5 de mai. de 2018

Barroso, o autoritário “cult”


Maria Cristina Fernandes, no Valor (reportagem abaixo), revela como Luís Roberto Barroso, o pavão do Supremo Tribunal Federal, não é apenas o praticante de sua própria vaidade.

É um homem de pensamento autoritário, disposto a atentar, ao menos nas teses que defende, contra o regime de soberania popular exercido pelo voto.

Numa palavra, contra a democracia, aquele regime que Winston Churchil disse, um dia, ser “a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”

Fernandes conta o processo de elaboração de um texto de Barroso no qual ele defende que a “meritocracia” que leva gente como ele ao STF, representa melhor a “vontade popular” que os eleitos para isso pela população.

Aliás, o título do artigo dá ideia do autoritarismo nele contido: “A Razão sem Voto: o Supremo Tribunal Federal e o Governo da Maioria”.

Reproduzo um trecho que dá idéia da deformação elitista deste conspirador (intelectual, ao menos) que pretende ver o país governado pela “Câmara dos Lordes” da Justiça:

A linguagem, sem rodeios, não permitia dúvidas sobre onde pretendia chegar. Ministro havia três anos do Supremo, Barroso parecia ter ido longe demais. Sustenta que o processo político está paralisado e cabe ao Supremo assegurar a vontade da maioria, tese que põe em xeque as bases da separação e do equilíbrio entre os Poderes.

“Num habeas corpus preventivo contra aqueles que questionariam a legitimidade da Corte para exercer um poder majoritário sem votos para tanto, Barroso argumentava que o acesso ao Congresso tem um custo financeiro alto, que obriga alianças com interesses particulares. Já os juízes, selecionados pela meritocracia, representariam melhor a vontade da sociedade. A elitista composição da Corte que integra, solitariamente quebrada pelo ex-ministro Joaquim Barbosa, estava ali para mostrar os limites de seu argumento.”

É claro que o sistema eleitoral brasileiro é cheio de deformações (uma das maiores, o financiamento privado de campanhas, demorou anos para ser proibido pela corte de “iluminados”), mas isso está longe de justificar que menos de meia dúzia de nobres vitalícios possam conduzir o país sem ter mandato para isso.

Aliás, nem mesmo a parca legitimidade que possui tem qualquer forma de controle quanto à fidelidade às ideias que expuseram em sua indicação ou confirmação pelo Senado, tanto que Barroso jamais teria sido indicado ou confirmado se tivesse exposto as ideias de “juízocracia” que agora esposa.

Não é compreensível que um juiz da corte que tem como missão guardar a Constituição e seu princípio de que “todo o poder emana do povo” pregue a submissão da vontade eleitoral da população aos humores de um tribunal.

Em seu lugar, o que entra? O “clamor público” da grande imprensa? A “clarividência” de suas excelências?

Aliás, Barroso é, a todo momento, um traidor daquilo que o levou ao cargo que ocupa. Hoje mesmo, em Londres, cuspiu no ensino público, a Universidade do estado do Rio de Janeiro,  que o formou e no qual leciona (ou lecionava) ao defender que não se coloque verbas públicas na universidade:

“O Estado não tem dinheiro suficiente para bancar uma universidade pública com a qualidade que o país precisa. A universidade precisa ser capaz de autossustentabilidade, precisa ser capaz de interlocução, vender projetos para a sociedade, pedir contribuição, obter filantropia. Já há ricos suficientes no país, e eles acabam dando dinheiro para Harvard e Yale. Há um preconceito que precisamos superar”

Barroso é o retrato perfeito  e acabado do velho ditado português: “queres conhecer o vilão, põe-lhe na mão o bastão”.

Fernando Brito
No Tijolaço



Os atropelos da história empurrada

Oscar Vilhena jantava sozinho num restaurante em Londres na primavera de 2015 quando uma mensagem de Luis Roberto Barroso entrou em sua caixa postal. Em anexo, o ministro submetia o artigo de 52 páginas ("A Razão sem Voto: o Supremo Tribunal Federal e o Governo da Maioria") ao seu crivo. Barroso, professor de direito na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, queria publicá-lo na revista da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas.

"O que acha?", perguntou o ministro ao amigo, hoje diretor da escola. A resposta não era fácil. Autor da tese da supremocracia, com a qual reconhece os poderes exacerbados da Corte, mas os atribui às ambições do texto, Vilhena tem intimidade com as provocações de Barroso, a quem chama de Luís.

Desde a publicação de sua tese de livre-docência ("O Direito Constitucional e a Efetividade de suas Normas"), logo depois da Constituinte de 1988, Barroso se tornara um dos expoentes em defesa do que o diretor da FGV chama de direito responsivo - "ativista é pejorativo".

Fizera-se conhecido pela tese de que é preciso dar mais eficácia à pretensão constituinte de mudança social. Aquele artigo, porém, parecia ir além. Nele, a vanguarda iluminista do colega adquiriu luzes de neon e, certamente, encandiaria o debate acadêmico.

No texto, Barroso se valeria da clareza habitual de seus votos, com citações ao alcance do leitor leigo - "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará a seu tamanho normal" (Albert Einstein) ou "creia nos que procuram a verdade, duvide dos que a encontraram" (Andre Gide).

A linguagem, sem rodeios, não permitia dúvidas sobre onde pretendia chegar. Ministro havia três anos do Supremo, Barroso parecia ter ido longe demais. Sustenta que o processo político está paralisado e cabe ao Supremo assegurar a vontade da maioria, tese que põe em xeque as bases da separação e do equilíbrio entre os Poderes.

Num habeas corpus preventivo contra aqueles que questionariam a legitimidade da Corte para exercer um poder majoritário sem votos para tanto, Barroso argumentava que o acesso ao Congresso tem um custo financeiro alto, que obriga alianças com interesses particulares. Já os juízes, selecionados pela meritocracia, representariam melhor a vontade da sociedade. A elitista composição da Corte que integra, solitariamente quebrada pelo ex-ministro Joaquim Barbosa, estava ali para mostrar os limites de seu argumento.

Contra a supremacia da legitimidade eleitoral, Barroso diria que esta não basta para a representatividade democrática, e lançaria mão da ascensão do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha, ambos com respaldo popular, para escorar sua tese.

Acrescentaria ainda a imagem, recorrente em textos e votos, de uma Corte a empurrar a história quando esta emperra. Os julgamentos, na Suprema Corte americana, que fizeram rolar a segregação racial ladeira abaixo é seu maior paradigma - na advocacia exercida até a toga, na causa do direito ao aborto de fetos anencefálicos e no reconhecimento das relações homoafetivas, até seu voto pela constitucionalidade da Lei de Cotas.

Vilhena propôs e Barroso topou, na hora, submeter o artigo ao crivo de estudiosos de teoria constitucional, alguns dos quais, ex-alunos do ministro. Não vetou nomes e indicou poucos debatedores. Demonstrou algum receio de que um ou outro da lista selecionada poderia vir a chutar abaixo da cintura, mas não recuou.

O artigo foi distribuído a vinte professores de seis universidades (Uerj, PUC-SP, PUC-RS, UFPR, FGV Direito Rio e FGV Direito SP) que enviaram seus comentários para o autor. Não houve reverência ao meritíssimo. Marcada a data da acareação, no dia 28 de agosto de 2015, num seminário a portas fechadas no prédio da escola de direito da FGV, em São Pauulo, Barroso enfrentou uma maioria franca e acirradamente crítica ao artigo. Estava ali a origem de "A Razão e o Voto: Diálogos Constitucionais com Luis Roberto Barroso" (Editora FGV), compilação de artigos organizada por Vilhena e Rubens Glazer, lançada no mês passado.

Foi em ritmo de "câmera de gás", e não de "Jardim do Éden", como ficaram conhecidas as duas turmas do Supremo, que se processou o debate ao longo de todo o dia. Naquele dia, o então vice-presidente Michel Temer fazia saber à titular do cargo que seu partido não apoiaria a volta da CPMF. Os ecos da Lava-jato espalhavam pixulecos gigantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas grandes cidades com a roupa de presidiário que, efetivamente, viria a ser, com a anuência do Supremo.

Se aquele auditório fosse um júri, o ministro dificilmente escaparia de uma condenação. Depois da apresentação de seu artigo, chegara a hora de ouvir os comentários dos presentes. O mais duro de seus juízes foi um jovem professor da FGV Rio. A época com 33 anos, Diego Arguelhes, num texto intitulado "O Supremo que Não Erra", começou por expor seu incômodo com a visão de que o ministro trata a independência dos juízes da legitimidade eleitoral como solução e não como uma limite relevante para seu papel.

Em contraposição à atuação majoritária do Supremo, advogada por Barroso, disse que uma instituição não pode se legitimar por ignorar o clamor popular e, ao mesmo tempo, por atender esse mesmo clamor. E citou a forma de ingresso no Supremo e as regras de permanência e remoção como agravantes para os limites de um Poder que, ao invadir as prerrogativas dos demais, assume-se como instância decisória acima de erros - um grupo de sábios não eleitos que permanecem no cargo por décadas sem qualquer tipo de controle.

Arguelhes indagou se o Supremo, a exemplo do Congresso, também não corria o risco de ser capturado por interesses particulares. E questionou as consequências, para a democracia, de um Judiciário que se legitima pelo resultado. É um desenho institucional que, na dose errada, pode levar a que o cumprimento da Constituição se torne uma ameaça à própria Carta: "Temos o STF, como instituição independente, com vantagens comparativas sobre o Congresso em tudo o que importa: protege direitos por não precisar atender à maioria, representa a vontade geral sem risco de captura por interesses minoritários e, como "vanguarda iluminista", sabe quais são as reformas morais e sociais que precisam ser promovidas - inclusive quando a própria população ainda não formou opinião a seu respeito.

Ao ler os textos antes do debate, Vilhena surpreendera-se com a contundência e perguntou a Barroso se ele gostaria, de fato, de prosseguir. Ponderou que uma pessoa, na posição de autoridade de que desfruta um ministro do Supremo Tribunal Federal, não costuma se expor tanto, a não ser para receber elogios. Mas o ministro não esmorecera. Arguelhes seria aquele que mais perto chegaria de destruir a tese de "A razão e o Voto", mas, em momento algum, o debate resvalaria para golpes abaixo da cintura.

Ex-aluno de Joaquim Falcão, que dirigiu a escola de direito da FGV do Rio e fundou o projeto "Supremo em Números", primeiro vigia da atuação da Corte na academia, Arguelhes não era o único dos presentes a bater de frente com o debatedor exímio a quem o Brasil se acostumara ver, ao vivo e em cores, enfrentar o ministro Gilmar Mendes.

Barroso e Edson Fachin, hoje seu parceiro de toga, e, à época, colega de academia na Universidade Federal do Paraná, marcaram o debate nos anos 1990 com a ideia de um Judiciário que devia atuar fora da caixinha. Influenciaram a geração de juízes que fez de Sérgio Moro um expoente.

A geração de Arguelhes formula a reação da academia à invasão do Judiciário pelas teses de Barroso e Fachin. Seria seguido, no seminário, por dois colegas da FGV, Ivar Hartmann e Daniel Chada. A dupla mostrou que se Barroso advogava um papel para o Judiciário que desse mais eficácia para a Constituição, a falta de transparência e previsibilidade do Tribunal punha em xeque esta prerrogativa.

Os jovens debatedores citaram o prazo médio de cinco anos para uma resposta do Tribunal a ações diretas de inconstitucionalidade, missão principal da Corte. Mencionaram ainda o percentual de meros 5% de decisões colegiadas por ano, o que agrava a legitimidade da função representativa do Tribunal reivindicada por Barroso.

Na comparação com outras cortes do mundo, nenhuma, com a provável exceção do México, é vista por Arguelhes como tão poderosa. O poder de pauta, de pedidos de vista e a autonomia orçamentária, por exemplo, não têm paralelos na Suprema Corte americana.

Rubens Glazer, parceiro de Vilhena na escola e na organização do livro, investiu contra o eixo do artigo, o de que a prudência política, e não a gramática e a lógica dos direitos, é a origem da legitimidade da atuação dos ministros: "Será que isso é saudável e, especialmente, compatível com a agenda de constitucionalização defendida pelo próprio Barroso? Creio que a tese apenas fragiliza a cultura de direitos do país".

Dos 20 debatedores, apenas três saíram em sua defesa incondicional. Se dependesse daquele júri, era preferível que o fusquinha da história permanecesse emperrado a sair do atoleiro atropelando a democracia.

Ao longo dos quase três anos desde a realização do debate, o ministro Luis Roberto Barroso aproximou-se ainda mais do acadêmico. Os pesos e as medidas do Supremo da Lava-jato alargaram o déficit de legitimidade. O mesmo Tribunal que recusou o HC de Lula foi o que criou, do nada, uma solução para manter Renan Calheiros na condição de réu e ocupante da linha sucessória da Presidência.

Ao responder aos debatedores, no entanto, Barroso não recuaria de nenhuma de suas posições. No posfácio, não passaria recibo: "Foi um dia de deleite intelectual e de grande proveito pessoal".

Maria Cristina Fernandes, jornalista.
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O destino de Lula

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=535

Preocupados com o destino pré-eleitoral de Lula, inflamadas porta-vozes do grande líder descuram-se do que com ele pode ocorrer depois das eleições. Com a tese kamikaze de ou Lula ou nada e a religiosa excomunhão dos que sugerem a possibilidade de o PT abrir mão da cabeça de chapa, hostilizam o eleitorado brizolista e os socialistas contrários a Joaquim Barbosa, ademais de enorme eleitorado de esquerda não automaticamente petista. Quem não se preocupa com isso é partido carona, partido que não tem voto. A sensata opinião de que, na impossibilidade da candidatura Lula, o PT conversaria com aliados históricos sem a preliminar de que a cabeça da chapa lhe pertença, vê-se acusada de traição e, para os mais exaltados, adesão à direita. A ideia de que lutar por justiça para Lula obriga a exigir que seja candidato e, consequentemente, presidente da República, só faz sentido na cabeça de conversos à política de caudilhos. Pode ter sucesso, mas, falhando, cresce a possibilidade da derrota de todos, não apenas dos fiéis petistas, com o abandono do poder legal à direita. O insucesso presidencial não impedirá a eleição de deputados progressistas Brasil a fora, deixando a conta, contudo, para o fantasma de Carlos Drummond: e agora Lula?

À falta de metralhadoras e de quem as queira operar, e a visível fragilidade das hostes em direto combate contra os operadores do judiciário, é surpreendente, não só a negligência, mas a estúpida desmoralização dos mecanismos eleitorais. Vencer as eleições presidenciais em outubro é o único, único, único, caminho legal para alterar, em segurança, as atuais posições políticas e jurídicas separando o complexo das esquerdas do aglomerado das direitas. Sem essa vitória, a idade das trevas se prolongará até o fim do mandato dos deputados progressistas eleitos na onda do “ou Lula ou nada”. Será o nada de Lula.

Prolongada omissão de Lula, em silencioso incentivo aos incendiários, arrisca suas próprias barbas, assistindo a intensificação das ofensas de petistas ao eleitorado progressista, mas não devoto. Por enquanto, Lula ainda pode escolher o caminho que não deseja seguir. Depois das eleições de outubro, o destino de Lula, em um ou em outro sentido, não dependerá mais de sua estrita vontade.
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O que pensam os brasileiros desconectados


A maioria dos brasileiros têm acesso à internet, segundo o IBGE. E quase todos estão na rede pra fazer aquilo que a gente já sabe: usar o zap. A mesma pesquisa, divulgada no começo deste ano, relata que mais de 100 milhões de pessoas no Brasil estão fora das redes sociais.

É nelas que todo o barulho digital é feito, é por lá que os embates sobre costumes e política ganham corpo. Em ano eleitoral, quando o voto de um tuiteiro vale o mesmo que o de alguém que ignora o Twitter, vale saber: o que pensam os 100 milhões de desconectados sociais?

No último semestre, os pesquisadores Filipe Techera e Luiza Futuro foram a São Paulo, ao Rio de Janeiro, a Porto Alegre, Salvador, Belém e Cuiabá para conversar com as pessoas que decidiram ficar de fora das redes sociais. Queriam entender suas ideias sobre as próprias plataformas digitais, sobre eleições, captar seus medos e desejos sobre o Brasil. O nome do projeto, ainda inédito e que será lançado em breve: “Todo mundo quem?”

Eles descobriram que, ao contrário do que o senso comum pode indicar, esses brasileiros são bem informados, sociáveis (existe vida fora da internet, vocês deveriam saber) e têm um discurso muito menos polarizado sobre as questões do dia-a-dia. São mais ponderados.

E não são alienados: seus questionamentos estão alinhados com as discussões mais contemporâneas que rolam nas redes, mesmo que não estejam nelas. Eles também reclamam sobre a crise, mas prezam mais pelo seu direito à privacidade e não estão dispostos a passar horas por dia realizando a manutenção digital de suas imagens públicas.

Esses brasileiros vêem o tempo e as relações humanas de modo diverso. A solitude é vista como valor fundamental para o crescimento individual e para a construção da moralidade – eles fazem isso enquanto estamos tretando no Facebook. E dizem que as relações humanas são muito complexas para serem mediadas por o que enxergam como “bidimensionalidade do universo digital”. Ao menos pelo recorte ouvido pelos pesquisadores nessas cidades, políticos com ideias extremas não terão voto. Por isso a briga pelo centro político se acirra entre os candidatos.

Estar desconectado, no entanto, traz certo medo de ficarem à margem das interações sociais e de serem taxados como conservadores, apesar de muitos deles terem posições políticas progressistas. É um Brasil enorme que parece não existir, mas que está lá, à espera de outubro.

Leandro Demori
No The Intercept
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Crise na Argentina é uma antecipação do projeto anti-Lula dos golpistas



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Mesquinhez e crueldade – quando magistrados usam “microfones” como armas na internet


Sempre em qualquer evento, comício, show, assembleia, reunião que fique um microfone aberto, aparecerá alguém para usá-lo, seja criança, ​o ​que não é nada grave​,​ ou adulto​,​ que quase sempre fala tolices e imbecilidades.

A internet é semelhante​:​ é um “microfone” aberto ​no qual sempre há alguém fazendo um “discurso” e/ou arrotando o mau hálito da imbecilidade, idiotice, canalhice, ódio, e, pior, fazem isso sem o menor constrangimento. Quando é um cidadão qualquer que faz isso​,​ não é problema e é relevado, mas quando é um juiz, como é o caso do Dr. (deve ser chamado de doutor?) Afonso Henrique Botelho​,​ a situação é grave.

Sem o menor constrangimento​,​ ele manda dar “uma cusparada no meio da fuça, um chute no abundante traseiro, ou uma bela bolacha na “chocolateira” da senadora Gleisi. Não satisfeito, no mesmo texto manda aplicar uma “cuspida/pontapé nas ancas/tapa nas bochechas…”.

O “microfone” ficou aberto​ e​ ele foi lá e mandou discurso. Minutos depois de ter “dito” o que não devia, engoliu, provavelmente com medo e com o rabo entre as pernas, o “microfone”, ou seja, apagou do Facebook o texto. Já era tarde, muitos tomaram conhecimento e conheceram mais um baluarte da ditadura do Judiciário.

Com o advento da internet​,​ muitos perderam a vergonha de mostrar a própria imbecilidade, ignorância e canalhice. Após o golpe contra Dilma​,​ a situação piorou, pois até algumas autoridades​,​ que deveriam se preservar e preservar a instituição a qual pertencem​,​ se sentiram ​à​ vontade para se ​revelar violentos, fascistas, canalhas, hipócritas e imbecis.

Isso não é de tudo negativo: o golpe nos está​ dando​ a oportunidade de conhecer as autoridades que decidem o nosso futuro e o que é justo ou injusto. Estamos tendo a oportunidade de conhecer quem são os pretensos garantidores da Justiça. De antemão​,​ já podemos decidir que determinad​o tipo de​ ação nas mãos de determinados juízes e desembargadores é melhor nem impetr​ar​: é passar raiva por se sentir injustiçado​,​ e perder dinheiro.

Não tenho conhecimento ​se​ em algum momento da história do Brasil juízes e desembargadores chegaram a um nível tão baixo, tão rasteiro ao ponto de juízes e juízas chegarem a estimular ou a aplaudir a violência e o crime.

A postura contemporânea de alguns juíze(a)s e de​s​embargadore(a)s me traz ​à​ memória a frase do Barão de Itararé. Disse o Barão que “​d​e onde menos se espera é que não sai nada mesmo”.

Depois de ler a publicação do Dr. Afonso Henrique Botelho e de ler a respeito dele em outras publicações, parece-me que a frase caiu como luva. Nada, além disso, se podia esperar.

Não só esse, há muitos outros fatos que demonstram comportamento irresponsável de alguns juíza(e)s e desembargador(a)es, como é o caso da desembargadora Marilia Castro Neves​ (​TJ-RJ​)​, que comemorou o assassinato da vereadora Marielle Franco​ (PSOL​-RJ).

O abuso de autoridade de alguns juízes e juízas e desembargador(e)as chegam a afrontar os direitos fundamentais de qualquer ser humano, como​,​ por exemplo, negar o direito ao atendimento médico. A juíza Carolina Lebbos negou este direito a Lula. A atitude da Drª Lebbos é, além de mesquinha e cruel, um crime contra a humanidade.

A ​j​uíza nega o atendimento médico a Lula sob a alegação ​de ​que “não há indicação de urgência”. Urgência é a “situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras” (Houaiss).

Drª Lebbos, o atendimento médico solicitado a Lula é para o controle de enfermidades (câncer, pressão alta e diabetes)​,​ justamente para evitar a necessidade de um atendimento de urgência. Ao negá-lo​,​ a senhora pode estar contribuindo para o agravamento de uma enfermidade e​,​ consequentemente​,​ pode​ levar a pessoa que necessita do atendimento​ a óbito. Com esta postura​,​ a​ senhora pode estar matando uma pessoa.

Estas posturas citadas acima e posturas semelhantes de outros magistrad(o)as é que levou ao desmerecimento e desrespeito ao poder Judiciário, que chegou ao cúmulo de a prisão de Lula ser festejada com atos violentos de machismo e agressividade dentro de um puteiro, cujas paredes eram enfeitadas com fotos de Sérgio Moro e Cármen Lúcia.

Dr. Rosinha
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 "Melhores momentos" 


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Delegado de delação contra Aécio é ameaçado de morte

De cima para baixo: Marco Aurélio Carone, Nílton Monteiro, Marcos Valério, Willian Santos, Rodrigo Bossi, Rogério Correia, Márcio Nabak, César Matoso e Alexandre Campbell.
Há meses a perspectiva de duas explosivas delações premiadas assombra políticos tucanos e figuras do sistema judiciário e policial de Minas Gerais.

Uma, teve o acordo de colaboração assinado nessa quinta-feira (03/05).

É a do ex-lobista Nílton Antônio Monteiro, delator das listas do Mourão – o mensalão tucano, ou mineiro – e a de Furnas.

O acordo foi entre a Polícia Civil de Minas, representada pelo delegado Rodrigo Bossi de Pinho e Nilton, acompanhado no ato do seu advogado Bruni de César Silva.

A outra delação iminente, cujas oitivas estão em andamento, é a do publicitário Marcos Valério, condenado no mensalão petista e denunciado no mensalão tucano.

Duas bombas atômicas, dizem alguns. Nitroglicerina, comparam outros.

Só que há um porém: o delegado Bossi, chefe do Departamento de Investigações de Fraudes e responsável pela condução das duas delações, foi ameaçado de morte.

4 de abril, final da tarde. A sessão especial da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) está quase acabando.

O evento é transmitido ao vivo pela TV Assembleia.

Entre os componentes da mesa, um velho conhecido dos movimentos sociais do Estado, o advogado Willian Santos. Há sete anos ele preside a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG).

A cerca de cinco minutos do fim, ele pede a palavra:
Eu acabei de receber aqui no whatsapp uma denúncia de um delegado geral de polícia (…).

O delegado, o doutor Rodrigo Bossi – é bom que fique registrado – está sendo ameaçado de morte com a família pelas investigações que ele está conduzindo na delegacia de fraudes.

(…)

Há uma investigação contra ele que foi colocada na Corregedoria da Polícia Civil pelos delegados Márcio Simões Nabak (…) e César Matoso.

São dois delegados da Polícia Civil já conhecidos da gente há muito tempo, que fizeram e aconteceram neste Estado.

Eu já fiz denuncia contra ele, o primeiro [Nabak], na Corregedoria da Polícia Civil, nada aconteceu.

Hoje (…) à frente dela tem um delegado que se chama [Alexandre] Campbell; a função dele lá, não sei por quê, é abafar as coisas.

(…) de certa forma está atrapalhando a investigação desse delegado [Rodrigo Bossi] que me mandou [a mensagem] agora.

Ele [Rodrigo Bossi] ainda me pediu aqui [para dizer] que se alguma coisa acontecer com ele ou com a sua família, ele atribui a isso (…)


Um mês já se passou. A mídia ignorou.

O Viomundo tentou entrevistar Bossi, ele preferiu não se manifestar por enquanto.

Buscamos então o advogado Willian Santos, para ter mais detalhes da denúncia que fez.

“O doutor Rodrigo Bossi é um profissional sério, ético, competente e corajoso”, diz, de saída.

A denúncia, emenda Santos, refere-se à notícia-crime que Bossi encaminhou à Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre as acusações e ameaças dos também delegados Márcio Simões Nabak e César Duarte Matoso.

Há dois anos Bossi e equipe investigam crimes de corrupção nas empresas estatais do Estado.

Os pontos de partida foram a prisão do jornalista Marco Aurélio Carone e as reportagens que publicou no Novo Jornal, sobre os esquemas de corrupção e outros malfeitos nos governos dos tucanos Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antonio Anastasia.

A prisão decorreu de uma ação direta do grupo do senador Aécio Neves no Judiciário e na polícia mineiros, instigados por Andréa Neves, a irmã, e o todo poderoso Danilo de Castro, secretário do governo Antônio Anastasia.

O objetivo era impedir que publicasse denúncias que pudessem atrapalhar a então candidatura de Aécio à Presidência da República.

Carone ficou preso de 20 de janeiro a 4 de novembro de 2014, sendo os três últimos meses incomunicável.

Ou seja, só foi solto após o segundo turno da eleição.

Junto, foi libertado Nilton Monteiro, encarcerado desde 2013, sob a acusação de “falsário” devido às listas do Mourão e a de Furnas, que os tucanos afirmavam serem falsas com base em laudos questionáveis.

“Fui preso e acusado de defender o Nilton Monteiro simplesmente porque eu denunciava o esquema montado na Polícia Civil, no Ministério Público e no Judiciário de Minas para desacreditá-lo e, por tabela, as listas do mensalão tucano e de Furnas, que ele entregou à Polícia Federal, delatando os esquemas envolvidos”, atenta Carone.

“As investigações e perícias posteriores provaram que o Nilton tinha dito a verdade desde o começo”, acrescenta.

Carone ficou sem o NovoJornal, que criou em 2005 na internet e foi fechado no dia da sua prisão.

“A redação foi também literalmente saqueada pela polícia mineira. Computadores, pen-drives, impressoras e documentos apreendidos no ato de prisão SEQUER foram relacionados”, expõe.

Em compensação, foi a partir das investigações do que Carone noticiava que Rodrigo Bossi chegou a Nilton Monteiro e a Marcos Valério, que passaram, então, a revelar os esquemas criminosos de que tinham conhecimento.

“Na notícia-crime, ele fala do caso Nilton Monteiro”, prossegue Santos, enquanto repassa a esta repórter uma cópia do documento de cinco páginas (na íntegra, ao final).

Sobre Nilton Monteiro, Bossi explica logo no começo:
(…) Durante as investigações, chegaram ao nosso conhecimento notícias (…), que dariam conta de um amplo esquema de fraude processual que se utilizou do sistema Judiciário para encobrir as denúncias de corrupção apresentadas pelo delator [Nilton Monteiro] e retirar sua credibilidade.

(…)

Há elementos para crer que esses documentos são verdadeiros e autênticos. Logo, nossas investigações buscam apurar a autenticidade desses documentos muito antes de se chegar à materialidade de crimes de fraude processual ou da autoria destes.

(…) é preciso investigar os fatos para se chegar à materialidade do crime e sua autoria e não o inverso.

A nossa Constituição da República determina que ninguém será considerado culpado senão após trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Por conseguinte, NILTON ANTÔNIO MONTEIRO, em nossas investigações, recebe o tratamento que o Direito Constitucional lhe garante. Ele é nosso informante e como tal vem sendo tratado.
Acontece que, em meados de dezembro de 2017, vazaram do Departamento de Fraudes informações privilegiadas sobre essas investigações.

Entre elas, uma inverídica: a de que Rodrigo Bossi teria pedido a prisão preventiva do delegado Márcio Simões Nabak, que, em 2010, conduziu as investigações envolvendo Nilton Monteiro.

Logo, nos documentos cuja autenticidade é questionada, Nabak é apontado como envolvido.

Porém — como todos sabem –, prisão de delegado sem passar por investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil é algo impossível.

“Embora o delegado Bossi nunca tivesse pedido a prisão preventiva do Nabak, ele e o delegado César Duarte Matoso partiram para o ataque, recorrendo sempre a essa estória falaciosa”, salienta Santos.

Na notícia-crime, Bossi detalha os ataques, que incluem a ameaça de morte:
 (…) quando, em meados de dezembro, informações privilegiadas acerca de nossas investigações vazam, MÁRCIO SIMÕES NABAK, além de seu cumplice CÉSAR DUARTE MATOSO, inicia seu ataque pessoal a esta autoridade policial e às investigações, utilizando-se para tal da Corregedoria Geral de Polícia, do Judiciário, das Associações da categoria, da imprensa, sempre com a mesma falsa alegação, qual seja, de que investigamos autoridades com prerrogativa de foro, e, não satisfeito, ameaça este subscritor [Rodrigo Bossi de Pinho] de morte.
“Nabak e Matoso chegaram ao ponto de representar na Corregedoria-Geral de Polícia contra o delegado Bossi”, atenta Santos.

Em 22 de dezembro — sexta-feira antes do fim de semana do Natal –, Bossi foi chamado para ir à Corregedoria na terça seguinte, dia 26.

Ocorre que, em 20 de dezembro, ao cumprir mandado de busca e apreensão no escritório de Joaquim Engler Filho, ex-advogado de Nilton Monteiro, ele teve uma grande surpresa:
No escritório, localizamos os autos originais de um inquérito policial desaparecido há mais quatro anos.

Na delegacia, JOAQUIM ENGLER FILHO (…) declarou que recebeu os autos das mãos do delegado MÁRCIO SIMÕES NABAK.

Várias outras provas de fraude processual e de patrocínio infiel foram obtidas na diligência de busca e apreensão.

Em continuidade das investigações, apuramos que o referido inquérito policial, na verdade, era uma duplicidade de outro, que apurava os mesmos fatos.

De acordo com ofício do atual delegado chefe do DEOESP [ Departamento de Operações Especiais], esse inquérito também desapareceu.

 (…) os documentos cuja autenticidade é questionada existiam justamente em autos de inquéritos e processos que desapareceram!

Esses documentos apontam o envolvimento justamente de MÁRCIO SIMÕES NABAK e JOAQUIM ENGLER FILHO dentre outros.
Ou seja, tais documentos são a prova do envolvimento de Engler Filho e Nabak no sumiço de inquéritos e processos de Nilton Monteiro.

O fato foi imediatamente comunicado à Corregedoria de Polícia e as provas entregues ao órgão.

A partir daí, as perseguições a Bossi aumentaram, chegando à ameaça de morte, como ele relata à Promotoria de Direitos Humanos do MPMG:
No dia 08 de janeiro de 2018, recebi um contato, via WhatsApp de um colega muito amigo.

O Dr. JOAQUIM FRANCISCO NETO E SILVA, também Delegado Geral de Polícia solicitava um encontro. Convidei-o para almoçar em minha residência.

Lá, à mesa do almoço, em frente de minha esposa SANDRA FAGUNDES FERNANDINO, o colega delegado transmitiu-nos um recado de MÁRCIO SIMÕES NABAK.

De acordo com o Dr. JOAQUIM, o delegado MÁRCIO NABAK também era maçom – este subscritor desligou-se da Maçonaria há poucos anos – e havia procurado pelo Dr. JOAQUIM.

O recado era o seguinte: “O Dr. MÁRCIO NABAK é muito antigo na Polícia Civil e está se sentindo injustiçado. Ele não admite ser injustiçado nesse estágio de sua vida, nem que seja a última coisa que faça na Polícia Civil”!

 Mas o Dr. JOAQUIM não parou por aí. Ele continuou afirmando, em frente à esposa deste delegado, que as pessoas com quem estava lidando eram perigosas, que essas pessoas matavam.
Rodrigo Bossi pede ação rápida da Promotoria de Direitos Humanos, “notadamente da conduta tipificada como coação no curso do processo, praticada pelo dr. Márcio Simões Nabak contra o subscritor”.

A Promotora de Direitos Humanos do MPMG é a doutora Janaína de Andrade Dauro.

A notícia-crime foi-lhe enviada em 3 de abril.

Nela, o delegado avisa que cópias do documento seriam encaminhadas para Corregedoria-Geral da Polícia Civil, Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG e Comissão de Direitos Humanos e Minorias da ALMG.

A doutora Janaína, porém, indeferiu “a instauração de Procedimento Investigatório Criminal”  (na íntegra, ao final).

Entre outras justificativas, ela alega que o recado transmitido pelo também delegado Joaquim Francisco a Bossi e sua esposa, Sandra Fagundes Fernandino, “não se pode considerá-la [a conversa] como verdadeira ameaça”.

Também diz que ” não há indicativos, mesmo  que diminutos, (…) de que a suposta vítima [Rodrigo Bossi] tenha sido alvo de coação por parte do investigado [Márcio Nabak]”.


Diante dessa decisão e das alegações, esta repórter solicitou, via assessoria de comunicação do MPMG, uma entrevista com a promotora.

Ela negou a nossa demanda.

Esta repórter encaminhou-lhe então estas perguntas:

1) Por que a senhora não requisitou a instauração de investigação em relação à notícia-crime do dr. Rodrigo Bossi?

3) O delegado Márcio Nabak tem um histórico de ameaças a advogados. E a leitura cuidadosa de sua decisão dá margem a pensar que a senhora não levou a sério as ameaças denunciadas. Se algo acontecer ao doutor Rodrigo Bossi ou à família dele, como ficará o MPMG?

3) Por que a Promotoria de Direitos Humanos do MPMG não está levando a sério a palavra da vítima e está acreditando na palavra do principal suspeito, o senhor Márcio Nabak?

4) O Departamento de Fraudes está investigando crimes contra os Direitos Humanos.  Por que o MP não adere à delação de Marcos Valério?

Resposta da assessoria de comunicação: “As perguntas foram encaminhadas à dra. Janaína, mas ela não tem interesse em responder”.

“A denúncia do doutor Rodrigo é muito grave, a Corregedoria não pode colocá-la embaixo do tapete, como tem feito”, afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG.

“Vou cobrar da Corregedoria as medidas tomadas. Se não fez nada, prevaricou”, prossegue o advogado, que defende a saída do corregedor.

“Não se pode manchar toda uma instituição importante, como a Polícia Civil, pela conduta inadequada de alguns poucos”, sustenta.

“Ameaçar, perseguir e, principalmente, ‘armar’ é o modus operandi do senhor Márcio Nabak”, afirma o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG).

“O Nabak tinha uma central de grampos e eu fui grampeado pela equipe dele na época em que denunciava a Lista de Furnas”, conta.

“Eles planejaram ainda armar uma ‘javanesa’ contra meu filho”, relembra.

“Javanesa” é plantar droga no carro e culpar o motorista.

Rogério Correia foi à tribuna da ALMG e denunciou tudo.

Nabak processou-o por calúnia e perdeu.

Rogério Correia, tal qual Willian Santos,  considera muito grave a  denúncia do delegado Rodrigo Bossi. “E com provas!”, alerta.

“Agora, é preciso que algum promotor sério tenha a coragem de abrir um inquérito”, desafia. “A herança aecista tem de ser combatida.”

Abaixo, a íntegra da decisão da promotora Janaína de Andrade Dauro, da Promotoria de Direitos Humanos do MPMG


Abaixo, a íntegra da notícia-crime do delegado Rodrigo Rossi de Pinho à Promotoria de Direitos Humanos do MPMG


Conceição Lemes
No Viomundo
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Globo diz que não tem negros em novela “baiana” porque Taís Araújo estava ocupada

Tem até um loiro de dreads na novela.
Criticada nas redes sociais por não escalar negros para uma novela ambientada na Bahia, estado onde, segundo o IBGE, há uma população de quase 80% de pretos e pardos, a Globo resolveu jogar a “culpa” sobre as atrizes negras Taís Araújo e Camila Pitanga. Em nota oficial divulgada pelo jornalista Maurício Stycer, do UOL, a emissora diz: “na época da escalação de Segundo Sol discutiram-se nomes como o de Taís Araújo, que não poderia pois está em Mister Brau, e de Camila Pitanga, que não se sente pronta para voltar às novelas, depois do acidente que causou a morte de Domingos Montagner no final de Velho Chico”. Ou seja, a culpa é do negro por não ter negro na novela.

A Globo, cujo diretor-geral de jornalismo Ali Kamel publicou em livro que “não existe” racismo no Brasil, também prometeu “evoluir”. “Foi colocado que, de fato, ainda temos uma representatividade menor do que gostaríamos e vamos trabalhar para evoluir com essa questão”, disse, sobre reunião do elenco da novela cobrando um posicionamento da emissora noticiada pelo colunista Leo Dias, do jornal O Dia, e a princípio negada pela emissora.
Questionada, a Globo primeiro respondeu que “não pauta suas obras pela cor da pele”. Nem pela realidade, a exemplo do “jornalismo” que pratica
Segundo Sol, que estreia no próximo dia 14 de maio, é estrelada pelos atores brancos Vladimir Brichta, Giovanna Antonelli e Adriana Esteves. Entre os 26 atores da trama, apenas três são negros. Questionada por Stycer em outra postagem, a Globo havia respondido que “não pauta suas obras pela cor da pele”. Nem pela realidade, a exemplo do “jornalismo” que pratica.

Um vídeo da página Salvador sua linda, você está barril está viralizando nas redes ao ironizar a novela escandinava da Globo passada na Bahia. Assista:



No Socialista Morena
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O Bird, a Kroton e os tentáculos privatistas sobre a educação


Duas notícias na área educacional despertaram a atenção — e o alerta — nos últimos dias. Em 18 de abril, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução N° 4/2018, do Senado Federal, que autoriza o governo brasileiro a pegar um empréstimo de US$ 250 milhões com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), para o financiamento parcial do “Projeto de Apoio à Implementação do Novo Ensino Médio”.

Poucos dias depois, em 23 de abril, a Kroton Educacional anunciou a compra do controle da Somos Educação, da Tarpon Gestora de Recursos, por R$ 4,6 bilhões (mais R$ 1,7 bilhão para grupos societários minoritários), a maior transação financeira da história da educação básica no país.

As duas informações podem, a olhos leigos, parecer desconectadas, mas fazem parte de uma mesma ameaça: a privatização desse nível de ensino no Brasil. A autorização para a contratação da operação de crédito com o Bird tinha sido dada pelo Ministério do Planejamento ao Ministério da Educação em julho do ano passado. Na ocasião, o MEC alegou que a maior parte do montante emprestado seria destinado ao Programa para Resultados (PforR), que vincula os repasses do empréstimo ao alcance de resultados, a serem medidos por indicadores que serão acordados entre o ministério e o Bird.

As ações previstas incluem a formação de técnicos educacionais para a adaptação dos currículos e elaboração dos itinerários formativos; o repasse de recursos para reprodução de materiais de apoio e para incentivar a implementação dos novos currículos, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).

Ainda há suporte às secretarias estaduais para a transferência de recursos às escolas para implementação do ensino em tempo integral. O acordo também preveria recursos para capacitação de gestores e técnicos, mediante consultoria especializada oferecida pelo próprio Banco Mundial.

Resumindo, tem-se que, após congelar por 20 anos os investimentos em educação no País, a opção do governo federal foi buscar empréstimos internacionais para pagar seu projeto de privatização do ensino no Brasil, abrindo as portas para a interferência direta do Banco Mundial. Vale lembrar que se trata da mesma instituição financeira internacional segundo a qual os gastos com educação no país são muito elevados, os resultados ineficientes e as soluções seriam precisamente as “parcerias público-privadas” — ou, sem eufemismos, a venda da educação brasileira.

Está-se falando da privatização da escola pública com a total anuência do Estado, que se coloca inteiro a serviço do capital. Enquanto isso, a educação privada, que deveria ser somente uma opção democrática, sem disputar espaço e recursos públicos com a educação pública e gratuita, segue num processo intenso e perverso de mercantilização, financeirização e oligopolização do qual a compra da Somos pela Kroton é o mais recente e escabroso exemplo.

Com ela, a Kroton, que já era a maior empresa do mundo no segmento do ensino superior, consolida-se como líder de mercado também na educação básica. Mais que dona do Sistema Pitágoras, a companhia passa a ser a detentora dos materiais Anglo, pH, Maxi, Motivo, Ser, Geo e Ético, atingindo mais de 1,2 milhão de estudantes. E é justamente nessa fatia — a dos sistemas de ensino, que envolvem a venda de apostilas e serviços de suporte pedagógico às escolas — que está o maior risco de interferência na educação pública, através das “parcerias” com os governos e as escolas.

Nada é à revelia. O relatório do Banco Mundial, no ano passado, defendendo, em outras palavras, a apropriação da educação pelo mercado, e o empréstimo de US$ 250 milhões que esse mesmo banco parece se dispor a dar ao País, embora tenha dito que o problema do ensino brasileiro não é falta de investimentos, trazem, por trás, um mesmo entendimento: para o setor privado, para o capital financeiro, para os grandes interesses internacionais, a educação brasileira é extremamente lucrativa. O fato de que, juntas, Kroton e Somos formam uma companhia com receita líquida anual de R$ 7,5 bilhões e valor de mercado de cerca R$ 29 bilhões, é prova disso. Lucram os empresários, os rentistas, o capital internacional. Sofre a educação brasileira.

Madalena Guasco Peixoto é coordenadora da Secretaria-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
No CartaEducação
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Copa do Mundo: Espanha vai ser campeã e o Brasil vice na Rússia


Espanha vai conquistar a Copa do Mundo da Rússia e o Brasil será o vice-campeão. Quem garante é o Observatório do Futebol CIES, centro de estudo ligado à Fifa, em cima de uma projeção do desempenho dos 23 jogadores, de cada uma das seleções classificadas para a Copa, em seus clubes desde julho de 2017.

Roger Besson, diretor e pesquisador do CIES, explica como é feito o levantamento.

“Nós nos baseamos nos jogadores que disputaram as partidas durante as Eliminatórias da Copa 2018. Nós olhamos se jogam nos clubes e em qual estão atualmente. Com isso, construímos um indicador que nos permite avaliar como estão as seleções envolvidas na competição. Nesse levantamento, o Brasil está indo muito bem para a Copa, em segundo lugar, atrás da Espanha” .

A lesão de Neymar – fratura no pé direito –, segundo Besson ao site globoesporte, prejudicou a Seleção Brasileira na projeção do CIES.

“Claro que levamos em conta a porcentagem de tempo de jogo, e Neymar não joga mais faz um ou dois meses. Obviamente, isso faz baixar porque ele jogava todas as partidas e tinha um tempo enorme de jogo pelo seu clube (PSG) na primeira parte da temporada. E depois ele não jogou mais. Fez uma pequena diferença (para o Brasil), mas não suficiente para ultrapassar a Espanha”.
Veja relatório do CIES:

A edição número 225 do Weekly Weekly do Observatório de Futebol CIES revela os vencedores mais prováveis ​​da Copa do Mundo de acordo com um índice exclusivo de energia. Este índice combina a porcentagem média de partidas disputadas no nível da liga nacional desde julho de 2017 pelos 23 jogadores mais convocados por seleções na campanha das Eliminatórias da Copa 2018 com o nível esportivo médio de clubes patronais. Espanha lidera a lista à frente do Brasil.

Durante a temporada atual, os 23 jogadores espanhóis mais convocados na fase das Eliminatórias jogaram, em média, 81,1% dos jogos da liga nacional. Este é o valor mais alto medido entre todas as equipes participantes. O nível desportivo médio dos clubes que empregam jogadores espanhóis é também o maior geral: 1.37. De acordo com esses critérios, a Espanha está bem posicionada para repetir seu sucesso em 2010. Três outras equipes têm um índice de poder superior a 80: Brasil, França e Alemanha.

No extremo oposto da tabela, o menor índice de potência foi registrado para o Panamá. Duas outras nações têm uma pontuação inferior a 25: Irã e Arábia Saudita. Para todos esses países, chegar aos últimos 16 estágios seria uma grande conquista. Para mais informações sobre os recursos dos jogadores empregados durante as qualificações, consulte a 30.ª edição do Relatório Mensal do Observatório de Futebol CIES.

No Chuteira FC
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Extratos confirmam repasses de doleiro a Temer e Cunha


O operador do MDB Altair Alves Pinto repassou dinheiro para Michel Temer e Eduardo Cunha, segundo extratos de operações fornecidos pelos doleiros Vinícius Claret (o Juca Bala) e Claudio Barbosa (o Tony), em um esquema investigado na Operação 'Câmbio Final'. Lúcio Funaro, doleiro e operador de Michel Temer, apontou Altair como o homem que fazia os repasses para Temer e Cunha. As investigações indicam que os doleiros faziam movimentações milionárias diariamente e que tudo era registrado em planilha. Além de Temer e Cunha, muitos políticos e empresários usavam a rede de doleiros - que atuavam em 52 países - para enviar dinheiro ao exterior.

Na planilha, há 65 movimentações financeiras  ligadas ao nome de Altair, que somam quase 10 milhões de reais. Funaro explicou quem era Altair Alves Pinto e o papel dele no esquema de pagamento de propina do MDB nacional. Os documentos reforçam o depoimento anterior de Funaro: que Altair era um operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do presidente Michel Temer.

“Eu tenho certeza que parte do dinheiro que era repassado, que o Eduardo Cunha capitaneava em todos os esquemas que ele tinha, ele dava um percentual tb pro Michel Temer. eu nunca cheguei a entregar mas o Altair deve ter entregado assim, algumas vezes”, disse Funaro, em depoimento.

“O Altair as vezes comentava. Que tinha que entregar um dinheiro pro Michel, o escritório do Michel é atras do meu escritório, entendeu?”, acrescentou.

No G1
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Ex-sócio de Huck está no esquema dos doleiros!

Ele também é operador do MDB…

No casamento de Rzezinski, em 2010...
(Reprodução: turmadaangelica.blogspot.com.br)
Da fAlha:

Ex-sócio de Huck, empresário é suspeito de operar para MDB

(...) o empresário Roberto Rzezinski (...) foi preso na quinta (3) sob suspeita de ter recorrido ao esquema de Vinicius Claret e Cláudio Barbosa, delatores da Operação Câmbio, Desligo. Segundo o controle de transações da dupla, Robertinho, como é conhecido, e o irmão gêmeo Marcelo trocaram, entre 2011 e 2017, US$ 12 milhões de dólares depositados em contas no exterior por reais em espécie no Brasil.

Cláudio Barboza afirmou em seu depoimento que, ao realizar as operações, Rzezinski ressaltava que as contas em que fazia os pagamentos no exterior deveriam ser “discretas” para não colocar em risco seu cliente. “Em mais de uma oportunidade, Roberto comentou com o colaborador que o seu cliente era do MDB”, diz o depoimento do doleiro.

(...) O pai de Roberto, Jorge, era cliente de Mordko Messer, considerado o primeiro grande doleiro do Brasil. (...) Na adolescência Roberto conheceu Dario Messer, que herdou a fortuna e os clientes do pai e se tornou uma espécie de banqueiro de Claret e Barboza. (...)

Rzezinski enveredou no mercado financeiro. Investiu também na academia Bodytech, com Accioly, e numa empresa de venda online de ingressos, com Luciano Huck. A Empresa Brasileira de Distribuição de Ingressos foi alvo de uma comunicação do Coaf por movimentação suspeita, indicando vários depósitos em espécie em setembro de 2009 com valores abaixo de R$ 50 mil que, somados, totalizaram R$ 500 mil. Suspeita-se que os depósitos fracionados foram feitos para burlar os controles das autoridades.

Ele reencontrou Huck no mundo dos negócios em 2014, quando trabalhou na Joá Investimentos, principal empresa do apresentador. Desligou-se no ano seguinte.

A vida social de Robertinho também era agitada. Velejador, seu casamento com Wanda Grandi, ex-assistente de palco de Huck, reuniu empresário e famosos no Copacabana Palace em 2010. Eles se separaram dois anos depois (...)

No CAf
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Temer “cria” o “desemprego psicológico”


O Brasil tornou-se um país insólito.

O homem que mais fez pelo país está preso, não importa muito a razão, porque a razão da prisão de Lula é, essencialmente, retirá-lo da política, o resto é apenas o que se puder arranjar como convicção.

Em lugar dele, temos um presidente que ultrapassa todos os limites da desfaçatez com a sua “retomada do crescimento” que nos encolhe e a “ponte para o futuro” que vai nos levando para o passado do qual pensávamos ter saído.

Hoje, na Folha, o energúmeno que ocupa o Planalto sai-se com mais um pérola de cinismo: a tese do “desemprego psicológico”. Vejam o que diz:

“Não é o que desemprego aumentou. É que o desempregado, quando a economia começa a melhorar, ele, que estava desalentado, portanto, não procurava emprego, ele se transforma em um alentado. Ele vai procurar emprego. Como não há emprego para todos ainda, ele não consegue o emprego e isso entra na margem do cálculo do IBGE.”
“Aumentou o número daqueles que procuram empregos. E aqueles procuram empregos, alentados que se acham, aumentam porque a economia está melhorando.”

Então, chegam à conclusão de que os mais de 30 mil que penaram sob o sol no Engenhão, no Rio, em busca de um emprego qualquer que fosse, eram “alentados”, felizes com a recuperação econômica, não infelizes que só viraram desempregados porque estão procurando emprego.

Será que os 5,3 mil que os Correios, a caminho da privatização, pretendem demitir, ao fechar 513 agências, também serão “alentados felizes”?

Somos um país entregue, não apenas na política, aos cínicos e desumanos: imprensa, juízes e políticos que se dedicam, diuturnamente, a destruir o Brasil.

Não é à toa que o cientista Miguel Nicolelis, uma das melhores cabeças brasileiras, diz que não conhece “nenhum outro país que seja tão fácil arregimentar pessoas nativas desse país para destruir a viabilidade do próprio país”.

E, para isso, tão dedicados a enjaular o que é a esperança visível de que possamos salvar nossa pátria.

Fernando Brito
No Tijolaço
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STJ manda prender “ex-editor” de Veja


O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro determinou nesta sexta (4) a prisão do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para início de cumprimento de pena de oito anos em regime fechado, a que ele foi condenado pelo crime de fraude em licitação.

A condenação está relacionada com o caso que foi investigado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, em 2004, que apurou o uso de casas de bingo para lavagem de dinheiro. Na época, o então assessor da Casa Civil da Presidência da República Waldomiro Diniz foi exonerado do cargo após divulgação de uma fita de vídeo em que aparecia pedindo propina a Cachoeira.

Segundo a Polícia Federal, naquele período, Cachoeira fazia “ponta” de editor e “pauteiro” na revista Veja. O bicheiro usava Veja para coagir e fazer chantagem e Veja se associava ao criminoso para obter “furos” jornalísticos por meio de grampos telefônicos, dentre outras arapongagens.

Em 2016, Cachoeira e Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia, foram presos por corrupção e lavagem de R$ 370 milhões em operação que se desdobrou da “Monte Claro”, resultando na cassação de Demóstenes Torres.

Relembre caso Cachoeira/Veja no Domingo Espetacular (TV Record):



No CAf
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Brasileiro que lutou com independentistas é detido por nacionalistas ucranianos (vídeo)


O brasileiro Rafael Marques Lusvarghi, de 33 anos, foi alvo da ira de nacionalistas ucranianos nesta sexta-feira. Ele foi capturado, agredido e levado até as autoridades após ter sido condenado por crimes contra a Ucrânia.

Um vídeo mostra o momento em que integrantes do grupo nacionalista ucraniano Batalhão Azov retiram Lusvarghi de um mosteiro, nos arredores de Kiev, e o levam pelas ruas gritando palavras de ordem. Nas imagens, é possível ver o brasileiro levando um tapa no rosto.



Após a captura, Lusvarghi foi levado até a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), de acordo com informações da Agência EFE. Os nacionalistas ucranianos defendem que o brasileiro seja trocado por soldados do país que estariam em custódia por milicianos independentistas, no leste da Ucrânia.

Lusvarghi combateu entre setembro de 2014 e novembro de 2015 nas fileiras do Exército da República Popular de Donetsk, em ações nas quais teria combatido contra soldados ucranianos. O brasileiro foi preso em Kiev em outubro de 2016.

Em janeiro de 2017, Lusvarghi foi condenado a 13 anos de prisão por atos de terrorismo contra o Estado ucraniano. Contudo, ele estava em liberdade em 2016 por possíveis ilegalidades no processo.

Enquanto esteve preso, o brasileiro denunciou estar sendo maltratado pelas autoridades da Ucrânia, o que foi negado na época pela embaixada da Ucrânia em Brasília, em contato com a Sputnik Brasil.

Em junho de 2014, Lusvarghi ficou preso por 45 dias após participar de um protesto em São Paulo contra a Copa do Mundo no Brasil.

Ele foi absolvido em 2015 da acusação de formação de quadrilha. Perícia constatou que não eram explosivos.

No Sputnik
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O aniversariante de hoje


O aniversariante de hoje continua incrivelmente atual, na flor de seus 200 anos. Não acertou várias de suas previsões, é bem verdade. Afinal, ele foi um pensador, não um vidente. Também não escapou de ser um homem de sua época, com sua fé no desenvolvimento científico, às vezes caindo até num certo determinismo. Mas ninguém foi tão preciso, tão certeiro, na compreensão e na interpretação da sociedade capitalista. Muita coisa mudou de sua época para cá. Escrevi um esboço deste texto dentro de um avião, num tablet - aposto que ele iria curtir tanto um quanto o outro. Mas o domínio da forma mercadoria estrutura o nosso mundo ainda mais do que estruturava o dele. Exploração, alienação e fetichismo são o nosso dia a dia. Nossa história é movida pela luta entre os que dominam e os que são dominados. O que ele descreveu em suas obras, ensinando-nos a ir além das aparências para apreender o significado mais profundo dos fenômenos sociais, permanece presente, e por isso lê-las continua sendo essencial para entender o mundo. E também, como ele disse num aforismo famoso, para tentar transformá-lo.

O futuro com que ele sonhou (ou, para usar uma palavra que ele rejeitaria, a utopia que ele abraçou) parece inalcançável. Creio que poucos apostariam hoje na abolição do Estado, na superação definitiva de qualquer escassez, na harmonia perfeita entre indivíduo e coletividade. Mas os valores que organizam seu projeto - fim da exploração, ampliação da autonomia de todos e de cada um, humanização das relações sociais - continuam no centro de qualquer projeto emancipatório.

Marx foi a referência central de minha formação intelectual. Outras influências vieram depois, mas ele nunca deixou de estar presente. Em especial, sempre permaneceu como o ideal, inalcançável, de combinação entre rigor teórico, clareza de expressão, riqueza de estilo e erudição. A cada página de seus textos - na ironia feroz que dirige a seus adversários, nas referências literárias que encaixa sem nenhum artificialismo para ilustrar o que diz, na montanha de dados que incorpora a seus argumentos, na precisão cirúrgica com que vira de avesso o senso comum, na indignação que atravessa seu olhar sobre as iniquidades do mundo - se revela a paixão que dedicou a seu trabalho.

Há um aspecto da obra de Marx que é talvez o mais difícil de ser assumido hoje: sua confiança no futuro da humanidade, na capacidade de ação dos oprimidos. Creio que não devemos abandonar esse aspecto, por mais que nossas circunstâncias pareçam desoladoras. Não por algum determinismo, por uma visão teleológica qualquer de que “caminhamos” necessariamente para uma sociedade melhor. Mas por entender que o mundo social nunca “é”, sempre está se fazendo. As contradições da sociedade estão presentes, ativas; o trabalho de construção da passividade nunca está concluído e não é invulnerável. O sentimento de impossibilidade de transformação é também um produto da ideologia, ao qual devemos resistir.

Quem sabe, no terceiro centenário, comemoraremos a agudeza de seu diagnóstico sobre uma sociedade já morta.

Luís Felipe Miguel
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