1 de mai de 2018

Ingleses mostraram como se combate o fascismo


Oswald Mosley gostava de usar sempre ternos e roupas em tons escuros. Com cabelos sempre muito bem aparados, Mosley reproduzia uma ideia de austeridade, que se chocava com sua posição na sociedade inglesa. Sir Oswald Mosley era de um estrato social abastado, mas dirigia seus discursos contra a "corrupção" que "assolava" a Inglaterra nos anos 30, notadamente contra os mais pobres. A corrupção denunciada por Mosley não se restringia às denúncias no meio político, era uma corrupção da "pátria", corrupção "humana" ao qual ele definia como "maior problema da Inglaterra".

No dia 04 de outubro de 1936, ele reuniu cerca de 10 mil correligionários da BUF e marchou COM O APOIO DA POLÍCIA evocando o "fim da corrupção", "uma pátria inglesa para ingleses", a expulsão de migrantes e a "restauração da Inglaterra" contra "tudo o que está aí".

Gritando "No pasarán" (em espanhol mesmo), cerca de 300 mil pessoas, entre imigrantes irlandeses católicos, judeus, trabalhadores portuários, membros dos partidos trabalhista e comunista, mulheres e crianças, avançaram furiosamente contra Mosley e seus policiais provocando um massacre que se chamou "Cable Street Battle".

Foi assim, que a civilizada e moderna Inglaterra conseguiu vencer o fascismo na década de 30 e manter-se como único país europeu a combater Hitler, do início ao fim.

Veja, não foi defendendo a "não violência" e acusando os resistentes de "vândalos". Não foi "dando espaço e liberdade de expressão" aos fascistas nem aceitando a ordem de Estado, ali simbolizada pela polícia que apoiava Mosley.

BUF significa British Union of Fascists, mas poderia significar Movimento Brasil Livre. Eles usavam camisas negras, mas poderiam estar usando verde e amarelo. Mosley tinha se casado na Alemanha, com Hitler indo à cerimônia e lhe dando presentes, mas poderia ter sido uma premiação de uma revista ou uma empresa de televisão. Mosley era "Sir" mas poderia ser um juiz qualquer a ser endeusado combatente da "corrupção" e "defensor do país".

Cable Street Battle deveria ser conhecida da "esquerda" que hoje prega "respeito" aos movimentos fascistas no Brasil. A civilizada Inglaterra soube como manter-se a salvo, deveríamos com ela aprender.


Fernando Horta
No Esquerda Caviar
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O ataque sistemático ao PT não lhe tira a popularidade e o protagonismo político

Mal cai a ficha da tal “opinião pública”, tornando-se evidente que o juiz de piso Sergio Moro não é lá essa Brastemp toda que diz ser e que Lula foi vítima de atuação grotescamente seletiva e partidária duma “kangoroo justice”, que os estamentos do judiciário instrumentalizados pelo golpe – polícia, ministério público e a magistratura – se apressam em promover novo ataque de linchamento midiático de Lula e o PT.

A nova invectiva vem em movimento de pinça sincronizado: enquanto a turma de Curitiba acelera a negociação da deduragem extorsiva (chamam-na de “delação premiada” também) de Palocci, a Procuradoria Geral da República se utiliza das viciadas e recortadas estórias contadas por diretores da Odebrecht para denunciar, além de Lula, também a senadora e presidenta do PT Gleisi Hoffmann e outros personagens daquilo que seria uma peita gigantesca no valor de dezenas de milhões de reais.

A dinâmica é sempre a mesma, funciona como uma troca de figurinhas para montar o álbum dos sonhos dos acusadores. Trocam liberdade ou penas irrisórias para empresários de comprovada má reputação no mercado por acusações contra personalidades-alvo.

Não é qualquer informação sobre presumíveis crimes que interessa, mas somente aquelas que preenchem as lacunas do álbum dos investigadores amadores: “dê-me a figurinha 140 que o livro solto!” Não são as figurinhas 139 e nem 138 que prestam. Somente a 140. É assim que se completa o enredo previamente desenhado pelos jovens e bem-pagos burocratas do ministério público.

Que isso não tem nada a ver com a busca da verdade real ou verdade provada parece aos poucos claro para toda a sociedade, ou, pelo menos, para sua parte com maior discernimento. Estamos diante de um esforço corporativo de consolidar o ilegítimo protagonismo político de quem não tem voto, mas apenas tortas convicções e projetos pessoais. Enquanto isso, o país sangra, com suas instituições em frangalhos, desacreditadas e sua constituição transformada em pasquim.

A segurança jurídica já não existe e o desfecho de julgamentos depende apenas de quem é escolhido para ser o relator ou julgador ou, até , por vezes, da cara do freguês, das partes do processo. A lei – que lei? – passou a ser uma metamorfose ambulante, mudando de conteúdo de conformidade com o objetivo político – ou será politiqueiro? – dos atores estatais.

No meio dessa verdadeira saturnália jurídica, em que tudo que já valeu não vale mais, é, no entanto, incrível que o PT e Lula, os alvos preferidos da agressão judicial-corporativa, permanecem inabalados na preferência coletiva. Lula é de longe o candidato com maiores chances de ganhar as próximas eleições, enquanto a popularidade do PT é nove vezes maior que a do segundo partido avaliado. Isso em plena tempestade.

Ao invés de deixar que o eleitor julgue os políticos, a ensandecida burocracia acusatória prefere impedir a eleição plena e justa. Lula voltar a ser presidente é para esses mauricinhos e essas patricinhas concursadas o fim do mundo, pois permitiria a sociedade se reencontrar e colocar cada qual em seu lugar – o ministério público e a magistratura como agentes da legitimidade derivada da lei aprovada pela soberania popular e não como árbitros da legitimidade originária dos que têm voto.

Mas esquecem-se esses abastados consumidores da elite do serviço público que a história continua. Mesmo que batam e esmurrem Lula e o PT, não vão conseguir fazer desaparecer a luta de classes que é sua força e sua vocação. Os miseráveis relegados ao esquecimento e à lixeira social pelo golpismo são a maioria e sabem perfeitamente quem se preocupa com seu destino e quem não se preocupa.

Não adianta insistir na quimera do combate à corrupção, porque hoje têm consciência de que o golpe apoiado na persecução da esquerda partidária e dos movimentos sociais só promoveu desemprego, perda de direitos e desqualificação global do Brasil.

Lula e o PT são forças invencíveis na sociedade porque se pautam na realidade do processo histórico. Podem sacrificá-los, podem fingir que não existem, mas não lograrão anular o sonho da grande maioria das brasileiras e dos brasileiros de uma sociedade inclusiva, de uma democracia para todas e todos e de um país altivo e respeitado no concerto das nações. Durmam com essa!

Eugênio Aragão
No DCM
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Filho de Bolsonaro espalha Fake News nas redes sobre prédio que desabou em SP


Eduardo Bolsonaro, filho do pré-candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, está espalhando fake news via redes sociais tentando responsabilizar o PSOL e o MTST, acusando-os de terem invadido o prédio que desabou no centro de São Paulo. Como se sabe, quem cuidava das ocupações era a frente LMD (Luta por Moradia Digna). Com isso, tenta-se criminalizar os moradores, tirando a responsabilidade do estado. Guilherme Boulos divulgou vídeo em que acusa Eduardo Bolsonaro de espalhar fake news e disse “que é lamentável que o deputado federal Eduardo Bolsonaro esteja espalhando fake news, culpando o MTST que nem organizava aquela ocupação e os sem teto pelo ocorrido. O senhor Eduardo Bolsonaro vai responder por isso na justiça. Querer fazer jogo político em cima da tragédia é algo que nós não vamos aceitar”.








Gabriel Dias
No Cafezinho
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Defesa de Lula rebate denúncia da PGR


A ausência de qualquer materialidade e a repetição de imputações descabidas ao ex-Presidente Lula se sobressaem na denúncia apresentada ontem (30/04) pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros. Sobre essa nova investida do MPF contra Lula é preciso esclarecer ainda que:

1- A denúncia não procura esconder que mais uma vez Lula foi denunciado por ato legítimo praticado no cargo de Presidente da República — no caso a assinatura de Protocolo de Entendimento entre Brasil e Angola em 23/06/2010, com o objetivo de fortalecer os laços entre esses países e, ainda auxiliar o fortalecimento da recente democracia instaurada no país africano;

2 - A denúncia não aponta – porque não existe – qualquer fato que possa indicar que Lula assinou o citado protocolo de entendimentos com Angola objetivando promover interesses escusos da Odebrecht ou de qualquer outra empresa ou empresário. Alguns membros do MPF, da menor e da maior hierarquia, simplesmente buscam criminalizar todo e qualquer ato de governo praticado por Lula mediante a aplicação da teoria do domínio do fato sem a presença dos elementos de responsabilidade necessários para essa finalidade, violando as bases do Estado de Direito e da própria democracia;

3- A aplicação da teoria do domínio do fato como pretende o MPF permite responsabilizar qualquer governante apenas por ter ocupado o cargo, o que é inaceitável e incompatível com a jurisprudência do STF;

4- A denúncia foi baseada no Inquérito 4.342, que tramitou perante o STF, no qual Lula jamais foi chamado ou teve a oportunidade de prestar qualquer esclarecimento;

5- A denúncia está baseada exclusivamente nas delações premiadas de Marcelo Odebrecht e de Emílio Odebrecht e em uma planilha no formato Excel que foi apresentada pelo primeiro fora dos padrões dos sistemas utilizados pela contabilidade formal ou informal daquele grupo empresarial e que não poderá ser comparada com os dados do sistema MyWebDay (contabilidade paralela da Odebrecht) — diante do fato de a Polícia Federal haver constatado a impossibilidade de abri-lo;

6- O STF tem firme o entendimento de que delação premiada não tem o condão de provar qualquer fato e tampouco pode ser utilizada para fundamentar uma denúncia;

7- A denúncia também ignora pedido de investigação sobre os mesmos fatos que havia sido veiculado originariamente pela PGR na PET. 6.738 e que atualmente tramita na Justiça Federal de Brasília após acolhimento de recurso (agravo regimental) interposto pela defesa do ex-Presidente — que reverteu decisão proferida pelo ministro Edson Fachin, que havia determinado a remessa do caderno investigatório para a 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba;

8- O MPF, portanto, reforça a prática de abrir inúmeros processos e procedimentos investigatórios contra Lula sobre os mesmos fatos e sem qualquer materialidade, tratando-o como inimigo que precisa ser derrotado a qualquer custo, inclusive pela impossibilidade de se defender;

9- A pedido do MPF, a 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba bloqueou todos os bens e recursos de Lula, impedindo que ele possa se defender nesses processos e procedimentos, fazendo letra morta das garantias  constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CF/88, art. 5º, LV), com a consequente nulidade de todos os atos;

10- A denúncia reforça que Lula é vítima de “lawfare”, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política;

11- Lula jamais solicitou ou recebeu vantagem indevida da Odebrecht ou de qualquer outra empresa ou empresário, tampouco interferiu na abertura de linhas de crédito do BNDES que pressupõe a intervenção e a existência de decisões colegiadas de diversos profissionais qualificados, além da observância de regras pré-estabelecidas;

12- Espera-se, diante de todos esses relevantes fatos que acompanham a denúncia, que ela seja sumariamente rejeitada pelo STF, a fim de preservar a ordem constitucional e o Estado de Direito.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins
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Sem-teto expulsaram o presidente ladrão

Temer fora!
Aproximadamente às 10:00, o presidente ladrão Michel Temer fez uma rápida passagem na região do desabamento no centro de São Paulo. Segundo ele, como estava em São Paulo, "não poderia deixar de vir ao local".

Ao sair do carro oficial para conversar com jornalistas, foi expulso do local pelos moradores da ocupação.

O carro com Temer partiu às 10:03.



No CAf



Será que alguém, depois da cena de hoje no centro de São Paulo, vai querer ser o candidato que “vai preservar o legado” de Michel Temer?

Como José Sarney, apedrejado no Centro do Rio em 1988, 30 anos depois, Temer, ao sair corrido da visita aos escombros do prédio incendiado no Centro paulistanto vai completando a mórbida semelhança com José Sarney, que ascendeu ao poder para ser o antípoda das esperanças despertadas na redemocratização.

Como o seu “mestre”, o usurpador destes tempos está fadado a ser apenas um saco de pancadas nas eleições.

Quem lhe carregava o fardo – Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves – foi reduzido a candidato “nanico”, malgrado todas as máquinas partidárias de que dispunham.

Em meio ao drama das famílias miseráveis que perderam até mesmo os farrapos que tinham a presença de alguém que virtualmente paralisou a construção de moradias para os mais pobres – o Governo Temer contratou, ano passado, apenas apenas 23 mil na faixa 1, que atende famílias com renda mensal de até R$ 1.800, não podia dar em outra coisa.




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"Fora Temer" é motivo de processo

Quem não gostou do discurso do procurador?


Do Jota:

Procurador de Justiça diz ‘Fora, Temer’ e vira alvo de processo no CNMP

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou um processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar irregularidades em um discurso do procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto, do Ministério Público do Paraná (...) Segundo o CNMP, o procurador pode ter incorrido em uma infração disciplinar com previsão no artigo 155, inciso I, da Lei Orgânica do MPPR. A punição para o caso seria a de advertência. (...)

O episódio ocorreu em fevereiro deste ano, na IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Paraná. Na ocasião, ele ressalvou que “talvez o Ministério Público não devesse estar falando isso, mas ‘Fora, Temer'”

(...) Com 41 anos de carreira no MPPR, Sotto Maior já foi procurador-geral paranaense em quatro ocasiões. Trabalhou na elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), defendendo o texto no Congresso. Atualmente, coordena o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos. Ele coordenou a Comissão Estadual da Verdade, que investigou violações aos direitos humanos ocorridas no Estado do Paraná no período da ditadura militar. (...)



No CAf
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O PT precisa definir um vice


Em artigo anterior se afirmou que o PT se encontra numa encruzilhada, com três estradas, e que cada uma delas implica altos riscos. Quais sejam: 1) marchar com a candidatura Lula até o fim; 2) escolher outro candidato; 3) participar de uma frente de esquerda, ocupando a posição de vice na chapa. Afirmou-se ainda que as circunstâncias da condenação e da prisão de Lula implicam que o partido caminhe com ele até o fim, jogando para os ombros das elites e do Judiciário o custo de interditar a candidatura do líder mais popular do Brasil.

A estratégia de marchar com Lula, correta pelo que ele representa, correta pelo dever da lealdade, correta pelo sacrifício injustificado a que Lula está submetido por um Judiciário golpista, correta porque é preciso assumir uma política de enfrentamento contra elites predatórias e contra a marcha fascistizante no país, precisa, contudo, de um complemento. Trata-se de definir um vice na chapa de Lula para que a própria estratégia ganhe consistência e potência, para que saia de um terreno meramente defensivo e evite o definhamento do capital eleitoral de Lula, pois o seu capital político só tende a crescer.

É preciso notar que há uma diferença entre o capital político e o capital eleitoral. A força mítica de Lula se fortalece à medida em que ele sofre na cadeia, na medida em que ele está desterrado do convívio humano, na medida em que seu cárcere é pior do que os cárceres da ditadura e se parece com os calabouços dos martírios medievais ou com as celas dos campos de concentração dos regimes totalitários. Quanto mais Sérgio Moro assume a face de um juiz injusto, impiedoso, cruel, nazista e desumano, mais o sacrifício de Lula vai se tornando força e energia vivificantes de lutas e esperança de transformações.

A força mítica de um líder, contudo, pode permanecer latente por anos, por décadas, por séculos. Fica como uma brasa ardente sob as cinzas dos tempos históricos, cativos das tragédias e da impotência dos povos. Fica ardendo de forma latente até que um outro líder, um partido, um movimento a transforme novamente em chama viva, capaz de acender a imaginação, as mentes e as paixões orientadas para os combates criativos, transformadores da realidade injusta.

O problema do PT é precisamente este: como transformar a energia e a potência mítica de Lula em chama, em força viva, em movimento transformador. Um acampamento de solidariedade é importante, mas é insuficiente. Um eloquente e unificado 1º de Maio em Curitiba é simbólico, mas não pode se esgotar em si mesmo. Cartas, solidariedade das mais diversas personalidades, partidos e movimentos são reconfortantes, mas tudo isto precisa transformar-se em movimento de rua e em força organizada, principalmente quando a covardia neofascista desencadeia ofensiva crescente de violência política.

A força mítica do líder não é ativada por ele mesmo quando se encontra preso. Seja no caso em que se encontra preso, seja no caso de quando partiu para o além, a força mítica do líder só se torna energia e movimento se for ativada pelos seus herdeiros, pelos seus partidários, pelos seus seguidores e devotos. O PT não vem se mostrando capaz de ativar a potência de Lula. Em que pese o crescimento do apoio e da solidariedade a Lula, não está ocorrendo uma convulsão nas ruas cogitada por dirigentes petistas. Não se vêem barricadas, e os prédios dos poderes públicos não estão sitiados por manifestantes. A calma da resignação e da derrota contrasta com a estridência das declarações e das proclamações. Não dá para ficar no "só Lula isso..., só Lula aquilo", enquanto Lula permanece preso sem perspectiva de sair e sem que haja força para libertá-lo. É preciso agir e construir essa força. A coragem precisa ser real, não pode ser pueril, bravateira.

Há um paradoxo em tudo isso. Desde 2016, com a instalação do governo golpista, o humor da sociedade vem mudando. O golpismo, o conservadorismo e o governo perdem espaços na opinião pública e uma opinião simpática às teses progressistas vem crescendo. Isto tudo contrasta com as sucessivas derrotas do PT e da esquerda no plano institucional, particularmente no plano das decisões judiciárias. A estratégia do PT errou ao acreditar em demasia nos meandros judiciais e advocatícios, não cuidando de organizar  e mobilizar as bases sociais.

Por que um vice

A campanha eleitoral, a rigor, já está em andamento. Guilherme Boulos, Manuela e Ciro Gomes, corretamente, vão ocupando espaços políticos e eleitorais disponíveis, buscando consolidar suas candidaturas e angariar votos. Os candidatos de centro e direita também se movimentam. Com seu candidato na condição de prisioneiro político, o PT está paralisado eleitoralmente. E na medida em que Lula é prisioneiro, boa parte do seu eleitorado, naturalmente, busca alternativas porque, no seu cálculo realista, não acredita na possibilidade da candidatura Lula. Esta busca de alternativas não expressa uma erosão do capital político de Lula e nem uma deslealdade do eleitorado. Ela se define pelo caráter pragmático do eleitor. Em suma: a força mítica não pode ser mística. Ela incorpora a fé, mas precisa ser realista.

Quanto menos o PT ocupar o espaço eleitoral, mais crescerá a discrepância entre o capital político e o capital eleitoral de Lula. Até mesmo candidatos da direita e de centro tendem a capturar parcelas de eleitores de Lula, como mostram as pesquisas. Esta sangria, o PT tem a responsabilidade de estancar. E a forma de estancá-la consiste na definição de um vice para que ele se movimente nos espaços eleitorais existentes, defendendo Lula, defendendo um programa para o país e defendendo propostas orientadas para as necessidades do povo. Este candidato a vice, na ausência de Lula, tem que fazer-se Lula junto ao povo.

Todos sabem que a força do PT sempre esteve aquém da força de Lula. Sem Lula comandando um processo eleitoral, a erosão do PT tende a ser maior. Haverá uma despotencialização das candidaturas a deputado, governador e senador se não for apresentada uma estratégia que indique perspectiva de poder. Aliás, é incompreensível que o PT e os demais partidos de esquerda não tenham estratégias fortes para a disputa nos legislativos - instâncias de poder e de decisão fundamentais para a disputa de hegemonia e de viabilização de políticas progressistas. Por exemplo: no caso do PT, líderes como Tarso Genro, Olívio Dutra, Jacques Wagner, entre tantos outros, deveriam disputar cadeiras na Câmara dos Deputados neste momento angustiante para o povo brasileiro, neste momento em que há a necessidade e o dever de barrar o crescimento do conservadorismo e do neofascismo.

A necessária e urgente definição de um vice não deveria significar o fechamento do PT para o fortalecimento de relações e para possíveis negociações eleitorais com partidos progressistas e de esquerda. Neste momento há um dever  que se sobrepõe aos interesses individuais e partidários: barrar a direita e fortalecer o campo progressista. Nesta conjuntura difícil e imprevisível, os dirigentes partidários e o próprio Lula, na sua solidão, devem ser iluminados pela sabedoria e pela prudência. Lutar pela liberdade de Lula, defender a democracia enfrentando os neofascistas e propor programas e propostas para tornar o Brasil mais justo, igualitário, livre e desenvolvido são as finalidades comuns dos progressistas e das esquerdas. É preciso virtude moral e competência operacional para manejar os meios e os métodos necessários para obter êxito nos fins.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
No GGN
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Os que sempre estimularam o ódio político


Em editorial publicado no último domingo (29), o jornal Estado de São Paulo de alguma maneira volta aos tempos em que dava sustentação ao regime dos generais que controlou o país durante 21 anos.

Traz uma análise do atentado a tiros contra o acampamento de apoiadores de Lula em Curitiba onde o jornal sustenta que a origem dos disparos seria, na verdade, o próprio PT – que, nas suas palavras, estimulara o confronto político durante 30 anos.

É demais. Mesmo para Estadão.

Eu só posso me perguntar como é possível que um veículo que apoiou dois golpes presidenciais em sua relativa breve existência, que silenciou sobre sequestros de militantes, torturas sistemáticas e que sempre deu guarida a políticos do ramo mais podre da institucionalidade, como Aécio Neves, insinuar que o PT é que sempre foi intolerante, enquanto seus aliados seriam pacíficos democratas.

Ora, o PT nasceu das lutas da esquerda contra a ditadura que Estadão apoiou, e não o contrário.

Sejamos sinceros sobre quem efetivamente lutou para que não houvesse democracia e qualquer forma de tolerância política no Brasil. Nós sabemos que nas páginas de Estado de São Paulo não são publicadas opiniões contrárias à linha editorial que as empresas anunciantes simpatizam. E que não há espaço para contraditório nem equilíbrio no tom crítico.

Recentemente, numa espécie de déjà vu, nós vimos Estadão apoiar manifestações verde-amarelo protagonizadas por grupos ultraconservadores, anti-esquerdistas e até favoráveis à outra intervenção militar.

Apoiou também o processo de impeachment que logrou sacar da presidência da República a vencedora da última eleição, ainda que sem apresentar um crime que ela tenha cometido, ao custo de uma radicalização da política que teve como principal fenômeno para sociedade a ascensão do conservadorismo fascista que ameaça as instituições democráticas. A verdade é que o jornal se comprometeu com uma linha radical que chamou a atenção do mundo sobre uma guinada autoritária, e que seus donos têm problemas em reconhecer-se assim, preferindo divulgar, por exemplo, que o sucesso do deputado fascista nas pesquisas para presidente é culpa de “mau humor dos eleitores” ou até mesmo das redes sociais. Isentem-se como parte fundamental no processo de aderência popular ao conservadorismo intolerante. E não poderiam fazer isso.

Nos últimos meses houve ataques a sedes de partidos de esquerda, que foram vandalizadas e até alvos bombas. Ao mesmo tempo, o partido campeão de denunciados pela Operação Lava-Jato, o PP, conseguiu costurar nos bastidores do Congresso para atrair novos parlamentares e se tornar a segunda maior bancada partidária. Se essa contradição existe, em parte deve-se, sim, a uma cobertura de imprensa que criminaliza seletivamente a esquerda e blinda de conteúdo negativo políticos que se comprometem com uma agenda de favorecimento aos empresários.

A diminuição drástica de prefeituras comandadas por partidos de esquerda na última eleição municipal foi apoiada por Estadão como se o compromisso do veículo de imprensa fosse com uma militância partidária, e não com a cobertura isenta dos fatos, e o resultado a ser notado é um début à cena nacional de fundamentalistas religiosos, demagogos da segurança pública e latifundiários simpatizantes do trabalho análogo à escravidão. Não há no Brasil grupos mais intolerantes que estes.

As redes sociais estão tomadas de robôs e os principais comentários nas caixas de interação dos principais jornais são, normalmente, de perfis falsos e com conteúdo ultradireitista. Quem paga por este aparato é que deve se juntar a Estadão para explicar o clima de intolerância que estamos vivendo.

Devemos identificar com nitidez os que sempre estimularam o ódio político.

Márcio Anastácio
No Jornalistas Livres
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Nota de solidariedade aos moradores do Edifício Wilton Paes


O Partido dos Trabalhadores manifesta sua plena solidariedade com os moradores do Edifício Wilton Paes de Almeida, da ocupação do movimento MSLM, que desabou após um incêndio nessa madrugada.

Estamos consternados com a confirmação de pelo menos uma pessoa morta e de que há pessoas desaparecidas. Nossos pensamentos estão todos com os familiares e amigos.

Na cidade mais rica do País, milhares de homens e mulheres lutam pelo direito sagrado e constitucional à moradia digna. Saibam que a luta e a perseverança de vocês são exemplo para os que sonham com um país em que todos tenham direitos plenos.

Repudiamos as tentativas de culpar os próprios moradores e o movimento pela tragédia. Ocupações como essa são fruto da mais perversa lógica de especulação imobiliária que conhecemos: milhares de residências desocupadas e milhares de brasileiros sem a mínima condição de ter moradia digna.

Gleisi Hoffmann, senadora e presidenta do PT
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Swissleaks: PF investiga contas secretas de brasileiros na Suíça


Depois do escândalo do HSBC e da lista de algumas celebridades brasileiras com conta na Suíça ter vazado para a imprensa, a Polícia Federal decidiu aprofundar a investigação de 660 brasileiros suspeitos de manterem contas ou investimentos secretos no HSBC da Suíça. No grupo estão empresários de diversos setores da economia, sobretudo da construção civil, da indústria e da área financeira.

Os crimes são de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A lista inclui 13 ex-funcionários do HSBC no Brasil investigados por de terem atuado na abertura das contas secretas e prática de crimes financeiros.

A PF identificou 9.325 clientes da instituição financeira com nacionalidade brasileira e verificou que eles mantiveram US$ 15,2 bilhões no HSBC Private Bank Genebra à época dos fatos investigados, entre 2006 e 2007. A conversão em reais resulta em R$ 53,4 bilhões.

“O envolvimento de brasileiros no caso Swissleaks foi revelado por uma série de reportagens do Globo em parceria com o jornalista Fernando Rodrigues em março de 2015. Os dados secretos do HSBC da Suíça foram vazados por um ex-funcionário do banco, Hervé Falciani, para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), que compartilhou as informações com diversos veículos de comunicação pelo mundo.

A PF conseguiu acesso oficialmente ao banco de dados do HSBC da Suíça em julho de 2015 por meio de cooperação internacional com autoridades francesas. A partir daquele momento, os investigadores brasileiros começaram a montar um banco de dados para tratar a imensa quantidade de informações recebida — 183 tabelas com 40 gigabytes de memória abrangendo dados de clientes de todas as nacionalidades. Os peritos da PF criaram um sistema informatizado para acessar o material e passaram um ano tratando esses dados. Após identificarem os brasileiros, passaram a obter informações da Receita Federal e do Banco Central para complementar a investigação. A apuração é comandada pelo delegado Tomás de Almeida Vianna, da Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros e à Lavagem de Dinheiro da PF em Brasília.”
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Senadores que votaram contra os trabalhadores


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E quando os fascistas que dão tiros em acampamentos encontrarem suas vítimas armadas?


O ataque ao acampamento pró Lula em Curitiba deixou dois feridos, o sindicalista Jefferson Lima de Menezes e a advogada Márcia Koakoski.

Segundo Márcia, os agressores gritavam “Bolsonaro presidente!”

Um sujeito apareceu numa câmera abrindo fogo na direção dos acampados.

Há um mês, tiros foram disparados contra a caravana de Lula em Monte Alegre do Sul.

Há uma escalada de violência e ela parte da extrema direita. Jair Bolsonaro conta com isso.

No final de março, diante de 2 mil seguidores, vários deles fardados e maquinados, o deputado fez sua apologia do armamento de fogo.

“Na próxima vez quero ver duzentas pessoas armadas aqui dentro”, discursou ele, ovacionado, em um restaurante tradicional da capital paranaense.

“A arma, mais que a defesa da vida, é a garantia da nossa liberdade”, falou ao lado do filho Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), do deputado Fernando Francischini (PSL-PR) e de Alexandre Frota, seu futuro ministro da Cultura.

No evento, cujo ingresso custava 45 reais, JB ganhou de presente um boneco com sua imagem, com faixa presidencial e fuzil nas mãozinhas.

“Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles”, emendou o valentão Eduardo.

As bravatas ocorreram dois dias após o atentado contra o ônibus da comitiva de Lula.

Bolso e seu exército de desmiolados vêm pregando o armamento da população há anos.

O atirador de Curitiba estava fazendo que está no seu script. Olhou ao redor, viu aqueles esquerdopatas e chegou à conclusão lógica.

O que o lobby armamentista não leva em conta é que, se seu plano der certo, esquerdistas também poderão comprar uma pistola ou quiçá um AR 15.

Nos EUA, um grupo chamado Redneck Revolt adquiriu um arsenal para lidar com fascistas.

“Ninguém toca nos neo-nazistas”, contou “George”, um dos líderes, ao Independent.

“Porque têm medo ou pensam que um supremacista branco talvez não tenha tido pais legais e só precise de um abraço. E esse não é o caso”.

Uma hora os milicianos da direita vão acabar encontrando pela frente um pessoal com a disposição de George.

Esse dia pode estar mais próximo do que você imagina.

Kiko Nogueira
No DCM
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Os dias decisivos do governo Dilma


2012 marcou o fim das grandes apostas de Dilma Roussef. Como efeito da estratégia de superação da crise, no período 2008-2010, os bancos públicos assumiram um protagonismo inédito. Numa ponta, o Banco Central apostava na redução da Selic; na outra, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, e BNDES forçavam a uma baixa inédita no spread bancário.

Teve início um movimento de migração da renda fixa para a renda variável. Só na Funcef, a queda na Selic liberou R$ 50 bilhões que, à falta de títulos para serem rolados, iria necessariamente para os novos fundos de infraestrutura.

Em 2013, as pressões já tinham dobrado a candidata a dama de ferro. Pouco antes, houve uma reversão no processo de queda da Selic, pegando no contrapé os que tinham acreditado na promessa anterior, de taxas de juros internacionais. A Fazenda havia identificado pressão de demanda em alguns eletrodomésticos e as cotações globais pressionaram preços de alimentos. Em junho aconteceram as grandes passeatas refletindo o clima de mal-estar na economia.

Entrou-se em 2014  com dados objetivos de que as desonerações de folha, distribuídas com evidente exagero a dezenas de setores, não haviam produzido aumento de investimento pretendido. Não foi dinheiro jogado fora. Permitiu alguma redução da enorme alavancagem das empresas não financeiras, no período anterior, e a manutenção dos níveis de emprego. De qualquer modo, Dilma estava perdendo o grande álibi que lhe garantiu uma folga política nos dois primeiros anos de mandato, que era uma economia em crescimento.

A perda de fôlego da economia deixou a presidente com uma hipersensibilidade para as críticas. Duas, em particular, produziram respostas rápidas, e nem sempre adequadas.

A primeira, as críticas contra contra a expansão dos bancos públicos, obrigando os bancos privados a reduzir os spreads.

Em janeiro de 2014 Dilma Roussef foi a Davos tentando tranquilizar o chamado mercado. Sua mensagem foi: fiquem tranquilos que bancos púbicos não vão concorrer com vocês. Foi um momento apenas para superar a crise. O discurso foi bem recebido e Dilma tratada como estrela do encontro, ofuscando até o recém-eleito presidente do México, Enrique Peña Nieto.

Foi seu último momento de brilho.

A guerra contra os bancos públicos já era enorme, e, no Palácio, sentiu-se o aumento da pressão quando o Banco Itaú passou a se valer de Marina no discurso público.

A segunda crítica foi do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, contra os preços da energia, nas vésperas da renovação de algumas outorgas relevantes.

Dilma decidiu da sua grande tacada no setor elétrico. Montou um modelo pelo qual as concessões seriam relicenciadas sem a chamada outorga onerosa, isto é, sem pagar pela nova outorga. As usinas já estavam depreciadas e não havia a necessidade de fundos de reversão – destinados a ressarcir os investimentos iniciais – e outras contas que encareciam as tarifas. Estas passariam a refletir apenas os custos operacionais.

Ao mesmo tempo, tentou antecipar outorgas relevantes, em mãos de companhias estaduais, especialmente da Cemig, de Minas, da CESP, de São Paulo, e da Copel, do Paraná. Esbarrou em uma disputa pesada, em parte por motivos políticos (os três estados dominados pela oposição); em parte pelo valor oferecido.

E, aí, criou-se a tempestade perfeita, com uma série de eventos totalmente fora de controle do governo.

O primeiro deles foi a seca do nordeste, a maior em décadas, que arrebentou com a tentativa de reduzir as tarifas de energia elétrica.

O mercado é composto por energia contratada e mercado livre. A energia contratada é fornecida pelos geradores às distribuidoras em contratos de longo prazo. Quando ocorre algum problema na oferta, as distribuidoras são obrigadas a buscar o que faltou no mercado à vista.

A seca derrubou a oferta de energia. Com o impasse com o governo federal, as três concessionárias saíram do mercado de energia contratada. Houve uma notável redução na oferta de energia contratada, obrigando as distribuidoras a irem para o mercado livre – cujas cotações explodiram.

Ao mesmo tempo, a queda no nível de água dos reservatórios obrigou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a acionar todas as eletrotérmicas, mesmo aquelas de baixíssima eficiência, aumentando a conta do setor. Repassar os custos para as tarifas de energia significaria aumentar o custo de produção e tirar a comida da meda do mais pobre. E o Tesouro foi bancando esses subsídios. Criou-se uma conta pesada no setor elétrico, ao mesmo tempo em que a seca obrigou a desembolsos de R$ 5 a R$ 6 bilhões para enfrentar as questões sociais.

Em relação à isenção da folha, houve exagero nos subsídios, mas não foi dinheiro jogado fora. Ajudou a preservar emprego e reduzir o nível de endividamento das empresas.

Os problemas ganharam uma nova dinâmica em meados de 2014, com os primeiros sinais do fim do grande ciclo de commodities que ajudou a sustentar a economia na década anterior.

O ano abriu com petróleo a US$ 110,00 o barril; bateu nos US$ 140,00. Mas, em agosto, havia despencado para US$ 45,00. O mesmo ocorreu com as cotações de commodities, afetando setores chaves para o crescimento.

Todos esses elementos, seca e commodities, estavam fora do controle do governo federal.

No final de agosto, estava claro para Dilma e Mercadante que, passadas as eleições, seria inevitável um choque de arrumação.

Em 2011 tinha havido um ajuste fiscal rigoroso, mas com todas as variáveis sob controle. Agora, era um jogo sem controle de todas as variáveis.

Foram dois meses de debates internos pesadíssimos, sobre como sair da armadilha com o mínimo possível de perdas. Foi o período em que, terminadas as eleições, Dilma se entocou. Nessas discussões, definiram-se as peças chaves, intocáveis, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e outras prioridades.

Para completar a tempestade perfeito, entrou o fator Petrobras. O pré-sal já andava a pleno vapor. O país fechou 2014 com a produção do pré-sal respondendo por 25% da produção nacional. Em 2013 e 2014 ela havia sido fundamental para garantir os investimentos internos, trazendo consigo a cadeia do petróleo-gás-estaleiros. Quando despencaram os preços do petróleo, a Petrobras precisou desacelerar o ritmo de investimento.

As discussões maiores eram sobre quem receberia a incumbência de promover o ajuste rigoroso. Acabaram se fixando no nome de Joaquim Levy. Sua ideia inicial era um pacote ainda mais recessivo do que o que foi anunciado. Levy levou propostas pesada de corte nos investimentos públicos.

Dilma reagiu:

— Estamos no meio de um choque monetário e você quer um choque fiscal? Assim vamos parar o Brasil.

Antes de terminar o ano, houve a estreia de Levy, um desastre inicial como prenúncio dos desastres posteriores. Mesmo com pleno emprego havia o crescimento do seguro desemprego. Sem conhecimento maior da economia real, Levy supôs que estivesse ocorrendo uma fraude gigantesca.

Na verdade, tratava-se da rotatividade normal na economia brasileira, especialmente na construção civil, que vinha comandando o crescimento. Os especialistas avisaram, depois, que a construção civil abria o ano com um estoque de trabalhadores e terminava com outro contingente, mostrando rotatividade total.

Em dezembro, entre Natal e Ano Novo, Levy anunciou a revisão do seguro desemprego. Foi o cartão de visita da nova gestão, provocando o primeiro grande impacto negativo.

Até então, Dilma achava que, passado o terceiro turno, do julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) conduzido por Gilmar Mendes, o Judiciário daria uma folga.

Mas quando declarou que não havia nenhuma possibilidade de apoiar Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, abriu a caixa de Pandora. O então vice-presidente Michael Temer chegou a propor a Dilma ficar neutra. Mas ela e Mercadante decidiram partir para o confronto.

Não tinham noção de que Cunha já comandava uma bancada de 200 deputados do baixo clero, cuja campanha ele ajudara a financiar.

O embate final se deu quando Dilma ousou apresentar uma nova lei dos portos.

Foram mais de 20 reuniões para o marco portuário. No Congresso, Cunha havia apresentado uma emenda que abria caminho para a lambança. Embora todo mundo soubesse das ligações históricas do PMDB, especialmente de Temer, com o porto de Santos, não tinham ideia da sua dimensão. Temer não pargava do pé de Adams, diretor da Advocacia Geral da União (AGU), buscando uma portaria que permitisse ao grupo Libra se candidatar à renovação da concessão sem quitar seus débitos fiscais.

Mas o lance final, que precipitou o golpe, foi quando Aécio e o PSDB aderiram a Cunha. Este pretendia manter o governo sob rédea curta; os tucanos  apostavam no golpe, acreditando que Temer se apoiaria neles para a nova gestão.

Nos meses seguintes, o Congresso foi paralisado com as pautas-bombas do PMDB. A Globo se pôs a campo, conclamando a população para as grandes passeatas, e  o STF piscou.

A partir daí, o caminho estava aberto para a tomada do poder pela mais deletéria organização criminosa gerada pela política brasileira. Com a luxuosa contribuição da Lava Jato.

Luís Nassif
No GGN
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Nova denúncia contra Lula é reação da PGR a seu descrédito


A denúncia apresentada agora há pouco pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra o ex-presidente Lula (e também contra a Senadora Gleisi Hoffmann, o ex-ministro Paulo Bernardo, Antonio Palocci e Leonardo Dall’agnol, chefe de Gabinete de Gleisi) é coisa das mais curiosas.

Seria o caso de uma “propina hibernante”, que teria sido produzida a partir de financiamentos do BNDES a obras da Odebrecht em Angola, no ano de 2010, que teria sido operacionalizada quatro anos depois, em 2014, em benefício de campanha da senadora paranaense.

Mas a história vai mais longe: seria a ampliação de uma linha de crédito existente há décadas para Angola, país com o qual cooperávamos desde 1974, ainda no Governo Geisel, quando o Brasil passou a ter uma postura ativa nos países africanos descolonizados por Portugal, no contexto da Revolução dos Cravos.

O empréstimo tinha garantias em  recusos de petróleo, do qual Angola é um dos grandes exportadores mundiais.

É, até agora, algo sem pé nem cabeça, apenas recheio da delação premiada de Marcelo Odebrecht.

Como as delações de Palocci e a anunciada colaboração do ex-diretor Renato Duque, parecem fazer parte de um esquema de reação do “lavajatismo” à situação de perda de credibilidade que tiveram com a prisão de Lula.

Não há o menor vestígio material de que estes valores tenham sido recebidos.

Muito menos há  lógica em que vantagens supostamente obtidas num ano eleitoral sejam “congeladas” para serem usadas quatro anos depois.

Mas há muito sentido em que, diante do questionamento generalizado sobre o que se está fazendo com Lula, a manipulação de acusações se intensifique, na base, pode ser que não haja “nada no Guarujá, mas em Angola, ah, lá tem”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Abert apoia intimidação em acampamento pró-Lula


A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou uma nota para condenar o que chamou de “intimidação” de um repórter que cobria o acampamento pró-Lula, em Curitiba.

A nota acusa o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas Júnior.

“A Abert repudia toda e qualquer tentativa de impedir que profissionais da comunicação exerçam seu trabalho de informar a sociedade”, diz trecho da nota”

Confira a íntegra:


De fato, o presidente do sindicato dos jornalistas gaúcho recomendou a um repórter do SBT que não ficasse próximo do acampamento porque o clima estava muito tenso por lá.

Vamos assistir.



O que a nota da Abert não leva em consideração, porém, é isso que você assistirá a seguir, via reportagem de rede de televisão estrangeira sobre o atentado de que foi alvo o local em que o repórter engomadinho do SBT queria filma.

Se isso não for um bom motivo para o clima estar tenso no acampamento pró Lula, atacado também por milícias neonazistas com pedradas e insultos e ameaças o tempo todo, o que será um bom motivo?

Detalhe: a Abert não emitiu nota alguma condenando os ataques a tiros ao acampamento Marisa Letícia, em defesa da democracia, contra a violência política, mas quer respeito e tolerância aos seus funcionários conquanto estejam a seu serviço.

Após o expediente, seguramente quer que se lasquem.

Eduardo Guimarães
No Cidadania
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Nota: PGR tenta atingir o PT ao formalizar denúncias sem provas

“A denúncia irresponsável da PGR vem no momento em que o ex-presidente Lula, mesmo preso ilegalmente, lidera todas as pesquisas”


Mais uma vez a Procuradoria Geral da República, de maneira irresponsável, formaliza denúncias sem provas a partir de delações negociadas com criminosos em troca de benefícios penais e financeiros.

Além de falsas, as acusações são incongruentes, pois pretendem ligar decisões de 2010 a uma campanha eleitoral da senadora Gleisi Hoffmann ocorrida quatro anos depois. Mais uma vez o Ministério Público tenta criminalizar ações de governo citando fatos sem conexão e de forma a atingir o PT e seus dirigentes.

A denúncia irresponsável da PGR vem no momento em que o ex-presidente Lula, mesmo preso ilegalmente, lidera todas as pesquisas para ser eleito o próximo presidente pela vontade do povo brasileiro.

Junto com nossa Presidenta, continuamos na defesa da verdade, da justiça, da paz e da democracia.

Viva o 1º de maio! Lula Livre!

Curitiba, 30 de abril de 2018

Comissão Executiva Nacional do PT
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Milhares de pessoas se reúnem para dar bom dia ao presidente Lula

Milhares de pessoas se reúnem na Vigília Lula Livre nesse Primeiro de Maio para dar bom dia ao presidente Lula. #LulaLivre

Fotos: Ricardo Stuckert





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Lava Jato tenta conter crescimento de Gleisi no cenario político


Com Gleisi se destacando internacionalmente como porta-voz do ex-presidente Lula, Lava-jato produz uma outra denúncia contra o PT.

Mais um factoide em forma de denúncia para alimentar a imprensa golpista contra a esquerda brasileira acaba de ser anunciada às vésperas das manifestações de primeiro de maio – que tende a ser o maior da história do país.

No mesmo dia em que O Globo ataca o PT, o Ministério Público Federal, com base apenas em depoimentos da Odebrecht, não perde tempo e apresenta mais uma denúncia contra Lula, Gleisi, Palocci e Paulo Bernardo. Os crimes, segundo o MP, seriam de lavagem de dinheiro e corrupção passiva – as mesmas que levaram Lula para o cumprimento de sua prisão política em Curitiba e visam acelerar a homologação da colaboração premiada de Palocci.

Como prática da república de Curitiba, mesmo depoimentos extrajudiciais são utilizados como prova, segundo informa a própria procuradoria: “Há, ainda, confissões extrajudiciais e comprovação de fraude na prestação de informações à Justiça Eleitoral”.

Com o objetivo de que Lula torne-se preso político perpétuo, a PGR ainda solicita “a condenação do ex-presidente Lula, dos ex-ministros e do chefe de gabinete por corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal) e de Marcelo Odebrecht, por corrupção ativa (artigo 333 do Código Penal)”.

Caberá agora ao ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidir se aceita ou não a denúncia de Raquel Dodge.

As informações divulgadas pela PGR estão disponíveis neste link.

Gabriel Dias
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Incêndio derruba ocupação de sem-teto em SP

120 famílias moravam em prédio de 22 andares
Incêndio de grandes proporções atinge prédio no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo

Prédio desaba durante incêndio no centro de SP; há desaparecidos



Um prédio de 22 andares desabou durante um incêndio de grandes proporções no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 1º. Um edifício vizinho também pegou fogo nos três primeiros andares, mas não corre risco de colapso. A Igreja Evangélica Luterana, que fica ao lado do prédio em chamas, também pegou fogo e parte da estrutura desabou.

Segundo as últimas informações do Corpo de Bombeiros, três pessoas estão desaparecidas. (...) Os bombeiros agora trabalham na extinção dos focos de incêndio. Todos os prédios do entorno foram evacuados. A corporação também busca por vítimas sob os escombros.

(...) Ao menos 120 famílias viviam irregularmente no imóvel que desabou, informou o Corpo de Bombeiros.


Créditos: Victor Hinckel/G1


O momento do colapso do edifício (Reprodução: Rede Globo)


Destroços após o desabamento (Reprodução: Bombeiros/SP)


Bombeiros trabalham nos escombros (Créditos: Leonardo Benessato/Reuters)

Em tempo: o imóvel pertencia ao Governo Federal e, segundo moradores, estava abandonado há mais de dez anos.

No CAf
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A origem e o significado do 1º de Maio

“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores.

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 - maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Os oito mártires de Chicago

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento - o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe - foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).

A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

Altamiro Borges
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