28 de mar de 2018

Estudante negro é esfaqueado por colega adepto do ‘nazi-fascismo’ em SP

Discussão sobre racismo termina com esfaqueamento em escola de São Paulo. Aluno adepto do nazi-fascismo partiu para cima de um colega de classe negro


Alunos da Escola Estadual Profa. Zuleika de Barros M. Ferreira, na Vila Pompeia, em São Paulo, protestaram nesta terça (27) pela manhã contra o que chamam de descaso da direção da escola e da polícia diante da presença ameaçadora de um aluno adepto do nazismo.

Segundo o pai de uma aluna, que pediu para não ser identificado, um rapaz chamado Otávio Cavalcanti, de 19 anos, matriculado no terceiro ano do ensino médio, atacou com estilete dois colegas, que sofreram ferimentos no pulso e no ombro.

O caso, que ocorreu na manhã desta segunda (26), foi motivado por uma discussão sobre racismo. “A confusão começou porque um amigo de classe desse Otávio, que é negro, foi contestar as ideias neonazistas dele”, conta o pai. “Aí o cara se enfezou e esfaqueou ele no braço, e feriu outro que veio apartar.” O aluno atacado no braço, de 17 anos, foi socorrido no pronto-socorro da Barra Funda.

O pai conta que a coordenação chamou a polícia, mas que, ao invés de ajudar, os policiais acabaram agredindo os três garotos.

“A escola não atende ligação da gente, já está sabendo desse assunto há algum tempo e não tomou nenhuma providência. Foram os pais do garoto que o transferiram, pois a escola não o expulsou”, protestou a fonte. “A polícia se negou a aparecer por lá no começo da manhã, e prometeu mandar passar a ronda.”

Em nota à imprensa, via Secretaria de Educação, o corpo docente e gestor da instituição de ensino declarou que, diante do ocorrido, começará a realizar ações de convívio para os alunos com o apoio do Grêmio Estudantil. “Uma comissão de oito alunos vai apresentar as reivindicações dos mesmos para a equipe pedagógica. Será realizada uma reunião com os pais e responsáveis que também farão parte das atividades que pretendem envolver toda a comunidade.”

Uma nota de esclarecimento pública afirma: “A direção procurou tomar as medidas disciplinares e pedagógicas possíveis, não apenas no caso do aluno envolvido nesta ocorrência, como também em outras ocasiões, na confiança de que o diálogo e a conscientização sejam as principais ferramentas para combater o racismo, bem como outras manifestações de intolerância que delas se derivam. Infelizmente, tais medidas não surtiram os efeitos esperados, e a situação saiu de controle, refletindo na agressão física vivenciada nesta manhã. Trata-se de uma situação inesperada, que toda pessoa sensata reconhece que não deveria ocorrer em qualquer situação, muito menos dentro do espaço escolar.”

Os alunos da escola relataram que Otávio já foi visto desenhando símbolos nazistas em lousas, fazendo pixações nos muros e apologia à Ku Klux Klan. No Facebook, apuramos que ele seguia as páginas Palmeiras Anti-antifa, Rock Against Comunism, Orgulho de ser Branco e Grêmio FBPA – Anti Antifa. Até a publicação desta matéria, porém, Otávio editou o seu perfil e deixou de segui-las.

No entanto, um porta-voz do coletivo ABC Antifascista – ABC 16, que monitora e organiza mobilizações contra o racismo, informou que, até a publicação desta pauta, Otávio continuava amigo no Facebook de membros da Kombat Rac.

O jovem agressor e o rapaz ferido no braço foram levados ao 23º Distrito Policial, em Perdizes, prestaram depoimento e já foram liberados. A polícia apreendeu a arma em posse do agressor e informou que os envolvidos passaram por exame de corpo de delito. O caso foi registrado como lesão corporal.





Eduardo Ribeiro
No Desacato
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Nota Oficial da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados


A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara conclama as autoridades do governo federal a investigar o atentado ocorrido no estado do Paraná contra o ex-presidente Lula e membros da caravana da democracia que percorre estados do Sul.

Trata-se de um crime político, cabendo, portanto, a federalização de sua apuração. Compete ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, enviar a Polícia Federal para investigar os tiros disparados na noite de terça (27) contra ônibus da caravana.

Diante da gravidade dos fatos, a Bancada do PT tomará uma série de medidas, entre elas, ações junto à Procuradoria-Geral da República para denunciar a tentativa de assassinato do ex-presidente Lula e de membros da caravana.

Gravações de áudio, fotografias e vários depoimentos de pessoas agredidas durante a caravana vão balizar as ações judiciais e comprovam que estamos enfrentando a ação de milícias organizadas, uma verdadeira ameaça à democracia, ao direito de ir e vir e à liberdade de manifestação de opinião.

A omissão das autoridades na apuração ou o estímulo à violência por parte de agentes de Estado que deviam zelar pela convivência democrática, como alguns parlamentares da base do governo Michel Temer, só servem como combustível para atiradores e defensores da barbárie que em vez de debaterem as divergência democraticamente preferem tentar resolvê-las à base de revólveres, tacapes e chicotes. O Brasil do século 21 não aceita esse tipo de comportamento.

O Partido dos Trabalhadores nasceu das lutas sociais e populares e da resistência e combate à ditadura militar. Desde sua fundação, o caminho escolhido foi a construção da democracia. O partido condena a organização de milícias paramilitares voltadas a interditar o debate político por meio da violência e da eliminação dos adversários.

Quando o diálogo e o debate são substituídos pelo som dos tiros e isso é tratado com normalidade, estamos enterrando a democracia e aceitando a barbárie.

O Partido dos Trabalhadores e suas lideranças não vão se amedrontar. As forças democráticas não podem hesitar, temos de defender a democracia, o Brasil e seu povo. Chamamos as lideranças políticas à razão. Os democratas não podem se resignar, a hora é de indignação, de restabelecer o Estado democrático de direito e de condenar a barbárie. E isso que o país espera de nós.

Brasília, 28 de março de 2018

Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara dos Deputados
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Rossoni, Chefe da Casa Civil do tucano Beto Richa é denunciado pela PGR por peculato


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#AOVIVO #LulaPeloSul | Ato de encerramento da Caravana | Curitiba (PR)

 Transmissão encerrada 


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Fachin pode estar atuando como agente provocador


Em agosto de 2008, Veja praticou um dos maiores casos de fake news da história do jornalismo, com o caso do falso grampo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Assinada pelos jornalistas Diego Escosteguy e Policarpo Junior, a reportagem se inseria na ofensiva para travar a Operação Satiagraha. Dizia que

a espionagem clandestina, uma praga histórica no país, está deixando de ser uma atividade de bandidos para transformar-se em rotina institucional. Nos últimos anos o Brasil vem demonstrando uma excessiva tolerância diante das violações à liberdade e à privacidade das pessoas em nome do combate à corrupção". 

Mais tarde, Policarpo seria diretamente envolvido em uma série de grampos em parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, tendo como araponga Jairo Martins – que, na época do falso grampo no Supremo, era consultor de informática do então presidente do STF Gilmar Mendes. E Escosteguy se transformaria em um dos jornalistas que atuaram na linha auxiliar da Lava Jato, defendendo a tese de que o combate à corrupção justifica as violações à liberdade e à privacidade das pessoas.

Visto à distância, Satiagraha representou o ensaio, de fato, do modelo policialesco que, anos depois, tomaria conta do país.

Lembro o episódio para relatar a maneira como se criaram factoides para levar a opinião pública à ebulição e parar com a Operação.

A revista levantou uma série de episódios pelo Google e manipulou amplamente as conclusões. Atribuiu a Sepúlveda Pertence a frase que teria se aposentado do Supremo devido a grampos – o que ele negou peremptoriamente no mesmo sábado em que saiu a edição. E colocou o Ministro Marco Aurélio de Mello na galeria dos Ministros atacados por e-mails ameaçadores.

Em cima desse pout-pourri de denúncias fabricadas, Gilmar berrava aos quatro cantos contra o estado policialesco. E, com isso, conseguiu o que quis de Lula.

Ante um governo ingênuo e despreparado, o factoide deu certo, resultando no fim da Satiagraha, na saída do delegado Paulo Lacerda da ABIN (Agência Brasileira de Informações) e, por tabela, no desmonte total da disciplina da Polícia Federal que, dali em diante, se transformaria na maior fonte de desestabilização do regime. E, desta vez, com liberdade total.

Na ocasião, Marco Aurélio poderia aparecer como herói sem medo. Em vez disso, deu entrevista desmentindo a suposta gravidade da ameaça. Tratava-se de um caso banal de um funcionário público desequilibrado que enviou o e-mail e foi logo identificado, constatando-se que era mera bazófia.

Digo isso para mostrar como funciona a estratégia de criar, para fins políticos, um clima de boatos espalhando pânico. Aliás, a história está repleta desses exemplos.

Ao divulgar supostas ameaças recebidas por ele e sua família, o Ministro Luiz Edson Fachin avança um lance a mais na ampliação do Estado de Exceção. Quem está mais sujeito a ameaças? Ministros como Marco Aurélio, que se colocam contra a maré, ou Fachin, que faz o que a maioria vociferante quer?

No entanto, Marco Aurélio divulgou a informação sobre os mais de 2 mil telefonemas que recebeu, dos e-mails enviados e em nenhum momento se colocou como vítima. É bem provável que, entre os e-mails, houvesse uma ou outra ameaça de desequilibrado. Mas Marco Aurélio sabe da responsabilidade de um Ministro do Supremo, e evitou colocar lenha na fogueira.

Depois de derrotado na última votação do Supremo, Fachin se apresenta como o herói sem mácula e sem medo. Divulga as ameaças e garganteia: não tem medo de ameaças contra ele, mas apenas contra sua família.

Que tipo de ameaças, não se sabe. Pode ser algum desequilibrado de esquerda, pode ser uma armação de um MBL – que esta semana mesmo foi denunciado por armar operações para se vitimizar -, pode ser um e-mail isolado.

Em um momento em que a caravana de Lula recebe ameaças concretas, na forma de quatro balaços, que advogados críticos da Lava Jato têm suas residências invadidas, as declarações de Fachin permitem supor que o antigo advogado de movimentos de trabalhadores rurais, se prepara para a próxima etapa de sua vida política. Depois de vestir a capa do implacável, de recusar HC ao mesmo tipo de liderança rural que ele defendia antes, em ações que pavimentaram sua nomeação para o Supremo, presta-se agora ao papel de álibi para a ampliação do arbítrio.

É possível, sim, que tenha recebido ameaças isoladas. A jogada consistiu em dar divulgação e superdimensiona-las e montar o alarido. Em qualquer das hipóteses, Fachin está atuando como agente provocador.

Luís Nassif
No GGN
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Identificados os autores intelectuais do atentado dos jagunços da Lava Jato contra Lula


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Entre Vistas - Jessé Souza


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Pressão de Moro sobre Weber “deu ruim”, indica procurador


O furioso artigo do “guru” da Lava Jato, o autotritaríssmino procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, na Folha de S. Paulo é um sinal de que as pressões sobre a ministra Rosa Weber passaram do ponto e estão produzindo efeito contrário.

Afinal, chamar a sessão do STF de  “encenação”, atacar diretamente os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio e dizer de Rosa Weber que “se onde menos se espera é que não sai coisa alguma” é não apenas insolente por parte de um procurador como, também, sinal de que as coisas podem sair pior do que esperavam os que gostariam de prender Lula não apenas agora, mas desde sempre.

Ele e, sobretudo, Sérgio Moro, quando partem para a pressão pessoal – como fez o juiz ao colocar pressão diretamente sobre Rosa Weber, sabem que isso não funcionaria, senão ao contrário, provocando irritação.

Resta saber o que, no seu ocaso, a trupe da Lava Jato ainda fará nos seus estertores.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O “self” servidor público


“- A Constituição? Ah, a Constituição Federal eu precisei estudar para passar no concurso!” Respondeu com um sorriso debochado o rapagão, quando perguntado se sabia que a Constituição Federal incorporou os chamados direitos humanos, com a denominação de direitos fundamentais. Na intimidade o rapagão concursado, servidor público, já havia dito num churrasco na casa do tio, com a palavra molhada e o coração aberto, que ninguém que é branco e tem dinheiro precisa de direitos humanos.

Bisneto de imigrantes, que “chegaram aqui sem nada e tiveram que matar índio pra plantar”, o servidor público, sinceramente, não acredita nessa balela toda de Constituição, Estado de Direito ou mesmo Estado. Na sua filosofia, herdada dos ascendentes europeus, o importante é confiar unicamente em si, aproveitar as oportunidades e não fazer o mal. Detesta política e noticiários, acredita no esporte, que salva pelo mérito individual.

À noite, nosso personagem, que assistia a uma série, escutou uma discussão no apartamento dos vizinhos. Aumentou o volume, foi buscar um refri, passou no banheiro e pode ouvir com nitidez: “- Seu assassino!” Fechou a basculante e voltou para o quarto. Dentro da sua bolha incorruptível o servidor goza dos benefícios de seu esforço e, quando desconfia de que sua tranquilidade está ameaçada, capricha em um novo modelo de fechadura.

Na sua ilha de trabalho, pela manhã, onde sempre se informa com os colegas sobre um benefício que saiu ou a progressão que estava trancada, onde compartilha memórias e desejos de viagens, ficou indignado ao saber que no instagram do sindicato foi publicada uma foto da vereadora Marielle com dizeres de pesar. “- Esse pessoal do sindicato fica defendendo bandido, não publica uma nota quando morre um policial e deixa de lado a defesa dos nossos interesses”,  falou sem levantar a cabeça, passando o dedo no celular.

Fim do expediente, já no estacionamento, piscando para recobrar os olhos das seis horas de luz fluorescente, o rapagão servidor se vê no reflexo do seu carro encerado e ri da resposta matadora que deu para a colega garantista, quando confrontado com o texto da Constituição: “A Constituição? Ah, a Constituição Federal eu precisei estudar para passar no concurso!” Não resistindo ao próprio triunfo, saca o celular do bolso e sorri para o seu selfie.

Désceo Machado é repórter em Florianópolis.
No Desacato
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Paulo Bornhausen: “Obrigado, Moro!”


Esta figura que sorri na foto é Paulo Bornhausen, irmão de Jorge Bornhausen, do coronelato que manda em Santa Catarina desde que o mundo é mundo.

Posou assim para se manifestar contra a caravana de Lula. Nos anos de 1990, ele se encrencou no escândalo Banestado, onde Moro era um juiz fofinho e os suspeitos das oligarquias não foram punidos.

Sua participação seria por meio do Banco Araucária. Nominalmente, o Araucária pertencia à família Dalcanale. Ocorre que Ivete Dalcanale, mulher de Paulo Bornhausen, era tia dos controladores do banco.

Investigações do BC, do Congresso e do MPF indicaram que o Araucária teria enviado irregularmente ao exterior R$5,5 bilhões entre 1995 e 2000, no reinado de FHC.

O Araucária foi acusado de corrupção, fraude com títulos públicos, operações ilegais no mercado de dólares e licitações dirigidas. Como disse um amigo: “Ele deve ido agradecer ao Moro por não ter sido preso”.

Airton Centeno
No Limpinho & Cheiroso
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Nota da Associação de Juristas pela Democracia


ABJD DENUNCIA CRIMES DE ÓDIO CONTRA AS CARAVANAS DA CIDADANIA

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia - ABJD - na defesa dos Direitos Humanos e do Estado Democrático de Direito, vem a público externar grave preocupação com a escalada da violência ligada ao cometimento de “crimes de ódio” durante a passagem da chamada Caravana da Cidadania pelos estados do Sul do país, contra manifestantes e especialmente contra o próprio ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

A ABJD recebeu denúncias que comprovam ações movidas pelo ódio declarado de indivíduos e grupos e que incluem, desde a incitação à violência a atos concretos de insultos, abusos verbais, violência física contra cidadãos e militantes e, na tarde de 27 de março, o gravíssimo episódio de tiros disparados contra o cortejo, atingindo os ônibus que transportavam os participantes.

Recordamos que os “crimes de ódio” não estão albergados pelo direito à liberdade de expressão, já que reproduzem preconceito e discriminação intencional contra vítimas que pertencem a certo grupo, tendo como causas principais a discriminação em relação a raça, religião, orientação sexual, deficiência física ou mental, etnia, nacionalidade, idade, identidade sexual ou questões de gênero e também, como parece ser o caso dos recentes ataques, o posicionamento político e social dos manifestantes que apoiam o pré-candidato, configurando perseguição política.

A Constituição Federal, no artigo 5º, XLI aduz: “a lei punirá quaisquer discriminações atentatórias a direitos e liberdades fundamentais”, condutas que se tornam ainda mais graves quando praticadas por agentes públicos no exercício da função. O posicionamento encontra respaldo no direito internacional, tanto no âmbito das Nações Unidas quanto do sistema interamericano.

Constrange e assusta conhecer as palavras de autoridades públicas exortando práticas de violência e estimulando o cometimento de atos fascistas motivados pelo ódio. Os fatos dramáticos, em especial a recente tentativa de homicídio, ocorrem sob o silêncio complacente da mídia, dos governos federal e dos estados por onde a Caravana passa.

Também são responsáveis pela escalada da violência as autoridades públicas de segurança, que devem zelar para que o direito de manifestação e a liberdade de locomoção e reunião dos participantes da caravana sejam assegurados.

Diante da crise institucional, política e econômica da qual padece o Brasil, a legalidade que regulamenta os laços entre as pessoas deve ser especialmente garantida para que se evite o esgarçamento social e cultural a ponto de barbárie, o que nos recorda a importância de denunciar e cobrar responsabilidade daqueles que desejam impor um regime excepcional de discriminação e intolerância à sociedade brasileira.
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Doria revê estratégia após comparar saída de prefeitura com 'divórcio'

Após fala elevar críticas e reduzir engajamento nas redes sociais, equipe do tucano reconhece nos bastidores que declaração foi um erro

Doria deixará a prefeitura em 7 de abril para concorrer ao governo de São Paulo
O prefeito de São Paulo João Doria Jr. (PSDB) monitora intensamente as redes sociais desde domingo 18, quando venceu as prévias e confirmou-se como candidato ao governo do estado. Ele esperava que a formalização de sua saída da prefeitura irritaria parte de seu eleitorado de 2016. À época, o prefeito argumentava não ser um político profissional e garantia que cumpriria o mandato.

O tucano estava preparado para reagir. Mas o prefeito não ensaiou previamente com sua equipe de redes sociais a melhor maneira de comunicar a mudança e, assim, minimizar o impacto negativo, conforme apurou CartaCapital.

O erro ficou evidente quando o prefeito comparou a saída do comando da maior cidade do País como um “divórcio” amigável. “Quantos maridos, quantas esposas também, fazem suas promessas de casamento e juras de eternidade no casamento numa cerimônia religiosa, com testemunhas, com juramento, com juras de amor e, às vezes, se separam e nem por isso se odeiam e nem por isso passam a ser odiados e nem contestados”, afirmou Doria nesta terça-feira 20, durante entrevista à TV Bandeirantes.

O vídeo do prefeito fazendo essa analogia se espalhou como rastilho de pólvora nas redes sociais. Doria se arrependeu da comparação depois que apoiadores dele engrossaram o coro de críticas à sua saída do cargo em 7 de abril, prazo limite para viabilizar a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

A avaliação da equipe do prefeito foi que ele errou. O chamado “engajamento orgânico” de apoiadores que costumam sair em defesa do prefeito nas redes caiu, sendo que parte deles o criticam por deixar a prefeitura.

Mas o fato de a maior parte dos usuários orgânicos não terem partido para o ataque, optando apenas pelo silêncio, é olhado agora como um flanco aberto para reconquistá-los.

Para isso, Doria ensaia um novo discurso: vai reconhecer que as pessoas têm direito de ficar desapontadas com ele, mas que o momento político exigia que deixasse a prefeitura para evitar que o estado caísse nas mãos da esquerda.

O argumento já era ensaiado, mas o prefeito se atropelou com a justificativa do divórcio. Isso alimentou os opositores e constrangeu os apoiadores do prefeito. Ele deve, nos próximos dias, alimentar esses apoiadores remando contra o que sua equipe classifica como “espuma das redes sociais". Isto é, vai focar em neutralizar o fluxo de mensagens negativas vindas de opositores.

'Extrema esquerda'

Doria quer aproveitar os últimos dias como prefeito para bombardear a redes de olho nesse apoiador chateado com sua saída, mas que não guarda raiva dele. Para isso, enviará mensagens de que o vice Bruno Covas dará continuidade ao plano de governo elaborado por sua equipe.

Será a forma do agora pré-candidato ao governo de São Paulo dizer que não abandona a capital. Mas tucanos dizem que a relação de Doria e Covas está estremecida desde que o prefeito 'demitiu' o vice da Secretaria das Prefeituras Regionais no ano passado.

O vice também estaria disposto a rever o programa de privatizações criado por Doria. Covas já teria manifestado a alguns tucanos uma opinião contrária à concessão do Estádio do Pacaembu e do Autódromo de Interlagos para iniciativa privada.

A estratégia ser acompanhada com a subida de tom contra o vice-governador Márcio França (PSB), que costura o apoio de partidos como o PCdoB para concorrer ao Bandeirantes.

Doria vai bater na tecla de que o PCdoB defende a “ditadura” na Venezuela, como forma de rotular França como extrema-esquerda.

O vice do presidenciável Geraldo Alckmin assume o governo paulista em duas semanas e, apesar da acusação de Doria, negocia aliança com partidos de direita. Já teria acertado apoio do Solidariedade, PR, PROS, PSC, PV e mantém conversa com o PRB, legenda ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Nivaldo Souza
No CartaCapital
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Xadrez da imprevisibilidade total

Peça 1 – os fatores que antecederam a crise

  1. A mudança social na estrutura do Judiciário, Ministério Público e alta burocracia pública, mudando a vocação, de servidores públicos para membros de classes elevadas.
  2. Do mesmo modo, a ascensão social de excluídos, que passam a se identificar com as classes de maior renda e a considerar que sua ascensão se deveu  à seu próprio mérito – o que também não deixa de ser verdade.
  3. A degradação progressiva da política, sem que fosse enfrentada por nenhum dos partidos hegemônicos, PSDB e PT.
  4. A estratificação desses partidos, impedindo a renovação e o acolhimento dos novos atores políticos que surgem com as redes sociais, movimentos sociais e com as organizações não-governamentais.
  5. O protagonismo político por parte do Judiciário e do MPF, inicialmente com o surgimento dos juízes vingadores e, depois, com a AP 470, do mensalão. E, agora, com o atrevimento de Ministros como Luis Roberto Barroso, pretendendo transformar o Supremo em criador de leis.
  6. O televisionamento das sessões do STF, acabando com o pudor de Ministros pelos holofotes e tornando os mais fracos alvos fáceis da lisonja ou da ameaça dos meios de comunicação, reduzindo a vocação contra hegemônica da casa.
  7. A estratégia do combate à corrupção como instrumento da geopolítica norte-americana e a adesão do Brasil aos acordos da OCDE para crimes financeiros, sem uma avaliação consistente sobre o interesse nacional.
  8. O protagonismo político da velha mídia, visível desde o impeachment do Fernando Collor e acentuando-se a partir do mensalão, com o discurso diuturno do ódio, praticado especialmente após 2005.
  9. Em cima desse cadinho, a desorganização final do mercado de informações com as redes sociais e com a explosão dos fakenews (leia a propósito os artigos: O desafio de garantir a credibilidade das notícias sem manipulação, por Luis Nassif e Os fake news como estratégia de censura aos blogs oposicionistas, por Luis Nassif).

Peça 2 – os fatores atuais

Hoje em dia, quem disser que sabe o que vai acontecer, mente. Poucas vezes, na história do país, houve cenário tão imprevisível.

De concreto, os seguintes fatores estimuladores do caos:

Discurso de ódio Cria quadro imprevisível, onde tudo pode ocorrer, inclusive a naturalização de atentados e mortes.
Desmonte institucional Não há figuras referenciais no Executivo, Legislativo, Judiciário, partidos políticos, sociedade e mídia. Como resultado, o baixo clero assume o protagonismo em todos os poderes, com exceção das Forças Armadas.
Falência dos partidos Bons ou maus, os partidos contribuíam para institucionalizar as disputas políticas, especialmente nos grotões. Abre-se caminho, agora, para outras formas de organização, especialmente o crime organizado.
Crime organizado Já ocupa extensões consideráveis do território nacional, especialmente na periferia das regiões metropolitanas. Tem fechado acordos com governos estaduais.
Indefinição política Nem centro-esquerda, nem centro-direita conseguem se entender sobre candidaturas e alianças. A cada dia de indecisão, mas se fortalece o fator Bolsonaro
Fakenews A desmoralização do jornalismo e das notícias, permitindo a disseminação de notícias inverídicas e de ceticismo em relação às notícias verdadeiras.

Nesse quadro, há a possibilidade de vários tipos de detonadores – de eventos capazes de explodir o paiol. Ontem, no Twitter, por exemplo, o jornalista Ricardo Noblat estimulava o público a atacar Ministros do Supremo nos aeroportos; a senadora Ana Amélia incentivava ruralistas gaúchos a agredir a caravana de Lula.

Em suma, é o quadro ideal para o aparecimento de táticas oportunistas e irresponsáveis.

Some-se a indefinição eleitoral.

Embora, no caso Marielle, muitos vissem oportunismo da Globo, permitindo aos seus jornalistas o exercício da indignação visando tirar a bandeira da esquerda, tenho para mim que foi também uma postura de cautela, ante a iminência da eclosão de movimentos terroristas, em cima do ódio plantado na última década.

As denúncias contra o MBL e outras organizações de direita também caminham nesse sentido. Mas são movimentos difusos, medrosos. Falta à mídia inteligência estratégica e coragem editorial para investir contra o monstro que ela ajudou a nascer e a se multiplicar.

A maneira como a Globonews e o Estadão – hoje em dia, os arautos mais estridentes do estado de exceção – investiram contra os Ministros do Supremo, é sintomático da perda de referenciais desse pessoal.

Ainda não se deram conta – assim como a esquerda – que o adversário, hoje em dia, não é Lula, o PSDB ou o PT, mas a iminência do país ser transformado em um enorme México, com a violência saindo das periferias e tornando-se instrumento de luta política.

A informação de que o grande operador do PSDB em São Paulo, Paulo Preto, negociava com lideranças do PCC, não deve espantar. A cada dia que passa, mais se institucionaliza o poder do PCC, visto como mal menor, em contraposição aos pequenos grupos de traficantes.

Lula poderia ter sido o grande agente de conciliação nacional, o avalista de um pacto unindo centro-direita e centro-esquerda. Mas o país permitiu que se jogasse fora o ativo Lula.

Hoje em dia, não há um interlocutor de fôlego, para falar pela esquerda ou pela direita. Ambos, centro direita e centro-esquerda, estão igualmente fragmentados.

Peça 3 – o caos no mercado da informação

Some-se a isso tudo a emergência dos fake news, do uso de robôs e outras formas de tecnologia para manipular a opinião público. O quadro traçado por Charile Wazel, no Buzz Feed, é assustador.

Trata-se não apenas de simular novas realidades, manipulando imagens, voz e declarações, mas também do descrédito do mercado de notícias, com o ceticismo que recai sobre todas as notícias. E isso em um país, como o Brasil, onde há tempos a velha mídia deixou de lado qualquer veleidade de respeito aos fatos. O bordão “antes de espalhar a notícia, confira se saiu em algum órgão de mídia” será de baixa validade no país, devido ao histórico de manipulações da última década.

Hoje em dia, não há instituições sancionadoras das notícias, quando até Ministros da mais alta corte, manipulam informações em proveito de suas posições políticas – como foi o caso do Ministro Luís Roberto Barroso, valendo-se de estatísticas não confiáveis sobre decisões do STJ para reforçar seu argumento contra as apelações em terceira instância.

Há um sentimento crescente no ar, de pessoas vendo o carro caminhar em direção ao barranco Bolsonaro. A iminência do desastre poderá despertar algum sentimento de sobrevivência.

Em suma, há uma contagem regressiva para o desastre. Será um período de grandes turbulências, com uma pequena probabilidade de despertar a racionalidade dos agentes políticos.

Luís Nassif
No GGN
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O atentado contra Lula e a ameaça ao Fachin


A caravana do ex-presidente Lula sofreu um atentado a tiros na “República do Paraná”, o território dos principais propagadores do ódio e da violência no Brasil, quando se deslocava entre as cidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul.

Apesar de felizmente não ter produzido vítimas, o atentado é de extrema gravidade, não só por ser dirigido contra um ex-presidente da República, contra populares e parlamentares, mas por confirmar a escalada do terrorismo de setores da classe dominante.

Na página oficial na internet, Lula diz que o Paraná, governado pelo tucano Beto Richa, “foi o único estado da federação de todos os percorridos pela caravana, a não fornecer uma escolta policial para a comitiva dos ônibus”.

O atentado contra Lula é a violência mais grave perpetrada contra a caravana. O atentado aconteceu apenas 2 semanas depois daquele atentado fatal que matou Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Antes deste atentado a tiros no Paraná, a caravana do Lula tinha sofrido toda sorte de barbaridades no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. E isso aconteceu, lamentavelmente, sempre com a complacência dos executivos, das polícias militares e civis e dos ministérios públicos estaduais; assim como com a conivência do ministério público e da polícia federal.

Os noticiários da Rede Globo banalizam o fascismo. A Globo chama de “manifestantes” os terroristas que desferem tiros, usam relhos, armas e pedras contra a caravana do Lula. Para a Globo, a violência contra Lula – inclusive a armada – é “protesto”.

Autoridades também incitam a violência. A senadora Ana Amélia Lemos, do reacionário PP, aplaudiu e estimulou a violência de jagunços criminosos. Seus colegas no Senado, todavia, não a julgam por promover crimes que atentam contra a ordem política e social do país.

Nesta terça-feira 27/3, mesmo dia em que ocorreu o atentado contra Lula, a Globo tentou “equilibrar” o noticiário com a repercussão da entrevista de Edson Fachin à Globo News. Nela, o juiz do stf citou ameaças supostamente dirigidas à sua família.

É impossível não atentar para a eventual existência de interesse subliminar da notícia. Afinal, de onde poderiam partir as supostas ameaças a Fachin e à sua família, senão – supostamente – “de petistas contrariados com a posição de Fachin contra Lula”?

Na entrevista à Globo News, Fachin não citou um único fato, um único telefonema anônimo, um único episódio ou um único evento concreto de alguma ameaça sofrida por algum familiar seu. Ainda assim, porém, é importante dar crédito à denúncia do Fachin, e é imperativo prover a ele toda a segurança que deve ser conferida a um agente de Estado – desde a um inspetor de vigilância sanitária, a um juiz do stf e a um ex-presidente da República.

Causa estranheza que a notícia de ameaças à família do Fachin surja no exato momento em que é perpetrado o mais grave atentado a um ex-presidente do Brasil desde aquele atentado automobilístico perpetrado contra Juscelino Kubistchek na rodovia Dutra, em 1976.

O fascismo deita raízes no Brasil.

O nazismo e o fascismo começaram se manifestar na Alemanha e na Itália com Hitler e Mussolini nos anos 1920 e 1930. Estes regimes não foram decapitados na origem e, assim, se tornaram as experiências mais genocidas e mais anti-civilizacionais e mais monstruosas da humanidade.

Se nada for feito no Brasil para deter a perigosa ascensão da tirania midiático-jurídico Globo-Lava Jato, o país mergulhará em definitivo no arbítrio e no obscurantismo fascista.

Jeferson Miola



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Lula após o atentado


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