12 de mar de 2018

Delfim é indiciado por fraude a favor do Estado brasileiro


Anos atrás Jerson Kelman – uma das maiores autoridades brasileiras em água – foi indicado para a presidência da ANA (Agência Nacional de Águas) e submetido a uma sabatina no Senado.

Lá, uma brava senadora do PT gaúcho, Maria Emília, sacou de um papel e começou a lançar, em tom acusatório, uma série de informações sobre ele:

- O senhor confirma que estudou em tal instituição, que foi membro de tal organização?

E ele:

- Minha senhora, a senhora está lendo o meu currículo.

Alguém passou o currículo à senadora, dizendo que era de uma denúncia.

É bem provável que o bravo procurador que solicitou busca e apreensão no escritório e na casa do ex-Ministro Antônio Delfim Netto tenha sido vítima de trote semelhante.

A operação se baseou em um depoimento de José Carlos Bumlai. Delfim recebeu dinheiro do consórcio que construiu Belo Monte. Afirmou ter feito trabalho de consultoria. Baseado no relato de Bumlai, o procurador Athayde Ribeiro Costa afirmou que a consultoria, na verdade, “constituiu uma fraude ao leilão”.

No depoimento de Bumlai, ele diz que a tal “fraude ao leilão”, na verdade, consistiu na formação de um terceiro consórcio que livrou o governo do braço de ferro com as empreiteiras – que pretendiam dobrar o valor de Belo Monte, de R$ 15 bi para R$ 30 bi. Impedir a jogada, na douta opinião do procurador Athayde Ribeiro Costa e do juiz Sérgio Moro, foi uma fraude ao leilão.


Diz ele que existiam dois ou três consórcios formados para a construção. O terceiro desistiu. Liderado pela Construtora Norberto Odebrecht, dizia ser necessário dobrar o orçamento da obra – de R$ 15 bi para R$ 30 bi – para ser exequível.

Delfim lhe teria dito, em reunião no Maksoud Hotel, que o governo tinha interesse em um novo consórcio que permitisse sustentar o preço. Aliás, na época Dilma Rousseff atritou-se com as empreiteiras, justamente devido ao embate em torno do preço de Belo Monte. A formação do novo consórcio visaria, justamente, manter os R$ 15 bi, vencendo a guerra de braço com as empreiteiras.

Segundo palavras de Bumlai, “DELFIM disse que teria ele sido procurado para montar o segundo consórcio e que este tentaria economizar R$ 15.000.000.000,00 para a obra”.

Como havia diversos aspectos técnicos na constituição de um consórcio, Delfim disse que mandaria um técnico conversar com Bumlai, para entender as especificidades da obra. Bumlai foi contatado, segundo ele, devido à sua experiência com energia hidráulica.

Segundo Bumlai, a comissão foi paga porque, com o consórcio, teria conseguido economizar R$ 15 bilhões no custo da obra.

“Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Determinou a autoridade o encerramento do presente que, lido e achado conforme”.

Aliás, o grande escândalo de Belo Monte foi a compra de debêntures da Andrade Gutierrez pela Cemig, sob influência do senador Aécio Neves. Essa história permanece inédita, e Aécio permanece intocado.

Luís Nassif
No GGN
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Álvaro Dias, acusado de pedir R$ 5 milhões para deixar de “bater” em investigado

Álvaro Dias, acusado de pedir R$ 5 milhões para deixar de “bater” em investigado, convocou Adir Assad à CPMI do Cachoeira, mas votou contra relatório que o indiciava


Um e-mail de Samir Assad enviado a Luis Eduardo Rocha Soares, então diretor do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, sugere que o senador tucano Álvaro Dias, hoje pré-candidato do Podemos ao Planalto com um discurso anticorrupção, teria pedido R$ 5 milhões para aliviar para Adir Assad na CPMI do Cachoeira.

A revelação foi da revista Veja.

Samir e Adir são irmãos e operavam esquema bilionário de lavagem de dinheiro para as empreiteiras.

Na mensagem original, de 20 de julho de 2012, Samir escreve a Luis:

A Andrade já aceitou contribuir com 30 mm para “cortar” o assunto. O problema é que não é suficiente… porque o Alicate (Álvaro Dias) ficou por nossa conta. Além de voces a UTC também está ajudando, porém para ele parar de bater no meu irmão nesse assunto ele pediu mais 5mm. Segue a planilha (Alicate) anexa.  Veja como completar esta contribuição por favor. Abs, Samir Assad.

A crer na mensagem, a Andrade Gutierrez, a Odebrecht e a UTC estariam interessadas em abafar a CPMI do Cachoeira, criada em 2012 para investigar os negócios do bicheiro, num escândalo que resultou na cassação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), tido na época como um dos mosqueteiros da moralidade pública — segundo a revista Veja.

A CPMI foi a primeira a jogar luz nos negócios da Construtora Delta.

A autor do relatório final, Odair Cunha (PT-MG), explicou à época: “Meu relatório não deixa dúvidas que a empresa Delta Construções irrigou as contas das empresas fantasmas de Cachoeira. A Delta foi responsável pelo depósito de R$ 98 milhões, nas contas de cinco das sete empresas de fachada que descobrimos”.

Além disso, outro aspecto importante da CPMI foi desvendar as ligações da Delta com Adir Assad:

“Importante destacar ainda que, no que tange à Delta Construções, a investigação feita pela relator da CPMI Odair Cunha se deparou com diversas transações suspeitas, em âmbito nacional. Como exemplo, o relatório final de Cunha cita as transações entre a Delta e núcleo empresarial ligado a Adir Assad. As 19 empresas deste grupo receberam da construtora aproximadamente R$ 265 milhões, entre 2007 e 2012”.

A CPMI do Cachoeira ganhou destaque, também, por revelar as ligações do bicheiro Cachoeira com o jornalista Policarpo Jr., de Veja, conhecido como Caneta.

“As investigações demonstraram que o Policarpo não só atendia aos pedidos de matéria de interesse da organização criminosa mas também a usava para obter ilicitamente provas para embasar as suas reportagens”, disse à época o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Porém, Policarpo nunca foi chamado a depor.

Sobre o recente vazamento do e-mail, Álvaro Dias reagiu com veemência, no Facebook:

Em respeito aos amigos e apoiadores, esclarecemos sobre a nota publicada pela Veja:

O senador Alvaro Dias afirma com toda a segurança tratar-se de armação política e vingança pelo comportamento dele durante e depois da CPI do Cachoeira. “É uma tentativa de atingir o meu patrimônio maior – a honra – e desautorizar o discurso que é o meu maior trunfo na campanha eleitoral: o combate à corrupção. Vou identificar os responsáveis por essa insinuação maldosa para interpelá-los judicialmente”, disse.

O senador não conhece Samir Assad, o empresário que, em fato inédito, usa no email revelado pela Veja um codinome identificando o nome entre parênteses. O email é do mês de junho de 2012 mas, em outubro do mesmo ano, Alvaro Dias usou a tribuna para pedir a prorrogação da CPI por 180 dias.

Alvaro Dias foi um dos membros mais atuantes na CPI do Cachoeira. Como líder da oposição, apresentou centenas de requerimentos convocando os principais suspeitos de envolvimento com o esquema de Carlinhos Cachoeira junto a empreiteiras e órgãos públicos, cobrando quebras de sigilo e investigação do COAF sobre contas para desvio de dinheiro no Brasil e no exterior.

A assessoria técnica do senador, em trabalho paralelo ao da CPI, identificou 18 empresas alimentadas pelo esquema Cachoeira, nas quais foram movimentados R$ 421 milhões de recursos ilícitos.

Outras 42 empresas movimentaram R$ 312 milhões, mostrando que empresas laranjas foram criadas para ocultação e lavagem de dinheiro. As informações foram inseridas em um voto em separado e, ao final dos trabalhos da CPI, o documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal e Receita Federal.

De fato, Álvaro Dias apresentou dezenas de requerimentos à CPMI.

Segundo o relatório final, na sexta reunião, de 17 de maio, ele pediu a convocação de 21 testemunhas!

Porém, o senador só convocou Adir Assad para depor na vigésima reunião, em 5 de julho de 2012. A mensagem de e-mail de Samir Assad relatando o suposto pedido de dinheiro para não bater em Adir é de 15 dias depois.

Assad também foi convocado por dois outros parlamentares, os deputados Luiz Pitiman (PSDB-PR) e Filipe Pereira (PSC-RJ).

Assad foi à CPMI no dia 28 de agosto de 2012 e se negou a responder às perguntas.

Outro convocado para depor foi o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A, a Dersa, Paulo Vieira da Costa, o Paulo Preto.

À CPMI, Paulo Preto disse que conhecia Adir Assad apenas de competições de atletismo.

Também afirmou que nunca havia lidado com contribuições de campanha.

Paulo Preto explicou a deputados e senadores as acusações de que teria sumido com R$ 4 milhões do PSDB durante a campanha eleitoral de 2010, quando o tucano José Serra foi candidato ao Planalto:

Olha, na minha vida empresarial, conheço todas as grandes empresas deste País. Conheço todos os presidentes de empresas deste País e nunca vi, nunca vi nenhum empresário — já fui 20 anos empresário — fazer oficialmente alguma contribuição para campanha sem consultar diretamente quem de direito: o candidato. Mas eu, Paulo Souza, com uma, quem sabe, simpatia total, pedi R$4 milhões, como se não fosse nada, e o empresário falou:
– Vou lhe entregar, venha cá, meu querido, leva R$4 milhões. Para quem é?
 – Não vou dizer, vou para casa.


Eu atribuo má-fé, eu atribuo tudo de injúria com relação à minha frase: “Não deixe um líder ferido na estrada a troco de nada”. É a ingratidão que eu recebi de pessoas que nunca me viram na vida, que nunca me cumprimentaram, e a mim simplesmente me restava um clamor, porque, na verdade, o Senado e a Câmara do meu País estão dando ao líder ferido, pela primeira vez, o direito de vir aqui e comprovar.

Eu não saio desta Casa sem entregar todos os documentos, todos, exatamente todos os documentos comprobatórios do que eu falar. Não há uma fala minha que não tenha aqui um documento. Eu pedi a Deus para ser convocado por esta CPI, porque acho que os incompetentes devem continuar com medo de mim, porque aqui estou. E essa frase é para todos aqueles que foram ingratos. A ingratidão humana… Que arma eu tenho contra a ingratidão?

Eu fui demitido oito dias após entregar as três maiores obras do País, com um detalhe: em 34 meses. Não conheço, no Brasil, similar. Nunca antes, neste País, ninguém realizou, em 34 meses, três obras do porte do Rodoanel —a mais difícil na minha opinião, ao contrário do que muita gente pensa—, da Marginal Tietê, Jacu Pêssego e Tamoios, num espaço de 34 meses.

Paulo Preto foi demitido da Dersa logo depois que José Serra se afastou do governo paulista para concorrer ao Planalto, pelo então governador em exercício Alberto Goldman.

O relatório final da CPMI deu origem à Operação Saqueador, deflagrada em 2016, que focou em Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Fernando Cavendish, o ex-dono da Delta.

Na CPMI do Cachoeira, Cavendish também se negou a dar depoimento.

Mas o senador Álvaro Dias deixou registrada uma pergunta ao empresário:

O SR. ALVARO DIAS (PSD –PR) – Creio que há uma preliminar que V. Exa deve submeter ao depoente. É uma questão de hombridade obter dele a resposta a uma acusação que fez ao Senado Federal. Afirmou que comprava com R$6 milhões um Senador, e nós gostaríamos que ele apontasse qual Senador que comprou por R$6 milhões ou que Senador ele compraria por R$6 milhões. Impetrei, Sr. Presidente, uma interpelação judicial, e a Justiça do Rio de Janeiro informou que não encontrou o Sr. Fernando Cavendish para intimá-lo. Portanto, é a oportunidade que ele tem, é uma preliminar que submeto a V. Exa para que ele possa responder. É uma questão de hombridade…

O SR. PRESIDENTE (Vital do Rêgo. PMDB–PB) – Sr. Senador…

O SR. ALVARO DIAS (PSDB–PR) – …ele responder que Senador ele compraria por R$6 milhões.

O SR. PRESIDENTE (Vital do Rêgo. PMDB–PB) – Sr. Senador Alvaro Dias, a preliminar de V. Exa eu acato e aceito em homenagem e em respeito à instituição de que eu faço parte e, por isso, antes de dispensar a testemunha, como faço com qualquer testemunha, eu me refiro e transponho ou transmito a sua indagação, em nome do Senado da República, ao Sr. Fernando Cavendish. Em nome do Senado Federal.

O SR. FERNANDO ANTÔNIO CAVENDISH SOARES – Esse assunto, em momento oportuno, que judicialmente está em curso, eu responderei, Presidente.

Fernando Cavendish, num rascunho de delação premiada, disse que a Delta fez pagamentos de propina por obras em São Paulo e que o beneficiário foi o hoje chanceler Aloysio Nunes Ferreira.

O tucano é padrinho político de Paulo Preto, a quem indicou para ocupar seu primeiro cargo público, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Adir Assad, já condenado nas operações Irmandade e Lava Jato, em depoimentos recentes admitiu que, através de empresas fantasmas, lavou R$ 1,7 bilhão para empreiteiras, através de serviços fictícios, especialmente de terraplanagem.

Ele emitia notas falsas, embolsava uma comissão de 14% e distribuia propinas em malas que levavam até R$ 170 mil, que apelidou de lasanhas.

Do total, sempre segundo os depoimentos, R$ 300 milhões seriam da Delta, dos quais Assad teria repassado R$ 80 milhões a Paulo Preto, referentes à obra de ampliação da marginal do Tietê, um das vitrines da campanha de José Serra quando concorreu ao Planalto em 2010.

Paulo Preto já foi apontado, nas delações da OAS, Andrade Gutierrez e Odebrecht, como destinatário de propina por obras viárias em São Paulo.

Ele também teria recebido do grupo CCR, que opera rodovias no berço tucano.

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, permanece livre, leve e solto.

Em um de seus depoimentos, Assad confirmou que houve pagamento a parlamentares na CPMI do Cachoeira:

“Tanto é que o dia que eu cheguei na CPI, foi uma maravilha. Eu cheguei lá e estavam todos os deputados, senadores, todos no telefone, para não fazer pergunta para mim. Quer dizer… “Mio”, né? Parecia que eu fui lá fazer uma palestra”, afirmou.

Mas, qual teria sido o motivo para a Andrade Gutierrez e a Odebrecht pagarem para calar Assad na CPMI do Cachoeira?

As empresas atuavam juntas em várias obras.

Na reforma do Maracanã para a Copa de 2014, por exemplo, a Andrade e a Odebrecht formaram consórcio com a Delta, de Cavendish.

Os esquemas poderiam ter sido desfeitos muito antes, se o relatório final da CPMI, conforme escrito pelo relator, tivesse sido aprovado.

Ele previa o indiciamento de 46 pessoas, dentre elas Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e o governador tucano de Goiás Marconi Perillo.

Porém, o relatório final foi rejeitado por 18 votos a 16, mesmo depois que o relator retirou da lista de indiciados o jornalista Policarpo Jr. e vários outros, com o objetivo de obter um acordo.

Votaram a favor: Jorge Viana (PT-AC), Lídice da Mata (PSB-BA), Pedro Taques (PDT-MT), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), João Costa (PPL-TO), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Aníbal Diniz (PT-AC), Cândido Vaccarezza (PT-SP), Odair Cunha (PT-MG), Paulo Teixeira (PT-SP), Íris Araújo (PMDB-GO), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Glauber Braga (PSB-RJ), Miro Teixeira (PDT-RJ), Rubens Bueno (PPS-PR) e Jô Moraes (PCdoB-MG).

Votaram contra: Sérgio Petecão (PSD-AC), Sérgio Souza (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Jayme Campos (DEM-MT), Alvaro Dias (PSDB-PR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), Marco Antônio Costa (PSD-TO), Ivo Cassol (PP-RO), Luiz Pitiman (PMDB-PE), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Domingos Sávio (PSDB-MG), Gladson Cameli (PP-AC), Maurício Quintella Lessa (PR-AL), Silvio Costa (PTB-PE), Filipe Pereira (PSC-RJ), Armando Vergílio (PSD-GO) e Cesar Halum (PSD-TO).

À época, chamaram atenção os votos contra de parlamentares que mal tinham frequentado as sessões da CPMI, como Ivo Cassol, Antonio Carlos Rodrigues e Filipe Pereira.

Curiosamente, os três parlamentares que convocaram Adir Assad para depor na CPMI — além de Alvaro Dias, Filipe Pereira e Luiz Pitiman — votaram contra o relatório final que o indiciava.

Álvaro Dias nega que tenha criado dificuldades para vender facilidades e promete interpelar judicialmente os responsáveis “por essa insinuação maldosa”, conforme a nota que publicou no Facebook.

No Viomundo
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Poupados no noticiário, donos do dinheiro roubado em Viracopos tem histórico de escândalos


Uma das notícias mais aguardadas do país tem passeado no pé das páginas do noticiário nos últimos dias. Morta, irrelevante, sem destaque.

Já no dia 6 de março, dois dias depois do roubo de cinco milhões de dólares no Aeroporto de Viracopos, Campinas, o jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, deu em primeira mão quem eram os donos do dinheiro, em reportagem grande, específica sobre o tema.

Mesmo descobertos os donos, a chamada grande imprensa ignorou. Assim, dias depois apenas, os donos dos cinco milhões de dólares foram citado na chamada grande imprensa. E de passagem, no pé das reportagens.

No fim da tarde de sábado, o Jornal da Band anunciou com destaque novas imagens exclusivas do butim. Ao fim da reportagem, breve, de passagem, a informação: “a operação, declarada a Receita Federal, está registrada no nome do Banco Rendimento S/A, com sede em São Paulo, e tinha como destino um banco suíço”.

No Fantástico do dia seguinte, o alvo da notícia novamente eram imagens do assalto. Lá no fim e novamente de passagem, breve, confirma a informação do registro em nome do Banco Rendimento e acrescenta o nome do banco suíço: Banco Raiffeisen.


Embora tratados sem importância no noticiário, sempre de passagem, os nomes do remetente do dinheiro e de quem iria receber na Suíça merecem maior atenção. Os nomes e o histórico de ambos.

No caso do brasileiro, o presidente do Banco Rendimento, César Ades, aparece no Swissleaks, em que clientes com contas secretas no HSBC suíço foram revelados. O presidente do Rendimento é apontado em seis “Relatórios de Inteligência Financeira”, (RIF) do COAF por transações com “indícios de ilícitos”. Os RIFS tem data de 10 de agosto de 2014 a 18 de março de 2015.

A conta de César Ades estava em nome da Grenfel Manegement, com sede nas Ilhas Tortolas. Ter offshore não é ilegal, desde que comunicada a existência para a Receita Federal. Em 2015, na ocasião do Swissleaks, César Ades foi procurado pela reportagem do Globo mas não quis se pronunciar sobre a conta nem sobre as investigações do COAF.

O barulho em torno dos sócios do Rendimento não para por aí.

Abramo Douek, diretor do Rendimento, era do Banco Cidade na virada dos anos 90 quando o banco foi acusado de simulação de prejuízos e de operações irregulares na Bolsa de Valores (venda de ouro e de ações inexistentes na data das operações). O Banco Central absolveu os demais dirigentes mas foi dada uma multa de R$ 3.490 para Abramo Douek, agora diretor do Banco Rendimento.

Nas eleições de 2016 para a prefeitura de São Paulo, Douek foi doador de R$ 7.500,00 para Marta Suplicy (PMDB).

Também diretor do Banco Rendimento, Roger Ades teve o nome envolvido em lavagem de dinheiro no começo da década. Era diretor-administrativo da Alpha Club, acusada de servir de fachada para um golpe de pirâmide da fortuna, propaganda enganosa e falta de registro. De acordo com reportagem da Folha de São Paulo de 5 de maio de 2000, a empresa patrocinou o Santos Futebol Clube com contrato de R$ 2 milhões na ocasião. De acordo com a reportagem, a Alpha Clube patrocinava também o Comitê Paraolímpico Brasileiro com contrato de R$ 650 mil, dos quais 40% foram pagos até estourar o escândalo.

Já o diretor do Banco Rendimento Marcelo Maktas Melsohn esteve envolvido em caso barulhento por chamar alguém de ladrão: em um restaurante de São Paulo, vociferou contra o ex-ministro Guido Mantega. Processado, pediu desculpas.


Presidente do Banco Raiffeisen foi preso na Suíça na última semana 

O histórico de escândalos do Banco Raiffeisen, para onde ia o dinheiro roubado em Viracopos é grande.

Na última semana, quatro dias depois do roubo de Viracopos, embora não se saiba se existe relação com o assalto, o presidente-executivo do Banco Raiffeisen, Pierin Vincenz, foi preso sob acusação de fraude financeira, como informa o site swissinfo.ch.

Logo após a prisão, o Presidente do Conselho de Administração do banco, Johannes Rüegg-Stürm, renunciou.

O banco tem histórico de escândalos por lavagem de dinheiro. No fim da última década, a filial austríaca do banco foi acusada de lavar dois bilhões de dólares da máfia italiana entre 2005 e 2007. Catorze contas bancárias operavam para tal.

No ano passado, a justiça suíça congelou US$ 22 milhões pagos de suborno da Odebrecht que estavam em contas do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli e seus filhos Luis e Ricardo Martinelli Linares. As contas dos filhos do ex-presidente do Panamá estavam em três bancos, entre eles o Notenstein La Roche (filial do Raiffeisen).

Outro lado:

A reportagem enviou as questões abaixo para o Banco Rendimento, através da assessoria de imprensa:

1- De acordo com reportagem exibida no Fantástico na noite deste 11/3, os US$ 5 milhões do assalto no Aeroporto de Viracopos eram remetidos pelo Banco Rendimento. Gostaria que o banco confimasse tal informação.

2- Qual a razão para tal envio por avião e não por transferência bancária?

3- Se o dinheiro era do banco ou de algum cliente ou clientes específicos?

4- Se a transação estava devidamente registrada e comunicada na Receita Federal e Banco Central?

5- De acordo com reportagens publicadas na ocasião do escandalo do Swiss Leaks, o presidente do banco, Cesar Ades, aparece em 6 relatórios do COAF por transações suspeitas. Se gostariam de comentar.

Respostas:

O Banco Rendimento esclarece que a operação em questão trata-se de prática rotineira do mercado de câmbio, que cumpriu rigorosamente todas as normas da Receita Federal e do Banco Central. A instituição está à disposição das autoridades para cooperar com as investigações dos fatos.

Lúcio de Castro
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Basta impedir Lula?

Os golpistas terão de inventar mais uma exceção para sair da enrascada eleitoral

Este agora se diz homem de Deus e do capitalismo
A rejeição pelo STJ do pedido de habeas corpus para o ex-presidente Lula não causa a mais pálida sombra de surpresa. Que esperar de uma pretensa Justiça pontual aliada no golpe dos outros dois Poderes da República? É do conhecimento até do mundo mineral que o estado de exceção precipitado pelo impeachment de Dilma Rousseff teve e tem como objetivo central alijar Lula das próximas eleições.

É a consagração paradoxal da liderança do ex-presidente, reconhecido como entrave fatal à sujeição do País às vontades “das multinacionais, dos setores financeiros e do mercado”, como sentencia Christophe Ventura, do Parti de Gauche, na entrevista a Leneide Duarte-Plon publicada nesta edição.

Perfeita na análise do golpe e de suas consequências, a entrevista chama atenção para alguns pontos decisivos da trama, as características stalinistas do processo contra Lula, por exemplo, ou da condição de gerente “do seu próprio servilismo” a recair inexoravelmente sobre o governo Temer. Há também o entendimento de que o golpe de 2016 é o ensaio de uma nova forma de autoritarismo político em países que não se curvam às exigências neoliberais.

A escalada do capitalismo selvagem não figurou nas previsões de Adam Smith, o grande iluminista da economia, mas tal é a selvageria inaudita da situação em que o Brasil precipita. E tem fundo o abismo que nos engole mais e mais a cada dia?

Várias incógnitas incumbem no momento, e uma delas diz respeito ao destino de Michel Temer, a viver o risco de prisão logo após a perda do mandato e nesta semana alcançado pela decisão do ministro Luís Roberto Barroso de quebrar o sigilo bancário do presidente ilegítimo. Não é que Temer perca de vista a ameaça, mas, por isso mesmo, até onde chegará para livrar-se dela?

A maior incógnita, em todo caso, é representada pelo calendário eleitoral: haverá eleições em outubro próximo? A única certeza é de que, sem Lula, o pleito é pura fraude, é a negação, stalinista, diria Christophe Ventura, da vontade popular.

De fato, a despeito das condenações em primeira e segunda instância, o ex-presidente cresce nas pesquisas. A dar ouvidos a rumores difusos, o Datafolha já disporia dos resultados de mais uma que o jornal preferiria não divulgar por razões óbvias.

Pouco importa, a ascensão de Lula é inevitável, ao sabor da próxima caravana no Sul do País, com visita prevista ao túmulo de Getúlio em São Borja, e da prisão que virá logo em seguida. Quais os recursos do estado de exceção para garantir a sua continuidade e gerenciar até as últimas consequências o seu servilismo?

O cenário das candidaturas no lado golpista é desolador, como sabemos. A levar em conta as pesquisas, seria o capitão Bolsonaro personagem potável para a demanda dos usurpadores? Que pensam dele as multinacionais, o mercado etc. etc.? Neste exato instante, ele responde a Temer, que lhe tirou a bala da boca, ao se candidatar como homem de Deus e do capitalismo. Quem entende do assunto vai se convencer?

Do lado oposto há candidatos de qualidade, sem dúvida, com a chegada de Guilherme Boulos, liderança nova e extremamente promissora, mas todos inviáveis aos olhos do poder ao qual o estado de exceção é vassalo. Haverá também o escolhido de Lula, provavelmente o mais perigoso. E os golpistas, e quem está por trás deles, aceitariam perder o pleito depois da longa e impune caminhada empreendida até o momento?

Não há lógica alguma em uma eleição perdida de saída por quantos tornam o Brasil cobaia do poder neoliberal. Recomenda-se temer (sem trocadilho) o que os ilegítimos estarão dispostos a perpetrar para ampliar o alcance da ilegitimidade.

Mino Carta
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Dória avisou: cunhado pode afundar Alckmin

Em agosto do ano passado, o “prefake” João Doria, que bicou seu padrinho político na disputa pela vaga do PSDB nas eleições presidenciais, insinuou que um sinistro cunhado ainda poderia detonar as pretensões de Geraldo Alckmin. Matéria do jornal Valor, assinada por Rosangela Bittar, detalhou a fritura na ocasião. “Não é segredo. Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin. Não há um tucano paulista, dos bem autênticos, que não tenha uma história para contar sobre o bombardeio do prefeito contra quem imagina ser seu adversário interno. Os interlocutores estão saindo horrorizados com a má propaganda e a baixa perspectiva que se cria para Alckmin: Doria não perde oportunidade de dizer que vem aí uma bomba, uma delação irrespondível, que esse ‘negócio de cunhado é difícil’”.

Bem que o traíra avisou. Nesta segunda-feira (12), a Folha soltou a "bomba". Segundo revela Thais Bilenky, “três empresas da família do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), têm ou tiveram como sede um edifício comercial de propriedade de seu cunhado Adhemar Ribeiro, acusado por dois delatores da Odebrecht de ter recebido R$ 2 milhões no caixa dois para candidatura do tucano em 2010. Em ao menos duas eleições, para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, e para o governo paulista, em 2010, as campanhas de Alckmin tiveram uma base no imóvel”. Ainda de acordo com a matéria, desde o final de 2006 que o “picolé de chuchu” mantém vínculos com o escritório do cunhado, localizado no bairro nobre do Itaim Bibi, na capital paulista.

“De propriedade do governador em sociedade com a sua filha, Sophia, e capital de R$ 10 mil, a empresa tem como objeto social ‘pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas, regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços, ensino de dança, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial’. A assessoria do tucano disse que a empresa foi criada para atividades dele como ‘professor e palestrante’. O mesmo prédio de Ribeiro, o Wall Street Empreendimentos, serviu de sede para a Trigo Assessoria, agência de notícias de Sophia com uma sócia, de 2009 a 17 de fevereiro de 2017, quando elas mudaram de endereço”.

“A migração da agência da filha de Alckmin ocorreu 18 dias depois de o STF homologar a delação da Odebrecht, o que resultaria na divulgação, em abril do ano passado, dos depoimentos dos ex-executivos da empresa. Um dos delatores, Carlos Armando Paschoal, ex-superintendente da construtora em São Paulo, relatou a atuação de Ribeiro na campanha de Alckmin. Ele afirmou que foi levado por Aluízio de Araújo, conselheiro da Odebrecht morto em 2014, ‘a uma reunião com Geraldo Alckmin no escritório deste, na avenida Nove de Julho, próximo à avenida São Gabriel’ – descrição compatível com a do escritório do cunhado”. A Folha até lembra que “em novembro passado, o STJ recebeu pedido de abertura de inquérito contra Alckmin pela suposta prática de caixa dois em 2010 e 2014. Ele foi acusado de ter recebido, no total, R$ 10,3 milhões sem declarar”.

O caso escabroso tramitava em segredo de Justiça e seguia abafado pela mídia chapa-branca. Logo após a delação da Odebrecht, o governador acelerou os gastos em publicidade na imprensa. Uma notinha da mesma Folha registrou esta generosidade. “Potencial candidato a presidente, Geraldo Alckmin vai concentrar os gastos com publicidade do Estado no primeiro semestre deste ano, de olho na eleição presidencial de 2018. Ele reservou R$ 101 milhões nos dois primeiros bimestres do ano na rubrica ‘comunicação social’. A maior parte desses recursos deverá ser usada já no primeiro semestre... O montante poderá ser aumentado ou diminuído no decorrer do ano. Se mantido, corresponderá a 12% a mais do que o gasto no ano passado, cerca de R$ 90 milhões”.

Agora, porém, a sinistra história do cunhado voltou à tona, como bem avisou o “prefake turista”. A “bomba” pode bagunçar os planos eleitorais de Geraldo Alckmin. A conferir!

Altamiro Borges



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Prisão de Lula será violência histórica

http://www.blogdokennedy.com.br/prisao-de-lula-sera-violencia-historica/
Cresceu possibilidade de detenção até fim do mês

Cresceu a possibilidade de o ex-presidente Lula ser preso até o fim do mês devido à condenação no processo do apartamento no Guarujá. Todos os sinais do STF (Supremo Tribunal Federal), corte que poderia impedir a prisão de Lula após o fim do julgamento de todos os recursos no TRF-4 (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, indicam isso.

A 8ª Turma do TRF-4 deverá analisar os pedidos da defesa de Lula na última semana de março. Como a 8ª Turma tende a confirmar a condenação de janeiro, haveria a execução da pena em seguida. Ou seja, prisão do ex-presidente.

No STF, o ministro Edson Fachin, que poderia pedir ao plenário para julgar rapidamente o habeas corpus apresentado pela defesa de Lula, tem sinalizado que não fará isso. Portanto, o cenário mais provável é a possibilidade de prisão até o fim deste mês.

Se o TRF-4 deixasse para analisar o caso em abril e a presidente do STF, Cármen Lúcia, submetesse a análise do plenário duas ações de repercussão geral sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, haveria chance de Lula evitar a detenção. Mas o TRF-4 tem acelerado o julgamento do petista, e Cármen Lúcia já divulgou a pauta de abril sem prever inclusão das ações que permitiriam rediscussão do plenário sobre execução da pena de prisão após condenação em segunda instância.

É uma decisão política de uma juíza. A presidente do STF atua de forma contraditória na comparação com ocasiões do passado em que a classe política demandou a apreciação de casos de ampla repercussão.

Por exemplo: ela levou a julgamento em outubro do ano passado uma ação de três partidos (SD, PP e PSC) que pedia que o afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, determinado pelo Supremo em maio de 2016, tivesse de ser analisado previamente pela Câmara. Ao final, prevaleceu a decisão, por 6 a 5, de que o Congresso deve ser consultado antes da aplicação de medidas cautelares que impeçam o exercício do mandato.

Naquele episódio, havia pressão política semelhante à que existe hoje em relação à eventual prisão de Lula. A diferença é que aquele lobby foi feito por tucanos e peeemebistas. Agora, são petistas que pressionam. Com o voto decisivo de Cármen Lúcia, venceu em outubro o entendimento que acabaria beneficiando o senador Aécio Neves, do PSDB, e o manteria no exercício do mandato.

Há no Supremo um debate interno sobre a execução da pena após decisão condenatória na segunda instância. Existem duas ações de repercussão geral que poderiam levar a uma mudança dessa jurisprudência. Carmén Lúcia é contra essa alteração e não quer debater o tema.

Atualmente, o STF autoriza a possibilidade de prisão após a condenação na segunda instância. Se rediscutisse o caso, a corte poderia mudar essse entendimento, determinando a espera de uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), já na terceira instância, para autorizar a execução da pena de prisão.

Cármen Lúcia já deu prova de que faz política quando julga conveniente, como ao receber o presidente Michel Temer no último fim de semana em sua casa. No caso de Lula, ela age de forma que prejudica o ex-presidente, ainda que mais à frente ele consiga ter sucesso num recurso no STJ ou no STF para tirá-lo da eventual prisão. Mas já teria ocorrido a ida dele para a prisão, o que tem enorme efeito simbólico.

Acirrar ânimos

Do ponto de vista político, a eventual prisão vai acirrar ainda mais os ânimos no país. Deverá dividir ainda mais o Brasil.

As pesquisas mostram um país cindido em relação a Lula. Metade o quer na cadeia. A outra metade julga que ele não merece tal destino. Não será uma decisão que será aceita passivamente por uma parcela da sociedade.

Deverá haver protestos. Deverá haver enorme repercussão internacional. Terá peso simbólico triste a eventual prisão do primeiro presidente do Brasil que possui realmente uma origem popular.

Para alguns segmentos da sociedade, será mais um sinal de fim da impunidade, de aplicação da lei penal com mais rigor contra poderosos. Para outros setores sociais, será uma perseguição judicial, uma violência de uma Justiça seletiva que utiliza mais uma vez na História o discurso do combate à corrupção para enfraquecer projetos políticos que combateram a desigualdade social e beneficiaram os mais pobres do país.

Do ponto de vista eleitoral, a prisão pode fortalecer a capacidade de Lula transferir votos se for confirmada a sua exclusão das urnas. Haverá uma tendência de maior solidariedade ao seu calvário.

A eventual prisão também deverá elevar o debate público sobre a condenação no processo do apartamento no Guarujá, considerada frágil por boa parte dos advogados criminalistas e professores de direito penal do país e defendida por Sergio Moro e as principais figuras da Lava Jato. Esse processo tem fragilidades jurídicas que tenderão a ser vistas no futuro como uma injustiça histórica.
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Filhos de corregedor advogam para cartórios em tribunal onde pai atua

Corregedor nacional de Justiça tem entre as atribuições receber denúncias sobre serviços notariais

Ele
Os advogados Otávio Henrique Menezes de Noronha e Anna Carolina Menezes de Noronha, filhos do corregedor nacional de Justiça, João Otávio de Noronha, defendem interesses de cartórios no STJ (Superior Tribunal de Justiça), onde o pai é um dos ministros.

O escritório Otávio Noronha Sociedade de Advogados foi contratado pela Associação dos Notários e Registradores do Estado de Minas Gerais (Anoreg-MG) para patrocinar um recurso no STJ sobre a cobrança de taxas para registro da Cédula de Crédito Rural.

O presidente da associação, deputado estadual Roberto Andrade (PSB), oficial de registro de imóveis em Viçosa (MG), diz que é amigo do advogado e que, à época, o ministro ainda não era corregedor nacional.

O recurso foi julgado no STJ em junho de 2016. Noronha não participou do julgamento. Anna Carolina fez sustentação oral. Os autos foram remetidos para o STF (Supremo Tribunal Federal) em junho de 2017.

É atribuição do corregedor nacional receber reclamações e denúncias sobre serviços notariais e de registro. A atuação dos filhos do corregedor na defesa dos interesses das associações dos extrajudiciais é vista com reserva por colegas de Noronha.

As serventias de tabelionatos e registros civis estão ligadas diretamente ao corregedor, o que impediria os filhos de Noronha de advogarem no STJ como representantes de cartórios.

Em abril de 2016, a Folha revelou que Otávio Henrique e Anna Carolina atuavam em 115 processos no STJ. Noronha confirmou que havia participado de julgamento de dois recursos cujos interessados foram defendidos, cada um, por seus filhos, junto com outros advogados.

Noronha disse na época que caberia à secretaria do órgão, "que por equívoco não o fez", informá-lo do impedimento.

A ministra Regina Helena Costa disse que a situação "provoca ofensa à isonomia a ser observada em relação aos advogados, pois 'advogados parentes' de ministros acabam por ter acesso mais fácil aos julgadores".

A então corregedora Eliana Calmon se dizia inconformada com a desenvoltura com que filhos de ministros conquistavam clientes. "Os meninos aparecem de BMW, de Mercedes-Benz, morando em casas luxuosas. Eu penei para ter apartamento", comentou, na ocasião.

Em janeiro deste ano, a Folha revelou que Noronha não se declarou impedido de relatar no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) representação de um prefeito, cliente de seus filhos, que tenta reverter condenação do STJ por improbidade administrativa.

Noronha diz que mantém, em relação aos cartórios, a mesma filosofia que adota como corregedor dos magistrados: "O papel primordial é proteger, blindar o juiz das influências externas, para que ele possa exercer sua atividade de forma livre e responsável", afirmou em sua posse, em 2016.

Em evento de corregedores do serviço extrajudicial, em dezembro último, Noronha disse que "a corregedoria não deve ser vista como mero órgão censor, mas como parceira".

Em janeiro deste ano, Noronha assinou ato que permite a obtenção de passaporte e carteira de identidade em cartórios, dependendo de convênios com a Polícia Federal e secretarias de Segurança. Liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu o provimento de Noronha.

Outro lado

O ministro Noronha diz que "não há conflito de interesses ou qualquer irregularidade" na contratação de seus filhos pela Anoreg-MG.

Diz que seus filhos "nunca atuaram perante o CNJ" e que o caso foi julgado no STJ em 16 de junho de 2016, antes de tomar posse como corregedor nacional.

O presidente da associação, Roberto Andrade, diz que a contratação do escritório de Otávio Henrique "se deveu exclusivamente à sua competência profissional e à relação de confiança".

"Quando a Anoreg-MG ajuizou a ação no STJ, o caso estava sob os cuidados de advogados de Belo Horizonte. Para facilitar o acompanhamento do julgamento do processo, chegamos à conclusão de que seria necessário um advogado de Brasília, quando optamos por Otávio."

"O processo foi vencido por unanimidade, com base em precedente do próprio STJ. Não há nenhuma relação com o fato de o advogado ser filho do atual corregedor", diz.

A Folha telefonou para o escritório de Otávio Henrique e Anna Carolina, mas não conseguiu ouvir os advogados.

Frederico Vasconcelos
No fAlha
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Marcos Valério quebra o silêncio e entrega o esquema de corrupção dos tucanos

Ele
Na sexta-feira da semana passada, o publicitário Marcos Valério ficou sete horas no Departamento Estadual de Investigações sobre Fraudes em Belo Horizonte, no primeiro depoimento que prestou depois que fez um acordo de delação premiada com a Polícia Civil de Minas Gerais.

“O Valério implodiu o PSDB”, disse uma pessoa que acompanhou o depoimento. Conversei com outras pessoas que estiveram presentes no depoimento. Os relatos são impactantes. Rodrigo Pinho de Bossi, chefe do Departamento, não deu entrevista, mas anunciou que deve falar sobre o caso em coletiva.

Ele, entretanto, não liberará o depoimento até que o acordo de delação premiada seja homologado pela Justiça.

Marcos Valério cumpre pena de 37 anos e cinco meses de prisão por participação no caso conhecido como Mensalão de Brasília ou Mensalão do PT.

Ele tinha uma agência de publicidade usada para repassar recursos a políticos de todos os partidos, durante os primeiros anos do primeiro mandato do governo Lula.

Era um operador. O dinheiro de caixa 2 passava por ele.

O que a velha imprensa quase não diz  — e quando diz não destaca — é que Marcos Valério começou a operar no submundo da política muito antes do PT chegar ao governo.

“Foi no governo de Eduardo Azeredo, do PSDB, que ele criou os mecanismos para ser o maior trem pagador da política brasileira”, disse uma pessoa que acompanhou o depoimento.

Marcos Valério tentou fazer delação premiada em outros momentos, mas o Ministério Público Federal rejeitou seu depoimento.

“Agora nós sabemos por que. É porque ele arrebenta o PSDB e seus apoiadores. É muita sujeira, e o Ministério Público não quis ouvir”, afirmou a fonte.

Valério confirmou a autenticidade de documentos apreendidos pela Polícia Civil em casas de pessoas que estavam sendo investigadas por envolvimento em esquemas de corrupção, como Denise Landim e o advogado Joaquim Engler.

Um dos documentos apreendidos é a cópia da chamada Lista do Valério, um documento que foi considerado apócrifo. Nesta lista, a exemplo de outra lista famosa, a de Furnas, aparecem os nomes de pessoas que receberam recursos operados por Valério.

São pessoas que ocupavam postos de destaque no governo de Fernando Henrique Cardoso. O que Valério contou à Polícia Civil é a origem desses recursos.

“A origem está na negociação na venda da CEMIG”, contou ele, em referência à estatal de energia controlada pelo governo de Minas Gerais.

Em 1997, o governo de Minas Gerais, por decisão de Eduardo Azeredo, vendeu 32,7% das ações da CEMIG para o que se chamou à época “parceiros estratégicos”, que formaram o consórcio Southern Electric Brasil Participações Ltda.

O consócio foi costurado pelo Banco Opprtunity, de Daniel Dantas, com duas empresas de eletricidade dos Estados Unidos, a Southern Electric e a AES.

Pelo lado do governo, quem conduziu a venda foi o vice-governador Walfrido dos Mares Guia. O consórcio arrematou quase 33% das ações ordinárias da Cemig por R$ 1,13 bilhão.

O dinheiro que financiou a compra saiu dos cofres do BNDES, na época presidido por Luiz Carlos Mendonça de Barros.

Metade do dinheiro seria paga em 12 meses sem juros e, a outra metade, em 10 anos, com financiamento do BNDES, que cobrava do consórcio juros de 3,5% ao ano.

O governador Azeredo não se reelegeu. Em seu lugar, assumiu Itamar Franco, que em 1999 entrou com ação para desfazer o acordo de acionistas e retomar para o Estado o controle da CEMIG.

O Tribunal concedeu liminar favorável a Itamar, que demitiu os três diretores que representavam o consórcio.

Mas as ações continuaram nas mãos do consórcio, que até hoje recebem altos dividendos, o que demonstra que as empresas capitaneadas por Daniel Dantas fizeram um excelente negócio.

Se foi bom para os investidores, foi péssimo para a estatal, e um negócio desse tipo não se concretizaria sem o pagamento de propina, muita propina.

É aí que entra Marcos Valério.

Ele já tinha negócios com Daniel Dantas, através das contas de empresas de telefonia controladas pelo Banco Opportunity.

Para Valério, publicidade sempre foi um meio de fazer caixa 2, e era essa a natureza dos negócios com Dantas.

“Ele pagou todo mundo, a maior parte gente graúda do PSDB, graúda não, muito graúda, do governo de Minas Gerais e do governo federal”, contou a fonte.

Quando estourou o escândalo do Mensalão, começou a circular a lista com o nome das pessoas que receberam recursos de Valério. Não fazia referência explícita à CEMIG, mas os nomes que apareciam lá eram de pessoas envolvidas, de uma forma ou de outra, com a venda das ações.

A lista tem a assinatura de Valério e documentos desse tipo, como o de Furnas, servem para intimidar recebedores de recursos ilegais.

Na época, a velha imprensa noticiou que Valério havia negado a autenticidade da lista, mas nunca se fez perícia para verificar se a assinatura era dele.

A lista original foi entregue pelo advogado Dino Miraglia, na época advogado do lobista Nílton Monteiro, delator de Furnas e do Mensalão de Minas, ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que foi o relator do Mensalão de Brasília.

O documento nunca foi investigado e se encontra nos arquivos do Supremo Tribunal Federal. Mas a lista teve repercussão. Negativa para quem a denunciou.

O ministro Gilmar Mendes, que fazia parte do governo Fernando Henrique Cardoso, aparece na lista como recebedor de propina. O caso foi noticiado pela revista Carta Capital.

Gilmar processou a publicação, o jornalista autor da reportagem e o advogado. Todos foram condenados.

Com o depoimento de Marcos Valério, abre-se nova oportunidade para um mergulho no submundo que une política, Ministério Público, Judiciário e grandes empresas.

Sempre se soube que a corrupção não nasceu com o governo do PT, mas uma blindagem institucional nunca permitiu que as investigações avançassem sobre o PSDB.

O delegado Rodrigo Bossi de Pinho, da Polícia Civil de Minas, abriu uma brecha, deu voz a um grande operador do submundo do dinheiro, um profissional do crime de colarinho branco que prestou serviços a A, B, C e até Z.

Vai começar uma operação abafa.

A parte do Brasil que já foi civilizada não pode permitir que isso aconteça.

A lucrativa CEMIG foi o bem que, segundo Valério, os corruptos do PSDB venderam

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Gebrael, que pedia a prisão de Lula nas redes, é preso

William Gebrael bradava diariamente contra a corrupção e pedia a prisão de Lula nas redes sociais


Uma das quatro pessoas que foram presas no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, em uma operação da Polícia Federal (PF), com o apoio da Receita Federal, na manhã da última quinta-feira (8) no Rio é William Gebrael. Tido como o chefe do bando de contrabandistas, Gebrael bradava diariamente contra a corrupção e pedia a prisão de Lula nas redes sociais.

Em uma de suas postagens Gebrael escreveu sobre uma foto do ex-presidente:

“Não prendê-lo é ensinar aos nossos filhos que o crime compensa”

No dia 24 de janeiro, dia da condenação de Lula em segunda instância pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), ele escreveu:

“É raro o momento de orgulho de ser brasileiro, mas hoje, eu sinto isso” (Sic)


A quadrilha de Gebrael trazia ao Brasil de maneira irregular, principalmente, aparelhos celulares de alto padrão e caros, de acordo com a investigação. Informações de inteligência indicam que, para cada mala de viagem que passava pelo canal de inspeção aduaneira sem fiscalização, era pago o valor de US$ 1 mil. Já para mochilas, era estabelecida a quantia de US$ 400 por unidade.

Investigação



As investigações da operação, batizada de “Vista Grossa”, começaram há cerca de um ano.

De acordo com a polícia, membros da quadrilha em funções de comando contratavam “mulas” para o transporte de mercadorias importadas e repassavam os dados dessas pessoas a servidores da Receita Federal lotados no aeródromo. Esses, por sua vez, fariam vista grossa e facilitavam o ingresso do material em solo brasileiro sem o devido pagamento dos tributos.

De acordo com os investigadores, o chefe da quadrilha tirava uma foto do contrabandista que chegaria com a mercadoria no aeroporto do Rio e enviava para o servidor da Receita – que liberava a entrada sem qualquer tipo de inspeção ou restrição.

Gebrael e os outros presos serão indiciados por organização criminosa, facilitação de contrabando e descaminho, corrupção ativa e contrabando/descaminho praticado via transporte aéreo.

No Fórum
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Xadrez do fim das ilusões

Ilusão 1 – o fim do Estado de Exceção

Alguns sonhadores acreditavam que, consumado o objetivo do golpe – o impeachment e a inabilitação de Lula como candidato – haveria um refluxo do Estado de Exceção. Hoje em dia, apenas Fernando Henrique Cardoso sustenta essa falácia – sabendo que as pessoas acreditam que ele não acredita em uma vírgula do que fala.

Hoje em dia, qualquer pessoa contrária ao sistema está sob ameaça. Os exemplos são diários:
  1.  Busca e apreensão na casa de um advogado crítico da Lava Jato, porque foi flagrado em uma escuta telefônica, na qual seu cliente sugeria a ele não falar ao telefone.
  2. Busca e apreensão na casa do ex-Ministro Delfim Neto, que está há mais de 30 anos fora do poder. Delfim vive de consultoria, mas o que recebeu por uma delas foi classificado como “propina”. O que ele tinha a oferecer, não tendo cargos? Dilma Roussef irritou-se com a intransigência das construtoras de Belo Monte e a falta de competição nas licitações. Delfim foi contratado pelas empreiteiras para montar um pool que garantisse a disputa. Uma delação que chamou o pagamento da consultoria de propina bastou para que invadissem sua casa e seu escritório. E houve quem celebrasse porque Delfim representaria a “ditadura” – aquela, que acabou com a eleição de Tancredo.
  3. A persistência de invasões em universidades e outros centros de resistência.
  4. A prisão de um ex-presidente da BRF por manipulação de teste sanitários. Liberou geral e não há força que consiga conter os abusos. As únicas declarações da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal)  Carmen Lúcia são de defesa genérica da corporação dos juízes.
  5. A incapacidade do sistema legal de impedir as maiores negociatas da história, articuladas à luz do dia. Só atuam em episódios menores, à altura da compreensão do populacho: como a candidata a Ministra que faz selfie com fortões. Fogem dos temas centrais, como a venda da Eletrobrás, como o diabo da cruz.
  6. Uma presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) completamente a reboque dos fatos, recebendo em casa – e servindo pão de queijo - um presidente prestes a ser indiciado. Como uma presidente débil como Carmen Lúcia, as tentativas de impedir abusos – como o das conduções coercitivas – resulta na operação BRF: várias prisões temporárias, arrostando claramente a proibição do Ministro Gilmar Mendes de conduções coercitivas. Depois de entregar ao Senado uma atribuição do STF – o julgamento de políticos acusados de corrupção – Carmen Lúcia agora se nega a antecipar a discussão sobre a prisão em 2ª instância unicamente devido ao fato de que poderia beneficiar Lula.
  7. Ampliação da presença militar no governo.

Ilusão 2 – o fator Lula

Nos próximos dias, se desfará de vez a ilusão de que quem deu o golpe permitirá a candidatura de Lula. Enquanto a oposição pensa o P4R, a situação – que tem o jogo na mão – já planeja o cheque-pastor.

Não se limitará a impedir a candidatura de Lula, mas sua própria participação na campanha. Constatou o óbvio: que Lula é não apenas o candidato mais forte, mas também o eleitor mais influente. Por isso, há versões sustentando que haverá prisão – sim – e de prazo suficientemente prolongado para tirar Lula da campanha, vetando até seus depoimentos de apoio a candidatos.

Ilusão 3 – a vitória fácil sobre Temer

Há a ilusão de que o desastre Temer é suficientemente eloquente para inviabilizar candidaturas de direita – de Bolsonaro a Geraldo Alckmin. É possível, mas com um mínimo de articulação. Oposição não nasce das cinzas, como uma fênix.

O fator Lula – na condição de maior força da esquerda – até certo ponto minimizava as quizílias entre partidos de oposição. Quando se constatar a impossibilidade de Lula candidato, haverá choro e ranger de dentes – e tiros para todo lado, uma corrida para ver quem sai na pole position que, se não houver conversas e acordos prévios, poderá ser fratricida.

Será uma eleição dificílima, mesmo tendo do outro lado a sombra do mais execrável presidente da história.

No TSE (Tribunal Superior Eleitoral) haverá um general implacável, Luiz Fux, que já ameaçou com prisão prévia, busca e apreensão, os produtores de “fake News” – podendo interpretar, a seu talante, o que considera por tal. No pós-mensalão, assim que viu-se com poder, Fux afrontou o Congresso, no episódio dos royalties do petróleo, denotando uma vocação explícita para atos arbitrários. E no TSE, montado em uma legislação que deixa por sua conta definir o que é “fase News”?

Além disso, não se deve apostar tudo na fraqueza dos candidatos de direita. Luciano Huck sempre é uma possibilidade, principalmente se Geraldo Alckmin não alçar voo – e nada indica que voará. É possível que, à luz de pesquisas atuais, o sistema acabe convencendo Huck a beber do cálice da candidatura.

Em suma, para o segundo turno haverá um candidato que independe de mídia – Bolsonaro – e existe a possibilidade concreta de seu adversário ser alguém dito de centro-direita.

Conclusão – recompor o foco

À medida que vai se caminhando para um desfecho, e que cai a esperança de Lula candidato, se não houver uma ocupação rápida de espaço, as oposições serão presas fáceis de manipulações de toda ordem. Hoje em dia, qualquer intriga provoca incêndios violentos. O desespero induz a crenças em balas de prata e chás do Santo Daime.

O Brasil já provou definitivamente que a atual geração de homens públicos é a mais medíocre da história – talvez com algumas exceções na República Velha. Mas a esquerda terá que demonstrar que, pelo menos no seu quintal, há análise estratégica, bom senso e desprendimento.

Suas lideranças terão que, rapidamente, sentar e começar a negociar.

Talvez esta seja a grande contribuição de Lula, antes de consumado seu sacrifício.

Luís Nassif
No GGN
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Funcionários dos Correios entram em greve contra perda de direitos


Servidores dos Correios entraram em greve nacional por tempo indeterminado. Oficialmente, o movimento começou no domingo (11) a partir das 22h, com a paralisação do trabalho pelos funcionários do turno da noite. De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), os trabalhadores são contra mudanças no plano de saúde da empresa, que preveem o pagamento das mensalidades pelos funcionários e a retirada de dependentes dos contratos.

"Além disso, o benefício poderá ser reajustado conforme a idade, chegando a mensalidades acima de R$ 900", informou a Fentect, em nota, ressaltando que o salário médio dos trabalhadores dos Correios é de R$ 1,6 mil – "o pior salário entre empresas públicas e estatais".

O início da greve coincide com o julgamento sobre o plano de saúde dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST), nesta segunda (12).

A greve é motivada também por alterações propostas pelo governo de Michel Temer no Plano de Cargos, Carreiras e Salários; a terceirização na área de tratamento; a suspensão das férias dos trabalhadores; a extinção do diferencial de mercado e a redução do salário da área administrativa; medidas unilaterais que indicam que o governo mira a privatização da estatal.

Além disso, entre as demandas da categoria estão a contratação de novos funcionários por meio de concurso público, a segurança dos trabalhadores e o fim dos planos de demissão.

A federação também é contra a extinção e terceirização do cargo de operador de triagem e transbordo, "importante para o movimento do fluxo postal interno". "Para piorar a situação, a empresa também anunciou o fechamento de mais de 2.500 agências próprias por todo o Brasil", diz a nota da Fentect.

Para a categoria, o "desmonte" promovido pela gestão dos Correios tende a prejudicar ainda mais os serviços à população. "A Fentect esclarece que alguns argumentos repassados transmitem uma visão enganosa da realidade na estatal. Por exemplo, quanto ao monopólio dos Correios, que, hoje, corresponde apenas a cartas, malote e telegrama. O segmento de encomendas, como o Sedex, entretanto, sempre foi concorrencial", informou.

Quanto ao reajuste dos preços dos serviços da estatal, a federação discorda de que houve aumentos abusivos nos valores.

No dia 6 deste mês, os Correios começaram a cobrar uma taxa extra de R$ 3 para encomendas com destino ao Rio de Janeiro. O motivo seria a elevação dos custos da entrega por causa da violência no município. A federação alega que o aumento não beneficiou os trabalhadores. "Já em relação ao argumento da ECT para esse reajuste a respeito da segurança dos trabalhadores, a Fentect esclarece que não há nenhum benefício pago ao trabalhador por esse motivo, bem como nenhum adicional". No dia 9, após decisão da Justiça Federal, a estatal suspendeu a cobrança.

Para a Fentect, a empresa não onera o governo federal ou o bolso do cidadão com arrecadação de impostos. "Ao contrário, é o governo quem tem retirado verbas da empresa, sem retorno, nos últimos anos, da ordem de R$ 6 bilhões", informou. "Com todos os erros e ingerências políticas na administração dos Correios, a direção da estatal promove essas e outras retiradas de direitos dos próprios trabalhadores, responsabilizando-os pelos danos da ECT."

A assessoria dos Correios não respondeu aos chamados da reportagem durante o fim de semana.
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Gabriela Montaño — Presidenta da Assembleia Nacional da Bolívia e a mídia


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Os 42 ricaços do Brasil. Todos golpistas!

A revista Forbes, dedicada à cloaca empresarial do planeta, divulgou na última terça-feira (6) a lista dos maiores bilionários do Brasil. O ranking é um autêntico escárnio. Enquanto milhões de brasileiros são lançados na miséria pelas políticas antipovo do vampirão Michel Temer – com sua terceirização selvagem, "deforma" trabalhista, congelamento por 20 anos dos investimentos na saúde e educação, entre outras maldades –, 42 bilionários ostentam fortunas inimagináveis. Não é para menos que a maioria deles, de forma direta ou indireta, esteve envolvida no golpe dos corruptos. São banqueiros, barões do agronegócios, industriais e donos da mídia. Os ricaços querem manter e ampliar suas riquezas. E danem-se os brasileiros. Confira a lista:

1. Jorge Paulo Lemann – US$ 27,4 bilhões
2. Joseph Safra – US$ 23,5 bilhões
3. Marcel Herrmann Telles – US$ 14 bilhões
4. Carlos Alberto Sicupira – US$ 12 bilhões
5. Eduardo Saverin – US$ 10,1 bilhões
6. Pedro Moreira Salles – US$ 5,1 bilhões
7. Fernando Roberto Moreira Salles – US$ 5 bilhões
8. João Moreira Salles – US$ 5 bilhões
9. Walther Moreira Salles Junior – US$ 5 bilhões
10. Abilio dos Santos Diniz – US$ 3,5 bilhões
11. Walter Faria – US$ 3,2 bilhões
12. Luis Frias – US$ bilhões
13. Ermirio Pereira de Moraes – US$ 2,7 bilhões
14. Jorge Moll Filho – US$ 2,6 bilhões
15. Maria Helena Moraes Scripilliti - US$ 2,6 bilhões
16. Aloysio de Andrade Faria – US$ 2,5 bilhões
17. José Roberto Marinho – US$ 2,5 bilhões
18. Roberto Irineu Marinho – US$ 2,5 bilhões
19. Carlos Sanchez – US$ 2,5 bilhões
20. José Luís Cutrale – US$ 2,4 bilhões
21. Alfredo Egydio Arruda Villela Filho – US$ 2,4 bilhões
22. André Esteves – US$ 2,4 bilhões
23. João Roberto Marinho – US$ 2,4 bilhões
24. Nevaldo Rocha – US$ 2,4 bilhões
25. Lia Maria Aguiar – US$ 2,2 bilhões
26. Dulce Pugliese de Godoy Bueno – US$ 2,2 bilhões
27. Ana Lucia de Mattos Barretto Villela – US$ 2,2 bilhões
28. Alexandre Grendene Bartelle – US$ 2,2 bilhões
29. João Alves de Queiroz Filho – US$ 2 bilhões
30. Jayme Garfinkel – US$ 2 bilhões
31. Júlio Bozano – US$ 1,8 bilhões
32. Liu Ming Chung – US$ 1,7 bilhão
33. Lírio Parisotto – US$ 1,6 bilhão
34. José João Abdalla Filho – US$ 1,5 bilhão
35. Miguel Krigsner – US$ 1,5 bilhão
36. José Isaac Peres – US$ 1,5 bilhão
37. Antônio Luiz Seabra – US$ 1,5 bilhão
38. Rubens Ometto Silveira Mello – US$ 1,4 bilhão
39. Daisy Igel – US$ 1,2 bilhão
40. Ana Maria Marcondes Penido Sant'Anna – US$ 1,2 bilhão
41. Maurizio Billi – US$ 1 bilhão
42. Elie Horn – US$ 1 bilhão

Na mesma edição, a revista Forbes publicou a lista dos 39 maiores bilionários do mundo – este mesmo mundo que presencia o drama de bilhões de pessoas que morrem de fome, vegetam em campos de refugiados e aceitam salários aviltantes nas potências capitalistas. Segundo a publicação, o número de ricaços cresceu em 18% em 2017, saltando para 2.208 contra 2.043 no ano anterior. Alguns deles, como Bill Gates e Mark Zuckerberg, ainda têm o cinismo de posar de filantropos, explorando as nações periféricas. Vale também conferir o ranking desta verdadeira aberração do capitalismo, um sistema contra a humanidade:

1. Jeff Bezos, com US$ 112 bilhões (Amazon)
2. Bill Gates, com US$ 90 bilhões (Microsoft)
3. Warren Buffett, com US$ 84 bilhões (Berkshire Hathaway)
4. Bernard Arnault, com US$ 72 bilhões (LVMH)
5. Mark Zuckerberg, com US$ 71 bilhões (Facebook)
6. Amancio Ortega, com US$ 70 bilhões (Zara)
7. Carlos Slim Helu, com US$ 67,1 bilhões (telecomunicações)
8. Charles Koch, com US$ 60 bilhões (diversificado)
9. David Koch, com US$ 60 bilhões (diversificado)
10. Larry Ellison, com US$ 58,5 bilhões (software)
11. Michael Bloomberg, com US$ 50 bilhões (Bloomberg LP)
12. Larry Page, com US$ 48,8 bilhões (Google)
13. Sergey Brin, com US$ 47,5 bilhões (Google)
14. Jim Walton, com US$ 46,4 bilhões (Wal-Mart)
15. S. Robson Walton, com US$ 46,2 bilhões (Wal-Mart)
16. Alice Walton, com US$ 46 bilhões (Wal-Mart)
17. Ma Huateng, com US$ 45,3 bilhões (Tencent)
18. Françoise Bettencourt-Meyers, com US$ 42,4 bilhões (L'Oreal)
19. Mukesh Ambani, com US$ 40,1 bilhões (Reliance Industries)
20. Jack Ma, com US$ 39 bilhões (e-commerce)
21. Sheldon Adelson, com US$ 38,5 bilhões (casinos)
22. Steve Ballmer, com US$ 38,4 bilhões (Microsoft)
23. Li Ka Shing, com US$ 34,9 bilhões (CK Asset Holdings)
24. Hui Ka Yan, com US$ 30,3 bilhões (China Evergrande Group of Shenzen)
25. Lee Shau Kee, com US$ 30,3 bilhões (imóveis)
26. Wang Jianlin, com US$ 30 bilhões (imóveis)
27. Beate Heister & Karl Albrecht Jr, com US$ 29,8 bilhões (varejo)
28. Phil Knight, com US$ 29,6 bilhões (Nike)
29. Jorge Paulo Lemann, com US$ 27,4 bilhões (3G Capital)
30. François Pinault, com US$ 27 bilhões (Kering)
31. Georg F. W. Schaeffler, com US$ 25,3 bilhões (Schaeffler)
32. Susanne Klatten, com US$ 25 bilhões (BMW)
32. David Thomson com US$ 25 bilhões (Thomson Reuters)
34. Jacqueline Mars, com US$ 23,6 bilhões (doces)
35. John Mars, com US$ 23,6 bilhões (doces)
36. Joseph Safra, com US$ 23,5 bilhões (banco)
37. Giovanni Ferrero, com US$ 23 bilhões (doces)
37. Dietrich Mateschitz, com US$ 23 bilhões (Red Bull)
38. Michael Dell, com US$ 22,7 bilhões (Dell)
39. Masayoshi Son, com US$ 22,7 bilhões (Softbank)

Altamiro Borges
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