1 de abr. de 2018

Defensores da intervenção militar agridem imigrante síria na avenida Paulista


Sara Ajlyakin é síria e vive no Brasil há quatro anos. Socióloga e ativista, saiu de seu país por conta da guerra e mora em São Paulo desde então. Estava indo para a casa, no último sábado (31), logo após almoçar com amigos, no mesmo caminho que sempre faz quando, ao passar pela avenida Paulista, em frente ao Masp, foi agredida por pessoas que faziam manifestação em apoio ao golpe de 64.



Sara passou pelo local filmando o ato. Por coincidência, estava vestida de vermelho, fato que chamou a atenção e gerou hostilidade de algumas pessoas que participavam da manifestação. Em determinado momento, indignada com tudo aquilo, gritou: “Marielle Presente”. De acordo com ela, isso pareceu ter sido a senha para uma reação desmedida.

Ela começou a sofrer agressões de todas as partes, teve o seu celular tomado por um dos manifestantes e foi, de acordo com o seu relato, chamada a atenção por um policial que estava no local. “Ele me disse, sem interceder e nem tomar nenhuma atitude contra os agressores: ‘Você é minoria aqui. Vai embora e para de causar confusão’. A única coisa que este policial fez foi recuperar o meu telefone, que havia sido roubado e me mandou embora. Só consegui chegar em casa sem ser agredida novamente porque uma mulher e dois jovens me acompanharam”.

Ao postar o vídeo da agressão, Sara descreveu a cena:

“Eles me atacaram, me jogaram no chão, puxaram meu cabelo, me bateram na cara, cuspiram em min, chamaram Marielle de vagabunda. Uma mulher tentou tirar minha roupa, falando que roupa vermelha na avenida paulista não pode. Eu adoro vermelho. Nem sabia do ato antes de sair da casa.”

No momento em que dava a entrevista, Sara contou à Fórum que estava machucada ainda, com algumas dores e precisava ir ao hospital. Perguntada pela reportagem se foi à delegacia fazer boletim de ocorrência e exame de corpo delito, ela disse sem titubear: “Não confio na polícia brasileira. Nem naquele policial que ignorou que eu estava apanhando na rua e nem nos que eu iria encontrar na delegacia”.

Julinho Bittencourt
No Fórum
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O jejum de Dallagnol pela prisão de Lula vem do antipetismo fanático de sua igreja evangélica em Curitiba


O procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, foi às redes sociais no domingo de Páscoa para contar que ficará sem comer e fará orações pela prisão de Lula.

“O cenário não é bom. Estarei em jejum, oração e torcendo pelo país”, escreveu.

O gesto fanático de Dallagnol tem que ser entendido no contexto da criação dele numa igreja evangélica de Curitiba. O DCM explicou de onde vem o fervor religioso de Dallagnol numa matéria que reproduzo aqui:

O procurador apresenta no púlpito suas medidas contra a corrupção
Dallagnol apresenta em igreja do Rio suas medidas contra a corrupção

Ninguém duvida que o coordenador da força tarefa da Lava Jato, Deltan Martinazzo Dallagnol, é um homem de convicções. Mais do que isso, é um homem de fé.

No ano passado, Dallagnol fez uma peregrinação por igrejas evangélicas em busca de apoio às suas 10 medidas de combate à corrupção.

Num culto, respondeu a uma espectadora que queria saber sobre seus planos, de acordo com o Estadão: “Eu descartaria poucas coisas em relação a meu futuro, cogito talvez até virar pastor. Mas nós focamos no presente”.

Dallagnol é membro da Igreja Batista de Bacacheri, bairro de Curitiba, onde costuma ministrar palestras com seu indefectível powerpoint.

Lança mão de imagens fortes para impactar as plateias. O mesmo sujeito que apontou Lula como “comandante máximo” e “grande general” da “propinocracia” gosta de lembrar que “a corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa”, uma “serial killer que se disfarça de buracos de estradas, de falta de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza.”

A retórica e as técnicas do show de Dallagnol foram influenciadas pesadamente pelas lideranças religiosas de sua terra. Não só a forma: o moralismo, o maniqueísmo e o antipetismo vieram dali.

“Dentro da minha cosmovisão cristã, eu acredito que existe uma janela de oportunidade que Deus está dando para mudanças”, disse ele no Rio em sua turnê religioso-política.

Repetiu essa sentença numa entrevista ao pastor Paschoal Piragine Júnior, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, dono de um programa meia boca de bate papos que ele chama de talk show (assista abaixo).

Piragine é uma referência para esse povo. Ganhou fama em 2010 ao pedir a seus fieis que não votassem em candidatos do PT por causa do posicionamento do partido em relação a temas como aborto, criminalização da homofobia e divórcio.

O mote da pregação era “iniquidade”. Piragine denunciou o Programa Nacional de Direitos Humanos. “Se você olhar, vai ver como a máquina estatal está mobilizada. Se os ministros de Estado que estão ligados a esse governo não trabalharem assim, perdem o seu cargo”, falou. O vídeo da peroração tem, hoje, mais de 3 milhões de visualizações.

Uma das admiradoras mais entusiasmadas de Dallagnol é Marisa Lobo, autodenominada “psicóloga cristã”, campeã de causas como a da cura gay. Marisa faz conferências na mesma igreja do amigo sobre sua nova obsessão, a ideologia de gênero, tema de seu último livro.

A "psicóloga cristã" Marisa Lobo defende o colega
A “psicóloga cristã” Marisa Lobo defende o colega

Depois da apresentação da denúncia contra Lula num hotel curitibano de luxo, postou uma mensagem de solidariedade ao “irmão”: “Dallagnol congrega na mesma igreja que eu e é nosso orgulho. Deus está usando a Lava Jato para limpar o Brasil”.

A Igreja Batista do Bacacheri foi fundada em 1959. O site da empresa informa que L. Roberto Silvado, que serve ali desde 1988, é o atual coordenador geral do colegiado de pastores.

Silvado tem uma atuação mais discreta que fanáticos desmiolados como Marisa, mas deixa claras suas preferências e intenções no Facebook. Milita intensamente pelas célebres medidas de Dallagnol.

“Nossa Igreja participou ativamente na coleta de assinaturas. Ao todo foram mais de 2 milhões em todo Brasil. (…) Nós fazemos parte disso, vamos continuar manifestando apoio até que sejam aprovadas. Artistas e líderes de todo país precisam se manifestar, como o fez a atriz Maria Fernanda Cândido no vídeo abaixo”, diz numa de suas postagens.

Dallagnol, registre-se, não está sozinho. O procurador Roberson Pozzobon palestrou num templo em 2015 durante o Fórum Batista de Ação Social. Foi anunciado como “nosso irmão em Cristo, Procurador da República e colaborador do Juiz Sergio Moro que coordena a Operação Lava Jato”.

Pozzobon é o autor da seguinte frase: “Não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário, no papel, do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário é uma forma de ocultação.”

Há seis anos, André Egg, professor da UNESPAR e da UFPR, escreveu um artigo na revista Amálgama sobre Piragine e os evangélicos do Paraná que ainda soa atual. “Em que lugar neste caminho o protestantismo brasileiro se perdeu?”, perguntava.

“Suspeito que em algum momento durante os anos 1950-60, quando missionários fundamentalistas norte-americanos implantaram diversas instituições para-eclesiásticas no Brasil, organizando acampamentos, fundando editoras, livrarias, conjuntos musicais, trazendo uma fé irracional, trabalhando com crianças e jovens (APEC, Palavra da Vida, MPC, JOCUM, Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo) para formar gerações de abestalhados/alienados que perderam o compromisso com o país, com a fé, com o exame das Escrituras, com a liturgia, com a tradição não-conformista do protestantismo.

Os luteranos e anglicanos parece que restaram como únicos oásis diante do domínio absoluto do fundamentalismo, que tragou todos os grupos oriundos do calvinismo (batistas, presbiterianos, congregacionais) e suas dissidências pentecostais. (…)

O pastor incita os fiéis a não votarem no PT, por ele ser contra a “fé bíblica”. Curiosamente, isso é feito sem apoio em nenhum versículo bíblico (…)

Assembléias batistas viraram instâncias de homologação de pastores show-men que trazem as decisões prontas para o pessoal levantar a mão. Batistas de igrejas como a Primeira Igreja Batista de Curitiba e a Igreja Batista do Bacacheri não se dão nem ao trabalho de conferir a autenticidade dos diplomas de doutorado que seus pastores apresentam como credencial. Preferem ser enganados (…).

É desse caldo que estão saindo os vingadores que vão salvar o Brasil. Deus nos proteja.



Kiko Nogueira
No DCM
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Cargos, prêmios, promoção e viagens: como a CIA e fundações “compraram” setores da esquerda

Progresso americano, de John Gast, 1872, Wikipedia

Respondemos: inicialmente, aos próprios bilionários, que em troca de isenções fiscais montam um poder político paralelo que, ainda que indiretamente, vai beneficiá-los e a seus descendentes no futuro.

Mas, obviamente, não é apenas isso que move os herdeiros dos Rockefeller, de Henry Ford ou o megainvestidor George Soros.

Trata-se de naturalizar a hegemonia dos Estados Unidos, como se não houvesse imperialismo, mas apenas a expressão de um Destino Manifesto, cumprimento de um desejo divino de civilizar primeiro o Oeste dos Estados Unidos, depois as Américas, o Pacífico, a Europa, e agora todo o planeta.

Entrevistamos a professora Joan Roelofs, autora de Fundações e Política Pública, que opinou sobre o motivo pelo qual praticamente inexiste debate público sobre o assunto: “Elas não gostam de críticas públicas e tem poder suficiente para marginalizá-las. Eu fui chamada de teórica da conspiração por tentar jogar luz nas fundações. A maioria dos acadêmicos e repórteres evita morder a mão que os alimenta”.

Nos Estados Unidos, as fundações estão por toda a parte: financiam universidades, think tanks, publicações, institutos, seminários, conferências temáticas, organizações da sociedade civil e, crescentemente, as novas mídias. Fazem isso em larga escala, e a partir de lá espalham sua influência em todo o planeta.

Para a professora, os Estados Unidos se afastaram da democracia ao abraçar um modelo em que as políticas públicas são definidas a partir de um jogo entre grupos de pressão, todos eles financiados pelas fundações e sempre dentro de parâmetros que não coloquem em risco os interesses do establishment que financia o jogo… através das fundações.

Por sugestão da própria professora Roelofs, hoje nos debruçamos sobre um período específico da História em que as fundações se misturaram como nunca ao poder político dos Estados Unidos, de tal forma que era impossível determinar onde começava um e terminava o outro: a Guerra Fria, o confronto entre EUA e União Soviética que foi do final da Segunda Guerra Mundial até 1989, quando o muro de Berlim veio abaixo (ou 1991, quando a União Soviética foi dissolvida).

Para isso, apresentamos uma resenha do livro The Cultural Cold War, de Frances Stonor Saunders, que será a base para nossas futuras entrevistas.

OSS E CIA

O Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) antecedeu a Central de Inteligência Americana (CIA), criada logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1947.

Ambos foram produtos, eminentemente, da elite da costa Leste dos Estados Unidos, tendo como grande articulador o diplomata e acadêmico George Kennan.

Kennan introduziu conceitos fundamentais do período, como o da contenção da URSS, mesmo que através da “mentira necessária”.

Tratava-se, na verdade, de um nova escalada do imperialismo, aproveitando o vazio deixado pela Grã Bretanha no cenário internacional, desta vez disputando espaço em todos os continentes com o poder soviético.

Do ponto-de-vista dos países não alinhados, que mais tarde teriam sua própria organização, era uma disputa que escondia o imperialismo de ambos, em suas respectivas áreas de influência.

Kennan foi o formulador do Plano Marshall, que bombou a economia dos Estados Unidos com a reconstrução da Europa ocidental. É considerado um dos pais da CIA.

A CIA tinha algo em comum com fundações como a Ford e a Rockefeller: uma formação elitista, que pregava um Executivo forte, capaz de driblar a soberania popular expressa no Congresso.

A tradição liberal dos Estados Unidos, afinal, sempre foi calcada no desprezo pelas “massas”, que deveriam ser guiadas pela elite “instruída”.

Foi no contexto da Guerra Fria que o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, recém-criado, formulou seus objetivos, a serem alcançados por ações clandestinas da CIA: “propaganda, guerra econômica, ação direta preventiva, inclusive sabotagem, anti-sabotagem, demolição e medidas de retirada; subversão contra estados hostis, inclusive assistência clandestina para movimentos de resistência, guerrilhas e grupos de libertação formados por refugiados”.

A ESQUERDA NA QUAL SE PODE CONFIAR

Para efeito de propaganda, a CIA abraçou o conceito de promover a esquerda não comunista (NCL), que havia sido formulado pelo Departamento de Estado e intelectuais ligados à inteligência.

Foi a fundação teórica sobre a qual se deram as operações da CIA contra o comunismo nas décadas seguintes.

Essa esquerda não comunista era, obviamente, carente de recursos. Seus escritos eram poucos e não tinham alcance.

Foi assim que surgiu o Congresso da Liberdade Cultural, com bases em Berlim, Paris, Londres e Nova York, financiado fartamente com dinheiro da CIA através da Fundação Fairfield — mera fachada — e também das Fundações Ford e Rockefeller, neste caso em programas específicos.

O Congresso foi o responsável pela criação ou financiamento de dezenas de periódicos em todo o mundo, muitos dos quais se tornaram veículos para a expressão também da esquerda não comunista.

O conteúdo impresso não era controlado minuciosamente pela CIA, incluía críticas aos Estados Unidos, mas tinha como objetivo central naturalizar o novo papel de Washington no cenário internacional, desfazendo a ideia corrente na Europa de que os EUA eram eminentemente provincianos.

A principal publicação era a revista Encounter, mas dezenas de outros periódicos receberam ajuda em dinheiro ou circulação: um determinado número de cópias era comprado e em seguida disseminado nas regiões que se pretendia atingir.

Na América Latina, a publicação ligada à CIA era chamada Cuadernos.

Também foram financiados clandestinamente institutos como o Comitê Nacional para a Europa Livre, o Comitê Internacional para Refugiados em Nova York e muitos outros.

Para isso, a CIA usou mais de 170 fachadas, inclusive pessoas físicas que concordavam em posar de doadores.

A ideia era demonstrar o caráter plural dos Estados Unidos, mas com uma esquerda que não colocasse em risco os interesses essenciais de Washington.

RELAÇÕES CARNAIS

À época, dentre os cargos mais cobiçados na elite branca, anglo saxã e protestante dos Estados Unidos estavam os da administração das fortunas das Fundações Ford ou Rockefeller, ambas “conscientemente instrumentos de operações clandestinas da política externa dos Estados Unidos, com diretores e agentes que eram intimamente conectados, ou eles próprios integrantes dos serviços de inteligência”.

Em 1952, por exemplo, 500 mil dólares da Fundação Ford foram usados para criar a revista Perspectivas, que tinha como alvo a esquerda não comunista da França, Inglaterra, Itália e Alemanha.

“O objetivo não era o de derrotar os intelectuais de esquerda no combate dialético, mas distanciá-los de suas posições através de persuasão estética e racional”.

A ligação-chave entre o Congresso da Liberdade Cultural e a Fundação Ford foi Shepard Stone. Antes da guerra, havia sido editor do New York Times.

Na guerra, serviu na inteligência militar. Nos anos 50, foi indicado para ocupar o Comitê de Psicologia Estratégica da CIA, mas em vez disso se tornou diretor de assuntos internacionais da Fundação Ford.

A ligação dos Rockefeller com o poder dos Estados Unidos era ainda mais íntima.

Dois presidentes da Fundação Rockefeller, John Foster Dulles e Dean Rusk, deixaram seus cargos para se tornar secretários de Estado.

Nelson Rockefeller tinha sido o encarregado de inteligência da América Latina durante a Segunda Guerra, com atuação no Brasil.

Mais tarde, tornou-se integrante do Conselho de Segurança Nacional, ao mesmo tempo em que seu velho amigo Allen Dulles dirigia a CIA.

A Fundação Rockefeller financiou experimentos controversos da CIA, como o de controle mental que pretendia promover líderes manipulados pela inteligência dos EUA.

O parceiro de Nelson Rockefeller no Brasil, o coronel JC King, tornou-se o chefe de operações clandestinas da CIA para o Hemisfério ocidental.

PORTA-VOZ DA ESQUERDA

Um dos casos mais simbólicos do poder de “convencimento” da CIA foi o que envolveu a revista Partisan Review, que havia sido lançada nos anos 30 pelo Partido Comunista dos Estados Unidos.

Para evitar que a publicação morresse nos anos 50 e 60, quando já havia se distanciado de Moscou, a CIA promoveu o financiamento indireto da revista.

Isso foi feito inclusive através de Henry Luce, dono do império construído em torno das revista Time-Life, tido como “o mais influente cidadão” de sua época, financiador da criação da Rede Globo no Brasil nos anos 60.

Luce, ferrenho anticomunista, foi aquele que publicou 50 fotografias de norte-americanos tido como simpáticos à União Soviética como forma de assassinato de reputação, dentre os quais Norman Mailer, Leonard Bernstein, Arthur Miller, Albert Einstein, Charlie Chaplin e Frank Lloyd Wright — isso antes da caça às bruxas promovida pelo macartismo.

Foi, aliás, durante o macartismo, que a CIA justificou plenamente o financiamento clandestino da esquerda não comunista: caso fizesse isso de forma transparente, provocaria um escândalo — Joseph McCarthy, o senador de Wisconsin, no meio-oeste, era desprezado pela elite da inteligência como um provinciano “populista”.

Além de sustentar dezenas de publicações, as fachadas da CIA promoviam a publicação de livros, festivais de música, seminários e concursos literários.

Nas artes plásticas, turbinaram vigorosamente o Expressionismo Abstrato de Jackson Pollock, em aliança com o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma.

Em Hollywood, a guerra cultural da CIA contou com a complacência da grande maioria dos estúdios, que se dispuseram a modificar roteiros para, por exemplo, eliminar traços da “decadência” dos Estados Unidos.

O agente clandestino da CIA encarregado disso relatava a superiores que “fui bem sucedido em retirar bêbados, em papéis de destaque, se não os principais, dos seguintes filmes”…

Foi a CIA quem financiou e distribuiu em todo o mundo as versões cinematográficas de Animal Farm e 1984, de George Orwell, devidamente deturpadas para cumprir seu papel na propaganda.

O crítico Issac Deutscher, aliás, acusou Orwell de ter copiado a ideia, a trama, os principais personagens, os símbolos e até o clima de 1984 do romance Nós, do russo Yevgeny Zamyatin, publicado em 1924.

Orwell mantinha cadernos onde anotava os nomes de simpatizantes comunistas, um dos quais, com 35 nomes, repassou ao departamento do Foreign Office britânico encarregado de propaganda, especialmente no meio sindical.

Um dos dedurados por Orwell, ironicamente, foi o ator Michael Redgrave, pai de Vanessa, que atuou na versão britânica de 1984 filmada em 1956.

NATO CULTURAL

Por trás do combate à propaganda soviética estava, obviamente, a tentativa de subordinar a Europa numa aliança que no campo militar se assentava na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Esta tarefa encontrava resistência nas principais capitais europeias, especialmente Paris e Londres.

No Reino Unido, a CIA trabalhou fortemente, através de suas fachadas, para apoiar um grupo tido como revisionista do Partido Trabalhista, que advogava pela abolição da cláusula 4 do estatuto do partido, que prometia nacionalizar bens públicos.

A cláusula contrariava a Aliança Atlântica e, àquela altura, o objetivo de criar um Mercado Comum, que exigiria “o sacrifício de certos direitos nacionais em favor da segurança coletiva”.

Os Estados Unidos já anteviam uma Europa recuperada da destruição da guerra como um mercado gigantesco para suas empresas e produtos — o que era incompatível com a ênfase em interesses nacionais.

Ao mesmo tempo em que trabalhava para disseminar as ideias de alguns intelectuais, as fachadas da CIA atuavam contra outros, notadamente o francês Jean Paul Sartre.

A CIA foi responsável por uma campanha de difamação clandestina para evitar que o poeta comunista chileno Pablo Neruda ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura em 1964, mas não deu muito certo porque o vencedor foi… Sartre.

Neruda ganhou mais adiante, em 1971.

Ainda hoje há grande controvérsia sobre se os beneficiários sabiam, direta ou indiretamente, da origem do dinheiro que permitia viagens internacionais, hospedagem em hotéis de luxo, publicação e promoção de livros e outras vantagens, até então fora do alcance dos intelectuais.

As teias tecidas pela CIA enredaram de Gunter Grass a Hannah Arendt, de Jorge Luis Borges a W.H.Auden, de Carlos Fuentes a Wole Soyinka, tratados como peças de uma engrenagem que, em nome de combater a propaganda soviética, trabalhava pela expansão dos próprios interesses imperiais dos Estados Unidos.

A arquitetura veio abaixo somente nos anos 70, depois das denúncias na revista mensal da “nova esquerda” Ramparts, da Califórnia, que logo ocuparam as páginas de publicações nacionais.

A autora de The Cultural Cold War especula que, nos estertores do esquema, a própria CIA decidiu detoná-lo, pois já não fazia sentido financiar a esquerda não comunista quando ela atacava objetivos estratégicos dos Estados Unidos, agora materializados na guerra do Vietnã.

A própria guerra do Vietnã, estima Sanders, foi a extensão natural da campanha da inteligência americana na Guerra Fria, que tendo como cobertura o enfrentamento da propaganda soviética trabalhou pelo expansionismo dos Estados Unidos.

Conclui-se que houve um sofisticado pensamento estratégico de Washington, que há mais de 60 anos decidiu investir muito dinheiro na domesticação da esquerda internacional, através de cargos, prêmios, promoção e viagens.

Por que haveria de ser diferente, hoje?

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Barroso mentiu


A Folha de São Paulo bem que tentou salvar a pele do ministro Luis Roberto Barroso, publicando um “desmentido” à informação de que ele teria sido contratado por R$ 47 mil, pelo TCE-RO, para dar palestra na instituição.


Pelo jeito, quem mentiu foi Barroso. E mentiu conscientemente, porque em 2017, ele deu a mesma palestra e auferiu o mesmo valor.

Os dados estão no site do TCE-RO.

São exatamente R$ 46.800 por uma hora de trabalho. Ou seja, é a hora de trabalho mais cara do país.

Segundo o IBGE, o rendimento familiar mensal per capita de Rondônia em 2017 foi de R$ 957.

Ou seja, os trabalhadores de Rondônia tem de trabalhar 49 meses para ganhar o que Barroso ganhará, do governo de Rondônia, em apenas uma hora.

Isso é Brasil.

Esse é o ministro Luis Roberto Barroso.

Isso é o judiciário brasileiro, que se tornou como que uma enorme e luxuosa embaixada americana inscrutrada numa cidade africana miserável.


Agora eu fiquei curioso para saber quanto Barroso está levando por essas palestras no exterior, onde vai apenas para falar mal do Brasil.

Se ganhou quase R$ 50 mil por uma hora de palestra em Rondônia, quanto será que é pago para dar palestra em Washington e Londres?

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Ex-desembargador confunde prescrição com absolvição de Serra

Joesley Batista afirmou ter pago R$ 20 milhões à campanha de José Serra à presidência, em 2010. Desses, Serra só teria declarado R$ 13 milhões. Embolsou os R$ 7 milhões restantes.

O então Procurador Geral da República Rodrigo Janot abriu inquérito. Na semana passada, a nova PGR Raquel Dodge pediu arquivamento.


“Dias atrás, sem o merecido destaque, os jornais, rádios e televisões veicularam a notícia de que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento do inquérito que investigava o senador José Serra. Em casos como esse, quando o próprio Ministério Público desiste de formular a denúncia, pode-se concluir que a acusação era infundada e o acusado sofreu prejuízo irreparável, uma vez que foi enorme a publicidade da acusação e bastante discreta a divulgação da ausência de culpa”.


“Segundo a PGR, que foi autora do pedido de inquérito em julho de 2017, o delito em questão prevê a pena máxima de 5 anos de reclusão. Como Serra tem mais de 70 anos de idade, os prazos levam à prescrição do possível delito em seis anos.”

Ou seja, o repórter sabe que prescrição nada tem a ver com absolvição. Para haver prescrição, tem que haver crime a ser investigado. Já o desembargador Toledo Cesar manipula a informação, sem medo de cair no ridículo perante seus colegas.

Luís Nassif
No GGN
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A mídia e o golpe militar de 1964


Este 1º de abril marca os 54 anos do fatídico golpe civil-militar de 1964. Na época, o imperialismo estadunidense, os latifundiários e parte da burguesia nativa derrubaram o governo democraticamente eleito de João Goulart. Naquela época, a imprensa teve papel destacado nos preparativos do golpe. Na sequência, muitos jornalões continuaram apoiando a ditadura, as suas torturas e assassinatos. Outros engoliram o seu próprio veneno, sofrendo censura e perseguições.

Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais burgueses – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época:

O golpismo do jornal O Globo

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada..., atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal". O Globo, 2 de abril de 1964.

“Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos... Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada”. O Globo, 4 de abril de 1964.

“A revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. O Globo, 5 de abril de 1964.

Conluio dos jornais golpistas

“Minas desta vez está conosco... Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”. O Estado de S.Paulo, 1º de abril de 1964.

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, 2 de abril de 1964.

“Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la”. Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964.

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”. O Estado de Minas, 2 de abril de 1964.

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”. O Dia, 2 de abril de 1964.

“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”. O Povo, 3 de abril de 1964.

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República... O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”. Correio Braziliense, 16 de abril de 1964.

Apoio à ditadura sanguinária

“Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama”. Folha de S.Paulo, 22 de setembro de 1971.

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o país, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”. Jornal do Brasil, 31 de março de 1973.

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Editorial de Roberto Marinho, O Globo, 7 de outubro de 1984.

Altamiro Borges
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Bolsonaro tem “desvio grave de personalidade, deformação profissional e falta de coragem moral” segundo peritos do Exército


Áudios inéditos do Superior Tribunal Militar (STM), solicitados pelo Estado, mostram a íntegra de um julgamento de trinta anos atrás: o do então capitão do Exército Jair Messias Bolsonaro, à época com 33 anos, hoje com 63 e bem cotado presidenciável da extrema-direita. Entre 1987 e 1988, Bolsonaro foi julgado duas vezes sob a acusação de "ter tido conduta irregular e praticado atos que afetam a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe. Na primeira instância, em janeiro de 1988, foi considerado culpado pela unanimidade dos três julgadores, todos oficiais militares. Na última - o STM, em sessão secreta de 16 de junho de 1988, integralmente gravada - Bolsonaro foi foi considerado não culpado por a 9 a 4.

O julgamento do STM foi a última etapa do longo e momentoso caso de rebeldia militar ocorrido durante a presidência de José Sarney - a primeira depois da ditadura - e o desenrolar do segundo ano da Constituinte. O maior derrotado pela absolvição do capitão Bolsonaro foi o general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército de Sarney, que avalizara publicamente a decisão da primeira instância, depois reformada.

São 37 áudios nítidos, uns longos, outros mais curtos. Jogam luz numa história que vai sendo esquecida, e que esclarece uma parte importante na trajetória do polêmico personagem. Foi com esse episódio, cheio de vais e vens, que Bolsonaro saiu do anonimato, virou político e agora se lança à Presidência da República.

Um bom começo é vê-lo, ali pelo final de agosto de 1986, caminhando à paisana em direção à sucursal da revista Veja, no Rio. Levava na bolsa a farda de capitão - e com ela foi fotografado na redação. A foto e o artigo "O salário está baixo" - um petardo inusual contra a autoridade militar e o governo Sarney - foram publicadas na seção "Ponto de vista", de 3 de setembro de 1986.

Fruto de uma demorada negociação, obtida por iniciativa de Veja, mas francamente colaborativa por parte do capitão, o artigo precisou de mais de uma ida à redação, e de adaptações compatíveis com o estilo da seção. Não era sempre que um oficial do Exército dava a cara pra bater, com nome, sobrenome, clareza, radicalidade e contundência. O pé do artigo - disponível na internet - informava que seu autor era "capitão do 8.º Grupo de Artilharia de Campanha, paraquedista, 31 anos, casado e pai de três filhos".

Foi levado à prisão disciplinar, por 15 dias, a partir de 1.º de setembro, determinada em boletim interno pelo comandante da Brigada de Paraquedistas, coronel Ary Schittiny Mesquita. Entre as razões da "transgressão grave" estava "a de ter elaborado e feito publicar em revista de tiragem nacional, sem conhecimento e autorização de seus superiores, artigo em que tece comentários sobre a política de remuneração do pessoal civil e militar da União". E, também "a de ter ferido a ética gerando clima de inquietação".

O rebelde da ocasião ganhou admiração nos quartéis, espaço na mídia, e simpatia da oposição, inclusive à esquerda. Cumprida a prisão, seguiu a carreira no 8.º GAC de Paraquedistas. Continuou a receber elogios por desempenho - uma marca de sua trajetória desde que entrou no Exército, como registram os assentamentos militares que constam dos autos do processo e dos áudios.

São três volumes, com 1.535 páginas, que o Estado consultou com atenção. É no primeiro deles que consta o que aconteceu em fevereiro de 1987, seis meses depois da prisão: ao sair dos paraquedistas para a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) Bolsonaro recebeu elogios formais por "autoconfiança, combatividade, coragem, idealismo, indivíduo de ideias e de juízo, iniciativa e vigor físico".

"Pôr bomba nos quartéis, um plano na ESAO", publicou a Veja na edição de 25 de outubro daquele 1987, terceiro ano do governo Sarney. A reportagem informava que Bolsonaro e seu colega da ESAO, Fábio Passos, prepararam um plano, "Beco sem saída", para explodir bombas em unidades militares do Rio. Tarde da noite da sexta-feira em que Veja saía, os dois oficiais foram chamados ao comando da ESAO, e escreveram, de próprio punho, textos em que negavam a autoria do plano e contatos com a revista. Para Bolsonaro, o publicado foi "uma fantasia".

Na edição seguinte, de 1.º de novembro, a revista publicou "De próprio punho" - reafirmando a reportagem anterior e reproduzindo o que seria um fac-símile de dois croquis, supostamente desenhados por Bolsonaro, indicando locais em que as bombas seriam detonadas. Inquirido e reinquerido em sindicância da ESAO, Bolsonaro nega. Na questão mais delicada - a autoria dos croquis - dois exames grafotécnicos, um da Polícia Federal, outro do Exército, foram inconclusivos.

Em 13 de novembro, o caso foi levado para um Conselho de Justificação. Nomeado pelo ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, o conselho se instala em 8 de dezembro. É composto pelo coronel Marcos Bechara Couto, presidente, e pelos tenentes-coronéis Nilton Correa Lampert, interrogante e relator, e Carlos José do Couto Barroso, escrivão. É quando se formaliza a acusação de "conduta irregular, prática de atos que afetam a honra pessoal, pundonor militar e decoro da classe".

O conselho ouviu Bolsonaro meia dúzia de vezes, além de seus advogados. A negativa foi mantida. Ouviu, ainda, jornalistas e editores da revista Veja, oficiais do Exército vizinhos de Bolsonaro, as esposas de alguns deles, incluindo Rogéria Nantes, mulher do capitão, que recusou-se a falar. Ouviu também generais indicados pela defesa - entre eles o general Newton Cruz, linha dura que Bolsonaro admirava superlativamente.

Um novo laudo da Polícia Federal cravou a culpa do acusado: "Não restam dúvidas ao ser afirmado que os manuscritos promanaram do punho gráfico do capitão Jair Messias Bolsonaro". Logo depois, a pedido do conselho, um quarto exame grafotécnico dos peritos do Exército que fizeram o primeiro laudo não acusatório, acrescentou um "complemento" contrário, afirmando que os caracteres "promanaram de um mesmo punho gráfico". Quatro exames grafotécnicos, portanto, empatando em 2 a 2.

Em 25 de janeiro, Bolsonaro foi condenado pela unanimidade do conselho com um libelo duro em que se registra "desvio grave de personalidade e uma deformação profissional", "falta de coragem moral para sair do Exército" e "ter mentido ao longo de todo o processo".

Luiz Maklouf Carvalho
No Estadão
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Testemunhas confirmam o que se sabia: Marielle foi executada


Mais de duas semanas depois do crime, seguimos à míngua de qualquer informação oficial sobre a mecânica do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Na edição de hoje de O Globo, porém, tem-se o depoimento de duas pessoas que assistiram ao atentado – e que não foram ouvidas pela Polícia – que confirmam o que todo mundo sabia, embora os extremistas de direita procurassem colocar em dúvida: a vereadora foi vítima de um homicidio premeditado, planejado e realizado por gente com características de “profissional” em operações armadas.

O relógio digital da esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no Estácio, local de iluminação precária, marcava 21h14m, do último dia 14, quando um Cobalt prata fechou um carro branco, que quase subiu o meio-fio. A violência com que o motorista do primeiro veículo abordou o segundo, numa curva em direção à Tijuca, chamou a atenção de duas pessoas que estavam a cerca de 15 metros da cena. Uma delas aguardava o sinal fechar para atravessar o cruzamento. Ambas contam que o motorista do veículo branco, um Agile, reduziu a velocidade, na tentativa de não subir a calçada. O susto viria em seguida: o passageiro sentado no banco traseiro do Cobalt abriu a janela, cujo vidro tinha uma película escura, sacou uma pistola de cano alongado e atirou. O som da rajada soou abafado. Numa manobra arriscada, o veículo do agressor deu uma guinada e fugiu pela Joaquim Palhares, cantando pneus.

Uma das testemunhas acha que havia um silenciador, acessório inimaginável para algum tipo de assalto, como de resto toda a mecânica do crime.

É, pelo menos, constrangedor que uma repórter ache não uma, mas duas testemunhas oculares e que a Polícia, em 15 dias, não as tenha ouvido. Ao menos, com as testemunhas, fecha-se a porta para algum arranjo que encubra os responsáveis com uma versão de “assalto”.

O significado político da execução de Marielle e do motorista Anderson Gomes só vai ser exatamente compreendido quando se chegar a seus autores, não com a compreensível indignação com idiotas que procuram forjar ligações da vereadora com o crime ou com palermas vaidosas como a desembargadora boquirrota das redes.

Os grupos de extermínio e as promiscuidades da polícia com o crime não são novidade. Novidade, a cada dia menos provável, é que sejam responsabilizados.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Vai, malandro

O artigo de José Padilha na Folha veio no dia certo – 1º de abril – o dia da mentira.

Poderia parecer inútil tecer qualquer comentário sobre “O mecanismo agradece”. Foi escrito com malícia. A começar pelo trocadilho sarcástico do título. Que paradoxalmente é a única coisa verdadeira no texto, além do involuntário da data em que é publicado – primeiro de abril – o dia da mentira.

Ocorre que o texto de Padilha é uma ode à hipocrisia e não poderia ficar sem o devido elogio.

O mecanismo pode ser resumido na “frase-maldição” da Folha de São Paulo: “é possível contar um monte de mentiras dizendo apenas a verdade”.

O diabo ri dos seus serviçais – colocou Padilha e Folha juntos em um dia 1º de abril  – o demônio é o pai da ironia.

1º de abril – dia em que, no passado, se comemorava a “Revolução de 31 de Março” – a ditadura que nos salvou da corrupção… e do comunismo. O mecanismo agradece.

Mas vamos ao mecanismo.

Padilha brinda-nos com uma análise sociológica. FHC não faria melhor.

“No Brasil, a corrupção … é o mecanismo estruturante da política e da administração pública, um mecanismo que opera … no Executivo e no Legislativo, e também nas cortes judiciais constituídas por indicações políticas”. 

Não fica ninguém de fora – são todos corruptos. Menos a Lava Jato – ela não pertence às cortes judiciais constituídas por indicações políticas”. Repare-se a sutileza.

Moro e Aécio

Esse é o mecanismo; declarar batendo no peito: “não tenho corrupto de estimação”. Nas palavras de Padilha: ” o mecanismo não tem ideologia; ele opera nos governos de esquerda e de direita”.  Mas só investigar um dos lados – e investigar com requintes de crueldade.

Que a Lava Jato tenha se delimitado à corrupção a partir de 2003 – início dos anos petistas no governo federal – e se recusado a investigar as denúncias sobre a corrupção em governos anteriores não parece estranho a Padilha. Nem poderia, ele usou o mesmo truque. Trouxe os escândalos dos governos FHC para dentro do governo Lula – “liberdade poética”. A Lava Jato foi menos cínica – fingiu que não viu.

Padilha não nos permite ilusões: “ora, é inegável que o mecanismo opera no Brasil, e é inegável que os grupos políticos de Temer e de Lula se beneficiaram dele”.

Está faltando alguém em Nuremberg. Onde estão os governos tucanos? Não estão na Lava Jato e não estão na série do Padilha.

Mas Padilha não seria tolo de não ter uma resposta para isso: “se a nova lei de delações premiadas tivesse sido sancionada com o PSDB no poder, os políticos denunciados teriam sido Aécio, Serra e FHC. Mas, como a lei foi sancionada com PT e PMDB no poder, os políticos denunciados foram Palocci, Lula, Cunha, Cabral e Temer”.

Simples assim. Não incomoda a Padilha que a corrupção dos peessedebistas fique sem investigação até que chegue à prescrição. Esse, aliás, é o mecanismo – e o mecanismo agradece. Não ocorreu a Padilha que os “proprietários” sempre pecisarão de capatazes fiéis e que os tucanos – todos sabemos – são bons gerentes? Padilha não e tão ingênuo. Padilha é tropa de elite.

O mecanismo agradece e ri.

“… foi o fato de uma pessoa sem nenhuma experiência política ter chegado à Presidência – [que permitiu que a Lava Jato acontecesse]. Só pode ter sido por falta de traquejo que Dilma Rousseff sancionou, em 2013, uma emenda à lei de delações premiadas que permitiu que acordos de delação fossem celebrados com doleiros, empreiteiros e administradores públicos”.

Ri da ingenuidade dos governos petistas – de Dilma em particular – só os tolos são honestos.

Esse é o mecanismo do Padilha – e é o que temos para hoje.

Poderia aqui citar outro mecanismo – o mecanismo que permitiu o golpe que tirou do poder um governo eleito democraticamente e colocou no lugar títeres patéticos. Tirou do poder um governo que, por liderar um novo polo de poder político na América, incomodava os interesses dos patrocinadores de Padilha. Um mecanismo que destruiu as engenharias naval e de construção pesada brasileiras – com vantagens óbvia para as americanas – investiu contra nossos mais pujantes setores econômicos – as indústrias alimentícia e petrolífera – com vantagens óbvias para as americanas – e contra nossos setores de tecnologia de ponta – o nuclear inclusive. Internacionalizou nossas riquezas naturais – o patrimônio que deixaríamos para nossos filhos. Esse mecanismo tem nome: chama-se “cooperação internacional”.

O mecanismo agradece a cooperação. Agradece os R$ 10 bilhões “repatriados” do Brasil para aos investidores americanos – ressarcimento dos custos. Padilha deve entender o mecanismo; ele é só mais uma engrenagem desse mecanismo, mas também necessita dar lucro. Os investidores são os mesmos.

Em quatro anos de guerra híbrida – a primavera brasileira – transformaram-nos de um país altivo e próspero em uma nova colônia. Exportadores de minérios e produtos agrícolas não manufaturados novamente – com mão de obra abundante e de baixa remuneração.

Mas contar essa história – uma tragédia épica – a morte de uma nação – está acima do talento de Padilha. Resta-nos o “classe B” de Padilha – uma refilmagem de “De volta para o futuro” – para o “Brasil, país do futuro”.

Por fim, Padilha se apresenta como um indignado desiludido: “confesso que esperava mais dos formadores de opinião da esquerda. Pensei que em algum momento da história fossem acordar do estupor ideológico e ajudar pessoas de bem na luta contra o mecanismo que opera no mundo real …”

Cometeu o erro fatal –  uma hora, todo malandro vacila – deixou escapar de que lado está – do lado das ”pessoas de bem”.  Mas, para usar essa expressão – ”pessoas de bem” – tem que vestir camisa amarela, bater panela e de fazer cara de idiota – a bandeira do Brasil nunca será vermelha.

o mecanismo

Era isso que Padilha esperava de nós?

Padilha é um grande ficcionista. Um grande ficcionista com um grande problema; passou a acreditar na ficção que ele mesmo criou. Nela, ele é o “esperto” e os outros são os “otários”. Nada tão incomum assim. É da essência da malandragem o malandro fingir acreditar em si mesmo, mesmo quando ninguém mais acredita.

Vai para casa, Padilha. Teu mecanismo broxou – você agora só come coxinha.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Xadrez do pós-Temer e as eleições

Peça 1 - o aleatório e o planejado

Nos processos históricos, é muito difícil separar o aleatório do planejado. Há um processo não linear, pontilhado por uma série de eventos, muitos não planejados. E os atores vão se reorganizando a cada fato novo.

No golpe do impeachment, há apenas um fio condutor sólido, que se sobrepõe a todos os demais: o desmonte do estado nacional de bem-estar e dos projetos de desenvolvimento autônomo.

Este é o fio condutor que mantém a lógica que une Rede Globo, o chamado mercado,  os bilionários liderados por Jorge Paulo Lehman e, na ponta, os tarefeiros da Lava Jato. O modo de fazer é aleatório e obedece aos caprichos do destino.

Abaixo da esfera maior, dos indutores, vêm os instrumentalizados.

Há os instrumentalizados que procuram conscientemente se alinhar com o bloco vencedor, como é o caso do Ministro Luís Roberto Barroso. E aqueles que deixam guiar pelos ventos da opinião pública, como a Procuradora Geral da República Raquel Dodge e, antes dela, Rodrigo Janot e seus templários.

Finalmente, as bactérias oportunistas, inserindo-se aí a organização político-criminosa liderada por Eduardo Cunha e Eliseu Padilha e representada por Michel Temer.

Digo isso para facilitar o entendimento dos fatores que levaram à Operação Skala, deflagrada na 4ª feira pela PGR, com a anuência de Barroso, prendendo provisoriamente os membros civis da quadrilha de Temer.

Peça 2 - Temer, o batom na cueca

Desde o início, Temer era o batom na cueca da suposta moralidade do impeachment. Não apenas um desonesto histórico, mas um dos personagens mais execráveis da história política do país.

Na cadeia improdutiva do submundo político, cabia a ele o papel de mediador da divisão do butim do condomínio de bucaneiros reunidos em torno do MDB. As jogadas estratégicas mais altas ficavam sob responsabilidade de Eduardo Cunha e Eliseu Padilha.

O último grande embate do grupo com o governo Dilma foi em torno das jogadas que beneficiavam os operadores do Porto de Santos. A demissão do Secretário dos Portos, Edinho Araújo, foi a gota d’água que deflagrou o golpe.



Depois do impeachment, seguiu-se um período de lua de mel cujo momento mais vergonhoso foram as cenas gravadas em celular, após uma entrevista laudatória do Roda Viva. Na gravação, a jornalista brasiliense fala em tom confidente sobre as artes de conquista de Temer e o jornalista da TV Cultura dizia de sua surpresa de saber que Temer era “gente como a gente”. Temer termina agradecendo “mais essa propaganda”, em um dos episódios mais constrangedores da história do jornalismo. Só faltou beijo na boca.

Peça 3 – a disfuncionalidade de Temer

Temer tornou-se disfuncional por vários motivos:

No plano econômico, o fim da feira de secos e molhados que permitiu amarrar o orçamento por 20 anos e liquidar com a legislação trabalhista. Ontem mesmo celebrava-se a economia de R$ 850 milhões obtidos com o corte nas compras de cinco remédios essenciais da Farmácia Popular. A insensibilidade social desse pessoal beira o sadismo.

Mas Temer não conseguiu avançar mais com o saco de maldades e nem com a prometida recuperação da economia, chegando-se à seguinte situação:
  1. O esgarçamento do punitivismo da Lava Jato, com o STF (Supremo Tribunal Federal). Críticas rompendo a blindagem da mídia em relação à operação.
  2. O STF (Supremo Tribunal Federal) finalmente ousando reassumir seu papel contra-hegemônico.
  3. A substituição da luta contra a corrupção pelas questões de segurança como bandeiras mobilizadoras.
  4. O aumento da percepção da parcialidade da Lava Jato e da perseguição a Lula.
  5. A relação clara das medidas adotadas com o mal-estar nacional, sem recuperação da economia e com precarização maior ainda do emprego. E com as reformas sendo identificadas com a quadrilha de Temer.
  6. O grupo do impeachment sem um candidato competitivo sequer.
  7. A absoluta falta de noção de Temer, tentando se lançar candidato.
  8. A própria ambiguidade de Temer, que levou algumas cabeças imaginosas a supor que poderia conceder indulto a Lula. Elio Gaspari divulgou em sua coluna sem endossar a piração, mas revelando que estaria por trás da decisão do inacreditável Luís Roberto Barroso de endurecer na questão do indulto de Natal.
É nesse contexto que entra a Operação Skala como uma espécie de freada de arrumação e de volta ao trilho da anti-corrupção.

Aliás, nesses momentos de inflexão, de corte, nada melhor do que ler Merval Pereira. Ele sempre sinaliza as mudanças de rumo com toda clareza, sem essas frescuras de figuras de retórica rebuscadas.

Peça 3 – a motivação da Operação Skala

Entendidos esses movimentos, vamos tentar compreender a motivação e a oportunidade da Operação Skala.

Há tempos se tinha Michel Temer na mira. É o tipo do suspeito que não resiste a uma pesquisa no Google. Some-se o que há nos diversos inquéritos e processos acumulados ao longo de duas décadas, e suspensos devido à influência política.

Havia evidências de sobra para deflagrar a operação um ano atrás, dois meses atrás, ou uma semana à frente.

O que permite as seguintes conclusões:

Conclusão 1 - É evidente que não se trata de mera coincidência a Operação ter acontecido dois dias antes do julgamento do habeas corpus a Lula. Independentemente dos méritos de Temer, a escolha da data visou matar dois coelhos com uma só cajadada e colocar os garantistas do STF na defensiva. No plano político, Raquel Dodge é Rodrigo Janot, com suas suscetibilidades aos sinais emanados da mídia.

 Conclusão 2 – Tecnicamente, Raquel Dodge não é Rodrigo Janot. Pode-se esperar uma peça tecnicamente bem elaborada para a terceira denúncia, em cima de uma blindagem esgarçada da base política de Temer. Principalmente porque, nas eleições, os candidatos fugirão dele como o diabo da cruz. Ou o inverso, dado que, nas últimas eleições, pesquisas qualitativas apontaram sua identificação com o demo, para parte da opinião pública mais simples.

Hipótese – para se observar, apenas. O assassinato de Mariele Franco, o atentado à caravana de Lula, mas o Fachin News das supostas ameaças ao Ministro Luiz Edson Fachin, aumentaram a sensação de descontrole. Imediatamente alguns setores viram nisso o álibi para adiar as eleições. Mas nenhuma tese de adiamento seria minimamente viável se significasse a prorrogação do mandato de Temer. Só os absolutamente sem-noção apostariam nisso.

Se Temer for derrubado, fortalece-se a hipótese do adiamento das eleições, com o país sendo entregue ao deputado Rodrigo Maia, genro de Moreira Franco.

Nos próximos dias, haverá mais lenha na fogueira, visando amedrontar o STF na votação do HC de Lula, tornar mais agudo o quadro de descontrole, para posterior aparecimento da bandeira salvadora do adiamento das eleições.

Luís Nassif
No GGN
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STF é vítima de fake news

Vítima de Instagram falso, Corte informa que só possui contas no Twitter e no Youtube

No perfil falso, pesquisa perguntava opinião dos internautas sobre a prisão após 2ª instância.


Divulgou-se (até mesmo este site) hoje pela manhã que aparente conta oficial do STF no Instagram (stfjusbr) pergunta aos seguidores se se deve manter a prisão após condenação em 2ª instância.

Ocorre que, segundo o STF, a página na rede social - que inexplicavelmente usa imagens e fotos exclusivas do Supremo, e tem mais de 600 publicações - não pertenceria à comunicação oficial da Corte.




Trata-se, portanto, se isso for confirmado, de uma evidente Fake News. A Corte informa, ainda, que está tomando as medidas cabíveis para retirar a página do ar. O Supremo tem contas oficiais no Twitter e no YouTube.



Entre mortos e feridos, a decisão sobre a prisão em 2a instância, sem consulta popular, fica para o próximo dia 4 de abril, quando os ministros se debruçam sobre o mérito do HC do ex-presidente Lula.

Até lá, ficamos com esta como se fosse uma peta de 1º de abril, dia da mentira.





No Migalhas
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Dossiê Fascismo: Casal linchado em comício de Lula denuncia agressores

Vítimas abrem processo por crime de lesão corporal contra seguidores de Bolsonaro que se gabam do espancamento nas redes sociais


Depois de espancar um casal de trabalhadores que saía do comício de Lula, no sábado, 24, em Florianópolis, gangue fascista de Bolsonaro se vangloriou de sua “coragem” nas redes sociais. Nas postagens, os líderes fornecem as provas que a assessoria jurídica do PT estadual precisava para identificá-los e processá-los por crime de lesão corporal dolosa, danos morais e formação de quadrilha. Juliana Impaléa, 40 anos, professora de Direitos Humanos, passou mal com o calor e decidiu voltar para casa, atendendo a conselho médico. Ao se retirar do ato, amparada pelo marido, Rogério Messias, 39 anos, negro, foram atacados por um bando de 15 agressores, que os cegaram com spray de pimenta nos olhos para facilitar o linchamento. Rogério está afastado do trabalho e corre o risco de ter os movimentos limitados pelas pancadas que recebeu na coluna, e Juliana desencadeou síndrome de pânico. Todos os envolvidos nas agressões são eleitores de Bolsonaro associados aos movimentos Vem Pra Rua e MBL, que se organizaram nas redes sociais para invadir o comício de Lula. Na quarta-feira, os telefonemas solidários da senadora Gleisi Hoffmann e de Lula reanimaram no casal o propósito de fazer da covardia um caso exemplar de combate à impunidade do fascismo no Brasil.

Casal espancado passou a semana entre o hospital, 
Delegacia de Polícia e assessoria jurídica

“Ah, tudo que receberam ontem foi com muito amor, tá?”, comentou Ruth Dutra na sua página do Facebook. “Com o maior carinho e respeito”, responde Diego Annes. Não foi preciso muito trabalho para chegar aos autores do espancamento do casal Juliana Impaléa e Rogério Messias, encurralados e linchados por cerca de 15 seguidores de Bolsonaro na tarde do dia 24 de março, em torno de 14h30min, durante o discurso de Lula no Largo da Catedral, em Florianópolis. Depois de agredirem os dois com chutes, pontapés, socos e pauladas, usando a própria bandeira do Brasil, da qual tanto essas milícias neofascistas se orgulham, os criminosos foram para as redes sociais se gabar da crueldade. Eles aplicaram algo parecido com gás de pimenta nos olhos das vítimas para que não pudessem se defender e, enquanto uns os prendiam pelas costas, outros os espancavam. “Tudo com muito amor”, repetiram durante os diálogos nas redes sociais, com se fossem fanáticos de uma seita satânica. “Nessas horas a gente solta pombinhas brancas com velas”, reforçou a loira Ruth Dutra, que aparece em seu perfil apontando uma arma e ostentando o lema “Sou do exército Bolsonaro”.

Defesa da liberação do porte de arma; divulgação de calúnias contra a vereadora do PSOL assassinada, Marielle Franco; pedidos de intervenção militar e incitação ao ódio contra o PT, Lula e seus defensores estão entre as postagens de Ruth Dutra, que se autodenomina “da turma das perfumadas”, o que para Juliana pode ser uma indicação do uso de gás de pimenta em suas vítimas.

O mesmo post publicado nas páginas de Ruth Dutra
e Déby Kuster, assume a autoria do espancamento 
do casal

No mesmo dia, depois de sair do Hospital Celso Ramos, onde foi atendido na emergência,  o casal agredido divulgou nas redes sociais o espancamento. Logo em seguida, amigos e usuários contrários às agressões fascistas durante a passagem pela Caravana da Esperança no Sul do Brasil começaram a investigar a rede e a enviar diálogos que ajudaram a chegar aos autores do crime.

Num dos posts printados, Ruth Dutra, uma moradora do bairro Campeche, assume claramente participação no espancamento. Como prova de sua valentia, ao lado do relato, ela publica uma imagem posando com a amiga na área isolada pelo cordão policial e a foto do pixuleco com o sarrafo.

Ao comentar o espancamento, os bolsonistas contam tanta vantagem sobre a covardia que  a assessoria jurídica do Diretório Estadual do PT já tem todas as informações e provas em mãos contra os líderes da violência fornecidas por eles mesmos. Com o exame de corpo de delito mostrando os danos físicos da agressão e os prints das páginas dos agressores devidamente autenticados em cartório, os advogados Rosângela de Souza e seu assessor Matheus Amaral Ribeiro orientaram as vítimas a registrarem um Boletim de Ocorrência na 6ª DP, Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso da Capital, no bairro Agronômica. Rogerio Boletim de Ocorrência
No Boletim de Ocorrência são citados coletivamente por danos morais e lesão corporal dolosa grave com tortura praticada de forma coletiva Ruth Dutra, Isabel Cristina Beck, Diego Annes, Deby Kuster e Pedro Correa. Destes, Deby Kuster e Pedro Correa foram identificados de imediato pela polícia com nome, sobrenome, CPF e endereço e citados individualmente, mas todos devem ser processados em separado na vara cível e criminal.
Nos comentários de Facebook, os fascistas se autodelatam e se parabenizam pela agressão, chamando-se de “guerreira que luta com tudo”, “aguerrida”, “linda guerreira”, “corajosos”, “bravos intervencionistas”, entre outros adjetivos. Como atestado de intolerância e ódio racial, também recomendam “vacina antirábica”, “sal grosso” e “banho de álcool” para os que passaram perto da “peteba”, como classificam suas vítimas, a quem chamam também de “petista apedeuta” e”velho pingunço”, “gente suja”, “ordinária”, “feia”, “gente horrenda”, “povo fedido”, “mal cuidado” e “mal educado”. As vuvuzelas, símbolo do patriotismo fascista, também serviram de instrumento para acertar o rosto dos encurralados, segundo os relatos.

Um vídeo gravado desavisadamente por um site independente mostra Rogério Messias (de camiseta preta) desesperado, se debatendo enquanto é agarrado e empurrado por dois homens, um de cada lado, e surrado por vários outros que portam a camisa de Bolsonaro e adereços do candidato e tentam arrancar sua bandeira. Nos últimos segundos, fica nítida a imagem de Ruth Dutra quebrando nas costas de Juliana Impaléa a bandeira do pixuleco. Assista ao vídeo de Marcelo Luiz, do Portal Desacato, já com o corte nas cenas finais.


GALERIA DOS CITADOS POR LESÃO CORPORAL DOLOSA

Fotos do perfil Ruth Dutra
Foto do perfil Isabel Cristina Beck
Fotos do perfil Déby Kuster
Fotos do perfil Diego Annes
Pedro Corre, o Bilbo
Ainda sentindo muitas dores, sobretudo na cabeça, na coluna e nos braços, na terça-feira, 27, Juliana e Rogério fizeram exame de Corpo de Delito. Ela tem um calombo de cinco centímetros no braço esquerdo e um galo na cabeça, mas voltou ao trabalho na segunda-feira para não prejudicar os alunos. Neste final de semana, começou a apresentar sinais de síndrome de pânico e crise de ansiedade. “Na segunda vou ao psiquiatra porque não é fácil lidar com a violência de um linchamento”, disse ela. “Os sinais físicos vão passar, mas as marcas psicológicas não sei”.

Rogério, que é negro e foi o mais agredido, apresenta hematomas nos braços e pernas, lesões no joelho, nas costas e sinais de estiramento de nervos e tecido muscular na coluna. Em entrevista aos Jornalistas Livres, ele afirmou que está aguardando o resultado dos exames de tomografia realizados durante a semana para saber qual a extensão das lesões. O teor da queixa-crime, segundo os advogados, vai depender, portanto, do andamento do seu estado de saúde. Pode haver um dano mais grave ou permanente na coluna, que leve à limitação dos movimentos e mesmo a uma aposentadoria por invalidez, avaliam os juristas, com base no laudo médico.

Com cinco dias de atestado, e tomando remédios fortes, Rogério teme que a necessidade de prorrogação da licença de saúde por maior tempo o faça perder os empregos. “Trabalho em dois restaurantes pequenos como cozinheiro que serão obrigados a me substituir”, explicou Rogério, lembrando que não pode atuar com facão e fogo estando sob efeito de medicamento. Ao contrário das suas vítimas, que xingam de vagabundos e acusam de “mamar nas tetas do Estado”, os agressores não apresentam formação nem ocupação nos seus perfis. Sua atividade profissional é um mistério a ser desvendado pela polícia.



Os advogados estão reunindo provas testemunhais, vídeos, documentos, postagens na internet para formalizar ainda acusação de formação de quadrilha pela internet. Professora do conteúdo de Direitos Humanos, Juliana se diz ainda vítima de injúria e difamação. Para justificar a violência nas redes sociais, Ruth Dutra, que se apresenta pelos comentários como uma expoente da agressão, justifica o fato de ter  “quebrado o pixuleco nas costas da peteba” afirmando: “Ela estava agredindo um idoso, lhe quebrou o braço”.

Não há, contudo, registro de agressão com fratura do braço pela polícia, nem queixa na DP, tampouco ocorrência no Posto de Saúde local ou fotos e vídeos publicados pelos próprios agressores que fundamentem essa denúncia. “Dessa forma, ela passa a ser vista como calúnia”, acrescenta. Ao contrário, o vídeo postado no dia 24 pelo Portal Desacato mostra que Juliana andava desnorteada de um lado para outro, tentando salvar o marido, que era segurado de costas por alguns e espancado de frente por outros, quando foi agredida pelas costas por Ruth Dutra. Até a publicação desta matéria, as imagens e comentários exibidos pelos próprios agressores ainda estavam em suas páginas do Facebook.


Chamada de “petista apedeuta” (ignorante, sem instrução) pelos bolsonaristas, Juliana, natural de Florianópolis, é graduada em Língua e Literatura em Português pela UFSC, pós-graduada em Docência do Ensino Superior-Uniasselvi e está concluindo o mestrado em Educação pela Universidade Nacional de Rosário (UNR), instituição pública da Argentina. Trabalha como professora de Línguas e Literaturas Vernáculas para alunos de ensino fundamental e médio do Instituto Estadual de Educação da rede pública de Santa Catarina. Música, compositora e produtora cultural, ela também é professora de Alfabetização e Letramento no Curso de Magistério.

Músico também, como Juliana, Rogério Messias, natural de Santos (SP), com dois filhos, mantém jornada dupla de trabalho diário como cozinheiro profissional nos restaurantes do sistema Sesi/Senai e da Faculdade Cesusc/Colégio Cruz e Sousa. Estudante de Biblioteconomia da UFSC, trancou a matrícula por causa do trabalho. Ambos são eleitores de Lula e participavam da Caravana em Florianópolis, mas há muitos anos não militavam no partido.

PM ASSISTIU DE LONGE AO LINCHAMENTO


Casados há 10 anos, os dois chegaram ao Largo da Catedral por volta das 10h15min da manhã, “para garantir uma recepção calorosa ao Lula”, explica Juliana. Até o início do discurso do ex-presidente, foram em torno de quatro horas sob um sol de 33°. Sentindo-se emocionada com as primeiras palavras do candidato, Juliana, que tem sobrepeso, passou mal com um princípio de desmaio. Atendida no Posto de Saúde do próprio evento, verificou que a pressão estava baixa. Decidiram então seguir a orientação médica e voltar para casa. Contudo, para ter acesso rápido ao local onde haviam estacionado o carro, em frente à Alfândega, precisavam ultrapassar a barreira da rua Arcipreste Paiva, em frente ao antigo Palácio do Governo, onde um pelotão da Polícia Militar continha uma concentração de cerca de 200 manifestantes ameaçadores do Vem Pra Rua e MBL, a maioria com camiseta e adereços de Bolsonaro, provocando a plateia lulista com ofensas e palavras de baixo calão e prontos para entrar em choque. Para evitar conflitos, Juliana e Rogério preferiram seguir um atalho por dentro da Praça XV, e sair mais adiante na mesma rua, já fora da área de maior aglomerado e risco. Observe a cena no vídeo completo de Marcelo Luiz, do Desacato.



“Este vídeo mostra a covardia. Reparem eu e minha mulher companheira de vida Juliana Impaléa, andávamos em direção a praça da Alfândega, onde deixamos o carro, de repente a correria, ai já paro e fico esperando o pior… Um medo incrível me assola por não poder defender minha mulher companheira de vida Juliana Impaléa…”, publicou Rogério em sua página.
Ao avistarem os dois atravessando a rua com a bandeira lilás do coletivo feminino do PT sobreposta à imagem de Lula, um grupo de fascistas já começou os xingamentos contra o casal e seu candidato. Eles contam que de longe retrucaram as ofensas verbais, mas se mantiveram a caminho do estacionamento, sem corresponder às ameaças de agressão física. “De repente, vejo um grupo furioso de mais de dez vindo em nossa direção. Só deu tempo de empurrar Juliana para trás de mim e esperar o pior”, contou Rogério.

O que mais indignou os dois foi a covardia do bando: “Para nos cegar e facilitar o espancamento, alguns homens e mulheres jogavam gás de pimenta nos nossos olhos. Enquanto a gente se contorcia de dor, recebia socos, chutes e pauladas em todo corpo”, conta Rogério, que apanhou mais. Ele chegou a ser segurado por um grupo para que outro o espancasse e espancasse sua esposa. Impressionou-o o fanatismo político dos agressores, vestidos de verde e amarelo e empunhando a bandeira do Vem pra Rua, MBL e Bolsonaro. “O que eles mais queriam era arrancar de nós a bandeira do PT e destruí-la de qualquer jeito”.

A atuação da Polícia Militar nesse caso foi no mínimo omissa, segundo os relatos das vítimas e das testemunhas. “Eles assistiram de longe a correria dos fascistas em nossa direção, ouviram os gritos e não fizeram nada”, afirmam os dois. Até então, a corporação estava sendo elogiada pelos próprios simpatizantes de Lula por conter uma ação violenta com as mesmas milícias de Bolsonaro, Vem Pra Rua e MBL, que insultavam os apoiadores de Lula e ameaçavam invadir a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, ali perto, onde Lula se reunira com dirigentes de educação pública federal antes do ato no Largo da Catedral.  Outros relatos de agressão em bando a militantes e passantes comuns foram registrados na área da mídia independente durante o dia e denunciados ao microfone durante o comício.

Para Juliana, que desenvolve com os alunos de Ensino Fundamental e Médio o conteúdo da Constituição e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi difícil ser alvo do fascismo que ela busca combater em sala de aula com lições sobre democracia e alteridade (respeito ao outro). “Como a gente vai passar para esses jovens uma confiança no futuro quando esse ódio está destruindo a possibilidade de diálogo democrático no país?”  Depois de passar as últimas semanas ajudando os alunos a refletirem sobre a chacina de Marielle e a assimilarem o trauma da violência política com desenhos, painéis e debates, ela própria se viu alvo dela.

A filósofa Maria Borges, que trabalhou com Juliana na Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, registrou: “Não há mais dúvidas: estamos frente a um movimento fascista, violento e perigoso, como jamais vimos no Brasil. Minha solidariedade a Juliana Impaléa e seu companheiro Rogério Messias, que foram violentamente agredidos na saída do comício do Lula. Podia ter sido qualquer um de nós. Eu estava no comício perto deles. Tive sorte de não ter encontrado os fascistas no meu caminho de volta para casa”. Para a antropóloga Sonia W Maluf, todos que atuam no campo da luta política e da militância social em defesa das minorias, da democracia e dos direitos humanos precisam compreender o modus operandi dos neofascistas: “O objetivo deles é intimidar, deixar as pessoas com medo. É uma tática fascista que volta à tona com tudo. Por isso é muito importante levar adiante a investigação e não deixar passar”.

ÂNIMO DOBRADO COM TELEFONEMA DE LULA

Foto: Ricardo Stuckert
No domingo à noite, um dia após a agressão, o casal recebeu a visita do presidente do Diretório Estadual do PT, Carlos Eduardo da Silva (Cadu), que ofereceu todo apoio e assessoria jurídica do partido. Mas a grande surpresa e sentimento de compensação ocorreria na quarta-feira, 28, com o telefonema solidário da senadora Gleisi Hoffmann e do presidente Lula. Ambos falaram pessoalmente com Juliana e Rogério, oferecendo apoio jurídico e psicológico e incentivando-os a levar adiante a denúncia e o processo.

 
“É sério: o Lula e a Gleisi Hoffmann acabaram de nos ligar… A esquerda é rígida! Com o corpo quebrado, mas a alma lavada. A esquerda é rigorosa”, escreveu Juliana no seu Facebook, ao compartilhar a notícia do telefonema. “Eu nem me surpreendi com a atitude deles, mas ouvir a voz do Lula e receber a solidariedade de ambos, reforçou a minha certeza de estar ao lado certo da história”. Rogério divulgou a notícia com emoção: “Com o corpo quebrado, mas de alma lavada. Acabei de receber o telefonema do nosso presidente Lula,  querendo saber do ocorrido comigo e minha mulher”. Conta que o longo telefonema de Lula e Gleisi despertaram “uma fera” dentro dele no sentido de fazê-lo voltar à luta política. Ele conta que quando menino, aos 11 anos, fez boca de urna para Lula em Santos.

Mais tarde ajudou a criar o Grêmio Estudantil da escola e participou de protestos contra as privatizações das estatais no governo FHC, mas depois as pauladas da vida o fizeram se acomodar. “Agora, eu prometi ao Lula que vou voltar à militância pela democracia”, empolga-se o músico-cozinheiro. Ele me disse que nós vamos derrotar o fascismo na luta e me fez ver que a denúncia do nosso espancamento pode ser um caso exemplar para combater a impunidade do fascismo”.

GANGUE ESPANCA E EXIBE PROVAS DO CRIME
Postagens do casal em 24 de março:
Juliana Impaléa: Eu e meu companheiro, ambos trabalhadores, saíamos da recepção ao Lula em Floripa que, diga-se de passagem, estava lotada e linda, quando um grupo do MBL nos encurralou e nos torturou com socos, pontapés e spray de pimenta – a linguagem deles. Estamos os dois machucados (meu marido mais do que eu, espancado por mais de dez bolsominions), mas cientes de que a luta contra a ignorância e a favor da democracia deve continuar, pela inclusão, pelos programas sociais, pela reparação histórica e pelos direitos humanos que, afinal, beneficiam a todos e todas, inclusive os raivosos que debocham da vida e da dignidade do próximo. Mais uma professora e um trabalhador torturados pela burrice, pela ignorância e comodidade das elites…
#Lulalá #Torturaecovardia  #Alutacontinuaagoramaisdoquenunca
Rogério Messias: Hoje vou usar as redes sociais para externar minha indignação e tristeza com o radicalismo que nos encontramos, acabei de ser espancado na saída do ato grandioso de recepção ao melhor presidente que este país já teve, quando passando por trás da Praça XV, em Florianópolis, fui espancado junto com minha mulher Juliana Impaléa, em meio aos chutes desferidos pelos coxinhas do movimento MBL, mais força se enchia meu coração, não calarão a voz do povo, meu corpo machucado vai curar, mas a alma pequena de quem defende falsos mitos, não curarão, na defesa do povo trabalhando como povo sofrido que somos, não aceitarei tal situação, trabalhando em dois empregos, das 7 da manhã as 22 h, não aceitarei ser espancado por coxinhas bem nascidos que acham que com sua fúria radical, cega e doentia vão conseguir calar a vontade popular, e mais Lula é o melhor presidente que este país já teve, e isso coxinha nenhum vai conseguir deturpar. Estou muito bem, corpo de trabalhador dolorido um pouco mais que o normal do dia a dia, mas a mente certa na transformação social pelo povo trabalhador como eu e minha mulher, Juliana Impaléa, também covardemente espancada quando íamos embora depois de passarmos pelo posto médico do ato, pelo excesso de sol e corpo cansado pelo trabalho.
Lula você é e sempre será a esperança do povo sofrido deste país, o Brasil está contigo.
Racistas intolerantes não passarão
Raquel Wandelli
No Jornalistas Livres
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