18 de mai de 2018

A entrevista de Dilma à BBC News, no programa Hard Talk.


Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil, fala à BBC, no programa HARDTalk, conduzido por Shaun Ley. A BBC lembra que o Brasil foi uma das histórias de sucesso do início do século 21. E, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o rápido crescimento econômico foi combinado com a redistribuição radical de dinheiro para os pobres. Ex-militante e torturada durante a ditadura militar, Dilma o sucedeu, mas, em 2016, foi forçada a deixar o cargo acusada de fazer manobras contábeis nas contas do governo, o que foi usado para retirá-la do poder. Em abril, Dilma esteve em Londres dando apoio à candidatura de Lula à reeleição para presidente do Brasil, apesar dele estar em uma cela de prisão no Brasil.

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Memórias do Morais: A primeira prisão do Zé Dirceu


Fernando Morais se recorda da primeira vez que Zé Dirceu foi preso, pela ditadura, em 1968. Como se sabe, a história é comprida e está todo mundo "careca de saber", a UNE que era clandestina durante a Ditadura Militar resolveu fazer um congresso - clandestino - e o lugar escolhido foi Ibiúna, no interior de São Paulo, em um pequeno sítio.

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Bolsonaro é subestimado nas pesquisas para favorecer Alckmin?

Suspeita circula no MDB e no “mercado”. Empresa diz ter medido performance superior do pré-candidato na comparação com levantamentos de institutos

Datafolha e Ibope: Bolsonaro tem 16% das intenções de voto, atrás só de Lula
A eleição presidencial deste ano é a mais imprevisível desde a de 1989, motivo de no “mercado”, reduto dos endinheirados, circularem pesquisas paralelas, encomendadas por interessados em ter o máximo de dados para traçar prognósticos. Em breve, por exemplo, o instituto Ipsos fará enquetes diárias para que a Eurasia Group, uma consultoria política internacional, prepare análises para dez grandes clientes brasileiros, algo inédito na história da consultoria por aqui.

Uma empresa que resolveu ganhar dinheiro com a prática de enquetes tem medido resultados muito diferentes de institutos tradicionais. Ela contrata enquetes próprias para vender a clientes dias antes da divulgação de alguma pesquisa de instituto famoso. Com a enquete à mão, o comprador imagina o que provavelmente será visto no Datafolha e no Ibope e pode ganhar dinheiro especulando com o dólar ou na bolsa.

Na enquete comercializada em abril por esta empresa, Jair Bolsonaro tinha cinco pontos percentuais a mais do que os 16% medidos recentemente por Datafolha e Ibope. Para esta empresa, o deputado foi desidratado propositalmente para que Geraldo Alckmin, outro presidenciável do campo da direita, possa respirar. As suspeitas da empresa teriam, inclusive, chegado ao MDB de Michel Temer.

Nas últimas pesquisas de Datafolha e Ibope, o presidenciável da extrema-direita está atrás só de Lula. Ambas foram às ruas em um período parecido. O Datafolha ouviu as pessoas de 11 a 13 de abril, por encomenda da Folha de S.Paulo, que pagou 398 mil reais pelo serviço e divulgou o resultado em 15 de abril. O Ibope foi a campo de 20 a 23 de abril, contratado por 90 mil reais pela Band, que divulgou o resultado em 24 de abril.

A única diferença entre os levantamentos é que o Datafolha fez entrevistas em todo o País e o Ibope, apenas no estado de São Paulo.

Um economista de uma das grandes consultorias do “mercado” em São Paulo contou à reportagem que, recentemente, viu duas pesquisas para consumo de endinheirados e que ambas mostravam Bolsonaro acima dos 16%. Uma tinha sido feita em São Paulo e a outra, no Rio Grande do Sul.

Um outro economista do “mercado” ouvido por CartaCapital disse não acreditar em manipulação, pois não seria fácil institutos combinarem de maquiar dados ao mesmo tempo. Para ele, contudo, no “mercado” já começa a cair ficha de que Alckmin não tem chance, pois o eleitorado não quer um presidente identificado com as reformas impopulares do governo Temer.

Na última pesquisa conhecida, do instituto MDA para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), que pagou 179 mil reais pelo serviço, Alckmin tinha 4%. Esse levantamento foi feito de 9 a 12 de maio e tornado público na segunda-feira 14. No anterior, de março, Alckmin tinha 6,4%. Só ele caiu mais do que a margem de erro, de 2,2 pontos.

No novo levantamento, Bolsonaro também aparece com 16%, igual ao Datafolha e ao Ibope.

De qualquer forma, parece haver algo estranho no mundo das pesquisas, a julgar pelo que disse a diretora-executiva do Ibope, Marcia Cavallari, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo da segunda-feira 14. Ela estranha a quantidade de pesquisas na praça. “Não se sabe que interesse haveria em um instituto ficar gastando seus recursos com pesquisas. É um indício de algo esquisito.”

André Barrocal
No CartaCapital
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Jurista que propôs impeachment levantou suspeita de Moro no caso Banestado

Moro e Miguel Reale Júnior
As suspeitas de que Sergio Moro não é um juiz imparcial são mais antigas do que a Lava Jato e envolvem personalidades que voltaram a se encontrar no escândalo que desestabilizou o governo brasileiro desde 2014, com consequências graves para a política e a economia no Brasil.

Em 2007, o escritório do advogado Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, apresentou uma exceção de suspeição contra juiz, baseado em fatos que, no entendimento da banca, eram graves.

Tão graves que justificariam o afastamento de Moro, e se dirigiram a ele, em petição, para pedir que tomasse a iniciativa de se afastar, com base em um artigo 254 , inciso IV, do Código do Processo Penal, que determina:

“O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:

IV – Se tiver aconselhado qualquer das partes.”

Moro enviou e-mail para o procurador norte-americano Adam Kaufmann, que processava em Nova York João Carlos da Cunha Canto Knesse, acusado de operar como doleiro no Brasil e que teve o nome envolvido na investigação que ficou conhecida como caso Banestado.

Canto Knesse também era processado no Brasil, em ação que tramitava na 2a. Vara Federal Criminal de Curitiba (hoje transformada em 13a.), a jurisdição de Moro.

No e-mail, o juiz orienta o procurador na defesa da acusação de que teria violado a lei ao citar Canto Knesse no Brasil sem obedecer a legislação brasileira.

“Well, so let me try to give some quick help about Brazilian law”, escreve Moro ao procurador Adam Kaufmann.

(Tradução: “Bem, vou tentar lhe dar uma ajuda rápida em termos do Direito Brasileiro”).

A mensagem é longa. Ao final, Moro autoriza o procurador a usar o e-mail na corte de Nova York, o que poderia caraterizar uma espécie de parecer legal.

“Be yourself comfortable to use this e-mail, even in Court if it could helps and if seems necessary”, observou.

(Tradução: “Esteja à vontade para usar este e-mail, mesmo em Corte, se isso for de ajuda e parecer necessário”).

Para a defesa de Canto Knesse, foi uma violação clara das regras processuais.

“O aconselhamento dado por V. Exa. a um Promotor Público (ainda que americano) que está processando o excipiente (quem levanta a suspeição) exatamente pelos mesmos fatos que são objeto dessa causa (mesmo que em outro país) demonstram, sem sombra de dúvidas, que não há mais condições de se conduzir imparcialmente a presente ação penal”, argumentaram os advogados, que acrescentam:

“Frise-se: não se trata de aconselhamento de Juiz brasileiro para Juiz americano (o que ainda assim seria discutível), mas de um Juiz brasileiro para um órgão acusatório americano. E mais: para municiar a acusação no sentido de que a defesa apresentada pelo excipiente não seria aceitável !!”.

Na ocasião, a defesa de Canto Knesse nos Estados Unidos alegava que o procurador Adam Kaufmann atropelou a legislação ao citá-lo no Brasil através de ato do Ministério Público Federal do Brasil, com apoio da Polícia Federal, sem fazer uso dos mecanismos previstos  em acordos internacionais de cooperação.


Adam Kaufmann

Com suas considerações, Moro ajudou o procurador na tentativa de que processo não fosse anulado.

Portanto, demonstrou empenho pessoal na acusação a Canto Knesse. Por que outro motivo, colaboraria com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos?

Pode ser que haja outro motivo.

Ainda assim, ele teria ultrapassado o limite que separaria o juiz imparcial da parte em processo.

Os advogados citam estudos de juristas para reforçar o argumento no sentido de que se afastasse. Citam Clito Fornaciari Júnior:

“A confiança da parte na Justiça é um fator de fundamental importância para a aferição da parcialidade. A desconfiança fará com que a parte só aceite a decisão como uma imposição ao mais fraco. (…) Assim, à menor desconfiança, o Juiz deve ser afastado do feito. Nesse sentido, é de se ter presente decisão do Tribunal Constitucional de Portugal, que firmou: ‘quando a imparcialidade do Juiz ou a confiança do público nesta imparcialidade é justificadamente posta em causa, o Juiz não está em condições de administrar a Justiça”.

Moro, como de hábito, rejeitou a exceção de suspeição, e o caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça, onde a desembargadora Maria Thereza de Assis Moura, relatora da ação, votou pela manutenção do juiz à frente do caso.

A relatora disse ter entendido que o juiz tratou apenas de questões processuais, sem antecipar sua posição, ainda que seu e-mail tenha sido apresentado como parecer pelo procurador e tenha prejudicado o réu — réu, é importante lembrar, tanto na Vara de Moro quanto em Nova York.

Nove anos depois, em 2016, com suas decisões Moro era apresentado em manifestações de rua pelo impeachment de Dilma como herói, e Miguel Reale sustentava, da tribuna da Câmara do Deputados e do Senado Federal, que as pedaladas fiscais eram motivo suficiente para cassar a presidente legitimamente eleita.

Adam Kaufmann deixou a procuradoria em Nova York e passou a advogar. No portfólio do escritório Lewis Baach Kaufmann Middlemiss, ele é apresentado como especialista na defesa de várias empresas brasileiras e indivíduos envolvidos na Lavo Jato/Petrobras.

Pelo que se vê, a proximidade com Moro em 2007 rendeu frutos. Os dois continuam batalhando na mesma trincheira, a da Lava Jato, ele agora ganhando dinheiro com os réus de Sergio Moro.


O e-mail de Moro usado como parecer legal na corte de Nova York









Joaquim de Carvalho
No DCM
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Como o MBL instiga a direita hidrófoba a atacar jornalistas que farão checagem de fake news no Facebook


Nos últimos dias, desde que foi divulgada a parceria entre o Facebook e as agências Lupa e Aos Fatos, que têm por finalidade fisgar fake news, o MBL passou a fazer postagens recriminando o que considera ‘censura’.

O ritmo foi forte, a cada 3 postagens, uma pedia contribuição financeira (pra variar), outra soltava uma cretinice qualquer complementada por “Já conhece o pacote anti-crime do MBL?” e a outra incitava seus apoiadores com perguntas endereçadas para as agências de fact-checking. “Vão checar também quem fala que impeachment é golpe? É verdadeiro ou falso?” e baboseiras similares.

As postagens feitas sistematicamente provocaram a avalanche de ataques virtuais nas páginas das agências e de seus jornalistas.


André Spec, simpatizante do neonazismo, denuncia a Lupa, “uma das agências que vai censurar a direita no Facebook”

“Essa aqui é uma das agências de extrema-esquerda que vai censurar a direita no Facebook. Deixe seu recado a esse bando de filho da puta”, escreveu André Spec em seu mural.

Ele próprio, que publica fotos que fazem apologia ao nazismo, não se fez de rogado e postou na página da agência Lupa: “Vcs vão censurar a direita né seus bostas”.


Publicação de André Spec fazendo apologia ao nazismo

“Estaremos monitorando vocês na rede social também! Agora querem impor ideologia disfarçados de checadores isentos”, escreveu Pedro Griese, um carioca que vive em Brasília, é seguidor do Direita São Paulo e de Eduardo Bolsonaro.


Já Carlos Santos, outro apoiador dos Bolsonaro, foi um dos internautas que expôs a jornalista Cristina Tardáguila. A partir daí o que se viu foram montagens de fotos como a publicada por Pedro Griese, que buscavam associar os jornalistas – e até familiares – a pautas de esquerda e assim ‘provar’ que a parceria entre a rede social e as agências seria de fato uma patrulha ideológica. Coisa de maluco, doido varrido mesmo.


Carlos Santos, seguidor de Bolsonaro, também denunciou a Lupa, com medo de “esquerdistas definindo o que é verdade, o que é mentira e punindo os usuários”

Como não poderia deixar de ser, muitos ‘reaças celebrities’ entraram na onda. “Vocês, assim como eu, também não ficam mais tranquilos ao saber que tem uma agência neutrona e compromissada apenas com a verdade decidindo o que você pode ler ou não no seu feed de notícias?”, tuitou Danilo Gentili.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu uma nota em repúdio aos ataques virtuais e aos discursos de ódio contra os jornalistas. 

Já os profissionais das agências, por sua vez, bloquearam seus perfis na rede social. 

O MBL está desesperado com a parceria. As duas agências terão acesso à plataforma e verificarão a veracidade dos conteúdos. Aqueles classificados como inverídicos receberão uma etiqueta e sua disseminação orgânica será reduzida pelo algoritmo de Zuckerberg. 

Páginas que repetidamente compartilharem notícias falsas terão o seu alcance diminuído e seus conteúdos não poderão mais de usar a opção de anúncios pagos para amplificar suas audiências.

Nos Estados Unidos, onde a ferramenta já roda há algum tempo, constatou-se uma redução de até 80% na distribuição orgânica de notícias consideradas falsas por agências de verificação parceiras da rede social. Infelizmente, só depois que Donald Trump já estava eleito.

Os meninos maluquinhos, portanto, estão tirando as calças pela cabeça por conta da iniciativa. Não é de se estranhar a revolta. O MBL nada mais é do que uma usina de mentiras. Desde seu ‘conceito’ apartidário (quando hoje muitos deles estão filiados a partidos e estarão concorrendo ou mesmo já foram eleitos), até o embuste das vaquinhas em prol ‘da causa’ cujos depósitos foram parar nas contas pessoais de seus coordenadores. 

Uma vez vitaminados pelo dinheiro de partidos e sabe Deus de onde mais, reforçaram suas ferramentas de distribuição de mentiras. Até pouco tempo atrás, o MBL fez uso de um aplicativo irregular, Voxer, para alavancar suas postagens e aumentar sua influência nas redes sociais. 

Para pagar pelo programa (R$ 7,9 mil) que se infiltrava em contas pessoais, o movimento fascistoide abriu outra vaquinha online sob um pretexto qualquer. As próprias vítimas colaboraram.

Em janeiro deste ano, Kim Kataguiri partilhou em seu perfil um vídeo de outro mentiroso profissional, o tal MamãeFalei, no qual manifestantes segurando bandeiras sindicais seguiam em direção a um prédio sob o título SINDICALISTAS INVADEM PRÉDIO PÚBLICO PARA TENTAR IMPEDIR CONDENAÇÃO DE LULA.

Kataguiri comentou embaixo: “Sindicalistas estão tentando impedir de todos os modos a condenação do Lula, mas não vão conseguir”. Era tão verdade quanto uma nota de 3 reais. Kim foi alertado, mas ignorou. Só deletou o post quando o site Intercept denunciou.

O Globo esteve fazendo uma série da matérias denunciando a quantidade de fake news que o MBL produz em associação a sites flagrantemente enganadores como o Ceticismo Político do irresponsável Luciano Ayan, que foi o gerador das difamações contra a vereadora assassinada Marielle Franco. O MBL também tem ligação com o site exclusivo de fake news chamado Jornalivre.

A parceria do Facebook com agências de checagem pode colocar limite no combustível que move o MBL: as fake news. Fascistas vivem disso e vem daí o chilique.

Mauro Donato
No DCM
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Biógrafo de Tarso de Castro denuncia perseguição da Folha à filme sobre jornalista


O jornalista e escritor Tom Cardoso, biógrafo do jornalista Tarso de Castro, denunciou nesta sexta-feira (18), nas redes sociais, a perseguição da direção do jornal Folha de São Paulo ao filme “A vida extraordinária de Tarso de Castro”, dirigido por Leo Garcia e Zeca Brito.

O longa está em cartaz no Itaú Cinema, de São Paulo.

Tarso de Castro foi idealizador do semanário O Pasquim e um dos maiores jornalistas do país nos anos 1970. Foi dele também a ideia de criar o caderno cultural Folhetim, um dos mais lidos da Folha.

Além da biografia de Tarso de Castro, Tom Cardoso é autor de outros livros do gênero, a exemplo das biografias Sócrates (sobre a vida do ex-craque da Seleção Brasileira), O Marechal da Vitória: uma história de rádio, TV e futebol (sobre a vida do fundador da TV Record Paulo Machado de Carvalho) e o Cofre do Dr. Rui, livro-reportagem que narra o assalto ao cofre de Adhemar de Barros em 1969, pela Var-Palmares, organização que lutava contra a ditadura militar no país.

Escreve Tom Cardoso sobre a perseguição da Folha:

Estava tudo marcado: no dia 23 a Folha promoveria um debate, no Itaú de Cinema, sobre o filme “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”, dirigido por Leo Garcia e Zeca Brito”.

Nada mais justo.

Tarso, como se sabe, foi um dos mais influentes e lidos colunistas da Folha.

O preferido do velho Frias, que o considerava um dos cinco maiores jornalistas da história do jornal.

Tarso e Frias se amavam. Dos jantares no Rodeio, nasceu o caderno mais lido da história do jornalismo cultural pós-Pasquim: o “Folhetim”.

Otavinho, filho do velho Frias, hoje no comando da Folha, jamais engoliu Tarso. Por inveja e ciúmes.

Quando assumiu o jornal no lugar do pai e implantou o “Padrão Folha de Jornalismo”, Otavinho tratou logo de enquadrar o jornalista mais fora do padrão do pais: Tarso de Castro.

Ao ser demitido, Tarso escreveu:

(…) Minha coluna na Folha de S. Paulo é meu analista. Lá faço meus desabafos. As pesquisam mostram que é uma das colunas mais lidas do país (…)

(…) Nosso jornalismo tornou-se tão especializado que perdeu a alma. Os jornais ficaram muito iguais (..)

(…) Busco munição nos bares, nas conversas cotidianas

(…) E não há copidesque para minha coluna. Ela sai como um esporro.

(…) Os jornais brasileiros acabaram com o talento individual, com o jornalista de estilo próprio.

Pois é, com a saída do Tarso, com a reforma editorial da Folha, o processo de padronização, o advento dos gráficos estatísticos, etc etc o jornal ficou “limpinho”. E bunda mole.

Boris Casoy tomou conta do jornal.

Os burocratas venceram.

Um deles, Marcos Augusto Gonçalves, acaba de escrever no seu blog uma crítica acabando com o filme sobre o Tarso.

Até ai, tudo bem. Ele está lá para agradar o patrão: Otavinho.

Mas há pouco recebi uma ligação de uma produtora do filme, desesperada;

– Tom, após as críticas do Marcos Augusto, o debate foi cancelado. Pior: o Itaú de Cinema, que tem ligações com a Folha, está ameaçando tirar o filme de cartaz.

Que a Folha é pluralista de butique, todo mundo já sabe.

Mas ela nunca foi tão canalha.

Volta, Tarso!

Rafael Duarte
No SaibaMais
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Xadrez das instituições que se desmancham no ar


A homília do Papa Francisco, ontem no Vaticano, é uma catilinária contra o pacto mídia-Justiça na política.

Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa. Esse método é muito usado hoje também na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado".

A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”.

Essa instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje.  O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói."

Papa Francisco

O papa só assistiu o início do filme. Quando descobrir o filme completo, nem exorcismo e reza brava para resolver.

O roteiro completo é o seguinte:

Passo 1 – A besta contra as instituições.

Cria-se o discurso anticorrupção e de ódio, visando destruir o adversário político. Por ser instrumento de um futuro golpe, o discurso precisa investir contra a Constituição e as prerrogativas dos poderes e impor o chamado direito penal do inimigo, visando despertar a besta que habita a alma dos movimentos de massa.

Passo 2 – A besta contra os conceitos civilizatórios.

Toda a construção democrática repousa em sistemas de freios e contrapesos, não apenas entre instituições mas intra-instituições. E essa construção é cimentada por princípios doutrinários que estão na base do processo civilizatório. Por isso, o movimento precisa desqualificar, igualmente, o conhecimento jurídico, substituindo pelas platitudes punitivistas de Luis Roberto Barroso e Deltan Dallagnol.

Passo 3 – A besta desconstrói as instâncias de apelação

Depois de provar sangue, a besta não quer voltar para a jaula. Amplia-se a busca da justiça direta, com o atropelo da Constituição e a eliminação sucessiva das instâncias de apelação, cujo clímax é a aprovação da prisão após sentença em segunda instância. Consolida-se mais ainda o direito penal do inimigo, especialmente depois que o STF acaba com o instrumento do habeas corpus.

Passo 4 – A besta rompe com a hierarquia do Sistema de Justiça

Ocorre que, no Sistema de Justiça, as instâncias de apelação são um instrumento de controle da base pela hierarquia, na parte positiva impedindo os abusos, na parte negativa se expondo a arreglos políticos.

Em um primeiro momento, a cúpula do Judiciário – em parceria com a mídia – controla o processo.  No entanto, a eliminação das instâncias leva, automaticamente, à redução do poder da hierarquia sobre a massa de juízes e procuradores.

Quando se tem uma cúpula do Judiciário dúbia, como o STF (Supremo Tribunal Federal), corporativa ou intimidada, como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) o quadro desanda e há uma perda total de controle sobre a tropa.

A partir daí, a besta se livra das amarras e todos os abusos são permitidos. E se tem esse espetáculo dantesco do juiz de 1ª instância de Jundiaí investindo contra benefícios concedidos a ex-presidente; a juíza substituta impedindo Prêmio Nobel de visitar Lula; a perseguição implacável do juiz Sérgio Moro a Lula e a perda do pudor, indo se confraternizar com atores políticos estrangeiros beneficiados pelo golpe; juízes, procuradores e delegados alucinados invadindo universidades, tentando impedir debates.

O que se tem, no momento, é o velho Oeste. A tradição imemorial do jagunço brasileiro é incorporada pelo sistema judicial. E passam a explodir justiceiros por todos os cantos, enquanto os xerifes dormitam em algum canto da cadeia e pedem para não serem incomodados.

Mas o jogo não acabou.

Passo 5 – A besta se volta contra suas chefias

Depois da perda de foro dos políticos, o movimento se volta contra os privilégios dos Ministros e desembargadores dos tribunais superiores, e dos próprios integrantes do Ministério Público, com o movimento para retirar também deles as prerrogativas de foro. A rebelião das massas vai chegando ao ápice.

Passo 6 – o grande final

O fim da prerrogativa de foro abriu espaço para um zorra geral e irrestrita. Tornou-se um chá de ipê roxo, que se presta para todas as jogadas. Permite blindar amigos, acelerar punição aos inimigos, sem nenhuma espécie de ordenamento.

O que se tem, agora, é a balbúrdia final, expressa nos seguintes episódios picarescos.

O caso Aécio

Aécio Neves estava prestes a ser julgado pelo STF. Seus advogados sugeriam até que renunciasse ao cargo de Senador, para o caso ser remetido para a 1ª instância e ter o mesmo longo final do mensalão tucano. Aí o Ministro Alexandre Moraes remete o caso para a 1ª instância, livrando Aécio do sacrifício final.

O caso Geraldo Alckmin

O vice-procurador Geral Luciano Maia remete o processo de Geraldo Alckmin, de financiamento de empreiteiras, para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo. Não viu nenhuma contrapartida do governo Alckmin, apesar das empreiteiras em questão terem conquistado todas as grandes obras do Estado.

Depois de livrar Alckmin, resolveu fechar correndo a porta, denunciando a composição dos TREs como ilegítimas.

O caso Gilmar Mendes

O algoritmo amigo do STF jogou no colo de Gilmar Mendes todo o alto tucanato apanhado pela Lava Jato: José Serra, Aloysio Nunes, Aécio Neves, Cunha Lima.

Gilmar montou uma estratégia para aparentar isenção. Tentou reduzir a pena de Lula apenas à inabilitação para as eleições. Ou seja, Lula livre, mas sem se candidatar. Com isso reforçaria a imagem do garantista isento, podendo livrar os amigos aplicando o mesmo peso.

Não deu certo. Toca, então, a distribuir HCs para livrar Paulo Preto, o cúmplice do Paulo Preto, visando blindar os chefes de Paulo Preto. Como observou a arguta Maria Cristina Fernandes, do Valor, com esse movimento Gilmar tornou-se o principal cabo eleitoral do PT, ao comprovar a seletividade do direito brasileiro.

A prerrogativa de foro dos procuradores

A brava Raquel “Janot” Dodge foi uma guerreira incansável contra a prerrogativa de foro dos políticos. A onda criada voltou-se contra o próprio MPF.

O próximo passo provavelmente seria os Airton Beneditos da vida – o inacreditável Procurador Federal dos Direitos Humanos de Goiás – denunciando como “subversiva” a própria Raquel, por requerer a revisão da Lei da Anistia. Toca a colocar o pobre Luciano Maia a discursar no STJ contra a perda dos privilégios de foro do MPF.

Ao mesmo tempo, o CNMP tenta enquadrar procuradores falastrões da Lava Jato, enquanto a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) defende o que ela chama de “direito de expressão” – o ato de um procurador, com poderes de Estado, fazer proselitismo político nas redes sociais.

Passo 7 – o fator Ernesto Geisel

Geisel enfrentou descontrole similar dos porões quando assumiu a presidência da República. A diferença é que os porões da época matavam fisicamente os adversários; os de agora limitam-se a assassinar a imagem pública e a tirar a liberdade dos inimigos. Mas ambos se tornaram poderes autônomos e anárquicos.

Tendo como estrategista militar o irmão Orlando, a estratégia de Geisel para domar a besta foi, primeiro, convalidar a matança, mas com a condição de prestar conta aos chefes.

Depois, foi gradativamente as enquadrando. Na investida final, a reação foi a sucessão de atentados, culminando com o caso Riocentro e a morte da secretária da OAB. Mas, aí, ele já tinha o controle da situação para demitir Silvio Frota e Hugo Abreu.

O quadro que se tem agora é similar, mas sem Ernesto(s) Geisel(s) no Judiciário e no Ministério Público Federal, e sem OABs, que se tornaram cúmplices do arbítrio do Judiciário.

De qualquer forma, mostra o enguiço institucional desse liberou geral.

Enquanto não for recomposto o poder do Executivo, em mãos firmes, o caos irá se ampliando.

Luís Nassif
No GGN
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Na última entrevista antes da prisão, Dirceu aprova estratégia do PT: “Está tudo arrumadinho”

Zé Dirceu
Lula Marques
José Dirceu era a imagem da resignação ao conversar com a reportagem do Congresso em Foco poucos dias antes de sua prisão definitiva. Sabia que dali a alguns dias – com o esgotamento de recursos, confirmação de sentença e ordem de execução de sua pena após condenação em segunda instância no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Porto Alegre) – voltaria ao cárcere para longos anos de prisão. Mas, estrategista máximo do PT dentro ou fora da cadeia, Dirceu volta para prisão com o mapa político das eleições 2018 na cabeça. Um retorno esperado do qual seu pensamento quis fugir todos os dias até hoje. Do lado de fora, Dirceu leu muitas notícias e fez diversas reuniões que o levaram à seguinte conclusão a respeito da corrida presidencial de 2018: “A esquerda está certinha”.

O que Dirceu quis dizer não tem relação com a conduta de seu partido ou diz respeito às denúncias do mensalão ou da Operação Lava Jato. Entre o certo e errado, o ex-ministro da Casa Civil se refere à estratégia política em um cenário com o ex-presidente Lula condenado e preso na Lava Jato, mas líder das intenções de voto. “Do nosso lado, está tudo arrumadinho. [Guilherme] Boulos é candidato [do Psol]. Manuela [D'Ávila, do PCdoB] é candidata. Ciro [Gomes, do PDT] é candidato. Joaquim Barbosa, eu não sei o que vai acontecer, mas está no PSB, que em parte é do nosso campo”, vislumbrou o ex-cacique petista.

Nessa lógica de arranjos eleitorais, até mesmo o ex-ministro e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, crítico ferrenho do PT, tem sido visto como alguém mais perto da esquerda do que qualquer outro candidato do centro ou da direita. O ex-magistrado se filiou a um partido em crise, mas que historicamente caminhou ao lado do PT e dos ideais de esquerda. Dirceu não sabia, mas cogitava, que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal desistiria de concorrer à sucessão do presidente Michel Temer, em um banho de água fria nos 10% de eleitores que, segundo o Instituto Datafolha, nele votariam.

Ao diagnosticar a estratégia eleitoral do PT e seu entorno como correta, o ex-ministro dava mais uma pincelada sobre o que vinha repetindo a todos os que buscaram suas opiniões no período em que passou fora da cadeia.

A conversa transcorreu em uma tarde de uma dessas quartas-feiras de intensa movimentação no Congresso, em uma casa no Lago Sul, bairro valorizado de Brasília. Ao som do grupo cubano Buena Vista Social Club e cercado por uma estrutura de amigos e assessores que lhe permitem acesso ao mundo, Dirceu reiterava o discurso petista: não há plano B, não há alternativa de nome se Lula não for candidato. Vai além e pontua o prazo em que essa estratégia pode mudar: até julho ou agosto.

Nesse sentido, faz apostas altas. “O PT tem que ficar parado. Temos o candidato que ganha em primeiro e segundo turno com 40% dos votos. Pra que nós vamos nos mexer? Os outros é que estão todos desesperados, batendo cabeça, se afogando”, disse, com o característico sotaque mineiro carregado.

O processo

“Vivi clandestino quase 15 anos da minha vida”, recorda-se, ao lembrar do período em que foi preso, deportado e exilado em meio à ditadura militar (1964-1985). Em um dos períodos mais sombrios da recente história brasileira, em setembro de 1969, foi deportado para o México com mais 14 presos políticos, como contrapartida pela libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sequestrado naquele ano pela guerrilha armada antirregime.

Depois disso morou em Cuba e em, 1971, chegou a voltar na clandestinidade para o Brasil. Para não ser reconhecido, passou por cirurgias plásticas e mudou radicalmente sua aparência.

Dirceu conversava no campo da informalidade, sem a liturgia clássica do jornalismo de gravador e bloquinho de papel na mão. Em vários momentos, ele desvia o assunto e conversa amenidades. Estava na expectativa de rever amigos advogados naquele mesmo dia. “Só tive advogado que gosta de mim”, diz, diante de um dos muitos advogados que o acompanham.

Dirceu foi condenado como chefe da quadrilha no julgamento do mensalão, em 2012, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De lá para cá, segundo investigadores, jamais deixou de delinquir, o que o ex-ministro da Casa Civil de Lula nega. Como ele mesmo disse em entrevista à colunista Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo), veiculada em 20 de abril, apenas admite ter cometido um “erro” em uma relação nebulosa na negociação de um imóvel com o lobista e delator da Lava Jato Milton Pascowitch.

“Era um empréstimo não declarado. Que virou propina. Foi uma relação indevida. Admito. Mas não criminosa”, protestou o petista.

Sina

Era feriado de 15 de novembro de 2013 quando Dirceu teve a prisão decretada pela primeira vez. Na ocasião, ergueu o punho em saudação a militantes do PT ao se entregar na Polícia Federal de São Paulo, sob gritos de “Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro!”. Ficou 354 dias preso, em Brasília, até conseguir a progressão de pena, em 2014, graças aos dias de trabalho e estudos dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Voltou para a prisão menos de um ano depois, já em 2015, desta vez por causa da Lava Jato. Os pagamentos de empresários para a empresa de consultoria de Dirceu chamaram a atenção dos investigadores. Resultado: mais de 30 anos de condenação.

Quando perguntado sobre o que está lendo, o petista sorri e diz que vem lendo processos. Mas depois aponta obras de história, literatura e economia. Como a biografia de Vladimir Ilyich Ulyanov (1870-1924), mais conhecido como o revolucionário comunista Lenin, que lhe inspira ideologicamente, e Josef Stalin (1878-1953), secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética depois da Revolução Bolchevique. Dirceu diz não se recordar do autor das biografias, mas cita o mais recente livro do jurista Fábio Konder Comparato, A Oligarquia Brasileira (Contracorrente), entre suas leituras atuais.

Até 2016, o próprio Dirceu mantinha um blog com avaliações políticas e memórias, mas ele já desativou a página virtual. “O que eu falo acaba tendo muita repercussão. Então eu prefiro falar pouco. Coisa do Brasil, gosta de transformar as pessoas em celebridade”, explica.

Dirceu não terá acesso à internet na cadeia, mas já sabe o que fazer. Diz que vai trabalhar e ler o máximo que puder, como maneira de diminuir a pena. De vez enquanto, poderá enviar por meio de advogados instruções e pensatas ao comando do PT e à militância. Calcula em algo como cinco anos o total de pena que deve cumprir. Até lá, diz, a visita dos filhos e demais parentes servirão para diminuir o peso do cárcere.

Basilia Rodrigues e Fábio Góis
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Lula e o suicídio dos pragmáticos


Lula já declarou categoricamente, inúmeras vezes, que é mais que candidato na eleição de outubro próximo – é candidatíssimo, conforme recado transmitido por ele através de Leonardo Boff.

Lula anunciou sua candidatura presidencial ao mundo em artigo publicado nesta quinta-feira, 17/5, no jornal francês Le Monde.

A cada visitante que recebe na prisão injusta e arbitrária que cumpre em Curitiba – de advogados, religiosos, amigos, intelectuais, familiares, políticos, dirigentes do PT – Lula reitera a condição de candidato presidencial.

Lula designou a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, como sua porta-voz e articuladora política da campanha eleitoral.

O Diretório e a Executiva Nacional do PT têm sucessivamente reafirmado, em todas recentes resoluções, a centralidade da candidatura Lula na luta pela restauração da democracia no Brasil e para a conformação de uma ampla unidade democrática, nacional e popular para dar início à reconstrução econômica e social do país.

Lula é candidato porque não há nada que o impeça ser, ainda que a ditadura Globo-Lava Jato possa inventar nova farsa para cassar os direitos políticos dele votar e ser votado.

A despeito disso tudo, entretanto, o governador do Ceará, o petista Camilo Santana, defende o abandono da candidatura Lula e a adesão imediata a Ciro Gomes – para prevenir o que ele considera o risco de “isolamento suicida” do PT.

O governador cearense não é voz isolada no PT, embora francamente marginal. Infelizmente alguns dirigentes, parlamentares e líderes partidários vez por outra verbalizaram posição semelhante. Em comum, todos propõem a discussão a partir de uma visão imediatista e pragmática – visão, portanto, passível de equívocos de avaliação.

O imediatismo é incompatível com estes tempos vertiginosos, de imponderabilidade e imprevisibilidade dos acontecimentos.

Não existe, na conjuntura atual, variáveis de análise que permitam predizer o que poderá acontecer no dia seguinte; quanto menos até outubro. Aliás, a única “variável constante” no cenário atual é justamente aquela que mostra a incapacidade intransponível da classe dominante vencer Lula na eleição.

O imediatismo, neste sentido, concorre com os principais requisitos desta conjuntura: a paciência estratégica e a perspectiva histórica.

O pragmatismo, por seu turno, produz nos seus adeptos a ilusão instantânea de se estar desatando um problema – o imbróglio jurídico da candidatura Lula – quando na realidade se estará encaminhando o PT, a esquerda e o progressismo para uma fragorosa derrota.

A defesa do Lula não é apenas um dever de lealdade político-ideológica e de solidariedade de classe com o líder mais popular do Brasil perseguido pelo fascismo jurídico-midiático, mas a única opção alternativa inteligente e producente para a esquerda hoje.

Essa é a mensagem que transmitem ao Brasil importantes líderes europeus que, ao mesmo tempo em que denunciam a perseguição ao Lula, defendem o direito dele ser candidato na eleição de outubro.

Lula é inocente, e sua prisão política é cada vez mais entendida pelo povo brasileiro como resultado do arbítrio e da perseguição para impedi-lo de voltar a governar o Brasil para promover as políticas de emancipação dos pobres.

Desprezar esta realidade é pura burrice; é uma estupidez política – ou suicídio dos pragmáticos.

Quem defende o abandono do Lula para apoiar Ciro não entende que jogar Lula na arena dos leões famintos e fascistas serve unicamente à direita, mas jamais trará benefícios à esquerda.

O centro da agenda da esquerda, dos progressistas e dos democratas é a luta pela libertação do Lula e pelo direito dele ser candidato à Presidência do Brasil.

Para a esquerda, fora da consigna Lula Livre existe o pântano que confunde, desorganiza e derrota o povo ante o avanço neoliberal no Brasil na sua vertente fascista inaugurada pelo golpe de 2016.

Jeferson Miola
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Brasil voltou 20 anos em 2


O Brasil realmente voltou. Bastaram dois anos sob o comando de Michel Temer para o país registrar recordes negativos e acabar com avanços em todas as áreas. Os graves retrocessos econômicos e sociais são as maiores e verdadeiras realizações do governo ilegítimo.

Nesta semana, o golpista celebrou o aniversário de sua gestão, divulgando mais uma vez resultados fantasiosos. Com 82,5% de reprovação popular apontada em pesquisas recentes, Temer se engana ao imaginar que conseguirá iludir os brasileiros. O sofrimento do povo é real e cotidiano, desde que se iniciou o desmonte nacional generalizado, desencadeado pelo golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff em 2016.

Em meio a uma crise econômica e política sem precedentes, o presidente se mantém inerte diante da piora de todos os sinais da economia, da produção, do emprego e da renda no primeiro trimestre de 2018. Pelo contrário, o governo corta ou torna inoperante instrumentos de recuperação econômica. Um exemplo é o enfraquecimento dos bancos públicos. O fim da taxa de juros de longo prazo do BNDES inviabiliza o financiamento do desenvolvimento nacional.

A austeridade sem limites aniquila a ação estatal, impedindo a retomada do crescimento econômico. Os investimentos públicos despencam. Entre 2015 e 2017, o montante médio pago anualmente pelo governo federal chegava a R$ 57 bilhões. No ano passado, esse total caiu para apenas R$ 38 bilhões. Nas estatais, a queda foi ainda maior, baixando de R$ 123 bilhões investidos em 2013 para R$ 76 bilhões em 2016.

A precarização do mundo do trabalho é outra marca do governo que gera uma desesperança recorde. Somente em 2018, o desemprego cresceu 1,5 milhão. A destruição dos direitos trabalhistas leva ao aumento ainda maior do subemprego. Entre 2015 e 2017, registrou-se uma redução de 2,5 milhões no número de trabalhadores com carteira assinada. Nesse mesmo período, houve diminuição de 1,8 milhão no total de pessoas formalizadas com a Previdência Social.

O país também caminhou velozmente para trás na área social. No ano passado, a pobreza extrema aumentou em 1,5 milhão de brasileiros. Com o enxugamento dos programas sociais, voltou também o fantasma das mortes infantis. De acordo com dados consolidados pela Fundação Abrinq, a mortalidade infantil (entre crianças de 1 e 4 anos) cresceu 11% entre 2015 e 2016. Este foi o primeiro aumento desse indicador após 13 anos consecutivos de queda.

Neste breve balanço do governo golpista, fica claro que o Brasil enfrenta dois anos de falta de perspectiva e de arrocho social. É hora de nos levantarmos e bradarmos ainda mais alto: Fora Temer! As eleições de 2018 são a oportunidade da virada. Resistiremos até o fim e lutaremos para recuperar a esperança no futuro.

Orlando Silva, líder do PCdoB na Câmara e deputado federal por São Paulo.
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Pedofilia leva todos os bispos do Chile a pedir demissão ao papa

Francisco vai decidir de aceita a demissão de todos
Os 34 bispos do Chile apresentaram ao papa Francisco hoje (18 de maio de 2018) pedido de demissão por estarem envolvidos em escândalo de pedofilia.

Eles assinaram comunicado afirmando que caberá a Francisco aceitar a demissão de todos ou de parte deles.

Relatório de uma investigação do Vaticano aponta a cúpula da igreja chilena de ter cometido “graves erros”, acobertando casos de pedofilia.

Pela investigação, a cúpula da Igreja do Chile acobertou os padres pedófilos, ignorando denúncias e queimando documentos.

Quando Francisco esteve no Chile, os bispos tentaram convencê-los de que as denúncias de pedofilia não tinha fundamento.

O papa até chegou a defender um dos bispos acusados, mas, depois, ele foi pressionado a ter um encontro com vítimas de abusos sexuais cometidos por padre.

O pedido de demissão coletiva dos bispos chilenos representa um agravamento da crise que envolve toda a Igreja Católica.

Recentemente, Francisco até lembrou que seu pontificado não deve durar muito.

No Paulopes
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Moro: o imbecil do Brasil se exibe na metrópole


Francamente, nenhuma outra sensação senão a vergonha pode vir da leitura da cobertura da Folha sobre o périplo de Sérgio Moro em Nova York.

Um juiz, com cara de idiota deslumbrado, comprazendo-se em ver-se como super-herói, nas ceroulas coloridas do Super-Homem, num jantar de bacanas num restaurante de Manhattan é a coisa mais  tosca que alguém pensaria um dia ver.

Leia, não estou delirando:

Moro também parecia esfuziante ao ver imagens dele mesmo projetadas no telão, de montagens como a que mostra a cara do juiz federal no corpo de um Super-Homem a imagens das passeatas de quem se vestiu de verde e amarelo e bateu panelas pelo impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff.

Moro, que parece fazer agora uma volta olímpica publicitária, reconheceu que o peso da opinião pública foi fundamental para seus julgamentos ao longo da Operação Lava Jato.

Quem sabe não podemos ter o mesmo episódio em terras patrias, fazendo uma homenagem ao “salvador do Brasil” no próprio Supremo Tribunal Federal, com a Ministra Cámem Lúcia de Mulher-Gato, Rosa Weber de Mulher-Maravilha e Luís Roberto Barroso de Robin, já que o Batman Barbosa  aposentou-se e correu da raia?

Vamos, reduzam ainda mais ao ridículo a Liga da Justiça que “governa” o Brasil desgovernado, transformando este país numa caricatura doentia de vaidades e arrogâncias!

De verdade, a última coisa que pensei em escrever na vida foi que juízes admitam ser transformados em clowns para plateias estrangeiras endinheiradas.

Dá nojo ver no que esta gente se transformou.

Até um Antonio Carlos Magalhães ou um José Sarney teriam vergonha na cara para não se prestarem a tal papel.

Estamos sob a tutela de imbecis, que não têm sequer a noção do decoro que se exige de magistrados.

Comportam-se como pré-adolescentes numa casa de festas, entregues a brincadeiras infantilóides, sem qualquer noção de ridículo.

Insurgir-se contra isso não é mais uma atitude político-ideológica, é um imperativo moral.

Viramos uma chacota internacional.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Aloysio Nunes, um macho-man no Itamaraty


Poucas vezes na história do Brasil viu-se chanceler mas sem noção do que Aloysio Nunes. Nada surpreendente para um governo que tem Elsinho Mouco como marqueteiro, Eliseu Padilha como Chefe da Casa Civil, e Moreira Franco como o estrategista dos macro-negócios.

Mesmo nesse time de campeões, Aloysio tem merecido justo destaque.

Para rebater manifesto de algumas das maiores lideranças mundiais, em favor de Lula, recorreu ao mesmo estilo que emprega em bate-bocas com manifestantes em aeroportos ou em guerrilhas de Twitter: o do macho latino-americano, que não leva desaforo para casa.

Ele, Roberto Freire, Marcelo Itagiba são a prova viva da deformação retórica de qualquer um que se abrigue ou se abrigou sob o guarda-chuva de José Serra. Na modelagem delicada e sutil da política, trocam o cinzel pelo martelo. Sua única função é a de guerrear, e Nunes sempre guerreou com a agressividade de um pitbull sem noção e respeito pelos cargos que ocupou e ocupa.

Como tem o atrevimento de questionar o direito de seis personalidades internacionais de manifestar sua opinião pessoal em favor de Lula? François Hollande, ex-presidente da França, José Luis Rodrigues Zapatero, ex-presidente espanhol, Massimo D´Alema, Enrico Letta e Romano Prodi, ex-presidentes do conselho de ministros da Itália, e Elio Di Rupo, ex-primeiro ministro da Bélgica, não estão mais no exercício de mandato. Falam em seu nome pessoal. E, como tal, denunciaram a farsa do julgamento e prisão de Lula. Aloysio solta uma nota oficial do Itamaraty, grosseira, invocando o “legítimo processo legal”, querendo justificar o aparato jurídico do fascismo para líderes de países que sofreram o fascismo na veia.

Aloysio  não se dá conta de que ele não é um chanceler qualquer. É Ministro do governo Temer, o mais corrupto da história, e é padrinho político de Paulo Preto, o Paulo Roberto Costa do PSDB. Está sendo salvo de denúncias pelo trabalho pertinaz do Ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal.

Não se exija dele a postura de um diplomata que ele nunca foi. Mas ao menos o pudor de se resguardar em um momento em que Gilmar Mendes se sacrifica estoicamente para não deixar nenhum companheiro ferido no campo de batalha.

Luís Nassif
No GGN
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Um ataque sem medida


Ontem recebi inacreditáveis seis minutos no Jornal Nacional da Globo, um dos horários mais nobres da TV brasileira, para me denunciar.

Com base em um inquérito da policia federal vazado ilegalmente (até agora não tive acesso), que se arrasta há dois anos, disseram que recebi propina através de um escritório de advocacia, que prestou serviços pra minha campanha eleitoral, e também pra uma empresa, a tal Consist, que, dizem, tinha contrato com o setor público federal.

Misturaram as coisas, dando a entender que os recursos pagos à Consist foram desviados para o escritório do advogado Guilherme Gonçalves e este me beneficiado, tudo feito com a articulação do Paulo Bernardo, então ministro do Planejamento.

Primeiro, é importante dizer que a tal Consist não tinha contrato com o Ministério do Planejamento, nunca foi contratada por ele.

Segundo, Guilherme Goncalves atendia muitos candidatos, de todas as siglas partidárias. Era conceituado e conhecido nesta área. Seu escritório também atendia outros ramos do direito, tendo contratos com varias empresas. Não conhecia quais eram e como faziam esses contratos.

Todas as despesas de campanha que fiz com o escritório de Guilherme Gonçalves estão declaradas. Entre uma campanha e outra, ele cuidou dos processos decorrentes das disputas eleitorais, pagando as despesas relativas a esses processos. Uma das acusações é que estava pagando em meu nome uma multa de campanha, tida como despesa pessoal. De fato ele pagou sim, porque a multa foi em decorrência do escritório ter perdido prazo de recurso, era responsabilidade dele!

Outra denúncia é que ele pagava um motorista para me servir no Paraná. Mentira! Nunca fez isso. Algumas vezes disponibilizou o carro que atendia a ele no escritório para me atender quando estava em Curitiba, no período em que estive licenciada do mandato e não tinha estrutura de gabinete.

Nunca me repassou nenhum recurso ou pagou despesas pessoais. O montante alegado dos benefícios a mim dirigidos foi relativo às campanhas eleitorais que ele atendeu. A forma como contabilizava isso no escritório não é de minha responsabilidade. Aliás, pelo material que tive acesso, era semelhante ao que fazia com outros candidatos.

Este método da PF e da grande mídia, em especial a Rede Globo, de vazar informações e fazer matérias a partir de indícios pouco factíveis, enlameando a reputação das pessoas, tem sido corriqueiro. É nojento. Aliás, esse assunto foi objeto de fala recente do Papa Francisco.

Estou sendo agraciada com tantos minutos da Globo para me desconstruir porque ocupo uma posição política relevante, a presidência do PT, que o establishment odeia e quer aniquilar.

Por mais que eu fale publicamente, jamais vou atingir o público que a Globo atinge. A versão dela prevalece e eu, assim como outros companheiros/as, somos condenados por antecipação.

Não tenho muito a fazer a não ser defender-me jurídica e politicamente.

Vou também apresentar representação à corregedoria da PF para que apure quem vazou esse inquérito e continuarei denunciando a Rede Globo, que vazou algo que não devia ser publicizado, expondo a mim e a outras pessoas de maneira leviana e irresponsável.

Gleisi Hoffmann



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200 anos em 2


O marketing do governo do Golpe foi tímido. Afirmou que o Brasil voltou 20 anos em 2. Trata-se de modéstia excessiva. O slogan não faz jus à hercúlea tarefa regressiva e destrutiva que o atual governo ilegítimo submete o país e seu povo.

Nunca se destruiu tanto em tão pouco tempo. Sequer Átila, o huno, chega perto.

Aqui vão alguns poucos exemplos dessa fenomenal proeza política, social e econômica.

* A presidenta honesta e legítima foi afastada do poder, sem cometimento de crime de responsabilidade, num autêntico golpe de Estado que rompeu com as regras do jogo democrático estabelecidas na Constituição de 1988. Todo o progresso democrático duramente obtido ao longo de décadas de luta foi cinicamente revertido e a soberania popular foi desmontada. Voltamos a ser uma lamentável republiqueta de bananas.

* Na esteira da ruptura democrática, gerou-se um Estado de Exceção seletivo, que atropela direitos e garantias fundamentais inscritos na Constituição e nos tratados internacionais de direitos humanos. Trabalhadores, professores, sindicatos, organizações sociais e oposicionistas tornaram-se alvos de perseguições e lawfares de variadas intensidades. Reitores inocentes se suicidam. O candidato preferido do povo é encarcerado com base num processo que não apresentou nenhuma prova sólida e consistente de culpa. Setores da Justiça se transformaram em braço inquisitorial da política autoritária.

* Também na esteira da ruptura democrática, criou-se uma cultura de ódio político que cindiu a sociedade civil e libertou uma onda fascitoide que ameaça seriamente o que restou da democracia brasileira. Racismo, homofobia, misoginia, preconceitos regionais e de classe voltaram a se manifestar com crueza e alimentam a principal candidatura da direita pós-golpe.

* O centro político, cuja disputa permitia a alternância democrática do poder, esfumou-se, comprometendo a articulação política de soluções conciliatórias e de governabilidade.

* Com a Emenda Constitucional nº 95, o governo golpista sustou investimentos econômicos e sociais por longos 20 anos, algo inédito no mundo inteiro, condenando a população mais pobre, que depende de serviços públicos gratuitos, a uma vida de penúria. Essa austeridade draconiana e permanente também condena o Brasil à estagnação, pois um país como o nosso depende de investimentos públicos para o seu desenvolvimento e para a reativação da economia.

* A recuperação econômica, prometida de forma praticamente imediata após o golpe, não veio. Em 2016, primeiro ano do golpe, o PIB caiu espantosos 3,6%. Em 2017, houve um episódio de espasmo de crescimento de apenas 1%, o que significa, na realidade, estagnação do PIB per capita em ridículos 0,2%. Ressalta-se que esse "fenomenal" crescimento ocorreu devido a fatos que não tinham relação com a política contracionista do Golpe. Houve aumento conjuntural da atividade agropecuária no 1º trimestre e liberação do FGTS no 2º trimestre. Esgotados esses fatores episódicos, o PIB voltou a estagnar no 4º trimestre.

* Neste ano, a prévia do Banco Central indica recuo econômico de 0,13% no 1º trimestre, demonstrando que a recuperação econômica do golpe é apenas uma jogada de marketing. Uma autêntica recuperação econômica teria de ser robusta e sustentada. Os dados demonstram o oposto disso. Em 2017, a taxa de investimentos foi de apenas 15,6% do PIB, a menor da série histórica do IBGE. Sem investimento não há crescimento e desenvolvimento. Não há marketing que conserte isso.

* Com a infame Reforma Trabalhista, que destruiu os direitos consagrados na CLT, o governo do Golpe prometeu empregos em abundância. Ocorreu o oposto. Entre maio de 2016 e março de 2018, os dados do Caged (MtB) mostram a destruição de 717 mil empregos com carteira assinada. No mesmo período, a taxa de desemprego medida pelo IBGE aumentou de 11, 2% para 13, 1%. Em números absolutos, isso significou um aumento de 2,3 milhões no estoque de desempregados.

* O desemprego aumenta e a desigualdade e a pobreza também. Os rendimentos da população 5% mais pobre caíram espantosos 38%, em 2017, segundo os dados da PNADC do IBGE. Entre os 50% mais pobres, o recuo foi de 2,45%. Com isso, o número de pessoas na extrema pobreza aumentou em 1,5 milhão, entre 2016 e 2017, e o número de pessoas na pobreza aumentou em quase 500 mil, no mesmo período. Portanto, o golpe gerou mais de 2 milhões de pobres e pobres extremos no Brasil. Um milhão de pobres a mais por ano de golpe, em média.

* Mesmo com esse aumento da pobreza, o governo do Golpe cortou cerca de 1,3 milhão de pessoas do Bolsa Família, em 2017.

* Segundo dados do Sisvan (Ministério da Saúde), o percentual de crianças menores de 5 anos em estado de desnutrição aumentou de 12,6% para 13,1%, entre 2016 e 2017. Mais uma façanha social do Golpe.

* E os cortes continuam. Em abril deste ano, o governo do Golpe desligou 392 mil famílias do Programa Bolsa Família. Trata-se do segundo maior corte da história. Só perde para a retirada de 543 mil famílias, entre junho e julho de 2017.

* Quanto ao salário mínimo, houve queda real, tanto em 2017(-0,10%), quanto em 2018(-0,26%). Saliente-se que, nos governo do PT, o salário mínimo teve aumento real de 77%.

* Devido ao aumento real de 17% nos preços de gás de cozinha, cerca de 1,2 milhão de famílias voltaram a cozinhar com lenha, um retrocesso absurdo, que nos leva a tempos de pré-modernidade. Observe-se que nos governos do PT ocorreu o contrário: o gás de cozinha teve decréscimo real de 17%.

* No campo da Saúde, houve queda real de R$ 6 bilhões nos valores pagos, entre 2014 e 2017, retirando do cálculo as emendas impositivas. A tendência inexorável é a degradação contínua do quadro de prevenção a epidemias e de atendimento à população mais pobre. Ressalte-se que a rede própria do Farmácia Popular já está extinta.

* Na Educação o quadro é pior. Em termos reais, as despesas discricionárias do MEC (aquelas que podem ser cortadas) caíram 44%, entre 2014 e 2018, passando de R$ 39 bilhões para R$ 22 bilhões. Com isso, os contratos do Fies caíram de 690 mil, em 2014, para 171 mil, em 2017. Programas como o Ciência sem Fronteiras foram simplesmente extintos.

* No que tange ao Minha Casa Minha Vida, o maior programa de habitação popular da história, houve queda de 83% nos valores pagos, entre 2015 e 2017. Muita gente está voltando a habitar nas ruas.

* Mas, além dessa ofensiva cruel contra a população mais pobre, há também a ofensiva contra o patrimônio público e a soberania nacional.

* O governo do golpe acabou com a política de conteúdo nacional promovida pela Petrobras. Com isso, o setor da indústria naval que no seu pico teve cerca de 84 mil trabalhadores (2014), atualmente não possui mais de 30 mil. Ou seja, mais de 50 mil trabalhadores foram demitidos entre 2014 e 2017, segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e do Sinaval. No Rio de Janeiro, em dezembro de 2014, havia cerca de 30.000 trabalhadores diretos no setor naval em 15 estaleiros. Ao final 2017, eram cerca de 4.500 trabalhadores em apenas 4 estaleiros. Ou seja, foram fechados 11 estaleiros e cerca de 25.500 postos de trabalho. Hoje, a Petrobras importa plataformas, sondas e navios da Coreia, China, Holanda, etc., gerando empregos no exterior.

* Entretanto, a extinção da política de conteúdo local não é uma iniciativa isolada e pontual. Na realidade, ela se insere no contexto maior de uma política de entrega do pré-sal e da própria Petrobras a empresas estrangeiras. O que se pretende é a desnacionalização completa de toda a cadeia de petróleo e gás, seguindo a lógica estreita e predatória de obter recursos no curto prazo para remunerar acionistas privados, saldar dívidas e fazer caixa contábil para financiar déficits.

* Nesse diapasão, os campos de petróleo, tanto pré-sal como do pós-sal, estão sendo praticamente doados. Como exemplo, podemos citar a "venda" de 66% do Campo de Carcará, considerado uma das "joias da coroa" por apenas US$ 2,5 bilhões, pagos pela petroleira norueguesa Statoil. Carcará é uma das maiores descobertas do pré-sal feitas pela Petrobras. Segundo estimativas da própria Statoil, o campo de Carcará detém, com toda segurança, entre cerca de 700 milhões a 1,3 bilhão de barris de óleo equivalente. Dado o pagamento programado, o valor presente líquido depois de impostos é de cerca de US$ 2 bilhões, o que significa que a Statoil adquiriu esses recursos por US$ 2 a US$ 3 por barril. Trata-se de um escândalo. Praticamente uma doação. São poços que produzem mais de 40 mil barris por dia de petróleo equivalente, produção muitíssimo acima dos padrões mundiais.

* A mesma política predatória, que visa apenas remunerar investidores estrangeiros, está sendo aplicada à privatização da Eletrobrás. Segundo contas da Fiesp, a liberação dos preços da energia embutida na proposta poderia acarretar um custo adicional aos consumidores que pode variar de R$ 220 bilhões a R$ 460 bilhões em trinta anos. Ademais, o bônus de outorga pela Eletrobrás poderia chegar a R$ 70 bilhões, muito acima do valor de R$ 12 bilhões atualmente propostos.

* Na área de alta tecnologia, a venda da Embraer à Boeing, que o governo poderia vetar, se quisesse, significa perda da nossa maior empresa de tecnologia sofisticada, com repercussões gravíssimas no campo da Defesa Nacional.

* No campo da política externa, a nova diretriz central do Golpe é de privilegiar o Eixo geopolítico Norte-Sul das relações internacionais do país, e colocar a política externa brasileira sob a órbita dos interesses estratégicos do EUA e aliados, com fortes prejuízos para o protagonismo internacional do Brasil e sua independência no cenário mundial. Por isso, seu grande empenho, hoje, é ingressar na OCDE, o chamado Clube dos Ricos, o qual imporá seus valores e diretrizes liberais ao Brasil. Ademais, o Golpe colocou ênfase na assinatura de acordos econômicos e comerciais bilaterais e regionais assimétricos de "nova geração" com países desenvolvidos, os quais poderiam impedir a implantação de políticas de desenvolvimento, de industrialização, de ciência e tecnologia, saúde pública, ambiental etc. O objetivo é a subserviência aos valores do capital financeiro internacional.

* O governo do Golpe, ao privilegiar novamente as relações assimétricas com os EUA, vem abandonando progressivamente sua participação no BRICS e reduzindo seu significado geoestratégico para a inserção do país no cenário mundial. As participações do Brasil nas últimas reuniões têm sido pífias, sem propor quaisquer iniciativas, ao contrário do que acontecia no passado. Na reunião em GOA, por exemplo, realizada em 2016, Temer ficou claramente isolado e sem discurso. Além disso, a política externa passiva e submissa do Golpe vem desinvestindo no Mercosul e na Unasul, eixos básicos da integração regional.

* O Golpe apequenou o Brasil. Nos governos do PT, o Brasil, com seu soft power, se tornou ator internacional de primeira grandeza. Não havia foro mundial no qual não tivéssemos participação decisiva, e Lula se converteu num influente líder mundial, símbolo internacional da luta por um mundo sem fome e pobreza e mais justo e equilibrado. Lula era o "Cara", segundo o próprio Obama.

* Com o Golpe, o Brasil se converteu num pária internacional. Os grandes líderes mundiais evitam encontros bilaterais com Michel Temer, representante de um governo corrupto e sem legitimidade. A agenda diplomática do Brasil tornou-se anêmica e o país perdeu influência em todos os foros regionais e mundiais. Chefes de Estado que vêm à América do Sul evitam passar pelo Brasil. Temer converteu-se no "cara a ser evitado".

Esses são apenas alguns poucos exemplos da destruição sistemática e generalizada que o Golpe vem produzindo no Brasil. É a maior tragédia histórica do país. Em vez de 20 anos de retrocesso em 2, temos, na verdade, 200 anos de regressões em 2.

Estamos regredindo ao estágio do Brasil colônia. A um estágio pré-independência. Uma coisa certa: tem gente lucrando muito com isso.

Marcelo Zero



Dois anos de governo Temer

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