1 de mar de 2018

História do Golpe: Para entender o xadrez da política - 2

 Artigo publicado em 20/12/2012 

Lei também: História do Golpe: Para entender o xadrez da política


No dia 11 passado, publiquei o post "Para entender o xadrez da política".

Vamos ao próximo levantamento, à luz dos últimos episódios.

Como é o jogo de poder nas democracias

  1. Há três mundos distintos na opinião pública. Um, o mundo da chamada voz das ruas, que elege políticos, de vereadores a presidentes. O segundo, o mundo da opinião pública midiática, controlado por grandes grupos de comunicação. O terceiro, o mundo das instituições, onde se inserem os Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e as demais instituições constitutivas do Estado: Forças Armadas, Ministério Público, órgãos de controle, diplomacia etc. Importante: esse mundo, seja no plano das funções ou familiar, é influenciado majoritariamente pelo mundo da mídia.
  2. O mundo das instituições é fundamentalmente legalista e formalista, no sentido de seguir normas, regulamentos e leis. Há maneiras de dar by-pass na legalidade que seguem sempre o mesmo padrão: denúncias de corrupção, quebra da ordem econômica e social e, no caso de republiquetas latino-americanas, o fantasma da subversão. O clima de caos aumenta a sensação de vácuo de poder e alguém acaba ocupando. Meses atrás publiquei aqui um extraordinário artigo de Afonso Arinos de Mello Franco, de 1963. Ele próprio integrante da UDN, mostrava como a oposição manipulava conceitos que, em 1963, ele já via defasados: como o fantasma da Guerra Fria. E diagnosticava: se não houver pulso da parte do governo, termina em golpe militar. Não houve pulso, a conspiração prosperou e, depois, foi alimentada por manifestações de rua e comícios que passaram aos militares a ideia de quebra da hierarquia. 1964 foi fruto do vácuo de poder.
  3. A mídia sempre tem papel central nesses movimentos. Durante meses criam-se fatos verdadeiros ou não, escandalizam-se meros problemas administrativos (já que não se consegue produzir escândalos verdadeiros todo dia), martela-se, martela-se até obnubilar a opinião pública e consolidar a ideia do caos. As movimentações de rua são consequência e o melhor álibi para golpes. Se a favor, legitima-os para atender aos pleitos da opinião pública. Se contra, legitima-os para impedir a baderna.
  4. Em muitos episódios latino-americanos – quedas de Fernando Collor, no Brasil, e Carlos Andres Perez, na Venezuela - o golpe ocorreu via aliança Legislativo-Mídia. Em outros casos – tentativa de derrubada de Chávez – na aliança entre Mídia e setores das Forças Armadas. Em casos recentes, na parceria Mídia-Supremo. Em todos os casos, há o clamor da opinião pública legitimando os golpes.
  5. O atual embate STF x Congresso visa definir quem é a lei. Não se trata de episódio trivial, briga de egos e quetais. É briga de poder MESMO. Na eventualidade de um episódio crítico qualquer no futuro, quem conseguir ser a LEI manobrará todo o universo das corporações públicas. Se não houver esse momento crítico, cada personagem se recolherá novamente a seu papel tradicional e a disputa não terá passado de uma briga de egos. Melhor: de imensos egos.

As peças do jogo no quadro atual

Os pontos levantados  não significam que há uma organização conspiratória juntando todas essas peças. Deflagra-se um processo e são as circunstâncias específicas que determinam a dinâmica e conferem um papel a cada agente.

Entendidos esses aspectos genéricos do jogo de poder, vamos ao quadro atual:
  1. O PT é bom de rua, bom de voto e ruim de instituições. Quando Lula assumiu, tentou avançar através de dois operadores: José Dirceu e Antônio Palocci. A estratégia de Dirceu consistia em assumir todo o know-how de poder desenvolvido por FHC, o controle daquele grande rio subterrâneo do poder de fato, onde transitam os poderes constituídos, poderes econômicos, lobistas, parlamentares donos de bancada, técnicos e sistemas de influência em geral. No início do governo, ainda verde, essa estratégia levou o partido a “adotar” o esquema Marcos Valério, legítima criação do PSDB mineiro e que chegou ao Planalto através das mãos de Pimenta da Veiga, Ministro das Comunicações de FHC. Depois, aprendeu, mas o pecado original não pode ser exorcizado.
  2. O “mensalão” amarrou a ação de ambos os operadores, derrubou-os e, para afastar o fantasma do impeachment, Lula, inspirado por Márcio Thomas Bastos, apostou em um republicanismo ingênuo, no qual FHC jamais embarcou: não indicou o Procurador Geral da República, usou as indicações do STF (Supremo Tribunal Federal) para gestos simbólicos, descentralizou as ações da Polícia Federal. E deu todo o espaço político de que essas estruturas necessitavam para ambicionar mais espaço político. É movimento típico das burocracias . Quando não há nenhuma forma de resistência à sua expansão, a tendência é ocupar espaço. O quadro de quase confronto atual é resultado direto do vácuo de poder no sistema judiciário, muito mais do que de manobras conspiratórias.
  3. Com o vácuo, cada ator político – PGR, STF, setores internos da PF – pôde crescer livremente, sem resistências e sem risco. O PGR Roberto Gurgel acumulou seu poder empalmando em suas mãos (e no da sua esposa) todos os processos envolvendo personagens com foro privilegiado. A maneira como ministros do STF atuaram no “mensalão” – um comparando o partido do governo ao PCC, outro incluindo falas fora do contexto da própria presidência da República – é típica de quem, à falta de qualquer tipo de limites, deixa de supor e passa a acreditar piamente que é Deus
  4. Finalmente, a cobertura exaustiva do julgamento do “mensalão” calou fundo na classe média – e não apenas na midiática. Graças ao Jornal Nacional, entrou no imaginário das famílias, das crianças e dos velhos. Acredita-se em um mar de corrupção incontrolável embora nem se identifiquem bem quem são os atores.
  5. A lógica que vigorou até agora para Lula e o PT – a cada campanha midiática a resposta das urnas – vale para eleições, não para o jogo institucional que se arma.

Cenário da desestabilização

O que seria um cenário de desestabilização? Esses cenários não são planejados de antemão, mas frutos de circunstâncias que vão se somando até virar o rascunho do mapa do inferno. Mostra-se, aqui, uma situação limite hipotética.

1. Intensificação da campanha midiática em duas frentes: a denuncista e a econômica.

O “efeito-mensalão” será absorvido com as festas de fim de ano e um janeiro tradicionalmente morno. Haverá a necessidade de substituí-lo por outros temas candentes.

A “denuncista” em tese depende da disposição do PGR e de setores da PF de abrir inquéritos e vazá-los para a mídia amiga. Há um processo nítido de auto-alimentação entre mídia e o PGR. Vaza-se o inquérito, monta-se um estardalhaço; com base no estardalhaço tomam-se outras medidas que resultam em mais estardalhaço. Tem que se atuar sobre esse cordão umbilical.

A econômica dependerá fundamentalmente do desempenho da economia e, principalmente, dos dados do PIB no primeiro semestre. Como já alertei aqui, a crítica se concentrará na atuação da Petrobrás no pré-sal, nos financiamentos do BNDES e no PAC.

2. Reação intempestiva do PT e Lula levando a movimentos de rua, com possibilidade de conflitos.

Leve-se em conta que a cobertura do “mensalão” tirou do PT o monopólio da mobilização popular. Agora há espaço para marchas contra a corrupção e coisas do gênero.

3. Reações do governo que possam ser interpretadas como ameaça às instituições.

4. Supremo sob controle do grupo dos cinco dizendo que, agora, “eu sou a lei” e se impondo para conter o caos.

As estratégias de lado a lado

Entendidos os pontos centrais da disputa, vamos tentar avançar no que poderiam ser as táticas de lado a lado.

Da oposição, obviamente, é elevar a fervura da água. Para tanto, necessita manter acesa a parceria com o PGR e com setores serristas da Polícia Federal para garantir a alimentação de escândalos; e declarações bombásticas de Ministros do STF para dar solenidade às suposições. E investir tudo em escândalos permanentes, desses que permitem um vazamento por dia e duas declarações retóricas de Ministros do STF por semana.

Enquanto isto, tratar de alimentar o negativismo do noticiário econômico superdimensionando notícias negativas e minimizando as positivas.

Da parte do governo, o jogo é o oposto, é baixar a fervura. Significa o seguinte:
  1. Considerar finalizado o episódio “mensalão”. Para tanto, o PT terá que dar baixa no balanço das lideranças atingidas. Do mesmo modo, a Presidência se afastará cada vez mais do episódio e reforçará o legalismo. No início, a inação do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, era coisa dele. Agora, não: é coisa dela.
  2. O MPF é permanente; Roberto Gurgel, passageiro. Como organização burocrática, disciplinada e legalista, bastará que seja tratado com respeito e que o governo emita sinais discretos sobre a sucessão de Gurgel, sem nada que afronte a autonomia relativa do órgão e sem nada que alimente as fantasias continuístas do grupo de Gurgel. Automaticamente se formarão novos centros de poder e influência internos.
  3. Em relação ao STF, o problema não é o órgão, evidentemente, mas a coalizão circunstancial que permitiu aos “cinco do Supremo” votar em bloco, em um STF desfalcado, e, com a hegemonia provisória, tornarem-se celebridades. Havendo normalidade na política e na economia - e acerto na substituição de Ministros - termina a maioria circunstancial, já que as Ministras, severas nas suas sentenças, mostraram-se discretas e legalistas. Celso de Mello voltará a se comportar como lente, Gilmar como político, Marco Aurélio como outsider, Luiz Fux buscará outras lâmpadas em torno das quais esvoaçar – bom radar porque especialista em rodear as lâmpadas que irradiam maior calor.  E Joaquim Barbosa… continuará sendo Joaquim Barbosa.
  4. No plano econômico, torcer para que venha logo a colheita das medidas plantadas nos dois últimos anos. E melhorar substancialmente as ferramentas de divulgação dos atos positivos de política econômica. O reajuste dos combustíveis foi passo importante para devolver à Petrobras o fôlego financeiro, tirando-a da linha de fogo.

Fatores de atrito

Há dúvidas no ar, obviamente. A manutenção de um clima de tranquilidade, com a economia sob controle, será relevante para que a nova formação do Supremo retorne à discrição e à responsabilidade institucional que se exige do órgão.

Gurgel e Joaquim Barbosa continuarão ativos. Manterão a parceria? São incógnitas.

A grande tacada da mídia serão as investidas contra Lula. Essas, sim, poderão provocar as manifestações de rua que se pretende para ampliar a percepção de caos político. No MPF, há uma gana para pegar Lula que transcende a própria figura do PGR.

É por aí que o bicho pode pegar. E é por aí que deverá se concentrar a atuação política dos que não pretendem assistir o país pegar fogo.

Nem se ouse apostas sobre quem pode botar mais gente na rua. Entrar nesse jogo é tiro no pé na certa.

Luís Nassif
No GGN
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Ministério da Justiça cassa anistia político de sacerdote belga preso na ditadura

Segundo decisão inédita do ministro (sic) Torquato Jardim, Jan Honoré Talpe não tem direito ao benefício por ser estrangeiro


O sacerdote belga Jan Honoré Talpe, preso no DOPS/SP por seis meses e depois expulso do Brasil durante a ditadura militar, teve a anistia política cassada pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim. Na época, Jan era militante da Ação Popular e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

A decisão inédita, que foi publicada no Diário Oficial do dia 8 de fevereiro, se baseia em uma lei feita pelo regime militar, segundo a qual era vedado “o exercício de atividade política por estrangeiros”. O ministro também negou o pedido de reparação econômica.

Além de recorrer a uma lei da ditadura, a decisão do Ministério da Justiça passa por cima da Lei da Anistia, promulgada em 1979, que concede anistia a todos que cometeram crimes políticos ou eleitorais e àqueles que sofreram restrições de direitos políticos – sem distinção. Segundo a advogada Paula Sapir Febrot, que trabalha na área desde 1995 e já conseguiu mais de 300 anistias a perseguidos políticos, é a primeira vez que a um estrangeiro é negado o benefício.

“O Ministério da Justiça opinou pelo indeferimento de um processo de anistia política depois de ser julgado e deferido pela Comissão de Anistia pelo fato do requerente ser estrangeiro. Argumenta que à época da perseguição política era vedado o exercício de atividade política por estrangeiro. Então qual a finalidade de Lei de Anistia? Reportar-se à época da ditadura para indeferir processos?”, questiona Febrot, membro do conselho da Associação Brasileira de Anistiados Políticos.

Em abril de 2014, aos 81 anos, Jan foi impedido de entrar no Brasil pela Polícia Federal. Ele vinha participar de eventos relacionados aos 50 anos de golpe militar.

A alegação era de que ele havia sido expulso do Brasil em 1969 em razão do Decreto-Lei 417/69, que permitia ao Presidente da República expulsar estrangeiros que “por qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade e moralidade públicas e à economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo ou perigoso à conveniência ou aos interesses nacionais” (art. 1º).

O juiz federal Paulo Marcos Rodrigues de Almeida, que estava de plantão, concedeu liminar para autorizar o ingresso do belga no Brasil e escreveu na decisão que a expulsão dele não tem mais legitimidade “em razão de absoluta inconsistência jurídica, à luz da Constituição da República de 1988 e da própria Lei da Anistia.”.

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Partido Novo anuncia, enfim, uma renovação na política brasileira: a candidatura de Dom Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Leia essa “notícia” do site “Diga Sim à Monarquia Parlamentarista!” (o nome é esse, mesmo) e diga se o Brasil não é o país da piada pronta.

Se temos o Exército de volta, cheio de amor pra dar, por que não a família real, ora pois?


Nesta quarta-feira (28), uma publicação do Partido NOVO em seus canais nas redes sociais surpreendeu seus seguidores, particularmente aos monarquistas: Dom Luiz Philippe era anunciado, oficialmente, pela legenda, como pré-candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo.

Assista ao vídeo lançado pelo NOVO:



Boatos acerca da candidatura do Príncipe já circulavam há algum tempo. Em dezembro, a Veja São Paulo chegou a noticiar o fato: Dom Luiz Philippe, no entanto, prontificou-se a negar em nota oficial.

O envolvimento de S.A.R. com o Partido NOVO já era conhecido por alguns. O Príncipe vinha apresentando, aos membros e pré-candidatos a cargos eletivos pela legenda, sua palestra “Por que o Brasil é um país atrasado?”, baseada em livro homônimo lançado ano passado.

Questionada, a Casa Imperial do Brasil manifestou, por meio da Pró Monarquia, a seguinte posição:
Sim, o Partido NOVO lançou oficialmente, hoje, a pré-candidatura de Dom Luiz Philippe a Deputado Federal pelo Estado de São Paulo.

Lembramos que Dom Luiz Philippe não tem direitos ao Trono e, não sendo dinasta, é livre para atuar na política partidária.

O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, tanto por si, tanto por seus maiores, nunca endossou e nem endossará qualquer candidatura política, ainda que de um de seus estimados sobrinhos.
Dom Luiz Philippe, sobrinho de S.A.I.R. o Chefe da Casa Imperial do Brasil, é filho de S.A.R. o Príncipe Dom Eudes de Orleans e Bragança, que em 1966 renunciou a seus direitos sucessórios ao Trono e à Coroa do Brasil por si e sua descendência.

Kiko Nogueira
No DCM
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Globo faz a diferença e obriga o TRF1 a voltar atrás em sua decisão


A desmoralização da Justiça segue ladeira abaixo.

No dia 22 de fevereiro passado, o G1, da Globo, noticiou a mudança de juízes em processos envolvendo Lula, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e Henrique Alves.

Até então, os processos  estavam sob o controle do juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal, seguidor do padrão Sérgio Moro.

A mudança foi decorrência de recomendação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do Conselho da Justiça Federal (CJF), devido à inauguração de um novo presídio em março.

Houve então um sorteio dos processos, sem os algoritmos do STF. Segundo a reportagem do G1 “o TRF-1 explicou ainda, que os processos foram sorteados eletronicamente, acrescentando que o critério para a redistribuição foi a equivalência numérica aproximada por classe e movimentação, de modo a assegurar a igualdade de acervo entre as varas”. Ou seja, uma distribuição republicana e seguindo as regras da impessoalidade.

Aí, procuradores da República procuraram a Globo para se queixar de que o juiz que recebeu os processos de Lula, Marcos Vinicius, é um “garantista” – ou seja, o que segue o Código Penal, assegurando direitos iguais para as partes. Os processos envolvendo Lula são dois factoides plantados pelo MPF, as decisões envolvendo a compra de caças suecos – que foi tomada pelo Alto Comando das Forças Armadas – e a renovação dos incentivos à indústria automobilística.

Hoje, o Conselho de Administração do TRF-1, acatou o alerta da Globo e voltou atrás em sua decisão. Como diz o Ministro Luís Roberto Barroso – que, em entrevista ao G1, ontem, diz que ele “faz o bem” -, a Globo faz a diferença.

 “O Conselho de Administração do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em sessão ordinária realizada nesta quinta-feira, dia 1, referendou, com ajustes propostos pelo Corregedor Regional, o Provimento Coger 136, que estabelece regras para a distribuição e redistribuição de processos decorrentes da transformação da 15ª Vara/DF em vara criminal e da especialização da 12ª Vara/DF para processar e julgar crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores e aqueles praticados por organizações criminosas.

Após discutir os termos do normativo, o colegiado decidiu, por unanimidade, em relação ao inciso II, do artigo 10, que não deverão ser redistribuídos processos que tiverem audiências e/ou interrogatórios realizados”.

Assessoria de Comunicaçao Social

Ontem, o Tribunal de Justiça de São Paulo inocentou os dez acusados no caso Bancoop. O único condenado foi Lula, julgado obviamente em Curitiba.

Luís Nassif
No GGN
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TJ-SP absolve Vaccari e mais 11 em ação que Moro condenou Lula


O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou nesta quinta-feira 1º a absolvição do ex-tesoureiro do PT João Vaccari e outras 11 pessoas no caso que trata de supostos desvios da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop).

A investigação é a mesma usada pelo juiz Sergio Moro para condenar o ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, em que o petista já foi condenado em segunda instância, pelo TRF4, de Porto Alegre.

Na TJ-SP, foram absolvidos também o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e mais dez acusados pelo Ministério Público Estadual por suposto crime de estelionato em quatro grandes empreendimentos da Cooperativa, entre eles o Condomínio Solaris, onde fica o triplex atribuído a Lula, mas que pelos documentos, pertence à OAS.

Os demais absolvidos foram a advogada Letícia Achur Antonio, Ivone Maria da Silva, Carlos Frederico Guerra Andrade, Fabio Hori Yonamine, Vitor Lvindo Pedreira, Roberto Moreira Ferreira, Luigi Petti, Telmo Tonolli, Ana Maria Érnica e Vagner de Castro.  A decisão foi tomada por unanimidade pelos desembargadores da 10.ª Câmara Criminal do TJ.

A Promotoria chegou a acusar e a pedir a prisão preventiva de Lula neste caso, atribuindo a ele a propriedade do triplex no Condomínio Solaris. Esta parte da acusação, porém, foi enviada para o juiz Sergio Moro, por entendimento de que pertencia à Operação Lava Jato. O ex-presidente não era alvo de acusação na ação julgada nesta quinta-feira no TJ paulista.

De acordo com a defesa de Vaccari, durante o "processo ficou demonstrado que o Sr. Vaccari, à frente da Bancoop, saneou a cooperativa e viabilizou a entrega dos apartamentos aos cooperados, inclusive por meio de acordos com o Ministério Público, homologados pelo Judiciário". "O TJSP bem decidiu este processo, pois ao rejeitar este recurso, confirmando a absolvição do Sr. Vaccari, fez justiça à luz dos elementos constantes dos autos, pois o Sr. Vaccari é inocente", diz o texto.
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Revista Época morreu e cadáver vem de graça no Globo e no Valor

Pilha de cadáveres vai crescer na "Globo Overseas"


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Pouco mais de um mês após um passaralho provocar uma carnificina na Revista Época, a "Globo Overseas" anuncia o fim de sua revista semanal.

E chama esse fim da Época de "novo projeto editorial e gráfico". Na prática, ela vira um suplemento que chegará de graça para os (poucos) assinantes do Globo Overseas e do Valor, o "PiG cheiroso".

Vale lembrar que a Globo comprou a parte da "Fel-lha" no "PiG cheiroso", em 2016, por um dinheiro de pinga.

(A "Fel-lha" só aceitou porque já não tinha dinheiro nem para pagar a conta de luz...)

E o próximo cadáver na pilha deve ser o próprio jornal O Globo.

Em janeiro, a assim anunciada "fusão" entre as redações do Globo e da Época cortou cerca de 30 das 65 cabeças das duas publicações.

A verdade é que "Fel-lha", Estadão e Globo sabem que já estão mortos.

Pesquisa CNT/MDA de setembro/2017 aponta que só 3,4% dos brasileiros consideram o jornal impresso sua principal fonte de informação (sic).

E a TV vai pelo mesmo caminho: em março de 2014, o IBOPE constatou que 89% dos brasileiros tinham o hábito de se informar (sic), principalmente, pela TV. Na CNT/MDA de setembro/2017, esse número despencou para 51,8%.

É por isso que o Conversa Afiada há muito sustenta que a Globo breve será googlada.

E que ela está à venda, embora ninguém se interesse, já que a publicidade não paga mais a folha de salários.

Em tempo: não bastasse tudo isso, a Rádio Globo, que por décadas manteve a liderança no Rio e em São Paulo, definha. Já não é segredo que o arrendamento dos canais AM nas duas capitais é cogitado. Em São Paulo, a inauguração da faixa em FM não comoveu ninguém e ainda fez com que o tradicional público da rádio migrasse para outras emissoras, devido à mudança de "target". Ela entrou no ar em junho do ano passado e, logo em seu primeiro trimestre (encerrado em agosto), teve um resultado vexatório: ocupou a 34ª posição no IBOPE, atrás até da Rede Aleluia e da USP, com apenas 5.549 ouvintes sintonizados entre 6h e 19h. No Rio, a Rádio Globo sai do histórico edifício da Rua do Russel para morar de favor em algumas mesas do Projac, ao lado do jornal Extra.

No CAf
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O passaporte de Kim Jong-un e a irresponsabilidade da Reuters

'Fake news'? Publicação da reportagem sobre suposto passaporte brasileiro dos norte-coreanos pela Reuters desrespeita qualquer sentido editorial ou regra de boa conduta jornalística

Suposto passaporte do líder coreano Kim Jong-un
Agências de notícias e grandes veículos de imprensa vêm atacando as chamadas "fake news" e jogando a responsabilidade por elas numa grande maçaroca que mistura criadores de perfis em massa para difundi-las, falsificadores de dados da realidade, agências de notícias de países "inimigos" (Rússia especialmente) e, de quebra, o jornalismo independente.

Mas vamos ao caso do passaporte de Kim Jong-un, divulgado por uma das maiores empresas de jornalismo e comunicação do mundo, a Reuters - que integra um conglomerado supostamente respeitável, que publica notícias, mas também livros, bases de dados de legislação, manuais de direito e administração etc. etc. etc. (talvez esteja faltando mais algumas linhas de etc. neste parágrafo).

Pois bem, ainda que um dia Kim Jong-un tenha usado um passaporte brasileiro, a publicação dessa notícia pela Reuters desrespeita qualquer sentido editorial, qualquer regra de boa conduta jornalística. O fato pode vir a se provar verdadeiro - o que, acredito, tem pouca chance de acontecer -, mas a divulgação da reportagem que circulou ontem pelo mundo é um escândalo em si.

Digo isso como alguém que, no perfil pessoal, compartilhou a notícia. Não sou um novato na área: trabalho com jornalismo há 24 anos, já fui redator, repórter, correspondente, diretor de redação, pesquisador na área de literatura e de história - tenho também diploma de brigadista de incêndio e massagem terapêutica. Sou o que os jornalistas antigamente chamavam com respeito de "puta velha": já vi muita coisa. E ainda assim, num primeiro momento, com a chave profissional desligada, caí na armadilha da Reuters e cheguei a compartilhei a nota original, em inglês (já excluí da minha TL).

Antes de responder à pergunta "por que caí", vou dar uma voltinha, e explicar os problemas da notícia, por ordem de relevância e apresentação da apuração:

1) A fonte mais importante, pelo menos na ordem de relevância escolhida pela Reuters, é anônima e, em tese, fortemente interessada na divulgação de que Kim passeava por um mundo inseguro tentando chegar à Disneylândia (isso é sarcasmo, a Disneylândia não é citada no texto). Não se diz se a fonte é norte-americana ou britânica, por exemplo, mas sabemos que ela é uma "alta fonte de segurança ocidental": "Eles usaram esses passaportes brasileiros, que claramente mostram fotos de Kim Jong-un e Kim Jong-il, para tentar obter vistos de embaixadas estrangeiras". Não apenas isso, a fonte anônima faz uma avaliação da política interna norte-coreana baseada no nada: "Isso mostra seu desejo por viagens [oi?], e aponta para as tentativas da família governante de construir uma possível rota de fuga [para quê? não é preciso explicar, nem para a fonte, nem para a Reuters]. Por segurança da fonte, ou própria, ou por algum tipo de encabulamento, o jornalista da Reuters preferiu omitir sua origem.

2) Nem Coreia do Norte, nem Brasil confirmaram o uso do passaporte brasileiro falsificado.

3) Uma outra fonte, brasileira, que também falou em condição de se manter anônima, disse que "os dois passaportes em questão eram documentos legítimos quando enviados em branco para emissão em consulados". Ou seja, basicamente a fonte afirmou que o número do passaporte existe e que o documento um dia esteve em branco. Não há nenhuma informação relevante aqui, a não ser a que os números dos passaportes - no caso de Kim Jong-Un, CE 375766 - respondem às regras de numeração da Polícia Federal. Não há nem mesmo uma apuração para dizer se Antonio de Souza e Silva, que assina o passaporte do atual presidente coreano, servia em Praga (República Tcheca) em 1996, onde e quando supostamente foram emitidos os documentos.

4) Quatro "fontes de segurança europeias" – ou seja, não sabemos nem suas nacionalidades, nem se trabalham para o mesmo país, nada, nada: podem ser quatro amigos da fonte um – disseram que, com esses passaportes, Jong-un e Jong-il pediram vistos. As quatro fontes não disseram ao jornalista nem ao menos se os vistos foram concedidos. Ou seja, de novo, não há uma informação realmente relevante, que permita qualquer rastreamento das viagens dos dois ou pelo menos de onde a informação poderia ser checada.

5) Na falta de informação relevante, temos o Google, né? O jornalista lembrou e procurou a notícia de que o jornal Yomiuri Shimbun falou em 2011 que Jong-un foi a Tóquio em 1991 usando um passaporte brasileiro. A Reuters diz malandramente que tal fato ocorreu "antes da data de emissão impressa nos dois passaportes". Bom, eu gostaria de acrescentar o tempo entre uma coisa e outra: cinco anos. Ou seja, não há nenhuma prova empírica que ligue a suposta viagem ao suposto passaporte. Mas por que aceitar os fatos se uma suposição alimenta a outra suposição, e assim as duas saem, simultaneamente, não comprovadas, mas aparentemente mais fortes?

6) "O passaporte de Kim Jong-un foi emitido em nome de Josef Pwag, com data de nascimento de 1º de fevereiro de 1983". Por que raios um brasileiro, nascido em São Paulo, ainda que de ascendência coreana, escolheria o nome Josef e não José? Essa pergunta o repórter da Reuters não se faz, talvez porque tenha ouvido falar que a sonoridade do português é semelhante à do russo.

7) Após uma série de suposições sobre o nascimento de Jong-un sem nenhuma relevância para o caso, vem o suprassumo da apuração: "A primeira fonte de segurança" (aqui, temos um eufemismo que esconde até mesmo que ela é ocidental, quem sabe o leitor já esqueceu a essa altura) "se recusou a descrever como as cópias dos passaportes foram obtidas, citando regras de sigilo" [oi?]. E a cereja do bolo: "A Reuters viu apenas cópias dos documentos, de forma que não foi capaz de discernir se foram adulteradas".

Pronto, na última linha, a confissão de que a matéria é impublicável, pelo menos no estágio atual de apuração. Qualquer mané em Photoshop faz uma ficha falsa da Dilma – digo, um passaporte brasileiro de um Kim.

Operação Colombo: 'fake news em 1975
Por que caí nessa? Porque histórias saborosas são assim. Elas se parecem verdade. Jornalistas gostam de publicá-las e, quando elas são boas demais, fecham muitas vezes involuntariamente os olhos para toda a manipulação que pode estar sendo feita com eles.

Essa é, no entanto, uma leitura ingênua minha. Pode muito bem ter sido um relaxamento de precisão da Reuters. Mas as agências de notícias internacionais tantas outras vezes se prestaram, no passado, a manipulações programadas.

O caso que sempre me vem à cabeça é a da lista da Operação Colombo, também conhecido com "O caso dos 119". Numa operação da Dina (Direção de Inteligência Nacional) chilena, em 1975, duas publicações, “Lea” (da Argentina) e “Novo O Dia” (brasileira, de Curitiba, e que só teve uma edição), publicaram uma lista de desaparecidos políticos que teriam sido, supostamente, assassinados pelo Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) chileno. Na verdade, eles haviam sido assassinados pela própria ditadura do general Pinochet. A ação visava ao mesmo tempo encobrir os assassinatos praticados pelo Estado e envenenar a relação entre os grupos de esquerda que lutavam contra o regime.

Prontamente, a agência de notícias norte-americana United Press International (UPI), de grande relevância na época, divulgou as informações, sem nenhuma checagem adicional, tornando "verdade" aquilo que publicações para lá de suspeitas afirmavam sem nenhuma prova. Provavelmente, a UPI atuou sob influência direta ou indireta da CIA, a "Dina" norte-americana.

Por isso, quando falarmos de "fake news", precisamos lembrar que muitas vezes os veículos mais tradicionais são capazes de, voluntariamente ou não, produzi-las.

Haroldo Ceravolo Sereza
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Golpista Marun gastou R$ 318.000 com aluguel de carros de ex-funcionário de sua campanha


Atual ministro (sic) da secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS) usou R$ 318 mil de sua verba como deputado para alugar carros de um cabo eleitoral, apesar da locadora ficar numa cidade a 160km de Campo Grande (MS) e seu gabinete não ter despesas com combustível ou escritório naquele local.

Os pagamentos aconteceram entre 2015 e 2017, sempre na faixa de R$ 10 mil mensais, independente do número de veículos alugados.

A locadora "Neto Car Guinchos" fica na cidade de Maracaju.

Apesar das notas fiscais não explicarem a atuação de Marun na cidade, há uma relação política por trás do negócio. O dono da locadora é um aliado de Marun. Trata-se de Cecílio Neto. Ele é filiado ao MDB, mesmo partido do deputado.


Além disso, ele é desde 2013 funcionário comissionado da prefeitura de Maracaju, com salário de R$ 3.500. O prefeito da cidade, Maurílio Azambuja, é do mesmo partido. Cecílio Neto também trabalhou na própria campanha do deputado Carlos Marun em 2014, e recebeu R$ 10 mil.


Essa nota fiscal mostra, por exemplo, que o endereço de Marun é em Campo Grande, e não em Maracaju. Seria como um deputado de Brasília alugar carros em Goiânia, ou um de São Paulo usar uma locadora de Piracicaba.


As notas fiscais apresentadas pelo próprio Marun mostram ainda que, apesar dos carros terem sido alugados em Maracaju, a cidade não faz parte do cotidiano do deputado.

As verbas de manutenção de gabinete foram gastas em Brasília e Campo Grande. Nem o combustível foi gasto naquela cidade, de acordo com as notas da Câmara.

No total, Marun gastou R$ 177 mil com combustível - 84% foi no mesmo posto, em Campo Grande. As notas, aliás, seguem um padrão ao longo dos meses: uma compra alta, de uma vez só, em Campo Grande e outras menores em Brasília.

Procurado, o ministro disse que alugava os carros para atividade parlamentar e que os valores estavam dentro do limite estabelecido pela Câmara (R$ 12 mil). Sobre sua relação com o aliado do PMDB, ele deu a seguinte resposta:

"Sempre fomos bem atendidos pela locadora, e nada me obriga a locar veículos de propriedade de adversários políticos".

Marun diz que um carro era para uso dele em Brasília, outro para Campo Grande. Um terceiro carro ficava à disposição de seu escritório no Estado.

Havia, ainda, um quarto carro destinado a seus assessores percorrerem o interior do Estado. Essa foi a justificava dele: "Sou bem votado em todo o Estado do MS".

Procurado, Cecílio Neto diz que o contrato de aluguel previa que os carros fossem entregues direto em Campo Grande.

"Ele cotava comigo, acertava o preço e eu entregava no escritório de Campo Grande. Era uma quantidade boa", diz o ex-funcionário da campanha.

"Eu emitia as notas conforme orientação da Câmara. Nos contratos todos os meses seguiam com as notas fiscais, seguro, os documentos dos veículos em nome da empresa e a avaliação da tabela Fipe. É o procedimento da Câmara".

Disse, também, que trabalhou na prestação de contas do deputado e, quando ele foi eleito, informou ao deputado que tinha uma locadora que poderia fornecer carros.

"Eu estou torcendo para ele voltar a ser deputado. Para ele voltar a alugar comigo. Ele deixou de ser deputado e eu deixei de fornecer os veículos", disse o dono da locadora.


Filipe Coutinho
No BuzzFeed
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História do Golpe: Para entender o xadrez da política

 Artigo publicado em 11/12/2012 


Vamos entender o xadrez político atual.

Há um jogo em que o objetivo maior é capturar o rei – a Presidência da República. O ponto central da estratégia consiste em destruir a principal peça do xadrez adversário: o mito Lula.

Na fase inicial – quando explodiu o “mensalão” – havia um arco restrito e confuso, formado pela velha mídia e pelo PSDB e uma estratégia difusa, que consistia em “sangrar” o adversário e aguardar os resultados nas eleições presidenciais seguintes.

A tática falhou em 2006 e 2010, apesar da ficha falsa de Dilma, do consultor respeitado que havia acabado de sair da cadeia, dos 200 mil dólares em um envelope gigante entrando no Palácio do Planalto, das FARCs invadindo o Brasil  e todo aquele arsenal utilizado nas duas eleições.

A partir da saída de Lula da presidência, tentou-se uma segunda tática: a de construir um mito anti-Lula. À falta de candidatos, apostou-se em Dilma Rousseff, com seu perfil de classe média intelectualizada, preocupações de gestora, discrição etc. Imaginava-se que caísse no canto de sereia em que se jogaram tantas criaturas contra o criador.

Não colou. Dilma é dotada de uma lealdade pessoal acima de qualquer tentação.

O “republicanismo”

Mas as campanhas sistemáticas de denúncias acabaram sendo bem sucedidas por linhas tortas. Primeiro, ao moldar uma opinião pública midiática ferozmente anti-Lula.

Depois, por ter incutido no governo um senso de republicanismo que o fez abrir mão até de instrumentos legítimos de autodefesa. Descuidou-se na nomeação de Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), abriu-se mão da indicação do Procurador Geral da República (PGR) e descentralizaram-se as ações da Polícia Federal.

Qualquer ação contra o governo passou a ser interpretada como sinal de republicanismo; qualquer ação contra a oposição, sinal de aparelhamento do Estado.

Caindo nesse canto de sereia, o governo permitiu o desenvolvimento de três novos protagonistas no jogo de “captura o rei”.

STF

Gradativamente, formou-se uma bancada pró-crise institucional, composta por Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, e  Luiz Fux, à qual aderiram Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello. Há um Ministro que milita do lado do PT, José Antonio Toffolli. E três legalistas: Lewandowski, Carmen Lucia e Rosa Weber.

O capítulo mais importante, nesse trabalho pró-crise, é o da criação de um confronto com o Congresso, que não terá resultados imediatos mas ajudará a alimentar a escandalização e o processo reiterado de deslegitimação da política.

Para o lugar de César Peluso, apostou-se em um ministro legalista, Teori Zavascki. Na sabatina no Senado, Teori defendeu que a prerrogativa de cassar parlamentares era do Parlamento. Ontem, eximiu-se de votar. Não se tratava de matéria ligada ao “mensalão”, mas de um tema constitucional. Mesmo assim, não quis entrar na fogueira.

Procuradoria Geral da República (PGR)

Há claramente um movimento de alimentar a mídia com vazamentos de inquéritos. O último foi esse do Marcos Valério ao Ministério Público Federal.

Sem direito à delação premiada, não haveria nenhum interesse de vazamento da parte de Valério e seu advogado. Todos os sinais apontam para a PGR. Nem a PGR nem Ministros do STF haviam aceitado o depoimento, por não verem valor nele. No entanto, permitiu-se o vazamento para posterior escandalização pela mídia.

Gurgel é o mais político dos Procuradores Gerais da história recente do país. A maneira como conquistou o apoio de Demóstenes Torres à sua indicação, as manobras no Senado, para evitar a indicação de um crítico ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), revelam um político habilidosíssimo, conhecedor dos meandros do poder em Brasília. E que tem uma noção do exercício do poder muito mais elaborada que a do Ministro da Justiça e da própria Presidente da República. Um craque!

Polícia Federal em São Paulo

Movimento semelhante. Vazam-se os e-mails particulares da secretária Rosemary Noronha. Mas mantém-se a sete chaves o relatório da Operação Castelo de Areia.

O jogo político

De 2005 para cá, muita água rolou. Inicialmente havia uma aliança mídia-PSDB. Agora, como se observa, um arco  mais amplo, com Ministros do STF, PGR e setores da PF. E muito bem articulado agora porque, pela primeira vez, a mídia acertou na veia. A vantagem de quem tem muito poder, aliás, é essa: pode se dar ao luxo de errar muitas vezes, até acertar o caminho.

Daqui para frente, o jogo está dado: um processo interminável de auto-alimentação de denúncias. Vaza-se um inquérito aqui, monta-se o show midiático, que leva a desdobramentos, a novos vazamentos, em uma cadeia interminável.

Essa estratégia poderia ter uma saída constitucional: mais uma vez “sangrar” e esperar as próximas eleições.

Dificilmente será bem sucedida no campo eleitoral. Mas, com ela, tenta-se abortar dois movimentos positivos do governo para 2014:
  1. É questão de tempo para as medidas econômicas adotadas nos últimos meses surtirem efeito. Hoje em dia, há certo mal-estar localizado por parte de grupos que tiveram suas margens afetadas pelas últimas medidas. Até 2014 haverá tempo de sobra para a economia se recuperar e esse mal-estar se diluir. Jogar contra a economia é uma faca de dois gumes: pode-se atrasar a recuperação mas pratica-se a política do “quanto pior melhor” que marcou pesadamente o PT do início dos anos 90. Em 2014, com um mínimo de recuperação da economia,  o governo Dilma estará montado em uma soma de realizações: os resultados do Brasil Sorridente, resultados palpáveis do PAC, os efeitos da nova política econômica, os avanços nas formas de gestão. Terá o que mostrar para os mais pobres e para os mais ricos.
  2. No campo político, a ampliação do arco de alianças do governo Dilma.
Há pouca fé na viabilidade da candidatura Aécio, principalmente se a economia reagir aos estímulos da política econômica. Além disso, a base da pirâmide já se mostrou pouco influenciada pelas campanhas midiáticas.

À medida que essa estratégia de desgaste se mostrar pouco eficaz no campo eleitoral, se sairá desses movimentos de aquecimento para o da luta aberta.

Próximos passos

Aí se entra em um campo delicado, o do confronto.

Ao mesmo tempo em que se fragilizou no campo jurídico, o “republicanismo” de Lula e Dilma minimizou o principal discurso legitimador de golpes: a tese do “contragolpe”. Na Argentina, massas de classe média estão mobilizadas contra Cristina Kirchner devido à imagem de “autoritária” que se pegou nela.

No Brasil, apesar de todos os esforços da mídia, a tese não pegou. Principalmente devido ao fato de que, quando o STF achou que tinha capturado o PT, já havia um novo em campo – de Dilma Rousseff, Fernando Haddad, Padilha – sem o viés aparelhista do PT original. E Dilma tem se revelado uma legalista até a raiz dos cabelos e o limite da prudência.

Aparentemente, não irá abrir mão do “republicanismo”, mas, de agora em diante, devidamente mitigado. E ela tem um conjunto de instrumentos à mão.

Por exemplo, dificilmente será indicado para a PGR alguém ligado ao grupo de Roberto Gurgel.

Espera-se que, nas próximas substituições do STF, busquem-se juristas com compromissos firmados e história de vida em defesa da democracia – e com notório saber, peloamordeDeus. De qualquer modo, o núcleo duro do STF ainda tem muitos anos de mandato pela frente.

Muito provavelmente, baixada a poeira, se providenciará um Ministro da Justiça mais dinâmico, com mais ascendência sobre a PF.

Do outro lado do tabuleiro, se aproveitará os efeitos do pibinho para iniciar o processo de desconstrução de Dilma.

Mas o próximo capítulo será o do confronto, que  ocorrerá quando toda essa teia que está sendo tecida chegar em Lula. E Lula facilitou o trabalho com esse inacreditável episódio Rosemary Noronha.

Esse momento exigirá bons estrategistas do lado do governo: como reagir, sem alimentar a tese do contragolpe. E exigirá também um material escasso no jogo político-midiático atual: moderadores, mediadores, na mídia, no Judiciário, no Congresso e no Executivo, que impeçam que se jogue mais gasolina na fogueira.

Luís Nassif
No GGN
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Bonner recebe supostos e-mails antes de advogados de Lula

Marcelo Odebrecht mente na cadeia e fora dela!




Como é que o jornal nacional teve acesso, no mesmo dia, a supostos e-mails do notório mentiroso Marcelo Odebrecht que, supostamente, incriminam o presidente Lula?

É provável que o jornal nacional tenha tido acesso aos e-mails ANTES dos adêvogados - como dizem os "desembagrinhos" - do presidente Lula.

O episódio demonstra, pela enésima vez, o conluio, esse sim, criminoso, entre a Lava Jato e a "Globo Overseas".

Como naquele episódio em que o "Judge Murrow", em apenas duas horas, vazou para a Globo uma conversa privativa entre uma presidenta e um ex-presidente - (veja como isso deve ter tido o dedo da CIA, na reveladora entrevista de Cristiano Zanin, advogado de Lula, à TV Afiada)
Sobre os supostas e-mails do suposto delator a suposto Juiz a propósito de supostos crimes, ver o que disse Zanin:

Os supostos e-mails juntados hoje pelo Marcelo Odebrecht em nada abalam o fato de que o ex-presidente jamais solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa algum benefício ou favorecimento.

A defesa pedirá que seja analisada a autenticidade e veracidade de todo material apresentado. O material não apenas é contraditório com o depoimento de Marcelo Odebrecht na delação premiada bem como em seu depoimento pessoal em outra ação.

Laudo apresentado pela Polícia Federal na última sexta-feira (23/02) mostrou que documentos atribuídos à Odebrecht foram adulterados. O fato é confirmado pelo depoimento prestado na mesma data pelo ex-executivo da empresa, Fernando Migliaccio. O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán também já havia feito referência ao tema em depoimento prestado à CPMI da JBS e também em videoconferência feita com a defesa de Lula, que foi gravada e registrada em ata notarial.

Cristiano Zanin Martins

No CAf
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Rotinas

Progredimos. Em 1964, os militares se autoconvocaram para salvar o Brasil do comunismo, do anarcossindicalismo, do tropicalismo e de outras ameaças à civilização cristã, definidas pelo departamento de estado americano e pelo Magalhães Pinto. Governaram o País durante 20 anos, deixando um rastro de arbítrio e sangue – e, reconheçamos, um passável sistema nacional de comunicação.

Em 2018 um general foi chamado para pôr ordem na bagunça do Rio, com uma missão definida, num local definido e contra um inimigo definido – que em 64 já existia, só não tinha fuzis de assalto.

Ao contrário dos generais de 1964, o general de 2018 não vai se instalar no poder – ou vai, não se sabe, bata na madeira – e seu mandato, também definido, é de um ano. Se o general de agora tiver sucesso sua intervenção pode se expandir no espaço e no tempo, para o resto do País e para 20 anos ou mais.

De qualquer maneira, o golpe de 1964 e o convite para intervir de 2018 refletem a mesma mania nacional de apelar para os militares como uma espécie de instância final antes do caos. Ou o caos, ou eles. Como se o apelo aos militares não fosse um ingrediente do caos e uma evidência de falência.

Não se sabe como será a convivência da população do Rio com as forças de ocupação. Sempre me impressionou o relato que li, certa vez, sobre os últimos dias antes da queda de Berlim, na Segunda Guerra Mundial. As tropas soviéticas avançando pelos arrabaldes da cidade em ruínas, aniquilando os poucos focos de resistência que ainda encontravam – e os serviços públicos do município funcionando normalmente, o leite e o correio sendo entregues como sempre, a não ser em áreas onde os combates eram mais intensos, e a vida seguindo suas rotinas.

Os cariocas sabem como é viver nos arredores de zonas de guerra, que muitas vezes estão do outro lado da rua. Mas as rotinas que convivem com o tiroteio no Rio não são como as surpreendentes rotinas que desprezavam a guerra à sua volta, em Berlim, para conservar uma normalidade possível. No Rio, há rotinas que fatalmente sobreviverão à intervenção, por mais bem-sucedida que esta seja.

Não apenas a rotina da corrupção policial e do indecente oportunismo político, que o general não vai fazer desaparecer, mas a rotina de questões raramente mencionadas, quando se fala em narcotráfico. Como, por exemplo, a outra ponta do comércio de drogas, a dos usuários que a favela abastece. Os que sustentam o mercado mas nunca aparecem, e só morrem de overdose.

Luís Fernando Veríssimo
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Delatores acusam Paulo Preto, ex-diretor do Dersa, de operar propina

Colaboradores afirmam que Paulo Preto pediu suborno para Serra e Aloysio


Apontado como operador de propinas do PSDB em São Paulo, o engenheiro Paulo Vieira de Souza pode virar recordista em menções em delações. Ele já foi citado por sete delatores da Lava Jato (da Odebrecht, Andrade Gutierrez e pelo operador Adir Assad), e aparece em depoimentos de outros três executivos da OAS e da Queiroz Galvão que negociam acordo com procuradores.

Todos acusam Souza, conhecido como Paulo Preto, de ter cobrado propina na obra do Rodoanel, realizada na gestão do tucano José Serra (2007-2010). Documentos enviados de autoridades suíças apontam que Souza teve uma conta naquele país com R$ 113 milhões.

Os depoimentos dos dez executivos fazem parte do inquérito da Polícia Federal que tramita no Supremo Tribunal, do qual a Folha obteve cópia. Diferentemente do que ocorre em dezenas de delações, nas quais incongruências e variações na narrativa são comuns, os relatos sobre Souza são similares.

O que os executivos contam é que Souza, diretor de engenharia da Dersa no governo Serra, pediu a dez empreiteiras que fizeram o trecho sul do Rodoanel um suborno equivalente a 0,75% de tudo que elas recebessem. Como a obra custou R$ 3,5 bilhões em valores da época que foi inaugurada, em abril de 2010, a propina de 0,75% seria de R$ 26,3 milhões.

Souza, segundo delatores, comunicou os empreiteiros que Serra exigia uma redução de custo de 4% no valor da obra, contratada em abril de 2006 por R$ 2,59 bilhões, o que implicou em queda de R$ 103,5 milhões no preço.

O contrato foi preparado na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), mas foi assinado quando Claudio Lembo (então PFL) assumiu o governo porque Alckmin deixara o cargo para concorrer à Presidência.

Houve, no entanto, uma contrapartida ao preço menor, segundo os delatores: o governo permitiu que as empreiteiras obtivessem ganhos com a mudança do regime de contratação da obra.

O contrato inicial previa o pagamento por preço unitário, ou seja, por quilômetro de asfalto ou tonelada de pedra brita. Após o desconto de 4%, o regime foi mudado para preço global.

O senador tucano Aloysio Nunes, que foi chefe da Casa Civil no governo Serra, diz que isso ocorreu para evitar que as empreiteiras pedissem a inclusão de aditivos, que elevariam o preço final da obra.

Delatores apontam outro motivo. A alteração beneficiou as empreiteiras, segundo Roberto Cumplido, que cuidou do Rodoanel na Odebrecht e é um dos 78 delatores da empresa.

Segundo depoimento que prestou ao delegado da Polícia Federal Luis Flavio Zampronha, a Odebrecht conseguiu ganhar entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões com a nova forma de contratação.

Isso ocorreu, ainda de acordo com o executivo, porque "o consórcio já havia estudado a obra e sabia da possibilidade de obter melhorias de produtividade".

Na visão de delatores da Odebrecht, Souza era extremamente agressivo quando negociava os subornos com os consórcios. Quando pediu a propina de 0,75%, ele teria dito a Cumplido que, se consórcio formado por Odebrecht e a Constran não pagassem, o Dersa, empresa do governo paulista que cuidou da obra, romperia o contrato.

Outro delator da Odebrecht, Benedicto Junior, disse em depoimento à PF que, diante da ameaça, mandou pagar imediatamente a propina.

Um delator da OAS, Carlos Henrique Barbosa Lemos, conta que houve uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, com Aloysio e outros integrantes do governo, para checar se de fato Souza representava Serra e o seu chefe da Casa Civil — havia uma desconfiança de que ele embolsava o que dizia ser dinheiro para futuras campanhas.

Lemos afirma que Souza passou aos executivos qual seria a agenda do encontro, ponto por ponto. Souza teria dito que, se os pontos tratados por Aloysio fossem exatamente os que ele listara, era sinal de que ele representava a cúpula do governo paulista naquela época.

Foi exatamente o que ocorreu, segundo o executivo da OAS. Após a reunião, disse, cessaram as dúvidas sobre quem Souza representava.

Outro lado

O advogado de Paulo Vieira de Souza, Daniel Bialski, diz que as declarações dos delatores são mentirosas porque seu cliente foi duro com as empreiteiras.

"Eles queriam aumentar o preço da obra com aditivo, e o Paulo denunciou isso ao Ministério Público", afirma.

José Serra afirma que "nunca autorizou, direta ou indiretamente, qualquer negociação ilegal em seu governo". Segundo ele, a mudança de regime de contratação do Rodoanel resultou em economia para o estado. Serra também afirma que foi o PSDB quem cuidou de arrecadações de campanha.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse que Serra determinou em 2007 a revisão de todos os contratos visando a redução dos valores e a mudança do regime jurídico de execução das obras para evitar encarecimento e atrasos.

Ele confirma que houve a reunião em seu gabinete citada por um delator, mas diz que a pauta era conhecida anteriormente porque houve uma série de preparativos.

"Os delatores certamente se concertaram para apresentar a mesma versão fantasiosa dos fatos com o objetivo de emprestar-lhe verossimilhança", disse.

Aloysio nega que Souza tenha arrecadado recursos para sua campanha ao Senado em 2010, como relatam delatores que foram interrogados sobre Souza.

O Dersa afirma, em nota, que é o grande interessado no andamento da apuração e no ressarcimento de eventuais danos que venham a ser apurados.

"Todas as obras realizadas pela companhia foram licitadas obedecendo-se à legislação em vigor. Se houve conduta ilícita com prejuízo aos cofres públicos, o estado irá cobrar as devidas responsabilidades, como já agiu em outras ocasiões."

Andrade Gutierrez e Odebrecht disseram, em nota, que apoiam as iniciativas de combate à corrupção e colaboram com as investigações.

O advogado de Adir Assad, Pedro Bueno de Andrade, OAS e Queiroz Galvão não se manifestaram.

Velho conhecido

Delatores e candidatos a delatores que falam do sobre suposto operador tucano

Quem falou sobre Paulo Preto

Odebrecht
> Benedicto Junior*
> Roberto Cumplido*
> Carlos Armando Paschoal*
> Luiz Eduardo Soares*
> Arnaldo Cumplido de Souza e Silva*

> Adir Assad*

Andrade Gutierrez
> Flávio Barra*

OAS
> Léo Pinheiro **
> Carlos Henrique Barbosa Lemos **

Queiroz Galvão
> Carlos Alberto Mendes dos Santos**

O esquema

Segundo os delatores

O preço inicial

Em abril de 2006, o Dersa assina contrato com cinco consórcios, formado por dez empresas, para tocar a obra de R$ 2,58 bilhões

A queda do preço

José Serra (PSDB) assume o governo do Estado em janeiro de 2017 e decide reduzir em 4% o valor da obra. Com isso, o valor do contrato cai para R$ 2,48 bilhões (R$ 103,5 milhões a menos)

Muda regime da obra

Para compensar a queda do preço, houve mudança do regime da obra de preço por unidade por preço global. Com isso, a Odebrecht teve um ganho entre R$ 60 e R$ 70 milhões

O pedido de propina

Com as mudanças, Paulo Vieira de Souza pediu, ainda segundo os delatores, uma propina equivalente a 0,75% sobre qualquer pagamento feito pelo Dersa

* Delatores que já tiveram seus acordos homologados pelo Supremo
** Investigados e condenados que negociam acordo de delação
Fonte: inquérito da Polícia Federal que tramita no Supremo

Mario Cesar Carvalho | Wálter Nunes
No fAlha
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A saída como saída

A substituição de Fernando Segovia na direção da Polícia Federal seguiu uma lógica surpreendente, pela sutileza, no governo mais rombudo de que tenho conhecimento. Se a sugestão veio de fora, é espantoso que os cascas grossas do Planalto a tenham compreendido e executado bem.

Michel Temer sabe o risco que o espera ao fim do mandato daqui a oito meses, com os inquéritos em que figura. Sobretudo os dois (até agora) que têm como coadjuvante o seu assessor "de total confiança" Rocha Loures. Daí, e não da já apontada falta de realismo, a tentativa de Temer de construir a própria candidatura para disputar a Presidência.

O sorridente Segovia fez parte, também, dos roteiros alternativos da pretendida salvação. Já na sua primeira fala pública como diretor da PF, o delegado deu sinal da sua missão: a seu ver, a mala com R$ 500 mil recebida pelo assessor presidencial "de confiança" não era indício relevante de coisa alguma. Segovia seguiu em sua missão, com visitas menos ou mais furtivas a Temer, manipulação de cargos e de ocupantes. Até que quis precipitar o arquivamento do inquérito sobre um decreto de Temer, do ano passado, em benefício de operadoras do porto de Santos. Em especial a Rodrimar, captada em contatos com o intermediário "de total confiança" Rocha Loures, como Temer o definiu na conversa gravada com Joesley Batista.

Indagações explicativas: depois do que disse e da reação recebida, Segovia ainda teria condições de forçar o arquivamento? Ou dar outra contribuição neutralizante da posição de Temer naquele e em qualquer inquérito? O infiltrado tornou-se obstáculo. Conservá-lo seria oneroso e impeditivo. Mas não poderia ser uma demissão a cru, expondo um fracasso a mais.

Ainda que bem executada, a manobra dá à PF a volta do grupo de Leandro Daiello, o diretor substituído por Segovia. Vitória, também, do ministro da Justiça, Torquato Jardim, que a turma do Planalto insultara ao deixá-lo de fora na designação do seu subordinado Segovia.

A substituição dos diretores da PF como primeiro ato de Raul Jungmann foi uma providência de tática política. Visto em geral, no entanto, pelo noticiário e pelos comentaristas, como ato de ética, como gesto do agrado imediato da opinião pública. Ética, porém, foi nele a ausência mais marcante. Além dos gestos de simpatia permutados por Jungmann, na sua posse, com Segovia, os dois tiveram horas de reunião de trabalho, das quais Segovia saiu tão diretor da PF quanto esteve nos últimos dois a três meses. Para ter, sem demora, o susto com a notícia de sua queda.

Raul Jungmann foi útil aos militares como ministro da Defesa, ao poupá-los de falar. Mas disso mesmo veio o desagrado que não se queixou de sua saída. Talvez muito ao contrário. A exposição excessiva, típica do político em cargo proveitoso, contrariou o estilo preferido no ministério, e criou mesmo alguns embaraços. A Defesa, de fato, é por natureza um cargo de discrição.

Raul Jungmann vai se dar bem no Ministério da Segurança Pública. A exposição será muito grande e oferece oportunidades sucessivas a uma pessoa ativa e atirada como Jungmann. Sem que sejam poucas ou pequenas as possibilidades de mais aparência do que efetividade.

Destampa

O general Antonio Hamilton Mourão, celebrizado por destampatórios políticos no Sul, deixou ontem a ativa do Exército com o futuro já esboçado. É o provável eleito presidente do Clube Militar na próxima eleição, como candidato dos militares indignados com a situação política e com a situação geral do país.

Janio de Freitas
No fAlha
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