17 de mai. de 2018

Juiz algum tira de Lula o fato de ter sido presidente. E o melhor


Quando alguém usa o poder para tentar humilhar alguém, o que consegue, em geral, é apenas se apequenar.

O “sabe com é que está falando”, embora ainda muito usado, já não faz ninguém ser admirado, mas desprezado.

Lula, preso, não usufrui, é evidente, nenhum dos serviços de suporte oferecidos aos ex-presidentes.

Retirá-los formalmente, e a pedido do movimento de Kim Kataguiri, só coloca o juiz que o determinou no mesmo nível do folclórico fuzileiro de paint ball do coxismo.

Sua excelência, entretando, apressou-se em atender aos rapazes do MBL, certamente porque não tem mais o que fazer com o tempo, regiamente pago pela população.

A prerrogativa de ex-presidente de Lula está perfeitamente expressa no fato de que ele, mesmo preso e sofrendo uma imensa campanha judicial e midiática, conserva, no mínimo, um terço dos eleitores firmemente dispostos a escolhê-lo como presidente e, contra os outros que andam por ai, mais da metade das intenções de voto.

O juizeco que se prestou a este papel certamente não sabe de quem está falando.

É de alguém que está muito, mas muito acima de sua mesquinha mediocridade.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Advogado do MBL e juiz de Campinas tiram direitos de Lula: agora vale tudo

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/05/17/advogado-do-mbl-e-juiz-de-campinas-tiram-direitos-de-lula-agora-vale-tudo/

Quando você acha que já viu todas as aberrações jurídicas acontecendo sob o comando da Lava Jato, com o aval do STF, sempre aparece mais uma.

Agora vale tudo quando se trata de Lula, o ex-presidente encarcerado em Curitiba, que lidera todas as pesquisas para 2018.

Nesta quinta-feira, um juiz de primeira instância de Campinas atendeu ao pedido de um advogado do MBL (Movimento Brasil Livre, aquele mesmo dos protestos dos patos amarelos) para tirar os direitos de um ex-presidente da República assegurados pela Lei nº 7.474/86, que lhe assegura, em caráter vitalício, quatro servidores públicos para segurança e apoio pessoal, entre outros benefícios.

Nem vem ao caso citar os nomes do juiz e do advogado, personagens menores desta afronta ao Estado de Direito, mas apenas cabe perguntar: o que tem haver uma coisa com outra?

Virou uma zorra judicial, cada um faz o que quer.

Quem dá direito ao advogado de um movimento qualquer contestar uma lei federal e, pior que isso, a um juiz de qualquer comarca lhe dar provimento?

“Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República”, contestou a defesa de Lula, falando para ninguém.

Ninguém na Justiça brasileira hoje está interessado em ouvir a defesa de Lula, sejam lá quais forem seus argumentos.

Além de ter todos os seus bens e recursos bloqueados por decisões do juiz Sergio Moro, Lula agora pode perder também os benefícios de ex-presidente assegurados por lei federal.

Antes do estado de exceção em que vivemos, nenhum juiz podia retirar direitos e prerrogativas de ex-presidentes da República, segundo parecer dos juristas Lenio Luiz Streck e André Karam Trindade, por serem “vitalícias e não comportarem qualquer tipo de exceção”.

A lei, ora a lei, já diziam tiranos mais antigos.

Na república lavajatense, agora só falta tirarem o ar e a comida da cela em que Lula cumpre pena e o obrigarem a ficar ajoelhado no milho. Não há mais limites para o livre arbítrio.

Basta que qualquer advogado peça e um juiz aceite.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Manuela D'Ávila em Curitiba


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A Direita da Esquerda

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=543

Se Jair Bolsonaro é uma aberração política, como acredito, então dificilmente representa ou virá a representar os conservadores. Nem mesmo os direitistas radicais acompanhariam inteiramente o breviário bolsonariano, catálogo de universal excomunhão de pecados e sem reconhecimento de outra virtude que a de carcereiros e carrascos. Nenhuma indicação sobre a cidade virginal a construir. Entendo seus inabaláveis 19 a 20% das intenções de voto como expressão de um eleitorado lumpen, constituído basicamente por recrutados a duas categorias de cidadãos: motoristas de taxi e militares na reserva. A estes grupos com identidade própria se agrega parte dos crônicos trabalhadores precarizados, não os atuais desempregados com histórico associativo. São os ajudantes de obras em constante rodízio de local de trabalho; os ambulantes, pagando dízimos a cafetões civis e policiais; os biscateiros, os ressentidos e traumatizados pela vida. Nem sempre aderem a candidatos mercuriais, mas quando votam normalmente, o fazem por motivos estranhos. Com frequência atribuem ao escolhido opiniões que estes jamais sustentaram. Eleitores lumpen são, caracteristicamente, mono temáticos, opacos à leitura ou audição de nada além do que lhes desperte a fúria redentora. Eles são Bolsonaro.

Sou cético a respeito do futuro eleitoral de Jair Bolsonaro. Os conservadores estão presos à racionalidade da produção mercantil, guardiães das algemas que constrangem o Estado, ciosos de que os timoneiros cumpram sem sobressaltos o roteiro consagrado na legislação sobre a propriedade. O trauma Jânio Quadros já caía no esquecimento quando Fernando Collor fez o obséquio de beliscar a consciência de classe. Creio que liberais e conservadores votariam até em Lula, se candidato fosse, em confronto decisivo com tamanha e trovejante aberração uniformizada.

Por isso, liberais, conservadores e convictos direitistas ainda não têm candidato. Não é bom. Que eu me recorde, a representação do capital nunca perdeu por wo, por recusa ao combate. Bom lembrar que a direita detém o monopólio de um recurso diabólico: o golpe de Estado. Golpes de Estado contemporâneos dispensam a iniciativa armada, usufruindo do brilhantismo de seus advogados, virtuosos em escrever em prosa constitucional a mais deslavada pornografia política. O estoque de artifícios é elástico, sedutores o suficiente para persuadir os profissionais da força que conquistamos o máximo de harmonia possível, dentro da lei. Mas eis que lá, em hora desprevenida, um togado poliglota dispara uma citação de Leibniz e, pronto, caímos em democracia ainda melhor, aquela em que, em nossa cegueira, seremos governados pela vanguarda iluminada dos sem voto.

Melhor aparecer um candidato conservador legítimo, mas tolerante da democracia, com legitimidade para reconhecer e aceitar eventual derrota.
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As premiações internacionais e a imprensa jeca


Conforme colocamos no artigo de criação da Agência Xeque, uma das vulnerabilidades das atuais agências de checagem é se fixarem no factual, sem capacidade de contextualizar ou valorar os temas analisados.

Com duas verdades é possível contar uma mentira. Basta dar ênfase a um episódio irrelevante ou minimizar um episódio de peso.

Vamos analisar duas premiações internacionais.

Homem do Ano pela Câmara de Comércio dos EUA

A Câmara Brasileiro Americana de Comércio NÃO é uma câmara de comércio clássica, voltada para o comércio exterior, que apoia exportadores para encontrar distribuidores ou importadores atrás de fornecedores. Também não executa tarefas documentais, como certificar listas de preços, faturas, funções tradicionais das Câmaras de Comércio verdadeiras.

A de Nova York é um escritório de relacionamentos (networking), tipo a LIDE, de João Doria Junior. Ela tem dez escritórios de advocacia no seu conselho, vários lobistas históricos, como Thomas McLarthy, e advogados de bancos. A Petrobras também está no Conselho, assim como a Baker Mackenzie, escritório que ganhou tubos de dinheiro negociando delações premiadas da Embraer e da JBS nos Estados Unidos, assim como Sherman & Stearling, outro escritório preferido de Wall Street. O que menos tem são industriais ou comerciantes, que deveriam ser os associados normais de uma câmara de comércio.

Essa "LIDE  novayorquina"  usa o nome de câmara de comércio mas se dedica mais do que tudo a eventos com objetivos politicos-ideológicos abertos da pior espécie, sem nenhuma discrição.

Ao longo do tempo, também ganhou a fama merecida de "alça de caixão" ou "pé frio". Vários homenageados caem em desgraça ou morrem  logo depois do prêmio. Entre os agraciados com Homem do Ano estão Leo Kryss (Evadin) , João Havelange, Roberto Civita, Luis Eulálio Vidigal, Mario Garnero, Jorge Wolney Atalla, Jose Papa Jr., Caio Alcantara Machado.

Este ano, a Câmara premiou o juiz Sérgio Moro, que apareceu, deslumbrado, em fotos com personalidades internacionais e nacionais. Discrição é o mínimo que se espera de um juiz que mandou prender um ex-presidente e candidato favorito às eleições. O ápice do espetáculo foi a foto do casal Moro com o casal João Doria Junior, dois casais deslumbrados na corte de Nova York, com Doria candidato ao governo do estado de São Paulo contra o partido que Moro tentou liquidar.

A imprensa tratou a premiação como uma grande conquista brasileira.

Homem do Ano do Royal Institute of Internacional Affairs

Esse prêmio, batizado de Chatam House (nome do palácio sede do Instituto), é oferecido pela mais importante instituição de assuntos internacionais do mundo, acima do Council of Foreign Relations. Em importância, o prêmio vem logo depois do Prêmio Nobel da Paz e a cerimônia de entrega é um jantar de 450 talheres no próprio Instituto, presentes a nata do Parlamento, Governo e meio empresarial britânico.

Apenas dois latino-americanos ganharam o prêmio: o presidente da Colômbia Juan Maria Santos e, antes dele, Lula.

Antes de Lula ganharam o premio Hillary Clinton, Bill Gates e depois de Lula o Presidente da Colombia Juan Manuel Santos.

Matéria interna da Folha.

Manchete: “Estatais patrocinam prêmio concedido a Lula em Londres”.

E a submanchete extraordinária, transformado o histórico Chatam House em um prêmio “co-patrocinado por Petrobras, BNDES e Banco do Brasil”.


Luís Nassif
Agência Xeque | GGN
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Pressão sobre o PT para apoiar Ciro agora não é ilegítima, mas é afoita e equivocada

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/05/17/pressao-sobre-o-pt-para-apoiar-ciro-agora-nao-e-ilegitima-mas-e-afoita-e-equivocada/

Se o PT levar Lula ou outro candidato seu ao segundo turno, vai precisar de Ciro. Sem o PT, dificilmente Ciro ganha a eleição. E se ganhar não governa ou governa pela direita


Política se faz com cérebro e nervos de aço, não com o fígado e o coração. A afirmação não agrada a muitos que acham que isso leva a um certo pragmatismo. Que esse racionalismo dilacera sonhos. Mas em geral é assim que funciona.

Políticos que estão expostos ao sol há muito tempo são pessoas preparadas até pra temperar suas reações com doses de emoção. Mas sabem que as coisas a valer se resolvem com muita conversa e paciência.

Que o tempo decanta as decisões e que a pressão pode levar possíveis aliados a se tornarem adversários irascíveis.

O PSDB sofreu disso nos últimos tempos. O texto publicado no O Estado por Mauro Chaves, cujo título era “Pó parar, governador” fez com que Aécio desistisse de ser candidato a presidente da República em 2010, mas o tornou inimigo de Serra, de quem já era desafeto. Naquele ano, Dilma fez barba, cabelo e bigode em Minas.

Agora em 2018, dois anos após o golpe que tirou Dilma do governo e há pouco mais de 30 dias da injusta prisão de Lula, cresce um movimento pra que o PT declare o quanto antes o apoio a Ciro Gomes. Este movimento é legítimo, mas equivocado.

Essencialmente por dois aspectos que vou tentar costurar aqui.

O primeiro, o PT está sendo sacrificado em praça pública na maior perseguição política recente. E sabidamente pelo que representa como organização progressista com fortes laços com o movimento social e capacidade de implementar uma agenda popular no Brasil.

Por conta disso é que Lula está preso e não pelo apê que o sócio do genro do Alckmim comprou no Guarujá pelo dobro do valor real.

Ou seja, o PT tem obrigação de se defender e de defender a maior liderança viva do campo progressista da América Latina. E pra fazê-lo conta com o apoio do povo que quer em sua ampla maioria Lula presidente da República mesmo ele estando preso.

Não há nada mais desmoralizante para o golpe e os golpistas do que Lula se manter vencendo todos os outros candidatos no segundo turno. Alguns com mais de 80% dos votos válidos, como no caso do golpista Michel Temer.

E a manutenção da sua candidatura permite essa clivagem. E gera fatos concretos para essa denúncia mundo afora.

E além disso embaralha a sucessão também para o lado de lá, que fica sem saber o que fazer.

O segundo argumento tem a ver com uma questão tática. O golpe tem dilacerado todos que são apresentados como alternativa à Lula. Se porventura o PT decidir apoiar Ciro Gomes, amanhã, a PF e o MP vão para cima do seu irmão Cid e de todos os seus possíveis aliados para destruí-los. E garanto, mesmo com toda a pompa de nordestino porreta e bom de briga, Ciro não resistirá a duas semanas de ataque. E digo isso porque por algumas bobagens ditas numa entrevista à Veja, ele já foi demolido por Serra em 2002.

Ciro é um grande quadro político, mas não é nem de longe um Lula, que consegue se manter vivo politicamente mesmo depois de intenso massacre.

Ou seja, se for para o PT decidir apoiar Ciro é um erro que seja agora.

A impressão deste blogueiro é que se esta eleição for minimamente justa, a direita ou um candidato vinculado ao golpe não leva. E digo isso com ou sem Lula na disputa. Os dados que se podem extrair das atuais intenções de voto mostram dois campos com grandes chances de vitória. O da centro esquerda e o do que vou chamar de “outsiders”. Neste, Huck era um candidato forte, Joaquim idem. Marina poderia ser, mas não se tornou. Fora eles, o que ainda pode dar algum trabalho se se apresentar nesta linha é Álvaro Dias. Mas a operação pra que consiga isso é muito complexa.

No espectro da extrema direita, Bolsonaro vai se apresentar com essa marca do anti-política, mas tem teto.

Na centro-direita, Alckmin e Meirelles são candidatos muito pesados. E mesmo João Doria que ainda pode se viabilizar está marcado pela péssima gestão que fez à frente da prefeitura de SP.

Ou seja, mesmo se Lula não puder ser candidato, as chances da centro-esquerda levar ou Ciro ou um outro candidato para o segundo turno são imensas. E se for, tem tudo pra vencer.

Ou seja, não é hora de atiçar o formigueiro e se indispor com a militância do PT tentando criar uma condição de ou é Ciro ou nada. Porque isso só gera revolta e ressentimento. E pode ser um entrave a um acordo futuro que envolva todo o campo progressista numa grande aliança.

Ciro não deve ser atacado como um “coronel do sertão” (aliás, amigos, melhorem, essa expressão é altamente preconceituosa com nossos irmãos nordestinos) e nem como alguém de direita. Ele não é nem uma coisa nem outra. Ele tem ideias diferentes do PT, mas há décadas faz política no campo da centro-esquerda.

Se o PT levar Lula ou outro candidato seu ao segundo turno, vai precisar de Ciro. Sem o PT, dificilmente Ciro ganha a eleição. E se ganhar não governa ou governa pela direita.

Ou seja, é hora de conversar, de baixar a bola, de buscar ouvir as razões do outro, de ter paciência e de pensar no que é melhor pra tirar Lula da cadeia e libertar a democracia do sequestro que lhe impuseram. É hora de fazer política como se estivéssemos bebendo a água de uma piscina com canudinho. Sem pressa e ansiedade. E sabendo que por mais água que a gente puxe ela não vai terminar amanhã.
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Volta dos militares à política abre as feridas do passado


A memória histórica sobre a ditadura militar continua sendo contestada, mas o embate brasileiro é totalmente singular: somos a única nação sul-americana onde os regimes autoritários da segunda metade do século passado continuam sendo tema quente de campanha eleitoral.

Há dois motivos para isso.

O primeiro é que a sociedade ainda desconhece detalhes importantes daquilo que aconteceu. A ferida segue aberta porque tanto as forças que ocupavam o poder quanto seus opositores na luta armada esconderam os aspectos mais nefastos de sua atuação. Diante da limitação de informações e de documentos brasileiros, ficamos à mercê de evidência empírica estrangeira para contar a história mais completa.

O segundo motivo pelo qual a memória da ditadura permanece sob disputa é que, agora, os militares estão de volta na política. Seja na intervenção federal no Rio de Janeiro, seja em candidaturas para o Legislativo e para o Executivo, a corporação militar entrou mais uma vez no jogo.

Desta vez, tudo corre sob as regras da democracia, mas há um choque ferrenho.

Por um lado, os candidatos militares contam com espaço fértil para crescer porque a deterioração desses 30 anos de Nova República tem levado muitos eleitores —inclusive jovens— a olhar com saudosismo para um passado imaginado.

Por outro, setores amplos da sociedade se lembram de um passado cheio de incompetência, desordem e corrupção, além da prática corriqueira de tortura, assassinatos e execuções sumárias.

O resultado disso é que um memorando redigido há 44 anos pela CIA sobre o papel do Palácio do Planalto no assassinato de prisioneiros políticos ocupa as páginas dos jornais não apenas porque joga luz sobre aspectos de nossa história, mas porque esquenta o embate atual pelo voto do eleitor.

E aqui há um dado importante do qual pouco se fala. As Forças Armadas de 2018 estão longe de ser um bloco onde reine o pensamento único.

Para mim, a experiência pessoal mais rica da última semana tem sido o depoimento de militares da ativa que fizeram contato depois de ler o documento para dizer que, finalmente, depois de tantos anos, o Brasil tem condições de olhar para seu passado de cabeça erguida. Essa turma não reza pela cartilha do Clube Militar.

Os candidatos militares têm todo o direito de sair à busca de cargos eletivos. Mas seu movimento terá custos.

Quanto mais adentrarem a arena eleitoral, maior será o escrutínio que atrairão para o presente e para o passado da corporação. Mais difícil será jogar a sujeira para debaixo do tapete. Mais impossível será impedir que a sociedade questione.

Matias Spektor, Ensina relações internacionais na FGV. Trabalhou para a ONU antes de completar o doutorado em Oxford.
No fAlha
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Partidarismo tucano no Itamaraty ataca outra vez

Enquanto trama ‘plano de fuga’ para si e Temer, chanceler Aloysio Nunes ‘berra’ contra ex-líderes europeus pró-Lula

Aloysio 500mil chamou o gesto europeu de 'preconceituoso, arrogante e anacrônico', criando mal-estar entre diplomatas
Desde o início do governo Michel Temer, o PSDB comanda o ministério das Relações Exteriores e diz levar adiante uma política externa “de Estado”, não “de partido”, como teria sido na era petista. Foi assim com José Serra, é assim com o também senador Aloysio Nunes Ferreira, atual comandante da pasta. A prática tucana, porém, não para de desmentir o verbo e de mostrar um Itamaraty partidarizado.

Na terça-feira 15, seis ex-líderes europeus progressistas defenderam o direito de o ex-presidente Lula ser candidato de novo em outubro. O chanceler teve um chilique. Em nota no dia seguinte, Ferreira chamou o gesto europeu de “preconceituoso, arrogante e anacrônico”. Baita mal-estar entre diplomatas, segundo alguns ouvidos pela reportagem.

O ministro está desde o dia 7 em viagem pela Ásia, onde se reuniu, por exemplo, com autoridades do golpe militar dado na Tailândia em 2017. Reagiu imediatamente ao manifesto pró-Lula. Já sobre a ruptura no dia 8, pelos Estados Unidos, do acordo nuclear com o Irã, silêncio de uma semana. Ao se pronunciar, o Itamaraty emitiu um comunicado anódino, que sequer citava os EUA.

Não é a primeira vez que Itamaraty age assim sob a batuta de Ferreira. Um ano atrás, quando Temer botou o Exército na rua em Brasília após protestos, organismos internacionais de direitos humanos criticaram o Brasil. Ferreira berrou. “Teor desinformado e tendencioso”, “leviandade”, e por aí vai.

Outro exemplo de partidarismo? Hoje, a principal missão de Ferreira, que costuma levar a esposa Gisele Sayeg em suas viagens nas asas da FAB, parece ser preparar uma espécie de plano de fuga para um pessoal enroscado em processos na Justiça. A começar por ele mesmo.

Entre diplomatas, ouve-se que o chanceler reservou para si a embaixada em Paris e a de Roma e a Portugal para Temer e um outro emedebista. O motivo? Chefe de missão diplomática tem foro privilegiado, só pode ser investigado nas altas cortes em Brasília.

Alvo de dois processos, por corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro, que só esperam o fim de seu mandato para correrem na Justiça comum, Temer é candidato a ir em cana a partir de 2019. Se seus processos estiverem no Supremo Tribunal Federal (STF), não com um juiz de primeira instância, aí chance diminui.

Não é à toa que, entre tucanos e emedebistas, discute-se abertamente a garantia de uma embaixada a Temer no próximo governo, uma tentativa de unir PSDB e MDB na eleição.

Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano, foge de assumir compromissos com Temer, mas seus índices nas pesquisas deixam correligionários desesperados e dispostos a um acordo com o MDB, para aumentar o tempo da propaganda alckmista na TV e a tropa de cabos eleitorais no País.

Quer mais um caso de partidarismo? Uma das principais assessoras do gabinete de Ferreira é a economista Ana Lobato, uma antiga colaboradora do PSDB. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ela ajudou a unificar cadastros da área social.

Depois de FHC, foi trabalhar para o PSDB no Senado. Estava com Ferreira na liderança tucana e foi levado por ele para o ministério. Em 18 de abril, foi promovida a “comendadora”, uma das honrarias do Itamaraty. Um decreto assinado por Temer e o chanceler da política externa “de Estado”.

André Barrocal
No CartaCapital
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Nota das Bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado Federal


As Bancadas do Partido dos Trabalhadores na Câmara e no Senado afirmam sua unidade em defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Líder em todas as pesquisas eleitorais, mesmo depois de ter sido injusta e arbitrariamente condenado e preso, Lula representa a oportunidade de o Brasil reencontrar o caminho da democracia, da inclusão social, do diálogo, da soberania nacional, do crescimento econômico e da geração de empregos, garantindo a construção de um país mais justo e solidário.

Num momento em que o país se encontra atolado numa crise econômica, política e institucional sem precedentes, o ex-presidente é o nome com amplo apoio popular capaz de criar as condições para a superação da atual turbulência e garantir melhores dias para todos os brasileiros.

As eleições de outubro só serão democráticas se todas as forças políticas puderem participar de forma livre e justa. Não podemos fazer concessões na luta em defesa da inocência e da manutenção dos direitos políticos de Lula.

Nesse cenário, a candidatura Lula se impõe ao partido e é a melhor alternativa à nação

Brasília, 17 de maio de 2018

Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do Partido no Senado Federal

Paulo Pimenta (PT-RS), líder do Partido na Câmara dos Deputados

SENADO:
Gleisi Hoffmann (PR), Fátima Bezerra (RN), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC), José Pimentel (CE), Paulo Paim (RS), Paulo Rocha (PA) e Regina Sousa (PI).

CÂMARA:
Adelmo Leão (MG),Afonso Florence (BA), Ana Perugini (SP), Andres Sanchez (SP), Angelim (AC), Arlindo Chinaglia (SP), Assis Carvalho (PI), Benedita da Silva (RJ), Beto Faro (PA), Bohn Gass (RS), Caetano (BA), Carlos Zarattini (SP), Celso Pansera (RJ), Décio Lima (SC), Enio Verri (PR), Érika Kokay (DF), Gabriel Guimarães (MG), Helder Salomão (ES), Henrique Fontana (RS), João Daniel (SE), Jorge Solla (BA), José Airton (CE), José Guimarães (CE), José Mentor (SP), Josias Gomes (BA), Leo de Brito (AC), Leonardo Monteiro (MG), Luiz Couto (PB), Luiz Sérgio (RJ), Luizianne Lins (CE), Marco Maia (RS), Marcon (RS), Margarida Salomão (MG), Maria do Rosário (RS), Miguel Corrêa (MG), Nelson Pellegrino (BA), Nilto Tatto (SP), Odair Cunha (MG), Padre João (MG), Patrus Ananias (MG), Paulão (AL), Paulo Teixeira (SP), Pedro Uczai (SC), Pepe Vargas (RS), Reginaldo Lopes (MG), Rejane Dias (PI), Rubens Otoni (GO), Ságuas Moraes (MT), Sibá Machado (AC), Valmir Assunção (BA), Valmir Prascidelli (SP), Vander Loubet (MS), Vicente Cândido (SP), Vicentinho (SP), Wadih Damous (RJ), Waldenor Pereira (BA), Zé Carlos (MA), Zé Geraldo (PA), Zeca Dirceu (PR) e Zeca do PT (MS).
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Lula escreve no Le Monde: Porque eu quero voltar a ser presidente

A imprensa brasileira faz questão de tratar Lula como uma não-personagem política. Seu nome é cuidadosamente deixado de fora dos cenários eleitorais, sua prisão arbitrária é “normalizada” e esquecida do noticiário, a mobilização em Curitiba é apagada. Trata-se de construir uma representação da realidade em que a liderança política de Lula fica como um dado do passado.

O nome disso é desinformação.

Enquanto isso, o ex-presidente é capa de Le Monde.

Durante a ditadura também era assim: para saber um pouco do que se passava no Brasil era preciso ler os jornais de fora.

Luis Felipe Miguel



Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo.

Depois de tudo que fiz como presidente da República, tenho certeza de que posso resgatar a credibilidade do governo, sem a qual não há crescimento econômico nem a defesa dos interesses nacionais.

Sou candidato para devolver aos pobres e excluídos sua dignidade, a garantia de seus direitos e a esperança de uma vida melhor.

Na minha vida nada foi fácil, mas aprendi a não desistir. Quando comecei a fazer política, mais de 40 anos atrás, não havia eleições no País, não havia direito de organização sindical e política.

Enfrentamos a ditadura e criamos o Partido dos Trabalhadores, acreditando no aprofundamento da via democrática. Perdi 3 eleições presidenciais antes de ser eleito em 2002. E provei, junto com o povo, que alguém de origem popular podia ser um bom presidente. Terminei meus mandatos com 87% de aprovação popular. É o que o atual presidente do Brasil, que não foi eleito, tem de rejeição hoje.

Nos oito anos que governei o Brasil, até 2010, tivemos a maior inclusão social da história, que teve continuidade no governo da companheira Dilma Rousseff.

Tiramos 36 milhões de pessoas da miséria extrema e levamos mais de 40 milhões para a classe média. Foi período de maior prestígio internacional do nosso país. Em 2009, Le Monde me indicou “homem do ano”.

Recebi estas e outras homenagens, não como mérito pessoal, mas como reconhecimento à sociedade brasileira, que tinha se unido para a partir da inclusão social promover o crescimento econômico.

Sete anos depois de deixar a presidência e depois de uma campanha sistemática de difamação contra mim e meu partido, que reuniu a mais poderosa imprensa brasileira e setores do judiciário, o momento do país é outro: vivemos retrocessos democráticos, uma prolongada crise econômica, e a população mais pobre sofre, com a redução dos salários e da oferta de empregos, o aumento do custo de vida e o desmonte de programas sociais.

A cada dia mais e mais brasileiros rejeitam a agenda contra os direitos sociais do golpe parlamentar que abriu caminho para um programa neoliberal que havia perdido quatro eleições seguidas e que é incapaz de vencer nas urnas.

Lidero, por ampla margem, as pesquisas de intenções de voto no Brasil porque os brasileiros sabem que o país pode ser melhor.

Lidero as pesquisas mesmo depois de ter sido preso em consequência de uma perseguição judicial que vasculhou a minha casa e dos meus filhos, minhas contas pessoais e do Instituto Lula, e não achou nenhuma prova ou crime contra mim.

Um juiz notoriamente parcial me condenou a 12 anos de prisão por “atos indeterminados”. Alega, falsamente, que eu seria dono de um apartamento no qual nunca dormi, do qual nunca tive a propriedade, a posse, sequer as chaves.

Para me prender, e tentar me impedir de disputar as eleições ou fazer campanha para o meu partido, tiveram que ignorar a letra expressa da constituição brasileira, em uma decisão provisória por apenas um voto de diferença entre 11 na Suprema Corte.

Mas meus problemas são pequenos perto do que sofre a população brasileira. Para tirarem o PT do poder após as eleições de 2014, não hesitaram em sabotar a economia com decisões irresponsáveis no Congresso Nacional e uma campanha de desmoralização do governo na imprensa. Em dezembro de 2014 o desemprego no Brasil era 4,7%. Hoje está em 13,1%.

A pobreza tem aumentado, a fome voltou a rondar os lares e as portas das universidades estão voltando a se fechar para os filhos da classe trabalhadora. Os investimentos em pesquisa desabaram.

O Brasil precisa reconquistar a sua soberania e os interesses nacionais. Em nosso governo, o País liderou os esforços da agenda ambiental e de combate à fome, foi convidado para todos os encontros do G-8, ajudou a articular o G-20, participou da criação dos BRICS, reunindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e da Unasul, a União dos países da América do Sul.

Hoje o Brasil tornou-se um pária em política externa, que os líderes internacionais evitam visitar, e a América do Sul se fragmenta, com crises regionais cada vez mais graves e menos instrumentos diplomáticos de diálogo entre os países.

Mesmo a parte da população que apoiou a queda da presidenta Dilma Rousseff, após intensa campanha das Organizações Globo, que monopolizam a comunicação no Brasil, já percebeu que o golpe não era contra o PT. Era contra a ascensão social dos mais pobres e os direitos dos trabalhadores. Era contra o próprio Brasil.

Tenho 40 anos de vida pública. Comecei no movimento sindical. Fundei um partido político com companheiros de todo o nosso país e lutamos, junto com outras forças políticas na década de 1980, por uma Constituição democrática.

Candidato a presidente, prometi, lutei e cumpri a promessa de que todo o brasileiro teria direito a três refeições por dia, para não passar fome que passei quando criança.

Governei uma das maiores economias do mundo e não aceitei pressões para apoiar a Guerra do Iraque e outras ações militares. Deixei claro que minha guerra era contra a fome e a miséria. Não submeti meu país aos interesses estrangeiros em nossas riquezas naturais.

Voltei depois do governo para o mesmo apartamento do qual saí, a menos de 1 quilômetro do Sindicato dos Metalúrgicos do da cidade de São Bernardo do Campo, onde iniciei minha vida política.

Tenho honra e não irei, jamais, fazer concessões na minha luta por inocência e pela manutenção dos meus direitos políticos. Como presidente, promovi por todos os meios o combate à corrupção e não aceito que me imputem esse tipo de crime por meio de uma farsa judicial.

As eleições de outubro, que vão escolher um novo presidente, um novo congresso nacional e governadores de estado, são a chance do Brasil debater seus problemas e definir seu futuro de forma democrática, no voto, como uma nação civilizada. Mas elas só serão democráticas se todas as forças políticas puderem participar de forma livre e justa.

Eu já fui presidente e não estava nos meus planos voltar a me candidatar.

Mas diante do desastre que se abate sobre povo brasileiro, minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, diálogo democrático, soberania nacional e crescimento econômico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos.

No Viomundo
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Juiz escancara lawfare contra Lula

Aroeira
O ex-Presidente Lula não foi intimado de decisão com esse conteúdo, que causa bastante perplexidade já que todos os ex-presidentes da República, por força de lei (Lei nº 7.474/86) têm direito a “quatro servidores, para segurança e apoio pessoal”. Mesmo diante da momentânea privação da liberdade, baseada em decisão injusta e não definitiva, Lula necessita do apoio pessoal que lhe é assegurado por lei e por isso a decisão será impugnada pelos recursos cabíveis, com a expectativa de que ela seja revertida o mais breve possível.

Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República. Conforme parecer dos renomados Professores Lenio Luiz Streeck e André Karam Trindade (04/05/2018) sobre a matéria, essas prerrogativas são “vitalícias e não comportam qualquer tipo de exceção”. Ainda segundo esses juristas, “A existência das referidas prerrogativas, na verdade, decorre de um triplo aspecto: um, preservar a honra e o ‘status’ digno de um ex-ocupante do cargo máximo da nação; dois, quiçá ainda mais relevante, assegurar a independência necessária para o pleno exercício de suas funções de governo, com certeza de que, após o término do mandato, terá segurança e assessoria pessoais garantidas de maneira incondicional; três, contribuir para evitar o ostracismo e, com isso, induzir à alternância ao poder”.

A ação em que foi proferida essa decisão tem manifesto caráter político, já que promovida por integrantes de movimento antagônico a Lula e com o claro objetivo de prejudicar sua honra e sua dignidade.

Lula teve todos os seus bens e recursos bloqueados por decisões proferidas pela 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba e pela 1ª. Vara de Execuções Fiscais Federais de São Paulo, não dispondo de valores para sua própria subsistência e para a subsistência de sua família e muito menos para exercer a garantia da ampla defesa prevista na Constituição Federal. A decisão agora proferida pela 6ª. Vara Federal de Campinas retira de Lula qualquer apoio pessoal que a lei lhe assegura na condição de ex-Presidente da Republica, deixando ainda mais evidente que ele é vítima de “lawfare”, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.



Defesa de Lula contesta fake news da mídia sobre sítio de Atibaia

Ao contrário foi que foi divulgado por alguns veículos de comunicação, o laudo apresentado na data de hoje (16/05) pela Polícia Federal nos autos da Ação Penal nº 5021365-32.2017.4.04.7000/PR não estabeleceu qualquer vínculo entre uma planilha apresentada por ex-executivo da Odebrecht e o sítio de Atibaia (Sítio Santa Bárbara) frequentado pela família do ex-presidente Lula, de propriedade da família Bittar.

Diz o laudo pericial textualmente: "Não foram encontradas, no contexto da Ação Penal, até a data da emissão deste laudo, nas pesquisas efetuadas no material examinado (Sistema Drousys e Sistema MyWebDay), documentos ou lançamentos que façam referência a termos tais como ATIBAIA, SÍTIO e SANTA BÁRBARA" (p. 61).

Por outro lado, o mesmo laudo pericial, com o claro objetivo de ofuscar recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal que afastou qualquer vínculo entre elementos anexados a essa ação penal e a competência da Justiça Federal de Curitiba (Pet. 6780/STF), fez descabidas referências a recursos provenientes de contratos da Petrobras.

Busca-se com isso, uma vez mais, contornar os critérios legais de competência por meras referências, sem qualquer base concreta, a valores provenientes da Petrobras, exatamente como fez a denúncia.

A acusação se reportou a 7 contratos específicos da Petrobras. Como a defesa demonstrou que nenhum valor desses contratos foi destinado ao ex-Presidente Lula, agora busca-se criar um "caixa geral" com recursos da Petrobras com base em mera retórica como antídoto à prova da defesa.

O laudo pericial, nessa perspectiva, buscou criar uma nova fórmula em branco para a escolha da jurisdição de acordo com a conveniência dos agentes envolvidos, o que colide com a garantia constitucional do juiz natural (CF/88, art. 5º, LIII) e por isso é inaceitável.

A planilha apresentada pelo delator se refere expressamente a obras realizadas no projeto Aquapolo, realizado na SABESP, ligada ao Governo do Estado de São Paulo — sem qualquer relação com Petrobras e muito menos com Lula. O laudo pericial, estranhamente, silenciou a respeito desse relevante fato.

Lula jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida da Odebrecht ou de qualquer outra empresa.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins
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Papa faz homilia que parece ser endereçada ao golpe no Brasil

"A mídia começa a falar mal das pessoas. Depois chega a justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado", disse o Papa


Na missa celebrada na manhã desta quinta-feira (17), na Casa Santa Marta, no Vaticano, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Em um trecho intitulado “Intrigar: um método usado também hoje”, o Papa parece ter se dirigido ao Brasil, ao golpe e à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao fazer uma descrição exata da nossa atual situação política.

De acordo com transcrição literal do Vatican News, o Papa Francisco disse: “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”.

Veja o trecho completo abaixo:

Intrigar: um método usado também hoje “Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”. Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco




Leia a homilia do Papa Francisco na íntegra no Vatican News

No Fórum
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‘O Processo’, retrato angustiante do impeachment, chega aos cinemas — assista a entrevista

Estreia no Brasil do premiado filme de Maria Augusta Ramos que mostra bastidores do rito de afastamento de Dilma Rousseff


Maria Augusta Ramos é uma documentarista que ganhou do Conselho da Fundação de Helsinque para os Direitos Humanos o prêmio Marek Nowicki pelo conjunto de sua obra que tem excelente desempenho em mostrar os direitos humanos no cinema.

Com mais de uma dezena de filmes no currículo destacamos “DESI”, ganhador do Bezerro de Ouro " de melhor documentário no Festival de Cinema da Holanda em 2001.

“Morro dos Prazere”s que faturou o Prêmio de Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Som no Festival Nacional de Cinema de Brasília.

E “Futuro Junho Que Levou” o prêmio de MELHOR DIRETOR no Festival de Cinema do Rio.

Seu último longa, O Processo, fala sobre o impeachment da presidente brasileira Dilma Rousseff. E ficou em terceiro lugar no prêmio de melhor documentário escolhido pelo público na mostra Panorama do Festival de Berlim. Na exibição o processo foi ovacionado pelo público que estava na sala de projeção.​

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Jornal Nacional (sempre ele) manipula contra os movimentos de moradia

A quem interessa a reportagem da TV Globo que ataca Carmen da Silva Ferreira?

Carmen da Silva Ferreira, durante a luta por moradia
O Jornal Nacional de segunda-feira (14/5), dedicou um minuto e onze segundos à morte de 58 palestinos num protesto contra o reconhecimento americano de Jerusalém como capital de Israel. A entrevista ao vivo com o técnico da seleção brasileira Tite durou onze minutos e oito segundos. A desproporção já permitiria inferir a escala de valores ($$$) da Globo. Mas tem mais. Logo depois da abertura do telejornal, como se grande furo fosse, a apresentadora Renata Vasconcellos disse: “O Jornal Nacional teve acesso a conversas gravadas em que a coordenadora de um prédio invadido no centro de São Paulo cobrou dinheiro dos moradores, e com ameaças.



Os flagelados do incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida ainda jazem ao relento na praça da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, ao pé de uma escultura dramática, que mostra uma mulher negra, seminua, oferecendo o peito farto de leite ao bebê branco. Os cadáveres dos gêmeos Wendel e Werner, de apenas 10 anos, negros filhos da auxiliar de limpeza Selma Almeida da Silva, negra também, desaparecida nos escombros, ainda nem foram enterrados, e o Jornal Nacional já se assanha. Em vez de responsabilizar o poder público, que ignorou laudos e mais laudos atestando que o prédio do Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, estava condenado, lança-se contra o movimento que luta por moradia. Culpa as vítimas pela sua tragédia.

O principal telejornal da Globo de Ali Kamel, diretor geral de Jornalismo e Esportes, autor do livro “Não Somos Racistas” (aham, só que não!), promoveu o passe de mágica que fez desaparecer os flagelados, os mortos, os desaparecidos do prédio sinistrado no dia 1º de Maio (não mereceram nenhuma fração de segundo do telejornal). Talvez porque, se continuasse a falar sobre o assunto, teria, inevitavelmente, de mostrar as fotos em que o chefão do edifício que desabou, Ananias Pereira, aparecia, alegre e sorridente, há um ano, ao lado do ex-prefeito e pré-candidato a governador de São Paulo pelo PSDB, João Doria Jr., durante comemoração do aniversário do atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), que também posou com ele.

Ananias Pereira é dirigente do autodenominado Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), responsável por sete ocupações de prédios no centro de São Paulo, uma delas sendo a do prédio que ruiu. Afoito como sempre, o ex-prefeito João Doria Jr., fez-se de esquecido sobre a festa de aniversário de Covas e sentenciou: “O prédio foi invadido e parte desta invasão financiada é ocupada por uma facção criminosa”. Ananias, ressalte-se, foi à festa de Covas como convidado, e não como penetra.

A fala de Doria visava a esconder as responsabilidades da Prefeitura na tragédia.

João Doria ao lado de Ananias (à direita
Bruno Covas e Ananias (à esquerda)

Doria, o gestor das mil e uma fantasias,  precisava mesmo achar um bode expiatório. Documento da Secretaria Municipal de Licenciamento, datado de 26 de janeiro de 2017, gestão Doria, apontava os seguintes problemas no prédio Wilton Paes de Almeida:
  • Ausência de extintores;
  • Sistema de hidrantes inoperante;
  • Ausência de mangueiras;
  • Ausência de luzes de emergências;
  • Ausência de sistema de alarme;
  • Instalações elétricas irregulares: fios sem isolamento adequado e expostos, além da entrada de energia improvisada;
  • Elevadores inoperantes e fechados por tapumes;
  • Ausência de corrimão nas escadas;
  • Instalações do sistema de para-raios não puderam ser avaliadas, porque o acesso estava bloqueado.
Depois de apontar tantas falhas, o documento concluía: A edificação não reúne condições mínimas de segurança contra incêndio.” Mesmo assim, o poder público não tomou providência alguma para atender as famílias que se encontravam sob risco de tragédia iminente e que de lá não saíram por absoluta falta de opção. Ou alguém acha que é melhor dormir na rua?

Agora, que há mortos, feridos, desaparecidos, a TV Globo opera para ocultar a responsabilidades do poder público (de Doria principalmente, porque era o prefeito até o dia 06 de abril de 2018, cargo ao qual renunciou para disputar o governo do Estado de São Paulo pelo PSDB). Para isso, lança mão de acusações falsas e infundadas contra movimentos sociais. A primeira e mais surrada acusação é a de que os movimentos por moradia são associados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital – foi isso o que fez João Doria. Para dar foros de realidade a essa acusação, o procedimento tem sido denunciar a cobrança de taxas de contribuição nas ocupações. (ninguém explica o que tem a ver uma coisa com a outra, mas serve para lançar um tsunami de suspeitas sobre todos os movimentos de moradia).

O alvo da denúncia, entretanto, não foi Ananias, o “amigo de Doria e Covas”, que mantinha famílias em situação de extrema vulnerabilidade dentro de um prédio bagunçado, com fios desencapados, sem extintores, sem mangueiras de incêndio, com áreas inteiras inundadas, como atestado pela própria Prefeitura.

Carmen Silva com as cineastas Eliane Caffé e Daniela Thomas
Foi Carmen da Silva Ferreira, coordenadora do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), líder da luta por moradia e pela Reforma Urbana na cidade de São Paulo, cérebro das iniciativas mais criativas, inclusivas e inovadoras de requalificação de áreas degradadas da megalópole, e responsável pela conquista da moradia pelos sem-teto que ocuparam o antigo Hotel Cambridge, localizado no centro de São Paulo. O prédio, agora desocupado, passará por uma reforma e será então entregue aos pobres que lutaram por ele. A experiência foi tão bem-sucedida que se tornou base do roteiro do premiado filme “Era o Hotel Cambridge“, da diretora Eliane Caffé (2016).

A trajetória do Hotel Cambridge é exemplar das forças mais terríveis e das mais generosas que atuam sobre o espaço urbano. Fincado em prédio de estilo modernista na avenida Nove de Julho, o Hotel Cambridge foi inaugurado em 1951. Era famoso pelo bar elegante com poltronas vermelhas, onde se apresentou, em 1959, o músico Nat King Cole, quando ele veio ao Brasil. “Stardust“, a canção que fala sobre os encantos do amor que passou, embalou a noite. Poeira estelar.

Daqueles brilhos, o Cambridge desabou no buraco negro da decadência tão logo o centro econômico e financeiro da cidade deslocou-se para a região da avenida Paulista e, depois, para a Faria Lima e Berrini. Hotéis com nomes chiques e estrangeiros, como o próprio Cambridge, o Othon Palace, o Hilton, o Paris e o Cad’oro, entre outros, viveram em agonia, até o apagar definitivo das suas luzes.

Carmen da Silva Ferreira, 58 anos, foi quem reacendeu as luzes do prédio de 17 andares e 120 apartamentos. Em vez dos engravatados de antes, ela capitaneou um exército de pobres miseráveis, gente que não tinha nem sequer um teto pra dormir em paz… e eles ocuparam o Hotel Cambridge, então tomado por ratos, baratas, escorpiões, lixo, entulho. Toneladas de dejetos foram retirados dos andares.

Detalhe: As centenas de edifícios abandonados do centro da cidade são como tumbas de histórias e recordações. Como tumbas, os proprietários lacram-lhes portas e janelas com tijolos e cimento. É para evitar a invasão de animais ou de quem queira questionar a posse do imóvel — o prédio sufoca sem ar e nem luz.

Felizmente, não é nada que algumas marretadas não resolvam.

Jornalistas Livres acompanham desde abril de 2015 algumas ocupações coordenadas por Carmen, desde os seus instantes iniciais. Trata-se de uma mulher forte, dotada de determinação e coragem ímpares. É ela que está no centro de uma possante organização que restaura vidas, acolhe os derrotados da cidade, os idosos, as mulheres espancadas, as pessoas que perderam tudo e as que sempre ganharam muito pouco ou quase nada (os trabalhadores informais, os camelôs, cuidadores de enfermos, faxineiros, garis, pedreiros, eletricistas, operários da construção civil, balconistas, cozinheiros, seguranças, operadores de telemarketing, artesãos, auxiliares de enfermagem, protéticos etc. etc. etc.). Carmen gosta de dizer que as pessoas vão ao movimento em busca de direitos (o direito à moradia está impresso na Constituição de 1988), e aprendem que direitos vêm junto com deveres.

Vida cármica

Baiana, mãe de oito filhos, Carmen nasceu na Cidade Baixa de Salvador, filha de empregada doméstica e de militar. Foi o pai que a criou e é indelével a marca deixada pela disciplina da caserna no espírito da mulher. Os prédios sob coordenação dela rebrilham de limpeza, fruto de mutirões bem-organizados. Não se consomem drogas, respeita-se o horário de descanso, funcionam projetos profissionalizantes, crianças não podem ser deixadas sozinhas nos apartamentos, homem não bate em mulher nem com uma flor. E por aí vai.

Tudo isso é fruto de uma sólida hierarquia, resultante de assembléias e reuniões com quórum e representatividade de mais de 80% dos moradores. Começa pelos coordenadores de andares, que atuam como mediadores de conflitos, pelos líderes de projetos comunitários, passa pela Linha de Frente (os fiéis escudeiros da ocupação), e chega até a liderança incontestável de Carmen –a Dona Carmen, como é respeitosamente chamada. Depois das 22h, é tudo silêncio.

Carmen Silva fala com moradores
Neste caso, trata-se de autoridade conquistada. Carmen casou-se aos 17 anos e conheceu a violência doméstica, espancada que era pelo marido truculento e cheio de ciúmes. Com 16 anos de união, 8 filhos, ela jogou tudo para o ar e fugiu para São Paulo. Sem teto, conheceu a dura rotina e a solidariedade das ruas. Morou em albergues, um administrado pela Igreja Universal do Reino de Deus, e outro, público, sob o viaduto Pedroso, que atravessa a avenida 23 de Maio, no centro da cidade.

Rotina dura. No albergue, um humano é só corpo que precisa de pouso e banho. Tem de sair tão logo o dia nasce. E voltar assim que a noite cai, senão não entra. Carmen lembra-se de passar horas e horas, esperando o tempo passar, dentro do templo da Universal na avenida Brigadeiro Luis Antonio. Andou muito, conheceu todas as entidades que serviam comida, em busca de emprego, as quebradas. Virou cozinheira, mas achou pouco…

A rua é cruel e louca. Ela resistiu ao desespero porque seu único objetivo era trazer todos os filhos para viver sob suas asas (conseguiu). Já viu muita gente forte desabar ante o peso da própria dor.

Carmen iniciou-se no movimento dos sem-teto quando morou, por seis anos, num antigo prédio do INSS, na avenida Nove de Julho. De lá para cá, participou de dezenas de ocupações. Hoje, é uma profunda conhecedora da cidade que escolheu para viver. Quem está devendo IPTUs milionários, quem são os maiores latifundiários urbanos, quantos imóveis possuem, quem são os habitantes tradicionais de cada bairro. É respeitada na Prefeitura, acaba de ser convidada a lecionar em uma grande Escola de Arquitetura. Urbanista prática, discute altivamente com autoridades dos setores público, privado e acadêmico. Recentemente, foi uma das organizadoras de duas rodas de conversa dentro do Ministério Público de São Paulo, com a presença do próprio Procurador-Geral de Justiça do Estado, Gianpaolo Poggio Smanio, sobre políticas públicas voltadas para Moradia Social e Gênero.

A hora H

Junta gente de todos os jeitos na hora de ocupar. A velhinha louca que perdeu tudo na jogatina, a jovem crente desempregada, o dependente de drogas, o estudante de medicina que foi expulso de casa porque o pai descobriu que ele é gay, o pastor, a sambista, o poeta, o militante, o refugiado palestino, sírio e congolês, sobreviventes de tragédias humanitárias, os imigrantes bolivianos, haitianos, a prostituta. Um dos grandes insights do movimento de moradia deu a liga entre todos esses espécimes da grande biodiversidade humana que viceja no centro elétrico da metrópole:
“Somos todos refugiados: os estrangeiros aos quais a própria pátria tornou-se ameaçadora; e os nacionais, aos quais o Brasil dos privilégios virou as costas”, conforme epifania de Carmen.

Nem precisa dizer que é difícil alinhar na vida intensamente coletiva da ocupação as pirações individuais de pessoas tão diversas. Mas, avessos aos vitimismos, embora motivos não faltem, os sem-teto cultivam mesmo é a solidariedade. É o que permite a elaboração coletiva de uma poesia lavrada na esperança de dias melhores.

Movimento de pobres, de pretos, de pardos, a luta pela moradia no centro de São Paulo é intensa na construção de novíssimos quilombos, dirigidos e habitados em sua maioria por mulheres tão fortes quanto delicadas, capazes de enfrentar as maiores violências enquanto cuidam dos mais fracos e desamparados. É preciso entendê-las, porque elas resgatam para a cidadania aqueles a quem o poder público fecha a cara e os cofres.

Manipulação escancarada e tombo no Mc Donald’s

A TV Globo, que nunca simpatizou com as ocupações de imóveis abandonados, feitas por pobres sem teto, não hesitou em invadir um terreno público para instalar seus estúdios de São Paulo, às margens da Marginal Pinheiros. Mas disso, obviamente, os telejornais sob o comando de Ali Kamel não falam. O que lhe importa é operar, com o concurso sempre ativo de promotores inquisitoriais, e com a Polícia Civil, a transmutação da verdade em farsa:

Uma reportagem do SP2, também da Globo, veiculada no mesmo dia 14 afirmou o seguinte:

“Depois que o edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, desabou, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a cobrança das taxas nessas ocupações. Até agora identificou três núcleos que agem de forma parecida em ocupações diferentes: uma comandada por Carmen [da Silva Ferreira], outro por Ednalva Franco e uma terceira, por Ananias Pereira dos Santos, apontado por moradores como coordenador da ocupação do prédio que desabou. A reportagem não conseguiu falar com Ednalva Franco nem com Ananias Pereira.”

É Fake News em estado puro.

O repórter Bruno Tavares, autor do texto, sabe que são ocupações distintas, lideradas por pessoas absolutamente diferentes, oriundas de movimentos que mantêm autonomia entre si. Seria o mesmo que dizer que todo o jornalismo do planeta é ruim porque o que o Bruno Tavares faz é um lixo.

Sim, há diferenças gritantes entre as ocupações.

Em sua “reportagem”, Bruno Tavares cita investigação do Ministério Público, iniciada em 2016, a partir da denúncia de uma ex-moradora do Hotel Cambridge. Essa moradora disse que já pagava R$ 200 pelas despesas de manutenção do prédio e que estava sendo “vítima de extorsão”, a exemplo dos outros moradores, para desembolsar mais R$ 20, referentes a uma multa por ligação de água clandestina, dividida entre as famílias.

Apesar do segredo de Justiça em que corre o processo, a Globo “teve acesso” ao processo (claro! de novo, são os tais vazamentos a que a emissora dos Marinho sempre “tem acesso”). Pois deveria ter aproveitado o tal “acesso” privilegiado para informar aos telespectadores que no Cambridge havia 120 famílias, que decidiam coletivamente em assembléias qual o valor das taxas e contribuições que caberiam a cada uma.

O repórter disse ainda que “ao falar com os promotores, a coordenadora da ocupação não apresentou documentos para comprovar que o dinheiro arrecadado era gasto com a manutenção do prédio.” Engraçado! Em entrevista coletiva no último dia 11, da qual participou uma equipe da Globo News, Carmen apresentou documentos e comprovantes de despesas das ocupações que coordena. Mas isso não interessou ao Jornal Nacional.

Carmen da Silva Ferreira
A reportagem mencionou taxas de R$ 200 mensais, e uma taxa extraordinária única de R$ 20, para pagar multa da Sabesp. Vinte Reais. Isso é muito ou é pouco? A reportagem maliciosa não diz. Se fizesse bom jornalismo, Bruno Tavares teria investigado a contabilidade do condomínio. Ou alguém acha o Hotel Cambridge estava “pronto pra morar”, como aqueles apartamentos dos folders e dos anúncios imobiliários que forram as páginas dos jornais impressos?

Sem água, sem luz (muitos andares tiveram toda a fiação roubada), os encanamentos entupidos ou simplesmente arrancados, sem elevadores, sem extintores ou mangueiras de incêndio, repletos de lixo (só do antigo hotel Cambridge foram retirados 15 mil quilos de entulho!), os prédios dos sem-teto eram sucatas podres antes de serem – aos poucos  - revitalizados pelo movimento social.

E quem paga por isso? O poder público é que não é. A iniciativa privada é que não é. Muito menos a TV Globo. Então, sobra para os ocupantes, na forma das taxas de contribuição. Aliás, a reportagem de Bruno, se não estivesse atrás de escândalos inexistentes, poderia investigar como as novas tecnologias sociais estão ajudando a baratear os custos de manutenção dos edifícios ocupados. Exemplos? No Hotel Cambridge, os moradores fizeram parceria com a Escola da Cidade e desenvolveram uma horta comunitária para ocupar toda a cobertura com verduras e legumes sem agrotóxicos. Foi da mesma parceria que se originou o lindo e inovador mobiliário que decorava as áreas comuns do prédio — creche, biblioteca e oficinas de costura e maquiagem feitas com material de reciclagem. Dessa parceria também vem a idéia de ressuscitar um antigo poço artesiano abandonado no subsolo do prédio, a fim de utilizar a água para lavagem do chão e descarga das privadas.

Mas não.

Em vez da inteligência coletiva do movimento, a reportagem preferiu contemplar, como se verdadeira fosse, a denúncia de uma ex-moradora do Cambridge, apresentada como “testemunha Alfa”, que disse ter sido ameaçada por Carmen. O repórter Bruno Tavares teve acesso inclusive aos vídeos que a tal “testemnha Alfa” gravou com as supostas ameaças. Aliás, esses vídeos também constam no processo que corre em Segredo de Justiça (segredo de Polichinelo…)

Eis a transcrição das tais ameaças:

Carmen: A senhora que vai na Sabesp fazer o acordo porque não pagou aqui.

Alfa: Eu? Tanto dinheiro que você pega dos outros.

Carmen: O que foi que a senhora falou?

Alfa: Sai de cima de mim, sai de cima de mim que eu te coloco atrás das grades.

Carmen: Sem vergonha, caloteira.

Carmen: A sra. vai sair por bem ou mal. Por bem eu já tomei a providência, agora, se a senhora quiser por mal, vai por mal também.

Carmen: Contestam porque pagam contribuição. Vocês acham que vão morar de graça na Avenida Nove de Julho?

Carmen: Daqui a pouco vem a conta de luz aí é outra briga para pagar.

Leia bem e se quiser veja os vídeos no site da Globo. O que se vê? O que se entende?

O Cambridge era uma ocupação organizada e legal, reconhecida pela Prefeitura. Pagava a conta de água. Pagava a conta de luz. Como é que se pagava isso? Com a colaboração dos moradores, decidida em assembleia. Quando Carmen afirma que Alfa terá de sair “por bem ou por mal”, refere-se ao cumprimento de decisão da assembleia dos moradores, que não acharam justo pagarem por alguém que queria folgada e graciosamente usufruir a água da Sabesp custeada pelo alheio. Foram os moradores que decidiram pela exclusão de Alfa da ocupação. E caso ela se recusasse a sair, a polícia seria chamada.

Onde está a ilegalidade? Quem quer que já tenha tido de lidar com condôminos inadimplentes em um prédio de classe média sabe muito bem o que é ter de pagar taxas maiores porque alguns simplesmente se recusam a cumprir suas obrigações com o coletivo.

É incrível o ministério público se meter numa briga entre vizinhos. É incrível uma briga entre vizinhos ocupar o lugar de uma real investigação sobre as causas do incêndio, desabamento e mortes do edifício Wilton Paes de Almeida. Mas o mais incrível é a TV Globo prestar-se a tal jogo ilusionista, baseando-se na denúncia da “testemunha Alfa”, tristemente famosa na ocupação do Hotel Cambridge por ter tentado – sem sucesso, diga-se – aplicar o golpe do “escorrego” no Mc Donald’s.

Sim! A mulher que acusa Carmen de cobrança indevida de uma taxa que visava unicamente cobrir as despesas de manutenção do Edifício Cambridge, tentou garfar indenização de 200 salários mínimos (R$ 190.800 em valores atualizados) por um tombo que diz ter sido causado por falta de corrimão em uma loja do Mc Donald’s. Só que o corrimão estava lá! Então, em 25 de junho de 2014, a 5ª Câmara Extraordinária de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou o pedido de Alfa.

É claro que os movimentos de moradia incluem alguns oportunistas e exploradores (categoria de que, aliás, o meio jornalístico está cheio). Isso poderia ser uma boa pauta. Mas a preguiça e a desonestidade levaram a “reportagem” de Bruno Tavares a transformar a pauta em texto final e a suspeita em tese.

Incrivelmente, a grande mídia que está em busca de culpados de araque esquece-se todo o tempo de mencionar a existência de 290 mil imóveis não-habitados na cidade de São Paulo, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Habitação, a partir de dados do Censo de 2010. São imóveis deixados vazios para a especulação. O movimento exige que eles tenham função social. Mas isso não tem importância para os empresários, empreiteiros e especuladores. E nem para os seus serviçais dentro da grande mídia, que não hesitam em jogar no lixo os principais fundamentos do jornalismo para atacar uma das mais generosas e preparadas lideranças do movimento social no Brasil: a mulher negra Carmen da Silva Ferreira.

Laura Capriglione
No Jornalistas Livres



Como destruir uma liderança

Quem assistiu ao Jornal Nacional ontem à noite, aquele lixo de telejornal com o qual ninguém mais deveria perder seu tempo, viu uma reportagem acusando a dona Carmen, do movimento de Luta por Moradia, ligado à igreja católica e ao Partido dos Trabalhadores, de extorsão.

Já começa com o apresentador lendo a cabeça (parte introdutória) chamando a ocupação do Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, de invasão.

O prédio está ocupado, foi parcialmente recuperado pelos moradores, coletivos de artistas e arquitetos e sua história virou até filme, dirigido pela Eliane Caffé, que eu recomendo.

A reportagem parte da denúncia de um(a) morador(a) anônimo(a) que filmou o momento em que é cobrado com firmeza, por uma dívida, em um dos rateios que são feitos para custear despesas de manutenção predial, limpeza e segurança.

A reportagem é uma aula de mau jornalismo.

Primeiro, porque criminaliza os movimentos sociais, que lutam por direitos assegurados constitucionalmente.

Segundo, porque dá crédito a uma “denúncia” sem apurar quais seriam os interesses da pessoa que gravou o vídeo.

E, terceiro, porque põe contra a parede uma liderança que nasceu espontaneamente, das lutas por moradia no Centro de São Paulo, contra o abandono e a especulação imobiliária.

Toda pessoa é inocente até prova em contrário.

E prova só é constituída depois de perícia, testemunho e tudo o que for demonstrado no devido processo legal.

Conheço a dona Carmem desde 2012, quando ao lado do jornalista Gustavo Costa, produzimos e realizamos um documentário chamado Vidas Sem Lar, exibido pela TV Record e premiado depois.

A história dela começou há mais de uma década, nos cortiços da Bela Vista, o famoso Bixiga, em São Paulo.

O que está sendo feito é o que popularmente chamamos de “assassinato de reputação”, que a dobradinha mídia e Justiça sabem fazer como ninguém.

Portanto, o que o Ministério Público e a TV Globo fazem, não só contra ela, contra muitos há tempos, é crime!

Espero que, assim que tudo for esclarecido, a emissora seja processada e condenada.

Marco Aurélio Mello
No Viomundo
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Xadrez da teoria conspiratória, para Sergio Fausto e Celso Rocha Barros

Apesar de não parecer, ao contrário do lobisomem e do bicho-papão
  • a CIA existe e atua não apenas no cinema, mas no mundo real;
  • a geopolítica norte-americana não é uma história em quadrinhos de Will Eisner;
  • o interesse norte-americano pelo petróleo remonta os anos 40, quando a Esso e irmãs tentaram impedir a construção de refinarias nacionais.

O Brasil percebeu que o monopólio da exploração do petróleo pela Petrobras não vai gerar novos campos. Em cerca de um ano eles vão alterar a legislação em vigor de forma a permitir que os EUA e a Europa ocidental participem, pois só eles têm a tecnologia necessária. Essa é uma ruptura com um duradouro mito nacionalista e levará um ano para que jovens oficiais e outros sejam educados a fim de aceitar a necessidade fundamental de permitir a participação estrangeira na prospecção de petróleo. Este é um passo muito expressivo.

Algum tempo depois Geisel aprovou os contratos de risco ao capital externo.

Mas não é a CIA de 1974 o tema dessa coluna, mas o DHS (Departamento de Segurança Interna) de 2018.

Admito que às vezes sou meio implicante. E uma de minhas implicâncias é com os sabidos, que acham que tudo aquilo que eles não conhecem, não existe. Refiro-me a dois intelectuais que respeito - Sérgio Fausto e Celso Rocha Barros -, ambos ironizando as versões sobre a influência da CIA na Lava Jato, jogando-as na vala das teorias conspiratórias.

Apesar de não parecer, ao contrário do lobisomem e do bicho-papão
  • a CIA existe e atua não apenas no cinema, mas no mundo real;
  • a geopolítica norte-americana não é uma história em quadrinhos de Will Eisner;
  • o interesse norte-americano pelo petróleo remonta os anos 40, quando a Esso e irmãs tentaram impedir a construção de refinarias nacionais.
Mas, a exemplo de muitos economistas, nossos bravos cientistas sociais só acreditarão que a CIA conspira quando, daqui a algumas décadas, aparecerem as revelações em forma de livro ou de novos papéis do Pentágono mostrando as conspirações da CIA.  Eles são vítimas de um tipo especial de crendice: a superstição do ceticismo, que reza que tudo aquilo que não conheço, não existe.

Vamos aos fatos.

Por CIA, entenda-se todo o aparato de espionagem norte-americana, incluindo o NSA e o mais relevante dos departamentos, o DHS.

Peça 1 – o controle das informações pelos EUA

  • Fato. Nos anos 2.000, os EUA montaram a NSA, para espionagem eletrônica, e o DHS, para coordenar todos os departamentos envolvidos na luta contra o terrorismo.
  • Fato. A NSA espionou a presidente Dilma Roussef e a Petrobrás.
  • Fato: a partir dos atentados às torres Gêmeas, houve a montagem de um sistema de cooperação internacional entre Ministérios Públicos e Polícias Federais de diversos países. O DHS sempre foi o parceiro mais aparelhado, o que mais dispõe de informações.
  • Fato: a luta contra o terrorismo e as organizações criminosas evoluiu para a luta contra a corrupção. Os EUA conseguiram aprovar, no âmbito da OCDE, uma legislação específica que traz para a jurisdição norte-americana qualquer crime que, em algum momento, passe pelo dólar.
  • Fato: a invasão de um hotel na Suíça por policiais do FBI, levando prisioneiros para serem julgados em Nova York, alguns dos quais, dirigentes brasileiros de futebol. Ou seja, brasileiros, detidos na Suiça e julgados nos EUA.

Peça 2 – os EUA como xerifes do mundo

Com a cooperação internacional e com a legislação anticorrupção, aprovada no âmbito da OCDE, os EUA se tornam os xerifes do mundo.

Criou-se uma situação que colocou nas mãos do Departamento de Justiça a seleção dos temas de corrupção a serem investigados. Porque ele detem a informação.

Sugiro aos bravos cientistas políticos uma leitura caprichada do ensaísta francês Hervé Juvin, sob o título sugestivo: “Da luta anticorrupção ao capitalismo do caos, oito temas sobre uma revolução do direito”, sobre a discussão do uso geopolítico que os EUA fazem da cooperação internacional. Ele explica, bem depois de termos pioneiramente levantado o tema aqui no GGN como alguns bancos franceses, como o BNP, deixaram de ocupar a liderança mundial – após a crise do sistema financeiro norte-americano em 2008 – com receio do poder de retaliação dos EUA, escudado na tal Lei Anticorrupção aprovada no âmbito da OCDE. Segundo suas estimativas, para as empresas europeias, significou um custo direto entre 40 e 50 bilhões de euros e custo indireto de mais de 200 bilhões de euros.

Peça 3 – os dois temas, futebol e petróleo

Os nossos bravos analistas políticos são convidados a assistir a entrevista dada ao GGN por Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, para entender o papel das sucessivas “primaveras” na definição da nova ordem mundial, escudada no partido do Ministério Público e do Judiciário dos diversos países.

Jamil tem contato direto com o FBI a partir das denúncias que levantou sobre a FIFA.

Diz ele que, a partir das manifestações de 2013, fontes do FBI comentaram com ele que o Brasil já estava pronto para enfrentar seus grandes escândalos.

Dois emergiram de imediato, de interesse direto dos EUA: o petróleo e o futebol.

O petróleo, por razões óbvias de negócios e segurança interna. O futebol, por interesse direto dos grupos de mídia norte-americanos. Tenho um livro à espera de uma editora, no qual historio bem a questão da mídia na expansão do capitalismo norte-americano. Enquanto não sai, aqui vai um pequeno resumo.

No pós-guerra, a expansão dos EUA teve como ponta de lança suas multinacionais. O único território protegido, ao sul do Equador, era a mídia. Primeiro, porque rádio e TV aberta dependiam de concessões públicas – mercado dominado politicamente pela mídia nativa. Depois, pelas próprias legislações nacionais, impedindo a entrada de capital estrangeiro.

A TV a cabo e a Internet romperam com essa blindagem. Mas os grupos externos esbarravam em um problema de pulverização da audiência. Como explica o próprio Jamil, na Inglaterra os programas de maior audiência não passam de 5 pontos. Quando entra futebol, consegue-se até 15 pontos de audiência.

A força das mídias nativas, portanto, residia na audiência proporcionada pelo futebol. O monopólio das transmissões esportivas pela Globo é a prova maior da importância do esporte na audiência.

O modelo de corrupção da FIFA surgiu desse know how brasileiro, desenvolvido pela Globo e por João Havelange e exportado para o mundo.

Desde a delação premiada de J. Hawila, a Globo está na mira da Justiça norte-americana. No âmbito da cooperação internacional, o FBI conseguiu apoio de Ministérios Públicos de quase todos os países, menos do brasileiro. E as raízes dessa blindagem estão no pacto tácito entre Globo e MP, no transcorrer das manifestações de 2013, em torno da PEC 37.

Dias antes das denúncias da JBS, aliás, o Ministério Público Espanhol divulgou denúncias contra a rede Globo. Nossos cientistas poderiam se indagar qual a razão de um escândalo brasileiro, cometido por uma empresa brasileira, a Globo, em um evento esportivo brasileiro, a Copa Brasil, com autoridades brasileiras, Ricardo Teixeira, Del Nero etc. foi apurado pelo MP espanhol. E sumiu do noticiário e das atividades do Ministério Público brasileiro.


Uma denúncia da Justiça norte-americana fecharia os acordos internacionais da Globo, seu acesso ao mercado financeiro internacional.

Por necessidade ou convicção, o fato é que a Globo foi peça chave em um golpe que escancarou o petróleo ao capital externo, e, ao mesmo tempo, conseguiu se blindar junto ao MPF brasileiro. Se os doutos analistas tiverem uma narrativa melhor para explicar esses fatos, o GGN está à sua disposição.

Peça 4 – como foi montada a Lava Jato

Entendidos esses fatos, vamos à Lava Jato.

Com o controle das informações, e com o novo aparato legal da Lei Anticorrupção, o Departamento de Justiça viu-se, assim, na condição de definir o tema a ser investigado, bastando, para tanto, selecionar o tema e as provas a serem enviadas aos diversos parceiros. Os alvos poderiam ter sido bancos de investimento, fundos de investimento, multinacionais fornecedores de equipamentos. No entanto, concentrou-se na Petrobras e nos principais concorrentes de empresas norte-americanas na África e na América Latina: as empreiteiras.

A respeito disso, assistam a palestra do funcionário do Departamento de Justiça, Kenneth Blanco, em evento do Atlantic Council – grupo de lobby nos EUA, especializado em atuar junto à máquina pública e que tem, como um de seus conselheiros, o ex-PGR Rodrigo Janot, que participou do evento em questão.

No seu pronunciamento, Blanco esmiúça a intimidade que mantém com outros PGRs da América Latina. E mostra a estratégia de cooperação com a Lava Jato, que consistia em alimentar juiz e procuradores informalmente (atenção, sabichões: entendem o significado desse “informalmente”, de não passar pela supervisão de nenhum órgão de Estado, Itamaraty ou Ministério da Justiça?) para instruir as denúncias. Aqui, uma explicação didática de como a luta contra a corrupção tornou os EUA xerifes do mundo.
  • Fato - O DHS trabalhou com o juiz Sérgio Moro, procuradores e delegados de Curitiba no caso Banestado, tendo, inclusive, identificado remessas de José Serra para o exterior. Entenda aqui como Serra percebeu esse jogo muito antes do Instituto Fernando Henrique Cardoso, dirigido por seu aliado Sérgio Fausto
  • Fato. O Departamento de Justiça alimentou Moro e procuradores informalmente com informações, visando instruir o processo da Lava Jato, como explicou o próprio Kenneth Blanco no vídeo indicado acima.
  • Fato. Enquanto PGR, Rodrigo Janot foi a Washington, chefiando uma missão da Lava Jato, encontrou-se com a advogada Leslie Caldwell, procuradora-adjunta encarregada da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e até dois anos antes, sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, o maior escritório a atuar junto ao setor Eletronuclear norte-americano. Um mês depois, estourou o escândalo da Eletronuclear, graças aos documentos que Janot recebeu de Leslie Caldwell.

Peça 5 – a título de conclusão

Esses são os fatos e as deduções.

Em cima deles podem ser construídas outras narrativas. Como, por exemplo, a de que a DHS e a CIA aplicam a lei anticorrupção apenas porque o protestantismo tornou os EUA um país virtuoso. Ou que as sucessivas confraternizações entre grupos de lobby norte-americanos, Sergio Moro, procuradores da Lava Jato, João Dória, Pedro Parente, simbolizam apenas a vitória da fé e da virtude de um grupo de brasileiros ilibados, contra o caráter fraco e predatório de sociedades intrinsicamente corruptas como a nossa.

Mas, aí, nossos cientistas teriam que abrir mão de qualquer veleidade analítica, e se igualar a Luís Roberto Barroso, Sérgio Moro e Deltan Dallagnoll, os atores e intérpretes de um país à beira do caos.

PS – Quando menciono o respeito que tenho por ambos, Sérgio Fausto e Celso Rocha Barros, não recorri à retórica da ironia. É respeito genuíno, sim.

Luís Nassif
No GGN
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