10 de mai de 2018

Conferência Nacional de Comunicação | Marilena Chauí


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Seguidor de Bolsonaro que planejou ataque a festa da UnB em 2012 volta a ser preso pela PF

Marcelo Mello, bolsominion trouxa
A única pessoa alvo de mandado de prisão na Operação Bravata — deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10/5) para combater crimes via internet — é o brasiliense Marcelo Valle Silveira Mello, que ganhou o notíciário nacional depois de ser flagrado, em 2012, planejando pela internet ataque a uma festa de alunos da Universidade de Brasília (UnB). 

Por esse episódio, ele passou mais de um ano preso e, em 2013, foi condenado a pena no regime semiaberto. Segundo investigações da Polícia Federal, no entanto, ele não deixou de praticar crimes de ódio. Segundo a PF, no âmbito da Operação Bravata, ele responderá pelos crimes de associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime.

“Nos sites e fóruns mantidos na internet, (os envolvidos) incentivam a prática de diversos crimes, como o estupro e o assassinato de mulheres e negros, bem como pelo crime de terrorismo”, informou a corporação em nota, que cumpre ainda oito mandados de busca e apreensão em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Santa Maria (RS) e Vila Velha (ES). Marcelo também é acusado de ameaçar, com bombas, diversas universidades do Brasil.

Mello foi o primeiro condenado da Justiça brasileira por crime de racismo na internet, em 2009. Estudante do curso de Letras-Japonês da Universidade de Brasília, ele foi punido com um ano e dois meses de prisão por agredir alunos cotistas da instituição na internet. Em 2005, escreveu mensagens no Orkut dizendo que negros eram “burros, subdesenvolvidos, incapazes e ladrões”. Nessa ocasião, ele recorreu da decisão e, alegando insanidade, foi absolvido.

Em março de 2012, Marcelo foi detido por planejar uma chacina contra estudantes do curso de Ciências Sociais da UnB. Durante buscas realizadas em Brasília e em Curitiba, os policiais encontraram um mapa apontando uma casa de festas frequentada pelos universitários no Lago Sul. Local onde, segundo a PF, poderia ocorrer a tragédia.

Por esses crimes, ele foi condenado a seis anos e sete meses de prisão em regime semiaberto. A Justiça do Paraná entendeu que ele havia praticado os crimes de indução à discriminação ou preconceito de raça; incitação à prática de crime; e publicação de vídeos e fotografias de crianças e adolescentes em cenas de sexo.

Ele ficou detido por um ano e seis meses no Paraná, ganhou o direito de cumprir pena em liberdade e voltou a criar páginas com conteúdo racista e discriminatório na internet. Ele também é o autor de um blog misógino que incitava crimes de violência sexual, física, psicológica e moral contra mulheres na UnB.

No ano passado, uma conta de e-mail com o nome Marcelo Valle Silveira Mello enviou mensagens ameaçando de morte o apresentador e jornalista Fernando Oliveira, mais conhecido como Fefito. O motivo do ataque seria homofobia.

Em janeiro deste ano, Valle, que é analista de sistemas, voltou aos noticiários ao criar a moeda virtual BolsoCoin. Uma criptomoeda inspirada no candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), e vendida como a primeira “da direita alternativa e neonazista do Brasil”.

A BolsoCoin estava sendo utilizada em fóruns anônimos como forma de pagamento para usuários que fazem doxxing ou  swatting em favor da causa do grupo. O primeiro termo faz referência à prática de conseguir e transmitir dados privados a terceiros. Geralmente, leva a crimes de chantagem ou a tentativas de destruição da reputação da vítima.

Já o swatting é uma tática que consiste, basicamente, em passar um trote às forças de segurança. O hacker aciona os serviços de emergência e os envia à casa de uma pessoa onde não há ocorrência, com o objetivo de causar constrangimento.

Na época em que a criação da criptomoeda foi divulgada pela imprensa, a assessoria de Bolsonaro não se pronunciou. 

Bolsocoin, criptomoeda baseada em Bolsonaro.
Foto: Reprodução

No DCM
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Um padeiro-alquimista chamado Elio Gaspari


Deve haver alguma razão superior para a obsessão do Elio Gaspari com Lula e com o PT.

Este colunista político, que um dia já chegou a considerar Geisel e Golbery grandes personalidades da história do Brasil e que em tempos nem tão remotos chegou a defender que “Michel Temer é o que há de melhor para levar o país até as eleições de 2018” [no incrível artigo Fica, Temer, de março de 2017], parece estar vivendo um surto agudo da sua síndrome obsessiva.

A fixação dele no Lula e no PT é de tal ordem incontrolável que Gaspari se parece com aquele padeiro desatinado que, na falta de ideia melhor, mistura esterco de vaca à farinha de trigo na ilusão de substituir o fermento para produzir pão.

As 2 últimas colunas dele, publicadas na Folha e n´O Globo, são prova deste colunismo “padeiro-alquimista” do Gaspari.

No domingo passado [6/5], na coluna que escreveu sobre o incêndio do edifício em SP ocupado por moradores sem-teto, a fixação em Lula apareceu logo na frase nada-a-ver que abre a coluna: “Condenado por corrupção, o maior líder popular surgido depois de Getúlio Vargas está na cadeia”.

Qualquer criancinha que conseguisse controlar a náusea para ler a coluna até o fim se perguntaria: “Tá, e aí, mas o quê uma coisa tem a ver com a outra”?

Nesta quarta-feira, 9/5, o padeiro-alquimista evidenciou que sua síndrome obsessivo-compulsiva atingiu um nível ainda mais crítico.

Na coluna publicada, Gaspari comenta 3 assuntos: [1] a prisão de parte da gangue de doleiros que atendem os interesses das grandes empresas e de políticos [esquecendo, porém, de citar a estranha fuga do doleiro-mor, Dario Messer], [2] o esquema de entrega de dinheiro vivo ao Temer através da “mula” do Padilha, o amigo José Yunes, e [3] o esquema multi-milionário de corrupção do PSDB, operado através do assessor dos tucanos Alckmin, Serra e Aloysio Nunes Ferreira, o Paulo Preto.

O título que o padeiro-alquimista incrivelmente atribuiu a esta coluna foi nada menos que “Três cenas de ladroagens, sem PT”!!

Gaspari enlouqueceu – com o devido pedido de escusa aos loucos, que não merecem ser identificados com tamanho mau-caratismo e tamanha canalhice.

Jeferson Miola
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Os dilemas do PT

Ricardo Stuckert
O PT está enfrentando o seguinte dilema:

Apesar de todos os percalços, continua sendo o partido de esquerda mais estruturado, mais popular e com maior penetração no sindicalismo e nos movimentos sociais. E possui a maior liderança popular do país, Lula.

A prisão de Lula promoveu um pacto inédito entre os partidos de esquerda. Por outro lado, cada qual procura se viabilizar. E aí, se esbarra na grande incógnita: a candidatura de Lula a presidente.

Do lado do arco do golpe há um esforço ingente para isolar o PT e Lula. Do lado dos aliados, a dúvida: ficar com o PT, caso a candidatura Lula se viabilize; ou montar estratégias visando se apropriar da herança petista?

A candidatura de Lula será mantida a ferro e fogo por vários motivos.

O primeiro, é que qualquer movimento gera ataques especulativos ao PT e exposição desnecessária não só do PT mas dos movimentos em geral.

O segundo, porque a saída de Lula deflagraria uma guerra interna, no próprio PT, de consequências imprevisíveis, por não haver consenso nem sobre o nome do partido que segurará o bastão, nem sobre o nome fora do partido que vier a ser apoiado.

O terceiro, porque reforçaria a tentativa dos aliados de tentar tirar do PT qualquer protagonismo, inclusive com exigências de abrir mão da cabeça de chapa, além de significar a desmobilização dos movimentos sociais e de todos os grupos inspirados pelo lulismo.

A ideia básica é inscrever Lula candidato e levar a candidatura até o fim, mantendo a mobilização e o seu cacife eleitoral. Candidato, Lula poderá participar do horário gratuito, ou com seu discurso atual ou, na impossibilidade, com vídeos já gravados e depoimentos de terceiros. Nessa hipótese, seria eleito e caberia ao STF (Supremo Tribunal Federal) o ônus de impedir a posse.

Há confiança na vitória de Lula, baseados nos três vetores principais para a definição do votos.

O primeiro vetor é o econômico, talvez a principal dimensão do voto. Ali, Lula e PT nadam de braçadas graças aos anos de ouro da economia.

O segundo vetor é a dimensão dos valores. O PT e Lula já estiveram em situação bem pior. Com a perseguição a Lula, e a blindagem dos adversários, houve uma comoção que reverteu parte do desgaste. Nesse campo, a direita não ganha mais.

Finalmente, na dimensão política, o PT avançou nas coligações e frentes.

Por outro lado, há a possibilidade de que a candidatura de Lula seja inviabilizada. E, aí, haveria um tempo exíguo para montar uma segunda estratégia.

Há convicção interna de que o PT não se isolou da frente de esquerdas. Com o centro, não há espaço para conversa. Mas com a esquerda, sim, inclusive passando por cima de mágoas recentes, com o PDT, que teve vários deputados votando a favor do impeachment, e com o PSB, que fechou questão pró-impeachment.

Por outro lado, a Fundação Perseu Abramo conseguiu convencer fundações dos partidos aliados a esboçar um mini-programa com ideias consensuais. Só não se transformou em manifesto mais expressivo porque o PSB ponderou que acordos não deveriam ser apenas programáticos, mas políticos, conduzidos pelos partidos.

Luís Nassif
No GGN
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Documento revela que Médici, Geisel e Figueiredo autorizaram assassinatos na ditadura


Documentos do Departamento de Relações Exteriores dos Estados Unidos apontam o envolvimento direto dos presidentes Emíliio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo no assassinato de mais de uma centenas de brasileiros durante a ditadura militar no Brasil.

A revelação foi feita pelo escritor, doutor em Relações Internacionais e professor da FGV, Matias Spektor.

Este é o documento secreto mais perturbador que já li em vinte anos de pesquisa.

É um relato da CIA sobre reunião de março de 1974 entre o General Ernesto Geisel, presidente da República recém-empossado, e três assessores: o general que estava deixando o comando do Centro de Informações do Exército (CIE), o general que viria a sucedê-lo no comando e o General João Figueiredo, indicado por Geisel para o Serviço Nacional de Inteligência (SNI).

O grupo informa a Geisel da execução sumária de 104 pessoas no CIE durante o governo Médici, e pede autorização para continuar a política de assassinatos no novo governo. Geisel explicita sua relutância e pede tempo para pensar. No dia seguinte, Geisel dá luz verde a Figueiredo para seguir com a política, mas impõe duas condições. Primeiro, “apenas subversivos perigosos” deveriam ser executados. Segundo, o CIE não mataria a esmo: o Palácio do Planalto, na figura de Figueiredo, teria de aprovar cada decisão, caso a caso.

De tudo o que já vi, é a evidência mais direta do envolvimento da cúpula do regime (Médici, Geisel e Figueiredo) com a política de assassinatos. Colegas que sabem mais do que eu sobre o tema, é isso? E a pergunta que fica: quem era o informante da CIA?

O relato da CIA foi endereçado a Henry Kissinger, então secretário de Estado. Kissinger montou uma política intensa de aproximação diplomática com Geisel.

A transcrição online do documento está neste link, mas o original está depositado em Central Intelligence Agency, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A: Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Secret; [handling restriction not declassified].

Matias Spektor

Office of the Historian
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Artigo 19: políticos são suspeitos em 62% dos casos de violações graves contra comunicadores no Brasil em 2017

No Brasil em 2017 houve pelo menos 27 graves violações contra comunicadores, segundo relatório lançado em 3 de maio pelo capítulo brasileiro da organização internacional Artigo 19, que se dedica à defesa da liberdade de expressão. As informações compiladas pela ONG anualmente desde 2012 apontam tendências que se mantêm no país: políticos são os principais suspeitos de encomendar ou realizar violações; cidades pequenas, com até 100 mil habitantes, são o principal cenário dos casos; e radialistas e blogueiros são as principais vítimas dos ataques.

A organização registrou no ano passado 27 violações graves contra comunicadores no Brasil: 21 ameaças de morte, quatro tentativas de assassinato e dois homicídios. Houve uma leve queda em relação a 2016, quando a organização registrou 31 violações. Nos seis anos de monitoramento, foram 177 violações, consistindo em 115 ameaças de morte, 34 tentativas de assassinato, 24 homicídios e quatro sequestros - esta última modalidade de violência não foi registrada em 2017.

A Artigo 19 explica no relatório que “considera como comunicadores aquelas pessoas que exerçam a comunicação como atividade regular, ainda que de maneira não formalizada”. A ideia é reconhecer o exercício da comunicação como “um direito humano que ultrapassa a certificação de categorias profissionais”.

Os comunicadores mais afetados em 2017 foram radialistas (10 casos), blogueiros (9) e jornalistas (8). Dentre todos os casos, 73% deles já haviam sofrido alguma violação anteriormente relacionada ao exercício da comunicação, diz o relatório.

A organização cruzou os dados sobre as violações com o levantamento realizado pelo Atlas da Notícia, projeto que em 2017 mapeou os meios jornalísticos locais no Brasil e identificou “desertos de notícias”, regiões que não possuem nenhum jornal impresso ou online. Dos 19 casos de violações graves contra radialistas e blogueiros, 10 aconteceram em cidades localizadas em regiões de “deserto de notícias” e dois em cidades que possuem apenas um veículo impresso cada e nenhum online.

“Em muitas cidades onde não há jornais, blogueiros e radialistas acabam justamente ocupando esse vazio informativo”, afirma a Artigo 19. “As graves violações que sofrem, portanto, representam tanto ameaças à liberdade de expressão e à vida desses indivíduos, como a possibilidade do silenciamento completo de mídias locais.”

Assim como em 2016, políticos são suspeitos de encomendar ou realizar os ataques a comunicadores na maioria dos casos registrados no ano passado. Em 17 casos - quatro tentativas de assassinato e 13 ameaças de morte - políticos são suspeitos.

Agentes públicos (três casos) e um empresário (um caso) também foram identificados como suspeitos de violações graves a comunicadores em 2017, assim como o crime organizado, que seria responsável pelos dois homicídios registrados pela Artigo 19. Tratam-se dos blogueiros Luís Gustavo da Silva e Francisco José Rodrigues (Franzé), ambos assassinados no Ceará, Estado com o maior número de violações (sete).

Os dois homicídios estão relacionados à denúncia feita pelos blogueiros de atividades criminosas em suas regiões. A denúncia de irregularidades na administração pública é outra das principais motivações dos agressores e está relacionada às quatro tentativas de assassinatos registradas pela ONG - duas no Ceará, uma em Goiás e uma em São Paulo.

Mais da metade das violações registradas pela ONG ocorreram na região Nordeste do país (56%), seguida pelas regiões Sudeste (22%), Centro-Oeste (15%) e Sul (4%). Cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, foram cenário de 69% das violações; cidades médias, que possuem entre 100 mil e 500 mil habitantes, 23%. Nas grandes cidades, com mais de 500 mil habitantes, ocorreram 8% dos casos registrados pela Artigo 19.

O relatório também identificou um cenário de impunidade: em 22% dos casos, a investigação não avançou, e em 19% as vítimas sequer procuraram as autoridades, por desconfiar da independência ou da vontade da polícia para investigar. Uma das vítimas chegou a recorrer diretamente ao Ministério Público por não confiar na polícia.

“Isso demonstra a necessidade de não só enfrentar os problemas relativos à investigação policial, mas paralelamente abrir outros canais confiáveis que estejam preparados para receber esses casos e proceder de maneira independente e eficaz”, afirma a Artigo 19.

Uma das principais consequências da violência contra comunicadores e sua impunidade é a autocensura, aponta o relatório. Sete comunicadores vítimas de violações em 2017 disseram à Artigo 19 que passaram a se autocensurar. Dois deles disseram ter deixado completamente a comunicação e outros três afirmaram que mudaram o tema de sua cobertura, deixando de reportar sobre temas políticos e sensíveis que cobriam anteriormente.

Em comunicado em seu site, a organização criticou o Estado brasileiro, “que não tem tomado nenhuma medida para atacar o problema, nem mesmo as mais pontuais, a despeito dos diversos alertas e recomendações apresentados pela sociedade civil nos últimos anos”, segundo a Artigo 19.

A ONG ressaltou que “a preocupação atual é ainda maior pelo fato de 2018 ser um ano eleitoral, quando, historicamente, o número de violações contra comunicadores aumenta”. Somente nos primeiros quatro meses deste ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 56 agressões a comunicadores em contextos político, partidário e eleitoral no país.

CCS e CNDH debatem violência contra comunicadores

O Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional debateu no dia 7 de maio a violência contra comunicadores no país. A audiência pública, realizada no Senado Federal, em Brasília, teve participação de representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  (Unesco), da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert).

A audiência abordou os casos de violência contra comunicadores ocorridos em 2017 e também os casos recentes de agressões e intimidação a jornalistas no contexto da cobertura da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo menos 19 jornalistas foram agredidos por manifestantes entre os dias 5 e 7 de abril em várias cidades do país enquanto cobriam os protestos contra a prisão do ex-mandatário.

“Pessoas sem capacidade de sem capacidade de verificar a opinião contrária ou de aceitar a diversidade de opinião têm gerado incompreensão do papel dos meios de comunicação na sociedade, que é trazer informação com responsabilidade”, disse Paulo Tonet, da Abert, segundo reportou a Agência Brasil.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) também realizou reunião sobre o tema em Brasília. No dia 8 de maio, a audiência pública “Estratégias de enfrentamento à violência contra comunicadores/as no Brasil” reuniu representantes de organizações da sociedade civil e de instituições como Ministério dos Direitos Humanos (MDH), Ministério Público Federal (MPF), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Ministério da Justiça (MJ). Participaram também representante da Relatoria para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA e comunicadores que já foram vítimas de violência.

Segundo o CNDH, o objetivo da audiência foi fortalecer a agenda de enfrentamento à violência contra comunicadores e pensar ações conjuntas para a prevenção e proteção da atuação destes profissionais.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras afirmou em comunicado por email, o tema foi trabalhado pelo Grupo de Trabalho “Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil”, criado em outubro de 2012 pelo então Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e integrado por representantes de diversos órgãos do Estado e por organizações da sociedade civil. Os trabalhos do GT resultaram em relatório com recomendações ao poder público, mas a RSF afirmou que a comissão avalia que, desde 2014, quando o documento foi publicado, poucas medidas avançaram, “o que resultou num cenário de pouco avanço nas medidas de prevenção e morosidade nas investigações dos crimes contra este grupo”.

Carolina de Assis
No Jornalistas nas Américas
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Pânico

Discute-se, de novo, se o agravamento da criminalidade se deve ao agravamento do “social” - outra maneira de dizer que só acaba com outra sociedade - ou se o “social” é irrelevante. No fim, um embate entre o pensamento utópico e o pensamento de Washington Luís, segundo o qual a questão social é um caso de polícia, e que continua tendo adeptos fervorosos quase 80 anos depois da deposição do nosso último presidente agropastoril. Parece incrível que ainda se duvide que a guerra urbana no Rio de Janeiro tenha ligação direta com a louca demografia do lugar e que o Brasil está pagando, em horrores repetidos, por anos de descaso e exclusão.

Mas o pensamento utópico, que pede paciência e cabeça fria até que este se transforme no país próspero e justo pintado em todas as promessas de campanha, também nega a realidade. Como todas as formas de apelo à razão, se torna inútil na hora do pânico. Diante dos últimos crimes hediondos o pensamento dominante retrocede a antes, até, de Washington Luís, à Bíblia, e não às mensagens de tolerância de Cristo, mas à retribuição rápida e definitiva do Velho Testamento: horror por horror, morte por morte. Na hora do pânico a racionalidade perde para o instinto de retaliação instantânea, e vá discutir com um instinto decapado, ainda mais com aval bíblico. Quem pede bom senso na hora do pânico se arrisca a ser chamado de um escandinavo fora do lugar, alguém que ainda não entendeu bem que está no Brasil, antes da Era Cristã.

Quando der para discutir tudo isso com alguma calma, seria bom saber a que atribuem a explosiva criminalidade brasileira os que negam que a sua causa seja social, e que somos os responsáveis pelo nosso próprio pânico. Dizer que a culpa é de repressão falha, justiça lenta e leis inadequadas não vale: essas omissões reais são de prioridades historicamente erradas, portanto parte do “social” negligenciado, e um desconcerto antigo. O que mudou se não foi o acúmulo de descaso e o agravamento da exclusão? Foi o ingrediente relativamente novo da droga? Ou foi uma reversão do polo magnético da Terra que de uma hora para outra piorou o caráter nacional?

Fica para outra hora.

Luís Fernando Veríssimo
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Movimento Escola Sem Partido


O chamado "movimento" Escola Sem Partido, na verdade um lobby dirigido por um único indivíduo, nasceu com pauta predominantemente anticomunista. Seu alvo era a presença, em sala de aula, de discussões sobre as injustiças sociais e de perspectivas críticas ao capitalismo. Em texto que depois tirou de circulação, o chefe do ESP afirmava desejar uma "escola que promova os valores do [Instituto] Millenium" - referindo-se ao "think puddle" (porque "tank" é demais para o calibre intelectual dele) ultraliberal sediado no Rio de Janeiro e financiado alhures.

Mas o ESP só ganhou visibilidade quanto deu uma guinada programática (e pragmática), passando a priorizar a chamada "agenda moral" e aderindo à campanha de desinformação contra o que foi rotulado como "ideologia de gênero" - que é, na verdade, a tentativa de construir, nas escolas e por extensão na sociedade, um ambiente livre de violências e respeitoso da diversidade. Com slogans tão retrógrados quanto "meus filhos, minhas regras", que nega a ideia de que as crianças tenham direitos, afirma a primazia absoluta da família, recusa expressamente o caráter educativo do espaço escolar e, no fim das contas, inviabiliza a própria noção de ensino público, o que para eles é um ganho.

O avanço de projetos de lei baseados nesta visão de mundo medieval preocupa. O ESP tem priorizado o terrorismo contra professores, julgando que será capaz de intimidá-los. Mas, com o retrocesso vivido no país, a possibilidade de aprovação de uma norma legal restritiva de liberdade de ensinar e aprender já não está afastada.

A campanha contra a discussão sobre gênero é criminosa. Nunca é demais lembrar que o Brasil é líder mundial em feminicídios e assassinatos homofóbicos. Há sangue nas mãos dos religiosos fundamentalistas, dos parlamentares reacionários, dos promotores do "Escola Sem Partido", de todos aqueles que impedem que se promova o respeito às múltiplas de ser, à diversidade sexual e ao princípio da igual autonomia de mulheres e de homens.

A mobilização política da extrema-direita está provocando, de forma deliberada, a ampliação a violência contra grupos oprimidos. Sempre tivemos, no Brasil, uma combinação perversa entre estruturas sociais que reproduzem a dominação e um discurso difuso marcado pelos preconceitos. Isso contribuía para a naturalização do racismo, do sexismo, da homofobia. Mas hoje, até como reação ao enfrentamento que se começou a fazer dessa situação, racismo, sexismo e homofobia passam a ser reivindicados como identidades militantes. É trágico.

Luis Felipe Miguel
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Macri faz liberais brasileiros passarem vergonha com previsões estapafúrdias


A Câmara dos Deputados da Argentina reuniu-se pela primeira vez desde que o presidente direitista Maurício Macri anunciou que vai recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar o colapso da economia local.

A Argentina poderá buscar até U$ 30 bi junto ao FMI para enfrentar uma corrida ao peso.

Apesar do anúncio, o dólar continuou em alta em Buenos Aires, a 23,10 pesos — 16 centavos a mais que no dia anterior.

O deputado Leopoldo Moreau, da oposição, acusou dois ministros de Macri de lucrarem com a especulação contra o peso.

Segundo ele, o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, ganhou 14 milhões de pesos com a alta do dólar, o equivalente a R$ 2,2 milhões, enquanto o ministro das Finanças, Luis Caputo, teria lucrado 16 milhões de pesos (R$ 2,5 milhões).

Durante a sessão da Câmara, o deputado Agustín Rossi, também da oposição, fez uma analogia com o futebol para criticar a política econômica de Macri.

Lembrou a final da Copa de 2014, no Brasil, quando o atacante Palacio perdeu gol feito contra a Alemanha, tentando encobrir o goleiro.

Segundo Rossi, Palacio deveria ter tentado o gol batendo por baixo do goleiro, não por cima.

Da mesma forma, disse o deputado, a solução para Macri estimular a economia seria dar dinheiro aos de baixo, não favorecer os de cima.

Esta noite, a Câmara aprovou por 133 votos a 90, com 4 abstenções, uma lei que faz as tarifas de água e energia na Argentina retroagirem a novembro de 2017.

Até dezembro de 2019, elas só poderiam subir de acordo com os aumentos salarias.

Em geral, programas de ajuste do FMI exigem maior arrecadação através do aumento de tarifas, os clássicos tarifaços.

Macri pode barrar o projeto no Senado ou enfrentar o desgaste de vetar a medida.

No Brasil, internautas se divertiram com as previsões de que Macri se tornaria uma referência econômica para o Brasil.

Em janeiro deste ano, o site Antagonista descreveu o que seria “o exemplo de Macri para o Brasil”, mas menos de quatro meses depois já o denunciava como “o desastre social-democrata”.

Para a revista IstoÉ, a eleição de Macri teria posto fim “ao ciclo que levou o país para o buraco”.

Muitas piadas foram feitas com o Movimento Brasil Livre, a partir de um tweet do argentino Martín Fernandez, que disse que o MBL é “mais macrista que Macri” e, portanto, deveria ser nacionalizado argentino.

Também não escapou aos internautas artigo de Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo, que dizia: “Macri acaba de por na roda uma agenda revolucionária que, se copiada no Brasil para a campanha eleitoral de 2018, pode alça-la a um patamar enriquecedor”.

Embora mais dramático, o fracasso econômico da Argentina é parecido com o do usurpador Michel Temer.

Depois de assumir o poder graças ao golpe midiático-jurídico-parlamentar de 2016, Temer prometeu criar empregos com uma reforma trabalhista apoiada de forma quase unânime pelos barões da mídia, mas os brasileiros colheram bicos, informalidade e aumento no número de desempregados.


No Viomundo
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Documentário sobre violência contra jornalistas no México

A equipe de filmagem por trás do mais recente documentário sobre violência contra jornalistas no México passou três anos (2015-2017) trabalhando no projeto. Estes três anos foram os mais sangrentos para a imprensa do país, dizem eles.

A equipe de filmagem por trás do mais recente documentário sobre violência contra jornalistas no México passou três anos (2015-2017) trabalhando no projeto. Estes três anos foram os mais sangrentos para a imprensa do país, dizem eles.

"O dado que reflete a seriedade das coisas no México é que enquanto estávamos fazendo esse documentário, 33 jornalistas foram assassinados e um está desaparecido", disse Témoris Grecko, produtor, investigador e roteirista do documentário "No se mata la verdad” (“Não se mata a verdade”), disse ao Centro Knight. "Quanto mais o tempo passava, mais a lista crescia."

O filme vai estrear em 14 de maio em Culiacán, Sinaloa, em comemoração ao primeiro aniversário do assassinato do renomado jornalista mexicano Javier Valdez, que foi morto a tiros em 15 de maio de 2017 naquela cidade, onde também nasceu. O filme será exibido na Cidade do México em 17 de maio. Em ambas as datas, a exibição será seguida por uma conversa com os cineastas e alguns dos parentes dos jornalistas assassinados, como a esposa de Valdez, Griselda Triana.

No filme, o diretor leva o espectador desde Tijuana, no loeste do México, na direção este até a costa do Caribe.

O objetivo era "apresentar uma espécie de quadro geral do tipo de agressão, embora tenhamos deixado muitos casos fora porque é impossível incluir uma perspectiva de tudo o que aconteceu [nos últimos anos] em pouco mais de uma hora e meia”, disse Grecko, acrescentando que inicialmente pensava em terminar o documentário em 2017, mas como ano passado foi “especialmente difícil” para a imprensa devido ao grande número de casos importantes que ocorreram, eles decidiram continuar trabalhando no projeto.

Além do assassinato de Valdez, o documentário inclui as mortes dos jornalistas Moisés Sánchez, Rubén Espinosa e Miroslava Breach e casos de violência contra a imprensa nas áreas fronteiriças entre os Estados Unidos e o México, onde predomina o narcotráfico.

Um trailer do documentário mostra filmagens de alguns dos jornalistas citados falando sobre censura e ataques, e depois traz imagens de pessoas protestando depois de seus assassinatos. Imagens de um programa de televisão em que um dos palestrantes difama Espinosa após sua morte mostram que muitos jornalistas não estão seguros, mesmo depois de serem mortos.



O documentário também traz as perseguições dos jornalistas Carmen Aristegui, Pedro Canché e do jornal Luces del Siglo por funcionários do governo.

"No se mata la verdad" é a primeira parte de um projeto multimídia que leva o mesmo nome, e cuja sequência será uma série de televisão, um livro e um microsite sobre ataques contra a imprensa que acontecem em 2018 e durante o período eleitoral.

Juntamente com a exibição do documentário, a criadora do projeto, Ojos de Perro vs. Impunidad, e outros coletivos, instituições e organizações culturais e educacionais, bem como grupos da sociedade civil, organizaram uma série de atividades em várias cidades do país. Elas incluem conversas que começam em 12 de maio e continuam até o final do mês. Uma lista das atividades planejadas e transmissões ao vivo do documentário pode ser encontrada no Facebook e no YouTube.

Por essa razão, eles confiaram na disposição da autogestão de vários grupos para essas atividades e lançaram apelos para que qualquer pessoa, grupo ou organização propusesse e realizasse seu próprio evento ao lado deles sobre o tema da violência contra a imprensa no México.

Ojos de Perro vs. Impunidad, uma associação civil multidisciplinar, foi criada em novembro de 2014 e é composta por jornalistas, cineastas, fotógrafos, romancistas e músicos. Grecko, um dos seus fundadores, é um jornalista mexicano independente que cobriu conflitos armados em todo o mundo, em países como a Líbia, o Egito, o Irã, a Síria, a Palestina, o Congo e as Filipinas.

Segundo Grecko, Ojos de Perro realiza investigações e cria produtos de comunicação em seis eixos temáticos: impunidade, corrupção, desigualdade, direitos humanos, direitos de gênero e meio ambiente.

Após o desaparecimento de 43 estudantes de um colégio de professores em Ayotzinapa em setembro de 2014, uma onda de indignação passou pelo México e vários grupos foram formados em nível profissional, disse Grecko. Assim nasceu Ojos de Perro. O primeiro documentário da organização foi "Observando-os morrer: o exército mexicano e os 43 desaparecidos" sobre os alunos desaparecidos.

Paola Nalvarte
No Jornalismo nas Américas
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Jornalistas do Correio Popular de Campinas conquistam vitória no TRT

Após 84 dias de greve dos jornalistas, Rede Anhanguera de Comunicação, de Campinas, foi condenada, por unanimidade, a quitar todos os pagamentos em atraso.

Jornalistas da RAC e dirigentes do SJSP comemoram a vitória no TRT15 - Campinas.
Foto: Lilian Parise/SJSP
Depois de 84 dias de greve iniciada em 14 de fevereiro, os jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) saíram vitoriosos do julgamento do dissídio realizado na tarde desta quarta-feira (9), no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas. A paralisação é a maior da história do jornalismo em São Paulo.

Por unanimidade, o movimento paredista foi considerado legal, justo e legítimo pelo TRT15-Campinas, e a empresa foi condenada a pagar toda a dívida com os trabalhadores e trabalhadoras: os salários que estão em aberto desde janeiro, os dias paradas no período de greve, o 13º de 2017, seis meses de vales refeição e alimentação, o adicional de um terço aos que saíram de férias no últimos dois anos, além de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que estão irregulares desde 2014.

Bastante emocionados, alguns aos prantos, os jornalistas comemoraram a decisão após quase três meses de intensa mobilização e enfrentando dificuldades financeiras. A partir da publicação do acórdão, a rede, que é responsável pelos jornais Correio Popular e Notícias Já, entre outras mídias, tem o prazo de cinco dias para quitação dos débitos, sob a pena de multa diária de R$ 500 por trabalhador.

A sentença ainda garantiu 90 dias de estabilidade aos grevistas, contados a partir do retorno ao trabalho, bem como a reintegração de uma trabalhadora do administrativo que foi demitida durante a paralisação, outra ilegalidade cometida pela RAC. Nem o advogado e nem qualquer representante da rede compareceram ao julgamento, em mais uma clara demonstração de desrespeito aos próprios jornalistas.

Durante a sustentação oral, o advogado Marcel Roberto Barbosa, responsável pelo processo movido contra o grupo de comunicação, ressaltou a falta de disposição da RAC em negociar, pois desde a primeira tentativa de conciliação, em audiência no dia 28 de fevereiro, se passaram quase 70 dias nos quais a rede não só se manteve insensível aos grevistas, como também descontou os dias parados e suspendeu os vales refeição e alimentação. Ele também destacou aos desembargadores os problemas financeiros enfrentados pelos grevistas, obrigados a contrair empréstimos para continuarem a sobreviver.

Flaviana Serafim
No Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
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Lançamentos - Dominação e resistência


Hoje estarei em Belém, no Centro de Convenções Benedito Nunes, da UFPA, participando do curso "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil" e também lançando o Dominação e resistência. Vai ser às 18:00.

Na quarta, dia 23, lanço o livro em Curitiba, em debate com a querida Andrea Caldas. Na sala Homero de Barros, no Setor de Educação da UFPR, às 19:00.

No dia seguinte (quinta, 24 de maio), tem lançamento em Niterói, na UFF, às 14:00, aproveitando debate com Carlos Zacarias, um dos comandantes do curso sobre o golpe na UFBA. E, no mesmo dia, às 19:00, lançamento no Rio, na Livraria Leonardo da Vinci, quando terei a honra de debater as estratégias contemporâneas da esquerda com Milton Temer.

Terminando maio, no dia 30, quarta, vou lançar o livro em Florianópolis - como ninguém é de ferro, vai ser no Cerveja Sambaqui, do Guilherme Gouvêa, a partir das 18:30.

Em junho, vou estar em Vitória, na quinta, 21, no encerramento do curso "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil" na UFES, aproveitando para também lançar o livro. E faço o mesmo em Campinas, na terça, 26, às 17:00: encerramento do curso "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil" na Unicamp e lançamento do Dominação e resistência.

E em julho... férias!

Luis Felipe Miguel
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Polícia Federal prende prefeito tucano com R$ 4,6 milhões em dinheiro vivo


O prefeito de Mongaguá, Artur Parada Prócida do PSDB, foi preso em flagrante pela operação Prato Feito da Polícia Federal. Dois agentes públicos também foram presos em flagrante, por posse de muito dinheiro vivo. O município de Mongaguá fica no litoral Sul de São Paulo. A Polícia Federal encontrou na residência do prefeito tucano R$ 4.613.610 e mais US$ 216.763 em espécie. Ele foi preso por crime de lavagem de dinheiro. Aliados do tucano disseram que o grande volume de cédulas de reais e dólares encontrado em sua casa será explicado às autoridades.

“Em outra cidade, Mauá, na Grande São Paulo, os federais fizeram mais dois flagrantes contra outros dois agentes políticos, com quem foram localizados os montantes de R$ 588.417 e R$ 87 mil em dinheiro vivo. Um dos presos é o secretário de Governo de Mauá, João Gaspar (PRP).

A Operação Prato Feito põe sob suspeita pelo menos 30 prefeituras paulistas. Treze prefeitos são investigados, além de quatro ex-prefeitos, 27 funcionários públicos, um vereador e 29 empresas. Também são alvo da PF e da Controladoria-Geral da União secretários municipais e lobistas”.
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E assim se passou um ano


Um ex-presidente setentão, líder em todas as pesquisas para a eleição de 2018, encara um guarda de esquina travestido de juiz durante cinco horas na sede da Justiça Federal, em Curitiba, no dia 10 de maio de 2017.

Dá-lhe vários dribles da vaca.

Tudo o que aconteceu ao setentão dali pra frente foi decidido pelo guarda de esquina naquelas cinco horas. A Ditadura do Judiciário que se instalou no país permitiu que o guarda de esquina se investisse do papel de Cronos, o deus grego que controla o tempo e rege a Operação Lava Jato.

Cronos é um deus louco, que devora inclusive seus filhos. É o deus do tempo e do caos. Nada constrói. Destrói vidas, nações, empresas, esperanças. Age em total sincronia, bem no compasso da deusa Globos, com propósitos semelhantes.

E afinal alcançaram seu intento: lançaram o setentão numa masmorra dia 7 de abril deste ano, isolado. Lamentam que não seja numa cela escura, sem qualquer tipo de luz, como aquela em que Luis Carlos Prestes ficou durante 10 anos. Mas o objetivo é o mesmo: matá-lo.

Heráclito Sobral Pinto foi defensor do líder comunista e de Harry Berger durante o Estado Novo. No caso de Berger, exigiu a aplicação do artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais numa petição em favor de tratamento humanitário para prisioneiros.

Cronos e Globos também lamentam a presença de impertinentes advogados entre eles e o setentão. Preferem manter o padrão de irregularidade medieval tocado por uma devota deles lá em Curitiba. Nada de médico, de visitas, de família, de apoio religioso.

Não é nada, não é nada, levam-lhe tudo.

“Solidão mata mais que infecção.”

O médico David Braga Junior, clínico geral de largo conhecimento, mal contém a indignação no saguão de um hospital paulistano que cuida de idosos.

Enumera todas as perdas a que o setentão vem sendo submetido: econômicas, familiar, liberdade, isolamento, internação, hospitalar – prisão sem direitos a acompanhantes. E os estados a que isso leva: perda da capacidade funcional, perda da capacidade cognitiva, depressão, morte.

Urge, portanto, invocar o Estatuto do Idoso, aprovado pelo Congresso em setembro de 2003 e sancionado pelo presidente Lula no mês seguinte, ampliando os direitos dos cidadãos acima de 60 anos, que prevê e protege o idoso de todas essas infâmias.

Urge, portanto, engrossar o movimento nacional e internacional pela libertação de Lula, encarcerado sem um mísera prova.

Palmério Dória
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Relatório final da PF não apresenta provas contra Cancellier, o reitor da UFSC

Cancellier
Logo nas seis primeiras páginas das 817 que compõem o relatório final da Polícia Federal sobre supostos desvios de verba na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o nome do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo é citado oito vezes. Ali ele é apontado como quem “respaldava e sustentava” uma quadrilha que pilhava recursos da universidade.

O ex-reitor se jogou de um shopping de Florianópolis em 2 de outubro do ano passado, 18 dias após ter sido preso na operação Ouvidos Moucos.

Segundo a polícia, Cancellier “nomeou e manteve em posição de destaque” o grupo de professores que abastecia a “política de desvios e direcionamento nos pagamentos das bolsas” do programa de ensino a distância.

Apesar das acusações de que estaria no comando de uma suposta quadrilha, o relatório da PF não apresenta provas de que o ex-reitor teria se beneficiado financeiramente por essa participação. A Folha questionou a Polícia Federal sobre a ausência de provas contra Cancellier, mas obteve como resposta apenas que a investigação está finalizada.

No relatório, Cancellier só aparece, e indiretamente, em episódio citado que envolve repasses na conta de seu filho Mikhail. São três depósitos efetuados em 2013 pelo professor Gilberto Moritz que totalizam R$ 7.102 na conta do filho de Cancellier, que ainda não era reitor da federal.

O filho dele foi questionado por policiais federais e disse não lembrar o motivo das transferências. Na época, ele tinha 25 anos e era ajudado financeiramente pelo pai.

O delegado Nelson Napp, responsável pelo relatório final da operação, levantou uma suspeita. “Comenta-se que os recursos transferidos para Gilberto Moritz foram oriundos do projeto Especialização Gestão Organizacional e Administração em RH (TJ), coordenado por Luiz Carlos Cancellier, sendo este o ordenador de despesa do referido projeto. Após o recebimento dos recursos, Gilberto Moritz transferiu para Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier (filho do ex-reitor Cancellier) o valor de R$ 7.102,00.”

Essa suspeita bastou para o indiciamento de Mikhail. Moritz também foi incriminado.

Ao todo, 23 pessoas foram indiciadas por crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato. O delegado aponta que Cancellier só não foi incluído nessa lista por causa da sua morte.

Cancellier é o único ex-reitor implicado na operação da PF. Ele assumiu o cargo em maio de 2016. Os fatos narrados aconteceram de 2008 a 2017. Porém os reitores que antecederam Cancellier nesse período, Alvaro Toubes Prata (2008 a 2012) e Roselane Neckel (2012 a 2016), não são alvos.

Isso apesar de o relatório da polícia afirmar que essa suposta quadrilha tinha influência na universidade “desde a origem mais remota do ensino a distância na UFSC”.

No entendimento da PF, o grupo investigado conseguiu “se manter em funcionamento naqueles moldes” por causa da sustentação política proporcionada por Cancellier.

O ex-reitor Alvaro Prata é citado no relatório final em apenas um caso relevante. Uma conversa no aplicativo de mensagens de celular mostra que ele alertou Cancellier sobre “uma ação da PF em curso e em sigilo envolvendo recursos da Capes e o ensino a distância da UFSC”. Posteriormente Cancellier foi preso sob a justificativa de que teria tentado obstruir as investigações. Mas Prata não foi alvo de medida policial.

A investigação na UFSC foi iniciada pela delegada Erika Mialik Marena, que estava entre os responsáveis pela Operação Lava Jato, em Curitiba, até o final de 2016. Transferida para Florianópolis em 2017, comandou a Ouvidos Moucos até a morte do reitor, quando foi transferida para Sergipe.

Na ocasião em que a operação foi deflagrada, em 14 de setembro do ano passado, a PF divulgou que combatia um desvio de mais de R$ 80 milhões na UFSC.

Mais tarde corrigiu a informação, esclarecendo que o valor citado era de todo o repasse para o programa de ensino a distância de 2008 a 2016.

No relatório final, antecipado pela revista Veja e obtido pela Folha, a Polícia Federal não aponta o total que teria sido desviado dos cofres da Federal de Santa Catarina.

Ela faz apenas uma listagem de casos para tentar demonstrar os crimes e diz que focou nos pagamentos de bolsas e nas despesas com lotação de veículos e motoristas.

Os valores analisados são modestos, se comparados a outras operações da Polícia Federal. No caso das bolsas de estudo, os policiais apontam que havia acúmulo indevido do benefício e repartição de dinheiro entre professores.

Para explicar o funcionamento do que classifica como “organização criminosa”, a PF cita um caso de 2015, ocorrido no Departamento de Ciência da Administração, em que um professor recebeu uma bolsa de R$ 1.300 para ministrar um seminário em Lages (SC) e foi pressionado por um coordenador de curso a devolver metade do valor para outro professor. Nesse período Roselane Neckel era a reitora.

Em outro ponto do relatório, a PF aponta que teria havido direcionamento na concorrência das empresas que prestavam serviço de transporte para a universidade e que o processo de orçamentação dos aluguéis de carros com motorista eram simulados.

Os policiais recorrem a um relatório do TCU para apontar superfaturamento de R$ 43 mil nos contratos feitos com as empresas de turismo por serviços prestados de março de 2015 a setembro de 2017, parte deles sob Cancellier.

Até reembolso de combustível foi usado na acusação. 

Um professor que viajou, em 2014, de Florianópolis para uma aula magna na cidade de Lages (SC), foi colocado sob suspeição por causa de 48,74 litros de gasolina.

Os policiais federais calcularam que a distância de ida e volta entre as duas cidades é de 500 km — e estimou que um automóvel deveria consumir um tanque de combustível para esse trajeto.

Como o professor abasteceu duas vezes, somando 98,74 litros, então havia sobra de combustível. A nota fiscal do posto de gasolina referente ao segundo abastecimento é anexada para mostrar que o professor gastou R$ 140 para viajar de volta para casa.

PF NÃO EXPLICA

A Folha questionou a Polícia Federal sobre a ausência de provas contra o ex-reitor em um relatório de mais de 800 páginas, já que no documento ele é apontado como uma espécie de chefe de suposto esquema de desvios.

A reportagem também indagou a corporação sobre o fato de Cancellier ser o único reitor citado no relatório, sendo que os casos relatados se passam desde 2008.

Na resposta, a Polícia Federal se limitou a dizer que a investigação foi finalizada pela corporação e que essa agora está agora sob a análise do Ministério Público Federal.

A reportagem tentou contato telefônico e deixou recado nos celulares dos ex-reitores Alvaro Toubes Prata e Roselane Neckel, mas nenhum deles respondeu ou ligou de volta até a conclusão desta edição.

O advogado Hélio Rubens Brasil, que defendeu Cancellier, disse que o relatório é “extremamente frágil e inconsistente, repleto de insinuações e suposições, sem qualquer prova que embase as afirmações contidas no relatório”. O advogado de Gilberto Moritz não retornou o contato.

ENTENDA O CASO DA UFSC

O que é a Ouvidos Moucos

Uma operação da Polícia Federal que investigava desvios de verba nas bolsas de estudo do programa de educação à distância da UFSC, concedidas pela Capes (do governo federal)

14.set.17 Operação prende seis professores e o reitor, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, por supostamente tentar atrapalhar investigação da corregedoria da UFSC (ele não era suspeito de corrupção). Quem pediu as prisões foi a delegada Erika Marena, ex-coordenadora da Lava Jato

15.set.17 Juíza determina a soltura dos acusados, mas mantém decisão que os proibia de frequentar a UFSC

2.out.17 Cancellier se joga do 7º andar de um shopping de Florianópolis; “minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!”, dizia o bilhete encontrado em seu bolso

nov.17 Com a repercussão da morte, é aberta uma investigação interna na PF para apurar a conduta dos policiais no caso, sobretudo a de Erika Marena. A sindicância concluiu que não houve irregularidades

dez.17 Erika Marena é transferida ao comando da Superintendência da PF de Sergipe, mas sua promoção só é efetivada em fev.18, por causa das dúvidas sobre sua conduta na Ouvidos Moucos

25.abr.18 Polícia Federal envia relatório final da operação à Justiça Federal, indiciando 23 pessoas. Entre elas está Mikhail Cancellier, filho do ex-reitor. O procurador André Bertuol, do Ministério Público Federal de SC, decidirá se o caso resultará em denúncia

Contradições da Polícia Federal

- A PF acusou Cancellier de dar suporte à quadrilha que desviava dinheiro, mas não encontrou provas de sua participação nem de recebimento de valores ilegais

- No dia das prisões, a PF divulgou em rede social que o esquema teria desviado R$ 80 milhões; mais tarde, reconheceu erro no valor, que na verdade correspondia a todo o repasse ao programa de 2008 a 2016

- O parecer que acabou arquivando a investigação interna na PF, como revelou a Folha, foi feito pelo delegado Luiz Carlos Korff, que também é diretor de comunicação da PF catarinense

Wálter Nunes 
No fAlha
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O que está por trás dos ataques israelenses contra posições iranianas na Síria?

Soldados israelenses na fronteira com a Síria
Israel comunicou que realizou ataque a instalações iranianas na Síria.

O especialista Vladimir Fitin, em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, opinou sobre os possíveis objetivos dos militares israelenses na Síria.

"Israel está seguindo a mesma estratégia traçada há muito tempo que determina que a 'linha vermelha' é a permanência de bases militares iranianas com mísseis perto das fronteiras de Israel no território da Síria. Ele tem afirmado isso repetidamente e realizado consistentemente ações de destruição das bases militares no território sírio. E agora, sob a bandeira norte-americana, Israel intensificou seus ataques", disse o especialista.

Segundo ele, isso não deve levar a um conflito militar de grande escala entre Israel e Irã, porque cada uma das partes tem consciência das consequências catastróficas entre os maiores exércitos da região.

"Portanto, no momento, são apenas sinais demonstrados por Israel ao Irã: que ele não permitirá a intensificação da infraestrutura militar iraniana ao longo de suas fronteiras", ressalta.

Além disso, Jonathan Conricus, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, declarou que o Irá levará um longo tempo para se recuperar dos danos causados a suas forças na Síria pela Força Aérea de Israel e qualificou os ataques aéreos contra posições do Irã na Síria como uma das maiores operações aéreas de Israel nos últimos anos.

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A baixa na alta

O comentário sobre a desistência de Joaquim Barbosa cabe em uma frase: a causa dos negros não recebeu de Joaquim Barbosa o que precisa e merece.

Passemos à batalha e aos que lutam, de lado e outro. A pretendida privatização da Eletrobras é mais um caso escabroso na série de transações desse gênero. O repórter Lúcio de Castro descobriu, e divulga no site da sua Agência de Jornalismo Investigativo Sportlight, que o governo Temer contratou poderosa assessoria de comunicação para atuar em jornais, TV e rádio de modo a inverter a opinião pública majoritariamente contrária à venda da empresa, como verificado em pesquisas.

O valor do contrato é de R$ 1,8 milhão mais extras. O método consiste na divulgação de notícias e comentários que apresentem a privatização como promissora em contraste com a depreciada empresa estatal.

Até agora não se notam efeitos na opinião pública. Na Câmara houve, sim, alguma redução na ampla resistência a se opor ao eleitorado. Lá, sabe-se, as maneiras de indução de mudança não são notas de noticiário, são outras. E, por esta mesma razão, o tema Eletrobras não é explorado só em termos de privatização ou não.

O relator da proposta, escolhido com precisão, é o deputado do PP fluminense Julio Lopes, o que já diz alguma coisa. Integrante do grupo mais próximo de Sérgio Cabral e de grupos semelhantes na Câmara, seu nome não faltaria no papelório da Lava Jato, versão carioca ou curitibana.

Julio Lopes, como era toda a equipe de Cabral, é versátil nos assuntos de seu interesse. O relatório, exposto em sua forma mais recente, propõe a doação, adicionada às indenizações, de R$ 279 milhões aos que forem demitidos na privatização de distribuidoras de energia no Nordeste e no Norte. Um modo de quebrar manifestações resistentes, convocadas e fundamentadas pelos servidores. Vai mais longe, porém desta vez para outros proveitos.

No relatório do projeto de privatização o deputado Julio Lopes incluiu contrabandos, além de ilegais, imorais e denunciadores dos seus propósitos. Um deles objetiva nada menos do que saquear o fundo social do pré-sal, retirando-lhe recursos dirigidos à saúde e à educação. Sempre a saúde e a educação como vítimas. No caso, para aplicar a usurpação no aumento da rede de distribuição de gás, que o Plano Parente incluiu nas privatizações da Petrobras ao varejo.

Em se tratando de relatório sobre uma privatização, Julio Lopes introduziu-lhe também um facilitário para a compra de terras por estrangeiros, um projeto não propriamente brasileiro. Esses contrabandos são indicativos, mas não de convicções. O que traz à afirmação do novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, de que “as contas de luz subirão menos com a privatização”, bem adequada ao esforço de descrédito da Eletrobras.

As estatais estão em baixa, mas o cinismo nunca esteve tão em alta.

Janio de Freitas
No fAlha
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