14 de fev de 2018

Revelado o medo da Globo


Agora, depois da merecida vitória da G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti , destacamos os trechos da transmissão do desfile, onde os comentaristas da TV GOLPE mostram nitidamente, constrangimento com os eixos do enredo da escola de samba: racismo e desigualdades sociais.

Denunciamos também, a reprise compacta do desfile apresentada sem narração, mostrando o medo de fomentar ainda mais o apoio que o enredo ganhou do dia para a noite.

Até o nome do presidente golpista teve que ser suprimido dos comentários. Assista, todas essas "gafes" e muitas outras, cometidas por Fátima Bernardes, Alex Escobar, Milton Cunha e até Pretinho da Serra, quando o assunto é falar daquilo que tanto incomoda a emissora.

Afinal de contas, parece que a Globo sabe mesmo que o povo não é bobo.

A Globo teme a força do povo. A Globo está nas mãos dos quilombos de favela!

Avante, povo! Pra cima!



Katia Passos, edição Joana Brasileiro
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Tuiuti: na contramão da história oficial


Tuiuti é uma palavra guarani que significa “lodaçal branco”. É o nome de uma região pantanosa do sul do Paraguai onde ocorreu a mais sangrenta batalha campal jamais travada em solo americano. No dia 24 de maio de 1866, o exército paraguaio foi derrotado pelas forças da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), financiadas pelo grande capital britânico (bancos Baring Brothers e Rotschild, entre outros), que não tolerou a ideia de um país autônomo, independente do circuito econômico dominado a ferro e fogo pela Inglaterra imperialista, que impôs o livre-mercado a suas neocolônias sul-americanas. A guerra foi um genocídio: 60% da população paraguaia foi dizimada (mais de 300.000 vítimas) e a imensa maioria dos homens foram mortos, causando um desequilíbrio demográfico que perdura até hoje. O país perdeu várias porções de seu território (parte do atual Mato Grosso do Sul, por exemplo, era terra paraguaia antes da guerra), teve sua economia devastada e seu povo reduzido à fome e à miséria. Já no Brasil, os genocidas se tornaram heróis nacionais e receberam títulos nobiliárquicos: Luís Alves de Lima e Silva se tornou o Duque de Caxias (apelidado de “O Pacificador” pelo tanto de sangue que fez derramar), o Almirante Barroso se tornou o Barão do Amazonas, e o General Osório virou Marquês do Herval.

Para formar suas tropas, o império brasileiro recorreu aos chamados “voluntários da pátria”, que de voluntários não tinham nada. Centenas de indígenas e caboclos da Amazônia foram sequestrados de suas terras para irem, debaixo de chicote e acorrentados, defender interesses que não eram seus e combater gente de sua mesma etnia, falante de uma língua irmã (o guarani paraguaio, o abanheenga, muito semelhante ao tupi amazônico, o nheengatu). Negros escravizados também foram combater sob a falsa promessa de que, no regresso, seriam libertados. É a mesma, velha e monstruosa história dos povos submetidos à violência colonial e de seus patrões que se vendem fácil aos interesses das grandes potências internacionais.

Hoje, no Brasil, a gente quase sempre se refere ao Paraguai com deboche e desprezo, como uma fonte de produtos falsificados, o reino das falcatruas, na ignorância de que, antes da guerra, ali ocorreram muitos avanços sociais (como uma importante reforma agrária) que os “aliados” a soldo inglês cuidaram de demolir. Quem anda Brasil afora e Brasil adentro encontra ruas e outros logradouros que comemoram a “vitória” sobre os “tiranos” paraguaios: Voluntários da Pátria, Cerro Corá, Lomas Valentinas, Riachuelo, Avaí, Tuiuti, Humaitá, Passo da Pátria etc. Sem falar nas homenagens aos “heróis” que encheram o solo paraguaio de sangue brasileiro, argentino, uruguaio e principalmente paraguaio.

É bem provável que o nome do Morro do Tuiuti, no Rio de Janeiro, berço da escola de samba Paraíso do Tuiuti, tenha sua origem numa dessas homenagens à destruição de um povo e de um país, pois a comunidade que ali se formou surgiu justamente no período do segundo império brasileiro.

Seja como for, os criadores do enredo da escola este ano, ao levar para a avenida uma crítica nada sutil aos golpistas mafiosos que estão destruindo o Brasil e espoliando o povo brasileiro, deixaram a nu a farsa da história oficial, denunciando os crimes que há séculos vêm sendo cometidos contra todas as pessoas esmagadas pelos interesses de meia dúzia de donos do poder, fantoches de poderes ainda maiores e mais sanguinários. Não importa o resultado da apuração dos votos: a G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti já conquistou a maior e melhor vitória, que é a solidariedade de todos quantos sabem que a história oficial é uma coleção de mentiras e de hipocrisias contadas e recontadas para aplacar a consciência criminosa das classes dominantes. Já ganhou!

Marcos Bagno
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Crivella se foi, ACM não paga, Huck e Doria no BNDES e Bolsonaro tem Solução Final


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Com a Sapucaí, com Supremo, com tudo: na mão de um bicheiro, Beija Flor ganha o Carnaval falando de… corrupção

Os ratos da Beija Flor em 2018
A Beija Flor é campeã do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo de “crítica social e política” tirado de um manual do perfeito idiota da Lava Jato.

Era o Dallagnol de porta bandeira, o Sergio Moro de mestre sala.

Não à toa, a preferida da Globo.

Uma diluição de escândalos para midiotas. Homens fantasiados de Sergio Cabral, de lenço na cabeça, e ratos fizeram sucesso.

Ricardo Noblat, sem querer, resumiu bem a coisa: “contra tudo isso que está aí”. Noblat toma isso como elogio, quando é uma estupidez.

A escola reproduziu, na Sapucaí, o sentimento do coxa de classe média sonegador de impostos, corrupto, que foi para as ruas com camisa da CBF protestar contra a “roubalheira”.

Onde a Tuiuti viu esse inocente útil protofascista como um manipulado, a Beija Flor enxergou um herói e reproduziu o repertório.
Essa hipocrisia permite que uma escola cujo “patrono” é um bicheiro condenado “proteste” contra a corrupção.

A idéia do enredo é do filho de Aniz (Anísio) Abraão David, Gabriel David, de 20 anos.

“A escola tinha que explorar algum problema social”, diz Gabriel.

Em 2007, Anísio foi preso pela Polícia Federal na Operação Hurricane, acusado de ameaçar jurados para que dessem o título à sua escola.

Boni prestigia o título de 2015 com o bicheiro Aniz Abraão David

Em dezembro de 2011, foi indiciado pela Operação Dedo de Deus com outros colegas. Os policiais invadiram sua cobertura em Copacabana. Ele fugiu e foi encontrado em janeiro de 2012.

Acabou solto pelo STF.

Em 2013, foi condenado a 47 anos de cana por comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal no Rio, com bingos e máquinas de caça-níquel.

O processo está em grau de recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Sua família manda em Nilópolis desde a ditadura. O irmão Farid é prefeito. O sobrinho, Ricardo, era deputado estadual.

A Beija Flor é isso. Sua consagração diz tudo. O campeonato cabe na fórmula do Jucá: com o Supremo, com a Sapucaí, com a Globo, com tudo.

Como eram os réveillons no triplex de Roberto Marinho em Copa, vendido ao bicheiro Aniz Abraão, patrono da Beija Flor

A Globo curtiu a Beija Flor e seu enredo lavajateiro do Carnaval. A relação da emissora com a escola é muito antiga. São instituições cariocas. Em 2014, Boni foi tema. Ficou em sétimo lugar.

O bicheiro Aniz (Anísio) Abraão David, patrono da agremiação, comprou uma cobertura de 2 mil metros quadrados em Copacabana, na Avenida Atlântica, que era de Roberto Marinho. Em 2011, ela foi invadida por policiais civis na Operação Dedo de Deus.

O Estadão aproveitou a ocasião para contar como eram os réveillons mais chiques do Rio de Janeiro no tempo em que o doutor Roberto era dono do imóvel.

Uma equipe de cinqüenta seguranças cuidava da tranqüilidade dos convidados, em geral autoridades como ministros, embaixadores e governadores. Às mulheres, Lily distribuía um broche de pedras semipreciosas como lembrança.

Diz a matéria:

A cobertura do imponente Edifício Atlântica, no número 2.172 da Avenida Atlântica, de frente para o mar de Copacabana, já viveu dias muito mais gloriosos. Ali, onde ontem às 6h policiais desceram de rapel atrás do contraventor Aniz Abraão David, o Anísio, foi realizada durante 12 anos a festa mais chique do réveillon carioca.

Era um ritual sagrado. Todos os anos, Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo e proprietário da cobertura tríplex de 1.200 metros quadrados, recebia cerca de cem convidados para o jantar black-tie, ao lado da mulher, dona Lilly. Seguranças garantiam a tranquilidade dos ilustres convidados.

O cardápio era preparado com esmero pelo chef francês Laurent Suaudeau. Na varanda, uma orquestra com dez músicos tocava sucessos de Frank Sinatra. A pista de dança era geralmente montada em cima da piscina. A mesma piscina onde agora a pintura do beija-flor, marca da escola de samba da qual Anísio é patrono, domina o fundo.

Roberto Marinho e Lily em noite de gala

A música só era interrompida à meia-noite, para que os convidados admirassem os fogos de Copacabana. Durante o restante do ano, os três andares da cobertura ficavam fechados. Em novembro, dona Lilly começava os preparativos para a festa: mandava pintar as paredes e chamava o decorador Helinho Fraga, o mais badalado do high society carioca, para arrumar os salões. Os móveis eram geralmente brancos.

Nas mesas, orquídeas brancas. Tão certo quanto as esmeraldas e os rubis das joias das convidadas era a distribuição de uvas pouco antes da meia-noite para que os convidados fizessem seus pedidos ao som de Está Chegando a Hora. Meia hora depois da queima de fogos, o casal Marinho ia embora para a mansão no Cosme Velho. Uma semana depois, a decoração era retirada e o apartamento, fechado.

Anísio comprou o apartamento em 2004, um ano depois da morte de Roberto Marinho. Pagou R$ 5 milhões. Ele já era proprietário do apartamento no primeiro andar, que agora o bicheiro usa como escritório. Também moram no prédio a autora de novelas Glória Perez e Eduardo Magalhães Pinto, da família proprietária do Banco Nacional, que em 1995 sofreu intervenção do Banco Central por gestão fraudulenta.

Rei

Embora tenha sido preso outras vezes, Anísio tem prestígio nos salões cariocas. Há menos de um mês, esteve na festa de lançamento do livro de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, no luxuoso hotel Copacabana Palace. Anísio recebeu abraço caloroso do Rei Roberto Carlos e circulou sem constrangimento ao lado do prefeito Eduardo Paes e de vários artistas.

Simplesmente um luxo

Kiko Nogueira
No DCM
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“Ação social”com dinheiro público: R$ 20 mi da Lei Rouanet para Huck


Os nossos neoliberais gostam de um “projeto social” para seu automarketing, mas detestam por a mão no bolso.

Adoram por a mão no bolso do Estado, isso sim.

O Instituto Criar, pertencente a Luciano Huck, obteve, pela Lei Rouanet, R$ 19,5 milhões de doações convertidas em abatimento no imposto a pagar de grandes empresas – como o Itaú, a Microsoft, Casas Bahia, Ponto Frio, Volkswagen e outras -, um valor que deve chegar a R$ 21 milhões das captações em curso, este ano.

De novo, não é uma acusação de ilegalidade, pois não tenho como verificar o que se faz com o dinheiro, mas é justo que, sendo Luciano candidato e mostrando seu “projeto social”, as pessoas saibam que o “ajudar as pessoas” do bom moço é feito com dinheiro público, não com o privado.

Como o jatinho que  própria assessoria do apresentador diz que serve para trazê-lo ao Rio de Janeiro, duas vezes por semana, para gravar na Globo, comprado com crédito subsidiado do BNDES.

Como, segundo diz o projeto, seriam 150 jovens atendidos, o custo, em impostos, per capita, é de R$ 23.300, enquanto o custo dos alunos de escolas públicas, garantido pelo MEC, era de R$ 2.875,03 em 2017.

Será que veremos os meninos do MBL gritando contra a Lei Rouanet do Huck, como fazem com a de exposições, peças de teatro e filmes?

Será que os nossos grandes jornais vão se interessar por isso como se interessariam se o “projeto social” fosse de um candidato de esquerda?

Aí está, de imagem sem edição, o resultado que se pode encontrar no site no Ministério da Cultura.

E é só desta, porque vai demorar a verificar todas as empresas da família Huck, diretamente ou através de propriedade cruzada, quando cada empresa é feita para controlar outras sem que se possa reconhecer diretamente o real proprietário.

Aguarda-se a manifestação de Kim Kataguiri contra Huck.

huckrouanet

Fernando Brito
No Tijolaço
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Tuiuti entuba a Globo até em alemão

Tagesschau entrevista o Temer vampiro!


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O Schindler português


A história do militar português que salvou mais de mil refugiados espanhóis do franquismo. Ficou reconhecido como o 'Schindler de Raia' perante a ferocidade do regime espanhol contra todos os que o confrontassem, muitos (pelo menos oito mil) tentaram a saída pelas fronteiras com Portugal. A maioria fugiu para a morte. Mas alguns se salvaram graças à desobediência do Tenente Antonio Augusto Seixas da Guarda Fiscal portuguesa.

Em 1936, o guarda fiscal, especialista em conflitos aduaneiros, não permitiu que vários grupos de espanhóis, num total de 1020, fossem devolvidos à Espanha, onde seriam fuzilados pelos responsáveis do golpe que viria a instaurar uma ditadura na Espanha. O governo português ordena que não se deixem passar mais refugiados, mas a nove de outubro de 1936, Antonio Augusto Seixas, comandante da Guarda Fiscal de Safara, decide não cumprir as ordens. Com a ajuda da população mais próxima, improvisa campos de refugiados na localidade de Barrancos, sem dar conhecimento às autoridades. O caso, considerado durante alguns anos inédito durante a Guerra Civil Espanhola, foi recordado quando passaram, atualmente, mais de 80 anos sobre o ato heroico do português que permitiu salvar mais de mil pessoas. Antonio Augusto Seixas também ficou conhecido como o 'Anjo Português', construindo assim uma das mais belas páginas da história portuguesa.

Antonio Augusto Seixas (1891-1958) - Arquivo Nacional em Portugal

Antonio Augusto de Seixas Araújo nasceu em Montalegre (1891) e faleceu em Sines (1958). Fez carreira na Guarda Fiscal, em vários locais do País, do Minho ao Alentejo, com especial destaque para Barrancos onde a sua ação humanista se encontra sobejamente documentada. Em 1936, enquanto oficial da Guarda Fiscal, agindo de acordo com a sua consciência (“eu não sou fascista e nem sou de esquerda, mas vejo o que Franco vem fazendo é uma injustiça” – declarou o Tenente Seixas em sua defesa) contra as instruções das autoridades civis e militares portuguesas, protegeu e salvou da perseguição e do massacre das tropas franquistas, mais de mil cidadãos espanhóis que se refugiaram no território português, mais concretamente nas localidades de Russianas e Coitadinha, hoje conhecidas por "Campos de Refugiados de Barrancos".

Nos anos conturbados de 1936 a 1939 da história de Espanha, quando o regime eleito democraticamente é derrubado por militares golpistas, com apoio dos partidos de direita, durante a sangrenta guerra civil, e à medida que as tropas espanholas revoltosas da chamada Coluna da Morte de Yagüe progrediam do sul para o norte ao longo da fronteira portuguesa, as populações das localidades ocupadas procuravam refúgio em Portugal, pondo-se a salvo de sevícias e execuções.

Os primeiros refugiados que afluíram a Barrancos foram os vizinhos de Encinasola, identificados em número de quatrocentos, sendo a primeira vaga constituída principalmente por mulheres e crianças. Segundo a memória local foram acolhidos por várias famílias barranquenhas, com as quais mantinham relações de amizade e de parentesco. Mas também interveio neste processo de hospitalidade o administrador do conselho de Barrancos, que se comprometeu junto do Governador Civil de Beja a alojar temporariamente os vizinhos de Encinasola.

A fronteira de Barrancos era vigiada desde agosto de 1936 por militares do Regimento da 17ª Infantaria de Beja, por forças da Guarda Nacional Republicana, por uma Brigada Móvel da (P.V.D.E) e por militares da Guarda Fiscal. O responsável pelo comando técnico das operações no terreno era o tenente Antonio Augusto de Seixas, comandante do Destacamento Fiscal de Safara. Esta responsabilidade comprova o poder da Guarda Fiscal na fronteira, apesar de contestado por outras organizações militares destacadas para esta "missão".

Perseguições de toda a ordem desenrolavam-se na zona fronteiriça. Muitos eram mortos antes de passar a fronteira, outros eram detidos pelas autoridades portugueses e deportados para os seus adversários, devido à colaboração do governo de Salazar com os insurretos fascistas.

Neste contexto, a ação do Tenente Seixas evitou, em 1936, o massacre de mais de 1000 refugiados espanhóis pelas mãos dos seus perseguidores, ou destes em conluio com alguns militares portugueses, tendo organizado, mantido e ocultado um campo de refugiados com centenas de pessoas no lugar da Choça do Sardinheiro nas Russianas e mais de 600 pessoas no Resvaloso, na localidade da Coitadinha, ambas no município de Barrancos, evitando também que várias pessoas constantes de "listas negras", políticos e intelectuais republicanos espanhóis, fossem encaminhados para Badajoz, onde seriam fuzilados.

O Tenente Seixas da Guarda Fiscal era comandante desta região de fronteira e as suas decisões de tolerância e humanidade para com os refugiados desagradavam aos comandos militares destacados para a zona e à polícia política PVDE/PIDE.

Em Outubro de 1936, depois de negociações com o governo republicano de Madrid, Salazar autorizou a repatriamento dos refugiados de Barrancos para a zona republicana da Espanha, em Tarragona, Catalunha. Durante o embarque no navio Nyassa, em Lisboa, descobriu-se que o número de refugiados de Barrancos, transportados em caminhões até Moura e dali em comboio até à capital portuguesa, era superior a 1020 pessoas ao inicialmente declarado de 616 refugiados. A atitude de rebeldia do Tenente Seixas, de proteger e acolher mais refugiados em Russianas e Coitadinha levou o governo português a acusa-lo de traição, tendo-o punido com prisão de 60 dias no Forte da Graça, em Elvas, e à posterior suspensão das suas funções, com transferência compulsiva para Sines, onde terminou a sua carreira.


Os Refugiados de Barrancos (Los Refugiados de Barrancos, 2009) está disponível no Youtube/Vimeo e em vários blogs e sites, razão pela qual inserimos aqui:




# Vídeos:


Jota A. Botelho
No GGN
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A tragédia da UFSC e as candidaturas para a reitoria


A UFSC viveu uma tragédia no final do ano passado. Polícia invadindo o campus, prisões abusivas, humilhação do reitor e, como consequência, o dramático suicídio. Sem permissão para pisar na universidade – que era sua vida – Luiz Cancellier decidiu fazer de sua morte um ato político. E fez. Depois da tragédia, os processos abusivos de ataques às universidades foram enfrentados de outra maneira. Exemplo disso foi a prisão do reitor da UFMG, que contou com a imediata reação da comunidade. Infelizmente, na UFSC, a falta de uma ação enérgica e urgente, levou aos acontecimentos dolorosos que ainda reverberam. Da espetaculosa ação da polícia federal em busca de “criminosos” quase nada restou, a não ser alguma “convicções”, como parece tem sido comum na PF e no judiciário. Até agora – e as prisões aconteceram em setembro de 2017 – não há nada de conclusivo sobre as irregularidades envolvendo o Curso de Ensino à Distância. Ainda assim, os professores presos naquele então seguem sem poder entrar na UFSC.

No campo interno da universidade, as coisas também ficaram confusas. A vice-reitora, que recebeu o aval da comunidade para seguir com o mandato, decidiu pedir licença médica de 60 dias em novembro e aí, as coisas se complicaram. Foi necessária a ação da comunidade para que o Conselho Universitário escolhesse um reitor pró-tempore, e a vida administrativa pudesse seguir, e se definissem as regras para uma nova eleição. Assim, ficou acertado que a UFSC deveria realizar uma consulta pública para decidir quem vai ocupar o cargo de reitor ou reitora. Como o ano já estava se acabando a decisão foi de que a consulta acontecesse em março, quando os estudantes já estivessem todos de volta.

Assim, passado apenas um ano da última eleição que elegeu Cancellier, a universidade volta a viver o clima de disputa. Uma disputa triste,é verdade, em função das circunstâncias. Mas, necessária, afinal, a instituição precisa seguir.

Nesse cenário extemporâneo, as candidaturas que surgiram foram as que já haviam disputado na última eleição, afinal, nenhum grupo político dentro da UFSC esperava por uma tragédia como a que se sucedeu. Assim, provavelmente quando forem abertas as inscrições para as chapas, agora em 19 de fevereiro, três candidaturas serão confirmadas. Uma é a do atual diretor do Centro Tecnológico, Edson de Pieri, que representa a direita tradicional. Outra deverá representar o grupo que apoiava Cancellier, podendo se materializar na figura do atual reitor pró-tempore, Ubaldo Balthazar, representando a continuidade do projeto de Cancellier, que estava alinhado aos ditames governamentais. E uma terceira será a do atual diretor do Centro Socioeconômico, Irineu Manoel de Souza, que representa forças mais à esquerda, fora da tradição de poder da UFSC e fora do grupo de Cancellier. E ainda que surjam outras candidaturas, os projetos não se diferenciarão muito além desses três que estão explícitos: o da velha direita tradicional, aliada ao empreendedorismo e à ideia da universidade como formação profissional para a elite dominante (De Pieri), uma universidade com cara mais humana, mas aliada aos conceitos neoliberais de excelência e aos ditames do Banco Mundial (Ubaldo), e uma universidade necessária, capaz de se colocar a serviço da resolução dos grandes dilemas nacionais, com democracia concreta, com transparência e fora da proposta bancomundialista (Irineu).

São projetos claramente distintos e expressam propostas muito claras sobre o tipo de instituição que querem que a universidade pública seja.  Nesse contexto, a proposta que melhor expressa o desejo de uma universidade voltada aos interesses das gentes é a representada pela candidatura de Irineu Manoel de Souza.

Essa será a terceira vez que Irineu disputa a eleição para reitor, e nas outras duas vezes, seu programa foi capaz de plasmar os anseios dos professores, estudantes e técnicos, que lutam por uma UFSC verdadeiramente pública, democrática, popular e com qualidade social. Tanto que é sua plataforma a que aglutina várias forças de esquerda e centro-esquerda que atuam dentro da universidade. Afinal, ele foi e continua sendo o único candidato que abraçou a batalha contra a EBSERH – que privatizou a administração do HU – a proposta das 30 horas para os trabalhadores, a democratização dos espaços da UFSC, pelo controle social de frequência para os TAEs, contra as terceirizações e pela recuperação de cargos extintos que continuam sendo necessários à universidade.

Além disso, tanto nas outras duas vezes como agora, o Irineu é fruto da articulação sistemática de militantes das três categorias da UFSC que se juntam, discutem , debatem e apontam caminhos fora da ótica neoliberal. Esses grupos se reuniram mais uma vez e apontaram o nome do professor do CSE como o que pode aglutinar todas as propostas construídas coletivamente desde há anos, na luta pela defesa da universidade. E o projeto que Irineu levará para a disputa será o de uma universidade necessária, que garanta a democracia interna, que seja transparente, que batalhe pelo direito à permanência dos estudantes, que seja capaz de atuar em sintonia com as lutas das categorias e que se coloque radicalmente contra as propostas governistas que se rendem aos desejos do Banco Mundial e dos interesses dos empresários da educação.

Para a candidatura de Irineu, educação não é mercadoria e não será tratada como tal. Universidade é espaço do debate público, da discussão dos grandes problemas da sociedade, de parceria com a população empobrecida que precisa do conhecimento gerado na universidade para ter sua vida melhorada.

Nesses sombrios tempos de desmonte de tudo o que é público, a candidatura do Irineu é um grito de resistência ao desmonte, à privatização, ao ensino bancário, à elitização da universidade. Por isso seu projeto encontra tanto apoio entre técnicos, professores e estudantes. Tanto que mesmo nos meses de férias, como dezembro, janeiro e fevereiro, as reuniões chamadas para discutir as propostas do programa foram sempre massivas, cheias de gente que quer levar a UFSC para outro patamar: o de uma universidade que saia dos seus muros e dialogue com a sociedade. Uma universidade que não teme a participação direta dos seus estudantes e trabalhadores. Uma universidade que se fortalece na luta contra a destruição da educação. Uma universidade que não é só para formar quadros, mas para constituir pessoas capazes do pensamento crítico, gente disposta a mudar o estado de coisas. Uma universidade necessária para esses tempos e para esse país. Uma universidade que ainda não nasceu, mas que pode vingar, com a participação de todos.

Com Irineu Manuel de Souza estaremos mais perto de fazer realidade esse sonho.

Elaine Tavares
No Desacato
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Voto eletrônico não é seguro, em Israel

Um hacker pode hackear qualquer coisa


Repórter do PiG cheiroso entrevistou especialistas de Israel sobre essa jabuticaba brasileira, o voto eletrônico sem o papelzinho do Brizola.

Israel é um centro mundial de tecnologia e segurança tecnológica.

O engenheiro Leonel era um especialista em calhordices da Casa Grande/Branca e já sabia disso desde 1982, quando os militares do Gal, Golbery, o Feiticeiro do "Historialista", a Globo Overseas e o gatinho angorá tentaram lhe roubar a eleição no computador.

Agora, com o Ministro Fux de presidente do Tribunal (sic) Superior (sic) Eleitoral, o eleitor brasileiro pode ter a certeza de que seu voto pode ser conferido a um candidato que ele não escolheu!

Mas, vale a pena ver o que dizem os israelenses:

Voto eletrônico não é 100% seguro, segundo israelense

As eleições no Brasil correm o risco de serem atacadas e adulteradas por hackers? Foi essa a pergunta que o Valor fez no início do mês a especialistas em segurança cibernética de Israel. A reação deles é bem menos otimista que a das autoridades brasileiras.

Israel vem se firmando como um ninho de companhias de tecnologia e de start ups. É o Vale do Silício do Oriente Médio. E é um ímã de investimentos e de pesquisas de multinacionais como Google, Facebook, Microsoft, Intel e centenas de outras companhias.

O país também é visto como um dos que têm mais capacidade de ataque e defesa cibernética. As Forças Armadas possuem divisões que atuam nessa frente e há uma série de empresas de ex-agentes da inteligência dedicadas a auxiliar multinacionais a se protegerem no espaço cibernético.

"O que eu sei é que um hacker pode hackear qualquer coisa", disse Udi Mokadi CEO da CyberArk, uma das principais empresas israelenses de segurança cibernética. Tem ações na bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York, e uma carteira de clientes que inclui metade das companhias da lista top 100 da revista "Fortune".

"O nosso ponto de vista é que nada é invencível, todo sistema pode ser invadido dependendo do nível de esforço que é posto nisso", disse.

Mokadi, assim como outros, conhece a iniciativa brasileira do voto digital. Diz, no entanto, que não acompanha o passo a passo das medidas adotadas pelo governo brasileiro para garantir que invasores não manipulem resultados.

Mas o empresário insiste: invasões cibernéticas têm se tornado mais sofisticadas em todo o mundo e barreiras que poderiam parecer inacessíveis são furadas.

"Temos exemplos de ataques como o ocorrido recentemente na usina de energia elétrica na Ucrânia que provocou um apagão, temos o exemplo da NSA [a agência de segurança dos EUA], que foi invadida, temos o exemplo de organizações militares que foram invadidas", disse Mokadi na sede da CyberArk em Tel Aviv.

O Brasil começou a usar urna eletrônica nas eleições municipais de 1996. Hoje, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é o país onde há a maior eleição informatizada do planeta. A pequena Estônia é outro caso sempre lembrado de eleições digitais; assim como alguns Estados americanos.

No Brasil, a ideia era deixar para trás o voto de papel e um sistema de apuração manual - sempre muito contestado e de fácil adulteração - para algo mais rápido e preciso. O desafio era e continua sendo as brechas no espaço cibernético.

Rami Efrati já chefiou a divisão civil do Cyber Bureau de Israel, órgão ligado ao gabinete do primeiro-ministro. Sua posição em relação a eleições eletrônicas é clara.

"Eu acredito que o governo brasileiro faz o que pode fazer, mas minha avaliação é que nunca é totalmente seguro", disse ele ao Valor. "Qual é o elo mais fraco nisso? São as pessoas. Basta apenas uma pessoa se sentar no meio do sistema", afirmou ele. "As pessoas do Brasil que trabalham no sistema eleitoral não têm uma tarefa fácil para assegurar que o processo seja totalmente seguro."

Israel, com seus 8,5 milhões de habitantes, está num estágio de digitalização bem mais avançado que o do Brasil. Mas, por enquanto, o país que se orgulha de sua afluente comunidade de empresas digitais ainda reluta em usar urnas eletrônicas. O voto não é obrigatório. "Uma das razões é que não acreditamos que isso possa ser 100% seguro", diz Efrati.

Professor da Universidade de Tel Aviv, Isaac Ben Israel é um veterano no ramo de segurança de informações. Ao falar do Brasil, ele chama atenção para o fato de haver em todo sistema eletrônico de votação algumas etapas críticas. "Cada uma delas é um problema, uma vulnerabilidade em potencial", disse ele. (...)

No CAf
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Pode haver Facebook sem ódio?


Por que o Facebook virou uma arena que não vive sem o ódio? me pergunto. Não passam dois ou três dias sem que surja uma nova polêmica, mas sempre carregada das piores paixões. O “Tribunal do Feicebuqui”, como disse o compositor Tom Zé, em 2013, depois de ser duramente atacado por uma gravação com a Coca-Cola, conseguiu ficar ainda mais impiedoso.

Faço esta pergunta, e logo me questiono. Como cada facebooker vê um Face totalmente diferente, conforme os amigos que tem, o que ele curte e posta, não sei se minha pergunta vale para toda a rede social. Sei que em Portugal o Face é pouco utilizado para a política. Aqui no Brasil, imagino que as pessoas que postam coelhinhos, flores e sol radiante convivam só com outras pessoas que também postam coelhinhos, flores e sol radiante (mas não sei, não – no meio dessas fofices volta e meia crepita muito ódio). E acredito que, assim como meus amigos FB, que são na maior parte de esquerda, destilam ódio, também os facebookers de direita não percam ocasião de manifestar ódio e raiva. Imagino isso.

Gostarei muito se pessoas com outras experiências do FB, sobretudo no exterior, contarem como é essa rede social em cada país.

Mas volto à pergunta. O que vejo é que cada semana há pelo menos dois assuntos que pegam fogo na minha linha do tempo e geram reações condenatórias. E o mais grave: embora nem todos os meus amigos de esquerda concordem com a condenação, logo surge uma posição hegemônica, que condena todas as outras. Não é uma briga de direita com esquerda. É uma briga de ortodoxia com heresias.

A ortodoxia bem pode ser de oposição ao governo atual, ao machismo, ao racismo. Mas o fato é que ela se torna uma ortodoxia, e contestá-la leva a ataques e a ofensas. E repito, duas vezes por semana ou mais há um assunto a ser tratado, sempre com esse sentido punitivo, e gente a ser condenada e por vezes expurgada dos meios dominantes.

Insisto: quando falo em meios dominantes, quero dizer dominantes nessa mídia, o Facebook. Eles podem ser dominados em outras situações. (Mas sei não. Mesmo oposicionistas radicais ao governo atual, ao machismo e ao racismo podem ser, como eu, professores universitários, com a vida estável, não correndo grandes riscos). O fato é que, em meio aos heterodoxos, porque discordam do neoliberalismo, do preconceito e tudo o mais, surgiu e hoje predomina uma ortodoxia. Por ser ortodoxia, ela se torna tão preconceituosa quanto seus adversários ou inimigos.

E esse se torna um problema grande, que agrava nossa falência em tornar as redes sociais ou a própria Internet um espaço democrático de discussão.

* * *

Antes de mais nada, o que bloqueia o diálogo na Internet, em especial no Facebook – que poderia ser uma ágora, um admirável espaço de debate político e de esclarecimento intelectual – é uma decisão comercial do Facebook, do Google e não sei quem mais: eles estabelecem uma bizarra homeopatia, em que semelhantes procuram os semelhantes. Começa pelos anúncios que nos mostram, baseados em buscas que fizemos antes, mas se estende às escolhas básicas de cada um na vida. Fãs de rock veem fãs de rock e, se o FB for politizado como no Brasil, coxinhas frequentam coxinhas e mortadelas veem mortadelas. Esse é o famoso “algoritmo do Facebook” – em linguagem comum, o procedimento pelo qual só verei quem for parecido comigo.

Mas o problema que aponto vai além de uma escolha comercial das empresas da Internet. É uma escolha “nossa”, ou de muitos frequentadores do FB, ou sobretudo dos seus militantes. Volto à excomunhão e tomo um exemplo destes dias, a polêmica carta assinada por Catherine Deneuve e mais cem francesas contra o que consideram exageros no combate ao assédio sexual.

A carta demorou a ser traduzida ao português. Saiu na França em 9 de janeiro. Nos dois primeiros dias, não a encontrei na íntegra em nenhum jornal. A primeira tradução que vi, e que reproduzi, feita por uma facebooker, estranhamente omitia as duas frases iniciais. Mesmo em francês, era difícil encontra-la fora do jornal Le Monde, que tem um paywall praticamente sem exceções. Sua primeira tradução integral em nossa mídia saiu no El País, diz 12, às 22 horas. Demorou.

É um texto curto mas complexo, com várias ideias-chave. Os jornais brasileiros o resumiram cada um a seu modo – por vezes, em versões conflitantes entre si.

E no entanto, mesmo sem terem lido o texto, muitos começaram a opinar a respeito, oops, a condená-lo. Danuza Leão, num texto de extrema infelicidade, comentou que o assédio é bem-vindo – o que em nenhum momento as francesas afirmaram. Mas vi muita gente dizendo que Danuza tinha dito a mesma coisa que as francesas.

Por outro lado, mesmo Oprah, que tinha feito o discurso politicamente correto contra o assédio, também foi condenada. E estou falando de condenações emitidas por mulheres. Nem entro no que homens pensaram ou disseram a respeito. Aliás, este é apenas um exemplo; cada semana temos pelo menos dois.

O que é tudo isso, se não tornar o Facebook um verdadeiro tribunal? Mesmo pessoas que criticam a forma como nossos tribunais de justiça estão se portando, invadindo o espaço político, se conduzem no FB distribuindo sentenças. O caso Deneuve-Oprah é apenas um; a vontade de julgar vai muito além.

A vontade de castigar vai além do ativismo judicial, que está invadindo o espaço da decisão democrática. Ela também está entre nós, está em nós. Não há defesa, não há debate, há apenas condenação.

E fica a pergunta: isso nos leva a algum lugar?

Renato Jeanine Ribeiro
No Desacato
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Guerra antimídia no sambódromo, zumbis no Carnaval e Grau Zero na política... mas não conte prá esquerda!


Enquanto a escola Paraíso do Tuiuti no Rio de Janeiro deixava Fátima Bernardes e Alex Escobar constrangidos ao vivo, quebrando o silêncio com cacos de falas desconexas enquanto alas de passistas mostravam Temer como “o vampiro neoliberatista”, “manifestoches” com patos amarelos da Fiesp e operários bradando carteiras de trabalho, em Curitiba o Carnaval era assombrado por uma Zombie Walk em plena cidade-sede da Lava Jato. Ao mesmo tempo a esquerda pensa em “frentes suprapartidárias” para ganhar tempo na eminente prisão de Lula e simplesmente se exime em ocupar o campo semiótico da sociedade. E a grande mídia ganha a guerrilha semiótica por W.O.. Com raras exceções como mostrou a Paraíso do Tuiuti... mas não conte para a esquerda, sempre muito ocupada com o jogo parlamentar no qual cada um tenta salvar a própria biografia com narrativas de “luta” e “resistência”. Será que alcançamos o “grau zero da política” como anteviu o pensador Jean Baudrillard, a Matrix política que simula escândalos e golpes para colocar em movimento signos vazios? Teoria da Conspiração? E se descobrirmos que essa expressão foi criada pela CIA em 1967 para tentar desacreditar todas as narrativas não-oficiais?

Até aqui, depois de quatro anos de bombas semióticas detonadas pela grande mídia (pelo menos desde 2013, quando então passaram a ser orientadas pela logística de Guerra Híbrida do Departamento de Estado dos EUA) que culminou com o impeachment e golpe político de 2016, todas as iniciativas de contra-ataque no mesmo campo semiótico midiático partiram ou de iniciativas isoladas, ou de ações espontâneas que visaram o varejo mas acertaram no atacado.

... Enquanto a esquerda vive sua luta parlamentar de “resistência”. E que, agora, há poucos dias, deu mais um estoico passo: lançou uma “frente suprapartidária contra as reformas de Temer  e pelo direito de Lula ser candidato” pelas mãos de dirigentes do PDT, PCdoB, PSOL e PSB. Como sempre, passando ao largo da questão da guerrilha semiótica. E acreditando no jogo parlamentar e no exército brancaleone de advogados na luta hercúlea e solitária em busca de novos recursos para adiar a prisão de Lula.

Sabem que a missão é ingrata... mas, afinal, também sabem que o mundo está de olho neles. E todos parecem querer salvar suas próprias biografias.

Guerrilhas anti-mídia espontâneas e nem tanto


Em 2009 o jornalista Ricardo Kauffman criou o personagem Ary Itnem Whitaker, um suposto executivo de relações humanas que estaria no Brasil representando uma confraria britânica que defendia a chamada “terapia do abraço” para humanizar as metrópoles e as organizações. 

A grande mídia mordeu a isca e o personagem concedeu entrevistas a rádios, TVs e jornais, como fosse um fato noticioso. Sequer os repórteres pensaram em checar a procedência da tal confraria. Revelada a pegadinha, rendeu um documentário (clique aqui) desmoralizando o jornalismo corporativo.

"Pegadinha" do Haddad: um momentâneo lapso da esquerda

Em 2013 um estudante da USP simulou ser um candidato atrasado do Enem, cujas fotos ocuparam primeiras páginas de jornais e portais de Internet. Ele sabia que naquele momento a grande mídia fazia uma campanha de desmoralização contra o Enem. E a recorrência das imagens de candidatos atrasados nos locais dos exames chorando, desesperados tentando escalar grades, acendeu a imaginação de uma “pegadinha” estudantil: “foi apenas uma brincadeira com alunos de uma faculdade rival. Pretendia divulgar o vídeo na Internet”, disse o aluno da faculdade de Ciências Contábeis.

A grande mídia teve que engolir a foto de uma “pegadinha” nas primeiras páginas de jornais e portais de notícias (clique aqui).

E em 2016, um breve (mas, muito breve) momento de iluminação na esquerda: sem mais paciência para aguentar os escândalos que o historiador Marco Antônio Villa queria arrancar na leitura diária da agenda do Prefeito Fernando Haddad nos últimos três anos, o prefeito de São Paulo aprontou uma pegadinha: disponibilizou uma agenda trocada (na verdade, do governador Geraldo Alckmin), cheia de espaços em branco. “Está em branco! Em Branco! É a incapacidade de alguém pouco afeito ao trabalho!”, gritou no microfone da Rádio Jovem Pan. Enquanto, certamente, o prefeito se rachava de rir.

Que tal a esquerda lutar no mesmo campo semiótico no qual a direita nada de braçadas? A iniciativa de Haddad (mais por uma rivalidade intelectual com Villa do que por um vislumbre estratégico) pouco inspirou os dirigentes das esquerdas, mais preocupadas com o wishful think da contagem de votos no Congresso que supostamente livrariam Dilma Roussef do golpe final.


Guerrilha semiótica ao vivo no sambódromo


Fora do radar das esquerdas, no Carnaval que supostamente aliena as massas, eis que a escola de samba Paraíso do Tuiuti passou pelo sambódromo do Rio de Janeiro nesse domingo com críticas diretas ao atual governo desinterino do “vampiro neoliberalista” como também àqueles que ajudaram a tomar o poder exibido na ala “Manifestoches” da escola: passistas de patos amarelos da Fiesp, paneleiros e jogadores da seleção brasileira sob o comando de enormes mãos, como fossem fantoches – alusão às chamadas “teorias conspiratórias” do 7X1 da Alemanha? – sobre isso clique aqui. Ou aos manifestantes que ironicamente vestiram camisas amarelas da corrupta CBF para protestar contra a corrupção?

Transmissão ao vivo exclusiva da Globo, diante dos constrangidos narradores e comentaristas Fátima Bernardes, Alex Escobar e Milton Cunha – longos silêncios na locução e falas, até então fluentes e animadas, de repente ficaram fragmentadas e desconexas: “o vampirão”... “tá com faixa de presidente esse vampiro”... “É o regime de exploração nos mais diversos níveis”... “Manipulados”... “os manifestoches”, numa sequência de cacos que faria inveja ao Caco Antibes do antigo “Sai de Baixo”.

Passistas, com capacetes de operário, brandindo carteiras de trabalho e uma ala inteira acusando a reforma trabalhista do “vampiro neoliberalista” como mais uma modalidade de escravidão na história brasileira. Enquanto o imenso carro alegórico apresentando o livro aberto com a Lei Áurea mostrava que ela não foi o suficiente para impedir a reprodução das relações de exploração.

As entrevistas posteriores com os membros da escola e as matérias nos telejornais ou evitaram tocar em “vampiros” e “manifestoches” ou foram inseridos na edição dos desfiles em imagens de poucos segundos.


O rendimento midiático de uma ação anti-mídia


Os carnavalescos da escola Paraíso do Tuiuti deram para as esquerdas mais uma simples lição do que é lutar no mesmo campo das bombas semióticas. Uma estratégia que não rende apenas o divertimento de ver uma Fátima Bernardes em silêncio constrangido entremeado por cacofonia – mas tanto a crítica da escola quanto o constrangimento global ao vivo repercutirem ao longo de dias como tema de conversas interpessoais ou postagens e pitacos nas redes sociais.

Lutar no mesmo campo semiótico das bombas simbólicas da grande mídia, não significa apenas fazer “pegadinhas” ou “trolar” uma transmissão ao vivo. Mas a importância do seu efeito de “agendamento” posterior: virar pauta de discussões nas conversas interpessoais e nas diferentes mídias.

Aqueles mais velhos como esse humilde blogueiro (e agora, de volta, também um humilde professor) deverão lembrar do carnaval de 1980, posterior à Revolução Iraniana na qual o regime-fantoche dos EUA do Xá Reza Pahlevi foi derrubado pelo líder islâmico aiatolá Khomeini. Enquanto a grande imprensa brasileira descrevia a revolução como obra de um fanático religioso homicida, no carnaval das ruas máscaras do aitolá Khomeini tomavam conta e pessoas cantavam em plena ditadura militar: “Aitolá-á-á, vem nos salvá-á-á!”.

Os instrumentos teóricos e práticos de comunicação existem e estão aí, à disposição para se tornarem instrumentos de uma guerrilha semiótica no mesmo campo no qual a grande mídia é hegemônica não tanto pela inteligência, mas por ganhar sempre por W.O. – a esquerda simplesmente não quer ocupar esse campo da sociedade.

“Aitolá-á-á, vem nos salvá-á-á!”

O Grau Zero da Política


E os anos de governos trabalhistas só tornaram ainda mais evidente essa inapetência ou desinteresse pela comunicação, mesmo sob o bombardeio sem trégua das bombas semióticas da mídia corporativa.

E ainda pior: sempre reticente em relação à implementação da Lei dos Meios e a discussão dos monopólios midiáticos, enquanto o Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social do Poder Executivo Federal) alimentava a grande mídia com grossas verbas publicitárias com sua orientação “técnica” e “republicana”. E nesse meio tempo, membros dos governos petistas ainda sonhavam com um espaço em jornais e entrevistas nas TVs.

Como, por exemplo, em 2013 a carta ao jornal Folha de São Paulo do então ministro da Educação Aloízio Mercadante em defesa da memória de Octávio Frias Filho diante das acusações da Comissão da Verdade de que o falecido proprietário da Folha colaborou ativamente na repressão e tortura na ditadura militar. Sempre reverentes à grande mídia. Talvez porque os centímetros de colunas nos jornais ou os minutos em rede nacional na TV sempre foram objetos de desejo da síndrome de patinho feio das esquerdas.


Por que? Infelizmente tudo isso faz lembrar a hipótese niilista do pensador francês Jean Baudrillard: o “Grau Zero da Política”: (1) os comunistas não mudarão nada se chegarem ao poder; (2) os comunistas não querem chegar ao poder; (3) a tese mais niilista: não há perigo em ganhar o poder porque o poder, de fato, não existe – leia BAUDRILLARD, Jean. Partidos Comunistas: Paraíso Artificial da Política, Rocco, 1985 – sobre o conceito clique aqui.

E se todo o sistema político tornou-se autônomo e fechado em si mesmo em relação à sociedade e a economia? Um sistema cujos signos tornaram-se intransitivos, reversíveis, onde as distinções (Direita/Esquerda, Oposição/Situação) não são dadas como representação de algo externo, referencial, ao sistema (ideologias, História, Classes sociais etc.), mas como simples distinções binárias em um sistema fechado em si mesmo.
Baudrillard imaginava o sistema político como uma imensa e elaborada simulação, movida a escândalos e golpes para colocar signos vazios em movimento. Como zumbis ou mortos-vivos, paródias dos antigos conflitos ideológicos que não mais existem.

Por isso, é sincrônico que o evento “Zombie Walk” ocupe a cidade de Curitiba (sede da “República de Curitiba”, da Lava Jato e do herói nacional de segunda instância Sérgio Moro) no Carnaval: zumbis desfilando no epicentro do principal escândalo que põe a simulação política em movimento onde todos apenas tentam salvar suas próprias biografias numa grande cortina de fumaça dissuasiva – clique aqui.

Teoria conspiratória? Matrix na Política? Sabendo-se que a expressão “teoria da conspiração” foi cunhada em 1967 em despacho da CIA com o carimbo “Psyop” (“Operação Psicológica”) como uma das práticas para desacreditar narrativas não oficiais (sobre isso clique aqui), esse humilde blogueiro acredita que é hora de levar mais à sério as teses provocativas de pensadores do naipe de Baudrillard.

E pensar em práticas políticas fora da Matrix, lá no deserto do real das guerrilhas semióticas. 




Wilson Roberto Vieira Ferreira
No Cinegnose
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Xadrez de Huck e o cristal trincado da Globo


No momento, o quadro político que se prenuncia é o seguinte

Peça 1 – o candidato da Globo

O fator Luciano Huck sempre esteve no horizonte da Globo desde as primeiras manifestações do golpe. Tinha-se claro:

·      A ampla e completa desmoralização da classe política;

·      Caminho aberto para as celebridades televisivas, fenômeno ocorrido na Itália das “mãos limpas” e nos Estados Unidos, país onde a insatisfação generalizada com a política tradicional gerou Donald Trump

No começo do processo, aventou-se o nome de Huck. Depois, ele foi prudentemente poupado. Até as eleições havia dois riscos pela frente.

Risco 1 – outro aventureiro lançar mão da bandeira anti-política

O primeiro a se lançar nos ventos da anti-política foi o prefeito de São Paulo João Dória Júnior. Não por coincidência, os dois primeiros veículos a torpedear seus factoides foram o Jornal da Manhã, da Globo, e a rádio CBN.

Risco 2 – o fator Lula

Tudo indica que a candidatura de Lula será impedida. A esta altura, o golpe já prescinde de qualquer veleidade de aparência democrática. Lula vai ser impedido porque – como diz a brilhante Rosa Weber – o poder permite que ele o seja. Simples assim. Séculos de avanço do direito, conceitos civilizatórios basilares, como o da presunção da inocência, cláusulas pétreas da Constituição, como o de ninguém ser preso antes de esgotada a última possibilidade judicial, o poder do voto, nada disso importa. Agora, não se tem nem o disfarce canhestro de “pedaladas” e quetais. É arbítrio na veia. O máximo que os 11 do Supremo ousarão será impedir sua prisão. Ou melhor, permitir apenas um ou dois dias de prisão, para sustentar a reportagem principal do Jornal Nacional.

Têm-se a favor da tese a certeza de que a única reação da população será o de aumentar o ceticismo e os votos em branco. E preparar-se para o próximo carnaval.

Peça 2 – as eleições em Lula

Sempre tenho dificuldade em entender Ciro Gomes, devido à sua enorme imprevisibilidade.

No entanto, saindo Lula, seu nome ganha peso. Em parte, devido à dificuldade do PT e do próprio Lula em indicar um nome de expressão – em que pese o poder de transferência de votos de Lula. Mas, principalmente, porque o impedimento de Lula será o ponto de corte em qualquer veleidade de eleição civilizada. A indignação de seus eleitores os levará em grande parte a procurar o candidato vestido para a guerra. E ele atende pelo nome de Ciro Gomes.

Nos últimos tempos Ciro vem ensaiando aproximação com o Ministério Público e o Judiciário, a ponto de montar uma enorme ginástica mental para se solidarizar com Lula, após a condenação pelo TRF4, sem desautorizar o tribunal. Fica claro que pretende selecionar os inimigos.

Sua estratégia será a de mirar o canhão no presidencialismo de coalizão, especialmente no PMDB e PSDB, tentando capturar para si o sentimento da anticorrupção do sistema judiciário. E se lançar com a bandeira do momento, mas temperada com veleidades sociais e propostas industrializantes.

Tem discurso eficiente para tanto. Falta controlar seu temperamento. Sua maior arma, em todo caso, será o rascunho do que será o Brasil, sob o controle final da Globo. 

Peça 3 – o que seria o liberalismo econômico de Huck

O liberalismo à brasileira poderá ser melhor compreendido na entrevista que Fernando Henrique Cardoso me deu em 2005 para o livro “Os Cabeças de Planilha”. Não tinha a menor ideia e/ou preocupação sobre políticas sociais, políticas científico-tecnológicas, papel da pequena e microempresa, desenvolvimento regional.

Lá pelas tantas indaguei, afinal, qual era seu projeto de país. E ele: fortalecer os grupos internacionalizados (leia-se, o grande capital) e eles, crescendo, levarão o país junto.

Esse simplismo assustador é o retrato desse liberalismo à brasileira.

É a face igual e oposta ao da esquerda estatista. Move-se por ideologia, sem nenhuma preocupação com resultados finais, com impactos na vida das pessoas, no emprego, no bem-estar social, no desenvolvimento.

É só conferir as medidas que implementou, de carona no governo Temer.

·      Teto de gasto, independentemente de uma análise detalhada do orçamento e das necessidades nacionais, demonstrando que a única prioridade é a preservação da solvência da divida pública, para permitir a manutenção de taxas de juro real elevadas;

·     resistência a qualquer forma de equidade fiscal, seja da ótica da receita ou das despesas públicas;

·       manutenção de taxas de juros reais elevadas; nenhum movimento para reduzir o peso da dívida pública;

·     privatização selvagem, sem a menor preocupação em analisar sistemicamente os setores afetados, como é o caso da Petrobras e Eletrobras;

·       queima de ativos nacionais que não se enquadrem em sua visão de economia, como foi o caso da industria naval e do complexo de petróleo e gás;

·       nenhuma preocupação com o ensino superior e com pesquisa e desenvolvimento;

A experiência no governo Temer mostrou também que o grupo recorre a táticas de guerra:

·       Tentativa de desmonte total da estrutura sindical;

·       Uso da prisão e do punitivíssimo como instrumentos de combate às tensões sociais.

Peça 4 – a cara do liberalismo jurídico à brasileira

A eleição de Huck significaria o aprofundamento inédito do estado de exceção.

A Constituição está sendo desvirtuada, grandes negociatas avançam sem resistência, há uma truculência latente da Polícia Federal e do Ministério Público. Mas se tolera porque o governo Temer promete, em troca, o desmonte do incipiente estado de bem estar social brasileiro.

Tudo isso ainda é relativamente contido pela ilegitimidade do quadro atual, pela percepção de que o poder de Temer derivou de um golpe, e pelos 3% de aprovação do governo.

Uma eventual eleição de Huck seria o fecho final, de legitimação do arbítrio.

Hoje em dia, esse estado de arbítrio é bem representado por quatro personagens de estaturas similares, cada qual alimentando a exceção com slogans vazios, visando atingir o chamado senso comum.

No STF, o Ministro Luís Roberto Barroso, ao lado de Carmen Lúcia, um notável cultivador de frases banais, tipo “precisamos refundar o Brasil”, à altura de um Conselheiro Acácio dos tempos modernos. Ele é uma espécie de Kim Kataguiri do Judiciário; ou Kim é um Barroso das redes sociais.

Ainda nesse campo dos estereótipos conservadores, Deltan Dallagnol é a melhor síntese do punitivismo misturado com o redentorismo religioso.

Finalmente, um personagem menos conhecido, mas expressão notável desses tempos sombrios, o procurador da República de Goiás Ailton Benedito que, entre outros feitos, proclamou que o nazismo é um regime socialista.

Ele foi Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Goiás, notabilizando-se pelo combate aos direitos das pessoas com deficiência, por ter investigado banheiros unissex e intimado o Itamaraty a investigar a cooptação de jovens brasileiros pelo regime da Venezuela. Descobriu, depois, que a tal cooptação não passava de uma convocação do governo venezuelano a jovens da Vila Brasil, em Caracas.

No ano passado, Ailton foi eleito pelos colegas Procurador-Chefe da Procuradoria da República, em Goiás. Vale a menção a ele apenas por representar um tipo hoje hegemônico no MPF.

Os quatro têm em comum uma profunda ignorância histórica, um enorme descomprometimento com os avanços civilizatórios dos últimos séculos. O paradoxo de Barroso, de esposar todas as teses anti-iluministas e se autoproclamar um arauto do iluminismo valeu-lhe um epíteto campeão, da parte do jurista Conrado Hubner: o Príncipe dos Ilusionistas.

Participa desse jogo a Procuradora Geral da República Raquel Dodge. No final do ano, ela e Barroso foram os principais adversários de uma das raras prerrogativas constitucionais do Presidente da República: o indulto de Natal.

Diz o artigo 84 da Constituição:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

(...) XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;

A pretexto de que o indulto poderia beneficiar réus da Lava Jato, impediram que centenas de presos, muitos deles condenados a penas injustas, pudessem se beneficiar do indulto. E definiram amplamente um dos princípios do Estado de Exceção: criar uma categoria de presos sem os direitos dos demais. Não foi apontado um réu sequer da Lava Jato que pudesse ter sido beneficiado pelo indulto.

Dentro da complexidade do golpe, fica cada vez mais nítida a montagem de um dos pilares centrais do jogo: a aliança Globo-mercado-Judiciário-MPF.

Peça 5 – as perspectivas de Huck

De qualquer modo, mesmo tendo o poder da Globo por trás, será um desafio fazer a candidatura Huck alçar voo.

Os recentes tiros que levou, em cima do financiamento obtido junto ao BNDES para a compra de helicópteros, dão uma ideia das dificuldades que terá pela frente. A notícia foi um furo do Tijolaço, mas repercutido da Folha à Zero Hora de Porto Alegre demonstrando, pelo menos nesse início, a dificuldade da Globo em montar uma frente midiática em torno de um projeto que poderá ampliar ainda mais seu poder. Com a crise dos demais grupos, da Abril ao Estadão, passando pela Folha e redes de TV, percebe-se que a concentração de poder na Globo é uma ameaça aos demais grupos.

Por outro lado, o fator Huck desestabiliza completamente a estrutura partidária, do PMDB ao PSDB, cristianizando o candidato Geraldo Alckmin. Será mais uma frente de desgaste.

Além disso, a desastrada operação JBS trincou a aura de onipotência da Globo.

No final do governo Collor, Octávio Frias Filho produziu um editorial de primeira página que, pela primeira vez, mostrou que o tigre da presidência tinha pés de barro. E enfrentando o mais imperial dos presidentes brasileiros.

Agora, o mais desacreditado dos presidentes brasileiros, o minúsculo Michel Temer, o suspeitíssimo Temer, o mais impopular presidente da história, saiu incólume da investida da Globo e da Procuradoria Geral da República, no episódio da JBS, simplesmente manobrando os instrumentos de poder da Presidência, algo que Dilma Roussef jamais ousou experimentar. E ainda se permite contar prosa para os colegas sobre o encontro que teve com João Roberto Marinho no Palácio.

Começa a conversa, e Marinho indaga:

- Bom, Presidente, soube que está chateado conosco. O que o senhor teria a dizer?

E Temer, o poderoso:

- Nada. Você é que tem a dizer, pois foi quem pediu a audiência.

Luís Nassif
No GGN
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