30 de mar de 2018

Assessor da Secretaria que investiga tiros à caravana atua em comitê de Bolsonaro

PT e SESP-PR divulgam informações divergentes sobre os disparos; Bolsonaro diz que “aquele tiro é uma mentira”.


O jornalista Karlos Eduardo Antunes Kohlbach, assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP-PR), também se apresenta como assessor de imprensa do comitê de campanha do deputado Jair Bolsonaro (PSL) em Curitiba. Esta semana, Kohlbach divulgou em um grupo de repórteres no WhatsApp a agenda oficial de Bolsonaro no Paraná. No mesmo grupo, o assessor da SESP-PR informou o posicionamento da pasta sobre as investigações do atentado à caravana do ex-presidente Lula (PT)

Questionado pela reportagem do Brasil de Fato sobre o vínculo com o comitê, Kohlbach confirmou nesta quinta-feira (29): “Assessoria de imprensa é comigo”. Por telefone, o jornalista explicou que o trabalho é eventual e não remunerado.

A função do assessor de imprensa é fazer uma ponte entre o assessorado e os repórteres e “essencialmente elaborar políticas e estratégias de comunicação” – conforme o Manual de Assessoria de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Divergências

A SESP-PR, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o pré-candidato Jair Bolsonaro estão no epicentro das disputas de narrativa sobre o atentado à caravana de Lula.

A Secretaria declarou que Lula teria chegado de helicóptero à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) no último dia 27, por isso não estaria no ônibus da caravana no momento do ataque a tiros. Na mesma nota à imprensa, a assessoria divulgou que “não houve, por parte do ex-presidente, pedido de escolta”. O pré-candidato Jair Bolsonaro foi além: declarou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (28) no Paraná que “aquele tiro é uma mentira”.

As informações divulgadas pela SESP-PR foram contestadas pelo Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-PR). As lideranças estaduais do partido esclareceram que “Lula chegou no local em um dos ônibus da Caravana, no qual fez o trajeto de Quedas do Iguaçu a Laranjeiras, como foi presenciado por centenas de pessoas e por profissionais de diversos órgãos de imprensa”.

Quanto ao pedido de escolta, a equipe do ex-presidente divulgou um ofício protocolado na SESP-PR no dia 14 de março em que solicita “aos organismos de Segurança Pública do Estado do Paraná o apoio de medidas que possam garantir a segurança e tranquilidade para esses eventos”. De acordo com Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do partido, a escolta policial deveria ser uma dessas medidas.

Serviço prestado ao comitê

Karlos Kohlbach assumiu o cargo comissionado na SESP-PR em janeiro de 2015, quando o deputado federal Fernando Francischini (PSL) estava à frente da pasta. Francischini é o principal apoiador da campanha de Bolsonaro no Paraná e tornou-se conhecido pela atuação no “massacre do Centro Cívico”, em 29 de abril de 2015, que deixou mais de 200 feridos durante protesto de professores em Curitiba.

O Brasil de Fato entrou em contato com o assessor na tarde desta quinta-feira (29). Primeiro, via WhatsApp, para confirmar a atuação no comitê de campanha de Bolsonaro. Em seguida, por telefone, para ouvir a versão de Kohlbach sobre um suposto acúmulo de funções.

Na conversa por telefone, o jornalista contradisse a informação enviada pelo WhatsApp – “assessoria de imprensa [do comitê de Bolsonaro] é comigo”. Kohlbach declarou que o serviço de repasse de informações para a campanha de Bolsonaro é eventual e não configura uma relação de trabalho. A colaboração com o comitê, sem remuneração, teria sido feita a pedido de Francischini, amigo pessoal do jornalista.

O trabalho como assessor de imprensa da SESP-PR não exige dedicação exclusiva. Além das colaborações eventuais ao comitê de Bolsonaro e do deputado Francischini, Kohlbach também é autor de um blog de política no portal Massa News. Na entrevista, o jornalista esclareceu que não publica no blog temas relativos à segurança pública do Paraná para não se valer de informações privilegiadas.

Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida



O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 1º, inciso I, alínea "a", do Ato da Mesa nº 205, de 28 de junho de 1990, RESOLVE:

Exonerar, De acordo com o artigo 35, inciso I, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990,

CARLOS ALBERTO CARVALHO, ponto nº 111801, do cargo em comissão de Secretário Particular, CNE-09, do Quadro de Pessoal da Câmara dos Deputados, que exercia no Gabinete do Líder do Solidariedade, a partir de 15 de agosto de 2014. Em 26/08/2014. (DOU de 27/08/2014).

KARLOS EDUARDO ANTUNES KOHLBACH, ponto nº 121529, do cargo em comissão de Assessor Técnico, CNE-07, do Quadro de Pessoal da Câmara dos Deputados, que exercia no Gabinete do Líder do Solidariedade, a partir de 15 de agosto de 2014. Em 26/08/2014. (DOU de 27/08/2014).
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Xadrez do pós-Temer e as eleições

Peça 1 - o aleatório e o planejado

Nos processos históricos, é muito difícil separar o aleatório do planejado. Há um processo não linear, pontilhado por uma série de eventos, muitos não planejados. E os atores vão se reorganizando a cada fato novo.

No golpe do impeachment, há apenas um fio condutor sólido, que se sobrepõe a todos os demais: o desmonte do estado nacional de bem-estar e dos projetos de desenvolvimento autônomo.

Este é o fio condutor que mantém a lógica que une Rede Globo, o chamado mercado, os bilionários liderados por Jorge Paulo Lehman e, na ponta, os tarefeiros da Lava Jato. O modo de fazer é aleatório e obedece aos caprichos do destino.

Abaixo da esfera maior, dos indutores, vêm os instrumentalizados.

Há os instrumentalizados que procuram conscientemente se alinhar com o bloco vencedor, como é o caso do Ministro Luís Roberto Barroso. E aqueles que deixam guiar pelos ventos da opinião pública, como a Procuradora Geral da República Raquel Dodge e, antes dela, Rodrigo Janot e seus templários.

Finalmente, as bactérias oportunistas, inserindo-se aí a organização político-criminosa liderada por Eduardo Cunha e Eliseu Padilha e representada por Michel Temer.

Digo isso para facilitar o entendimento dos fatores que levaram à Operação Skala, deflagrada na 4ª feira pela PGR, com a anuência de Barroso, prendendo provisoriamente os membros civis da quadrilha de Temer.

Peça 2 - Temer, o batom na cueca

Desde o início, Temer era o batom na cueca da suposta moralidade do impeachment. Não apenas um desonesto histórico, mas um dos personagens mais execráveis da história política do país.

Na cadeia improdutiva do submundo político, cabia a ele o papel de mediador da divisão do butim do condomínio de bucaneiros reunidos em torno do MDB. As jogadas estratégicas mais altas ficavam sob responsabilidade de Eduardo Cunha e Eliseu Padilha.

O último grande embate do grupo com o governo Dilma foi em torno das jogadas que beneficiavam os operadores do Porto de Santos. A demissão do Secretário dos Portos, Edinho Araújo, foi a gota d’água que deflagrou o golpe.

Depois do impeachment, seguiu-se um período de lua de mel cujo momento mais vergonhoso foram as cenas gravadas em celular, após uma entrevista laudatória do Roda Viva. Na gravação, a jornalista brasiliense fala em tom confidente sobre as artes de conquista de Temer e o jornalista da TV Cultura dizia de sua surpresa de saber que Temer era “gente como a gente”. Temer termina agradecendo “mais essa propaganda”, em um dos episódios mais constrangedores da história do jornalismo. Só faltou beijo na boca.

Peça 3 – a disfuncionalidade de Temer

Temer tornou-se disfuncional por vários motivos:

No plano econômico, o fim da feira de secos e molhados que permitiu amarrar o orçamento por 20 anos e liquidar com a legislação trabalhista. Ontem mesmo celebrava-se a economia de R$ 850 milhões obtidos com o corte nas compras de cinco remédios essenciais da Farmácia Popular. A insensibilidade social desse pessoal beira o sadismo.

Mas Temer não conseguiu avançar mais com o saco de maldades e nem com a prometida recuperação da economia, chegando-se à seguinte situação:


  1. O esgarçamento do punitivismo da Lava Jato, com o STF (Supremo Tribunal Federal). Críticas rompendo a blindagem da mídia em relação à operação.
  2. O STF (Supremo Tribunal Federal) finalmente ousando reassumir seu papel contra-hegemônico.
  3. A substituição da luta contra a corrupção pelas questões de segurança como bandeiras mobilizadoras.
  4. O aumento da percepção da parcialidade da Lava Jato e da perseguição a Lula.
  5. A relação clara das medidas adotadas com o mal-estar nacional, sem recuperação da economia e com precarização maior ainda do emprego. E com as reformas sendo identificadas com a quadrilha de Temer.
  6. O grupo do impeachment sem um candidato competitivo sequer.
  7. A absoluta falta de noção de Temer, tentando se lançar candidato.
  8. A própria ambiguidade de Temer, que levou algumas cabeças imaginosas a supor que poderia conceder indulto a Lula. Elio Gaspari divulgou em sua coluna sem endossar a piração, mas revelando que estaria por trás da decisão do inacreditável Luís Roberto Barroso de endurecer na questão da segunda instância.
É nesse contexto que entra a Operação Skala como uma espécie de freada de arrumação e de volta ao trilho da anti-corrupção.

Aliás, nesses momentos de inflexão, de corte, nada melhor do que ler Merval Pereira. Ele sempre sinaliza as mudanças de rumo com toda clareza, sem essas frescuras de figuras de retórica rebuscadas.

Peça 3 – a motivação da Operação Skala

Entendidos esses movimentos, vamos tentar compreender a motivação e a oportunidade da Operação Skala.

Há tempos se tinha Michel Temer na mira. É o tipo do suspeito que não resiste a uma pesquisa no Google. Some-se o que há nos diversos inquéritos e processos acumulados ao longo de duas décadas, e suspensos devido à influência política.

Havia evidências de sobra para deflagrar a operação um ano atrás, dois meses atrás, ou uma semana à frente.

O que permite as seguintes conclusões:

Conclusão 1 - É evidente que não se trata de mera coincidência a Operação ter acontecido dois dias antes do julgamento do habeas corpus a Lula. Independentemente dos méritos de Temer, a escolha da data visou matar dois coelhos com uma só cajadada e colocar os garantistas do STF na defensiva. No plano político, Raquel Dodge é Rodrigo Janot, com suas suscetibilidades aos sinais emanados da mídia.

 Conclusão 2 – Tecnicamente, Raquel Dodge não é Rodrigo Janot. Pode-se esperar uma peça tecnicamente bem elaborada para a terceira denúncia, em cima de uma blindagem esgarçada da base política de Temer. Principalmente porque, nas eleições, os candidatos fugirão dele como o diabo da cruz. Ou o inverso, dado que, nas últimas eleições, pesquisas qualitativas apontaram sua identificação com o demo, para parte da opinião pública mais simples.

Hipótese – para se observar, apenas. O assassinato de Mariele Franco, o atentado à caravana de Lula, mas o Fachin News das supostas ameaças ao Ministro Luiz Edson Fachin, aumentaram a sensação de descontrole. Imediatamente alguns setores viram nisso o álibi para adiar as eleições. Mas nenhuma tese de adiamento seria minimamente viável se significasse a prorrogação do mandato de Temer. Só os absolutamente sem-noção apostariam nisso.

Se Temer for derrubado, fortalece-se a hipótese do adiamento das eleições, com o país sendo entregue ao deputado Rodrigo Maia, genro de Moreira Franco.

Nos próximos dias, haverá mais lenha na fogueira, visando amedrontar o STF na votação do HC de Lula, tornar mais agudo o quadro de descontrole, para posterior aparecimento da bandeira salvadora do adiamento das eleições.

Luís Nassif
No GGN
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Uma exceção para Reinaldo Azevedo

Sempre há uma exceção, e este blog abre espaço para publicar uma informação veiculada pelo jornalista (sic) Reinaldo Azevedo:


Barroso: ordem de serviço prova palestra e valor astronômico. Constituição proíbe que juiz receba dinheiro de um órgão público

Vejam este documento. Já volto a ele.


Eu não sei o que levou Roberto Barroso, ministro do Supremo e candidato a Catão do Leblon, a negar que tenha sido contratado pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia para conferir uma palestra, recebendo, por isso, uma verdadeira bolada nesse ramo: R$ 46.800. A contratação foi feita sem licitação já que ele exibe notória especialização. Nem diga. A cada dia, eu o acho um especialista mais notável.

Quando começou a circular a coisa, o ministro falou com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha. E assegurou:

“Não tenho a menor ideia de que valor é este. É um valor completamente fora do padrão, fora do que eu cobro.”

É mesmo? Já demonstrei em post que o anuncio da dispensa de licitação para a contratação da palestra foi publicado no Diário Oficial. Isso só acontece quando tudo já está formalizado, com a devida concordância do palestrante.

Essa simples publicação já bastaria para evidenciar que existe a verdade, e existe a versão de Barroso.

Mas agora aparece a prova dos noves de que a contratação aconteceu, que o valor é mesmo aquele e que, bem, não havia como o ministro não saber. Parece que o doutor tentou levar a jornalista no bico, esquecendo-se de que a contratação por um órgão oficial deixa rastros que não podem ser apagados. E eles não se resumem ao DO.

O documento

Muito bem. Voltemos ao documento lá do alto. Já não é a simples publicação da inexigibilidade de licitação. Trata-se de uma ordem de serviço, que só é feita depois que o contrato está devidamente assinado. No caso, foi com a empresa “Supercia Capacitação e Marketing Ltda”. Não sei como o ministro é em capacitação. De marketing, ele é excelente.

O doutor foi, sim, contratado por um órgão público de Rondônia, que deve estar nadando em dinheiro, para conferir uma palestra sobre direito constitucional do VIII Fórum de Direito Constitucional e Administrativo Aplicado aos Tribunas de Contas”.

No post anterior sobre o assunto, perguntei quem estava mentindo: o TCE, Barroso ou a empresa Supercia. Bem, os documentos provam que o TCE-RO pode erras na escolha dos palestrantes, mas mentindo não está. Tudo vai especificado, nos mínimos detalhes, na ordem de serviço.

Se Barroso não mentiu, então resta a hipótese de que a Supercia seja a mentirosa? Será? Enfiou a faca no TCE-RO e vai pagar para o palestrante muito menos, uma coisa bem mixuruca. Empresas que fazem intermediação de palestras cobram uma taxa. Será a da Supercia tão abusiva assim?

Pode receber?

Com alguma licença poética, juízes acabam dando “palestras” e chamando isso de “magistério”.

O Parágrafo Único do Artigo 95 da Constituição define:

Parágrafo único. Aos juízes é vedado:

I – exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;

II – receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;

III – dedicar-se à atividade político-partidária.

IV – receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
V – exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração

Os R$ 46.800 da palestra do ministro me parecem chamar para o debate o Inciso IV do Parágrafo Único. Salvo melhor juízo, o TCE-RO é uma “entidade pública”, e o pagamento fere a Constituição. Barroso vai dar uma palestra sobre direito constitucional.

É bem verdade que ele é bastante criativo na área. Costuma ler o que não está na Constituição e ignorar o que está, a depender de sua vontade.

Mas por que ele disse o que disse a Mônica Bergamo.

Abaixo, como ilustração, o pedido do TCE-RO para publicar do Diário Oficial o magnífico evento.

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Crime organizado na favela é piada: traficante fica na Barra ou Miami, diz ex-ministro dos Direitos Humanos

Ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, aos 74 anos, criticou duramente a intervenção militar no Rio de Janeiro.


Nos últimos 30 anos, pelo menos, não houve grave violação ou ameaça a direito com que não tenha se batido sobre seu cavalo. Uma de suas grandes contribuições foi o Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), que ajudou a fundar em 1987, para produzir dados sobre violência e subsidiar políticas públicas.

Sua intervenção foi também governamental: secretário de Estado dos Direitos Humanos no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (secretaria com status de ministério) e relator dos primeiros programas nacionais de direitos humanos, marcos da consolidação da democracia no Brasil após o período de exceção da ditadura militar (1964-85).

Depois vieram posições nas principais entidades internacionais de arbitragem e paz. Hoje, especificamente, preside a comissão de inquérito da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a guerra na Síria, desde 2011.

Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1944 e morou até 1967, Paulo Sérgio Pinheiro não esconde oposição à intervenção federal com emprego das Forças Armadas no Rio, decretada no dia 16 de fevereiro último. Para ele, é medida eleitoreira e oportunista fadada ao fracasso, com características de apartheid contra a população negra e parda.

"Quando falam em crime organizado na favela, é uma piada, porque os organizadores não estão [ali]. Aqueles são pés de chinelo intermediários, os traficantes moram na Barra ou em Miami", aponta.
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A maior mentira da Humanidade


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Tráfico, política e futebol

Investigação sobre presidente eleito da Ferroviária capixaba, preso em flagrante por tráfico de drogas, mostra ligações com quadrilha envolvida no transporte de cocaína no helicóptero dos Perrellas


Preso em flagrante por tráfico internacional de drogas em 6 de dezembro do ano passado, o então presidente eleito do clube de futebol capixaba Desportiva Ferroviária, Edney José da Costa, tinha ligação com a quadrilha envolvida no transporte dos 445 quilos de cocaína encontrados no helicóptero do cartola do Cruzeiro Esporte Clube e senador Zezé Perrella (MDB-MG), de acordo com investigação da Polícia Federal (PF). Denúncia recente do Ministério Público Federal (MPF) contra Edney  tornou pública a informação de que um helicóptero carregado com droga pousou no Espírito Santo em agosto de 2013, apenas três meses antes do flagrante na aeronave dos Perrellas, em novembro daquele ano. “Foi o mesmo grupo que organizou os eventos de agosto e novembro de 2013. Uma das diferenças foi a troca do helicóptero e de um dos pilotos”, afirmou o delegado da PF Leonardo Damasceno em entrevista concedida por e-mail.

De acordo com o inquérito da PF capixaba, que ainda não foi concluído e está sob sigilo, Edney seria o responsável pela logística do transporte marítimo da droga enviada a Portugal, pelo porto de Vila Velha, em agosto. A polícia acredita que a cocaína apreendida no helicóptero dos Perrellas também seria escoada nesse porto, com o mesmo destino. “Com o flagrante ocorrido em novembro de 2013, em Brejetuba/ES – Afonso Cláudio/ES, a droga não chegou à(s) pessoa(s) que a colocaria(m) no navio, o que ocorreria, provavelmente, em Vila Velha/ES, onde fica o terminal de Containers do porto de Capuaba”, disse o delegado.

O presidente eleito da Desportiva Ferroviária foi flagrado em dezembro do ano passado com 253 quilos de cocaína, que também iriam para Portugal em um contêiner carregado de milho. Com ele estavam outras cinco pessoas (veja quem são e o que eles dizem), incluindo o dono do sítio onde o helicóptero do senador Zezé Perrella pousou em 2013, o empresário de futebol Elio Rodrigues.

Foram encontrados 445 quilos de cocaína no helicóptero do cartola do Cruzeiro Esporte Clube e senador Zezé Perrella (MDB-MG)

De acordo com a denúncia do MPF, os dois, em parceria com Jincley Caetano, eram os encarregados da logística portuária para o tráfico internacional de drogas. O MPF afirma que eles também estariam envolvidos no transporte de outras três cargas de cocaína apreendidas em 2017 antes de elas chegarem ao porto (veja os outros casos). 

A relação de Edney com a quadrilha que transportou a droga no helicóptero de Perrella só veio a público agora, mas a Desportiva Ferroviária, presidida por ele, foi citada no depoimento dado por Elio Rodrigues, dono do sítio onde pousou o helicóptero, em 3 de dezembro de 2013. De acordo com o inquérito da PF juntado ao processo 0012299-92.2013.4.02.5001 – que trata do caso do helicóptero da família Perrella –, ele afirmou que era empresário de futebol e teria conhecido Robson Ferreira Dias, flagrado retirando a droga da aeronave, no clube capixaba. Segundo Elio, Robson, também empresário de futebol, levou para treinar na Desportiva um jogador do time do Audax Rio de Janeiro, de nome David, que ficou hospedado durante três meses em uma quitinete. A Associação Desportiva Ferroviária confirmou à Pública, por meio de nota, que um atleta de nome David François Ferreira do Nascimento, com passagem anterior pelo Sendas Esporte Clube (RJ), atual Audax Rio de Janeiro Esporte Clube, atuou durante três meses no time sub-20 da Desportiva Ferroviária, na Copa Espírito Santo, em 2013. A diretoria do clube alegou desconhecer Robson e Elio e garantiu que os dois nunca exerceram função ou tiveram qualquer atuação no time.

Já o advogado de Edney, Raphael Vargas Calmon, disse que seu cliente e Elio se conhecem há muito tempo por trabalharem na área portuária. Além de cartola, Edney é agente portuário (despachante), e Elio tem um serviço de táxi direcionado para estrangeiros. Raphael disse que, apesar de o MPF ter incluído na denúncia que Edney está sendo investigado pela PF desde 2013 no caso de um helicóptero que transportou drogas em agosto, ele nunca foi chamado para depor. “Nunca apareceram provas contra ele.” O advogado negou ainda a existência de qualquer relação entre Elio e Edney na Desportiva Ferroviária. Raphael disse também que o presidente eleito do clube de futebol não sabia que tinha droga no contêiner carregado de milho. De acordo com o processo que resultou em sua prisão, Edney disse à PF que recebeu uma ligação de Jincley para ir a um galpão em Vila Velha para resolver uma questão e acabou preso.

Há 22 anos na Desportiva Ferroviária, Edney estava em seu quarto mandato como conselheiro e no segundo como diretor de logística e financeiro. Em agosto de 2017, ele foi eleito presidente do time, também conhecido como Tiva e Locomotiva Grená, para o triênio 2018-2020, mas renunciou em dezembro, depois de sua prisão. Era braço direito do presidente Wilson de Jesus, que estava à frente do clube havia cinco anos. A bandeira de Edney nas eleições do Tiva foi transparência.

Apesar de Edney, Robson e Elio serem empresários de futebol e de o helicóptero apreendido com 445 quilos de cocaína pertencer ao cartola de um dos maiores times do Brasil, e senador da República, e ao filho, ex-deputado federal, a possibilidade de ligação entre futebol, tráfico de drogas e política não foi nem está sendo investigada. “Não tem nenhum indício de qualquer envolvimento de clube de futebol nesse caso”, afirmou o delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Drogas da PF, Leonardo Damasceno, em coletiva realizada um mês depois da apreensão da droga no contêiner, em dezembro do ano passado. “Para nós, essa questão dos Perrellas está encerrada”, havia dito o mesmo Damasceno apenas duas semanas após a apreensão dos 445 quilos de cocaína em 2013.

À Pública, o delegado afirmou que a Operação Dona Bárbara, da PF de São Paulo, excluiu a participação dos políticos a partir “do acompanhando do grupo criminoso, que era feito já há vários meses antes do flagrante de novembro de 2013 no Espírito Santo”. Damasceno afirmou recentemente, no entanto, que o envolvimento do helicóptero dos Perrellas no transporte de cocaína “tumultuou as investigações” e que isso seria o motivo de envolvidos, como Elio, estarem soltos. “Nesse caso de 2013, teve envolvimento com um helicóptero que era de um político e isso tumultuou um pouco aquela investigação e aquele caso. Por conta disso, algumas pessoas ficaram soltas. Mas o fato é que de 2013 para cá, quatro anos depois, conseguimos prender esse indivíduo [Elio Rodrigues] porque ele estava no galpão, na hora da colocação da droga”, explicou em coletiva de imprensa no dia da apreensão.

O advogado do senador Zezé Perrella, Marcelo Turbay, disse, por meio de nota, que o recente caso do presidente eleito da Desportiva Ferroviária e o episódio do helicóptero pertencente à empresa da família do senador Zezé Perrella “são casos absolutamente distintos e, em nenhum deles, há o envolvimento do senador ou de seus familiares”. “O próprio Ministério Público Federal e a Procuradoria-Geral da República pediram o arquivamento da investigação criminal em relação a Zezé e Gustavo Perrella, justamente por considerarem inexistente qualquer participação de ambos no fato”, acrescentou.

2013 x 2017 – Quem são os donos da droga?

A PF ainda não desvendou quem são os verdadeiros donos da cocaína apreendida no flagrante em Vila Velha em 2017 – assim como não identificou o dono da droga encontrada no helicóptero dos Perrellas em 2013. De acordo com os dados obtidos nos autos dos dois processos, há indícios de que o tráfico tenha sido articulado pelo mesmo grupo. Nas duas ocasiões, há pessoas envolvidas com a droga no Paraguai, e a cocaína ia ser enviada para Portugal, pelo porto de Vila Velha. O único dos cinco presos no caso do helicóptero dos Perrellas que admitiu estar envolvido com o tráfico, Robson Ferreira Dias, disse em depoimento à PF, que consta no processo, que ele havia sido contratado, por R$ 20 mil, por um homem que conheceu no Rio de Janeiro chamado “Chácara”. A sua função era levar a cocaína até um posto de gasolina na entrada de Afonso Cláudio (ES). Ele ficou responsável também por buscar o combustível em Divinópolis (MG) para abastecer o helicóptero no Espírito Santo. Robson contou que conheceu “Chácara” pessoalmente em Ponta Porã (MS), mesma cidade de Wagner da Silva Fernandes, preso no episódio recente em Vila Velha. Wagner é apontado no inquérito como “amigo” do financiador da droga, o “Paraguaio”, ainda não identificado. Wagner alegou, no entanto, que não sabia da droga e que teria sido contratado para “tratar sobre uma carga de milho”.

De acordo com denúncia do procurador Carlos Vinícius Soares Cabeleira, o “Paraguaio” esteve em Vila Velha e se encontrou com Edney em um shopping. Como a investigação ainda é recente, não constam na denúncia os detalhes da rota da droga. Já o inquérito de 2013 identificou todo o trajeto do pó, feito com o helicóptero da família Perrella do dia 22 a 24 de novembro – foram identificadas trilhas e pontos nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e no Paraguai –, mas a PF não concluiu quem era o verdadeiro dono da droga.

Edney José da Costa foi preso em flagrante por tráfico internacional de drogas

O piloto da aeronave de Perrella, Rogério Almeida Antunes, disse ter escutado falar que os proprietários seriam “pessoas grandes, pessoas importantes”, embora alegasse não saber especificar quem. Já o piloto Alexandre José de Oliveira, copiloto do voo, afirmou que foi contratado por um homem de nome “Harley”, que conheceu em São Paulo, no aeroporto Campo de Marte. Ele aparece em várias conversas telefônicas entre o grupo transcritas no inquérito policial. Harley seria o gestor do negócio. Foi ele quem coordenou o abastecimento do helicóptero durante o trajeto e passou as informações para “Frajola”, que seria o fornecedor da cocaína. Teria sido Harley, aliás, quem levou o combustível para o abastecimento da aeronave em Divinópolis. Ele saiu de Belo Horizonte, origem do helicóptero dos Perrellas. “Estou em BH. Estou saindo agora”, afirmou em conversa com Alexandre do dia 20 de novembro que consta no mesmo processo.

Durante as investigações também foi levantada a suspeita de a droga ser do dono de uma propriedade em Jarinu, em São Paulo, um dos pontos de pouso do helicóptero. “Outro momento digno de nota é aquele em que Alexandre esclarece a Rogério o itinerário que irão seguir, especificamente se referindo aos pontos de abastecimento, inclusive mencionando a propriedade de Jarinu/SP como sendo o ‘sítio do dono’”, destacou o juiz Marcus Vinícius na sentença proferida em 19 de dezembro de 2017. Os dados do GPS do helicóptero mostraram que o local seria o luxuoso Parque D’Anape Restaurante Hotel e Pesqueiro, um dos pontos de pouso da aeronave. Apesar das suspeitas, não houve investigação sobre o local. Os donos do hotel, por exemplo, não foram procurados pela polícia nem chamados para depor no caso. Os proprietários do empreendimento são Christiane Daud Pereira e Celso Antônio Daud Pereira. Christiane é quem administra o hotel. Filiado ao PRB de Jarinu, Celso possui outra empresa, de criação de bovinos para corte. Segundo relatos de Alexandre e Rogério, a droga foi descarregada em Jarinu no dia 23 de novembro e retirada no dia seguinte. Christiane afirmou que não tem nada a ver com essa história. “Sou uma pessoa idônea.” Seu advogado reforçou a afirmação e apresentou um documento solicitado pela Justiça de São Paulo, a pedido da defesa, em que o delegado Leonardo Damasceno diz que Christiane e Celso não “figuram como indiciados” e que, “após exaustivas investigações complementares realizadas para identificar outros partícipes, não restou comprovado qualquer envolvimento com o fato”.  Ao ser questionado pela Pública sobre o motivo de os donos do hotel não terem sido chamados para prestar esclarecimentos, o delegado Leonardo Damasceno afirmou: “Não podemos informar sobre eventuais investigações em andamento, face ao dispositivo no artigo 20 do CPP [Código Processo Penal]”. Esse artigo diz que a “autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade”.

O helicóptero dos Perrellas parou em várias cidades para abastecer. De acordo com informações do GPS e das anotações que estavam com Alexandre, os pontos de parada da aeronave nas rotas do período entre 22 e 24 de novembro foram, nesta sequência: Belo Horizonte (heliponto), aeroporto Campo de Marte (SP), aeroporto de Avaré (SP), aeroporto de Porecatu (PR), área rural próxima a Pedro Juan Caballero (Paraguai), aeroporto de Porecatu (PR), área rural próxima a Santa Cruz do Rio Claro (SP), aeroporto de Avaré (SP), área rural próxima a Jarinu (SP), aeroporto Campo de Marte (SP), aeroporto de Jundiaí (SP), área rural próxima a Sabarazinho (MG), aeroporto de Divinópolis (MG) e local de apreensão, Afonso Cláudio.

Além desses pontos, as investigações na linha do celular apreendido com Rogério, a partir de informações das antenas de celular móvel (ERBS), indicaram que ele esteve às 15h42 em Cláudio, a 22 quilômetros de distância de Sabarazinho, mas o piloto negou. O município de Cláudio ficou conhecido nacionalmente depois que o jornal Folha de S.Paulo revelou que o governo de Minas construiu um aeroporto dentro de uma fazenda do tio do senador Aécio Neves (PSDB).

Rota do helicóptero para o Paraguai

Rota do helicóptero até ser interceptado

Apesar de o helicóptero dos Perrellas ter sido apreendido no Espírito Santo, a PF de São Paulo sabia da rota do helicóptero e, inclusive, que ele estava parado na capital paulista carregado de cocaína e seguiria para o Espírito Santo. “A Polícia Federal em São Paulo teve conhecimento de que um helicóptero com drogas, objeto da investigação, se encontrava em São Paulo. Foram realizadas diligências, mas não houve êxito em abordá-lo na cidade, por razões operacionais. Então a PF em São Paulo informou à PF no Espírito Santo (destino do helicóptero) para que realizasse a abordagem, o que foi feito”, conforme nota enviada pela PF à Pública. As informações surgiram a partir de interceptações telefônicas de pessoas investigadas na Operação Dona Bárbara, que, desde 2012, apurava a participação de brasileiros no envio de cocaína da Colômbia ao México e Estados Unidos. Durante o inquérito, a PF de São Paulo descobriu que havia uma quadrilha de tráfico de cocaína envolvendo helicópteros nos trechos Brasil-Paraguai. A droga era adquirida no Paraguai e entregue no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

As defesas dos réus questionaram a legalidade das interceptações telefônicas feitas pela PF de São Paulo. Durante sua defesa, o advogado do piloto Rogério, Paulo Henrique da Rocha, chegou a supor que foram interesses políticos que teriam impedido a PF de prender o helicóptero em São Paulo e em Minas Gerais.

Infográfico – O esquema do tráfico

Gustavo Perrella

A primeira sentença sobre a apreensão da cocaína encontrada no helicóptero dos Perrellas, em 2013, só saiu em 19 de dezembro de 2017, treze dias após o flagrante que levou à prisão do presidente eleito da Desportiva, Elio Rodrigues e outras três pessoas, quatro anos depois de o fato ter ocorrido e dois anos depois de concluídos os autos. O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa condenou por tráfico: Alexandre José de Oliveira (copiloto), Rogério Almeida Antunes (piloto), Everaldo Lopes da Souza (estava descarregando a droga do carro), Robson Ferreira Dias (estava descarregando a droga) e Elio Rodrigues (dono do sítio onde a droga pousou). As penas vão de 8 a 10 anos e 4 meses de prisão (veja quem são e o que eles dizem). Além disso, o juiz determinou que o helicóptero usado para transportar a droga, que pertencia à empresa Limeira Agropecuária, cujo dono é o ex-deputado federal Gustavo Perrella, fosse confiscado pela Justiça e repassado à União. O advogado da família, Marcelo Turbay, afirmou, por meio de nota, que a decisão do juiz “trata-se de interpretação jurídica equivocada, já que a empresa da família Perrella foi vítima de apropriação indébita da aeronave”. “A decisão não é definitiva e está sendo questionada nos tribunais, já contando com decisão favorável anterior do Tribunal Regional Federal a respeito”, acrescentou.

O juiz determinou que o helicóptero usado para transportar a droga, que pertencia à empresa Limeira Agropecuária, cujo dono é o ex-deputado federal Gustavo Perrella, fosse confiscado pela Justiça e repassado à União

Em sua decisão (veja na íntegra), Marcus Vinícius alertou sobre a ausência, nos autos do processo, da continuidade da conversa que o piloto teve com Gustavo depois que o deputado liberou o helicóptero para seu funcionário fazer um frete. “Certo é que Rogério parece ter enganado seu patrão, muito embora não tenha vindo aos autos o teor das conversas subsequentes (‘Te mantenho informado’)”, afirmou o juiz. E conclui pela culpa cível da empresa. “Gustavo Perrella sequer se preocupa em saber que produtos seriam transportados, quem era o contratante, se o fretamento tinha sido formalizado por escrito ou qual a origem dos R$ 12.000,00 que lhe seriam destinados. Todas essas questões, triviais numa relação negocial (fretamento de aeronave), se revelam ainda mais importantes quando se leva em consideração que Gustavo Perrella ocupava o cargo de deputado estadual à época”, acrescentou. O juiz ressaltou também que Gustavo levou menos de uma hora para autorizar o frete, sem consultar os demais sócios da empresa. “Não vejo como afastar a culpa cível de Limeira Agropecuária Ltda. na modalidade de culpa por ato próprio de seu sócio Gustavo Perrella, quando autorizou o fretamento da aeronave ao arrepio das normas legais e regulamentares da aviação civil”, concluiu.

Piloto público privado

O pivô do escândalo, o helicóptero da família Perrella, era dirigido por Rogério Almeida Antunes, funcionário da Assembleia Legislativa de Minas, lotado na terceira secretaria da Casa, por indicação do então deputado Gustavo Perrella. Ele foi nomeado no dia 12 de março de 2013 como agente de serviço de gabinete. O primeiro contato de Rogério e Gustavo, no entanto, ocorreu em 2012.

Na época, Rogério era um dos poucos pilotos no Brasil que tinham carteira da marca do avião adquirido pelo parlamentar, modelo Robinson R66, tirada em Los Angeles. Foi um amigo português, que ele tem em comum com o Gustavo, que lhe telefonou dizendo da vaga de emprego. O então deputado combinou com Rogério que este buscasse a aeronave em Goiânia e a levasse para Belo Horizonte. Seria um teste, “sem compromisso”, acordou com o piloto.

Foi quase um ano trabalhando para a família até ser preso com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo. Rogério chegou a morar na casa do senador, em Belo Horizonte, uma mansão na Pampulha, até conseguir alugar um apartamento no bairro Buritis, zona oeste da capital mineira.

Os cantores Latino e Zezé di Camargo e Luciano foram algumas das celebridades que pegaram carona, para fazer shows, no helicóptero do senador até Escarpas do Lago, um balneário localizado no município de Capitólio, interior de Minas, frequentado por pessoas com alto poder aquisitivo, aonde os Perrellas vão com frequência para descansar e para festas.

A Pública apurou que Rogério recebia um salário de R$ 12 mil, sendo R$ 1,7 mil oriundo do cargo que ocupava na Assembleia, como registra o Portal da Transparência. Além do salário do piloto, Gustavo e Zezé Perrella também usaram dinheiro público – uma parte da verba indenizatória do gabinete – para custear o combustível da aeronave. Entre janeiro e outubro de 2013, Gustavo gastou R$ 14.078,31 com querosene para avião. Já seu pai gastou R$ 11 mil, desembolsados do Senado. Em 2012, ano eleitoral, foram R$ 55 mil com abastecimento para Zezé Perrella.

Rogério garantiu, desde o início da apreensão até o fim do processo, que seus ex-patrões não tinham nada a ver com a droga. Segundo ele, foi o piloto de São Paulo, Alexandre José de Oliveira, que o convidou para fazer o frete, mas sem dizer do que se tratava. Rogério conhece Alexandre do aeroporto paulistano Campo de Marte, onde Alexandre tinha uma escola de formação de pilotos. Em seu depoimento, Rogério afirmou que viu que a carga era droga só na hora em que começaram a carregar o helicóptero, na fronteira do Brasil, no Mato Grosso do Sul, com o Paraguai. Para caber tudo na aeronave, tiveram de abrir as caixas. Ele disse que não fugiu por medo, porque havia pessoas armadas.

Tapera, JBS, Aécio

O helicóptero que ele pilotou carregando 445 quilos de cocaína do Paraguai ao Espírito Santo estava em nome da Limeira Agropecuária e Participações, uma das dezenas de empresas administradas pela família Perrella. O senador Zezé Perrella fundou a Limeira Agropecuária em 1999, em sociedade com o irmão Geraldo de Oliveira Costa. Um ano depois, ele se retirou da sociedade da empresa e passou suas cotas para a mulher de Geraldo. Em 2000, Zezé Perrella volta à sociedade da empresa, mas como pessoa jurídica, por meio da Tapera Participações e Empreendimentos Ltda., fundada por ele em 1994.

A Tapera, que hoje está em nome de Gustavo Perrella, foi a destinatária de parte dos R$ 2 milhões entregues pela JBS a Aécio Neves, segundo denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. O ex-assessor do senador Zezé Perrella, Mendherson de Souza Lima, foi preso em flagrante transportando o dinheiro.

A trajetória de sucesso de Zezé Perrella envolve um emaranhado de empresas e uma coincidência de nomes e sócios, alguns deles amigos e funcionários de longa data do senador, além de amigos do Cruzeiro Esporte Clube. Atualmente, no nome de Zezé Perrella está apenas a empresa Pental Participações, de consultoria empresarial, que tem como sócia a JNA Participações, que é do irmão do senador, Alvimar de Oliveira Costa, sua ex-mulher e seu assessor Cléber Martins Ferreira, que também é dono de dois frigoríficos.

De acordo com levantamento feito pela Pública com dados da Receita Federal, há 40 empresas em nome da família  se levar em consideração o senador Zezé Perrella, seus irmãos – Alvimar, Gilmar e Geraldo de Oliveira Costa – e os respectivos filhos. Só os do senador possuem cinco empresas.

Empresa Sócios Ramo
Pental Participações e Empreendimentos Zezé Perrella; Jna Participações Empreendimentos e Agropecuária Ltda; Marilia Aparecida Amaral (ex-mulher de Zezé Perrella); Cleber Martins Ferreira (assessor de Zezé Perrella) Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica
Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários Maria de Oliveira Costa; Gustavo Perrella (filho de Zezé Perrella) Atividades de apoio à pecuária não especificadas anteriormente
Limeira Agropecuária E Participações Ltda. – ME Carolina Perrella Amaral Costa; Igor Eduardo Perrella Amaral Costa; Barbara Cristina Perrella Amaral Costa; Gustavo Perrella (filhos de Zezé Perrella); André Almeida Costa (administrador e sobrinho de Zezé Perrella) Criação de suínos
Zafer Holding Group Ltda. Gustavo Perrella; Igor Eduardo Perrella Amaral Costa (filhos de Zezé Perrella) Holdings de instituições não-financeiras
Vivenza Corretora de Seguros e Previdência Ltda. Igor Eduardo Perrella Amaral Costa (filho de Zezé Perrella); William Gomes de Almeida; Athamai Emery Nascimento Cavalcanti Corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde
Jci Holding Ltda. Igor Eduardo Perrella Amaral; Barbara Cristina Perrella Amaral (filhos de Zezé Perrella) Holdings de instituições não-financeiras
Stillus Alimentacao Ltda Alvimar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Rafael Moreira Barbosa; José Maria Queiroz Fialho (ex-vice-presidente do Cruzeiro) Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para empresas
Andradas Assessoria E Consultoria Empresarial Alvimar de Oliveira Costa Junior; Deborah Maria Vargas Costa Guerra; Isadora Vargas Costa (sobrinhos de Zezé Perrella); Maria de Oliveira Costa Outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente
Total Alimentação S/A Alvimar de Oliveira Costa (diretor e irmão de Zezé Perrella); Rafael Moreira Barbosa (diretor); José Maria Queiroz Fialho (diretor e ex-vice-presidente do Cruzeiro) Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para empresas
Idj Empreendimentos Imobiliários Ltda. Alvimar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Alvimar de Oliveira Costa Junior (sobrinho de Zezé Perrella); Jna Participações Empreendimentos e Agropecuária Ltda. Compra e venda de imóveis próprios
Agropecuária Fazenda da Praia Ltda. Alvimar de Oliveira Costa; José Maria Queiroz Fialho (ex-vice-presidente do Cruzeiro) Criação de bovinos para corte
Mineração E Agroindústria Fazenda Da Praia Ltda. Isadora Vargas Costa; Alan Almeida Costa (sobrinhos de Zezé Perrella) Extração de argila e beneficiamento associado
Linhares Engenharia Ltda. Gleidson Linhares da Silva; Lucas Leonardo Moura Queiroz; Alvimar de Oliveira Costa Junior (sobrinho de Zezé Perrella) Serviços especializados para construção não especificados anteriormente
Dádiva Edificações Ltda. Lucas Leonardo Moura Queiroz; Alvimar de Oliveira Costa Junior (sobrinho de Zezé Perrella) Construção de edifícios
Construtora Donum Ltda. Gleidson Linhares da Silva; Lucas Leonardo Moura Queiroz; Alvimar de Oliveira Costa Junior (sobrinho de Zezé Perrella) Construção de edifícios
Dali Participações Ltda Alvimar de Oliveira Costa Junior; Deborah Maria Vargas Costa Guerra; Isadora Costa Vargas (sobrinhos de Zezé Perrella) Holdings de instituições não-financeiras
Gn Alimentos Ltda Gilmar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Nilson Aparecido de Oliveira Frigorífico – abate de bovinos
Jmg Participações Empreendimentos E Agropecuária Ltda. Gilmar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Judith Melasippo Curvellano de Oliveira Costa (cunhada de Zezé Perrella) Criação de bovinos para corte
Rótula Transportes Ltda. Gilmar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Nilson Aparecido de Oliveira; Gn Alimentos Ltda Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal
Spgn Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda. Pedro Lucas Dolabella Lacerda campos; Gilmar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); Daniel Haddad Giffoni; Jmg Participações Empreendimentos e Agropecuária Ltda.; Gap Empreendimentos e Participações Ltda.; Patners Participações e Empreendimentos Imobiliários; Jaqueline Leite Prado Giffoni Incorporação de empreendimentos imobiliários
Ml Construções Ltda. Matheus Melasippo Curvellano Costa; Leonardo da Silva Ferreira; Gilmar de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella) Construção de edifícios
A. G. Agro Transportes E Comércio Ltda. Geraldo de Oliveira Costa (irmão de Zezé Perrella); André Almeida Costa (sobrinho de Zezé Perrella) Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional
Além de acumular empresas, Perrella acumula inquéritos e processos. Em 2015, a Promotoria estadual entrou com ação por improbidade administrativa contra o senador por enriquecimento ilícito e lesão ao erário de 2007 a 2010, quando era deputado estadual. No mesmo ano, a PF indiciou o senador por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda do jogador Luisão, em 2003. Já em 2016, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público abriu investigação para apurar como o cartola, que exerceu mandato de deputado estadual entre 2007 e 2011, adquiriu a fazenda Guará, em Morada Nova de Minas, produtora de grãos e gado. A propriedade valeria mais de R$ 50 milhões, apesar de Perrella ter declarado à Justiça Eleitoral, patrimônio de R$ 490 mil. No mesmo ano, a Controladoria-Geral do Estado (CGE) encaminhou ao MP o resultado de uma auditoria na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), ambas públicas. O relatório apontou irregularidades em contratos de fornecimento de sementes que teriam provocado um prejuízo de quase R$ 19 milhões aos cofres públicos. Os contratos foram assinados pela Epamig, Emater e pela cooperada Limeira Agropecuária e Participações. Zezé Perrella responde a pelo menos dez processos na Justiça: seis na Justiça Federal em Minas e quatro na Justiça estadual.

Alice Maciel | Infográficos: Bruno Fonseca
No A Pública
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Relembre: Xadrez de Temer, o Rei de Ouro e a Libra


Publicado em 07/06/2016

Cai o rei de paus, cai o rei de copas, cai o rei de espada, falta o rei de ouro.

Com a travessia de mais um rubicão – o pedido de prisão de José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e Eduardo Cunha, os inquéritos contra Aécio Neves – falta apenas o rei de ouro: o interino Michel Temer, e algumas peças acessórias do PSDB. E aí se chega ao rei de ouro.

Não haverá como o interino Temer se livrar, pois, ao contrário de José Serra – que sempre operou através dos fundos de investimento de sua filha – Temer deixou rastros por toda a sua carreira.

O primeiro rastro é o crescimento vertiginoso do seu patrimônio especialmente nos últimos dez anos, de alguém que, no período,  exerceu apenas a carreira política. O segundo, suas ligações com o porto de Santos, especialmente com a Libra Terminais.

Em Santos, quando se menciona a Libra, o bordão é antigo: Libra é Temer.

Os inquéritos arquivados

O caso do agora presidente interino Michel Temer com o grupo Libra e as obras do Porto de Santos data de, pelo menos, 14 anos atrás. Somente em 2016, entrou um novo personagem, estreitamente ligado a Temer: Eduardo Cunha.

Entre esses dois momentos, ao longo de dez anos, houve dois inquérito arquivados.

A primeira investigação ocorreu em 2002, em um processo administrativo preliminar, que apontava a suspeita da participação de Temer em esquema de cobrança de propina de empresas detentoras de contratos no porto de Santos, no Estado de São Paulo. À época, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, determinou o arquivamento por considerar que não havia provas suficientes.

Passados quatro anos, a Polícia Federal encontrou novos indícios e voltou a investigar Temer, então deputado federal pelo PMDB. A PF instaurou um inquérito em 2006, indicando-o como possível beneficiário de pagamento de propinas.

O inquérito levou quatro anos para chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), apenas em fevereiro de 2006. Antes nas mãos da Procuradoria da República em Santos, a então procuradora que comandava o caso, Juliana Mendes Daun, afirmou que "Temer figura efetivamente como investigado nesta apuração". 

Por esse motivo, encaminhou o caso à Suprema Corte no dia 15 de setembro de 2010, em plena campanha eleitoral, já como vice da presidente Dilma Rousseff. O delegado responsável pelas investigações, Cassio Nogueira, queixou-se da demora para o caso ser enviado ao STF, o que teria atrasado toda o processo e impossibilitando o seu aprofundamento.

"Após quatro anos, muito pouco avançou a apuração naquilo que se poderia chamar aprofundamento das investigações, até porque as pessoas citadas na denúncia como envolvidas não foram nem sequer inquiridas", escreveu o delegado à então procuradora responsável.

Em reportagem publicada em abril de 2011, a Folha de S. Paulo também aponta que houve uma "tramitação arrastada" e "manobras dos advogados dos envolvidos".

Mas após, por fim, chegar ao STF, contudo, a equipe de procuradoria era outra - sob o comando do então procurador-geral Roberto Gurgel. Gurgel solicitou o arquivamento da investigação de mais de oito anos por considerar, assim como o seu antecessor, que não havia fatos novos contra Michel Temer e que ele deveria ser excluído do processo.

Com a manifestação de Gurgel, o ministro que detinha a relatoria do caso, Marco Aurélio, determinou a exclusão do nome de Temer do processo, ordenando o seu arquivamento e remetendo os autos referentes a quem não tinha foro privilegiado à Justiça Federal em Santos.

O misterioso MT, beneficiário da propina

 Por outro lado, a investigação feita até então da Polícia Federal reunia indícios de que empresas distribuíram propinas para vencer concorrências para a exploração de áreas do porto de Santos, administrado pela Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A exemplo do que foi revelado com a Operação Lava Jato, no caso dessas obras, a influência política era de Temer e de seu partido, o PMDB.

O presidente da Codesp entre 1995 e 1998, Marcelo de Azeredo, foi indicado pela sigla e, posteriormente, tornou-se o principal investigado do processo. Os dados da investigação tomaram como base planilhas e documentos enviados pela ex-esposa do empresário, Érika Santos, que pediu a dissolução de união estável na Vara da Família em Santos.

As planilhas mostravam que a propina foi entregue a Azeredo, a um terceiro sujeito chamado como "Lima" e a alguém identificado como "MT". Para a PF e os procuradores, MT seria Michel Temer. Nas negociações, o agora presidente interino, Lima e o PMDB teriam recebido indevidamente R$ 1,28 milhão, o equivalente a 7,5% do contrato da Libra para explorar dois terminais do porto. Apenas o interino teria angariado a metade deste valor.

Paralisado em 2011, apenas no início deste ano foi revelado mais um capítulo da influência do PMDB no Porto de Santos. O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atuou para beneficiar a Libra em nova legislação.

Cunha incluiu na Medida Provisória dos Portos uma emenda parlamentar, permitindo que o grupo renovasse contratos de concessão de terminais portuários - sendo que mantinha uma dívida milionária com o governo federal nas obras da Codesp e, por isso, estava impedido de fechar novas contratos. A emenda foi criada por Eduardo Cunha e mantida pelo deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), outro aliado de Temer, em seus últimos dias no comando da Secretaria Especial de Portos (SEP).

Ainda na campanha de 2014, o então vice Michel Temer criou uma Pessoa Jurídica apenas para receber doações eleitorais e repassá-las a candidatos a outros cargos públicos, aliados do PMDB, entre deputados estaduais e federais. A conta PJ de Temer recebeu do grupo Libra R$ 1 milhão de dois sócios da empresa que se beneficiou na compra de 100 mil m² no Porto de Santos há mais de 20 anos.

O fato novo

O fato novo foi a pressão do já vice-presidente Michel Temer sobre o Advogado Geral da União, Luiz Adams, visando preparar um decreto para a criação de uma comissão de arbitragem destinada a analisar as dívidas das operadoras de terminais do Porto.

Adams foi alvo de intensa pressão de Temer. Segundo fontes bem situadas, Temer chegava a fazer ligações telefônicas diárias para ele.

Quando o caso apareceu na operação Castelo de Areias, Adams recuou e, na linha de frente, entrou seu vice.

Quando o tempo melhorou, o decreto da arbitragem voltou à cena e foi assinado por Dilma Rousseff. O primeiro caso foi o da Libra, que recebeu perdão de R$ 1,8 bilhão de dívidas passadas.

Uma análise superficial das propostas de Moreira Franco para os portos certamente indicará medidas de interesse direto da Libra.

Luís Nassif
No GGN
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O herói e o que vai para guerra!


Um adeus ao jornalista e ativista Cidoli

Este é o texto 002018, diria nosso menino de tantas trincheiras. Que ao se acidentar não deixou se abater e continuava sua cruzada jornalística informando a todos (as) sobre tudo que ocorria no pais politicamente. Estamos falando do Cidoli que parte para Portugal em nova jornada em sua eterna militância.

Aparecido Araújo Lima, ou simplesmente, Cidoli que foi por muito tempo profissional da Editora Abril e depois dedicou sua militância no Barão Itararé sai do Brasil como o guerreiro verde, amarelo e vermelho que teve como seu calcanhar de Aquiles uma flecha chamada: golpe. Os alvos dessa flecha ainda se recompõem, outros se reconstroem e muitos ainda lutam e sobrevivem nessa batalha que Homero classificaria como “heróicos brazucas”.

Aretê é uma palavra grega que trata da virtude. Dialoga com o princípio de herói que vai à guerra e pelo simples fato de lutar a guerra se torna virtuoso. A ideia não é vencer a guerra, mas estar nela e lutar de forma mais honrosa possível.

Cidoli é um jornalista do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé com décadas de dedicação a causa do povo e da mídia independente. Hoje ele sai como o herói grego que fez da sua pátria sua missão de luta não foi em vão, pois é sabido que ele vive para ajudar os vulneráveis e ajudou a mídia independente ser respeitada.

Em uma conjuntura tão adversa na qual perdas se sucedem, algumas vitórias são inquestionáveis. Uma delas é que a real herança que se deixará para gerações futuras é que o golpe não venceu, sim não venceu. Ele tomou o poder, bens e ceifou algumas ótimas vidas, mas não arrancou a determinação, a criatividade, a esperança e vontade de um mundo melhor em quem acredita no direito universal humano.

Cidoli lutou sua guerra e sai com a missão cumprida. Outros continuam empunhar suas armas contra esse sistema opressor, inculto, manipulador, escravocrata e higienista. Diferente dessa corja nefasta que tomou o poder esse brazuca que vai para Portugal sai pela porta da frente.

A tempestade pode ter maltratado algum dos bravos militantes, mas há de nascer a primavera com novas flores. E quando ela chegar essa terra que hoje sangra se tornará mais forte e unida com o protagonismo do povo para o povo. Pois números são frios, mas a mão estendida é quente e é o que move esse relógio social. As horas passam e o tempo dos déspotas está contado.

Cido faz lembrar que se vive a era das perdas. Um dia se acorda e descobre que a Caros Amigos acabou. Não se ouviu lamentos, parecia o prenúncio de algo.

Há pouco tempo a chama da esperança da política do povo para o povo leva uma derrota quando assassinam mais uma guerreira que fez da Maré seu campo de batalha.

O raio caiu mais uma vez e assim aniquilou as forças desse guerreiro brasileiro. Viajará a terra de Camões e como o poeta lutara a luta pela escrita. Sabemos que receberemos suas notas afiadas.

Ele é a nossa Reuters da esquerda e sabemos que não nos deixara órfãos. Só irá acalmar o corpo na sua terra mãe.

Nota que fica que uma parte do povo não possa optar pra sair dessa escravocrata nação. Posto isso, só resta pros pretos (as) lutarem aqui juntamente com os favelados e aqueles que aqui ficaram não por opção, mas por obrigação.

Chorou-se pela rosa guerreira da Maré, perdeu-se a primeira revista a esquerda e hoje parte um filho da luta que o corpo já dá sinais de cansaço, mas como as duas primeiras deixa um legado que devemos endurecer, gritar, subverter, exigir, mas sem perder a ternura jamais.

Anderson Moraes
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Parente coloca em risco setores estratégicos


Não se sabe o que Pedro Parente pretende à frente da Petrobras. Todos seus atos são para desmontar e abrir mão de qualquer papel relevante, como estruturadora de investimentos no país. É de uma irresponsabilidade com o país que chama a atenção, ainda mais partindo de quem fez parte de sua carreira no setor público.

A última façanha é o anúncio da hibernação das fábricas de fertilizantes localizadas em Sergipe e na Bahia.

A Abiquim (Associação Brasileira das Indústrias Químicas) refutou de forma veemente essa colocação. “O País, sua agricultura e sua indústria, não podem ficar dependentes 100% de importações de produtos tão estratégicos. Não podemos captar toda e qualquer vulnerabilidade que o mundo tente passar para o País, especialmente no que diz respeito à agricultura. De que adianta termos a agricultura mais competitiva do mundo se não conseguimos construir uma cadeia de fornecedores locais e que agregue valor ao País”.

Abaixo, a Nota da Abiquim:

É com muita tristeza, surpresa e, também, indignação que a notícia veiculada pela Petrobras, de hibernação das fábricas de fertilizantes localizadas em Sergipe (“Fafen–SE”) e na Bahia (“Fafen-BA”), chegou ao conhecimento da ABIQUIM, na manhã de ontem, 20 de março de 2018.

Segundo dados constantes na ABIQUIM, as duas unidades de fertilizantes da Petrobras possuem capacidade de produção conjunta de 36,3 mil toneladas de ácido nítrico, quase 1 milhão de toneladas de amônia e mais de 1,1 milhão de toneladas de ureia, sem contar outros produtos derivados do próprio processo, como dióxido de carbono, sulfato de amônio e ARLA (ureia diluída, utilizada para redução das emissões de NOx nos caminhões que utilizam diesel).

Em entrevista à imprensa aberta, a Petrobras também coloca que o “País já importa 85% da demanda nacional por fertilizantes”, o que nos leva a concluir que não haveria problema de suprir totalmente o mercado com importações. A ABIQUIM refuta veementemente essa posição. O País, sua agricultura e sua indústria, não podem ficar dependentes 100% de importações de produtos tão estratégicos. Não podemos captar toda e qualquer vulnerabilidade que o mundo tente passar para o País, especialmente no que diz respeito à agricultura. De que adianta termos a agricultura mais competitiva do mundo se não conseguimos construir uma cadeia de fornecedores locais e que agregue valor ao País.

Dependência de importações deixa o país vulnerável às flutuações do câmbio e de preços, diz a nota, trazendo também risco de eventual escassez de insumos básicos. Desde sempre, a Abiquim defendia a redução da dependência das importações. O Brasil possui reservas de fósforo e potássio, matérias primas para a produzção de fertilizantes fosfatados e potássicos.

Com a descoberta do pré-sal, além disso, pode ser ampliada a produzção de nitrogenados. Para tanto, seria necessário investimentos em logística e resolução de impasses regylatórios, tecnológicos, tributários e ambientais.

No entanto, a proposta da ABiquim, do Programa Gás para Crescer, não mereceu apoio da Petrobras nem do governo. Aderindo, a Petrobras poderia continuar suprindo o paíos de produtos estratégicos, e também viabilizar o desinvestimento nas unidades de fertilizantes, há que poderia atrair potenciais compradores.

Há riscos concretos com ácido nítrico e amônia, que não são produtos facilmente transacionáveis, exigindo investimentos em infraestrutura tantos nas empresas consumidoras quanto nos portos.

Os últimos dados relativos à amônia disponíveis na ABIQUIM indicam que as importações representaram 19% da demanda interna em 2016 e foram feitas basicamente por empresa fabricante no mercado doméstico, com infraestrutura própria no porto de Santos. No que se refere ao ácido nítrico, as importações foram praticamente nulas, o que traz à tona a questão: A importação não é impossível, mas será que conseguiremos importar esses produtos, sendo que nunca o fizemos? Em que espaço de tempo? Ou será que fecharemos as unidades clientes de amônia e ácido nítrico, passando a importar os elos seguintes da cadeia?

Ainda em relação à amônia, existe alguma estrutura no Porto de Aratu, mas as empresas teriam que respeitar compras de lotes mínimos mensais, que, em alguns casos, significariam o consumo anual da companhia, o que inviabiliza essa opção. Do porto de Aratu até o local das fábricas consumidoras, em Camaçari, o transporte terá de ser feito por dutos e a vazão diária do duto é menor do que o consumo diário do polo (lembrando que a atual fábrica da FAFEN está dentro do polo, o que facilita muito essa logística). Ou seja, o polo deve receber cerca de 15% menos amônia do que a sua necessidade. Se a opção for trazer amônia de São Paulo, localização da fábrica do outro fornecedor, ou mesmo se a importação se der pelo porto de Santos, o transporte por caminhões, além de ser todo especial por razões de segurança, custaria 60% a mais do que o valor atual do produto advindo da Petrobras. Vale acrescentar que a amônia possui normas internacionais de manuseio, armazenagem e transporte muito rígidas, exatamente pela característica de periculosidade que o produto possui.

Além do atendimento à toda a cadeia de fertilizantes, muito importante destacar que o ácido nítrico e a amônia tem ampla utilização em diversas outras cadeias industriais, como produção de nylon, espumas, nitrocelulose, tintas e vernizes, explosivos, catalisadores, pigmentos orgânicos, resinas termofixas, galvanoplastia, mineração, limpeza industrial, ração de aves e suínos (aminoácidos), defensivos agrícolas, alimentício (glutamato monossódico, lisina, gás refrigerante), bebidas, metalurgia, açúcar e álcool, tratamento de água, agente redutor de NOx, couro e outros processos químicos, cujas empresas produtoras correrão sério risco de paralisação de fabricação se não for viabilizado o fornecimento da matéria-prima básica.

Além desses prejuízos, não se pode deixar de mencionar a perda de valor para os Estados da Bahia e de Sergipe com arrecadação de impostos, empregos e redução do tecido industrial dos estados. No caso do emprego, as unidades da Petrobras juntas, empregam diretamente cerca de 700 trabalhadores, que poderão ser realocados para outras unidades da Petrobras.

Mas e como ficarão os empregados indiretos da companhia e das demais empresas da cadeia que dependem de amônia, ureia e ácido nítrico? A estimativa da Abiquim é a de que para cada 100 empregos diretos nesse segmento, mais 4 sejam gerados indiretamente.

Vale lembrar que também se encontra em processo de alienação os ativos do Paraná, cuja produção está sendo mantida, e o Projeto de Três Lagoas (Mato Grosso). Por qual razão a empresa não está adotando o mesmo procedimento com as Unidades da Bahia e de Sergipe? Por que está usando critérios diferentes?

Outro ponto que vem sendo colocado por alguns analistas é o de que essas unidades são obsoletas e que deveriam mesmo ser desativadas. É lamentável um comentário desse tipo, que remete ao exemplo da planta de metanol, da GPC, no Rio de Janeiro. Em diversas ocasiões ouvimos esse tipo de comentário em relação à GPC. Mas a planta, cuja produção foi paralisada no Brasil em 2010 e após ter ficado seis anos desmontada, tenha sido transferida para os Estados Unidos e hoje produz metanol em território americano. O problema não era a obsolescência da planta, mas sim a falta de competitividade do gás.

A China, maior produtor, consumidor e exportador de ureia do mundo, não tem gás natural, utiliza carvão como matéria-prima (um processo reconhecidamente caro). No caso da Petrobras, que é produtora de gás natural associado ao óleo, cujo custo sabemos é mínimo, como a empresa consegue registrar um prejuízo tão elevado? Na Lei do gás, de 2009, a empresa obteve o direito de praticar custo de transferência para as unidades de fertilizantes de sua propriedade. Esse prejuízo está sendo calculado com a suposição de que a Petrobras estaria comprando gás no mercado? Podemos pensar, então, nas seguintes hipóteses: gestão inadequada dos custos, o que com certeza não condiz com a realidade; preço de transferência da matéria-prima intolerável; e previsão de produção insuficiente de Gás Natural, contrariamente ao que o Governo anuncia.

A Petrobras alega também que o cenário indica resultados negativos para os próximos 12 anos. Será que a Petrobras não acredita nas perspectivas positivas em termos de gás do País, com possível autossuficiência em um cenário próximo? Esse ponto é contrário a tudo que o Governo vem anunciando para atrair investimentos na cadeia de óleo e gás.

Entendemos que a Petrobras tem todo o direito de decidir sobre as operações das unidades de negócios que estão sob sua gestão e sua propriedade. Esse direito inclui alienar e até paralisar seus ativos, desde que haja previamente um acordo com clientes e fornecedores, que possuem contratos com a estatal, que incluem penalidades financeiras em caso de não cumprimentos dessas obrigações. Não só isso, a relação entre a Petrobras e esses fornecedores e clientes é muito antiga, tendo sido a estatal sempre um exemplo de fornecedor confiável. Portanto, não é saudável que uma decisão de tamanha envergadura e com consequências tão negativas seja tomada de forma unilateral.

Essa decisão, certamente, não está alinhada com a linha de ação que a empresa tem sistematicamente informado ao mercado de: “respeito aos Contratos” (valendo para os assinados e aqueles que por sistemática configuram uma relação contratual), ”fulldisclosure” de sua postura em relação às melhores práticas de mercado, ética nos negócios e respeito aos “stakeholders”.

A ABIQUIM entende que a Petrobras, por ser Agente dominante, não tem a prerrogativa de tomada de decisões intempestivas e que podem causar enormes danos às empresas clientes, de diversas cadeias industriais, fornecedores e à comunidade de um modo geral.

Por fim, é lamentável que no momento em que a Petrobras anuncia tantas parcerias, inclusive novos investimentos em óleo e gás, esteja virando as suas costas para Parceiros Antigos, como a indústria química, que a ajudaram muito a chegar onde chegou!!!!

Luís Nassif
No GGN
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Temer quer colocar ex-dirigente da Shell na principal instância de poder da Petrobrás


Colocar a raposa dentro do galinheiro. É exatamente isso que o ilegítimo governo Michel Temer pretende fazer na Assembléia Geral da Petrobrás de 26/4/2018 que confirmará as indicações de José Alberto de Paula Torres Lima e de Ana Lúcia Poças Zambelli para o Conselho de Administração da Petrobrás, que é o principal órgão de governança da estatal brasileira.

Durante 27 anos, José Alberto de Paula Torres Lima foi funcionário da Shell, a multinacional petroleira anglo-holandesa que busca se apropriar de nacos da Petrobrás que estão sendo privatizados e desnacionalizados pela atual direção ilegítima da Petrobrás.

O currículo de José Torres Lima divulgado pela Petrobrás traz as seguintes informações:

"Foi membro do Conselho da Houston Grand Opera e da ACC American Chemistry Council. Com uma carreira de 27 anos na Shell, exerceu cargos no Brasil e no exterior. Atuou como Vice-Presidente de NBD e Ventures da Shell Chemicals de 2012 até maio de 2016, Vice-Presidente de GNL, Monetização de Gás e Energia Eólica da Shell Upstream Americas – Houston de 2009 a 2012, Presidente da Shell US Gas & Power de 2002 a 2006, Líder de Projetos de M&A na Shell International Gas – Londres de 2001 e 2002, e Gerente de Finanças e Planejamento Corporativo de 1989 a 1996, quando entrou na Shell Brasil. Atualmente, é membro do Conselho de Administração da Prumo Logística".

A Prumo Logística, na qual José Torres Lima integra o Conselho de Administração, é uma poderosa multinacional que atua nas cadeias de energia, petróleo, gás e minérios. O controle majoritário da Prumo Logística é exercido pela EIG – Global Energy Partners [91,7%], que tem sedes em Seul, Hong Kong, Sydney, Whashington, Houston, Londres e no Rio de Janeiro. A Mubadala, com sede em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, detém 6,9% do controle acionário, e os acionistas minoritários 1,4%.

Além do ex-dirigente da Shell, o governo também indicou Ana Lúcia Poças Zambelli. No currículo dela, constam altos cargos exercidos em importantes multinacionais da área de gás e petróleo:

– foi Vice Presidente senior comercial da Maersk Drilling, companhia cujo "objetivo geral é se tornar um contribuinte significativo e estável para o lucro do Maersk Group, desenvolvendo e expandindo nossos negócios nos segmentos de ultra-águas ultra-profundas e ultra-severas";- foi Presidente na América do Sul da Transocean, que define como sua missão "ser a principal empresa de perfuração offshore fornecendo serviços de construção de poços baseados em plataformas em todo o mundo ... com um foco particular em ambientes tecnicamente exigentes"; e- foi Presidente no Brasil da Schumberger, empresa que se identifica como "fornecedora líder mundial de tecnologia para caracterização, perfuração, produção e processamento de reservatórios para a indústria de petróleo e gás. Fornece a mais abrangente linha de produtos e serviços do setor, desde a exploração até a produção e soluções integradas de poços e tubulações".

A designação de pessoas com vínculos precedentes com as principais concorrentes mundiais da Petrobrás para ocuparem cargo estratégico na estatal, se insere no plano selvagem de dilapidação, privatização e desnacionalização do patrimônio brasileiro.

Nomear na Petrobrás agentes que sempre defenderam interesses de empresas concorrentes da estatal brasileira significaria o mesmo que Kim Jong-un designar Donald Trump para coordenar o programa nuclear da Coreia do Norte – a capitulação definitiva.

Jeferson Miola
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Inédito no Brasil: todos os homens do presidente estão presos ou enrolados na Justiça


Se Michel Temer é o chefe da mais perigosa organização criminosa do Brasil, na definição do criminoso confesso Joesley Batista, quem são os membros da quadrilha?

Aqui, a tropa do Michel, que governa o Brasil desde maio do ano passado. Quem não está em cana está enrolado na Lava Jato.

Eliseu Padilha – é secretário da Casa Civil e tem uma forte ligação com Michel Temer desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Logo depois que a Câmara dos Deputados, então presidida por Michel barrou a instalação da CPI que investigaria a denúncia de compra de votos para a emenda da reeleição, foi nomeado ministro dos Transportes. A nomeação foi o resultado da pressão exercida por Michel Temer sobre Fernando Henrique Cardoso, conforme este narra em seu Diários da Presidência.

STATUS: ENROLADO

Geddel Vieira Lima – era o braço direito de Michel Temer na Câmara dos Deputados, primeiro quando este foi líder da bancada e depois presidente da casa. Num dos episódios narrados por Fernando Henrique, quando houve impasse na nomeação de Padilha para o Ministério dos Transportes, Temer engoliu seco. No mesmo dia, Geddel foi à imprensa e detonou o governo, por causa das denúncias da compra de votos. Resultado: Padilha foi nomeado, Geddel parou de criticar e Temer seguiu com tranquilidade na Presidência da Câmara dos Deputados. “O PMDB chegou ao nível da chantagem”, registou Fernando Henrique.

Nos governos Lula e Dilma, Geddel ocupou ministérios e a diretoria da Caixa Econômica Federal, de onde Joesley Batista e outros empresários conseguiam empréstimos a juros baixos, pagando propina. Nos primeiros meses do governo Temer, chegou a ministro da Secretaria de Governo, mas caiu depois que pressionou o ministro da Cultura a liberar a construção de um prédio em área tombada de Salvador. Segundo o ministro, Marcelo Calero, Temer tentou ajudar Geddel e também o pressionou. Ontem, pelo Twiter, Calero se vingou: “Bangu neles”. Chorou quando foi em cana depois da descoberta de malas de dinheiro em seu apartamento em Salvador.

STATUS: PRESO

Moreira Franco – Ex-governador do Rio de Janeiro,  era um político decadente em 1998, quando perdeu a eleição para o Senado. Mas encontrou refúgio na assessoria especial de Fernando Henrique Cardoso, por indicação de Michel Temer.  Deixou de disputar votos em eleições majoritárias e continuou na área onde sempre se deu bem: bastidores, principalmente no contato com empresários. Foi quem coordenou o Programa Ponte para o Futuro, que deu as diretrizes para os corte dos gastos sociais e as reformas trabalhistas e da Previdência. Genro de um antigo chefe político do Rio, Amaral Peixoto, é sogro de Rodrigo Maia, eleito duas vezes no governo de Michel Temer para presidir a Câmara dos Deputados.

STATUS: ENROLADO

Temer e Yunes nos bons tempos

Eduardo Cunha – Quando Temer se elegeu vice-presidente, na chapa de Dilma Rousseff, assumiu as operações da dupla Temer Geddel na Câmara. Negociava emendas e projetos de lei e ameaçava com requerimentos de informações e CPIs empresários de quem queria arrancar dinheiro. Respondia a Temer, conforme Joesley Batista, mas era dois em um se comparado a Temer/Geddel. Tinha conhecimento legislativo e, ao mesmo tempo, agia com truculência. Todos os coronéis têm subesquemas – Lúcio Funaro, por exemplo, é ligado a Eduardo Cunha –, mas no topo da pirâmide se encontra Michel.

STATUS: PRESO

Capitães

Wagner Rossi – já foi coronel, mas perdeu a patente depois que foi demitido do Ministério da Agricultura, no governo de Dilma Rousseff, onde estava por indicação de Michel Temer. Na gestão de Rossi, a revista Veja publicou reportagem que mostrava a ação de um lobista no interior do Ministério da Agricultura – ele chegou até a distribuir dinheiro vivo a assessores da comissão de licitação (ver tópico Júlio Froes, franco atirador). Foi o responsável por aproximar Temer de Joesley Batista, cliente do Ministério da Agricultura. Por intermédio de Rossi, Michel usou o jatinho de Joesley para férias da família, em janeiro de 2011. Rossi tem um grande trunfo: é pai de Baleia Rossi, deputado federal, líder da bancada do PMDB, posto que pertenceu a Michel Temer 22 anos atrás, no governo Fernando Henrique Cardoso.

STATUS: PRESO

Rodrigo Rocha Loures – chegaria rapidamente a coronel não fosse o flagrante que o mostra correndo com uma mala de dinheiro de propina destinada a Michel Temer. Era assessor de Temer quando este, vice-presidente, assumiu a articulação política no governo Dilma e chegou à Câmara logo depois do golpe. Com poderes plenos, Temer tirou Osmar Serraglio da Câmara e abriu vaga para Rocha Loures, primeiro suplente do Paraná, assumir. Isso mostra que Serraglio, um peba segundo Aécio Neves (chefe de outra organização), não chegou a ministro por méritos próprios. Era o único jeito de ajeitar Loures na Câmara, onde Michel Temer tem poderes de imperador. A cena da mala de dinheiro é inesquecível e ficará para sempre nos anais da bandidagem política nacional.

STATUS: PRESO (domiciliar)

Sandro Mabel – foi deputado federal sob Temer presidente da Câmara. Ex-empresário, tem ligação com industriais e agricultores do centro-oeste. Trabalhava no Palácio do Planalto, em sala próxima de Temer, mas desertou depois que o cerco da Procuradoria da República ao Palácio do Planalto se fechou.

STATUS: ENROLADO

José Yunes – Foi deputado estadual quando Temer era procurador geral do Estado no governo Montoro e depois secretário de Segurança, nos anos 80. Era assessor de Temer quando confessou ter servido de mula para receber 4 milhões de reais de propina da Odebrecht . Segundo ele, a encomenda era para Eliseu Padilha, um coronel da tropa. Ele teria sido apenas o transportador. Yunes tem outras ligações com Temer. Estão no nome de Temer alguns imóveis incorporados pela empresa da família de Yunes. Yunes é também primo do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer, hoje empenhado em evitar a prisão do presidente.

STATUS: PRESO

Tenentes

Gustavo do Vale Rocha – subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria da Casa Civil (Eliseu Padilha). Cresceu no conceito da organização quando elaborou o parecer que fundamentou a decisão de Michel Temer, então interino, de tirar da presidente Dilma Rousseff o direito de usar aviões da FAB. No caso do edifício de Salvador objeto de interesse de Geddel, também agiu para tentar convencer o ministro da Cultura a ceder ao pleito.

STATUS: NA BOA POR ENQUANTO
Marcelo Caetano – Secretaria da Previdência Social no Ministério da Fazenda, é quem dá a cara para explicar a reforma que destroça a previdência pública. Antes de aparecer com sua cabeça iluminada para explicar até onde queria baixar o facão, reuniu-se com empresários de fundos de previdência privada.
STATUS: ENROLADO
Sargento
Mílton Ortolan – era o secretário executivo do Ministério da Agricultura quando estourou o escândalo do lobista Júlio Froes. Foi o primeiro a cair, mas não foi desamparado. Joesley Batista conta que, a pedido de Temer, passou a pagar-lhe 20 mil reais por mês. O ministro Wagner Rossi caiu em seguida, mas também não ficou ao léu. Joesley, atendendo a Michel Temer, lhe garantia um mensalão de 100 mil reais. Nenhum deles disse de quem partiu a ordem para manter no Ministério da Agricultura um homem da mala (outro, não Loures, ver tópico Júlio Fores). Ortolan voltou para sua cidade de origem, Americana, onde tinha sido secretário municipal e hoje dirige uma entidade espírita.

STATUS: PRESO

Franco-atiradores

José Baptista Lima Filho, o Coronel Lima – era coronel da Polícia Militar quando Temer assumiu a Secretaria de Segurança Pública pela segunda vez, no governo Fleury.  Desde então, segundo investigação da Polícia Federal, se tornou operador de Temer. Ricardo Saud, diretor da JBS, diz que ele também foi mula, mas do próprio presidente. A empresa lhe entregou 1 milhão de reais em propina que deveria ser encaminhada ao próprio Temer. Está em nome de Lima uma fazenda em Duartina, interior do Estado, para onde Temer costuma ir com frequência. Em uma ocupação depois do golpe, militantes do MST encontraram na fazenda documentos destinados a Temer. Na empresa onde o coronel Lima dá expediente, a Polícia Federal encontrou documentos relacionados à reforma da casa de parentes de Temer e também a offshores – empresas de paraíso fiscal.

STATUS: PRESO

Coronel João Batista Lima Filho 
Jefferson Coppola – 31.mai.2017

Arlon Vianna – é chefe de gabinete do escritório regional da Presidência da República em São Paulo e biombo de Michel Temer no Estado. Todos os pedidos dirigidos a Temer que guardem relação com São Paulo passam por ele. Arlon é tesoureiro do PMDB no Estado e suas ações podem ser interpretadas como as intenções de Temer. Por exemplo, Temer autorizou a candidatura de Marta Suplicy a prefeita de São Paulo, em 2016, depois que ela deixou o PT. Mas Temer trabalhou mesmo foi por João Doria, do PSDB. A evidência é que Arlon, longa manus de Temer, colocou seu pessoal para trabalhar por Doria e divulgou notas pela rede social que detonavam Marta, em plena campanha. Para os peemedebistas, era a senha: Temer está com Doria. Agora se sabe que Arlon fazia mais do que operar politicamente para Temer. Ele cuidou da reforma da casa da sogra de Temer.

STATUS: NA BOA POR ENQUANTO

Júlio César Froes Fialho – Lobista, sem cargo no serviço público, despachava no interior do Ministério da Agricultura, na gestão de Wagner Rossi, em 2011. É um mistério sua presença lá. Wagner Rossi, o ministro, é de Ribeirão Preto, Mílton Ortolan, seu secretário executivo, de Americana, e Júlio morava em Sorocaba, onde Michel Temer tinha uma forte base eleitoral. Mas Rossi e Ortolan assumiram a culpa. Segundo testemunhas, Júlio Froes chegou a distribuir dinheiro vivo a assessores que atendiam seus pleitos, especialmente na comissão de licitação.  Ao ser entrevistado, agrediu o repórter da revista Veja com socos que quebraram um dente. Mais tarde, se descobriu que Júlio Froes já tinha cumprido pena de três anos de cadeia por tráfico de drogas. Júlio também não foi desamparado. Alguns meses depois, o prefeito de Votorantim, cidade vizinha de Sorocaba, nomeou a mulher de Júlio para um cargo de assessoria. Antes de ser flagrado, Júlio também promovia cursos em câmara municipais do interior de São Paulo para ensinar “boas práticas” legislativas.

STATUS: ENROLADO

Edgar ou Edgard – Na gravação que o diretor da JBS Ricardo Saud fez de suas conversas com Rodrigo Rocha Loures, aparece o nome de Edgar ou Edgard, que poderia ser outra mula de Michel Temer, já que o coronel Lima já estaria muito visado.

No círculo próximo de Michel, existe o Edgard Silveira Bueno Filho, que foi assessor de Michel Temer, quando este era chefe da procuradoria do Estado, no governo Montoro.

Quando Michel foi para a Secretaria de Segurança Pública, Edgard o acompanhou e ali permaneceu até ser nomeado por José Sarney para uma vaga de desembargador no Tribunal Regional Federal em São Paulo, que estava sendo criado. Servia a dois Temer. Michel, na Procuradoria e na Secretaria de Segurança, e Feud, irmão mais velho de Michel, advogado, de quem Edgard foi formalmente sócio. O escritório tinha como sócio o tio de Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, o criminalista que defende Temer.

Depois de se aposentar do Tribunal, Edgard foi advogado de Roberto Elias Cury num processo em que este representa os interesses de uma família proprietária de um imóvel desapropriado pela União para abrigar o Tribunal Regional Federal, o mesmo em que Edgard havia sido desembargador.

Cury cobrava da União 210 milhões pela desapropriação em 2001, dez vezes mais o valor de mercado. Cury, o cliente de Edgard, ex-assessor de Michel, era nada menos que o maior credor de indenizações do poder público, não só da União.

Por uma área na Serra do Mar, ele cobrou 1,2 bilhão de reais, por se apresentar como proprietária de terrenos desapropriados para implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, criado no governo Montoro, no qual Temer foi chefe da Procuradoria do Estado e tinha como braço direito Edgard Silveira Bueno Filho.

A Procuradoria é que dá a palavra final nos processos de desapropriação. Quando o escândalo do prédio do Tribunal veio à tona, o jornalista Frederico Vasconcellos lembrou da ligação de Edgard com Michel Temer. Diz Frederico, no meio de uma matéria, para apontar o elo político de Edgard:

— Bueno (Edgard) já dividiu escritório de advocacia com o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP).

Seria este o Edgard indicado por Rodrigo Rocha Loures para sucedê-lo na tarefa de carregar as malas de dinheiro de Temer?

Esta é uma boa pista para a Polícia Federal seguir, se dela sobrar algum delegado independente depois que se colocou em curso o plano de Aécio Neves (líder da outra organização) para abafar a Lava Jato.

STATUS: DESAPARECIDO

Joaquim de Carvalho
No DCM
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