15 de mar de 2018

Universo golpista explica assassinato de Marielle e agressão policial em São Paulo


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Fala, Rovai especial: A execução de Marielle Franco


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Moro pega Preciado, cunhado do Serra

Vem ao caso? (Coitado do Delcídio...)


Desde a noite de quarta-feira, 11/III, o PiG noticia que o Judge Murrow colocou o ex-senador Delcídio do Amaral no banco dos réus pela compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras.

Diz a denúncia que, em 2005, Alberto Feilhaber, vice-presidente da Astra Oil à época, acertou o pagamento de US$ 15 milhões com o então gerente executivo da Diretoria Internacional da Petrobras, Luis Moreira, para que a estatal atuasse em favor dos interesses belgas no processo de compra de Pasadena.

Esses valores foram, ainda segundo a denúncia, divididos entre vários funcionários da Petrobras.

Além desses funcionários, consultores e operadores financeiros também teriam embolsado grana gorda nessa história.

E um desses "operadores financeiros", que o PiG faz questão de esconder, é Gregório Marin Preciado.

O amigo navegante conhece Preciado há muito tempo.

Em 2010, por exemplo, o Conversa Afiada publicou memorável discurso do jornalista e então deputado federal Emiliano José (PT-BA), em que se traçou a recheada biografia de Preciado.

Emiliano expôs uma patranha incrível: o ex-governador da Bahia Paulo Souto (DEM) passou a ser investigado pela atuação em um processo que envolveu a doação de terras da Ilha do Urubu, em Porto Seguro, extremo sul da Bahia. Como sustentou o então deputado federal, Paulo Souto doou a Ilha aos herdeiros da família Martins, posseiros daquela área. Quatro meses depois, esses herdeiros venderam, ilegalmente, as terras a Preciado por módico R$ 1 milhão.

Um ano depois, Preciado revendeu o terreno a Philippe Meeus, mega-especulador da Bélgica, por R$ 12 milhões.

Em 2010, as terras já estavam avaliadas em R$ 50 milhões.

Mas, como sabe o amigo navegante, Preciado é casado com uma prima de José Serra, o maior dos ladrões, e seu operador de longuíssima data.

(E é por isso que ele é solenemente ignorado pelo PiG.)

Já no início dos anos 1990, Preciado, após não conseguir pagar empréstimos contraídos junto ao Banco do Brasil por duas de suas empresas, fez entrar em cena Ricardo Sérgio, então diretor do Banco do Brasil - e caixa das campanhas do Careca e do Príncipe da Privataria.

Ele arrumou para Preciado um suculento desconto de R$ 16 milhões nas dívidas.


"RSO" é o notório Ricardo Sergio de Oliveira, funcionário de carreira do Banco do Brasil e protagonista daquele momento Péricles de Atenas do Governo do Príncipe da Privataria: se der m... estamos todos no mesmo barco. Tratava-se da patranha para dar aval a uma operação do Ínclito banqueiro Daniel Dantas na privatagem tucana. RSO foi "tesoureiro" de campanhas do Careca, o maior dos ladrões e hoje, aposentado, toma os vinhos mais caros da adega do circuito Fasano em São Paulo. Precisa desenhar, amigo navegante? (RSO faz parte daquele seleto grupo que processou e perdeu para o ansioso blogueiro na Justiça. Veja na aba "não me calarão". É a tal coisa: diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és. Não é isso, Ministro Gilmar?)

E Preciado, mesmo assim, continuava a tomar empréstimos.

Até que, certa feira, descobriram a existência de um terreno no Morumbi que era propriedade dessa ilibada dupla: Serra e Preciado.

Emiliano José lembrou, em 2010, como a privatifaria dos tucanos colocou em evidência as relações espúrias entre Serra e Preciado:
"(...) No ano de 1996, Ricardo Sérgio (diretor do Banco do Brasil com influencia na Previ) montou com Preciado o consórcio Guaraniana S/A. Segundo notícias da época, o mencionado consórcio foi composto pela Previ, Banco do Brasil e por fundos administrados pela instituição, e tem como sócia a Iberdrola, empresa gigante do setor energético. Ainda de acordo com o advogado José César Oliveira, a Iberdrola deu a representação da Guaraniana a Gregório Marin Preciado.

Com o processo de privatização ocorrido no governo Fernando Henrique, o consórcio montado pelos dois, o tesoureiro e o parente de José Serra, entre 1997 e 2000, arrematou a baiana Coelba, a pernambucana Celpe e a potiguar Cosern, e Gregório Marin Preciado, de inadimplente do Banco do Brasil, passou a ser o todo poderoso representante da Iberdrola no consórcio montado."
Amaury Ribeiro Jr descreve no livro Privataria Tucana, de modo incontestável, o papel deletério do clã do Careca também na maior de todas as privatifarias: a privatização das teles, que resulta na patranha da BROi.

Mais recentemente, Preciado também entrou na mira da Justiça espanhola, que decidiu investigar os mais de US$ 7 milhões que ele recebeu (por meio de três de suas empresas) da autarquia espanhola Defex. O motivo dos pagamentos? A concessão da exploração do Porto Sudeste às empresas LLX Sudeste Operações Portuárias Ltda. e MMX Porto Sudeste do Brasil Ltda.

De volta a 2018, veja o trecho do despacho do Judge Murrow que trata do Preciado:


No CAf
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Barões da mídia implodem 'A Voz do Brasil’

Na noite desta terça-feira (13), a Câmara Federal aprovou a flexibilização completa do horário de exibição do programa A Voz do Brasil – criado em 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, como um instrumento de democratização das informações dos poderes públicos. Segundo o Portal Imprensa, que não esconde seus vínculos com os barões da mídia privada, “a decisão é considerada um momento histórico para a radiodifusão brasileira. Há 15 anos, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) se articulava em prol do assunto, envolvendo executivos de emissoras de rádio e parlamentares da Câmara e do Senado. O projeto de lei (PL 59/5/03) segue agora para a sanção do presidente da República”.

De acordo com o projeto aprovado, a transmissão do programa com notícias dos três poderes segue sendo obrigatória, mas as rádios comerciais poderão levá-lo ao ar entre 19 e 22 horas – o que, na prática, representa o seu sumiço em milhares de lares espalhados no país. No maior cinismo, o presidente da Abert, Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, comemorou: “Essa é uma das maiores vitórias da radiodifusão dos últimos anos. É um momento histórico. Depois de tanto tempo, os parlamentares entenderam que todos vão ganhar com a flexibilização do programa: a rádio poderá adequar a sua transmissão de acordo com a programação e o cidadão poderá ouvir a Voz do Brasil em diferentes horários”.

A pressão da mídia monopolista foi violenta e os parlamentares – que mantêm uma relação acovardada de sedução e medo diante da velha imprensa – acabaram cedendo. Segundo matéria do Estadão, nos últimos anos as emissoras privadas de rádio ingressaram com cerca de 3 mil ações judiciais contra a transmissão da Voz do Brasil. Elas nunca ficaram satisfeitas com os privilégios que já gozam como concessões públicas. Elas sempre almejaram abocanhar o horário nobre das 19 horas. A Band e a Jovem Pan, por exemplo, há muito destilavam o seu veneno contra o programa. Agora, os barões da mídia festejam. Sabe-se lá o que prometeram para os “nobres deputados”!

Durante a votação, os partidos de oposição ao covil golpista de Michel Temer ainda tentaram resistir, mas foram tratorados. A deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG) foi uma das que se opôs a aprovação do projeto. “A Voz do Brasil é um dos últimos instrumentos da pluralidade de opiniões emitidas neste país. Foi criado há 83 anos e atravessou todo esse processo como um instrumento fundamental de acesso à informação, especialmente dos ouvintes das cidades longínquas”. Para ela, a aprovação do projeto representa a vitória “do monopólio absoluto das ideias, ambiente em que a democracia está ameaçada, ambiente de instabilidade institucional absoluta... É um golpe contra a democracia, contra o mundo da política”.

Altamiro Borges
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Resolução: Lula Livre é a esperança do povo brasileiro!

Consciente da tarefa histórica que temos diante de nós, a Comissão Executiva Nacional do PT, reunida em Salvador, adota a seguinte Resolução


Defender a liberdade do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva e o direito do povo brasileiro de votar naquele que melhor o representa é, neste momento, a principal e mais urgente tarefa do Partido dos Trabalhadores.

Sabemos que Lula é inocente e sempre atuou dentro da lei, antes, durante e depois de exercer o governo. A grande maioria da população tem consciência de que Lula foi vítima de dois julgamentos parciais, fraudulentos, e de que ele tem o direito de disputar as eleições. Esse é o sentimento das ruas, cada vez mais claro nas pesquisas.

Por isso mesmo, nunca foi tão forte a pressão dos golpistas, com a Rede Globo à frente, para que seja consumada uma violência judicial contra o ex-presidente. Não querem apenas tirar Lula da eleição: querem humilhá-lo com a prisão, e pressionam descaradamente o Supremo Tribunal Federal a permitir, por omissão, que se cometa mais esta injustiça.

Está na responsabilidade do STF julgar as ações e os pedidos de habeas corpus que restabelecem o direito constitucional à presunção de inocência; o direito de cada cidadão, não apenas Lula, de recorrer em liberdade até a última instância. Prender Lula antes que essas ações e habeas corpus sejam julgados será um escândalo nacional e internacional.

O cerco ao companheiro Lula ocorre em meio a uma escalada de autoritarismo no país, em que os movimentos sociais são reprimidos, professores são espancados, a universidade é atacada, artistas são censurados, setores politizados do Judiciário atuam casuisticamente e o governo golpista apela, de forma demagógica e irresponsável, para a militarização de esferas de competência do poder civil.

A cada violação de direitos individuais e coletivos vai se impondo um estado de exceção no país, acobertado pelo discurso do ódio e da intolerância.

A mais recente e trágica consequência dessa escalada foi o assassinato, na noite de ontem, da companheira Marielle Franco, vereadora do PSOL do Rio de Janeiro. A cruel execução de Marielle choca a Nação e põe a nu a violência e a criminalização da pobreza, do povo negro, das mulheres, jovens e LGBTs, dos militantes dos movimentos sociais e da esquerda. Marielle vive em nossa luta.

É nesse ambiente opressivo que o governo golpista vai impondo sua agenda de retrocessos e desmontes de direitos históricos dos trabalhadores e das políticas sociais conquistadas pelo povo nos governos do PT, voltando-se até mesmo contra uma das mais simbólicas dessas conquistas, o Bolsa Família.

Ao mesmo tempo, aumenta a escalada da privatização e da entrega do patrimônio nacional, que já abalaram fortemente a Petrobras, venderam aos norte-americanos o controle da Embraer e de nossa tecnologia aeroespacial e, agora, ameaçam entregar a Eletrobrás. Querem vender o país rapidamente, antes que o povo, por meio de eleições livres, retome o que sempre foi seu.

Assim como resistimos ao desmonte da Previdência, junto das centrais sindicais, dos movimentos sociais e da maioria da população, vamos resistir com todas as forças à entrega da Eletrobrás.

O PT tem trabalhado junto a outras forças de centro esquerda e com os movimentos sociais para construir um programa mínimo de retomada da democracia, da soberania e de um projeto nacional inclusivo. Um programa que prevê a revogação, referendada pela sociedade, de todas as medidas do governo golpista que prejudicaram o país e retiraram direitos do povo.

A implantação desse programa só pode ser feita por um governo legítimo, fruto de eleições verdadeiramente democráticas e livres, com a participação de todas as forças políticas, sem vetos autoritários e artificiais ao companheiro Lula. Por isso não abrimos mão de defender a inocência de Lula e seu direito de disputar as eleições.

Não existe Plano B para o PT nem para a maioria do povo brasileiro. Eleição sem Lula é fraude.

LULA LIVRE é hoje o grito de resistência em defesa da democracia e da Justiça.

LULA LIVRE é a esperança do povo brasileiro de voltarmos a construir um país melhor e mais justo.

LULA LIVRE é a palavra de ordem que unifica partidos, movimentos sociais, democratas, patriotas, que defendem o estado de direito e a ampla maioria da população.

Consciente da tarefa histórica que temos diante de nós, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunida em Salvador, adota a seguinte Resolução

1. Denunciar por todos os meios e com força total nas ações junto à população a tentativa de prender Lula em um processo viciado, sem provas e totalmente fora da lei;

2. Manifestar-se em todos os fóruns pelo cumprimento da Constituição Federal, garantindo a presunção da inocência e o direito de Lula e de todo cidadão se defender em liberdade até o completo trânsito do julgado;

3. Criar o Comitê Nacional de Mobilização, coordenado pela Secretaria Nacional de Organização e reunindo a Secretaria Nacional de Movimentos Populares e os diversos setoriais, para organizar Jornadas de Lutas em defesa de “Lula Livre”;

4. Organizar marchas em defesa de “Lula Livre” nas principais cidades do país;

5. Reproduzir o conteúdo do panfleto “Lula Livre” e distribuir à população nos locais de trabalho, porta de fábrica, escolas, Universidades, metrô, pontos de ônibus, nos bairros, casa a casa;

6. Realizar atividades de panfletagem em todas as cidades onde o PT está organizado, nos próximos dias 22, 23 e 24 de março (quinta-feira, sexta e sábado);

7. Recomendar aos Comitês em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato que organizem suas agendas de acordo com o tamanho do desafio e ocupar as ruas;

8. Realizar vigílias por Lula Livre em frente aos fóruns da Justiça em todas as cidades onde tenhamos organização partidária, defendendo sua inocência e o seu direito de ser candidato;

9. Incentivar as manifestações e atividades de juristas e advogados em defesa da democracia e do estado de direito violados pelas sentenças contra Lula;

10. Recomendar aos nossos parlamentares, em todos os níveis, que produzam vídeos e denunciem a perseguição e a discriminação a Lula, postando esse conteúdo com destaque em suas páginas;

11. As páginas na internet (redes sociais e sites) de nossos parlamentares devem autorizar a ferramenta utilizada pela Agência PT de transmissão simultânea em todas as páginas, para que possamos entrar em rede a qualquer momento;

12. Articular os meios de comunicação do PT e dos parceiros nesta luta — blogs, sites, redes sociais, rádios, etc – numa grande Rede da Legalidade;

13. Conclamar cidadãos, dirigentes políticos, intelectuais, artistas a gravarem vídeos, com suas palavras dizendo porque Lula deve ficar Livre, e encaminhar para a Agência PT;

14. Articular movimentos em defesa de Lula Livre com a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, de forma a alcançar unidade de ação entre as forças populares e de esquerda;

15. Convocar para o dia 26/3, data provável do julgamento do recurso de Lula no TRF-4, a Vigília pelo Direito à Liberdade de Lula em todas as capitais brasileiras em frente à Justiça Federal e ao Tribunal de Justiça.

16. Convocar para dia 27/3 – Panfletagens em todas as Praças centrais de todas as Capitais, às 17h.

17. Convocar para dia 28/3 – Atos pela Democracia e Justiça nas Universidades.

LULA LIVRE É A ESPERANÇA DO BRASIL!

Salvador, 15 de março de 2018

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

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“Mais uma tragédia diária”: o governo, com a Globo, tenta higienizar o assassinato político de Marielle

Temer e Torquato: mãos sujas do sangue de Marielle
Foi posta em movimento a roda para tentar triturar o caráter político da morte de Marielle Franco e diluí-la.

Na GloboNews, a notícia sobre o assassinato vem acompanhada de outros casos de violência, como se fosse tudo parte da “crise de segurança pública” no Rio.

O jornal da família nem sequer deu capa para Marielle.

Não à toa, o ministro da Justiça, Michel Temer faz força para emplacar essa narrativa. 

“Essas quadrilhas organizadas, essas organizações criminosas não matarão nosso futuro”, diz Michel. Que organizações, Michel? A PM? As milícias?

Torquato Jardim vai mesma toada.

“Foi uma tragédia. Mais uma tragédia diária do Rio de Janeiro. Lamentável”, falou após sua participação em um painel sobre corrupção no Fórum Econômico Mundial, em São Paulo.

“É preciso conhecer bem as razões e ir atrás dos responsáveis”, prosseguiu, acaciano.

“Isso não põe em xeque a eficácia da intervenção federal”.

Ora. O que põe em xeque, então? 

A linha da investigação aponta para o óbvio: execução.

Os bandidos sabiam o assento que ela ocupava no carro e a atingiram com nove tiros, quatro deles na cabeça.

O motorista, Anderson Pedro Gomes, também morreu.

Marielle, vereadora mais votada em 2016, se definia como “cria da Maré” e tinha orgulho de ser negra e favelada.

Três dias antes, denunciou policiais que agiam em Acari. O batalhão estava “aterrorizando e violentando moradores”.

Seus algozes não fizeram questão nenhum de esconder o que fizeram. Foi um recado, contando com a impunidade.

Não simularam assalto, nada.

Quem tenta ocultar sua responsabilidade é o governo e seus comparsas na mídia.

Impossível. Estão todos com as mãos sujas do sangue de Marielle Franco.

Kiko Nogueira
No DCM
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Quem matou Marielle sabia atirar


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Produtora contumaz de fake news, a Veja usa o tema para fazer manifesto pela censura

Fake News
A imprensa corporativa brasileira, que apoiou o golpe de 2016, já estudado em mais de trinta universidades brasileiras, traçou um plano para censurar os meios de comunicação não alinhados a esse processo. A evidência mais explícita disso é um manifesto contra “fake news” lançado neste fim de semana pela revista Veja, que, além de notória pela publicação de notícias falsas, foi punida pela Justiça Eleitoral na disputa presidencial de 2014 justamente por editar uma das maiores “fake news” da história da imprensa brasileira: a capa “Eles sabiam de tudo”, que chegou a ser impressa, como panfleto, pela campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) – o tucano era apoiado por Veja e hoje é investigado em diversos inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

O mais curioso é que o manifesto de Veja é patrocinado por duas empresas, que possuem interesses econômicos gigantescos no Brasil. Uma delas é a Ambev, do bilionário Jorge Paulo Lemann, que se movimenta para garantir a privatização da Eletrobrás, processo conduzido por Michel Temer, um dos governantes mais impopulares do mundo. Outra, a Coca-Cola, que, naturalmente, tem interesse em recursos naturais no Brasil.

Em paralelo, fundações norte-americanas e a própria Ambev vêm apoiando iniciativas supostamente científicas sobre “fake news”, como o Projeto Credibilidade. Um dos principais envolvidos nesses trabalhos é Pablo Ortellado, apresentado por Veja como o “maior especialista do Brasil” no tema. Em seus trabalhos, ele divide a mídia em três grupos: grande imprensa, engajados de direita e engajados de esquerda. Neste terceiro grupo, são incluídos veículos não alinhados com o golpe, como Brasil 247, GGN, Diário do Centro Mundo e Revista Fórum, todos com expediente e jornalistas conhecidos. Enquanto isso, os “engajados de direita” são veículos anônimos e clandestinos, notoriamente conhecidos por espalhar notícias falsas.

“O objetivo dessa iniciativa é repetir algo que já foi feito nos Estados Unidos: pressionar plataformas tecnológicas como Google e Facebook a reduzir o alcance de veículos independentes, que poderão ser igualados aos extremistas de direita”, diz o jornalista Brian Mier, co-editor do Brazil Wire.


Atentos a esse movimento, parlamentares da oposição garantem que não irão permitir que grupos privados e pesquisas sem rigor científico sejam usados como instrumentos de censura no Brasil, no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral e o próprio governo Temer criam grupos de trabalho sobre “fake news”, com participação até do Gabinete de Segurança Institucional. “Podemos promover audiências públicas no Congresso Nacional, convocando os patrocinadores desses eventos, Google, Facebook e até mesmo pesquisadores que se prestam a endossar ataques à liberdade de expressão”, diz o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). “Também temos todo o interesse em demonstrar quem realmente produz notícias falsas no Brasil”, afirma.

Curiosamente, Veja tem sido uma das maiores produtoras de notícias falsas nos últimos anos. Basta citar suas reportagens recentes sobre “dólares de Cuba”, “dólares de Khadafi” e até sobre um mirabolante “plano de fuga” do ex-presidente Lula para a Itália, que poderia ser usado para motivar uma eventual prisão preventiva. A prática tem sido tão escancarada que, nas últimas eleições presidenciais, Veja foi obrigada pela Justiça Eleitoral a conceder direito de resposta à presidente deposta Dilma Rousseff, no dia do segundo turno.

Confira o texto publicado em 29 de outubro de 2014:

DIREITO DE RESPOSTA

Veja veicula a resposta conferida à Dilma Rousseff, para o fim de serem reparadas as informações publicadas na edição nº 2397 – ano 47 – nº 44 – de 29 de outubro de 2014.

A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.

A Coligação “Com a Força do Povo” vem a público condenar essa atitude e reiterar que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas.

A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Yousseff foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.

No DCM
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Marido de funkeira que recebia ameaças de ex-vereador que comanda milícia é morto a tiros de fuzil no Rio

MC Samantha e o marido assassinado Diotti
O marido da funkeira MC Samantha foi morto a tiros de fuzil no estacionamento de um restaurante na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, na noite desta quarta-feira. O corpo de Marcelo Diotti da Mata estava perto de seu carro e, no local, foram encontradas cápsulas de fuzil. Testemunhas relataram ter ouvido mais de 20 disparos.

O caso ocorreu na mesma noite em que a vereadora Marielle Franco foi executada.

MC Samantha é ex-mulher do ex-vereador Cristiano Girão, condenado por formação de quadrilha, crime eleitoral e acusado de comandar a milícia de Gardênia Azul, em Jacarepaguá.

Policiais militares que faziam um patrulhamento nas proximidades do restaurante foram acionados para o local e encontraram Marcelo já morto. Equipes da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital foram chamados e fizeram uma perícia no estacionamento, relata o Extra.

Em junho, Samantha apontou Girão como o principal suspeito de uma tentativa de homicídio que ela sofreu com Diotti. Na delegacia, falou que havia recebido ameaças dele dois dias antes.

Numa ligação, Girão foi gravado afirmando que “a nossa filha vai ficar sem o pai ou sem a mãe”.

“Estou sem dormir. Eu acordo e penso em você, e isso não é bom. Você não me conhece. Se me conhecesse de verdade não iria estar fazendo isso”, continua.

Diotti era dono de uma marca de roupas, já foi preso e respondeu por homicídio, porte de arma de fogo e exploração de máquinas caças-níqueis. O Ministério Público o denunciou pela morte de um rapaz, em Campo Grande, há sete anos.

Foi absolvido em 2015.

Girão, após ficar preso por sete anos no presídio de segurança máxima de Rondônia, encontra-se em liberdade condicional desde 2015. Ele utiliza tornozeleira eletrônica.

MC Samantha e o ex-marido Girão, então vereador, na posse de Eduardo Paes em 2009

No DCM
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Assassinato de Marielle é um tiro na intervenção militar


O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi um xeque na intervenção militar no Rio de Janeiro.

Primeiro, por comprovar que o combate ao crime organizado não reside nessa farsa de ocupação de territórios. O crime está instalado no comando do PCC e na Polícia Militar. Dias antes, Marielle denunciou especificamente as violências cometidas pelo 41º Batalhão da PM.

Depois, por ser um desafio ostensivo à intervenção militar no Rio – que, entre suas missões mais relevantes, incluiu a limpeza da Polícia Militar.

Escolheram um personagem símbolo. Marielle era uma unanimidade entre todas as pessoas que a conheceram, dotada de uma empatia única. Jornalistas alternativos, políticos, advogados e procuradores de direitos humanos, todos a retrataram não apenas como a líder política que emergia, mas como uma personalidade cativante.

Os tiros que a atingiram miraram diretamente o interventor militar.

Em suas primeiras entrevistas, o interventor, general Souza Braga, aparentava ser uma pessoa de bom senso. Impediu o showbiz da mídia, não fez desfiles de tanques na avenida Rio Branco, alertou que ocupação de território não funcionava, que o essencial seria a unificação das ações policiais com a supervisão militar.

De certo modo, sabia a armadilha que o governo Temer armou. Mas não soube escapar da sinuca em que o meteram. Deveria inaugurar a intervenção com condenação prévia enfática da truculência e das arbitrariedades contra a população. Antes do primeiro passo, deveria enquadrar a violência.

Em vez disso, a polícia e o exército passaram a praticar a identificação invasiva de pessoas, a invasão de casas e outros procedimentos de exceção – que são regras para as populações mais pobres. Exigiram tribunal militar para crimes de militares contra civis, anunciaram que não haveria comissão da verdade nas favelas – e Marielle trabalhava justamente na montagem dessa comissão.

Esses sinais atiçaram ainda mais os animais que habitam a alma dos justiceiros, das milícias à parte podre da Polícia Militar – claramente hegemônica na corporação. Marielle foi não apenas a consequência desse aumento da violência, como um desafio aberto das milícias e da PM contra o interventor.

Para vencer o desafio, o general terá não apenas que identificar e prender os dois criminosos, como enfrentar uma força armada do 41º batalhão da PM.

Aliás, das pirações institucionais do Rio não escapou nem o italiano Maurizio Giuliano, diretor do Centro de Informações da Organização das Nações Unidas para o Brasil. Entrevistado, afirmou que “infelizmente não chega a surpreender quem acompanha as estatísticas de violência do Estado. No Brasil, um jovem afrodescendente é morto a cada 21 minutos", disse Giuliano em entrevista à BBC Brasil, por telefone, na noite desta terça”.

Uma vereadora símbolo das lutas sociais é executada em plena cidade, o episódio torna-se objeto de comoção internacional, e o bravo Giuliano reduz tudo a uma estatística, Ganha o título de o sem-noção do ano.

Luís Nassif
No GGN
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Paralisação proposta por juízes é a do setor que todo o país diz não andar

Greve de juízes não é para qualquer país. São necessárias certas condições não encontráveis em qualquer continente. Para a greve dos juízos de varas federais, oferecemos, como preliminar, uma situação paradoxal caracteristicamente brasileira: a paralisação proposta e aprovada é a do setor que todo o país diz não andar.

Comprovada a inicial, é exigido um país com muitos milhões de cabeças transtornadas, esvaída a já escassa capacidade de raciocínio e bom senso para recompor-se. País em que, por isso, o comum seja os juízes declararem ilegais as greves e demais atos de protesto de outros setores. E onde a ninguém espantará que os juízes não recorram ao juízo superior ou trabalhista em defesa do que consideram direitos seus.

Ainda assim, e supondo que existam, os juízes em greve hoje serão, todos, merecedores de uma solidariedade relativa, mas justa. Entre as misérias brasileiras, multisseculares e irredutíveis, estão a falta de brio e a covardia, confundidas com comodismo, para enfrentar o autoritarismo, as diversas opressões, a usurpação de direitos legais e mesmo os naturais. Certos ou errados na causa, com adequada ou imprópria maneira de pressionar os tribunais das alturas, os juízes batalham pelo pretendido —por hipotético que este seja em numerosas opiniões autorizadas.

É certo que muitos deles já deram ou dariam decisão contrária a situações equivalentes à sua atual. É o problema de classes e poder, em torno do qual o Brasil se fez e vive. Mas esses defensores profissionais da Justiça estão sofrendo uma injustiça. Seja porque outros assuntos os trouxeram ao nível das "celebridades", seja pelo monossilábico jornalismo desses tempos, os juízes tornaram-se objeto único da artilharia contra os hoje chamados "penduricalhos salariais", não faz muito conhecidos pelo mais simpático "xepas". E são apenas parte, nem ao menos maior, de um grande contingente.

Esse mecanismo de aumentar ganhos, com os pretextos mais variados, eleva ao absurdo o custo dos servidores públicos, sem melhorar os que de fato necessitam. E contribuiu muito para desordenar e aviltar o serviço público, ao transformar o sistema de concurso/carreira pelo quebra-galho eleitoral, para os mais carentes, e em boca-rica para os apaniguados. Uma das modernizações idealizadas por Roberto Campos e escritas com o cano do fuzil.

O método dos adicionais é uma bagunça gigantesca. Dar alguma racionalidade à administração, tanto a federal como as contaminadas estaduais e municipais, seja no custo ou na funcionalidade, requereria começar aí. Talvez até um tanto antes. Pelas palavras: o que significa extra, o que é compensado pela compensação e reposto pela reposição (só nesse item, em um ano ali atrás, Aécio Neves faturou quase R$ 1 milhão). E o que significa a combinação de auxílio e moradia — para os juízes e para os outros recebedores, a começar na Câmara e no Senado.

Janio de Freitas
No fAlha
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