21 de mai. de 2018

Operador de fake news confessa que ajudou a eleger Richa e Greca


Fake news ajudaram a eleger Beto Richa em 2014 e Rafael Greca em 2016, segundo confessa em vídeo e áudio o dono da empresa Gestor Político, Eduardo Carmona. Ele disponibiliza para clientes interessados um sistema capaz de multiplicar infinitas vezes mensagens falsas via Whatsapp, Facebook e outros mecanismos das redes sociais para desconstruir adversários.

O vídeo foi gravado pela Band TV, programa do apresentador Datena, assim como o áudio (reproduzido abaixo) em que Carmona diz como ajudou Beto e Greca, transmitindo falsas informações contra os concorrentes principais. No caso da eleição para prefeito de Curitiba, o alvo, obviamente, foi o adversário Ney Leprevost, que as pesquisas indicavam como vencedor do pleito mas que, nos dias finais da campanha, sofreu forte desgaste em razão das fake news.

Pela Internet, a página da Gestor Político se apresenta como prestadora de serviços de assessoria, controle da agenda do parlamentar e de gabinete, gerenciando reuniões e compromissos. Também produz relatórios das atividades semanais de seus assessores com alertas programados via e-mail, assim como oferece um prático acesso aos aniversariantes do dia.

Este é o lado claro e “inocente” da empresa. Mas há outra atividade que a Gestor Político exerce no “lado B”, como confessa seu dono, Eduardo Carmona. Ouça:



O vídeo com entrevista integral, com todos os sórdidos detalhes de que como é possível fraudar uma eleição, você pode assistir abaixo:





No Contraponto
Leia Mais ►

Camisa da Seleção virou sinônimo da vigarice e é por isso que encalhou


Tem um meme que circula na internet que mostra uma menina chorando, vestindo a camisa da Seleção Brasileira, que diz: “Essa eu não quero, é a camisa do pato”.

O uniforme da Seleção Brasileira encalhou, porque virou símbolo de algo muito ruim: um movimento que destruiu a economia brasileira e tirou do poder uma presidente sem crime de responsabilidade.

Símbolo de um movimento que não foi pelo bem do Brasil, mas por vingança, o terceiro turno das eleições de 2014.

No Carnaval, a Acadêmicos do Tuiuti colocou na Sapucaí passistas com o uniforme da Seleção, montados na alegoria de um pato da Fiesp e guiados por uma mão grande.

Além de golpista, a camisa da CBF virou então sinônimo de tolo, manipulado – o manifestoche, na definição do carnavalesco Jack Vasconcelos.

E manchou com a cor da vergonha a Seleção Brasileira, sem exagero o retrato mais fiel do que este país é, um país de negros, mestiços.

Se faltam oportunidades na sociedade em geral, no futebol lá estão eles, depois de vencerem muitos obstáculos.

Meritocracia de verdade. O enganador, branco ou preto, não dura. É preto no branco.

Talvez seja esta a razão de a Seleção Brasileira ter sido tão prestigiada: fazia todos se se sentirem representados.

Mas não está empolgando mais.

Na semana passada, o baterista do Ira André Jung se manifestou no Facebook:

“A um mês da Copa e nada de verde e amarelo … sinto que o movimento paneleiro, hoje morto de vergonha, é o grande responsável pelo fracasso nas vendas de camisas, bandeiras, faixas e outros símbolos pátrios. A camisa da seleção virou uniforme de pato.”

Neste fim de semana, durante a Virada Cultural, João Gordo, do Ratos do Porão, foi mais direto:

“Tá chegando a copa e eu não vejo NINGUÉM com a camisa do Brasil. Pq essa camisa virou sinônimo de filho da puta, de golpista”.

Sinônimo do que foi o maior engodo da história recente no Brasil.

Uma camiseta que nos faz lembrar da foto que viralizou às vésperas do impeachment: o casal rico com os filhos no carrinho caminhando para a manifestação, todos de verde e amarelo, exceto a babá, negra, de uniforme branco. Um país que querem só pra eles, não para ela.

Como esquecer?

Entre outras muitas coisas, o golpe tirou do Brasil a alegria de torcer pela Seleção.

Ainda vamos torcer, pode apostar, quando o brasileiro entrar em campo e mostrar ao mundo o talento no futebol.

Mas torceremos sem a alegria de antes.

A camisa amarela, o escudo da CBF, sempre nos fará lembrar de que o Brasil se tornou um país onde o maior líder popular foi preso — sem provas de que é corrupto —  e os corruptos comprovados estão soltos.

Um país usurpado.

Um país indefensável.

O verde e amarelo se tornaram as cores da vergonha

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Mais uma vitória da senadora Gleisi contra a misoginia


A misoginia, ou seja, o ódio ou aversão a mulheres, sofre mais uma derrota nos tribunais brasileiros. E é a quinta vitória obtida pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) neste mês de maio contra a publicação de ofensas de caráter misógino, mentiras e difamações contra ela, publicadas na internet. Desta vez, o autor do crime, o blogueiro Nélio Raul Brandão, terá de suspender a veiculação de notícia caluniosa e ofensiva, publicada em seu site, sob pena de arcar com uma multa diária no valor de mil reais (R$ 1.000,00) em caso de descumprimento.

A decisão da Justiça tem caráter liminar, se dá antes mesmo da audiência de conciliação e objetiva proteger a honra das mulheres, diante de crimes dessa natureza, que extrapolam o direito de informar. Por isso, a necessidade tirar imediatamente do ar a postagem.  “Distanciando-se o requerido do livre exercício do direito de informar, uma vez que se trata de reprodução recente de matéria antiga, não é razoável que se imponha à autora que se aguarde todo o trâmite processual para que, então, se passe a preservar sua intimidade, privacidade e honra”, diz a decisão judicial.

Para a senadora Gleisi, “cada avanço na luta contra a misoginia, o preconceito, a intolerância e a difamação é uma vitória das mulheres, mas também de toda a sociedade”.

Danos morais

Na semana passada, em outra decisão favorável à senadora Gleisi, a Justiça determinou a uma rádio do interior da Bahia, a Paiaiá FM, que arcasse com indenização por danos morais no valor de cinco salários mínimos (o equivalente a R$ 4.770,00), revertida em favor de uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis de Curitiba e Região Metropolitana, a Catamare.

A notícia dessa indenização chegou em boa hora para a cooperativa, que foi recentemente alvo de furto. Entre os bens roubados da entidade, foi levado um computador que auxiliava o trabalho administrativo. A intenção dos cooperados é empregar o recurso proveniente dessa causa ganha pela senadora Gleisi na aquisição de um novo computador.

Consulte, aqui, a íntegra da decisão judicial.
Leia Mais ►

O acerto e os erros do PT

Foto: Ricardo Stuckert
O PT está certo em manter a candidatura Lula. A correção dessa tese se deve a alguns motivos: cabe ao Judiciário, arbitrário e persecutório, excluir Lula das eleições e não ao seu partido. Seria faltar com o dever da lealdade o PT excluí-lo. Ademais, se o Judiciário (incluindo a Justiça Eleitoral) é golpista, como de fato o é, é preciso confrontá-lo, tensionar o seu arbítrio até o limite. Manter a candidatura Lula representa uma tática correta para pressionar pela sua liberdade. Por fim, existe uma possibilidade, embora remota, que se consiga manter o registro da candidatura e o nome de Lula na urna eletrônica, fator que poderia representar a sua libertação e a vitória eleitoral e um estancamento da destruição do Brasil.

Mas a arte da política não é igual a uma soma matemática. A política é cheia de paradoxos, onde os pares antinômicos trocam a todo o momento de posições. O PT erra quando mantém a candidatura Lula a seco, sem ocupar espaços políticos e eleitorais no presente e sem construir uma alternativa diante da possibilidade de insucesso da manutenção e do registro da candidatura de Lula. Essa construção implicaria que se indicasse um candidato a vice desde já para que ele ocupasse os referidos espaços e apresentasse o programa do que Lula fará no governo, potencializando a luta pela sua liberdade e pressionando o Judiciário. Os políticos prudentes são aqueles capazes de antecipar o advento das adversidades futuras e de agir no presente ou para evitá-las ou para reduzir os seus efeitos danosos. E são aqueles que sabem medir as consequências de cada decisão e de cada ato político, adotando providências em relação a elas.

A direção do PT não vem sabendo conduzir o partido, a militância, os simpatizantes e os seus eleitores. Ela vem fomentando a tese despolitizada do Lula ou nada. Esta tese significa o seguinte: caminhar com Lula até o fim, mesmo que ele esteja excluído das eleições pelo Judiciário, o que equivale dizer que se a candidatura Lula for legalmente inviável será transformada numa anti-candidatura. Anti-candidatura é abstencionismo eleitoral, ao menos para as eleições presidenciais.

Se a anti-candidatura é uma opção, a direção do partido precisa anunciá-la para que os candidatos a outros cargos, a militância e os eleitores se preparem para esta situação e não sejam pegos de surpresa. E se esta é a opção, a prudência recomenda que se indague quais seriam as suas consequências. Uma das consequências previsíveis seria a despotencialização eleitoral do partido, com um aumento das dificuldades para eleger deputados, senadores e governadores. O PT não poderia ocupar o espaço de TV e rádio destinado à propaganda presidencial. Deixaria, inclusive, de ocupar esse espaço para denunciar o golpe, defender a liberdade de Lula, um programa para o país etc.

A palavra de ordem "Lula ou nada", estimulada por setores da direção do PT vem gerando uma militância despolitizada, sectária, religiosa, agressiva, assemelhada à militância radical de direita, cujo único argumento é a ofensa contra aqueles que não concordam com ela. A partir de uma senha "Ciro não passa no PT nem com reza brava", essa militância, incluindo alguns analistas, se dedica mais a atacar Ciro Gomes do que a atacar o governo, a direita, Bolsonaro, o PSDB e o centrão. Parte dessa militância volta também seu sectarismo contra Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila, sugerindo que fazem o jogo da direita ou que são esquerdistas inconsequentes, cobrando uma coerência que passa longe do próprio PT.

Essa arrogância tacanha e irresponsável pode comover ânimos desolados e ressentidos, mas pouco ajuda a tarefa de defender a democracia, combater o golpe e enfrentar os neofascistas. Que direito têm essa arrogância de cobrar coerência dos outros? Ou o PT não se aliou a uma horda de partidos golpistas, com Michel Temer à frente? Ou o PT não está se aliando, agora, em 15 ou 16 estados, com partidos golpistas, a exemplo do PSD, PPS, MDB, PRB, PP etc.? As direções petistas têm seus motivos para fazer essas alianças, mas não se pode cobrar coerência dos outros quando não se tem coerência em casa. Critica-se Ciro por querer colocar um empresário como vice na chapa. Mas Lula não teve José Alencar, um dos maiores empresários do país? O que há de pior do que Temer?

A manutenção da candidatura Lula até o fim ou até uma decisão da Justiça Eleitoral deve implicar na consciência de que o PT caminhará sozinho nessa empreitada, mesmo que venha substituir Lula na reta final da campanha. É uma escolha que precisa ser respeitada, assim como precisam ser respeitadas as candidaturas de Ciro, Boulos e Manuela. É preciso respeitar essas candidaturas em nome da coerência, da responsabilidade e da ética, pois o campo progressista precisa fortalecer a frente democrática na luta contra o golpe e contra o fascismo, criando a perspectiva da unidade no segundo turno.

Quem coloca os interesses do povo acima dos interesses partidários precisa entender que o campo progressista não deve sair enfraquecido nas urnas, pois isto representaria o aprofundamento do caráter anti-social e anti-nacional do golpe. Atacar os candidatos do campo progressista significa fazer o jogo do conservadorismo, um jogo contra os interesses do povo. Cabe perguntar: o PT deve estar a serviço do povo ou de si mesmo? O sacrifício de Lula, preso injustamente, deve ser instrumento de luta a serviço do povo ou a serviço da cúpula do PT? A direção do PT não tem o direito de interditar o debate legítimo interno em nome de um argumento constrangedor: "quem quer debater alternativas é traidor de Lula". A luta pela liberdade de Lula não pode ser instrumentalizada para fins dos conflitos e dos interesses internos o PT.

Lula vinha fazendo críticas autocrítica dos erros do PT desde 2014. José Dirceu, dois dias antes de ser preso novamente, fez autocrítica em entrevista à Rede Brasil Atual. Mesmo que parcial, foi uma autocrítica significativa. Não é possível que os mandarins da burocracia partidária continuem olímpicos no pedestal da arrogância, distribuindo éditos e sentenças condenatórias contra aliados, estimulando o destempero agressor daqueles que não têm argumentos.

Setores petistas, visando sobreviver politicamente, agora criaram uma nova tática ilusionista: radicalismo verbal na exigência da liberdade de Lula e inconsequência e imobilidade na prática. Ou não é verdade que desde a condenação de Lula em 25 de janeiro até sua prisão, em 7 de abril, não houve nenhuma mobilização significativa para defender o presidente? Ou não é verdade que desde a prisão de Lula, excetuando-se o ato de São Bernardo e a vigília em Curitiba, não há uma mobilização para a libertação de Lula? Parecem acreditar numa luz mística salvadora: os 35% das intenções de voto no presidente. Mas para que essas intenções se tornem algo concreto é preciso superar impasses terríveis e fazer mediações corretas com a realidade para que as intenções de voto não sejam apenas ilusões a fugir entre os dedos. Causa estupefação que os argentinos se manifestem nas praças pedindo a libertação de Lula e que no Brasil não aconteça nada parecido.

Os militantes e simpatizantes do PT precisam encarar a realidade, a verdade efetiva das coisas: 1) o PT não tem força para mobilizar milhões de pessoas para exigir e possibilitar a libertação de Lula; 2) o Judiciário não libertará Lula antes das eleições e é improvável que o liberte no curto prazo; 3) em que pese existirem brechas jurídicas, é improvável que o TSE aceite a inscrição da candidatura Lula, mesmo que sub judice. A tática do PT precisa responder e indicar caminhos a essas questões ou será uma tática que vende ilusões para comprar derrotas.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
Leia Mais ►

Como o STF tolera conviver com Gilmar Mendes?

E Cármen Lúcia admite que ele negocie patrocínios com o Joesley...


O Conversa Afiada reproduz da revista "Época" (do grupo Globo Overseas, que tem sede na Holanda) texto irretocável do professor Conrado Hübner Mendes, Doutor em Direito e Professor da USP, sobre aquele em quem a dra. Fernanda Massad acaba de aplicar acachapante derrota:

Um juiz de princípios

Gilmar Mendes é retrato de uma época. Nenhum outro protagonista da deterioração da democracia brasileira nos últimos anos teve, sozinho, tamanha onipresença nos eventos que importam para contar essa história. Nenhum movimento significativo do xadrez político nacional foi dado sem sua assessoria. Quando Luís Roberto Barroso lhe confessou que "V. Exa. é um constrangimento para o STF", expressava mal-estar que transcende o tribunal. É também constrangedor, para um professor de direito, escrever repetidas vezes sobre um mesmo personagem. À medida que seu grau de malignidade volta a subir, contudo, não custa alertar para o perigo de sua normalização: no momento em que o padrão Gilmar se tornar o novo normal, já teremos cruzado o ponto de não retorno.

Na primeira vez que escrevi sobre o assunto, salientava o juiz vedete — seu hábito de manipular a mídia contra seus próprios colegas ("O dono da bola", Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro de 2015); na segunda, destacava a omissão do STF em neutralizar os desvios individuais ("O inimigo do Supremo", Jota, 5 de junho de 2017); na terceira, descrevia o juiz bolivariano, e como autoridades do quilate de Eduardo Cunha, Aécio Neves e Michel Temer usam da amizade de Gilmar como dividendo político ("Por quem Gilmar Mendes se dobra?", Folha de S.Paulo, 31 de agosto de 2017).

Restam outras facetas. Uma delas é a do juiz-empresário: se a Constituição veda a juízes exercer outra atividade, exceto uma de magistério (art. 95), como pode um juiz ser sócio de empresa de ensino? Como pode a empresa do ministro prestar serviços (sem licitação) a governos de todos os níveis e receber patrocínios (alguns ocultos) de grandes empresas, todos com ações no STF? Como pode esse juiz negociar patrocínios (com Joesley Batista, por exemplo)? Como pode se ausentar de sessão do Supremo para participar de evento da empresa? Como pode a presidente do STF silenciar?

Há também a faceta do juiz-repúblico, quando resolve atacar a magistocracia e dizer que "nem em boteco se admite 60 dias de folga". Como pode o ministro recordista de pedidos de impeachment vestir, sem corar, a farda de juiz-bolivariano, o chapéu do juiz-empresário e a máscara do juiz-repúblico? Os "como pode" não acabam.

Na semana em que Gilmar concedeu habeas corpus a Paulo Vieira de Souza, vale a pena olhar para a faceta que, em condições normais, seria a mais relevante: a qualidade do que escreve e a coerência dos fundamentos.

Decisões de Gilmar são previsíveis, mas essa previsibilidade não tem relação com segurança jurídica, como se pede a um bom juiz.

Flutuações da conjuntura política a explicam. Foi isso que o fez mudar de opinião, por exemplo, no caso de cassação de chapa presidencial e no caso de execução penal após segunda instância. No meio do caminho havia o impeachment. Ou pelo menos é o que parece, pois os argumentos para a mudança de posicionamento não convencem.

No último habeas corpus, Gilmar reconhece "jurisprudência consolidada" contra a supressão de instância, ou seja, contra o STF decidir antes de outras instâncias. Afirma, porém, que o "princípio da proteção judicial efetiva" possibilita contornar a regra diante de "patente constrangimento ilegal". A chave está no adjetivo "patente". Pelas páginas seguintes, transcreve texto de sua autoria para dizer que, às vezes, há "motivos ocultos" na decretação da prisão preventiva, um "desvio de finalidade", de legalidade aparente. Insinua que forçar a delação seria o tal motivo oculto. A evidência seria uma coluna de Mônica Bergamo, que sugeriu a hipótese. Recorre ao truque jurídico do princípio na cartola, a partir do qual afasta regras e precedentes que não favorecem a decisão. É técnica ilusionista: basta aludir a um princípio, sem maior elaboração sobre seu conteúdo. O truque permite decidir qualquer coisa. Permite também desconfiar dos seus próprios motivos ocultos (e de seus princípios).

No ano em que o livro "Coronelismo, Enxada e Voto", clássico de Victor Nunes Leal, talvez o maior ministro da história do STF, completa 80 anos, Gilmar lhe presta homenagem involuntária. Difícil medir o mal que faz à corte e a irresponsabilidade do colegiado que o tolera.

Conrado Hübner Mendes
Leia Mais ►

Manter candidatura de Lula é duplamente correto

"Seguindo a orientação do ex-presidente Lula, o PT adotou uma estratégia para a eleição presidencial que tudo indica ser correta", escreve Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi em Carta Capital. "As reações nervosas da direita e daqueles que sonham se construir como candidatos sugerem que foi uma boa decisão. Manter a candidatura de Lula é duplamente acertado. De um lado, significa apostar na legalidade e ver aonde isso nos leva. De outro, demonstra o respeito que o PT e Lula têm por seu ativo fundamental, a vasta parcela da população que representam".

"Que pretextos inventarão para negar o registro da sua candidatura? Farão a mágica de recusar um requerimento antes que seja feito? Vão fabricar uma legislação específica para ele, negando-lhe direitos acessíveis a centenas de outros? Será Lula o primeiro candidato proibido de fazer campanha, depois de devidamente registrado e antes da decisão definitiva a respeito da postulação? E se acharem que não há alternativa, irão até o adiamento ou cancelamento das eleições?".

"Lula e o PT estão certos na estratégia por uma segunda razão: manter a candidatura do ex-presidente é o desejo do imenso contingente de eleitores que militam, se identificam ou simpatizam com o partido. As estimativas variam, mas ninguém duvida que falamos de mais de 30 milhões de cidadãos, talvez mais de 40 milhões".

"Elas querem votar em Lula, não concordam com as alegações que fazem contra ele, não consideram que haja prova das acusações, rejeitam a parcialidade da Justiça e avaliam que o processo, a condenação e a prisão foram políticas. São pessoas que não entenderiam se seu partido optasse agora por substituí-lo como candidato ou fugisse da disputa eleitoral, indo esconder-se em uma candidatura a vice-presidente".
Leia Mais ►

O titereiro

Geisel foi o títere de Golbery, mas o ditador conseguiu escapar das mãos do chefe da Casa Civil quando avalizou o assassínio de resistentes à ditadura

‘Nunca imaginei que nosso regime fosse levar a tanta injustiça’
Dia 3 de agosto de 1975, o general Golbery me ligou. “Estou de volta – disse –, venha amanhã.” Naquele dia, o ditador fardado Ernesto Geisel pronunciara o discurso chamado “da pá de cal” para anunciar a interrupção abrupta do processo de distensão “lenta, gradual, porém segura e o doutor Ulysses a comparava a Idi Amin.

Depois de sofrer o descolamento da retina, Golbery, chefe da Casa Civil, se afastara do governo por vários meses para ser operado na Espanha. Retornara no final de junho ao Rio e ali, fechado em um quarto escuro, passara a convalescença por todo o mês de julho. E lá fui eu encontrá-lo em Brasília.

Já contei essa história várias vezes, mas, impávido, estou à vontade para contá-la mais uma: as repetições ajudam, como diziam os antigos romanos, e nem todos os que me honram com sua leitura têm a obrigação da boa memória.

Entendo, enfim, que é dever do jornalista oferecer subsídios aos historiadores de amanhã, sem deixar de sublinhar que a história do País se baseia, sobretudo, em equívocos e mentiras.

O general, detestado, aliás, pela maioria dos companheiros de farda, ao me receber tinha sob os olhos uma cópia veementemente rabiscada do discurso de Geisel. Atirou-a sobre uma mesinha central da saleta em que nos achávamos com um gesto entre o desprezo e a ira, e sentenciou: “Isto vai provocar a escalada do terror de Estado”.

Revelou-me que o texto do discurso fora encomendado por Geisel ao ministro João Paulo dos Reis Velloso e insistiu na gravidade da situação criada, a incitar os janízaros do regime, sustentados por uma fatia conspícua do empresariado nacional.

Golbery não se enganava, a ofensiva do terror de Estado levou aos assassínios de Vlado Herzog e, três meses depois, em janeiro de 1976, do operário Manuel Fiel Filho, e à prisão de inúmeros cidadãos, muitos deles torturados.

Nesta moldura trágica caberia a chacina da cúpula do PCB, contrário, diga-se, à luta armada, e o acordo com as demais ditaduras do Cone Sul na Operação Condor, para a repressão feroz de quaisquer formas de resistência. Vale lembrar as misteriosas e quase concomitantes mortes dos três aliados da Frente Ampla, Goulart, Juscelino e Lacerda.

Fala-se hoje de documentos liberados pela CIA em 2015, entre os quais aquele localizado pelo colunista da Folha de S.Paulo, Matias Spektor, a revelar o aval dado por Geisel ao assassínio de adversários da ditadura.

Não fiquei surpreso: em uma fluvial entrevista ao CPDOC da FGV-RJ, publicada faz anos em um volume capaz de derrubar criados-mudos, Geisel, já de pijama, declara recomendável a tortura “quando necessário”.

Há quem apresente o ditador como o sacerdote da missão de levar a bom termo a abertura política, o que vai na contramão da reação de Golbery naquele 4 de agosto de 1975. Em tudo o que o chefe da Casa Civil dizia pareceu-me colher um subtexto: veja só como o homem se aproveita da minha ausência.

A bem da verdade, a relação entre o ditador e o chefe da Casa Civil não era de intimidade, e sim bastante formal. Dons de feiticeiro Golbery realmente possuía, a ponto de desenrolar de fio a pavio o enredo da ditadura, começo e fim. As próprias indiretas de 1985 deram por encerrado o regime obediente ao script golberiano e aconteceram entre os candidatos por ele escolhidos de antemão, Tancredo e Maluf.

Em uma entrevista que Dom Paulo Evaristo Arns me deu na primeira metade de 1995, publicada em CartaCapital, extraio esta passagem sobre Golbery: “Ele tinha me prometido, no começo do governo Geisel, acabar com a tortura e um ano depois eu levei as famílias de torturados, 40, para Brasília e ele passou a tarde inteirinha conosco.

No fim, diante de todos eles, ele chorou. Ele disse: ‘Nunca imaginei que nosso regime fosse levar a tanta injustiça’. Ao entrar no carro, ele me chamou e me disse ao ouvido: ‘E essas coisas ainda estão acontecendo, não é possível’.

Ele estava mesmo contra a tortura e muitas coisas mais. (...) Falamos muitas vezes, almoçamos sozinhos e ele me dizia uma porção de coisas. No final, eu tinha uma profunda simpatia por ele. Vi que tinha a mesma ideia que nós em relação à tortura, à censura e à própria ditadura”.

Geisel odiava Dom Paulo, e também eu merecia esta regalia do ditador tonitruante. Sei desta antipatia por causa do depoimento de Karlos Rischbieter em seu livro de memórias, na passagem em que relata minha saída da Veja, e de uma singular fala do general Figueiredo, pronunciada durante um churrasco em 1988, quando sustenta que eu reescreveria o Evangelho, que Geisel me detestava, mas que não tenho rabo preso.

De minha parte, logo percebi em Geisel o bestalhão escolhido a dedo por Golbery para ser o títere na mão do titereiro. Nem sempre deu certo.

Mino Carta
Leia Mais ►

Maia, perde direitos políticos e deverá ressarcir cofres públicos em R$ 3,3 milhões

O vereador do Rio de Janeiro Cesar Maia perderá a função pública e terá seus direitos políticos suspensos por oito anos. O ex-prefeito foi condenado em ação civil pública por improbidade administrativa. Além disso, ele deverá ressarcir os cofres públicos em cerca de R$ 3,3 milhões por irregularidades no pagamento feito pela Prefeitura à Construtora OAS na fase final da construção do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari. Cesar Maia é pai do presidente da câmara deputados e pré-candidato à presidência da república pelo DEM, Rodrigo Maia.

Também são réus na ação a os ex-diretores da RioUrbe, Jorge Roberto Fortes e João Luiz Reis, o ex-secretário Municipal de Saúde, Jacob Kligerman, o ex-subsecretário de Administração de Finanças, Reynaldo Pinto de Souza Braga Júnior. Eles perderam os direitos políticos por cinco anos e foram responsabilizados solidariamente a ressarcir o valor pago à OAS.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o contrato foi prorrogado diversas vezes com acréscimo de valor e de prazo. A demora teria sido proposital a fim de aguardar o resultado de ações judiciais sobre os modelos de gestão do hospital que seria inaugurado.

Na sentença, a juíza Maria Paula Galhardo ressalta que a construtora contribuiu para a situação ao aceitar participar das irregularidades contratuais. A magistrada também afirma que o caso demonstra falta de preocupação com o patrimônio público, com gastos desnecessários que causaram lesão ao erário municipal.

“A suspensão da contagem do prazo da obra, bem assim, o retardo na aceitação provisória e definitiva da mesma foram mecanismos utilizados pelos agentes públicos demandados para postergar a assunção do imóvel, mantendo o mesmo sob “responsabilidade” da construtora. Que o retardo foi proposital, com escopo de aguardar o desfecho de ações judiciais em que eram questionados os modelos de gestão do Hospital Municipal a ser inaugurado, caracterizando conduta ilícita”, destacou.

No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

Ciro não é e nunca foi um caminho para a esquerda brasileira

Acho apropriada a estratégia do PT de manter a candidatura de Lula até o fim. A cada nova pesquisa eleitoral, fica mais evidente que, sem Lula, a legitimidade da eleição de outubro está ferida de morte. A manutenção da candidatura de Lula é a mais eloquente denúncia do Estado de exceção a que estamos submetidos.

A radicalidade desta defesa contrasta, porém, com todo o resto da coreografia eleitoral do PT, que insiste nas práticas dos últimos anos, vendo a eleição como um xadrez desconectado dos conflitos políticos fundamentais, pronto a se aliar com quem passe pela frente. Por vezes, sacrificando até seus melhores quadros. A pressão pela retirada da candidatura de Marília Arraes em Pernambuco, uma candidatura favorita ao governo, para dar apoio à reeleição de Paulo Câmara, é o exemplo mais dramático.

Defender o direito de Lula se candidatar é prioridade para qualquer democrata. Mas erra feio a parte da militância do PT que julga que optar por qualquer outro candidato é uma “traição”. A exigência de que o nome de Lula conste na urna é exatamente para permitir que o eleitorado disponha de efetiva possibilidade de escolha.

Da mesma forma, é legítimo que Ciro Gomes faça as movimentações que faz para ampliar seu arco de alianças e aproveitar a occasione para se firmar entre os candidatos a serem levados a sério. Mas não é razoável que parte dos ciristas conclua que, como seu candidato é hoje o que melhor pontua entre os de esquerda (na ausência de Lula, convém sempre lembrar), é obrigatório que todos o apoiem.

Ciro tenta ser o Lula da era pós-Lula, mas sem o lastro social do líder petista. Não é e nunca foi um caminho para a esquerda brasileira. A meu ver, apoiá-lo representa abdicar da construção deste caminho, em nome de um possibilismo focado na eleição.

Por tudo isso, penso que Guilherme Boulos é a melhor opção para outubro. Ele encarna sem rodeios os valores ético-políticos da esquerda e está pronto para a fazer a disputa por eles. Sabe se comunicar e politiza o debate. Tem a preocupação de confederar as diferentes agendas emancipatórias, sem ignorar que o grande desafio é superar o capitalismo. Sua candidatura contribui para repensar o projeto da esquerda para o Brasil e as formas de lutar para realizá-lo. Boulos o candidato para quem sabe que a política não começa na urna, nem termina na apuração.

Leia Mais ►

O modelo de segurança de Minas Gerais


O projeto Brasilianas visa consolidar e divulgar experiências e propostas de políticas públicas para o país. Um dos temas centrais é a segurança pública.

O problema da segurança pública está ligado a alguns erros fundamentais na Constituição de 1988. De um lado, manteve a mesma estrutura do Judiciário e da Segurança Pública do período militar.

Depois, manteve a Polícia Militar com o papel de policiamento preventivo, mas não a dotou de área de inteligência. Assim, os indicadores de eficiência passaram a se concentrar nas prisões em flagrante e nas estatísticas de mortes. E as prisões em flagrante se concentram, na maioria, em pequenos delitos contra o patrimônio e em pequenos vendedores de drogas, resultando no maior crescimento mundial da população carcerária. Pior, colocando presos de baixa periculosidade nos braços das organizações criminosas que controlam a maioria dos presídios.

Há inúmeros passos a serem dados no âmbito federal. A mais importante iniciativa é a PEC 51, apresentada pelo Senador Lindbergh Farias e preparada por um conjunto renomado de especialistas na área.

Mesmo assim, vale a pena acompanhar o que está acontecendo em Minas Gerais. O Estado definiu uma política de segurança baseada em um conjunto de princípios advogados pelos estudiosos do setor, inclusive com sistemas de participação popular.

Na mais aguda crise econômica da história contemporânea, com o governo federal paralisado pela política econômica e por falta de políticas públicas, e o próprio estado atravessando uma enorme crise fiscal, Minas logrou uma redução substancial nos índices de criminalidade.

Alguns meses do ano passado chegaram a registrar quedas de mais de 20% em relação ao mesmo período de 2016.

De 2009 a 2016, Minas Gerais saltou de 54.000 registros de crimes violentos para 145.000. Em 2017 a escala foi interrompida e o ano fechado com 120.000 crimes violentos, com 15% de redução ou 25 mil crimes a menos em relação a 2016

A situação ainda não  é ideal. Com a consolidação dos eixos de ação, no primeiro quadrimestre houve redução de 31% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado.

A expectativa é se chegar ao final de 2018 de volta aos números absolutos de 2012.

Mais que isso, o estado logrou desenvolver um modelo conceitualmente correto, reeditando o sucesso das experiências de Eduardo Campos em Pernambuco, embora ainda em construção.

A fórmula do governo Fernando Pimentel, consistiu nos seguintes passos, no Programa Mais Segurança.

Passo 1 – segurança e direitos humanos

O primeiro passo do modelo mineiro foi consolidar alguns valores prévios: participação da comunidade, integração das forças e polícia comunitária. E, especialmente, tratar a segurança como uma questão de direitos humanos, do cidadão.

Em cima desses conceitos, foram desenvolvidas duas ações paralelas: gestão estratégica e proteção social. E uma reengenharia do efetivo, privilegiando a ponta, isto é, o policial na rua.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) nasceu da reforma administrativa implementada em 2016, ampliando o escopo de uma secretaria de segurança tradicional. Entre as suas missões, definiam-se:
  • Políticas estaduais de segurança pública para garantir a efetividade das ações, com repressão à criminalidade;
  • Atividades de inteligência de segurança pública;
  • Ações de prevenção à tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes;
  • Política de atendimentos às medidas socioeducativas de semiliberdade e internação.
No final do ano, ampliou-se a atuação da Secretaria:
  • Promover política de prevenção social à criminalidade, especialmente junto a territórios e grupos mais vulneráveis;
  • Promover políticas sobre drogas, de modo a preveni o uso nocivo e atender e reinserir socialmente seus usuários e dependentes;
  • Coordenar e gerir o Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, destinado a recuperar adolescentes infratores.
  • Promover política de integração entre os órgãos de segurança pública e entre estes e outras organizações.
O programa Mais Segurança foi montado em torno de três pontos específicos:
  1. Sensação de segurança. Percepção do cidadão de se sentir seguro Alcança-se esse objetivo com visibilidade, policiamento ostensivo.
  2. Atenção à interiorização do crime. No decorrer da década passada, houve aumento do crime nas pequenas cidades. Passou-se a trabalhar com um reequilíbrio na distribuição dos efetivos.
  3. Redução do crime violento: 98% são roubos; homicídios representam pouco. Mas roubo é delito que afeta a sensação de segurança.

Passo 2 – a segurança como estratégia sistêmica

A segurança passou a ser encarada, igualmente, de forma sistêmica, pensando não apenas na repressão aos crimes, mas na polícia comunitária, no policiamento preventivo, na integração da inteligência, em novas abordagens para a questão das drogas e dos menores. E, principalmente, ouvindo as comunidades e entendendo o território de forma ampla, inclusive em relação aos serviços públicos existentes.

No final de 2016 foi preparado o Plano Estratégico da Secretaria do Estado de Segurança Pública de Minas Gerais. 2017/2019. O Plano foi montado com participação das diversas comunidades regionais, já reunidas nos Fóruns Regionais, mecanismo de consulta popular criado pelo governo Pimentel para descentralizar as políticas públicas do Estado.

Nos Fóruns, o estado foi dividido em 17 regiões de desenvolvimento. Em todas elas, a questão da segurança pública apareceu dentre as prioridades traçadas.

Nas regiões metropolitanas identificaram-se as áreas de maior incidência de crimes violentos e foram instaladas Bases de Segurança Comunitária (BSCs). Trata-se de uma viatura furgão com dois Policiais Militares tecnologicamente equipados, permitindo o registro de ocorrências e o acesso às câmeras olhos vivo espalhadas pela cidade. E dois PMs de motos fazendo patrulhamento e sendo acionados para atender a qualquer evento suspeito.

Os PMs são mantidos por bom tempo em cada região para se integrarem, se tornarem acessíveis aos cidadãos.

Belo Horizonte foi dividido em 86 espaços territoriais. Em cada um deles lançou-se uma BSC.  Cada BSC atende a uma área de 3,5 km2, aumentando a percepção de segurança.

Semanas atrás, o governo descentralizou verba para implementar até meio do ano BSCs em Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, Pedro Leopoldo, Santa Luzia, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba e Uberlândia.

Passo 3 - A integração das forças e a gestão

Um dos grandes problemas da Constituições foi colocar as PMs e Polícias Civis respondendo diretamente ao governador do Estado. É um dos pontos que atrapalha a integração entre as duas forças.

Também pela lei mineira, Polícia Civil, Polícia Militar e bombeiros se reportam diretamente ao governador do Estado. Foi criada, então, uma Câmara de Coordenação das Polícias Públicas presidida pelo Secretário de Segurança.

Cada força tem sua área de inteligência, fazendo inteligência orgânica para a instituição. E a Secretaria tem a coordenação de inteligência, fazendo mapeamento estratégico para abastecer a câmara de coordenação, para tomada de decisão.

Além disso, avançou-se em um projeto de reestruturação interna da corporação, modernizando processos, cuidando da articulação operacional, para liberar o máximo de PMs para atividades operacionais. 1.967 policiais saíram da parte administrativa e foram para rua

Na questão logística, houve a terceirização da frota em toda a região metropolitana e nas cidades polo. Pelo sistema de locação de veículos houve maior disponibilidade de viaturas, já que as locadoras são obrigadas a substituir em 24 horas qualquer veículo que entre em manutenção.

Passo 4 - As estatísticas

Um dos pontos centrais da segurança pública mineira é o uso de estatísticas confiáveis e públicas.


Com base nas informações colhidas pelas estatísticas e pela polícia proximidade, alimenta o Grupo Especial de Planejamento em Área de Risco (GREPAR), destinados a atuar em momentos de tensão. Além de conhecer a população da respectiva área de risco, o grupo consegue identificar os alvos da polícia que estão no território.

Senta-se, então, em torno do gabinete integrado para conversar com aquelas pessoas o Ministério Público, a Secretaria de Segurança, a Polícia Militar, a Prefeitura e a comunidade. Esta não apenas passa informações sobre ocorrências, mas também sobre o funcionamento do serviço público existente na região, subsidiando a Prefeitura de informações.

São 19 Regiões Integradas de Segurança Pública, cada qual com suas características próprias. No Triângulo Mineiro, por exemplo, utiliza-se da mesma metodologia empregada nas regiões metropolitanas. Mas o estado tem 853 municípios, dos quais o menor é Serra da Saudade, com 850 moradores.

Peça 5 - Os modelos de encarceramento

O Estado tem três modelos de encarceramento: o tradicional, o PPP, modelo puro-sangue; e a APAC (Ame ao Próximo como quem Ama a Cristo), que nasceu em Santa Luzia, na grande BH. Nele, as pessoas não ficam guardadas em celas. Os próprios presos têm as chaves de suas celas, fazem comida, tem contato com a sociedade. Não há registro de fugas de presos e o custo é de R$ 850 por preso, contra R$ 2,700 dos presídios comuns e pouco mais de R$ 3 mil nos PPPs.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Cármen Lúcia diz que TSE não pode impedir a candidatura de Lula: Assista


A declaração que deixou a bancada do programa Canal Livre, na Bandeirantes, na noite de ontem, domingo (20), desanimada. Em especial o jornalista Fernando Mitre, com expressão de desgostoso. Segundo a Ministra e Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tem como impedir a candidatura de Lula, mesmo preso.

Quanto a isso, a caminha do ex-presidente Lula não pode ser impedida por que o judiciário não age por contestação prévia, ou seja, deve ser provocado a tomar uma decisão. Dessa maneira, a inscrição de Lula obrigatoriamente deverá ser deferida.

Cármen, ainda falou que o STF já discutiu esse tema e não mudou a jurisprudência alterando o entendimento corrente sobre o assunto. Segundo ela, não há motivos para pautar o tema novamente.

Dessa maneira, Lula tem caminho eleitoral aberto para ser candidato em 2018, preso ou não. Assista abaixo:





No A Postagem
Leia Mais ►

Caminhoneiros bloqueiam vias em nove estados contra preço dos combustíveis

Protesto teve início na madrugada desta segunda-feira (21). Com reajustes seguidos nas refinarias, diesel acumulou 5,98% na última semana


Caminhoneiros protestam em rodovias de Minas


Em pelo menos nove estados do país, desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (21), caminhoneiros protestam com bloqueios em rodovias contra as elevações sucessivas do preço do diesel pelo governo de Michel Temer. Eles reivindicam a redução de impostos nos preços dos combustíveis, alegando que não conseguem repassar os custos para o valor dos fretes. Os protestos foram anunciados na última sexta-feira (18) pela Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam) e pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). 

Também na sexta-feira (18), a Petrobras anunciou um novo aumento, de 0,80% para o diesel e de 1,34%, para a gasolina, que passaram a valer a partir de sábado (19) nas refinarias. Na semana, o diesel acumulou alta de 5,98% e a gasolina, 6,98%.

Em São Paulo, os caminhoneiros interditaram totalmente a Marginal Pinheiros, na altura da Avenida dos Bandeirantes, e também ocupam duas faixas da Avenida Jacu Pêssego (sentido Ayrton Senna), na Zona Leste da cidade. 

Na via Dutra, foram registrados dois pontos de paralisação, na altura do município de Pindamonhangaba (km 101) e em Jacareí (km 160). A passagem é bloqueada para caminhoneiros e liberada para os demais veículos. Também houve bloqueio na saída da Refinaria de Paulínia (Replan), no interior do estado.

Já no Rio de Janeiro, também na via Dutra, os bloqueios ocorrem na Baixada Fluminense, próximo ao município de Seropédica. Motoristas também protestam no no trevo da Rodovia Niterói-Manilha e nos arredores de Campos dos Goytacazes, na mesma via. 

Em Minas Gerais, os caminhoneiros interditaram uma faixa na Rodovia Fernão Dias, na altura do município de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sentido São Paulo, e também outra pista na BR-040, próximo a Ribeirão das Neves, sentido capital.

Também houve bloqueio na Rodovia BR-101, no município de Viana, na região da Grande Vitória. Após acordo com a polícia, os caminhões ocupam o  acostamento da via.

Na Bahia, um trecho da BR-324 foi totalmente interditado, nos arredores do município de Amélia Rodrigues, sentido capital. No sentido contrário, uma das faixas foi bloqueada. 

No Paraná, os protestos ocorrem na BR-116, próximo a Quatro Barras, com interdição de uma das faixas no sentido São Paulo. Há também bloqueio de uma das faixas da BR-277, no litoral do estado.

No Rio Grande do Sul, durante a madruga, os caminhoneiros bloquearam duas rodovias estaduais (ERS 121 e 020), mas nas primeiras horas da manhã, as vias já haviam sido liberadas.

Mais tarde, por volta das 10h30, houve bloqueios na BR-101, próximo à Região Metropolitana de Natal, e em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife.

No RBA
Leia Mais ►

Maduro ganhou, mas não ganhou, entende?

Só para refrescar a memória. Agora, na Venezuela, numa eleição boicotada pela maioria da oposição e com voto facultativo , o índice de comparecimento foi de 46% e Maduro se elegeu com 28% do total de pessoas habilitadas para votar e 67% dos votos válidos. Em 2000, nos EUA, o índice de participação foi de 51% e Bush, que perdeu no voto popular para Gore, se elegeu com apenas 24% do total dos votantes registrados e 47,8% dos votos válidos. Mas todo mundo mundo achou lindo e ninguém questionou a democracia norte-americana.

Marcelo Zero

Os jornais, com enorme mau humor, noticiam a vitória de Nicolás Maduro nas eleições venezuelanas.

“Não valeu”, dizem, porque a abstenção foi de 53%, pois o voto não é obrigatório.

E que em outros pleitos a abstenção ficava na faixa de 25%, o que é verdade.

Basta uma conta simples para ver que isso tem uma razão: o fato de que os partidos de direita (o MUD, Mesa de Unidad Democratica é a coligação que os representa) pregaram a abstenção eleitoral, não participando da camapnha dos adversários de Maduro.

Logo, boa parte destes 30% a mais de ausência eleitoral são “não- votos” de oposição.

Ninguém sugere que o atual presidente venezuelano tenha os mais de dois terços de apoio que teve entre os votantes.

Em julho do ano passado, num referendo convocado pela oposição antichavista e boicotado pelo Governo – situação exatamente ao inverso da eleição de ontem – os jornais saudaram o comparecimento de 7,2 milhões de eleitores  como uma “participação em massa”.

Ontem, o comparecimento de perto de 9 milhões de eleitores – dos quais Maturo teve mais de 5,8 milhões de votos, ou 67%) – é tratado como se fosse um fracasso, com uma ausência da maioria.

Repare que, dependendo das preferências políticas, 7,2 milhões de pessoas são “em massa”, mas 9 milhões são “uma eleição deserta”.

Nas eleições passadas nos EUA, o comparecimento foi de 46,6%. Na França, abaixo de 50%. Na média dos Estados Unidos, Canadá e Eupropa Ocidental, anda pelos 60%, segundo dados do International Institute for Democracy and Electoral Assistance, citados pelo Nexo Jornal.

Não é uma questão aritmética, portanto, legitimar ou deslegitimar as eleições venezuelanas. Elas e seu resultado são, sim, um fato político.

A Venezuela é o triste retrato do que se passa em um país partido ao meio, sabotado, desestabilizado e onde se recusa o diálogo entre as forças políticas.

O Jornal Nacional, no sábado, argumentou  que “com líderes de oposição presos e candidaturas cassadas, fica difícil confiar nas urnas”.

É verdade, embora este mesmo conceito pudesse ser aplicado aqui, com sinais trocados, não é?

E nenhum órgão de imprensa diz que é ilegítimo termos um governo com menos de 5% de respaldo popular, embora tenham sustentado todo o tempo que pouco importavam as esquecidas pedaladas, a derrubada do governo de Dilma se justificasse por ter apenas 10% de popularidade.

O fato político concreto é que Nicolás Maduro, nas piores condições possíveis, agrega a vontade de seis milhões de eleitores venezuelanos. É provável que a oposição ande por aí ou até pouco mais, embora não consiga reunir-se em torno de uma liderança e dela disse a insuspeita BBC: ” Antes y durante la campaña se ha mostrado nuevamente dividida y sin líder”.

É preciso um governo de diálogo naquele país e, reconheça-se, foi este o primeiro apelo de Maduro após as urnas.

Mas Estados Unidos, parte da Europa e a leva de governos conservadores da América Latina seguem apostando na divisão e na demolição da Venezuela.

Não há vitória possível sobre os emcombros de um país. Para ninguém.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Greve dos caminhoneiros vai atropelar Temer?


Marcada para ter início às seis horas desta segunda-feira (21), a greve nacional dos caminhoneiros pode representar uma baita dor de cabeça para o já desgastado Michel Temer. Segundo José Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), a paralisação deve atingir vários Estados já no seu primeiro dia e pode ter longa duração – o que afetará o abastecimento no país e terá forte impacto na já combalida economia. A entidade, que reúne cerca de 600 mil dos um milhão de trabalhadores do setor, até tentou negociar com o covil golpista, mas não obteve retorno. Após ser usada como massa de manobra dos golpistas, a categoria se sente traída e sua revolta pode ser explosiva.

O líder da Abcam até tenta acalmar os ânimos, mas teme pela radicalidade da greve. “Pedimos que todos os caminhoneiros deste país façam a paralisação em suas casas, ou em postos de abastecimento, sempre de forma pacífica e sem prejudicar o direito de ir e vir de outros condutores. Não apoiamos atos de violência, agressões, barricadas nas rodovias ou a depredação do patrimônio público”, apelou em nota oficial. Mas o clima é tenso. Segundo o jornal Gazeta do Povo, “a Justiça Federal no Paraná concedeu, no sábado (19), uma liminar que proíbe bloqueios em rodovias no estado, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de interdição. A decisão é uma resposta a uma ação de interdito proibitório movida pela Advocacia Geral da União (AGU)”.

Já o portal Terra informa que o “ministro” das Minas e Energia, o “gato angorá” Moreira Franco, está preocupado com os efeitos da paralisação. “Questionado nesta sexta-feira, ele disse que o governo está sensibilizado com a alta dos preços [do óleo diesel) e que está discutindo formas para uma redução de impostos. Numa tentativa de evitar protestos, as concessionárias de rodovias já estão tomando medidas. A CCR afirmou que conseguiu liminar contra manifestações na rodovia Presidente Dutra, que liga os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A decisão é válida para todos os 402 quilômetros de extensão da rodovia e determina que Polícia Rodoviária Federal e o Exército sejam informados de seu conteúdo”.

Desde outubro passado, as várias entidades representativas do setor tentam dialogar com o governo privatista. Elas apresentaram basicamente uma exigência: redução a zero dos impostos que incidem sobre o diesel, combustível responsável por cerca de 42% dos custos dos caminhoneiros autônomos. “Desde que a Petrobras implantou em julho passado um sistema de reajustes mais frequentes de preços dos combustíveis, para refletir cotações internacionais do petróleo e do câmbio, o diesel e a gasolina tiveram aumento de quase 50% nas refinarias”, relata o portal Terra, que acrescenta: “Além dos caminhoneiros, o protesto desta segunda-feira está recebendo apoio de outras categorias, como transportadores escolares e taxistas de São Paulo e Nordeste”.

A mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade do covil golpista, já iniciou sua operação contra a greve. Ela evita dar destaque às reivindicações da categoria e tenta criar o clima de pânico na sociedade. Bem diferente da postura adotada na última paralisação dos caminhoneiros, no início de 2015, quando ela estimulou os bloqueios de rodovias e outras ações mais violentas como forma de desgastar a presidenta Dilma Rousseff e de criar o clima favorável ao golpe dos corruptos que alçou a quadrilha de Michel Temer ao poder. Esta manipulação, porém, pode não ter os efeitos desejados. A conferir!

Altamiro Borges
Leia Mais ►

O submundo das delações premiadas


A imprensa acaba de revelar algo que muitos já sabiam: há um abjeto submundo nas delações premiadas, uma verdadeira indústria. Não só nas delações, mas também em alguns silêncios premiados. Segundo a imprensa, o advogado Figueiredo Basto, pioneiro das delações, cobrava propina para garantir silêncio seletivo de seus clientes, manipulando depoimentos. Eu e Paulo Bernardo sempre denunciamos que somos vítimas destas manipulações. Explico em seguida.

Antes, porém, cabe registrar a grande ironia disso tudo. Acusado por delatores premiados, Figueiredo Basto agora diz que a palavra de delatores não deve ser considerada. Em outros termos: advogado de delatores descarta a palavra de delatores. Seria a piada pronta, mas é o trágico retrato de um sistema judicial envenenado e partidarizado.

Figueiredo Basto deve ter amplo direito de defesa para (eventualmente) desconstituir a palavra dos delatores. Daqui a alguns anos poderá provar que não é o achacador que hoje estão dizendo na imprensa. Aviso ao advogado que será um tempo de muita dor.

Há quase quatro anos, Paulo Bernardo e eu fomos acusados falsamente  de pedir e receber dinheiro ilícito para uma campanha eleitoral. A notícia ocupou e ocupa ainda hoje enorme espaço na imprensa. O caso deve ser resolvido em breve pelo Supremo. O que há contra nós está (só e só) nas palavras dos delatores que eram clientes do agora delatado Figueiredo Basto.

Alberto Youssef afirmou que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, teria recebido um pedido de doação de campanha diretamente de Paulo Bernardo. Youssef, o delator original da Lava Jato, é defendido por Figueiredo Basto. Youssef (do Figueiredo Basto) está, portanto, na origem da denúncia.

A delação começou a ruir quando Paulo Roberto Costa – que tem outro advogado – desmentiu Youssef e negou que Paulo Bernardo tivesse solicitado qualquer doação de campanha. E negou em inúmeros depoimentos (incluídas duas acareações com o próprio Youssef). Até hoje não há ninguém que diga ter recebido, de Gleisi ou Paulo Bernardo, o pedido de dinheiro. No entanto, estão considerando no processo, até aqui, que possa ter existido a entrega.

Neste ponto, Youssef (do Figueiredo Basto) disse originalmente que ele próprio havia entregado o dinheiro, em parcela única, a um emissário de Paulo Bernardo, o empresário Ernesto Kugler. Depois alterou a versão para sustentar que teriam sido várias entregas. Afirmava que Kugler, com este objetivo, teria estado em seu escritório em São Paulo. Investigados os registros, ficou demonstrado que Kugler nunca havia estado no escritório mencionado. E Kugler sempre sustentou que nunca recebeu nada de ninguém. Até aqui, portanto, não havia prova alguma do pedido ou da entrega de dinheiro.

Youssef (do Figueiredo Basto) altera outra vez o depoimento (já estamos na terceira versão...). Diz que outros “auxiliares” teriam cumprido a missão de entregar o dinheiro. No entanto, os “auxiliares” indicados por Youssef, ouvidos pela Polícia Federal, negaram (nenhum era cliente de Figueiredo).

A estória seguia órfã de um pedido e de uma entrega de dinheiro. É neste momento que aparece (mais de um ano depois denúncia) outro cliente de Figueiredo Basto: Antônio Carlos Pieruccini. Trata-se de um velho conhecido da Polícia Federal. Foi sócio de Youssef no famoso escândalo da Copel/Olvepar. À época, os dois – Pieruccini e Youssef – também foram defendidos por Figueiredo Basto (e ambos também delataram).

Voltando à denúncia, fato é que Pieruccini (indicado na quinta versão de Youssef) afirmou que teria sido o responsável pela suposta entrega de dinheiro a Ernesto Kugler (que continuou negando). Aqui é importante uma pausa para tentar compreender o possível concerto de delações.

No momento em que assumiu o papel de entregador, Pieruccini estava encrencado na Lava Jato. Havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal como sócio e “laranja” de Youssef. Para complicar o caso, Pieruccini teria lavado dinheiro por intermédio de uma empresa que estava em nome das filhas. Havia uma nítida situação de oferta e demanda de delações a envolver dois clientes de Figueiredo Basto. Por tal razão, não tenho dúvida alguma, é possível afirmar que houve um concerto de delações.

Há anos venho denunciando este concerto de delações.

Pieruccini – que ao longo de todos os casos de Youssef ainda não havia sido apontado como “entregador” – assumiu-se responsável por uma entrega de dinheiro que nunca existiu. O depoimento de Pieruccini à Polícia Federal é ilustrado integralmente por elementos que já estavam no próprio inquérito (uma verdadeira engenharia de obra pronta). Mais do que isso, o depoimento é incrementado com fantasias inverossímeis, como o meu nome em etiquetas nos pacotes de dinheiro, o que nunca havia sido cogitado em nenhuma outra entrega de dinheiro por Youssef.

Detalhe importante: Pieruccini disse ter recebido dinheiro de Rafael Ângulo, pessoa ligada a Youssef. Só que Ângulo negou. Detalhe não menos importante: Ângulo também não é cliente de Figueiredo Basto.

A verdade é que estas falhas e contradições não importam. O concerto de delações foi bem exitoso para os dois clientes de Figueiredo Bastos. Youssef confirma a estória que andava órfã e Pieruccini “colabora” para livrar-se e salvar as filhas.

Apesar do concerto, a acusação contra Gleisi e Paulo Bernardo claramente ainda não tinha a robustez necessária. Aqui entram em cena mais dois clientes do mesmo Figueiredo Basto, todos citados na denúncia do Ministério Púbico. Em estória desconexa e fora de contexto, Delcídio Amaral (do Figueiredo Basto) afirma que Paulo Bernardo seria um “operador” de Gleisi. Uma acusação de “ouvir dizer”. O ex-deputado Pedro Correa (do Figueiredo Basto) teria ouvido de Paulo Roberto Costa sobre o pedido de Paulo Bernardo de doação de dinheiro para a campanha. Faltou lembrar que, à época do suposto pedido, Pedro Correa estava cumprindo pena pela Ação Penal 470 (mensalão). Parece que o concerto de delações comandado pelo delatado Figueiredo nem sempre é tão cuidadoso. A imprensa agora também revela descuido na venda de silêncio por Figueiredo Bastos.

O então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (edição de 17/11/2014), afirmou textualmente que Figueiredo Basto tinha vinculações com o PSDB e com o ex-governador do Paraná, Beto Richa, sugerindo motivações eleitorais na movimentação do advogado. Sempre sustentamos isso. A acusação de Janot já autorizava supor que o fato de sermos do PT e adversários históricos de Richa tenha influenciado na condução das delações dos clientes de Figueiredo Bastos.

O mais provável, no entanto, é que tenha havido neste caso (como em tantos outros, quem sabe) conveniente tráfico e concerto de delações. Se Figueiredo supostamente recebia dinheiro para manipular delações (dizem agora delatores), por que não as manipularia para ajudar outros clientes que o remuneravam ou agradar políticos amigos? Figueiredo ocupou cargos no governo Richa, mas não vamos acusá-lo apenas com base em delações.

Se a motivação é incerta; a vítima é certa. As vítimas somos nós – que estamos há quatro anos respondendo a um processo ancorado exclusivamente nas delações concertadas do delatado Figueiredo Basto. Quantas vítimas o submundo das delações tem feito ao longo destes tempos difíceis? Um dia, em ambiente menos conflagrado, teremos uma resposta justa e verdadeira.

Gleisi Hoffmann é senadora (PT-PR) e presidenta nacional do PT
No GGN
Leia Mais ►