25 de dez de 2018

O ano de encerramento do mandato de Dilma termina com uma angústia enorme

Em uma semana se encerra o mandato de Dilma.

Ela, naturalmente, não irá transmitir o cargo ao sucessor.

Há muitas, talvez infinitas formas de se contar a história do afastamento da primeira mulher a alcançar a presidência.

Independentemente daquela que lhe agrade, todas elas devem ter em comum a capacidade de ajudar a explicar a eleição de Bolsonaro.

Não estamos diante de uma eleição normal. Embora muitos de nós, com a colaboração dos “patrocinadores”, insistam em isolar a eleição do capitão: como se fosse um fato original – coisa que em essência não existe.

Da turma que entre 2014 e 2016 soube surfar a onda golpista, todos ganharam cargos, empregos, mandatos e promoções. E ganharam dinheiro. Muito. Do japonês da federal que lançou livro e deu entrevista, aos procuradores da operação que foram capa de revista semanal e lucraram uma boa bolada com palestras. Da advogada e professora de obra inexpressiva, das 45 mil moedas ao cargo de vereadora; jornalistas sensacionalistas da pior espécie, que agora disputam o controle da “manada” eleita pelo partido do capitão com militares autoritários e policiais aposentados. Até ator pornô sem graça ou qualidade cênica, esquecido e isolado, soube ganhar sua boquinha e agora tem gabinete em Brasília. Isso sem tocar nos jovens irresponsáveis do MBL, de financiamento duvidoso e nunca explicado. E os filhos do Presidente? Todos alçados à condição de celebridade, com mandato eletivo e milhões de votos. Sucesso imediato nas redes sociais, porque destilam ódio: racismo, misoginia, ódio de classe.

De todos esses personagens, o futuro ministro da justiça e ex-juiz, Sérgio Moro, foi quem melhor soube se posicionar na disputa pelo poder no país. Da primeira instância no Paraná, ele soube se beneficiar como ninguém das oportunidades que os processos violentos abrem: porque toda ruptura política é uma janela. Ele soube trilhar o caminho entre Curitiba e Brasília. Com olhos grandes sobre o Planalto, ele deve abandonar o barco se o capitão não estiver disposto a lhe dar preferência em 2022. E o governo Bolsonaro, que já nasce refém de sua própria incompetência e da “sujeira sob o tapete”, vai ser marionete nas mãos habilidosas e irresponsáveis de homens como Moro.

O ano de encerramento do mandato de Dilma termina com uma angústia enorme.

E com Lula preso.

Para que essa gente toda pudesse estar onde está e para que o país voltasse a figurar nos mapas da fome do mundo e nos mapas da indigência.

Não há celebração possível.

2019 já começou.

E o barulho dos fogos não vai me convencer do contrário.

Pedro Teixeirense

No Luís Felipe Miguel

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