29 de abr de 2018

Tiros em Curitiba têm as digitais da Lava Jato, da mídia e das viúvas do DOI-Codi


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Marcelo Rubens Paiva: enquanto acampamento leva tiros, um psicopata defende porte de arma


O escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva repercutiu os tiros contra o Acampamento Marisa Letícia, que aconteceu na madrugada deste sábado (28) em Curitiba (PR), ferindo duas pessoas. 

"Bala em líderes ambientalistas, em indígenas, na vereadora negra, na comitiva do Lula, no acampamento... Enquanto do outro lado um psicopata defende mandar bala, homenageia torturador e faz lobby de armar a população. Passou do limite", escreveu Paiva no Twitter.

Ao falar em psicopata, o escritor fez referência ao presidenciável do PSL, deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), que defende porte de arma e pena de morte e, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016, fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro militar reconhecido pela Justiça brasileira como torturador na ditadura.
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Terrorismo contra acampamento – Globo e Folha ocultam o nome de Bolsonaro


A Globo e a Folha, diante da enorme repercussão de mais um atentado a tiros contra Lula e seus apoiadores, fizeram matérias sobre as ameaças relatadas pela advogada Márcia Koakoski, ferida no atentado. Tanto a Globo quanto a Folha, contudo, numa estratégia que parece ter sido combinada, de tão semelhante, limparam os fatos de qualquer referência ao nome de Bolsonaro.

É exatamente este silenciamento criminoso quando o assunto é informar corretamente o público, esse corte à ponta de faca dos fatos para se encaixarem nos interesses da mídia, que aduba o solo em que cresce o terrorismo da direita fascista. É o incentivo e o combustível que os leva a ousadias cada vez maiores. Ou seja, é a cobertura e a proteção oferecidas para novas façanhas.

O relato da advogada Marcia Koakoski da Silveira, testemunha dos acontecimentos e ferida por um dos tiros, contém a seguinte passagem (Ver o vídeo abaixo): “Quando fui ao banheiro, é que começou o confronto entre os vigilantes e os bandidos vestidos de Bolsonaro. Eles gritavam o tempo todo ‘Bolsonaro, presidente'”,

As versões do mesmo fato na Folha e em O Globo censuram essa passagem, deixando apenas a parte do relato que não faz qualquer referência ao nome do Bolsonaro. Nas duas reportagens, nenhuma menção, direta ou indireta, é feita ao nome de Jair Bolsonaro.


“— Estávamos dormindo e, por volta das duas horas, ouvimos uns gritos dados pelo vigias. Eles não têm arma e gritam para espantar as pessoas que fazem ameaças. Havia pessoas gritando ameaças, que iam voltar e matar aquelas pessoas. Foi uma situação delicada. As pessoas se levantaram, todos assustados. Aí os ânimos foram se acalmando, porque várias vezes, o tempo inteiro na realidade, o acampamento foi objeto de ofensas, as pessoas passam gritando — contou a advogada, que ficou ferida sem gravidade no ombro, atingida por estilhaços de um banheiro químico que foi alvo tiros.”


“Segundo Koakoski, por volta de 2h da madrugada, os acampados ouviram gritos de ameaça e fogos foram usados pelos vigias do local para espantar o grupo de pessoas de fora.

​‘Um grupo gritando ameaças, dizendo que iam voltar e iam matar aquelas pessoas. Foi uma situação delicada, as pessoas levantaram, ficamos todos assustados. Os ânimos foram se acalmando porque várias vezes, o tempo inteiro na realidade, o acampamento foi objeto de ofensas’, afirma.”

Certamente esse procedimento comum, adotado pela Folha e pela Globo,  já prevê que, em breve, essas matérias serão anexadas aos autos como documentação dos fatos. Exatamente como  Moro usou matérias da Globo para estabelecer fatos relativos ao triplex que ele atribui a Lula, estas matérias que acabamos de citar podem ser usadas no “inquérito” sobre o atentado. E nelas, como se vê, nenhuma menção é feita ao grupo que mais constantemente, tanto durante a caravana quanto agora no acampamento, faz ameaças e violências contra Lula e seus apoiadores.  A Globo e a Folha tramam a divisão completa do país e, se possível, uma banho de sangue contra os defensores da democracia no Brasil.



Bajonas Teixeira
No Cafezinho
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Assassinos do reitor da UFSC


Há anos não compro nenhuma publicação da Editora Abril. Hoje, fiz uma exceção, por causa da reportagem de capa da Veja, sobre o inquérito na UFSC que levou à morte do reitor Luiz Carlos Cancellier.

Para resumir a história: com base em indícios frágeis de desvio de um valor indeterminado de dinheiro, a polícia montou uma operação de guerra, invadiu a universidade, prendeu e humilhou o reitor. O relatório a que a revista teve acesso é a tentativa de justificar tudo isso depois do suicídio de sua vítima. O que fazem: não agregam nenhum novo indício aos anteriores, ignoram solenemente as respostas que Cau deu às denúncias e montam um libelo acusatório com base (é citação literal) em "comenta-se que".

Os 80 milhões de desvio anunciados inicialmente pela PF evaporam e o que se tem de "concreto" são depósitos que somam sete mil reais - sim, mil, não milhões - na conta do filho do Cau e que ele não saberia explicar. Deve ser isso: no país em que o presidente troca benefícios bilionários a empreiteiras por um apartamento furreca, um reitor deve se corromper por sete dinheiros. (Há dezenas de explicações mais plausíveis, para os depósitos na conta de um jovem que na época era estudante e recebia ajuda financeira do pai, do que a formação de uma "orcrim", mas a polícia não investiga e não quer saber.)

Cau foi morto pelo ódio dessa gente à universidade e por seu gosto pelo autoritarismo e pela truculência. Os criminosos são o corregedor Rodolfo Hickel do Prado, a delegada Érika Marena e a juíza Janaína Cassol Machado. Num país onde houvesse justiça, estariam agora sob investigação. Infelizmente, não estamos neste país, estamos no Brasil.

Luis Felipe Miguel
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No 'Conflito de Competência', Moro leva a pior


O juiz singular Sergio Moro resolveu que a decisão de conceder Habeas Corpus ao empresário português Raul Schmidt pelo TRF-1 não valia para a Lava Jato. O juiz de piso disse que a competência para o tema era só dele. E desautorizou a decisão do juiz federal Leão Aparecido Alves, da 1ª Região.

Foi quando o presidente da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Ney Bello, resolveu a questão, colocando as coisas em perspectiva. Quando se negou a cumprir uma liminar em Habeas Corpus, substituindo a 'normalidade' pelo 'equívoco das pretensões individuais', o juiz singular Sergio Moro estaria dando sinal verde para que a sociedade fizesse a mesma coisa, entendeu o desembargador Bello sobre o ato de Moro.

Bello tratou da recusa de Moro a cumprir Habeas Corpus do juiz do TRF-1, que suspendeu a extradição. Moro declarou, em papel timbrado, que já que a decisão foi tomada por membros do TRF-1 e ele é lotado no TRF-4, a corte não tem jurisdição sobre suas decisões. E foi com este argumento, manteve a ordem de extradição do empresário. Bello retrucou dizendo que 'é inimaginável, num Estado Democrático de Direito, que a Polícia Federal e o Ministério Público sejam instados por um juiz ao descumprimento de decisão de um tribunal, sob o pálido argumento de sua própria autoridade'.

O juiz federal Leão Alves, ao conceder a liminar, entendeu que a condição de português nato do empresário impede que o Brasil peça sua extradição de Portugal. E que levar a cabo faria com que o Brasil violasse o princípio da reciprocidade, já que o país não extradita seus nacionais, conforme prevê o artigo 5º, inciso LI, da Constituição.

Bello opinou que o juiz que relata o HC entendeu que atos administrativos a respeito da extradição, da Polícia Federal e do Ministério da Justiça em Brasília, seriam da sua jurisdição. Alves já se dirigiu formalmente ao Superior Tribuna de Justiça perguntando quem é competente para decidir sobre o caso. Quando dois ou mais juízes se entendem competentes para decidirem sobre o mesmo caso, assim é feito um procedimento denominado Conflito de Competência, que é julgado, como foi o da extradição, pelo STJ. 'Não é minimamente razoável que um dos juízes arvore-se por competente e decida por si só, sem aguardar a decisão da Corte Superior', disse Bello.

Os advogados do empresário, Diogo Malan e Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), a liminar é bem fundamentada e 'juridicamente irrepreensível'. 'Trata-se decisão de TRF-1, portanto hierarquicamente superior à 13ª Vara Federal, que não tem competência para revogá-la e muito menos para determinar o seu descumprimento', disseram. Seu cliente, Raul Schmidt, teve a prisão decretada pelo juiz singular Sergio Moro, no âmbito da Lava Jato, e é alvo em duas ações penais.


No GGN
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Anta Amélia: “senadora que tenta aparecer como esteio da moralidade apoiou Aécio”


Deputado Paulo Pimenta falou sobre a senadora que veio com a ideia louca de que Gleisi Hoffmann teria mandado um recado a terroristas numa entrevista a Al Jazeera. No Twitter:

Senadora que hoje tenta aparecer como esteio da moralidade apoiou de maneira incondicional Aécio Neves, assim como recebeu todo o suporte do Mineirinho.


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Ensinamentos de Andrea Camilleri para frear o fascismo à brasileira


Andrea Camilleri (1925-) é um consagrado escritor e roteirista siciliano. Tornou-se popular também fora da Itália pelos romances policiais cujo protagonista é o Comissário Salvo Montalbano. Na simplicidade da prosa do autor, o Comissário cativa o leitor por ser um dos raros personagens verossímeis da ficção policial. Montalbano vai ao banheiro, assiste à TV de cueca, sente medo, leva bronca da namorada e volta e meia reincide no pecado da gula. As obras de Camilleri com aventuras de Montalbano, das quais destaco “O Cão de Terracota” e “A Lua de Papel”, originaram uma série televisiva da RAI no final dos anos 1990.

Em 2009, quando Silvio Berlusconi era o primeiro-ministro italiano, Camilleri publicou um longo artigo na Limes – Revista Italiana de Geopolítica, intitulado “Cos’è un italiano” (“O que é um italiano” em tradução livre). Ainda hoje muitos empacam no estereótipo raso do italiano “brava gente”. Há nove anos Camilleri mergulhou fundo em questões históricas e socioculturais polêmicas que pudessem explicar a identidade dos cidadãos italianos que levaram Berlusconi ao poder. O texto se divide em três partes, acessíveis em italiano aqui, aqui e aqui. Pode ser lido com ajuda do tradutor do Google.

Na primeira parte, Camilleri aborda a influência dos dialetos e da diversidade cultural das regiões italianas no processo de unificação do país. Fala da ascensão e do declínio do fascismo. Segundo ele, “se Mussolini não tivesse firmado o pacto de aço com Hitler, obrigando-se a entrar no conflito [mundial], teria morrido de velhice na cama”. O escritor opina que “o fascismo é uma fênix que não necessita se reduzir a cinzas para renascer”. Para ele, “sessenta e quatro anos de democracia” não tinham sido suficientes “para depurar o sangue dos italianos em que ainda vivem células infectadas [pelo fascismo], capazes de se transformar a qualquer hora num vírus perigoso”.

Na segunda parte, o escritor critica os italianos pela memória curta. “Se o inferno fosse a memória, o italiano andaria no paraíso”. Cita vários ditos populares sicilianos sobre juízes e a justiça. Dentre eles, “A lei para os amigos se interpreta, para todos os outros se aplica” (“La legge per gli amici s’interpreta, per tutti gli altri s’applica.”). Camilleri vai direto na veia: “a desconfiança na justiça é total, baseando-se na convicção difusa de que ela seria um instrumento dos ricos (que não caem nunca nas suas malhas) usado contra os pobres. Uma justiça de classe” (“La sfiducia nella giustizia è totale, basandosi sulla convinzione diffusa che essa sia uno strumento dei ricchi (che non incappano mai nelle sue maglie) usato contro i poveri. Una giustizia di classe.). A desconfiança no sistema judiciário seria um dos únicos pontos de consenso entre os italianos do norte e do sul no entendimento do escritor. Camilleri também pontua o que hoje todos sabemos: foi nas cinzas da República Italiana, após a devastação provocada pela Operação Mãos Limpas, que o homem de negócios milanês Silvio Berlusconi saltou para a vida política.

Na parte final, Camilleri se debruça sobre o berlusconismo e os meios de comunicação na Itália. Afirma: “O berlusconismo trouxe à luz certos comportamentos latentes no italiano, os quais antes eram impedidos de aflorarem por um mínimo de respeito às regras da vida civilizada”. O então mandatário do país controlava as três maiores redes privadas de TV, jornais e a principal editora italiana, a Mondadori. Tinha a comunicação de massa nas mãos.

A conclusão ácida de Andrea Camilleri é que o ideal de vida do cidadão italiano na era Berlusconi devia ser o motorino. Quase toda motoneta (motorino) infringia repetidamente as regras de trânsito em meio ao tráfego carregado nos horários de pico nas grandes cidades italianas. Os agentes de trânsito faziam vista grossa. Em outras palavras: com o triunfo do individualismo competitivo, o importante era chegar primeiro, fosse como fosse, mesmo nas barbas dos agentes da lei e da ordem.

Qualquer semelhança entre o texto publicado em 2009 e a realidade da Itália pós-eleições de 2018 e do Brasil pós-Lava Jato não é mera coincidência. Nos dois países, onde as cinzas do fascismo parecem nunca ter esfriado totalmente, a direita foi reconduzida ao poder. Magnatas da comunicação continuam dando as cartas. Informalmente, a Lei de Gérson, que determina levar vantagem em tudo, permanece em vigor. Há numerosos eleitores brasileiros inclinados a chutarem o pau da barraca em outubro próximo. 

Como bem escreveu uma comentarista do GGN há poucas semanas, aos olhos do mundo descemos ao gênero da pornocracia. Logo, não seria inimaginável que Oscar Maroni, proprietário do Bahamas Hotel Club, fosse catapultado de homem de negócios paulista a presidente eleito de todos os brasileiros. Só não se sabe qual objeto erótico traduziria melhor o ideal de vida dos nossos compatriotas num hipotético maronismo.

A realidade é surpreendente. É sempre capaz de superar qualquer obra de ficção noir. Serve aos brasileiros, portanto, a sábia advertência de Camilleri em entrevista a EL PAÍS Brasil em 2014: “O povo que se resigna está acabado”.

Aracy Balbani
No GGN
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GregNews com Gregório Duvivier | Prisões


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A sociedade dos fascistas de bem


Tem muita gente com certeza a respeito da própria bondade e bom caráter, que acredita que estamos em uma democracia. Para muitos, enquanto não houver OBan e DOPS, não há ditadura. Um juízo generoso sobre essas crenças depende da atribuição de ignorância e ou de uma certa complacência quanto às próprias certezas sobre si mesmos. Está claro que os fascistas são ignorantes. 

Fascismo é isto: uma grande ignorância irascível, mortal, organizada militarmente e inimiga de toda institucionalidade. O que muita gente não vê ou se recusa a ver, é que não estamos diante da violência estatal, transmutada em golpistas clássicos, fardados, vociferando as imbecilidades paranoides de sempre.

O processo de desestabilização brasileiro começou e depende do veneno na sociedade, da paranoia insidiosa e da mentira. Com esse expediente, as famílias midiáticas cevaram o ódio que se alastra, armado, com a certeza psicótica de que estão a extirpar um furúnculo, enquanto disseminam uma septicemia. 

Hoje, uma mulher e um homem foram baleados. O homem teve uma bala atravessada em seu pescoço. Lula segue preso acusado e condenado por uma mentira na qual é preciso uma dose cavalar de imbecilidade e ódio de classe para acreditar. 

A justiça do inimigo disseminou censura, paranoia, perseguições, demissões, crise política e agravamento da crise econômica. Só entregam miséria moral, violência, impunidade e falta de perspectiva. Ruíram com o arcabouço constitucional e comandam um governo sem voto, sem apoio, sem legitimidade, que acredita se sustentar nos seus canais de propaganda televisivos e radiofônicos. 

Já há dezenas de mortos na conta do golpe. O campo está um açougue. Marielle e Anderson segue insepultos na impunidade e Marisa Letícia, idem. Quem não está pior, para quem não piorou? Quem, em sã e tranquila consciência, pode afirmar que haverá eleição para presidente no Brasil, neste ano? 

O que os fascistas adestrados pela mídia familiar e protegidos pelo aparato golpista querem é uma reação. Querem uma desculpa, querem que alguém, com indignação o suficiente e nervos, de menos, mostre-lhes, na sua linguagem, o que eles são. Querem um sacrifício ainda maior que aquele a que submeteram o Lula. Não lhes é suficiente dilacerar a sociedade e marcar gerações com ódio e desconfiança mútua, um expediente que nem o stalinismo mais militante foi capaz de promover. Não lhes é suficiente desempregar aos milhões e aniquilar com o investimento estatal. Não lhes é suficiente transformar o campo em um açougue impune. Não lhes é relevante a próxima geração de famintos que está com um ano. 

O golpe brasileiro recrudesce com o desejo irrefreável de aniquilar a todos e a cada um de nós, da esquerda. É disso que se trata e é isso o que está em jogo. Por trás da carcaça dos delinquentes golpistas e de seus protetores togados e do aparato judicial e corporativo, está uma necessidade cada vez mais evidente: a sua sobrevivência depende da nossa aniquilação. Seria um jogo da galinha não estivéssemos fora de qualquer jogo. 

Nem sei por que estou escrevendo isso. Não adianta, mas eu preciso. Eu só queria que minhas amizades e anexades saíssem da zona perceptiva que nos protege, nas classes médias para cima, para perceber que o veneno é ecumênico. E que é preciso resistir, em cada consciência, em cada minuto de atenção, em cada aperto de mão, em cada notícia que se lê. Em cada juízo que fazemos. 

Eu pensava, em fins de 2015, que um cenário chileno 73' era a fantasia golpista. Eu estava errada. O que estamos vivendo, ceteris paribus (que ironia, como se cláusulas houvesse), é um cenário muito parecido com o argentino, nas vésperas de 76. E, com um agravante: a partir de setores organizados dentro da sociedade, com o cinismo e a proteção do aparato golpista, que repudia no atacado e protege no varejo, o extermínio e a perseguição dos inimigos do regime. Em um cenário como esse, OBAn e DOPs não são requeridos. E ninguém está protegido, por incrível que pareça. Está em curso uma guerra suja.

Katarina Peixoto
No GGN
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O político e o humano


Uma imagem vale mais que mil palavras, diz o provérbio chinês. Mil palavras não serão capazes de descrever, de forma tão pungente, a tristeza profunda experimentada por milhões de brasileiros (e muitas outras pessoas em todo o mundo) quanto a foto de Leonardo Boff, sentado na soleira do prédio da Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso o ex-presidente Lula.

Como muitos outros militantes e simpatizantes, acompanhei, no sindicato dos metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, o desdobramento do drama político em que o país foi atirado após a decretação da prisão de Lula pelo juiz Sergio Moro, algumas horas depois da denegação do habeas corpus, por estreitíssima margem, pelo Supremo Tribunal Federal.

Nas horas que antecederam a partida do presidente, uma característica de sua personalidade sobressaiu em todos os seus gestos: a profunda humanidade, o interesse real e concreto pelo bem-estar material e espiritual dos que estavam dentro do edifício ou entre a multidão que o rodeava.

Lula não saiu da vida para entrar na história, nem pôs em risco a integridade física dos seus apoiadores. Tampouco cedeu à coreografia planejada por seus algozes. Não obedeceu ao ultimato disfarçado em deferência, mas não permitiu que o episódio da prisão constituísse pretexto para novas provocações por aqueles que desejam cerrar as cortinas sobre a democracia brasileira.

Na segunda-feira (9/4), após um domingo sem festa, muitos de nós fomos a Curitiba visitar o acampamento montado por movimentos sociais, em que gente humilde, juntamente com pessoas da classe média, dava testemunho de sua inconformidade com a violência contra Lula.

Se o afeto e o reconhecimento pelo ex-presidente ofereciam algum consolo à dor de sabê-lo preso, a visão do prédio dava absurda materialidade ao que até então parecia uma ideia abstrata: o encarceramento do ser humano em quem o povo pobre do Brasil vê o seu mais legítimo e querido representante.

Ao longo da minha vida como servidor público, a maior parte da qual no exercício de função diplomática, poucas vezes senti vergonha profunda (distinta de um mero incômodo passageiro) do meu país.

Uma delas foi quando, jovem funcionário servindo no exterior, abri uma revista que regularmente recebia do Brasil e li uma reportagem sobre a morte de um prisioneiro sob tortura. Uma brevíssima brecha na censura imposta pelo regime permitiu que a reportagem fosse publicada. Voltei a experimentar o mesmo sentimento com a recusa aos pedidos de visita a Lula feitos por Adolfo Pérez-Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, e pelo amigo de longa data, outro lutador pacífico da paz, Leonardo Boff.

Em 2002, quando o povo teve a coragem de eleger como seu presidente um operário com raízes no sertão do Nordeste, cunhou-se a expressão "a esperança venceu o medo". Neste momento sombrio, não sei o que lamento mais: a ignorância de nossos juízes quanto às normas internacionais sobre tratamento de presos ou a pequenez de espírito dos que se apegam à formalidade das regras para tomar decisões despidas de qualquer sentido de humanidade.

Em meio a tantas arbitrariedades postas a serviço dos poderosos dentro e fora do Brasil, temos que buscar força e inspiração nas atitudes desassombradas de Boff e Esquivel.

Necessitamos eleições livres e justas, com a participação dos candidatos mais representativos do povo, a começar por Lula, para que a paz e a confiança no futuro sejam devolvidas ao povo brasileiro. Não podemos permitir que o ódio e a mesquinharia vençam a esperança.

Chanceler Celso Amorim
No fAlha
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"Não vamos oferecer a outra face!", por Ricardo Melo


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A sociedade do "futuro"


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Espanhóis

Uma vez fui a uma feira de livros em Miami e acabei num jantar para os convidados latino-americanos, oferecido pela comunidade hispânica da cidade. Arroz com pollo. O único outro brasileiro no jantar era o Milton Hatoum. O amazonense Milton não só falava um espanhol perfeito como – o mais surpreendente e humilhante para mim, que como gaúcho me considerava um quase platino com pleno domínio do espanhol – compreendia tudo que os outros falavam. Eu não compreendia nada. Ou apenas o suficiente para notar que o assunto principal dos presentes era Cuba, de onde a maioria era natural. Pareciam falar com uma mistura de nostalgia e rancor, mas foi só uma impressão que não confirmei com o Milton. O que me espantou foi minha incapacidade de entendê-los. Não falar o espanhol não era nada, eu também mal falo português. Mas, durante todo o jantar, só entender “más arroz?” e pouca coisa mais era desconcertante. Eu estaria bloqueando o que ouvia? Me sentindo tão deslocado, ali, que me recusava a entender o que diziam?

O espanhol da Espanha não é o mesmo falado nas Américas e o espanhol (por exemplo) argentino não é igual ao mexicano. Cada fala espanhola seguiu seu curso a partir da vertente comum, mas aquele espanhol dos exilados cubanos era de uma estranheza extrema, ao menos aos meus ouvidos. Era como uma língua que tivesse se deteriorado ao ponto de virar outra, só compreensível pelos seus usuários. E pelo Hatoum. Me ocorreu que na apreciação do que aconteceu em Cuba depois da revolução do Fidel as opiniões tinham se diversificado tanto que pareciam línguas diferentes. A narrativa inicial da revolução fora num espanhol puro, que ninguém discutia: um governo tirano e corrupto derrubado por jovens idealistas dispostos a fazer uma sociedade limpa e justa. Uma narrativa clássica. Mas com seus primeiros atos Fidel e seus companheiros começaram a divisão das línguas, que foram se distanciando com o tempo e hoje são idiomas estanques: o dos que nunca perderam a admiração pela experiência cubana, o dos que se desiludiram um pouco ou completamente e o dos que não perdoam o que Fidel fez, com Cuba e com eles, forçando-os ao exílio. Cada um fala o seu espanhol e não entende o do outro. Entre eles nenhum consenso é possível, com ou sem “arroz com pollo”.

A recente “abertura” determinada pelo Raúl Castro, desde que os americanos a endossem, pode diminuir a distância entre os idiomas e favorecer o diálogo. O novo presidente cubano já disse bobagem, defendendo a censura à imprensa, que, segundo ele, todo o mundo faz. Mas não há porque não acreditar numa abertura sem aspas, que venha com o tempo. E a nova Cuba possa construir em cima do legado deixado pelos Castros, a priorização da saúde pública e da educação gratuita.

Miami foi o mais perto que já cheguei de Cuba, mas minha filha Fernanda esteve lá, há alguns anos. Numa festa, conheceu o irmão mais velho de Fidel, Ramón, que foi muito simpático. Conversaram sobre a novela brasileira que fazia sucesso na TV cubana, na época, e dom Ramon disse que daria qualquer coisa para saber como terminava Vale Tudo. E comentou: “Como es mala Maria de Fátima!”. Os dois não tiveram problema de língua. Falavam Globo.

Luís Fernando Veríssimo
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“Eu odeio petista!”


Na década de 1970, a equipe da professora Eleanor Rosch, do departamento de Psicologia da universidade de Berkeley, na Califórnia, fez uma série de estudos sobre categorizações.

Ela descobriu que esse processo é fundamental na cognição humana. É uma forma de organizarmos nos neuronho o caos que é o mundo exterior. Fazemos categorizações 24 horas por dia, sete dias por semana. No transporte, por exemplo, dividimos os sentados dos em pé, as mulheres dos homens, motorista e cobrador de passageiros etcetcetc. Continuamos com essas classificações na escola, na igreja, em casa, no trabalho, e só paramos de categorizar quando dormimos. Sem sonhar, tá? Quando sonhamos também categorizamos tudo!

A linguagem é a ferramenta da categorização para fazer julgamentos, dentre outros procedimentos.

Isto posto, pensem comigo: o que significa “petista”? Como categorizar uma pessoa chamada de “petista”?

Sou eleitora do PT desde a década de 1990 – por falta de opção. Voto pensando num projeto que diminua o abismo social que existe neste país, para ser bem genérica. Até hoje, só vi no PT essa alternativa. Gostaria de reconhecer essa categoria (pra usar a palavra-chave deste texto) em outros partidos.

Como eleitora, não sou partidária do PT. Tenho sérias críticas e ressalvas ao partido. Vão desde as alianças feitas (foi o que viabilizou tanto os 13 anos de governo como o processo de impeachment – barra – golpe que o próprio partido sofreu) até o abandono a certas políticas públicas. Mas minhas ressalvas ao PT realmente não vêm ao caso aqui. É assunto entre mim e a urna. Basta saber que elas existem, assim como meus aplausos ao partido. É algo possível em qualquer aspecto da vida.  Podemos ver o lado bom e o lado ruim de tudo.

Voltando novamente ao tema deste post: eu faço jus à alcunha de “petista”? Acredito que sua resposta tenha sido não. Mas o que ocorre é justamente o contrário.

Sou taxada de “petista”, sempre de forma pejorativa, quando tento lembrar que o processo que levou Lula à prisão pode levar qualquer um à cadeia, ou quando defendo a greve dos estudantes do Instituto de Letras da UnB (deflagrada na última quinta-feira), porque a UnB está prestes a fechar as portas por não conseguir fechar as contas- ainda que tenha dinheiro para isso e não possa dispor dessa grana.

É interessante observar todo o processo que leva uma pessoa a categorizar alguém de “petista”, e quais características deve ter uma pessoa para ser enquadrada em tal categorização. O processo passa por um contraste bem básico, que divide o mundo entre "nós" e "eles":

Nós somos legais, eles são chatos; nós somos inteligentes, eles são burros; nós somos honestos, eles são corruptos; nós somos brasileiros, eles são petistas; nós somos patriotas, eles são comunistas.

Ao final desse processo (que muito pouco ou quase nada tem de racional), a categoria petista está repleta de características abjetas e repulsivas, que devem ser evitadas pelas “pessoas de bem”. Daí, temos falas do tipo:

“odeio petista; petista tem mais é que morrer; não falo com petista; o que fode com este país são os petistas”.

Como já disse, é um processo pouco racional, extremamente emocional, que vai desaguar no uso de um verbo muito interessante: odiar. “Eu odeio petista!” ou “Eu odeio o Lula!”

Agora pense semanticamente comigo: que tipo de sujeito comanda o verbo odiar? Vamos fazer uns testes:

- A pedra odeia o sol: não, objetos inanimados não comandam o verbo odiar.

- Meu cachorro odeia tomar banho: sim. Trata-se de um ser vivo, porém não humano, desprovido de capacidade de raciocínio.

- Eu odeio química: sim. Ser vivo, humano, capaz de raciocinar.

O verbo odiar, então, tem essa característica: ele prescinde de raciocínio. É um verbo sensorial.

Agora vamos fazer outras substituições.  Vamos pegar o parágrafo em que eu cito chavões que usam a palavra petista, e vamos substituir essa palavra por outras para ver o resultado semântico (estou no campo da semântica. Não levem a coisa pro lado ético e moral, por favor!)

1)      Trocando petistas por negros:

“odeio negro; negro tem mais é que morrer; não falo com negro; o que fode com este país são os negros”.

2)      Trocando petista por judeu:

“odeio judeu; judeu tem mais é que morrer; não falo com judeu; o que fode com este país são os judeus”.

3)      Trocando petista por viado (lembrando que petista é palavra usada de forma pejorativa):

“odeio viado; viado tem mais é que morrer; não falo com viado; o que fode com este país são os viados”.

Temos, então, uma coleção de proposições que expressam racismo e preconceito. Podemos agora chamar a moral e a ética pra darem seus vereditos. É essa exatamente a fórmula do racismo: uma sensação irracional, repleta de estereótipos colecionados de forma irracional, que nos leva a categorizar (e, na sequência, tratar) o outro, que age diferente ou que pertence a uma etnia diferente da nossa como o estranho, o exógeno, aquele que deve ser suprimido / excluído / exterminado, posto que é entendido e classificado como fonte/origem de todos os problemas.

Antes de usarmos a palavra “fascismo” para concluir este texto (e eu não vou usar, uma vez que ela está em todas as entrelinhas deste texto), acho bom a gente botar os neuronho pra funcionar agora, e pensar o que, como e por que categoriza uma pessoa como petista. Você pode estar usando essa palavra de forma muito errada. Aliás, você pode estar achando que está raciocinando, mas não está. São as suas sensações e sentimentos, irracionais, que estão sendo manipulados.

Madrasta do Texto Ruim
No GGN
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Boechat em três tempos


Sobre o “O discurso fácil dos imbecis: Boechat e seu desserviço, por Francy Lisboa” — leia abaixo

Boechat (1)

Pouca gente sabe ou se lembra, o ex-colunista do Globo e da Globo foi, nos anos 80, também secretário de comunicação do governador Moreira Franco, hoje, o “Angorá” das planilhas da Odebrecht. Antes de ser convidado para o cargo público, Boechat praticava generosidades em sua coluna no Globo que muito agradaram o então candidato adversário de Leonel Brizola na disputa pelo governo do Rio. Isto, nos anos em que o alvo da família Marinho ainda não era o Lula nem a Dilma. O alvo então, que precisava ser defenestrado da corrida presidencial, era o ex-governador dos Pampas. Mas ainda não havia nem Moro nem a Lava Jato para auxiliar no serviço.

Boechat (2)

Em junho de 2001, Boechat foi demitido pela mesma família Marinho, por um grampo vazado na Veja em que ele é mostrado como “simpático” a uma das partes numa disputa empresarial de R$ 2 bi - Daniel Dantas x Nelson Tanure - nas privatizações da Telemig e da Telenorte. Isto, muito antes do “Petrolão”, o do PT porque o dos tucanos já corria solto na época, sob a proteção divina da Globo e de seus serviçais descartáveis.

Boechat (3)

Como ex-secretário de imprensa do “Angorá”, é provável que não tenha se esquecido dos nomes que brilhavam na noite de Ipanema e que constavam da agenda de consumidores dos traficantes Zaca e Cabeludo, do Morro Dona Marta.

Em tempo: A agenda foi aprendida pela Polícia. A cúpula do Governo Moreira teve acesso a todos os nomes. Boechat, como secretário de comunicação, certamente foi um daqueles que tomou conhecimento.

Vanderlei Borges, jornalista, foi assessor de comunicação na área de Segurança Pública do Governo Brizola.
No GGN



O discurso fácil dos imbecis: Boechat e seu desserviço

O programa Jornal da BandNews, que tem como âncora o jornalista (sic) Ricardo Boechat, teve o seu mais deplorável capítulo no dia 25/04/2016. Boechat, com sua arte pedestre de falar para aquele tipo de publico que nao se enxerga em Bolsonaro, mas que também está longe da intelectualidade cognitiva capaz de ligar pontos, questionou a razão para a visita de Dilma Rouseef ao ex-presidente Lula na carceragem da PF em Curitiba. Pior, o funcionário dos Saad perguntou se a visita de Dilma tratava-se de visita íntima ou algo similar. Sim, podem parar e respirar porque a nausea é inevitável.

A canalhice de alguns jornalistas já é bem conhecida para todos aqueles que acompanham minimamente o desenrolar da atuação da mídia tradicional brasileira ao longo dos últimos quinze anos. Há aqueles que capitalizaram-se na formação do ódio e que agora se mostram como legalista e liberais. Há aqueles que conseguiram lugar no STF mesmo não usando a capa preta. Há aqueles que sempre bateram e assopraram, mas que rasgaram a fantasia ao lerem editoriais a favor do vampire com o pretexto de job security.

A falta de caráter não está apenas no Congresso. A política, sabemos, não reside apenas na atuação dos representantes do povo. Todos os personagens, pessoas física e/ou jurídicas, que atuam como formadores de opinião e catalisadores dos debates, dos mais diversos níveis intelectuais, são e devem ser criticados em termos políticos de acordo com suas atuações.

A misoginia de Boechat não foi o mais impactante, porém. O mais impactante foi a fala sobre a culpabilidade de Lula mesmo sem as provas cabais. Esse é outra face exposta do subdesenvolvimento do Brasil. O desrespeito à Lei, a quebra do Estado de Direito, para aplacar a sanha condenatória subdesenvolvida é sinal claro de que o Brasil precisa muito mais do que um recall dos politicos.

Esse tipo de discurso cai como uma luva em um ambiente como o do Brasil atual. O “era impossível não saber” usado por Boechat para justificar que Lula é um politico preso e não preso politico mostra que os canalhas enevelhecem sem medo do que virá depois, talvez por acreditar firmemente que estarão seguros do julgamento da História pois provavelmente mortos estarão.

PS: como de costume, é bem provável que haja uma espécie de assopro por parte de Boechat nos programas futuros. Eles podem vir na forma de porradas na oposição ou mesmo na Lava-Jato. A única certeza é que não será em relação ao governo atual, o pagador do salário.

Abaixo o link para quem tiver estômago


Francy Lisboa
No GGN
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Acordo e desacordo, suspeitos os dois

O acordo de delação muito premiada acertado entre Antonio Palocci e a Polícia Federal é um caso especial, mas não pelo que contenha contra Lula e diretores de bancos, tema de excitada especulação e presumidos temores.

Tanto a PF como a Lava Jato, que recusou o acordo com Palocci, põem-se sob indagações e suspeitas por suas atitudes ante Palocci e entre si. Essa história, em que também o Supremo toma parte — o que já insinua complicação —, não tem chance de escapar a mais um entrevero degradante.

Como preliminar, o Supremo parou a meio caminho e deixou em suspenso seu iniciado reconhecimento a direito da PF de negociar acordos de delação, rompendo a exclusividade que os procuradores exercem e exigem.

Assim como há anos se vê nas delações à Lava Jato, o vende-e-compra de acordo policial precisa passar pela concordância ou recusa do Supremo. A indefinição das condições em que a PF fará acordos e premiações, porém, deixa o seu entendimento com Palocci pendurado em futuro impreciso.

O motivo de serem as "revelações" de Palocci rejeitadas pela Lava Jato e validadas pela PF é obscuro. A defesa e mais de um procurador repetiram, várias vezes, que Palocci não disse o que os procuradores dele exigiam.

Neste caso, ou eram exigências que a PF considerou descabidas, ou tinham cabimento e a PF, por motivos descabidos, curvou-se à concessão de dispensá-las. Inúmeros precedentes autorizam suspeitas sobre um lado e sobre o outro. Situações assim tiram a legitimidade do inquérito e do processo. A da delação, tratando-se de Palocci, nem se cogite.

Por bastante tempo, insisti em referências à casa alugada pela turma de Palocci em Brasília, durante sua permanência como ministro da Fazenda. Tanto quanto a dinheirama por ele acumulada em pouco tempo, ou a função dessa casa é contada pelo delator, ou já a priori sua delação de nada vale.

A casa não foi alugada só para receber moças bem remuneradas. Foi, como uma fortaleza de bicheiros, lugar em que se arquitetaram negócios sigilosos. Inclusive com a presença de figurões do empresariado.

Ao assumir o ministério, Palocci fez se mudarem para Brasília, mas não para integrar o governo, ao menos cinco da sua turma quando prefeito de Ribeirão Preto.

Na Justiça de São Paulo, o acusado ex-prefeito conseguiu contornar os processos sobre suas atividades paulistas com a turma. O possível acordo premiado é a oportunidade de que não se passe o mesmo com as atividades originadas da ligação entre o Ministério da Fazenda e a casa dos encontros.

Da delação de Palocci pode-se esperar qualquer coisa. Mas se espera também, e mesmo antes, a explicação da Lava Jato e da PF sobre os motivos das respectivas aceitação e rejeição das mesmas e alegadas confissões.

Afinal, esse Antonio Palocci lembra uma expressão que não merecia o esquecimento: "Fulano não presta".

Janio de Freitas
No fAlha
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