2 de mar de 2018

História do Golpe: Para entender o xadrez da política - 3

 Artigo publicado em 04/03/2013 


Vamos a uma atualização do nosso cenário político.




01 de fevereiro de 2013: Sobre o xadrez na política - Notas 2

Esses jogos de guerra, famosos desde os anos 70, são interessantes por possibilitar identificar poderes, correlações entre eles, fatores relevantes para a vitória etc.

Vamos tentar montar essa lógica para nosso Jogo das Guerras Políticas.

O objetivo é impedir que o outro jogador consiga desestabilizar politicamente o país. Competir e vencer ou perder eleições é questão dos partidos políticos e cabe em outro tipo de jogo. Nesse, a maior ou menos possibilidade de reeleição só interessa como fator deflagador ou mitigador de crises políticas.

Os últimos meses foram relativamente calmos. Mas não se deve perder de vista o clima de ebulição que tomou conta do país por ocasião do julgamento do “mensalão”. Não se deve afastar a possibilidade de criação de novas catarses.

As duas frentes de batalha: Congresso e Judiciário

As batalhas se desenvolvem em duas frentes: Congresso e Judiciário.

O Congresso tem o poder de decretar impeachments de presidentes. Lá, o desafio consiste em manter a base aliada consolidada. Já o STF (Supremo Tribunal Federal) tem o poder de intervir, também. E, como se observou no julgamento do “mensalão”, o chamado “clamor da opinião publicada” tem enorme influência sobre o plenário.

O fator deflagrador de crises é o chamado Clamor da Mídia.

O contraponto central é a expectativa de Reeleição do presidente.

Reeleição mantém a base unida, esvazia as tentativas de reeditar movimentos de Clamor da Mídia e dilui intenções golpistas de membros do STF. E aí depende fundamentalmente do fator econômico.

A frente econômica

Hoje em dia, nos temas econômicos a guerra midiática se dá em duas frentes.

A primeira é a macroeconomia, em torno do binômio (muitas vezes conflitante) de Inflação e Crescimento. No momento, são pontos relativamente pacificados, mas com algumas incertezas no ar. De qualquer modo, é fora de dúvida de que para o governo a estabilidade econômica é fator maior.

A segunda é o da gestão pública, especialmente em torno de três frentes: as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), os problemas da Petrobras/PréSal e o ritmo emperrado dos ministérios.

Um bom desempenho da economia esvaziaria completamente o Clamor da Mídia

Estratégia – A presidente mudar o estilo e descentralizar um pouco que seja a gestão de governo; voltar a fortalecer a Petrobras; e interromper a ansiedade de uma medida pontual por semana na área econômica.

Os fatores que criam Clamor da Mídia

Hoje em dia, o Clamor da Mídia é influenciado por dois fatores principais:
  1. Guerra Fria.
  2. Escandalizações.
Guerra Fria não pega.

O tema da ameaça subversiva poderia ganhar alguma relevância se as centrais sindicais se curvassem às provocações – ou à ameaça de processo contra Lula – e saíssem às ruas, hipótese, por enquanto, pouco provável. Fica no ar o desfecho da análise das denúncias de Marcos Valério, pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais, agora que o episódio Renan Calheiros comprovou, para os que ainda não acreditavam, o forte ativismo político do Procurador Geral Roberto Gurgel.

Estratégia – Evitar manifestações de rua e não ceder às provocações.

Já escandalizações continuam eficientes, especialmente após a cobertura intensiva do “mensalão”.

Há dois pontos vulneráveis no governo, podendo gerar escândalos ou escandalizações. O regime do RDC (Regime Diferenciado de Contratação), estendido para todas as grandes contratações públicas, que pode dar margem a jogadas; e os megafinanciamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) aos chamados campeões nacionais, principalmente se alguns deles começarem a fazer água obrigando o banco a saídas pouco ortodoxas.  A repetição de episódios como a Marfrig e LAEP seria desastroso.

Estratégia – o BNDES proceder a um pente fino em todos os megafinanciamentos e, identificando vulnerabilidades nos tomadores, tratar de se antecipar, buscando soluções de mercado.

Ações pontuais junto à base aliada

Fora esses grandes eixos, há ações pontuais que poderia reduzir ainda mais o risco de desestabilização.

É nítido que Dilma Rousseff não tem a mínima vontade de tratar de questões políticas. Então, tem que se azeitar outros canais.

Lula faz um meio de campo eficaz. A grande manobra dos adversários têm sido a tentativa de envenenar as relações dele com Dilma - acenando com o fantasma da reeleição.  Nos últimos tempos, pessoas de segundo escalão – ligados aos dois - ajudaram na montagem da rede de intrigas. O desmentido cabal, por parte de Lula, desobstruiu esse canal.

Estratégia – melhorar a Secretaria de Relações Institucionais. A senadora Ideli Salvatti tem inúmeras qualidades, mas não a de interlocução com o meio político – trabalho que foi feito com grande competência por seus antecessores, José Mucio e Alexandre Padilha.

Ações junto ao Sistema Judiciário

A decisão sobre os vetos parlamentares às Medidas Provisórias  mostrou alguns pontos relevantes.

Como se recorda, o estado do Rio de Janeiro entrou com um pedido de liminar para impedir que o Congresso derrubasse os vetos da presidência à lei dos royalties. O  Ministro Luiz Fux – que concedeu a liminar – praticamente paralisou os trabalhos do Congresso, ao obrigar que todos os vetos fossem votados em ordem cronológica. Depois, alegou que não tinha ido informado dessas consequências – comprovando a mesma leviandade de quando votou às cegas com o relator do “mensalão” Joaquim Barbosa e condenou até um réu absolvido pelo relator, passando a impressão de que não se aprofunda nos seus votos.

Desdobramentos desse caso:
  1. Na entrevista aos correspondentes estrangeiros, Joaquim Barbosa criticou expressamente a insensibilidade do voto de Fux. Endossou a posição de bom senso dos Ministros que julgaram que a ordem cronológica deveria ser respeitada daqui para frente; não, retroativamente. Mais do que demonstração de bom senso, a posição de Barbosa confirmou o que fontes próximas a ele já haviam percebido: caiu sua ficha em relação ao inacreditável Fux, seu ponto de apoio para a radicalização do julgamento do mensalão.
  2. Celso de Mello, Marco Aurélio de Mello e Luiz Fux votaram pela decisão mais drástica, de manter o confronto com o Congresso na questão dos royalties. Gilmar Mendes votou contra, mas não por nenhum assomo de bom senso: a manutenção da lei dos royalties (sem os vetos da presidente) aumentará exponencialmente os royalties que Mato Grosso (seu estado natal e sua base política).
A superexposição dos Ministros teve esse subproduto positivo para a sociedade, ao demonstrar didaticamente a prevalência das convicções partidárias ou pessoais sobre o espírito das leis e da razoabilidade.  Forma-se o grupo dos cinco em temas em que sobressaia o ativismo do Judiciário. Nos demais temas, especialmente em ações de impacto político, a atuação é do grupo dos quatro - os dois Mello, Gilmar e Fux - respeitados os interesses pessoais em cada matéria votada. As posições de Joaquim Barbosa podem coincidir apenas topicamente com a do grupos dos 4, mas não há alinhamento automático.

O recente confronto de três associações de juízes com Joaquim Barbosa expõe outro ponto importante do STF.

Embora parte majoritária do Judiciário não tenha maiores simpatias pelo PT, a atuação dos cinco do Supremo no julgamento do mensalão foi recebida com espanto por muitos setores da magistratura. O show midiático das novas celebridades chocou um setor em que a maioria dos juízes comporta-se com discrição. Não passaram em branco as grosserias inomináveis de Barbosa contra Ricardo Levandovski, os arroubos adolescente de Celso de Mello, comparando partidos políticos ao PCC - e com essa declaração, explicitando uma posição partidária incompatível com quem estava julgando uma ação penal.

Até agora, o modelo hierárquico do Judiciário segurou as manifestações de desagrado do setor. A falta de cerimônia de Joaquim Barbosa, na entrevistas aos correspondentes estrangeiros, provocou esse primeiro movimento público de protesto contra a síndrome de Deus que acometeu Barbosa e seus pares.

Estratégia – não errar na indicação dos novos Ministros do STF. Terão que ser legalistas até a medula e competentes. Não se pode incorrer mais em enganos, como o de Luiz Fux, ou em indicações de Ministros pouco preparados, como José Toffoli. E torcer para que Gilmar, Marco Aurélio, Fux e Barbosa continuem se expondo à mídia como têm feito.

Conclusão

O Crisômetro, o termômetro da crise, está bastante acomodado neste final de ano. Apenas um mega-escândalo, ou um inquérito continuado - e seus vazamentos - alimentando um noticiário diário poderia elevar a temperatura.

A substituiçãodo PGR, nos próximos meses, deverá tapar um dos principais canais de vazamento de inquéritos.

Luís Nassif
No GGN
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Por que o empresário preso na semana passada pela Polícia Federal é “grande parceiro” do Grupo Globo


Com o Estado do Rio afundando num buraco que parece não ter fim, a Infoglobo – empresa que reúne os jornais O Globo e Extra – resolveu, no início de dezembro do ano passado, entrar em cena com uma iniciativa para pensar em soluções para a crise: a segunda edição do seminário “Reage, Rio!”. Através de debates, a ideia era apontar caminhos em áreas como segurança, cultura e saúde.

Tudo muito bonito, não fosse este mais um capítulo de uma íntima e pouco transparente relação entre o maior conglomerado de mídia do país e o Sistema Fecomércio-RJ, formado pela própria Fecomércio, pelo Sesc e pelo Senac do estado. Só pelo “oferecimento” deste evento, o Sesc-RJ pagou R$ 1,350 milhão. O sistema era gerido à época pelo empresário Orlando Diniz, preso na semana passada pela Polícia Federal, acusado de corrupção.

“Queria fazer um agradecimento especial ao Sistema Fecomércio, ao Sesc, em especial ao seu presidente Orlando Diniz, que está aqui hoje, que é o nosso grande parceiro nessa iniciativa. Muito obrigado, Orlando, por acreditar no projeto [Reage, Rio!]”, disse o diretor-geral da Infoglobo, Frederic Kachar, durante a abertura do seminário.

Ou seja, pouco mais de dois meses depois de ter sido exaltado por um diretor do Grupo Globo pela participação em uma iniciativa para o reerguimento do estado, Diniz foi preso a pedido do Ministério Público Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. Contra ele, pesam suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. E de ser parceiro da organização criminosa montada pelo ex-governador Sérgio Cabral, tida hoje exatamente como a grande responsável pela quebra do Rio de Janeiro.

Devido à falta de transparência que caracterizou a Fecomércio-RJ durante o longo domínio de Diniz, não há dados precisos, mas, segundo fontes do mercado publicitário, somente em 2017, os gastos com propaganda de Sesc-RJ e Senac-RJ relacionados à Infoglobo chegaram perto da casa de R$ 50 milhões. As entidades não quiseram se manifestar sobre os números.

O vídeo com o registro da fala de Kachar elogiando a “parceria” com o então presdiente da Fecomércio-RJ foi publicado no site do jornal, assim como declarações de Diniz sobre a importância do evento: “Tenho a certeza de que o ‘Reage, Rio!’ veio para ficar”.

Denúncias antigas

A derrocada de Orlando Diniz, que culminou com sua prisão na semana passada, começou pouco mais de uma semana depois do “Reage, Rio!”. Em 17 de dezembro, o empresário foi afastado de suas funções pelo Superior Tribunal de Justiça. Em sua sentença, o ministro Napoleão Maia já apontava para as investigações decorrentes da Operação Calicute, braço da Lava Jato, cujo primeiro grande personagem a ser preso foi o ex-governador Sérgio Cabral. Para o posto de Diniz, a Confederação Nacional do Comércio nomeou o interventor Luiz Gastão Bittencourt, presidente da Fecomércio-CE.

As denúncias contra Diniz, que se perpetuou no comando do Sistema Fecomércio-RJ por cerca de 20 anos, não são novidade. Em 2014, por exemplo, ele já havia sido afastado do cargo, acusado de utilizar irregularmente os recursos das entidades que administrava. Para se manter no poder, gastou fortunas com advogados, inclusive com o escritório da ex-primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo. Citados agora pelo Ministério Público Federal no pedido de prisão do empresário, esses gastos milionários eram notórios ao menos desde 2015*, mas não ganharam muita atenção do Grupo Globo.

Um caso curioso ocorreu em novembro de 2016, quando Cabral foi preso na Operação Calicute. O jornal O Globo produziu um material detalhado sobre o caso, que incluía um gráfico sobre a “República de Mangaratiba”, apelido dado às diversas casas que pessoas ligadas ao ex-governador tinham num condomínio da Costa Verde fluminense. Na primeira versão publicada no site do jornal, Orlando Diniz aparecia como um dos condôminos. Horas depois, seu nome sumiu do gráfico.

Gráficos publicados no site de O Globo
Gráficos publicados no site de O Globo mostram os vizinhos de Sérgio Cabral em Mangaratiba. 
Na primeira versão, que foi tirada do ar horas após a primeira publicação, aparece o nome de 
Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio-RJ.
Reprodução/site O Globo

Agora, em uma reportagem sobre a prisão de Diniz, O Globo voltou a citar a casa do empresário em Mangaratiba, cuja referência consta no pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal.

Trecho de reportagem de O Globo
Trecho de reportagem de O Globo publicada em 23 de fevereiro.
Reprodução/site O Globo

Fortuna em publicidade

Com pouco mais de dois meses à frente do Sistema Fecomércio-RJ, a gestão do interventor Luiz Gastão Bittencourt, presidente da Fecomércio-CE, ainda tenta contabilizar com precisão os gastos realizados por Orlando Diniz.

Os recursos destinados à publicidade dão uma ideia de por que o empresário era tido como um bom parceiro da mídia. Em 2016, foram gastos R$ 55 milhões com eventos. Em 2017, R$ 80 milhões. Já com propaganda, foram R$ 130,9 milhões em 2016 e R$ 124,1 milhões no ano passado – lembrando que quase 40% deste total de 2017 teriam sido destinados apenas para a Infoglobo, de acordo com fontes do mercado publicitário. Os números oficiais detalhados por veículo ainda não foram divulgados.

Os altos gastos com publicidade já haviam sido questionados no ano passado por uma auditoria realizada pelo Senac nacional na entidade fluminense, conforme mostrou The Intercept Brasil. Ao menos na teoria, o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) deveria ter como foco principal de suas ações a educação profissional. Já o Sesc (Serviço Social do Comércio), iniciativas voltadas principalmente para cultura, esporte e saúde.

As entidades do Rio movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano e são geridas pela direção da Fecomércio, que recebe pelo serviço. Os recursos do Sesc e do Senac são considerados públicos: um percentual fixo sobre a folha de pagamento das empresas é recolhido pela Receita Federal e repassado para as entidades.

No Senac-RJ, também foram alvo da auditoria os gastos com palestras de jornalistas, colunistas e comentaristas do Grupo Globo. Em 2016, foram quase R$ 3 milhões. Merval Pereira, por exemplo, levou R$ 375 mil para falar sobre as perspectivas de transição entre os governos Dilma e Temer em uma série de eventos promovidos pela Fecomércio-RJ no interior do estado.

Além do processo na Justiça Federal a que responderá por corrupção, a gestão Orlando Diniz ainda é alvo de um procedimento em andamento no Tribunal de Contas da União desde 2016.

No TCU, estão sob investigação, por exemplo, os gastos com escritórios de advocacia, patrocínios, e com o projeto Segurança Presente, realizado em parceria com o poder público para o patrulhamento de alguns bairros cariocas.

A atual gestão informou que está reduzindo os gastos com publicidade:
“Já está havendo uma forte redução em gastos em publicidade para que Sesc-RJ e Senac-RJ dediquem prioritariamente seus recursos com suas unidades e programas. A orientação da nova gestão é que se gaste 80% dos recursos com atividades-fim”.
*Trabalhei em O Globo de 2000 a 2017. Em 2015, preparei por duas semanas uma reportagem de duas páginas a respeito dos gastos de Orlando Diniz com escritórios de advocacia. A matéria nunca saiu.

Ruben Berta
No The Intercept
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Nota do Deputado Wadih Damous


A BEM DA VERDADE

Eu e o deputado Paulo Pimenta, sem qualquer motivação aparente, temos sido atacados, a partir de um determinado blog, ao nível da calúnia e da difamação. Nos acusam de participar de um acordo envolvendo a mim, o deputado Pimenta, Sérgio Moro e Eduardo Cunha. Esse acordo teria resultado na exclusão do depoimento do advogado Tacla Duran na CMPI da JBS. A exclusão se deu, na verdade, por imposição do PMDB e do PSDB, então majoritários na CPMI. O nome disso é molecagem.

Os difamadores dizem mais: que Pimenta está escondendo um documento que estremeceria a República de Curitiba. Trata-se de uma carta rogatória intimando Tacla Duran a comparecer perante os procuradores da Lava Jato.

O tal delirante acordo configura simplesmente uma mentira escabrosa e sujeita seus autores a um processo judicial. Assim sendo, eles estão desafiados a provarem o que alegam.

Já a referida carta rogatória, que deitaria por terra a República de Curitiba, foi por nós juntada em dezembro e faz parte do acervo documental enviado à Procuradoria Geral da República. Esse "bombástico" documento segue anexado (disponível no link abaixo). Ninguém está escondendo nada.

Ao contrário do que esses aventureiros dizem, elaboramos uma representação à senhora procuradora-geral da República, Raquel Dodge, exigindo uma ampla investigação sobre os fatos narrados por Tacla Duran. Na quarta-feira passada, juntamos, àquela representação, novos documentos.

Quem revelou ao mundo a existência de Tacla Duran fomos eu e Pimenta. Fui à Espanha às minhas próprias expensas, não para passear, mas para tentar demonstrar que a Lava jato é uma farsa. É inaceitável que indivíduos sem qualquer responsabilidade com algo sério, e da sua confortável segurança na Suíça e na Suécia, resolvam atacar gratuitamente os que sustentam um combate sem tréguas contra o estado de exceção e o sistema de justiça brasileiros.

Fique claro que não somos office boys de pretensos detetives que acham que descobriram a pólvora. A nossa luta envolve combatividade e coragem, mas também responsabilidade.

Temos a confiança irrestrita do presidente Lula, do PT e da bancada de deputados federais do partido. Espero que os democratas não se deixem levar por acusações irresponsáveis que lembram muito os métodos de Sérgio Moro e seus procuradores.

Wadih Damous

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Pimenta denuncia cooperação clandestina entre EUA e Moro


O deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, criticou a legalidade da cooperação estabelecida entre os Estados Unidos e o juiz federal Sérgio Moro.

Vídeo divulgado por Pimenta em suas redes sociais mostra que em julho de 2017, Kenneth Blanco era o Procurador-Geral Assistente da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA (equivalente ao Ministério Público).

"Durante palestra em Washington, Kenneth Blanco falou em 'relacionamento íntimo' entre procuradores dos EUA e do Brasil na Lava Jato. Além disso, Blanco revelou que a cooperação entre eles 'não depende apenas de procedimentos oficiais', ou seja, também existe colaboração informal entre os agentes públicos dos dois países, procedimento que viola a legislação brasileira", diz Pimenta.

"Seria essa uma cooperação clandestina que faz parte da perseguição judicial ao presidente Lula?", questiona.  

Assista ao vídeo:

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Juiz não acata denúncia de Bolsonaro contra Ciro por calúnia e injúria

Na entrevista, Ciro comenta uma doação de R$ 200 mil feita pela JBS ao Partido Progressista (PP), então legenda de Bolsonaro


O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) entrou com uma queixa-crime contra Ciro Gomes (PDT-CE) por calúnia e injúria em um comentário feito durante entrevista à rádio “Jovem Pan”, em agosto de 2017. A queixa, no entanto, foi rejeitada pelo juiz Richard Francisco Chequini, da 20ª Vara Criminal de São Paulo, por considerar que, no caso, “não há que se falar em delito de calúnia”.

Na entrevista, Ciro comenta uma doação de R$ 200 mil feita pela JBS ao Partido Progressista (PP), então legenda de Bolsonaro:

“A JBS depositou R$ 200 mil na conta dele, Jair Messias Bolsonaro, deputado federal! E mais outro tanto na bolsa, na do filho dele. Ele, quando viu, resolveu estornar o dinheiro, não pra JBS. Eu, se tô indignado, o cara depositou na minha conta sem a minha autorização, eu devolvo pra ele, e mando ele pastar, pra não dizer aquela outra frase que termina no monossílabo tônico. Não, o que ele faz, ele devolve para o partido, que na mesma data entrega R$ 200 mil pra ele. O nome disso é lavagem de dinheiro. Simples assim”.

Segundo a defesa do deputado, Ciro teria cometido o crime de calúnia ao imputar o crime de lavagem de dinheiro a Bolsonaro e injúria ao insinuar que ele é um “moralista de goela”.

“Isso é uma grande baboseira porque na data que ele pegou era legal. Na data que ele pegou era legal. Esse é o problema do moralista de goela”, diz Ciro em um dos trechos da entrevista.

O juiz Richard Francisco Chequini, da 20ª Vara Criminal de São Paulo, declinou a competência do processo por entender que não houve crime de calúnia e imputação de crime de lavagem de dinheiro.

“Não há que se falar em delito de calúnia. Isso porque a calúnia consiste em atribuir falsamente a alguém a prática de um fato definido como crime, como se infere da leitura do próprio artigo 138 do Código Penal. Portanto, não é a imputação de qualquer fato que enseja a prática da calúnia, mas apenas daqueles que sejam definidos como crime. Pois bem. É justamente essa especial qualificação que não se verifica na narrativa do caso concreto. Segundo extrai-se da queixa, a imputação seria de lavagem de dinheiro (artigo 1º, da Lei n. 9.613/98), fato definido como crime. No entanto, a análise mais atenta da narrativa deixa claro que não houve propriamente a imputação de crime de lavagem de dinheiro, em que pese a expressão tenha sido impropriamente utilizada. Isso porque o delito de lavagem de dinheiro é entendido como “a prática de conversão dos proveitos do delito em bens que não podem ser rastreados pela sua origem criminosa”, diz o magistrado.

O processo foi redistribuído ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). O juiz José Zoéga Coelho também declarou-se incompetente para julgar o caso sob a alegação de que os crimes de calúnia e injúria porque as penas máximas dos dois crimes ultrapassam dois anos. O processo será redistribuído para outra vara criminal de São Paulo.

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Pesquisa CUT/Vox: Maioria diz que condenação de Lula foi política e que ele não deve ser preso

Para 40% dos entrevistados na pesquisa feita após condenação em 2ª instância, os juízes não provaram nada contra Lula; maioria diz que ninguém pode ser preso antes de julgamento nos tribunais superiores

Foto: Ricardo Stuckert
A absoluta maioria dos brasileiros acha que o ex-presidente Lula tem o direito de ser candidato; que a Justiça não conseguiu comprovar a culpa do ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá e que a sua condenação foi por razões políticas.

A maioria também diz que ninguém, seja Lula ou qualquer pessoa, pode ser preso antes de recorrer de uma condenação aos tribunais superiores, como a defesa de Lula está fazendo.

Essas são algumas conclusões da pesquisa CUT/Vox Populi realizada entre os dias 24 e 26 de fevereiro em 118 municípios brasileiros.  

Apesar dos desembargadores do TRF4 – Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre, terem confirmado a sentença do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que condenou Lula no caso do tríplex do Guarujá, e da avalanche de cobertura negativa, os brasileiros acreditam que o processo contra Lula foi parcial e que sua culpa não provada.

A perseguição judicial a Lula, com apoio da mídia conservadora, Rede Globo à frente, transformou o processo contra Lula na notícia mais divulgada do País nas últimas décadas. Prova disso é que 91% dos entrevistados ficaram sabendo que Moro condenou Lula no caso do tríplex e que a sentença foi confirmada em segunda instância pelo TRF4.

Para 40% dos entrevistados pela CUT/Vox, no entanto, os juízes não comprovaram a culpa de Lula. Outros 34% acham que os juízes provaram e 27% não souberam ou não quiseram responder. 

A imprensa faz campanha aberta para que Lula seja preso e tornado inelegível a partir da condenação em segunda instância pelo TRF-4. Mas 48% dos entrevistados dizem que Lula, ou qualquer outra pessoa, tem o direito de só ser preso se a condenação for mantida pelos tribunais superiores, enquanto 28% acham que a prisão deve ocorrer imediatamente após a condenação num tribunal de recursos (como foi o caso do TRF-4) - 24% não souberam responder.

Condenação de Lula é política

Entre dezembro e fevereiro aumentou de 40% para 46% o percentual dos entrevistados que acham que os juízes tratam Lula de maneira mais dura, se comparada ao tratamento que dão a outros políticos, como Michel Temer (MDB-SP) e Aécio Neves, senador do PSDB-MG. Já o percentual dos que acreditam que Lula é tratado com o mesmo rigor que os outros, caiu de 43%  para 40% no mesmo período.  

E um percentual de 56% (cinquenta e seis por cento!) acham que o processo e a condenação de Lula foram políticas porque muita gente não gosta dele. Já para 32%, o processo foi normal, sem misturar questões jurídicas com políticas. Outros 13% não souberam ou não responderam.

Quem tem de julgar Lula é o povo, pois ele fez mais coisas certas pelo Brasil e pelos brasileiros

48% dos brasileiros acham que quem tem de julgar Lula é o povo, nas urnas, e não Moro ou outros juízes - 41% discordam e 11% não sabem ou não quiseram responder.

Aumentou de 60% para 62% entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, o percentual de entrevistados que acreditam que Lula cometeu erros, mas fez muito mais coisas certas pelo povo brasileiro e pelo Brasil. No mesmo período, caiu de 32% para 29% o percentual dos que acham que Lula errou mais.

Lula tem o direito de ser candidato

A CUT/Vox quis saber dos brasileiros se eles acham que Lula tem o direito de se candidatar a presidente nas eleições deste ano, independentemente de votarem ou não no ex-presidente.

Para 54% Lula deveria e tem o direito de ser candidato, apesar da condenação que pode impedi-lo de concorrer nas próximas eleições. Outros 37% acham que Lula deveria ser impedido e 9% não souberam ou não quiseram responder.

52% dos entrevistados acham que Lula vai ser candidato. Outros 33% não acreditam nessa possibilidade e 15% não sabem ou não responderam.

Lula não deve ser preso

Perguntados se a condenação de Lula foi justa e baseada em provas e que, portanto ele deveria ser preso, 49% responderam que o ex-presidente não deveria ser preso; 36% que deveria e 16% não sabem ou não responderam.

Para 48% dos entrevistados, Lula e qualquer pessoa tem direito a só ser presa se a condenação for confirmada pelos tribunais superiores. Outros 28% acham que a prisão deve ser feita após condenação por um tribunal de recursos, como aconteceu no TRF-4, e 24% não souberam ou não quiseram responder.

Para 26% Lula só deve ser preso se for condenado pelos tribunais superiores. Outros 28% acham que Lula deveria ser preso imediatamente e 12% não souberam ou não quiseram responder.

Lula vai ser preso?

A maioria dos entrevistados, 52% acha que Lula não vai ser preso; 29% que vai e 19% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa CUT/Vox Populi fez  2000 entrevistas, em 118 municípios. Estratificação foi por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda. A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Foram entrevistados brasileiros com mais de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos.


No CUT
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Lula tem 44% e ganha no 1º turno


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Lula à AFP: “Não tenho medo da prisão, sou inocente”

Leia a entrevista concedida pelo ex-presidente nesta desta quinta-feira (1) à Agence France Presse (AFP)
Foto: Ricardo Stuckert
O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Ele garante, entretanto, que todas as acusações foram montadas para desmoralizar sua candidatura e impedir a volta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder.

Atualmente, ele tenta conseguir um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para impedir sua prisão quando se esgotarem seus recursos no TRF-4. Contudo, a Justiça eleitoral ainda pode torná-lo inelegível.

“Se eles resolverem me condenar e me prender, eles estarão condenando um inocente, prendendo um inocente. Isso tem um preço histórico. Se querem tomar essa decisão, vão arcar com a responsabilidade do que vai acontecer no país”, alertou. “Por isso, eu durmo tranquilo”, afirmou Lula.

Durante uma hora e meia de entrevista, realizada no Instituto Lula, em São Paulo, ele descartou, no entanto, criar tensões eleitorais.

“Vamos disputar democraticamente a eleição. Esse país não tem a cultura da violência no processo eleitoral”, disse.

Vestido com uma camiseta vermelha e um paletó azul escuro, ele falou das dificuldades de formar alianças de governo no Brasil.

Não há risco de ter uma campanha mais focada em seus problemas judiciais que nos do Brasil?

Eu na verdade não discuto o problema judiciário. Eu tenho consciência do que está acontecendo no Brasil, que os meus adversários e uma grande parte da elite econômica brasileira não querem que eu seja candidato à Presidência da República, e a única forma que eles encontraram para evitar que eu seja candidato foi uma quantidade de mentiras, uma quantidade de inverdades, ou seja, quase que um crime contra nossa própria Constituição. Eu tenho desafiado a Polícia Federal, o Ministério Público, o juiz a provar um crime que eu tenha cometido.

Enquanto isso, eu vou fazendo campanha.

Líderes do PT e de movimentos sindicais estão dizendo que se o senhor for impedido de ser candidato, ou preso, pode haver distúrbios e até mesmo mortes nas ruas.

Eu não trabalho com essa hipótese, só vou discutir essa hipótese quando acontecer. (…) O que estamos vendo no Brasil nesse momento é quase um assalto ao poder, feito pelo Poder Judiciário, representado pelo MP, pela Justiça Federal de Curitiba e pela imprensa.

Queremos acreditar que a Constituição seja cumprida, que todas as instituições voltem a funcionar corretamente.

O senhor está preparando uma “Carta ao povo brasileiro”…

Quando ganhei as eleições em 2002 havia um certo terrorismo contra minha candidatura, de que eu não iria cumprir os compromissos externos do Brasil, então naquela ocasião eu preparei uma carta ao povo brasileiro, que era tentando mostrar ao mercado o compromisso que o Partido dos Trabalhadores tinha com Brasil. Agora, eu quero fazer uma carta ao povo brasileiro para o povo brasileiro

Qual vai ser o foco?

É uma carta assumindo o compromisso com o povo, o que é o que eu quero fazer neste país (…) É possível fazer as coisas diferente do que esta sendo feito. Você não tem que vender patrimônio público. Você não tem que fazer corte na educação, na saúde, nas ciências e na tecnologia para poder equilibrar as finanças publicas.

Quando vai ser divulgada?

Essa carta estou trabalhando com muito carinho porque ela vai ser a base inclusive do programa de governo que a gente está fazendo. Eu penso que mais alguns dias, quem sabe uns quinze dias (…).

O senhor tem alto índice de rejeição e a maior intenção de voto. Não acha que seria o momento de abrir espaço a um candidato que gere menos polarização?

Não existe país que não seja polarizado (…) Nenhum partido vai ganhar com 80% (…) Toda eleição, na verdade, ela mostra uma divisão num país. Agora, o que é importante é que um governante que ganha e os políticos que perdem precisam perceber que, terminadas as eleições, acabada a disputa eleitoral, você tem que governar. Não vejo problema de polarização, ela existe na sociedade, no futebol, na religião, na política, na cultura. Não podemos temer da polarização.

Passa pela cabeça do senhor que poderia ir preso? Como lida com isso? Já pensou como seria um Lula na cadeia?

Passa todo dia. Eu não tenho problema. O problema é que eu não tenho medo e não estou preocupado. (…) Toda história tem consequências. Uma prisão pode durar muito tempo, como a de (Nelson) Mandela, que durou 27 anos, ou pode durar muito pouco tempo, como a de (Mahatma) Gandhi.

A única preocupação que eu tenho nesse momento é tentar mostrar minha inocência. Se eles resolverem me condenar e me prender, eles estarão condenando um inocente, prendendo um inocente. Isso tem um preço histórico. Se querem tomar essa decisão, vão arcar com a responsabilidade do que vai acontecer no país. Por isso é que eu durmo tranquilo.

Não vou para nenhuma embaixada, não peço asilo político, não vou me esconder, não vou me matar. Eu vou brigar. A única coisa que me motiva é brigar, porque eu tenho uma única coisa para defender, que é minha inocência.

Eu estou disposto a ir às últimas consequências para provar minha inocência.

E isso significa ir até o último momento da campanha eleitoral…

Lógico, lógico, por que é que não iria? Está cheio de pessoas que não têm 1% de aceitação e querem ser candidatos, porque é que eu que tenho 40% não quero ser?

Tem uma agenda internacional durante a campanha?

Se for confirmada minha candidatura, eu quero fazer uma viagem por alguns países da América Latina. Tenho uma palestra em Moscou, quero ver se vou o mês que vem, teria que ir a China (…) mas tudo vai depender da agenda, porque tenho de fazer três caravanas. Preciso acertar minha vida aqui dentro para poder viajar.

No AFP
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Grupos de renovação pregam "novos líderes" com nomes da "velha política"

Com discurso contra a política tradicional, RenovaBR e Raps apostam em deputados, ex-ministro e prefeitos como novidades


O anseio por renovação política, sentimento dominante desde as manifestações de junho de 2013, pariu uma série de grupos suprapartidários dispostos a lançar nomes novos para oxigenar a Câmara dos Deputados. Os principais movimentos são o RenovaBR e a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps). Juntos, preparam o lançamento de mais de 200 candidatos parlamentares na eleição de 2018.
Mas algumas das renovações anunciadas pelas iniciativas, que oficialmente visam forjar “novas lideranças políticas”, são personagens já conhecidas do que se convencionou chamar de velha política: deputados, ex-ministro, ex-secretários de governos, prefeitos e vereadores.

O deputado federal Alex Canziani (PTB-PR) é um dos integrantes da lista com 102 indicações de candidaturas selecionadas pela Raps para receber seu apoio até o pleito de outubro. Segundo o site da rede, mais de mil pessoas se inscreveram para participar do processo seletivo para defender o “único objetivo” do grupo: “Transformar a política brasileira”.

Canziani está no sexto mandato consecutivo na Câmara. Ele diz ter se inscrito na seleção da Raps sem saber exatamente o que é a rede. Apenas leu “alguma coisa no site” do grupo.

A lista da Raps inclui três vice-prefeitos, quatro deputados estaduais, quatro federais, quatro prefeitos e 20 vereadores. São nomes como o da vereadora de São Paulo Adriana Ramalho (PSDB), o deputado licenciado e secretário estadual da Agricultura Arnaldo Jardim (PPS-SP) e o vereador de segundo mandato por Uberlândia (MG) Adriano Zago (MDB).

"Sustentabilidade de mandato"

A principal bandeira do Raps é a sustentabilidade ambiental e social. Canziani reconhece que não é atuante na área. Ele é ligado à causa da educação, mas se mostra disposto a ajudar os novatos a atingir a “sustentabilidade do mandato”.

Canziani iniciou sua vida pública em 1989, como vereador em Londrina e pretende transmitir seu conhecimento eleitoral. “A gente consegue há 30 anos estar disputando eleições e pode colaborar em alguma coisa nesse sentido”, sinaliza.

O doutor em ciência política e pesquisador da FGV Humberto Dantas, que participou da criação de ambos os movimentos, avalia que no caso da Raps a opção por nomes conhecidos é uma maneira de focar na formação de um grupo parlamentar ligado à rede. "Acho que a Raps perdeu um pouco do seu sentido de renovação na política e de estímulo à participação de novas lideranças, se concentrando mais em ser uma rede de pessoas que já estão na política de maneira mais concreta e consistente", afirma.

O pesquisador afirma que "alguns dos membros [da Raps] são bens contestáveis do ponto de vista da sustentabilidade". Mas ele considera a rede e o RenovaBR, onde deu aulas no curso de capacitação de candidatos, ambientes relevantes para o debate horizontal de pessoas de diferentes origens sociais, ideológicas e partidárias.

"O Brasil fica procurando salvador da pátria para a Presidência e olha pouco para o Legislativo. Ter um movimento que procura as pessoas ou as estimula a participar do Legislativo é muito positivo", diz Dantas.

"Solta em Madrid"

O combate à corrupção é um dos lemas do grupo liderado pelo empresário Eduardo Mufarej, o RenovaBr. Sob o slogan é “O Brasil tem jeito”, o movimento afirma em seu site oficial ter sido criado para “acelerar novas lideranças políticas e viabilizar o acesso do cidadão comum ao Congresso Nacional”.

O RenovaBr selecionou potenciais lideranças políticas. Foram mais de 400 postulantes a uma bolsa de financiamento para se preparar para as eleições. A peneira selecionou cem potenciais "talentos” à novas lideranças, que recebem entre 5 mil reais e 12 mil reais por mês para focar na política.

O principal critério de seleção foi o de que nenhum dos bolsistas poderia ter sido eleito para qualquer cargo público. Os antecedentes de filiação partidária e de ter disputado eleições foram descartados pelo RenovaBr. Há bolsistas ligados a partidos como PT, PTdoB, PSDB,PPS e Novo, entre outros.

A peneira permitiu a seleção do ex-ministro da Cultura do governo Michel Temer, o diplomata Marcelo Calero (Novo-RJ), como um dos bolsistas.

Ele ficou conhecido ao deixar o governo acusando o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) de pressioná-lo para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador. Geddel foi preso pela Polícia Federal, após a descoberta de 51 milhões de reais escondidos num apartamento na capital baiana.

Calero nunca ocupou cargo eletivo. Mas concorreu a deputado federal pelo PSDB, em 2010. Naquele ano, o DEM e o PPS formaram uma chapa com os tucanos para se opor ao MDB do então governador Sérgio Cabral, preso pela Lava Jato.

Em 2015, o ex-ministro foi nomeado secretário municipal do Rio de Janeiro na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (MDB) e presidiu o Comitê Rio450, criado para planejar o aniversário da capital fluminense naquele ano.

Apesar das ligações, o RenovaBR defende Calero como protagonista a um "episódio emblemático na nossa história política recente", em referência à prisão de Geddel. "Ele mostrou que não está enquadrado nos dogmas e práticas da 'velha política' e saiu em defesa da transparência e do respeito ao patrimônio público", afirma o movimento em nota.

Outra personagem conhecida listada pelo RenovaBr estava a dentista Patrícia Lima Ferraz, retirada do programa de bolsa após questionamento feito ao movimento por CartaCapital. Ela foi coordenadora do Programa de Saúde Bucal do Ministério da Saúde no Amapá, em cota de cargo do PSC e concorreu a deputada federal pela legenda em 2014.

Patrícia ganhou fama em 2016, após um tour em Madrid. Ela pediu licença médica do cargo e usou o tempo para visitar a capital da Espanha. Ao lado de amigas, ela publicou foto na redes sociais com a legenda “soltas em Madrid” e a hashtag #férias. Acabou exonerada do cargo público.

O RenovaBR afirma ter desligado Patrícia e que este será o procedimento do movimento sempre que identificar "alguém [que] não está alinhado aos nossos requisitos" de princípios do projeto.

"Chega de abacaxi"

Embora o comando do RenovaBR não tenha selecionado pessoas com mandato para as bolsas de formação de lideranças, a lista inclui personagens conhecidos da política em diversos estados.

Entre eles, o segundo colocado na eleição municipal de Uberlândia em 2012, Alexandre de Souza (PSB), a candidata derrotada à prefeitura de Belém (PA) Úrsula Vidal e o candidato derrotado em Morretes (PR), Meto Gnatta.

Compõem a lista também políticos de destaque em máquinas públicas estaduais, como o secretário de Educação do Mato Grosso, Marcos Marrafon, e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Blumenau (SC), Jorge Cenci.

Cerca de 15 dos bolsistas do RenovaBr ou já ocuparam cargo público não-eletivo ou foram candidatos em outras eleições. Um deles é ligado a um nome tradicional da política paulista: Ricardo Mellão (Partido Novo), filho do ex-ministro e ex-deputado João Mellão Neto.

O pai ficou famoso ao adotar bordão criado por Jânio Quadros para sinalizar renovação na política: “Chega de abacaxi, vote Mellão!”. O filho não assume o slogan, mas busca manter o nome da família na política.

Ricardo foi candidato a vereador na capital paulista em 2016. Os 12.664 votos recebidos não foram suficientes para se eleger. É atualmente assessor especial da Secretaria de Gestão da prefeitura de São Paulo, onde ocupa cargos desde 2007.

A seleção de Ricardo, conforme o movimento, se deu por "rigoroso processo seletivo" incluindo testes, entrevistas e banca avaliadora. "Ele ingressou no curso da mesma forma que todos os outros selecionados, que atenderam às nossas expectativas e mostraram seu potencial para emplacar jeitos novos, diferentes e eficientes de fazer política e se relacionar com o eleitorado", diz a nota.

A direção do RenovaBr afirma que no caso de Ricardo Mellão a "árvore genealógica nunca foi parâmetro para sua aprovação no programa".

Nivaldo Souza
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Huck, Frias, Leifert e a morte da aristocracia do texto


Grande parte da frustração/incompreensão/fobia dos colunistas "old school" com relação ao Facebook é puramente de ordem libidinal. É algo tão simples de explicar que chega a dar preguiça. Por isso, vou complicar um pouco e vou acrescentar outros ‘sujeitos’ à pesquisa.

Não se trata apenas de colunistas, bem entendido. São artistas, escritores, celebridades e subcelebridades com pendores político-existenciais de toda sorte e uma dose maciça de PCA (Puta Carência Afetiva) - além, é claro, do péssimo hábito de serem paparicados desde a mais tenra construção analógica da fama.

Sim, essas criaturas são do período pré redes sociais e não se adaptaram a ele. A seleção natural já os excluiu desse processo da evolução do universo simbólico-social. A transição, no entanto, é lenta. Eles vão reclamar até que ninguém mais dê bola (até a imprensa deixar de publicar suas reflexões profundas e saudosistas).

O elemento homenageado de hoje é o colunista de jornal tradicional. Mas poderia ser um ator da Globo, um ex-participante de BBB, um jogador de futebol, um escritor consagrado, um professor renomado, um apresentador de televisão ou mesmo o publisher da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, que recentemente brindou seus leitores com a frase "o jornalismo é um mal necessário".

O ponto é: essas personagens não sabem escrever no mundo real da escrita digital, a mais massiva e interativa da história. Eles têm imensos preconceitos e se autolimitam em função destes. No caso dos atores globais e esportistas-celebridade, o buraco é até mais embaixo: eles não sabem sequer redigir um texto - vide Luciano Huck e Thiago Leifert.

Qual a consequência disso? Eles são obrigados ou a se auto excluírem das redes sociais ou a comprar likes e compartilhar conteúdo. Em geral, um media training, um personal stylist e um ghost writer podem dar conta de criar alguma vida digital a esses analfabetos textuais. Mas, o mais simples é reclamar ou se afundar no Twitter que se contenta com 280 caracteres.

Facebook para eles é terminantemente proibido, porque Facebook é, em grande medida, texto. O usuário de Facebook  precisa saber se comunicar de alguma maneira que não seja a mesmice fática e oral do dia a dia. Ou: precisa entrar no jogo e ter humildade.

Mas como uma celebridade vai ter humildade? Como um ator que recebe 500 vezes mais que um professor vai se dispor a argumentar em rede social? Como um jogador de futebol ou um apresentador de televisão que faturam milhões vão ter a condição de mobilizar algum tipo de concentração cognitiva para redigir ou debater seja lá o que for?

Como um intelectual com vários livros publicados vai descer do pedestal de celebridade editorial para argumentar com os usuarios reais que habitam as redes e demandam por sentidos reais - não aquele biscoitinho meio acadêmico, meio autoajuda, meio palestra motivacional e fruto da mais domesticada e luminosa “bolha”?

Esses usuários operam apenas com as respectivas famas pessoais. Não vivenciam as redes. No fundo, eles as desprezam, porque elas lhe tiraram boa parte das máscaras. Estar cara a cara com um leitor de posse do gesto de enunciar não é para qualquer um. Esses usuários antiquados e deslocados arrebanham fans clubes e vivem justamente do like que criticam tanto, o "like das celebridades", o "like de favor", o "like sem sentido concreto".

Aquela proteção da celebridade garantida por imprensa e editoras deixa de existir. No facebook, ou é cara a cara ou é um prolongamento obsoleto das relações frias testemunhadas em lançamentos de livros com vinho branco e bolachinha. A impossibilidade de dar um autógrafo na rede social lhes deve ser extremamente incômoda.

De sorte que eles criticam as redes sociais da alvorada ao crepúsculo de seus dias emocionantes e assaz reais. Convenhamos: alguém já viu perfil real de celebridade em rede? São raros. Fazem fanpages, o que é mais "seguro". Justificam que há muito ódio digital (haja covardia e falta de conteúdo).

Tome-se perfis de jornalistas renomados, veteranos e ver-se-á uma caverna escura repleta de teias de aranha. Isso é inadmissível para um profissional de tantas glórias. Portanto, que se critique as redes diuturnamente.

É curioso, porque o ódio digital é, no fundo, oriundo desses rebentos do showbiz sub intelectual. Demétrio Magnoli, Clóvis Rossi, Otávio Frias, Eliane Cantanhêde e Merval Pereira amargam o autoexílio consentido de uma plataforma genial, por pura arrogância.

Eles, no fundo - na profundeza mariânica de seus inconscientes rochosos -, ressentem-se de não poder usar a plataforma. Veem-se autolimitados, escravizados no cativeiro das redações, editoras e festinhas patrocinadas. É uma solidão sem precedentes.

Isso é, sem dúvida, uma quebra de paradigma. Aquela idolatria, aquela admiração por um ator, por um escritor, vira pó, quando você lê o que ele é capaz de escrever numa rede social. Caem no ridículo com imensa frequência e isso vai minando o psicológico já frágil destes seres tão mimados pela estrutura de proteção intelectual-social presente na ceninha retrô das TVs, livros físicos e palestras.

Esse mundo acabou. Como o golpe - que também acabou - ele só esqueceu de ir embora. Pode demorar, mas uma hora ele vai - e já irá tarde.

Eles vão continuar se escondendo nas mídias ultrapassadas. Uma entrevista no Serginho Groisman, uma entrevista à Fátima Bernardes, uma aparição na Globonews, um artigo na Folha de S. Paulo, um livro publicado pelo editor amigo, uma foto na coluna social, um prêmio de alguma revista, enfim, alguma atividade redentora para fazer a manutenção de vidas tão bem sucedidas e inesquecíveis.

Quando tiverem de escrever de verdade, de posse de algum sentido, eles virão às redes com a imensa prepotência habitual e nos garantirão a diversão da semana. Até lá, só nos resta não ler os seus livros e artigos. Ou não. Para falar a verdade, a última vez que li o Luciano Huck, eu me diverti pra caramba.

Gustavo Conde
No GGN
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Lula: os americanos estão por trás de tudo


“Hoje eu estou convencido de que os americanos estão por trás de tudo o que está acontecendo na Petrobras”, afirmou Lula em entrevista para a jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo. “Porque interessa para eles o fim da lei que regula o petróleo, o fim da lei que regula a partilha. O Brasil descobriu a maior reserva de petróleo do mundo do século 21. E não se sabe se tem outra”.

Lula ainda chamou a atenção para as manifestações de 2013. “Não sei se você já tem uma compreensão sociológica de junho de 2013 [mês de grandes manifestações no país]”, questionou ele a repórter.

“O Brasil virou protagonista demais. E ali eu acho que começava o processo de tentar dar um jeito no Brasil”, continuou. “Como diria meu amigo [e ex-chanceler] Celso Amorim, eu não acredito muito em conspiração. Mas também não desacredito”.

Na sequência, a repórter perguntou: “O senhor faz uma conexão entre tudo isso e o que acontece com o senhor agora?” “Faço. E se estiver errado, vou viver para pedir desculpas”.

“Mas o senhor acha, por exemplo, que os procuradores da Lava Jato vão aos EUA e se reúnem com um mentor?”, questionou a repórter. “Eu acho”, respondeu Lula. “Agora mesmo o Moro está lá [no exterior] para receber um prêmio dessa Câmara de Comércio Brasil-EUA. Ele foi lá para ficar 14 dias. Eu já recebi prêmios. Você vai num dia e volta no mesmo dia”, disse.

“Ô, querida, não me peça provas de uma coisa que eu não tenho. Eu estou apenas insinuando que pode ser, tal ê a proximidade do Ministério Público com a Secretaria de Justiça dos EUA”, completou Lula.


Americano revela cooperação clandestina para perseguir o presidente Lula

No vídeo, divulgado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Kenneth Blanco, Procurador-Geral Assistente do Departamento de Justiça (o Ministério Público deles), revelou que a cooperação entre procuradores dos EUA e da “não depende apenas de procedimentos oficiais”. “Cooperação clandestina para perseguir o presidente Lula?”, questionou o deputado em postagem no Facebook.

Fernando Rosa
No Senhor X
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A longa história das “intervenções” no Brasil. Agora, a serviço do apartheid

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