15 de fev. de 2018

O ridículo de Huck: “”Vou ali chorar um pouquinho e já volto”


A nota de Monica Begamo, agora há pouco, na Folha, dá ideia do patético que era esta pantomima da “candidatura Huck”.

Luciano Huck está triste “como quem interrompe uma gravidez” por ter desistido de disputar a Presidência, diz um de seus mais próximos interlocutores.

“O corpo todo se preparava e se movia para a chegada dessa nova vida. E ela teve que ser interrompida. É frustrante”, completa o amigo do apresentador.

“Vou ali chorar um pouquinho e já volto”, disse o próprio Huck a colegas que conversaram com ele depois da decisão.

Ah, tenham paciência, mas só pode ser a reação de um menino mimado que se viu sem o brinquedo que já achava ser seu.

E “abortou” a candidatura por quê? Ora, por dinheiro, porque é o que perderia se tivesse chutado os belíssimos contratos que tem para ser candidato. Chorar por isso é ter lágrimas de crocodilo.

Monica diz que “Huck teria percebido também que a campanha presidencial não seria um passeio: desde a semana passada, começou a ser questionado sobre a compra de um avião particular com financiamento do BNDES e sobre o uso de leis de incentivo para projetos sociais.”

Ora, cara, você não é capaz de explicar e defender o que faz? Só “se garante” no discurso neoliberal porque suas “mordidas” ficam ocultas pela cumplicidade da grande mídia?

Você até estava saindo “no lucro”, com todo o marketing que acumulou com a bajulação. Mas agora, com essa apelação, pôs tudo fora.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Verdades absolutas na era da Fake News


A terra é plana, mas se o STF mandar prender Lula ela poderá ser descrita como sendo redonda.

O MPF não é seletivo, ele apenas persegue o PT e arquiva os processos dos mafiosos do PSDB. 

Os juízes brasileiros são isentos e respeitam o teto salarial.

Os tiroteios nos EUA não são causados pela livre comercialização de armas de fogo.

Michel Temer tem mais chance de ser reeleito do que de ir para prisão ao final do seu (des)governo.

Lula não será candidato a presidente, se for ele perderá a eleição por causa de uma falha no sistema.

O povo brasileiro é pacífico e aceitará qualquer candidato presidencial escolhido pela Rede Globo.

Aécio Neves não cheira cocaína.

José Serra nunca roubou um centavo dos paulistas.

Quando toda a água for privatizada ela será mais abundante e mais barata.

O petróleo no litoral brasileiro não é dos gringos.

As Forças Armadas do Brasil nunca serão tropas de ocupação num estado vassalo governado pelo embaixador dos EUA.

Nossa democracia está tão viva que o mausoléu do marechal Castelo Branco será demolido num dia e o presidente João Goulart será simbolicamente reempossado na presidência no outro.

O dinheiro do BNDS sempre foi utilizado para pagar despesas correntes do governo federal e o usurpador Michel Temer pode manter isso.

É livre a imprensa, desde que a consciência do jornalista possa ser comprada.

A chave do Triplex foi entregue pela OAS ao avaliador nomeado por Sérgio Moro, mas o Triplex é de Lula.

Um juiz que combate a corrupção não pode ser corrompido pelos Bancos justamente porque aceitou que os banqueiros pagassem sua passagem e estadia para os EUA.

Marcelo Bretas pode posar de fuzil porque a Lei Orgânica da Magistratura foi revogada pelo CNJ.

A carnavalização do Processo Penal e do Direito Penal é uma consequência inevitável da politização do carnaval pela Tuiuti.

Os escravos e seus descendentes sempre foram felizes no Brasil até a promulgação da Lei Áurea.

Nenhum índio foi massacrado durante a ocupação do território nacional.

Delegado que arquiva inquérito policial não comete abuso de poder nem prevaricação.

Deus é brasileiro e santo de casa não faz milagre, mas por via das dúvidas o sarava evangélico vai continuar no Congresso Nacional.

A CNBB dirá amém ao golpe, mas sem violência.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN
Leia Mais ►

Temer tenta faturar mais uma importante obra de Lula e Dilma

Dilma no Projeto Sirius, em Campinas, em 9/6/2016
Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR

Michel Temer visita nesta quinta-feira 15 as instalações do projeto Sirius em Campinas, São Paulo. Pouca gente no Brasil sabe da existência de mais este importante legado dos governos Lula e Dilma que, tal qual a transposição das águas do Rio São Francisco, eles não tiveram tempo de inaugurar. Temer vai tentar faturar mas, como seu crédito anda tão baixo, provavelmente não vai colar. Trata-se da mais complexa infraestrutura científica já construída no país, um acelerador de partículas que será uma das primeiras fontes geradoras de luz síncrotron de 4ª geração no mundo. Foi planejado para colocar o Brasil na liderança mundial de produção de luz síncrotron, com uma qualidade (brilho) superior à que será produzida por equipamentos similares de outros países.

A fonte de luz síncrotron de Campinas será uma ferramenta-chave para a resolução de questões importantes para as comunidades acadêmica e industrial brasileiras, permitindo o desenvolvimento de pesquisas em áreas estratégicas, como energia, alimentação, meio ambiente, saúde, defesa e vários outros. Por sua aplicação versátil, a tecnologia da luz síncrotron vem se tornando cada vez mais utilizada em todo o mundo, especialmente pelos países com economias de forte base tecnológica. A luz, também chamada radiação síncrotron, é um tipo de radiação eletromagnética que se estende por uma faixa ampla do espectro eletromagnético – luz infravermelha, ultravioleta e raios X. Ela é produzida quando partículas carregadas, aceleradas a velocidades próximas à velocidade da luz, têm sua trajetória desviada por campos magnéticos. A Fonte de Luz Síncrotron é uma máquina de grande porte, capaz de controlar o movimento dessas partículas carregadas (elétrons) para produzir essa radiação especial. Estou explicando o melhor que posso, em se tratando de matéria altamente técnica.

O Brasil possui uma fonte já bastante ultrapassada de produção deste insumo científico. As pesquisas mais avançadas demandam o uso de ferramentas atualizadas, que se equiparem a instalações científicas semelhantes em outros países. As fontes de luz síncrotron de alto brilho, como será a de Campinas, representam o que hoje existe de mais moderno para a observação de materiais orgânicos e inorgânicos.

A comunidade científica apresentou o projeto ao governo em 2003, primeiro ano da Presidência de Lula, que deu sinal verde para o prosseguimento dos estudos. Em 2008, Lula destinou R$ 2 milhões para a conclusão do projeto. Em 2010, o projeto brasileiro foi apresentado internacionalmente, numa reunião em Tóquio. As pesquisas nesta área costumam ser compartilhadas entre os países. Em 2013 Dilma autorizou a compra do terreno em Campinas, para a instalação do Projeto Sirius, e em 2014 autorizou o Ministério de Ciência e Tecnologia a assinar o contrato com a empresa licitada para o imediato início das obras.

É isso que Temer visita agora, quatro anos depois. Uma obra da maior importância científica, altamente relevante para o futuro do país, para a qual ele não contribuiu com nada.

Tereza Cruvinel
Leia Mais ►

Globo não tem mais certeza da impunidade


A reação popular à cobertura de carnaval da Globo é uma notícia importante para o ano politico de 2018.

Sabemos qual será o lamentável espetáculo que nos aguarda após a Quarta-Feira de Cinzas.

A caçada a Lula será intensificada, seja em novas condenações, pressões mais duras para que seja preso e impedido de registrar a candidatura. Tudo na linha de ataque sistemático, como a planejada por Carlos Lacerda contra Juscelino, em 1955:  impedir o registro; depois a campanha; depois a vitória; por fim a posse.

Tudo com apoio da Globo, onde Mirian Leitão avisa que a Lava Jato deve intensificar-se nos próximos dias. Sabemos o que ela quer dizer com isso, certo?

 Ao transformar a cobertura do carnaval numa luta política, milhões de brasileiros e brasileiras deixaram claro que não pretendem assistir a tudo de cabeça baixa, sem reagir nem combater por eleições que não sejam uma fraude.

Nessa conjuntura, o Carnaval foi um rito de passagem para um ano menos estável e menos previsível para aqueles que conspiram contra os direitos do povo.

A Globo perdeu a certeza da impunidade.  

Sabe aquela conversa do cala a boca já morreu? O povo mostrou o que é isso – na prática, não na boca da presidente do STF Carmen Lúcia, sempre cercada de personalidades globais.  

É certo que, como cidadãos, precisamos reconhecer um fato determinante de nossa realidade política.

Enquanto o país não tiver força para fazer cumprir a previsão constitucional que proíbe o monopólio dos meios de comunicação e desmanchar Rede Globo, iremos conviver com uma ditadura midiática com poucos similares no planeta.

Mas a virada na linha de cobertura do Carnaval mostrou que o país vive outra realidade política e a Globo terá de se adaptar a ela.

Não deixará de ser arrogante na postura, nem reacionária em seu projeto político.

Seguirá autoritária em sua relação com o conjunto da sociedade, reforçando essa tendência na medida em que assume a perspectiva de Estado Mínimo, projeto de sociedade incompatível com um regime de liberdades democráticas.  

Também tentará nos manipular sempre que possível, embelezando propostas que só beneficiam 1% da população como se fossem caminhos que beneficiam toda sociedade.

Só não pode agir como se ignorasse que o Brasil é um país diverso, com interesses e opiniões contraditórias.

Perdeu o direito de fingir que uma fatia imensa da população – que detesta a Globo, em fatias ou na versão integral - não tem importância econômica, social e política, e pode ser marginalizada, desprezada, como aqueles brasileiros sem emprego, sem programas sociais, sem bem-estar, que voltaram as ruas depois do golpe que ela apoiou, festejou e defende 24 horas por dia.    

Esta foi a mensagem produzida por cada um dos homens e mulheres que fez questão de demonstrar a indignação em função da cobertura vergonhosa dos primeiros dias do desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.  

Milhões não baixaram a cabeça diante de um espetáculo que era uma fraude e um insulto.

Em poucas horas submeteram um dos maiores monopólios de TV do mundo a um inferno de críticas, ataques, palavrões, análises sociológicas, xingamentos, o que você quiser. 

O carnaval de 2018 não será lembrado como uma festa de samba, suor e cerveja, mas por um combate político nobre, o mais importante numa sociedade que não abre mão de viver numa democracia.

Foi uma luta pelo direito à verdade - e sabemos quem venceu. 

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

Raquel Dodge trocou a Constituição pela bula inquisitorial

inquisição raquel dodge

Os argumentos sustentados por Raquel Dodge no despacho contrário à concessão de habeas corpus ao ex-presidente Lula não são encontráveis na Constituição brasileira, mas sim nas bulas inquisitoriais da idade média.

A escolhida por Michel Temer para chefiar a procuradoria da república incorreu, além disso, em tremenda contradição.

Ela reconheceu a ausência de prova cabal de culpa para condenar Lula, mas ainda assim recomendou o castigo extremo da prisão: “a execução provisória da pena de prisão não é desproporcional nem levará injustamente à prisão réu cuja culpa ainda não esteja satisfatoriamente demonstrada”.

Ora, se a “culpa ainda não está satisfatoriamente demonstrada”, como pode alguém ser condenado e, mais grave, ser preso?

Raquel Dodge argumentou também que a prisão sem o trânsito em julgado “é medida que observa a presunção de inocência, o duplo grau de jurisdição”; e que “a Constituição não exige terceiro ou quarto grau de jurisdição: exige apenas o duplo grau”.

Esta alegação manipula em absoluto a interpretação do texto constitucional, que em nenhum lado menciona o “duplo grau”, mas o trânsito em julgado, a sentença definitiva: “ninguém será culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” [inciso LVII do artigo 5º].

Em outro trecho, a procuradora usa um argumento que seria simplesmente hilário, não fosse trágico. Ela sustenta que a prisão após condenação em segunda instância “corrige a grave disfunção que acometia o sistema penal do país”.

Esta declaração, esvaziada de conteúdo jurídico, é recheada de uma falsa-moral redentora.

Em dezembro passado, ela mandou arquivar 24 processos de políticos protegidos pelo foro privilegiado. E no mesmo dia 24 de janeiro de 2018 em que o tribunal de exceção da Lava Jato perpetrou a farsa para condenar Lula sem provas, Raquel Dodge pediu o arquivamento do inquérito que investigava o tucano José Serra pelo recebimento de R$ 20 milhões de propinas da JBS.

O despacho contra a concessão do habeas corpus termina com uma dose cavalar de cinismo. Ela entende que conceder o habeas corpus a Lula “Também favorece a impunidade e põe em descrédito a Justiça brasileira, por perda de confiança da população em um sistema em que, por uma combinação de normas e fatores jurídicos, a lei deixa de valer para todos” [sic].

Na visão inquisitorial da procuradora-chefe escolhida por Temer, o preceito constitucional de que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” não vale para Lula.

Jeferson Miola
Leia Mais ►

Mais um executivo confirma fraude de Aécio em obra da Cidade Administrativa


O depoimento de um ex-funcionário da Odebrecht que não fechou acordo de delação premiada reforça a suspeita de irregularidades nas obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais. Ex-coordenador de execução de um lote, Carlos Berardo Zaeyen afirmou à Polícia Federal, em 20 de novembro, que o consórcio responsável por esse trecho do empreendimento — formado por Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão — firmou dois contratos que, na prática, teriam sido usados apenas para justificar o repasse de dinheiro.

Zaeyen depôs no inquérito que apura as suspeitas de pagamento de propina ao senador Aécio Neves (PSDB), que era governador na época da obra, por parte das empreiteiras. Zaeyen era subordinado ao diretor da Odebrecht Sérgio Luiz Neves, que fez acordo de delação e contou sobre o esquema de corrupção. Zaeyen disse não ter tomado conhecimento sobre o acerto de propina que teria sido feito por seus superiores. Responsável por fazer relatórios mensais, ele contou ter assinado os contratos com as construtoras Cowan e Alicerce "por confiança em seu diretor".

A Cidade Administrativa de MG foi citada por delatores da Odebrecht como sendo uma obra em que teria havido um acerto entre as empreiteiras com o conhecimento de Aécio para definir os consórcios vencedores. Como contrapartida, combinaram o pagamento de 3% do valor total do contrato em propinas para o tucano.

As informações são de reportagem de Mateus Coutinho em O Globo.
Leia Mais ►

Algumas aberrações da chamada Lava Jato e a insólita condenação de Lula


Como se costuma dizer: “perguntar não ofende”. Por isso, buscando ser acessível ao grande público, me utilizo desta forma mais didática para que mesmo pessoas leigas melhor compreendam algumas das questões técnicas que foram desconsideradas pelo nosso sistema de justiça criminal, no afã de condenar o ex-presidente Lula, em um inusitado Lawfare em nosso país.

Apesar de alguns aspectos positivos da Lava Jato, a verdade é que ela deixará sequelas indeléveis em nossa sociedade e também em nosso sistema penal e processual penal. Danos que perdurarão por gerações.

1 - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Que providências foram tomadas pelos Procuradores da República de Curitiba, diante da humilhação a que foi submetido, publicamente, o preso Sérgio Cabral?

Como sabem, em desrespeito à lei n.4898/65 e à Súmula vinculante n.11 do S.T.F., ele foi algemado e acorrentado pelos pés, como se fosse um escravo no século XIX, além de outras práticas coercitivas abusivas.

Agora a lei não é mais para todos? Existem funcionários públicos acima das leis e da Constituição Federal, que proíbe tratamento degradante ou cruel a qualquer pessoa presa?

2 - O ATUAL PODER JUDICIÁRIO “TEM LADO”?

Será que a Ministra Carmen Lúcia ainda não percebeu que, em toda a sociedade capitalista, como a nossa, há uma divisão de classes sociais com interesses distintos?

Se percebeu, por que ela, enquanto Presidenta do S.T.F., foi jantar com grandes empresários e jornalistas ligados à mídia empresarial, passando informações sobre o futuro funcionamento daquele tribunal?

Por que ela nunca jantou com líderes sindicais, líderes populares e jornalistas ligados às mídias alternativas ???

Como cidadãos, não temos o direito de pensar que grande parte do nosso Poder Judiciário “tem lado”?

3 – O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE DEIXAR DE APLICAR UMA REGRA JURÍDICA POSITIVADA E CONSAGRADORA DE UM PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL?

PRISÃO COMO EFEITO DE ACÓRDÃOS RECORRÍVEIS (que dispensa a demonstração de sua necessidade).

De duas, uma: ou o S.T.F. declara inconstitucional o artigo 283 do Cod.Proc.Penal, que consagra o princípio da presunção de inocência, ou ele tem de aplicar a regra jurídica, que é clara e objetiva.

Fora daí é cinismo e puro ativismo judicial, violador do Estado de Direito.

Vejam a regra que o S.T.F. se nega a aplicar:

ARTIGO 283: Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO, ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

4 – SERÁ QUE NÃO HÁ LIMITES PARA TANTOS DISPARATES?

O Ministério Público Federal, em alegações finais, pugnou pela condenação do réu Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil, a uma pena de 30 (trinta) anos de reclusão !!!

Será que não têm mais noção do senso do ridículo a que estão expondo o Ministério Público???

Em que livros estudaram estes desorientados punitivistas ???

Em 16 anos, no Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, participando de julgamentos de homicídios bárbaros e cruéis, jamais presenciei um juiz-presidente fixar uma pena tão alta e desproporcional. Aliás, em 31 anos do Ministério Público, jamais tomei ciência de uma sentença com pena de prisão tão elevada !!!

Mais do que perplexo, estou preocupado com o que está ocorrendo com o Ministério Público Federal !!!

5 - CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA

Caso Lula. Alguém sabe explicar por que o juiz Sérgio Moro se negou a ouvir o testemunho do sr. Vaccari, referido pelo corréu Léo Pinheiro como participante direto das supostas tratativas para alienação do triplex pela OAS, fato este contundentemente valorado na insólita condenação do ex-presidente Lula???

Que juízo de conveniência teria predominado na decisão do juiz Sérgio Moro???

"Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes.

§ 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem."

6 - Alguém sabe explicar se os Procuradores da República, para atuarem nos processos penais, são previamente lotados em órgãos de atuação ou execução, cuja atribuição esteja prevista em algum ato normativo, segundo critérios objetivos e impessoais???

Em outras palavras: como obedecer à regra expressa na Constituição Federal da INAMOVIBILIDADE dos membros do Ministério Público se eles não são lotados em órgãos dos quais não possam ser removidos??? Cargo público e órgão de atuação não são coisas distintas?

Ainda em outras palavras: alguém sabe explicar se o Ministério Público respeita o chamado "princípio do Promotor Natural", que visa assegurar a independência funcional de seus membros, independência esta expressamente prevista na Constituição Federal???

7 – Caso Lula. COMPETÊNCIA DO JUIZ SÉRGIO MORO

Alguém sabe explicar que tipo de conexão deslocou a competência da justiça estadual de São Paulo (Comarca de Guarujá) para o juízo da 13.Vara Federal de Curitiba ??? (caso do Triplex da OAS, que dizem que é do ex-presidente Lula).

Ainda: se houvesse alguma espécie legal de conexão, ela seria com qual outro crime da competência do juiz Sérgio Moro?

Ainda: se houve a conexão, por que modificar uma competência se não haverá unidade de processo e julgamento?

8 – ALGUÉM SABE EXPLICAR COMO PODEMOS TER EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA DE PRISÃO DIANTE DO QUE ESTÁ ESCRITO NO ARTIGO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TRANSCRITO ABAIXO ?

"Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória TRANSITADA EM JULGADO ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011)".

9 - ALGUÉM SABE EXPLICAR SE HÁ ABUSO DE ACUSAÇÃO?

De que forma um ocupado Governador de Estado, como o do Rio de Janeiro, pode também ser, simultaneamente, chefe de mais de 12 organizações criminosas diferentes??? Caso Sérgio Cabral.

10 - CONDENAÇÃO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O CRIME QUE O RÉU TERIA COMETIDO???

Alguém sabe explicar por que a 8ª. Turma do Tribunal Federal da 4ª. Região não disse quando, onde, como e nem de que forma o ex-presidente Lula RECEBEU o apto. Triplex de Guarujá, como pagamento de indevida vantagem, não sendo ele funcionário público e sendo este fato desvinculado de sua atividade como Presidente da República? Não é esta a conduta imputada ao ex-presidente?

Será que, na realidade, o ex-presidente foi condenado por condutas penalmente atípicas, tais como: gostar de um imóvel; visitar um imóvel; ter sido o tríplex lhe destinado; ter sido o tríplex lhe reservado; estar interessado na aquisição de um tríplex; ter sido um imóvel lhe atribuído; ter sugerido a realização de obras em um imóvel que poderia adquirir no futuro??? 

Tais condutas, apesar de não serem delituosas, foram referidas no acórdão para legitimar uma condenação absurda.

11 – Os acordos de cooperação premiada (delação premiada) podem conter cláusulas que contrariem expressamente o que está disposto no Cod.Proc.Penal, na Lei de Execução Penal e no próprio Cod.Penal ???

12 – O Conselho Nacional do Ministério Público pode legislar sobre o Direito Processual Penal?

As suas Resoluções 181/17 e 183/18 podem derrogar o sistema que está consagrado no atual Código de Processo Penal?

13 – Enfim, diante disto tudo pergunto: como afirmar que estamos em um verdadeiro Estado de Direito???

Afrânio Silva Jardim
No GGN
Leia Mais ►

Enredo da Tuiuti põe o dedo na ferida


No que tornou-se o segundo assunto mais comentado no Twitter em todo o mundo, uma escola de samba do grupo especial do Rio de Janeiro vulgarizou as associações que, daqui para a frente, pautarão o debate eleitoral no Brasil.

Ao contrário da grande mídia, que tem limitado suas manifestações críticas ao governo Temer ao seu envolvimento escancarado com atos de corrupção, a vice-campeã do carnaval carioca de 2018, a Paraíso de Tuiuti exibiu na avenida seu vampirão neoliberalista, transformando em alegoria a agenda econômica que ainda une boa parte do status quo no país.

A denúncia da Escola quanto à persistência da escravidão no Brasil desaguou em alas que representavam o sofrimento oriundo do trabalho informal degradante na cidade, o trabalho escravo no campo e o ataque a direitos trabalhistas consagrados. Logo após a ala Guerreiros da CLT, manifestoches levados por patos da Fiesp batiam panelas, em alusão às manifestações em favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Embora não citado na bibliografia que consta da sinopse do enredo do carnavalesco Jack Vasconcelos, é difícil não associar as alegorias da Tuiuti à controversa interpretação de Jessé de Souza em seu livro A Elite do Atraso da escravidão à Lava Jato.

Segundo o autor, nossa elite econômica também é uma continuidade perfeita da elite escravagista. Ambas se caracterizam pela rapinagem de curto prazo. Antes, o planejamento era dificultado pela impossibilidade de calcular os fatores de produção. Hoje, como o recente golpe comprova, ainda predomina o quero o meu agora, mesmo que a custo do futuro de todos.

Como que explicando a ala Trabalho informal na cidade, em que trabalhadores braçais são representados executando atividades extenuantes, Jessé afirma ainda que a ralé de novos escravos, mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta.

Como se sabe, foi justamente o meio da pirâmide de distribuição de renda que perdeu com o processo de crescimento dos anos 2000: os 40% intermediários reduziram sua participação na renda de 34% para 32% naqueles anos, em um processo que foi chamado pelo pesquisador Marc Morgan de squeezed middle, ou miolo espremido.

Enxergando o crescimento acelerado dos salários na base e o encarecimento do trabalho doméstico e dos serviços em geral, é possível que essa classe intermediária tenha se unido à elite esta sem qualquer razão material para a insatisfação no apoio ao impeachment de 2016. Diante da evidência de que, desde então, sua situação só piorou, tais setores podem vir a mudar de lado.

Parecem ter se enganado os que pensavam que o desafio dos próximos embates eleitorais resume-se a encontrar candidatos ficha limpa dispostos a defender o programa econômico que já está sendo implementado. A Tuiuti apenas escancarou o que já estava claro em pesquisas de opinião: a impopularidade de Temer explica-se também por sua agenda antidemocrática.

Laura Carvalho
No fAlha
Leia Mais ►

Acabou o carnaval, mas a Lava Jato continua com a máscara da enganação

lava jato-globo lava jato é golpe de estado

Acabou o carnaval. Como há muito tempo não se assistia, foi um carnaval marcado por protestos políticos e pela forte denúncia do golpe e da oligarquia corrupta, racista e escravocrata que o promoveu.

Depois da farsa judicial montada para condenar o ex-presidente Lula que escandalizou o mundo inteiro, o carnaval deste ano se transformou em outro potente produto de exportação das notícias do golpe e da ditadura jurídico-midiática implantada no Brasil.

Como dissemos, o carnaval de 2018 acabou. A Lava Jato, porém, ainda continua escondida atrás da máscara da enganação que esconde seus reais objetivos.

Para preservar o pouco de institucionalidade que ainda resta no Brasil, é preciso retirar o disfarce atrás do qual se esconde a verdadeira natureza manipuladora da Lava Jato, e que a Rede Globo acoberta.

O país precisa urgentemente de esclarecimentos sobre os aspectos escabrosos que envolvem esta operação que, a pretexto de combater a corrupção, foi arquitetada com o propósito específico de derrubar o governo Dilma e aniquilar Lula e o PT:

1. Sérgio Moro e os procuradores da turma do Deltan Dalagnoll têm a obrigação de esclarecer quem é o intermediário da força-tarefa da Lava Jato apelidado de DD no email em que Carlos Zucolotto, padrinho e amigo do Moro, promete a Rodrigo Tacla Duran a redução de multa para acordo de delação premiada e privilégios legais em troca de US$ 5 milhões em propina. Note-se que o único integrante da Lava Jato cujas iniciais coincidem com DD é o pregador fanático Deltan Dalagnoll, não por acaso colega de instituição do “jacobino incorruptível” Demóstenes Torres [sic];

2. a turma de Curitiba, assim como os 3 verdugos do tribunal de exceção da Lava Jato em Porto Alegre têm a obrigação de esclarecer porque blindam Carlos Zucolotto e impedem que ele seja inquirido nos processos em que o Lula é injustamente condenado;

3. a Lava Jato em Curitiba e na sucursal de Porto Alegre deve explicar categórica e convincentemente porque não atende a outro pedido da defesa do Lula, de oitiva de Rodrigo Tacla Duran – o ex-Odebrecht que denunciou o pedido de propina do Zucolotto; que informou que Rosângela Moro, advogada que se orgulha no facebook que “mora com Moro”, recebeu honorários dele e, mais importante, aquele que denunciou a gigantesca manipulação dos sistemas de registros de dados de propinas da empreiteira [drousys e my web day] usados para condenar injustamente Lula;

4. a força-tarefa da Lava Jato tem de explicar porque desistiu de comparecer à audiência de 4 de dezembro de 2017 na Espanha, que ela própria solicitou à justiça espanhola, para ouvir Rodrigo Tacla Duran. Estavam escalados para a excursão com polpudas diárias 3 procuradores da república, entre eles o implacável justiceiro Roberson Pozzobon e Orlando Martello; e, finalmente,

5. a Lava Jato deve explicações aceitáveis para o sumiço das senhas de acesso ao sistema my web day, que armazena os registros de propinas pagas não somente a políticos, mas supostamente a gente do mundo judicial e da mídia. Este é um aspecto crucial da Lava Jato. A turma da Lava Jato em Curitiba e Porto Alegre, assim como o STJ e o STF, têm de explicar porque proíbem o acesso da defesa do Lula à integralidade do sistema, uma vez que os justiceiros usam dados nele constantes para condenar injustamente o ex-presidente.

A opacidade que ronda a Lava Jato não compromete somente a continuidade da operação, porque é, antes de qualquer coisa, um brutal ataque ao Estado de Direito.

Retirar a máscara que recobre a Lava Jato é uma exigência democrática e republicana da maior grandeza.

Jeferson Miola
Leia Mais ►

FHC e as urnas

Por mais que conheçamos o Fernando Henrique Cardoso de agora, ainda surpreende um artigo como o seu do domingo passado. Publicado simultaneamente em O Estado de S. Paulo e O Globo, o texto contém a habitual mistura de memórias imaginárias, invenções e autoelogios típicos da produção jornalística do ex-presidente. Mas possui um elemento adicional que merece ser discutido agora, quando a caçada a Lula muda de patamar e atinge nova virulência.

É extraordinária a sem-cerimônia com que FHC finge não se lembrar do que foi sua primeira eleição presidencial. Candidamente, afirma: “Quando deixei o Ministério da Fazenda para ser candidato, tinha 12% das intenções de voto e Lula, três vezes mais. Em julho, depois que o real virou moeda, a tendência começou a mudar, mas a mudança só se tornou nítida quando teve início o horário eleitoral (...) Os eleitores olharam os candidatos e optaram por quem lhes pareceu mais capaz de conduzi-los a um futuro melhor”.

Dá a impressão de que ele se esqueceu da operação que o levou de 12% a uma vitória no primeiro turno. Mais que em qualquer outro momento da vida brasileira, ali ocorreu uma radical intervenção no processo eleitoral, conduzida pelo grupo que controlava o governo com vistas a perpetuar-se no poder e evitar a ascensão da oposição.

Os loquazes procuradores de agora, que acham que entendem de história e abusam das citações a respeito de nossa trajetória política, deveriam aprofundar-se no estudo do que aconteceu naquele ano. Se os escandaliza descobrir que o PT tinha (e tem) um projeto de poder, é porque não conhecem o que é manipular uma eleição de cabo a rabo.

O que menos houve em 1994 foi uma comparação racional de propostas. O horário eleitoral, ao contrário do que FHC se recorda equivocadamente, não teve impacto significativo na arrancada que o levou ao Planalto. Quando começou, no início de agosto, FHC estava em primeiro lugar nas pesquisas.

A mágica daquela eleição nada tem a ver com a capacidade de FHC e sua pretensa superioridade em face de Lula. Resultou da subordinação da agenda do conjunto do governo à tarefa de fazê-lo presidente, em função da qual foram definidos o cronograma e o conteúdo das políticas governamentais e, muito especialmente, o Plano Real.

Quando, em seu artigo, FHC diz que “A vitória eleitoral depende de se construir e saber transmitir uma mensagem que toque a sensibilidade popular ...”, ele brinca de faz de conta. Quem melhor que ele sabe o quanto custou em recursos administrativos, políticos e financeiros aquele resultado. A “mensagem” que endereçou aos eleitores não estava nas ideias, mas impressa nas moedas e cédulas que foram postas a circular nas vésperas de seu lançamento como candidato.

Nenhuma das fantasias que o ex-presidente tem a seu respeito o desculpa da conclusão a que chega. Distanciando-se cada vez mais do sociólogo progressista que foi e aproximando-se celeremente do que de pior há no pensamento autoritário nacional, FHC sugere que o melhor seria demitir o eleitorado brasileiro e substituí-lo por outro.

Em suas palavras: “A Pátria precisa tanto de líderes quanto de instituições. E principalmente de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de país e do mundo, e, sustentando os valores da decência e da democracia, possa oferecer maior bem-estar ao povo”.

Sua Excelência não sabe, mas é exatamente assim que os eleitores procuram agir, do mais humilde ao mais rico, do Oiapoque ao Chuí. Salvo uma minoria de bagunceiros (mais inventada que existente), a imensa maioria procura alguém como ele descreve.

A questão é que não existe uma resposta única, uma só candidatura que satisfaça o universo da população e é exatamente por isso que, na democracia, se fazem eleições. A “Pátria”, como escreve FHC, precisa somente que todos respeitem as escolhas da maioria e não se metam a tutelar o povo.

Lula, para a maioria da população brasileira, é aquele que tem visão de país e do mundo, e que, sustentando os valores da decência e da democracia, pode oferecer maior bem-estar a ela. Que Fernando Henrique durma sossegado: não vai ser necessário trocar o povo brasileiro por outro que ele consideraria “mais qualificado”. O nosso está perfeitamente apto a fazer boas escolhas.

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Vox Populi
No CartaCapital
Leia Mais ►

Perícia mostra que Odebrecht fraudou provas contra Lula


A tentativa de incriminar  o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder absoluto em todos os cenários de intenção de votos para  a Presidência em 2018, é cada vez mais evidente. 

Uma análise pericial feita a pedido da defesa de Lula afirma que a Odebrecht apresentou documentos fraudados à Justiça como se fossem provas de repasses de propinas a políticos registrados no Drousys, o sistema de contabilidade paralela da empreiteira.

O especialista que analisou papéis anexados pelo Ministério Público Federal em acusação contra o petista diz que alguns extratos têm marcas de montagem ou enxerto. Ele também aponta inconsistências em datas de transações e em assinaturas.

Os documentos fazem parte de ação da Lava Jato que investiga o uso de um apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo do Campo. Para a acusação, a Odebrecht custeou a aquisição do imóvel.

O perito que analisou a papelada da empreiteira é o mesmo que atestou a validade formal dos recibos apresentados por Lula como prova de que ele pagou o aluguel do local.

Entre os registros analisados pelo especialista estão extratos apresentados pela Odebrecht de movimentações na filial de um banco que a empreiteira comprou no Caribe, o Meinl Bank.

Rodrigo Tacla Durán, advogado que prestou serviço para a empreiteira e está foragido na Espanha, já havia dito que a empresa manipulou dados desta instituição financeira.

As informações são da coluna Painel da Folha de S.Paulo.
Leia Mais ►

A mídia já “elegeu” Huck para ser seu candidato


Talvez, realmente, Luciano Huck esteja indeciso sobre ser ou não candidato e suas dúvidas não sejam apenas uma jogada de marketing.

Há muita coisa em jogo para ele, do ponto de vista de seus negócios: ele controla ou é sócio de dezenas de empresas.

Mas estes dias têm servido para mostrar que, neste momento, ele é o candidato dos grandes grupos de comunicação, que prometem – não sei se conseguirão – livrá-lo do tiroteio e do exame com lupa a que qualquer candidato presidencial está sujeito normalmente e muito mais nestes tempos de histeria moralista.

Está claro, mesmo antes de declarar-se candidato, que Luciano Huck é – ou querem que seja – um fantoche da necessidade que têm de colocar qualquer um na Presidência da República, mesmo que seja um aventureiro despreparado e desprovido de sentido próprio.

Há Malans e Ermínios prontos a cuidar do que interessa – as finanças – e Fernando Henrique para ser o sábio conselheiro do jovem príncipe. Huck poderá fazer a sua “social” livremente. O casal real e sua prole dourada farão  bela figura, não dando, até, quem sabe, um “ar de Suécia”.

Programa de governo? Redige-se-lhe um em poucos dias.

A política, destruída, arrasada e massacrada pelos meios de comunicação, está sem nomes.

A ideia que Michel Temer possa ser candidato à reeleição não resiste a um carro alegórico. Geraldo Alckmin dedica todo o seu tempo a escapar das rasteiras e facadas de seus “companheiros”. Bolsonaro, tem o teto da estupidez, embora estejamos a construir sobre ele, faz tempo, o terraço para “elevá-la”. Rodrigo Maia e Henrique Meirelles, desnecessário falar.

Huck é a sua grande esperança de enfrentar aquele que vier a ser o candidato do não – se impedirem que Lula o seja – que inevitavelmente surgirá. protegem-no descaradamente e basta pensar o que seria o escândalo nos jornais e nas tevês, para qualquer outro presidenciável,  de um jatinho de R$ 17 milhões financiado pelo BNDES ou os R$ 20 milhões da Lei Rouanet revelados em sequência.

Huck, antes mesmo de ser um presidente-fantoche, está sendo o candidato-fantoche, o que não conduz, é conduzido.

Fernando Brito
No Tijolaço



Huck e o Silvio Santos de 1989

Maria Cristina Fernandes trata dos astuciosos que querem faturá-lo

Ele também achava que ia faturar o eleitor com um espetáculo de quinta
O Huck do FHC gagá não passa de um adepto fervoroso da intervenção estatal em seu bolso, como demonstrou o Fernando Brito: dos juros nanicos do BNDES às tetas da Lei Rouanet

Agora, a sempre brilhante Maria Cristina Fernandes mostra no PiG cheiroso as diferenças e as semelhanças entre o Huck e o Silvio Santos, também provisoriamente candidato a Presidente em 1989, quando se salvou da irrelevância por decisão da Justiça: "são ambos invencionice de quem quer faturá-lo pela astúcia".

Do baú ao caldeirão

A candidatura Silvio Santos caiu junto com o muro de Berlim. Em 9 de novembro de 1989 o TSE impugnou a candidatura do apresentador sob a justificativa de que seu partido não realizara convenções no número de Estados e municípios exigidos pela lei. Naquela data, Marcos Coimbra, diretor da Vox Populi, já havia feito três pesquisas, num intervalo de 10 dias, para avaliar o potencial do candidato do Partido Municipalista Brasileiro, cuja sigla mimetizava a do PMDB.

Na primeira, Silvio Santos ultrapassara o líder das pesquisas, Fernando Collor de Mello. Na segunda, caíra e, na terceira, despencara. Na lembrança de Coimbra, o apresentador ficou aliviado com o veto da Justiça Eleitoral. O risco de virar traço era enorme.

Os patrocinadores de Luciano Huck o associam a Emmanuel Macron, ministro das Finanças da França antes de virar presidente da República. Mas a falida candidatura de Silvio Santos é a experiência mais próxima do movimento que teima em se encorpar em torno do apresentador. Ao contrário do homem do baú da felicidade, porém, o comandante do caldeirão das tardes de sábado não estourou as paradas de sucesso ao ter seu nome incluído nas pesquisas. Tem um sétimo das preferências do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, na ausência deste, alcança menos da metade do potencial líder da disputa, o deputado Jair Bolsonaro.

Quando Silvio Santos registrou sua candidatura, na reta final da campanha, os candidatos dos dois principais partidos governistas, Ulysses Guimarães (PMDB) e Aureliano Chaves (PFL) patinavam nas pesquisas. Mais ou menos como Geraldo Alckmin, cuja incapacidade de ultrapassar os 20% das intenções de voto no Estado que comanda pela quarta vez soou o alarme dos partidos que gravitam em torno do governo.

Pela direita, parecia não haver rivais à postulação do governador de Alagoas. Collor agregava mais apoio no empresariado, na imprensa e nos partidos do que Bolsonaro, o atual líder do seu campo político. Por mais antissistema que fosse considerado, tratava-se de um governador. De um golfo, como desejara Graciliano Ramos, mas governador.

O país em que os partidos que representam 80% do Congresso Nacional são incapazes de somar 20% das intenções de voto numa campanha presidencial é o mesmo em que as escolas de samba e os blocos tomaram o lugar das agremiações partidárias na mediação da vontade do eleitor.

Os partidos afundaram mas seus caciques vão bem, obrigado. Fernando Henrique Cardoso de então era o ex-presidente José Sarney. Um foi eleito pela inflação que o outro produziu. Em comum aos dois estrategistas dos planos para entregar o país a um animador de auditório, está a preocupação com os sinais de que o nome a ser indicado por Lula estaria no segundo turno.

Pesquisa não é urna. A campanha é decisiva na definição do eleitor, mas como a deste ano será a mais curta da história, terá menor capacidade de mudar aquilo que está escrito nas pesquisas. Luciano Huck tem a vantagem de ser conhecido numa campanha em que haverá pouco tempo para a apresentação de candidaturas, mas as pesquisas de hoje não indicam um potencial de votos explosivo para o apresentador. As de ontem mostraram que este potencial, quando existe, não custa a derreter sob o escrutínio do eleitor.

Se Silvio Santos teve um comportamento errático nas pesquisas quando o país tinha 20% de analfabetos, não se deve esperar uma avenida desimpedida para sua versão 2018. E a principal razão é que a parcela dos brasileiros acima de 15 anos que não sabem ler ou escrever está reduzida a praticamente um terço do registrado em 1989. Nesse período, os brasileiros deixaram de ter uma expectativa de vida à la Sri Lanka para um padrão húngaro. Viveram para ver o que fizeram de sua esperança na democracia.

Frequentemente comparada à eleição de 1989, pelos candidatos a mais, a disputa de outubro tem abissais diferenças. Mas talvez a mais gritante delas é que ruma para ter eleitores a menos. Única eleição solteira e primeira para presidente da República em 28 anos, 1989 teve um grau de comparecimento e de votos válidos que não seria igualado na redemocratização. Já a de outubro ameaça um alheamento amazônico, para tomar de empréstimo o desempenho dos votos em branco, nulos e da abstenção que venceram a eleição no Amazonas em 2017.

Quando grassa a indiferença, quem resiste e comparece é o eleitor menos suscetível de ser capturado por um animador de auditório. Quem faz questão de votar, Marcos Coimbra não tem dúvidas em cravar, é o eleitor mais ideológico, que toma posição contra ou a favor, de Lula, do impeachment, de Michel Temer, de Sergio Moro, temas insípidos quando misturados num caldeirão.

Luciano Huck não é Silvio Santos e 2018 também não é 1989. Saem o terno e o cabelo engomado. Entram a calça jeans e a informalidade. Sai o "Tudo por dinheiro", entra o "Especial Inspiração". Saem as dançarinas e a humilhação do garoto fã de pagode. Entram histórias de superação premiadas com uma audiência com o papa, a reforma de uma biblioteca comunitária e a recauchutagem de um chevette 88. Sai o dono de uma concessão pública, entra um endividado do BNDES.

Sílvio e Luciano têm, em comum, o currículo de apresentadores de sucesso do país em que a política virou um espetáculo. São, ambos, invencionice de quem quer faturá-lo pela astúcia. O vencedor de 1989 é candidato a nanico este ano. Seu principal adversário, que demoraria mais 13 anos para alcançar a Presidência e dominaria o tablado como ninguém, estará, provavelmente, impedido de disputar.

Sua sucessora tinha pouco talento para faturar a distribuição de casas recorde de seu governo, mas caiu por uma disputa de bilheteria. A turma que abreviou seu tempo mudou as regras para dificultar o acesso ao palco, mas continua sem uma atração para comandar a temporada.

Até porque neste espetáculo quem vai ficar até o fim já viu de tudo. Três décadas depois, a plateia se deu conta de que não há show grátis. Aprendeu mais do que aqueles que ficaram atrás das cortinas e ainda acreditam que é possível faturar o eleitor com um espetáculo de quinta.

No CAf
Leia Mais ►

Opiniões de um pequeno burguês

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=500

Lula não será candidato. Apesar da cristalina excepcionalidade de interpretações da lei e evidentes arranhões em sua aplicação discricionária, só há fraude eleitoral quando o eleitor é coagido, as urnas violadas ou o resultado adulterado. São mais de cento e quarenta milhões de eleitores já registrados. A ausência de Lula castra a liberdade de escolha de cerca de um terço deles, havendo sólido fundamento para a passionalidade com que reagem ao estupro. Fraude eleitoral, porém, não será.

Quanto mais cedo as legendas populares perceberem a extensão da materialidade do que elas próprias denunciam – comportamento seletivo de instâncias do Judiciário – mais clara se tornará a ineficácia de pressões externas para alterar decisões recentes. Os últimos fracassos se repetirão, com o risco nada desprezível de que a militância tenda a crescente desânimo. As tempestades bíblicas têm faltado ao compromisso de inundar as instituições coatoras e seria penoso, além de fatal, assistir ao raquítico desenlace de manifestações brancaleônicas.

Um líder da estatura de Lula, indestrutível encarnação da livre escolha de milhões de brasileiros, não deve permitir a figuras subalternas expropriarem-no de autonomia para decidir. Sair da disputa por acachapante submissão à sentença que o expulsa, seria desastroso. Rebelar-se, tolo e infrutífero. O fantástico cabedal de confiança de que dispõe acabaria abalado, pois não existe derrota vencedora senão na esfarrapada desculpa de perdedores crônicos. Não é próprio de líderes populares transferirem ao empenho dos liderados a responsabilidade pelo sucesso de uma causa; no caso, garantia legal da candidatura Lula à presidência. Especialmente quando se tem por certo que a derrota jurídica é inevitável. O desbloqueio das candidaturas populares ocorrerá, quer por decisão antecipada de Lula, quer por insuperável imposição legal: Lula não será candidato O amargo de uma causa perdida arrisca atropelar o entusiasmo dos responsabilizados, abandonando aos adversários a arena que mais temem: a competição por votos. E o infeliz refrão de que eleição sem Lula é fraude acompanharia o féretro de uma campanha esquizofrênica, intrinsecamente contraditória.

Ao contrário, a vitória de um candidato ou uma candidata indicado/a por Lula, tendo abortado a festa conservadora ao exclui-lo das eleições, reduziria a estrume cavalar os votos fúteis de juízes boquirrotos. O jogo pede uma intervenção decisiva na estratégia: superar o cerco de bispos dogmáticos e submeter um rei faz-de-conta, quase tísico, a constante ameaça de cheque mate. Preso ou solto, vivo ou morto, Lula, sua rouquidão e surpreendentes analogias, apavoram os grandes.

Embora conquistando degraus na escala de renda e prestígio, Lula manteve-se atado ao fio terra que o conecta ao insubornável faro político dos desvalidos. Não se justifica reduzi-lo a intérprete de um dos segmentos do seu eleitorado. Mais do que os conselhos de uma classe média ilustrada e brava, a arriscar apenas o voto, é a expectativa de emprego, comida, saúde, educação, segurança e habitação que orienta a escolha dos grupos vulneráveis. Se os benefícios da vitória são imponderáveis, o custo da derrota é certo e bruto. Não há conciliação digna com o adversário nem é conveniente alimentar um radicalismo encurralado pela legislação.

Interromper a catástrofe social impondo indiscutível derrota eleitoral à reação aponta para objetivo constitucional e razoável. Contudo, é indispensável inaugurar, sem tergiversação, persistente propaganda em favor de eleições conforme a legislação em vigor, sem casuísmos urgidos pela oscilação das pesquisas. Nem antes e nem, definitivamente, depois da votação. A lei está a favor das expectativas dos desvalidos. Opor-se a ela, difamando as eleições, não passa de grosseria contra a totalidade do eleitorado brasileiro.
Leia Mais ►

Ideia de que, sem Lula, PT só conta com Wagner e Haddad reduz realidade do partido

A ideia de que o PT, caso Lula não concorra, só conta com Jaques Wagner e Fernando Haddad com alguma viabilidade eleitoral, reduz a realidade do partido e do sentimento de discriminação que o fere. Os dois jamais endossaram a hipótese, até negando-a. Na verdade, foram lançados pela imprensa, em precipitação talvez induzida como prevenção contra nomes de desagrado ainda maior do empresariado dominante.

Haddad e Wagner têm experiência política e administrativa, são reconhecidos como democratas, de convivência fácil. Nos respectivos cargos de prefeito paulistano e de governador da Bahia, praticaram a atenção ao interesse público. A vida de governante foi mais fácil para Wagner, cercado por baianos, do que para Haddad, em tudo dificultado pela ganância e pela volta do mercenarismo patrocinado pela Fiesp e outras entidades e empresários enriquecidos por mãos do Estado.

Por muitas razões, o investimento do conservadorismo em Wagner e Haddad, para eventual candidatura da oposição petista, foi lúcida e hábil. Mas o inconformismo petista, inclusive com o PT, ocupa grande espaço. Nesse território, Wagner e Haddad são vistos como pouco afeitos ao jogo pesado imposto pelo conservadorismo, se ocorrer outro governo aplicado na redução das desigualdades sociais e econômicas. O mesmo quando se tratasse da riqueza nacional, como a entrega do pré-sal e o desmanche ou privatização da Petrobras.

Além disso, a recuperação das teses e propostas do PT-de-origem é vista, por número crescente, não só como essencial ao país e aos petistas, mas também como porta principal para a proximidade orgânica com partidos e movimentos de esquerda autêntica. O que logo destaca o PSOL, onde estão vários petistas da origem. Uma tal política, é claro, só pode ser desenvolvida por portadores dessas concepções, que, tanto quanto propostas, são também de autocrítica.

São as propostas que se colhem nas falas frequentes de Lula pelo país afora. Para as quais há dois possíveis nomes, pode ser que surpreendentes, mas com o figurino apropriado. Ambos experimentados no trabalho com massas, discurso não lhes falta. Ambos dotados de raro senso de equilíbrio entre avanço e limite, o que é o mais precioso saber na política verdadeira. E, em princípio, capazes de transferir para a condição de candidato a compreensão ou a simpatia que sua ação recebe em diferentes níveis da população.

João Pedro Stedile é economista formado pela PUC-RS, com pós-graduação na Universidade Nacional do México. Muito inteligente, calmo, discreto. Guilherme Boulos, ainda sem partido, é filho de professor universitário e professor ele também. Com formação em psicanálise, tem boa base cultural e liderança fácil, já mostrada no Movimento dos Sem-Teto. São cabeças organizadas, quanto aos preceitos e conclusões de cada um. E iguais como alvos do misto de pânico e ódio do empresariado dominante.

Mas o PT não fala em Jaques Wagner e Fernando Haddad. Nem em João Pedro Stedile e Guilherme Boulos -o que nada quer dizer.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►