22 de mai de 2018

Na ditadura judicial, vale juiz agressor de mulher impedir candidatura do Lula


Seguindo a praxe do judiciário na ditadura judicial, o juiz do TSE, Admar Gonzaga, antecipou-se aos fatos e declarou-se contra o direito do Lula ser candidato na eleição de outubro. Ele foi peremptório:

O TSE é a 1ª e única instância de registro das candidaturas presidenciais. Nem o STF está acima. E a resolução 23.458, da Lei da Ficha Limpa, é clara: ‘pedido de registro deve ser indeferido quando o candidato for inelegível ou não atender a qualquer das condições de elegibilidade’. Ou seja, caberá ao ministro do TSE não validar o registro assim que o receber” [jornal Valor de 22/5/2018].

Na ótica desse soberano, os direitos e as garantias constitucionais [como a de votar e ser votado] ficam suprimidas, e ninguém – nem o STF, nem Deus – está acima dele e do TSE para decidir o contrário. Afinal, “O TSE é a 1ª e única instância.

Admar Gonzaga, nomeado em março de 2017 por Michel Temer para o cargo de juiz do TSE, na madrugada de 23 de junho daquele mesmo ano foi denunciado em boletim de ocorrência na 1ª DP de Brasília por agressão à esposa.

Na época, o soberano atribuiu o olho roxo da esposa a um “escorregão em enxaguante bucal”. Os xingamentos, as ofensas e agressões proferidas contra ela não passaram, na versão dele, de “desentendimentos”.

De acordo com a Lei Maria da Penha, sancionada por Lula em 2006, “configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

A Lei define que “A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos” [artigo 6º], e estabelece como pena a “detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos” [artigo 44].

Como possui foro privilegiado, Admar Gonzaga é investigado pelo STF – ironicamente, a mesma instância judicial que ele nega a Lula o direito de acesso que é assegurado pela Constituição.

Por enquanto, porém, Admar Gonzaga continua livre, leve, solto e no exercício da mais elevada função da justiça eleitoral [que sequer deveria existir] e, ainda por cima, vilipendiando o direito alheio.

Na ditadura Globo-Lava Jato, a Lei não é empregada para fazer justiça; é usada como arma contra Lula por agressores de mulheres que carecem de legitimidade e decoro para o exercício do cargo de juiz.

Admar Gonzaga, além de impedido ética e moralmente de atuar como juiz, julgou Lula antecipadamente [em ambiente público, fora dos autos], tornando-se também impedido de participar de julgamento quando a questão for suscitada no TSE.

Jeferson Miola
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Advogado do Golpe pode levar Moro para a cadeia!

Damous denuncia Moro por ligação com o Dr Willians

Dr Willians (E), o Imparcial e Incorruptível, e um tucano bilionário (D)
Divulgação/LIDE
Em seu presente tour pelos USA, que teve início no dia 15/V - quando o Moro voltará a bater ponto na comarca de Curitiba?, pergunta o Conversa Afiada -, o "Judge Murrow" participou de várias atividades peculiares: foi escrachado em inglês, recebeu o prêmio (cafona) de "Personalidade do Ano" , tirou foto com um ex-prefeito e com uma tchurma de notáveis e foi até paraninfo de uma formatura na Universidade de Notre Dame, em Indiana.

("Indiana" é bem mais fácil de pronunciar do que "Massachussets"!)

Um desses eventos foi o Brazilian Investment Forum, em Nova York, no dia 16/V.

Trata-se de um evento para - de acordo com o próprio site - "reunir empresários e investidores nacionais e internacionais" com objetivo de "debater relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos".

(Debater relações... Não precisamos mais de Itamaraty: temos o Investment Forum!)

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O tal fórum foi organizado pelo LIDE, a empresa do ex-prefake de São Paulo, João Agripino Doria, especialista em - quando não está fantasiado de gari - organizar palestras, simpósios e outros eventos para apresentar políticos a ricos e ricos a políticos.

O co-palestrante da noite foi Carlos Marun, ministro da secretaria de governo do MT, defensor de primeira hora do presidente ladrão e acusado de tomar R$ 16 milhões do erário público do Mato Grosso do Sul.

Mas esse não é o aspecto mais interessante do evento.

O LIDE Brazilian Investment Forum recebeu o patrocínio de quatro empresas brasileiras - uma delas é o escritório Nelson Willians & Advogados Associados.


Não é a primeira vez que Nelson Willians - sócio-proprietário do escritório de advocacia -, Moro e Doria estiveram juntos em eventos do LIDE. Em setembro de 2015, Moro e Willians participaram de um "almoço-debate" sobre a Operação Mãos Limpas. Em março de 2016, outro evento: a palestra "Empresas e Corrupção", organizada pelo LIDE Paraná .

Foto: Divulgação
(Nelson Wilians e Moro após a palestra “Empresas e Corrupção” 
Divulgação
Na Carta Capital, em 2016, o repórter André Barrocal mostrou que o escritório tem relações estreitas com o Golpe dos canalhas e canalhas: foi contratado (sem licitação) para arbitrar uma disputa milionária envolvendo o Porto de Santos e o Grupo Libra. Além disso, dois de seus sócios redigiram um pedido de cassação da presidenta Dilma, entregue ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelo ex-ator pornô Alexandre Frota.

Há suspeitas, também, de que dois jatinhos do escritório Nelson Willians teriam sido utilizados para transportar deputados pró-Golpe no fim de semana da abertura do impeachment na Câmara.

O escritório também assinou um contrato suspeito com o Banco do Brasil em 2016, após o banco resolver terceirizar quase metade de suas demandas jurídicas.

O Diário do Centro do Mundo, em matéria de Joaquim de Carvalho, lembra que o escritório, um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, tem a Petrobras como um de seus principais clientes.

Uma rápida pesquisa pelo Google comprova a relação.

Esse tipo de palestra, normalmente, tem um custo alto. Segundo o DCM:

Lula, por exemplo, cobrava 200 mil dólares por palestra, o mesmo valor das palestras do ex-presidente Bill Clinton, e foi questionado pelos procuradores da Lava Jato, que vazaram à imprensa as informações sobre as palestras como indício de corrupção.

Para se defender, Lula apresentou a relação de palestras que fez e nelas havia grandes empresas sem nenhum relação com a Petrobras, incluindo a Globo.

Se Lula foi pressionado por conta das palestras que realizava, por que Moro pode fazer as suas sem ser questionado, ainda mais levando em consideração que uma delas teve o patrocínio de um escritório que é contratado pela Petrobras?

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Está explicada, então, a presença do Pedro Malan Parente no evento 
Créditos: Vanessa Carvalho/Estadão)
Em tempo: a própria Petrobrax também foi apoiadora do evento em que Moro foi agraciado "Personalidade do Ano": pagou U$26 mil dólares por uma das mesas do evento!

Em tempo²: via PT na Câmara:

O deputado Wadih Lula Damous (PT-RJ) vai denunciar o juiz Sérgio Moro ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por conflito de interesses envolvendo a Petrobras e um escritório de advocacia de São Paulo. Damous enxergou grave violação do Código de Ética da Magistratura, o qual deveria ser observado pelo juiz de Curitiba.

Moro participou como palestrante de evento em Nova York, organizado pelo pré-candidato João Doria (PSDB) e que teve entre os seus patrocinadores o escritório de advocacia Nelson Wilians, que atende a Petrobras. “Ele (Moro) fez um périplo, nas últimas semanas, pelos EUA. Foi à Nova Iorque, em um evento com a participação de João Doria, com quem ele tem relações promíscuas, como, aliás, tem com todo tucanato”, acusou.

No CAf
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Especialista em Direito Eleitoral traça cenários pró e contra Lula nas urnas

Lula hoje é inelegível? Para o eleitoralista Fernando Neisser, a resposta técnica correta a essa pergunta é que não se sabe. O presidente da Comissão de Direito Eleitoral do Instituto dos Advogados de São Paulo abordou a questão que irá definir a eleição para presidente do Brasil em 2018 em uma palestra na sede do escritório Rubens Naves Santos Jr. Advogados.

Como exercício de imaginação, o advogado propôs um cenário e foi esmiuçando as possibilidades de acontecimentos. Ele não acredita que Lula consiga decisão judicial reconhecendo que pode ser eleito. Porém, é provável que possa fazer campanha por boa parte do processo e que tenha sua foto e nome na urna eletrônica, com base no período enxuto entre o registro da candidatura e eventual julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Advogado Fernando Neisser analisou cenários
que podem permitir a Lula disputar eleição de 2018.
Reprodução
Se até 18 de setembro o PT não tiver escolhido substituto e se o TSE não tiver concluído o julgamento de embargos, a fotografia e o nome do ex-presidente deve aparecer nas urnas.

Um fator que pode mexer com o cenário é uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, já que o Brasil é signatário do Pacto de San Jose. A jurisprudência do tribunal determina que um candidato só pode ser barrado com condenação definitiva. 

“A Lei da Ficha Limpa não combina com o pacto internacional de direitos humanos que o Brasil é signatário e estaria acima da lei”, diz Neisser. Ele destaca que o país já acolheu decisões de corte internacional, embora tenha ignorado em outros momentos. 

O advogado desmentiu alguns sensos comuns sobre o tema. Ressaltou que a Lei da Ficha Limpa não proíbe ninguém de ser candidato. Impede, na verdade, de ter os votos dados a si contabilizados, de ser diplomado e de tomar posse. O candidato pode pedir voto e até estar na urna.

A lei regula como funciona o procedimento e registro de candidaturas. De 20 de julho a 5 de agosto os partidos se reúnem nas suas convenções nacionais e decidem se vão lançar candidatura, se vão compor coligações e quais chapas formarão. No dia 15 de agosto se encerra o prazo para o pedido de registro dessas candidaturas — no caso da Presidência da República, perante o Tribunal Superior Eleitoral. A partir daí o TSE deve publicar edital.

Acompanhe o prognóstico de Neisser: 

“Esse edital é um pouco igual ao edital de matrimônio: quem tiver algo contra, que diga agora ou cale-se para sempre. Fica cinco dias aberto para que quaisquer atores com capacidade de impugnar o registro de candidatura que o faça. Ou seja, partidos, coligações, candidatos e Ministério Público Eleitoral terão até o dia 21 de agosto para apresentar por petição ao Tribunal Superior Eleitoral uma impugnação ao pedido de registro de candidatura.

[Levando-se em consideração que o ex-presidente seja candidato], Dia 22 Lula é notificado para apresentar defesa. Ele tem sete dias. Até 29 de agosto, a defesa apresenta as suas razões pelas quais entende que não se aplica a inelegibilidade à candidatura.

A partir daí há uma possibilidade de redução do procedimento em relação aquilo que está previsto na lei. Porque a lei diz que há prazo de quatro dias para realização das diligências e produção de provas. Então para que se ouça testemunhas pedidas pelas partes, eventualmente que se realize perícias, que se peça a órgãos públicos a apresentação de documentos. Muito provável, se esse for um único argumento da inelegibilidade a condenação no TRF-4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região], que o ministro relator do processo entenda que não há nenhuma prova a ser produzida por ser tratar de matéria exclusivamente de direito.

Portanto no dia 30 caberia ao ministro relator abrir para as alegações finais, todos os envolvidos no processo, todos aqueles que tiverem impugnado e o Ministério Público Eleitoral tem cinco dias para apresentar as suas alegações finais. A partir daí [são] dois dias para o ministro preparar o voto e apresentar em pauta (...)

Vem a decisão. Como decidirá o TSE? Essa é fácil de prever, se Lula não tiver conseguido até esse momento suspender a condenação que pesa contra si vinda do TRF 4, a decisão do TSE será negar o registro da candidatura. Não há uma interpretação possível daquelas que vêm sendo aceitas pelo TSE que afaste a inexistência da inelegibilidade.

Quais são as chances de Lula nesse meio tempo? Ao apresentar os recursos especiais extraordinários ao STJ e ao STF a Lei da Ficha Limpa diz que ali se faça um pedido de liminar, o pedido de uma cautelar, uma suspensão daquela decisão para afastar a inelegibilidade para que se possa ser candidato.

Isso vai ser analisado nesse meio tempo — nós estamos falando agora maio, junho, julho. Primeiro no Superior Tribunal de Justiça, não são boas as perspectivas do ponto de vista dos interesses das defesas do Lula, seja em relação ao relator, seja em relação à turma a qual ele [o ministro] faz parte. Não me parece que seja previsível que ganhe essa liminar no Superior Tribunal de Justiça. Isso vai ser analisado no âmbito do Supremo Tribunal Federal, [mas] também não me parece possível a obtenção dessa liminar com o ministro relator. (...)

Chegamos de volta aqui ao dia 11 de setembro. Se não tivesse obtido qualquer decisão liminar, cautelar ou no mérito, enfim, hipótese absurda de o STJ dar tempo de julgar o mérito do recurso especial e falar que o Lula está absolvido, não importa o motivo que seja, Lula terá seu registro indeferido. Seu registro negado no Tribunal Superior Eleitoral.

Contra esse decisão publicada no dia 11 contudo, cabe recurso. Ele tem três dias para entrar com embargos de declaração, que é aquele recurso que nós entramos para preencher omissões, contradições ou obscuridades, ou resolver obscuridades das decisões judiciais. Abre-se três dias de prazo para o lado contrário responder e dois dias para levar a julgamento. O TSE conseguiria dar uma resposta definitiva no âmbito da Justiça Eleitoral no dia 19 de setembro.

Problema: dia 17 de setembro, dois dias antes disso, é o prazo limite que os partidos e coligações têm para fazer as substituições das candidaturas. Por quê? Porque dia 18 de setembro carregam-se as urnas eletrônicas. Quem for candidato no dia 18 de setembro estará com seu nome e sua foto nas urnas eletrônicas. Esse carregamento é físico, as urnas não têm qualquer ligação com a internet — ao contrário de todas as teorias de conspiração.

Se o PT não tiver até esse momento feito a substituição de candidatura e se o TSE não tiver concluído o julgamento dos embargos, o TSE inserirá a fotografia e o nome do ex-presidente Lula, algo que não tem como ser alterado. (...)

Até então, mesmo estando respondendo a processo, (...) por conta de um artigo específico da lei eleitoral, artigo 16A da Lei 9.024, o Lula pode fazer campanha, pode estar no programa eleitoral pode participar de debates, arrecadar recursos e realizar despesas. É candidato, diz a lei, por sua conta e risco. Se tiver sido declarado inelegível, seus votos serão jogados no balaio dos nulos.

O que pode acontecer nesse meio tempo para bagunçar um pouco isso que já está complicado? O Brasil é signatário de um tratado internacional, talvez um dos tratados internacionais mais importantes no qual o Brasil é signatário: o pacto de São José da Costa Rica, o pacto de direitos humanos das Américas que prevê um tribunal internacional, a Corte Interamericana de Direitos Humanos na qual o Brasil está submetido do ponto de vista jurisdicional. A corte tem jurisdição sobre o Brasil.

O pacto de São José da Costa Rica diz lá no seu artigo 23.2 que o direito de ser candidato só pode ser afastado em hipóteses limitadas, dentre as quais a condenação em juízo criminal definitiva. A Lei da Ficha Limpa não combina com o pacto internacional de direitos humanos que o Brasil é signatário e estaria acima da lei. 

Diante da primeira negativa do Tribunal Superior Eleitoral é possível que em paralelo a defesa vá à Corte Interamericana de Direitos Humanos. É possível, pela jurisprudência da corte, que ele obtenha uma liminar. A grande questão é saber se a liminar seria cumprida. O Brasil tem um histórico ora de cumprir decisões da corte interamericana, ora de descumpri-las. Cumprimos quando paramos de aceitar civil do depositário infiel e descumprimos quando se mandou reconhecer a inconstitucionalidade, a inconvencionalidade da Lei da Anistia”.

Fernando Martines
No ConJur
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Bolsonaro faz papel de idiota na Jovem Klan ao tentar ser diferente do que é


Este não é um post sobre um candidato, mas sobre media training eleitoral.

Terminou há pouco a primeira sabatina de uma série que trará todos os pré-candidatos à presidência na porcaria da rádio Jovem Pan. Amanhã será com Guilherme Boulos. Hoje foi com Jair Bolsonaro.

Reagi com espanto ao comportamento do presidenciável na entrevista e isso tem me feito pensar em como até seus assessores ainda não conseguiram compreender a natureza da essência que o torna líder em intenções de voto com Lula rifado da disputa pelo PJ (Partido da Justiça) - para usar a expressão cunhada por André Singer.

Isso porque algum ou alguns de seus "jeniais" assessores recomendou que o pré-candidato adotasse um comportamento pouco ou nada combativo, moderado, singelo e humilde diante dos cercos e provocações dos entrevistadores. Algo compatível com uma ideia "Lulinha paz e amor" que respeita o outro, que aprecia o diálogo, que reconhece humildemente seus erros, etc. E o presidenciável pelo PSL seguiu à risca o script que tem tudo para ser desastroso a suas pretensões eleitorais.

Por quê? Porque Jair Bolsonaro não conseguiu chegar até aqui por conta de sua inteligência (que inexiste), sua experiência em gestões públicas, seus méritos como parlamentar, seu conhecimento de como funciona a máquina pública e atribuições dos Poderes, suas convicções democráticas ou por ter um perfil propositivo que sustenta um projeto de governo, um projeto de país.

Ele chegou porque sempre conseguiu trocar e bem vender sua falta de conhecimento, inteligência e virtudes por truculência, por violência verbal, pela completa falta de vergonha de exibir sua ignorância - mas recheada de imagens e truísmos populares bastante sedutores - e pela capacidade de manifestar juízos dos mais atrozes sobre questões de controvérsia moral.

Em suma, chegou até aqui por muitas razões, mas no que tange ao modo como se comportou diante de eventos jornalístico e mediáticos (que cada vez importam mais em razão de como reverberam pelas redes digitais) chegou à liderança escondendo sua real essência raquítica, suas infinitas fragilidades como presidenciável com rispidez e truculência.

Jair Bolsonaro é tão e somente o produto político mais notório da geração "lacração". Se sugerem e ele acata as ordens de abaixar a guarda, quem "lacra" não é mais ele, e sim os jornalistas. Se abaixa a guarda, mostra quem é.

E ele não é um "Lulinha paz e amor". Jair Bolsonaro não tem e nunca terá substância política. Tudo que sempre teve e sempre terá como presidenciável é um figurino de um personagem vil, estúpido e truculento que sempre lhe caiu muito bem e que sempre nutriu com farta matéria-prima as arenas infanto-juvenis de crianças e adultos ávidos pelas "lacrações" do candidato não em relações de respeito e reciprocidade com jornalistas, mas de combate e confronto com o inimigo.

Se não ataca, não tem videozinho de como "Bolsonaro botou fulano de tal em seu lugar" como aconteceu em tantas outras circunstâncias, a exemplo do Canal Livre, na Bandeirantes.

Os resultados já são bem visíveis na cobertura espontânea da entrevista feita no Twitter sob a hashtag #BolsonaronaJovemPan. As reações e tentativas de defesa diante dos ataques perdem feio. E muito em razão de seus apoiadores não terem o que destacar da entrevista para se defenderem mostrando os ataques de seu candidato. Se resumem a atacar a indesejável parcialidade dos entrevistadores.

Vira o fraco e oprimido e não o bravo, ainda que perseguido.

A guarda abaixa. A truculência e aquele ímpeto irrefreável de atacar o outro e dar vazão aos proferimentos dos mais estúpidos e agressivos dão lugar à moderação, à fala branda e a disposição em ouvir o outro. Resultado? Lacram os jornalistas. A cortina de fumaça da truculência que esconde sua essência raquítica se dissipa.

A imagem do determinado, bravo e destemido dá lugar a essa personagem vacilante, frágil e medrosa como nesse recorte que todo jornalista sonha em ter em mãos para apresentar como atestado e troféu e reverberar como matéria-prima nas redes de lacração digitais.

Camilo De Oliveira Aggio
No Esquerda Caviar
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Delação de Marcos Valério e Nílton Monteiro atinge os alicerces do poder em Minas

Valério e Nílton abrem o porão da política em Minas
A reportagem da TV Record sobre o depoimento de Marcos Valério à Justiça, em que revelou a chantagem do tesoureiro do PSDB Cláudio Mourão, é uma bomba que complica a situação de Eduardo Azeredo e também atinge Aécio Neves. Mas é parte da história. Os segredos que Valério tem revelado na sua delação premiada são muito mais cabeludos.

No período em que governou Minas Gerais, entre 1º de janeiro de 1995 e 1º de janeiro 1999, Mourão foi o homem forte do governo. Era secretário da Administração, mas tinha influência sobre todas as áreas. Quando Azeredo se candidatou à reeleição, Mourão foi tesoureiro da campanha.

Para infelicidade do grupo e ruína financeira de Mourão, quem se elegeu foi Itamar Franco. O ex-secretário de Azeredo tinha uma locadora de veículos, usados na campanha, e saiu sem dinheiro e cheio de dívidas. A locadora quebrou. Azeredo, segundo Valério, fechou as portas para Mourão e ele então passou a extorquir dinheiro do antigo governador e chefe.

Para fazer a extorsão, usou o lobista Nílton Monteiro, que tinha sido operador do deputado Sérgio Naya. Assim como faria anos depois, no caso da Lista de Furnas, Nílton foi o portador da relação de políticos e outras autoridades que tinham recebido dinheiro do caixa 2 de Mourão. Deu certo num primeiro momento.

Era a famosa lista que deu origem ao escândalo que, em 2005, passaria a ser conhecido como Mensalão de Minas. Mas isso não foi tudo. Mourão continuou pressionando e receberia mais dinheiro ao longo dos anos. Como aconteceu em outro esquema de corrupção denunciado por Nílton, ele foi passado para trás.

Nílton disse que revelará detalhes dessa história, assim como a da Lista de Furnas, que atinge principalmente Aécio Neves, que tinha o controle das ações do diretor Dimas Toledo na estatal brasileira. Ele fará a revelação no acordo de delação que fechou com a Polícia Civil de Minas Gerais.

Azeredo, depois de analisados os recursos pelo Tribunal de Justiça, pode ser recolhido à prisão, como aconteceu no caso de Lula, já que houve condenação em segunda instância. A esperança de seus advogados é que ele obtenha habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, mas lá existe um problema.

O ministro Gilmar Mendes terá dificuldade para conceder a medida, caso seja acionado (por sorteio ou prevenção). É que o nome dele também está em uma lista da corrupção mineira, a que foi feita por Marcos Valério, também com o propósito de intimidar e obter vantagens (extorsão). No passado, Valério negou a autenticidade da lista, que é assinada por ele.

Mas agora diz que é verdadeira e diz que, se for periciada, se comprovará que a assinatura é dele. O original dessa lista, entretanto, está em alguma gaveta do Supremo Tribunal Federal, pois foi entregue ao então presidente do STF e relator do mensalão do PT, Joaquim Barbosa. O advogado que fez a entrega, Dino Miraglia, teve a vida destroçada em Minas.

Depois que a Polícia Civil, no governo tucano, cumpriu mandado de busca e apreensão em sua casa, ele teve o casamento desfeito e hoje, após uma bem-sucedida carreira como criminalista, vive fora de Minas Gerais, evitando contato com a imprensa e antigos amigos.

A ação de Cláudio Mourão para vender seu silêncio chegou ao governo de Aécio Neves. Em 2006, depois que a lista do mensalão se tornou pública, ele fechou contrato milionário com o governo mineiro, justamente com um empresário de Araxá, Ângelo Maneira.

Os dois são os responsáveis pelo cartão medicamento, criado na administração de Aécio e mantido na gestão de Anastasia e de Fernando Pimentel, do PT. Nesse ponto da história, segundo a delação de Valério e Nílton, com corroboração de indícios ou provas colhidos pela Polícia, tanto a Federal quanto a Civil, se mostra que Aécio mantém influência até hoje no governo do Estado de Minas.

E Mourão também mantém influência no governo atual, de Fernando Pimentel. Sua amiga, Denise Landim, que o ajudou na tesouraria da campanha de Azeredo, tem cargo comissionado no gabinete do vice-governador, Toninho Andrade, do MDB. O filho de Cláudio Mourão, Guilherme, é superintendente na Casa Civil.

Fernando Pimentel mora em um apartamento que está registrado em nome da família de Cláudio Mourão. O endereço de Pimentel também aparece como o da Marka Participações, empresa que administra o cartão medicamento, criado no governo de Aécio e mantido até hoje.

São suspeitas graves que envolvem os governantes de Minas Gerais desde o tempo de Azeredo. Na investigação feita pela polícia, houve busca e apreensão na casa de Denise Landim, a amiga de Mourão. Foi encontrada lá uma relação de convidados para uma festa. Estão os nomes de Renata Vilhena, que foi secretária de Planejamento no tempo de Antônio Anastasia, e de Fernando Pimentel.

Valério disse que o cartão medicamento tornou Cláudio Mourão um homem rico outra vez e que se mantém de boca fechada.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Jornalismo brasileiro perde Alberto Dines, mestre crítico e sonhador

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/05/22/jornalismo-brasileiro-perde-alberto-dines-mestre-critico-e-sonhador/

“Uma geração sem reposição” (jornalista Elizabeth Lorenzetti sobre a morte de Alberto Dines).

* * *


Acordei nesta terça-feira com uma notícia muito triste, não só para os jornalistas, mas para todos os leitores: perdemos Alberto Dines, um dos grandes mestres da minha geração, que passou a vida tentando melhorar a imprensa brasileira.

Generoso e incansável na sua luta por qualidade e ética na prática deste ofício, Dines comandou grandes redações, promoveu reformas que marcaram época, como a do Jornal do Brasil nos anos 60, e criou o Observatório da Imprensa, em 1996, em várias plataformas, a sua grande obra na crítica sistemática aos meios de comunicação no país.

Era, acima de tudo, um grande sonhador, achava que o jornalismo poderia melhorar o mundo ao denunciar as suas mazelas e apontar caminhos para um convívio mais civilizado.

Já com recorrentes problemas de saúde nos últimos anos, o mestre pegou há dez dias uma gripe que virou pneumonia e morreu de insuficiência respiratória, aos 86 anos.

Vivia sempre em movimento, bolando coisas novas, falava muito sem levantar a voz, alternando paixão e indignação, era muito estudioso e culto, procurava ajudar os outros.

Comecei a gostar dele quando escrevia a coluna “Jornal dos Jornais”, na Folha, nos anos 70, onde foi um corajoso precursor da crítica de mídia quando dirigia a sucursal do jornal no Rio, e mais tarde nos tornamos bons amigos.

Ajudou a formar levas de jornalistas, passando a eles a prática cotidiana aliada à teoria que aprenderam nas escolas onde lecionou.

Com lugar garantido na galeria dos grandes protagonistas da imprensa brasileira no último meio século, era um jornalista por vocação, um tipo cada vez mais raro nas nossas redações.

Já fazia muita falta, e agora só nos resta guardar na memória a lembrança do seu convívio sempre comemorado na festa dos seus 80 anos numa cervejaria paulistana, a última imagem que guardo dele.

Aos que estão começando agora na profissão, recomendo pesquisar no Google e nos seus livros a longa trajetória de Alberto Dines no jornalismo porque hoje só quero mandar um beijo para sua mulher, minha amiga Norma Couri, também jornalista e dedicada companheira.

Valeu, Dines.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho



A morte do mestre Alberto Dines

Conheci Alberto Dines quando, no começo de meu trabalho no Jornal da Tarde, implantando o chamado “jornalismo de serviços” – economia com foco no consumidor – ele me convidou para assinar uma coluna em uma das revistas femininas da Abril, sob o título “Seu Nassif”, se não me engano. Foi a primeira pessoa que me deu a chance de sair do anonimato das redações para as colunas assinadas. A segunda foi o inesquecível amigo Aloisio Biondi, que me ofereceu uma coluna no Shopping News.

Crítico acerbo do jornalismo, Dines sempre foi um incentivador generoso dos jovens que ingressavam na carreira.

Na Folha, sua coluna de ombudsman da mídia marcou época. E provocou ressentimentos esperados, em uma categoria pouco acostumada com a crítica interna. Mas sua biografia, e o período histórico à frente do Jornal do Brasil, lhe conferiam a autoridade necessária.

Rigoroso nas críticas, no plano pessoal era uma pessoa extremamente sensível.

Em seus tempos de Observatório da Imprensa, uma pesquisa da Fernando Pacheco Jordão, com os 50 maiores influenciadores que apareciam nos jornais, me colocou na ponta, ao lado do Roberto Campos, como influenciador dos influenciadores.

Dines me convidou para um programa no Observatório da Imprensa, na época ancorado na TV Cultura. Pediu que levasse meu bandolim. No ar, me pediu uma música. Enquanto tocava, via lágrimas escorrendo de seus olhos, lembrando da infância, se não me engano em Vila Isabel.

Perdendo espaço na imprensa tradicional, transformou o site do Observatório em uma referência inestimável de bom jornalismo. E sempre com o apoio total da esposa Norma Cury.

Foi um dos jornalistas históricos do país.

Luís Nassif
No GGN



Temer, que tirou Dines do ar na TV Brasil, presta sua ‘homenagem’ ao jornalista

Após o golpe de estado de 2016, o presidente golpista Michel Temer praticou desmonte na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em uma das medidas, o prejudicado foi o jornalista Alberto Dines – falecido nesta terça-feira (22/05). Há 17 anos no ar, Temer não pensou duas vezes ao terminar com a exibição do “Observatório da Imprensa”. Hoje, o presidente golpista presta sua “homenagem” a Dines:



15/04/2015

Jornais nem sempre representam o bom jornalismo

“Alguém imagina o que seria do Brasil sem a presença do jornalismo independente?” A surpreendente pergunta foi veiculada por Carlos Alberto Di Franco no espaço que lhe é reservado nas páginas de opinião do Globo e do Estado de S.Paulo, na segunda (13/4).

A proposição nos remete obrigatoriamente à primeira manifestação de jornalismo independente, quando começou a circular num território silenciado por férreos controles o primeiro periódico sem censura, o Correio Braziliense (junho,1808).

Apenas 14 anos depois, aquela gente que os colonizadores tratavam como estúpida, inculta, e ao longo de 308 anos mantiveram alheia à busca do conhecimento e desprovida de qualquer consciência autonômica, proclamava a sua independência.

No final do texto, empolgado, o autor esquece que tratava de jornalismo independente e proclama: “Os jornais têm futuro. E o Brasil precisa deles”.

Quem disse ao eminente comissário midiático do Opus Dei que jornais e jornalismo independente são noções necessariamente convergentes, associadas e complementares? Jornais e revistas são importantes, têm futuro, especialmente os impressos. Mas quem está abreviando sua existência e solapando sua importância são as doutrinas e a arrogância daqueles que os comandam.

Nos últimos dias tivemos pelos menos três clamorosas evidências do distanciamento entre jornais e jornalismo independente:

Há seis meses Barack Obama era ferozmente atacado, hoje…

Quando deixou de ser apenas uma curiosidade (o primeiro negro a ser levado à Casa Branca) e mostrou-se muito mais do que um líder carismático, pois representava um pensamento político articulado, coerente, começou a declinar a aceitação de Obama pela mídia brasileira.

Com o fortalecimento do Tea Party e do seu fanatismo contra políticas públicas e qualquer ação social do Estado, nossa mídia guardou a fantasia de liberal e Obama transformou-se no saco de pancadas preferido de um time de colunistas vestido com o uniforme das tropas de assalto da extrema-direita. Como nossos leitores não têm acesso à mídia liberal americana, os abusos e manipulações do noticiário foram vergonhosos — o Globo à frente.

A cruzada anti-Obama chegou ao auge em seguida à derrota nas eleições intermediárias do segundo mandato (novembro, 2014), quando os democratas que já haviam perdido o controle da Câmara dos Representantes acabaram sem a pequena maioria do Senado. As manchetes mencionavam “humilhação” e a imagem saxônica do “pato-manco” (lame duck) tornou-se familiar para o leitor brasileiro.

Seis meses depois, eis Barack Obama comandando dois espetaculares triunfos políticos com uma diferença de poucos dias: o acordo nuclear com os iranianos, depois de 36 anos de beligerância, e o acordo com Cuba, encerrando definitivamente o capítulo da Guerra Fria na América Latina. Pouco antes, Washington e Pequim anunciaram um inesperado pacto para diminuir as emissões de gases de efeito-estufa.

Na capa da última edição de Época (13/4) o oba-oba obamista foi representada por um busto do presidente americano é um título fortíssimo: “Um presidente para a posteridade”.

Pesquisas de opinião não devem ser usadas para forçar acontecimentos, mas…

As manifestações de protesto do domingo (12/4) estavam marcadas há algumas semanas. Na realidade, imediatamente depois das passeatas de 15 de março. A nova sondagem do Datafolha sobre a popularidade da presidente da República, apoio ao impeachment e questões correlatas foi realizada nos dias 9 e 10 de abril (quinta e sexta). Os resultados poderiam ser publicados na segunda (13) ou terça (14/4), mas o alto comando do Grupo Folha preferiu soltá-los no domingo. Claro, com a tiragem maior a repercussão seria tremenda.

Mas houve quem achasse que a divulgação de resultados favoráveis ao impeachment na manhã do dia em que o país inteiro preparava-se para ir às ruas e gritar “Fora Dilma” poderia ser tomada como provocação golpista.

A Folha de S.Paulo não tem este tipo de preocupação: publicou em manchete de capa que a reprovação a Dilma estacionou (entre 60% e 62%, um dos piores patamares da última década) enquanto a mesma proporção apoia a abertura de um processo de impeachment. Além das três páginas com análises dos resultados da sondagem, uma terceira (A-8, inteira), em formato de infográfico, com um “tudo sobre” para explicar o que é, como se inicia e como termina um processo de impedimento do chefe do governo.

Os resultados da sondagem foram comentadíssimos nos telejornais, radiojornais e portais de notícias na manhã de domingo, quando se preparavam para cobrir as manifestações daquela tarde.

Coincidência ou jogada ensaiada? A Folha parecia curada da pesquisite crônica, quando costumava usar as sondagens do Datafolha para reforçar suas coberturas e/ou posições. Teve uma recaída.

Zelotes: um vazamento que ninguém pretende explorar

Em 27 e 28 de março, o Estado de S.Paulo revelou os primeiros contornos do megaescândalo do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) — no qual, além de grandes bancos, montadoras e frigoríficos, era citado um dos mais importantes grupos de comunicação do país.

Visivelmente relutantes, Folha e Globo foram atrás sem citar todos os grupos envolvidos nem todos os montantes subtraídos do erário sob a forma propinas ou taxa de sucesso a grandes escritórios de advocacia tributária.

Só no domingo (5/4) a ombudsman da Folha entrou no assunto, assim também o colunista Elio Gaspari (Globo e Folha). O respeitável Valor Econômico, embora cobrado antes neste Observatório, só se animou a encarar a mãe de todos os escândalos na terça-feira (7/4), isto é,12 dias depois da primeira notícia. O mais importante jornal de economia e negócios do país, que pertence em partes iguais ao Globo e à Folha, preferiu manter-se distante do primeiro escândalo protagonizado apenas por empresas e funcionários corruptos, com participação mínima de políticos e de partidos (a exceção é novamente o PP).

A glorificação dos jornais só é legítima quando se dispõem a compartilhar um compromisso pluralista, diversificado, capaz de evitar abusos e garantir o contraditório. A história dos jornais só pode confundir-se com a história da imprensa quando jornalistas independentes puderem praticar livremente o jornalismo independente.

Alberto Dines
No OI
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Greve dos caminhoneiros. Como diz o povo: "Eu já vi este filme"


Na verdade, não se trata de greve de caminhoneiros e, sim, uma paralisação determinada pelas empresas que exploram este tipo de atividade econômica.
Trata-se de um verdadeiro "Lock Out".

Pela televisão, se verifica que são quase todos caminhões sem carroceria, do mesmo modelo e cor. Alguns têm faixas contra os impostos e não contra o preço do combustível.

Os tradicionais caminhões de frete estão transitando normalmente.

Ademais, o "Sistema Globo" de Rádio e Televisão está dando ampla e permanente cobertura jornalística, com o propósito oculto de "inflar" o movimento dos patrões.

Este tipo de "Lock Out" foi a "gota d´água" para a queda do governo socialista de Salvador Allende, no Chile, e foi usado, aqui no Brasil, para criar um clima favorável ao golpe militar que derrubou o governo democrático e constitucional de João Goulart.

Estamos "escaldados" e podemos dizer com Willian Shakespeare que "há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia" ...

Vamos denunciar esta farsa !!!

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.
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Leitão e a gasolina: dane-se a economia e o consumidor, viva o acionista!


A possibilidade de que o Governo interfira na louca escalada dos preços dos combustíveis – 60% em menos de um ano – deixou a colunista Miriam Leitão, de O Globo, à beira de um ataque de nervos, hoje:

Fazer populismo com o preço dos combustíveis é um caminho sem volta. Nos governos do PT isso prejudicou os cofres públicos e a empresa. Primeiro, a Cide passou a ser reduzida até ser zerada, depois outros impostos foram diminuídos, a empresa passou a absorver o custo. Chegou a importar mais caro do que vendia. Criou-se um círculo vicioso. O subsídio aumentava, isso estimulava o consumo, o que elevava o prejuízo da Petrobras e piorava a perda tributária. O subsídio aos combustíveis fósseis durou anos, não evitou a inflação, o preço represado um dia teve que ser corrigido, e o setor de etanol entrou em crise.

Bem, a solução foi a melhor, disseram todos os cantores do coro do mercado.

Foi, enquanto o dólar estava baixo e o preço do petróleo despencado.

E todos cantaram que os problemas da Petrobras seriam resolvidos com a venda “daquela porcaria” do pré-sal aos estrangeiros.

Agora, o preço subiu e o dólar também.

E a solução vai ser mudar a veia da qual se faz a sangria: a tributação, aquela que era esquecida das contas quando se tratava de agitar o fantasma da “gasolina a 4 reais” a que nos levaria Dilma Rousseff e que, agora, ao menos aqui no Rio, Temer manda vender a R$ 5.

Como dos tributos sobre combustíveis 2/3 pertencem aos Estados, quebrados, de onde não se tem como tirar e a situação das receitas federais torna uma irresponsabilidade sacar do terço restante.
O episódio revela, antes de tudo, como é uma farsa dizer que os problemas da Petrobras advinham do “maior escândalo de corrupção do planeta” – embora seja grave e inadmissível – mas do preço extremamente baixo – menos que 30 dólares, ante os 80 de hoje – do petróleo.

Um dos sentidos de a Petrobras ser uma empresa pública, no campo do refino e da distribuição, pe ajudar a mitigar as flutuações do preço dos combustíveis, para baixo ou para cima.

O puro “mercadismo” leva a impasses como o que se vive agora, onde os acionistas lambem os beiços com a valorização dos pa´péis da Petrobras e os consumidores – e a própria atividade econômica do país – se debatem com um aumento dos combustíveis quase 20 vezes maior que o da inflação anual.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


Nas últimas semanas a repressão israelense ao povo de Gaza, na pacífica Grande Marcha do Retorno, levou à morte de mais de uma centena de palestinos e palestinas. A limpeza étnica do povo palestino tem mais de 70 anos e continua até hoje. Em 2018 completam-se 70 anos da Nakba, a catástrofe que levou à expulsão do povo da sua terra natal. Entenda mais sobre a ocupação sionista de um território que não lhe pertence.

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Olha mais um golpe


Calma, vamos com calma que o ocorrido é MUITO IMPORTANTE.

Historinha

Fundo Soberano foi criado pela lei 11.887 de 24 de dezembro de 2008 após o início da prospecção do pré sal. Como toda lei, foi proposta, discutida, votada no Congresso em várias rodadas, aprovada e sancionada. O Fundo Soberano do Brasil (FSB) é um fundo vinculado ao Ministério da Fazenda com os seguintes objetivos:

• Mitigar os efeitos dos ciclos econômicos;
• Formar poupança pública;
• Promover investimentos em ativos no Brasil e no exterior; e

MAS CANETA, PRA ONDE VAI O DINHEIRO? NÃO TÃO ROUBANDO A GENTE?

Com relação à transparência, o FSB foi avaliado pelo Sovereign Wealth Fund Institute (SWFI), sendo reconhecido como um fundo soberano de elevado nível de transparência, recebendo nove pontos dentre dez possíveis. Dá pra ver no site dos caras e no site do Ministério da Fazenda procure por "relatórios de monitoramento".

E COMO ISSO É IMPORTANTE?

A medida transfere recursos que seriam utilizados para investimentos em áreas de interesse público e combater os efeitos dos ciclos econômicos para o sistema financeiro é entregar literalmente o dinheiro que é pra salvar a família quando as contas apertam. Se temos uma situação atípica (tipo a crise que estamos vivendo), não tem fundo para ajudar a segurar.

Fundo Soberano é coisa de país de PRIMEIRO MUNDO. Todos os grandes países tem, e o Brasil deu um salto em criar um nos anos 2000. Inclusive, quando a Grécia quebrou por conta da crise europeia, se ela tivesse um bom Fundo Soberano, teria uma saída.

Enquanto, por exemplo, a Noruega anuncia que vai usar seu fundo Soberano para garantir a aposentadoria das gerações futuras, o Brasil avisa que vai acabar com o fundo Soberano e ainda insiste na reforma da Previdência.

E AI?

E ai, amigos, que Michel Temer não deu nem uma chance de discussão sobre o assunto. Tivemos que colocar toda essa história acima, pois temos certeza que 99% das pessoas nem faz ideia da existência e importância do Fundo Soberano. Ao invés de votar ou pelo menos debater algo tão grandioso como extinguir o FSB, ele fez uma manobra via Medida Provisória para mudar a lei e mandou a assessoria lançar uma nota.

Os jornais tem sua parcela de cúmplices. Colocam um assunto complexo como esse em seção de política com dados, números, gráficos que só quem é do ramo financeiro vai entender. A sociedade nem terá a possibilidade de debater.

Golpe no Fundo Soberano Brasileiro.

Esperamos manifestações de parlamentares patriotas.

No Caneta Desmanipuladora
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Bolsonaro e a fuga de cérebros. Ele é um sintoma


‘Se eu fosse rei de Roraima, em 20 anos teria a economia próxima à do Japão”. Assim Jair Bolsonaro começou o discurso de ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Cerca de 300 empresários pagaram entre R$ 180 e R$ 220 para ouvi-lo. O ingresso dava direito a almoço, com opções de carne, massa e bacalhau.

“Nada pode ser feito lá”, reclamou o deputado, referindo-se à terra que elege Romero Jucá. Ele não explicou a mágica que igualaria nosso estado de menor PIB ao terceiro país mais rico do mundo. No entanto, aproveitou para atacar os alvos de sempre: índios, ambientalistas, quilombolas.

Para Bolsonaro, o problema da Amazônia não é o desmatamento, e sim a proteção da floresta. De olho no voto ruralista, ele prometeu frear a criação de reservas e rebaixar o Ministério do Meio Ambiente, que passaria a ser subordinado à Agricultura. “A questão ambiental dá pra driblar. É ter um ministro que seja patriota”, afirmou.

O capitão acusou a ONU de tramar a criação de “novos países” em território brasileiro. Em seguida, abandonou o tom nacionalista e defendeu uma parceria com os Estados Unidos para explorar as riquezas da floresta. “Estive duas vezes com autoridades americanas”, disse. E quem seriam seus interlocutores no governo Trump? “Sem entrar em detalhes”, despistou.

Depois da viagem amazônica, Bolsonaro engrenou o discurso radical que o impulsionou nas pesquisas. Prometeu combater a violência “com mais violência ainda”. Ameaçou reprimir ocupações com “chumbo”. Chamou os sem-terra de “marginais” e “terroristas”. Afirmou que pretende invadir o Ministério da Educação “com um lança-chamas, para tirar tudo que é simpatizante do Paulo Freire de lá”.

O deputado defendeu mudanças na lei para dificultar a punição de policiais acusados de homicídio. “Matar um vagabundo com um tiro ou 20 tem que ser a mesma coisa”, disse. Ele discursava a poucos metros da Candelária, palco da chacina que matou oito crianças e adolescentes em 1993.

Bolsonaro estava acompanhado por Paulo Guedes, seu favorito para o Ministério da Fazenda. Chegou a apresentar o economista como namorado, “heteramente falando” (sic). “Nossos cérebros estão fora do Brasil. Aqui não é um terreno fértil”, comentou. Pela animação da plateia, o capitão deve ter alguma razão.

Bernardo Mello Franco
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É urgente falar sobre Bolsonaro


Por longo tempo o chamado “centro”, composto pelos partidos vitoriosos no impeachment, desdenhou a candidatura de Jair Bolsonaro: Murcharia logo, não iria longe sem estrutura partidária e sem tempo de televisão. E assim o candidato da extrema direita cresceu em paz, como uma flor venenosa que poderia ter utilidade. Lula seria impedido e a esquerda não teria outro candidato viável. O governo de Temer daria certo e um candidato de direita, possivelmente um tucano, disputaria o segundo turno com Bolsonaro.

Derrotada, a esquerda seria até forçada ao voto útil para evitar o mal maior. Bolsonaro, neste cálculo, funcionaria como uma espécie de Marine Le Pen, que forçou o voto útil da esquerda francesa no conservador Macron, em 2017.

Mas nem tudo deu certo. Lula foi de fato preso e deve ser impedido mas o governo de Temer afundou na rejeição e não produziu a prometida recuperação da economia. O candidato tucano natural, Aécio Neves, foi carbonizado no caso JBS, Alckmin (ainda) não decolou e outros candidatos surgiram na raia do centro. Bolsonaro segue em segundo lugar e alcança 18,3% com Lula fora da pesquisa. Se a eleição fosse hoje, com Lula excluído, ele iria ao segundo turno contra Marina Silva ou Ciro Gomes. A centro-direita é que ficaria entre apoiá-lo ou votar útil na centro-esquerda.

Esta possibilidade é claramente exorcizada no manifesto em defesa da unidade do centro, articulado pelo deputado tucano Marcus Pestana e pelo senador Cristóvam Buarque, do PPS: “À direita, esboça-se um inédito movimento de claras inspirações antidemocráticas. À esquerda, um visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário”.

É tempo, então, de falar mais de Bolsonaro, saber o que ele pensa e o que faria se fosse eleito. Reuni algumas das frases que ele proferiu nos últimos anos, inspirada na recente compilação que o “The New York Times” fez das “459 pessoas, lugares e coisas insultadas por Trump no Twitter”.

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”

“Não te estupro porque você não merece.” (À deputada Maria do Rosário (PT-RS).

“Mulher deve ganhar salário menor porque engravida” .

“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, o pavor de Dilma Rousseff ”. (Ao votar pelo impeachment, invocando as torturas que ela sofreu).

“Quem procura osso é cachorro”. (Sobre a busca pelos corpos dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia).

“Pinochet devia ter matado mais gente.”

“A PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos.” (Sobre o massacre do Carandiru)

“Não vou combater nem discriminar mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.” (Sobre foto do ex-presidente FHC com a bandeira LGBT).

“O mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais.” (Sobre comunidades quilombolas).

“Deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”. (Sobre o golpe militar de 1964).

“Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista."

“Foram quatro homens. Na quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher. (Sobre seus filhos).

“Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!”. (Ao ser entrevistado pela repórter Manuela Borges, da Rede TV).

“Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas.”

“O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.” (Em defesa da tortura).

“Competência? Se quiser botar uma prostituta no meu gabinete, eu boto. Se quiser botar a minha mãe, eu boto. É problema meu.”

“Já vai tarde.” (Sobre a morte de Luís Eduardo Magalhães).

“Não me venham falar em ditadura militar . Só desapareceram 282. A maioria marginais, assaltantes de bancos, sequestradores”.

“Pelo voto não vamos mudar nada neste país. Só com guerra civil.”


A lista é longa, a coluna só comporta uma amostra.

Tereza Cruvinel
No JB
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Ditadura de ocasião


Na última década, a Venezuela realizou 25 eleições, mais uma dúzia de referendos e plebiscitos. Todas elas, com pelo menos duas centenas de observadores internacionais e com matilhas de cães de guarda da mídia internacional a postos, prontas para acusar qualquer suspeita de fraude.

Nunca acharam nada.

Mas, como o chavismo vem, invariavelmente, ganhando todas, e os americanos ainda não conseguiram moldar um judiciário capaz de articular, na Venezuela, um golpe aos moldes do que foi feito no Brasil, a reeleição de Maduro reinstaurou a gritaria sobre essa ditadura de araque.

A desfaçatez chegou ao ponto de o governo Michel Temer, essa ópera bufa de 5% de aprovação, ter a cara de pau de acusar de ilegítimo um processo ao qual ele jamais se submeteu: as urnas.

E antes que alguém venha me dizer que Temer foi eleito na chapa de Dilma, eu recomendo, simplesmente, que nem comece com esse comportamento idiota.

Acreditar que o governo Temer - entreguista, antipopular e apoiado por movimentos fascistas - seja uma extensão do governo de Dilma, eleito por 55 milhões de brasileiros e brasileiras, é atestado de analfabetismo político, quando não de demência, pura e simples.

Leandro Fortes
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