31 de dez de 2018

Ignorância científica de Bolsonaro é espantosa


O jornalista Marcelo Leite, especializado em ciência e ambiente, expõe em artigo  a ignorância completa de Jair Bolsonaro em relação a temas científicos. "Não se trata só dos erros de português e pontuação, nem da cafonice premeditada, muito menos da infantilidade virulenta dos filhos. O que mais incomoda a um jornalista de ciência está no elogio implícito da ignorância, tamanho o desprezo com fatos, evidências e conhecimentos científicos básicos". 

Ele ilustra a ignorância do presidente eleito com o caso do grafeno. "Há na internet um vídeo de 2017 em que Jair Messias Bolsonaro, a pretexto de condenar a existências de terras indígenas, faz elogio rasgado a uma jazida de grafite no Vale do Ribeira (SP). Dizia então o pré-candidato que de cada quilo do material se podem extrair 150 gramas de grafeno, que valeriam US$ 15 mil".

"Problema, diz o futuro presidente: a Funai teria levado para aquela região 67 índios, alguns "importados do Paraguai". Toda a terra estaria requisitada pelo órgão para ser uma "reserva indígena" (coisa que não existe na legislação nacional)".
"Bolsonaro alude ao interesse de Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul pelo “nosso” grafeno. A conclusão, óbvia, nunca explicitada por ele: a Funai e os povos indígenas estariam a serviço de interesses antinacionais, uma velha ladainha entre militares de direita", diz Leite. 

"Note que Bolsonaro não dá informações precisas no vídeo. Não diz exatamente onde está, nem que índios são esses, ou quando a Funai os levou para lá, de quando é a requisição da área, qual o nome da terra indígena. A única afirmação verificável é que o grafite, por si só, quase não tem valor. Não tem mesmo. Se tivesse, os lápis que nossas crianças usam para aprender a escrever não custariam a bagatela que custam". 

O jornalista dispara: "Qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral sobre inovação tecnológica saberia que a questão não é ter acesso a grafite para conseguir grafeno, mas conseguir produzi-lo com grau apurado de qualidade e, mais importante, desenvolver técnicas para aplicá-lo em dispositivos inovadores e patenteáveis".

"Esse é só um exemplo das batatadas que ajudaram a eleger Bolsonaro, mas bem representativo do tipo de mistificações com que sua candidatura chegou à vitória eleitoral. Contra elas, esclarecimentos com os que vão acima se mostram quase inúteis e serão desqualificados de pronto como “fake news”". 

"É pouco provável que venha a ruir ainda em 2019 esse monumento à ignorância. Talvez nem mesmo em 2020, ou 2021, ou 2022, se uma eventual recuperação econômica der aos governantes e a seus apoiadores a ilusão de que estão certos. Não estão, claro. Bom 2023 para todos", conclui.

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