçava o destino que seria alcançado através das parcerias: “Tornar Minas Gerais o melhor estado para se viver”. As PPPs eram caminho seguro para se “promover o desenvolvimento econômico e social em bases sustentáveis” e assim chegar “a melhora do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”.

A propaganda é clara: as PPPs eram o pilar da modernidade dos novos tempos.


No dia 1º de janeiro de 2007, é a vez de um amigo de quatro décadas de Aécio chegar ao poder em outra poderosa unidade da federação. Muito próximo ao mineiro desde os anos 80, quando militavam juntos na “juventude peemedebista”, Sérgio Cabral chegou a se casar com Susana Neves, prima do amigo. E adentrava o Palácio Guanabara para comandar o estado do Rio.

Assim como o amigo de fé, Sérgio Cabral não demorou nem um ano para aproveitar o caminho aberto por Aécio e instituir e tornar as PPPs como a base de sua gestão. Em 2008, PPPs já eram a marca do seu governo. Consórcios formados em tempo recorde geriam todo o atendimento ao público. Obras se sucediam.

Na chuva de PPPs que alagava Rio e Minas ao mesmo tempo, uma teia com várias pontas em comum unia de novo os amigos de longa data Sérgio Cabral e Aécio Neves.

O vento que no Rio soprava ia bater em Minas. E vice-versa. Levando com ele empresas, empresários e nomes que formavam laços comuns aos dois. Partes fundamentais, como aponta o Ministério Público Federal, na “organização criminosa comandada por Sérgio Cabral para praticar atos de corrupção e lavagem”. Presentes também em Minas.

Na prática, algumas PPPs, cantadas em verso e prosa como símbolo do pioneirismo de Aécio e pilar da modernidade de sua excelência em gestão, foram o gene estrutural de organizações criminosas.

A mais notória interseção entre a dupla é entre os consórcios que exploraram os programas de atendimento ao público nos estados governados pela dupla. Chamado de “Rio Poupa Tempo” no Rio e de “Uai” (Unidade de Atendimento Integrado) em Minas.

A mais notória interseção entre a dupla é entre os consórcios que exploraram os programas de atendimento ao público nos estados governados pela dupla. Chamado de “Rio Poupa Tempo” no Rio e de “Uai” (Unidade de Atendimento Integrado) em Minas.

O “Rio Poupa Tempo” foi lançado por Sérgio Cabral em 2008. Já o “UAI” é de 2010.

Aécio Neves deixou o governo mineiro em 31 de março de 2010 para concorrer ao senado. Deixou tudo pronto para apenas um mês depois, o sucessor, Antônio Anastasia, atual senador (PSDB-MG), lançar no 1º de maio, dentro do plano de “Parceria Público Privada (PPP), a consulta pública para inclusão, implantação, gestão e manutenção das UAI nos municípios de Betim, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Varginha e Uberlândia. A minuta do edital é aprovada em 18 de maio de 2010 e a publicação é feita do Edital 01/2010 é feita em 1º de junho de 2010.

No dia 22 de outubro de 2010, é anunciado o Consórcio Minas Cidadão Centrais de Atendimento como vencedor. Valor do contrato: R$ 310.121.048,00 (trezentos e dez milhões, cento e vinte um mil e quarenta e oito reais). Das cinco empresas que formaram o Consórcio Agiliza, gestor do “Poupa Tempo” no Rio com Cabral, três estão presentes na formação do vencedor da disputa mineira.

O “Agiliza” aparece denunciado em operações de desdobramentos da Lava Jato no Rio.

As cinco empresas que formaram o Agiliza, consórcio vencedor com Sérgio Cabral:

Shopping do Cidadão Serviços de Informática, CEI Shopping Centers, Gelpar Empreendimentos e Participações, B2BR- Business to Business Informática do Brasil e Prol Soluções.


As três empresas que estão em comum nos dois consórcios:

Shopping do Cidadão Serviços de Informática

Gelpar Empreendimentos e Participações

B2BR- Business to Business Informática do Brasil

(Reportagem segue depois dos documentos abaixo)

Dessas três empresas em comum que compuseram o Consórcio Agiliza (RJ) e o Minas Cidadão Centrais de Atendimento, uma em particular desponta como elo maior entre Aécio Neves e Sérgio Cabral: a Gelpar Empreendimentos e Participações.

A Gelpar pertence a Geoge Sadala, integrante da “Turma do Guardanapo”, preso na “Operação C’est Fini”, em 23 novembro de 2017 e solto alguns dias depois, em 13 de dezembro. Na denúncia do MPF-RJ, Sadala é citado pelo “vertiginoso aumento dos bens e direitos declarados, saltando de R$ 1.414.369,57, em 2007, para R$ 35.662.925,49, em 2016” na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, de quem é apontado como “operador financeiro dentro da organização criminosa comandada”.

As conexões entre pessoas comuns a Aécio Neves e Sérgio Cabral nos esquemas “Poupa Tempo” e “UAI” não ficam apenas em George Sadala.

De acordo com os documentos obtidos pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo através da Lei de Acesso à Informação do Estado de Minas Gerais, há um outro nome com notórios vínculos no círculo de Aécio, Cabral e Sadala.

Na Ata de Assembleia de Constituição do Minas Cidadão Centrais de Atendimento, de 30 de novembro de 2010, aparece José Luiz Volpini Mattos como diretor financeiro do consórcio. Que é sócio de Alexandre Accioly na Quatro/A Participações, controladora, entre outras, da academia Bodytech.

Na Ata de Assembleia de Constituição do Minas Cidadão Centrais de Atendimento, de 30 de novembro de 2010, aparece José Luiz Volpini Mattos como diretor financeiro do consórcio. Que é sócio de Alexandre Accioly na Quatro/A Participações, controladora, entre outras, da academia Bodytech.

Alexandre Accioly é compadre de Aécio Neves e do círculo mais íntimo do atual senador.


O dono da Bodytech foi citado pelo ex-diretor da área de energia da Odebrecht, Henrique Serrado do Prado Valladares, como intermediário de propinas pagas a Aécio Neves. De acordo com a delação, o pagamento teria ocorrido em troca de apoio ao consórcio da Odebrecht com a Andrade Gutierrez que disputou o leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Segundo ele, uma das parcelas do pagamento teria sido transferida a conta associada a Accioly e registrada em Cingapura, no Sudeste Asiático.

Pelas delações de Valladares e também de Marcelo Odebrecht, o apoio de Aécio Neves ao consórcio valeu R$ 50 milhões, sendo que R$ 30 milhões teriam ficado a cargo da Odebrecht e R$ 20 milhões da Andrade Gutierrez. Em dezembro, Accioly confirmou o repasse, mas negou se tratar de propina, e sim investimento da Andrade Gutierrez na rede de academias. A empreiteira negou qualquer participação na rede de academias.

Em 2007, George Sadala, ainda iniciando seu processo vertiginoso de enriquecimento, foi o anfitrião de casamento de alto luxo na Candelária e festa no Copacabana Palace. Aécio Neves e Alexandre Accioly foram padrinhos. Cabral estava na primeira fila, como conta reportagem da Revista Caras daquele mês. E representado no altar pelo filho, pajem junto com o primogênito de Accioly. (na foto abaixo, George Sadala é a interseção entre Aécio e Cabral. Da esquerda para a direita: Aécio Neves, a ex Andréa Falcão, George Sadala, Adriana Ancelmo e Sérgio Cabral)


De acordo com denúncia do MPF-RJ, Alexandre Accioly “está envolvido em operações suspeitas com George Sadala”, dupla que, para a instituição, tem “estranhos vínculos patrimoniais”, citando ainda “operações imobiliárias suspeitas e empréstimo não justificado”.

OUTRO LADO:

Aécio Neves:

A reportagem enviou questões referentes aos eventuais vínculos do senador Aécio Neves no Consórcio Minas Cidadão Centrais de Atendimento, que, através da assessoria de imprensa, enviou a resposta abaixo:

R- “A implantação das unidades UAI em Minas, por meio de PPP, não foi centralizada em uma única licitação, não tendo havido, portanto, uma “empresa vencedora de licitação para a PPP nos projetos do UAI, em MG”, como afirma a pergunta enviada. O projeto foi implantado em diferentes fases com processos de concorrência realizados separadamente.
A licitação vencida pelo consórcio Minas Cidadão Centrais de Atendimento S/A, que tinha entre seus integrantes o sr. José Luiz Volpini Mattos, teve edital lançado em 01/06/2010. Portanto, período posterior à gestão do governador Aécio Neves.

É importante registrar que os contratos firmados pelo Estado tiveram o aval do Banco Mundial e incluíram cláusula de verificação por auditoria externa, tendo ainda os editais de licitação sido submetidos ao Ministério Público”.

Alexandre Accioly:
A reportagem enviou questões para o empresário através da assessoria de imprensa referentes ao tema acima e recebeu como resposta:

R- “Não haverá resposta aos seus questionamentos”.

Antônio Anastasia:

R- A reportagem enviou questões ao senador do PSDB-MG e governador na época da PPP através da assessoria de imprensa referentes ao tema acima e não recebeu resposta.

José Luiz Volpini:

A reportagem tentou contato, sem sucesso. Caso venha a ser feito contato, será publicada a resposta.

George Sadala:

A reportagem não conseguiu contato com George Sadala. Caso venha a ser feito contato, será publicada a resposta.

Lúcio de Castro
No SportLight
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Freios e contrapesos

Platão, discípulo de Sócrates, viveu em Atenas, na Grécia Antiga, entre 428 e 347 a.C. Tido como o pai da filosofia ocidental, dedicou a vida ao estudo da verdade, coragem e virtude. Para muitos, suas especulações mais impactantes foram as devotadas à boa administração do Estado.

Descontente com a democracia ateniense, a qual considerava responsável pela condenação de Sócrates à morte, considerava-a dominada por massas anárquicas que estimulavam a desordem e a licenciosidade. Identificou-a com uma nau cujos marinheiros depuseram o capitão, passando a pilotá-la sem dominar a arte de navegar.

Propôs, então, que os governos fossem exercidos por reis-filósofos, mais bem preparados intelectualmente para deliberar acerca dos interesses da coletividade.

Centúrias depois, o pensador francês Montesquieu (1689-1755) concebeu, no século 18 de nossa era, a teoria da separação dos Poderes, segundo a qual o Estado, para impedir a concentração da autoridade em uma só pessoa ou assembleia, dando azo ao despotismo, deveria exercer suas três funções clássicas, a legislativa, administrativa e judiciária, por meio de órgãos distintos, que se controlariam reciprocamente.

Tal sistema foi abrigado na Constituição dos Estados Unidos de 1787, passando a ser conhecido como mecanismo de freios e contrapesos.

Nossas Cartas republicanas, salvo as editadas nos períodos de exceção, adotaram esse paradigma, assim como a hoje vigente, que estabelece: "são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário".

Apesar disso, seja por não lograrem os consensos necessários, seja por outras razões que exigem análise mais aprofundada, Legislativo e Executivo têm deixado para o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal, a solução de questões que, pela relevância, melhor seriam resolvidas por aqueles Poderes, após ampla discussão com a sociedade.

A Suprema Corte, para o bem ou para o mal, recentemente foi levada a decidir sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos; a autorização de pesquisas com células-tronco embrionárias humanas; a proibição do financiamento empresarial de campanhas eleitorais; a vedação de greve no serviço público; a legitimidade das cotas raciais no ensino estatal; a extensão dos direitos da união estável de casais heterossexuais aos parceiros homoafetivos; o estabelecimento de um marco temporal para a delimitação de terras tradicionalmente ocupadas por indígenas; a retroação dos efeitos da denominada "Lei da Ficha Limpa"; a possibilidade da mudança de nome das pessoas transgênero; a restrição da garantia da presunção de inocência; a limitação do habeas corpus; e o fim do foro especial para os parlamentares.

Certos observadores mais comedidos entendem que os juízes, ao apreciarem temas de tal envergadura, estariam apenas preenchendo, embora de forma heterodoxa, um momentâneo vácuo de poder.

Outros mais irreverentes identificam-nos com os reis-filósofos preconizados por Platão. Todos, no entanto, são unânimes em afirmar que, por mais bem-intencionados que sejam, não lhes é lícito alterar, pela via interpretativa, o sentido da Constituição e das leis que juraram defender.

Por isso muitos pugnam pela integral restauração do mecanismo de freios e contrapesos, que tradicionalmente integra nosso regramento constitucional, temendo que algum desavisado cogite da dissolução do Legislativo e Executivo ou, até mesmo, da abolição das eleições.

Ricardo Lewandowski, Professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e ministro do Supremo Tribunal Federal
No fAlha
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Procurador do Rio publica mentiras sobre jornalistas para atacar ‘fact-checking’

Para atacar agências de checagem que combatem notícias falsas, Marcelo Rocha Monteiro publicou mentiras sobre parceria de jornalista com Facebook

Monteiro (de camisa xadrez) com vereador Fernando Holiday (DEM) e Kim Kataguiri, ambos do MBL
Foto: Facebook
O procurador Marcelo Rocha Monteiro, do Ministério Público do Rio de Janeiro, publicou mentiras sobre jornalistas para atacar agências que se dedicam a combater as notícias falsas na internet. Contrário a uma parceria firmada entre o Facebook e as agências de “fact-checking” (checagem de fatos) Lupa e Aos Fatos com o objetivo de conter a propagação de “fake news”, o procurador espalhou ele próprio notícias falsas sobre o jornalista Leonardo Sakamoto, presidente da Repórter Brasil e colunista do UOL.

Em uma das postagens mais recentes, Monteiro se refere a Leonardo Sakamoto como um “jornalista de extrema-esquerda”, “contratado pela rede social [Facebook] para fazer checagem de fatos” em meio à “tentativa de censura a liberais e conservadores”.  Ao contrário do que afirma o procurador, contudo, Sakamoto não tem qualquer relação com a parceria entre as agências e o Facebook – e, inclusive, é contrário a ideia de que a corporações tenham poder de determinar o que é verdadeiro ou falso nas redes.

mentira procurador rio marcelo rocha monteiro

Notícias falsas compartilhadas pelo procurador colocam Sakamoto como dono da Agência Pública, que faria parte da parceria de checagem de fatos com o Facebook. De novo, as informações são mentirosas: Sakamoto não é dono da Pública, que, por sua vez, nada tem a ver com a parceria das agências de checagem com o Facebook.

Em outra postagem, o procurador volta a misturar Sakamoto e a Agência Pública, para afirmar que “a autodenominada ‘agência de checagem de fatos’, que diz ser sua missão ‘combater fake news’, informa: Não há crise humanitária na Venezuela”. O link apresentava uma reportagem da Agência Pública sobre a Venezuela publicada no ano passado – e que apresentava diferentes faces da situação no país, afirmando, por exemplo, que 70% dos venezuelanos haviam perdido em média 8 quilos, mas reconhecendo que a escassez de alimentos básicos havia atingido seu auge no ano anterior.


As mentiras espalhadas por Marcelo Rocha Monteiro se unem ao esforço coletivo de diversos grupos de direita que se colocam contra a parceria firmada entre o Facebook e as agências de checagem, a qual consideram um “ataque à liberdade de expressão” e uma tentativa de “censura” instigada pela “extrema esquerda”, como afirma Renan Santos, um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre).

‘Ser jornalista sério virou profissão de risco’

Na falta de informações reais que comprovem sua tese, esses grupos passaram a publicar diversas informações falsas sobre as agências de checagem, misturando ataques pessoais aos jornalistas que fazem parte dessas empresas até mentiras que misturam outros profissionais sem qualquer relação com a parceria do Facebook.

O próprio procurador, por sinal, posta fotos em seu Facebook ao lado de membros do MBL (Movimento Brasil Livre), entre eles Kim Kataguiri, Renan Santos, o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) e o youtuber Arthur do Val, do canal “Mamãe, falei”.

Foram justamente os integrantes do MBL que, em junho do ano passado, usaram dados falsos sobre progressão de regime de sentenciados para atacar Sakamoto. O Truco, fact-checking da Agência Pública, pediu informações ao movimento, que respondeu com a imagem de um pênis usando um capacete escrito ‘imprensa’ e os dizeres “cheque isto”.

“Essas coisas criam um clima ruim e você passa a achar que todo mundo na rua pode ser um agressor. Ser jornalista sério no Brasil hoje em dia é uma profissão de risco”, diz Sakamoto. “Não sei onde vamos parar, espero que o jornalismo sobreviva a esse momento, ruim”, segue. Ele enviou o caso ao MPF (Ministério Público Federal) e às Nações Unidas – segundo ele, por fazer parte de um grupo da ONU que atua contra o trabalho escravo, qualquer ameaça deve ser informada ao órgão. “Caso aconteça qualquer coisa comigo, já se sabe”, aponta.

As perseguições ganharam força com a publicação de um “dossiê” sem assinatura intitulado “censores”. Nele, o autor faz uma “auditoria de viés partidário” dos integrantes da Agência Lupa e do Aos Fatos,  e de jornalistas e professores que o autor anônimo acham que têm alguma relação com eles. São 299 páginas com prints das redes sociais de 36 jornalistas e quatro professores universitários. Os nomes de todas as pessoas estão expostas no documento, com a intenção de apontar “partidarismo” por parte de quem faz a checagem dos fatos.

Em defesa das notícias falsas

“Isto fez com que ataques surgissem em comentários nas redes, de ‘safada’ e ‘vagabunda’ para baixo. A exposição foi maior com dois membros da equipe antes deles fazerem parte da Lupa”, revela Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa. “Estão nos acusando de não sermos transparente nos perfis, sendo que o trabalho da Lupa deve ser transparente, não a vida particular dos integrantes, não faz sentido”, prossegue.

Tanto a Lupa quanto a Aos Fatos fazem parte da IFCN (International Fact-Checking Network), uma rede que avalia e dá aval para agências de checagem em todo o mundo. Um dos critérios para constar da lista de aptos pela IFCN é justamente o apartidarismo e independência de seus jornalistas. Para isso, auditorias são feitas periodicamente.

“Nós temos protocolos internos que orientam nossos jornalistas a não endossar projetos político-partidários nem se mobilizar em campanhas. Nosso código de ética é no sentido de não endossar plataformas políticas, mas tratá-las de maneira equânime. Sem esses parâmetros, nós sequer seríamos aprovados pela IFCN e não seríamos hoje checadores no Facebook”, pondera Tai Nalon, da Aos Fatos.

A ideia é que, através do trabalho das duas agências, o Facebook receberá relatórios de conteúdos com possível teor de ser um noticiário falso. Com este documento em mãos, o Facebook poderá determinar quais posts e publicações terão o poder de alcance e disseminação diminuídos dentro da rede.

O procurador com integrantes do MBL, entre eles o vereador Fernando Holiday, Renan dos Santos, Kim Kataguiri e o blogueiro Arthur do Val do “Mamãe, falei”
Foto: Facebook

As perseguições criaram medo nos jornalistas. Por conta do relatório, há quem tenha fechado suas redes sociais para pessoas que não sejam seus amigos, outros preferiram apagar os perfis.

Muitos perfis têm bons motivos para temer uma checagem de fatos. Em março, o Facebook retirou do ar uma página e dois perfis que haviam disseminado notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco (Psol), acusando-a de ligação com o crime organizado. Segundo o Globo, as páginas, pertenciam a Carlos Augusto de Moraes Afonso, que adotava na rede o pseudônimo de Luciano Ayan.

O nome de Ayan também aparece associado à produção de outras notícias falsas, que também difamavam o jornalista Leonardo Sakamoto. Segundo a Folha de S.Paulo, documentos sugerem que as notícias falsas contra Sakamoto teriam sido financiadas pela JBS, dona das marcas Friboi e Swift, que estaria incomodadas com a atuação do jornalista contra o trabalho escravo no campo, por meio da Repórter Brasil.

Curiosamente, o próprio Sakamoto se diz contrário à possibilidade de o Facebook diminuir o alcance de posts com base na verificação feita por agências de fact-checking. “Sou contra a ideia de que qualquer grupo, governo ou pessoa definir o que é verdade ou não. Tenho posição clara”, explica o jornalista. “Prefiro um sistema em que notícias falsas corram e atrapalhem a democracia do que uma democracia que o Estado ou corporações digam o que é verdade ou não. Aí não é democracia”, define.

Outro lado

A Ponte solicitou ao Ministério Público do Rio de Janeiro entrevista com o procurador Marcelo Rocha Monteiro e posicionamento do órgão sobre as publicações feitas pelo seu funcionário. Nenhuma resposta foi enviada até o momento.

No Ponte
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