13 de fev de 2018

Vai dar PT? Leilane...

Quando a opinião pública muda de lado – você não sente, não vê; mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer.


Toda mudança comportamental começa antes no imaginário, às vezes inapercebida, antes de torna-se concreta. Mesmo para o inconsciente coletivo.

Nas eleições de 1974, quando era claro que a luta armada não derrubaria a ditadura – ao contrário – tornou-se fato que algo silenciosamente havia mudado no inconsciente do brasileiro. Acabara o apoio popular à Ditadura de 64 manifestado nas eleições de 1970; fruto do tricampeonato de futebol – só quem estava lá sabe o que foi aquilo – e do “milagre econômico”. A ARENA – o partido da ditadura – foi derrotado inapelavelmente. Fez seis senadores contra quatorze eleitos pelo MDB de então – o partido da oposição.

A ditadura ainda duraria mais onze anos; haveria assassinatos e mesmo massacres – mais ou menos clandestinos; haveria casuísmos como o Pacote de Abril de 1977 e a Lei Falcão, mas a Ditadura começara a acabar naquela eleição de 1974. Jamais recuperaria o discurso junto à opinião pública.

Essa característica das mudanças comportamentais veio me à mente frente aos acontecimentos das últimas semanas e, principalmente, deste Carnaval.

Algo parece ter mudado na opinião pública geral em relação ao Golpe de 2016.

A rejeição generalizada à reforma da previdência – ainda que talvez somente uma minoria tenha estudado o seu conteúdo. A forma como foi fácil carimbar na testa do Judiciário a marca de “privilégio” em relação ao auxílio moradia– e nas testas coroadas de Moro e Bretas. Apoiadores de ontem, hoje viraram piadas.

manifestoches

E agora, o modo como alinhou-se ao imaginário popular esse desfile da Paraíso do Tuiuti e seus patos e camisas amarelos – manifestoches e vampiro neoliberalista.

vampiro

Não parece haver dúvidas – algo mudou em relação ao Golpe de 2016. A população geral – formada por pessoas comuns e não militantes – passou para a oposição.

Lula será liberado para concorrer? Muito provavelmente não. Lula poderá ser preso ainda? Provavelmente não, mas é uma possibilidade.

Ocorre que se realmente a virada se deu, esses acontecimentos, por traumáticos que sejam, não alteram mais o resultado. A oposição ganhará as eleições.

Mas quem é a oposição?

Bolsonaro é oposição.

Alckmin não é oposição. Doria não existe mais – o affair com Zeca Pagodinho foi a gota d’água. Tornou-se tão ridículo quanto Temer.

doria e pagodinho

Tristezas de carnaval – o que sobrou para o Golpe de 2016? Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço – será este o amargo fim do Carnaval do Golpe?

E Huck – é oposição?

Vai ter de se fantasiar de oposição, se quiser ter chance. Vai conseguir? Tem os roteiristas da Globo a seu favor – eles são espertos em virar o personagem segundo as necessidades de IBOPE da novela. Mas, se a população o identificar com o governo Temer – nem assim  tem chance.

Ainda mais agora que Huck está cheio de dúvidas e tendo que passar para a defensiva. Essa história do jatinho financiado a juros subsidiados – furo do grande jornalista Fernando Brito do blog Tijolaço que a grande mídia teve que repercutir – pode ser para Huck o que o aeroporto de Claudio foi para Aécio. Algo que precisa ser escondido – porque mata o discurso.

Empreendedorismo com financiamento de BNDES a juros de 3% ao ano, quando o povo paga mais de 300% no cartão de crédito, não é algo fácil de defender. É o “auxílio moradia” do Huck. E o povo não está para auxílio de nenhum tipo.

E o PT? O PT é oposição.

E talvez essa seja a grande notícia para a esquerda – se é que a esquerda percebeu. Um PT lavado e enxaguado no mar de lama recuperando o discurso da ética e da justiça social? Será possível?

Basta ver a reação à música ”Vai dar P-T”. Não poderia ter vindo em melhor hora.


vai dar pt
Nada tem a ver com o Partido dos Trabalhadores, mas foi o suficiente para desconcertar jornalista experimentada da Globo. E, no Youtube, parece que o pessoal também entendeu assim.

globo carnaval

E quando até o pessoal do funk ostentação está dizendo que vai dar PT é porque realmente a opinião pública geral virou.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia



Por que Leilane Neubarth acusou o golpe ao ser criticada por Leonardo Boff



Leilane Neubarth ficou chateada com a provocação de Leonardo Boff.

“Com é que os jornalistas homens e as jornalistas mulheres da Globo estão suportando tanto constrangimento do que se viu e ouviu no Carnaval? É duro ter que assumir a ideologia retrógrada do Grupo Globo. Tenho pena da Leilane Neubarth”, escreveu Boff no Twitter.

Ela acusou o golpe.

“Com todo respeito, guarde sua pena para as pessoas que passam necessidade ou precisam da sua ajuda. Eu sou uma profissional realizada, uma mãe feliz e uma mulher muito amada”, listou.

Um vídeo de Leilane viralizou no Carnaval.

Ela aparece à frente de um grupo de músicos, numa transmissão caótica. Eles cantam o refrão de “Vai dar PT”, de Léo Santana, hit do verão.

PT é “perda total”, mas ganhou outra conotação óbvia por causa daquele momento e daquela apresentadora.

Leilane afirma que não percebeu o que acontecia ali. Provavelmente, é verdade. Leilane não percebe muita coisa.

Ela estava numa tal Casa Bloco, tentando se virar ao vivo. Acabou pedindo desculpas pela zona.

“Queria me redimir, se eu pudesse eu ficaria de joelhos. Eu cometi uma gafe gravíssima e vou corrigir”, escreveu nas redes.

Leilane não é sem noção apenas durante a folia. No estúdio é a mesma coisa.

Ela pena para ler o teleprompter com notícias que mal compreende. Quando o assunto é, digamos, FMI, sua cara estampa a ignorância.

É comum dar pitacos, todos no nível pedestre do “aí fica difícil, gente”.

Leilane é o triunfo do esforço e da obstinação, não do brilho intelectual.

É pau para toda obra: aos 59 anos, com mais de duas décadas de casa, fica em meio a um monte de gente bêbada, vendendo uma felicidade compulsória numa festa que não é dela.

Teria escolha? Poderia ficar no aconchego de seu lar? Não sabemos.

Leilane acaba apanhando por personificar a odiada emissora em que trabalha. Ela não é o Merval ou a Cristiana Lôbo. Não é o Waack. Ela é um Cid Moreira.

Por isso a bofetada de Boff doeu-lhe. Leilane não estava perdida apenas naquela transmissão. Ela vive assim, surfando nessa nuvem de desinformação mascada, dando suas cacetadas.

Ela não tem “ideologia”. É para isso que a Globo lhe paga. E o fato de ela fingir não saber disso é fundamental para que continue encantando as plateias da GloboNews.

O único problema é que tem um preço. E não é barato.



Kiko Nogueira
No DCM
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Globo foi ao rato da Beija Flor, mas não ao tucano da Tuiuti

A emissora fez uma descrição minuciosa do desfile da Beija Flor, justamente o que faltou no caso da Tuiuti; o rato mereceu grande destaque, mas o tucano sumiu
O telespectador que assistiu ao desfile da Beija Flor, na madrugada desta segunda-feira, embalado por um belíssimo samba, notou que os encarregados de descrevê-lo na TV Globo fizeram com a escola de Nilópolis o que deixaram de fazer no domingo, com a Paraíso do Tuiuti, a grande vencedora do Tamborim de Ouro do jornal O Dia.

O enredo desta era claro: Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão? Uma pergunta que deveria conduzir à resposta que a emissora não deu, ao menos em sua plenitude.

Uma das formas de escravidão moderna a Tuiuti explicitou de maneira absolutamente cristalina: a perda dos direitos trabalhistas no Brasil, fruto de um golpe promovido por patos e paneleiros. A presidí-la, o vampiro com faixa presidencial. Estava tudo lá, para quem quisesse ver. A Globo não viu — ou fez que não viu.

Já o enredo da Beija Flor, Monstro é aquele que não sabe amar, baseado na figura de Frankenstein, requeria explicações que a Globo deu desde o início do desfile, com ênfase em argumentos que às vezes refletiam muito mais as prioridades dos próprios comentadores.

Logo na primeira intervenção, um dos repórteres deixou claro, bem ao lado de um carro alegórico, um rato gigante à frente: “Os ratos tomaram conta da Petrobrás, segundo a visão da Beija Flor aqui na avenida. É a crítica social, a crítica política no desfile da Beija Flor”, sublinhou.

Nas arquibancadas, uma entrevista ecoou: “Eu achei uma crítica em favor do povo brasileiro, que tá tão sofrido”, respondeu uma senhora, ao que o repórter acrescentou: “Isso aqui é bonito: samba, cultura e consciência”.

Mais adiante, noutra intervenção: “É uma crítica social forte que a Beija Flor está trazendo para a avenida”.

Um dos comentaristas lembrou que a escola denunciava também a “carga tributária que é uma das maiores do mundo”. O “peso dos impostos nos ombros de todos nós”, segundo um narrador, não seria compensado por serviços à altura.

Ora, se a Beija Flor estava ali para denunciar injustiças, seria necessário ao observador — honesto ou ao menos bem informado — lembrar que a carga tributária no Brasil incide justamente sobre os mais pobres.

Seria demais esperar que fosse dito que os irmãos Marinho, donos da Globo, pagam relativamente ao seu patrimônio menos impostos que os moradores de Nilópolis.

Mais adiante, a interpretação dada por um comentarista global ao carro alegórico que trazia o prédio da Petrobrás foi de que as favelas seriam “consequência dessa corrupção”.

Ora, talvez a explicação dada pela própria Tuiuti faça muito mais sentido: os descendentes de negros libertos, abandonados depois da escravidão, é que formam o grande contingente populacional das favelas, hoje submetidos a novas formas de escravidão.

E, se a corrupção é um grande flagelo, o que dizer da imensa desigualdade de renda?

Mas, é Carnaval! Cobrar explicações sociólogicas da Globo sobre cada fantasia ou carro alegórico seria um absurdo.

Cabe notar, do ponto-de-vista estritamente jornalístico, que a Globo se esforçou para explicar o enredo da Beija Flor de uma maneira que não fez com a Paraíso do Tuiuti — com entrevistas e comentários.

Quando figurantes da Beija Flor apareceram de guardanapo na cabeça, Fátima Bernardes contextualizou: “Fazendo referência àquela cena em que o ex-governador Sérgio Cabral foi fotografado com amigos no Exterior, em Paris, com guardanapos enrolados na cabeça”. Foi o que faltou fazer, por exemplo, com a ala Manifestoches, da Tuiuti.

Observações in loco de repórteres sobre os carros alegóricos da Beija Flor não foram feitas a respeito dos da Tuiuti, especialmente o Neo Tumbeiro, que trazia no topo o vampiro e mãos gigantes manipulando figurantes vestidos com a camisa da seleção brasileira.

Não houve, assim, registro contextualizado da presença dos paneleiros, dos patos da Fiesp e nem do tucano engaiolado, outra fina ironia da Tuiuti que a Globo sonegou a seus telespectadores.

Como tudo isso ficou de fora não só da transmissão, mas também do resumo do desfile exibido segunda-feira e de todos os telejornais da Globo (com exceção de uma frase um tanto vaga no Jornal Nacional), sabemos que não foi por acaso.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Ao ameaçar prender o Lula depois de tudo o que beneficiou Azeredo, a Justiça brasileira prova que perdeu a pouca vergonha que um dia teve


O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) é o parlamentar que mais denunciou os casos de corrupção e outros desmandos envolvendo os tucanos mineiros, inclusive os senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia, que governaram o Estado de 2003 a 2014.

Por isso, em tempos de implacável law fare contra o ex-presidente Lula (PT), perguntei-lhe algo que intriga muita gente: Por que o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), não é preso?

“Essa pergunta é muito difícil ser respondida bem porque só a Justiça que está aí é quem pode responder”, observa.

“É claro que o Azeredo tem todo o direito a uma ampla defesa e de esgotar todos os recursos”, pondera.

“Mas a nossa justiça tucana é tucana e só anda atrás de preto, pobre, podre e petista. O Azeredo não tem nenhuma dessas características e ainda é amigo do Aécio Neves”, argumenta.

Relembrando, Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, está no centro do mensalão tucano (tem quem ainda na mídia que insiste em chamá-lo mensalão mineiro!), que que em 2018 completa duas décadas sem que ninguém tenha sido preso.

Situação dos investigados na Justiça:

Eduardo Azeredo – Condenado a 20 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e peculato.

Clésio Andrade, Eduardo Guedes,  José Afonso Bicalho, Renato Cordeiro e Lauro Filho – Os dois primeiros aguardam julgamento por lavagem de dinheiro e peculato; os demais, por peculato.

Cláudio Mourão e Walfrido dos Mares Guia -Punição prescrita.

O caso diz respeito à eleição de 1998.

Azeredo era candidato à reeleição pelo governo de Minas Gerais pelo PSDB. Disputava com Itamar Franco, na época no PMDB, de quem acabou perdendo ao final do pleito.

Para levantar recursos para a campanha, a SMP&B e DNA Propaganda, do publicitário Marcos Valério, promoveram o Enduro da Independência.

Conseguiram patrocínio da administração direta e de empresas públicas de Minas Gerais, governada por Azeredo.

Arrecadaram mais de R$ 100 milhões. Mas apenas R$10.814.967,40 foram declarados à justiça eleitoral mineira.

Dos mais de R$ 90 milhões que ficaram de fora, apenas uma pequena parte foi gasta com o Enduro. O grosso foi repassado à campanha do Azeredo, o pai do mensalão tucano,  e aliados.

Quem admite isso é Cláudio Mourão, secretário de Azeredo na Prefeitura de Belo Horizonte [1990-1992] e no governo de Minas [1995 a 1º de janeiro de 1999]. Depois,  coordenador financeiro da malsucedida campanha pela reeleição de Azeredo ao governo do Estado.

Mourão registrou num documento — conhecido como Lista do Mourão e cuja autenticidade foi comprovada (veja, ao final) — todo o dinheiro que abasteceu a campanha de Azeredo ao governo de Minas em 1998, assim como a de outros políticos mineiros do PSDB e de outras siglas que participaram da coligação.

Aécio está na Lista do Mourão, como tendo recebido R$ 110 mil para sua campanha à Câmara dos Deputados. A Azeredo teriam sido destinados R$ 4,5 milhões.

Em valores atualizados pelo IPCA, do IBGE, equivaleriam ao recebimento de, respectivamente, R$378.114,00 e  R$15.468.338,00.

O esquema extrapolou Minas, irrigando até a campanha de reeleição de Fernando Henrique. O próprio Azeredo, num dos momentos de pressão, falou que, em 1998, foi recurso para a campanha de reeleição de Fernando Henrique à presidência.

“No mensalão tucano, além de ter sido dinheiro público na veia, a esmagadora maioria exercia cargo público naquele momento”, relembra Rogério Coreia.

Embora já conhecido em Minas desde 1999, o mensalão tucano chegou ao Supremo Tribunal Federal em 2005, em meio ao escândalo do mensalão do PT.

Em 2007, o Ministério Público Federal denunciou o fato à Justiça.

Dois anos depois, em 14 de maio de 2009, o então ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu desmembrar o inquérito do mensalão tucano.

Ele remeteu para a primeira instância, em Minas Gerais, o julgamento de todos envolvidos no mensalão tucano. Exceção: Azeredo, que permaneceu no Supremo, pois tinha foro privilegiado, já que na época deputado federal.

Na sequência, o Supremo abriu ação penal contra ele.

Ou seja, um tratamento bem diferente do dado aos denunciados no mensalão petista. No caso do PT, o processo não foi desmembrado, e por isso mesmo réus sem foro privilegiado foram julgados pelo STF.

Já no mensalão tucano, com o desmembramento decidido por Joaquim Barbosa, apenas Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB) estavam sendo julgados pelo Supremo. Clésio estava na Lista do Mourão e em 2011 elegeu-se senador por Minas.

Em fevereiro de 2014, há poucos meses do fim do mandato,  Azeredo renunciou para escapar da cassação no Supremo. Clésio fez o mesmo.

O STF decidiu então que o processo contra Azeredo tinha que ser julgado na 1ª instância, já que ele não tinha mais foro privilegiado.

Em 16 de dezembro de 2015, Azeredo foi condenado pela Justiça de Minas Gerais a 20 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato.

Por se tratar de sentença em primeira instância, o tucano pode aguardar recurso em liberdade.

Em dezembro de 2017, em segunda instância, o Tribunal de Justiça de Minas manteve a condenação da primeira instância.

Os advogados de Azeredo recorreram e até hoje ele não passou um dia cadeia. Nem deve passar, pois este ano completa 70 anos.

“Com tudo isso em relação ao caso Eduardo Azeredo, é possível responder melhor como é a cabeça da Justiça brasileira. E o conteúdo de classe que ela tem, inclusive nitidamente favorável ao golpe no Brasil”, expõe Rogério Correia.

Na opinião do deputado, essa situação vai-se aprofundar.

Quanto mais o golpe perde base social, quanto mais o povo percebe que o golpe veio para acabar com a soberania nacional, os direitos trabalhadores, os programas sociais, a aposentadoria, mais ele se fortalece do ponto de vista do seu autoritarismo.

“Então ameaçar prender o Lula depois de tudo que fizeram para beneficiar o Azeredo só prova que a Justiça brasileira perdeu a pouca vergonha que um dia teve vergonha”, critica Rogério Correia.




Conceição Lemes
No Viomundo
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Huck pelo$ ares

Ele é um predador que troca qualquer coisa por bufunfa

O rei da lata a velha sabe que seu império só prospera na escuridão (Reprodução/TV Globo)
O Conversa Afiada publica artigo sereno do colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Sou um dos poucos que nunca acreditaram que a candidatura de Luciano Huck era pra valer. Minha conclusão partiu do exame, mesmo superficial, da trajetória do desanimador de auditório. Impossível fugir dela.

Huck não passa daqueles predadores que trocam qualquer coisa por bufunfa, notoriedade e celebração. Já falei sobre sua medíocre carreira televisiva, e nada há a acrescentar. Sempre foi movido por dinheiro: filho de pai rico, ingressou no mundo dos tubarões devidamente provisionado pela fortuna da família. Daí pra frente, recheou o cofre graças a amizades escusas, trapaças com verbas oficiais e obediência cega aos ditames da rede Globo.

Sua vidraça é tão exposta que Fernando Brito, do Tijolaço, não precisou de alguns clicks para expor a safadeza do desanimador (que falta faz um Fernando Brito em redações hoje avessas ao jornalismo mais elementar!). Brito chega a ser complacente, talvez com pena de personagem tão rasteira. Diz que a tramoia de Huck para comprar um avião é imoral, embora não ilegal.

É ilegal, sim. O empréstimo do BNDES é destinado a atividades com fins produtivos. Huck embolsou a grana a juros subsidiados para proveito próprio. Digam-me um emprego ou parafuso gerado pelo jatinho luxuoso e então eu calo a boca. Fácil achar a resposta.

Fosse a imprensa brasileira interessada em investigar e apurar, Huck e tantos outros já estariam faz tempo no pelourinho. Um exame em contratos semelhantes do BNDES iluminaria o festival de gatunagem alimentado pelo dinheiro público.

Para defender o colega, uma colunista de O Globo chegou à desfaçatez de afirmar que papelórios iguais ao dele passam dos milhares. Logo, não há o que recriminar. Quando deveria ser o contrário. A informação de Fernando Brito ensejaria, caso houvesse jornalismo sério na mídia fantoche, uma devassa impiedosa nesse tipo de artimanha. Dória que o diga, como bem o jornalista do Tijolaço comprovou em novo artigo.

Huck vai trocar a vida de facilidades e dinheiro a rodo por tamanha exposição? Óbvio que não. Vai deixar o Itaú, propagandas de celulares e a leniência da rede Globo para se submeter à autopsia em seus negócios e amizades de sangue com Aécio, Acciolys, Ronaldos e tantos mais? Pergunte à Angélica e saberá.

O rei da lata a velha entende muito bem que seu império só prospera na escuridão. Seu plano de governo é o mesmo de seu programa de TV: distribuir esmolas para a reforma de Brasílias e Vemaguetes e usar dinheiro público para gargalhar em jatinhos. Nada mais além disso.

Seu maior fiador, o sapo dos sociólogos, tem plena consciência do que se passa. Lá dos jardins da avenue Foch, num apartamento faustoso produto de maracutaias parecidas com as de Huck, FHC pinta e borda. Usa a criatura para exercitar o mister em que é professor: trair. Traiu seus escritos, traiu a mulher, traiu o Brasil. Agora quer trair Alckmin para não perder o costume. Está gagá? Tenho dúvidas. Acho até que atingiu o estado da arte no ofício.

Difícil discordar de sua frase: “Huck tem a cara do PSDB”. Assim como Aécio com seu aeroporto particular, Dória com seu jatinho de R$ 44 milhões e tantos mais no viveiro tucano, o desanimador adora pilantragens aeronáuticas. Caiu antes de decolar.
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Uruguayo encuentra a su posible torturador en redes sociales

Juan María Bordaberry murió a los 83 años, cuando cumplía prisión domiciliaria por comandar, a inicios de los años 70, una batalla contra grupos revolucionarios.
Foto: Uruguay Militaria
El fotógrafo uruguayo Juan Ángel Urruzola se topó con el militar que lo habría torturado en los tiempos de la dictadura de Juan María Bordaberry.

Las redes sociales siguen uniendo personas, rompiendo barreras y en algunos casos sirven para dar luz a las injusticias, tal y fue el caso del fotógrafo uruguayo Juan Ángel Urruzola, quien se topó con el efectivo militar del 6to de Caballería que entre 1972 y 1973 Alexis Grajales señalado de torturador.

“Tú sos el Alexis Grajales del 6to de Caballería que por el año 72/73 ya torturaba salvajemente a los detenidos políticos y para eso se tomaba unos cuantos wiskies, tanto es así que tus víctimas recuerdan el tufo a alcohol que se sentía desde abajo de la capucha ¿sos vos?”, redactó en Twitter el fotógrafo uruguayo.

Urruzola escribió a su supuesto torturador: "Sabes @argoefo tengo grabada en mi retina (soy fotógrafo) tu imagen desaforado, con tu uniforme verde todo mojado de las salpicaduras del submarino, venías y te llevabas compañer@s de la glorieta del 6to donde estaban todos de plantón, yo estaba tirado en un camastro".
Walter Forischi junto a Alexis Grajales y varios otros conformaban la oficialidad del 6to de Caballería, todos ellos están denunciados por mi y decenas de detenidos en un expediente que lentamente se arrastra en la justicia uruguaya hace unos años ya, seguimos esperando justicia.
— Juan Angel Urruzola (@JUrruzola) 13 de febrero de 2018
El profesional de las ciencias audiovisuales, docente y diseñador dijo que los torturados de la época son recordados por "la cobardía".

"Se han llenado la boca hablando de honor y cuando los convoca la justicia evaden, meten recursos, ningunean y así siguen en su miserable vida de jubilados del horror", denunció.

El fotógrafo uruguayo reitera que "un personaje nefasto como Alexis Grajales" se mantiene en esta red social "pontificando y hablando, cuando el único lugar donde deberían hablar es en los juzgados".

La tortura habría ocurrido en los tiempos de la dictadura de Uruguay, bajo la presidencia de facto de Juan María Bordaberry.

No teleSUR
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Jornalista alerta: catarse com a Tuiuti não faz uma revolução


Para Leneide Duarte-Plon, "um povo que se contenta" com um desfile de protesto na Sapucaí "NUNCA VAI FAZER a revolução"; "Estou cansada da superficialidade. O Brasil cai no samba e faz sua catarse. O que muda com o samba que falou da escravidão?", questiona

Leneide Duarte-Plon, em seu Facebook - Não me empolga nada o entusiasmo dos blogueiros de esquerda pela escola de samba que falou da escravidão e despejou nossa frustração e indignação na avenida.

Um povo que se contenta com isso NUNCA VAI FAZER a revolução. Nem mesmo a burguesa, que os franceses fizeram em 1789 e nós nunca fizemos pois não saímos da Idade Média. Os direitos humanos que vêm de longe, da Revolução Francesa, ainda são vistos no Brasil como coisa de comunista ou de petralhas.

Estou cansada da superficialidade.

O Brasil cai no samba e faz sua catarse.

Não tenho paciência para essa forma de "engajamento".

O que muda com o samba que falou da escravidão?

No 247
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Aos brasileiros que a Tuiuti despertou: dê cá um abraço, companheiro

Bruno Gabriel: Admito que fui o manipulado, mas caí em mim”
Em uma enquete na sua página no Facebook, o Mídia Ninja perguntou aos leitores com quem eles se identificavam no bloco dos manifestoches da Paraíso da Tuiuti:

O pato? O trabalhador explorado? A marionete? Ou a mão que manipula a tudo e a todos?

Houve centenas de respostas e, no meio delas, duas chamaram a atenção.

Um dizia: “Eu admito que fui o manipulado, mas caí em mim!”. Outro afirmou: “Eu admito que também fui manipulado, mas já algum tempo abri meus olhos.”

Uma rápida pesquisa na rede social dos dois mostra que um pode estar fantasiando — suas postagens são próprias de quem faz militância de esquerda —, mas o outro parece mesmo arrependido, e é em pessoas como ele que se deve prestar atenção.

É Bruno Gabriel, jovem advogado, formado por uma universidade particular de São Paulo, a FMU, de uma família de caminhoneiros que prosperou e tem (ou teve) uma pequena transportadora. Mora em Osasco, na Grande São Paulo. É evangélico.

Em seu perfil na rede social, se pode ver também que militou ferozmente contra o governo do PT, com postagens como esta:

“Petista só quer saber de trabalhar depois de preso”. Ou: “Lula participando de ato em defesa da Petrobras me lembrou Suzane von Richthofen chorando no enterro dos pais”.

Também disse que o governo de Dilma Rousseff emprestava dinheiro, mas só para quem nasceu em Cuba.

Em 2014, a foto do seu perfil tinha a frase Aécio 45 e, nos dias mais tensos que antecederam o golpe, vestiu camisa da Seleção Brasileira.

Não diz se bateu panela, mas é bem provável.

Sua conversão política, digamos assim, começou na discussão da reforma trabalhista, no ano passado.

Bruno Gabriel parece ter despertado de um sono profundo.

Colocou na capa de seu perfil banner em apoio à greve geral contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência no dia 28 de abril.

Algumas pessoas estranharam, mas outros deram apoio. “Tenho conhecidos na minha timeline que são contribuintes da Previdência Social e trabalham de carteira assinada e são contra a greve. Vai entender essa gente”, comentou um amigo. Bruno Gabriel acrescentou: “Masoquismo, só pode!”

“Cara, tem gente pagando pau pro Dória ser contra a greve. Já viu empresário defender direito trabalhista?”, prosseguiu o amigo. “Eu sinceramente não entendo o brasileiro.” Bruno Gabriel comentou: “Absurdo!”

As postagens seguem na linha de quem não concorda com o que tem acontecido com o Brasil depois do golpe.

Até que vem o comentário na página do Mídia Ninja, depois da exibição da Paraíso da Tuiuti:

“Eu admito que fui o manipulado, mas caí em mim!”

Abaixo do comentário de Bruno, aplausos, manifestações de carinho. “Ganhou o meu respeito”, disse uma. Outra acrescentou: “Acredito nisso, sabia?!”, para uma terceira arrematar: “Eu também, Sêmela. Antes tarde do que nunca!”

Bruno Gabriel faz parte de um contingente da população que não é engajado politicamente e, por isso, tem papel decisivo nas escolhas do País.

O engajado segura a peteca — é não é fácil lutar por democracia —, mas quem decide que time vai jogar é o brasileiro como Bruno.

É o eleitor que elegeu Fernando Henrique Cardoso e também escolheu Lula para sucedê-lo.

Pode ter ido para as ruas pedir a cabeça de Dilma, mas pode voltar para lá agora e ajudar a conter o golpe.

Lula, que é certamente o político mais habilidoso desta geração, sabe bem o que representam pessoas como Gabriel.

Tanto que, em uma das etapas de sua caravana pelo Brasil, ao discursar em Campos de Goytacazes, no Rio de Janeiro, disse como as pessoas que se opuseram ao golpe desde o início devem tratar os antigos batedores de panela.

“Aqueles que foram bater panela, aqueles que foram para as ruas apoiar o golpe, não têm mais panela para bater. Estão batendo a cabeça na parede de arrependimento. Não vamos tratá-los com indiferença. Vamos estender a mão e dizer ‘vem para cá, companheiro’”, disse.

Pessoas como Bruno estão por aí, à espera de um aceno, talvez aqui mesmo nesta página do Diário do Centro do Mundo.

Não podem ser tratadas com indiferença.

O desfile da Tuiuti pode, em razão disso, ter o efeito de um despertador.

Na mente do ex-paneleiro, mas também naqueles que resistem ao golpe desde o início.

A arte pode ser revolucionária, mais do que mil palavras.

Funciona muito melhor do que o panfleto.

Com a apresentação esteticamente perfeita da Tuiuti, as pessoas que bateram panela podem, enfim, ver o que sempre esteve sobre nós, mas alguns não tinham se dado conta:

Há uma mão grande manipulando os fatos, para esconder a verdade, e enganando a todos para bater-lhe a carteira.

Ninguém merece.

Em 2014, fez campanha para Aécio e agora apoia a greve contra a Reforma da Previdência.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bolsonaro acusa O Globo de criar fake news


Reportagem da revista Veja sobre as famigeradas “fake news” publicada na semana passada deu conta de que Bolsonaro é um dos grandes beneficiários desse tipo de farsa na internet. Veja relata uma das últimas fake news que o extremista de direita espalha para se projetar.

Bolsonaro usou seu exército de energúmenos, os ditos “bolsomínions”, para espalhar que a Pepsi superou a Coca-Cola em vendas porque a imagem de Jair Bolsonaro passara a estampar as latinhas de refrigerante da marca.

A “notícia” foi publicada em 4 de dezembro no site News Atual, foi replicada em cinco páginas do Facebook com um total de 1,8 milhão de seguidores. Em poucos dias, ela teve mais de 20 000 curtidas e um número considerável de compartilhamentos.

Era, obviamente, falsa - uma genuína fake news. Mas, como se vê, muita gente não só acreditou como passou a mentira adiante. Isso porque Bolsonaro é o campeão de fake news na internet.

A tropa de “bolsomínions” (em geral, garotos com espinhas na cara e vento na cabeça) é a mais ativa da rede, como mostra levantamento da Folha de São Paulo. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1938138-bolsonaro-lidera-influencia-nas-redes-sociais-aponta-pesquisa.shtml


As criações dos bolsomínions têm como alvo, primordialmente, o ex-presidente Lula. O levantamento da revista Veja mostra que o ex-presidente, Michel Temer e Moro são os maiores alvos de fake news.

Contudo, vale ressaltar que, no caso de Moro, as fake news são a favor, enquanto que contra Lula e Temer, são contra. Ou seja: os seguidores de Bolsonaro inventam notícias contra Lula e a favor de Moro.


As criações dos bolsomínions são mais do que conhecidas. A mais impressionante é sobre uma “Ferrari de ouro do filho de Lula”


Ou que o filho de Lula seria “dono da Friboi”.


Agora, ironicamente, Bolsonaro aparece em vídeo reclamando do quê? Do tipo de notícia falsa que ele mesmo estimula sua horda de descerebrados a espalhar. No vídeo abaixo, Bolsonaro desmente notícia veiculada no domingo pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, e reproduzida aqui, nesta página.

Jardim acusa Bolsonaro de ter prometido a empresários metralhar a favela da Rocinha para prender traficantes.


Assista [aqui] ao vídeo de Bolsonaro se explicando.

De qualquer forma, a reação de Bolsonaro é irônica: o campeão de criação de notícias falsas contra adversários reclama de ter sido alvo do mesmo tipo de farsa que produz em escala industrial.

Há, porém, uma grande diferença entre o que Bolsonaro faz e aquilo de que reclama. As notícias falsas espalhadas pelos bolsomínions não têm origem, em geral em algum site obscuro do qual não se pode saber a autoria, geralmente por estar hospedado no exterior e não revelar quem responde por ele.

No caso de Lauro Jardim, de O Globo, é mais do que improvável que ele tenha mentido sobre o discurso de Bolsonaro. Matéria divulgada por esta página também no domingo mostra o extremista de direita pregando genocídio em um programa de TV no começo de sua carreira política.

Além disso, os excessos verbais de Bolsonaro acabam de lhe causar uma condenação na Justiça por declarações racistas contra pessoas negras.


Eduardo Guimarães
No Blog do Miro
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Congresso com ratos, farra do guardanapo e crítica a Crivella marcam segundo dia de desfile na Sapucaí

Que tiro foi esse? Políticos corruptos com suas malas de dinheiro e o rato gigante puxando o carro alegórico do Congresso
O que teve início no domingo (11) com a Estação Primeira de Mangueira e a estreante Paraíso do Tuiuti – que alvejou o governo Temer em seu primeiro desfile na Marquês de Sapucaí – se repetiu de forma ainda mais chocante na avenida do samba carioca (veja o desfile completo abaixo). Com um enredo que caprichou na crítica ao poder e à corrupção no Brasil, a Beijar-Flor de Nilópolis levou ao grande público um Congresso com ratos. E, para traduzir a revolta popular com os poderosos, retratou a cena em que o ex-governador Sérgio Cabral, preso em desdobramento da Operação Lava Jato, celebra a gastança com dinheiro público em uma patética performance com guardanapos na cabeça, acompanhado pela esposa Adriana Ancelmo, também condenada, e alguns de seus aliados na corrupção em um restaurante de luxo em Paris.

Na escolha da simbologia, a Beija-Flor caprichou na ilustração do famoso jantar, em um restaurante luxuoso na capital francesa, em que Cabral, auxiliares e empresários que tinham negócios com o estado confraternizam com guardanapos na cabeça. O episódio ficou conhecido como a “farra dos guardanapos”. E, na triste crônica política do Rio e do Brasil, demonstra a que ponto podem chegar agentes públicos e privados no deboche à sociedade desamparada.

Com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar – Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, a agremiação liderada pelo intérprete Neguinho da Beija-Flor decidiu arriscar e, se não primou pelo rigor técnico, segundo especialistas, privilegiou o impacto. Para tanto, mostrou os efeitos da corrupção para a principal vítima, as classes menos assistidas, de uma forma aguda: crianças em caixões, policiais mortos (foto abaixo) e até uma encenação de um aluno disparando tiros com arma de fogo em colegas. No lugar das fantasias luxosas e alegorias suntuosas, farrapos e trapos a conotar a miséria do povo enganado. Nas alas, diversas referências a políticos corruptos com suas malas de dinheiro e cédulas mal escondidas em ternos.


Mulher chora na encenação de uma tragédia quase diária no Rio, a morte de policiais

Na sinopse do enredo disponível em sua página na internet, a agremiação já havia sinalizado o que levaria para a passarela do samba. “Somos parte de um sistema doentio, onde uma desigualdade se alimenta do descaso, formando uma geração dominada pelo caos e vitimada pelo abandono. [...] Cavaleiros do Apocalipse político camuflados com ternos e gravatas espalham a morte, a fome e a violência. O favelado não tem pra onde fugir e o refugiado da seca continua sem esperança de encontrar a terra prometida. Há aves de rapina no poder!”, registra a escola de samba, partindo para a referência ao prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), sem citar seu nome. Ontem (segunda, 12), depois dos protestos diretos da Mangueira – que instalou um boneco gigante do político em um carro alegórico, em alusão ao Judas bíblico –, a Prefeitura do Rio emitiu nota para lamentar a “falta de respeito e ofensa gratuita” (veja íntegra abaixo).

“Em templos luxuosos, falsos profetas exploradores da boa fé cobram dízimos celestiais, perseguem crenças diferentes, sufocam manifestações culturais e fomentam uma guerra santa: o sagrado versus o profano, a batucada proibida, a roda de samba coibida, a bebida no boteco, tudo é coisa do ‘coisa ruim’! [...] Não, não será agora que o ‘bispo’ dará um xeque-mate no nosso ‘rei’ que é Momo, que é da folia, que é do povo. Mais uma vez a vitória será da velha ‘dama’ e dos ‘peões’”, acrescenta a Beija-Flor, referindo-se ao fato de que o evangélico Crivella, um dos líderes da Igreja Universal do Reino de Deus, anunciou como uma de suas primeiras providências como prefeito, no início de 2017, o corte no financiamento das escolas de samba, abrindo uma guerra com diversas comunidades e o setor cultural como um todo.

Bem, deixemos que as imagens falem por si. No vídeo abaixo, o desfile que pode não ser consagrado como o campeão de 2018, mas que se unirá à Mangueira e à Paraíso do Tuiuti no panteão das comunidades que, diante da força da máquina pública, deixaram a zona de conforto para dar sua resposta com samba no pé e mostrar que a democracia brasileira, ainda imatura, há de vencer.

Veja o desfile completo da Beija-Flor:



Fábio Góis
No Congresso em Foco
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jn menciona protesto, mas dá duas vezes menos tempo à Paraíso do Tuiuti do que a competidoras, sem direito a entrevista do vampiro Temer


“A Tuiuti mostrou manifestantes fantoches, criticou a reforma trabalhista e o presidente Michel Temer”.



Foi com esta frase que o Jornal Nacional , o telejornal da Globo, resumiu os protestos contra a reforma trabalhista mostrados pela Paraíso do Tuiuti na Marquês de Sapucaí.

Com o enredo Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, a escola mostrou paneleiros, patos da Fiesp e carteiras trabalhistas esgarçadas como forma de denunciar a neo escravidão pós reforma trabalhista de Temer.

Um vampiro coberto de notas de dólares e com a faixa presidencial foi o destaque.

Globo sequer tentou explicar aos telespectadores a lógica da denúncia: fantoches vestidos com a camiseta da seleção brasileira, patos patrocinados pela Fiesp e paneleiros que receberam farta cobertura da emissora ajudaram a derrubar Dilma Rousseff, abrindo caminho para Temer e as reformas que demolem direitos sociais no Brasil.

No JN desta segunda-feira, foram apenas 35 segundos para a Tuiuti, contra 89 segundos para Vila Isabel, 74 para o Império Serrano, 65 para a Grande Rio, 63 para a Mangueira e 53 para a Mocidade.

A contagem de tempo foi feita pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Ou seja, a Tuiuti foi “rebaixada” pela Globo, que poderia dispor de farto material para tratar do desfile que abalou as redes sociais.

Exemplo?

A entrevista do professor de História Léo Morais, que interpretou o vampiro Michel Temer no carro alegórico que fechou o desfile, o Navio Neo Tumbeiro.

Ele foi explícito ao denunciar o golpe que derrubou Dilma Rousseff.



No Viomundo
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Shell deita e rola nos eventos de Brasília, depois de lobby denunciado por diário britânico

Como os participantes do jantar com Cármen Lúcia não estão identificados nas fotos divulgadas do evento do Poder360,  virou uma caçada estilo Wally descobrir quem são os três da Shell. Para facilitar, os circundamos na cor laranja. Em primeiro plano, à esquerda, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais. Ao seu lado, todo sorridente, ainda que meio escondidoo presidente André Araújo. À direita, logo na frente, Tiago de Moraes Vicente, Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios. Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Como os participantes do jantar com Cármen Lúcia não estão identificados nas fotos divulgadas do evento do Poder360,  virou uma caçada estilo Wally descobrir quem são os três da Shell. Para facilitar, os circundamos na cor laranja. Em primeiro plano, à esquerda, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais. Ao seu lado, todo sorridente, ainda que meio escondidoo presidente André Araújo. À direita, logo na frente, Tiago de Moraes Vicente, Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

Desde 20 de junho de 2017, quando lançou o Poder360-Ideias, dois dos sete eventos que o Poder360 realizou tiveram a presença de petroleiras.

Tais eventos são jantares promovidos para executivos, empresários, investidores e jornalistas.

Segundo o portal, “são uma extensão do jornalismo praticado pelo Poder360, com os mesmos valores, qualidade, precisão e credibilidade”

O primeiro, em 17 de julho de 2017, teve como convidado o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Na ocasião, Parente disse aos jornalistas presentes que a privatização da estatal não fazia parte da agenda da empresa:
DESFAÇATEZ, DEBOCHE? CINISMO?
Desde setembro de 2016, quando anunciou o seu plano de “desinvestimento” — na verdade, a venda de ativos importantes da Petrobrás –, Parente já entregou às petroleiras internacionais por mixarias, sem licitação, várias joias da coroa brasileira, dentre as quais:

*Campos de petróleo de pós-sal em águas profundas de Tartaruga Verde (50%) e Baúna (100%)

*100% do Complexo Petroquímico de Suape e Citepe

*Campos de petróleo terrestres de Sergipe (Siririzinho e Riachuelo), Ceará (Fazenda Belém), Rio Grande do Norte (Riacho da Forquilha e Macau), Bahia (Buracica e Miranga) e Espírito Santo (Fazenda São Jorge, Cancã, Fazenda Cedro e Lagoa Parada)

*Campos de petróleo em águas rasas de Sergipe (Caioba, Camorim, Dourado, Guaricema e Tatuí) e Rio Grande do Norte (Curimã, Espada, Atum e Xaréu)

*Nova Transportadora do Sudeste (NTS)

* Oferta pública de ações da Petrobras Distribuidora (BR)

*Liquigás

*Termobahia – Usinas térmicas Celso Furtado e Rômulo de Almeida

*Campo de Maromba, na Bacia de Campos

*Cinco conjuntos de campos terrestres (totalizando 19 concessões), localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe.

*Três conjuntos de campos terrestres (totalizando 50 concessões),localizados nos estados do Rio Grande do Norte e Bahia

*Sete conjuntos de campos em águas rasas (totalizando 30 concessões), localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo campos importantes como Enchova, Pampo, Badejo, Linguado e Merluza

*Campo de gás de Azulão

*Campo de gás de Juruá

*Transportadora Associada de Gás (TAG)

Isso sem falar nos leilões de campos de pré-sal, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que estão sendo feitos com base no modelo de partilha deixado pela presidenta Dilma Rousseff.

Os preços são superiores às vendas de Parente. Mas, politicamente falando, é o futuro do Brasil que está indo embora.

Desde 2017, já foram vendidos os seguintes campos de pré-sal:

*Carcará (em águas profundas)

*Sul de Gato do Mato

*Entorno de Sapoinhoá

*Norte Carcará

*Peroba

*Alto de Cabo Frio Oeste

*Alto de Cabo Frio Central

Efetivamente, diante disso tudo, não dá para chamar Pedro Parente de mentiroso quando ele diz que não vai privatizar a Petrobrás.

Na verdade, Parente está doando. Depois que ele e Michel Temer entregarem às multinacionais todos os ativos importantes da Petrobrás, só vai ficar uma casca vazia da petroleira brasileira, que não vai valer nem preço de banana.

O jantar com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia, em 29 de janeiro de 2018, foi o segundo evento do Poder360 com a presença de petroleira.

Agora, atente à lista dos executivos e respectivas empresas que desfrutaram do jantar com a ministra Cármen Lúcia e a sua assessora Mariangela Hamu:

* André Araújo, presidente da Shell no Brasil

*Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais da Shell

*Tiago de Moraes Vicente, Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da Shell

*André Clark, presidente da Siemens no Brasil

* Wagner Lotito, vice-presidente de Comunicação e Relações Institucionais da Siemens na América Latina

* Victor Bicca, diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola Brasil

*Camila Amaral, diretora jurídica da Coca-Cola Femsa

*Júlia Ivantes e Delcio Sandi, Relações Institucionais da Souza Cruz

*Camila Tápias, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Vivo

* Marcello D’Angelo,  representante da Estre Ambiental

Resultado:

Shell, 3

Siemens, 2

Coca-Cola, 2

Souza Cruz, 2

Vivo, 1

Estre Ambiental, 1

Além do provável  encanto do Poder360 pelo setor petrolífero, o placar acima evidencia também seu interesse especial pela Shell.


Pautar o assunto em função de um caso específico seria “apequenar o Supremo”, ela disse.

Uma afirmação sinfônica para os ouvidos dos três executivos da Shell, uma vez que Lula, caso eleito em 2018, já se comprometeu a anular a MP 795/2017, conhecida como a MP da Shell, profundamente lesiva ao Brasil.  Ela vai beneficiar não só a Shell mas todas as petroleiras estrangeiras. 

Mas, uma coisa é certa: a Shell foi flagrantemente privilegiada pelos organizadores do evento.

1) Tinha maior número de executivos no jantar.

2) O seu presidente foi estrategicamente posicionado à mesa. Ao lado esquerdo, era o mais próximo da presidente do STF, Cármen Lúcia.

Sua imagem está circundada por laranja. Do mesmo lado, também marcado de laranja, quatro cadeiras atrás, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais da Shell.

À direita, na mesma posição que André Araújo, da Shell , estava André Clark, circundado de azul que assumiu a presidência da Siemens do Brasil, em novembro de 2017.

Diga-se de passagem, Clark bisou no jantar-evento do Poder360. Ele participou também do rega-bofe que teve como convidado Pedro Parente.

Na ocasião, era presidente da unidade da espanhola Acciona para Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai.

O fato é que os executivos da Shell, especialmente o seu presidente no Brasil, estavam feitos pinto no lixo, de tão felizes.

Para vocês mesmos avaliarem, pesquisamos as imagens dos três executivos da Shell na internet. Depois, comparamos com as imagens do jantar.

Como os participantes não estão identificados nas fotos publicadas do jantar do Poder360, virou uma caçada estilo Wally descobrir quem são os três executivos da Shell.

Para facilitar, fizemos um círculo em volta na cor laranja. As fotos, de Sérgio Lima, fazem parte de um conjunto de 20 imagens de divulgação do evento. Acompanhe-nos.

Onde Cármen Lúcia estava, o presidente da Shell, André Araújo, estava por perto, sempre risonho

André Araújo, presidente da Shell, estrategicamente posicionado à mesa. Ao lado esquerdo, era o mais próximo da presidente do STF, Cármen Lúcia. Quatro cadeiras depois, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais 

Os três Wally da Shell sentaram-se do lado esquerdo da mesa. De trás para frente, Tiago de Moraes Vicente (Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios), Flávio Ofugi Rodrigues (chefe de Relações Governamentais) e André Araújo (presidente)

Em primeiro plano, Tiago de Moraes Vicente, seguido de Flávio Ofugi Rodrigues 

O presidente da Shell, André Araújo, era o próprio pinto no lixo de tal feliz com a fala da ministra Cármen Lúcia

A ação dos três no jantar seria lobby descarado, como o feito, em março de 2017, pelo ministro do Comércio Exterior do Reino Unido, Greg Hands, junto ao governo brasileiro, que beneficiou a própria Shell e as demais petroleiras estrangeiras?

Relembrando: de acordo com telegrama obtido pelo Greenpeace, cujo conteúdo foi publicado pelo diário britânico Guardian, Hands esteve no Rio, Belo Horizonte e São Paulo. Ele se encontrou com Paulo Pedrosa, do Ministério das Minas e Energia, fazendo lobby para reduzir os impostos e as licenças ambientais das petroleiras britânicas Shell e BP.

Menos de seis meses depois, o governo Temer deu R$ 1 trilhão em isenções fiscais às empresas de petróleo durante os próximos 23 anos. A Folha gritou fake news e tentou desqualificar o cálculo, mas Carlos Rittl, do Observatório do Clima, observou no próprio diário conservador paulistano que é um absurdo fazer tal concessão ao mesmo tempo em que se prioriza cortar a aposentadoria dos brasileiros.

Dois meses depois, Shell e BP, empresas em nome das quais o ministro britânico fez lobby, dominaram os leilões para exploração do pré-sal.

Com esse histórico, faria sentido a presidente do Supremo Tribunal Federal escolher justamente um jantar com a presença de executivos da Shell para dar uma estocada em Lula, que promete acabar com o bem-bom da petroleira no principal ativo dos brasileiros, o pré-sal?

Na maioria dos países da Europa Ocidental, onde a magistratura é toda de carreira, certamente seria algo absolutamente escandaloso Cármen Lúcia participar desse tipo de evento e mandar recado a um ex-presidente da República.

Na Inglaterra seria inimaginável um Law Lord, ou seja, um dos integrantes da mais alta corte do Reino Unido (desde 2005, Supreme Court of the United Kingdom)  fazer o que a presidente do Supremo brasileiro fez.

Aqui, pode não ser ilegal, mas não há a menor dúvida de que é contra as regras da moralidade e da ética.

Encontros como esse colocam Cármen Lúcia sob suspeição para julgar ações envolvendo não apenas a Petrobrás e as petroleiras estrangeiras, mas todas as empresas com interesses bilionários no STF. Ou não?

Com a palavra os leitores do Viomundo.

PS do Viomundo: Após a matéria ser publicada, conversei com Paulo César Ribeiro Lima, que foi quem estimou as perdas de arrecadação decorrentes da MP 795/2017 (nota técnica, na íntegra abaixo) em R$ 1 trilhão.


Paulo César observa:”A potencial renúncia fiscal de R$ 1 trilhão é para uma produção de 40 bilhões de barris. Estimo que serão produzidos em cerca de 25 a 30 anos”.



Conceição Lemes
No Viomundo
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