19 de mar de 2018

Policiais mortas usadas pela extrema direita para atacar Marielle foram defendidas por ela em sua tese


Em meio ao lixo da campanha difamatória da extrema direita contra Marielle Franco, uma montagem fotográfica com duas jovens está fazendo sucesso.

A legenda fala o seguinte: “Mulheres, negras, pobres e brutalmente assassinadas no Rio. Se você nunca ouviu falar delas, é porque não eram militantes de esquerda. Eram policiais.”

Elas são Fabiana Aparecida de Souza e Alda Rafael Castilho.

Fabiana tinha 30 anos quando foi assassinada por bandidos num ataque à UPP da Nova Brasília, no Complexo do Alemão, em julho de 2012.

Segundo o Globo, sua profissão era a realização de “um sonho que dividia com a única parente viva, a irmã Luciana, aluna do Curso de Formação de Praças (CeFaP)”.

Nascida em Rio das Flores e ex-moradora de Valença, no interior do estado, era “uma moça alegre, encantada com a nova vida”.

Alda foi alvejada durante um tiroteio na Vila Cruzeiro, na Zona Norte, em fevereiro de 2014, juntamente com um casal. 

O G1 afirma que a bala a atingiu na barriga. O R7, na cabeça. Foi levada com vida ao hospital, mas não resistiu. Tinha 27 anos.

A ideia da canalha que explora essas tragédias é mostrar que ninguém se importou com Fabiana e Alda, PMs, enquanto Marielle, esquerdista, é pranteada.

Quem está espalhando essa excrescência oportunista nunca havia ouvido falar de Alda e Fabiana. Se ouviu, não mexeu uma sobrancelha quando elas faleceram.

Houve uma pessoa, no entanto, que lembrou do drama delas e se solidarizou: Marielle Franco.

Elas são citadas em sua tese, intitulada “UPP: a redução da favela a três letras”.

Marielle escreve o seguinte à página 99:

As marcas dos homicídios não estão presentes apenas nas pesquisas, nos números, nos indicadores. Elas estão presentes sobretudo no peito de cada mãe de morador de favela ou mãe de policial que tenha perdido a vida. Nenhuma desculpa pública, seja governamental ou não, oficial ou não, é capaz de acalentar as mães que perderam seus filhos. A seguir, destacam-se dois casos ocorridos no mesmo complexo de favelas circunscritas entre Rio Comprido, Catumbi e Santa Tereza. A 15ª UPP Coroa-Fallet-Fogueteiro é marcada pela história de um policial atingido por uma granada e pela morte de um jovem, ainda no seu segundo ano de “pacificação”.

Não há como hierarquizar a dor, ou acreditar que apenas será doído para as mães de jovens favelados. O Estado bélico e militarizado é responsável pela dor que paira também nas 16 famílias dos policiais mortos desde o início das UPPs. Dentre esses mortos estão: Paulo Ricardo Fontes Carreira, 30 anos; Diego Bruno Barbosa Henriques, 25 anos; Anderson Dias Brazuna, 34 anos; Charles Thomaz Barros, 25 anos; Wagner Vieira da Cruz, 33 anos; Leonardo do Nascimento Mendes, 27 anos; Melquisedeque Bastos, 29 anos; Fabiana Aparecida de Souza, 30 anos; Alda Rafael Castilho, 27 anos; Rodrigo de Souza Paes Leme, 33 anos; Leidson Acácio Alves Silva, 27 anos; Fábio Gomes, 30 anos; Wesley dos Santos Lucas, 30 anos. Os seis últimos somente neste ano, até agosto de 2014, nas favelas pacificadas.

Os “cidadãos de bem” querem executar Marielle todo dia.

Não hesitarão em usar como munição pessoas que, eventualmente, a defenderiam — caso pudessem se defender.

Kiko Nogueira
No DCM
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Caravana Lula em Bagé e Santana do Livramento






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Gilmar vai relatar HC da 2ª Instância

"Colocar HC na pauta é coisa de Direito achado na rua"

Aroeira



O ministro Gilmar Mendes foi sorteado na tarde da sexta-feira, 16, para ser o relator do habeas corpus coletivo contra a prisão de condenados em segunda instância no Brasil. A ação é assinada por dez advogados da Associação dos Advogados do Estado do Ceará (AACE) e busca beneficiar todos aqueles que se encontram presos e os que estão perto de receber uma ordem de prisão em tal estágio processual, em que ainda restam recursos nos tribunais superiores.

O pedido chega ao Supremo exatamente às vésperas do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) pautar o julgamento dos embargos de declaração da ação envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se a Corte de Porto Alegre rejeitar o recurso, o ex-presidente poderá ter a prisão decretada. Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de reclusão, no caso do tríplex do Guarujá.

O habeas corpus ataca diretamente o que chama uma "omissão" da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ao não pautar as duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) que discutem a tese geral sobre se é cabível um réu ser preso antes do encerramento de todos os recursos possíveis. Foi num primeiro julgamento sobre estas ações, em outubro de 2016, por 6 votos a 5, que o Supremo firmou a jurisprudência atual de que é possível a prisão em segunda instância. Há chance de reversão no caso de uma nova discussão porque o ministro Gilmar Mendes já anunciou que mudará de voto.

(...)

Enquanto isso, no UOL:

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta segunda-feira (19) que colocar habeas corpus em pauta no pleno da suprema corte brasileira é algo novo e que isso é "coisa de direito achado na rua".

"A rigor nunca ninguém discutiu a pauta ou não de um HC [habeas corpus]. Isso é tudo novo. Digo que isso é coisa de direito achado na rua", afirmou ao ser questionado sobre o habeas corpus coletivo protocolado no STF por advogados do Ceará contra a prisão de "todos os cidadãos que se encontrem presos e que estão na iminência de serem". O processo caiu nas mãos de Gilmar Mendes por sorteio.

Questionado sobre o habeas corpus protocolado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele não seja preso por causa da condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá, Gilmar Mendes disse que não importa se a questão será discutida como um habeas corpus ou por uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), mas que ela precisa ser discutida.

Ele classificou como "grave" o fato de o STF "ter um pedido" e não julgá-lo. "O que é grave para o Judiciário e que não pode ocorrer? Não julgar. Ter um pedido e não julgar. Nós só agimos por provocação, mas a função judicial é indeclinável. Nós temos que decidir. Se vai ser concedido se não vai ser concedido é outra coisa, mas reconhecer a proteção judicial é nossa obrigação", afirmou.

(...)

2ª instância: Moro peita Gilmar

Diz que o STF deve reescrever a Constituição


Do Estadão:

Ao mandar prender o empreiteiro Gérson de Mello Almada, ex-vice-presidente da Engevix, após condenação em 2.ª instância, o juiz federal Sérgio Moro advertiu que uma eventual alteração no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) seria ‘desastrosa’. O juiz da Operação Lava Jato destacou que a jurisprudência estabelecida pela Corte máxima desde fevereiro de 2016 – pela execução de pena após decisão de segundo grau judicial – ‘é fundamental, pois acaba com o faz de conta das ações penais que nunca terminam’.

O Supremo tem sido pressionado a colocar novamente em pauta a prisão em segunda instância.

(...) “Com todo o respeito ao Egrégio Supremo Tribunal Federal, uma eventual alteração seria desastrosa para os avanços havidos recentemente em prol do fim da impunidade da grande corrupção no Brasil, avanços estes, aliás, talvez iniciados de maneira mais incisiva, com o julgamento pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal da Ação Penal 470 em 2012, e que prosseguiram com investigações e ações penais relevantes, incluindo a presente, nos anos seguintes, conforme reconhecido inclusive internacionalmente.”

(...)

Gilmar vai enterrar HC que beneficiaria Lula

Moro peitou e levou!

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Da Coluna do Estadão, de Andreza Matais:

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, vai indeferir o pedido de habeas corpus coletivo apresentado por um grupo de advogados cearenses que poderia soltar todos os presos condenados após segunda instância e, na prática, beneficiar o ex-presidente Lula. O ministro considerou que o HC é amplo demais e atenderia todo tipo de preso. “Isso tem que ser tratado caso a caso. Seria uma loucura um HC coletivo”, disse Mendes à Coluna do Estadão.

O HC foi apresentado na última sexta-feira por um grupo de advogados ligados à Associação dos Advogados do Estados do Ceará e questiona a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, que se recusa a incluir o tema na pauta da Corte. Com o HC eles queriam forçar uma decisão contrária a prisão após condenação em segunda instância.

(...)

No CAf
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Políticos e amigos de Marielle se curvaram à Globo




Dois fatos chamaram a atenção no Fantástico de ontem: a canalhice da cobertura sobre a morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, e a atração que a emissora exerce sobre as pessoas que são vítimas dessa manipulação.

Da esposa de Marielle ao deputado estadual Marcelo Freixo, todos se prestaram a dar entrevista à emissora como se estivessem diante da BBC.

É uma reverência inexplicável, já que conhecem o poder de distorção da emissora, pois Marielle era uma das que mais combatiam a cobertura que a mídia tradicional faz dos eventos que envolvem os setores populares da sociedade.

Pouco antes de ver a TV usar a morte de Marielle para reforçar a posição do Grupo Globo de fortalecer a intervenção federal/militar, vi um vídeo com a entrevista dela ao site Ponte.

Temer havia decretado a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro:

“É um dia histórico, infelizmente de dor, principalmente para quem é favelado e para quem é favelada, quando, de supetão, na última sexta-feira, o presidente ilegítimo Michel Temer (…) estabelece uma intervenção federal no Rio de Janeiro (…), muito por conta e fruto desse último período, de críticas pesadas (ela provavelmente se refere ao desfile da Tuiuti), de rebaixamento da sua popularidade e de uma MÍDIA (leia-se Globo) que favoreceu e fortaleceu o que a gente entende de uma sensação de insegurança no Estado do Rio de Janeiro pelo período do Carnaval, que legitima esse processo de intervenção federal, que muitas vezes é colocada como intervenção militar, porque ele (Temer) requer e age, fundamentalmente , em cima das forças de segurança. É uma segunda-feira aonde, fazendo alusão a essa chuva que cai, a cidade do Rio de Janeiro chora por mais um corte na carne.”, disse.

Em seguida, ela relatou a lembrança que a ocupação da Maré durante 14 meses pelo Exército, Força de Segurança Nacional e PM deixou na comunidade. “O barulho do tanque ainda é muito latente, que ficava na frente do prédio onde eu morei. Esse medo, esse desespero é onde a gente chora porque corta na nossa carne, a iminência do confronto a qualquer hora”, afirmou.

Marielle não defende a impunidade, mas diz que é preciso enfrentar o problema da falta de segurança de outra maneira, porque, em última análise, o que acontece com a militarização da segurança pública é a ofensiva aos mais pobres.

“A vida no Rio de Janeiro fica ameaçada, mas também tem muito resistência. Não é à toa que a gente, não só contra a reforma, contra a PEC, contra a retirada de direitos, mas também contra essa mão que vem também de cerceamento, de controle, para cima dos corpos de favelados e faveladas, a gente vem ocupar a rua”, destacou.

Essa era Marielle, decidida, forte, que via com nitidez os alvos a serem combatidos.

No Fantástico, seus amigos prestavam reverência à Globo como uma vítima de sequestro, de alguma maneira, se aproxima de seu algoz e desenvolve com ele laços afetivos.

É o que a psicologia chama de Síndrome de Estocolmo.

Só isso explica.

Ao final de uma extensa reportagem com muitas lágrimas, o apresentador chama para uma notícia de última hora em Brasília.

E o repórter, de frente para o Palácio do Alvorada, anuncia que Michel Temer havia acabado de decidir pela liberação de mais verbas para a intervenção federal/militar no Rio de Janeiro.

Era isso o que a Globo queria noticiar, e a morte de Marielle e Anderson criava o ambiente perfeito para avançar na política de segurança que ignora a complexidade da situação.

Militar na rua, com o barulho do tanque e a ponta do fuzil, cala a população.

Era como se o jornalismo da Globo pisoteasse sobre o cadáver de Marielle, pois, como vimos na entrevista à Ponte, ela sempre achou que a intervenção, nos moldes em que foi colocada, é um ataque à população mais pobre.

Os parentes de Marielle não têm obrigação de saber que a natureza da Globo é a do escorpião que crava o veneno no sapo depois de contar com ele para a travessia do Rio.

Mas os políticos como o deputado Marcelo Freixo e o vereador Tarcísio Motta sabem.

No entanto, continuam dando aos veículos do Grupo Globo a primazia da cobertura.

Na entrevista à Ponte, ela destacou a importância da mídia independente para mudar a narrativa presente na velha imprensa de que o debate é da segurança.

“Eles ganham nessa narrativa de que o debate é na segurança. Para mim, esse debate é da segurança no corpo do favelado e da favelada, onde vai apertar. Mas, objetivamente, (esse debate) é político”, comentou.

De uma vez por todas, como disse Marielle, não haveria intervenção se não fosse a Globo.

Ela manipulou o noticiário com cobertura intensa de notícias de crime que ocorreram durante o Carnaval.

Os dados estatísticos mostraram que o período teve menos crimes do que em outros Carnavais, mas como a Globo dedicou generosos minutos do Jornal Nacional a mostrar assaltos e arrastões em locais onde, estranhamente, não havia policia, o cidadão desavisado ficou com a sensação do caos.

Como disse Marielle, a mídia reforçou a sensação de insegurança e gerou o ambiente perfeito para que Temer decretasse a intervenção.

Com a política regressiva de direitos, fruto do golpe, óbvio que há impacto na vida dos mais pobres. Há consequências também.

Para calar o povo, a morte de Marielle e de Anderson cria o ambiente perfeito.

Para quem ganha com o aprofundamento do abismo que separa ricos e pobres no País, o tanque e o fuzil dão conta de cauterizar feridas, mesmo que isso represente a vida de inocentes.

A Globo é inimiga dos interesses verdadeiramente brasileiros, e é preciso que as forças populares encararem de frente seus inimigos e não aceitem o seu ombro para chorar.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Mico Internacional: Latifundiários do Sul tentam impedir caravana do Lula, a quem eles representam?

Latifundiários com máquinas financiadas pelo governo Lula
Dizem que é pela boca (palavras) que se consegue vê o que existe dentro do coração de alguém.



Pessoas dita do bem, latifundiários do sul (não todos) graças a Deus, tentam impedir a caravana do Lula com barricadas de tratores, guindaste e outros objetos, com vocabulário (palavra de baixo calão) rasteiro capaz de corar o mais simples dos humanos.



A quem esses prósperos senhores tentam enganar ou quem eles representam mesmo?



A frota de veículos caros e pesados já demonstram o perfil de cada um, não se tratam de coitadinhos ou de pessoas necessitadas.



Utilizando a bandeira do Brasil como vestes (que vergonha) os poucos manifestantes sulistas tentam impedir a passagem daquele que foi o maior governante deste país, não lograram êxito.



Vejam as fotos publicadas no Facebook do Guilherme Oliveira e tirem suas próprias conclusões:







No Verdades Ocultas
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Estado de Exceção: O caso do Bar Bip Bip

Estado de Exceção: dono de bar é preso porque fez homenagem a Marielle

Alfredinho do Bar Bip Bip, 74 anos, vítima do Estado de Exceção.
Relato de Graça Lago, testemunha ocular do acontecimento:
Alfredinho do Bar Bip Bip é “conduzido” para a delegacia por conta de uma confusão criada por um Policial Rodoviário Federal de folga que criticou homenagem à Marielle Franco, durante o samba que acontecia em seu estabelecimento.

O agente da PRF depois de sair do bar, voltou armado e ameaçando as pessoas, alegando que foi empurrado ao sair por alguém que ele não sabe quem. A PM foi chamada, uma tenente tentou mediar a situação com o policial rodoviário, que foi intransigente e aos gritos disse que queria “conduzir” o Alfredinho para a delegacia. Foi chamado um carro da Policia Rodoviaria Federal com 4 policiais da PRF armados com fuzis, para acompanhar uma briga de bar do colega deles de folga, fugindo totalmente da sua função institucional.

Agora são 1h30 da manhã e temos um senhor de 74 anos, um dos donos de bar mais conhecido do Rio de Janeiro, detido sem ser acusado de nada, simplesmente por fazer uma homenagem à uma vereadora assassinada.

O delegado vai ouvir as parte e provavelmente o Alfredinho será liberado assim que prestar depoimento.
#EstadoDeExceção
Atualização (por Rodrigo Mondego):

O Afredinho do Bip Bip foi liberado. O delegado não quis me receber na condição de advogado e apenas colocou o agente da PRF como vítima de lesão corporal e o Afredinho como testemunha (de algo que ele não viu).

Sim, é isso, o Alfredinho foi arbitrariamente conduzido para a delegacia para ser testemunha de algo que ele não viu. Esse, a priori, é o entendimento dos órgãos de Estado do RJ.

Se a gente vivesse em um Estado de Direitos, o dono do Bip Bip teria sido vítima de crime de ameaça e abuso de autoridade.

#EstadoDeExceção

Miguel do Rosário
No Cafezinho



O caso Bip-Bip e os esbirros da ditadura


O caso do Policial Rodoviário Federal que aprontou no Bip-Bip, bebeu, bateu e ameaçou, me lembrou na hora um episódio no Bar do Alemão, por volta de 1980.

Estávamos tocando quando chegou a caminhonete da Rota e dela desceu um policial, um japonês, com óculos escuros.

A noite corria e um casal da Zona Leste, na parte de cima do bar, bebeu um pouco além e passou a lançar bolachas na parte de baixo. Rimos da alegria de quem bebeu um pouco além.

De repente, o policial subiu as escadas e deu-lhes voz de prisão. Foi um choque no bar. Desceu arrastando o casal, o auxiliar abriu o porta-malas da Veraneio e tentaram empurrar o casal para dentro. O casal implorava ajuda, dizia ter medo de nunca mais voltar, o que era uma hipótese naqueles tempos bicudos.

Na época, eu não era jornalista nem relativamente conhecido.

O policial queria impressionar as mocinhas e os músicos do bar, apenas isso. Disse-lhe que, se fosse levar o casal, eu iria junto. Ele se espantou:

- Mas eu achei que estava ajudando, tirando os bêbados do bar.

Disse-lhe que, na verdade, ele acabara com o clima do bar. Na porta do Alemão, algumas das moças assediadas por ele mostravam sua reprovação.

Acabou soltando o casal. Minha “autoridade”, no caso, não era de cidadão ou jornalista, mas do sujeito que tocava bandolim no bar.

O clima atual é o mesmo. Não se trata de um comando centralizado. Trata-se da marcha do fascismo que faz qualquer bêbado de bar com autoridade – como o Policial Rodoviário – se valer das prerrogativas do poder para arbitrariedades.

Luís Nassif
No GGN



A Polícia Rodoviária Federal se manifestou a respeito da prisão do dono do bar Bipbip, em Copacabana, após confusão com um de seus agentes em torno de uma homenagem a Marielle Franco:

Prezados(as),

em atenção aos questionamentos referentes à ocorrência envolvendo um servidor da instituição num bar em Copacabana, em 18/03/2018, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) esclarece que:

– Por volta das 22h40, fomos informados sobre uma possível confusão envolvendo um policial rodoviário federal num bar em Copacabana, após supostamente ter se expressado numa discussão no local em relação a fatos ocorridos na cidade;

– Uma equipe da PRF foi acionada para verificar a informação e avaliar a conduta do policial, sendo comunicada que a ocorrência já havia sido encaminhada para a 12ª DP (Copacabana);

– Na 12ª DP (Copacabana), foram informados que a ocorrência estava na 13ª DP (Ipanema);

– Ao chegarem na 13ª DP (Ipanema), os plantonistas disseram que a ocorrência seria registrada na 14ª DP (Leblon);

– Então, o servidor envolvido no caso foi levado sozinho na viatura PRF da 13ª DP para a delegacia de registro;

– Os envolvidos foram ouvidos na delegacia e a investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Civil;

– Inicialmente, não houve nenhum registro de comportamento que configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor;

– Não houve registro de utilização de arma de fogo ou quaisquer outros acessórios policiais;

– Ressaltamos que opiniões e atitudes da vida privada dos servidores não representam o posicionamento da instituição;

– A Polícia Rodoviária Federal solidariza-se com os familiares da vereadora assassinada, assim como de todas as vítimas da violência, e não medirá esforços para auxiliar na prisão dos envolvidos no caso.

POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL
Núcleo de Comunicação Social – RJ
imprensa.rj@prf.gov.br
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Os “bolsominions” viraram “gremlins”


A perda de apoio político na classe média está sendo sentida na pele pela horda bolsonarista - atenção, as palavras agora serão usadas com asterisco para assinalar o comportamento selvagem que adotam, podem invadir, ameaçar, etc, que não vão intimidar.

Um idiota*  da Polícia Rodoviária Federal exige, armado e aos gritos, que o simpaticíssimo Alfredinho, 74 anos, figuraça de um dos bares do Rio, o pequeno Bip-Bip fosse (e foi) levado à delegacia – seguido por um carro da PRF com quatro agentes.

Dois imbecis* em plena missa da Igreja da Ressurreição, no Arpoador, chamam de “filho da puta” o padre Mário de França Miranda por elogiar “os que vencem o egoísmo lutando por um mundo melhor e mais humano” e ter citado a vereadora Marielle Franco.

A matilha* atacou este blog com centenas de  “comentários”, quase todos de redação semelhante, em que – acreditem! – admiradores do estupro, da tortura e do assassinato de seres humanos, fingiam ofensa com uma simples definição de que a manada* era imbecil.

Não tem nada de “bolsoninions”, babaquinhas inofensivo, não, como muitos querem crer. Como aqueles bichinhos “mogwai” do filme, os “gremlins”, quando banhados em sangue viram monstros, mesmo.

Eles não são tanto quantos parecem ser, mas se multiplicam rapidamente em ambientes escuros.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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À Itatiaia, Cármen Lúcia fala sobre habeas corpus de Lula, encontro com Temer e ameaças


Em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, veiculada nesta segunda-feira, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, disse que o STF vai julgar o pedido de habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula assim que o ministro relator, Edson Fachin, 'levar em mesa, ou na turma, como seria originariamente a competência'. Cármen Lúcia falou com o jornalista e comentarista político da Itatiaia, Carlos Lindenberg. 

Além do habeas corpus preventivo pedido pela defesa de Lula, Cármen Lúcia falou sobre o encontro com o presidente Michel Temer, a decisão do STF sobre o caso Aécio Neves, sobre ameaças que recebe e também sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes.

Ouça a entrevista completa!



No caso de Lula, a presidente do Supremo ressaltou que o pedido é tratado como se fosse como o de qualquer outro cidadão. 

“O Supremo examinará assim que o relator, o ministro Edson Fachin, levar em mesa, ou na turma, como seria originariamente a competência, ou afetando ao plenário. Quando o relator leva um habes corpus, que tem preferência constitucional, é uma ação nobre porque lida com a liberdade. Todo e qualquer cidadão, desde uma liderança tão significativa, tão expressiva, tão importante como o ex-presidente, como qualquer cidadão, tem o direito de ser julgado. E será julgado”, avisou.

Confira alguns trechos da entrevista: 

Ameaças 

Há sempre, em um clima como esse, pessoas que se manifestam, digamos, de maneira mais veemente. O que acontece quando chegam manifestações dessa natureza, expressões mais contundentes, que poderia parecer algum tipo de ameaça, a gente normalmente conduz à Secretaria de Segurança para que ela avalie se há algo a ser feito ou não.

Encontro com Temer 

O presidente me afirmou que precisava conversar exatamente sobre segurança pública. Eu venho lidando com isso no Conselho Nacional de Justiça por causa da questão prisional, exclusivamente, que é a pauta do poder judiciário. Não é pauta do poder judiciário questões afetas ao poder executivo. E o que aconteceu foi uma conversa entre presidentes de poderes. Tanto que foi público, estavam os jornalistas e nunca se cogitou de outro assunto que não fosse esse.

Decisão sobre o caso Aécio 

Primeiro, a decisão não foi minha. A decisão foi do plenário do Supremo Tribunal Federal, onze ministros votaram, cinco ministros votaram no sentido de que poderia, imediatamente, executar a decisão sem precisar de afastamento de mandato e seis ministros no sentido contrário. Ou seja, que se devolveria ao Senado e caberia ao Senado ou à Câmara, conforme o parlamentar, determinar se haveria realmente aquela condição para o cumprimento do afastamento do mandato.

E neste caso, portanto, afirmou-se que, primeiro, eu teria desempatado. O Supremo não empata a não ser em situações muito específicas, porque somos onze. E desempatar significa tirar do empate. Eu sou o último voto, presidente é o último a votar. Primeiro isso, nem houve voto de desempate ali. Houve o último voto que pendeu para um dos lados.

Assassinatos de Marielle e Anderson

Toda forma de violência é uma negação do marco civilizatório que nós temos. Uma violência tal como apresentada no caso atinge todo mundo, porque significa que nós não damos conta de resolver as contrariedades e as contestações de forma civilizada. Mais do que isso, eu diria de forma humana. Então, choca muito todo mundo. E é preciso que a gente saiba qual o caminho que nós temos que percorrer ainda para que esse tipo de situação não aconteça, não se repita e que seja repelido veementemente o ato de violência.

No Itatiaia
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CNJ precisa punir desembargadora que difamou Marielle

http://www.blogdokennedy.com.br/cnj-precisa-punir-desembargadora-que-difamou-marielle/
Redes sociais devem mais rigor contra mentiras

No sábado, o PSOL anunciou que levaria ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) uma representação contra a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Marilia Castro Neves, que divulgou em rede social mentiras a respeito da vereadora Marielle Franco, assassinada na noite da última quarta-feira no Rio de Janeiro.

A decisão do PSOL é correta. Deve ser apoiada. É muito grave que qualquer pessoa difame alguém nas redes sociais. Em se tratando de uma desembargadora, é muito mais grave, porque a manifestação tem o peso da autoridade conferida a ela, uma magistrada da segunda instância da justiça estadual do Rio.

A autoridade de desembargadora dá um ar de veracidade a uma mentira. No caso, a uma tentativa de assassinar a reputação de Marielle Franco, uma cruel segunda morte da vereadora do PSOL.

O CNJ deveria tomar uma providência exemplar, porque uma desembargadora capaz de tamanha leviandade é um risco para os julgamentos que profere. É um risco para a sociedade.

Mas é difícil punir juiz no Brasil. O Judiciário é o mais fechado dos poderes. É mais corporativista do que o Executivo e o Legislativo. Esse caso dá ao CNJ uma oportunidade de combater maus juízes que abusam do imenso poder que possuem.

A manifestação da desembargadora contribuiu para divulgar a versão de que haveria seletividade na repercussão do assassinato de Marielle, como se outras mortes que ocorrem por violência urbana fossem menos importantes.

Das mentiras divulgadas, essa é a única que merece comentário detalhado neste espaço. Falar das demais aqui seria dar eco a barbaridades. Todas as mortes na violência urbana que se naturalizou no Brasil devem ser lamentadas, porque isso é um atraso civilizatório que atinge a todos os cidadãos do país.

No entanto, no caso de Marielle, houve um assassinato devido às ideias que ela defendia e aos setores sociais pelos quais lutava. Foi um assassinato político com fortes evidências de ação da banda podre da polícia e de seus laços com milícias no Rio de Janeiro. Aguardemos os resultados da investigação.

A defesa dos direitos humanos é uma conquista civilizatória. Os países menos violentos são aqueles que mais respeitam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é de 1948. Isso não é coincidência. Sociedades que respeitam os direitos humanos são mais pacíficas e civilizadas. A vida e a luta de Marielle devem ser lembradas e honradas porque foram dedicadas a tentar colocar o Brasil no caminho da civilização.

Mesmo que alguém discorde das ideias de Marielle, o que é um direito democrático, é inegável que ela foi morta justamente por causa dessas ideias. Foi executada por ser quem ela era: uma defensora e um retrato na política de minorias historicamente massacradas e marginalizadas no Brasil.

Houve um assassinato político na noite da última quarta-feira no Rio. É isso o que torna a morte dela mais grave, mais emblemática e justifica a correta repercussão que se vê no Brasil e no exterior desde então.

O jornal “The Guardian” publicou no sábado um artigo no qual dizia que as comunidades pobres do Rio choravam a morte de uma campeã. É uma boa imagem enxergar Marielle como campeã. É preciso que a sociedade brasileira derrote os detratores e os assassinos de Marielle, pois eles são representantes da barbárie.

Mais rigor e responsabilidade

As redes sociais têm mecanismos para bloqueio e denúncia de conteúdo agressivo e mentiroso propagado por seus usuários. Na prática, porém, há pouco resultado, como estamos vendo no caso de Marielle.

Facebook, Twitter e Google precisam reavaliar os critérios de publicação e controle desse tipo de material. Esses critérios têm se mostrado insuficientes. É mais fácil tirar um perfil da rede social porque postou um nu artístico do que devido a calúnias, injúrias e difamações.

Obviamente, há uma zona cinzenta que dificulta o controle. A liberdade de expressão é um valor civilizatório. No entanto, há casos cristalinos de assassinato de reputação que permanecem lá nas redes sociais mesmo diante de reclamações apresentadas a essas empresas.

Há quem defenda uma legislação mais dura. Críticos dizem que isso pode resultar em algum tipo de censura. De fato, é um risco. Mas, se essas redes sociais não evitam e não punem as frequentes tentativas de assassinatos de reputação no conteúdo que divulgam, alguma mudança da legislação talvez pudesse ser debatida para dar mais agilidade a uma responsabilização cível e penal dos eventuais danos causados.

É importante lembrar que o deputado federal Alberto Fraga, do DEM do Distrito Federal, e o MBL (Movimento Brasil Livre) também tiveram forte participação na tentativa de assassinato de reputação de Marielle, propagando nas redes sociais mentiras a respeito dela. O Conselho de Ética da Câmara deveria analisar uma punição a Fraga.

Em relação ao MBL, o PSOL está, acertadamente, estudando que ações na esfera cível e penal poderiam ser adotadas. Essas medidas também poderiam ser aplicadas em relação à desembargadora e ao deputado. As empresas donas das redes sociais deveriam analisar por iniciativa própria punições mais ágeis e rigorosas a todos os usuários que propagam ódio e mentiras na internet.

É preciso que haja mais equilíbrio e bom senso no debate público brasileiro, que se tornou mais truculento nos últimos anos. Muitos que alimentaram o monstro e outros que se omitiram diante dos alertas sobre intolerância hoje se mostram surpresos ao ver a que ponto chegamos. É preciso mais responsabilidade das empresas e das pessoas, porque se tornou muito fácil ferir com leviandade nas redes sociais.
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O Facebook do horror da desembargadora


Após a forte reação às medonhas calúnias proferidas, em sua página pessoal de Facebook, contra a vereadora assassinada Marielle Franco, a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, da 20ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro fechou sua página para visualização apenas para sua rede de amigos.

É importante observar que, em seu Facebook, ela se apresenta como desembargadora de justiça, além de listar todas as suas funções públicas anteriores.


O Cafezinho teve acesso a seu Facebook e, como o internauta poderá ver, descobriu que a desembargadora continua proferindo barbaridades contra Marielle e seus correligionários, babando ódio contra a esquerda, caluniando, difamando, espalhando fake news e fazendo propaganda político-partidária de Jair Bolsonaro (o que é vedado por lei).

Recebemos ligações, também, de pessoas que tem a infelicidade de ter casos julgados pela desembargadora, e que sofrem na pele a atuação de uma magistrada cruel e reacionária, que usa seu cargo para perseguir desafetos, inclusive por motivos políticos.

Abaixo, algumas fotos recentes da desembargadora que calunia. É tudo muito óbvio: uma reacionária destrambelhada, que odeia o povo, odeia a esquerda, odeia o Laerte (!), odeia até mesmo, pasmem, o Código do Consumidor, que considera uma “lei socialista”, porque prejudica empresários…

Lembremos que ela é fanática por Sergio Moro e Jair Bolsonaro. Por justiça, admito que, embora isso não diga nada sobre Sergio Moro (afinal, qualquer maluco pode adorá-lo), é muito emblemático sobre a personalidade da desembargadora e de quem pensa como ela.

















Miguel do Rosário
No Cafezinho
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“Marielle, presente”: a causa radical e sua apropriação pela mídia

Ilustração: César Lobo
É um vídeo forte, poderoso, cortante: sobre a imagem noturna e estática do temporal na cidade, as vozes se sobrepõem para falar que o Rio de Janeiro CHORAVA com a notícia de “mais uma mulher ASSASSINADA”; porém, “não apenas uma MULHER”, “mas uma mulher NEGRA”, “uma MILITANTE”, que movia estruturas e foi “EXECUTADA a sangue frio”, e apela: “GENTE, PAREM DE MATAR A GENTE, esse assunto é URGENTE. MARIELLE, PRESENTE”.

O vídeo original termina assim. Mas, ao final do Jornal Nacional do dia seguinte à execução da vereadora Marielle Franco, do PSOL, numa ação que vitimou também seu motorista, Anderson Pedro Gomes, esse vídeo foi exibido com o acréscimo deste texto: “Esta homenagem a Marielle Franco foi feita por Ana de Cesaro e circulou na internet. Agora está sendo mostrada para todo o Brasil. Para que seja uma homenagem e também um alerta. Tudo começa pelo respeito. À vida”.



Estudiosos de linguística e comunicação teriam aqui um prato cheio para discorrer sobre essa manobra discursiva muito óbvia: um vídeo que circula “na internet” – ou seja, potencialmente, no mundo inteiro – finalmente é apresentado a um país. Pela Globo, que é – com trocadilho – a voz do Brasil.

Mas isso é o de menos. O principal é o que essa manobra revela como apropriação do discurso de protesto contra a execução de uma vereadora jovem, negra, “cria da favela” (da Maré), que estreava na Câmara um mandato promissor, com votação surpreendente – foi a quinta mais votada em 2016, com mais de 46 mil votos – e se dedicava à denúncia da violência contra os marginalizados de modo geral, com uma atuação que expressava múltiplas causas identitárias associadas à questão fundamental do pertencimento de classe.

Certamente tudo começa pelo respeito à vida, mas estas serão apenas belas palavras se desprovidas de seu conteúdo concreto. O que significa, exatamente, respeitar a vida, quando se negam as condições objetivas de existência?

“Reforma trabalhista, PEC dos Gastos, reforma da Previdência”, essas medidas que jogam “um contingente de cidadãos e cidadãs para uma espiral de pobreza”, estão na base do tal “respeito à vida” por onde tudo começa, e por onde começou o artigo que Marielle enviou ao Jornal do Brasil – esse jornal recentemente ressuscitado em papel, numa iniciativa cheia de críticas, incertezas e suspeitas que não cabe aqui discutir, mas que se diferenciou dos demais no dia seguinte às manifestações de protesto que se espalharam pelo país. A edição, para quem tem memória, lembrou a do dia 12 de setembro de 1973, quando a censura da ditadura impediu manchetes ou fotos sobre o golpe no Chile de Allende, e o JB driblou brilhantemente a proibição com uma primeira página sem título, apenas com um texto em corpo maior, relatando o ocorrido, e com isso se destacou de todos os outros jornais.

JB de 1973 e o de 2018
O JB valoriza – e valoriza-se com – as “últimas palavras” de Marielle, destacando a sua condenação à intervenção militar na segurança do Rio, que é, na prática, uma intervenção no estado. Entretanto, publica no rodapé uma ressalva que conduz ao editorial, onde defende a intervenção até mesmo como “forma de honrar a memória da vereadora”, que estaria equivocada: os beneficiários da medida seriam justamente “os que ela supunha vítimas”.

Os demais jornais cariocas incorporaram o discurso de protesto: O Globo manchetou “MARIELLE PRESENTE” em maiúsculas, os outros repetiram a indignação da vereadora ao denunciar mais uma morte atribuída à polícia: “Quantos mais terão de morrer para que essa guerra acabe?”

Em tese, a imprensa abraça uma causa que é de “todos”. No entanto, nos editoriais e nos espaços de colunistas, usa esse episódio para inverter a lógica do argumento da vereadora/militante executada e esvaziar sua causa, reforçando a atuação do governo federal: a morte de Marielle e seu motorista seria, para O Globo, “um símbolo contundente do descontrole a que chegou a segurança do Rio, situação de anomia que levou à intervenção federal”. Considerando que o Rio é um “laboratório” – como declarou recentemente o general responsável pela intervenção –, não custa imaginar o que pode acontecer às cobaias. Diante da “insana escalada de violência”, por que não a decretação do estado de sítio?

É a mesma operação discursiva que, em 2013, transformou uma reivindicação contra o reajuste das passagens de ônibus – uma pauta claramente de esquerda, que tinha o alcance mais amplo da luta pela melhoria do transporte público e, no fim das contas, pelo direito à cidade – num protesto contra a corrupção na política, rapidamente identificada ao governo federal, e resultou nas primeiras manifestações de massa de direita desde o golpe de 64, que explodiriam em 2015 e dariam sustentação popular à derrubada de Dilma Rousseff.

A história se repete

Protestos genéricos contra a “violência” têm esse poder alienante. Em 2001, na esteira do episódio do ônibus 174 – um cerco policial a uma suposta tentativa de assalto que resultou no sequestro dos passageiros, transmitido ao vivo por mais de quatro horas, e que acabou com a morte de uma refém e do próprio pretenso assaltante –, criou-se o movimento “Basta! Eu quero paz!”, que convocava para um ato público encampado por toda a mídia. Rara voz dissonante acolhida nos jornais, o historiador Joel Rufino dos Santos escreveu no Jornal do Brasil de 11/7/2001 um artigo no qual rejeitava participar daquela manifestação porque a considerava uma forma de preparar o espírito da população para “indultar os produtores da violência” e dizia que não participaria daquele ato justamente porque os violentos dissimulados, porém mais importantes, também estariam lá.

“Há os que sofrem a violência e os que a produzem. Estes têm interesse em esvaziar a violência do seu conteúdo concreto. Num golpe inconsciente, mas de mestre, mobilizam as vítimas para ato cívico, altamente emotivo, contra a violência. Gritam e fazem a população gritar “Basta!”. Com isso, dão à violência, de que são os produtores, um caráter abstrato. Eximem-se de qualquer responsabilidade. Os violentos são os outros. Na verdade, não são ninguém. Podem, portanto, ser demonizados – livrando a cara deles, os reais produtores de violência. Põem, no lugar da sua cara, a cara do pobre-coitado do ônibus 174”.

Hoje, a história se repete. No Jornal Nacional – que abriu sua edição de 15 de março com um editorial que reverberava a indignação dos “cidadãos de bem” –, o senador Jorge Vianna, do PT, aparecia para dizer que “nós não podemos estar nos dividindo, [discutindo] se a intervenção é boa ou não na área de segurança no Rio de Janeiro, eu queria uma intervenção no Brasil inteiro”. E o presidente Temer, como tantos outros políticos aliados, como tantos editorialistas e colunistas, diluía o assassinato de Marielle no caldeirão genérico da insegurança pública: “É inaceitável, inadmissível, como todos demais assassinatos que ocorreram no Rio de Janeiro, é um verdadeiro atentado ao Estado de direito e um atentado à democracia, por isso aliás nós decretamos a intervenção, para acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou naquela cidade por força das organizações criminosas”.

A “afronta à democracia”, não por acaso, foi o título do editorial do Globo no dia seguinte.

Por isso é tão importante definir bem as coisas, nesse momento em que as emoções afloram e podem ser tão facilmente manipuladas. Ricardo Queiroz, mestre em Ciência da Informação que trabalha na Biblioteca Monteiro Lobato, em São Bernardo do Campo, resumiu exemplarmente a questão num post no Facebook:
“Marielle Franco acreditou na via política. Morreu porque se posicionou claramente na luta de classes, demarcou sua posição e sabia quais eram seus inimigos. Impossível despolitizar a sua morte.


Portanto, não é com niilismo, desqualificação da política e discurso difuso, que vamos fazer o combate àqueles que mataram Marielle.


Se até Temer se diz indignado pela morte da jovem, é fundamental o discernimento dessas indignações todas. Para que os responsáveis não se passem por indignados”.

Sylvia Debossan Moretzsohn, Professora aposentada de jornalismo na UFF, pesquisadora do ObjETHOS
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TV Globo agoniza! Balanço de 2017 é a notícia fúnebre

Caiu a receita; a TV aberta deu prejuízo pela primeira vez; e a distribuição de dividendos murchou

O direito de herança arruinou o PiG
Reprodução: Contexto Livre
A análise do balanço da Globo Overseas justifica a posição do ​precioso ​informante do Conversa Afiada​, Valdir Macedo​: ​ele ​não ​quer ​comprar a Globo, porque ​o lucro não é da TV, mas ​da ​Globosat e, principalmente, não operacional​ (ou seja, juros)​.

Os filhos do Roberto Marinho fazem caixa para atravessar 2018 com a previsão de que o prejuízo na TV aberta jamais será revertido.

Daí, distribuem dividendos murchos...

Até murcharem eles mesmos...

O Conversa Afiada reproduz, a partir dessas fúnebres conclusões, autorizada análise de Samuel Possebon, estrela da constelação da Teletime:

Ainda com receitas em queda, Globo tem resultado operacional negativo

Saiu o balanço do Grupo Globo referente ao ano de 2017. Conforme este noticiário havia antecipado em análise publicada no ano passado, pela primeira vez a TV Globo teve resultado operacional negativo, numa combinação de queda de receitas que não foram acompanhadas por uma redução proporcional nos custos (possivelmente por conta da contabilização dos custos de direitos para a Copa do Mundo). De qualquer maneira, considerando os resultados financeiros, o grupo ainda teve um lucro bastante significativo, praticamente estável em relação ao ano de 2016. A novidade é que a distribuição de dividendos aos acionistas despencou no ano passado.

Receitas

Em termos de receita, houve uma queda expressiva na controladora (TV Globo e operações de Internet), mas também uma queda nas controladas (TV paga e mídia impressa), o que se refletiu no resultado consolidado. A receita líquida da controladora foi de R$ 9,779 bilhões em 2017, contra R$ 10,247 bilhões em 2016. A queda, de 4,5%, se deve ao mercado publicitário, já que a receita líquida considera principalmente os resultados de vendas, publicidades e serviços. Ou seja, a Globo teve uma perda de R$ 468 milhões. Considerando o resultado consolidado (incluindo TV paga e mídia impressa) a queda na receita foi um pouco maior, de R$ 531 milhões, totalizando em 2017 uma receita líquida de R$ 15,332 bilhões (contra R$ 14,801 bilhões em 2016, o que significa uma queda de 3,4%). Mesmo com a queda no mercado de TV por assinatura, a piora no resultado da Globo se explica principalmente pela retração (ou maior concorrência) no mercado publicitário. A boa notícia é que o ritmo de queda de receitas do grupo desacelerou em relação a 2015 e 2016, quando vinha ficando na casa dos 10%.

Resultado operacional

Os custos da controladora permaneceram praticamente estáveis, com um leve aumento nas despesas administrativas, o que levou a Globo a um resultado operacional líquido negativo em R$ 83,3 milhões, contra um resultado positivo em 2016 de R$ 191 milhões. Esta queda no resultado operacional já vinha sendo sentida nos últimos três anos, mas é a primeira vez que um resultado negativo é registrado na controladora.

Olhando-se os resultados consolidados, percebe-se que as outras empresas do grupo ainda contribuem positivamente, de modo que o resultado operacional volta a ficar positivo, ainda que menor. Em 2016, o resultado operacional líquido consolidado havia sido de R$ 2,07 bilhões, e em 2017 este número baixou para R$ 1,8 bilhão, uma queda de 13% aproximadamente.

Lucro

A Globo, contudo, tem um patrimônio e caixa acumulados que asseguram um importante resultado nas receitas financeiras, o que faz com que o grupo apresente lucro, mas é importante notar que houve, de 2016 para 2017, uma queda expressiva nas receitas financeiras, possivelmente em decorrência da distribuição de dividendos ocorrida em 2016. Em 2017, a receita financeira consolidada foi de R$ 943,4 milhões, contra R$ 1,617 bilhão em 2016, ou seja, uma queda de mais de 41%.

Ainda assim, esta receita financeira assegurou um lucro expressivo ao grupo Globo. Em 2017, o resultado final foi positivo em R$ 1,853 bilhão, contra R$ 1,956 bilhão em 2016, uma queda de 5,2%.

Dividendos

Um fato a se destacar é que a distribuição de dividendos aos acionistas em 2017 foi a menor registrada em mais de uma década de acompanhamento dos balanços do grupo. No ano passado, foram pagos R$ 116 milhões, contra R$ 2,53 bilhões no ano anterior. Isso produziu um efeito importante no balanço: a retomada da trajetória de aumento do caixa, que passou de R$ 2,45 bilhões para R$ 2,97 bilhões, depois de uma expressiva queda em 2016. Ao que tudo indica, a Globo busca assegurar um colchão financeiro para enfrentar os próximos anos.
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Mesmo morta, seguem atirando sobre o seu corpo


Estão tentando politizar a morte de Marielle, diz o deputado, a desembargadora e os abutres de plantão. Marielle morreu como morrem todos e todas, dirão. Podia ser meu filho, podia ser o seu. Estão fazendo palanque em cima de um caixão.

A violência assola o país inteiro e nos iguala a todos, disseram, e é por isso, pra evitar a morte de mais Marielles, que precisamos de mais intervenção, chegaram a dizer.

Procuraram fotos dela com bandidos, porque afinal quem anda com bandido merece morrer. Não acharam nenhuma foto dela com bandidos, mas encontraram uma foto de uma mulher negra no colo de um homem, e disseram que era Marielle no colo de Marcinho VP.

E a classe média, indignada com aquela morte absurda, até então sem explicação, respirou aliviada: ah, ela era mulher do Marcinho VP, ufa, tá explicado. A mulher da foto sequer se parece com ela, assim como o homem sequer se parece o Marcinho VP. Mas a mulher é negra, se não é ela, é sua prima. Muita gente aceitou.

A postagem do MBL tem mais de 30 mil compartilhamentos em um dia - e não para de crescer. Multiplicam-se áudios vazados no WhatsApp - alguns supostamente da própria Marielle. "Isso é coisa do Comando Vermelho", diz um suposto expert, explicando-se em seguida: "os bandidos usavam chinelo". Elementar, meu caro WhatsApp.

Estão tentando despolitizar a morte de Marielle. Não bastasse matá-la, agora tentam diluí-la. Despolitizar Marielle equivale a matá-la outra vez, e de uma maneira igualmente cruel. Todos aqueles que responsabilizam, mesmo que indiretamente, Marielle pela sua execução têm as mãos sujas de sangue.

Toda execução de um político é um ato político: junto com o representante, querem matar tudo aquilo que ele representa. Marielle passou a vida lutando contra o feminicídio, a guerra às drogas, a desigualdade, e sobretudo o genocídio da população preta e pobre. Não tratar a morte de Marielle como parte desse genocídio é desrespeitá-la.

Pedir mais intervenção militar usando seu nome é ultrajá-la. Sua morte não antecede a intervenção. Sua morte é consequência da intervenção, logo não pode ser sua causa. Não podemos deixar Marielle morrer duas vezes.

Mataram pra silenciar seu grito. Não funcionou. Sua voz ganhou o país inteiro. Foram buscar munição pesada. Não sossegam. Mesmo morta, continuam atirando sobre o seu corpo.

Gregorio Duvivier
No fAlha
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