25 de mar de 2018

Luiz Moreira: 'decisão do STF na quinta-feira praticamente antecipa o mérito'

Na opinião do jurista, Cármen Lúcia, "está muito aquém das expectativas de uma juíza de um tribunal constitucional", pois, em sua posição, não pode se colocar pelo punitivismo e contra a Constituição

"Acho os livros de Barroso muito fracos.
Coerentes com a trajetória dele,
 que é de advogado da Globo"
Na opinião do jurista Luiz Moreira, o julgamento do mérito de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado pelo Supremo Tribunal Federal para o dia 4, não deve trazer surpresas em relação ao que os ministros decidiram na quinta-feira (22). Por 6 votos a 5, o Plenário concedeu liminar para impedir que Lula seja preso após posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre recurso apresentado pela defesa. O TRF-4 deve julgar os embargos declaratórios na segunda-feira (26).

Para Moreira, “a decisão na quinta-feira praticamente antecipa o mérito”. Ele minimiza as dúvidas que envolvem o voto de Rosa Weber ou uma possível ausência de Gilmar Mendes, que participa de um seminário em Lisboa, para onde viaja neste sábado (24), embora ache importante a presença do ministro.

“Não creio que haja mais margem para mudança de opinião”, afirma o jurista. Ele reconhece, porém, que Rosa Weber está sendo “patrulhada pela Globo”. “Só que nas duas vezes em que ela se manifestou, uma foi pelo julgamento do HC do Lula pelo Supremo, e depois o voto dela confere liberdade e impede a prisão de Lula.”

Entre os 11 ministros, cinco votos são hoje considerados certos no sentido de garantir o habeas corpus preventivo: Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Marco Aurélio. Se Gilmar não estiver no julgamento,  o voto de Rosa será decisivo. Se votar a favor do HC, haveria empate em 5 a 5, que beneficia Lula. Mas, mesmo com a presença do ministro, a posição de Rosa será igualmente fundamental, pois, nesse caso, será o desempate, para qualquer um dos lados.

No entanto, Gilmar Mendes afirmou a O Globo, nesta sexta (24), que pode voltar antes do previsto para participar da sessão. “Não está fácil, mas estou avaliando a possibilidade de retornar no dia 3 à noite, para estar presente ao julgamento”, disse. 

Para Luiz Moreira, a briga protagonizada por Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso na quarta-feira revelou o que acontecia no interior do STF. “Aquela fala do Gilmar é a expressão do debate que houve nos bastidores, da recusa do grupo liderado pela Cármen Lúcia – mais Barroso, Fachin e Fux – de oferecer resposta jurídica a um pedido de um cidadão que entrou com um habeas corpus no tribunal.”

Devido a esse clima de embate claro entre dois grupos, na avaliação de Moreira, é importante que Gilmar Mendes esteja na sessão do dia 4. “Ainda espero que ele mude sua agenda de Lisboa e compareça a um dos julgamentos mais importantes do tribunal.”

Como avalia a sessão do Supremo e quais suas expectativas para o julgamento do dia 4?

Ontem (22), no Supremo, prevaleceu a liberdade sobre o punitivismo. O habeas corpus é um instituto que se desenvolveu para que, inclusive, o arbítrio judicial sofresse uma restrição e foi isso que prevaleceu na quinta-feira. Tivemos cenas lamentáveis na quarta-feira, em que o ministro Gilmar Mendes levantara a voz contra manobras, no Supremo Tribunal Federal, que impediam que um simples habeas corpus fosse julgado.

O Supremo então marca para quinta-feira finalmente a deliberação sobre o pedido de alguém que recorre ao tribunal para restringir o arbítrio e garantir seu direito fundamental à liberdade. A decisão na quinta-feira praticamente antecipa o mérito.

Como Gilmar pode não estar no plenário dia 4, teoricamente estaria empatado, mas, se não houver surpresas, tudo ainda depende do voto de Rosa Weber. É isso?

É importante a participação do ministro Gilmar Mendes, para restabelecer no dia 4 de abril, ele como um dos protagonistas dessa causa, o primado da Constituição no tribunal, em confronto com a Lava Jato. Naquela briga de quarta-feira, aquela fala do Gilmar é a expressão do debate que houve nos bastidores, da recusa do grupo liderado pela Cármen Lúcia – mais Roberto Barroso, Fachin e Fux – de oferecer resposta jurídica a um pedido de um cidadão que entrou com um habeas corpus no tribunal.  O Supremo Tribunal Federal não pode se negar a prestar jurisdição.

Por isso aquelas palavras tão desequilibradas do Barroso. O Gilmar estava fazendo cobranças, não estava xingando ninguém. Quem deu o chilique foi Barroso. Eles não queriam pautar, porque sabiam que perderiam.

Não creio que haja mais margem para mudança de opinião. O julgamento da preliminar levantada por Edson Fachin levava à impossibilidade de decisão ontem, indicava que não haveria decisão do Supremo na tarde-noite de ontem.

A ministra Rosa Weber não demonstrou certa hesitação na sua explanação, na votação da liminar que impede a prisão de Lula?

Ela está sendo patrulhada, pela Globo etc. Só que nas duas vezes em que se manifestou ontem, uma foi pelo julgamento do HC do Lula pelo Supremo, e depois o voto dela confere liberdade e impede a prisão de Lula. Se ela quisesse, já teria se posicionado contrariamente à liberdade do ex-presidente Lula ontem mesmo. O que se resolveu  permanecerá no dia 4 de abril. Quando os ministros deliberaram para que não houvesse prisão do ex-presidente Lula, eles praticamente antecipam seus votos e suas opiniões, inclusive Rosa Weber, então não acredito em mudança dela. E a ausência do ministro Gilmar Mendes, não dou como certa.

Ele tem um evento acadêmico em Lisboa, mas a gravidade e repercussão da decisão do dia 4 de abril corrobora o que ele vem decidindo contra a Lava Jato, que é o não cumprimento de pena até o trânsito em julgado. Ainda espero que ele mude sua agenda de Lisboa e compareça a um dos julgamentos mais importantes do tribunal, não por ser Lula, e isso é indiferente para o tribunal, pelo menos deveria ser, mas porque restabelece o primado da liberdade sobre o arbítrio, e o ministro Gilmar foi um dos que mais defendeu esse primado das garantias constitucionais. Eu entendo como possível que ele remarque sua agenda em Lisboa para estar presente no julgamento.

Sendo um seminário, ele não teria como remarcar...

Mas ele pode enviar alguém, mandar um vídeo dele. É muito importante para o sistema jurídico brasileiro essa decisão do dia 4. Esse pessoal tem querido ditar uma onda punitivista no Brasil e Gilmar foi uma das vozes que se levantou contra isso. É importante a presença dele para marcar o retorno do Supremo Tribunal Federal às premissas da Constituição.

Senão a tendência é empatar, o que beneficia Lula...

Empatado, o Lula leva, mas é um empate.  

A postura do ministro Luís Roberto Barroso nessa matéria e em outras não é até certo ponto surpreendente, ponderando que alguns o consideram um grande constitucionalista?

Eu nunca achei. Acho os livros dele muito fracos. Coerentes com a trajetória dele, que é de advogado da Globo, das grandes corporações. Ele era festejado porque é rico. Frequentava os grandes salões.

E Alexandre de Moraes, que votou pelo conhecimento do HC, mas ao votar a liminar manteve a posição e foi contra?

Alexandre de Moraes é egresso do Ministério Público de São Paulo. Então ele tem guardado essa posição, que é a posição de ‘prende e arrebenta’. Não tem novidade.

Por fim, como avalia a ministra Cármen Lúcia, presidenta do tribunal, com sua postura renitente contra a matéria?

Ela está muito aquém das expectativas de uma juíza de um tribunal constitucional. Ou seja, um presidente de um tribunal constitucional não pode se posicionar pelo punitivismo, contra a Constituição e as liberdades. A razão de ser de um tribunal constitucional é a tutela da ordem constitucional brasileira, que é garantista. Se uma ministra do Supremo Tribunal Federal se posiciona contrariamente a isso, ela nega o propósito do tribunal constitucional.

Eduardo Maretti
No RBA
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Fagner, Arminio Fraga e Bia Doria: a Lei Rouanet é para todos

Ex-inimigos figadais do incentivo cultural usam sem cerimônia os recursos públicos da legislação

O cantor Fagner agora recorre à lei que antes criticava
A biografia do cantor cearense Raimundo Fagner, Quem Me Levará Sou Eu, título também de uma de suas mais conhecidas canções, terá 400 páginas, será escrita pela jornalista Regina Echeverria e ainda não tem previsão de lançamento. É financiada pela Lei Rouanet: Fagner pediu 650 mil reais para fazer o livro e teve aprovados 406 mil, dos quais conseguiu captar 259 mil. A produção executiva do projeto é do próprio Fagner (com Tereza Tavares). O incentivo, até agora, veio do café Três Corações.

O curioso sobre o parágrafo acima não é a notícia em si nem os planos de sua execução. O bizarro é o uso de recursos públicos do incentivo cultural por Fagner. Em 2013, ele bradava: “Quem me segura é o povo, nunca achei que devesse recorrer à lei de incentivo. Lei é para quem não tem grande vínculo com a massa, para artista que está começando. Eu tenho vínculo com a massa. No dia que isso acabar, que o povo não me quiser mais, tô fora”. (“Fagner faz a festa de 40 anos de carreira no palco”, entrevista a Silvio Essinger, O Globo, 31 de agosto de 2013.)

Mudou Fagner ou mudou a lei de incentivo? Aparentemente, nem um nem outro. O que está mudando é a posição de alguns antigos detratores sobre a Lei Rouanet ‒ mesmo os mais abonados, os privatistas históricos e outros adeptos da retirada total do Estado da gestão da coisa pública.

O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., está em vias de privatizar cinco parques municipais (incluindo o Ibirapuera), praças e planetários, além dos mercados municipais da capital paulista. Mas a ideia de conceder à iniciativa privada a primazia das gestões dos recursos públicos não encontra eco em sua própria casa. Quase toda a divulgação recente do trabalho da mulher do prefeito, a socialite e escultora Bia Doria, é escorada em dinheiro do incentivo cultural.

Em meados do ano passado, o projeto de uma mostra de Bia na Basílica San Paolo Fuori le Mura, em Roma, captou 800 mil reais pela Lei Rouanet (pedira 1,2 milhão de reais). O projeto, apresentado por Maria do Carmo de Lorenzo Messina Santos, prevê a impressão de 2 mil catálogos em italiano, português, inglês, espanhol e francês.

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Bia Doria: 'O projeto é de outro'
Foto: Jales Valquer/Fotoarena

Bia faz uso costumeiro de recursos públicos para editar livros sobre sua personalidade (como os volumes Raízes do Brasil, Bia Doria, Flor da Terra e Preto no Branco). “Lei Rouanet é uma mentira. Fui a artista escolhida, é projeto de outra pessoa. Uma agência captadora de recursos é que fez o projeto”, ela diz, defensivamente. Raízes do Brasil captou 300 mil reais por meio da Lei Rouanet e teve como proponente a empresa Pit Cult Produção, com sede no Jardim Paulistano, em São Paulo. O projeto foi apoiado por um único patrocinador, a companhia fabricante de cigarros Souza Cruz, um contrassenso em relação à presumida proposta ambiental da socialite.

O economista Armínio Fraga, que declarou em julho do ano passado que privatizaria todas as estatais do País, sem exceção (“não é nada ideológico”, afirmou, em entrevista publicada pelo site InfoMoney), não sempre é tão alérgico assim ao dinheiro público. Por meio da Lei Rouanet, Fraga investiu 306 mil reais em um projeto de exposição de um primo, o arquiteto e artista plástico Mario Fraga.

O projeto do artista, In Vitro Rio, a ser montado em uma plataforma de metrô, foi apresentado ao mecenato da Lei Rouanet por Elaine Cristina Possamai Mazzaro, e tem valor total de 1,5 milhão de reais (foi aprovada a captação de R$ 1,3 milhão). Arminio investiu 153 mil reais através de sua empresa Gávea Investimentos, a título de patrocínio, e doou 153 mil reais como pessoa física (modalidade que tem abatimento de 80% no Imposto de Renda).

No ano passado, a Fundação Fernando Henrique Cardoso pediu, e conseguiu, a aprovação para captar 2,5 milhões de reais para um projeto insólito: a atualização tecnológica de uma exposição até 2020. Detalhe: a mostra, denominada Um Plano Real, existe há oito anos e faz o elogio da ação econômica do governo que Fernando Henrique encabeçou. O projeto captou 500 mil reais, dados pela corretora BTG Pactual (o dono do banco BTG Pactual, André Esteves, foi preso no ano passado em uma ação da Operação Lava Jato, sob acusação de manipulação do mercado e fraude).

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O privatista Fraga vale-se da lei para contemplar um parente
Foto: Bel Pedrosa

No passado, FHC se utilizara de cerca de 12 milhões de reais da Lei Rouanet para digitalizar seu acervo e de seus correligionários de partido Paulo Renato Souza (1945-2011) e Sérgio Motta (1940-1998), além da mulher, Ruth Cardoso (1930-2008).

Inimigos declarados das legislações de incentivo à cultura, como o cantor Roger Rocha Moreira, não parecem mais tão insensíveis aos seus benefícios. Recentemente, a empresa Mamute Filmes conseguiu nova autorização para captar (não pela Lei Rouanet, mas pela Agência Nacional de Cinema, a Ancine) 1 milhão de reais para a realização de um filme sobre a banda Ultraje a Rigor (encabeçada por Moreira), que se arrasta há cinco anos. O projeto não seria realizado sem a anuência do cantor.

A Lei nº 8.313, de 1991, utiliza-se de recursos públicos oriundos de renúncia fiscal do Tesouro Nacional. Celebrizada como Lei Rouanet, consiste no principal mecanismo de fomento à cultura vigente no Brasil até o presente. Nenhum dos projetos citados acima é ilegal. São todos regulares e podem ter suas prestações de contas acompanhadas de forma transparente na internet. Ter um projeto aprovado pela Lei Rouanet não é garantia de execução desse projeto: o proponente ainda tem de buscar patrocinadores no mercado.

Nos anos em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff presidiram o Brasil, a Lei Rouanet foi objeto de um sinistro movimento de criminalização. Artistas que se manifestaram politicamente em prol das ações sociais daquelas gestões foram atacados violentamente (inclusive por muitos dos que hoje recorrem à lei) sob uma acusação odiosa: eles estariam fazendo a defesa daqueles governos porque seriam “sustentados pela Lei Rouanet”. José de Abreu, Letícia Sabatella, Wagner Moura, Chico Buarque, Caetano Veloso: todos foram atacados. Na verdade, os maiores beneficiários da Lei Rouanet são grandes empresas e produtoras.

As acusações levaram à criação, oportunista, de uma CPI da Lei Rouanet, que terminou em abril do ano passado. Foi presidida pelo deputado demista Alberto Fraga, parlamentar que se notabilizou nos últimos dias por ter reproduzido fake news acerca da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro no dia 14 de março. Inócua, a CPI terminou sugerindo que o Ministério da Cultura seguisse “aperfeiçoando a regulamentação da Lei Rouanet” e elogiando uma normatização realizada na gestão de Roberto Freire. Detalhe: essa normatização foi inteiramente revista poucos meses depois pelo seu sucessor, Sérgio Sá Leitão.

Parte da demonização da Lei Rouanet é fruto de ignorância, má-fé ou distorção. Em 2016, a Controladoria Geral da União elaborou uma matriz de risco que, divulgada de forma sensacionalista, informava que havia cerca de 87% de erros ou irregularidades nos projetos da Rouanet entre 1992 a 2015. Em verdade uma falácia: esses 87% de “erros ou irregularidades” eram apenas aspectos dos projetos que estavam fora do conjunto de normas da lei. Às vezes, só uma redação errada.

Jotabê Medeiros
No CartaCapital
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Criminosos atacam vidro de ônibus que leva Lula; policiais de SC riem

Veículo que leva ex-presidente, em São Miguel do Oeste, é atingido por grupos que ficam à beira da estrada "monitorada" pela Polícia Militar. As mesmas pessoas têm se deslocado para seguir e atacar a caravana


Um grupo de pessoas tem seguido a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o Rio Grande do Sul. A organização da caravana monitorou trocas de mensagens em redes sociais e hospedagens. Identificou que os atentados têm sido praticados de maneira orquestrada, sob os olhos dos aparatos de segurança. Na tarde deste domingo (25), próximo a São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, o parabrisa do ônibus em viaja Lula foi atacado por pedras, paus e ovos. O vidro frontal foi atingido bem na altura do motorista, que teve habilidade para evitar uma tragédia.

Segundo relato do deputado federal Paulo Pimenta, a polícia nada faz. "A polícia assistiu. Poderia ter ocorrido uma tragédia. Pedras. Ovos. Pau. Polícia ria. E olhava. Gravíssimo. Criminoso o que está acontecendo", disse o parlamentar. Os integrantes da caravana estão todos bem. Mas desde os primeiros dias da caravana, em Bagé, ainda no Rio Grande do Sul, muitos trabalhadores, mulheres e idosos vêm sendo alvo de ataques e agressões.  

O vandalismo em São Miguel do Oeste ocorre um dia depois de muitas pessoas terem sido feridas em Chapecó ao acompanhar ato público. Lula terminou o ato escoltado pela multidão para chegar ao hotel. 

Na quinta-feira, quatro mulheres chegaram a ser atacadas com violência antes da chegada da comitiva a Cruz Alta. O PT no Rio Grande do Sul emitiu nota classificando como “bandidos e covardes” os responsáveis por esses ataques.

Personalidades políticas da região que poderiam interferir de alguma forma para que o direito de ir e vir dos integrantes da caravana fosse respeitado conseguem piorar a situação. Ontem, em discurso na convenção do PP, que indicou Luiz Carlos Heinzi para candidato a governador do Rio Grande do Sul, a senadora Ana Amélia parabenizou os criminosos. "Vocês precisam saber da maldade que são capazes de fazer com seus adversários. Por isso que hoje quero cumprimentar Bagé, Santa Maria, Passo Fundo, Santana do Livramento, que botou a correr aquele povo que foi lá levando um condenado. Atirar ovo, levantar o relho, é para mostrar onde estamos nós, onde estão os gaúchos", disse a senadora.

A ex-ministra Ideli Salvati, também ex-senadora petista de Santa Catarina, expressou indignação pela ausência de atitudes das autoridades. "A pedra que fez um rombo no parabrisa poderia ter causado um desastre. E a polícia estava assistindo e rindo. Rindo. Muitas pessoas testemunharam isso. Eles ao largo deixando os criminosos cometerem esses atos bárbaros", protestou Ideli. "Pessoas já deveriam ter sido presas desde o primeiro movimento que fizeram lá no Rio Grande do Sul. E o mais grave é que há fortes indícios de que boa parte dos que estão aqui em Santa Catarina fazendo esses atos bárbaros são pessoas que já vieram lá do Rio Grande do Sul."

O PT voltou a acionar o comando a PM do estado para exigir providências contra o comportamento de "conivência" dos policiais com os atos criminosos. Ideli afirmou que essas forças políticas prosperarem eleitoralmente o Brasil corre o risco de ter instalado um ambiente semelhante ao da Alemanha nazista de Hittler.

"O comportamento daqueles seguidores de Hitler, que não admitiam a convivência com pessoas que pensavam ou tinham origem diferente é o mesmo tipo de comportamento que está se vendo aqui. Perda do direito de ir e vir, prisão arbitrária, sem base legal, eliminação", observou. "Se não houver providências das forças democráticas, o país pode caminhar para uma situação com a da Alemanha de Hitler.

agressões
Acima, Paulo Frateschi, um dos organizadores da caravana, atingido por pedra, em Chapecó, teve um pedaço de orelha arrancado. Abaixo, o professor da rede pública do município Abel Karazek. E a notícia de que a senadora Ana Amélia (PP-RS) parabenizou os criminosos durante evento da legenda no fim de semana





Cláudia Motta
No RBA
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O mecanismo de José Padilha para assassinar reputações


Cineasta propaga “fake news" na série de TV lançada pela Netflix. Dilma desmascara as mentiras

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão. Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país.

A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula.

A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas.

O cineasta trata o escândalo do Banestado, cujo doleiro-delator era Alberto Yousseff, numa linha de tempo alternativa. Ora, se a série é “baseada em fatos reais”, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram. O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC.

Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar.

Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo. A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha.

A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade. Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo.

Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula.

Reparem. Na vida real, Lula jamais deu tais declarações. O senador Romero Jucá, líder do golpe, afirmou isso numa conversa com o delator  Sérgio Machado, que o gravou e a quem esclarecia sobre o caráter estratégico do meu impeachment.

Na ocasião, Jucá e Machado debatiam como paralisar as investigações da Lava Jato contra membros do PMDB e do governo Temer, o que seria obtido pela chegada dos golpistas ao poder, a partir do meu afastamento da Presidência da República, em 2016.

Outra mentira é a declaração do personagem baseado em Youssef de que, em 2003, o então ministro da Justiça era seu advogado. Uma farsa. A pasta era ocupada naquela época por Márcio Thomas Bastos. Padilha faz o ataque à honra do criminalista à sorrelfa. O advogado sequer está vivo hoje para se defender.

O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional. Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual. É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.

É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954.

O cineasta faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública. Declara basear-se em fatos reais e com isso tenta dissimular o que está fazendo, ao inventar passagens e distorcer os fatos reais da história para emoldurar a realidade à sua maneira e ao seu bel prazer.

Reitero meu respeito à liberdade de expressão e à manifestação artística. Há quem queira fazer ficção e tem todo o direito de fazê-lo. Mas é forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em “fake news” inventadas.

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Com decisões desonestas, “O Mecanismo” mais atrapalha que ajuda na compreensão do atual cenário brasileiro

Ele. Um cinesta canalha ou um canalha cineasta?



Na entrevista coletiva de divulgação da série que ocorreu no Rio de Janeiro, José Padilha fez duas afirmações curiosas. A primeira é a de que o mundo se divide entre marxismo e liberalismo, uma visão de mundo tão simplista e maniqueísta que nem parece pertencer ao sujeito que trouxe um universo tão cinza em “Tropa de Elite”. A segunda é sobre a visão de Padilha quanto ao principal problema do Brasil: na opinião do cineasta, todas as mazelas da nação, dos problemas estruturais aos sociais, provêm de um “mecanismo”, uma lógica de corrupção que se retroalimenta sistemicamente. É, claro, esse mecanismo que dá nome à série da Netflix: “O Mecanismo”.

Essas duas questões apontadas por Padilha se refletem diretamente na abordagem que sua obra faz dos acontecimentos da Operação Lava Jato. O tal “mecanismo” é o centro da jornada de Marco Ruffo, policial vivido por Selton Mello que investiga casos de corrupção. Paralelamente à investigação da Polícia Federativa (versão fictícia da Polícia Federal), que trabalha com o caso do doleiro Roberto Ibrahim (versão fictícia de Alberto Youssef) e demais envolvidos nos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, Ruffo cria uma jornada solitária para compreender as raízes da corrupção no Brasil. Infelizmente, a afirmação reducionista de Padilha também se faz presente na série. Se em “O Mecanismo” houver um herói, ele será um personagem moralmente perfeito, imaculado. O mesmo vale, claro, para os vilões, o que resulta em cenas que causam vergonha alheia, como quando um bilionário corrupto rouba… Doces. Apenas para que a série possa afirmar quão “malvado” ele é em qualquer situação.

Os primeiros episódios da temporada parecem não ter um norte. Indecisa entre desenvolver a jornada pessoal dos personagens ou contextualizar o espectador no complexo cenário político apresentado, a série acaba tendo problemas em ambos. Um dos problemas é a insistência de “O Mecanismo” em registrar acontecimentos relevantes exclusivamente sob o ponto de vista dos personagens corruptos, e não sob o ponto de vista dos policiais que trabalham na operação. Como resultado, o espectador conhece os vilões melhor do que os heróis que guiam narrativamente a série, já que “O Mecanismo” é narrado ora por Marco Ruffo, ora por Verena Cardoni, policial vivida por Caroline Abras.

Voltando à questão da lógica por trás do sistema de corrupção do país, “O Mecanismo” faz uso acertado de alguns elementos cinematográficos para fortalecer a ideia. Já no primeiro capítulo, Ibrahim, o principal vilão, é descrito como um câncer, que se espalha se não for contido, algo que se reflete na forma como o personagem é fotografado. Quando Ibrahim está junto a um grupo de políticos, por exemplo, é fotografado com uma luz vermelha, cor muito utilizada para estabelecer perigo ou violência. Já quando Ibrahim está preso, é constante o uso de uma forte luz verde sobre o personagem, o que funciona tanto para cimentar sua ganância, já que o verde é a cor do dinheiro, quanto para criar um ambiente tóxico, adoecido, que é a prisão onde ele se encontra.

Infelizmente, o roteiro extremamente expositivo e os acontecimentos repetitivos tornam a trama arrastada, mesmo para uma série de apenas oito episódios. O personagem de Leonardo Medeiros, João Pedro Rangel, diretor da “Petrobrasil”, é um exemplo disso: o milionário parece preso a uma cadeia de eventos que se repetem, já que ele é preso, sua família se envolve no caso tentando libertá-lo, ele tem sua rotina na cadeia desenvolvida, é solto, e tudo acontece novamente pouco tempo depois. Em certos momentos, Rangel se torna um simples mecanismo do roteiro para permitir que seu amigo, Ibrahim, explique para ele tudo que ele já deveria saber, mas não sabe justamente para que haja a possibilidade de o doleiro explicar para o público.

O tom professoral trazido pelo excesso de explicações e narrações é um dos pontos baixos da temporada, mas “O Mecanismo”, em sua reta final, encontra um rumo interessante. Passando a trabalhar com igualdade de tempo de tela os dilemas pessoais dos personagens e o trabalho na Operação Lava Jato, “O Mecanismo” consegue humanizar suas figuras. Padilha havia dito na entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro que sua visão sobre a Lava Jato era de que a operação era importante, mas falha. O seriado trabalha isso mostrando as intrigas internas entre os agentes da Polícia Federativa: desde a falta de confiança entre os colegas de trabalho até a disputa de ego, quando um personagem tenta ser mais relevante que o outro. Esse é um dos pontos altos da série, justamente por quebrar o maniqueísmo que domina a maior parte dos oito episódios, trazendo verossimilhança ao que antes parecia caricato.

A primeira temporada não alcança o mesmo nível dos demais trabalhos de Padilha dedicados à política brasileira, mas nem tudo é culpa de “O Mecanismo”. Há que se destacar o fator tempo, já que, em casos como a saga “Tropa de Elite” e “Ônibus 174”, por exemplo, o cineasta teve a vantagem do deslocamento de tempo: pôde fazer obras de arte sobre eventos já fechados, com quantidade enorme de informações disponíveis. O mesmo não acontece com a série original da Netflix, já que a Operação Lava Jato ainda está em curso, e, ainda mais importante do que isso, não há uma visão clara sobre os acontecimentos. Tudo que é relacionado à atual situação política do Brasil ainda é turvo, de difícil análise.

Ainda prejudica a análise de Padilha o fato de o criador manter uma visão excessivamente rasa e até enviesada sobre os conflitos políticos atuais. Como José disse na entrevista, ele acredita que o Impeachment foi um golpe de uma quadrilha aplicado em outra, algo que reflete na forma clichê com que personagens como Lula e Dilma são retratados. Piora a situação o fato de “O Mecanismo” ainda ter posturas desonestas, como atribuir a Lula o diálogo sobre “estancar a sangria em um grande pacto nacional”, fala que todos sabem pertencer a Romero Jucá, que se referia à manobra para tirar o PT do poder.

O que essa primeira temporada consegue tirar de bom é apresentar a visão de seu criador. Simplista ou não, aqui não haverá juízo de valor, apenas de fato: “O Mecanismo” é uma série sobre o ponto de vista de José Padilha, que acredita haver uma lógica de vantagem e individualismo na cultura brasileira. Mas, mais do que isso, é uma série sobre um personagem em busca de identificar e desconstruir esse mecanismo. O primeiro ano de “O Mecanismo” funciona mais como introdução de uma trama do que como obra isolada, o que é um defeito, mesmo que haja pontos positivos. Mais interessante do que analisar o que foi feito é aguardar para ver o que acontecerá num possível segundo ano.

Mateus Fiore, do B9
No DCM
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Vereador do RS será investigado após chamar Agnaldo Timóteo de “macaco gordo”

A declaração do vereador de Elario Carlos Jahn (PMDB), da cidade de Parobé, se deu como resposta a um vídeo divulgado por Agnaldo Timóteo em que o cantor chama sulistas de "miseráveis", "ingratos" e "elitistas" por atacarem o ex-presidente Lula


A Câmara dos Vereadores de Parobé, cidade a 80 km de Porto Alegre (RS), instaurou na última quinta-feira (22) uma Comissão de Ética para apurar possível quebra de decoro parlamentar do vereador Elario Carlos Jahn (PMDB). Na terça-feira (20), em discurso proferido no plenário, Jahn chamou o cantor Agnaldo Timóteo de “macaco gordo”. Sua fala se deu como resposta a um vídeo divulgado pelo cantor em que diz que sulistas são “miseráveis”, “ingratos” e “elitistas” por atacarem o ex-presidente Lula.

“Não podia deixar de comentar. Aquele macaco gordo do Agnaldo Timóteo que bateu em nós, gaúchos. A gente não pode levar laço dum cara, né? Se ele vier a Parobé, quiser fazer um showzinho, nem de helicóptero ele não sai. Pode ter certeza”, afirmou o emedebista.

Antes da declaração de Elario, no entanto, Agnaldo Timóteo já havia divulgado um novo vídeo se retratando com os sulistas. “Estou aqui para me retratar da minha conduta irresponsável, babaca, grosseira relacionada aos povos do Sul. Não tinha e não tenho nenhum direito de ser desrespeitoso com meus concidadãos brasileiros. Evidentemente que a minha reação grosseira partiu de muitas agressões que recebi”.

Em nota enviada ao portal G1, o vereador também pediu desculpas: “Quero aqui me retratar com toda a comunidade negra, e deixar claro que de maneira alguma tive o intuito de ofender ou descriminar alguém, tenho grandes amigos nesta comunidade”.

O vídeo que registrou o vereador chamando Agnaldo Timóteo de “macaco gordo” foi retirado dos canais da Câmara dos Vereadores da cidade por conter mensagens impróprias. Já o vídeo em que o cantor sai em defesa de Lula e chama os sulistas de “ingratos” continua circulando nas redes sociais.

Assista.



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Diferença: Paim defende a democracia e os direitos. Já Ana Amélia defende quem espanca e apedreja os diferentes dela


Uma frase do Senador Paulo Paim é a resposta contundente a sua adversária na disputa pelo Senado, a Senadora Ana Amélia. Um representa os anseios da Classe Trabalhadora, de uma sociedade mais digna e mais igualitária, a outra representa o atraso de parcela da sociedade gaúcha que quer de volta o tempo de trabalhadores escravos tratados a chicote.

A Senadora defendeu despudoradamente o apedrejamento, o espancamento de mulheres e do chicoteamento contra Estudantes que se manifestavam pacificamente em apoio a Lula e a sociedade mais justa e digna que ele representa.

Me valho de frase e artigo do Economista Bresser Pereira, ex- Ministro do Governo Fernando Henrique Cardoso,  “Nos últimos dois anos a Luta de Classes voltou com força.Não pelos Trabalhadores, mas pela Burguesia”, que mostra o que as linhas e entrelinhas dos Jornais da RBS, patroa da Ana Amélia, tentam debitar nas costas do PT e dos que lutam por dignidade e direitos.

A corrupção supostamente do PT, assim como a violência evidenciada pelos grupos covardes e minoritários que atacaram mulheres, jovens estudantes e a caravana de Lula, não são do PT, mas sim de quem o acusa.

A escandalosa posição da RBS, mandando Rosane Oliveira dizer que Lula provocou a violência ao vir ao Rio Grande do Sul é um escândalo, assim como escandalosa é a atitude de Ana Amélia, que antes de ser garota de recados da RBS, deveria pelo menos se portar como Senadora de todos os Gaúchos e Gaúchas.

A seguir, vídeo com a vergonhosa fala de Ana Amélia, homenageando os fascistas que com força e violência espancaram mulheres e jovens estudantes e apedrejaram ônibus e carros da Caravana de Lula.



No Luíz Müller Blog
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Dono de site que difamou Marielle com fake news é sócio de membro do MBL

Rizzo, sócio de Luciano Ayan. 
Foto: Reprodução/Facebook
Uma fonte do DCM informou que Carlos Augusto de Moraes Afonso, nome verdadeiro de Luciano Ayan do site difamatório Ceticismo Político, é sócio de Rafael Almeida Rizzo do Movimento Brasil Livre (MBL). Outro sócio de Carlos seria Pedro Augusto Ferreira Deiro, o Pedro D’Eyrot do Bonde do Rolê, que também apoiou o grupo de Kim.


O nome de Carlos Afonso aparece em pelo menos três empresas. Uma delas é a Itframing Servicos de Ti Ltda, que Rizzo é “sócio administrador”. A outra é Yey Inteligência Ltda, cujo nome fantasia é Nox e tem participação de Pedro Deiro.


Um dos coordenadores do MBL, Renato Battista, disse ao jornal O Globo que desconhece as atividades de Luciano Ayan.

Como o próprio confessou ser Carlos Augusto de Moraes Afonso, as atividades comerciais do dono do site que difamou a vereadora Marielle Franco em sua morte mostram que ele é bem mais próximo do grupo de Kim Kataguiri do que parece.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM



Dono de página de fake news sobre Marielle é sócio de dirigente do MBL

Consultor de informática administrava a página Ceticismo Político com o nome falso de Luciano Ayan

O "consultor" Carlos Afonso

O consultor de informática Carlos Augusto de Moraes Afonso, de 45 anos, admitiu neste sábado (24) ser o dono da página Ceticismo Político, acusada de disseminar fake news sobre as causas da morte da vereadora Marielle Franco. Afonso, que operava nas redes sociais com o pseudônimo “Luciano Ayan”, é sócio de Pedro D’Eyrot, líder e um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre) em uma consultoria. Até o início deste mês, ele também era sócio, em outro negócio, de Rafael Rizzo, coordenador de comunicação do MBL.

A página Ceticismo Político foi retirada do ar neste sábado pelo Facebook, porque constatou que o perfil “Luciano Ayan”, que administrava a página, era falso. A página Ceticismo Político foi apontada em estudo da Universidade Federal do Espírito Santo como a grande impulsionadora das falsas acusações contra a vereadora do PSOL que tomaram conta das redes sociais horas após o assassinato de Marielle.


Com a retirada da página da rede, o consultor de informática revelou a sua real identidade. Em nota publicada no site, rebateu as acusações de que dissemina fake news e assumiu a ligação com o MBL que sempre negou qualquer vínculo direto com Luciano Ayan e a página Ceticismo Político.

Afonso é sócio de Pedro Augusto Ferreira Deiro, nome verdadeiro do também rapper Pedro D’Eyrot, na empresa Yey Inteligência, criada em setembro de 2017. Na Receita Federal, consta que a Yey é uma consultoria com sede no Centro de São Paulo. A empresa tem capital social de R$ 30 mil, sendo que o dirigente do MBL possui 75% das cotas.

Pedro D’Eyrot, um dos fundadores do MBL
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Serenidade não é letargia: Lula acertou na estratégia


A proximidade da conclusão em segunda instância do julgamento de Lula tensionou ainda mais o já conturbado cenário político brasileiro. A direita sentiu o cheiro de sangue e começou a comemorar uma eventual prisão injusta que atenderia a seus interesses. O MBL, que andava sumido, voltou a mobilizar a massa verde-amarela, e um outro grupelho correlato conseguiu uma agenda com a presidente da Suprema Corte. Os setores da esquerda, ávidos por encontrar soluções, bateram cabeça, brigaram, se acusaram e criaram teorias de conspiração. No entanto, Lula, alvo da ação persecutória, permanecia sereno. Estrategista, Lula não estava resignado, como quiseram alguns. Estava seguro, jogando e dobrando a aposta.

Lula era mesmo uma ilha de tranquilidade em meio a um caos de ansiedade. O ex-Presidente declarou que não era mais um adolescente para acreditar em luta armada e garantiu que estava pronto para ser preso. Contrariando, momentaneamente, parte da militância, ele afirmou acreditar na Justiça brasileira – a despeito de toda perseguição que sofrera – e que não convocaria o povo às ruas. Fez questão, sobretudo, de afirmar e reafirmar que jamais fugiria do país. As suas declarações foram comemoradas na direita e geraram revolta na esquerda. Erraram todos. As duas – surpreendentes – vitórias de Lula na última quinta-feira no STF provaram isso.

Movimentos geniais são impossíveis de serem previstos, difíceis de serem entendidos e raramente falham. Lula optou por permanecer na legalidade e lutar dentro das instituições, mesmo após ter sofrido tantas derrotas em instâncias inferiores da justiça. Ele, mais que livre, quer ser Presidente novamente e na ilegalidade, sabia que se colocaria, definitivamente, fora do pleito. Uma vez nas urnas, Lula vencerá e esse é talvez o único caminho para se acabar com o golpe. A incômoda tranquilidade de Lula tinha mais um motivo: ele sabia que, mesmo no território do inimigo, poderia vencer.

Lula é um animal político. Conhece bem as regras e sabe jogar como ninguém. Sua popularidade fora do comum e sua história maiúscula lhe confere trânsito e respeito em todos os setores, mesmos nos mais sórdidos, da política nacional e internacional. Questionar sua estratégia e a de seu partido foi um erro de setores progressistas movidos por ansiedade – e me incluo nesse rol, quando sugeri a indicação imediata de um vice – ou por má fé. Que saibamos diferenciar uns dos outros. E que a justiça seja feita na próxima batalha, no dia 4.

Guilherme Coutinho, jornalista, publicitário e especialista em Direito Público. Autor do blog Nitroglicerina Política
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Geraldo Vandré faz show após 50 anos com Orquestra Sinfônica da Paraíba




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Ruralista pró-Bolsonaro, candidata do MBL, ativista pró-armas… quem está organizando os ataques a Lula no Sul

Ruy Irigaray e seu candidato
A Caravana Lula pelo Brasil, em sua atual passagem pela região Sul, tem sido marcada pelas características que a acompanham por todo país: a aproximação do contato físico intenso de Lula com apoiadores, o franco diálogo e troca de carinho entre o ex-presidente e aqueles que vão a praças, auditórios, universidades e parques para ouvi-lo, tocá-lo, tirar foto, abraçar, beijar.

Em cada município por que passa Lula, a cena se repete.

Um fato novo, porém, surgiu no Rio Grande do Sul, no município de Bagé, na fronteira com o Uruguai: ação orquestrada e violenta de grupos milicianos de extrema-direita, organizados em torno de sindicatos e associações ruralistas e do MBL, grupelho de jovens de direita que lança mão da proliferação de notícias falsas, perseguição em redes sociais e na vida real e campanha difamatórias como forma de fazer política.

Por onde passa, Lula arrasta milhares de pessoas que o adoram e centenas – às vezes dezenas – de eleitores de Jair Bolsonaro que decidiram não medir esforços para impedir o direito de ir e vir, de expressão e de reunião daqueles que discordam de seu ponto de vista.

O resultado foram as cenas tristes que se viram nos últimos dias, que chegaram ao cúmulo de uma pessoa chicoteando outra pessoa. Conheça, abaixo, quem são as pessoas e instituições que estão organizando os ataques.   

Roberto Borba Moglia, presidente do Sindicato Rural de Bagé

Roberto Borba Moglia

O presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé tomou a frente das manifestações anti-Lula em seu município desde semanas antes da chegada do ex-presidente por lá.

Emprestou a sede para servir de ponto de encontro e organização dos manifestantes contrários a Lula: todos proprietários rurais identificados com a candidatura a presidente de Jair Bolsonaro. Deu entrevistas a rádios e jornais do município e região antes, durante e depois da passagem da caravana pela cidade, conclamando a todos para participar dos protestos que organizava.

Sua entidade pagou outdoors que foram colocados em pontos-chave do município, contendo ofensas ao ex-presidente. Em nenhum momento se preocupou em esconder o fato de que estava organizando os atos contra Lula, utilizando, para tanto, a estrutura da associação patronal que preside.

De resto, sua atuação política não teve início hoje ou ontem. Sua página no facebook é recheada de posts com ofensas a políticos e partidos de esquerda, divulgação de notícias falsas e postagens em defesa do uso de agrotóxicos no cultivo alimentar.

Em agosto e setembro do ano passado, liderou uma campanha em apoio ao ex-sargento da Brigada Militar Alexandre Curto, como mostra a foto acima. Afirmou em entrevistas e em sua rede social que prestava “incondicional apoio ao militar e sua família”.

E qual era a questão com Alexandre Curto? Ele foi condenado, em setembro do ano passado, a 12 anos de prisão em regime fechado por homicídio doloso (com a intenção de matar). É que, no ano de 2009, ele atirou, atingiu pelas costas e matou o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Elton Brum da Silva, durante desocupação de terra no município gaúcho de São Gabriel.

Sobre o caso, em setembro de 2017, em palestra a centenas de produtores rurais, Moglia afirmou: “Não queremos entrar no mérito da questão, se o que ele fez foi intencional ou não, mas a pergunta que fazemos é que justiça é essa, que tira de um homem com exemplar atuação frente a Brigada Militar, com 20 anos de dedicação, o direito de liberdade, pelo simples fato de estar fazendo seu trabalho, recebendo, como bem sabemos, muito pouco para isso? Essa é segurança e a justiça que queremos?”

Gedeão Silveira Ferreira, presidente da Farsul

 
Gedeão Silveira Ferreira

Ex-presidente do Sindicato Rural de Bagé (1992-98) e à frente da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) desde o início deste ano. Antes e durante a passagem de Lula pelo estado, reuniu-se com outros líderes rurais para organizar os protestos contra o petista. Assinou, no dia 21 deste mês, em nome da Farsul, uma nota de repúdio ao ex-presidente.   

Muitos antes de sua atuação política nos últimos dias, Gedeão ganhou notoriedade nos anos 1990 como um dos grandes defensores dos ruralistas gaúchos nos embates com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na época, defendia abertamente a formação de milícias entre os produtores rurais, tanto para evitar invasões de terra como para combater o abigeato (roubo de gado).

Orgulha-se de ter descumprido ordens judiciais e impedido técnicos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de entrar em propriedades rurais para realizar medições de produtividade: “Implementamos uma filosofia que vigora até hoje, que chamamos de Novo ruralismo, e enfrentamos fortemente MST (Movimento Sem Terra) e Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) contra as invasões de terra e as vistorias que visavam a tirar as propriedades do produtor rural”.

Em 2002, foi condenado por incitação ao crime e desobediência à Justiça pelo programa que criou, chamado “Vistoria 0”, que consistia em montar barreiras para impedir que técnicos do Incra, munidos de ordem judicial, entrassem nas fazendas do estado para realizar seu trabalho.  No ano seguinte, foi absolvido em segunda instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), o mesmo que condenou Lula a prisão pela suposta propriedade de um apartamento de que nunca teve as chaves ou a escritura.  

Na exótica decisão, o tribunal admitiu que Gedeão havia cometido crime: “Premidos por todos os setores, de repente os fazendeiros se viram acuados por nova investida: os técnicos do governo, sempre pressionado pelo MST, decidiram avaliar terras para desapropriação utilizando-se de índices para medir a produtividade das mesmas reputados absolutamente falsos. Nessa dimensão é que armou-se o movimento de reação, fazendo-se barreiras para impedir o controle dos técnicos do INCRA, forçando-se com isso uma discussão política a respeito dos medidores de produtividade das áreas rurais. E, para garantir o sucesso desse propósito, os pecuaristas inclusive ignoraram ordens judiciais.”

Apesar disso, decidiram por absolver o ruralista: “A atividade delituosa não foi culpável, porque inexigível uma conduta adequada à norma. Se tivesse havido derramamento de sangue aí, então, a conclusão poderia ser diversa. No nível em que praticada permite entender que se manteve na esfera política de negociação, sem adentrar no universo da reprovação da norma penal. O comportamento não deixou de ser típico e ilícito, mas não foi culpável porque, nas circunstâncias especiais, não era exigível conduta adequada.” A íntegra da decisão está aqui 

Rodinei Candeia, procurador do estado do Rio Grande do Sul 

 
Rodinei Candeia

O servidor gaúcho ganhou maior fama entre os eleitores de Jair Bolsonaro nos últimos dias, após publicar um vídeo que se espalhou pelas redes sociais da direita gaúcha em que conclama, diretamente de uma praça no centro de Passo Fundo (RS), a população a tentar impedir a passagem de Lula pelos municípios do estado.

Diz ainda que a caravana de Lula é provocativa, que o ex-presidente trouxe ao Brasil o que existe de pior no mundo, que as universidades e institutos federais abertos no estado durante o governo lula servem para propagar o socialismo no país e que Lula é um mentiroso que deveria ficar quieto em casa. 

Suas teses e posicionamentos heterodoxos são conhecidos. O procurador mantém um site na internet para expor ao mundo seu pensamento vivo. Entre os artigos que lá estão constam alguns cujos títulos são os que seguem: “Novas evidências do PT na Igreja”; “Eu vou implantar o comunismo no Brasil, diz Lula”; “A Igreja Católica e o Comunismo Chinês”.

O procurador também posta mensagens de apoio à candidatura do deputado federal Luís Carlos Heinze (PP/RS) ao governo gaúcho. O parlamentar, durante discurso proferido em 2014, afirmou que o governo Dilma era cheio de “gays, lésbicas e essa porcariada toda” 

Ruy Irigaray, criador do Grupo Armas S.A. 



Ruy Irigaray

Na cidade de São Miguel das Missões (RS), foi o empresário e ativista Ruy Irigaray quem comandou as manifestações das dezenas de pessoas que, dirigindo seus tratores e máquinas agrícolas, agrediram apoiadores de Lula e gritaram em favor de Jair Bolsonaro. 

Irigaray é o criador do Grupo Armas S.A., que luta para derrubar o Estatuto do Desarmamento e pelo livre comércio de armas no Brasil. Sua entidade patrocina eventos e outdoors pró-Bolsonaro como este que pode ser visto acima. Os outdoors chamando Lula de ladrão que foram colocados em alguns municípios gaúchos também foram financiados em parte por sua entidade pró-armas.  

MBL e Paula Cassol, pré-candidata a deputada federal



Paula Cassol

O Movimento Brasil Livre é velho conhecido divulgador de fake news e mensagens e campanhas de ódio pelo internet e pelo país. A entidade e seus membros já foram objeto de inúmeras reportagens de diferentes veículos de comunicação, que mostram como agem propagando notícias falsas contra partidos e políticos de esquerda, como recebem verbas de partidos de direita e como mantém sob espessa cortina de fumaça as contas e os doadores do movimento.

Além da campanha intensa nas páginas da internet para que as pessoas fossem aos locais por onde passava a caravana, para impedir seu deslocamento, o MBL destacou  a pré-candidata da deputada federal Paula Cassol (PP-RS) para perseguir a caravana realizando transmissões ao vivo. 

No vídeo abaixo, é possível ver a militante e pré-candidata informando que irá perseguir a caravana por onde ela passar, conclamando as pessoas a fazerem o mesmo, mostrando pessoas portando ovos para atirar na caravana e, finalmente, correndo das bombas que a polícia atirou na tentativa de desobstruir a estrada. A militante, porém, afirma que as bombas de efeito moral não estão sendo atiradas pela polícia, mas sim por militantes petistas. 



Esta reportagem faz parte da séria sobre a Caravana de Lula no Sul, financiada pelos leitores através de crowdfunding. As demais estão aqui.

Vinícius Segalla
No DCM
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Joseph Taylor

De 1953 a 1956, fui aluno da Theodore Roosevelt High School, em Washington, capital dos Estados Unidos. Durante o primeiro ano, uma vez por semana ia para a escola de uniforme militar e fazia exercícios de ordem unida, com um rifle no ombro, antes de começarem as aulas. Aprendi a desmontar e a remontar o rifle. Certa vez, participei de uma manobra militar junto com outras escolas públicas da região. Nunca fiquei sabendo se a guerra simulada era entre as escolas ou de todas contra um inimigo comum. Voltei para a escola sem ter visto o inimigo e sem saber o resultado da guerra. Mas não havia dúvida sobre quem seria o inimigo real do país numa guerra de verdade. No mínimo uma vez por mês tínhamos um ensaio para o caso de ataque nuclear. Íamos todos para o porão da escola, onde só o impacto direto de um foguete nos liquidaria. Fora isso, sobreviveríamos e sairíamos dali com nossos rifles vazios prontos para deter a invasão russa.

Nas aulas, a primeira coisa que fazíamos todas as manhãs era botar a mão sobre o coração e jurar fidelidade à bandeira dos Estados Unidos da América e à República que ela representava, com liberdade e justiça para todos. Mas na época, principalmente no Sul dos Estados Unidos, a liberdade e a justiça não eram para todos. A discriminação racial era oficial nos Estados do Sul e a segregação racial, oficial ou não, existia em todo o país. Eu ainda cursava a Roosevelt High quando a Suprema Corte americana determinou o fim da segregação nas escolas. Lembro dos primeiros negros chegando à Roosevelt. Em outras escolas houve distúrbios. Alunos brancos reagiram violentamente à “invasão”, a polícia teve que intervir, os conflitos duraram semanas e a verdade é que uma integração verdadeira nunca aconteceu. Na Roosevelt, ouvi muitas queixas e expressões de revolta, mas houve paz. Sempre atribuí isso à quantidade de alunos judeus na escola - fáceis de identificar, eram os que faltavam à aula nos feriados judaicos - provavelmente filhos de pais mais liberais do que a maioria. Não sei. O fato é que termos colegas negros tornava menos hipócrita o juramento diário à bandeira.

Eu provavelmente tinha mais contato com negros em Washington do que todos os meus colegas brancos. Frequentava o teatro Howard, onde havia shows de rhythm and blues depois do filme, e eu era sempre o único branco na plateia. Fora olhares de surpresa, não provoquei nenhuma reação. Nos concertos de jazz também era minoria. Na escola, fiz amizade com um dos negros recém-chegados - Joseph Taylor. Descobri, decepcionado, que ele não tinha nenhum interesse por jazz. Era um cara sério. Naquele mesmo ano houve uma eleição no nosso “home room”, a sala onde nos reuníamos todas as manhãs para saudar a bandeira e ouvir anúncios e instruções antes de nos dirigirmos para as aulas. Uma colega, loiríssima, propôs o nome de Joseph para presidente da turma, baseada mais na sua cara séria do que em qualquer outra coisa. Ele foi eleito. Não houve discursos, ninguém destacou o significado do que tinha acontecido, o próprio Joseph parecia ser o mais surpreso de todos e ele e a menina loira voltaram para os seus respectivos mundos que provavelmente nunca mais se cruzaram. Mas tínhamos feito o nosso pequeno e distraído ritual de integração. Isso há mais de 60 anos.

Alguns anos depois fui visitar a Theodore Roosevelt High School. O bairro em que morávamos agora só tinha famílias negras. A escola só tinha alunos negros.

A segregação não oficial continuava.

Luís Fernando Veríssimo
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Descontrole do STF impõe prazo exíguo para outros presidenciáveis

O descontrole do Supremo, tendo como um dos efeitos o adiamento do habeas corpus de Lula para 4 de abril, trouxe danos ao quadro de possíveis e novos candidatos à Presidência. Negociações e decisões eleitorais que disporiam de mais duas semanas, a partir do julgamento, passaram a contar com o exíguo período do dia 5 ao 7, encerramento das filiações partidárias.

O caso de maior expressão é o de Joaquim Barbosa, ex-ministro do próprio Supremo. A aceitação ou recusa do habeas corpus (HC) de Lula não seria, nem será, decisiva sobre sua pretendida candidatura. Mas influirá, como estímulo ou como advertência, para outros pretendentes.

O pouco que se sabe sugere que Joaquim Barbosa tem feito sondagens entre eleitores, assim como integrantes do PSB que o apoiam e mostram otimismo. Com decisão a ser fixada depois daquele julgamento.

Se Joaquim Barbosa entra no PSB e sai candidato, tudo muda na disputa. Há convicção de que muitos apoiadores atuais de Jair Bolsonaro transferem-se para Barbosa. Ainda que seja em menor proporção, o mesmo se passará com apoiadores de outros candidatos e partidos, como Alckmin, o PT com Lula ou com outro, e, sejam quais forem, os candidatos do DEM e do MDB.

Mas a indicação é de que Barbosa pondera muito o que seria uma disputa com Lula e o que é a sua hora. Logo, o julgamento lhe é indispensável, e bom número de dias para definir seu rumo.

Outro solicitado a lançar-se, dada sua oposição nacionalista ao neoliberalismo, é o senador Roberto Requião. Precisaria, porém, deixar o MDB, onde Michel Temer e sua cavalaria não lhe dariam nem uma só letra da legenda. Não seria uma candidatura fácil, mas, com um tempinho de propaganda gratuita e com debates, o estilo Requião poderia dar trabalho aos concorrentes. Com o adiamento no Supremo, as esperanças dos adeptos da candidatura Requião, que contavam com o intervalo entre o julgamento do HC, na quinta passada, e 7 de abril para últimas negociações, e treitaram-se como o próprio intervalo.

Essa interferência política do Supremo e a trapalhada que a originou no tribunal fluíram como consequência de uma deformação muito difundida: os que se opõem ao reexame da autorizada prisão após a segunda instância de julgamento, e não após a última como diz a ordem constitucional, estão pensando em Lula, só em Lula. Em que Lula, condenado em segunda instância, deixaria de ser preso em breve. A prisão só poderia ocorrer se perdidos os recursos à última instância.

Lula, no entanto, é só um pormenor em não se sabe quantos milhares de condenados tornaram-se sujeitos, pelo país afora, à prisão precipitada porque assim decidiu um voto de diferença, um único, no Supremo.

Com a fixação em Lula, inclusive de alguns ministros do tribunal, a ministra Cármen Lúcia cedeu a uma contradição inesperável. Se reconhece a prioridade devida aos HCs, apesar disso recusou-se a incluir qualquer deles na pauta de julgamento, porque implicaria a rediscussão das prisões na segunda instância. E, se derrotada sua posição exposta naquele voto único, estaria impedida a prisão de Lula em breve. Foi o ministro Celso de Mello quem convenceu Cármen Lúcia a enfim pautar o HC de Lula, antes que o ministro Marco Aurélio pedisse o julgamento, também retardado, de duas ações contrárias à prisão antecipada.

Pensar só em Lula impede compreender que corrigir o descaso com a Constituição, um ato ameaçador, não é contrário ao que chamam de segurança jurídica, a estabilidade das bases da legislação. Impor medida de momento e desrespeitosa da Constituição é que foi a agressão à tão pedida estabilidade jurídica.

Janio de Freitas
No fAlha
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Caravana Lula Pelo Brasil em Chapecó, Santa Catarina


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Terrorismo de bolsomoristas contra Lula foi ensinado na craco-igrejolândia e no Globo


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