23 de abr de 2018

Janot, a síndrome de abstinência de um ex-PGR


Quando Rodrigo Janot saiu da Procuradoria Geral da República, e deixou de ser centro das atenções da imprensa, sua vida desmoronou. As mudanças foram percebidas pelos poucos amigos que conservou em Brasília e pelos parentes em Belo Horizonte. Entrou em crise profunda, mostrando-se inconformado com a perda de protagonismo.

Aceitou lecionar na Colômbia – país latino-americano ao sul dos Estados Unidos – e abriu uma conta no Twitter. E tratou de aprofundar a participação na Atlantic Council, o centro de lobby norte-americano especializado em oferecer miçangas, cargos em seu Conselho Deliberativo à indiarada do continente sul.

No Twitter, tratou de disparar críticas contra sua sucessora Raquel Dodge, a quem dedica um ódio pertinaz e anterior à sua nomeação. Durante a campanha pela lista tríplice do Ministério Público Federal, aliou-se à Globo para uma jogada de baixo nível, acusando Dodge de boicotar a Lava Jato com uma proposta que não alterava uma transparência sequer o Power Point de Deltan Dallagnol.

Não bastou. E eis que o bravo Janot, o homem que se especializou na micro-micro-gestão do MPF, resolveu se candidatar a um dois dois cargos do Conselho Superior do Ministério Público. Cujas eleições serão nos próximos dias.

Vieram as especulações. Sua intenção seria confrontar Dodge nas reuniões do Conselho; seria retomar o protagonismo perdido.

Que nada! A intenção única foi a de lhe dar a oportunidade de desistir, uma semana depois, e poder informar a toda a categoria que o motivo da desistência é sua tonitruante carreira internacional, com um “crescimento vertiginoso” dos convites para palestras.

Apreciem melhor esse primor de nota:

"Durante o período que passei nos EUA, os convites se avolumaram. Tal circunstância me levou a reexaminar responsável e detidamente as agendas das atividades de subprocurador-geral, conciliadas com a de conselheiro, a da carreira acadêmica que venho trilhando desde o fim do mandato de procurador-geral e a dos chamamentos para as palestras, as duas últimas, sob a ótica desse crescimento vertiginoso. Ficou claro para mim que precisaria fazer uma escolha."

“No atual momento, me parece mais útil ocupar os espaços fora da instituição para denunciar os ataques sistemáticos contra o modelo de combate à corrupção consolidado pela Lava Jato é a opção mais acertada para um ex-PGR". 

O Brasil merece isso? Merece. É um país que há muito tempo perdeu totalmente a dimensão do ridículo.

Luís Nassif
No GGN
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Equipe médica dos EUA realizam primeiro transplante completo de pênis e escroto (vídeo)


O Hospital Johns Hopkins anunciou que seus cirurgiões plásticos e reconstrutivos realizaram com sucesso o primeiro transplante de pênis, escroto e parede abdominal do mundo em um soldado que sofreu ferimentos no Afeganistão e perdeu seus genitais.

"Estamos esperançosos de que este transplante ajude a restaurar funções urinárias e sexuais quase normais para este jovem", disse W.P. Andrew Lee, professor e diretor de cirurgia plástica e reconstrutiva da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, de acordo com um comunicado de imprensa de segunda-feira.


A cirurgia de 14 horas foi realizada em 26 de março por uma equipe de nove cirurgiões plásticos e dois cirurgiões urológicos do veterano, que optaram por permanecer anônimos. Os cirurgiões transplantaram um pênis, escroto sem testículos e uma parede abdominal parcial de um doador morto para o homem.

"É uma verdadeira lesão difícil, não é fácil de aceitar", disse o paciente, segundo o comunicado de imprensa.

Muitos soldados sofrem lesões, causando a perda de seus membros inferiores ou genitais, já que o uso de dispositivos explosivos improvisados ​​(IEDs) na guerra aumentou durante a última década. Os IEDs, amplamente usados ​​contra as tropas de invasão lideradas pelos EUA durante as guerras do Iraque e do Afeganistão, são comumente vistos como bombas de beira de estrada.

"Quando acordei, me senti finalmente mais normal… [com] um nível de confiança também. Finalmente, estou bem agora", acrescentou.

O paciente se recuperou da cirurgia e espera-se que seja liberado do hospital nesta semana, embora ele ainda esteja tomando medicação para evitar que seu corpo rejeite o transplante, relatou o Baltimore Sun.

Esse tipo de transplante, no qual uma parte do corpo é transferida de uma pessoa para outra, é chamado de alotransplante composto vascularizado e envolve o transplante de pele, músculos, tendões, nervos, ossos e vasos sanguíneos. Após tal cirurgia, o paciente deve continuar a tomar uma variedade de drogas imunossupressoras para evitar que seu corpo rejeite o tecido estranho.

Esta cirurgia é o mais recente sucesso da equipe reconstrutiva de Hopkin. Em 2013, os médicos realizaram um transplante de braços em Brendan Marrocco, um veterano que perdeu todos os quatro membros quando desarmava uma bomba durante a guerra do Iraque em 2009.

Médicos do Hospital Geral de Massachusetts transplantaram um pênis sem escroto em 2016.

No Sputnik
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Juiz canalha incita agressão a Gleisi

O juiz Afonso Henrique Castrioto Botelho, da 2ª Vara Criminal de Petrópolis, usou sua conta no Facebook para sugerir que “algum brasileiro” agrida a senadora Gleisi Hoffmann.

Pode ser em forma de “cuspida / ponta pé nas ancas / tapa nas bochechas”.


Ele também toca bateria e percussão em uma banda chamada “Los Opressores” com uma camiseta de Lula com uma tarja vermelha.

Não é maravilhosa a Justiça brasileira?



Kiko Nogueira
No DCM
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FHC é a prova maior do subdesenvolvimento político nacional


Fernando Henrique Cardoso talvez seja a expressão máxima da mediocridade do pensamento político nacional.

Assumiu a presidência devido à simpatia pessoal que lhe era devotada pelo então presidente Itamar Franco. O Plano Real caiu no seu colo. Produziu desastres de monta no seu período na presidência. Mas, quando saiu, houve um trabalho diuturno da mídia para uma releitura do seu governo que permitisse ser o contraponto do governo Lula.

No seu governo, limitou-se a entregar a gestão da política monetária e cambial ao mercado, sem jamais ter conseguido desenvolver uma proposta para o país, uma visão original ou não. Produziu a maior dívida pública da história, sem contrapartida de ativos, liquidou com algumas vantagens comparativas nacionais, como o custo da energia elétrica, abandonou qualquer veleidade de política social em larga escala, abriu mão da coordenação dos cursos superiores.

Logo após sua saída, fiz uma longa entrevista com ele para meu livro “Os Cabeças de Planilha”, para saber o que pensava sobre diversos aspectos da vida nacional: política de inovação, Pequenas e Médias Empresas, diplomacia comercial, políticas industriais, políticas regionais. Não sabia literalmente nada. Quando indaguei qual o seu projeto para o país, sua resposta foi de um primarismo assustador:
  • Fortalecer os grupos mais internacionalizados (leia-se, bancos e fundos de investimento) e eles, crescendo, conduzirão o país para a modernização.
Agora, publicou um livro com o que áulicos denominam de seu pensamento vivo. O tal pensamento vivo nada mais é do que uma compilação dos princípios originais, que supunha-se guiariam o PSDB, acrescido do componente moral. Pior: foi saudado por alguns analistas como uma revolução no pensamento político nacional.

O que ele propõe é o meio-termo entre o mercadismo desregrado e a estatização desvairada, com as bandeiras recentes do moralismo. Nada além do que o PSDB pregava no seu início.

Eram princípios que tinham como formuladores, na prática e na teoria, Franco Montoro, Mário Covas, Luiz Carlos Bresser Pereira, um conjunto de intelectuais da USP que ou morreram ou debandaram quando, por falta de uso, as ideias emboloraram e foram substituídas pelo discurso de ódio anti-PT e pela superficialidade de FHC.

Jamais saíram do discurso. A ideia de que a privatização tinha que obedecer à análise de cada setor, dentro da lógica de interesse nacional, foi substituída pelo negocismo mais explícito.

Quanto ao moralismo, ora o moralismo.

Tenho dúvidas sobre o apartamento de Paris, se é dele ou dos herdeiros de Abreu Sodré. Mas o apartamento que comprou na rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, vizinho de onde eu morava, valia três vezes mais do que o preço que diz ter pago. Sei disso por moradores do próprio edifício. E foi adquirido de um banqueiro ligado aos fundos partidários do PSDB. E FHC se vê em condições morais de atacar o tal triplex de Lula, cuja propriedade jamais foi comprovada.

FHC sempre foi o pândego, o malaca, sem nenhum compromisso de país ou de partido, ou com as ideias. Assim como seu filhote, José Serra, sempre foi um utilitarista de slogans e de uma pretensa formação acadêmica. A propósito, até hoje não foi divulgada a suposta tese de doutorado de Serra nos EUA.

FHC foi guindado pela mídia à condição de estátua equestre, dessas que se coloca em praça pública para celebrar uma lenda que só cresce quando não abre a boca.

Sua figura pública não se distingue apenas pela falta de propostas, mas pela falta de atributos mínimos de caráter, lealdade, generosidade, coragem. Quando explodiu a crise de governabilidade, com o mensalão, todos os ex-presidentes vieram a público exprimir sua responsabilidade de ex-presidente: Sarney, Collor, Itamar. Menos FHC.

Sua vaidade vazia, sua falta de compromisso com as palavras, a superficialidade de suas ideias, é a maior mostra do subdesenvolvimento brasileiro. A tentativa de colocá-lo como contraponto a Lula, a prova maior da inviabilidade de um certo tipo de pensamento de direita.

Luís Nassif
No GGN
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PT reafirma: Lula é o candidato!

Resolução do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

Dois anos depois do golpe de estado que depôs a presidenta legítima Dilma Rousseff, o Brasil vive uma espiral de violência política, de obscurantismo e de agressões aos direitos fundamentais.

A censura às artes, estimulada pelos setores mais retrógados, a perseguição policial, do Ministério Público e de juízes às universidades, que provocou a morte do reitor Luiz Cancelier, e os ataques à caravana de Lula no Sul do país são exemplos desse ambiente de ódio.

Com enorme repercussão internacional, vimos o assassinato de Marielle e Anderson, que expôs dramaticamente a violência cotidiana contra mulheres, negros e LGBTs, paralelamente aos crimes contra camponeses e indígenas. As investigações sobre a morte de Marielle e Anderson, iniciadas com alarde, se arrastam há mais de um mês sem nada esclarecer.

No dia 7 de abril, a violência voltou-se contra o ex-presidente Lula, preso por decreto ilegal, inconstitucional e injusto de Sérgio Moro.

Por sua liderança na América Latina e pelo reconhecimento internacional de seu governo, do combate à fome e à pobreza, a prisão de Lula repercutiu negativamente ao redor do mundo e despertou grandes gestos de solidariedade.

A liberdade do ex-presidente Lula tornou-se questão central para a retomada do processo democrático no Brasil.

Lula foi condenado sem provas, por juízes parciais, que sequer conseguiram apontar o crime que ele não cometeu. Foi massacrado pela TV Globo e por toda a mídia que apoiou o golpe de 2016. Sua defesa foi censurada nos meios de comunicação.

Não se poderá falar em Justiça no Brasil enquanto o processo de Lula não for revisto e anulado, pelas ilegalidades, arbitrariedades, manipulações e cerceamento de defesa de que o ex-presidente foi vítima na primeira e segunda instâncias.

E não se poderá falar em Democracia no Brasil enquanto o maior líder popular do país permanecer encarcerado como um preso político, mantido em regime de isolamento, ao arrepio da lei, e sem poder recorrer em liberdade da sentença injusta, como é direito de todo cidadão ou cidadã.

A principal tarefa do Partido dos Trabalhadores, neste momento, é defender a inocência de Lula, lutar por sua liberdade e fazer valer o direito do povo brasileiro de votar no seu maior líder, nas eleições presidenciais de outubro.

Mesmo depois de preso, Lula continua sendo o favorito a vencer as eleições, segundo todas as pesquisas, disparado à frente dos demais candidatos.

Lula é o nosso candidato e é o candidato do povo. É a grande esperança do país para superarmos a crise política, econômica e social; para retomarmos a confiança no futuro.

É necessário superar a censura da mídia, levando à população a defesa de Lula e denunciando a campanha de mentiras de que ele foi vítima neste processo.

Para cumprir nossa tarefa histórica, devemos concentrar nossas energias e capacidade de articulação com as forças de esquerda e os setores populares e democráticos, como a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo e a Frente Democrática, recentemente criada, pois a prisão ilegal de Lula afronta o estado de direito e aprofunda o rompimento do pacto político-democrático nacional de1988.

Temos de mostrar nas ruas a inconformidade do povo com a injustiça cometida contra Lula e o cerceamento dos direitos políticos de toda uma nação.

A candidatura de Lula é a resposta da maioria do povo brasileiro ao governo golpista, que retira direitos dos trabalhadores, desmonta os programas sociais, entrega o patrimônio nacional e a nossa soberania aos interesses privados estrangeiros.

Lula é candidato para reverter o desmonte das políticas públicas – aprofundado por meio da Emenda Constitucional 95, que congelou por 20 anos os investimentos públicos, inclusive em saúde e educação. Para retomar e fortalecer os programas voltados às mulheres, aos quilombolas, aos indígenas, à agricultura familiar e reforma agrária. Para revogar a reforma trabalhista e defender a Previdência.

Lula é candidato para barrar a venda do patrimônio público e o desmonte de nossas empresas estratégicas Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, etc. Para impedir que continuem entregando o pré-sal às petroleiras estrangeiras.

O futuro da democracia no Brasil depende da realização de eleições livres em outubro, com a participação de Lula e de todas as forças políticas do país.

Nesta conjuntura o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunido em Curitiba, onde Lula se encontra ilegalmente encarcerado, saúda a militância que se engajou de corpo e alma na defesa do nosso maior líder, agradece a solidariedade de personalidades nacionais e internacionais, e adota a seguinte RESOLUÇÃO:
  1. Fortalecer a Frente Nacional em Defesa da Democracia, dos Direitos e da Soberania, recentemente lançada, em articulação com os partidos de esquerda, movimentos sociais, centrais sindicais, com o mundo da cultura, forças populares e democráticas;
  2. Fortalecer a luta democrática pelo restabelecimento pleno do estado de direito, pelas garantias constitucionais e pelos direitos e conquistas sociais, em ampla articulação com forças políticas e sociais;
  3. Fortalecer a denúncia do golpe e da prisão ilegal de Lula na mídia global, incentivando as campanhas internacionais por Lula Livre.
  4. Reafirmar a candidatura de Lula à Presidência da República, conforme decidido pelo Diretório Nacional em 15 e 16 de dezembro de 2017;
  5. Convocar para 28 de julho o Encontro Nacional do PT que indicará formalmente Lula candidato a presidente;
  6. Registrar a candidatura na Justiça Eleitoral em 15 de agosto, conforme determina a legislação;
  7. Apresentar ao país, nas próximas semanas, as diretrizes do programa de governo Lula;
  8. Deflagrar a pré-campanha Lula Presidente com ações de comunicação nas ruas, nas redes sociais e na imprensa, e com um calendário dos pré-lançamentos de sua candidatura Lula Presidente em todas os Estados do Pais.
  9. Avançar no debate político-eleitoral nos estados, de forma a articular a pré-campanha de Lula com os lançamento das chapas estaduais, para governador, senadores, deputados estaduais e federais;
  10. Convocar e organizar, no mês de maio, junto com os movimentos sociais, forças populares e democráticas dois grandes atos de massa em defesa de Lula Livre, no Nordeste e em São Paulo;
  11. Fortalecer o acampamento e a vigília Lula Livre em Curitiba, como local de referencia da solidariedade a Lula e de resistência ao arbítrio que o mantém preso político;
  12. Impulsionar a campanha de doações para o Fundo de Financiamento do Acampamento e Vigília Lula Livre;
  13. Instalar em Brasília, próximo ao Supremo Tribunal Federal, a Tenda da Democracia, com uma vigília e uma programação permanente de debates, aulas públicas, exposições e apresentações culturais sobre o tema da democracia no Brasil;
  14. Ampliar a formação de Comitês Populares Lula Livre por todo o país, para dialogar com o povo, desmontar a farsa jurídica e mobilizar para uma agenda de atos e debates, convidando os nossos candidatos e todos os que queiram se somar a nossa causa;
  15. Produzir o boletim semanal Lula Livre para ser impresso e distribuído em panfletagens pelos diretórios regionais, municipais e comitês Lula Livre no país;
  16. Incentivar a redação de cartas da população para Lula, como uma das tarefas dos Comitês Populares a
  17. Criar o SOS Militante, para garantir apoio jurídico a todos apoiadores de Lula e do PT atacados ou ameaçados por defenderem nossa causa;
  18. Apoiar e participar do grande ato unificado do Primeiro de Maio, de caráter nacional, em Curitiba, além de atos em todos os estados;
  19. Lançar a campanha nacional de filiação com o tema “Sou Lula, Sou PT”;
LULA INOCENTE
LULA LIVRE
LULA PRESIDENTE!

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores
Curitiba, 23 de abril de 2018
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Fachin envia HC de Lula à 2ª Turma do STF: 4 dos 5 ministros dessa turma votaram SIM no último HC


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato, acaba de encaminhar o Habeas Corpus do ex-presidente Lula para a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A segunda turma é composta pela maioria de ministros garantistas e que estão reconhecendo os excessos da Lava Jato, veja a lista abaixo, com os respectivos votos no último HC.

  • Ministro Edson Fachin- Presidente (Relator e votou NÃO)
  • Ministro Celso de Mello (votou SIM)
  • Ministro Gilmar Mendes (votou SIM)
  • Ministro Ricardo Lewandowski (votou SIM)
  • Ministro Dias Toffoli (votou SIM)
Caso se mantenha essa tendência, Lula poderá receber o placar de 4 votos a 1 pelo habeas corpus.

A votação poderá ocorrer há qualquer hora, já que as turmas do STF contam com um plenário virtual, podendo haver votação de forma remota a qualquer momento.

No A Postagem

Atualizando:

É um agravo regimental interposto contra uma reclamação constitucional.
Quando saiu a decisão pela prisão de Lula a defesa do presidente ingressou com um HC no STJ, cuja liminar não foi concedida pelo Min Fisher e com uma reclamação no STF.

A reclamação não foi acolhida por Fachin, que determinou o arquivamento.
Contra essa decisão de Fachin a defesa de Lula apresentou um agravo regimental, que agora será julgado pelo plenário virtual.

A reclamação tem característica diferente do ponto de vista processual e também mais restrito no que tange ao pedido de liberdade, pedindo que não se determine a prisão de Lula até que se termine a jurisdição no TRF-4, o que no entendimento dos advogados só se encerra (termina a jurisdição) quando analisada pelo TRF 4 a admissibilidade dos recursos especial e extraordinário.

Por esta razão uma salvação concreta para Lula seria mesmo o julgamentos das ADCs 43 e 44, e agora a ADC 54, proposta pelo PCdoB.
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O silêncio da mídia ante o crescimento da dívida pública sob Temer


O crescimento da dívida pública no mandato da presidenta Dilma democraticamente eleita foi apresentado como grande catástrofe para o Brasil, capaz de justificar - à luz dos interesses dos rentistas – o golpe político que permitiu a ascensão do governo Temer. Entre dezembro de 2010 e maio de 2016, último mês do governo Dilma, a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público passou de 38% para 39,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que revelou aumento acumulado em 65 meses de 3,2% (ou 0,05% ao mês).

Com a entrada da equipe econômica de Temer, aquela dos "sonhos do mercado financeiro", o receituário neoliberal ganhou força, sem que a "desordem das finanças públicas" fosse contida. Pelo contrário, a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público saltou de 39,2%, em maio de 2016, para 52% do PIB em fevereiro de 2018, isto é, a elevação de 32,6% acumulados em 21 meses (ou 1,4% ao mês).

Mesmo com a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público sob o receituário neoliberal aplicado pelo governo Temer tendo sito multiplicado por 28 vezes mais rapidamente que no mandato de Dilma, o tema praticamente desapareceu do noticiário nacional. Interessante observar ainda o "esquecimento" da mídia e dos comentaristas e analistas neoliberais do fato de o Brasil caminhar rapidamente para a 12ª maior dívida pública do planeta, detendo uma das mais elevadas taxas juros reais do mundo e assumindo a quarta posição internacional de maior gasto com o pagamento de juros da dívida pública em relação ao PIB.

De acordo com estudo do CEPR (Center for Economic and Policy Research) em 183 países, o Brasil somente registra comprometimento com despesas com a dívida pública menor que o Iêmen (8,36%), a Gâmbia (8,81%) e o Líbano (9,15% do PIB). Em síntese, nações que se encontram submetidas a conflitos internos e que apontam risco de não pagamento dos compromissos financeiros, bem diferente da situação brasileira.

O silêncio e a condescendência da mídia e dos analistas econômicos para a má gestão da dívida pública no Brasil se explica basicamente pela condição dos próprios interesses rentistas serem direta e indiretamente beneficiados através da captura de parcela significativa dos recursos públicos. Pela implantação do receituário neoliberal, o governo Temer protege o pagamento dos juros aos detentores privados da dívida pública, impondo simultaneamente o desembarque dos pobres das políticas públicas, o desmonte das áreas sociais (saúde, habitação, educação, assistência e outras), da infraestrutura (estradas, portos, aeroportos e outras) e dos investimentos na economia.

Também durante os anos de hegemonia do neoliberalismo nos governos de FHC (1995-2002), a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público cresceu exorbitantemente, com o silêncio e a condescendência da mídia e dos comentaristas e analistas do mercado financeiro. Entre 1995 e 2002, por exemplo, a dívida pública liquida saltou de 30% para 60% do PIB, com elevação acumulada de 114% (ou 0,9% ao mês).

Ao contrário disso, os governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores (Lula e Dilma) impuseram importante queda na Dívida Líquida Consolidada do Setor Público. Entre os meses de janeiro de 2003 e maio de 2016, por exemplo, a dívida pública líquida decresceu de 59,9% para 39,2% do PIB, ou seja, a redução acumulada de 29,9% (ou -0,2% ao mês).

Pelo crescimento da produção e a concomitante queda na taxa real de juros, o rentismo foi afetado negativamente pelos governos do PT. Com isso, abriu-se maior espaço fiscal para a incorporação dos pobres nas políticas públicas e o fortalecimento dos gastos nas áreas sociais, infraestrutura e investimento estatal.

Atualmente, assiste-se justamente o contrário com o governo Temer que, apoiado pelo retorno do neoliberalismo, mantém a economia estagnada e elevada taxa real de juros. Esse cenário, contudo, dificilmente terá continuidade, caso o Brasil realize, em outubro de 2018, eleições livres e democráticas, uma vez que o condomínio golpista não consegue viabilizar competitivamente um candidato presidencial.

Sem candidatura portadora de vitória, o rentismo e seus asseclas tratam cada vez mais da continuidade do golpe político de 2016. Por isso, a inviabilização das eleições presidenciais livres e democráticas ganha cada vez maior centralidade.

Marcio Pochmann é economista. É Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
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Qual o interesse em retirar Sociologia e Filosofia do currículo?

Especialista questiona pesquisa do Ipea que atrela a piora na aprendizagem da Matemática às disciplinas

Segundo pesquisa, a presença das disciplinas impacta negativamente a aprendizagem em Matemática
"Filosofia e Sociologia obrigatórias derrubam notas em Matemática". O título da reportagem publicada na Folha de S.Paulo na segunda-feira 16 revela os resultados de uma pesquisa inédita que será publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo, realizado pelos pesquisadores Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, já apontado como conselheiro econômico de Bolsonaro, defende que a presença das disciplinas como componentes curriculares obrigatórios no Ensino Médio prejudica a aprendizagem dos estudantes, essencialmente os de baixa renda.

Para chegar à conclusão de que a obrigatoriedade das disciplinas na etapa, estabelecida pela Lei 11.684 de 2008, levou à queda no desempenho escolar, os pesquisadores tomaram como base os resultados de estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em dois momentos. A pesquisa comparou os resultados dos alunos que prestaram o exame em 2009, por entender que eles ainda não tinham sido impactados pela obrigatoriedade, com aqueles que o prestaram em 2012, após a promulagação da Lei.

A partir das correlações, os autores levantam a hipótese de que, dada a limitação de carga horária do Ensino Médio, a inserção obrigatória de qualquer nova disciplina “se reflete em redução no espaço dedicado ao ensino das demais”.

As aferições são vistas com preocupação pela socióloga e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo (IFSP), Ana Paula Corti. A especialista, também membro da Rede Escola Pública e Universidade (REPU), pontua inconsistências na metodologia do estudo e questiona a sua intenção.

"É notório que o desempenho em Português e Matemática, assim como em outras disciplinas, muitas vezes é colocado como insatisfatório nos resultados de avaliações em larga escala", avalia Corti. "Muitas questões explicam isso, como a precariedade do sistema público, a falta de investimento, os problemas de financiamento e estrutura. Em nenhum momento, as pesquisas ou o conhecimento acumulado sugerem que esses problemas possam ser explicados pela presença de alguns componentes curriculares na escola", avalia.

A especialista indaga: "Por que tanto interesse em mostrar que Sociologia e Filosofia tem que sair do currículo?". Confira na entrevista.

Carta Capital:  Qual a sua leitura sobre a pesquisa "Efeitos da inserção das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio sobre o Desempenho Escolar"?

Ana Paula Corti: O primeiro aspecto que me chamou a atenção foi o título contundente da reportagem veiculada pela Folha, que é categórico ao relacionar a piora do desempenho em Matemática com o ensino de Filosofia e Sociologia. É muito atípico explicar parte do rendimento em uma disciplina em função da existência de outra.

Depois, lendo o estudo, dá para perceber que ele busca produzir um certo conhecimento correlacionando disciplinas, tentando estabelecer uma relação que é difícil entender. Por que esse interesse de explicar o rendimento de uma disciplina em função da existência de outra? É notório que o desempenho em Português e Matemática, assim como em outras disciplinas, muitas vezes é colocado como insatisfatório nos resultados de larga escala.

Muitas questões explicam isso, a precariedade do sistema público, a falta de investimento, os problemas de financiamento e estrutura. Em nenhum momento as pesquisas ou o conhecimento que temos sugere que esses problemas possam ser explicados pela presença de alguns componentes curriculares na escola. É estranho que os pesquisadores queiram estabelecer esse tipo de relação.

Como você avalia os caminhos metodológicos para estabelecer as conclusões da pesquisa?

O método que usaram para fazer a correlação apresenta muitas falhas. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa apresenta dois experimentos, ambos baseados nos resultados do Enem. No primeiro, eles comparam o rendimento dos alunos no exame em dois anos diferentes, 2009 e 2012, supondo que no primeiro ano, os alunos não tinham tido aulas de Filosofia e Sociologia e, no segundo, já tinham tido contato com as disciplinas. A ideia então foi comparar esses rendimentos para avaliar como a inclusão da Sociologia e Filosofia impacta as notas em Matemática e Português.

A Lei que torna o ensino de Sociologia e Filosofia obrigatório é de 2008, mas isso não significa que essas disciplinas não estivessem nas escolas antes desse período, porque as escolas não só podiam contemplá-las como várias já o faziam. Então, não é verdade que os alunos que fizeram o Enem em 2009 não tiveram essas aulas.

A outra questão é que a inclusão dessas disciplinas como componentes obrigatórios foi algo progressivo, porque tivemos resistência por parte de alguns estados. Notadamente os estados governados pelo PSDB, como é o caso de São Paulo, tiveram uma enorme resistência. O Conselho Estadual de Educação paulista, na época, tentou de todas as maneiras não implantar a Legislação na rede estadual. Os próprios autores dizem no estudo que, em 2010, apenas 48,5% das escolas do País ofertavam Sociologia e Filosofia. Isso significa que não é possível ter segurança de que os alunos analisados pelo estudo realmente tiveram aulas sobre essas disciplinas.

O que é grave? Toda a correlação que o estudo faz apontando uma piora no desempenho em Matemática é feita com base em alunos que podem ou não ter tido aulas de Sociologia e Filosofia. Então, isso já coloca, ou deveria colocar, muitos cuidados com relação a qualquer tipo de conclusão. O experimento não permite chegar a conclusões contundentes.

A pesquisa fala em um segundo experimento com as escolas...

O segundo experimento é baseado na média das escolas no Enem. Qual é o problema dessa vez? O Enem é uma exame de caráter voluntário, os alunos o fazem se quiserem e quando quiserem. Eles podem prestar o exame tendo concluído o Ensino Médio naquele ano ou há dez anos atrás, por exemplo. A consequência disso é que o Enem não é um exame bom para analisar resultado por escola, justamente porque você tem escolas em que dois estudantes fizeram o exame, outras em que 300 alunos o fizeram e unidades em que ninguém fez.

Os autores também reconhecem isso no estudo ao apontar que, em 2010, apenas 31% das escolas tiveram nota no Enem, ou seja, muitas delas ficaram de fora porque provavelmente seus estudantes não participaram do exame. Então, analisar as médias das escolas no Enem é, no mínimo, um procedimento falho.

Na sua opinião, os métodos da pesquisa não validam as conclusões feitas?

No mínimo, eles precisavam colocar qualquer conclusão com muito cuidado, apontando as limitações, mas não é isso que vemos, observamos resultados contundentes. Os pesquisadores dizem claramente que a limitação da carga horária no Ensino Médio faz com que, ao incluir uma disciplina, se prejudique outras. Isso não só não é verdade, como o estudo não investigou a questão. Há conclusões que estão fora do escopo dos objetivos da investigação feita, o que nos leva a desconfiar da intencionalidade do trabalho. Outra questão é que a pesquisa não consegue produzir evidência de que o estudo de Filosofia e Sociologia tem algum tipo de impacto no aprendizado da Matemática, muito menos provar que ele piora o ensino como é sugerido.

Quando você encontra uma correlação matemática ou estatística entre variáveis, isso não significa relação de causalidade. Também é um problema muito grave da pesquisa a maneira como eles tratam os resultados.

Diante disso, como avalia as intenções da pesquisa?

O que eu tenho visto nas pesquisas das áreas é muito mais uma tentativa de tentar entender como essas disciplinas vem sendo implantadas e quais são os resultados de aprendizagem. Você não vai encontrar coisas do tipo: o ensino de Biologia piora o ensino de Sociologia! Então, eu fico me perguntando se a busca por esse tipo de correlação não teria a ver com uma intencionalidade oculta de sugerir, nesse contexto que estamos vivendo de Reforma do Ensino Médio, que as disciplinas de Sociologia e Filosofia podem ser retiradas do currículo. Qual o interesse de tentar provar que a retirada das disciplinas não só não vai fazer falta como poderia melhorar o aprendizado em Matemática? É uma correlação espúria e uma maneira de tentar produzir evidências no mínimo duvidosas.

Vê interesses dos autores da pesquisa nas afirmações?

O fato de um deles, o Adolfo Sachsida, ter uma relação direta com políticos como Bolsonaro e projetos bastante controversos como o Escola sem Partido é complicado. Claro que os pesquisadores são cidadãos, tem seus posicionamentos políticos, e não têm que ter suas pesquisas questionadas por serem de direita ou esquerda.

Temos que tomar cuidado com isso, porque se imagina que eles tenham capacidade de ter uma autocrítica ao produzirem suas pesquisas. Agora, nesse caso específico, a gente fica se perguntando se esse pesquisador não tem como objetivo produzir evidências que atestem as políticas polêmicas que ele apoia, caso da Reforma do Ensino Médio e do Escola sem Partido.

Nós sabemos que para muitos partidários desse movimento, a Sociologia e a Filosofia é uma pedra no sapato por serem disciplinas de vocação crítica, reflexiva e que trazem o tema da política para a sala de aula como uma demanda da formação cidadã contemporânea. Sabemos que o Sachsida é um partidário do movimento, então acho que no mínimo precisaríamos ouvir outras vozes.

Na sua opinião, a pesquisa valida a reforma do Ensino Médio?

A reforma do Ensino Médio foi apresentada no final de 2016, como Medida Provisória, no mesmo período em que foi apresentada a PEC do congelamento dos gastos públicos, hoje Emenda Constitucional 95. Nada disso foi ao acaso, essas medidas estão conectadas.

O Ensino Médio é de responsabilidade dos estados e nós sabemos que eles estão enfrentando uma crise econômica e fiscal. Ao mesmo tempo, a EC 95 coloca para os estados um limite com gastos em educação. O que quero dizer com isso é que a Reforma do Ensino Médio, na medida em que diminui a oferta de formação geral, flexibiliza a contratação de professores, e permite convênios com instituições privadas, sobretudo com o itinerário formativo da formação profissional, é também uma maneira de promover esse ajuste fiscal. A Reforma é uma ação vinculada a um modelo neoliberal, O Estado mínimo, que permitirá aos estados fazerem ajustes e estabelecerem um modelo de oferta educacional com redução de custos.

Vale lembrar que o Sachsida foi favorável à aprovação da emenda do teto de gastos. Então, juntando, por que tanto interesse em mostrar que a Sociologia e a Filosofia têm que sair do currículo? Por quê a tentativa de mostrar que o currículo do Ensino Médio precisa valorizar só Português e Matemática? Porque essa é uma visão professada pela reforma do Ensino Médio, o que me leva a crer que a pesquisa que tenta produzir evidências para legitimá-la.

Ana Luiza Basilio
No CartaCapital
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Professores da Educação Infantil em greve são atacados na porta da PBH por forte aparato da PM


Manifestação pacifica das Professoras da Educação Infantil que estão em greve e esperava uma resposta do prefeito Kalil (PHS) às suas pautas são fortemente atacados por forte aparato da PM. Bombas de efeito moral, spray de pimenta, gás lacrimogenio e jatos d'água foram usados contra as professoras que lutam pela equipação da carreira da Educação Infantil. Confirmada a prisão pela Polícia Militar de dois Diretores do Sind-REDE/BH. A maioria da manifestação era composta por mulheres e crianças. Lutar não é crime!


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O risco do fim do foro privilegiado


Quando o Ministro Luís Roberto Barroso votou a favor da prisão após segunda instância, alguns anos atrás, observei a ele a questão da influência política nos tribunais estaduais e os abusos que poderiam ser cometidos.

Imaginei a seguinte situação: um processo meu que corresse em um Tribunal do Rio de Janeiro por crime de opinião. É conhecida a extraordinária influência da Globo sobre o TJRio. Bastaria uma condenação em primeira instância, confirmada em segunda instância, para haver a prisão, que seria mantida até o caso chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Sua resposta foi óbvia:

- Basta recorrer a um habeas corpus.

Naquela época já estava em formação o eixo Curitiba-Brasilia – Sérgio Moro –>  2ª Turma do TRF da 3ª Região –> Teori/Fachin – e nem se imaginava que o STF voltasse a se curvar ao clamor da turba e rasgar o conceito de habeas corpus.

Todo o abuso foi induzido pelo STF, lá atrás. Como foi induzido o ritmo descabelado de prisões preventivas infinitas de jovens com pequenas quantidades de maconha ou cocaína.

Ou seja, o bater de asas de uma borboleta no STF provoca um terremoto das instâncias inferiores.

Digo isso a respeito dessa discussão de fim do foro privilegiado, como se fosse o caminho para acabar com privilégios. O julgamento do foro pula todas as instâncias e vai bater direto na última, com as investigações sendo conduzidas pela Procuradoria Geral da República.

Acabar com o foro traria duas consequências.

A primeira, o liberou geral dos pequenos poderes encastelados nos municípios e na primeira instância. Hoje em dia, multiplicam-se os abusos de promotores e juízes, pretendendo ser o poder absoluto em suas comarcas.

A segunda, a blindagem dos políticos em estados onde o Judiciário é mais suscetível às pressões do governador. Por que a grita geral quando a Procuradoria Geral da República remeteu o processo contra o ex-governador paulista Geraldo Alckmin para o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Porque composto por maior de magistrados paulistas. Ou seja, até a velha mídia entendeu que era uma forma de blindagem. E nada mais foi do premiar Alckmin com o privilégio de perder o foro privilegiado.

O ex-presidente da República José Sarney conseguiu eliminar dois adversários – Jackson Lago, ex-governador do Maranhão e João Capiberibe, ex-governador do Amapá – simplesmente valendo-se de sua influência nos judiciários estaduais. Capiberibe foi cassado, se não me engano, devido à acusação de ter comprado um eleitor por 10 reais.

Ou, mais recentemente, o que a Justiça fluminense está fazendo com o ex-governador Anthony Garotinho, em um pacto que envolve juízes de primeira instância, procuradores, policiais e tribunais estaduais.

Por outro lado, é só analisar como a justiça paulista julga os casos envolvendo autoridades do Estado, para uma prova maiúscula de blindagem.

Independentemente das implicações posteriores, a abertura de um processo judicial liquida com a carreira da maioria dos políticos. Acabar com o foro, significará conferir o poder de fuzilamento a qualquer promotor associado ao juiz local.

Mais que isso, significará embotar totalmente a atuação federativa, já que cada decisão de impacto nacional sujeitará seu autor às idiossincrasias de qualquer comarca do país.

Luís Nassif
No GGN
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Quem garante a qualidade do combustível nos postos sem bandeira?

Os postos sem bandeira já são a maioria no Brasil
Há uma história que nós, repórteres, precisamos esclarecer para os nossos leitores. Afinal, podemos ou não confiar na qualidade dos combustíveis vendidos nos postos sem bandeira?  Como eles conseguem vender o litro do combustível, principalmente da gasolina, bem mais barato do que os postos com bandeira? A tal ponto, que a presença deles acaba regulando o preço dos concorrentes estabelecidos nas redondezas. Esse tipo de estabelecimento vem crescendo nas últimas duas décadas no Brasil. Hoje somam 17.134, o que representa 41,1% do número total de postos de combustíveis espelhados pelo país, os dados são da Agência Nacional de Petróleo (ANP), responsável pela regulamentação do setor. Hoje, com a política de reajuste dos preços dos combustíveis em tempo real das variações do mercado internacional praticada pela Petrobras, o preço do litro na bomba do posto é uma aflição diária do nosso leitor. E uma chance de tornar o nosso trabalho de informar relevante ao assinante.

Essa história começa em 1995. Na época, o governo federal desregulamentou o mercado do varejo do combustível, permitindo que os postos comprassem o produto de quem vendesse mais barato. A data coincidiu com a descoberta e a prisão de várias organizações criminosas envolvidas com adulteração de combustíveis. Mais ainda: na época, fazia parte do nosso modo de vida ver a marca de uma rede conhecida de distribuição de combustível no posto de abastecimento. A soma desses dois fatores lançou de imediato o selo de desconfiança nos sem bandeira. Eu vivi essa história. Comecei a trabalhar em redação de jornal em 1979 e, até os dias de hoje, sempre faço uma grande viagem de carro por ano em busca de histórias para contar. O perfil dessas viagens é simples: uma imensa distância para percorrer, muita gente para ser entrevistada e pouco tempo. Portanto, não posso correr o risco de ficar parado, em algum lugar na vastidão do interior do Brasil, com o carro estragado.  E, depois, ver a história publicada pelo concorrente. Esse sempre foi o meu pesadelo. Lembro que, em 1995, eu e a equipe (fotógrafo e motorista) viajamos direto durante 60 dias, percorrendo 30 mil quilômetros no interior do país, escrevendo a história dos gaúchos que haviam colonizado as  novas fronteiras agrícolas (O Brasil de Bombachas –  uma série de reportagens que se transformou em um livro). Na época, começavam a surgir, aqui e ali, os postos sem bandeira.  Claro, nós evitamos abastecer em sem bandeira.

Passaram-se 16 anos, em 2011 fiz outra longa viagem: foram 30 dias de estrada, percorrendo o mesmo trajeto de 1995, para contar a história dos filhos dos gaúchos que haviam povoado as fronteiras agrícolas (O Brasil de Bombachas – As Novas Fronteiras da Saga Gaúcha, que rendeu um livro, um blog diário, um programa de televisão, um de rádio e uma série de reportagens).  Como sempre, muita gente para entrevistas, grandes distâncias e pouco tempo para cumprir a pauta. Portanto, não podia me dar ao luxo de ter problemas com o carro. A grande diferença entre 1995 e 2011. Em 1995, o número dos postos sem bandeira era insignificante. Em 2011, eles eram a maioria. Daí tracei a seguinte estratégia: sempre que encontrava um posto com bandeira completava ao tanque o carro. Mas não escapei de precisar abastecer nos sem bandeira. Nas ocasiões em que isso aconteceu, procurei o proprietário, expliquei a minha situação e perguntei se ele garantia a qualidade do combustível. Não tive problemas.

No ano passado, um fato me chamou a atenção. Estava tomando chimarrão com uns amigos, na beira da BR-386, e veio a conversa dos postos sem bandeira. Um deles disse o seguinte: “Nós nunca desconfiamos da qualidade da gasolina dele porque ele é morador da cidade e conhecido de todos”. Daí comecei a notar que os sem bandeira que haviam prosperado eram exatamente aqueles que pertenciam a comerciantes conhecidos na comunidade. O que não deixa de ser uma espécie de garantia. Mas e a garantia oficial?  Em nível nacional, é da ANP, da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal. Nos estados da União, a ANP conta com a parceria do Ministério Público Estadual e a da Polícia Civil. São muitos olhos vigiando o varejo de combustível. Mas ainda é a desconfiança do consumidor a melhor arma para manter o comércio na linha. Lembramos que os comerciantes safados existem dos dois lados: nos postos com e sem bandeira.

Em linhas gerais, é essa a situação. E cabe a nós, repórteres, separar o joio do trigo para municiar o nosso leitor de informações corretas de quem é quem no comércio varejista de combustível.

Carlos Wagner
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Al Jacira

Anta Al mélia
Menina! Você viu? Agora esse povo do PT foi se meter com terrorismo. Era só o que faltava, viu? Quer dizer, faltava nada, mulher! Porque eu pelo menos já desconfiava há muito tempo, viu? Aí, foi lá a senadora deles pedir ajuda praquela rede terrorista lá, a Al Jacira, pra pedir pros terroristas deles virem libertar o Lula. Postei logo no grupo de WhatsApp da família que é pra alertar todo mundo. Porque comigo é assim, família é tudo, né?

Aí, veio o meu sobrinho, todo tendencioso, dizendo pra eu tomar cuidado que aquilo era mentira, era “fake News”. Esse sobrinho nunca me enganou. Fica lá naquele setor de humanas lá da universidade, dançando ciranda, deixando a barba crescer, escutando uns rock doido, assistindo peça de teatro. Até com terrorismo ele é metido, pois usa um tal de All-star nos pés! Que Fake News o quê, menino? Tá na cara que é verdade! É o plano perfeito. Esses terroristas vão entrar no Brasil tudo barbado, ninguém vai perceber nada. Vão pensar que são de algum sindicato. E do jeito que o povo é ignorante não vai nem saber a diferença: terrorista, petista, comunista. O povo não tem educação, o povo não tem instrução. Ainda bem que existe o WhatsApp e o Facebook pra gente poder se informar e ainda informar os outros. Ave Maria! Deus me defenda!

Olha, vou dizer, viu? Tomei abuso dessa tal de Al Jacira de um jeito que tem uma miga minha da hidroginástica que chama Jacira e não tô falando nem com ela. Tô fazendo minha parte.

E aproveitei também e já fiquei alerta pra tudo que é terrorismo infiltrado e a gente não percebia. Porque o cidadão de bem não pode fazer nada. Se o cidadão de bem pega uma arma é um alvoroço. Ele não pode matar um bandido, não pode matar um sem-terra, não pode dar um tiro num desafeto, não pode agredir um maconheiro, apedrejar um viado, uma sapatão. Porque logo aparece aquele povo pra dizer: “ah, mas tá errado!” Tá errado o quê!? Errado é esses terrorista irem atrás dessa Al Jacira pra virem libertar o Lula. Enquanto o terrorismo já tá infiltrado aqui há muito tempo.

Fiquei besta! Lá em casa, a gente queimou todas as almofadas que é travesseiro de terrorista. Também não come mais alface na salada que é pra não alimentar a bandidagem. As roupas agora é tudo 100% poliéster. Porque algodão é coisa de egípcio e egípcio é árabe e árabe é muçulmano e mulçumano é terrorista e terrorista é tudo daquele estado balsâmico lá. Algodão doce também não pode mais comprar pras crianças. E se algum amigo meu for pra Argentina, que não me traga alfajor. Prefiro uma bomba de chocolate que pelo menos não tenta disfarçar.

E tem mais: dei fim a todos os meus discos de Alcione, proibi o Jorge de sequer chegar perto do almoxarifado da empresa dele e só comprar terno na Vila Romana que é pra cortar relações com o alfaiate. Meu neto mais novo não vai fazer a alfabetização e o mais velho tá proibido de estudar álgebra. Vamos espalhar, gente! Que é pras pessoas saberem que tem terrorismo em todo canto. Não deve sobrar um alfinete pra provocar instabilidade na nossa sociedade cristã ocidental. Deus é mais! Aí, quando estivermos livres do terrorismo, a gente faz uma festa! Mas bastante comedida que é pra não virar algazarra que é festa de homem-bomba, né?

Por isso que aquele líder terrorista americano se chamava Al Capone. Tudo se encaixa agora. E mamãe que teve Alzheimer e pra mim já ficou claro quem é que transmite essa doença. Obrigada, Internet! Por abrir meus olhos, por me revelar a verdade em nome de Jesus!

Só tem um problema, amiga. É esse negócio aí das eleições. É que eu estava pensando em votar naquele homem lá que parece um santo, o Alckmin. Mas aí, como é que pode, né? Se tudo que começa com “al” é terrorista, vou ter que escolher outro. Não sei mais o que é que eu faço, viu? Vou ali acessar o Whats pra me informar.

Carlos Fialho
No Saiba Mais
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Cinismo

Fachin e Cármen Lúcia: a atuação deles no golpe é espantosa
1) Condenação surreal no primeiro grau de jurisdição, com processo repleto de nulidades e por juízo absolutamente incompetente. O crime imputado ao Lula teria ocorrido em São Paulo e ele não teria qualquer conexão com os delitos originários da 13ª Vara Federal de Curitiba.

As condutas atribuídas ao ex-presidente Lula não são tipificadas como crime. O crime é RECEBER INDEVIDA VANTAGEM. Lula não “recebeu” o Triplex !!!
Se recebeu, pergunto: quando? onde? como?

A condenação foi repudiada por quase toda a comunidade acadêmica. Cinismo.

2) Decisão bizarra no Tribunal Federal Regional, com aumento da pena para burlar a prescrição da pretensão punitiva, ao arrepio das regras do Cod. Penal que tratam do tema.

A pena mínima da corrupção passiva é 2 (dois) anos e eles aumentaram para mais de 8 (oito) anos. Aumentaram pelos bons antecedentes do ex-presidente!!! Cinismo!!!

3) Decisão do S.T.J. denegando Habeas Corpus em favor do ex-presidente, a qual simplesmente desconhece a vigência das regras do art.283 do Cod.Proc.Penal e do art.105 da Lei de Execução Penal.

Para fugir do enfrentamento desta questão, o tribunal federal assevera que tem de seguir o que já decidiu S.T.F.

Ora, todos sabem que o S.T.F. já tem entendimento diverso e que eles estão julgando contra a Constituição e as regras ora mencionadas.!!!. Cinismo;

4) O Ministro Fachin, sabendo que a segunda turma do S.T.F. é contra a execução provisória da pena, tira o julgamento do Habeas Corpus do seu “juiz natural” e remete o processo para o plenário do S.T.F. Cinismo;

5) A presidenta do S.T.F. não coloca os processos em pauta para serem julgados (ações diretas de constitucionalidade do art.283 do Cod.Proc.Penal). Se ele não é inconstitucional tem de ser aplicado.

Tal regra jurídica exige o trânsito em julgado (não cabimento de qualquer recurso) para que a prisão seja automática, como efeito da condenação.

Por que não “conferir” o real e atual entendimento do Plenário do S.T.F.???

Por tudo isso, a população está estarrecida e revoltada, embora (in)devidamente contida. Há sempre uma esperança de que o Poder Judiciário irá voltar a afirmar a sua indispensável dignidade.

Custa a crer que esta imoral perseguição continue a acontecer. Chego a ficar meio desesperado. Algo precisa acontecer para fazer cessar esta tremenda injustiça que está sendo perpetrada contra o maior líder popular de toda a nossa história.

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Proc.Penal pela Uerj.
No DCM
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Golpe inspirado em golpe


Hector Consani, de Maringá, estava vendo hoje Getúlio, da Globo Filmes, estrelado por Toni Ramos. De repente, um susto. E postou no Twitter:

"IMPRESSIONANTE vejam de onde veio a inspiração do P. Point do DD.

Estou assistindo GETÚLIO, lançado em 5/2014.

Delatores torturados, Com bolinhas, "único chefe" "em nome de Deus", tudo isso em apenas 1 min de vídeo. GOLPE INSPIRADO EM GOLPE."

E seguem as cenas.

Impressionante mesmo. A pressão sobre Gregório Fortunato, o Anjo Negro, na República montada pelos golpistas na Base Aérea do Galeão para "provar" que Getúlio havia ordenado o atentado da Toneleros, que deu no suicídio dele 19 dias depois.

E ainda mais impressionante Lacerda diante de um quadro negro, na telinha, mostrando as setas que convergindo para o nome de Getúlio no centro dele. O precursor do power point de Deltan Dallagnol.

Era tudo mentira. Um mundo de mentiras. Da testemunha ocular do crime e tudo. Vou te contar:

Acreano de Xapuri, como Chico Mendes, Jarbas Passarinho, Glória Perez e João Donato, o jornalista Armando Nogueira alcançou fama ainda na juventude por feito histórico: acabou com a aviação do Estado. O Acre tinha dois monomotores. Ele saiu para passear num deles. Perdeu o controle no pouso e acertou o estacionado no aeroporto de Rio Branco, a capital.

Outro feito notável do jornalista: mentiu para a História.

O frustrado atentado da Toneleros, do qual Lacerda saiu com um suposto ferimento no pé esquerdo, levou à criação de um precursor dos DOI-Codis da ditadura instaurada dez anos depois: a República do Galeão. Os acusados e implicados, nas mãos de militares da Aeronáutica e dos policiais chefiados por Cecil Borer, foram torturados à vontade. Não houve brutalidade que esquecessem.

Havia uma ligação direta entre a República do Galeão e a imprensa, através principalmente do Diário Carioca. Tão íntima, que seu editor-chefe Pompeu de Souza ficou conhecido como “presidente da República do Galeão”. A Tribuna da Imprensa já era íntima, pela ligação de Lacerda com os militares golpistas.

Pompeu de Souza tinha livre acesso ao antro de torturas da Base Aérea. Um repórter desse jornal, por acaso, se tornaria célebre mais tarde, como autor de texto machadiano em crônicas memoráveis no Jornal do Brasil e diretor de jornalismo da Rede Globo nos piores anos da ditadura militar.

Armando Nogueira, aos 27 anos, conversava com amigos na Toneleros na madrugada de 5 de agosto de 1954, quando ouviu tiros na frente do edifício Albervânia, 180, ali perto – ele morava no 183. E virou testemunha ocular da história.

Viu Alcino João do Nascimento disparar contra Lacerda, enquanto seu guarda-costas agonizava, atingido pelo pistoleiro. Armando contou o que viu no Diário Carioca, na primeira pessoa. A oposição, incendiada pelo próprio Lacerda, iria explorar o atentado com tal sanha, que levaria o “pai dos pobres” ao suicídio 19 dias depois.

Nos 30 anos do crime da Toneleros, Armando Nogueira, agora todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, ao gravar um Globo Repórter, reencontrou Alcino – que havia cumprido 21 anos de prisão. E, após a gravação, Armando me fez confidências em outra conversa cara-a-cara em sala na Von Martius. Segredou que não contou no Diário Carioca exatamente o que viu.

“Na verdade, a cena que vi foi um fogo cruzado de Lacerda com Alcino, o major no meio.”

O que levou Armando Nogueira a contar o que não viu?, perguntei na revista Interview nos anos 1990.
Armando, morto aos 83 anos em março de 2010, contou só o que convinha aos torturadores e seus superiores militares e civis.

Lacerda simulou um tiro no pé para posar de vítima, carregado no colo por soldados, e assim fotografado para publicação na imprensa. No tiroteio se usou arma calibre 45. Um balaço de 45 destruiria até o pé do Cyborg, o homem biônico. Por isso nunca houve exame de balística.

O mestre de obras Alcino João do Nascimento nunca abriu mão da versão que me deu em 10 horas de fitas gravadas na casinha de meia-água à luz de lampião na Baixada Fluminense para o Aqui-São Paulo, derradeira aventura de Samuel Wainer, e o livro “Mataram o Presidente – O Pistoleiro que Mudou a História do Brasil”, de 1977.

Atirou, sim, no peito do major Vaz, mas não no pé de Lacerda. Nunca houve plano de atentado.

Quais razões ele teria para mentir? As razões do jornalista Armando Nogueira e do Diário Carioca não sei, só posso supor: ajudar a derrubar o presidente que havia voltado ao Catete “nos braços do povo”.

Palmério Dória
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Nunca ninguém fez merda em nome do capeta

"Pelo menos Bolsonaro vai mudar alguma coisa. Você pode não gostar dele, mas tem que admitir que ele é diferente de tudo o que tá aí."

Sabe o que também é diferente? Tatuagem no testículo. Martelada no mindinho. As camisetas do Faustão. Diferente não é necessariamente bom. O fato de uma ideia ser inédita não significa que ela seja boa. Não conheço ninguém que tenha tido a ideia de fritar a própria bochecha e comer com brócolis. É bom? Não sei.

O mais estranho é que Bolsonaro não consegue nem a proeza de ser inédito. E olha que ser inédito é mole. A frase que acaba de me ocorrer: "o plâncton peida no pâncreas" é, segundo o Google, inédita. Talvez por não fazer sentido algum. Já a frase "bandido bom é bandido morto" não é inédita. O que não quer dizer que ela faça algum sentido.

Tudo o que o sujeito propõe é o que já tem sido praticado nos nossos 500 anos de história. "Você tá doente? Eu inventei um negócio: você corta seu antebraço e deixa sangrar." Então, isso se chama sangria e faz 4.000 anos que não dá certo. "Queria propor uma coisa nova, que é queimar tudo o que é bruxa."

Se tem uma coisa que o Brasil não precisa é de moral cristã e ordem militar. Tudo o que a gente teve até hoje é porrada e missa. E a gente é a prova viva do fracasso de ambos.

Se você ouve o Bolsonaro falando, parece que quem governou o Brasil nos últimos anos foi o Zé Celso e o pessoal do Teatro Oficina. Parece que a gente vive uma ditadura do teatro contemporâneo, da maconha e do poliamor. Parece que o pessoal tá tatuando a cara do Paulo Freire, e não do Neymar.

Ninguém no Brasil nunca fez merda em nome do Capeta, da maconha ou da sacanagem. Toda vez que mataram, escravizaram e torturaram no Brasil foi em nome de Deus, da pátria e da família.

"Tem que manter isso, viu?", disse o Temer pro Joesley sobre a propina pro Cunha. "Nossas putarias têm que continuar", disse o Sérgio Côrtes pro Miguel Iskin antes de ser preso. "Nosso sonho não vai terminar", diz Buchecha e Claudinho pra uma menor de idade. A história do Brasil é uma luta incansável (e vitoriosa) pela manutenção das putarias.

Bolsonaro, pode ter certeza, vai fazer um governo bem parecido com o de Temer. Acho inclusive que deve ganhar. Tem tudo o que precisa pra ser presidente do Brasil: auxílio-moradia, funcionário fantasma e um bando de ideia velha na cabeça.

Gregório Duvivier
No fAlha
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Os desafios da comunicação nos governos progressistas


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