22 de abr. de 2018

Bolsonaro é uma ameaça à democracia, diz Francis Fukuyama


O cientista político Francis Fukuyama, que se tornou mundialmente conhecido pelo ensaio "O fim da história?", em 1989, afirmou que a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça à democracia no Brasil.

“Bolsonaro representa uma verdadeira ameaça à democracia. Subjacente a isso, há uma polarização social no Brasil, que transformou em luta ideológica o que começou como campanha anticorrupção”, disse ele em entrevista à Folha.

Questionado sobre a prisão do ex-presidente Lula, Francis Fukuyama preferiu não comentar. “Esse é um assunto muito complexo que não quero abordar nesta entrevista”.

O professor da Universidade Johns Hopkins, em Washington, também criticou o Facebook pelo escândalo envolvendo a manipulação de dados de usuários pela Cambdrige Analytica. "A defesa tradicional da liberdade de expressão depende da percepção de que, num livre mercado de ideias, as melhores vão vencer. Com os algoritmos das redes sociais, isso não é verdade. Precisamos de mais curadoria na internet. Precisamos do retorno de editores e outros guardiães da informação, e as plataformas digitais precisam assumir sua responsabilidade”, afirmou.

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“Fora sapa!”: executivos da Andrade Gutierrez, que pagou propina a Aécio, xingavam Dilma no WhatsApp


O dono da Andrade Gutierrez, Sérgio Andrade, disse em depoimento à Polícia Federal que Aécio recebeu propina de R$ 35 milhões através de um contrato entre a empreiteira e uma empresa do amigo Alexandre Accioly.

A suspeita da PF é de que o contrato de fachada servia para facilitar a AG e outras empreiteiras na construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia.

Em 2015, apareceram trocas de mensagens de WhatsApp de executivos da cúpula da Andrade Gutierrez durante as eleições, torcendo por Aécio.

“Bora Brasil!! Bora Aécio!!!”, disse Ricardo Sá, presidente global da AG Private, divisão da empresa que cuida de clientes do setor privado em todo o mundo, quando a apuração dos votos no segundo turno mostrava o tucano à frente.

As informações constavam do iphone de Elton Negrão de Azevedo Júnior, que deixou a empresa após ser preso na 14ª fase da operação e ser denunciado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Deste grupo participavam presidentes de várias divisões do Grupo Andrade Gutierrez como:

Flávio David Barra, ex-presidente da AG Energia preso na Lava Jato; Clorivaldo Bisinoto, presidente da AG Engenharia; Ricardo Sena, presidente de Engenharia e Construção da AG Engenharia; Anuar Caram, presidente da AG Público Brasil, que trata dos negócios com o setor público; Ricardo Sá, presidente da AG Private; José Nicomedes, presidente da AG AEA – África, Europa e Ásia- e João Martins, presidente global da AG Negócios Estruturados. Do grupo, apenas Elton Negrão e Flavio Barra são investigados pela Operação Lava Jato.

No dia 25 de outubro, o sábado antes da votação, eles comentaram o último debate entre os então candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves transmitido pela TV Globo.

“É agora… O tema corrupção…. A mulher está nervosa demais…. Agora o homem moeu a gorda de perna aberta”, disse Anuar Caram, que foi logo respondido por Ricardo Sá: “Fora sapa com cara do satanás!!!”.

(…) “Legal. Taca-lê pau Aécio”, segue Anuar Caram. As ofensas e piadas à presidente seguem durante o debate transmitido pela TV Globo. No dia seguinte, após a votação do segundo turno, o grupo começa a comentar as expectativas e a torcer pelo candidato tucano, citando inclusive informações que seriam da campanha dele.

(…) Os executivos comentam ainda a vitória da petista em Minas Gerais e o bom desempenho de Aécio em São Paulo. “Vergonha de ser mineiro!”, reclama Ricardo Sena. Flávio Barra, por sua vez, afirma “nem sou mais… voto em SP, que me deu orgulho!”. “Aguentar essa dentuça por mais 4 anos vai ser foda”, reclama Caram. “A miséria e a ignorância elegeu a Dilma!(sic)”, segue João Martins.


No DCM
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Ameaça à democracia não vem das Forças Armadas, mas de juízes, procuradores e PF, diz Gilmar

“A maior ameaça à democracia no Brasil não vem das Forças Armadas, e sim de corporações, como a polícia, o Ministério Público e agrupamentos de juízes”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi dada no programa Frente a Frente, da Rede Vida.

Itália teve governo de juízes e procuradores
e situação só piorou, disse Gilmar Mendes.
O ministro disse que “não foi positivo” o efeito das declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e de outros generais na véspera do julgamento pelo STF do pedido de Habeas Corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, militares criticaram a impunidade, em manifestações que foram interpretadas como uma ameaça aos ministros.

Porém, Gilmar Mendes apontou que as falas não significam que as Forças Armadas têm desapreço pela democracia. A seu ver, elas contribuíram para a construção na nova república, após a Constituição de 1988. A ameaça agora são “grupamentos de corporações”, avaliou o magistrado.

“O Estado Democrático de Direito tem uma fórmula muito simples: todos estão submetidos à lei. Quando se começa a transformar a lei para o ‘eu acho que’, para se traduzir o sentimento social, a gente rompe com esses critérios. Em alguns momentos, a ameaça à democracia pode vir do Ministério Público”, exemplificou.

Segundo Gilmar, práticas abusivas da operação “lava jato”, como prisões provisórias alongadas sem justificativa ou detenções para forçar delações premiadas criam um efeito negativo no sistema.

“Isso passa a ter um efeito lá embaixo, em todos os locais. Tanto é que agora você tem o ‘Moro do Rio de Janeiro’, o ‘Moro do Pantanal’, o ‘Moro do não sei o diabo’. Vai ter Moro assim, né?”, destacou, referindo ao juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Além disso, o ministro questionou o discurso moralista daqueles que atuam na “lava jato”. Ele citou que o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, e sua mulher recebem dois auxílios-moradia, mesmo morando juntos e tendo imóvel próprio — o que torna o benefício ilegal. E ressaltou que o episódio de Marcelo Miller, ex-procurador da República que é acusado de ter defendido a JBS enquanto ainda estava no Ministério Público Federal, mostra que há corrupção na operação.

No ConJur
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Nos roubaram o presente, o curto prazo, mas não conseguiram nos roubar o futuro

Foto: Ricardo Stuckert
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.
Vladimir Maiakóvski, no poema 
dedicado a Sierguei Iessiênin – 
poeta russo e amigo.

A prisão política do Lula não é uma injustiça qualquer.

É uma injustiça equiparável às injustiças perpetradas contra os grandes personagens da história, submetidos ao martírio porque simbolizavam interesses antagônicos aos dos poderosos do seu tempo – Sócrates, Cristo, Gandhi, Fidel, Mandela, Getúlio …

Lula é inocente.

A Globo, Moro, Dallagnol e os poderosos que verdadeiramente estão por trás da Lava Jato e do golpe têm consciência de que Lula é e sempre foi inocente. Por isso forjaram a farsa jurídica operada à jato para viabilizar sua condenação e prisão fraudulenta em tempo recorde, de olho no calendário eleitoral.

Contra Lula não existe uma única prova de um único crime sequer. Existe apenas a obsessão fascista e doentia de condená-lo para castigá-lo com a privação do mais transcendente direito que todo ser humano adquire ao nascer: a liberdade.

Condenaram Lula ao castigo cruel do isolamento social e do silenciamento da sua voz não porque ele cometeu uma única ilegalidade, mas porque, como maior líder popular do Brasil, Lula significa o fim do golpe e do regime de exceção e a restauração da democracia no país.

A proibição despótica de Lula receber visitas de parlamentares, governadores, do líder religioso Leonardo Boff e do Nobel da Paz Perez Esquivel, sinaliza que o fascismo será impiedoso, implacável e, enquanto suportar, seguirá indiferente ao clamor internacional que reclama justiça para Lula.

Todo esse massacre, porém, é em vão. Quanto mais agridem Lula, mais fica esclarecido no imaginário popular que ele está sendo injustiçado, e mais estampada fica a motivação política da perseguição a ele.

Hoje, Lula seria eleito no primeiro turno. Mesmo banido da eleição, continua sendo a peça decisiva do tabuleiro – o jogo eleitoral passa por Lula, inclusive os movimentos da direita.

O projeto de poder de médio e longo prazo da ditadura Globo-Lava Jato está comprometido.

A despeito de toda armação fascista, não conseguem ter viabilidade eleitoral. Com Alckmin cada vez mais esvaziado, deverão concentrar a aposta em Joaquim Barbosa – e, se essa opção também fracassar, então … cancele-se a eleição.

Perdemos o presente – o curto prazo –, é preciso reconhecer. Afinal, o projeto emancipatório que retirou 40 milhões da miséria foi golpeado numa conspiração que abarcou a Globo, a PF, o MPF, o judiciário, o Congresso e o capital nacional e internacional em aliança com agências norte-americanas.

É um período de derrota da soberania nacional, dos direitos do povo, da democracia, da integração regional e do Estado de Direito. A agenda anti-povo e anti-nação, executada com fúria selvagem, exigirá um esforço extraordinário para a reconstrução do país.

A dignidade socrática com que Lula deixou-se levar pelos carcereiros naquele de 7 de abril, entretanto, escreveu na eternidade da história os gestos, os símbolos, as imagens, as representações e, sobretudo, o discurso político que conecta a esquerda e os valores humanistas com o futuro que já começou.

A elite dominante conseguiu muito com o golpe, é verdade; mas fracassou no objetivo estratégico e fundamental de exterminar Lula, o PT, o lulismo, o progressismo e a esquerda.

A luta não só continua, como ficou ainda mais unitária, mais forte, mais massiva e mais generosa. Da resistência ao golpe e da sobrevivência no regime de exceção/na ditadura brota uma dialética de afirmação da possibilidade de futuro em meio a esse contexto de derrota.

O horizonte onde se enxerga a vitória da esquerda, do povo e da democracia está distante, porém ao alcance não só dos olhos, como também das mãos. A direita, os fascistas nos roubaram o presente e o curto prazo, mas não conseguiram nos roubar o futuro.

Como disse Maiakóvski, o grande poeta russo, “para o júbilo o planeta está imaturo. É preciso arrancar alegria ao futuro”.

Jeferson Miola
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Prefeito tucano é preso suspeito de estuprar criança

Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB) foi preso em Bauru e, segundo a Polícia Civil, confessou o estupro. Advogado de defesa não se manifestou sobre o caso.

Prefeito tucano foi levado para a delegacia suspeito de raptar e estuprar menina
O prefeito em exercício de Bariri (SP), Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB), teria se passado por um policial à paisana para convencer uma menina de 8 anos a entrar em seu carro. A informação foi passada pela irmã da menina, Josiele da Silva. O político foi preso neste sábado (21) suspeito de ter raptado e estuprado a menor de idade.

Na delegacia, segundo o delegado Fábio Mariotto que fez o flagrante, ele teria confessado o estupro, no entanto, na audiência de custódia realizada na manhã deste domingo (22), ele negou todas as acusações. O advogado de defesa do prefeito, Humberto Pastrello, não quis comentar o caso.

Na audiência foi decretada a prisão preventiva de Paulo Araújo e a também o sigilo do processo. Ele deve permanecer preso até o final das investigações. Paulo Araújo foi levado inicialmente para o Centro de Detenção Provisória de Bauru (CDP), mas pode ser transferido para outra unidade pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

O caso será encaminhado para o Tribunal de Justiça de São Paulo, uma vez que o prefeito tem foro especial, que irá definir se as investigações serão mantidas pela Polícia Civil.



Conforme o relato da criança para a família, o prefeito teria se passado por policial e dito que um ladrão estaria no bairro e, por isso, levaria a menina de volta para casa. Entretanto, vizinhos viram a garota conversando com um desconhecido e avisaram a família, que acionou a Polícia Militar.

Horas mais tarde, a menor de idade foi encontrada em um bairro distante, na Zona Leste de Bauru. Pela manhã, havia saído comprar pão, algo que era comum fazer no bairro José Regino, onde mora.


Araújo é presidente da Câmara de Vereadores de Bariri e está no cargo de prefeito desde o início de 2017
"As vizinhas viram. Diz que ela parou, começou a gesticular e conversar. Nisso ele desceu, pegou a criança e colocou no carro. Travou com o vidro escuro e foi embora a milhão", afirma Luana Garcia, prima da criança.

O empresário Luis Henrique Souza, que junto com a esposa encontrou a criança chorando, afirma ter estranhado vê-la sozinha andando tão cedo na rua. Ele conta ter pedido para a mulher perguntar se a garota estava bem.
"Chacoalhando a cabeça [ela] disse que não. Então, nós perguntamos o que havia acontecido e ela disse que um homem havia a levado para o mato. Isso foi o suficiente para colocarmos ela no carro. Queríamos tranquilizá-la porque vimos que estava bem transtornada e perdida."

O casal levou a menina de volta para casa, onde a família já aguardava por informações e havia acionado a Polícia Militar. A criança teria conseguido fugir do suspeito quando o carro caiu em uma vala em uma estrada de terra.

O prefeito foi encontrado caminhando no Vale do Igapó sem camisa e aparentava estar alterado, segundo a polícia. A equipe da PM relatou ter tido dificuldade para conter o político.
"Desobedeu ordem de parada dos policiais, resistiu, entrou em luta corporal ali na hora para não ser algemado. Posteriormente fizemos a conexão dos fatos e ele mostrou onde estava o veículo escondido", diz o tenente Michel Pietro, que comandou as buscas pela garota.
A menina e o prefeito foram levados para a Unidade de Pronto-atendimento do Jardim Bela Vista, de onde seguiram para a delegacia, onde o caso foi registrado como flagrante de estupro. Parentes da criança se reuniram em frente ao local e pediram justiça.

O laudo que vai comprovar se houve relação sexual deve sair em até 30 dias. O Conselho Tutelar já está acompanhando o caso para dar todo o suporte necessário para a menina. No carro do prefeito também foi encontrado um cigarro de maconha e a CNH apresentada por ele está vencida desde outubro do ano passado.

Criança teria conseguido fugir do prefeito quando carro caiu em buraco na estrada de terra (Foto: Arquivo pessoal)
Criança teria conseguido fugir do prefeito quando carro caiu em buraco na estrada de terra
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Seletivismo: rígida com Lula, juíza liberou executivo da Petrobras condenado a 18 anos de usar tornozeleira eletrônica

Ela
A Justiça seletiva, que escolhe qual acusado merece todo o rigor da lei e o tratamento punitivista que ofende direitos individuais e ignora o devido processo legal, é a mesma que é leniente com as normas penais e condescendente em acordos e concessões aos que não lhe interessa punir.

A juíza Carolina Moura Lebbos, por exemplo, que goza de reputação de ser rígida em suas decisões, foi além da lei para proibir que o ex-presidente Lula recebesse a visita de amigos em seu cárcere político.

Por outro lado, já foi muito mais branda do que a norma penal quando permitiu que um condenado a 18 anos em regime fechado pudesse andar livremente pelas ruas abrindo mão até da tornozeleira eletrônica, alegando que o cumprimento daquela pena incorria nos princípios de “responsabilidade” e “confiança”. 

Talvez seja esta a mais marcante característica da Operação Lava Jato: a capacidade de aplicar a Justiça e o Direito de maneiras díspares a depender da capa do processo, das ligações partidárias, origens e colorações ideológicas.

Vejamos o caso do executivo Leo Pinheiro, ex-diretor da empreiteira OAS, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no processo do tríplex do Guarujá (SP).

Lula a todo tempo negou ser dono do imóvel. Não há nem nunca houve qualquer documento que ligasse seu nome à propriedade.

Também jamais dormiu ali, nunca teve as chaves, não usufruiu de suas dependências nem obteve qualquer benefício relacionado ao apartamento.

Ainda assim, foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e meio de prisão. Os desembargadores do TRF 4 aumentaram a pena para 12 anos e um mês de cadeia.

Ou seja, aplicaram uma sentença que poderia ser conferida a um condenado por homicídio doloso qualificado.

No mesmo processo, Leo Pinheiro, executivo de uma empresa que é acusada pelo Ministério Público Federal de ter desviado recursos na ordem de dezenas de milhões de dólares, chegou a acumular condenações de 26 anos de prisão.

Depois que falou o que os procuradores da Lava Jato queriam no processo, que tinha ouvido (não disse de quem) que o triplex estaria destinado à família do ex-presidente Lula, sua pena já caiu para menos da metade.

Os desembargadores que ampliaram a pena de Lula voltaram a reduzir a de Leo Pinheiro para somente três anos e meio de detenção, já começando no regime semi-aberto.

Nesta semana que se encerra, o mais novo exemplo do “seletivismo” lava-jatista: a juíza Carolina, responsável por conduzir a execução penal do ex-presidente, achou por bem proibir que Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz de 1980, e o teólogo Leonardo Boff o visitassem.

A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) e as chamadas “Regras de Mandela”, constantes em tratado internacional de que o Brasil é signatário, são cristalinos ao determinar que toda pessoa encarcerada tem o direito inalienável de receber a visita de familiares e amigos na prisão.

Mas a lei não valeu para o ex-presidente Lula. A magistrada do Paraná vem proibindo toda e qualquer visita a Lula que não seja de seus advogados ou de familiares. Com Lula, Carolina Moura Lebbos resolveu elevar sua rigidez para acima da legalidade, violando assim a norma penal. 


A juíza Carolina Lebbos proibiu Boff de ver Lula

Nem sempre é assim. A juíza calibra sua balança de forma diferente ao gosto do processado da vez.

No último dia 11, debruçou-se sobre a execução penal de Pedro Barusco, ex-executivo da Petrobras e condenado a 18 anos de cadeia em 2015 no âmbito da Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.   

Barusco firmou acordo de delação premiada por delatar políticos de partidos políticos como PT, PP e PMDB.

Apesar de ter sido condenado a 18 anos em regime fechado, a negociação garantiu que a pena privativa de liberdade fosse alterada para 15 anos no chamado “regime aberto diferenciado” – quando o acusado cumpre a pena em sua casa, devendo seguir algumas obrigações, como se apresentar à polícia aos finais de semana, usar a tornozeleira eletrônica e realizar a prestação de serviços sociais. 

Ou seja, a Lava Jato já havia derrubado uma reclusão em regime fechado de 18 anos a uma mera pena restritiva de direitos. Pouco restou para o apenado cumprir em termos de sanção. O uso de tornozeleira eletrônica e prestação de serviços foi quase tudo que sobrou. 

Nem isso ele cumpriu. Em alguns meses, deixou a bateria acabar de sua tornozeleira por cinco vezes. Isso por si só poderia ser motivo para que seus benefícios penais fossem cortados e ele voltasse ao regime fechado de cumprimento da pena.

A juíza Carolina Moura Lebbos, no entanto, considerou, em março do ano passado, que dar-lhe uma advertência formal por escrito seria a punição adequada. Assim o fez

Eis que agora, no último dia 11, a defesa de Barusco solicitou e a juíza Lebbos de pronto acatou um pedido para que o executivo delator não tivesse mais a obrigação de usar tornozeleira.

Não há previsão legal sustentando o pedido, mas Lebbos resolveu ser mais branda do que prevê a lei. Para justificar sua decisão, escreveu que o cumprimento da pena sob o novo regime baseia-se na “autodisciplina e senso de responsabilidade” do condenado. 

Mantendo sua fama de rígida, alertou: “No caso de descumprimento injustificado, estará sujeito o executado à regressão de regime e a não extensão do benefício a outras eventuais condenações, consoante os termos da sentença condenatória e do acordo de colaboração premiada homologado”.

Ou isso ou uma advertência formal por escrito.

Vinícius Segalla
No DCM
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Vivemos sob um regime de exceção na forma de um golpe brando


Há uma cena de grande dramaticidade no evangelho se São Mateus quando se trata do Juizo Final”, quer dizer, quando se revela o destino último de cada ser humano. O Juiz Supremo não perguntará a que Igreja ou religião alguém pertenceu, se aceitou os seus dogmas, quantas vezes  frequentou os ritos sagrados.

Esse Juiz se voltará aos bons e dirá: ”Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós desde a criação do mundo; porque tive fome e de me destes de comer, tive sede e me destes de beber, fui peregrino e me acolhestes, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, estava preso e viestes me ver… todas as vezes que fizestes a um destes meus irmãos e irmãs menores, foi a mim que o fizestes…e quando deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a  mim que não o fizestes(Evangelho de S.Mateus,25, 35-45).”

Neste momento supremo, são as práticas e não as prédicas para com os sofedores deste mundo que contarão. Se os tivermos atendido, ouviremos aquelas palavras benditas.

Esta experiência foi vivida  pelo Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Perez Esquivel (1931) arquiteto e renomado escultor, grande ativista dos direitos humanos e da cultura da paz, além de ser profundamente religioso e por mim. Ele solicitara  às autoridades judiciais brasileiras a permissão de visitar no cárcere o ex-Presidente Lula, amigo de muitos anos.

 Da Argentina Esquivel  me telefonou e no twitter foi resumida a conversação numa espécie de yotube. Iríamos juntos, pois eu havia recebido também o assim chamado Nobel Alternativo da Paz em 2001(Award The Right Livelihood) do Parlamento sueco. Mas lhe adiantei que minha visita era para cumprir o preceito evagélico o de “visitar quem está encarcerado” além de abraçar o amigo de mais de 30 anos. Queria reforçar-lhe  a traquilidade da alma que sempre manteve. Confessou-me  pouco antes de ser preso: minha alma está serena porque ela não me  acusa de nada e me sinto portador da verdade que possui uma força própria e que no  seu devido tempo se manifestará.

Chegamos em Curitiba Esquivel e eu, em horários diferentes, no dia 18 de abril. Fomos diretamente ao grande auditório da Universidade Federal do Paraná repleta de gente, para um debate sobre democracia,   direitos humanos e a crise brasileira que culminou com a prisão de Lula. Lá estavam autoridades universitárias, o ex-ministro das relações exteriores Celso Amorim, representantes da Argentina, do Chile, do Paraguay, da Suécia e de outros países. Alternadamente cantaram-se belíssimas músicas latino-americanas especialmente com a voz sonora da atriz e cantora Letícia Sabatella. Afrodescentes daçaram e cantaram com suas roupas belamente coloridas.

Fizeram-se vários pronunciamentos. O desalento geral, como por um passe de mágica, deu lugar a uma aura de benquerença e de esperança de que o golpe parlamentar, judídico e mediatico não poderia desenhar nenhum futuro para o Brasil. Antes, encerar-se-ia um ciclo de dominação das elites do atraso para abrir caminho para uma democracia que vem de baixo, participativa e sustentável.

Já antes da sessão foi-nos comunicado que a juíza Catarina Moura Lebbos, braço direito do juiz Sérgio Moro, havia proibido a visita que queríamos fazer ao ex-presidente Lula.

Essa juíza não deu-se conta do alto significado  de que é portador um Prêmio Nobel da Paz. Ele tem o privilégio de correr  o mundo, visitar prisões e lugares de conflito no sentido de promover o diálogo e a paz. Agarramo-nos ao documento da ONU de 2015 que se convencionou  chamar de  “Regras de  Mandela” que trata de Prevenção ao Crime e a Justiça Criminal. Aí se aborda também a parte da visita aos encarcerados. O Brasil foi um dos mais ativos na formulação destas Regras de Mandela, embora não as observe em seu território.

Mas de nada nos valeu. A juiza Lebbos simplesmente negou, No dia seguinte, dia 19 de abril, chegamos ao acampamento, onde centenas de pessoas fazem vigília junto  ao Departamento da Justiça Federal, onde Lula está preso. Gritam-lhe “Bom dia, Lula”, “Lula livre” e outras palavras de ânimo e esperança que ele em seu cárcere pode escutar perfeitamente.

Policiais estavam por todo os lados. Tentamos falar com o chefe para podermos ter uma audiênicia com o Superindente da Polícia Federal.

Sempre vinha a resposta: não pode, são ordens de cima. Após muito insistir, com chamadas de telefone indo e vindo, Perez Esquivel conseguiu uma audiência com o Superintendente. Explicou-lhe os motivos da visita, humanitária e fraterna a um velho e querido amigo. Por mais que Perez Esquivel argumentasse e fizesse valer seu título de Prêmio Nobel da Paz,  mundialmente reconhecido e respeitado, ouvia sempre  o mesmo ritornello: Não pode. São ordens de cima.

E assim, cabisbaixos, retornamos para o meio do povo. Eu pessoalmente insistia que minha visita era meramente espiritual. Iria levar-lhe dois livros ”O Senhor é meu pastor e nada me falta”,um comentário minucioso que realmente alimenta a confiança. O outro de nosso melhor exegeta Carlos Mesters “A missão do povo que sofre” descrevendo o desamparo do povo hebreu no exílio  babilônico, como era consolado pelos profetas Isaias e Jeremias e como a partir daí se fortaleceu o sentido de seu sofrimento e sua esperança.

No Departamento da Polícia Federal tudo era proibido. Sequer um bilhete era permitido para ser enviado ao ex-Presidente Lula.

No meio do povo, falaram vários representantes dos grupos, especialmente um casal da Suécia que sustenta a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz. Falei eu e Perez Esquivel, reforçando a esperança que finalmente é aquela energia ponderosa que sustenta os que lutam pela justiça e por um outro tipo de democracia. Ele anunciou que lançara a campanha mundial para Lula como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Há já milhares de subscrições em todo o mundo. Lula preenche todos os requisitos para isso, especialmente as políticas sociais que tiraram milhões da fome e da miséria e seu empenho pela justiça social, base da paz.

Muitas foram as entrevistas aos meios de comunicação nacionais e internacionais. Algumas fotos do evento começaram girar pelo mundo e vinha a solidariedade de muitos países e grupos.

Aí nos demos conta de que efetivamente vivemos sob um regime de exceção na forma de um golpe brando que sequestra a liberdade e nega direitos humanos fundamentais.

A pequenês de espírito de nossos juizes da Lava Jato e a  negação de um direito assegurado a um Prêmio Nobel da Paz de visitar um seu amigo encarcerado, no espírito de pura humanidade e de calorosa solidariedade envergonha nosso país, apenas comprova que efetivamente estamos sob a lógica negadora de democracia  num regime de exceção.

Mas o Brasil é maior que sua crise. Purificados, sairemos melhores e orgulhosos de nossa resistência, de nossa indignação e da coragem de resgatar a partir das ruas e pelas eleições um Estado de direito.

Não esqueceremos jamais as palavras sagradas:”Eu estava preso e tu me impediste de visitá-lo”.

Leonardo Boff
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Turistas imaginários

Do diário imaginário de um turista do futuro.

“As fotografias não fazem justiça a Titã, a lua de Saturno. Nossa primeira surpresa foi na chegada: Titã é cor de beterraba! Imagine-se pisando numa enorme beterraba gelada. Foi o que sentimos o tempo todo. Tudo tem cor de beterraba em Titã. Não sei que cor terá a beterraba. Mas não há indício de vida na lua de Saturno e duvido que existam legumes. Na verdade não tem nada para comer em Titã. Nada para fazer. Nada para ver, a não ser vastos espaços gelados, cor de beterraba. Dizem que Titã é como era a Terra, antes de surgir a vida orgânica. Especula-se que a vida na Terra começou assim, com a visita de turistas de outro planeta. Com as bactérias do lixo deixado por visitantes do espaço na beira de um rio de lava. Todas as espécies terrestres descenderiam de um piquenique. Tome cuidado, portanto. Quando limpar a meleca do dedo numa pedra de Titã, você pode estar começando uma civilização.

Afinal, Titã vale ou não vale uma visita? Sim e não. É longe e a viagem é cara, mas é preciso lembrar o seguinte: Titã é uma lua de Saturno. O que significa que, para todos os efeitos, Saturno é a lua de Titã. Saturno e seus anéis ocupam metade do céu de Titã, quando saem. Um espetáculo inesquecível.

Cotações. Comida: zero. Divertimento: zero. Atrações culturais: zero. Cartões de crédito: nenhum. Natureza: demais.

Uma dica: leve roupa quente. A temperatura pode chegar a menos 300 fora do hotel, mas você não vai querer perder as noites de Saturno cheio.

* * *

Cruzeiro. Do diário imaginário de um passageiro num navio de luxo.

“Assim que chegamos na cabine, levados por um simpático rapaz (filipino? cearense?) a Luana vestiu o biquíni e foi procurar uma das piscinas. Eu fui explorar o interior do navio. Suas dimensões são realmente impressionantes: levei quatro dias para encontrar o caminho de volta à cabine. Só então fiquei sabendo que a Luana tivera um acidente na cascata artificial entre as piscinas do Deck Maraviglia e do Deck Stupendo, torcera o pé, fora atendida por um médico (italiano? grego?) que lhe propusera casamento, mas ela já estava boa e, inclusive, inscrita na maratona do dia seguinte, duas voltas inteiras no Deck Bravíssimo, competindo por um BMW. Naquela noite jantamos num dos 17 restaurantes do navio, comida sueco-napolitana, com direito a show do Frank Sinatra, ressuscitado especialmente para o cruzeiro, e depois fomos olhar as estrelas. No planetário, pois não havia lugar nos decks, ainda mais com os campeonatos simultâneos de hula-hula e “celebrity jiu-jítsu”. O concerto do dia seguinte, da Filarmônica de Berlim, foi entre o café e o lanche da manhã. À tarde, depois dos blinis com caviar e antes do buffet de lagostas nas piscinas, o Circo de Moscou. Enquanto Luana corria na maratona, fui para a sauna, onde a atração eram os três tenores cantando completamente nus. À noite, jantar no bistrot “L’Intime”, penumbra gostosa, pianinho simpático (Brad Mehldau) – e cama. Luana e eu sabíamos que o dia seguinte seria muito especial: o navio zarparia.

Avaliação: altamente recomendável. Só uma observação: tente evitar a comida. Não é que seja ruim, é demais. Não só há 11 refeições por dia, sem contar os lanches entre uma e outra, como Luana e eu éramos constantemente acordados no meio da noite por um dos chefs sentado na nossa cama, com um espetinho ou uma tigela na mão, dizendo “Vocês precisam provar isto”.

Luís Fernando Veríssimo
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Novo golpe na integração regional


A integração regional já havia sofrido um golpe duro com o afastamento da Venezuela do Mercosul por motivos puramente políticos. Na prática, isso criou uma espécie de veto político a regimes bolivarianos e de esquerda, no Mercosul. Além disso, com o Brasil de Temer e a Argentina de Macri, acabou prevalecendo, no bloco, a tese do “regionalismo aberto”, isto é, a tese de que se deve abandonar a união aduaneira e que cada país deva procurar se integrar às economias mais avançadas, como a dos EUA e a da Europa. Com isso, o Mercosul sofreu um golpe mortal e se tornou uma organização sem nenhum sentido geoestratégico.

Agora, a golpe vem contra a Unasul, a União das Nações Sul-Americanas. A decisão, anunciada hoje, do afastamento da Argentina, Brasil, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru da organização significa, na prática, o fim da Unasul.

Brasil e Argentina queriam impor o embaixador argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral da Unasul. O governo golpista defendia que a presença do argentino conservador à frente do bloco diminuiria a influência dos países “bolivarianos” no bloco. Brasil e Argentina também queriam afastar a Venezuela da Unasul, tal como já haviam feito no Mercosul. Obviamente, isso não foi conseguido, pois tais decisões têm de ser consensuais. A Unasul submergiu, assim, num impasse político.

Agora, justamente quando a Bolívia assume a presidência pro tempore da Unasul, Brasil e Argentina lideram esse movimento de afastamento e dissolução prática da Unasul.

Assim, os líderes dessa desconstrução da integração regional são o Brasil de Temer e a Argentina de Macri. Esses governos neoliberais almejam a integração a qualquer custo com a União Europeia e com os EUA. E ambos querem entrar, de qualquer jeito, na OCDE, o Clube dos Ricos. Não querem saber mais de “integração cucaracha”, como Serra chamava depreciativamente o Mercosul.

Na realidade, eles estão se lixando para a integração regional e querem manter o Mercosul apenas como uma área de livre comércio, sem união aduaneira e sem qualquer sentido geopolítico e geoeconômico.

Também querem esvaziar politicamente a Unasul, bloco que procurava articular uma política de defesa comum da região, sem a presença de potências extrarregionais.

Desse modo, estão fazendo o trabalho sujo que deseja os EUA, os quais sempre viram a nossa região como seu quintal geopolítico e um vantajoso apêndice econômico.

Viramos um bando de vira-latas que comem o lixo do Império.

Marcelo Zero, é sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado
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“Eleitores” de Lula ensinam política aos comentaristas de política


A “pesquisa qualitativa” realizada pela Folha com uma amostra dos potenciais eleitores de Lula é uma lição de política dada aos comentaristas do “pragmatismo puro” que dizem que, não indicando de imediato alguém que vá ser o seu candidato nas eleições de outubro, o PT está perdendo seus espaços políticos.

Ao contrário, se o fizesse, aí é que os estaria perdendo.

Vejam o que acontece, por exemplo, no PSDB. Fingir que “não tem nada com isso” diante da situação de Aécio Neves e fingir que “vida que segue” depois que seu candidato presidencial e, até ontem, símbolo do tucanato está metido numa situação meramente pessoal, quando se vêem expostos os esquemas de sua campanha em 2014 – afinal, a de todos os tucanos – rendeu o quê a Geraldo Alckmin?

Só encolher-se, como fez em 2006 com as privatizações de Fernando Henrique Cardoso, o que lhe valeu fazer minguarem os votos do primeiro para o segundo turno. Algo de que, de memória, não se tem registro de que haja ocorrido em eleições de duas voltas.

No texto, Ana Paula Balloussier faz um resumo precioso do que pensam, que merece ser lido com muita atenção, mesmo que a “amostra” não inclua os eleitores do Nordeste, região na qual Lula merece ainda mais o simbolismo do líder insubstituível.

Veja o sumo do que dizem:

1 Lula é visto como o político que mais fez pelos pobres e minorias no país; seus programas sociais são exaltados pelos eleitores

2 O petista é, segundo eles, a resposta para o crescimento do fascismo no país, representado na figura de Bolsonaro, mas também em Alckmin, considerado maior adversário de Lula na disputa

3 O endurecimento do discurso de Lula é, para os eleitores, uma sinalização de que, se eleito, o petista não fará novamente um pacto político com as elites

4 As denúncias contra o ex-presidente são minimizadas como sendo um pequeno descuido comparado aos milhões atribuídos a outros políticos

O discurso de que a Lava Jato, Justiça e a mídia perseguem Lula foram inflados com a sua prisão. Para os eleitores, o sentimento de injustiça deu novo fôlego à pressão para que o petista possa ser eleito

6 A guerra de discursos na internet também reacendeu a defesa da candidatura do ex-presidente e tirou o foco da autocrítica, apontam os eleitores 

7 Seus admiradores negam que o PT deva adotar um plano B. Para eles, a candidatura deve ser mantida mesmo com Lula preso e com poucas chances de estar nas urnas em outubro

Admitir outro nome para disputar o pleito seria aceitar a condenação de Lula e colocar outro petista na mira de uma perseguição político-judicial, afirmam os eleitores.

Não é um programa para a ação, é sua condição essencial, porém, para que esta seja efetiva: perceber onde está a compreensão do eleitor, ir até lá e, a partir dela, construir caminhos.

Achar que eles serão descobertos com análises frias, pragmáticas ou, ao contrário, com arroubos passionais é errar à direita e à esquerda.

O processo social é um rio que corre a velocidades variáveis: pode ralentar-se em meandros ou acelerar-se em corredeiras. Quem faz da política o instrumento das vontades e sonhos coletivos precisa andar em sua velocidade, ou ficará à margem, no seco.

Inclusive de votos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Onde estão os coxinhas que se orgulhavam de Aécio?


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Nelson Pereira dos Santos

            Nelson Pereira dos Santos             
 * 22 de outubro de 1928, São Paulo, SP   + 21 de abril de 2018, Rio de Janeiro, RJ 



"Rio, 40 graus" é um filme de 1955, com roteiro e direção de Nelson Pereira dos Santos. É considerada a obra inspiradora do cinema novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira.



O roteiro é baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos. De acordo com os letreiros inicias, as filmagens foram em Minador do Negrão e Palmeira dos Índios, sertão de Alagoas.

Foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.

Neste filme fica perceptível a influência marcante do neo-realismo italiano na obra do diretor Nelson Pereira dos Santos e o filme se tornou um dos mais conhecidos do movimento chamado de Cinema Novo, que abordava problemas sociais do Brasil.
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De origem idêntica, casos de Dirceu e Azeredo coincidem agora em seus desfechos

Dois assuntos desconexos, mas de origens idênticas, coincidem agora em seus desfechos, um desmistificador, o outro com uma revelação que, em país civilizado, teria desdobramentos judiciais eloquentes. O primeiro caso é o mensalão do PSDB mineiro, que no dia 24 chega a um julgamento capaz de levar o ex-governador Eduardo Azeredo à prisão, ao fim de 13 anos de morosidade judicial.

O segundo é o presumido ato final do processo de José Dirceu no mensalão do PT, com sua volta à prisão para uma sentença influenciada por falha de investigação nunca mencionada.

Nem um só dos petistas notórios atingidos pela Lava Jato mencionou o nome de outro para pagar por sua libertação, exceto o já ex-petista Antônio Palocci. Cada um dos que foram a julgamento no Supremo viu lhe serem atribuídos atos e responsabilidades muitos deles incabíveis. O tribunal tinha muito poucos ouvidos para defesas e explicações.

Um caso exemplar foi provocado pelo recém-empossado ministro Luís Roberto Barroso. Ainda intimidado, chegando já na fase de repasse das sentenças, se disse “em dificuldade para concordar com a formação de quadrilha”. Não falou muito. Apenas o que uma cabeça livre de exaltação notaria. A acusação de quadrilha e seu peso pesado na formação das sentenças foram revertidos pelo tribunal.

José Dirceu foi sobrecarregado de acusações. Chefe da tal quadrilha, do jogo de contratos com as agências de Marcos Valério e com o Banco Rural, da operação com a Visanet. Sua sentença transpareceu essa carga.

Ali estava, porém, o resultado da falta ou da precária realização de investigações, o que parece ser comum e satisfatório na Procuradoria-Geral da República. José Dirceu e José Genoino se ocupavam da área política, dos acordos de apoio à campanha. Não de assuntos financeiros, como qualquer investigação constataria. As articulações com Valério, para os empréstimos ao PT, e as contratações publicitárias de estatais, eixos do esquema financiador, estavam em outra área. Tanto na campanha como, depois, no governo.

Na estrutura ministerial, foi criada uma área de relações corporativas e propaganda, entre outras atividades. Aí se encaixou a organização das contratações publicitárias estatais com as agências de Valério. O comando foi entregue a reconhecido craque em relações corporativas, fundos de pensão e por aí: Luiz Gushiken, petista de primeira hora e primeiro nível, sensibilidade política refinada, motivo de fraternidade ainda maior, no comando do partido, em razão do seu sofrimento com o estômago devorado por um câncer e tratamentos penosos.

Gushiken só foi objeto de um sussurro de Henrique Pizzolato na CPI da Câmara, ao dizer que cumprira ordens na contratação das agência de Valério. O nome de Gushiken não entrou no julgamento pelo Supremo. As acusações e sentenças sobre os demais o acobertaram. O julgamento deformou-se. Mas não por erro do Supremo, no entanto. O erro veio da Procuradoria. Os procuradores-gerais Antonio Fernando de Souza e, depois, Roberto Gurgel induziram a deformação, com suas denúncias muito mais exaltadas do que informadas, à falta de investigação.

Por sua vez, o inquérito contra Azeredo foi autorizado pelo Supremo em 2005. A Procuradoria levou dois anos para apresentar a denúncia, com a acusação de desvio de dinheiro de estatais mineiras para a campanha de reeleição. Esquema semelhante ao mensalão do PT, também com as agências de publicidade SMPB e DNA, de Valério. Isso, nas eleições de 1998, quatro anos antes da combinação Valério-PT.

Entre o fracasso reeleitoral de Azeredo e a autorização do inquérito pelo STF, consumiram-se sete anos. Mais dois pelo Ministério Público, para a denúncia. Outros dois para que o STF a aceitasse. E, aí mesmo, mais seis meses só para a indicação de um ministro-relator.

Essa escala é ilustrativa, quando 6 ministros do STF, contra 5, estabelecem que réus podem ser presos depois da segunda instância de julgamento, e não somente quando todo o processo esteja concluído, como diz a Constituição. Os ministros alegam que os recursos causam a lentidão. Mas o processo de Azeredo comprova que a morosidade está nos intervalos do Judiciário e do Ministério Público. E prova outras coisas, se lembrado que em apenas 19 meses Lula foi levado da denúncia à prisão.

No começo de 2014, Azeredo renunciou à Câmara, e com isso forçou o envio do processo para recomeçar em Minas. Aí, mais quatro anos.

Na Justiça de países vistos como civilizados, a lentidão do processo e julgamento de Azeredo seria impossível. E o processo e o julgamento do mensalão do PT seriam reabertos, para definição das responsabilidades verdadeiros e consequências justas.

Janio de Freitas
No fAlha
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