16 de abr. de 2018

Bercovici: Lula é preso político

MTST ocupou o triplex e mostrou os absurdos desse processo kafkiano!




Via Tutaméia:

Lula é um preso político. Sua prisão é a continuação do golpe de 2016. É vítima de perseguição, assim como foram Getúlio, Juscelino e Jango. Há uma casta de traidores em ação no país, que já não vive dentro do estado democrático de direito.

A avaliação é de Gilberto Bercovici, professor de direito da USP em entrevista ao Tutaméia.

Na conversa, ele destrinchou o processo contra o presidente Lula e resumiu:

“A questão não é mais jurídica, é política. Juridicamente, ele teria chance. Como, juridicamente, não era para ele ter sido preso. Como, juridicamente, esse processo não era para ter terminado do jeito que terminou. Infelizmente, não se trata mais de direito; a questão é política. É um grupo político que tem presença. Infelizmente está incrustrado no poder judiciário, está incrustrado no Ministério Público Federal, na Polícia Federal, no Tribunal de Contas, no Congresso, no Executivo. Tem apoio econômico de vários setores nacionais e muito estrangeiros e tem apoio da grande mídia, particularmente a Globo, mas não só”.

Bercovici acha que houve interferência externa no golpe. A começar pela forma com que as informações sobre Petrobras e empreiteiras chegaram e foram utilizadas tanto no Brasil como no exterior.

“Há quem diga que houve envio de informação pelos órgãos americanos diretamente ao Ministério Público Federal, ao juiz Moro, já com elementos vindos de espionagem. Há quem diga que [Rodrigo] Janot levou informações sobre o programa nuclear a Petrobras para os americanos”.

Isso, observa, seria uma total ilegalidade, uma traição. Em lugares como nos EUA uma ação desse tipo provocaria prisão e condenação à morte. Mas ainda não há provas.

“A grande desvantagem de dar golpe de Estado com os americanos é que eles cotam tudo, mais cedo ou mais tarde, quando liberarem os arquivos. Nós vamos saber. Em 1964 foi assim. Vamos saber daqui a alguns anos. Vamos saber o nome de todo mundo que foi conspirar com os americanos. Uma casta de traidores”.

O professor nota que o golpe está atendendo aos interesses norte-americanos, como no caso da exploração de petróleo. E lembra de um ditado atribuído a Napoleão –“Quem dorme com baioneta acorda furado”—para dizer: “Quem conspira com americano acorda delatado”.

Ao descrever os ataques ao estado democrático de direito, Bercovici condenou o discurso do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, em defesa de restrições ao habeas corpus. “É digno do Alfredo Buzaid e do Gama e Silva [ministros da ditadura militar], quando defendiam o AI-5”, diz. “Restringir o habeas corpus é abominável de se escutar”.

Especialista em direito econômico, Bercovici atacou as privatizações e o esfacelamento da Petrobrás, avaliando que é sem paralelo a destruição do país em curso. Classificou a venda da Eletrobrás como uma “doação”, lembrando que seu valor é equivalente ao da venda da churrascaria Fogo de Chão (U$ 12 bilhões).

Para ele, esse desmonte é pior do que o feito no governo de Fernando Henrique Cardoso. “É mais acelerado, mais enevoado, sem informações, com um poder judiciário e o ministério público tomando lado”, diz.

Tutaméia começou a conversa com Bercovici tratando da ocupação do tríplex do Guarujá – ação do MTST feita na manhã desta segunda-feira. Na faixa que estenderam, diziam: “Se é do Lula, é nosso. Se não, por que prendeu?”



“O raciocínio deles está perfeito. Se o tríplex é realmente do presidente Lula – e ele mesmo disse que, se o apartamento fosse dele, o MTST podia ir lá ocupar –, não é uma ocupação ou invasão. Eles estão lá com a permissão do proprietário. Se não é, por que ele está preso?”.

Na opinião de Bercovici, a ação “serve para mostrar alguns dos absurdos desse processo todo, kafkaniano, cheio de problemas”.

E, emenda, “os tribunais superiores, pressionados pela mídia, não têm coragem de fazer valer o código de processo no Brasil”.

No CAf
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Morre Paul Singer, economista e fundador do PT

Paul Singer                                                     r    

Paul Israel Singer  
* 24 de março de 1932, Viena, Áustria  + 16 de abril de 2018, São Paulo, SP
Foto: Gerhard Dilger

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O PT na encruzilhada e a Jeremiada de Lula


O encarceramento de Lula e a perspectiva de permanecer preso por tempo prolongado colocam o PT numa terrível encruzilhada de três estradas: seguir adiante com Lula como candidato até o fim; buscar um auto-resgate com um novo candidato; participar de uma frente de centro-esquerda apoiando um candidato de outro partido. Os três caminhos envolvem altos riscos e margens escassas de êxito.

Se o PT não marchar com Lula até o fim, não só abandonará o seu maior líder, mas será visto como traidor. O Lula encarcerado se constitui num paradoxo destinado a cobrar um alto preço ao PT ou às elites: se o PT não o mantiver como candidato, será ele a pagar este preço e será abandonado por muitos eleitores, simpatizantes e militantes. Se Lula permanecer candidato, serão as elites que terão que pagar o alto preço de impedi-lo ou, eventualmente, impedir sua posse em caso de vitória. Mas, se o PT o mantiver como candidato terá que ter a sabedoria e a competência de reinventar-se num processo de mobilização e de defesa da liberdade de Lula. O problema é saber se as atuais lideranças do PT têm as virtudes e as capacidades necessárias para reinventar o partido, mobilizando o povo.

Assim, o abandono de Lula por um plano B, na crença de que Lula transferirá votos, tende a produzir não só uma grave derrota eleitoral, mas uma descrença no PT. Já a aliança e o apoio a um candidato de centro-esquerda era algo desejável em circunstâncias determinadas, que deveria ter sido construído há mais tempo, num processo conjunto de integração de militância e formulação programática. Fazer isto agora, num processo de derrota, poderá aprofundar a debacle do PT. Mas fica a lição para ser desenvolvida no futuro. Hegemonia, afinal, implica concessões e alternância planejada de posições.

É preciso perceber que desde o início de 2015, quando se iniciou o processo de impeachment, cuja consumação completa dois anos nesta semana, o PT vem sendo derrotado em todas as suas consignas e lutas, numa conjugação de erros, apatia e defensivismo. A prisão de Lula, sacramentada com o objetivo último de impedir sua participação nas eleições, pode significar a derrota final do PT nessa conjuntura marcada pelo golpe do impeachment sem crime de responsabilidade e pela implantação do Estado de exceção judicial, que transformou o Judiciário em órgão de disputa político-ideológica, provocando a anarquia constitucional e institucional.

O "não vai ter golpe", o "não passarão", o "nenhum direito a menos", o "mexeu com Lula, mexeu comigo", tudo isso se transformou em ruína e fardos jogados sobre os sacrificados ombros de Lula que, escravizado na prisão, se parece como um Hércules a sustentar colunas, mas condenado a realizar os doze trabalhos ou muitos outros trabalhos para redimir os erros do PT e de todas as esquerdas.  Lula foi preso e a "convulsão social" propalada por dirigentes do PT não ocorreu.

Ainda em meados de 2015, (e até antes disso), Lula, com a clarividência dos líderes prudentes, anteviu a desdita que havia se apossado do PT e que se encaminhava para um colapso futuro se os rumos não fossem retificados. Numa verdadeira jeremiada para seu partido, ao lado de Felipe Gonzalez, advertia: "O PT precisa de novos líderes e de uma revolução interna"; "Queremos salvar a nossa pele, cargos, ou um projeto?"; "o PT precisa construir uma nova utopia"; "o PT precisa, urgentemente, voltar a falar com a juventude"; "fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido e ter lideranças mais jovens, ousadas, com mais coragem"; "é preciso aprender a lidar com as novas tecnologias para brigar melhor na internet, nas redes sociais, porque não há espaço na mídia tradicional para os grupos de esquerda". E se o PT não fosse capaz de se reinventar, "que dos movimentos de hoje surja um partido melhor do que o PT. Mas que surja", advertiu Lula.

Qual o profeta Jeremias, Lula não foi ouvido pelos petistas eles não se converteram de seus erros. A consequência foi trágica: a Jerusalém do PT ruiu e Lula foi levado para o cativeiro. Simbolicamente, todo o povo lulista está cativo na babilônia de Curitiba. Durante o processo do desfecho dessa crise, os sacerdotes do PT continuaram a queimar incenso a "deuses estranhos". Acreditaram em advogados, nos desembargadores do TRF4, nos ministros do STF. Quando estes deram o salvo conduto por meio de uma liminar de pouco mais de uma semana a Lula, lideranças petistas, junto com outros analistas de esquerda, chegaram a dizer que o STF havia barrado as arbitrariedades da Lava Jato. Regozijaram-se dizendo, "estamos no caminho certo"; encheram-se de "felicidade comedida" e de falsas esperanças, nessa queima de incenso a deuses estranhos.

O fato é que quando um partido passa a acreditar em advogados e em juízes como salvadores e condutores de seus passos políticos é porque perdeu a noção do que é a luta pelo poder e perdeu a noção da lógica da ação política. Há uma inversão em tudo isso. São os advogados e juízes que precisam acreditar no partido ou no líder. Pois cabe a estes o papel de condutores. São eles que devem ser depositários da fé. Quando o partido, pelos seus erros, não é mais capaz de fazer-se acreditado, ver-se-á perseguido por seus inimigos e, seus líderes, ou terminarão aprisionados ou dizimados e mortos.

Em que pese estar preso, o poder simbólico e mítico de Lula sobrevive e poderá ser reforçado, tornando-se uma energia mobilizadora no presente e no futuro. Quanto mais evidente ficar o caráter persecutório do Judiciário, quanto mais fascista se mostrar a conduta de Sérgio Moro contra Lula, quanto mais injusta e parcial se mostrar Cármen Lúcia e seus asseclas no STF em sua sanha de ver Lula encarcerado, mais Lula agigantará para a história e mais contará com a solidariedade do povo. Quanto mais abnegado for Lula no seu sofrimento e na sua solidão, mais o povo o aquecerá com o seu calor e com o seu carinho.  

O poder de Lula pode dirigir-se para vários atores e movimentos. O PT não é seu herdeiro único e terá que mostrar-se digno dessa herança. O próprio Lula, de alguma forma, em sua resistência corajosa no Sindicado dos Metalúrgicos do ABC, investiu Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila como herdeiros de parte desse poder.

O poder de Lula sobrevive porque, se é verdade que ele sempre foi conciliador, é verdade também que ele sempre foi um líder corajoso - virtude política cardeal que falta a muitos outros líderes de nossos dias. A coragem política é uma virtude que é uma condição sine qua non para qualquer outra coisa de significativo, de eficaz e de grandioso na política. A coragem do líder incute confiança no povo e um povo confiante, que tem fé em seu líder, nunca o abandona.

Lula é energia ativa, mantém poder e a fidelidade do povo porque se fez necessário ao povo pobre do Brasil. Os líderes precisam compreender que a fidelidade é uma via de mão dupla: o povo se mantém fiel aos líderes que lhe são fieis. E os líderes serão fiéis ao povo se se fizerem necessários a ele, beneficiando-o e protegendo-o. Esta é uma relação que precisa ser sempre renovada, pois ela não sobrevive apenas das glórias do passado. Muitos líderes se espantam com uma suposta ingratidão do povo. Mas o povo só é ingrato com os líderes que não têm coragem, com os líderes que não lhe incutem confiança, com os líderes que não renovam os mútuos compromissos de fidelidade e com os líderes que não comandam o próprio povo. Os líderes que não comandam o povo não são líderes de fato.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
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Confrontada por Gilmar, Lava Jato continua lançando fumaça sobre a indústria da delação


A força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato continua lançando uma cortina de fumaça sobre a indústria da delação premiada. 

Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes revelou no plenário do Supremo Tribunal Federal que o advogado José Roberto Batochio foi expulso da defesa de Antonio Palocci porque "Curitiba assim exigiu". 

Gilmar disse aos colegas de Corte que, na prática, os procuradores escolhiam quem eram os advogados que poderiam negociar os acordos de delação premiada. 

Além de também mencionar o caso Marcelo Miller, Gilmar recomendou que a procuradora-geral da República Raquel Dodge investigue o caso do procurador Diogo Castor de Mattos. O ministro Luiz Fux concordou que o caso é grave e merece apuração.

Em resposta, o Ministério Público Federal partiu para o ataque a Gilmar, chamando o ministro de desequilibrado. Além disso, ressuscitou a mesma desculpa que usou quando a Folha revelou que o irmão do procurador Diogo, o advogado Rodrigo Castor de Mattos, estava atuando na defesa de Mônica Moura, esposa do marqueteiro João Santana.

À época, a Lava Jato tratou de dizer que Diogo não participou da delação do casal Santana e afirmou que o acordo de colaboração foi feito em março, e que o escritório Castor de Mattos só entrou na defesa no mês seguinte.


Pelas matérias que sairam na imprensa, a cronologia dos fatos é a seguinte:

- Em fevereiro de 2016, o casal Santana é preso;

- Em julho de 2016, o estagiário do escritório de Rodrigo Castor de Mattos registra em cartório uma imagem da conta de e-mail de Mônica Moura, que delatou supostamente ter trocado correspondências com a ex-presidente Dilma Rousseff;

- Em agosto de 2016, Sergio Moro solta o casal;

- A delação do casal Santana é concluída em 8 de março de 2017.

- Em 17 de abril de 2017, o escritório de Rodrigo Castor de Mattos pede oficialmente a Moro para integrar a banca que defende Santana;

- Em maio de 2017, após questionamentos sobre o parentesco de Rodrigo com o procurador Diogo, o advogado se afasta oficialmente do caso, segundo o informe do MPF;

- Cerca de 3 meses depois, em agosto de 2017, Moro autoriza a liberação de R$ 10 milhões das contas do casal Santana, para pagar "honorários advocatícios", entre outras despesas pessoais não detalhadas;


- O juiz só recua da decisão, segundo notícias do dia 21 de agosto, porque a Procuradoria da Fazenda se manifesta contrariamente ao pedido de Santana.

Mais de um ano depois, a polêmica sobre a falta de transparência neste acordo de delação volta à tona por conta das declarações de Gilmar. 

E as conexões entre advogados e procuradores continuam nebulosas.

A Lava Jato nunca explicou o documento que mostra que um estagiário do escritório de Rodrigo Castor de Mattos atuava na delação do casal Santana desde 2016, por baixo dos panos, porque a defesa oficial era atribuição dos advogados Alessi Brandão e Juliano Campelo Prestes. 


Desenrolando esse novelo há ainda mais pressão sobre a Lava Jato, pois Campelo, que assumiu a defesa de Monica Moura em março de 2016, atuou no acordo de colaboração de Milton Pascowitch junto com Theo Dias, advogado responsável pela delação da Oderebcht. 

Lava Jato nunca foi instigada a dizer se não enxerga o conflito nessas representações. Santana foi processado por receber dinheiro da Odebrecht no exterior.  

O escritório de Rodrigo também teria representado o advogado de Alberto Youssef, Carlos Alberto Pereira da Costa, um dos primeiros a colaborar com os procuradores de Curitiba.


Na semana passada, a bancada do PT na Câmara informou que vai buscar saber por que a Procuradoria-Geral da República ainda não apurou o que acontece nos bastidores de Curitiba. Se entender que houve prevarização por parte de Raque Dodge, os parlamentares prometeram acioná-la no Supremo.


Cíntia Alves
No GGN
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Lula e o testemunho de seus títulos Doutor Honoris Causa


Luís Inácio Lula da Silva é o cidadão brasileiro que recebeu a maior quantidade de títulos Doutor Honoris Causa de universidades nacionais e internacionais. Na wikipedia há a relação de 17 títulos. No entanto, a informação está desatualizada. Em artigo do GGN de 10/08/2015, assinado por Edison Brito ("Contra tudo e contra todos Lula receberá o Nobel da Paz") há a relação de 27 títulos. Na data de hoje, no site do Instituto Lula eu contei 33, conferindo cada um nos sites das universidades que concederam os títulos. E depois de pesquisar inúmeras fontes, parece que esse número 33 é o mais correto. Uma observação importante é que esse é o número relacionado a títulos concedidos. Se contarmos os títulos Honoris Causa aprovados para concessão, aí o número é maior que 80. De qualquer forma, por enquanto, fica o 33 e caso o leitor tenha encontrado outro número, por gentileza informe as fontes para nossa atualização sobre o fato.

Assim, com 33 Honoris Causa (17 destes em universidades do exterior), Lula é o brasileiro que mais recebeu tal título. Em comparação, Paulo Freire, pernambucano como Lula, acadêmico que colocou o Brasil no mapa des recherches exceptionelles, recebeu em vida 29 títulos Doutor Honoris Causa (18 deles em universidades do exterior). O terceiro lugar, em número de títulos, fica com Fernando Henrique Cardoso.

As universidades europeias começaram a emitir o título de Doutor “em razão da honra”, ou em latim “Doctor Honoris Causa” a partir do século XV. A primeira universidade a fazer isso, foi a Universidade de Oxford em 1470.

A antiga tradição europeia hoje é tradição mundial e a grande maioria das universidades pode conferir título de doutor tanto para aqueles que permanecem residentes à universidade, na condição de aluno, realizando exames e defendendo uma tese (é o caso dos títulos de Philosophiae Doctor, PhD ou do Scientiae Doctor, DSc), quanto para aqueles não residentes, mas cuja carreira apresenta um portfólio à altura do título. Neste último caso é onde se encaixa o título Doutor Honoris Causa.

Usualmente as universidades concedem o Honoris Causa para aqueles cuja carreira reflete os ideais mais valiosos da universidade, a partir do exemplo de excelência acadêmica ou serviços extraordinários prestados à sociedade, reconhecendo grandes realizações em nível internacional nas ciências, artes, humanidades, serviço público e seus respectivos impactos humanitários.

Nesse caso, o Doutor Honoris Causa não é um título fácil de ser alcançado por alguém. Ele é uma espécie de prêmio Nobel particular de cada instituição universitária, considerado a mais alta honraria que uma universidade pode emitir.

Nesse contexto, temos Lula.

A política de inclusão, que retirou o Brasil do mapa da fome, além das ações desenvolvimentistas em diversas áreas, como a criação recorde de universidades e vagas em universidades, institutos técnicos e fortalecimento do ensino fundamental, políticas nas áreas de saúde, energia e destacadamente relações internacionais, transformaram o Brasil em vitrine para o mundo, levando o responsável direto por isso, Lula, a ser reconhecido por universidades e institutos acadêmicos.

Dado seu histórico pessoal de retirante nordestino, sindicalista, pensador não-acadêmico do Brasil (o que o não desmerece, ao contrário, o torna ainda mais vital para este país, pois é pensador atuante na prática transformadora), temos então a elite do atraso que não suporta a série de conquistas vivenciadas por alguém que não pertence ao meio. E daí vem o ódio. Lula foi o único brasileiro a receber um Doutor Honoris Causa pelo conceituadíssimo Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences Po). Como?, pergunta-se a elite brasileira, que ama Paris como se fosse sua casa. Presidente com dois mandatos e 33 Doutor Honoris Causa? Como? A insistente vantagem percentual de Lula sobre os seus adversários nas pesquisas de opinião para as Eleições 2018 criou a trágica solução, envolta por uma burocracia entapetada com ar de legalidade, de retirá-lo à força da vida pública, encarcerando-o covardemente em uma prisão de Curitiba. O que demonstra, mais uma vez, triste sina, que a elite entreguista tem um grande potencial para ganhar o título de Doutora Honoris Causa às avessas, como suma-prestadora de serviços ignóbeis ao nosso país.

Como um post scriptum, vai aqui a relação das 33 universidades que concederam o título a Lula, todos eles recebidos após a sua saída da presidência:

- Universade de Coimbra, Portugal

- Instituto Sciences Po de Estudos Politicos de Paris, França

- Universidad de Salamanca, Espanha

- Universidade Federal do ABC, Brasil

- Universidad de Buenos Aires, Argentina

- Universidad de Cuyo, Argentina

- Univesidad de San Juan, Argentina

- Universidad de La Plata, Argentina

- Universidad de Córdoba, Argentina

- Universidad Tres de Febrero, Argentina

- Universidad Lanús, Argentina

- Universidad San Martín, Argentina

- Faculdad Latino America de Ciéncias Sociales, Argentina

- Universidade Federal de Viçosa, Brasil

- Universidade Federal da Bahia, Brasil

- Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Brasil

- Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

- Universidad Andina Simón Bolívar, Equador

- Escuela Politécnica del Litoral, Equador

- Universidad Mayor de San Marcos, Peru

- Universidad de Rosario, Argentina

- Universidade de Pernambuco, Brasil

- Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil

- Universidade Federal do Piaí, Brasil

- Univesidade Regional do Cariri, Brasil

- Universidade Estadual de Alagoas, Brasil

- Universidade Federal de Pernambuco, Brasil

- Universidade Federal Fluminense, Brasil

- Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil

- Universidade Federal de Sergipe, Brasil

- Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil

- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Brasil

- Universidade de Aquino, Bolívia

Carlos Coimbra
No GGN
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Aécio, o “rapaz ingênuo”, segundo ele próprio


Esta semana, o Supremo Tribunal Federal, muito provavelmente, decidirá que Aécio Neves se tornará réu numa ação penal por corrupção por conta do dinheiro recebido em malas da JBS.

Imaginar o contrário – embora não seja impossível neste país onde a Justiça se tornou um escancarado instrumento político – seria imaginar que o STF estaria disposto a ir mais fundo no buraco abissal em que já está enfiado.

Mesmo neste caso, é um escândalo que, só um ano depois de reveladas as gravações, em áudio e vídeo, onde o ex-líder tucano, além de pedir e receber dinheiro, faz insinuações até de mandar matar um primo se este abrisse a boca.

Tudo isso se reduz, porém, na defesa que ele apresenta em artigo publicado na Folha, no mesmo espaço em que, durante anos, deitou lições de “ética”, diz que tudo é resultado de sua “ingenuidade”:

Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.

Por não cometer ilegalidade, o ainda senador por Minas elenca o que diz serem “fatos”: a suposta venda do apartamento em que vive a mãe no Rio, não o dele próprio; ter recebido e não gasto o dinheiro , que gentil, dizer que as ameaças de morte eram “vocabulário inadequado”  e “brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto”.

Embora favorecido por uma aliança com Michel Temer – com quem teve um encontro há dois domingos e possui, como interesse comum, a desqualificação da marotíssima delação de Joesley Batista – a saída “ingênua” não deve funcionar para o STF.

Mas será interessante ver como se comportarão os ministros na hora de lançarem “um amigo” na fogueira, mesmo os já inservíveis, como palitos de fósforo já usados.

Até porque a estatura moral de alguns deles é comparável a de um Kim Kataguiri.

Como já não há exame jurídico no Brasil, mas julgamentos político-inquisitoriais, que precisam encobrir suas finalidades, mesmo escancaradas, Aécio será lambido pelas chamas das quais foi um dos primeiros atiçadores.

Vai arder, mas como é tucano, será em fogo brando, como quem cozinha um galo.

Fernando Brito
No Tijolaço


Aécio Neves, que é um desqualificado e escroque, alimenta ainda a esperança de seguir enrolando os ingênuos, os hipócritas e os cretinos que um dia acreditaram nele. O artigo que assina hoje na Folha de S Paulo, defendendo-se pela pena de um consórcio de advogados e assessores (ele não consegue redigir três linhas com nexo), é um peça que se localiza entre o infantil e o ardil. Não vale nada. Aliás, como o signatário da peça. Não reproduzo porque esse é um espaço qualificado.



O desespero de Aécio, o auto intitulado “ingênuo”

Ele
O choro do Mineirinho
Aécio Neves poderia poupar seus eleitores — os que sobraram, naturalmente — do espetáculo de auto vitimização que vem empreendendo.

Amanhã, o STF decidirá se ele vira réu na ação penal por corrupção no caso JBS.

Mesmo levando em conta o Supremo e tudo o que os juízes significam hoje, é difícil crer que a corte vá livrar sua cara novamente.

O tucano é o álibi perfeito do Judiciário para contrabalançar a perseguição a Lula. O desgaste com a palhaçada envolvendo Alckmin foi enorme e pegou mal até na mídia que blinda Geraldo desde criancinha.

No último dia 12, Aécio deu entrada na UTI do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde ficou desde a manhã até as 15h. Tinha taquicardia e insuficiência respiratória. Era medo.

Agora, orientado por seu advogado, Aécio ataca com um artigo na Folha que dá uma ideia da linha da defesa: foi tudo sem querer.

Ele alega que o papo com Joesley, que incluía uma ameaça ao primo Fred, era para ver se descolava um comprador para o apartamento em que a mãe vive no Rio de Janeiro há 35 anos.

“Recebi, de boa-fé, o delator no hotel em que estava e, numa conversa criminosamente gravada e induzida por ele, permiti-me usar um vocabulário inadequado e fazer brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto, das quais me arrependo profundamente. Lamento, especialmente, o que esse episódio acarretou para outras pessoas”, escreve o tucano. 

“O que me define são os meus 32 anos de vida pública honrada e não os poucos minutos de uma armadilha montada por criminosos. Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles”.

As três décadas de “vida pública honrada” estão repletas de denúncias, muitas delas relatadas aqui no DCM.

O ministro Marco Aurélio Mello, ao mandar-lhe de volta ao Senado no no passado, talvez ironicamente, mencionou sua “carreira política elogiável”.

Aécio é, sobretudo, um fraco. Foi engolido pelo abismo do golpe que cavou com os pés.

Se está dando piti agora, imagine-se o que não fará com a perspectiva de uma prisão e um acordo de delação premiada.

Kiko Nogueira
No DCM
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A hora do lobo de Luiz Inácio

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/a-hora-do-lobo-de-luiz-inacio/

A direita só chegará à presidência da República com o auxílio involuntário do Partido dos Trabalhadores. A estratégia do PT obedece às diretivas de Lula. Segue-se que o obstáculo a que Joaquim Barbosa – o cavalo de Troia que a direita busca contrabandear – impeça a reconstituição democrática, encontra-se no discernimento do ex-presidente Luiz Inácio. Submeter a plebiscito algumas das aberrações decretadas por Temer, por exemplo, jamais seria cogitado por tal demofóbico. No momento, fragmentar a esquerda equivale a criar inesperada oportunidade a uma direita sem rumo. Não é centralizando frentes de siglas sem voto ou efetiva representatividade que se evitará o abismo autofágico. Ao contrário, este talvez resulte da ambição de parasitas inoculados em movimentos de massa. Lula pode implodir a manobra de concentração burocrática, ou submeter-se a ela, vencido pelo estalinismo historicista que o cerca.

A sagacidade do emergente líder metalúrgico conquistou sólida adesão do lado esquerdo da política. O cálculo do sapo barbudo manteve os liderados na senda favorável aos pobres e à democracia. Embora desconfiando dos que cursaram universidades, foram muitos os diplomados que, com ele, colaboraram na construção do primeiro partido visceralmente trabalhista. A Universidade o adotou. Adotou-o, garantindo-lhe a tribuna negada pela mídia e, ainda, considerável fatia de votos surrupiados à classe média. A esquerda isolada não elege presidente da República. Foi Lula, seu discernimento, que dobrou o sectarismo da opinião vigiada e punida quando, antigamente, divergia do velho Partidão.

A barafunda de junho de 2013 gerou confusão ideológica na esquerda. Anônimos e mascarados abriram a porta das ruas à direita. E delas a direita não mais saiu, contribuindo para o baixo nível da campanha eleitoral de 2014. Pormenor relevante: a Lava Jato, a rigor, não existia. A demonstração de força da direita, com indisfarçada simpatia da mídia, animou o periférico time curitibano. Tinha padrinhos poderosos. Tinha jogo.

À difícil vitória de Dilma Rousseff, apesar da hesitação petista, seguiu-se a contestação de sua legitimidade pelo derrotado Aécio Neves. O mandato de Dilma passou às mãos do Judiciário. Não do STF, mas da Lava Jato curitibana. Sergio Moro reduziu toda atividade política dos brasileiros ao Partido dos Trabalhadores, e comprimiu esse complexo partido aos operadores associados à quadrilha de Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Jorge Zelada, com coordenação do doleiro Youssef. Foram dois anos de conduções coercitivas, prisões humilhantes, vazamentos ilegais e ameaças apocalípticas, tolerados a pretexto de revelar o saque patrocinado pelo PT. Indiferente, destruiu segmentos estratégicos da infraestrutura brasileira, de onde os atuais desemprego e abulia empresarial. Escrevia-se o capítulo inicial da saga “Prendam Lula”, só encerrado com o impedimento da presidente Dilma Rousseff, com prelibação na Câmara dos Deputados, em 17 de abril de 2016.

A lembrança não é ociosa porque poucos participantes das libações não estão presos ou em vias de sê-lo, em arrastão que incorporou parte ladravaz do empresariado. Consumado o impedimento, o pelotão curitibano aliviou a exclusiva malignidade do PT, descobriu quadrilhas operando fora da Petrobrás, e, em êxtase, vem anunciando que a sociedade e a economia brasileiras se transformaram em vasto cupinzeiro de corrupção. A Lava Jato replica raros tumores de efeitos colaterais positivos, sem, contudo, promover reparação aos caluniados e arbitrariamente presos. A meta, como sempre, era Lula. Mas nesta gigantesca facciosidade parte da esquerda embriagou-se com o rancor da psicologia reacionária.

Em 2010, a alegada marola de 2008 submergiu o planeta. Não obstante, Dilma acrescentou programas à pauta social petista. Ousada ou imprudente, seu primeiro mandato sustentou a generosidade da era de abundância em contexto econômico de soma zero. O conflito consistia em saber quem pagaria a conta social. Ao fundo, a ganância estrangeira pelo pré-sal e o incômodo do Império com as fumaças brasileiras de autonomia nuclear. A hesitação do segundo mandato, com ministério formado com decisiva influência de Lula, espelhou a intensidade da queda de braço. O impedimento de Dilma assinalou a derrota de toda a esquerda.

Os petistas aceitaram a tese da hierarquia partidária, debitando o infortúnio à incapacidade de Dilma Rousseff e sua personalidade belicosa. Defeitos nada triviais, embora sem contribuição significativa para a essência do conflito central. Na versão em uso, todavia, a maioria dos militantes imagina que, fosse Lula presidente, o desastre seria evitado. Ilusão sebastianista, exceto se o imaginário presidente cumprisse o programa de Michel Temer.

Intrigas à esquerda, o enredo curitibano avançava, valendo-se de excepcionalidades quando necessárias. Surpreendentemente, as derrotas jurídicas extraíram das lideranças de esquerda a reclamação de que a direita estava se comportando como direita! Desde 17 de abril de 2016 ficara selado o destino de Lula e, sem Judiciário e Legislativo, ruas lotadas não comprometeriam o sucesso do projeto “prendam Lula”. Nem as ruas foram lotadas, mas repartidas com a direita em lua de mel com Moro, em Curitiba, e as polícias militares locais.

A associação entre inocência penal e direito à candidatura respondia ao ataque direto ao ex-presidente. Mas, apesar da reiteração de que as leis concluiriam pela prisão de Lula, o clamor contra a injustiça penal continuou, por interpolação de cálculo eleitoral, subordinado ao reconhecimento de seu direito à candidatura. Com a condenação em segunda instância, a guilhotina da “ficha suja” vedou a essencial via de sucesso jurídico. O sebastianismo adquiriu, então, uma dimensão mística, exigindo conversão dos eleitores a credo contrário à racionalidade. Sustentar a candidatura Lula “até o fim” não tem sentido político claro.

Ou melhor, algum sentido faz. O silêncio de Lula, ignorando a fúria vocabular do “sebastianismo evangélico” contra os que discordam, mantem sitiada grande parte das esquerdas. A chantagem emocional com que assediam históricos apoiadores decepciona. Levantar o sítio à esquerda se impõe como urgente medida reunificadora, indispensável à vitória contra a avalanche reacionária.

Não importam os bumbos acampados em Curitiba. O cárcere solitário sadicamente imposto a Lula não é único. A hora do lobo é a hora da solidão interna. A hora de Lula.
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O "luxuoso" triplex atribuído a Lula

Foi nessa cozinha "puro luxo" e nessa "enorme" área de serviço que a OAS gastou quase meio milhão em reformas, com as obras de luxo feitas no triplex atribuído a Lula...






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O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé nem ser especialmente tolo para defender os interesses dos EUA como se fossem seus

À espera de uma "autoridade" dos EUA
Toda ideologia científica, criada para legitimar os interesses dos poderosos, precisa ter um grão de verdade para produzir uma mentira social convincente.

Assim, a ideologia científica da supremacia moral norte-americana nasce da tese de que o pioneiro protestante ascético criou uma sociedade igualitária de classe média, formada por pequenos empresários familiares no campo e na cidade, baseada na disciplina do trabalho duro, na política controlada pelo cidadão e na honestidade das relações interpessoais e contratuais. Até a Guerra Civil e 1861/1865, essa sociedade do pequeno empresário tinha seu grão de verdade.

Os Estados Unidos que nascem da guerra civil não têm, no entanto, mais nada a ver com esse passado mítico. O pequeno empresário perde qualquer importância econômica para os grandes monopólios econômicos,  que passam a dirigir de cima uma política cada vez mais corrompida para atender seus interesses.

Propaganda e indústria cultural manipulativa criam uma esfera pública colonizada pelo dinheiro onde o consumismo substitui a participação politica comunitária.

 A riqueza se concentra em poucas mãos e o assalto às riquezas de outros países, como em todo império, é usada para distribuir uma parte do butim para o próprio povo de modo a comprar solidariedade interna. Não obstante, a ideologia cientifica e cultural do “self made man”, do empresário trabalhador e honesto, é, até hoje, a imagem central da “ideologia americana”, para dentro e para fora da nação.

A elite de proprietários brasileiros, assim que termina a escravidão, procura e constrói uma ideologia cientifica que é o espelho invertido da americana para se apresentar como imagem do progresso: se não temos aqui o império do empresário diligente, honesto e trabalhador é apenas porque uma elite atrasada tomou o Estado e a política para seu interesse próprio.

Que nunca tenha existido aqui o “farmer” americano, mas o latifundiário ladrão de terras e assassino de gente, que se muda para a cidade para assaltar, agora, o orçamento do Estado e a sociedade como um todo, não parece perturbar ninguém.

A ideologia norte-americana ajuda a legitimar aqui o mercado da rapina sem freios sobre a população intelectualmente indefesa, produto de uma imprensa venal, que estigmatiza o Estado e a política para torná-los instrumentos dóceis do saque legalizado dos donos do mercado.

É apenas porque o mito nacional dos EUA travestido de ciência é reproduzido aqui na sua versão “vira-lata”, do inferiorizado moralmente, que a “informal” e ilegal “cooperação” entre o Departamento de Justiça americano e a Lava Jato pode se mostrar de público e sem nenhum disfarce.

O procurador Kenneth Blanco, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou, de público, sem qualquer pudor ou vergonha, a “íntima” cooperação com a Lava Jato, que permitiu ações ágeis e rápidas “fora dos procedimentos oficiais” por conta do relacionamento de “confiança individual” entre as equipes.

Que o país de uns tenha ficado mais rico e o país dos outros muito mais pobre, parece ser um mero efeito colateral sem importância.

Em um contexto como este, onde a raposa e a galinha pensam o mundo e compartilham as mesmas ilusões, não se precisa sequer “pagar por fora”, em paraísos fiscais, aos procuradores e juízes envolvidos pelo serviço tão bem feito de acabar com as grandes empresas brasileiras, que eram o suporte de uma inserção internacional autônoma, via Brics, odiado pelos EUA.

Assim, acabar com 1,5 milhão de empregos e com a economia de vanguarda brasileira pode ser vendido como um acordo entre “gentlemen” interessados que a lei prevaleça e que a corrupção, claro, só do país atrasado, seja combatida.

Que os americanos façam muito diferente em casa, que as firmas corruptas sejam protegidas por “acordos secretos” com as autoridades administrativas, para proteger os empregos e os interesses americanos, como mostrado pela insuspeita The Economist  em agosto de 2014, também não parece preocupar ninguém.

Enquanto os funcionários norte-americanos são formados dentro de uma geopolítica e de uma ideologia científica centenária de um império que defende com unhas e dentes seus interesses, os nossos procuradores, juízes, generais e economistas só conhecem, quando muito, seu campo muito específico de ação. São vítimas da geopolítica do “vira-lata” e são perpassados por sentimentos de inferioridade aprendidos na escola, na mídia e nas universidades.

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé, nem ser especialmente tolo, para defender os interesses norte-americanos como se fossem os seus. Basta ter nascido brasileiro e aprendido na escola e na mídia a ser um vira-lata obediente.  

Jessé Souza
No CartaCapital
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Boulos fez o que o Lula não fez


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Ato anti-fascista em frente à Fiesp



Como Adolf Hitler subiu ao poder?



(Legenda em português)
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Palhaço fascista Moro transforma o Brasil em piada internacional

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O “ocupa triplex” e o “desocupa Paraty”


Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto invadiram esta manhã o apartamento triplex do Edifício Solaris, no Guarujá, o qual Sérgio Moro diz ter sido “atribuído” a Lula.

Como gritam os militantes, “se é do Lula é nosso!”

Uma das militantes, segundo a Folha, diz: ““Se o apartamento é do Lula, ele que peça a integração de posse”.

Como Lula jamais foi proprietário ou possuidor do imóvel, Moro confiscou-o à OAS, construtora do prédio.

E como a sentença ainda pende de trânsito em julgado, o apartamento ou a soma em dinheiro que ele venha a render no leilão, em tese, podem ser reivindicados pela empreiteira.

Do contrário, é o Estado brasileiro quem tem de fazê-lo, portanto.

Certamente o fará com muito mais rapidez do que em relação a certa mansão cinematográfica em Paraty, não é?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Entrevista com Prof. Daniel Aarão Reis


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MTST e Povo Sem Medo acabaram de ocupar o triplex do Guarujá

Se é do Lula é nosso. Se não é por que prendeu?



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Breve apanhado de corrupção na Lava Jato: Indícios fortíssimos


"Criar dificuldades para vender facilidades"

1. Ao apontar os fracassos da operação mãos limpas na itália, o Professor ALBERTO VANUCCI, da Universidade de Pisa, It, alerta que:

- "pior [de tudo], na Itália, agora, os políticos corruptos, servidores públicos e empresários aprenderam a lição da Mãos Limpas e não estão cometendo os mesmos erros daqueles que foram presos

Nos últimos anos, eles desenvolveram técnicas mais sofisticadas para praticar corrupção com mais chances de ficarem impunes, como dissimular pagamentos de propinas, ou multiplicar conflitos de interesses"


Nota: o Prof. Alberto Vanucci é Professor de Ciência Política na Universidade de Pisa, It, orientador de cursos de Pós Graduação em análise e prevenção do crime organizado e da corrupção, estudioso, especialista e autor de inúmeros livros e estudos em organização criminosa e corrupção como, por exemplo, Corruzione politica e amministrazione pubblica (1995), Il mercato della corruzione (1997), Un paese anormale (1999), Corrupt Exchanges (1999), Mãos Limpas (2007), The hidden order of corruptios (2012) entre outros

2. VITO LO MONACO presidente do CENTRO STUDI PIO LA TORRE, Instituto Italiano responsável pelo Projeto Educativo Antimáfia, diz:

- "A máfia é forte porque se infiltra no Estado"


3. NO BRASIL, TEM-SE REPORTADO QUE:

         3.a. Advogados são condenados por envolvimento com organização criminosa: Conjur

         3.b. Infiltração do PCC no Judiciário de São Paulo é investigada: TV Uol

         3.c. Desembargador (Minas Gerais) que vende liminares a favor de traficantes: Youtube

         3.d. Três (3) juízes federais acusados num esquema de empréstimos fraudulentos que envolveu a Associação de Magistrados Federais da 1ª Região (Ajufer), entre os anos de 2000 e 2009: Conjur

         3.e. Gilmar Mendes: “A corrupção já entrou na Lava Jato”: DCMBrasil247Tijolaço

         3.f. Ministro da Justiça afirma que a escolha para o Comando da Polícia Militar no Estado do Rio de Janeiro é fruto de um acordo entre políticos, deputados estaduais e o crime organizado: Justificando

         3.g. Corrupção no Exército? Procuradoria denuncia esquema de militares: Carta Capital

         3.h. “Gorjeta” milionária para o MP nos acordos de delação premiada: Brasil247

         3.i. Cercado de corruptos Moro pede ajuda para combater - ele diz - a corrupção: Brasil247

         3.j. Amigo de Moro que teria pedido 5 milhões por fora (propina) em troca de delação será convocado por CPMI: Jornal GGN

         3.L.  MERCADO FINANCEIRO. Vazamentos podem ter beneficiado investidores: Jornal GGN

         3.m. PETROBRAS FAZ ACORDO DE PAGAR US$ 2,95 BILHÕES - cerca de r$ 10 bilhões - a investidores norte-americanos para encerrar uma disputa judicial envolvendo a companhia nos Estados Unidos: Brasil247

         3.n. - MORO TENDO CONHECIMENTO DO ENVOLVIMENTO DA GLOBO (1,6 BILHÃO DE REAIS) E DA ABRIL (60 MILHÕES DE REAIS) no caso do Banestado (banco do Estado do Paraná), comparece e recebe premiações e homenagens dessas empresas (comerciais) de mídia e de formação de opinião: CartaCapitalPragmatismo Político [há um video com o Delegado Castilho], Conversa Afiada

         3.o. LULA PRESO. BARUSCO AQUELE DOS 100 MILHÕES SE LIVRA ATÉ MESMO DA TORNOZELEIRA: Brasil247

         3.p. - STJ REDUZ CONDENAÇÃO DO ITAÚ DE R$ 160 MILHÕES PARA R$ 160 MIL: Justificando

4. MATÉRIAS SOBRE DELAÇÕES - GGN E DCM (pequeno resumo)

         - Caso 1: O INSÓLITO ACORDO

LUIZ AUGUSTO FRANÇA, MARCO BILINSKI e VINICIUS BORIN peixes graúdos no mundo dos doleiros e das empresas offshore - pioneiros no mercado com os Paraísos Fiscais e com dinheiro não declarado (lavagem de $$ sujo e ilícito) - e operadores da Odebrecht.

Celebraram - na Lava Jato - Acordo de Delação Premiada com o MPF de Curitiba e depois homologado (aprovado) por Sérgio Moro com as seguintes (e incompreensívies) benesses:

Penas de 8 anos em Regime Aberto diferenciado por um (1) ano e a Suspensão Condicional da Pena sem condições e Multa de apenas 3,4 milhões quando teriam recebido 326 milhões.

As penas propostas para os três foram:

a.          Condenação à pena unificada máxima de 8 anos de reclusão e suspensão dos demais feitos criminais.

b.         Um ano em Regime Aberto diferenciado, com a única obrigação de recolhimento domiciliar noturno nos dias úteis   (das 20 às 6 horas) e integral nos feriados e fins de semana, sem tornozeleira.

c.         Seis meses em regime aberto com recolhimento integral apenas nos finais de semana e feriado, sem tornozeleira.

d.         De 3 a 6 meses de pena restritiva de direitos: 6 horas semanais de prestação de serviços à comunidade.

e.         Depois disso, suspensão condicional da pena, sem quaisquer condições restritivas pelo período restante

f.         Ficou acertada, ainda, a possibilidade de 6 viagens nacionais ou internacionais a trabalho, durante o cumprimento da pena prevista, com prévia autorização judicial pelo período máximo de 7 dias

g.         E uma multa de apenas US$ 1 milhão, que será paga apenas após a repatriação de valores do exterior.

Para saber quanto dinheiro eles ganharam, a conta é simples. Recebiam 4% sobre as operações da Odebrecht feitas através do banco. Dois valores aparecem relacionados às operações do Meinl Bankrelacionadas  à Odebrecht — ora 1,6 bilhão, ora 2,6 bilhões. De dólares.

Considerando que o número correto seja 1,6 bilhão de dólares, a comissão do grupo foi de cerca de 64 milhões de dólares. Além disso, o banco recebia mais 2% pela movimentação oficial do dinheiro, o que representaria mais 32 milhões.

No total, estima-se que os três, mais Olívio Rodrigues, o quarto sócio — além dos dois sócios ocultos — receberam 96 milhões de dólares de comissão, o que corresponde a 326 milhões de reais.

Mas a Lava Jato só cobrou dos três a multa de R$ 3,4 milhões de reais e fichou ridícula pela corporal em Regime Aberto diferenciado. 

         - Caso 2: DARIO MESSER

DARIO MESSER esquecido pela Lava Jato, da mesma forma como foi esquecido no caso Banestado, cujo juiz do processo foi Sérgio Moro.

É bastante estranho que MESSER apontado como o maior doleiro do Brasil e que esteve por trás das maiores operações realizadas pelo grupo - de França, Bilinski e Borin - foi omitido da Delaçãoacordada e homologada.

Estranho, ainda, pois MESSER é antigo conhecido do juiz SERGIO MORO, apareceu no escândalo do Banestado como grande operador e, também, dali se safou. SÉRGIO MORO foi o juiz do caso Banestado. E MESSER de lá se saiu livre, sem arranhões.


Nota: BANESTADO: (contabilizados) 134 bilhões de dólares levados ao exterior (evasão de divisas, sonegação e impostos, remessa ilegal de divisas). Atingia a nata do PSDB e do PMDB na época do governo de FHC. Moro condenou 26 "laranjas"(pessoas comuns usadas para desviar $$$. Nenhum nome importante foi condenado como políticos; empresários e donos de empreiteiras envolvidas (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Correia), de mídia (Globo, Abril, RBS, RTB-Sílvio Santos, Correio Braziliense) e outros grandes figurões. Delator doleiro: o de sempre, Youssef. Delações, 30. Processos desmembrados, arquivados, crimes prescritos, 26 condenações sem importância e  ainda poucos paralizados nos Tribunais. Valor contabilizado em reais 436 bilhões, hoje. A acrescer ainda o juros e correção das moedas (fatos apurados entre 1966 a 2002 durante os governos do PSDB, PMDB, PTB, PFL).



         - Caso 3: TECLA DURÁN

CARLOS ZUCOLOTTO sócio de escritório da esposa de Sérgio Moro, amigo próximo e padrinho de casamento do casal teria pedido 5 milhões de reais por fora para conseguir acerto mitigado em delação na Lava Jato.

DURÁN junta - na CPMI - documentos comprovando a oferta e diversos outros documentos que revelam os subterrâneos da Lava Jato:

         . Documentos em delação de executivos da Odebrecht foram adulterados, diz Durán: RedeBrasilAtual e Jornal GGN

         . Advogado [padrinho, advogado e] amigo de Sergio Moro será convidado a explicar R$ 5 milhões 'por fora': RedeBrasilAtual

        . Para deputados Durán revela subterrâneos da Lava Jato: RedeBrasilAtual

         - Caso 4: CLÁUDIA CRUZ

A jornalista Cláudia Cruz, esposa do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, foi absolvida hoje pelo juiz Sérgio Moro da acusação da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas no processo que investiga o pagamento de propina oriunda do superfaturamento do contrato entre a Petrobras e a Compagnie Beninoise des Hydrocarbures Sarl para exploração de petróleo no Campo de Benin, na África.

Mesmo apontando gastos elevados de Cláudia Cunha como por exemplo 23 mil dólares em um hotel em Miami e 7.700 dólares na boutique Chanel em Paris, Moro a absolveu: Agência Brasil e El Pais

Nota: Compare com o tratamento dado à Marisa, esposa do Lula...

         - Caso 5: SANTANA E O ADVOGADO IRMÃO DO PROCURADOR

O advogado vale tanto quanto pesam suas relações pessoais junto à força tarefa da lava jato.

De repente, advogados sem nenhuma experiência na área penal tornaram-se requisitados e pagos a preço de ouro sendo regiamente remunerados por acordos fechados com seus conhecidos da Lava Jato: Jornal GGN

         - Caso 6:  A INDÚSTRIA DA DELAÇÃO PREMIADA

O elo com a máfia das falências no PR: a mulher de Moro.

Escritórios de advocacia faturando alto: Jornal GGN

         - Caso 7:  DURÁN X PROCURADORES DA LAVA JATO

Tacla Durán diz que procuradores da Lava Jato ameaçaram sua família para forçar delação: Jornal GGN

5. MÁFIA. MODELO DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Servindo de modelo básico aos outros grupos mafiosos, por exemplo, a Máfia Siciliana (Gamorra) tem uma estrutura piramidal:

a. Base composta por criminosos comuns (como assaltantes, pistoleiros, sequestradores, extorquidores, corruptores, etc). Os "soldati".

b. No andar logo acima, os homens de (aparente) honra composta por criminosos engravatados infiltrados em Instituições, Organizações  e Empresas tanto Públicas como Privadas, encarregados de darem proteção e legitimidade às organizações, ações e grupos mafiosos (como sacerdotes, pastores, religiosos, professores, comerciantes, industriais, empresários da mídia, jornalistas, Juízes/Magistrados, Procuradores/Promotores Públicos, Delegados/Agentes Policiais, Advogados, militares, Políticos, Parlamentares, Governantes e outros tantos infiltrados). Os "uomini d'onore".

fanno relazione con la politica, con la economia, con la chiesa, con i giornalisti... fanno  relazione con tutti...un mondo di relazione... I' uomini d'onore è il centro di un piccolo universo

c. Acima, ainda, os comissários mandatários regionais e de circunscrição, que se submetem ao chefe geral normalmente escolhido por eles. "Comissione":  cúpula do comando nas regiões.

d. Por último, o grande Chefe. O "il capo".

- una decina di uomini d'onore forma una famiglia

- diversi famiglie formano un mandamento [ circunscrição ]

- più mandamenti eleggono un capo della cupola o comissione

6. DESTRUIÇÃO E DESMONTE DO ESTADO, INDÚSTRIAS E EMPREGOS. A conseqüente desnacionalização do patrimônio nacional

Notórios os danos que a denominada operação tem causado à nação brasileira, à nossa indústria, e empresas, e à nossa gente.

Apenas para demonstração, ontem a FUP expediu nota apontando os enormes prejuízos causados à extração, às empresas e aos empregos nos setores ligados ao petrôleo e ao gás, um dos mais importantes para a economia nacional: Brasil247

7. UMBERTO ECO

Aqui cabe a chamada - do talvez o maior e mais importante pensador italiano da metade do Século XX e início do Século XXI - Umberto Eco:

"já há quem diga que, depois da queda do Muro de Berlim e do desmantelamento da União Soviética, os americanos já não precisam dos partidos que podiam manobrar e os deixaram nas mãos dos magistrados, ou talvez, poderíamos arriscar, os magistrados estão seguindo um roteiro escrito pelos serviços secretos americanos"

in "Número Zero" - pag. 53

8. NÃO SE COMBATE CORRUPÇÃO CORROMPENDO A CONSTITUIÇÃO

Ilegalidade não se combate com ilegalidade.

A defesa do Estado Democrático de Direito não pode se dar às custas dos direitos e garantias fundamentais.

A violação de direitos e garantias fundamentais, e isso vale para qualquer cidadão (culpado ou inocente, rico ou pobre, petista ou tucano),  só são comemoradas em sociedades que ainda  não foram capazes de construir uma cultura democrática, de respeito à alteridade e ao projeto constitucional de vida digna para todos. 


9. AL CAPONE:

"Mensagens aos pais

            Hoje em dia as pessoas já não respeitam nada. Antes, colocávamos num pedestal a virtude, a honra, a verdade e a lei... A corrupção campeia na vida americana de nossos dias. Onde não se obedece outra lei, a corrupção é a única lei. A corrupção está minando este país. A virtude, a honra e a lei se evaporaram de nossas vidas."

(Declarações de Al Capone ao jornalista Cornelius Vanderbilt Jr. Entrevista publicada na revista Libertyem 17 de outubro de 1931, dias antes de Al Capone ir para a prisão).

GALEANO, Eduardo. De Pernas pro ar. A escola do mundo ao avesso. Porto Alegre, RS: L&PM Editores, 2015, p.1

10. NÃO ESGOTAMENTO DAS IRREGULARIDADES

As irregularidade acima lembradas não esgotam de forma alguma outras tantas apontadas - quer pela defesa de réus, quer por veículos de publicação independentes -  concernentes, por exemplo, à quebra da exigível imparcialidade do julgador, à quebra de um julgamento eqüânime, à quebra da paridade entre às partes processuais, à quebra do princípio da ampla defesa, à quebra da exigência do devido processo legal, à quebra do estado de liberdade dos acusados, à quebra de sigilos, à quebra de transparências, à quebra da voluntariedade das delações, à quebra da regra de registro das tratativas, à quebra da confiança (e responsabilidade) processual, e, também, à quebra (e a supressão) de  narrativas de fatos relevantes...

11. CONCLUSÃO

Tendo, portanto, em mente as advertências de VANUCCI e MONACO quanto às novas fórmulas de atuação da Máfia e de sua infiltração no Estado, bem como a constituição modelo de uma cosca (bando, rede de criminosos) siciliana, grande e forte são os indícios e suspeitas de que em Curitiba um grupo de autoridades (Sérgio Moro, Procuradores da Força Tarefa do MPF, PF de Curitiba e operadores da denominada operação Lava Jato), contando com ramificações, vem, sistematicamente, de forma recorrente, praticando ou acobertanto irregularidades - violando a CF, leis materiais e processuais - e, assim, causando prejuízos imensos e irreparáveis ao país, à soberania nacional e ao povo brasileiro em geral. Jornal GGN

Nilo Filho
No GGN
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