12 de jan. de 2018

Jonathan, um vexame antológico da mídia brasileira


A mídia do pensamento único acaba de enfrentar um vexame antológico, que expõe fraquezas vergonhosas imensas num momento delicado como o atual.  Estou falando de um certo Jonathan Diniz, aquele brasileiro preso em Caracas e libertado após dez dias em circunstâncias até agora não esclarecidas.

Incapaz de reconhecer quem se tratava e o que pretendia, nossa mídia fez o papel semelhante ao da inesquecível Kate Lyra no programa de humor Praça da Alegria, duas décadas atrás. Atriz norte-americana, ela encarnava  uma turista  incapaz de reconhecer as verdadeiras intenções dos cidadãos que a abordavam na rua, com ofertas maliciosas e muito duplo sentido. "Brasileiro é tão bonzinho...", dizia ela.   

Martirizado como vítima do bolivarianismo chavista, a passagem de Jonathan Diniz por um presídio do serviço de inteligência do governo da Venezuela foi acompanhada com um zelo e atenção que nossos jornais e revistas jamais dispensaram — por exemplo — às vítimas de barbaridade da PM de Geraldo Alckmin ou de Pezão.

Enquanto ficou preso, Jonathan foi assunto de reportagens diárias nos telejornais da Globo, naquele esforço típico de quem faz o aquecimento para uma grande crise que deverá ter um grande desfecho. Depois de solto, chegou a dar uma entrevista por email ao Estado de S. Paulo na qual lhe perguntaram se havia sido torturado. "Tortura depende do ponto de vista," respondeu, firmando uma jurisprudência originalíssima para uma matéria estudada seriamente há décadas, na qual só são conhecidos dois pontos de vista — o da vítima e o do carrasco, o resto sendo puro embuste.

Apresentando-se como titular de uma ONG de nome em inglês que só se podia enxergar em sua página no Facebook, beneficiando crianças miseráveis que ninguém conhece, exibindo um altruísmo que não combina com solidariedade real mas sugere conhecidos contos-do-vigário, nosso personagem tanto podia ser um agente da CIA se fazendo passar por maluco ou vice-versa. Ou quem sabe possuir uma terceira identidade que será revelada num próximo vídeo gravado em local desconhecido dos Estados Unidos. Na última versão, o benfeitor declara-se "médium" e diz que por essa razão chegou a ser internado seis vezes. 

Jonathan também informa, em vídeo, que até sua prisão foi uma farsa, uma ação premeditada. O objetivo era reforçar os cofres de sua campanha a favor das "crianças pobres da Venezuela". 

Essa hipótese tem  credibilidade zero junto a interlocutores ligados ao chavismo que consultei em Caracas. Eles estão convencidos de que Jonathan chegou à Venezuela — onde um visto de turista para um cidadão brasileiro tem validade por 90 dias — como braço de organizações internacionais que tentam atuar no país sob a bandeira de ações humanitárias e assim instituir bases operacionais no território venezuelano. O período de atuação, exatamente quando a oposição tentava impedir a convocação da Assembléia Constituinte, também era o ideal para isso, pois deixou o país sob a atenção direta da imprensa mundial. 

O possível disfarce humanitário justifica o discurso permanente em defesa de crianças carentes e o cuidado de evitar toda e qualquer declaração que pudesse definir uma ligação com os adversários internos e externos do governo Maduro.  

Ainda que essa hipótese não tenha sido demonstrada, é certo que a Venezuela de hoje é alvo direto de aventureiros, agentes provocadores, sabotadores  em busca de um trocado, espiões profissionais — e até ativistas bem intencionados, engajados nos dois lados do confronto.

Este é o cenário comum a toda nação que possui imensas riquezas naturais e enfrenta uma crise de bom tamanho, como se viu na Espanha dos anos 30, em Cuba nos anos 50, no Chile nos 70 e assim por diante.

Atos de sabotagem econômica produzidos cotidianamente pela manipulação do cambio paralelo ajudam a entender a falta de remédios nas farmácias e até de alimentos nos supermercados. Mas são apresentados pela mídia com naturalidade, como se fossem a consequência inevitável, a merecida punição em função de uma política econômica afastada das regras brutas do mercado e do estado mínimo. 

Para fazer uma boa cobertura, bastaria admitir que os venezuelanos têm o direito de buscar um caminho diferente daquele seguido por seus vizinhos para prestar atenção ao que acontece por lá, desconfiar de versões bonitinhas demais, convenientes além da conta.

Mas não. Muito mais fácil, mais confortável, é enxergar o mundo com o olhar colonizado e os reflexos automáticos que apenas procuram confirmar os próprios preconceitos, atendendo necessidades e conveniências. 

Este é o ponto essencial. O episódio mostrou o alinhamento ideológico de quem já perdeu a capacidade de enxergar fatos que possam contrariar sua visão de mundo e sua propaganda,  preferindo descrever a realidade de acordo com desejos e preconceitos, sem procurar entender como ela é.

Isso se aplica, sabemos todos, à cobertura da Lava Jato e, em particular, às escandalosas denúncias contra Luiz Inácio Lula da Silva, que envolvem um triplex que comprovadamente não lhe pertence.

Mas também se manifesta na cobertura internacional, com um alinhamento absoluto em relação a diplomacia norte-americana, em particular quando se trata de participar do massacre contra o governo de Nicolás Maduro, hoje o inimigo principal de Washington, uma das ultimas peças no tabuleiro de dominó jogado por  aliados e cafetões dos EUA no Continente.

Sabemos agora que o caso é uma farsa. Mas teria sido suficiente um pequeno esforço de honestidade intelectual para reconhecer uma história fabricada, como a Escola Base de triste memória. 

O saldo, inevitável, é fazer um previsível papel de bobo, como alertei aqui neste espaço, num vídeo que começou a circular na internet assim que surgiram os risíveis detalhes da história. Quem já assistiu sabe, há tempos, que estava diante de um caso ridículo, digno da personagem de Kate Lyra.

Paulo Moreira Leite

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Tríplex: decisão de juíza federal absolve Lula e contradiz frontalmente Moro


A juíza Luciana Correa Torres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal, poderá está lacrando o calabouço, afrouxando o laço da forca no pescoço do ex-presidente Lula, no julgamento do ex-presidente no dia 24 janeiro, referente ao polêmico triplex.


A decisão da juíza contrapõe a investigação da Força Tarefa na Operação Lava Jato e a uma discussão polêmica, ainda maior sobre triplex famoso do Guarujá.

O processo que tramita na 2ª Vara de Brasília, atende uma empresa que solicita o pagamento de dividas em desfavor da empreiteira OAS Empreendimentos.

O Centro Empresarial que estava sendo construído no Distrito Federal, tinha contrato em Sociedade de Propósito Específico (SPE). A empresa credora, impetrou uma ação de cobrança no de R$ 7,2 milhões corrigidos.

A juíza acatou e determinou ao Bacen o bloqueio nas contas da OAS Empreendimentos, encontrando apenas R$ 10 mil reais. A empresa credora, vez busca nos cartórios em todo Brasil e achou um mesmo CNPJ quatro imóveis no Guarujá em nome da OAS Empreendimentos.

Para a surpresa dos empresários brasilienses, um dos imóveis trata-se do apartamento polêmico tríplex no Guarujá, atribuído ao ex-presidente Lula.

A guerra das togas confronta o juízo de Sérgio Moro e Luciana Correa Torres.

Em Brasília, a juíza entende que, o apartamento triplex no Edifício Solaris, na Praia das Astúrias, no Guarujá, endereço do triplex que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à condenação em primeira instância, registrado em cartório em nome da empreiteira OAS Empreendimentos, cabe penhora, por se tratar de dividas contraídas pela OAS que, é de fato de direito proprietária do imóvel.

O presidente da OAS Empreendimento, Leo Pinheiro, em delação premiada afirma que o proprietário é o ex-presidente Lula, mas no cartório, onde está registrada a escritura o proprietário é a OAS Empreendimentos. A juíza da 2ª Vara Luciana Correa, determinou a penhora do imóvel em favor dos empresários brasilienses.

Registro do Tríplex em nome da OAS, no cartório de Guarujá São Paulo

Com essa decisão, a defesa do ex-presidente Lula, vai pedir o adiamento do julgamento marcado para o dia 24 de janeiro em Porto Alegre.

Mino Pedrosa
No QuidNovi
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Xadrez de tempos incertos


O jogo político está cada vez mais embolado.

Há dois fenômenos novos, em movimento, em favor de Lula. E a força inercial do antilulismo em direção oposta,

Peça 1 – a desmoralização da Lava Jato

Hoje em dia há três tipos de atitudes em relação à Lava Jato. Os anti-Lula apoiam a operação, mas sabem  que é uma jogada política. Os lulistas a condenam e denunciam que é jogada política. E, nesses tempos de polarização, a legião dos independentes está cada vez mais convencida de que é uma jogada política.

Mídia e Lava Jato estão perdendo a batalha da opinião pública internacional, com a luxuosa contribuição de Michel Temer e, internamente, estão sendo cada vez mais questionados. A Lava Jato e a Globo adotaram a política do lawfare, a publicidade opressiva contra os “inimigos”.

Em um primeiro momento, entupiram os jornais de rumores, vazamentos, denúncias de diversos calibres, atordoando os adversários e atingindo o objetivo final: no caso da Lava Jato do Paraná, o objetivo final foi derrubar Dilma Rousseff e entronizar Michel Temer na presidência. Obviamente, em nome do combate à corrupção.

Acontece que nem mesmo a Globo consegue sustentar o priapismo das manchetes com os escândalos. No caso brasileiro, em cima do esgotamento previsível do ciclo Lava Jato veio o episódio trapalhão de Rodrigo Janot com a delação da JBS. A maior contribuição foi ter estabelecido um parâmetro entre as denúncias contra Lula e aquelas contra seus dois maiores antípodas: Aécio Neves e Temer e suas malas de dinheiro.

Ali começou a ruir toda a narrativa sobre a maior corrupção do planeta. Inverte-se, então, o ciclo do lawfare e cada factoide levantado no período anterior, cada abuso cometido no transcorrer das investigações, torna-se munição nas mãos dos adversários, para desnudar o caráter partidário e suspeito da Lava Jato.

Hoje em dia, já há uma quantidade substanciosa de indícios de malfeitos do lado da Lava Jato, que vão além das acusações apressadas, das narrativas fantasiosas, da incapacidade de aprofundar investigações para além das delações. As suspeitas são mais graves,  permitindo inclusive prever o grande best seller dos próximos anos – a verdadeira história da Lava Jato – para o qual se candidatarão escritores de todos os níveis.

Contarão como foi o aprendizado no caso Banestado, que permitiu o planejamento minucioso da Lava Jato, garantindo a um juizado de Curitiba capturar uma operação de uma empresa sediada no Rio de Janeiro, tendo como principais personagens políticos vicejando em Brasília.

Haverá muita história sobre o triângulo formado por Sérgio Moro, a esposa Rosângela e o primeiro-amigo Carlos Zucolotto Júnior, os advogados amigos, a indústria da delação premiada, as informações provindas do Departamento de Justiça etc. E até a informação do procurador Celso Três, do caso Banestado, que a Sra. Moro distribuía cartões de visita ao longo da operação.

A desmoralização da Lava Jato significará o enfraquecimento da condenação de Lula. Portanto, viverão ainda alguns períodos de imagem heróica. Mas já acende luz amarela nos escalões externos à Lava Jato, a quem caberá a convalidação ou não das denúncias aceitas em primeira instância.

Não se tem mais dúvidas de que o TRF4 é um tribunal político. Resta saber até onde irão com a farsa.

Peça 2 – o custo Lula

“Mercado” supostamente é o local onde todas as informações são processadas racionalmente, e a resultante é preço.

No caso brasileiro, o “mercado” é extremamente mal informado, formando convicções de afogadilho, indo atrás de clichês, sendo influenciado pela superficialidade padrão Globonews.

Analistas mais lúcidos já se deram conta que a solução Lula é a “mais barata”, para se obter a paz social. A razão é simples. O impedimento de Lula e a eleição de um candidato sem o menor fôlego político – se houver um, que se apresente – tornarão extremamente custosas qualquer solução extra-Lula. Haverá um duro aprendizado e o prolongamento perigoso da polarização política.

A tentativa de apresentar Lula como o alter ego de Bolsonaro, colocando ambos na categoria de populistas radicais, é ridícula, assim como as sucessivas tentativas de encontrar o campeão branco ou recorrer ao cadáver político de Fernando Henrique “El Cid” Cardoso.

Apesar do esforço ingente da mídia, nenhuma reforma sem consenso despertará a confiança de investidores. Como está ocorrendo, aliás, em outros países, em situações de crise de legitimidade menores que no caso brasileiro, no qual se tem as reformas sendo implementadas por uma organização criminosa.

Um dia cairá a ficha que de que não haverá saída for a do consenso. Pode ser que o bom senso chegue antes; pode ser que demore.

Peça 3 – o fôlego do antilulismo

De qualquer forma, a tendência dominante, ainda, é o de se tentar inviabilizar politicamente Lula e promover o milagre da ressurreição de quem nunca foi, Geraldo Alckmin.A radicalização do anti-lulismo foi tão intensa que dificilmente mídia e Judiciário se permitirão algum assomo de bom senso.

Significaria acabar com os sonhos do Ministério Público Federal de se transformar em poder autônomo, abortar o ativismo do Judiciário, reduzir a margem de manobra da mídia. E quem irá largar o osso?

A volta à normalidade será um trauma para os deuses do punitivismo. É só conferir o que a síndrome da abstinência de poder está produzindo no ex-Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

Resta acompanhar, então, o desenrolar dessas três tendências, para saber se em algum momento promoverão o consenso ou o dissenso definitivo.

Luís Nassif
No GGN
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Alô Alô Gilmar ♫♫♫ Carnaval 2018 ♫♫♫


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Em reunião no TRF4, deputados pedem julgamento justo a Lula


As bancadas de deputados federais e estaduais do PT no Rio Grande do Sul se reuniram nesta sexta-feira 12 com o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores.

Em coletiva de imprensa após o encontro, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), informou que os deputados entregaram ao desembargador um documento que manifesta a posição dos parlamentares (confira aqui a íntegra).

"Em primeiro lugar nós reafirmamos o que temos dito sobre as questões de mérito desse processo. Nós entendemos que o Brasil vive um momento muito delicado e que o ano de 2018 é um ano especial, uma encruzilhada histórica e nós estamos aqui para reafirmar a importância da democracia e do Estado Democrático de Direito", disse.

"Reafirmamos o nosso ponto de vista que a eleição de 2018 sem a participação do presidente Lula é uma fraude, um golpe. Que uma sentença como aquela que condenou o presidente Lula em primeira instância, sem provas, carece de legalidade, e que isso atenta contra o Estado Democrático de Direito", acrescentou.

"Nós esperamos que este tribunal faça um julgamento nos limites que a lei estabelece, e que portanto se faça justiça", ressaltou Pimenta aos jornalistas.

"Manifestamos também que é preciso que haja uma clareza muito grande por parte das autoridades de que o direito de manifestação é um direito constitucional, garantido a todo cidadão. E não pode ser limitado", acrescentou.

No 247


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Pai e irmão de Zucolotto, amigo de Moro, também foram acusados de fraude à execução

Os Zucoloto e os Moro no show do Skank
Na família Zucoloto, não é só Olga Kintschev, mãe do amigo de Sergio Moro Carlos Zucolotto Júnior, quem teve problema com a Receita Federal.

Ela foi acusada pela Procuradoria da Fazenda Nacional de fraude à execução de um débito tributário relativo a um posto de combustível, com a alienação de um apartamento que estava penhorado.

Um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4a. Região entendeu que, embora tivesse transferido o imóvel para o filho, Carlos Zucolotto Júnior, o apartamento continuava registrado em nome dela no cartório. Como morava no imóvel, era bem de família e, portanto, impenhorável.

Quatro anos antes, o marido dela, Carlos Zucoloto, pai de Zucolotto (curioso que o nome do filho amigo de Moro é o único da família com dois tês) e outro filho, Marco Wesley Kintschev Zucoloto, também foram alvo de execução, juntamente com a empresa Fornecedora Catarinense Ltda.

Justiça penhorou um apartamento, mas ele não pôde ser executado, pois, a exemplo do que fez Olga, Carlos Zucoloto pai também alienou o imóvel depois de citado da penhora.

A Procuradoria da Fazenda Nacional o denunciou por fraude à execução fiscal, mas a Justiça entendeu que não era o caso.

A Fazenda Nacional recorreu, e o desembargador Otávio Roberto Pamplona confirmou a decisão. Embora impenhorável, o apartamento podia ser alienado, como de fato ocorreu. Como ele continuou morando no imóvel, não podia haver execução – era bem de família.

A ligação de Zucoloto com Moro é antiga e muito próxima.

Em dezembro de 2016, fiz uma reportagem sobre o restaurante Paraguassu Grelhados, onde Moro se encontrou com o cantor Fagner para beber na companhia de amigos, depois de ser homenageado por ele.

Na época, entrevistei o dono do restaurante, João Luiz Zucoloto, que se apresentou como amigo do juiz, participante de seu grupo de churrasco.

Ele contou que a amizade da família começou através de César, irmão mais velho do juiz, e Carlos Zucolotto Júnior. Os dois estudaram juntos em Maringá.

Foi César quem apresentou Carlos Zucolotto Júnior a Moro, e os dois ficaram tão próximos que o magistrado, quando se casou com Rosângela, o convidou para ser padrinho.

Na entrevista, João e a mulher, Néia, contaram que tinham estado com Moro alguns dias antes, para um churrasco, em que Moro, como de hábito, fumou um charuto.

E teria reclamado da agenda apertada daqueles dias, com palestras e homenagens no Brasil e no exterior — foi nessa época que, homenageado pela revista Istoé, se deixou fotografar na conversa ao pé do ouvido com Aécio Neves.

A proximidade das famílias Zucoloto e Moro é confirmada pela rede social de João, o dono do Paraguassu.

Eles (João, Carlos e esposas) estiveram juntos no show do Skank em Curitiva.

João publicou fotos em que todos do grupo aparecem se divertindo, enquanto Moro permanece de cabeça abaixada, com boné do New York Yankees, mexendo no celular.

João, esposa, Carlos, esposa, e Moro no celular

João Luiz tomou as dores do juiz pelo menos duas vezes. Quando a Folha de S. Paulo publicou uma notícia que poderia ser considerada negativa ao juiz, ele pregou boicote ao jornal, que ele chamou de “jornaleco”.

Depois investiu contra a chef argentina Paola Corosella, radicada no Brasil, quando ela perguntou ao juiz Sergio Moro, através do Twitter, se punir só um lado não atrapalha o combate à corrupção.

“Mais uma que poderia ter ficado de boca fechada. Mas foi bom que ela criticou o juiz Sérgio Moro, pois deixou bem claro de que lado ela está. Volta pro teu país Paola, vai dar seus pitacos por lá, aliás, a Argentina está uma M, precisa muito de você por lá. Agora que não assistirei mesmo o programa que ela faz na Band”, escreveu.

Na pré-estréia do filme sobre a Lava Jato, estava lá, juntamente com o irmão, Carlos, e fez alguns selfies.

A amizade de Moro com a família Zucoloto é uma questão privada que só ganhou relevância e despertou interesse público a partir do depoimento do advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços para a Odebrecht e é processado na Vara de Moro por lavagem de dinheiro.

Durán demonstrou que o escritório dele em São Paulo contratou o escritório de Carlos Zucolotto Júnior, em Curitiba, para serviços advocatícios.

Rosângela era do escritório de Moro — pelo menos aparecia no site como advogada do escritório.

Em tese, isso poderia levar Moro a se declarar suspeito.

Mas ele nunca cogitou esta hipótese e defendeu Zucolotto quando Tacla Durán contou que manteve tratativas com o amigo de Moro para obter facilidades em acordo de delação premiada com a Lava Jato.

Tacla Durán mostrou cópias periciadas da conversa com Zucolotto através do aplicativo Wickr e a cópia do e-mail enviado pelos procuradores da Lava Jato com os termos negociados com o amigo de Moro.

As conversas revelam que, para concretizar o serviço, Zucolotto queria receber 1,5 milhão de dólares. Por fora. 

Tacla Durán não aceitou e, primeiro, vazou o conteúdo da conversa, mais tarde confirmou a denúncia à CPI da JBS, que terminou sem que os deputados ouvissem os promotores e Zucolotto.

Permanece o mistério.

Para quem divulga com estardalhaço na rede social a amizade com o magistrado, a família Zucoloto deveria ser mais cuidadosa com os negócios.

Acusações de fraude à execução fiscal não pegam bem, ainda que tenham sido rejeitadas na Justiça federal do Paraná. Muito menos denúncias de corrupção para interferir em acordos de delação premiada.

Moro explorou a imagem de santo, herói, xerife, incorruptível. Não combina com a imagem que emerge da família Zucoloto.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Rede da Legalidade 2018 começa hoje as transmissões ao vivo direto de Porto Alegre


Uma Rede da Legalidade para durar além da Defesa de Lula e ajudar a construir uma rede de comunicação que combata as mentiras e falácias da grande mídia de de forma efetiva, armando a nossa militância para o debates do dia a dia. Blogueiros, militantes digitais das redes sociais, Web Rádios, Movimentos Sociais, Rádios Comunitárias, todos juntos numa grande Rede em Defesa da Legalidade, da Democracia, da Soberania Nacional e pelo Direito de Lula ser Candidato nas eleições de 2018.

Carlos Bastos, um dos Jornalistas que estava com Brizola na constituição da Rede da Legalidade de 2018, estará conosco ao Vivo para simbolizar aqueles tempos de luta. Estará conosco também Edegar Pretto, Presidente da Assembléia Legislativa do RS e filho de Adão Pretto, um dos símbolos da luta contra a Ditadura no Brasil. Siga, acompanhe e mais importante, Participe  da Rede da Legalidade clicando no link a seguir:

https://www.facebook.com/rededalegalidade2018/

Frei Sérgio lembra Brizola e propõe reeditar a Rede da Legalidade em Defesa da Democracia e de Lula

Em agosto de 1961, portanto, há quase 57 anos, o Brasil conheceu inédita campanha da legalidade em defesa da ordem jurídica vigente durante a primeira experiência de democracia ampliada a partir de 1945. Naquela oportunidade, sete anos depois de as mesmas forças do atraso terem sido derrotadas em sua tentativa golpista de romper com a ordem democrática contra o governo do presidente eleito Getúlio Vargas (1950-1954), emergiu rápida e inesperada mobilização civil e militar na defesa da posse do vice-presidente João Goulart diante da renúncia do então presidente Jânio Quadros.

A campanha da legalidade se formou em torno da Rádio Guaíba de Porto Alegre que passou a funcionar diretamente do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, acompanhada pela retransmissão de rádios como a Brasil Central, também instalada no Palácio das Esmeraldas, sede do Governo de Goiás, a Rádio Clube de Blumenau, em Santa Catarina, a Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro. Por meio das ondas curtas, a campanha da legalidade integrou o país e mobilizou a população, evitando o golpe que se encontrava em marcha.

Sob a liderança do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, a defesa da posse de João Goulart foi mantida, embora dias tensos tenham sido vividos com muita intensidade. Como parcela das forças do atraso, instrumentalizados por militares aliados com os Estados Unidos, somente aceitava a democracia desde que os eleitos fossem os conservadores, impediam a posse do progressista Jango.

Para romper com o golpe em marcha, o governador Brizola convocou a população que respondeu positivamente, mobilizando e ocupando as ruas em várias cidades para a defesa da democracia. A reação imediata foi a tentativa de bombardear a sede do governo gaúcho que em resposta organizou a Polícia Militar e distribui armas à população.

Em 2016 o Brasil sofreu um novo golpe, desta vez não militar, mas vindo de Instituições como o Congresso Nacional e do Judiciário, cujo STF acatou a derrubada sem crime da Presidenta Dilma. Mas o golpe com a derrubada de Dilma esta inconcluso, por que Lula persiste na sua luta por um Brasil mais justo e menos desigual. Aí, através de uma escancarada perseguição a Lula, a mídia, o Juiz Moro e setores do judiciário continuam a senda golpista. A perseguição, que o mundo inteiro chama de lawfare, é executada pelo Ministério Público e pelo Judiciário Brasileiro, até então por um Juiz de 1ª instância movido por convicções ideológicas, auto explicitadas em sua sentença e por procuradores auto proclamados messiânicos do MPF e com a cobertura escancarada da grande mídia tupiniquim. É a Luta de Classes travada pelas armas da Comunicação. E pela mesma razão que Brizola montou a Rede da Legalidade, Frei Sérgio Goërgen esta compondo uma reedição da Rede da Legalidade, desta vez com a participação de Blogueiros, internautas, Web rádios e rádios comunitárias, para mostrar ao povo do Brasil e do mundo o que acontece nos dias que antecedem o Histórico dia 24/01/2018. Como diz Carlos Wagner, renomado Jornalista gaúcho na Live que posto a seguir: “o que esta sendo julgado não é Lula, mas o Judiciário e a mídia brasileira”. O Brasil e os brasileiros esperam que o TRF4 reponha a justiça no seu devido lugar e anule a sentença de Moro que sem provas, baseado apenas em convicções, condenou Lula. Lula é a única liderança que pode reunificar o Brasil e recolocar o Brasil no caminho do Desenvolvimento Soberano e que seja democrático e justo para todos os Brasileiros e Brasileiras.

No Luíz Müller Blog
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Bolsonaro faz Augusto Nunes surtar de vez!

O “calunista” Augusto Nunes está com algum distúrbio bem sério. Ele surta cada vez com maior frequência. Nesta semana, diante das denúncias publicadas pela Folha contra o clã Jair Bolsonaro, ele quase estrebuchou na Jovem Pan – também apelidada de rádio “Ku Klux Pan” pelo elevado número de comentaristas de ultradireita que reúne em seus estúdios. O caluniador que adora rotular o ex-presidente Lula de “ladrão”, “pilantra”, “mentiroso”, “chefe de quadrilha” e outros adjetivos mais asquerosos, saiu em defesa do deputado fascista e criticou “este tipo de jornalismo, que vai só no negativo. Agora você só fala da coisa que parece ruim ou desagradável, você não fala nada que possa beneficiar o cara [Bolsonaro] ou que possa transmitir ao leitor a ideia de que nem todo mundo é igual. Isso não se faz”. A sua defesa foi grotesca, parecia coisa de assessor de imprensa de quinta categoria.

Também nesta semana, Augusto Nunes surtou e destilou seu ódio doentio e macabro contra o blog Diário do Centro do Mundo. Sobre este episódio lamentável, vale conferir a nota postada no DCM:

* * *

Nota de repúdio ao ataque covarde de Augusto Nunes ao DCM

10 de janeiro de 2018

Augusto Nunes resolveu atacar o DCM, a mim, Kiko Nogueira, e ao meu irmão Paulo Nogueira em seu programa na Jovem Pan.

Augusto se incomodou em ser chamado de jornalista de extrema direita. Incomodou-se bastante.

Que ele não tem limites, já é sabido. Mas consegue sempre se superar.

Foi capaz de dizer, numa peroração inacreditável de tão baixa, vil, que costuma poupar “doentes”, mas o câncer de Paulo o “piorou”, num raciocínio tortuoso - e francamente nojento.

Paulo, que não pode responder, faleceu em junho e ainda deixa Augusto Nunes fora de si.

Ele foi buscar um artigo de 2013 (!?!) em que Paulo pergunta: “e se alguém enveredar pela vida pessoal de Augusto Nunes? Tudo bem? Não, não está tudo bem.”

Augusto, escreveu Paulo, usa de “baixeza e malvadeza”.

Mais:

"A beleza de limites para abusos da mídia é proteger Augusto Nunes de jornalistas como Augusto Nunes.

Nestes últimos dias, acabei lendo textos dele.

Conheço muitas histórias de Augusto Nunes, mais do que gostaria, na verdade.

Mas me recuso a usá-las. Digo apenas que ele atacar sistematicamente Lula pela bebida e pelas mulheres é uma das práticas mais hipócritas, cínicas e farisaicas que vi em toda a minha vida".

Eu não sei exatamente a que Paulo se referia, mas suspeito que Augusto saiba - e isso foi o que motivou a baixaria.

Ele me desafiou com ofensas pessoais a contar quais são essas histórias. Bem, elas são conhecidas. Mas, como eu não sou Augusto Nunes, vou deixá-lo chafurdar nessa lama sozinho.

Ruy Mesquita Filho, herdeiro do Estadão, onde Augusto trabalhou, já falou (quase) tudo sobre ele no livro “Nascidos para perder”, de Mylton Severiano:

“Augusto Nunes não tem caráter, é amoral, manipulador de notícias e isso eu provo confrontando o noticiário do Jornal da Tarde e do Estado durante a campanha presidencial de Collor. Ele tentou de todas as formas contratar uma equipe paralela em Brasília para fugir do controle da Agência Estado e com isso fazer todo o tipo de maracutaia. Nunca pôs a mão na massa. Não gosta de trabalhar, só de aparecer. Mais: disse a ele numa reunião com meus primos e meus irmãos, além do Elói Gertel e do Sandro Vaia, que o problema dele não era o que estávamos discutindo naquela hora, mas sim que ele é um desprovido completo de uma coisa que qualquer homem sério tem: caráter. Esse foi o fim do Augusto aqui no Estado”.

Paulo não tem como se defender dessa ignomínia. Mas nós temos, em nome dele e do DCM. Vai ser pela Justiça.

Augusto Nunes terá que responder em juízo pelas calúnias que proferiu.

Altamiro Borges
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O austericídio neoliberal no BNDES

http://www.maurosantayana.com/2018/01/bndes-o-austericidio-neoliberal-evita.html

BNDES: O austericídio neoliberal evita que sejam investidos na economia centenas de bilhões de reais deixados pelos governos anteriores nos cofres brasileiros


Mentirosamente acusado de ter sido “quebrado” pela “incompetência” e “ladroagem” do PT, que deixou em seus cofres, no final do governo Dilma, a miserabilíssima quantia de mais de 200 bilhões de reais em caixa e um total de ativos de cerca de 800 bilhões, o BNDES corre o risco de derreter com a sucessão de “pagamentos” “adiantados” ao Tesouro (de uma dívida que teria 30 anos para pagar) feitos pelo atual governo.

Não satisfeita em ter sangrado dos cofres da instituição, em 2015 e 2016, em 130 bilhões de reais, a administração Temer pretende sacar mais 130 bilhões em 2017 e 2018, para diminuir teoricamente uma volúvel dívida pública – cujo valor em dólares aumenta ou diminui a cada vez que alguém arrota em Wall Street - em relevantíssimos menos de 6%.

Palmas para a turma de banqueiros privados - relíquia caterva - que se encontra encastelada atualmente no governo.

Afinal, o país NÃO está precisando de investir centenas, dezenas de bilhões de reais, na retomada de obras irresponsavelmente paralisadas – pela recessão e principalmente pela “justiça” - em todo o país, nos últimos quatro anos.

O governo, com a desculpa de não ter dinheiro, NÃO está cortando as verbas de tecnologia, defesa, investimentos, reduzindo este último quesito a apenas 3% do orçamento neste ano.

O Brasil NÃO tem necessidade de criar vagas de trabalho, com mais de 12 milhões de cidadãos procurando emprego.

A despesa do país NÃO tem aumentado exponencialmente, desde a queda de Dilma, em outras áreas como a do aumento de salários da nata do funcionalismo, por exemplo, enquanto o salário mínimo é reajustado em menos de 20 reais, o menor aumento em 24 anos.

As empresas arrebentadas pela Operação Lava Jato, que desempregaram cerca de um milhão de trabalhadores, NÃO estão precisando de alternativas de financiamento, depois de terem sido golpeadas por gigantescas multas e de ver o seu crédito e o crédito de seus fornecedores, além do patrimônio de seus investidores e acionistas, ir por água abaixo devido à abertura de inquéritos e processos baseados apenas no depoimento verbal de dedo-duros interessados em tirar o seu da seringa, sem necessidade da apresentação prévia de qualquer prova concreta.

Ora, o que importa é manter a qualquer preço o discurso cínico e mendaz de que o Brasil está quebrado, ou melhor, de que ele foi quebrado pelo PT, quando, além das centenas de bilhões de reais deixados nos cofres do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, os governos Lula e Dilma, além de pagar a dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI, em 2005, ainda deixaram 340 bilhões de dólares - ou mais de um trilhão e duzentos bilhões de reais - em reservas internacionais nas arcas federais, e uma relação dívida pública-PIB – bruta ou líquida - menor do que havia em 2002, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso.

Por trás do enxugamento do BNDES - tirando do Brasil a capacidade de competir com grandes bancos de fomento das principais nações, como os EUA, a Alemanha, a Coréia, o Japão, a China - como aliás ocorre com a proposital destruição de outros bancos oficiais, com o corte em linhas de financiamento e o fechamento de centenas de agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, nos últimos meses - está a velada intenção, sutil como um dinossauro saindo de um poço de lama, de diminuir a oferta de crédito e serviços de instituições públicas, para empurrar obrigatoriamente correntistas e empresas para os braços de bancos privados, incluídos estrangeiros, que cobram juros mais caros, com a estapafúrdia desculpa de que o setor bancário “público” – que em alguns casos já conta com instituições com ações em bolsa - cresceu demasiadamente nos últimos anos.

E esmilinguir grandes empresas, como a Petrobras, a Eletrobras, o próprio Banco do Brasil e a Casa da Moeda, por exemplo, para justificar o seu “enxugamento” e a privatização de seu controle em médio ou longo prazo.

Enfraquecendo o país, desnacionalizando a economia e vendendo o futuro da nação e os instrumentos estratégicos imprescindíveis ao seu desenvolvimento – como ocorreu nos anos 1990 - na bacia das almas, a preço de banana, pela porca e abjeta quantia de 30 dinheiros.
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O silêncio nada inocente e a mentira descarada — assista


A imprensa brasileira tem capacidade de apurar tudo, quando quer.

E não se sente no dever de fazer isso quando acha que “não vem ao caso”.

Há, porém, exceções em alguns casos. E nenhuma, em outros.

Este blog duvidou da informação distribuída pela Globo de que o “Divã” do Faustão com a exibição de Luciano Huck teria sido gravado no longínquo 11 de novembro, antes de que o apresentador tivesse, publicamente, negado ser candidato à Presidência.

Hoje, o Painel da Folha levanta dúvidas sobre isso, informando que Faustão se refere ao artigo de Huck “desistindo” da disputa, que só foi publicado dia 17/11.

É pior, muito pior.

É uma mentira descarada, e se você olhar o vídeo oficial, da própria emissora, verá que a “entrevista” se inicia com uma pergunta sobre se choveu ou não no reveillon e qual dos filhos deu mais trabalho na festa. Huck chega a falar em estar no palco “nos primeiros dias de 2018”.



É evidente que o programa é recente, tão evidente quanto ter sido autorizado – ou determinado – pela direção da emissora.

Mas ninguém vai pedir explicações, como ninguém foi indagar desde quando e quanto Luciano Huck recebe de publicidade da Petrobras para apresentar um merchandising da empresa em seu programa, como se divulgou aqui.

Não é do interesse público, já que a empresa é pública e Huck se tornou um personagem público e político?

Mas se faz o silêncio, nada inocente.

Fernando Brito
No Tijolaço
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MPF da Lava Jato reforça “lawfare” contra Lula no episódio dos recibos

O Ministério Público Federal abusa do direito de acusar e reforça a prática do “lawfare” contra Lula ao apresentar suas alegações finais hoje (11/01) no incidente de falsidade nº 5043015-38.2017.4.04.7000 pedindo que seja declarada a falsidade dos recibos de locação apresentados pelo ex-presidente a despeito da comprovação de que os documentos são autênticos e idôneos.

Durante o interrogatório de Lula ocorrido em 13/09/2017, o Ministério Público Federal, assim como o juiz Sérgio Moro, exortaram o ex-presidente a apresentar recibos da locação contratada por D. Marisa. Colocaram a apresentação dos documentos como fundamental para o reconhecimento da inocência de Lula, embora a acusação formal esteja relacionada à propriedade do imóvel locado e à origem dos recurso utilizados para a sua aquisição.

Os recibos foram apresentados, contendo declaração de quitação dos aluguéis entre 2011 e 2015. Ao invés de reconhecerem a improcedência da acusação, os procuradores passaram a colocar indevidamente sob suspeita a autenticidade dos recibos. Depois, diante da prova de que os recibos haviam sido assinados pelo proprietário do imóvel, os procuradores desistiram de pedir uma perícia em relação aos documentos, passando a sustentar que eles seriam “ideologicamente falsos”, pois, segundo a versão apresentada, os aluguéis não teriam sido efetivamente pagos. A acusação é inverídica e descabida.

As alegações do Ministério Público Federal apresentadas nesta data são manifestamente improcedentes, pois:

(i) Glaucos da Costamarques reconhece que é o proprietário do apartamento e que adquiriu o imóvel com recursos próprios, e não de valores provenientes de contratos da Petrobras, como consta na denúncia;

(ii) Costamarques esclareceu em 2016 à Receita Federal e à Polícia Federal que recebia os aluguéis entre 2011 e 2015 através de pagamentos em espécie (dinheiro);

(iii) Costamarques jamais registrou a existência de qualquer pendência no pagamento dos aluguéis em suas correspondências à D. Marisa, a inquilina;

(iv) A quebra do sigilo bancário de Costamarques mostrou que entre 2011 e 2015 ele movimentou quantia próxima da 1,4 milhões em dinheiro;

(v) Em momento algum Costamarques explicou a origem de tais valores em espécie em suas contas, compatíveis com o recebimento dos aluguéis, que somam cerca de R$ 188 mil no período;

(vi) O documento apócrifo que teria sido apreendido na residência do ex-Presidente Lula, exaltado pela acusação, estaria relacionado aos pagamentos efetuados “em agência bancária” ou em “débito em conta”, sem relacionar pagamentos feitos em espécie;

(vii) Esse mesmo documento apócrifo não corresponde à realidade dos pagamentos feitos por D. Marisa, segundo os extratos bancários juntados aos autos, reforçando a sua imprestabilidade conforme planilha já apresentada pela defesa em 10/11/2017.

Glaucos da Costamarques é corréu na ação. Prestou depoimento sem o compromisso da verdade, assim como Leo Pinheiro na ação do tríplex. O Ministério Público Federal quer atribuir valor probatório à declarações de Costamarques no que se refere aos aluguéis, mas ao mesmo tempo despreza sua afirmação de que é o proprietário do imóvel e não “laranja” de Lula.

Ao agir dessa forma, o MPF revela que não tem critério na escolha das provas. Reconhece como idôneo somente aquilo que confronta a defesa de Lula. É a mesma lógica utilizada para recusar o depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán.

Lula não praticou qualquer ato ilícito, antes, durante ou depois do exercício do cargo de Presidente da República.

Cristiano Zanin Martins
Advogado do ex-presidente Lula

No A Verdade de Lula
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Lava Jato, História e descida aos infernos


Quando começou a ganhar significado, a Lava Jato assumiu o discurso de que iria passar o país a limpo e dar cabo da corrupção. Apoiada pela mídia e por vazamentos sensacionais a operação ganhou, num país efetivamente muito marcado pela corrupção, uma popularidade inédita, alcançando cifras para além de 90% de aprovação.

Esse verdadeiro patrimônio de credibilidades e esperanças de milhões brasileiros deveria ter produzido por parte dos seus protagonistas um cuidado redobrado no sentido de que tais expectativas não fossem frustradas, o que geraria um efeito perverso de descrédito no país e em suas instituições. Seria o mínimo a esperar, em termos de respeito ao povo brasileiro e às instituições, que a Lava Jato, dada a importância que ela própria se deu, devolvesse aos brasileiros um Estado menos vulnerável aos males de uma corrupção endêmica que desde sempre o assolou. Uma obrigação, considerando os custos estratosféricos da própria operação, os milhares de empregos perdidos e a quebra de setores estratégicos da economia nacional, além dos efeitos colaterais relativos à desnacionalização do pré-sal, dentre outras incontáveis mazelas produzidas por um governo que é também um legado seu.

Então, à luz da História, destino último da Lava Jato, o que temos dessa operação que almejava ostensivamente passar o Brasil a limpo? Qual o seu legado? Como comparecerá perante o futuro quando objetivos e resultados poderão ser cotejados? Que expectativas tem hoje o brasileiro comum, nesse já pós Lava Jato, em relação ao seu país e às suas instituições? Que governo vige hoje quando a operação começa a sair de cena e a tornar-se história?

Consideraremos cinco indicadores, um de eficiência e quatro de eficácia, numa análise objetiva do papel da Lava Jato para o Brasil de hoje assim como perante os objetivos públicos que a própria operação se deu e que funcionaram no plano do discurso como nortes de sua atuação.

Abordaremos os indicadores de forma qualitativa, sem desejar ser exaustivos, tomando apenas fatos emblemáticos que os marcaram. Iniciaremos pelos aspectos metodológicos da operação que utilizaremos como um indicador de eficiência, e abordaremos de forma sumária o Impacto Financeiro, a natureza do Governo pós operação, o Clima Político e o Ambiente de Negócios, que assumiremos como indicadores de eficácia.

Cada indicador será precedido da descrição de um cenário alvo esperado considerando a operação como efetivamente voltada para o atendimento dos objetivos que se auto atribuiu no discurso, qual seja, o de constituir-se como a Borduna histórica contra a corrupção no Brasil.

Ao término concluiremos, à luz de cada um desses aspectos analisados, em que medida a operação atingiu ou não os indicadores alvo e a que está destinada perante a História .

Da metodologia da Lava Jato: Delatores e delatados

Cenário alvo

Considerando os seus objetivos aparentes, a Lava Jato deveria ser inatacável do ponto de vista metodológico para que o propósito alardeado de varrer o país da corrupção estabelecesse coerência entre os seus objetivos e os seus métodos, sem o que perderia credibilidade. Transparência, isenção e imparcialidade não poderiam ser secundarizadas. Nesse contexto, os fins da operação deveriam coincidir com os seus meios, ou seja, tudo que pudesse ser compreendido como corrupção, ou ilegalidade, deveria ter sido, desde o início, extirpado do leque metodológico.

O que aconteceu

Do ponto de vista da própria operação a sua metodologia não cumpriu a transparência que deveria ter tido pela natureza do seu objeto. É ilustrativo o fato de que nunca veio a público a explicação da métrica utilizada para a redução das penas dos delatores em decorrência da sua delação premiada. A delação do doleiro Youssef, por exemplo, como atesta O Globo, permitiu uma redução de pena de 122 para apenas três anos.

Além disso, a assimetria foi de tal magnitude na definição das penas dos supostos criminosos que dificilmente a interpretação da dosimetria pode ser feita sem considerar quem é cada réu no plano da política partidária. O Senador José Serra do PSDB, por exemplo, apesar de ter recebido em contas no exterior, conforme delação da própria Odebrecht, o equivalente a 23 milhões de reais,  (Folha de São Paulo), jamais sofreu sequer uma únca condução coercitiva para interrogatório. A sra. Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, igualmente titular de contas milionárias no exterior, foi sumariamente absolvida com argumento equivalente ao que levou Lula à condenação, conforme informa a Revista Forum. No caso do presidente Lula, porém, por um tríplex que nunca esteve em seu nome, foi vítima de uma condução coercitiva espetacular, teve áudios vazados, advogados grampeados e finalmente foi condenado a 9 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro. Na instância recursal, o TRF4, a tramitação do seu processo bateu todos os recordes de celeridade, passando na frente de sete outros processos, a maioria dos quais com acusações mais graves do que as que pesam contra ele. Finalmente, a sua defesa, ao requerer ao Ministério Público a oitiva de Tacla Durán, cujo testemunho foi negado pelo juiz Moro, personagem que trazia informações e provas que poderiam mais uma vez demonstrar a sua inocência esse, em lugar de assegurar o seu direito de ter a sua testemunha ouvida, incrivelmente o negou.  Finalmente a Chefe de Gabinete do TRF4, funcionária pública do Poder Judiciário, em cargo de confiança do presidente do Tribunal, foi autorizada por ele próprio a fazer militância política nas redes sociais pela condenação de Lula. A operação que pretendia acabar com a corrupção no Brasil trata cada réu de forma diferente e parece funcionar como uma casa de mãe Joana.

Impacto financeiro

Cenário Alvo

Estabelecido o objetivo de varrer a corrupção do Brasil, a operação deveria ter agido no sentido de proteger ativos nacionais e empregos posto que, em sendo esse objetivo verdadeiro, a própria economia nacional é que deveria ser protegida contemporaneamente à operação e beneficiada depois.

O que aconteceu

Do ponto de vista dos empregos perdidos pela empresas alvo da Lava Jato, a Revista Exame os calcula em cerca de 600.000, números que falam por si mesmos e criam dificuldade para interpretar os objetivos reais da operação. 

A perda de ativos pelas empresas nacionais, alcançou segundo o G1 cifras da ordem de 100 bilhões de Reais em vendas. Reconheçamos que é também legítima a análise do quanto em recursos públicos desviados retornaram aos cofres públicos em virtude da operação, variável sempre lembrada pelos agentes da Lava Jato. Nesse caso o HuffPost BR calcula em 10 bilhões de reais o volume de recursos que voltaram ao Poder Público em decorrência dos trabalhos realizados pela operação.

Embora não se possa reduzir o impacto financeiro de uma operação que se deu o grandioso objetivo de varrer a corrupção do Brasil, aos valores numéricos expostos acima, pois haveria, fosse a operação saudável, ganhos econômicos exponenciais no médio prazo em decorrência do saneamento da economia, é justo reconhecer que tais números são inteiramente desfavoráveis à Lava Jato e parecem exprimir, para dizer o mínimo, uma gravíssima miopia levando em conta que empregos e patrimônio nacionais foram completamente negligenciados no que toca à forma pela qual a operação transcorreu.

Vale lembrar que a Bayer que fez experimentos em humanos em campos de extermínio na segunda guerra mundial foi preservada pelo governo alemão do pós guerra, ou que a Renault envolvida em colaboração com os nazistas na França foi estatizada pelo governo francês, o que significa que mesmo em condições de delito de gravidade incomparavelmente maior que a corrupção, os países não consentiram em perder seus ativos nacionais e seus empregos. No caso da Lava Jato, o patrimônio nacional foi totalmente desprezado. Esse fato, que hoje pertence à história, emerge como o absurdo dos absurdos, porque ao banir a corrupção de um país, em sendo esse o objetivo verdadeiro, uma das preocupações de maior relevo teria absolutamente que ter sido, em todas as etapas da operação, a de proteger os empregos e o patrimônio nacionais, que deveriam ter sido encarados como verdadeiros prisioneiros dessas práticas criminosas e não como alvos a abater.

O Governo pós operação

Cenário Alvo

Um governo com alta credibilidade e autoridade moral capaz de aplicar politicamente os ganhos institucionais da operação que deveriam funcionar como ativos de alta relevância política.

O que aconteceu

Malas e caixas de dinheiro em apartamentos de ministros, familiaridade com homicídios “tem que ser um que a gente mata”, e por último a crise Cristiane Brasil, indicada por Roberto Jefferson, personagem envolvido e condenado no julgamento do mensalão, tornam dispensável qualquer aprofundamento desse item. Trata-se do governo mais escandalosamente envolvido em ilícitos desde o escândalo da Ilha Fsical. Esse cenário governamental, entretanto, responsabiliza a Lava Jato que teve papel crucial na instabilização do governo Dilma, ajudando a viabilizar um golpe de Estado, movido a dinheiro, conforme delação dos Batista. Finalmente, a tentativa explícita da compra de deputados para dar vida a uma Reforma da Previdência que contraria a maioria dos brasileiros é a pedra de toque de uma prática abertamente corrupta contra a qual sequer a PGR se insurge.

Clima político

Cenário Alvo

Uma nação alinhada a novos consensos cívicos que permitiriam que a necessária polarização direita/esquerda, que dinamiza e funda o Estado de direito, viesse a dar-se em novos níveis de civilidade.

O que aconteceu

O clima de ódios provocado pelos vazamentos seletivos advindos da Lava Jato e divulgados pela grande mídia de forma descontextualizada foram, nesse campo, o maior legado da operação. Ainda hoje não se sabe ao certo a que ponto nos levarão ou quando começarão a declinar. Por último, ilustra esse ódio guerreiro, a decisão do prefeito Dória de cancelar a cerimônia de inauguração de um viaduto com nome de Dona Marisa Letícia, decisão que não somente demonstra uma falta total de apego aos valores de respeito à institucionalidade republicana, como  também demonstra que sequer os valores cristãos sobreviveram. Poderíamos multiplicar os exemplos desse ódio com fatos ainda mais brutais, mas é dispensável.

Ambiente de negócios

Cenário Alvo

Banida ou muito enfraquecida a corrupção, o ambiente de negócios deveria ser imensamente beneficiado, atraindo investimentos para o Brasil e gerando clima de confiança na economia e no mercado consumidor.

O que aconteceu?

O Jornal o Estado de São Paulo em editorial de março de 2017 reconhece que a forma com que a Lava Jato estava tratando a corrupção afetava negativamente o ambiente de negócios no país. Por sua vez, num artigo publicado na Folha, o diretor presidente do Conselho de Administração do Banco Mundial, Octaviano Canutto, reconheceu, muito recentemente, em novembro de 2017, como “horrível” o ambiente de negócios do Brasil. Ele não atribui esse clima à Lava Jato, mas em sendo a operação a variável mais pesada a influenciar grande parte das cadeias produtivas de maior peso da economia nacional, essa, queira-se ou não está profundamente implicada nessa deterioração do ambiente de negócios, tendo produzido, portanto, o oposto do que deveria.

Conclusões

A análise objetiva, fundamentada em fontes da grande mídia nos autorizam a concluir que:
  1. Do ponto de vista metodológico a Lava Jato traiu a confiança dos brasileiros com uma abordagem parcial, assimétrica e opaca que em lugar de fazer dela um oásis de espírito público a reduziu a mais uma ação típica de um Estado autoritário e subdesenvolvido no qual as autoridades se comprazem em fazer o que bem entendem aos olhos de todos, como príncipes medievais, em lugar de orgulhar-se da prestação de contas dos seus atos à luz do dia;
  2. Do ponto de vista do impacto financeiro a Lava Jato recuperou 10 bilhões de reais para os cofres públicos ao custo inexplicável de 600.000 empregos e de 100 bilhões de reais em ativos do patrimônio nacional;
  3. Do ponto de vista da natureza do governo pós operação, em lugar de um governo rejuvenescido pela ação supostamente saneadora da Lava Jato temos um governo envolvido com tudo o que há de pior;
  4. Do ponto de vista do clima político, em lugar de termos galgado níveis mais elevados de civilidade e de aprofundamento do Estado de direito, o que temos hoje é um país mergulhado num ódio que verdadeiramente envenena a sociedade;
  5. Finalmente do ponto de vista do ambiente de negócios, tanto a imprensa, como altas autoridades do próprio mercado reconhecem que nunca esteve tão ruim.
Ora, se a Lava Jato não atingiu nenhum dos objetivos que deveria ter atingido se quisesse extirpar a corrupção do Brasil isso significa que, e a conclusão se impõe, esse era um objetivo cosmético. A Lava Jato se exaure não pelo atingimento do seu fim alardeado de extirpar a corrupção do Brasil, mas pela condenação de Lula.

Porém, aí também, como já vimos noutros artigos, a operação está derrotada, pois não conseguiu alcançar o intento de criminalizá-lo. Condenará, pois, um inocente e, ao fazer isso adentrará nos tribunais da História onde ela é que será julgada.

O prédio da História tem uma frase no seu frontispício para a Lava Jato e ela já pode começar a ser decifrada.

É uma frase de Dante e ela diz: Deixai toda esperança, vós que entrais!

Ion de Andrade
No GGN
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O “mito” solta os cascos


Jair Bolsonaro bem que tentou se vestir num figurino neoliberal, aceitável ao mercado.

Arranjou uns economistas algo aloprados para lhe darem aulas.

Mas não deu certo.

A besta-fera, o cafajeste que o habita foram mais fortes.

Na primeira “pegadinha” da imprensa, com seus imóveis e auxílios-moradia, perdeu as estribeiras.

Claro que todo mundo está sujeito a isso, mas Bolsonaro dá coices compulsivamente, a toda hora.

E sexo, aliás, não sai da sua cabeça, sempre com alto teor romântico: estupro, “comer gente”, etc.

A máquina de moer da mídia começou a cuidar dele.

E ele já soltou os cascos, como se vê na ilustração, em cima da repórter da Folha.

Até para a estupidez há limites.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Julgamento de Lula ditará um ano já inesquecível

Política girará em torno de Lula

TRF-4 tem de deixar política para políticos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será personagem fundamental nas eleições mesmo que seja impedido de concorrer
2018, INTRODUÇÃO A UM ANO DESDE JÁ INESQUECÍVEL

Dentro de 12 dias o calendário gregoriano oferecerá aos brasileiros a 1ª data marcante desse desde já incrível 2018. Qualquer resultado saído do TRF-4, em Porto Alegre, que não seja a absolvição de Lula, será inaceitável.

Inaceitável, sim. Não há sequer uma nesga de prova capaz de levar um tribunal isento a condenar um ex-presidente da República por supostamente se beneficiar de um apartamento cuja posse jamais foi sua. A ausência de provas fez o juízo tortuoso de Sérgio Moro atribuir ao petista uma promessa de ocupação do imóvel.

A partir da sentença do dia 24 saberemos se 50 anos depois do inolvidável 1968 seguiremos tendo um ano inesquecível em nossas vidas.

Pode-se ser simpático ou refratário a Luiz Inácio Lula da Silva. Pode-se ser lulista ou antilulista. Mas admitir a condenação de um líder popular da dimensão do petista numa ação eivada de vícios e com sentença marcada por forte sotaque de ativismo e politização judiciais é o mesmo que ficar de joelhos e curvar a espinha para um tirano.

No caso, a tirania é o Judiciário que há bom tempo está a manipular as cordas de uma parcela da velha imprensa. Mídia títere.

A crise conjugal dessa mídia velhaca, que entre 2014 e 2016 foi concubina do Ministério Público e manteve relações bígamas com a ala populista do Judiciário, trouxe o país a esse impasse: encenar um julgamento “justo” de Lula para não fazer o Brasil descer mais uma dezena de degraus no rol de nações civilizadas e depois mandar às favas as aparências a fim de absolver a horda de corruptos encastelada no governo ora em curso. Puro teatro.

Há uma década era impensável vir a público escrever que se pode classificar o resultado de um julgamento colegiado de Tribunal Regional Federal como inaceitável. Do ponto de vista das instituições republicanas andamos tão para trás em 2017 que desmerecer uma sentença judicial agora se tornou prudente. Para alguns, até elegante.

A isso fomos reduzidos porque juízes viraram comentaristas de costumes. Alguns não se dão ao respeito e sequer preservam aparências em redes sociais. O plenário do Supremo Tribunal Federal, em algumas sessões, assemelha-se a uma rinha de galos. A presidência pusilânime da ministra Cármem Lúcia, quando deveria expressar liderança necessária a fazer calarem os colegas mais ariscos, autoriza qualquer um a contestar a autoridade daquilo que outrora era juízo final. Não é mais final, nem fatal.

Absolvido ou condenado, Lula será o grande personagem desse ano eleitoral. Candidato até o fim do pleito, certamente estará no 2º turno e tem chances razoáveis de vencê-lo. Se vencer, é claro que deverá tomar posse e governar. A dificuldade de construir um leito de governabilidade será imensa, porém não há outro caminho a percorrer a fim pacificar um país atropelado pela aventura do impeachment de 2016 – aventura originada pela união da irresponsabilidade de Aécio Neves com os métodos chantagistas de Eduardo Cunha.

Ainda é janeiro, o pleito só se dará em outubro. Logo, há tempo para os não-lulistas se convencerem do melhor caminho para derrotar o ex-presidente: as urnas, depois de transcorrida uma campanha onde sejam debatidos os diferentes projetos de país. Vencer Lula ao arrepio das leis e lançando mão do ilegítimo ativismo judicial deixará feridas profundas, e talvez insanáveis, na História brasileira.

Se ao cabo da saga eleitoral de 2018 consumar-se a tragédia e o eleito for o capitão Jair Bolsonaro, resultado que considero improvável, nada restará a fazer senão deixá-lo assumir e cobrar dentro das normas o alto preço dessa loucura. Creio, contudo, estarmos saudavelmente distantes de tal pesadelo.

Constroem-se alternativas de centro-direita tão viáveis e tão legítimas quanto a aspiração de Lula de voltar ao poder. Uma delas é a candidatura de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. A outra, a renovada esperança de alguns setores enjoados com a política e crentes da viabilidade eleitoral do apresentador Luciano Huck.

Experiências presidenciais fora do campo da política deram errado tanto à direita quanto à esquerda. O general Eurico Dutra só se elegeu porque Getúlio Vargas descarregou nele todo o prestígio pessoal – depois, sucedeu-o. A ditadura militar nos legou um país atrasado, canhestro, profundamente desigual. Fernando Collor de Mello, playboy megalomaníaco, foi usado para deter o caminho natural pós-ditadura: Leonel Brizola. Dilma Rousseff, por fim, acreditou que a difícil vitória de 2014 a legitimara na política – terminou engolida pelos políticos.

A sofisticada costura à qual se entrega Maia desde julho do ano passado, quando escolheu o caminho da lealdade a Michel Temer e resistiu bravamente às inúmeras chances de assumir a cadeira presidencial, fizeram-no galgar 50 anos em 5 meses na escala de maturidade política e institucional.

Na esteira das duas denúncias de corrupção derrubadas por Michel Temer às custas do erário e de novos e inacreditáveis paradigmas de fisiologismo e cooptação alcançados pelo Poder Executivo, o presidente da Câmara evitou atalhos e preservou a biografia. Naqueles momentos, ceder e ajudar a derrubar um governo que florescera como fruto de uma conspiração era possível, viável e seria encarado como jogo jogado.

Agora, bem mais à vontade no centro da ribalta brasiliense, credor do Palácio do Planalto e observador atento dos torpedos lançados contra si pela própria equipe palaciana inconformada com o upgrade político obtido, Rodrigo Maia afina a sintonia da própria candidatura.

O presidente da Câmara faz da simplicidade o eixo condutor de sua proposta e de seu pragmatismo. Dá entrevistas com a naturalidade dos artistas e dos atletas. Ao falar, evita raciocínios tortuosos e enfrenta bravamente os temas mais duros. Parece querer dizer, a todo momento, que é simples falar a verdade. E a partir desse ponto deslinda o que parece ser o esboço de um projeto de país – liberal, antagônico ao de Lula e do PT, mas um inegável olhar para a frente.

A existência desse esboço de projeto liberal desenhado pelo DEM a partir de Maia e de seus dois coadjuvantes na modernização imposta à sigla nascida dos escombros do PFL, o prefeito de Salvador ACM Neto e o ministro Mendonça Filho, diferencia em tudo demistas de tucanos.

Pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin parece estar sendo cristianizado (leia aqui o significado do termo) antes mesmo do início formal da campanha eleitoral. Desestabilizado pela lambança armada por Aécio Neves, o partido que ocupou o Planalto por 8 anos com Fernando Henrique Cardoso e chegou ao 2º turno nos últimos 4 pleitos presidenciais é hoje uma ruína. Sobre seus destroços os próprios filiados jogam sal, como a querer evitar que dali brote algum futuro.

O estepe conservador para uma alternativa externa à política, caso todas as outras se verifiquem frágeis ante Lula e a força do lulismo, é ainda o apresentador Luciano Huck. Aventuras não são aconselháveis na política. Nossa historiografia já nos ensina isso.

Os dois impeachments brasileiros aconteceram durante mandatos de não-políticos, justamente porque a arrogância à flor da pele impediu-os de negociar com o Congresso, em que pesem as largas diferenças biográficas de Collor e de Dilma. No campo da ficção, Philip Roth especulou sobre o tema em Complô Contra a América: e se Charles Lindbergh, germanófilo assumido, houvesse vencido Franklin Roosevelt no pleito de 1940 evitando a aliança antinazista dos EUA com a Inglaterra, a União Soviética e a resistência francesa?

Huck não é um parvo. Longe disso. Tem formação, circula entre políticos – sobretudo tucanos – há alguns anos, buscou ampliar os horizontes da própria formação e possui sensibilidade social genuína. Mas nem o barro vermelho da Esplanada, nem o tapete verde da Câmara ou o azul do Senado, integram seus terreiros particulares. Os horizontes amplos dos entardeceres brasilienses não lhe caem com naturalidade. O apresentador global quer entrar no jogo, mas sinaliza que entra para ganhar. Quem conhece as regras da política sabe que o risco é inerente à atividade. Já os aventureiros são engolidos ou expelidos pelos profissionais. Logo, não se pode abrir a guarda para novas aventuras.

É por isso que dentro de 12 dias o calendário gregoriano oferecerá aos brasileiros a primeira data marcante desse desde já incrível 2018, como foi dito no início desse texto. Tudo se organizará a partir da sentença proferida pelos três desembargadores encarregados de reformar ou confirmar o juízo de Moro sobre Lula.

É aconselhável, portanto, que os desembargadores federais de Porto Alegre deixem a política solucionar o destino dos políticos. Que se isentem de posicionamentos capazes de sugerir uma intromissão esdrúxula do Judiciário no processo eleitoral. Na esteira do processo de impeachment, em 2016, o Judiciário pecou por atos e omissões no campo político. Estamos numa encruzilhada e as alternativas possíveis podem nos conduzir ora pela estrada do sebastianismo, ora pela do cinismo, ora pelo do pragmatismo.

Se a Nação optar pelo cinismo representado pela aventura da negação da política terá sido a pior das escolhas – ainda assim, tendo sido feita nas urnas em processo regular, será dolorosamente legítima e nos caberá viver a experiência e suas consequências.

Absolvido ou condenado, o ex-presidente será o eixo que sustentará as duas rodas nas quais se equilibra o país. À direita e à esquerda. Candidato até o fim, Lula é um player magnífico. Punido, afastado da cena mesmo à revelia das provas e ao arrepio do Estado de Direito, converte-se em movimento e pode ajudar a pôr um aliado no 2º turno.

Aventuro-me a apostar que o “plano B” do lulismo é o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad. Essa alternativa é sofisticada, e é competitiva. Tudo porque no afã de matar o PT, os adversários de Lula fortaleceram o lulismo. E o lulismo é mais perene do que o petismo. Rodrigo Maia parece ter enxergado isso antes de muitos, daí ter se dedicado a construir um projeto de país – e não um amontoado de imprecações contra “A” ou “B”. Haddad e Maia são políticos de uma nova geração. Antagonistas na forma de olhar o Brasil e o mundo, adversários políticos, são sábios para não deixar perseverar no país a lógica do confronto fraticida que vigorou sob inspiração de desqualificados como Neves e Cunha.

É por vislumbres do inusitado que a política fascina. E é por isso que não há caminho fora da política.

Luís Costa Pinto
No Poder360
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Candidatura de Lula mostrará vitalidade da democracia

Sociólogo e jurista português considera processo sobre uma "farsa jurídica", repleta de ilegalidades. Para ele, o movimento pró petista defende não só a democracia, mas "o primado do Direito"

"Como jurista, continuo sem entender como um juiz que faz uma investigação e faz acusação é quem julga"
A confirmação ou exclusão da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste 2018 será uma demonstração de vitalidade, ou não, da democracia brasileira, opina o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Também jurista, ele considera o processo que envolve Lula "uma farsa" repleta de ilegalidades, que em outro país poderia levar a uma repreensão do juiz responsável.

Boaventura chama ainda a atenção para o fato de, no Brasil, o juiz que investiga e acusa (Sérgio Moro) ser o mesmo que julga, algo impensável em outras democracias ocidentais. O pesquisador considera as articulações em defesa da candidatura Lula uma ação não apenas pela democracia. "É também um movimento em defesa do primado do direito", diz o professor da Universidade de Coimbra, diretor do Centro de Estudos Sociais da instituição e acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade de Wiscosin-Madison, nos Estados Unidos, país de onde falou para esta entrevista.

Independentemente de futuras composições ou alianças eleitorais, o sociólogo vê neste momento uma unidade da esquerda em defesa da democracia – para garantir a candidatura do ex-presidente. "Neste momento não há outra agenda para as forças de esquerda. Não deixar Lula ser candidato abre uma caixa de pandora na sociedade brasileira", acredita Boaventura, signatário do documento Manifesto Eleição sem Lula é Fraude, organizado por intelectuais e artistas e que se aproxima de 160 mil adesões nesta quarta-feira (10). 

Em uma eventual vitória progressista, no entanto, já não há mais espaço para uma política de conciliação, como ocorreu em 2003, no primeiro mandato de Lula na Presidência da República. "A ideia é que o eixo da política caminhasse um pouco mais para o centro. Não foi o que aconteceu."
"Há um revanchismo por parte das classes dominantes que não se justifica, pois o governo de Lula foi de conciliação, não de enfrentamento. Consequências das medidas tomadas pelo atual governo só serão sentidas mais adiante "
Como o sr. vê o julgamento do ex-presidente Lula marcado para o próximo dia 24, considerado decisivo para o próprio processo eleitoral?

Eu penso que é um momento muito importante da crise política que o Brasil atravessa. É um momento importante e de alguma maneira decisivo, fundamentalmente porque a candidatura do presidente Lula passa a ser o símbolo da vitalidade ou não vitalidade da democracia brasileira. A ideia é de que sem a candidatura, por agora pelo menos, a democracia fica irremediavelmente comprometida no Brasil. E será mesmo uma fraude.

Esse golpe tem continuado fundamentalmente com o ataque judicial e político ao ex-presidente Lula. O processo é realmente uma farsa jurídica, está cheio de ilegalidades, que em qualquer país levaria a disciplinar o juiz que o protagoniza. Tornou-se claro para a opinião pública brasileira, mesmo aquela que não está com o PT, que era uma instrumentalização política dos tribunais para impedir a candidatura Lula. A nível internacional, basta ver o modo como o tema está a ser coberto por jornais importantes (o inglês The Guardian, o espanhol El País, o francês Le Monde, o português Público). Não é só um movimento em defesa da democracia. É também um movimento em defesa do primado do direito. 

Os movimentos sociais se mobilizam, mas por que não se vê agora tanta gente nas ruas?

Por um lado, o Brasil tem uma sociedade civil muito ativa e organizada, os movimentos sociais têm tido grande força, mas acho que estão em estado de choque. (O momento) não tem precedentes, de fato, de um retrocesso político, social e jurídico tão rápido e tão violento e sem que tivesse havido uma ditadura. De repente, o mesmo sistema democrático está a lhes tirar essa inclusão (social), e acho que estão um pouco perplexos. Foi um desarme político muito grande, porque os movimentos sociais acreditaram fortemente nas possibilidades democráticas para alterar a sua vida. 

Sobre a mídia...

Outro fator é um quase monopólio dos grandes meios de comunicação, que falam em uma tentativa de purificar a democracia da corrupção, que ninguém está acima da lei, portanto criam uma ilusão política muito forte. Está a transformar o primado do direito em uma anedota. Ainda hoje como jurista, e conheço muitos juristas, continuo sem entender como é que um juiz que faz uma investigação criminal e faz determinada acusação é quem julga. A primeira instância é uma confusão entre o juiz que investiga e acusa e o juiz que julga. Criaram a ideia dominante no Brasil de que o tribunal federal (referência ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julgará o recurso de Lula no próximo dia 24) confirmará a decisão da primeira instância. 

Como o senhor vê a relação entre as forças de esquerda no processo eleitoral? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende uma "união pelo centro", seja o que isso for, para isolar tanto Lula como Bolsonaro.

Conheço essa posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e tenho uma leitura diferente. Estamos num momento em que as forças de esquerda estão muito centradas na defesa de Lula ser candidato. Neste momento não há outra agenda para as forças de esquerda. Há uma unidade para defender a democracia, digamos. Não deixar Lula ser candidato abre uma caixa de pandora na sociedade brasileira. Volta-se a uma certa normalidade democrática, ou então vai gerar um outro tipo de movimento, de contestação.

E o que é curioso ver é que os dois movimentos populares (Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo) têm que suas bases sociais são muito a favor do candidato Lula, mesmo que não estejam unidas na agenda que o candidato Lula apresentará. A minha suspeita é que isso não termina em 24 de janeiro. Há outras medidas jurídicas que serão acionadas. Tudo isso (liberdades civis, direitos dos trabalhadores) parece que vai por água abaixo. O PT errou com alianças com partidos que fizeram o golpe. Acho que é perfeitamente natural que forças de esquerda digam agora que isso não pode ocorrer amanhã. A experiência de Portugal mostra que a unidade de esquerda tem de se fazer com programa, entre forças de esquerda, não esquerda e direita. 

Pensando já em um novo governo a partir de 2018, o sr. acredita que há espaço, como em 2003, para novas políticas de conciliação?

Não, de modo nenhum, não vai ser possível, porque a conjuntura em que isso foi possível não vai se repetir nos próximos anos. Ela se fundamentou nos altos preços das commodities, que fez com que os produtos naturais e recursos minerais permitissem alcançar um processo de desenvolvimento econômico – à base de muita expulsão de camponeses, de destruição da natureza –, mas que permitiram que os ricos continuassem ricos. A desigualdade social não diminuiu, só que melhoraram a sua vida mais de 50 milhões de brasileiros. Isso foi uma conjuntura que eu diria em que todos ganharam. Penso que neste momento isso não é possível. Não estou a falar de grandes revoluções, grandes medidas, estou a falar, por exemplo, de uma tributação mais justa. O capital financeiro no Brasil é o mais usurário do mundo. Basta ver os estudos (sobre juros) do professor Ladislau Dowbor aí no Brasil. A direita não caminhou para o centro. A ideia é que o eixo da política virasse um pouco mais para o centro. Não foi o que aconteceu.

"Se algum país precisa de reforma são os EUA, onde um presidente inepto chegou ao poder e tem políticas que vão causar sofrimento aos americanos e ao mundo"
Ficou mais voraz...

Exatamente. Mais radical para a direita. Há um revanchismo da sociedade brasileira, por parte das classes dominantes, e fico a me surpreender com a agressividade deles. E nada se justifica, porque foi um governo de conciliação, não de enfrentamento. Caminhamos para um separar de águas. As medidas que estão a ser tomadas (reformas do atual governo) só vão entrar no bolso do brasileiro daqui a dois ou três anos. Isso aconteceu em Portugal, com as medidas de austeridade. A mãe de todas as reformas é da Previdência. As consequências, como se viu no Chile, vão acontecer mais adiante. Essas medidas ainda não entraram no bolso das famílias com a gravidade que vão entrar. 

Em obra recente, o sr. fala em refundar o Estado democrático e em uma nova postura dos partidos de esquerda. Com o triunfo recente das políticas liberais, o quão distante disso está a América do Sul dos dias atuais, especificamente o Brasil?

Estou falando dos Estados Unidos... Se algum país precisa de uma reforma é exatamente este, onde um presidente completamente inepto chegou ao poder e tem políticas que são completamente não só erradas e vão causar muito sofrimento aos americanos, mas vão causar muito dano no mundo inteiro. Portanto, a fundação do Estado democrático norte-americano é muito imperiosa, mas muito difícil de fazer. E mais, se houver alguma reforma parece que, pelos governadores do estados mais conservadores, é para tornar o Estado ainda menos democrático.

Para os partidos de esquerda, a fase é muito mais defensiva. A minha ideia é que para defender o que se conquistou é preciso uma reforma do Estado, do financiamento dos partidos. O sistema eleitoral no Brasil não representa minimamente... O Congresso é uma caricatura grotesca do Brasil. Precisamos de uma reforma tributária, da mídia, em que os veículos alternativos possam sobreviver, e não ficar apenas com migalhas. O que era bom é que se aprendesse com os erros do passado. O presidente Lula tem de saber que no outro ciclo não vai poder pôr em movimento as mesmas políticas. É outro período. Ele terá de governar como se fosse um pós-Lula.

Vitor Nuzzi
No RBA
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