8 de abr de 2018

Pedro Serrano: ato de prisão de Lula é inválido


Horas antes de Lula se apresentar a Polícia Federal para cumprir um mandado de prisão assinado por Sérgio Moro, no início da noite de sábado, 7, o professor Pedro Serrano, um dos grandes constitucionalistas do país, deu uma entrevista. Num levantamento minucioso do processo contra Lula, Serrano para demonstra que a decisão de encarcerar o ex-presidente não tinha base legal e atendeu a um objetivo específico – dificultar a capacidade de resistência legal de Lula. Pra Serrano, até a ordem de prisão mostra a parcialidade do juiz. "A forma como ele foge da lógica processual mostra claramente a intenção de perseguir, aprisionar logo"

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Reflexões em torno de Lula preso e Alckmin presidente

Em condições normais de temperatura e pressão – a partir da prisão de Lula – Alckmin seria eleito em 2018 e o golpe se tornaria uma espúria presidência democrática. Mas…

Entre os que detém informação, não deve existir qualquer pessoa que realmente acredite que Lula é corrupto. O Lula corrupto é o espantalho com que o poder econômico remunera o apoio do reacionário de classe-média e com o qual esse justifica suas frustrações e preconceitos.

Porém, entre os detentores de informação, não seria esperado que houvesse quem espere ainda que provas sejam apresentadas contra Lula – os próprios jornais pararam de especular sobre o assunto. As delações premiadas nada trouxeram e, por óbvio, se provas houvessem, o Departamento de Justiça dos EEUU – que é quem realmente fez as investigações da Lava Jato – já as teria encontrado.

Assim, não resta dúvida que, mais do que uma hipotética depravação de caráter do juiz Moro, a prisão de Lula atende a interesses eleitoreiros. E aqui há algumas questões a serem analisadas.

O golpe passa pelas eleições de 2018

Até este instante, as eleições de 2018 estão mantidas e são necessárias. Aparentemente a comunidade internacional – entenda-se os interesses dos EEUU – não mais convive bem com ditaduras. Pelo menos no ocidente. Assim, é necessário colocar no governo um colaboracionista eleito. Alguém do PSDB. Não por acaso, o partido da oligarquia dependente brasileira.

Sintomático foi o passa moleque dado no general Villas Bôas. No dia anterior, e no próprio dia do julgamento do habeas corpus de Lula, ampla repercussão de suas declarações “contra a impunidade”. No dia seguinte, o aviso de que os militares devem ficar de fora do golpe – desta vez.

ingratidão

O general aprendeu que o dia do favor é a véspera da ingratidão.

A aventura Luciano Huck

Pesquisas após pesquisas mostraram Lula imbatível nas próximas eleições contra os candidatos “tradicionais”. A campanha de assassinato de reputação não afetou Lula. Huck seria o novo capaz de enfrentar Lula. Mas viram nele riscos que não quiseram correr. Por motivo ainda a ser estudado, a aventura Luciano Huck foi abortada.

Huck presidente 2

As fichas foram colocadas então em Alckmin – alguém ruim de voto. Mas o único que sobrou no PSDB. Ligeiramente afetado – mas pouco afetado – pelos efeitos colaterais da Lava Jato.

Para tanto, Lula não poderia participar das eleições. Não foi à toa que o presidente do TRF – Tribunal Regional Federal – da 4ª Região tranquilizou a todos que o caso seria resolvido de modo a não atrapalhar as eleições. E foi. Tempos recordes foram cumpridos pelos desembargadores. Lula condenado em segunda instância – Ficha Suja – fora das eleições.

Lula e o poste de Lula

A prisão de Lula talvez não fosse necessária inicialmente. Porém, tornou-se imprescindível devido ao potencial de Lula em transferir votos a um candidato apoiado por ele. Podendo participar das eleições, Lula colocaria seu candidato no segundo turno. Eis o porquê da prisão.

transferência de voto

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Alckmin é muito fraco. Com Lula na campanha, as eleições seriam decididas entre Bolsonaro e o Poste de Lula. Somente ter evitar isso justificaria os custos políticos da prisão de Lula – criar um mártir para a esquerda.

Tucanos imunes e a ordem unida da direita

Obter o maior tempo de exposição de Alckmin no horário eleitoral. Fazer com que ele praticamente esteja sozinho nas telas da televisão. Para tanto, o PSDB foi cacifado para buscar formar coligações com o maior número de partidos possível – mas fundamentalmente com o PMDB. Em respeito à história e a Ulisses Guimarães – o Sr. Constituição – não uso a sigla MDB.

O cacife do PSDB é sua imunidade à Justiça. A ponto de virar piadas – político do PSDB não é investigado. Prender tucano é crime ambiental. E que não se venha citar Aécio Neves. Esse é justamente o que escapou da investigação. Só foi perturbado – ele e José Serra – o suficiente para não atrapalhar a candidatura Alckmin. Uma medida de prudência em um ninho de escorpiões autodestrutivos como o PSDB.

Não se estranhe as ameaças de candidatura de Temer e Rodrigo Maia, entre outros. É apenas para aumentar em alguma coisa o preço da adesão. Mas ela se dará. E a moeda de troca do apoio será não serem incomodados pela Justiça.

Com Lula preso, nas páginas dos jornais não se encontrará mais a palavra corrupção. Assim como a palavra crise sumiu depois do impeachment de Dilma Rousseff.

A Lava Jato acaba logo depois das eleições – sem um tucano investigado. A prisão de Paulo Preto cumpre duas funções: é o boi de piranha do PSDB para simular isenção da Lava Jato – na boiada do PSDB, o boi de piranha é o boi preto – e mantém José Serra comportado. Depois das eleições, assim como Andrea Neves, receberá um habeas corpus do Supremo.

Marina Silva, aparentemente, está fora dos planos.

Ela e Bolsonaro em partidos minúsculos não terão visibilidade.

A esquerda só se une na cadeia

Ciro Gomes fará sua parte e, para demonstrar que não é um “puxadinho do PT”, dividirá a esquerda. Boulos e Manuela D’Ávila são a eterna esquerda sonhadora, revolucionária e inviável. Podem até receber elogios.

Lula na solitária

PM Curitiba

São três as apostas dos golpistas em relação à prisão de Lula.

Lula será posto incomunicável – solitária. Sem poder comandar o PT, de dentro da prisão, o partido rachará sob o peso de suas contradições internas. A truculência da PM curitibana dispersando uma vigília cívica a favor de Lula com balas de borracha – 9 feridos – não deixa muitas dúvidas quanto à adoção dessa estratégia.

O PT seguirá com a candidatura de Lula até o fim. Como estratégia para proteger seu líder preso, dando-lhe visibilidade. Uma chantagem da Lava Jato cujo custo será Lula não transferir votos para ninguém.

O povo pobre – sabidamente ignorante e mal informado – pelo menos na ótica dos golpistas – não identificará qualquer candidato do PT como candidato de Lula. Lula preso não poderá apadrinha-lo na campanha.

Alckmin presidente e a água no chope tucano

Em condições normais de temperatura e pressão, essa seria a história antecipada da eleição de Alckmin e de como o golpe se tornaria uma presidência democraticamente eleita, ainda que espúria. Mas…

O grande acordo com o Supremo com tudo não está tão fácil assim. Ocorreu uma inesperada inversão de papeis. Os ministros “progressistas” passaram a apoiar o golpe. E os “conservadores” e “decanos” formaram uma frente democrática. Como “conservadores” e “decanos” não rasgam notas de cem, esse posicionamento talvez demonstre que o bloco golpista não seja tão hegemônico assim. Brutal e grosseiro, sem dúvida, o é. E isso pode ter acendido o sinal amarelo em um determinado grupo que pode ter se percebido como a “próxima vítima”.

Ninguém assiste mais televisão – se a campanha eleitoral no Brasil ocorrer como parece que irá ocorrer, ela se dará principalmente nas redes sociais. E nelas, Bolsonaro tem tropas fiéis o suficiente para equilibrar seu pouco tempo de televisão.  Flavio Rocha – da Riachuelo – tem dinheiro até onde os acionistas lhe permitirem. Por enquanto, é apenas um milionário deslumbrado que comprou um partido para chamar de seu. Tem o MBL – Fake News – a seu lado, embora acredito que seus componentes estarão mais preocupados em se eleger do que eleger seu “candidato”. Mas precisam do dinheiro dele. E devem bater em pelo menos um outro concorrente do seu próprio campo. Alckmin – picolé de chuchu – não empolga nas redes e é o alvo ideal.

E se o poste de Lula se iluminar?

A estratégia do PT já deve ter sido traçada por Lula. Veremos, nas próximas semanas, qual será. As mensagens são conflitantes.

lula povo

A do PT é Lula até o fim.

A de Lula é: “Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia misturada com as ideias de vocês. Minhas ideias já estão no ar e ninguém poderá encerrar. Agora vocês são milhões de Lulas”.

Lula é um animal político e os episódios de sua prisão mostraram como sabe transformar limão em limonadas de apoio popular e sobrevivência.

Fica então a incógnita: Lula abriu mão de si próprio em nome do partido? Haverá não mais apenas um poste de Lula, mas um candidato a herdeiro presuntivo?

Se houver esse poste de Lula, ele terá de ser apresentado nas próximas semanas.

E as próximas pesquisas dirão se se iluminou ou não. Talvez tais pesquisas não sejam tornadas públicas. Mas serão feitas dos dois lados.

Um poste de Lula iluminado muda totalmente o jogo. E ele – o jogo –  ficará muito mais perigoso. As próprias eleições entrarão em risco. Mas é a única saída do campo democrático.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Corcertos Gerais e Poesia
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O jornalismo da Globo e a tropa de choque: cada um a seu modo, gostam de sangue

A tropa de choque do Brasil: eles querem sangue
Há mais semelhanças do que se imagina entre a jornalista da Globonews Cristiana Lobo, que estranhou a falta de esculacho na prisão do ex-presidente Lula, e a violenta repressão da PM do Paraná a uma manifestação pacífica em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

A todos eles, falta uma boa dose de civilidade.

Cristiana postou no Twitter comentário sobre o comportamento dos policiais que levaram Lula a Curitiba sob custódia.

— Para quem não se lembra, em casos de outros presos, agentes da PF usavam uniforme e colete caracterizados. Os presos eram obrigados a colocar as mãos para trás, o que não aconteceu com Lula — escreveu a jornalista.

— Agentes da PF usaram terno preto para receber o ex-presidente Lula que chegava de helicóptero à sede da PF em Curitiba. Lula desceu sozinho, sem a mala com a qual embarcou em Congonhas — disse ainda.

Esta é uma das mulheres que costumam aparecer na Globonews para dizer: “Concordo com o Merval”, “Como disse o Merval”e por aí vai — Merval é uma espécie de ideólogo do Grupo Globo.

Enquanto Cristiana Lobo manifestava surpresa quanto à ação discreta da PF — fruto de um acordo que, como se sabe, Lula cumpriu, para contrariedade dos manifestantes que queriam impedir sua saída do sindicato —, a PM do governo tucano do Paraná descia o cacete em manifestantes pacíficos.

O Globo, jornal onde Cristiana Lobo aprendeu a trabalhar, mentiu ao dizer que houve confronto, que os manifestantes tentaram invadir a Superintendência da Polícia Federal.

“Fiquei assim com o rosto queimando, quase morrendo sufocada, com as bombas que vieram em cima da gente. Nós estávamos olhando o helicóptero chegando e gritando ‘Lula guerreiro do povo brasileiro’. Tinha crianças, idosas, a gente estava pacificamente olhando para cima, nós não estávamos invadindo nada”, contou uma senhora sobre o ataque da PM.

Muito diferente do relato feito pelo jornal da família Marinho, escola de Cristiana:

“O tumulto começou quando o helicóptero que trazia o ex-presidente pousava no heliponto da PF. Segundo o comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, o estopim foi a explosão de duas bombas onde estavam os manifestantes favoráveis ao petista. O comandante afirmou que a Polícia Federal reagiu com gás lacrimogênio.

Em seguida, manifestantes decidiram atirar pedras e paus contra os policias militares que estavam no local. Um deles foi ferido com um soco no rosto. Os PMs então revidaram com tiros de bala de borracha para dispersar a confusão. Carmo afirmou que, apesar do tumulto, o esquema de segurança era adequado para a situação.”

Pode-se objetar que ambos os relatos são parciais, mas, a favor da versão dos manifestantes, está a descrição que um repórter da Folha de S. Paulo, Felipe Bächtold, presente no local para cobertura dos fatos:

“Manifestação de apoiadores de Lula é dispersada com bombas de gás lacrimogêneo em um dos acessos da PF na hora em que o helicóptero pousou.

Ação da PM no momento em que o helicóptero pousava surpreendeu centenas de apoiadores de Lula no acesso da PF. Sem alerta, foi disparada uma sequência de bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo.

Houve correria e os manifestantes se dispersaram. A PM permanece perfilada em uma rua nas proximidades e parte dos manifestantes segue no local. Não houve violência por parte dos manifestantes antes da ação.

Muitos se penduravam na grade da superintendência, mas a PM não havia feito alertas. Os simpatizantes planejavam manter uma vigília com barracas em um dos acessos da PF.”

Se não serve o relato do repórter, veja-se o vídeo gravado por um jornalista do Mídia Ninja. Exatamente como descreve a mulher que sofreu com as bombas de gás. Olhavam para cima, gritavam palavra de ordem quando uma bomba foi jogada no meio dos manifestantes.

A escola em que Cristiana Lobo foi formada já não tem a hegemonia da narrativa, porque hoje, graças à mídia independente viabilizada pela internet, é possível ver que os fatos não se deram como contados por ela, a velha imprensa.

Mas essa escola ainda influi, e muito, porque fornece o argumento — e a justificativa moral — para quem faz do arbítrio e da truculência um meio de vida.

Pode ser um soldado da tropa de choque ou um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Não importa.

Eles esmagam a lei porque sabem que, logo, estará lá um veículo da família Marinho para lhes dar razão ou, no mínimo, atenuar o impacto negativo da repercussão.

Dizer, por exemplo, que houve confronto quando, na verdade, ocorreu o abuso.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Lula e a frustração dos fascistas


Os fascistas celebraram antes do tempo – e, ao final, ficaram frustrados. Eles imaginavam que a prisão ilegal e arbitrária do Lula produziria impotência, melancolia e abatimento total do Lula e da militância partidária e social.

Os fascistas se excitavam com o momento finalmente chegado, planejado para ser de suprema humilhação de um Lula prisioneiro e cabisbaixo sendo levado ao cárcere por verdugos vestidos de preto, empunhando armamento militar e usando gorros tipo ninja.

A Globo e a Lava Jato ansiavam ardentemente o término do prazo estipulado por Sérgio Moro para Lula se apresentar em Curitiba para exibir no Jornal Nacional da noite de sexta-feira, 6 de abril, o grande troféu, a verdadeira razão de ser do golpe e da Lava Jato: a caça finalmente enjaulada.

A prisão ilegal e arbitrária do Lula é o desfecho planejado pelo centro de inteligência estratégica do golpe e da Lava Jato.

Este planejamento também contempla a cassação da candidatura imbatível do Lula, para evitar o retorno dele à Presidência do Brasil com uma votação estrondosa.

Havia dúvidas apenas sobre a melhor oportunidade para a prisão do Lula; mas, com a evolução fascista do regime de exceção, ninguém mais duvidava da sua efetivação; era apenas uma questão de tempo.

E este tempo tão ansiado pelos fascistas chegou. Não sem a atuação tirânica do Moro, do trf4 e da presidente do stf, que anteciparam a prisão incrivelmente mesmo sem o exaurimento dos recursos no trf4 e sem a publicação do acórdão da decisão do stf sobre o habeas corpus.

A grande pantomima em torno da prisão do Lula, entretanto, foi frustrada. As 30 horas de atraso para o início do cumprimento da pena permitiram denunciar ao mundo – com extrema eficiência comunicacional e simbólica – a natureza arbitrária e ilegal de uma prisão sem fundamento jurídico, decidida às pressas para impedir o exercício do pleno direito de defesa.

Uma prisão que expôs o caráter persecutório e puramente político da caçada jurídica, midiática e policial ao maior líder popular da história do Brasil.

Os fascistas não conseguiram a fotografia que queriam. As imagens gravadas para sempre na memória e na história – que a mídia fascista foi obrigada a transmitir ao vivo nos seus veículos – são as do mito transcendente – que já “não é um humano, porque é uma ideia” – fundido de corpo e alma com seu povo.

A resposta do Lula ao atropelo fascista foi um discurso épico, memorável. Uma denúncia apaixonante da injustiça e do ódio contra os pobres.

Os 55 minutos eternizam este discurso como um dos maiores textos políticos da história ao lado da “Carta Testamento” do Getúlio, da “A história me absolverá”, do Fidel; e do “Eu Acuso”, de Émile Zola.

Com sua dignidade, Lula derrotou os indignos. Mesmo sendo arbitrariamente preso, Lula está mais livre que nunca: “Eles vão descobrir que o problema são todos vocês. Minhas ideias já estão pairando no ar e não tem como prendê-las!”.

Jeferson Miola
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Rosa Weber 15 dias antes deu HC que não deu ao Lula

Quinze dias antes de negar o habeas corpus ao ex-presidente Lula alegando seguir uma decisão colegiada do Supremo Tribunal Federal sobre execução de pena a partir da 2ª instância, a ministra Rosa Weber decidiu justamente o contrário dia 20 de março deste ano, numa decisão monocrática de recurso especial eleitoral com origem no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.

A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral contra Rejane de Oliveira Ferreira, Francisco Ferreira de Souza e Hermano José Ferreira de Souza. Os três foram condenados em 2016 por unanimidade pelo TRE/RN pela prática dos crimes de corrupção eleitoral, estelionato e inserção de dados falsos em sistema de informação. Servidora do INSS, Rejane de Oliveira foi acusada de conceder aposentadorias e outros benefícios previdenciários, com o auxílio de Francisco e Hermano, em troca de contrapartida de eleitores.

Rosa Weber cita na decisão monocrática, inclusive, as Ações Declaratórias de Constitucionalidade 43 e 44 que estão sob a guarda do ministro relator Marco Aurélio de Mello e que a presidenta do STF Carmem Lúcia se recusa a colocar em pauta. Diz a ministra Rosa Weber:

– Às fls. 3.056-62, o Ministério Público Eleitoral requereu o imediato cumprimento do início da pena, com a expedição da respectiva guia de execução, pelo que determinei fosse aguardado o desfecho da controvérsia no Supremo Tribunal Federal, diante do ajuizamento das ações declaratórias de constitucionalidade 43 e 44, sem prejuízo da regular tramitação do recurso no TSE. É o relatório. Decido.

A decisão da ministra reforça a tese de perseguição política contra o ex-presidente Lula, cuja prisão foi decretada pelo juiz Sérgio Moro mesmo antes do processo transitar em julgado na própria 2ª instância. Por 6 votos a 5, o STF negou o habeas corpus a Lula em 4 de abril. O voto de Rosa Weber foi decisivo porque a ministra já havia se posicionado de forma contrária à prisão de 2ª instância, antes da conclusão total do processo.

Se na decisão monocrática relacionada à ação eleitoral do RN a ministra votou para aguardar a decisão no STF sobre as Ações Declaratórias de Constitucionalidades 43 e 44, duas semanas depois Rosa Weber não deu o mesmo benefício ao ex-presidente Lula.

Rafael Duarte
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A carta-testamento de Lula

Há duas semanas, Lula amarrou um lenço vermelho no pescoço e visitou o túmulo de Getúlio Vargas em São Borja. O mausoléu foi projetado por Oscar Niemeyer e reproduz as palavras da carta-testamento. Elas pareceram ecoar ontem em São Bernardo do Campo, no último discurso do petista antes de ser preso.”

Em 1954, Getúlio sustentou que era perseguido por contrariar os interesses das elites. “Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes”, afirmou.

Em 2018, Lula repetiu o discurso ao dizer que está sendo caçado por defender os pobres. “Eles não querem o Lula de volta porque pobre, na cabeça deles, não pode ter direito. Pobre não pode comer carne de primeira, andar de avião e entrar na universidade”.

Ao “sair da vida para entrar na história”, Getúlio pediu que os aliados preservassem seu legado. “Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta”, escreveu. “Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado”.

Ontem, Lula também adotou um tom messiânico ao se despedir da militância. “Eu não sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia”, disse. “Não adianta tentar acabar com as minhas ideias. Elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Quando eu parar de sonhar, sonharei pela cabeça de vocês”, arrematou.

O suicídio de Getúlio abortou um golpe, virou a opinião pública e abriu caminho aos futuros presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. No caso de Lula, é difícil imaginar que a prisão terá o impacto sonhado pela esquerda. Enquanto estiver trancado numa cela, ele não poderá pedir votos na TV ou nos palanques.

Por isso, Lula aproveitou o último ato para apontar sucessores e produzir imagens de campanha. Ele saudou Dilma Rousseff como “a mais injustiçada das mulheres” que entraram na política brasileira. No entanto, reservou a maior parte dos elogios a aliados mais jovens: Guilherme Boulos, do PSOL, Manuela Dávila, do PCdoB, e Fernando Haddad, do PT. Em outubro, os três devem disputar o espólio lulista na eleição presidencial.

Bernardo Mello Franco
No O Globo
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Cristiano Zanin fala sobre visita ao presidente Lula.


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São Bernardo, 1978-2018

Lulismo não morre com a condenação do ex-torneiro mecânico, mas terá que se reinventar

No dia 12 de maio de 1978 começava a greve da Scania-Vabis em São Bernardo do Campo. Era a primeira paralisação operária desde 1968 e o sucesso dos trabalhadores do setor automobilístico mudaria a história do país. A presença de Luiz Inácio Lula da Silva, o líder sindical que emergiu daquele movimento, por 24 horas no Sindicato dos Metalúrgicos depois de decretada a sua prisão na última quinta (5), fecha simbolicamente o longo ciclo iniciado então.

O lulismo não morre com a condenação do ex-torneiro mecânico. Mas terá que se reinventar para sobreviver sem a liberdade daquele em torno do qual o movimento cresceu ao ponto de chegar à Presidência da República. A despeito de quaisquer outras considerações, Lula demonstrou, durante esses 40 anos, a inegável capacidade de aglutinar o campo popular da política brasileira em torno de si.

A Operação Lava Jato, que alcança seu ápice com a ordem de aprisionamento do ex-mandatário, conseguiu o efeito objetivo de afetar o coração da alternativa popular.

O juiz Sergio Moro, mais uma vez mostrando que age olhando para a política, apressou-se a executar a sentença antes que pudesse haver algum recuo superior.

A profunda divisão do STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito, demonstrada na votação do habeas corpus, indicava a instabilidade da decisão anti-Lula tomada quarta (4).

Mas a Lava Jato, independentemente das intenções de cada um de seus membros, é apenas a ponta de um iceberg.

Quando, na véspera da sessão do STF, o comandante Eduardo Villas Bôas divulgou duas postagens no Twitter e em uma delas escreveu que “o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade”, ficou claro que a prisão de Lula tinha se tornado, para determinados setores da sociedade, um assunto de “segurança nacional”.

As “intervenções pretorianas”, conforme as qualificou o ministro Celso de Mello, aproximaram um pouco a situação atual daquela vivida depois de 1964.

Trata-se, mais uma vez, de impedir, no tapetão, que haja verdadeira alternância no poder. Uma disputa sem Lula candidato, e com dificuldade para explicar ao seu eleitorado quem o representa, esvaziará o pleito de outubro. A possível vitória de um candidato de “centro”, na realidade do campo da classe média, nessas circunstâncias, terá a sua legitimidade diminuída.

Por outro lado, a evolução dos acontecimentos poderá transformar a condenação de Lula no principal assunto da própria eleição. Dependerá, então, da capacidade dos dirigentes forjados neste ciclo, que permanecem em liberdade, reconstruir o polo que representa os pobres. Sobre o seu sucesso, o futuro dirá.

André Singer
No fAlha
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Em áudio, alguém teria dito para piloto de avião com Lula: “Manda esse lixo janela abaixo”

Desde a noite de sábado (7), circula em grupos de WhatsApp um vídeo com a gravação de um áudio que está sendo atribuído ao avião que estava levando Lula para Curitiba.


Nele uma pessoa pede ao piloto que jogue “esse lixo janela abaixo”.



A pessoa é advertida tanto pelo piloto quanto por uma voz feminina, mas insiste na agressão respondendo com latidos.

Uma fonte da executiva do PT diz que estão sendo tomadas medidas para solicitar ao Ministério da Defesa e à Infraero apuração.

Como aparece a frequência do rádio, a checagem é muito simples de ser realizada.

No Fórum
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Lula com Frei Betto



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Miúdos que rugem


Dias de glória pros miúdos que rugem,
os que urram igual ratos;
aos que faltam a grandeza dos bravos,
a impetuosidade dos gigantes,
o aço timbrado no fogo da história,
sobram-lhes a galhofaria dos covardes,
as tintas carregadas das canetas mortas,
a escrita corajosa das múmias fétidas.

Os miúdos também precisam ter seu dia de graça
para expor sua carcaça sem brilho,
gritar o sabor do diploma sem suor,
beber o Cargo sem medo,
esconder os rabos de suas covardias nos birôs do poder,
as cabeças ocas longe da espada de Sísifo,
protegidos que são pela mão divina da cor,
a voz poderosa do Deus Dinheiro,
a baioneta torpe da tradição vil.

Estão nos tribunais, nas ruas, esquinas,
beirais dos apartamentos,
nos púlpitos das igrejas,
nas salas de aulas,
são muitos e vários,
natimortos, andam por aí,
ventos secos a queimar as peles dos que sonham,
os olhos dos que brilham,
as vozes que fazem o mundo pulsar o Universo.

Ó gente miúda, gozai seu dia de glória,
aproveitai seus momentos de orgasmos,
regozijai baratas de esgotos rotos,
contentai-vos!

De mim, saibam, nunca terão uma lágrima,
não percam seu tempo com a Deusa Clemência,
tecida nos fios de Cronos.

Cantai ó pequenos de escrúpulos,
hoje foi seu dia de glória,
circo superior de gente acéfala, pantomina de atores ruins.

Cantai seu louvor aos ratos que ainda fedem nas nossa memória,
bendizei seu cântico ao século XIX que se perpetua,
arrotai seu mugido de patos,
soltai seus odores nos ares do presente,
porque o futuro vem...

E eu já ouço os sinos do tempo,
Eu já vejo o moinho da história,
Eu já sinto o fogo da justiça justa,
a rolar pro lixo da história suas múmias fétidas,
seu perfume de chorume.

Passai! Diz o poeta!

"Nem pro estrume do futuro vocês servirão!"

RESISTÊNCIA

07/04/2018

Ao meu país, sempre. A Zumbi, a Dandara, ao Barão do Serro Azul (vítima da justiça oca do Paraná), a Quitéria, ao povo NEGRO, a Lula, aos que sonham por Justiça Justa!

Chega.
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Capacetada

A cidade de Nova Hartz fica no interior do Rio Grande do Sul, não muito longe de Porto Alegre. Todos os anos, na Páscoa, a cidade faz uma encenação da Paixão de Cristo que termina com sua crucificação no Monte Gólgota. A parte final é a mais impressionante do espetáculo, com a música, a iluminação e os efeitos de cena contribuindo para a dramaticidade do seu desenlace. Que inclui o detalhe mais cruel do drama: o do centurião romano que espeta o lado do agonizante Jesus com sua lança.

Este ano, a cena final teve uma participação inesperada. Um espectador não aguentou tanta maldade, pulou no palco e atacou o centurião com um capacete de motoqueiro, interrompendo o martírio de Cristo e o espetáculo e espalhando confusão e perplexidade no Monte Gólgota que não estavam no script. Até o momento em que escrevo, a invasão do palco já tinha saído na imprensa de todo o mundo, mas aqui não se sabia muita coisa sobre o homem que atacou o centurião, se estava bêbado ou apenas indignado, ou as duas coisas.

Pensando bem, sabia-se tão pouco sobre o invasor quanto sobre o ator que fazia o centurião em Nova Hartz e menos ainda sobre o próprio centurião romano da Bíblia, um daqueles ajudantes que têm seus cinco minutos na História e desaparecem para sempre. Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João não se contradizem muito no relato do martírio e da crucificação de Jesus, mas só São João menciona o centurião com sua lança covarde, que ficou como protótipo de sadismo gratuito, além do dever militar. Se há algum personagem histórico, fictício ou não, que merece uma capacetada retroativa, é esse centurião. Né não?

Resta comentar a força do teatro, que consegue impelir um homem para cima de um palco e enfrentar uma guarnição de soldados romanos armados com lanças para vingar Jesus Cristo. E há no ato do nosso herói uma reprimenda implícita. Onde estávamos que não pulamos no palco para enfrentar todas as injustiças que nos revoltam, desde Gólgota?

Luís Fernando Veríssimo
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Lula é a nova esquerda

Mírians Leitões, Pérsios Aridas, Pallocis, Gianettis, Cristóvam Buarques, Gabeiras​ - essa "nova esquerda"... ​

Trabalhadores carregam Lula depois de seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), na tarde deste sábado, 7/IV
O Conversa Afiada tem o prazer e publicar sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:​

Após a prisão de Lula, nada mais desmoralizante que voltar a ouvir das mais diferentes vozes pregações sobre a necessidade de “uma nova esquerda”, “mudar referências”, “transformar a política” e outras platitudes igualmente “geniais”. Gente até de bem repercute esses chavões com elegância postiça, de fato apenas para lavar as próprias mãos e aliviar consciências incomodadas pelos erros e covardias.

Já tivemos vários exemplos de onde foi parar a experiência de “nova esquerda.” Demetrios Magnolis, Reinaldos Azevedos, Mirians Leitões, Persios Aridas, Antonios Pallocis, Eduardos Gianettis, Cristovam Buarques, Fernandos Gabeiras –a lista é infinita. Todos eles se dizem egressos de grupos marxistas e assemelhados (alguns até foram, certamente por acidente antropológico). Até descobrir que o valor do dinheiro, para eles, fala mais alto que idiossincrasias de caráter ou ideologia. Para não pegar mal, auto​-​intitulam-se “progressistas”, “conservadores do bem” ou qualquer outro rótulo patético recolhido na estante de sebos.

A praga não se resume a nomes. Mundo afora, agremiações elegeram a internet, redes sociais e outras tralhas eletrônicas como a salvação definitiva. O trabalho estava feito. Não é mais preciso mobilizar as pessoas, convencer o colega ao lado, discutir idéias, debater, organizar. Fazer política enfim. Basta meia dúzia de clicks num celular ching ling para conquistar a “transversalidade” universal. Não passou muito tempo para se ver no que deu.

A Primavera Árabe, eleita como símbolo destas “revoluções eletrônicas”, mergulhou rapidamente num outono sem fim pela falta de um programa de transformações. Partidos como o grego Syriza mal esperaram chegar ao poder para entregar a Grécia numa bandeja à troika do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. O Podemos espanhol, que se rejubilava de plebiscitos intermináveis em redes sociais para tomar decisões, recolheu-se à irrelevância. Sobre a finada Rede de Marina Cintra nem vale a pena falar, até por compaixão.

Faltasse lápide para enterrar tais “experiências inovadoras”, ela surgiu recentemente quando se demonstrou que o Facebook não passa de um comércio de intimidades a serviço do dinheiro grosso. É este que dita a tal democracia eletrônica, hoje para eleger Trump, ontem para fabricar Dorias, amanhã para eleger Bolsonaro e quem sabe até um Meirelles e um Temer! Tudo emoldurado com fotos de gatinhos excêntricos, selfies insossas e recuerdos familiares totalmente sonolentos.

A digressão, embora longa, vale a pena para espantar de vez as cretinices em voga privilegiando os meios em desfavor das mensagens que eles difundem. Ninguém desconhece que a propaganda em massa é um instrumento poderoso, poderosíssimo. E que por isso deve ser utilizado em todas as suas possibilidades – veja-se o que faz a Rede Globo. Mas isso é apenas parte da história. Parte.

O caso Lula é um grande exemplo. Seu destino não tem sido ditado por tramoias eletromagnéticas – até porque o PT é um fiasco consumado de comunicação. Fosse assim, Lula não seria imbatível, como é, em todas as pesquisas. A maior parte dos seus eleitores mal têm acesso às traquitanas vendidas a preço de banana na Santa Ifigênia. Votam em Lula por razões muito claras: o progresso social que ele proporcionou, os empregos que ele criou, a comida que ele pôs em pratos antes vazios, o acesso ao estudo, a eletrificação que ele patrocinou, a água que ele fez jorrar onde a seca predominava.

Isso tudo é que torna Lula insuportável para a elite apodrecida que governa o Brasil há séculos. O nome disso é velho, falta-lhe o charme das bobagens acadêmicas (o papel aceita tudo), não é “muderno” e tampouco sensibiliza iluminados que a cada gole pensam descobrir a pólvora.

Chama-se luta de classes.

Os personagens podem mudar, as circunstâncias têm suas diferenças, os ritmos e prazos certamente variam, as táticas mudam, mas a essência continua a mesma. A mesma essência que, repito mais uma vez, no Brasil e em São Paulo venceu de forma categórica a tentativa de liquidar a aposentadoria, conquistou moradia para mais de oito mil famílias acampadas no ABC e derrota no combate do dia a dia a extinção da CLT.

Esse é o caminho, da luta política organizada, do povo mobilizado. Resta saber se os partidos e entidades que dizem falar em nome do povo estarão à altura disso, deixando de lado suas mesquinharias eleitoreiras para garantir eleições democráticas com o direito de Lula ser candidato.
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Retratos do Brasil sob golpe: Lula abraçado pelo povo; Cármen Lúcia e Moro homenageados num puteiro

Foto: Francisco Proner Ramos


Não era essa a homenagem esperada pela ministra presidente do STF Cármen Lúcia, quando manobrou o julgamento no tribunal para que Lula pudesse ser preso enquanto ainda está em vigência a permissão de prisão após segunda instância. Também não era isso o que esperava o justiceiro de Curitiba, quando emitiu a ordem de prisão de Lula em tempo recorde, imaginando que teria todo o final de semana para ser homenageado e glorificado pela mídia, Rede Globo à frente.

No entanto, o que restou a eles foi a homenagem que receberam num puteiro de luxo em São Paulo, com direito a fotos em destaque na frente da casa e ao dono do local humilhando uma prostituta nua diante da multidão, possibilitando a dúbia legenda: Moro, Cármen, o cafetão e a prostituta.

Mas o grande homenageado, o grande vitorioso foi Lula, o condenado (ilegalmente), que recebeu manifestações de apoio e carinho do mundo todo e principalmente da multidão que o acalentou durante os três dias que antecederam sua entrega para a prisão, e que está imortalizada na foto do jovem Francisco Proner Ramos.

As imagens são o resumo do Brasil sob golpe.

Antonio Mello
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Lula chega em Curitiba com apoio do povo e bombas da PF

Milhares de pessoas cantavam em homenagem ao ex-presidente na chegada do helicóptero na sede da PF em Curitiba, mas polícia reprimiu ato covardemente


Com esperança, amor e brio, milhares de pessoas aguardavam a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à sede da Polícia Federal em Curitiba, na noite do último sábado (7). O ex-presidente vinha de São Bernardo do Campo, após um dia que já entrou para a história do Brasil.

Quem aguardava em vigília a chegada de Lula, na companhia de amigos, de companheiros de luta, de pai, de mãe, de filhos, cantava, gritava que Lula vale a luta, que ele não está sozinho. Estavam, apesar dos pesares, sorrindo, em luta e em esperança, tirando alegria sabe-se lá de onde, tirando força da própria fé.

Ninguém entendeu quando, no momento de mais paz e energia, na chegada do helicóptero ao prédio da PF, quando só se gritava Lula, começaram a chover bombas no meio das pessoas, das famílias, das rodas abraçadas.

Primeiro, bombas de efeito moral, aquele barulhão, as primeiras crianças começando a chorar. Depois, as bombas de gás, e daí as pessoas já correndo, ainda sem entender. As bombas não paravam, que eu contei foram dez, só bombas e pessoas correndo.

O que se narra foi amplamente registrado, já está aí, disponível. Será catalogado. Entrará para a história, como mais uma calamidade. Algo do que se registrou segue abaixo.



Quando todos se afastaram mais de um quarterão de onde estavam, ainda mal conseguindo abrir os olhos ardidos, chegaram viaturas da Polícia Militar do Paraná, sirenes ligadas, policiais descendo de capacete, escudo, armas. Fizeram um cordão, e toda a gente atônita.

Foi-se entendendo. Eles queriam as pessoas mais longe, um quarterão mais longe. Um juiz plantonista tinha deferido um interdito proibitório, para impedir “movimentos de indivíduos” na região da Polícia Federal em Curitiba, parecia que era isso. Sim, era isso.

Então, quando Lula estava chegando, sem qualquer prévio aviso, a Polícia Federal achou por bem fazer valer seu interdito contra os que gritavam por Lula. O fez valer à base de bomba, de balas de borracha, nas mulheres e homens desavisados.

Fizeram, os policiais, seu novo cordão de isolamento, sem que nenhum manifestante reagisse usando qualquer coisa mais do que a própria voz. Pra que tudo aquilo?

Alguns parlamentares do PT já estavam por ali, também tomaram bombas, outros foram chegando, Marco Maia, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Décio Lima, Ana Paula Lima. Em seu entorno foram se aglomerando as pessoas, ainda sem entender direito, querendo ajuda, proteção, justiça.

Os parlamentares foram tomando pé da situação e dela tomando conta. A violência policial que parasse ali mesmo. Conversaram com os chefes do policiamento, informaram a eles, às pessoas que ali estavam e a todos que os ouviam em transmissões de internet, que liam o que já descreviam em seus veículos os jornalistas que ali presenciaram tudo:

Lula não vai ficar sozinho.

Os direitos fundamentais de reunião, de expressão, de ir e vir, de livre manifestação do pensamento continuarão a ser exercitados nos arredores da Polícia Federal em Curitiba, enquanto Lula lá estiver. Que seja para além do quarterão do tal interdito. A uma distância em que as vozes que apoiam Lula poderão ser ouvidas dentro do prédio da Polícia Federal em Curitiba. No Brasil e no mundo todo.

Vinícius Segalla, em Curitiba
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Mensagem de Lula


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Estava escrito

A pressa do juiz Sergio Moro em formalizar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai além de sugerir as urgências de um anseio pessoal. Dá reconhecimento factual às já distantes percepções do que seria, e se consuma, o roteiro judicial e político da Lava Jato. A maneira como esse roteiro se fez cumprir será polêmica ainda por muito tempo, mas não tanto quanto o rastro de fúrias retrógradas e divisionistas do país.

É bastante significativo que o clímax do roteiro coincida com a missa por Marisa Letícia. Sergio Moro sabe, Deltan Dallagnol e seus companheiros de Lava Jato sabem, a Polícia Federal e os ministros do Supremo Tribunal Federal sabem o que foram o papel de Marisa Letícia e o não-papel de Lula da Silva nos assuntos do sítio e do apartamento (este, até recusado pelo ex-presidente, como consta do processo).

Tudo como a estrela de plantas vermelhas no jardim no Alvorada. Na Lava Jato, a única beleza está no silêncio com que, em seus depoimentos e no processo todo, Lula preservou a pessoa e depois a memória de Marisa Letícia, vítima da própria ingenuidade.

Paga por ela e pelo ex-presidente.

Por ingenuidade, a ministra Cármen Lúcia nada pagará, jamais. Entra para a história do Direito por sua adoção de um método original, quase um truque de carteado trapaceiro, para decidir no tribunal em favor de sua opinião.

Não precisou fazê-lo para a decisão com que favoreceu Aécio Neves, ainda livre e senador apesar de tão ou mais comprometido com falcatruas do que muitos presos e exonerados. Como decidir uma questão jurídica à maneira de Cármen Lúcia: nega-se o exame de ações prioritárias, na ordem normal, caso possam servir a quem não se quer; passa-se à frente o que o prejudica e se dá o voto de minerva, para obter um acusatório 6 a 5.

Na decisão do Supremo sobre biografias não autorizadas, a relatora Cármen Lúcia fez sucesso com a exumação do “cala a boca já morreu”, bem exclamado. Aqui lembrei que o dito ficara pela metade, Cármen Lúcia omitindo o “quem manda aqui sou eu”. Não disse, mas, vê-se, não por discordância, modéstia ou pudor.

Mais difícil ou impossível é entender uma juíza que vota contra o que diz ser sua opinião. Assim faz a ministra Rosa Weber, na preferência declarada por acompanhar as maiorias manifestadas no tribunal, mesmo se delas discorda.

Ora, o único sentido em integrar o Supremo é a tarefa de expor elaborações e conclusões jurídicas pessoais, para confronto decidido com os pares pelo voto.

Efetiva-se o que, em linguagem atualizada, se chamaria o Projeto Lava Jato. E o que esperar? Não se tem a menor ideia de para onde estamos indo.

Não por causa das eleições. É que a situação, de tão caótica e instável, não tem propensões perceptíveis. Mas nem por isso se altera a certeza de que aquela percepção tornada realidade ainda tem o que dizer e ver.

Janio de Freitas
No fAlha
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Rovai: Lula a caminho da prisão. E agora?


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