16 de mai de 2018

5 respostas para 5 acusações comuns contra a Venezuela

Confira dados, informações e fatos para se contrapor à guerra midiática promovida contra a Venezuela

O governo presidente da Venezuela e candidato à reeleição, Nicolás Maduro, é alvo de constantes ataques por parte de outros chefes de Estado
Eneas De Troya
1- “Na Venezuela não tem democracia”

Foram realizadas 23 eleições desde 1998, ano em que Hugo Chávez foi eleito e iniciou um processo de democratização dos poderes do Estado com altos níveis de participação do povo nas decisões em respeito à sua vida política, econômica, cultural e organizativa. Isso se chama Democracia Participativa e Protagonista. Além disso, na Venezuela o voto não é obrigatório e ainda assim, a porcentagem da participação das últimas duas décadas está acima de 70% - maior do que a participação em países como Estados Unidos, Espanha, Colômbia, Peru ou Chile. Há onze anos a Venezuela utiliza o voto eletrônico, que permite agilizar a votação e proteger os resultados.

2- “A eleição é fabricada por Maduro”

O Poder Público Nacional na Venezuela está dividido em cinco poderes: Legislativo, Executivo, Judicial, Cidadão e Eleitoral. Isto é, diferente da Argentina, onde só existem 3 poderes e os processos eleitorais são organizados pelo Ministério do Interior (poder subordinado ao presidente), na Venezuela existe um poder diferente do Executivo que assume os processos de eleição. O sistema eleitoral venezuelano foi reconhecido pelos observadores internacionais e por diversas organizações e instituições, entre elas, pela União das Nações Sul-americanas (Unasul) e pelo Centro Carter (organização dirigida pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter), em diferentes processos eleitorais, como um dos mais confiáveis e modernos do mundo.

3- “A Venezuela passa por uma crise econômica”

Sim, mas é preciso diferenciar as crises geradas pelos próprios governos (como a do presidente argentino Maurício Macri e sua política neoliberal que beneficia apenas o sistema financeiro) das crises induzidas pelos setores financeiros nacionais e internacionais dirigidos pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela, que induz a crise através do congelamento de contas, da sabotagem econômica a partir da taxa de câmbio, da retirada do papel-moeda de circulação, do desabastecimento de produtos e através de uma guerra midiática. Apesar dos efeitos de uma guerra econômica que existe há cinco anos, o governo bolivariano implementa ações para garantir a estabilidade e a paz do país, como aumento do salário mínimo integral a cada dois meses, aumento permanente dos investimentos sociais, construção de mais de dois milhões de habitações para as famílias dos setores mais vulneráveis. Além disso, o governo realiza uma entrega direta de alimentos para mais de 6 milhões de famílias através do programa de Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) e recentemente, lançou o sistema de criptomoeda Petro, respaldado em ativos reais das reservas de petróleo do país.

4- “A Venezuela produz exilados políticos e refugiados”

A migração na Venezuela é o resultado das condições que a população venezuelana é submetida devido à guerra econômica. Muitos venezuelanos e muitas venezuelanas decidiram tentar a sorte buscando trabalho temporário fora de seu país, assim como aconteceu com milhões de cidadãos de países da América Central e da região andina que, durante décadas, migraram de seus países. Mas os setores anti-chavistas criaram um discurso de que a Venezuela é uma catástrofe porque tem um governo “populista”, “comunista”, etc. Agora, o que pode ser dito sobre o México, com 41 milhões de mexicanos e mexicanas vivendo nos Estados Unidos? Ou sobre a Colômbia, quando se estima que cerca de 5 milhões colombianos/as vivem na Venezuela, 900 mil nos Estados Unidos e 135 mil na Espanha. Se calcula que na Argentina vivem atualmente cerca de 38 mil venezuelanos/as, ao mesmo tempo que existem mais de 87 mil solicitações de residência temporal ou permanente realizadas por cidadãos colombianos.

5- “Muitos países denunciam a Venezuela”

Estes são alguns dos países cujas políticas internacionais estão baseadas na denúncia exclusiva sobre a situação da Venezuela:

- México: Com 1035 jornalistas assassinados nos últimos 15 anos, mais de 50 somente em 2017, é o país com o maior número de homicídios intencionais para silenciar/calar investigações. A chamada “Guerra contra as drogas” não obteve resultados já que o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) anunciou que o país lidera o mercado de exportação de metanfetaminas e ópio na América, além do cultivo de papoula no país (a partir da qual o ópio é produzido) ter crescido cerca de 60% nos últimos seis anos. Em relação às vidas humanas, cerca de 23 mil mortes por ano estão relacionadas a esta “guerra”, que contabiliza mais de 200 mil mortes desde seu início, há doze anos, com o governo de Felipe Calderón.

- Colômbia: Além dos exilados no exterior, é preciso considerar as migrações internas causadas pelo paramilitarismo e a repressão do exército colombiano. Se estima que no país há cerca de 7 milhões de migrantes por esse motivo. O governo da Colômbia, tão preocupado com a situação na Venezuela, não consegue evitar, por exemplo, o assassinato de ativistas e sindicalistas no país, que somente neste ano somam 80 mortes, nem consegue garantir o cumprimento dos Acordos de Paz assinados em 2016.

- Brasil: O governo de Michel Temer surgiu a partir de um golpe de Estado disfarçado de julgamento político, sem provas, que destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff. Enquanto a suposta corrupção serviu para tirar Dilma Rousseff do poder, os processos judiciais contra Temer por corrupção, além da falta de votos, não parecem ser tão graves. O Brasil é o país que colocou em voga a reforma trabalhista, que destrói os direitos dos trabalhadores/as, onde parlamentares da oposição, como Marielle Franco, são assassinados/as e onde o candidato presidencial com maior intenção de votos é preso ilegalmente.

- Argentina: O governo de Macri, que assumiu a bandeira “anti-Maduro” desde a sua campanha eleitoral em 2015, é o governo do “tarifaço” - do aumento das tarifas dos serviços públicos, energia e transporte -, das demissões, do ajuste fiscal e da entrega da soberania política ao Fundo Monetário Internacional (FMI). É também o governo que não respeita as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre a gravidade da existência de presos políticos no país sem nenhum processo judicial, que reprime as manifestações contra a política econômica e que é responsável pela morte de Santiago Maldonado e do jovem mapuche Rafael Nahuel. Um governo que justifica o assassinato de um garoto de 11 anos, morto pela polícia e que, ainda assim, se julga capaz de decidir como outro país deve “respeitar” as leis internacionais que ele mesmo não respeita.

- Espanha: Apesar não ser um país latino-americano e tampouco uma República, o país europeu utiliza a Venezuela para ocultar sua crise política interna. Não se pode esquecer que a Espanha continua sendo uma monarquia e que o Partido Popular está envolvido em diversos casos de corrupção assim como a família real.

No Brasil de Fato
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Ciro Gomes, definitivamente, representa o canto das sereias de Homero


Trair Lula nessa altura do campeonato em nome de um político de carreira que quando mais se precisou dele, limitou-se a dizer “que não é puxadinho do PT”, seria um vergonhoso desfecho para todos os movimentos sociais que lutaram e ainda estão dispostos a lutar até o fim para reverter o golpe de 2016.
Ciro, o canto das sereias e o preço moral, ético e político de uma traição a Lula.  

Numa das passagens mais sublimes da Odisséia – seguramente um dos maiores e mais importantes livros já escritos na humanidade – Ulisses, ao navegar próximo à ilha de Capri, enfrenta o perigo do canto das sereias.

Para que não se deixasse seduzir e consequentemente condenasse toda sua tripulação à morte certa, o herói ordena que o deixem amarrado ao mastro.

O ato de sabedoria e bravura, apesar de todo o sofrimento e desespero causados pela impossibilidade de atender aos apelos e promessas das belas sereias, permitiu que sua embarcação seguisse firme ao seu destino. Não, é claro, sem muitos outros desafios pela frente.

A Odisséia foi escrita há pelo menos três mil anos atrás por Homero, mas poderia muito bem ilustrar o atual dilema que uma parte minoritária (mas não insignificante) da esquerda brasileira vive em relação à sua tortuosa travessia para 2019.

Com o maior líder popular da América Latina enclausurado e com os promissores e inquestionavelmente capacitados Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila patinando nas pesquisas com índices inferiores a 1%, eis que Ciro Gomes ressurge como a possibilidade única de sobrevivência.

Aqui, dois pontos precisam ser esclarecidos.

“Ressurge” porque não é a primeira vez que o ex-governador do Ceará disputa uma eleição presidencial sob as trombetas de um discurso milagroso tanto à esquerda quanto à direita.

“Possibilidade única de sobrevivência” porque se vende como o único candidato na disputa com chances reais de impedir a continuação do golpe, ainda que não faça tanta cerimônia de ser apoiado por uma classe mais, digamos, “limpinha” de golpistas.

Ciro Gomes, definitivamente, representa o canto das sereias de Homero.

Conhecedor que é das oportunidades alvissareiras que se apresentam na política, Ciro Gomes se diz de esquerda quando o local e o interlocutor assim o permitem. Basta uma revista como a Veja fazer-lhe a mesma pergunta e o seu liberalismo econômico desabrocha de imediato.

Não é fácil resistir a um canto como esse onde uma grande parcela de um lado a outro está sedenta de alguma forma de empatia ideológica, mesmo que ilusória.

Ainda mais quando gente como Jair Bolsonaro e Marina Silva ameaçam chegar ao poder pela escalada dos escombros de nossas instituições, motivados pela pura descrença na própria política.

Um cenário de desolação como esse, ninguém pode negar, causa vertigens.

É claro que todos os partidos possuem o direito legal e legítimo de apresentarem suas candidaturas e propostas, e nessa afirmação inclui-se, obviamente, o PDT e Ciro Gomes.

Mas o que não podemos perder de vista, sob nenhuma condição, é o que de fato uniu a verdadeira esquerda: o sentimento de solidariedade e gratidão a um homem que hoje encontra-se injustamente preso, vítima de uma das maiores atrocidades jurídicas, políticas e midiáticas já vistas nesse país.

Trair Lula nessa altura do campeonato em nome de um político de carreira que quando mais se precisou dele, limitou-se a dizer “que não é puxadinho do PT”, seria um vergonhoso desfecho para todos os movimentos sociais que lutaram e ainda estão dispostos a lutar até o fim para reverter o golpe de 2016.

Pior ainda, representaria a vitória sublime das forças reacionárias que levaram o país ao caos que nos encontramos atualmente. Mais do que aniquilar o indivíduo Lula, seria a consagração de fascistas ao eliminarem, simbolicamente, o ideal Lula.

A meu ver, não haveria derrota maior para a esquerda não só brasileira, mas mundial. Independente do resultado das eleições.

Abandonar a essa altura do campeonato o presidente que retirou 36 milhões de brasileiros da pobreza e que elevou esse país a um seleto grupo de potências mundiais justamente no momento em que líderes de todo o mundo se solidarizam a ele, pedem a sua liberdade e exigem a sua participação nas urnas, é um preço moral, ético e político muito caro para ser assumido.

Não existe outro caminho a seguir. O Brasil só voltará à normalidade democrática com Lula livre e candidato.

Qualquer coisa diferente disso, não passa de cantos de sereias.

Carlos Fernandes
No Esquerda Caviar
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Nota do PT: resposta ao Ministro das Relações Exteriores


A truculenta reação do chanceler golpista, Aloysio Nunes Ferreira, à manifestação de seis importantes e representativos ex-chefes de estado e de governo europeus, pelo direito de Lula ser candidato, expõe o nível rasteiro a que foi rebaixada a diplomacia brasileira desde que passou a ser comandada por José Serra e seu atual sucessor.

Com sua habitual grosseria, Nunes Ferreira ofendeu líderes de uma estatura política que ele jamais teve ou terá: François Hollande, ex-presidente da República Francesa, Massimo D’Alema, Romano Prodi e Enrico Letta, ex-presidentes do Conselho de ministros da República Italiana, José Luiz Rodriguez Zapatero, ex-presidente do Governo da Espanha, e Elio di Rupo, ex-primeiro ministro da Bélgica.

São líderes que conheceram Lula pessoalmente e participaram com ele dos mais importantes diálogos internacionais, dos quais o Brasil encontra-se hoje excluído por exercer uma política externa mesquinha e caninamente submissa ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O manifesto que assinaram diz o óbvio: a prisão de Lula é apressada e questionável, assim como impeachment de Dilma, “cuja integridade nunca foi questionada, já era uma preocupação séria.” Solicitam respeitosamente que o presidente Lula possa se submeter livremente ao sufrágio do povo brasileiro.

A solidariedade a Lula, por parte de lideranças tão representativas, reflete um período em que o Brasil tornou-se um país respeitado por suas políticas de crescimento com inclusão social. Um tempo em que promovemos a integração latino-americana, a cooperação com a África, a solidariedade com os países mais pobres, o diálogo pela paz e pela amizade entre os povos.

O governo golpista, com sua política externa vira-latas, que abana o rabo para os Estados Unidos e morde os divergentes como um cão raivoso, está transformando o Brasil num pária entre as nações.

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores
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Aloysio veste a carapuça e insulta líderes europeus que apoiaram Lula


O ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes reagiu com patadas a uma polida e respeitosa nota em defesa do ex-presidente Lula, subscrita por seis ex-chefes de estado europeus e divulgada ontem.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, divulgou uma nota nesta tarde respondendo a seis importantes líderes europeus que haviam se solidarizado com o ex-presidente Lula. O tom da resposta é a exata medida daquilo em que foi transformada a politica exterior do Brasil.

Como se fizesse um aparte na tribuna de uma cidadezinha de interior, o “chanceler” Aloysio Nunes afirma que José Luis Zapatero, François Hollande, Massimo D’Alema, Romano Prodi, Enrico Letta e Elio di Rupo, “tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições…”. Linguagem de botequim, mas adequada ao governo a que serve.

Leia a íntegra da nota dos seis líderes europeus:

A prisão apressada do presidente Lula, incansável arquiteto da redução das desigualdades no Brasil, defensor dos pobres de seu país, só pode despertar nossa emoção.

O impeachment de Dilma Rousseff, eleita democraticamente por seu povo e cuja integridade nunca foi questionada, já era uma preocupação séria. A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos de eleger os seus governantes.

Nós solenemente solicitamos que o presidente Lula possa se submeter livremente ao sufrágio do povo brasileiro.

François HOLLANDE, ex-presidente da República francesa

Massimo D’ALEMA, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana

Elio DI RUPO, ex-primeiro-ministro da Bélgica

Enrico LETTA, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana

Romano PRODI, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana

José Luis RODRIGUEZ ZAPATERO, ex-presidente do Governo da Espanha

Leia a íntegra da resposta de Aloysio Nunes:

“Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro. Qualquer cidadão brasileiro que tenha sido condenado em órgão colegiado fica inabilitado a disputar eleições. Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do estado de direito. Fariam isto em seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas.”

No Nocaute



Grosseria do Aloysio Nunes amplifica a denúncia do golpe no mundo

A reação grosseira do Aloysio Nunes à manifestação de líderes europeus que denunciam a perseguição ao Lula e defendem o direito do ex-presidente votar e ser votado na eleição de outubro, amplifica a denúncia do golpe e do arbítrio contra Lula no exterior, e mostra ao mundo inteiro a cara dos canalhas que tomaram de assalto o Planalto em 2016.

Aloysio Nunes jamais seria chanceler do Brasil dentro da normalidade institucional. Ele – registrado com a alcunha de “Manaus” nas planilhas de propinas da Odebrecht – não possui os mínimos requisitos para o cargo.

Aloysio Nunes, derrotado na chapa do Aécio em 2014, só se tornou chefe do Itamaraty na repartição do butim feita pelo Cunha, Temer, Padilha, Aécio, Geddel, Jucá, FHC e outros personagens não menos desprezíveis que derrubaram a Presidente Dilma.

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Bolsonaro sem chance


Bolsonaro é o mais citado no Twitter, mas a maioria das menções é negativa

Informações são da consultoria de Big Data PSBI

De acordo com estudo do PSBI, consultoria de Big Data que está analisando os tweets com menções aos presidenciáveis, Jair Bolsonaro foi o mais mencionado no Twitter na semana passada, de 7 a 12 de maio.

O estudo mostra, conforme informações da coluna de Lauro Jardim, que o perfil oficial de Bolsonaro foi marcado 195.261 vezes. Os demais pré-candidatos, somados, tiveram 236.165 citações.

Apesar da popularidade, no entanto, a maioria das menções, 49% delas, foram negativas. As positivas foram 46% e as neutras 5%.

Já de acordo com informações de outra consultoria, a AJA Solutions, a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) ultrapassou Jair Bolsonaro (PSL) e assumiu a liderança no ranking de visibilidade e relevância dos pré-candidatos à presidência da República no Twitter, na semana de 3 a 10 de maio.

No Fórum



Cidadãos de baixa renda e mulheres, a resistência eleitoral a Bolsonaro

Para chegar ao segundo turno, pré-candidato terá que trair as ideias de sua base eleitoral, apontam cientistas políticos

Mesmo que esteja em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto — atrás somente de Lula (PT), atualmente preso em Curitiba — o caminho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) para tentar chegar ao Planalto não promete ser fácil.

A avaliação vem de cientistas políticos consultados por CartaCapital. As pesquisas mais recentes apontam para uma estagnação nas intenções de voto ao militar de reserva, que estavam em 17% no último Datafolha, realizado na metade de abril. O professor de ciência política Fernando Guarnieri, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) vê como gargalo a dificuldade de Bolsonaro chegar em dois tipos de eleitor: as pessoas de baixa renda e as mulheres.

Bolsonaro tem quase 30% dos votos entre aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos, mas apenas 11% entre aqueles com renda de até 1.908 reais. A parcela mais pobre do eleitorado tem forte identificação com o ex-presidente Lula, diz Guarnieri, e justamente por isso ele não poderia seguir se vendendo como antilulista. “Não vejo ele fazendo isso. Se fizer, os seus adversários vão explorar essa contradição.”

Já a baixa popularidade entre as mulheres se justificaria por atitudes controversas de Bolsonaro que foram altamente publicizada, como na circunstância em que agrediu a deputada Maria do Rosário (PT-RS).Ele afirmou à parlamentar petista que ela não merecia ser estuprada por ele.

Ainda que a taxa de rejeição das mulheres ao pré-candidato seja praticamente igual à dos homens (32% delas e 30% deles), 9% das mulheres entrevistadas declaram voto no deputado. Entre os homens, o índice chega a 22%.

Para conquistar esses dois públicos, segundo o professor, Bolsonaro teria de moderar seu discurso, “a exemplo de Alckmin, que não nega as contribuições sociais dos governos Lula”. “Como fazer isso sem decepcionar o eleitor mais radical?”, questiona.

Dúvidas à parte, o deputado sinaliza que pode seguir esse caminho. Nos últimos meses, se calou sobre questões que poderiam prejudicar a sua imagem — como o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro — e vem passando por treinamento para falar com a imprensa, segundo informou o site Poder360.

Eleitorado

Até outubro, a maior fonte de desidratação do candidato deverá ser o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem investido no discurso pró-segurança pública. “Bolsonaro divide com Alckmin os votos dos que tem preferência pelo PSDB. Seu eleitor tem perfil parecido com o de quem vota nos tucanos”, explica Guarnieri.

O perfil em questão englobaria os homens brancos de até 30 anos, com nível alto de renda e escolaridade. Entre os eleitores com renda superior a 10 salários mínimos (9.540 reais), ele chega a 29% das intenções de voto; dos que ganham até dois salários mínimos (1.908 reais), no entanto, fica em 11%. “Esse eleitor (mais rico) não é majoritário [no Brasil], e aí ele se esgota.”

Curiosamente, o perfil socioeconômico de quem diz rejeitar Bolsonaro é similar: 45% dos entrevistados com nível superior de ensino afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum. Já 36% dos que estavam na faixa de renda mais alta disseram o mesmo.

Guarnieri explica: “Quanto mais conhecido é o candidato, mais passível ele é de rejeição. Aqui no Rio [estado pelo qual se elegeu], tem uma rejeição muito mais forte ao Bolsonaro pela maior presença dele.” Como é pouco conhecido no Nordeste, teria índice menor de rejeição nesses estados.

Mas o que pensa esse eleitorado? Um relatório elaborado pela professora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a partir de entrevistas com simpatizantes de Bolsonaro de diferente origens, aponta que ele prospera na convergência direitista entre a segurança pública baseadas em punição e o discurso anticorrupção.

“São pessoas fundamentalmente conservadoras, com uma rejeição muito grande ao avanço dos movimentos feminista, negro e LGBT. Preconizam muito os valores cristãos, da família, da ordem, da autoridade, da hierarquia, e por isso se sentem ameaçados [por esses avanços]”, afirma Solano. “Ele é de extrema direita e reproduz discurso de ódio, mas se apresenta com uma linguagem muito juvenil nas redes sociais.”

A pesquisadora aponta que, nas entrevistas, ninguém reconhecia o discurso de ódio nas falas do pré-candidato. No máximo, algumas das mulheres com quem conversou demonstraram incômodo com o que chamaram de “reação excessiva”.

A cientista política Helcimara Telles, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), enquadra o público de Bolsonaro no crescimento mundial da chamada direita alternativa, associada à vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas e na saída do Reino Unido da União Europeia, ambos em 2016.

No Brasil, essa concepção da direita seria formada a partir de grupos locais, online, identitários e nacionalistas, dirigidos a pessoas de maior escolaridade e que levariam a liberdade de expressão ao extremo. Segundo Telles, pesquisadora do tema, a masculinidade seria um componente igualmente forte. “Você encontra muito mais homens do que mulheres nesses movimentos. É por isso que no Brasil eles são embalados no discurso da ‘ideologia de gênero’”, diz.

Apesar disso, Telles vê na segurança o maior espaço para que o deputado conquiste eleitores de baixa renda, que “sentem a morte na pele”. “O Bolsonaro expressa essa falta de conexão institucional com a sociedade. Mesmo não ganhando, sua candidatura diz muito sobre a crise da democracia.”

Laura Castanho
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O que Temer não disse sobre os 2 anos de governo


"Nós fomos responsáveis por tirar o Brasil do vermelho e colocarmos o Brasil no rumo certo", disse o presidente Michel Temer, exaltado e celebrando os dois anos de seu governo. No balanço do mandatário, contudo, faltaram dados como o aumento do desemprego, o aumento do dólar, a queda em empregos formais, e o salário mínimo abaixo da inflação, além de cenários sociais críticos.

A cerimônia teve início às 15h no Salão Nobre do Palácio do Planalto, mas antes mesmo já foi marcada por polêmicas. Após o deslize do título "O Brasil voltou, 20 anos em 2", e a repercussão negativa, o convite para ministros e autoridades veio com outra nomenclatura: "Maio/2016-Maio/2018: o Brasil voltou".

Ostentou de maneira exacerbada que houve uma queda na inflação e redução da taxa de juros. Juntou os números para preparar a cartilha "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro", que foi o período de sua atuação desde que assumiu com a derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff.

"Confesso diante de todos que me sinto responsável pelas atitudes e escolhas que fiz, sempre pensando em um Brasil maior. Somos responsáveis e orgulhosos por tirar o país da maior recessão de sua história. Eu assumi o governo com uma inflação acima de 10% e colocá-la em 3%. Somos responsáveis por encontrar a produção industrial abaixo dos 6 pontos negativos e colocá-la acima dos 2%. Responsáveis por encontrar os juros acima de 14,25% e colocá-los nos 6,5% de hoje. Por encontrar o PIB com 3,5% negativo e colocá-lo nos cerca de 2,5% de hoje", disse o mandatário, no evento de hoje.

Alvo de uma sequência de denúncias e investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em esquemas de corrupção do seu partido, o MDB, as considerações "de cada brasileiro" já não são tão positivas. Temer bate um recorde: o de manter a ampla rejeição junto a população.

A pesquisa do instituto MDA divulgada ainda ontem mostra que somente 4,3% dos brasileiros aprovam a gestão do mandatário, contra 71,2% que o caracterizam como ruim ou péssimo. O Datafolha também registra a aprovação de apenas 6% dos entrevistados e 70% dos que rejeitam o governo Temer.

Economia

E, tanto na cartilha, como no discurso aos seus convidados na tarde de hoje, ignorar o aumento do dólar, o aumento do desemprego e a queda do salário mínimo, que ficou abaixo da inflação. 

Quando Temer assumiu, a taxa de desemprego já era alta: de 11,4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, um 11,2%. Após dois anos, mais de 2 milhões de pessoas perderam os seus empregos, aumentando para 13,7 milhões de desempregados, que representa 13,1%.

Da mesma forma, enquanto o mandatário enalteceu os cálculos de ativação da economia, tal cenário não se viu refletido para os cidadãos. 900 mil pessoas estão sem empregos formais. E os que foram criados se enquadram em remunerações de até dois salários mínimos.

A realidade para a moeda brasileira tampouco é positiva, fazendo o dólar aumentar nestes dois anos de R$ 3,47 para R$ 3,62.

Outra de suas metas, a de alcançar a estabilidade da relação divida pública e o PIB, não foi atingida. Em março, a dívida pública bruta ficou em 75,3% do PIB, acima do patamar de 75,1% em fevereiro. E a líquida cresceu de 52% para 52,3%.

Direitos Sociais, Educação e Trabalho

As novas leis do ensino médio e a reforma trabalhista foram apontadas por Temer como avanços, está última insistida como "modernização" trabalhista. E a privatização de estatais foi nomeada por Temer como "renascimento" das empresas. Mas justamente essas medidas foram amplamente criticadas pelos setores da Academia, entidades e sindicatos durante todo o governo Temer. 

Em educação, o governo ressaltou a reforma, mas ignorou, por exemplo, a diminuição de vagas ofertadas pelo programa do Fies, de 325 mil em 2016 para 225 mil em 2017. 

No quesito trabalho, além da reforma trabalhista, o MDB havia apresentado no documento "Uma Ponte para o Futuro", assim que Michel Temer assumiu o comando do país, defendendo, entre outros pontos, a preservação de direitos adquiridos pelos trabalhadores:

"Preservando os direitos adquiridos e tratando com respeito as expectativas de quem ainda está no mercado de trabalho e já se aproxima do acesso ao benefício, é preciso introduzir, mesmo que progressivamente, uma idade mínima que não seja inferior a 65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres, com previsão de nova escalada futura dependendo dos dados demográficos", dizia o documento.

Mas em dezembro do último ano, a medida de Temer foi justamente a oposta, com a PEC 287, da reforma da previdência, na qual ele ainda espera ser aprovada. As mudanças no regime de aposentadorias prevem a contribuição de um mínimo de 25 anos com o INSS para se ter direito ao benefício e, além disso, ter um mínimo de 65 anos de idade.

Outro trecho do "Uma Ponte para o Futuro" estabelecia uma "agenda de transparência e de avaliação de políticas públicas, que permita a identificação dos beneficiários, e a análise dos impactos dos programas". 

Mas não somente cortes em programas sociais foram autorizados pelo governo junto a modificações no Orçamento [leia mais aqui], como também há uma falta de atualização nos sistemas de transparência do governos de, há pelo menos, quatro meses.

"Foram dois anos de muito trabalho, mas também de muitas realizações. Dois anos de muita luta, mas também de muitas vitórias. Dois anos combatendo inflação, combatendo a recessão, enfrentando todos os problemas do país. E encontrando a solução que estamos apresentando hoje", disse Temer, contudo, no evento.

No GGN
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Gafe hermana: com texto plagiado, AFA lança manual para conquistar russas na Copa


Mesmo com o craque Lionel Messi confirmado, a seleção argentina de futebol está cercada de desconfiança e críticas para Copa do Mundo de 2018, na Rússia, que começa em 1 mês. E a péssima fase ganhou "fogo amigo" por parte da Associação de Futebol Argentino (AFA), que resolveu dar lições para estrangeiros conquistarem russas.

Durante um curso nesta terça-feira sobre o idioma e a cultura da Rússia, destinado a dirigentes, jogadores, técnicos e jornalistas que desembarcarão em solo russo, a AFA entregou um manual no qual ensina como é possível se conectar com as anfitriãs do Mundial, que começa no próximo mês.

"As mulheres russas, como qualquer outra, dão muita atenção se você é limpo, se cheira bem e se anda bem vestido. A primeira impressão é muito importante para elas, preste atenção à sua imagem", diz um dos trechos do manual.

Em outros, a polêmica do conteúdo – e de suas intenções – é ainda maior.

"As russas não gostam que lhes vejam como objetos. Muitos homens, como as mulheres russas são lindas, só querem levá-las para a cama", pontua o texto, que apresenta outros conselhos, caso o leitor queira se conectar com as mulheres da Rússia.

Nas redes sociais, as críticas foram quase automáticas e classificaram a cartilha como "vergonhosa", "machista" e "antiquada".

Em nota, a AFA se desculpou a quem tenha se sentido ofendido pelo conteúdo do manual, o qual teria sido incluído "acidentalmente" por um erro de impressão, não representando assim o pensamento da entidade máxima do futebol argentino e seus dirigentes. A organização informou ainda ter recolhido as apostilas com o texto.

O que a AFA não revela é que o conteúdo da cartilha foi copiado na íntegra de um blog, que postou os mesmos tópicos em 2015. O mesmo material também apresentava dicas para conquistar russos - algo que acabou não plagiado pela entidade argentina.

"Primeiro o conselho para as mulheres que querem conhecer um homem russo, perguntei aos meus amigos russos sobre o que eles gostavam sobre as mulheres e eles me disseram estas duas coisas: Se você é bonita e sabe como ficar bem, então eles vão tentar conhecê-lo. Se você é interessante, o mesmo... Se você é bonita e interessante, muito melhor. Isso é tudo. O que você esperava? Eles são homens!", pontua o autor.

Em uma atualização diante da polêmica com a entidade argentina, o responsável pela página garantiu que a intenção do texto nunca foi ser um manual para obter um relacionamento com um russo ou com uma russa.

- Veja a íntegra dos polêmicos "conselhos" da cartilha divulgada pela AFA:

1 – As mulheres russas, como qualquer outra, dão muita atenção se você é limpo, se cheira bem e se anda bem vestido. A primeira impressão é muito importante para elas, preste atenção à sua imagem;

2 – As mulheres russas não gostam de ser vistas como objetos. Muitos homens, como as mulheres russas são lindas, só querem levá-las para a cama. Talvez elas também queiram, mas são pessoas que querem se sentir importantes e únicas. O conselho é tratar a mulher que está à sua frente como alguém de valor, com suas próprias ideias e desejos. Preste atenção aos seus valores e personalidade. Não faça perguntas estúpidas sobre sexo. Para os russos, o sexo é algo muito particular e o assunto não é discutido em público (talvez você não acredite em mim, mas conheço homens que o fazem);

3 – As mulheres russas odeiam homens chatos. Se você não tem tópicos para falar, se você está apenas pensando sobre o que dizer em seguida, então você não está aproveitando o momento e, assim, estará desconectado dela. Lembre-se, você é um estrangeiro e pode falar sobre o seu país, como vive ou sobre as coisas interessantes que viu no seu país. Lembre-se de que é muito importante convidá-la para participar dos seus temas. Tente falar com ela de uma forma muito honesta;

4 – Não seja negativo. As mulheres russas evitam pessoas que só veem coisas negativas, no trabalho, nos relacionamentos, na vida;

5 – Não faça as perguntas típicas, seja original, normalmente elas gostam de saber mais sobre você, dê alguma informação sobre você. Lembre-se que muitas delas não conhecem o seu país, então você tem uma vantagem sobre os homens russos, você é novo e diferente. Dê-lhe confiança em você;

6 – As mulheres russas gostam que os homens tenham a iniciativa, se você não tem confiança em si mesmo, então você precisa praticar conversando com mais mulheres;

7 – Normalmente, elas não gostam que você tenha o monopólio da conversa. Eu vejo esse problema em homens que são muito egoístas, ou às vezes com homens que ficam nervosos conversando com uma garota bonita. Em ambos os casos, é necessário que você mude de atitude, mas, para os nervosos, relaxe, é apenas uma garota, nada mais.

8 – Não tente impressionar a garota de maneira equivocada. Talvez você tente impressioná-la falando sobre o dinheiro que tem, que você sabe tudo, que você é perfeito e que os outros são tolos pobres. No final, se a garota tiver um pouco de senso, ela vai saltar você. Seja real e fale sobre si mesmo em termos reais, fale sobre suas falhas de uma forma divertida e sobre seus pontos positivos.

9 – Normalmente, as mulheres russas prestam atenção a coisas importantes, mas é claro que você encontrará garotas que só prestam atenção a coisas materiais, dinheiro, se você for bonito, você que me diga. Não se preocupe, existem muitas mulheres bonitas na Rússia e nem todas são boas para você. Seja seletivo.

No Sputnik
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Assassinato de palestino amputado é símbolo do horror contra flagelados


Esse homem da foto tem duas pernas amputadas, está sobre uma cadeira de rodas e usa um instrumento rudimentar para atirar pedras. Para tropas israelenses, é um terrorista.

Fadi Abul Selmi, de 30 anos, é um dos mais de 60 palestinos massacrados por protestar na Grande Marcha do Retorno contra a instalação da embaixada norte-americana em Jerusalém. Foi abatido por um sniper - atirador especializado em matar - de um exército abastecido pelos EUA com mais de três bilhões de dólares anualmente.

O palestino havia perdido as pernas em 2008, justamente em decorrência de um bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O corte nos membros se tornou única saída para a sobrevivência.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e a Casa Branca repetiram o mantra de sempre para encobrir a força desproporcional e culparam, novamente, a insurgência palestina pela carnificina. Enquanto isso, a mudança da sede da embaixada satisfez o capricho eleitoral de Donald Trump, à revelia da comunidade internacional.

É até aviltante falar em violência do outro lado do mundo quando a gente descarta, todos os dias, milhares de vidas jovens, negras e pobres sob o céu de um Brasil maculado por desigualdade e criminalidade.

Mas a morte desse palestino é simbólica por representar em tudo o desprezo absoluto dos poderosos pela vida dos flagelados: tanques contra cadeira de rodas, bombas contra pedras, militares contra gente. É o expediente de qualquer estado covarde para calar, à força, a voz dos oprimidos.

O horror não faz distinção geográfica.

P.S.: A foto foi extraída do perfil de Alex Kane non Twitter.

Tiago Barbosa
No GGN
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Alckmin a 3%? O golpe de Pirro e a direita no mato só de poodle


Há dois anos, um bando de desclassificados produziam a cena dantesca do “circo do impeachment”, com direito a enrolarem-se em bandeiras do Brasil, mandarem alô para mamães e netinhos e soltarem confete no plenário da Câmara.

A imprensa e seus comentaristas previam uma primavera, com um “presidente” que reverteria a crise econômica, atrairia o dinheiro estrangeiro e, sobretudo, estender-lhes-ia (que seja a homenagem fúnebre) o tapete para a chegada “democrática” ao poder.

Hoje, na coluna de Monica Bergamo na Folha, os tucanos, cheios da empáfia inicial de “donos” do governo Michel Temer – a ponto de esnobarem, via Fernando Henrique, o próprio titular “é o que temos” do Planalto – fala que o tucanato já espera, até, um enxovalhante índice de 3% nas próximas pesquisas de intenção de voto presidencial.

E não porque tenha surgido um “inesperado”, um outsider, como virou moda dizer. Os que apareceram foram inutilizados pelo medo ao clima de linchamento que passou a dominar a política.

Perderam por si mesmos, seja com o aferramento a um governo que, de pouco, foi a literalmente nada em matéria de apoio popular, seja com o agrupamento de seus mais ferozes apoiadores a Jair Bolsonaro, seja com a execreação em praça pública de seu principal símbolo recente, Aécio Neves.

Como Pirro, a vitória lhes custou tanto que sua força eleitoral já se reduz a perto de um décimo da dos que derrotou: Lula e o termo que inventaram, o tal lulopetismo.

A agonia de Alckmin se prolonga sob os olhos impiedosos de João Doria, desde sempre interessado no minguante espólio do PSDB e, hoje, única porta aberta a Temer para a “defesa do seu legado”.

Com a direita, eleitoralmente, perdida num mato sem cachorro, até um poodle político  – que como rosna! – passa a ser viável.

Ainda mais quando o decoroso e tímido juiz Sérgio se dispõe a leva-lo a passeio, como fez ontem, em Nova York, e mais uma foto para ilustrar o bico grande da Lava Jato.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula é o candidato anti-establishment

Recentemente uma consultoria política afirmou que a eleição de 2018 é o pleito dos candidatos anti-establishment. A julgar pela recém divulgada pesquisa CNT/MDA esse candidato é Lula.

Não estou aqui afirmando que Lula será candidato. Longe disso, estou avaliando o que representam os dados de pesquisa relativos ao nome de Lula. Vale lembrar que ele foi condenado em duas instâncias judiciais e está preso. Ainda assim, Lula lidera com folga todas as simulações de voto no qual seu nome está, tanto no 1º quanto no 2º turno.

Além disso, segundo a mesma pesquisa, a rejeição do líder petista, isto é, a proporção dos que afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, é menor do que vários políticos que sequer réus são, dentre eles podemos listar, em ordem crescente de rejeição, Bolsonaro, Rodrigo Maia, Alckmin e Marina.

O nome de Lula é tão forte quando colocado na pesquisa que, quando está ausente, os votos brancos e nulos aumentam bastante.

Portanto, se unirmos a afirmação da consultoria política, de que se trata de uma eleição anti-establishment, e se interpretarmos a força eleitoral de Lula, mesmo depois de preso, podemos afirmar, repito, que Lula é, (seria, melhor dizendo), o candidato anti-establishment. Vai ver que ele está preso justamente por causa disso.

Chama atenção na pesquisa CNT/MDA que as rejeições de Haddad, Ciro e Lula, os 3 candidatos de centro-esquerda e de oposição ao governo Temer, são todas menores do que as rejeições de Bolsonaro, Rodrigo Maia e Alckmin, os 3 candidatos de centro-direita e que apoiaram o impeachment de Dilma e, consequentemente, o Governo Temer.

Podemos dizer de forma resumida e ilustrativa que os candidatos vermelhos têm menos do que 50% e os candidatos azuis mais de 50%.

Se considerarmos apenas os nomes de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin vemos que a rejeição do primeiro é de 46% e a do ex-governador de São Paulo 56%. Uma diferença de 10 pontos percentuais.

Recordemos que o 2º turno da eleição de 2014 foi ganho por Dilma com a magra vantagem e pouco mais de 3 pontos percentuais. Assim, um eventual segundo turno entre Haddad como candidato do PT e Alckmin do PSDB, a julgar pela rejeição de ambos, teria no candidato do PT o favorito, com sobras.

Lula, o candidato anti-establishment, tende a não poder ser candidato. É possível que sua candidatura venha a ser registrada e depois impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na lei da ficha limpa. Isso acontecendo, e Lula estando preso, ele enviará uma carta da prisão indicando um candidato que seja do PT.

Iludem-se aqueles que acham que o PT e Lula apoiarão a ego-trip de Ciro Gomes. Considerando-se a grande organicidade do PT de um lado, e de outro o fato de Ciro estar em seu sétimo partido (até agora, claro), o ex-governador do Ceará não é confiável para os petistas. Assim, na carta de Lula provavelmente estará um dos seguintes nomes: Fernando Haddad, Patrus Ananias ou Jaques Wagner.

O que acontecerá em seguida surpreenderá todos aqueles que não leram esse artigo, o candidato do PT subirá rapidamente, em uma ou duas semanas, graças aos votos dos pobres e, em particular, da região Nordeste.

É provável que esse candidato diga, em seu horário eleitoral gratuito, em entrevistas e debates, que tudo feito pelo Governo Temer será mudado. Adicionalmente, ele afirmará que o PSDB apoiou o Governo Temer, assim como Bolsonaro e outros eventuais candidatos azuis. Como o governo tende a se manter muito rejeitado até as eleições, o indicado por Lula se tornará o favorito para vencer.

Alberto Carlos Almeida, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ
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Moro escrachado em Nova York : “Criminoso do ano”, dizia cartaz; veja vídeos e fotos


Sindicalistas dos Estados Unidos e ativistas brasileiros realizaram nesta terça-feira (15), em Nova Iorque, um protesto contra a entrega do prêmio “homem do ano” dado ao juiz Sérgio Moro pela Câmara de Comércio Brasil/EUA.

Uma das faixas citava Moro como “criminal of the year” (criminoso do ano), numa referência a sua atuação na operação Lava Jato contra os interesses nacionais e em defesa de empresas norte-americanas no Brasil.

Organizada por coletivos que defendem a libertação de Lula e denunciam sua prisão política por Moro, a manifestação de repúdio reuniu dezenas de brasileiros e norte-americanos.

Os ativistas denunciaram o golpe parlamentar, midiático e judicial que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff há dois anos e frisaram que Lula é, de fato, prisioneiro político desde o dia 7 de abril e é vítima de uma perseguição promovida por setores do Judiciário e do Ministério Público, que têm como objetivo impedir a sua candidatura à presidência da República nas eleições de outubro.

Lawfare

“Eleição sem Lula é fraude”, dizia um dos cartazes. “Moro pratica lawfare”, dizia outro, referindo-se à prática fascista de Moro de usar a lei para alcançar objetivos político-ideológicos.

O juiz de Curitiba condenou Lula por supostamente ser proprietário de um tríplex no Guarujá (SP), mas não apresentou uma prova sequer para incriminar o ex-presidente.

O líder do PT na Câmara, Paulo Lula Pimenta (RS), observou que o ato em Nova Iorque levanta uma suspeita sobre os motivos de um “juiz de província” ser tão homenageado nos EUA.

Um dos motivos, em sua opinião, seria uma compensação a Moro por serviços prestados a empresários que faturaram alto com o desmonte da economia e de empresas brasileiras promovido pela operação Lava Jato e o golpe de 2016 liderado por Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves, PSDB e DEM.

Gradualmente, vários sindicatos de peso dos EUA têm se unido ao Comitê Defend Democracy in Brazil para defender a libertação de Lula.

Participaram do ato a AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais), o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (USW), o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, Aeroespacial e Agrícola dos Estados Unidos (UAW), o Sindicato dos Trabalhadores de Alimentos e sua Comercialização (UFCW), o Sindicato do Varejo, Atacado e Lojas de Departamentos (RWSDU) e os ativistas do Defend Democracy in Brazil.

“A situação no Brasil agora reflete o que pode acontecer quando você tem pessoas em posições de poder com a intenção de oprimir qualquer movimento para melhorar a vida dos trabalhadores”, disse o vice-presidente da USW International, Fred Redmond. “Moro está buscando uma mudança de regime no Brasil, não justiça”, completou Redmond.

O protesto teve início por volta das 17h (hora local) e ocorreu na entrada do Museu Americano de História Natural, onde ocorreu um jantar em homenagem a Moro e ao ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, com convites que chegaram a custar US$ 26 mil (mais de R$ 90 mil) por pessoa.







Enquanto isso, em NY... Sergio Moro confraterniza com João Doria


Sergio Moro disse ter se arrependido da foto em que aparece aos risos com o senador Aécio Neves. Pode ser, mas ele continua a frequentar ambientes festivos com políticos do PSDB. Ontem o juiz posou sorridente ao lado do tucano João Doria numa jantar black tie em Nova York. Hoje ele fará palestra em evento do grupo Lide, que pertence à família do ex-prefeito de São Paulo.

Bernardo Melo Franco

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Comprador do triplex já foi condenado em fraude ligada ao PSDB


O empresário Fernando Gontijo, que arrematou no último momento, por R$ 2,2 milhões, o triplex do Guarujá cuja propriedade foi atribuída, sem provas, ao ex-presidente Lula, foi condenado por improbidade no âmbito da Operação Confraria, deflagrada contra fraudes em licitações na Prefeitura de João Pessoa.

Gontijo e outros oito sentenciados – entre eles, o ex-governador do Estado e ex-prefeito de João Pessoa Cícero de Lucena Filho (PSDB), devem pagar multa de R$ 852 mil, por superfaturamento de obras públicas de infraestrutura bancadas com dinheiro de convênios entre a União e a Prefeitura.

Entre os projetos superfaturados, estão infraestruturas hídricas para comunidades ribeirinhas, dragagem e urbanização da Lagoa João Chagas e a dragagem do Rio Jaguaribe.

Na ação, Fernando é apontado como representante da Via Engenharia em uma licitação que teria sido fraudada. Ele recorre da decisão ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

A Via Engenharia tem uma história mais irônica: está citada na Lava Jato, como se vê na matéria do Metrópoles: 

Fundada em Brasília na década de 1980, a empreiteira candanga é citada pelo delator Marcos Pereira Berti, diretor da Toyo Setal, como integrante de um grupo intermediário — uma espécie de Segunda Divisão — do chamado “Clube VIP” de construtoras que comandavam as fraudes em licitações da petroleira. As informações do executivo fazem parte de uma ação civil pública por improbidade administrativa apresentada, em 30 de maio, à 5ª Vara Federal de Curitiba. Assinam o documento a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria da União no Paraná, o Grupo Permanente de Atuação Proativa da AGU e a Força-Tarefa da Lava Jato.

O inquérito de 161 páginas ao qual o Metrópoles teve acesso acusa nove réus e sete empreiteiras de improbidade administrativa. São eles: os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco Filho; o doleiro Alberto Youssef; os executivos da OAS José Aldemário Pinheiro Filho (conhecido como Leo Pinheiro), Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, José Ricardo Nogueira Breghirolli e Fernando Augusto Stremel Andrade.

As empresas são a OAS S/A, a Construtora OAS Ltda., a Coesa Engenharia Ltda., a Construtora Norberto Odebrecht, a Odebrecht Plantas Industriais e Participações S.A., a Odebrecht S.A. e a UTC Engenharia S/A.

A ação civil pública, assinada por oito advogados da União, pede que os réus devolvam aos cofres públicos R$ 12 bilhões. (…)

Apesar da negativa da empresa, outro delator da Lava Jato, o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, coloca sob suspeição uma das mais suntuosas obras da Via Engenharia. Segundo o executivo, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha é uma das construções em que houve sobrepreço para o pagamento de propinas e abastecimento de campanhas eleitorais.

A arena, erguida pelo consórcio formado entre a Andrade Gutierrez e a Via Engenharia, tem custo estimado em R$ 1,7 bilhão — o maior valor entre as 12 praças desportivas construídas para a Copa do Mundo de 2014. A cifra, entretanto, pode chegar a R$ 1,9 bilhão graças a um último contrato adicional, que ainda está ativo, referente a intervenções ao redor da praça desportiva que até hoje não foram executadas.

A Andrade Gutierrez confessou integrar o esquema para conseguir obras federais, incluindo estádios construídos para o Mundial. O caso veio à tona em novembro de 2015. Na ocasião, a Via Engenharia negou irregularidades à reportagem e afirmou “desconhecer as relações de outras empresas nos respectivos contratos com o governo”.

Além do Mané Garrincha, a Via Engenharia assina obras emblemáticas de Brasília, como as sedes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Câmara Legislativa e o Shopping Popular.

O empresário Fernando Costa Gontijo, que disse trabalhar no setor imobiliário em Brasília e outras cidades, criou uma empresa especificamente para comprar o imóvel do Guarujá, cujo processo condenou o ex-presidente Lula. A companhia foi registrada no dia 29 de março, segundo a Junta Comercial do Distrito Federal, 13 dias após o início do leilão. Ele deu seu lance a cinco minutos do fim do leilão e arrematou o imóvel por R$ 2,2 milhões.
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Ministério Público do Rio aluga salas comerciais de pai do juiz Bretas

Sem licitação, MP estadual pagará valor referente a três anos a Adenir de Paula Bretas pela cessão do espaço em Queimados, na Baixada Fluminense. Afirma que desconhecia o parentesco do dono do imóvel com o magistrado Marcelo Bretas


O Ministério Público do Rio gastará R$ 361.237 para alugar oito salas comerciais do pai do juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato. Celebrado em maio de 2017, o contrato é referente a um imóvel em Queimados, na Baixada Fluminense, e tem duração de três anos. Adenir de Paula Bretas receberá R$ 338,4 mil pela cessão das salas. O MP desembolsará, ainda, R$ 22.836 em impostos e seguro contra fogo e sinistros. Da verba para pagamento de contratos sem licitação em 2018, apenas oito pessoas físicas receberão valor mais alto que o pai do renomado magistrado.

O MP diz que a dispensa de licitação ocorreu por conta "da singularidade do imóvel" e ressaltou que a prática é prevista em lei. Sobre o fato de o espaço pertencer a Adenir Bretas, pai de Marcelo Bretas, o MP alegou que desconhecia o parentesco entre o dono do imóvel e o juiz. Afirmou que "as pesquisas realizadas limitam-se ao titular do bem", ou seja, àquele que será contratado.

Segue

O MP afirma que o valor pago pelo aluguel foi calculado com base "em laudo de avaliação imobiliária elaborado com a utilização de método comparativo direto de dados do mercado".

Paulo Cappelli
No O Dia
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Como espião da CIA, Golbery entregou a Petrobras

Geisel, o Sacerdote do Gaspari, controlava o extermínio

Vernon Walters era o espião da CIA que derrubou Jango e negociava a Petrobras
O Conversa Afiada reproduz reportagem de Rubens Valente na Fel-lha.

Ele volta ao papel exterminador do general Geisel, o Sacerdote, segundo Elio Gaspari, que na Fel-lha e no Globo Overseas, empresa que tem sede na Holanda, vende embuste como jornalismo.

Essa reportagem de Valente - autor do imperdível "Operação Banqueiro", onde se sabe que, sem Gilmar Mendes, não existiria Daniel Dantas - lança luz sobre o papel sinistro do Feiticeiro do Gaspari, o general Golbery.

Que segundo Luiz Cláudio Cunha, também, vai para o poste.

Ao Valente:

Geisel quis controlar repressão, dizem EUA

Em 1976, embaixada americana diz que presidente buscou estabelecer limites sobre órgão do Exército

Um telegrama norte-americano reforça trecho do memorando da CIA de 1974 no qual o então diretor da agência, William Colby, disse que o general e então presidente Ernesto Geisel (1974-1979) buscaria ter o controle sobre o principal órgão de repressão do Exército, o CIE (Centro de Informações do Exército).

O telegrama, enviado ao Departamento de Estado em 1976, integra o mesmo lote de documentos liberados pelo governo dos EUA em dezembro de 2015 no qual o professor da FGV e colunista da Folha Matias Spektor localizou o memorando que informava que Geisel avalizou assassinatos de adversários do governo.

Assinado pelo então embaixador dos EUA em Brasília, John Crimmins, o telegrama diz que o novo chefe do CIE, general Antonio da Silva Campos, “está no cargo há menos de um ano e parece ser a escolha do presidente Geisel para apertar o controle sobre a agência-chave de segurança no Brasil que atuou no passado com considerável autonomia e foi associada a algumas violações de direitos humanos”.

Diz ainda que, apesar da “determinação de Geisel de encerrar os maus-tratos, [o CIE] ainda não perdeu, aos olhos do público, sua associação com os antigos abusos aos direitos humanos”.

O telegrama discutia a possibilidade de o governo norte-americano convidar Campos para uma visita secreta aos EUA.

O embaixador disse aos seus superiores que não estava muito confortável para fazer o convite porque o Brasil participava naquele momento da “Operação Condor”, uma associação entre ditaduras latino-americanas para localizar e matar opositores fora de seus países e na Europa.

Segundo o embaixador, a visita do chefe do CIE poderia ser interpretada por países-membros da Condor como um aval dos EUA à operação.

O telegrama corrobora o entendimento de parte de historiadores e jornalistas que pesquisaram o período segundo os quais Geisel trabalhou para a abertura do regime militar, mas ao mesmo tempo tinha conhecimento de assassinatos extrajudiciais e manteve a repressão, agora sob controle mais estrito do Palácio do Planalto.

Em outro documento que integra o mesmo lote de papéis liberados em 2015 há mais um memorando produzido pela CIA que novamente indica uma proximidade com figuras-chave do governo, os generais João Baptista Figueiredo, então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), e Golbery do Couto e Silva, então chefe do gabinete civil de Geisel.

O documento não aponta a fonte da informação, mas sugere que podem ter sido os próprios generais. “Eles [Figueiredo e Golbery] expressaram o seguinte: que a política de ‘descompressão’ (permitindo uma atividade política mais ampla) é um objetivo do governo e está próxima. Ela será cautelosa e medida. A oposição e outros [atores] terão que se comportar de maneira responsável.”

O papel foi assinado pelo general Vernon Walters (1917-2002), então vice-diretor da CIA, que tinha contatos estreitos com os principais militares brasileiros e foi um ativo conspirador no golpe de 1964 no Brasil, onde trabalhara como adido militar da embaixada norte-americana.

O telegrama de Walters é de 25 de julho de 1974, três meses depois do memorando da CIA revelado na semana passada, no que o então diretor da agência, William Colby, informou ao secretário de Estado Henry Kissinger os detalhes de uma reunião que envolveu Geisel e Figueiredo.

O documento assinado por Walters mostra que a CIA continuou tendo acesso a dados da alta cúpula da inteligência militar da ditadura. O militar aparenta ter discutido com Figueiredo e Golbery tema econômico de interesse imediato dos americanos, a exploração de petróleo.

“O Brasil percebeu que o monopólio da exploração do petróleo pela Petrobras não vai gerar novos campos.

Em cerca de um ano eles vão alterar a legislação em vigor de forma a permitir que os EUA e a Europa ocidental participem, pois só eles têm a tecnologia necessária. Essa é uma ruptura com um duradouro mito nacionalista e levará um ano para que jovens oficiais e outros sejam educados a fim de aceitar a necessidade fundamental de permitir a participação estrangeira na prospecção de petróleo. Este é um passo muito expressivo”, escreveu Walters.

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