9 de fev de 2018

Nota do PT: “Moro desafia a Justiça e a lei mais uma vez”

Presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, rechaça mais uma arbitrariedade de Moro: a prisão de Luiz Eduardo Silva, irmão de Zé Dirceu


A prisão de Luiz Eduardo Silva, irmão do companheiro José Dirceu, é mais um ato de violência cometido pelo juiz Sergio Moro. Além de não haver nenhum motivo razoável para prender quem é réu primário, com trabalho, família e residência fixa, o decreto de prisão foi sigiloso, ocultado até dos advogados; uma prisão clandestina, como se fazia nos tempos da ditadura.

Os métodos arbitrários, ilegais e violentos de Sérgio Moro são bastante conhecidos, mas agora ele está claramente desafiando as instâncias superiores do Judiciário, que não podem mais se omitir diante dessas provocações.

Nossa solidariedade ao companheiro Dirceu e sua família.

Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do PT
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Documentos apresentados por Tacla Durán indicam que Lava Jato plantou provas


O advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços para a Odebrecht e denunciou a indústria da delação premiada na Lava Jato, entregou uma série de documentos para a CPMI da JBS, mas o relatório do deputado Carlos Marun, aprovado em dezembro, deixou de observar que esses papéis, periciados na Espanha, contêm pelo menos um indício de fraude na investigação do Ministério Público Federal.

Grande parte das acusações dos procuradores se baseia nos documentos encontrados nos sistemas Drousys e My Web Day mantidos em servidores da Suíça e Suécia até julho de 2016, quando o acesso foi bloqueado por ordem de autoridades suíças.

O Drousys era o sistema criptografado que a Odebrecht usava para transmissão de dados e comunicação. Já o My Web Day era a contabilidade real da empresa, com transações oficiais (legais) e não oficiais (ilegais), como propina. Desde que o acesso foi bloqueado, nenhum dado pode ser inserido ou alterado.

O Meinl Bank Antígua, que fazia as operações ilegais da Odebrecht, usava os mesmos sistemas e, igualmente, teve o acesso bloqueado depois da decisão das autoridades suíças. O bloqueio do acesso foi formalmente comunicado à Lava Jato pelo proprietário da DraftSystem, que administrava o sistema mediante contrato com a Odebrecht e o Meinl Bank.

Na verdade, Odebrecht, Meinl Bank e  DraftSystem eram tentáculos de uma única organização. Luiz Eduardo da Rocha Soares, diretor da Odebrecht, era controlador do Meinl Bank e seu irmão, Paulo Sérgio da Rocha Soares, responsável pela empresa que administrava os sistemas de informação, a DraftSystem.

Se o Drousys e My Web Day foram bloqueados em julho de 2016, como se explica que uma prova apresentada na denúncia contra Michel Temer tenha sido obtida do Drousys com a data de 16 de agosto de 2017? Das duas, uma: ou o sistema continuou funcionando, ou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mentiu na denúncia, com a apresentação de uma prova forjada.

Importante abrir parêntesis: se Janot, chefe do Ministério Público, apresentou prova plantada contra um ocupante da Presidência da República, imagine-se o que instituição seria capaz de fazer contra quem já não está mais no cargo, caso do ex-presidente Lula. Fecha parêntesis.

Há indícios de que os sistemas foram alterados antes mesmo do bloqueio aos sistemas, para impedir o rastreamento do dinheiro. Mas este é outro capítulo da história.

Agora, para eliminar qualquer dúvida sobre as acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal, o mais importante é a conclusão da perícia solicitada pelo juiz Sergio Moro nos sistemas. Os advogados de Lula queriam acesso aos dados entregues pelas autoridades suíças para saber se houve adulteração nos registros. Moro negou esse pedido, mas mandou realizar a perícia.

Essa perícia, a cargo da Polícia Federal, deveria ser concluída em novembro, mas teve o resultado sucessivamente adiado. Até agora, não há no processo que investiga a negociação para a compra de um terreno supostamente destinado ao Instituto Lula nenhum resultado de perícia.

Caso se conclua que não houve adulteração nas cópias dos sistemas entregues pelas autoridades suíças, a situação de Rodrigo Janot ficará complicada. Ele apresentou prova forjada? Só no caso de Temer ou nas demais investigações da Lava Jato?

Cada vez mais fica evidente que, para o bem da Justiça, a verdadeira Justiça, seria necessário tomar o depoimento de Rodrigo Tacla Durán, que mandou fazer a perícia na Espanha nos documentos que apresentou para demonstrar que a Lava Jato tem mais furos do que queijo suíço.

O que o antigo advogado da Odebrecht tem em seus arquivos não bate com o que o Ministério Público Federal apresenta como prova na Justiça. As fontes são as mesmas, mas os documentos apresentados são diferentes. Alguém está mentindo e, no caso do Ministério Público Federal, mentiras desse tipo devem ser punidas com prisão.

Mas, no Brasil, quem investiga os investigadores?


Documentado apresentado pelo responsável pelos sistemas da Oderecht: nenhum acesso depois de julho de 2017


Janot apresenta extrato bancário de julho de agosto de 2017, extraído de um sistema bloqueado em julho de 2016: a prova é falsa?

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bolsonaro diz que não tem foro privilegiado e que usa menos benefícios. Será?


Nesta semana, o deputado federal e pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (ainda na lista de filiados do PSC-RJ no TSE, apesar de já ter anunciado a ida para o PSL) deu entrevistas à rádio Jovem Pan, à jornalista Leda Nagle, ao site O Antagonista, a jornalistas asiáticos e a um canal do Youtube. Nelas, falou sobre seus gastos na Câmara e citou dados sobre política e segurança pública. A Lupa checou algumas de suas frases. Veja o resultado a seguir:

“Eu não tenho [foro privilegiado]” Deputado Federal Jair Bolsonaro em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 5 de fevereiro

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O foro especial por prerrogativa de função, conhecido popularmente como foro privilegiado, está previsto na Constituição Federal e vale para todos os deputados e senadores em exercício de mandato, de acordo com o artigo 53. O parágrafo 1º, por exemplo, estabelece o seguinte: “deputados e senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal”. No 2º, determina que nenhum deputado ou senador pode ser preso em flagrante, salvo em caso de crimes inafiançáveis.

Há iniciativas para mudar isso. No ano passado, o Senado aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir o foro privilegiado para crimes comuns. A proposta foi remetida à Câmara, onde aguarda a formação de uma comissão especial para ser discutida.

No Supremo Tribunal Federal (STF), um processo sobre o mesmo tema também está parado. O ministro Dias Toffoli pediu vista na última vez que a Corte analisou a questão e não há previsão de nova data para a continuação do julgamento.

Procurada, a assessoria de Bolsonaro disse que o foro privilegiado serve para casos ocorridos dentro da Câmara e que “os outros (deputados) têm mais mordomia” do que ele, sem explicitar quais seriam.



“Todo mundo que recebe o Bolsa Família é tido como empregado” Deputado Federal Jair Bolsonaro em entrevista ao site O Antagonista no dia 7 de fevereiro

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O IBGE, órgão que realiza as principais pesquisas sobre emprego no país, informa que quem recebe o Bolsa Família não é considerado empregado. O benefício é tido como “fonte de renda” – não um emprego. No início deste ano, o Bolsa Família foi revisado e, agora, rende uma média de R$ 178,45, cerca de 20% do salário mínimo, de R$ 954,00.

Procurada, a assessoria de Bolsonaro disse que pesquisas feitas sobre o Bolsa Família consideram que quem recebe o benefício não está desempregado, mas não especificou a que pesquisas se referia.



“Eu sou o que menos dou despesa [com auxílio moradia]”
Deputado Federal Jair Bolsonaro em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 5 de fevereiro

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Jair Bolsonaro está na lista dos 75 deputados que recebem da Câmara um auxílio-moradia em espécie. A Casa não informa quanto pagou individualmente. Divulga apenas uma média mensal gasta com cada deputado desse grupo. Em 2017, foi de R$ 4.155,80.


No sistema de reembolso, o parlamentar paga a despesa com seu próprio dinheiro e recebe o valor posteriormente. Em 2017, a média de reembolso também foi de R$ 4.155,80. Há nesse grupo 73 parlamentares.

Com os deputados que ocupam imóvel funcional, a Câmara calcula um gasto mensal individual inferior ao dos grupos anteriores: de R$ 3.624. Esse valor corresponde a uma média de gastos que a Casa tem para manter cada um dos imóveis. Atualmente, há 335 deputados e oito ministros (licenciados de mandato) ocupando imóveis funcionais. O presidente da Casa também mora em residência oficial, bancada pela Câmara.

Assim sendo, um deputado hospedado num imóvel funcional custa, em média, menos do que aquele que recebe reembolso ou auxílio-moradia em espécie, como é o caso de Bolsonaro. Ainda há deputados que moram em casa própria e não requerem o auxílio.

Procurada, a assessoria do deputado afirmou que a Câmara tem um gasto mensal de cerca de R$ 6 mil para os deputados que usam imóveis funcionais, enquanto Bolsonaro recebe R$ 3,5 mil.



“Eu sou o que menos gasta [com passagem aérea]”
Deputado Federal Jair Bolsonaro em entrevista dada à Rádio Jovem Pan no dia 05/02/2018

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Jair Bolsonaro foi o 77º deputado que mais gastou com passagens aéreas em 2017. Recebeu R$ 5.210,82 de ressarcimento da Câmara. No ano passado, dos 513 deputados da Casa, 294 foram reembolsados por gastos com passagens aéreas. Os demais não solicitaram esse benefício.

Na atual legislatura, iniciada em 2015, 489 deputados receberam esse tipo de benefício. Bolsonaro foi o 148º que mais gastou no período, somando R$ 9 mil. Curiosamente, o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) foi o segundo que mais gastou: R$ 513,1 mil em três anos.

Procurado, o deputado não retornou.



“Leva o marginal para a audiência de custódia e, em 90%, dos casos [ele] é posto em liberdade”
Deputado Jair Bolsonaro em entrevista à jornalista Leda Nagle no dia 5 de fevereiro

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Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2017, 54% dos casos analisados em audiências de custódia tiveram prisão em flagrante convertida em preventiva (página 20), ou seja, a pessoa detida seguiu presa. Nos outros 46%, foi concedida liberdade, mas com o prosseguimento do processo pelo crime que motivou a prisão.

A pesquisa detalha ainda a cor da pele das pessoas que passaram por audiência de custódia e mostra que, entre os negros, somente 35,2% receberam liberdade provisória, enquanto 55,5% tiveram a prisão mantida. O quadro muda para pessoas brancas: 41% receberam liberdade provisória, e 49,4% continuaram presas.

Nas audiências de custódia, o crime que mais se observa é roubo (22,1%), seguido por tráfico (16,9%). A pesquisa mostra que 51% das pessoas que são levadas a essas audiências tinham antecedentes criminais. O estudo levou em conta 955 audiências de custódia realizadas no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, na Paraíba, em Tocantins, Santa Catarina e São Paulo.

Procurada, a assessoria do deputado afirmou que ele estava incomunicável, em Brasília, e que não poderia responder.



“Eu sou o parlamentar aqui que tem o maior volume de seguidores” Deputado Jair Bolsonaro em entrevista a jornalistas asiáticos em janeiro de 2018

 RECORTES-POSTS-VERDADEIRO 

No dia 8 de fevereiro de 2018, Bolsonaro contabilizava 5,2 milhões de seguidores no Facebook e, de fato, era o parlamentar com o maior volume de fãs nesta rede social. O segundo lugar era ocupado pelo deputado Marco Feliciano, com 4,4 milhões de seguidores.

Além disso, o deputado foi apontado como o político mais influente do Brasil em redes sociais em 2017 pelo ranking  FSB Influência Congresso, elaborado pela FSB Comunicação. Outro estudo, publicado pela plataforma de dados Zeeng em novembro de 2017, indicava que Bolsonaro era o presidenciável “com o maior ativo digital” do Brasil. Na época, o deputado tinha 4,7 milhões de seguidores no Facebook.



“Fui acusado de racista, e o STF arquivou o processo”
Deputado Jair Bolsonaro em entrevista ao canal Na Lata com Antonia Fontenele, do Youtube, em 29 de janeiro de 2018

 RECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MAS 

O Supremo Tribunal Federal arquivou, em maio de 2015, um processo aberto em 2013 no qual Bolsonaro era acusado de racismo contra a cantora Preta Gil. O caso ocorreu em uma entrevista concedida pelo parlamentar ao programa CQC, da Band. Nela, Preta perguntava como ele reagiria se um de seus filhos namorasse uma mulher negra, e ele respondia que não “discutiria promiscuidade”. Na época, o ministro Luís Roberto Barroso acolheu a recomendação da Procuradoria-Geral da República, que entendeu que não havia indícios suficientes para comprovar que Bolsonaro tinha cometido crime de racismo.

No entanto, o deputado foi condenado em outubro de 2017 em outro processo sob a mesma acusação, na 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em uma palestra, Bolsonaro teria dito o seguinte: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”. O deputado está recorrendo.

Natalia Leal, Nathália Afonso, Chico Marés
No Lupa
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Correntes de WhatsApp espalham informações falsas sobre febre amarela

Mensagens trazem dados errados ou exageros sobre os efeitos da vacina e a incidência da forma grave da doença


O surto de febre amarela no Brasil – que resultou em 81 mortes de 1º julho a 30 de janeiro, segundo dados do Ministério da Saúde – provocou pânico entre pessoas que ainda não tinham tomado a vacina. Em São Paulo, muita gente correu para os postos de saúde em busca da imunização, mesmo sem morar em áreas consideradas de risco para a doença. Ao mesmo tempo, uma enorme campanha de desinformação sobre a febre amarela circulou no aplicativo de mensagens WhatsApp.

O Truco ­­­– projeto de verificação de fatos da Agência Pública – checou trechos de duas das mensagens divulgadas pela rede. As correntes abordam diversos tópicos relacionados à febre amarela, que vão desde os efeitos colaterais da vacina até os supostos lucros de empresas farmacêuticas com a campanha. A análise das seis frases selecionadas mostrou que foram usados dados falsos ou exagerados nas afirmações. Veja, abaixo, o resultado.



“Se você não for alérgico, tome de 3 a 6 gotas de própolis por dia diluído em água ou suco. O própolis entra na corrente sanguínea e seu cheiro é expelido pelos poros, os mosquitos não suportam o cheiro e não picam.”

Falso 

Uma das correntes que viralizaram afirma que basta adicionar algumas gotas diárias de própolis em água ou suco para repelir a picada do mosquito transmissor da febre amarela. De acordo com a mensagem, o própolis entra na corrente sanguínea e seu cheiro é expelido pelos poros. Como os mosquitos não suportariam o cheiro, não picariam as pessoas protegidas. O Truco classificou a afirmação como falsa, porque não há estudos que comprovem que a substância funciona como repelente.

A reportagem entrou em contato com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituto de pesquisa e tratamento de doenças tropicais responsável pela produção das vacinas contra a febre amarela no Brasil. Em um comunicado oficial, o instituto reforça que “inseticidas naturais” não possuem aprovação pela Anvisa, e não existe nenhuma comprovação de eficácia de substâncias naturais como repelentes para mosquitos.

A médica Flávia Bravo, da Comissão de Revisão de Calendários e Consensos da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), endossa que não há nenhuma fundamentação científica que comprove a atuação do própolis como repelente.



“Estudei enfermagem há quase 20 anos e a literatura sempre falou que ‘a forma grave da febre amarela é raríssima.’”

Exagerado 

O porcentual de casos de febre amarela que evoluem para a forma grave não é alto, mas também não pode ser considerado como insignificante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% a 25% dos casos evoluem para a forma grave da doença. A pesquisa “Febre amarela”, de 2003, do pesquisador Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, estima que “90% dos casos de febre amarela com expressão clínica sejam das formas classificadas como leve e oligossintomática e somente 10% são das formas graves”. Embora a pesquisa seja antiga, os especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que essa porcentagem permanece atual.

Nas áreas endêmicas, a médica Flávia Bravo, da SBIm, afirma que a maioria da população é vacinada e, por isso, não é possível ter estudo científico conclusivo sobre o número de pessoas infectadas com a doença. “O que se calcula por dados históricos é que 90% das pessoas têm forma leve ou assintomática e não vão ter o quadro clássico. Não existem estudos robustos para afirmar se essa taxa se mantém na área urbana, mas a gente tem uma letalidade de 30% a 35% com relação aos que tem a forma grave”, diz.

O monitoramento sazonal da febre amarela do Ministério da Saúde registrou taxa de letalidade de 40,8% da doença entre julho de 2017 até janeiro de 2018. Dos 130 casos confirmados, 53 levaram a óbito. Entretanto, é importante ressaltar que a taxa de letalidade varia de acordo com o momento e tende a permanecer baixa.



“Percebem que, pela literatura, se geralmente quem contrai o vírus nem chega a apresentar sintomas e quem contrai torna-se imune permanentemente, é óbvio que um percentual enorme da população está nessa categoria!”

Falso 

A frase sugere que uma grande parcela da população brasileira é imune ao vírus da febre amarela por já ter contraído a doença anteriormente. Essa relação foi atribuída à literatura científica disponível atualmente, que mostraria que boa parte da população infectada não chega a apresentar sintomas. Especialistas da Fiocruz, da Universidade de São Paulo (USP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) afirmam que não há na literatura científica registros de que boa parte da população brasileira é imune ao vírus. A frase, portanto, é falsa.

O principal argumento dos especialistas para rebater a afirmação que circula no WhatsApp está na baixa presença do vírus em áreas de maior concentração populacional. “Essa afirmação não tem lógica porque a gente não tem febre amarela na forma urbana desde 1942, ou seja, o vírus não circula nas áreas urbanas. Se a população brasileira se concentra nas cidades, como teríamos uma grande parcela da população imune por já ter contraído a doença?”, questiona a médica pediatra Flávia Bravo, da SBIm. “Não tem nenhum estudo que comprove essa afirmação. É uma irresponsabilidade falar uma coisa dessas. A gente sabe que a maioria das pessoas é assintomática, de fato. Mas a febre amarela que temos hoje é silvestre e tem pouca gente ali. Não tem como criar uma grande população imune dessa forma.”

Especialistas do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fiocruz, órgão do governo responsável pela produção das vacinas de febre amarela no Brasil, também rebatem a alegação de que boa parte da população já está imune à febre amarela. “Nos lugares onde tem acontecido casos, não é verdade que a maioria das pessoas já foi infectada”, explicaram os técnicos, em nota. A organização confirma que as pessoas que já contraíram a doença tornam-se imunes ao vírus, porém endossa que a população que teria mais potencial para se tornar resistente vive em regiões endêmicas de febre amarela silvestre, onde a densidade populacional é menor.

A mesma linha de raciocínio é seguida por Paulo Brandão, veterinário e epidemiólogo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. “Se houvesse exposição ao vírus em uma frequência tão grande que pudéssemos ter uma comunidade populacional imune relevante, teríamos casos de pessoas doentes em diversas regiões consideradas não endêmicas. Isso não aconteceu porque o vírus simplesmente não estava circulando nessas áreas para gerar imunidade”, explica.



“Na bula da vacina contra febre amarela constam como reações e danos colaterais: MENINGITE, SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ, ENCEFALOPATIA”

Exagerado 

A mensagem que circula pelo WhatsApp alerta a população para supostos efeitos colaterais da vacina contra a febre amarela. No entanto, das três condições listadas, apenas uma aparece na bula da vacina, como um efeito adverso muito raro e que ocorre em menos de 0,01% dos pacientes que utilizam este medicamento. Trata-se da encefalopatia, termo genérico utilizado para descrever qualquer tipo de doença neurológica que altera o funcionamento ou a estrutura do cérebro. A meningite e a síndrome de Guillain-Barré não constam na bula do medicamento produzido no Brasil. Por isso, a frase é classificada como exagerada.

A corrente traz um link inativo do site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que não encaminha para nenhum site. Em vez disso, o Truco consultou, na página oficial da Anvisa, a versão original da bula da vacina da febre amarela produzida por Bio-Manguinhos e utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o fabricante, a vacina da febre amarela é raramente associada a eventos adversos graves. “Os sintomas gerais relatados do 3º ao 10º dia são leves e desaparecem espontaneamente”, atesta a bula. Os efeitos colaterais são divididos em três categorias: comuns, muito comuns e muito raros.

Os comuns são dor, vermelhidão local, febre e náuseas e ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento. Os muitos comuns são dor de cabeça e dores no corpo, presentes, respectivamente, em 35% e 18% dos imunizados.

Já os efeitos muito raros ocorrem em menos de 0,01% dos pacientes e são mais complexos. Reações de hipersensibilidade, produzidas pelo sistema imune normal quando o organismo rejeita a vacina, ocorrem em 0,0009% dos casos. Reações anafiláticas, ou seja, reações alérgicas graves, ocorrem em 0,000023% dos imunizados. A disseminação do vírus, ou seja, a ocorrência da doença febre amarela como reação à vacina, acontece em 0,0003% dos casos para pacientes com menos de 60 anos e em 0,001% para pacientes com mais de 60 anos de idade.

A única reação adversa listada na bula que pode ser relacionada a uma das doenças descritas na corrente de WhatsApp é a ocorrência de doença neurológica, ou encefalopatia. No entanto, trata-se de um efeito colateral extremamente raro, que ocorre em cerca de 0,0004% dos vacinados.

De acordo com a médica Flávia Bravo, da SBIm, as patologias indicadas na mensagem não constam na bula da vacina de febre amarela porque não ficou comprovado, nos estudos científicos, uma conexão direta com as imunizações. “São raros os casos em que a Síndrome de Guillain-Barré ocorreu dias ou semanas após a aplicação de vacinas como as que previnem tétano e gripe. Desde 1976, muitos estudos estão sendo realizados, mas até hoje não foi estabelecida relação de causa entre a síndrome e as vacinas, apenas coincidência temporal entre a vacinação e o posterior aparecimento de sintomas”, explica a médica.

“O que se sabe de fato é que a chance de uma pessoa desenvolver Guillain-Barré em decorrência da infecção pelo vírus da gripe, por exemplo, é muito maior do que pela vacina que protege da doença”, explica a médica. Ela destaca ainda que essa relação com a síndrome e a imunização foi observada em vacinas contra outras doenças, não especificamente da febre amarela. “Não é algo específico dessa vacina. Os estudos mais conclusivos que estabelecem algumas conexões foram focados em outras, especialmente a da gripe.”

Em relação às encefalopatias, ela explica que se trata de um efeito com baixa taxa de mortalidade. “Normalmente acontecem em crianças na primeira dose e sem repercussão, ou seja, não levam a morte”, explica. A meningite, segundo ela, poderia ser classificada como uma encefalopatia, já que afeta as meninges, sistema de membranas que reveste o cérebro e a medula espinhal.

A Fiocruz alerta que a ocorrência desses efeitos colaterais não altera as recomendações de vacinação para as áreas selecionadas pelo Ministério da Saúde. “Essas síndromes podem ocorrer em diversas situações, em geral estão associadas a infecções sistêmicas ou virais e também às vacinas. Trata-se de eventos raros e não devem servir de argumento para as pessoas deixarem de se vacinar”, diz a organização.



“Eu tenho certeza absoluta que tudo está sendo manipulado para criar o medo na população, assim como fizeram em 2009 com a tal gripe suína que ninguém nunca mais ouviu falar, e uma vez criado o medo, levarem todos a se submeter a mais uma vacina QUE CONTÉM UM PERCENTUAL ABSURDO DE MERCÚRIO, um dos metais mais tóxicos que existem.”

Falso 

A vacina de febre amarela produzida pelo Bio-Manguinhos não contém mercúrio em sua composição. Em nota enviada à reportagem, a fundação esclarece que o processo de produção da vacina de febre amarela também não envolve nenhuma substância com mercúrio. A frase é falsa.

Distribuída para os postos de saúde de todo o Brasil, a vacina do Bio-Manguinhos é produzida sem adição de mercúrio, um componente usado em diversas vacinas para evitar que elas sejam contaminada por fungos ou bactérias. A fabricação é feita a partir de um vírus atenuado que é introduzido em ovos de galinha, onde o vírus se multiplica. A única granja certificada para a produção desses ovos, que passam por um rigoroso controle sanitário, fica em Uberlândia, Minas Gerais. Depois de incubados nos ovos, os embriões contendo os vírus multiplicados são triturados para produzir a suspensão viral, que, depois de testada e estabilizada, já está pronta para ser envasada.

A presença de mercúrio em vacinas é frequentemente apontada como um fator de risco à segurança da imunização, principalmente em grupos de Facebook e mensagens de WhatsApp. No entanto, pesquisas endossadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) atestam que o uso de mercúrio é seguro nas doses recomendadas pela entidade. A OMS alega ainda que as vacinas que contêm essa substância não aumentam a quantidade de mercúrio no organismo, pois este é expelido rapidamente e não se acumula nos tecidos.

A demonização da presença de mercúrio em vacinas teve origem em uma pesquisa publicada pela revista científica The Lancet em 1998, como relembra a pediatra Flávia Bravo. “O estudo do médico inglês Andrew Wakefield relacionava a presença de mercúrio nas vacinas, especificamente na vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, a um aumento na incidência de autismo em crianças”, explica. A publicação, que levou à queda nos índices de vacinação na Inglaterra na época, é citada até hoje em grupos de pais contrários às imunizações em todo o mundo. No entanto, diversos estudos posteriores, como o publicado pelo Journal of the American Medical Association, demonstraram que não há relação entre o autismo e a vacinação. Além disso, uma investigação jornalística do jornal Sunday Times mostrou que boa parte das pesquisas de Wakefield eram financiadas por advogados de pais que processaram fabricantes de vacina por danos à saúde das crianças. Por conta da polêmica, a revista Lancet publicou uma retratação e o médico foi descredenciado pelo Conselho Geral de Medicina Britânico.

Diante da queda nos índices de imunização que sucedeu a publicação do estudo de Wakefield, a OMS publicou diversos relatórios sobre a segurança do uso de mercúrio em vacinas. A organização cita como fontes entidades como a Academia Norte Americana de Pediatras, o Comitê Britânico para Segurança na Medicina e a Agência Europeia de Medicamentos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também reforça que a presença de mercúrio em vacinas não é prejudicial à saúde. “O timerosal é um composto contendo mercúrio que impede o crescimento de bactérias e fungos. É utilizado como um conservante em vacinas para mantê-las livres de contaminação. Até o momento não foi relacionado nenhum prejuízo à saúde com seu uso e, em relação à associação de timerosal com autismo, não há estudos científicos respeitáveis que tenham encontrado essa associação”, afirma, em nota, a instituição.



“Está acontecendo uma campanha massiva no Brasil, pois o governo está com estoque alto e não quer ter prejuízo se a validade vencer. (…) Também tem os lucros obtidos da BigPharma se bater a meta.”

Falso 

Estoques altos e lucros de empresas farmacêuticas seriam, de acordo com a corrente de WhatsApp, a verdadeira motivação para a campanha de vacinação contra a febre amarela que o governo federal está empreendendo desde 25 de janeiro. A afirmação, no entanto, é falsa, porque as vacinas aplicadas pelo SUS provêm de uma instituição pública, e não de uma indústria farmacêutica particular. Portanto, a produção de doses de vacina contra a febre amarela não garante lucros para empresas privadas caso supostas metas sejam atingidas, como alega a corrente. Além disso, a mensagem também erra ao afirmar que o governo federal possui estoques altos da vacina. Na verdade, a dificuldade em produzir doses suficientes em um curto espaço de tempo obrigou o governo a fracionar as vacinas para atender a crescente demanda.

Todas as doses distribuídas pelo SUS são produzidas pela Fiocruz. A fundação, por meio do Bio-Manguinhos, é a única produtora nacional da vacina de febre amarela, além de ser a maior do mundo. Apenas em 2017, foram entregues 64 milhões de doses. Além do Bio-Manguinhos, existem mais três fabricantes no mundo certificados pela OMS: Sanofi Pasteur (França), Institut Pasteur (Senegal) e Centro Federal Chumakov (Rússia).

Os supostos lucros da Big Pharma não têm relação com a campanha de vacinação do governo federal, portanto, já que a única fabricante fornecedora de vacinas para o SUS é uma instituição pública. O termo Big Pharma, na verdade, não se refere a nenhuma indústria farmacêutica específica, segundo o professor Paulo Brandão, da FMVZ-USP. “Big Pharma é um conceito que engloba todas as indústrias privadas de farmacêuticos. A Big Pharma não é uma outra companhia só, é o conjunto das empresas, um termo usado principalmente em inglês”, explica. “Não tem nada de Big Pharma envolvida nesse caso porque não é uma companhia privada a produtora da vacina de febre amarela, é uma companhia pública.”

Flávia Bravo, da SBIm, acrescenta que a vacina da febre amarela não é um produto especialmente lucrativo para a indústria farmacêutica. “A Sanofi Pasteur, por exemplo, produz doses para o mundo inteiro e as oferece a custo muito baixo para países na África. Ela já vendeu para o Brasil no passado, em outros momentos de surto, também a preços acessíveis determinados pela própria OMS”, relembra.

Outro argumento da corrente, de que o governo brasileiro teria estoques excessivamente altos da vacina, também é falso. Para suprir a demanda interna, o Bio-Manguinhos anunciou a suspensão de todas as exportações e está trabalhando para adiantar a produção das doses, cujo processo de fabricação é longo e complexo.

Em entrevista publicada no site do Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma, diretor da entidade, admite que a capacidade de produção da vacina está no limite. “Tem solicitação de fora, temos pedidos das Nações Unidas para exportar, mas a gente não se comprometeu ainda porque não sabemos se teremos capacidade. Se tiver capacidade de aumentar, seria para o Brasil”, afirma.

Especialista em imunizações da Fiocruz, Luiz Antonio Bastos Camacho é um dos responsáveis pelo estudo que resultou no fracionamento da vacina de febre amarela. Em texto publicado no portal da instituição, Camacho explica que uma das razões para fracionar as doses é uma grande demanda concentrada. “Desta forma, por maior que seja a produção do Bio-Manguinhos, a demanda concentrada no tempo e no espaço nos força a lidar com um número de doses disponível, e com o estoque estratégico que precisamos ter num curto espaço de tempo. Isso nos força a fracionar”, afirma o pesquisador.

Correntes que checamos sobre a febre amarela



Caroline Ferrari, Patrícia Figueiredo
No A Pública
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Porta dos Fundos pode manter vídeo “O céu católico” no ar

Vídeo ironiza os critérios de Deus para escolher quem vai para o paraíso ou para o inferno.


O desembargador Lindolpho Marinho, da 16ª câmara Cível do TJ/RJ, negou um recurso da associação católica Dom Bosco de Fé e Cultura, que processa o Porta dos Fundos por causa de um vídeo publicado no seu canal no Youtube.

Trata-se do vídeo “O céu católico”, que ironiza os critérios de Deus para escolher quem vai para o paraíso ou para o inferno. A enquete apresenta um diálogo entre um homem, recém-chegado ao céu, “Deus” e Adolph Hitler.

No diálogo, “Deus” justifica a presença de Hitler no céu, em razão do mesmo ter pedido perdão de seus pecados antes da sua morte; em contrapartida, pessoas que cometeram atos de menor gravidade estariam no inferno.

Como o desembargador manteve a decisão de primeira instância que não aceitou a retirada da publicação do ar, o vídeo continua disponível no Youtube.

Processo: 0155164-57.2017.8.19.0001



No Migalhas
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Xavier: Fux e Gilmar dançam conforme o réu​


Só no desmoralizado sistema judiciário brasileiro uma criatura como Luiz Fux pode pontificar como “juiz” da suposta mais alta corte do país. Fux é uma daquelas aberrações próprias de um ambiente apodrecido pela combinação de uma elite primitiva, capitalismo selvagem e uma mídia infame.

Conhecido como o Zé bonitinho da escolinha da professora Cármen Lúcia, que alguns chamam de supremo, Fux nunca produziu uma contribuição digna de nota ao Direito ou à literatura jurídica. Mas o que falta nesse campo, transborda no terreno das vulgaridades arrivistas.

Tal “juiz” ficou conhecido pela desenvoltura calhorda para cavar sua nomeação. Prometeu ao então ministro José Dirceu que ia “matar no peito” decisões incômodas ao governo da ocasião. Mais tarde, diz-se, chegou a beijar os pés da mulher do então governador Sérgio Cabral para agradecer o apoio à sua indicação. Fez campanha aberta e ofereceu favores para alçar sua filha ao cargo de desembargadora no Rio. Isso é o que veio a público. Imagine-se o que mais não ocorreu nos bastidores além de genuflexões e pés beijados.

No campo jurídico, a façanha mais comentada de Fux atualmente é a liminar do auxílio- moradia. Ocioso se estender demais sobre o caráter sem-vergonha, imoral e furtivo da medida. O esbulho de Fux favorece a filha que tem dois imóveis numa das regiões mais valorizadas, senão a mais valorizada, do Brasil: o Leblon do Rio. Libera a prebenda a “magistrados” proprietários de 60 imóveis. Fosse o Brasil um lugar minimamente justo, a Fux seria imputado crime de responsabilidade e decidido seu afastamento sumário de qualquer função judicial. Mas não. Colunistas mervalianos e gasparistas, a grande mídia e “juristas” de aluguel celebram a excrescência. Afinal, Fux é contra Lula. O resto não vem ao caso.

Foi o que ele provou com todas as letras ao assumir a presidência do dito tribunal eleitoral. A lei sou eu, decretou o cabeleira em seu discurso de posse. Lula não vai ser candidato de jeito nenhum. Confiem em mim, barões do dinheiro grosso, imprensa golpista, multinacionais abutres e calhordas que se aboletam no Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios e palácio do Jaburu.

A lei, ora a lei. Vale a pena relembrar, contudo, episódio recente a demonstrar o papel indecente e parcial de Fux nesta empreitada. Nas eleições de 2014, havia um candidato a deputado federal condenado em segunda instância pela roubalheira em obras de São Paulo. O cidadão chegou a ser impugnado pelo tribunal regional eleitoral e mesmo pelo superior. Graças aos recursos a mão, o candidato mesmo assim teve o nome estampado na urna eletrônica. Recebeu 250 mil votos. Como estava impugnado, os votos num primeiro momento foram desconsiderados.

Eis que Paulo Maluf — este era o tal candidato — recorreu até o fim e o tribunal superior mudou de lado. Claro, adivinhem quem articulou a mudança: ele mesmo, Gilmar Mendes, ao lado de seu aluno mais aplicado, José Toffoli. A alegação: o crime de Maluf não era doloso, e a ficha limpa só vale para crimes dolosos. Conseguiram provar que Maluf não teve intenção de roubar, risos à parte.

Tem-se então a seguinte situação: Paulo Maluf, um ladrão de carteirinha, recuperou seus votos e assumiu o mandato. Tudo dentro da lei vigente. Agora, para Lula, a conversa é outra. A lei mudou? Não. Mudou o réu.

A qualquer um com alguma honestidade salta à luz o esbulho em andamento. Enquanto as provas contra Maluf eram e sempre foram abundantes — hoje ele está preso, embora de forma cenográfica e hipócrita, pois quando estava na ativa ninguém o incomodava, mas isto é outra história —, enquanto Maluf se beneficiou da lei corrente, agora querem fechar as portas para Lula ao arrepio desta mesma lei. Com uma agravante decisiva: contra Lula não há provas, fato extensamente demonstrado por juristas nacionais e internacionais insuspeitos e endossado pela esmagadora maioria da população ouvida em pesquisas. O importante é que, mesmo considerando o cartel golpista do TRF-4, a legislação em vigor permite que Lula chegue à urna.

A defesa de eleições ​s​em fraude não pode se resumir aos tortuosos caminhos jurídicos. Mas não pode dispensá-los em nenhum instante. Não fosse pelo imperativo da luta política, até como forma de escancarar a falência deste judiciário que aí está. O caminho esboçado ​por Sepúlveda Pertence, de biografia não propriamente ilibada, equivale a uma rendição antecipada. Escambar a liberdade de Lula pela sua eliminação como figura política é uma falácia, é ceder à chantagem. Como se todos não soubessem que o que garante Lula fora da cadeia é sua atuação como o mais importante líder popular da história do Brasil. Pertence começou mal, para dizer o menos.

Joaquim Xavier, colUnista exclusivo do CAf
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Fux: ilegalidade à jato contra Lula e tartaruga no auxílio-moradia


Luiz Fux se jogou de corpo e alma na caçada à jato do ex-presidente Lula.

Ele imita os fascistas da Lava Jato – procuradores, policiais federais, Sérgio Moro e os verdugos do tribunal de exceção da Lava Jato [TRF4] – que praticam todo tipo de atropelos e ilegalidades para implodir rapidamente a candidatura do Lula.

Mal assumiu a presidência do TSE, no discurso de posse já saiu garganteando a “nova e célere” jurisprudência que pretende criar no tribunal eleitoral para detonar a candidatura do Lula.

Em evidente alusão ao líder absoluto de todas as pesquisas eleitorais, o recém-empossado presidente do TSE logo de largada declarou que “ficha suja é irregistrável”.

Fux, com isso, cometeu 2 pecados indesculpáveis: [i] deu por transitado em julgado um processo que, além de farsesco e manipulado, ainda se encontra em andamento, e [ii] prometeu impor uma restrição absoluta ao direito de registrar candidatura que só caberia na cabeça infame de um soberano totalitário ou de um agente de ditadura.

A pressa do Fux verificada na perseguição ao Lula contrasta, todavia, com a lerdeza de tartaruga no julgamento do obsceno auxílio-moradia para a aristocracia pornográfica do judiciário.

Vale lembrar que Fux sentou em cima do processo do auxílio-moradia mais de 4 anos. Com a lerdeza de tartaruga, ele trancou a votação sobre o assunto no STF, permitindo que mais de R$ 5 bilhões fossem embolsados pela casta aristocrática do judiciário no período – 5 vezes mais do dinheiro de corrupção que a Lava Jato propagandeia ter “recuperado” para a Petrobrás.

Um detalhe: na ausência de previsão legal e constitucional, o soberano Fux criou uma regra própria, e universalizou a concessão do escandaloso privilégio de R$ 4.300 mensal a todos os juízes.

Por decisão do soberano Fux, o privilégio passou a ser pago inclusive para aqueles juízes cônjuges de outros juízes, como também para aqueles juízes proprietários de 1 imóvel na cidade onde trabalham e residem e, assombro geral, também para aqueles juízes muito bem aquinhoados e excelentes gestores de carteira imobiliária, proprietários de mais de 60 imóveis na mesma cidade onde trabalham e residem.

O patético Fux agora quer andar à jato na perseguição ao Lula.

Jeferson Miola
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Não se engane: os militares brasileiros são TODOS de direita


Não se enganem.

Os militares brasileiros são TODOS de direita.


Toda a formação deles está estacionada na Guerra Fria e nas apostilas de guerra revolucionária da Escola Superior de Guerra.

Não importa que os governos do PT tenham tirado todos eles do abismo salarial, depois de 8 anos sem reajustes, nos governos do PSDB.

Nem que tenha sido viabilizada a compra de caças para a FAB, nem tirado do papel o submarino nuclear da Marinha.

A caserna brasileira ainda vive atolada no anticomunismo senil herdado da ditadura militar.

Os governos do PT também cometeram esse erro: não fizeram uma intervenção ostensiva nos currículos das escolas militares para modernizar o pensamento dos praças e oficiais das Forças Armadas.

O resultado é essa tropa potencial de bolsominions pronta para ser ativada.

Leandro Fortes
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O país destroçado e a alternativa


Para a grande economista, “nunca houve elite tão ruim” — nem na ditadura. Executivo e Congresso corromperam-se, economia foi capturada pelas finanças. Resta reinventar a política, a partir de propostas como a Renda Cidadã

por Maria da Conceição Tavares, na Insight Inteligência

Vivemos sob a penumbra da mais grave crise da história do Brasil, uma crise econômica, social e política. Enfrentamos um cenário que vai além da democracia interrompida. A meu ver, trata-se de uma democracia subtraída pela simbiose de interesses de uma classe política degradada e de uma elite egocêntrica, sem qualquer compromisso com um projeto de reconstrução nacional – o que, inclusive, praticamente aniquila qualquer possibilidade de pactação.

Hoje, citar um político de envergadura com notória capacidade de pensar o país é um exercício exaustivo. O Congresso é tenebroso. A maioria está lá sabe-se bem com que fins. O elenco de governadores é igualmente terrível. Não há um que se sobressaia. E não vou nem citar o caso do Rio porque aí é covardia. O “novo” na política, ou o que tem a petulância de se apresentar como tal, é João Doria, na verdade um representante da velha extrema direita.

A ditadura, a qual devemos repudiar por outros motivos, não era tão ordinária nesse sentido. Não sofríamos com essa escassez de quadros que vemos hoje. O mesmo se aplica a nossos dirigentes empresariais, terra da qual não se vê brotar uma liderança. A velha burguesia nacional foi aniquilada. Eu nunca vi uma elite tão ruim quanto esta aqui. E no meio dessa barafunda ainda temos a Lava Jato, uma operação que começou com os melhores propósitos e se tornou uma ação autoritária, arbitrária, que atenta contra as justiças democráticas, para não citar o rastro de desemprego que deixou em importantes setores da economia.

É de infernizar a paciência que a Lava Jato tenha se tornado símbolo da moralização. Mas por quê? Porque nada está funcionando. Ela é uma resposta à inação política. Conseguiram transformar a democracia em uma esbórnia, em que ninguém é responsável por nada. Não há lei ou preceitos do estado de direito que estejam salvaguardados. O futuro foi criminalizado.

Não estou dizendo que o cenário internacional seja um oásis. O resto do mundo não está nenhuma maravilha, a começar pelos Estados Unidos. Convenhamos, não é qualquer país que é capaz de produzir um Trump. Eles capricharam. Na Europa como um todo, a situação também é desoladora. E a China, bem a China é sempre uma incógnita… Mas, voltando ao nosso quintal, o centro medíocre se ampliou de uma maneira bárbara no Brasil. Não há produção de pensamento contra a mediocridade, de lado algum, nem da direita, nem da esquerda. Faltam causas, bandeiras, propósitos, falta até mesmo um slogan que cole a sociedade. O mais impressionante é que não estamos falando de um processo longo, de uma ou duas décadas, mas, sim, de um quadro de rápida deterioração em um espaço razoavelmente curto de tempo. Estou no Brasil desde 1954 e jamais vi tamanho estado de letargia. Na ditadura, havia protesto. Hoje, mal se ouve um sussurro.

Por outro lado, também não se acham soluções pela economia, notadamente o setor produtivo. A indústria brasileira “africanizou”, como há muito já previra o saudoso Arthur Candal. Rendemo-nos à financeirização, sem qualquer resistência. A ideia do Estado indutor do desenvolvimento foi finalmente ferida de morte pela religião de que o Estado mínimo nos levará a um estado de graça da economia. Puro dogma. Estamos destruindo as últimas forças motrizes do crescimento econômico e de intervenção inclusiva e igualitária no social.

Essa minha indignação, por vezes misturada a um indesejável, mas inevitável estado de pessimismo, poderia ser atribuída a minha velhice. Mas não acho que seja não. Estou velha há muito tempo. Luto para não me deixar levar pelo ceticismo. Não é simples pelo que está diante de meus olhos.

Lamento, mas não me dobro; sofro, mas não me entrego. Jamais fugi ao bom combate e não seria agora que iria fazê-lo. Há saídas para esse quadro de entropia nacional e estou convicta de que elas passam pelas novas gerações. Como diria Sartre, não podemos acabar com as ilusões da juventude. Pelo contrário temos de estimulá-las, incuti-las. Por ilusão, em um sentido não literal, entenda-se a capacidade de mirar novos cenários, a profissão de fé de que é possível, sim, interferir no status quo vigente, o forte desejo de mudança, associado ao frescor, ao ímpeto e ao poder de mobilização necessário para que ela ocorra. Só consigo enxergar alguma possibilidade de cura desse estado de astenia e de reordenação das bases democráticas a partir de uma maciça convocação e ação dos jovens.

Por mais íngreme que seja a caminhada, não vislumbro saídas que não pela própria sociedade, notadamente pelos nossos jovens. Não os jovens de cabeça feita, pré-moldada, como se fossem blocos de concreto empilhados por mãos alheias. Esses mal chegaram e já estão a um passo da senectude. Estou me referindo a uma juventude sem vícios, sem amarras, de mente aberta, capaz de se indignar e construir um saudável contraponto a essa torrente de reacionarismo que se espraia pelo país. Há que se começar o trabalho de sensibilização já, mas sabendo que o tempo de mudança serão décadas, sabe-se lá quantas gerações.

Não consigo vislumbrar outra possibilidade para sairmos dessa geleia geral, dessa ausência de movimentos de qualquer lado, qualquer origem, seja de natureza política, econômica, religiosa, senão por uma convocatória aos jovens. Até porque, se não for a juventude, vai se falar para quem? Para a oligarquia que está no poder? Para a burguesia cosmopolita – que foi a sobrou – com sua conveniente e perversa indiferença? Para uma elite intelectual rarefeita e um tanto quanto aparvalhada?

Ao mesmo tempo, qualquer projeto de costura dos tecidos do país passa obrigatoriamente pela restauração do Estado. É urgente um processo de rearrumação do aparelho público, de preenchimentos das graves lacunas pensantes. Nossa própria história nos reserva episódios didáticos, exemplos a serem revisitados. Na década de 30, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, guardadas as devidas proporções, também vivíamos uma dura crise.

Não íamos a lugar algum. Ainda assim, surgiram medidas de grande impacto para a modernização o Estado, como, por exemplo, a criação do Dasp – Departamento Administrativo do Serviço Público, comandado por Luis Simões Lopes.

Na esteira do Dasp, cabe lembrar, vieram os concursos públicos para cargos no governo federal, o primeiro estatuto dos funcionários públicos do Brasil, a fiscalização do Orçamento. Foi um soco no estômago do clientelismo e do patrimonialismo. O Dasp imprimiu um novo modus operandi de organização administrativa, com a centralização das reformas em ministérios e departamentos e a modernização do aparato administrativo. Diminuiu também a influência dos poderes e interesses locais. Isso para não falar do surgimento, nas fileiras do Departamento, de uma elite especializada que combinou altíssimo valor e conhecimento técnico ao comprometimento com uma visão reformista da gestão da coisa pública.

Faço esse pequeno passeio no tempo para reforçar que nunca fizemos nada sem o Estado. Não somos uma democracia espontânea. O fato é que hoje o nosso Estado está muito arrebentado. Dessa forma, é muito difícil fazer uma política social mais ativa. Não é só falta de dinheiro. O mais grave é a falta de capital humano. O que se assiste hoje é um projeto satânico de desconstrução do Estado, vide Eletrobras, Petrobras, BNDES…

RESTAURAÇÃO

O Estado sempre foi a nobreza do capital intelectual, da qualidade técnica, da capacidade de formular políticas públicas transformadoras. O que se fez no Brasil é assustador, uma calamidade. É necessário um profundo plano de reorganização do Estado até para que se possa fazer políticas sociais mais agudas. Chegamos, a meu ver, a um ponto de bifurcação da história: ou temos um movimento reformista ou uma revolução. A primeira via me soa mais eficiente e menos traumática. Ainda assim, reconheço, precisaremos de doses cavalares do medicamento para enfrentamos tão grave enfermidade. Os sintomas são de barbárie. Parece um fim de século, embora estejamos no raiar de um. Em uma comparação ligeira, lembra o começo do século XX. Os fatos levaram às duas Guerras Mundiais. Aliás, a guerra, ainda que indesejável, é uma maneira de sair do impasse.

Por isso, repito: precisamos de uma ação restauradora. O que temos hoje no Brasil não é uma feridinha à toa que possa ser tratada com um pouco de mertiolate ou coberta com um esparadrapo. O Estado e a sociedade brasileira estão em uma mesa de cirurgia. O corte é profundo, órgãos vitais foram atingidos, o sangramento é dramático. Este rissorgimento não deverá vir das urnas. Não vejo a eleição como um evento potencialmente restaurador, capaz de virar a página, de ser um marco da reconstrução.

Com o neoliberalismo não vamos a lugar algum. Sobretudo porque, repito: historicamente o Brasil nunca deu saltos se não com impulsos do próprio Estado. Esses últimos dois anos têm sido pavorosos, do ponto de vista econômico, social e político. Todas as reformas propostas são reacionárias, da trabalhista à previdenciária. Vivemos um momento de “acerto de contas” com Getúlio, com uma sanha inquisidora de direitos sem precedentes.

Trata-se de um ajuste feito em cima dos desfavorecidos, da renda do trabalho, da contribuição previdenciária, da mão de obra.

O Brasil virou uma economia de rentistas, o que eu mais temia. É necessário fazer uma eutanásia no rentismo, a forma mais eficaz e perversa de concentração de riquezas.

RENDA MÍNIMA

Causa-me espanto que nenhum dos principais candidatos à Presidência esteja tratando de uma questão visceral como a renda mínima, proposta que sempre teve no ex-senador Eduardo Suplicy o seu mais ferrenho defensor e propagandista no Brasil. Suplicy foi ridicularizado, espezinhado por muitos, chamado de um político de uma nota só. Não era, mas, ainda que fosse, seria uma nota que daria um novo tom à mais trágica de nossas sinfonias nacionais: a miséria e desigualdade.

Mais uma vez, estamos na contramão do mundo, ao menos do mundo que se deve almejar. Se, no Brasil, a renda mínima é apedrejada por muitos, mais e mais países centrais adotam a medida. No Canadá, a província de Ontário deu a partida no ano passado a um projeto piloto de renda mínima para todos os cidadãos, empregados ou não. A Finlândia foi pelo mesmo caminho e começou a testar um programa também em 2017. Ao que se sabe, cerca de dois mil finlandeses passaram a receber algo em torno de 500 euros por mês. Na Holanda, cerca de 300 moradores da região de Utrecht passaram a receber de 900 euros a 1,3 mil euros por mês. O nome do programa holandês é sugestivo: Weten Wat Werkt (“Saber o que funciona”). Funcionaria para o Brasil, tenho certeza.

O modelo encontrou acolhida até nos Estados Unidos. Desde a década de 80, o Alasca paga a cada um de seus 700 mil habitantes um rendimento mínimo chamado Alaska Permanent Fund Dividend. Os recursos vêm de um fundo de investimento lastreado nos royalties do petróleo. É bom que se diga que dois dos fundamentalistas do liberalismo, os economistas F. A. Hayek e Milton Friedman, eram defensores da renda básica e até disputavam a primazia pela paternidade da ideia. Friedman dizia que a medida substituiria outras ações assistencialistas dispersas.

No Brasil, o debate sobre a renda básica prima pela sua circularidade. O Bolsa-Família foi uma proxy de uma construção que não avançou. Segundo o FMI, a distribuição de 4,6% do PIB reduziria a pobreza brasileira em espetaculares 11%.

Essa é uma ideia que precisa ser resgatada, uma bandeira à espera de uma mão. Entre os candidatos à presidência, só consigo enxergar o Lula como alguém identificado com a proposta. Se bem que a coisa está tão ruim que, mesmo que ele possa se candidatar e seja eleito, teria enorme dificuldade de emplacar projetos realmente transformadores. O PT não tem força o suficiente; os outros partidos de esquerda não reagem.

Lula sempre foi um grande conciliador. Mas um conciliador perde o seu maior poder quando não há conflitos. E uma das raízes da nossa pasmaceira, desta letargia, é justamente a ausência de conflitos, de contrapontos. Não tem nada para conciliar. Mais do que conflitiva, a sociedade está anestesiada, quase em coma induzido. O que faz um pacificador quando não há o que pacificar?

No Outras Palavras
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Recibo atrás de recibo: Lava Jato – via Anta-gonista – confirma tudo o que antecipamos!


A “passação” de recibo não acaba mais lá em Curitiba. Devo confessar a vocês que não acompanho o que os lavajateiros fazem publicar no site “O Antagonista”. Não só pela toxicidade, mas principalmente pela falta de tempo para/ inconveniência de acompanhar o conteúdo – descontínuo – de um site que vive de (apenas) plantar “notinhas”.

Por isso, dependo sempre do aviso dos leitores sobre algo “relevante” (com sinal trocado) que os lavajateiros façam publicar por lá.

Vamos lá:
[“Exclusivo”? Oi?!

Vocês tem que assinar o Duplo Expresso urgente!

*

Notem como a tônica aqui – como na notinha do filho da Miriam Leitão – é insistir no confusionismo entre “MyWebDay” e “Drousys”.

Vai ser isso mesmo: eles não tem como liberar o “MyWebDay”, pelos motivos que já discutimos:

“Terror! – há provavelmente ali, no “MyWebDay”, tudo o que a Lava Jato sempre escondeu:

– A corrupção de, e.g., juízes, procuradores, Ministros do STF, do TCU, auditores da Receita, Conselheiros do CARF, donos de veículos da grande mídia (“lavajatófilos”), jornalistas plantadores de “notinhas” e… tucanos!

Possivelmente, com mais uma “cereja” (atômica?) sobre esse “bolo”:

– O (há tanto sonegado…) registro das instituições financeiras – ah-rá! – pelas quais toda essa dinheirama circulou!

(Ka-boooom!)
”]
O Antagonista apurou que a Polícia Federal entregará a Sergio Moro, no próximo dia 23, o laudo da perícia no sistema Drousys, usado pela Odebrecht para registrar a propina paga a centenas de políticos.
[“Apurou”?

Jura?

Voltando ao primário:

9/fev (data limite anterior) + 14 dias (duas semanas) = 23/fev!

Bingo!]
Os peritos vão entregar primeiramente o chamado “laudão” ou “laudo mãe”, que trará os critérios de consulta – repetindo modelo usado nas investigações do Banestado.
[“Repetindo o Banestado”?

Vocês resolveram ajudar o nosso lado?!

“Banestado”…

É aquela operação que não deu em nada?

E que, justamente por isso, é o maior esqueleto no armário de Sergio Moro e dos procuradores do Paraná?

(e também do TRF-4!)

*

Dica de leitura para vocês, Anta-gonistas:


#DarioMe$$er

*

“Laudão” é ótima!

Eufemismo para “declaração genérica, sem qualquer concretude, ditada apenas pelo imperativo de gerar manchetes de impacto”.

Mas…

– … com reduzida, i.e., tanto quanto possível, “exposição jurídica” dos “peritos” em virtude da fraude que ora são compelidos a produzir.

Uma coisa é dizer “O Drousys [e não o MyWebDay! haha] é um “Outlook/ Whatsapp” da Odebrecht… e o sistema (!) não apresenta sinal de manipulação”…

Qual “Drousys” é esse, amiguinhos? 😉


*

Outra coisa, bem diferente, é dizer “a planilha ‘x’, usada como prova no processo ‘y’ não foi fraudada!” 

*

A propósito – do Paraná Portal/UOL:

(o mesmo que noticiou a prorrogação/ “barata voa”, na terça-feira à noite)


C.Q.D.!


Puts…

Agora já viraram 4 HDs??

*

“1,7 milhão de arquivos”??

Bem…

Já sumiram 300 mil (!) dos 2 milhões que saíram daqui da Suíça, né?

Cadê?

O gato comeu??

São, por um acaso, do “MyWebDay”??

 😉

*

Mais: vocês estão dizendo que os caras já estão com esse material há 1 ano??

Gente…

Combinem as versões, antes, com o filho da Miriam Leitão!

tsc, tsc, tsc…]
A partir dele, a PF produzirá laudos específicos que serão produzidos a partir de demandas dos inquéritos em curso, inclusive os que estão no STF e envolvem autoridades com foro privilegiado.
[Ah-rá!

Bingo!

Tradução: o adiamento de duas semanas é só para tapar – com areia – os buracos no “laudo” mesmo…

No tal “relatório”, deletar tudo que (já!) haviam escrito sobre o “MyWebDay”!

Havia sido solicitado, inicialmente, por Moro a descrição de cada sistema.

Ou seja, o relatório (já) devia dizer algo como: “o MyWebDay é o sistema que registra a contabilidade, etc.  etc.

Agora terão de encher linguiça…

Caso contrário, o relatório vai minguar em número de páginas.

Certamente reforçarão – agora “documentalmente” (sic) – a patética tática de confusionismo entre “MyWebDay” e “Drousys” – já adiantada pelos insiders filho da Miriam Leitão/ Anta-gonista.

Problema: isso em nada confunde todo mundo “que manda” e “que decide” – dos dois lados da disputa.

Quem decidirá 2018 não será o Homer Simpson do William Bonner, Moro!

*

Essas duas semanas também são primordiais para alinharem discursos…

E, pra ontem, tentar controlar o chilique com a “barata voa”!


*

Além de ficarem, por estes dias chave, ligadinhos em tudo o que publicamos aqui no Duplo Expresso, né não?

 😉

*

Na verdade, o adiamento que a PF exigiu de Sergio Moro é…


– … por tempo indeterminado (!)

*

A barata continua zunindo em Curitiba!

*

– Eles resolveram…


– … não resolver nada!
*

Algo como: “bom… a gente vai se falando, então… qualquer coisa você tem nosso telefone, né, Sergio… vamos estar por aqui, mesmo… beijo na Rô…”

*

Título no tal Paraná Portal/UOL:


C.Q.D.!

(integralidade de mais essa “notinha” plantada no final)]
Pela primeira vez, desde a assinatura do acordo com a Odebrecht, a Lava Jato será capaz de verificar todos os registros de pagamentos de propina, de ponta a ponta, do contrato que originou o pagamento ilegal até seu beneficiário.
[hahaha

Oi?!

Como assim??

A “perícia” vai…

– … produzir informações?

– Novas?!

É isso mesmo??

*


Cara…

Diogo…

– … me ajuda a te ajudar…]
Segundo investigadores, os pagamentos mensais da empreiteira variavam de míseros 100 reais a 10 milhões.
Para evitar vazamentos, a PF introduziu um controle de log por usuário.
[“A PF” é o cacete!

Foram os Procuradores e Sergio Moro…

– … todos com o c* na mão!

haha

Estão fazendo bullying com os pobres dos “peritos”!]

*
Sistema de propina da Odebrecht deve render meses de trabalho para peritos

Publicado: 8, fevereiro 2018 às 19:15
Por Jordana Martinez
PARANÁ PORTAL/ UOL

A análise de todas as informações dos sistemas de controle de pagamento de propina da Odebrecht ainda deve render meses de trabalho para peritos da Polícia Federal em Curitiba. O laudo da primeira perícia nas plataformas Drousys e My Web Day precisa responder até 22 de fevereiro questões formuladas na ação penal que trata da propriedade de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Depois disso, novos pedidos de análise podem chegar à equipe de peritos.

A sede da Polícia Federal em Curitiba tem uma estrutura que mantém todo o material isolado em uma sala blindada por concreto, onde apenas agentes autorizados podem entrar. A intensificação do trabalho pode exigir, inclusive, a ampliação do espaço, assim como a equipe vem sendo reforçada. O setor aguarda um reforço de pelo menos quatro peritos criminais para compensar o número de agentes deslocados para a análise dos dois sistemas da Odebrecht. Atualmente, são 8 peritos dedicados exclusivamente à análise dos softwares.

Ao todo, a Lava Jato tem utilizado 16 peritos criminais, incluindo os designados para analisar os sistemas Drousys e My We Day. Se o reforço se confirmar, serão 20 peritos. Mas o número é flutuante porque os agentes são convocados a cada nova demanda e nem sempre permanecem na equipe depois de encerrada a missão.

A primeira análise dos softwares da Odebrecht foi determinada pelo juiz Sérgio Moro em setembro do ano passado, atendendo a um pedido da defesa de Lula na ação penal na qual ele é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio da compra do terreno e do apartamento vizinho ao imóvel onde o ex-presidente mora em São Bernardo do Campo.

No laudo, os peritos precisam apresentar uma descrição geral do que se tratam e do funcionamento dos dois sistemas; devem verificar a “autenticidade” das plataformas; e extrair “documentos e lançamentos” relacionados ao imóvel da Rua Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo, que teria sido comprado para depois ser repassado ao Instituto Lula.

Os sistemas têm 1,7 milhão de arquivos armazenados em 4 discos rígidos (HDs) de memória digital. O material foi entregue pela Odebrecht ao Ministério Público Federal em março do ano passado, como parte do acordo de leniência firmado pela empresa em dezembro de 2016.
*

Bônus (ou ônus)?: o filho da Miriam Leitão continua com o confusionismo “MyWebDay = Drousys” – sem opção, eles vão com isso até o fim, mesmo.


Por Matheus Leitão
08/02/2018 09h35

A Polícia Federal reforçou com sete novos policiais a perícia do sistema Drousys, gigantesco banco de dados da Odebrecht que armazenava a contabilidade paralela [???] da construtora.

Com esse novo efetivo de policiais, o número de peritos envolvidos na perícia já chegou a 16, podendo ainda ser ampliado para 20, segundo apurou o blog.

O trabalho está sendo realizado pela PF em Curitiba e poderá durar ao menos seis meses, devido a enormidade do material que operacionalizava os repasses do chamado “setor de propinas” da Odebrecht.

[Mentira: como vimos no Anta-gonista, a perícia de agora não vai ter substância.

E, mais pra frente, eles vão ver o que vão fazer…

“Daqui a 6 meses” o Lula, p.e., já vai estar no horário eleitoral gratuito!

No Brasil de hoje, pensar de manhã no prato do jantar já pode ser considerado “planejamento de longo prazo” (!)

“Daqui a 6 meses”??

haha]

O Drousys só foi entregue para a perícia da PF no final do ano passado e é, por isso, – e pela intensidade do trabalho –, que o grupo está sendo reforçado. Os peritos trabalham numa sala “caixa-forte”, toda blindada, onde só entram os policiais autorizados.

O sistema Drousys está sendo periciado pela Polícia Federal para que os procuradores possam utilizar as provas nas ações penais relacionadas à Lava Jato ainda em 2018.

[Jura??

Ainda outro dia o Sergio Moro disse que a Lava Jato estava “próxima do fim” (!)


rs]

Como informado pelo blog, a força-tarefa tem avançado nas investigações após ter acesso aos dados originais [???] do Drousys, com novos nomes e atualizações sobre aqueles que já estavam sendo investigados pela operação.

[Duplo Expresso informa: 100% fake news]

*

Desejo um bom Carnaval a todos nós, foliões do bloco “Desunidos da Esquerda” (apud – meu parceiro – Wellington Calasans)


Romulus Maya
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